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PARTIDOS E ELEIÇÕES NO PARANÁ :

UMA ABORDAGEM HISTÓRICA

Adriano Nervo Codato Fernando José dos Santos (orgs.)

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARANÁ - 60 ANOS -

ribunal Regional

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Regional Eleitoral

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do Paraná

Paraná

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Paraná

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© Copyright dos autores

Direção Direção Direção: Direção Direção Ivan Gradowski Coordenação Coordenação Coordenação: Coordenação Coordenação Ana Flora França e
Direção
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Direção
Direção Ivan Gradowski
Coordenação
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Coordenação Ana Flora França e Silva
Capa
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Capa eeeee projeto gráfico: Milena Nervo Codato e Daniel Amaral Vilela
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gráfico:
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Revisão técnica
Revisão
Revisão
Revisão técnica
Revisão técnica
técnica:
técnica Gustavo Biscaia de Lacerda

Fábia Berlatto

Partidos e eleições no Paraná: uma abordagem histórica

Suplemento: PARANÁ ELEITORAL

Edição Comemorativa:

60 anos - Tribunal Regional Eleitoral do Paraná

ISBN 85-60558-00-4

Ciência Política. Direito Eleitoral. Direito Político. Direito Partidário. Eleições. Partidos

Políticos. Sociologia Política.

CDD 341.2805

Tiragem: 1.500 exemplares

Os conceitos e interpretações contidos nos trabalhos assinados são de exclusiva

responsabilidade de seus autores.

Quem não se preocupa com os fatos não pode entender a política.

Robert Robert Dahl Robert Robert Dahl Robert Dahl Dahl Dahl Análise Análise política moderna, 1976. Análise
Robert
Robert Dahl
Robert
Robert Dahl
Robert Dahl
Dahl
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Análise
Análise política moderna, 1976.
Análise
Análise política
Análise política moderna, 1976.
política
política moderna,
moderna,
moderna, 1976.
1976.
1976.

SUMÁRIO

Prefácio (Sérgio Soares Braga)

Prefácio

Prefácio

Prefácio

Prefácio

....................................................................................

9

Sobre os autores

Sobre os autores

Sobre os

os autores

os

autores

autores

Sobre

Sobre

........................................................................................................

13

Apresentação: Des. Clotário de Macedo Portugal Neto

Apresentação:

Apresentação:

Apresentação:

Apresentação:

...............................................

15

Introdução: Novos horizontes para o estudo da política

Introdução:

Introdução:

Introdução:

Introdução:

institucional no Paraná (Adriano Nervo Codato)

..........................................................

17

Lista de siglas

Lista de siglas

Lista de

Lista

Lista

de siglas

de

siglas

siglas

.............................................................................................................

23

Anos 1940

Anos

Anos

Anos

Anos

1940

1940

1940

1940

1.

1.

1.

1.

1.

AAAAA SEMILEGALIDADE CONSENTIDA:

SEMILEGALIDADE CONSENTIDA:

CONSENTIDA:

SEMILEGALIDADE CONSENTIDA:

SEMILEGALIDADE

SEMILEGALIDADE

CONSENTIDA:

O desempenho eleitoral do Partido Comunista no Paraná

em meados do século XX

Márcio Kieller .............................................................................................................25

Anos 1950

Anos

Anos

Anos

Anos

1950

1950

1950

1950

2.

2.

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2.

OOOOO VOTO INTEGRALISTAAAAA NONONONONO PPPPPARANÁ:

VOTO INTEGRALIST

VOTO INTEGRALIST

VOTO

VOTO

INTEGRALIST

INTEGRALIST

ARANÁ: ARANÁ: ARANÁ:

ARANÁ:

Uma análise das eleições presidenciais de 1955

Amanda Litzinger Gomes ..............................................................................................45

Anos 1960

Anos

Anos

Anos

Anos

1960 eeeee 1970

1960 1960 1960

1970

1970

1970

1970

3.

3.

3.

3.

3.

VOTAÇÃO AÇÃO AÇÃO AÇÃO DO MDB DO PPPPPARANÁ: ARANÁ: ARANÁ: ARANÁ:

AAAAA VOT AÇÃO DO MDB DO

VOT VOT VOT

DO MDB

DO

DO

MDB

MDB DO

DO DO

ARANÁ:

Uma análise histórica (1966 e 1978)

Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior ..............................................................................69

4.

4.

4.

4.

4.

AAAAA VOT AÇÃO DA ARENA NONONONONO PPPPPARANÁ:

VOTAÇÃO AÇÃO AÇÃO AÇÃO DA ARENA

VOT

VOT

VOT

DA ARENA

DA

DA

ARENA

ARENA

ARANÁ: ARANÁ: ARANÁ:

ARANÁ:

Uma análise histórica (1966 e 1978)

Jorge Eduardo França Mosquera ..................................................................................95

Anos 1980

Anos

Anos

Anos

Anos

1980

1980

1980

1980

5.

5.

5.

5.

5.

OPÇÃO PELO POPULISMO:

OPÇÃO PELO POPULISMO:

OPÇÃO PELO

PELO POPULISMO:

PELO

POPULISMO:

POPULISMO:

OPÇÃO

OPÇÃO

Dissidência política e renovação eleitoral no município de Ponta Grossa

Emerson Urizzi Cervi

.................................................................................................

125

Anos 1990

Anos

Anos

Anos

Anos

1990

1990

1990

1990

6.

6.

6.

6.

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CLIENTELISMO ELEITORAL EEEEE CORONELISMO POLÍTICO:

CLIENTELISMO ELEITORAL

CLIENTELISMO ELEITORAL

CLIENTELISMO

CLIENTELISMO

ELEITORAL

ELEITORAL

CORONELISMO POLÍTICO:

POLÍTICO:

CORONELISMO POLÍTICO:

CORONELISMO

CORONELISMO

POLÍTICO:

Estudo de um pequeno município paranaense

Alessandro Cavassin Alves .........................................................................................147

GEOGRAFIA DO VOTO DE ESQUERDA NONONONONO PPPPPARANÁ:

GEOGRAFIA DO VOTO DE ESQUERDA

GEOGRAFIA DO

7. GEOGRAFIA

7.

7.

7.

7.

GEOGRAFIA

DO

VOTO DE

DE ESQUERDA

DE

ESQUERDA ESQUERDA

DO VOTO

VOTO

ARANÁ: ARANÁ: ARANÁ:

ARANÁ:

Uma análise do desempenho eleitoral do PT nas eleições presidenciais

(1989-2002)

Luzia Maristela Cabreira Bonette ...............................................................................171

CORRUPÇÃO ELEITORAL NONONONONO PPPPPARANÁ:

8. CORRUPÇÃO ELEITORAL

8.

8.

8.

8.

CORRUPÇÃO

CORRUPÇÃO

CORRUPÇÃO ELEITORAL

ELEITORAL ELEITORAL

ARANÁ: ARANÁ: ARANÁ:

ARANÁ:

Um estudo de caso das eleições municipais de 1996

Fernando José dos Santos .........................................................................................187

9.

9.

9.

9.

9.

POLÍTICA LOCAL EEEEE AAAAA OCUP AÇÃO DE CARGOS

POLÍTICA LOCAL

LOCAL

LOCAL

OCUPAÇÃO

OCUP

OCUP

OCUP

AÇÃO

AÇÃO

DE

DE

CARGOS

POLÍTICA LOCAL

POLÍTICA

POLÍTICA

AÇÃO DE CARGOS ELETIVOS

CARGOS ELETIVOS

ELETIVOS ELETIVOS

DE CARGOS ELETIVOS

EMEMEMEMEM CURITIBA

CURITIBA (1985-2000)

CURITIBA

CURITIBA

CURITIBA

(1985-2000)

(1985-2000)

(1985-2000)

(1985-2000)

Louise Ronconi de Nazareno ......................................................................................219

Anos 2000

Anos

Anos

Anos

Anos

2000

2000

2000

2000

10. INSTITUCIONALIZAÇÃO PPPPPARTIDÁRIA:

10.

10.

10.

10.

INSTITUCIONALIZAÇÃO

INSTITUCIONALIZAÇÃO

INSTITUCIONALIZAÇÃO

INSTITUCIONALIZAÇÃO

ARTIDÁRIA: ARTIDÁRIA: ARTIDÁRIA:

ARTIDÁRIA:

Uma discussão empírica a partir do caso do PFL do Paraná

Emerson Urizzi Cervi & Adriano Nervo Codato .........................................................245

PREFÁCIO

Um sintoma da crescente institucionalização e profissionalização da Ciência

Política no Brasil é o surgimento de um corpus cada vez mais amplo e consistente de

estudos que tomam como objeto de análise atores, instituições e processos políticos nas

esferas subnacionais de governo. É cada vez maior e, mais importante, de maior qualidade

o número de trabalhos que buscam analisar processos políticos nos estados e municípios

brasileiros, investigando de maneira mais sistemática e profunda as características e a

diversidade dos vários “subsistemas” políticos que coexistem em nosso espaço territorial,

para empregar uma expressão de uso consagrado por este tipo de literatura.

O presente livro, organizado por Adriano Nervo Codato e Fernando José dos

Santos, se insere dentro desse contexto de aumento do interesse da corrente dominante da

Ciência Política brasileira pelas unidades político-administrativas subnacionais. Entretanto

os textos contidos nessa coletânea apresentam algumas características específicas e

qualidades que não são comuns de serem encontradas nesses tipos de estudos e para as

quais gostaríamos de chamar a atenção do leitor deste prefácio com vistas a estimulá-lo

desde logo a consultar da maneira mais atenta possível, uma a uma, as importantes

contribuições incluídas nesta obra coletiva.

Em primeiro lugar, devemos destacar o fato de o presente livro ser um ótimo

exemplo do tipo de intercâmbio que pode e deve haver entre a pesquisa acadêmica, que se

realiza na universidade (no caso, os pesquisadores integrantes do Núcleo de Pesquisa em

Sociologia Política Brasileira, da UFPR), e o importante trabalho de preservação,

sistematização e organização de informações realizado por instituições da idoneidade e

do porte do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Nesse sentido, as pesquisas compiladas

neste livro são uma excelente amostra do tipo de resultados que pode produzir tal

cooperação, se conduzidas por profissionais dedicados e efetivamente comprometidos

com a divulgação dos dados contidos nos acervos desses órgãos públicos para setores

mais amplos da população. Dados e informações estes aqui postos à disposição do

público especializado e do leitor comum no seu grau mais elevado de tratamento analítico,

ou seja, na forma de exposição dos resultados de pesquisas científicas.

Outra característica importante do livro, para a qual o leitor deve estar desde

logo atento, é a de que, embora “empiricamente orientados”, os textos constantes deste

trabalho fogem do empirismo de cunho descritivo presente em boa parte dos estudos

sobre as unidades subnacionais brasileiras, especialmente os produzidos sob o influxo

teórico-metodológico de certos modismos acadêmicos que, de tempos em tempos, assolam

a politologia nacional.

Ao contrário, embora amplamente ilustrados por evidências empíricas, cada

um dos textos contidos na coletânea traz, subjacente ao processo de exposição dos

resultados das pesquisas, a “problematização” de determinados conceitos ou hipóteses

teóricas que dão sentido e consistência analítica ao processo de coleta e sistematização

de tais evidências.

Assim sendo, um amplo leque de problemas de cunho propriamente teórico é

examinado no conjunto dos artigos, tais como: a participação eleitoral de partidos de

esquerda num contexto de “democracia restringida”; as várias hipóteses explicativas para

as causas do pitoresco voto paranaense num candidato conservador nas eleições

presidenciais de 1955 (o ex-integralista Plínio Salgado); o comportamento eleitoral e a

institucionalização política dos dois grandes partidos durante a vigência do bipartidarismo

autoritário no País (Arena e MDB); as causas da reemergência do populismo num pequeno

município do interior do estado; a sobrevivência de uma espécie de “neocoronelismo”,

em plena entrada do século XXI, em um pequeno município da região metropolitana de

Curitiba; a distribuição espacial dos sufrágios nas últimas eleições majoritárias para

presidente da República nos principais colégios eleitorais do estado; o padrão de corrupção

eleitoral observado nas eleições municipais no Paraná em 1996, através dos julgados de

um tribunal; as relações entre o Executivo e o Legislativo e o padrão de recrutamento das

coalizões e de comportamento dos vereadores nas últimas gestões da prefeitura de Curitiba;

e, para coroar o processo expositivo, a proposição de um modelo de análise que possibilite

a verificação empírica do “grau de institucionalização” das agremiações partidárias,

procedimento analítico corajoso e ambicioso no bom sentido do termo, que nos permite

refletir de maneira mais fundamentada sobre um dos mais controversos conceitos da

Ciência Política (o de “grau de institucionalização”).

Basta a mera enumeração desses significativos problemas de análise política

para verificarmos a riqueza e abrangência dos textos contidos nesta compilação. Por sua

vez, essa variedade temática é complementada por uma amplitude cronológica que possibilita

ao leitor uma visualização abrangente da evolução do “subsistema político” paranaense,

desde os primórdios de criação das primeiras instituições democráticas no pós-II Guerra

Mundial, quando os partidos semiclandestinos de esquerda ainda necessitavam utilizar

subterfúgios para apresentar em outras legendas seus candidatos aos pleitos eleitorais,

até os tempos presentes, quando uma outra esquerda, agora no poder, enfrenta os desafios

e os dilemas da institucionalização partidária e do “ser governo”, ou seja, do estar na

vanguarda do próprio processo de elaboração e de implementação de políticas

governamentais, podendo, portanto, ser responsabilizada por seus acertos e desacertos.

Por fim, gostaríamos de chamar a atenção para uma derradeira qualidade do

trabalho que, nem por ser a última, deixa de ser da maior relevância. É que, embora

centrados na análise de processos políticos ocorridos numa unidade subnacional específica

da região Sul do País, nada mais estranho aos vários textos contidos nessa coletânea do

que o provincianismo empolado que consiste em afirmar, a priori e sem o cotejo sistemático

com estudos de cunho comparativo, a “singularidade” ou a “diferença” específica dos

processos políticos ocorridos no estado do Paraná vis-à-vis outras unidades da federação.

Ao contrário, são problemas e preocupações universais da Ciência e da Teoria Políticas

que fazem parte do foco de interesses dos artigos e de seus autores, destituídos de

qualquer intencionalidade apologética em relação aos atores participantes de tais processos,

ou da preocupação algo provinciana com a “singularidade” dos fenômenos observados

ou com a “identidade” sociológica e cultural de uma determinada região, um tipo de

preocupação ainda presente em certa categoria de estudos históricos e sociológicos a

respeito das unidades subnacionais brasileiras, e que nem sempre produz resultados

analíticos fecundos.

Essa amplitude de vistas e densidade teórica, cujo sintoma mais patente é o bom

nível do diálogo empreendido com a literatura contemporânea produzida em vários ramos

das ciências sociais, faz com que Partidos e eleições no Paraná possa ser consultado com

proveito não apenas pelos leitores interessados nos problemas referentes à história e à

política paranaenses, mas também por pesquisadores e analistas de outros estados que

buscam inspiração e parâmetros analíticos comparativos para a realização de pesquisas

noutras esferas subnacionais.

Todas estas características e qualidades dos artigos contidos nessa coletânea –

dentre outras que o leitor atento perceberá ao percorrer os textos _ estão presentes de

forma concentrada neste livro, certamente devido à capacidade aglutinadora de seus

organizadores e sua dedicação ao trabalho coletivo de pesquisa. Sendo assim, resta ao

prefaciador parabenizar os autores e as instituições envolvidos na elaboração deste trabalho

que _ sem favor algum e para usar uma expressão que nem por ser um clichê deixa de ser

verdadeira _ constitui-se numa referência obrigatória para os estudos sobre “partidos e

eleições” nas unidades subnacionais brasileiras, e não apenas no estado do Paraná.

Como corolário dessas já longas considerações, resta-nos apenas fazer votos

para que a publicação deste livro inspire e estimule pesquisadores de outros estados e

municípios brasileiros a interagir da mesma forma com as respectivas instituições públicas,

para produzirem estudos da mesma qualidade e relevância que os contidos nesta importante

obra.

Sérgio Soares Braga Curitiba, maio de 2006.

SOBRE OS AUTORES

ADRIANO NERVO CODATO

Adriano Nervo Codato é professor de Ciência Política na Universidade Federal

do Paraná (UFPR) e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira.

É autor de Sistema estatal e política econômica no Brasil pós-64. Sao Paulo: Hucitec/ ANPOCS/Ed. da UFPR, 1997; e Political Transition and Democratic Consolidation: Studies

on Contemporary Brazil. New York; Nova Science, 2006. É editor da Revista de Sociologia

e Política.

ALESSANDRO CAVASSIN ALVES

Alessandro Cavassin Alves é mestre em Sociologia pela Universidade Federal do

Paraná (UFPR) e Bacharel em Ciências Sociais também pela UFPR.

AMANDA LITZINGER GOMES

Amanda Litzinger Gomes é Bacharel em Ciências Socias pela Universidade Federal

do Paraná (UFPR), e Especialista em Gestão de Políticas, Programas e Projetos Sociais,

pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

EMERSON URIZZI CERVI

Emerson Urizzi Cervi é graduado em Comunicação Social pela Universidade

Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e concluiu o mestrado em Sociologia na Universidade

Federal do Paraná (UFPR) em 2002. Cursa o doutorado em Ciência Política no Instituto

Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Atualmente é professor das

Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil) e Professor do Curso de Especialização em

Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná. Atua na área de Ciência Política,

com ênfase em comunicação política, opinião pública e comportamento eleitoral.

FERNANDO JOSÉ DOS SANTOS

Fernando José dos Santos é Assessor Técnico de Sessões e editor da revista

Paraná Eleitoral no TRE/PR, Professor de Direito Eleitoral nas Faculdades Integradas do

Brasil, co-autor de Crimes Eleitorais e Outras Infringências, Juruá Editora, 2ª Edição,

1996.

JORGE EDUARDO FRANÇA MOSQUERA

Jorge Eduardo França Mosquera é jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná

(UFPR). Foi repórter e editor em jornais de Curitiba, correspondente de esportes de O

Globo, correspondente de Veja e chefe da sucursal de O Estado de S. Paulo. Atualmente, é

coordenador de conteúdo do site da Prefeitura de Curitiba. Especializou- se em Sociologia

Política pela UFPR e cursa Direito nas Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil).

LOUISE RONCONI DE NAZARENO

Louise Ronconi de Nazareno é graduada em Ciências Sociais pela Universidade

Federal do Paraná (UFPR) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo

(USP). Socióloga do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social

(IPARDES), é também professora do curso de graduação em Ciência Política da Faculdade

Internacional de Curitiba (FACINTER).

LUZIA MARISTELA CABREIRA BONETTE

Luzia Maristela Cabreira Bonette é Graduada em Ciências Sociais pela

Universidade Federal do Paraná (UFPR), Especialista em Sociologia Política, também pela

UFPR, fez pós-graduação em Formação Pedagógica do Professor Universitário e é mestranda

em Educação na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

MÁRCIO KIELLER

Márcio Kieller é Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do

Paraná (UFPR), Mestre em Sociologia também pela UFPR e foi professor de Ciência Política

da Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). É autor do livro: PCB/PCdoB: a

unidade comunista no Brasil (Ibert, 2002).

MOACIR RIBEIRO DE CARVALHO JÚNIOR

Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior é graduado em Direito pela Pontifícia

Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), advogado em Curitiba, tem Especialização em

Sociologia Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e é mestrando em Gestão

Urbana na PUC-PR.

APRESENTAÇÃO

Logo após a minha posse na presidência do Tribunal Regional Eleitoral do

Paraná chegou-me a solicitação para minutar a apresentação de um livro organizado pelo

servidor Fernando José dos Santos, responsável pela já reconhecida revista “Paraná

Eleitoral”, e pelo professor Adriano Nervo Codato.

O livro intitulado Partidos e eleições no Paraná: uma abordagem histórica foi

levado a efeito pela parceria inédita e importantíssima, digo desde já, com o Núcleo de

Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, vinculado ao Departamento de Ciências Sociais

da Universidade Federal do Paraná, sob o patrocínio do Tribunal Eleitoral do Paraná.

Despido de qualquer sentimento de vaidade, mas tomado completamente pelo

orgulho, não posso deixar de registrar um fato histórico curioso, máxime em consideração

a abordagem histórica da publicação.

Clotário de Macedo Portugal, meu avô, há sessenta anos, foi o primeiro presidente

deste Tribunal. Agora, passados todos esses anos, como o fecho de um percurso, o fim de

uma caminhada, sou levado ao encargo de fazer a ligação dessas linhas históricas iniciadas

na conformidade daquela época.

Digo isso porque tenho certeza que seus atos, a seu modo, em muito contribuíram

para encaminhar esta então incipiente Justiça especializada.

Faço essa menção histórica com o único objetivo de trazer à reflexão o fato da

transitoriedade dos homens, administradores públicos.

Nesses 60 anos que intermediaram nossos mandatos, dezenas de

desembargadores, alguns melhores administradores, outros mais eloqüentes julgadores,

passaram pela cadeira da presidência desta Casa.

Uma passagem de olhos pela Galeria de ex-presidentes, que fica anexa à nossa

Sala de Sessões, nos remete a uma sensação de transitoriedade e eu diria até fungibilidade.

Pois bem, faço toda essa digressão para dizer-lhes, sem adjetivos inúteis, da verdadeira

importância da palavra escrita.

A contribuição do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, com

quem temos trocado valiosas informações, é de importância sem precedentes.

As observações sociológicas, políticas, os estudos doutrinários e todas essas

contribuições permanecerão para sempre.

Os escritores se tornam eternos por intermédio dos seus textos e as idéias, uma

vez publicadas, retratam toda uma época.

De algum modo, todos nós que integramos o Tribunal, magistrados e servidores,

temos o poder da representação pessoal e até de dizer em nome do Tribunal.

Todavia, são aqueles que ousam escrever sobre política, sobre direito e sobre

sociologia que, justamente, se eternizaram no poder da sabedoria.

Em nome do meu avô, que iniciou esta caminhada, agradeço a vocês pelo

empenho e pela direção a que empreenderam seus esforços.

Esta parceria inédita deve prosseguir.

Meus agradecimentos e estímulos aos coordenadores desta obra, professor

Adriano Nervo Codato, da área de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, ao

servidor Fernando José dos Santos, deste Tribunal, e a todos que contribuíram para esta

edição histórica, nomino-os individualmente para que, como ocorre com galeria dos ex-

presidentes, tenham sempre seus nomes lembrados: Márcio Kieller, Amanda Litzinger

Gomes, Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior, Jorge Eduardo França Mosquera, Alessandro

Cavassin Alves, Luzia Maristela Cabreira Bonette, Louise Ronconi de Nazareno e Emerson

Urizzi Cervi.

DES. CLOTÁRIO DE MACEDO PORTUGAL NETO Presidente

INTRODUÇÃO

Novos horizontes para o estudo da política institucional no Paraná

I. Dimensões de análise

Se no Brasil a Ciência Política custou a firmar-se como uma área de estudos de

direito próprio, com teorias, materiais e métodos que não fossem emprestados da Sociologia

ou do Direito Constitucional, no Paraná análises sistemáticas e regulares sobre a política

local só começaram a aparecer muito recentemente. Descontados três ensaios sobre

“partidos e eleições” na década de 1960 1 , o tema só receberia um tratamento mais objetivo

na segunda metade dos anos 1990 2 . Olhando a evolução do material publicado, o que se

constata é um campo inédito e imenso de questões, casos e problemas a explorar 3 .

Este livro retoma o caminho aberto pelos precursores, mas aproveitando-se do

significativo incremento (teórico e empírico) e da indispensável institucionalização da

nossa disciplina nos últimos vinte anos. São três os temas tratados: o desempenho político

dos partidos (à direita, ao centro e à esquerda); o estudo de determinadas eleições ao

longo do desenvolvimento político do estado; e as relações executivo-legislativo em nível

municipal. A variedade do material aqui impresso admite que se avalie (assim espero) a

dinâmica da política paranaense dos últimos cinqüenta anos nessas áreas específicas.

Trabalho indispensável que autoriza comparações históricas e geográficas que permitam

superar, de uma vez por todas, a mitologia “sociológica” da peculiaridade estadual,

construída e difundida com base em impressões muito circunstanciais e evidências, na

maioria das vezes, folclóricas. Assim, o decantado conservantismo “do Paraná” e “dos

paranaenses” (expresso dessa maneira e nesse grau de generalidade) adquire aqui uma

  • 1 Ver: Wilson Martins, O Paraná é uma incógnita. Revista Brasileira de Estudos Políticos, n. 8, abr. 1960, p. 229- 254; José N. dos Santos, Comportamento eleitoral do Paraná nas eleições de 1962. Revista Brasileira de Estudos Políticos, n. 16, jan. 1964, p. 227-250; e Altiva P. Balhana, Eleições em Santa Felicidade, 1945-1965. Revista Brasileira de Estudos Políticos, n. 27, jul. 1969, p. 203-260.

  • 2 V. Luzia Helena Herrmann de Oliveira, Democratização e institucionalização partidária: o processo políticopartidário no Paraná (1979-1990). Londrina: Editora da UEL, 1998; e Mário Sérgio Lepre, Caos partidário paranaense. Londrina: Editora da UEL, 2000.

  • 3 Falo aqui, evidentemente, da Ciência Política, meu ofício. Sociólogos, economistas e historiadores escreveram bons ensaios sobre “a política paranaense”. V., por exemplo, Francisco Paz, Cenários de economia e política do Paraná. Curitiba: Prephácio, 1991.

base objetiva e empírica, que o conecta com a dinâmica mais geral do sistema partidário

e com a evolução do comportamento eleitoral no Brasil na segunda metade do século XX.

O proveito em adotar essa perspectiva – historicamente mais ampla e cujo foco é ajustado

a partir do sistema político federal – é confrontar idéias persistentes, como a do “Brasil

diferente”, e repor a exceção paranaense nos seus devidos termos: como um caso entre

outros, ou como um caso que, afinal de contas, não está tão afastado assim das circunstâncias

políticas nacionais.

Daí que a originalidade desses dez estudos se situe menos no ineditismo dos

objetos que trata – o populismo, o clientelismo, a institucionalização partidária e a corrupção

política, e sua relação com a política local – , e mais na maneira em pensá-los: já que não

haveria tanto mérito em se declarar explorador de um território inexplorado. Nesse

contexto, como se sabe, a cada enxadada, uma minhoca.

II. Problemas de política regional

Este livro foi também elaborado a partir de uma perspectiva histórica. Desde a

redemocratização, que pôs fim ao Estado Novo, até o regime brasileiro atual, os estudos

reunidos aqui procuram dar uma visão menos generalizante e mais circunstanciada das

forças políticas que atuaram no estado da Segunda Guerra em diante. O volume que o

leitor tem em mãos acompanha a evolução do sistema político estadual, examinando a

dinâmica partidária e eleitoral do Paraná a cada década, de 1940 aos anos 2000.

O capítulo 1, A semilegalidade consentida, de Márcio Kieller, cobre o

desempenho eleitoral do Partido Comunista no Paraná logo depois do reconhecimento

oficial da agremiação, em 1945, fazendo um relato minucioso da participação dos seus

dirigentes nas eleições majoritárias e proporcionais até a década de 1960. O estudo

mobilizou um conjunto muito variado de fontes históricas. No Arquivo Público do

Paraná foi consultado o Fundo da Delegacia de Ordem Política e Social – Dops. No

Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) foram examinados o Livro-ata da fundação

e registro do Partido Comunista no estado em 1945; o Livro-ata da composição da

primeira direção estadual e municipal do PCB-PR; e o Livro-ata com os resultados das

eleições gerais e proporcionais de 1945 e 1947. Além disso, foram realizadas uma

série de entrevistas com dirigentes do Partido. Kieller sustenta que, mesmo com uma

participação muito pequena na vida legal dos estados (pouco mais de dois anos), o

PCB-PR atuou com força nos pleitos eleitorais que antecederam à cassação do seu

registro em 1947, elegendo quatro vereadores (dois em Curitiba, um em Antonina e um

em Londrina) e um deputado estadual (José Rodrigues Vieira Netto). Depois disso,

banidos do sistema político-eleitoral, os comunistas atuaram como força auxiliar de

partidos e frentes partidárias e dirigiram lutas sociais importantes no estado, como a

Campanha dos Comunistas pela Paz e o Levante de Porecatu, cumprindo assim um papel

fundamental na organização da esquerda no Paraná até o golpe de 1964.

A pesquisa de Amanda Litzinger Gomes, O voto integralista no Paraná (capítulo

2), é uma análise das eleições presidenciais de 1955 no estado a partir de duas interrogações:

por que o líder integralista Plinio Salgado, do minúsculo Partido de Representação Popular

(PRP), obteve um apoio político tão significativo? E por que o Paraná, onde Juscelino não

venceu, seguiu um padrão de votação diferente dos demais estados brasileiros? Nesse

pleito, Plinio alcançou a terceira maior votação (com 103 337 votos, conquistando por

isso 23% do eleitorado paranaense), batendo assim seus principais concorrentes (Juscelino

Kubitschek (da aliança PSD-PTB), Adhemar de Barros (do PSP) e Juarez Távora (da UDN-

PDC)) em vários colégios eleitorais importantes, dentre eles Curitiba, onde fez 40% dos

votos. Para responder a essas questões Amanda estudou o sistema político-partidário

brasileiro entre 1945-1964 e as principais linhas de força da política paranaense nos anos

1950. Concentrando sua atenção na campanha presidencial no Paraná, o exame dos dados

eleitorais em Curitiba destaca a coincidência da votação obtida por Plinio Salgado e a

obtida por Moysés Lupion, candidato a governador pela coligação PSD-PDC-PTN, em

todas as zonas eleitorais da cidade, com percentuais quase idênticos. Esse fato poderia

sugerir, segundo a autora, um processo maciço de transferência de votos (e prestígio

político) de Lupion a Plinio. Contudo, como não houve coligação formal entre os partidos,

nem campanha em comum entre os candidatos, sustenta-se que foi o eleitorado quem

produziu essa “aliança” informal. Essa conclusão, fundamentada empiricamente, contribui

para suspeitar das opiniões correntes que afirmam o conservadorismo atávico dos

paranaenses.

Os capítulos 3 e 4 merecem ser lidos juntos. Eles reproduzem, a partir dos

dados do TRE-PR, os resultados eleitorais obtidos pelo Movimento Democrático Brasileiro

(MDB) e pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) na primeira e na última eleição sob o

bipartidarismo, durante a ditadura militar, em 1966 e 1978. O primeiro estudo – A

votação do MDB do Paraná: uma análise histórica – de Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior

investiga o desempenho da sigla nas cinco maiores cidades do estado, ressaltando como

o processo de desenvolvimento urbano contribuiu para a polarização do voto. Procura-

se demonstrar que o processo de urbanização do Paraná, ao longo das décadas de 1960

e 1970, contribuiu, em certa medida, para a formação de um “espírito crítico” do eleitor

diante do regime, levando-o a optar pelo partido de oposição à ditadura. Jorge Eduardo

França Mosquera, autor do segundo estudo – A votação da Arena no Paraná: uma análise

histórica – , pôs à prova a tese conhecida segundo a qual o partido do governo era

invariavelmente bem sucedido no interior, econômica e culturalmente menos desenvolvido,

mas derrotado nas capitais. Os resultados obtidos pela Arena em Curitiba e nas outras

quatro principais cidades do estado (Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel) revelam

que, se em 1966 a Aliança Renovadora Nacional foi a força política hegemônica no Paraná

(inclusive na capital), em 1978 o partido da ditadura perdeu força também no interior,

vencendo apenas na conservadora Ponta Grossa.

O ensaio de Emerson Urizzi Cervi – Opção pelo populismo: dissidência política

e renovação eleitoral no município de Ponta Grossa – busca uma explicação para as

relações entre a elite política e o eleitorado em disputas municipais, enfocando o processo

de substituição de grupos hegemônicos pela oposição legal. No caso em análise (as

eleições municipais de 1996 em Ponta Grossa), a troca de um grupo político por outro

(cujo perfil era completamente diferente) se deu graças ao surgimento de uma liderança

“carismática e populista”, o radialista Jocelito Canto (do PSDB-PR). Sua eleição terminou

com um ciclo de treze anos em que uma mesma aliança política (conservadora) se

manteve à frente da prefeitura. A vitória de Jocelito não se deveu à pretensa manipulação

ideológica das necessidades das classes mais baixas, já que o candidato conseguiu maioria

de votos em todas as regiões da cidade, em todas as faixas etárias e em todas as camadas

sociais. Na verdade, a elite no poder entrou em crise interna, em especial no período que

vai de 1993 a 1996, aumentando assim a capacidade da dissidência política e a força da

oposição.

Sobre a década de 1990 o livro traz quatro estudos. Clientelismo eleitoral e

coronelismo político, de Alessandro Cavassin Alves (cap. 6), trata da política em pequenos

municípios. Segundo o IBGE, há no Paraná 323 cidades com menos de 20 mil habitantes.

Tomando o caso de Itaperuçu (na região Metropolitana de Curitiba) como exemplo, vê-se

que as estratégias das lideranças locais para vencerem as eleições, tanto para prefeito

como para vereador, ou as redes de apoio mútuo formadas por políticos estaduais e

federais com políticos e lideranças municipais, denunciam a permanência de práticas

pouco “modernas”. A análise da série de eleições majoritárias e proporcionais na cidade,

de 1992 até 2002 (para os três níveis: municipal, estadual e federal), indica que o

“coronelismo” e o “clientelismo” condicionam o funcionamento desse micro-sistema

político. Vigora em Itaperuçu, conforme mostra Alessandro, uma forma atualizada de

“compromisso coronelista”. As elites políticas locais – versões contemporâneas e mais

eficientes dos “coronéis” do interior – controlam, através do clientelismo, os votos do

município destinados a deputados estaduais e federais em troca de recursos orçamentários

para obras públicas na cidade, conservando, por essa via, seu prestígio e sua posição

política. O chefe municipal torna-se assim responsável (“padrinho”) pelas vitórias eleitorais

dos candidatos por ele apoiados, instaurando um intercâmbio de proveitos entre o poder

público estadual e federal com os governos municipais. Mas não só o processo eleitoral

firma esse “compromisso coronelista”. Há também aqui grande semelhança com a vida

política nos pequenos municípios brasileiros durante a República Velha (1889-1930), tal

como descrita por Victor Nunes Leal.

O capítulo 7 – Geografia do voto de esquerda no Paraná – de Luzia Maristela

Cabreira Bonette analisa o desempenho do Partido dos Trabalhadores no estado nas

quatro eleições presidenciais de 1989 a 2002. Iluminando o processo político dos últimos

anos, Luzia revisa a série quase infinita de condicionantes do voto “petista”, examinando

o comportamento dos eleitores em função da mudança de perfil/discurso do candidato;

das propostas do partido (ora à esquerda, ora ao centro); das sucessivas configurações

do meio político regional e nacional (o que envolve as diferentes coligações partidárias e

a adesão ou não das oligarquias locais à candidatura de Lula); do grau de informação e

sofisticação política dos votantes; da avaliação do candidato em função de características

e aspectos ligados a valores e símbolos de tipo moral (aparência, honestidade, credibilidade)

etc. Sua interpretação sustenta que os fatores explicativos variaram de eleição para eleição,

dependendo do contexto político, econômico e social em cada momento e em cada cidade,

o que impede a proposição de uma tese geral sobre as razões do voto na esquerda no

Paraná.

O capítulo 8 – Corrupção eleitoral no Paraná – é um estudo de caso das

eleições municipais de 1996 no estado e pretende entender e explicar o funcionamento da

justiça eleitoral e da estrutura legal frente às práticas de corrupção. Assim, Fernando José

dos Santos, através de uma criteriosa sistematização dos delitos registrados nos livros de

acórdãos do TRE-PR, oferece uma série de elementos que atestam a baixa eficiência da

estrutura jurídica existente, que não consegue tipificar os crimes mais lesivos para a

ordem democrática, principalmente o “abuso do poder econômico”.

Louise Ronconi de Nazareno descreve a dinâmica política recente em Curitiba

(entre 1985 e 2000), estudando o comportamento/atuação dos vereadores na Câmara

Municipal e, em especial, os processos de construção de apoio legislativo ao executivo. O

capítulo de Louise – Política local e a ocupação de cargos eletivos em Curitiba – é uma

tentativa, bem sucedida, de pôr em evidência as práticas clientelistas tradicionais que

reforçam os princípios, os instrumentos e o comportamento em geral dos atores políticos.

Para a autora, essas práticas estiveram a serviço da construção de uma aliança que

sustentou, no governo municipal, o grupo político de (ou ligado a) Jaime Lerner.

Por último, o capítulo 10 – Institucionalização partidária: uma discussão

empírica a partir do caso do PFL do Paraná – que escrevi com Emerson Cervi levanta as

razões da não institucionalização do Partido da Frente Liberal no Paraná. Contrariando o

estilo da agremiação em nível nacional 4 , o PFL-PR permaneceu um partido fraco, mesmo

depois de ocupar cargos no governo do estado durante a segunda gestão de Jaime Lerner

(1999-2002), mesmo depois de conhecer um expressivo aumento do número de cadeiras

nos legislativos estadual e municipal, um aumento importante do número de prefeituras e

alcançar uma influência política expressiva na Assembléia. Nossa hipótese é que a análise

isolada das informações sobre o incremento eleitoral e a presença institucional do PFL

não são suficientes para evidenciar se houve um “fortalecimento” do partido no Paraná a

partir da filiação do governador, em 1997. De fato, depois disso nunca ocorreu o que

seria usual esperar: um controle do governo pelo partido, mas exatamente o inverso, o

controle do partido pelo governo, passando o PFL a depender estritamente do prestígio/

poder de Jaime Lerner.

III. Fontes dos capítulos

Com exceção do capítulo 9 (de Louise Ronconi de Nazareno) e do capítulo 5 (de

Emerson Urizzi Cervi), todos os demais estudos aqui publicados resultaram de trabalhos

orientados por mim no âmbito do projeto Instituições e comportamento político no Brasil

contemporâneo: o Paraná em perspectiva histórica, que desenvolvemos no Núcleo de

Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, do Departamento de Ciências Sociais da

4 Como se sabe, o PFL é um partido coeso, disciplinado e, durante os mandatos de Fernando Henrique (1995- 2002), com grande capacidade de influência junto ao executivo.

Universidade Federal do Paraná, entre 2001 e 2005.

“Institucionalização partidária: uma discussão empírica a partir do caso do PFL

do Paraná”, de Emerson Urizzi Cervi & Adriano Nervo Codato (cap. 10) é uma versão

bastante modificada do paper O PFL do Paraná: marginalidade e centralidade no sistema

político subnacional apresentado no III Encontro Nacional da Associação Brasileira de

Ciência Política (ABCP) em Niterói (RJ) em 2002. “O voto integralista no Paraná: uma

análise das eleições presidenciais de 1955", de Amanda Litzinger Gomes (cap. 2) e

“Clientelismo eleitoral e coronelismo político: estudo de um pequeno município

paranaense”, de Alessandro Cavassin Alves (cap. 6) são, ambas, novas versões dos trabalhos

de conclusão do curso de graduação em Ciências Sociais dos seus autores na Universidade

Federal do Paraná em 2003. Os capítulos 3, 4, 7 e 8, de Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior,

Jorge Eduardo França Mosquera, Luzia Maristela Cabreira Bonette e Fernando José dos

Santos, respectivamente, são adaptações das monografias apresentadas pelos autores em

2004 ao curso de Especialização em Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná.

E, por fim, “A semilegalidade consentida: o desempenho eleitoral do Partido Comunista no

Paraná em meados do século XX”, de Márcio Kieller (cap. 1), é parte da dissertação de

mestrado do autor apresentada ao programa de pós-graduação em Sociologia da UFPR em

2004 sob o título: A elite dos comunistas: um perfil socioeconômico dos dirigentes

estaduais do Partido Comunista Brasileiro no Paraná (1945-1964).

Adriano Nervo Codato Curitiba, Praça do Expedicionário, maio de 2006.

LISTA DE SIGLAS

Acipg - Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa

Acipg

Acipg

Acipg

Acipg

ALN - Aliança Libertadora Nacional

ALN

ALN

ALN

ALN

Arena - Aliança Renovadora Nacional

Arena

Arena

Arena

Arena

CMC - Câmara Municipal de Curitiba

CMC

CMC

CMC

CMC

Codepar - Comissão de Desenvolvimento do Paraná

Codepar

Codepar

Codepar

Codepar

Cohab - Companhia de Habitação do Paraná

Cohab

Cohab

Cohab

Cohab

CTNP - Companhia de Terras Norte do Paraná

CTNP

CTNP

CTNP

CTNP

DOPS - Departamento de Ordem Política e Social

DOPS

DOPS

DOPS

DOPS

FDLN - Frente Democrática de Libertação Nacional

FDLN

FDLN

FDLN

FDLN

FEB - Força Expedicionária Brasileira

FEB

FEB

FEB

FEB

Femoclan - Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região

Femoclan

Femoclan

Femoclan

Femoclan

Metropolitana

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IBGE

IBGE

IBGE

IBGE

IPC - Índice de potencial de consumo

IPC

IPC

IPC

IPC

MDB - Movimento Democrático Brasileiro

MDB

MDB

MDB

MDB

OAB - Ordem dos Advogados do Brasil

OAB

OAB

OAB

OAB

PPPPPANANANANAN - Partido dos Aposentados da Nação

PCB - Partido Comunista Brasileiro

PCB

PCB

PCB

PCB

PCdoB - Partido Comunista do Brasil

PCdoB

PCdoB

PCdoB

PCdoB

PDC - Partido Democrata Cristão

PDC

PDC

PDC

PDC

PDS - Partido Democrático Social

PDS

PDS

PDS

PDS

PDT - Partido Democrático Trabalhista

PDT

PDT

PDT

PDT

PFL - Partido da Frente Liberal

PFL

PFL

PFL

PFL

PGT - Partido Geral dos Trabalhadores

PGT

PGT

PGT

PGT

PHS - Partido Humanista Social

PHS

PHS

PHS

PHS

PIB - Produto interno bruto

PIB

PIB

PIB

PIB

PJ - Partido da Juventude

PJ

PJ

PJ

PJ

PL - Partido Liberal (fundado em 1985)

PL

PL

PL

PL

PL - Partido Libertador (período 1946-1964)

PL

PL

PL

PL

PMB - Partido Municipalista Brasileiro

PMB

PMB

PMB

PMB

PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro

PMDB

PMDB

PMDB

PMDB

PMN - Partido da Mobilização Nacional

PMN

PMN

PMN

PMN

PP - Partido Progressista

PP

PP

PP

PP

PPB - Partido Progressista do Brasil

PPB

PPB

PPB

PPB

PPS PPS PPS PPS - Partido Popular Socialista PPS PRPRPRPRPR - Partido Republicano PRN PRN PRN
PPS
PPS
PPS
PPS - Partido Popular Socialista
PPS
PRPRPRPRPR - Partido Republicano
PRN
PRN
PRN
PRN - Partido da Reconstrução Nacional
PRN
PRP
PRP
PRP
PRP
PRP - Partido de Representação Popular
PRP
PRP
PRP
PRP
PRP - Partido Republicano Progressista
PRT
PRT
PRT
PRT
PRT - Partido Republicano Trabalhista
PSB
PSB
PSB
PSB
PSB - Partido Socialista Brasileiro
PSC
PSC
PSC
PSC
PSC - Partido Social Cristão
PSD
PSD
PSD
PSD - Partido Social Democrático
PSD
PSDB
PSDB
PSDB
PSDB
PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira
PSDC
PSDC
PSDC
PSDC - Partido Social Democrata Cristão.
PSDC
PSL
PSL
PSL
PSL
PSL - Partido Social Liberal
PST
PST
PST
PST
PST - Partido Social Trabalhista
PT
PT
PT
PT
PT - Partido dos Trabalhadores
PTB
PTB
PTB
PTB
PTB - Partido Trabalhista Brasileiro
PTdoB
PTdoB
PTdoB
PTdoB
PTdoB - Partido dos Trabalhadores do Brasil
PTN
PTN
PTN
PTN
PTN - Partido dos Trabalhadores da Nação
PV
PV
PV
PV
PV - Partido Verde
RMC
RMC
RMC
RMC
RMC - Região Metropolitana de Curitiba
SNI
SNI
SNI
SNI - Serviço Nacional de Informações
SNI
SRPG
SRPG
SRPG
SRPG
SRPG - Sociedade Rural de Ponta Grossa
TRE
TRE
TRE
TRE
TRE - Tribunal Regional Eleitoral do Paraná
TSE
TSE
TSE
TSE - Tribunal Superior Eleitoral
TSE
UDN
UDN
UDN
UDN
UDN - União Democrática Nacional
UFPR
UFPR
UFPR
UFPR - Universidade Federal do Paraná
UFPR
URSS
URSS
URSS
URSS
URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

CAPÍTULO UM

A SEMILEGALIDADE CONSENTIDA:

O DESEMPENHO ELEITORAL DO PARTIDO COMUNISTA

NO PARANÁ EM MEADOS DO SÉCULO XX

Márcio Kieller

1. A SEMILEGALIDADE CONSENTIDA:

O desempenho eleitoral do Partido Comunista no Paraná em meados do século XX 1

Este capítulo trata do Partido Comunista do Brasil (PCB), tanto nas suas

participações legais, ou seja, nas eleições que ocorreram no período de abertura

democrática, entre os anos 1945 e 1947, como também em sua fase clandestina, quando

se apresentou nos processos eleitorais de forma organizada, por meio de outras legendas

ou apoiando politicamente diversos candidatos, mesmo que informalmente. Busca-se

analisar o desempenho dos comunistas nessas eleições, bem como suas táticas e estratégias

eleitorais. Para tanto, verificamos quem foram os seus candidatos, em que setores atuavam,

como foi a organização de suas campanhas, quais votações obtiveram e qual foi a posição,

a importância e o papel do partido e de seus candidatos nessas disputas eleitorais. Os

dados foram obtidos no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).

I. O RECONHECIMENTO LEGAL DO PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL

Os primeiros documentos sobre a existência legal do Partido Comunista no

Paraná só apareceram por volta de 1945 2 , quando se criou o TRE do Paraná; como disse

Gildo Marçal Brandão, “[

...

]

(BRANDÃO, 1997a, p. 89).

Só a partir de 1945 o PCB começa a existir como partido”

O fim da II Guerra Mundial levou a uma grande mudança nos rumos da geopolítica

internacional. No final desse período, ao ser pressionado a tomar uma decisão, o Brasil

posicionou-se junto ao bloco aliado. Isso acarretou enormes mudanças políticas e sociais

para o país, como a abertura política, que colocou fim ao Estado Novo getulista, vigente

desde o ano de 1937 3 .

  • 1 O presente texto é uma versão atualizada do capítulo “O PCB e as eleições”, que integra a minha dissertação de mestrado em Sociologia defendida em 2004 no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná. A pesquisa focalizou os dirigentes comunistas paranaenses entre os anos de 1945 e 1964 e teve por título A elite dos comunistas: um perfil sócio-econômico dos dirigentes estaduais do Partido Comunista Brasileiro no Paraná.

  • 2 Entretanto os arquivos da repressão do Estado Novo no Paraná, guardados junto aos arquivos do Fundo DOPS, informam que existiam comunistas e atividades comunistas no estado já a partir da década de 1930.

  • 3 Com a implantação do Estado Novo foi outorgada a Constituição de 1937, conhecida pelo nome de Polaca, devido ao fato de basear-se na Constituição fascista da Polônia. Por ela o poder Executivo e Presidente da República eram os órgãos supremos do país, controlando todos os poderes e nomeando interventores para governá-los; dentre outras possibilidades, podia ainda acabar com a autonomia dos estados e com as bandeiras estaduais e criou a pena de morte no Brasil.

Os partidos estavam todos na clandestinidade, existia um quadro político no

Brasil em que o partido era o Estado e vice-versa. Sartori descreve esse sistema como

sendo um partido do Estado: “O rótulo é habitualmente aplicado aos Estados comunistas,

mas é também adequado ao nazismo, ao fascismo italiano e a todos os que se inspiram

nesses protótipos. Na linguagem abstrata de uma racionalização, o argumento é o de que

enquanto os partidos são partes não podem, por essa razão mesma, identificar-se com o

Estado. Pois todos não podem coexistir se não tendem a coincidir. Nesse sentido pode-se

dizer o que partido único é uma duplicação do Estado” (SARTORI, 1982, p. 66).

Com a volta da legalidade democrática em função da vitória dos aliados na II

Grande Guerra, o quadro no Brasil mudou; assim, caminhava-se desde 1943 para a

abertura política que se consolidou em 1945 com a volta dos partidos políticos e a

convocação de uma nova Assembléia Nacional Constituinte.

A justiça eleitoral, que fora extinta em 1937 com o Estado Novo, foi novamente

colocada em funcionamento pelo governo Getúlio Vargas. Em 1945, mais precisamente no

dia 7 de junho, instalou-se no Paraná o Tribunal Regional Eleitoral, sob a presidência do

Desembargador Clotário de Macedo Portugal. Junto com ele havia mais nove funcionários

de outras secretarias. Entre a criação desse Tribunal e as primeiras eleições depois do fim

do Estado Novo, que aconteceriam em 2 de dezembro de 1945, houve uma distância de

apenas sete meses.

O Partido Comunista do Brasil no Paraná, a exemplo do que aconteceu no nível

nacional, voltou a atuar legalmente apenas depois de 1945, já com uma política nacional e

organizado nos estados. No Paraná o conjunto de comunistas já era razoável, pois com o

fim do Estado Novo e a redemocratização do país, um bom número de intelectuais

aproximou-se do Partido, movidos pela liderança que Prestes exercia e também em

virtude das campanhas em favor do envio da Força Expedicionária Brasileira para a

Europa, contra o nazismo.

A novidade para o PCB era a legalidade. Diferentemente do que ocorrera no

passado, ele poderia participar e disputar eleições como qualquer outro partido. Assim,

participou legalmente das eleições de 1945, quando, elegeu uma boa bancada federal,

assim como na eleição de 1947.

A ata de fundação do Partido no Paraná, segundo depoimentos, data de 1945.

Porém sua criação legal aconteceu primeiramente em Curitiba, com uma reunião de seu

Comitê Estadual para a fundação do Comitê Municipal do PCB, que, segundo o jornal

Gazeta do Povo do dia 7 de julho de 1945, ocorreu exatamente um mês depois da instalação

do TRE-PR. O Comitê Municipal compunha-se de dez membros efetivos e dois suplentes

e foi registrado no TRE-PR após uma semana nas mãos do então Primeiro Secretário

Político do PCB na capital, o ferroviário Arpad Printz, conforme segue: “Ata da 16ª sessão

extraordinária do Egrégio Tribunal Regional Eleitoral do Paraná [

...

].

Aos quatorze dias

do mês de julho do ano de mil novecentos e quarenta e cinco [

...

]

O escrivão Eleitoral, de

acordo com autorização deste Egrégio Tribunal e do senhor Arpad Printz, Secretário do

Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil em Curitiba, comunicam a instalação do

mesmo comitê” (TRE-PR, 1945).

Somente após a fundação do Partido na capital é que seu Diretório Estadual foi

fundado legalmente, tendo seu registro aceito no TRE-PR em novembro de 1945, dias

antes das eleições para a escolha do novo Presidente e da Assembléia Nacional Constituinte

que aconteceriam no início de dezembro de 1945. O Partido teve seu diretório reconhecido

em uma sessão extraordinária do TRE do Paraná: “Ata da 3ª sessão extraordinária do

Egrégio Tribunal Regional Eleitoral do Paraná [

...

]

Aos dezessete dias do mês de novembro

do ano de hum mil novecentos e quarenta e cinco [

...

]

julgamentos: [

...

]

Processo 807

classe D de Curitiba. Interessado o Partido Comunista do Brasil. Relator exmo. Sr. Ernani

Cartaxo. O Tribunal mandou proceder ao registro da Direção Estadual” (TRE-PR, s/d-a, p.

154).

O Partido tornou-se legal. A fundação oficial do PCB no estado foi seu marco zero.

Segundo Galvão:

“Quando o Partido anunciou que seria instalado no Paraná, nós procuramos o

Comitê Provisório que era dirigido por um senhor que [

...

]

participava do CNOP – Comitê

Nacional de Reorganização Provisória. O CNOP, nesse final de guerra – que começou uma

certa liberação de presos políticos –, destacou elementos locais para fazer uma organização

regional, em vários estados, os principais estados da época. Eu participei das primeiras

reuniões oficiais, assinei ata de fundação e tive um cargo na Direção Estadual no Paraná”

(GALVÃO, 2002, p. 1).

A descrição acima, feita por Nelson Torres Galvão, confirma os documentos

encontrados tanto no TRE-PR como nos arquivos do Fundo DOPS, guardados junto ao

Arquivo Público do Paraná, relativos à data de fundação do Partido em 1945. Esses

documentos indicam a data e a fundação do PCB e quem eram os membros da primeira

Direção Estadual do Partido.

A Comissão Executiva, registrada no TRE-PR no dia 17 de novembro de 1945,

foi lançada em setembro de 1945, em uma grande reunião que aconteceu em Curitiba no

antigo Cine Vitória 4 , com caravanas vindas de diversos lugares do estado, representando

os recém-criados diretórios municipais. Nesse lançamento legal o Partido Comunista do

Brasil, seção Paraná, homologou a composição do primeiro Secretariado 5 , integrado

pelos seguintes comunistas: “Secretário Político – Walfrido Soares de Oliveira, ferroviário;

Secretário de Organização e Finanças – Vilário Muller, trabalhador manual; Secretário de

Massas Eleitoral – Elias Neves Miranda, ferroviário; Secretário Sindical – Bernardo Burba

Filho; Secretários de Divulgação e Propaganda – Flávio Ribeiro, Hortêmio Batista, Aureliano

Matos Moura e Waldemar Reickdhal” (FUNDO DOPS, s/d-a).

  • 4 O lançamento do Comitê Estadual do Partido Comunista recebeu destaque de diversos jornais da época, como a Gazeta do Povo, em que se fizeram análises sobre o significado da instalação do comitê, onde seriam os alojamentos e como seria a cerimônia de posse, além de sua composição e de outros detalhes.

  • 5 Para os comunistas o Secretariado tem o mesmo peso que uma Diretoria Executiva.

II. O PCB LEGAL E SUA POLÍTICA DE ALIANÇAS ELEITORAIS

O PCB, por mais que procurasse ter uma fisionomia revolucionária, sempre

buscou inserir-se nas disputas eleitorais, apresentando-se como uma alternativa de poder.

Ele somente radicalizou sua linha política nos momentos em que se encontrava na

clandestinidade, o que o forçava a mudar sua política de aliança com a pequena burguesia

e a pregar a aliança operária e camponesa, como fizera no início dos anos 1950 6 , com a

proposição da formação de uma Frente de Libertação Nacional. Essa postura era fruto das

novas orientações soviéticas, de aprofundar o enfrentamento ao regime capitalista, para

demarcar espaço geopolítico.

Fora esse período de radicalização, que foi do início da década de 1950 a

meados de 1955, o partido historicamente buscou construir alianças que privilegiaram

uma tendência centrípeta alinhada com a classe média. Segundo Milton Ivan Heller, essas

alianças nunca foram satisfatórias, pois, apesar da insistência do Partido em construir

alianças com o centro, este não queria fazer alianças com a esquerda. Nesse sentido,

alguns historiadores afirmam que o Partido sempre deixou de lado alianças mais à esquerda

por sua preferência pelas alianças mais ao centro:

“O Partido dizia que era necessária uma política de união nacional contra o

imperialismo e de aliança com a burguesia. Mas a burguesia estava no poder e não

precisava fazer aliança com ninguém. E, se precisava, não ia fazer aliança com o Partido

Comunista, isso é uma coisa lógica. Só os comunistas é que não enxergavam isso. Criava-

se essa legenda de que havia a possibilidade de aliança com a burguesia. Mas a burguesia,

como classe, sempre foi arredia a qualquer tipo de aproximação com o Partido Comunista

– isso não foi só aqui, é um fenômeno mundial” (HELLER, 2001, p. 20).

Essa tese comprova o que diversos autores constataram: o Partido tinha uma

propensão ao centro, deixando seus históricos aliados – operários e trabalhadores – fora

de suas alianças prioritárias. Gildo Marçal Brandão comenta que, na segunda metade da

década de 1930, o Partido caiu nos braços de setores médios do Exército, o que, segundo

esse autor, ocorreu em virtude da entrada de Luís Carlos Prestes no Partido. Mas o fato é

que, mesmo devido à sua composição social, a maioria dos seus quadros era oriunda das

classes média e alta:

“O PC, partido eminentemente urbano, recrutou a maior parte de seus dirigentes

entre a intelectualidade (professores universitários, jornalistas, estudantes), as forças

armadas (Exército, média oficialidade) e o proletariado. [

...

]

Do ponto de vista étnico, os

principais dirigentes do PCB são, majoritariamente, homens, brancos, brasileiros de

famílias há muito radicadas no país (em vários casos, originários de troncos oligárquicos

nordestinos decadentes) e, secundariamente, judeus e italianos, mulatos e mestiços”

(BRANDÃO, 1997a, p. 197).

Essa composição social do Partido – ligada às classes média e alta – talvez

6 Sobre esse assunto, cf. Carone (1982, p. 108-109).

explique a identificação com o ideário etapista 7 , por muito tempo desenvolvido pelo PCB

(à exceção do período compreendido entre o início e a metade dos anos 1950). Afinal,

desde discussões acerca das influências agrário-camponesas, passando pelas questões

do etapismo como fase de superação da atrasada (e – por que não dizer? – feudal)

situação que o Brasil vivia no início do século XX, segundo alguns autores marxistas (por

exemplo, Octávio Brandão, com seu Agrarismo e industrialismo) que apontavam como

solução a passagem do Brasil ao modo de produção capitalista para que conseguisse

avançar para a construção do socialismo, considerava-se no Partido que não haveria

condições de pular etapas, isto é, de passar diretamente do regime feudal para um Estado

socialista sob a égide da ditadura do proletariado. O motivo seria a manutenção de uma

sociedade agrária baseada no latifúndio.

Assim, do ponto de vista teórico, os documentos do Partido sempre orientaram

que se buscassem alianças com a pequena burguesia, de preferência ao proletariado. O

importante a destacar é que, com raras exceções na vida política dos militantes do

Partido, sempre tiveram e continuam a ter um papel de destaque os intelectuais – que

geralmente são das classes média e alta: “Apesar da precariedade orgânica do partido,

este constituía-se então como um espaço para a participação política de intelectuais que

partilhavam uma postura crítica com relação às estruturas básicas da sociedade

brasileira” (CAVALCANTE, 1986, p. 95). Os intelectuais sempre estiveram presentes no

Partido Comunista, desde sua fundação, mas seu maior contato com o Partido teve

início nos porões da ditadura do Estado Novo e consolidou-se com a abertura política

de 1945. Esses intelectuais fizeram por muitos anos parte dos quadros de direção do

Partido. Como vimos em outro trabalho (KIELLER, 2004), em um cruzamento de dados

sobre instrução e cargos ocupados na direção, ocorria maior constância dentro das

direções de quadros com instrução superior, enquanto os trabalhos de direção

intermediária e de bases eram ocupados por dirigentes com menor grau de instrução.

Criou-se, assim, um contra-senso nas estruturas do “partido do proletariado”, em que

aos seus quadros dirigentes só ascendiam aqueles com maior grau de instrução, deixando

que se cristalizasse no topo da direção do Partido uma elite política, oriunda das

classes sociais mais educadas.

III. O PCB LEGAL E AS ELEIÇÕES DE 1945 e 1947

O partido legal, preparando-se para as disputas políticas que aconteceriam

após 1945, criou um cargo no Comitê Estadual do Partido especificamente para cuidar

da questão das eleições. Era o cargo de Secretário de Massas Eleitorais, cargo da

Direção Executiva dentro do Comitê. Esse cargo foi criado na época do processo de

7 O etapismo foi desenvolvido na década de 1940, após a II Guerra Mundial, para justificar as políticas de frentes defendidas por Moscou. Consistia em estabelecer em qual etapa de desenvolvimento determinada sociedade encontrava-se, indicando por quantas etapas ela ainda teria que passar para chegar ao socialismo. Nesse sentido, muitos países ainda considerados como do modo de produção econômica feudal tinham que fazer a revolução burguesa para depois avançar para as demais etapas da revolução e da constituição de uma sociedade socialista.

alistamento civil dos eleitores, quando foram criados os comitês democráticos, e logo

que o Partido tornou-se legal em 1945. Devido ao rápido crescimento que o Partido

teve nos anos após 1945, em que se manteve na legalidade, multiplicaram-se por todos

os cantos do Brasil os comitês democráticos de alistamento eleitoral, tendo aí uma

atuação-chave, pois designou para a tarefa dois dos seus mais representativos quadros,

Elias Neves de Miranda, ferroviário que fora responsável pela organização estadual da

Aliança Libertadora Nacional (ALN), e Dario Printz, também ferroviário e uma das mais

expressivas lideranças do Partido Comunista na década de 1940. Como indica José

Antônio Segatto:

“A necessidade de manter e consolidar o espaço de liberdade colocou, por

exemplo, a tarefa de criação de ‘comitês democráticos’ ou ‘comitês populares’ ou

unidades de vizinhança [

...

].

O programa desses comitês era basicamente o de lutar

pela ampliação da democracia ao nível local, devendo estabelecer uma plataforma que

levasse em conta as realidades sociais específicas; ali dentro, em assembléia de massa,

deveriam lutar contra a carestia e os remanescentes fascistas; promover campanha de

alistamento eleitoral, reclamar água para o bairro etc. Os comitês formavam Ligas

Juvenis, times de futebol, organizavam festas populares e piqueniques” (SEGATO, 1981,

p. 51).

Em Curitiba havia diversos comitês democráticos formados nos bairros do

Batel, do Centro, do Juvevê etc. A exemplo dos muitos outros comitês espalhados pelo

estado e pelo Brasil, porém, como o período de legalidade não ultrapassou três anos, esse

cargo de Secretário de Massas Eleitorais somente foi utilizado pelo Diretório Regional do

Paraná nas duas primeiras gestões legais, em 1945 e 1947; nas outras quatro reformulações

por que o Partido passou, entre 1945 e 1963, não houve mais esse cargo devido à situação

de semilegalidade.

IV. O PCB SEMICLANDESTINO E AS ELEIÇÕES DO PERÍODO 1950-1963

Fosse na legalidade, fosse na clandestinidade, o PCB contou com o seu

instrumento de informação, o jornal Tribuna do Povo. Nesse periódico os candidatos do

PCB, ou aqueles que eram por ele apoiados, tinham espaço para a divulgação de seus

currículos e plataformas eleitorais. A expectativa eleitoral do Partido nas eleições municipais

de 1947 não era das melhores; afinal, elegeu apenas quatro vereadores no estado inteiro,

diferentemente de outros estados, como o Rio de Janeiro, que teve um total de 15 vereadores

eleitos na Câmara Municipal . Lá, o PCB fez a maioria. Durante a década de 1950 e o início

de 1960, houve uma oscilação da posição política do Partido, que ora pregou a preparação

da revolução, ora pregou a aliança com setores da burguesia nacional. Essa oscilação

pode ser compreendida principalmente devido às reviravoltas no panorama político

internacional; assim, em determinados momentos o Partido conseguiu fazer uma separação

de setores da burguesia e em outros momentos, não.

Após as eleições de 1947, só haveria outra em 1950. Nesse ano, o Partido

ainda se manteve na “semiclandestinidade”, mas sua posição esquerdista estaria mais

consolidada, devido ao movimento internacional e às resoluções do Manifesto de Agosto

de 1950 8 .

Nesse sentido, foram apresentados candidatos de Prestes a esses pleitos, que,

na verdade, apenas reproduziam do programa da FDLN (Frente Democrática de Libertação

Nacional). No Paraná, foram apresentados dois candidatos de Prestes: Joaquim Mochel,

que era o Secretário Político do Partido em Curitiba, e Manoel Jacinto Correa, que era

Vereador em Londrina 9 . Os dois eram candidatos a Deputado Estadual, além de serem

apresentados para o pleito como “candidatos de Prestes”. Seus programas políticos eram

baseados no da FDNL. Nenhum deles foi eleito, pois a eleição naquela altura da vida do

Partido não era fundamental, mas sim trata-se de aproveitar o momento para divulgar as

novas orientações partidárias – de radicalização e enfrentamento contra a burguesia

nacional, além de servir para divulgar suas idéias e arrecadar fundos. De qualquer forma,

a lista de candidatos de Prestes – que atingia cerca de 30 candidatos a Deputado Estadual

– foi impugnada 10 , não sendo considerada uma chapa legal:

“Nesse sentido, mesmo quando opta pela ‘via pacífica da revolução’, está longe de

considerar o caminho eleitoral um método eficaz de luta pelo poder – ao contrário, insiste

sempre que o poder real está situado em outro lugar. O processo eleitoral serve, é claro,

para fazer propaganda, melhorar o trabalho de organização e, sobretudo, fazer finanças,

mas a assumida doutrina da ‘acumulação de forças’ não chega a considerálo um momento da

auto-organização da sociedade e das forças democráticas, sendo propício, sim, para fazer o

partido crescer, tendo em vista o assalto ao poder. Dito de outra forma, o que interessa é o

avanço da organização, mesmo porque a solução dos problemas da sociedade quem tem é o

partido, e ele a colocará na mesa em outro momento” (BRANDÃO, 1997a, p. 188-189).

Essa guinada à esquerda fez que o PCB assumisse uma postura de denúncia das

eleições de 1950. O jornal partidário Tribuna do Povo transcreveu um artigo de apoio de

Prestes aos candidatos no Paraná, em que demonstrou o abandono do processo eleitoral

e adotou uma via mais radical:

“Com o surgimento dos candidatos de Prestes a situação modificou-se. Eles vão

ao povo, não para caçar votos, mas para convocá-lo à luta em torno de seus problemas e

na base dos nove pontos apresentados por Prestes; mostram à classe operária e ao Povo

  • 8 O Manifesto de Agosto foi um documento lançado em 1950, apresentando novas orientações do movimento comunista internacional, como fruto do acirramento da Guerra Fria, em que a orientação era construir o movimento revolucionário que avançasse para o socialismo. O Brasil, ou melhor, o PCB reproduziu essa orientação organizando em 1950 a Frente Democrática de Libertação Nacional e lançando candidatos a Deputados Estadual em diversos estados brasileiros.

  • 9 Manoel Jacinto não foi cassado porque fora eleito por outra legenda, apesar de ser monitorado pelos órgãos de inteligência da repressão, desde os tempo da Revolta de Porecatu em 1948. 10 Não tem se notícias oficiais de por quais partidos esses candidatos foram lançados. Seus materiais de campanha e o próprio jornal do Partido no estado apenas os apresentavam como sendo os “candidatos de Prestes”, sem legenda. Porém, consta do livro de Gildo Marçal Brandão uma lista de 30 candidatos a Deputado Estadual, em 1950, apoiados por Prestes e inscritos pelo Partido Republicano Trabalhista (PRT) (cf. BRANDÃO, 1997a, p. 186).

que de nada adianta substituir um Dutra por outro Dutra, tenha o nome que tiver, ou de

substituir um Lupion por um Ângelo ou Bento, pois são todos da mesma classe, de

exploradores do povo, responsáveis pelo atraso e pela ignorância em que vegeta o nosso

povo” (Tribuna do Povo, 1950, p. 2).

Apresentados como candidatos da Frente Democrática de Libertação Nacional,

eles foram, lançados para chamar a atenção para o que a FDLN denunciaria, como se vê no

bilhete publicado no jornal Tribuna do Povo 11 : “Povo paranaense, os candidatos populares

ao pleito de 3 de outubro próximo são os seguintes, e que merecem a minha confiança e

pelos quais solicito os seus sufrágios conscientes e esclarecidos. Para deputados estaduais

– Joaquim Mochel e Manoel Jacinto Correia. Votos por pão, terra, paz e liberdade, fazendo

vitoriosos os candidatos do povo. Saudações, Luís Carlos Prestes” (idem, capa).

Mas como o PCB estava na ilegalidade, pode-se dizer que esses candidatos eram

ao mesmo tempo, por assim dizer, “anticandidatos” que se apresentavam para denunciar

a burguesia nacional atrelada ao imperialismo norte-americano. Para os demais cargos –

os majoritários –, o PCB orientava o voto em branco, no sentido de legitimar o programa

da Frente Democrática de Libertação Nacional 12 . O Partido estava influenciado pela nova

linha política internacional elaborada pelo Comintern, que tinha à sua frente a URSS, com

uma defesa do chamado “realismo socialista” 13 . Esse processo pode ser mais bem

compreendido por meio da linha política do Manifesto de Agosto de 1950, referendado no

IV Congresso do PCB em 1954 14 .

Nesse momento, começou a ganhar corpo na sociedade brasileira um conjunto

de bandeiras nacionalistas: a luta pelo monopólio do petróleo; os grandes atos e manifestos

da Campanha da Paz 15 ; a busca de Getúlio Vargas de consolidar um parque industrial no

Brasil. Essas bandeiras nacionalistas, lançadas e apoiadas pelo trabalhismo getulista,

tinham apoio de amplos setores; no campo da organização popular, sofriam a forte

influência dos comunistas. No Paraná, esses movimentos tiveram grande relevância. Mais

  • 11 O original desse bilhete de Prestes é uma das poucas coisas que Izaurino Gomes Patriota, editor da Tribuna do Povo , diz ter conseguido guardar desse período (PATRIOTA, 2003, p. 9).

  • 12 Esse programa baseava-se em nove itens: governo democrático e popular; paz e condenação da guerra imperialista; imediata libertação do Brasil do jugo imperialista; entrega de terras a quem trabalha; desenvolvimento independente da economia nacional; liberdades democráticas para o povo; imediato melhoramento das condições de vida das massas trabalhadoras; instrução e cultura para o povo e constituição de um exército popular de libertação nacional (cf. CARONE, 1982, p. 108-112).

  • 13 O realismo socialista, ou realismo soviético, obrigava os artistas, literatos e intelectuais a passar para as artes e para os textos literários uma aproximação com a realidade que a União Soviética vivia – é claro que a partir do ponto de vista do Estado e do Comitê Central do Partido. Aqueles de fugiam do modelo do realismo socialista eram acusados da prática de métodos pequeno-burgueses de arte e cultura. Assim, o realismo socialista influenciou todas as áreas intelectuais e culturais do Partido e da sociedade de modo geral, acarretando o afastamento de inúmeros intelectuais do Partido, além do já indicado processo de “esquerdização” do PCB.

  • 14 O IV Congresso do PCB, de 1954, reafirmou a linha revolucionária do Manifesto de Agosto e radicalizou a sua luta contra as elites políticas nacionais.

  • 15 O Partido esteve à frente da luta pela paz e contra a ameaça atômica, organizando manifestações em todo o país desde 1950 e o Congresso dos Partidários da Paz em 1951; na mobilização contra a participação do Brasil na Guerra da Coréia, em 1951, e na luta contra o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos de 1952 (RUI, 2002, p. 28-29).

especificamente, muitos comitês foram formados em diversas cidades do estado; os veículos

de comunicação do Partido, em sua totalidade, foram colocados a serviço dessas

campanhas, principalmente aquelas ligadas à questão da paz.

Quando Getúlio Vargas suicidou-se, houve uma comoção nacional em torno do

desaparecimento do carismático populista. O Partido então estampou na capa de seu

principal órgão de divulgação, A Imprensa Popular, que saíra para circulação externa dias

antes da morte de Vargas, a afirmação de que ele era entreguista e traidor dos brasileiros.

O suicídio fez com que o Partido recuasse da postura de acusação de Vargas, sob pena de

pagar caro, face à raiva da população, totalmente apenada com a morte – mais precisamente,

com os motivos da morte de Vargas: “A reação do povo surpreendeu seus oponentes. Uma

onda de simpatia por Getúlio envolveu o país [

...

].

Em meio à confusão geral, os comunistas

perplexos – e para não serem tachados – foram obrigados a sair às ruas recolhendo os

seus jornais das bancas, e depois irem a reboque da massa nas manifestações” (SEGATTO,

1981, p. 70).

Nas eleições de 1955 o Partido continuou com sua linha esquerdista, agora

reforçada pelo IV Congresso do Partido, que se realizou poucos meses depois da morte de

Getúlio Vargas. O Congresso, na prática, reafirmou a linha do documento apresentado

pelo Comitê Central do Partido em agosto de 1950, embora com uma mudança que se

pode considerar substancial: a mudança de tática adotada em relação ao trabalhismo –

afinal, até então o trabalhismo e Getúlio Vargas eram considerados pelo PCB como principais

inimigos dos comunistas, denunciados juntamente com o capitalismo imperialista.

A guinada política do IV Congresso do PCB aproximou os comunistas dos

trabalhistas, inclusive nos campos eleitoral e sindical. Como demonstrou Edgar Carone ao

transcrever o informe de Luís Carlos Prestes para o IV Congresso, o líder comunista

mudou o discurso a respeito da burguesia nacional, buscando uma aproximação com

setores dessa burguesia, preferencialmente a classe média. O Partido considerou essa

flexão tática importante para consolidar uma das etapas da revolução brasileira, que por

muitos ainda era considerada um regime de desenvolvimento agrário e semifeudal:

“No que concerne às relações com a burguesia nacional, o programa do Partido

não só não ameaçou seus interesses como defendeu suas reivindicações de caráter

progressista, em particular o desenvolvimento da indústria nacional. Essa posição acertada

decorreu de uma justa compreensão do caráter da revolução brasileira em sua primeira

etapa, quando as necessidades já maduras do desenvolvimento da sociedade brasileira,

que exigiam solução imediata, são exclusivamente as de caráter antiimperialista e antifeudal.

A burguesia nacional não é, portanto, inimiga; por determinado período de tempo pode

até apoiar o movimento revolucionário contra o imperialismo e contra o latifúndio e os

restos feudais” (CARONE, 1982b, p. 132).

Esse programa foi reforçado pela eleição de Juscelino Kubitschek a Presidente

da República – afinal, ganhou força o projeto nacional-desenvolvimentista que se iniciara

no final do governo Getúlio Vargas. Isso se evidenciou no fato de o candidato a vice-

Presidente na chapa de JK ter sido João Goulart, que foi Ministro do Trabalho de Vargas:

em tese, o governo Kubitschek seria uma vitória da continuação da política populista de

Getúlio Vargas. Como indicou Milton Ivan Heller, “Nas eleições presidenciais de 3 de

outubro de 1955 concorreram Juscelino Kubitschek de Oliveira pela coligação PTB-PSD

[Partido Trabalhista Brasileiro-Partido Social-Democrático], Juarez Távora – UDN [União

Democrática Nacional], Adhemar de Barros – PSP [Partido Social Popular] e Plínio

Salgado pelo PRP [Partido de Representação Nacional]. A eleição de JK, com seu vice, João

Goulart, embora por uma pequena margem de votos, representou a vitória do populismo

de Vargas” (HELLER, 1988, p. 17).

Diferentemente das eleições de 1950, em que o Partido pregou o voto em

branco e apresentou candidatos de protesto para os cargos proporcionais, em 1955 o

PCB adotou uma linha de apoio 16 a Juscelino Kubitschek e a João Goulart. Esse apoio

configuraria novamente a adequação do programa do PCB aos ditames do comunismo

internacional, que, posteriormente à morte de Stálin, em 1953, voltou a acenar para uma

possível coexistência pacífica com o bloco capitalista e para a disputa por espaços políticos

dentro de processos democráticos. Isso resultou em que o Partido adotasse uma postura

mais radical na busca da legalidade, assunto que durante anos foi tido como secundário,

haja vista que a posição de semiclandestinidade era-lhe cômoda, ao garantir-lhe a alcunha

de “partido revolucionário”. Ou seja, a luta pela recuperação da legalidade durante os

primeiros anos da década de 1950 foi muito menos intensa, pois o Partido gozou de uma

semiclandestinidade consentida: “Nesse sentido, ao lado das opções políticas que fez e das

alianças que buscou, a não-recuperação, mais até do que a perda, do registro eleitoral

acabará por definir os limites da implantação e da ação do movimento comunista durante

a República Liberal [

...

]

potencializados pelo tipo de marxismo, de leitura do

desenvolvimento capitalista e de concepções de fazer política predominante na época”

(BRANDÃO, 1997b, p. 31).

Porém os ventos novos que sopraram de Moscou fizeram que essa postura de

acomodação com a semiclandestinidade consentida mudasse e, no final da década de

1950, se tornasse uma das bandeiras do PCB – principalmente depois da cisão que o PCB

sofreu em 1960, com a saída do grupo que não concordava com a mudança de nome do

partido e nem com as alterações feitas em seus estatutos como fruto das discussões sobre

a Declaração de Março de 1958, editada pelo Comitê Central do PCB (cf. declaração sobre

a política do PCB, publicada no jornal Voz Operária, de 22 de março de 1958, e transcrita

em CARONE, 1982b, p. 176).

Em 1960, para confirmar a tendência de participar do jogo eleitoral, o Partido

posicionou-se a favor da candidatura do Marechal Henrique Teixeira Lott, que teve como

candidato a vice-Presidente João Goulart 17 . “Jango” foi novamente eleito vice- Presidente,

mas com um Presidente eleito por outra coligação. Nessas eleições o Partido novamente

  • 16 É importante notar que esse apoio dos comunistas, apesar de representar um reforço do ponto de vista estrutural de uma campanha política, era, por assim dizer, informal – afinal, para as regras eleitorais, o Partido Comunista estava na clandestinidade –, o que não o impediu de manter uma estrutura organizada no Brasil inteiro.

  • 17 Nas eleições majoritárias do período entre 1945 e 1960 há uma curiosidade política, que costuma passar despercebida: havia eleições separadas para Presidente e vice-Presidente da República. Em 1955 os resultados no Paraná foram os seguintes: o candidato a vice na coligação PSD-PTB teve, segundo dados do TRE-PR, um total de 181.462 votos, ao passo que quem foi eleito Presidente do Brasil, na mesma coligação, obteve um total de

deu demonstrações de sua aproximação com o trabalhismo getulista.

No âmbito regional, o Partido seguiu as orientações nacionais de apoio ao

Marechal Teixeira Lott e João Goulart. Nas eleições para o governo do Paraná, o PCB

declarou apoio ao candidato lançado pelo PTB, Nelson Maculan 18 , que amargaria derrota

para Ney Braga, da aliança PDC-PL. O apoio ao candidato do PTB, da mesma forma que o

apoio à candidatura a Presidente e a vice-Presidente, ocorreu de maneira informal.

Depois da renúncia de Jânio Quadros em 1961, a Campanha da Legalidade

confirmou Jango no Palácio do Planalto, embora com poderes limitados: vendo as

possibilidades de Jango consolidar um governo com facetas populistas, setores do Exército

estabeleceram, e o Congresso Nacional aprovou, a adoção do parlamentarismo no Brasil,

enfraquecendo os poderes do Presidente. Assim, “João Goulart foi isolado de quase toda

a classe dirigente nacional e, como último recurso, tentou aproximar-se do povo” (HELLER,

1988, p. 200), propondo as “reformas de base”. O Partido Comunista apoiou e foi um dos

principais defensores do Presidente Jango 19 , principalmente de suas propostas de reformas

de base. O Partido estava confiante de que, com Jango, obteria novamente a legalidade:

afinal de contas, era o PCB um dos principais entusiastas das propostas de Goulart: “Em

1960, o PCB apoiou resolutamente João Goulart para a Presidência e, mais tarde, forneceu

a base de sustentação sindical para o governo. Foi no setor operário, atuando no interior

dos sindicatos oficiais, que os comunistas obtiveram seus maiores êxitos [

...

]

o PCB

obteve o controle dos principais sindicatos, federações e confederações” (idem, p. 264).

Porém, apesar de defender o governo de João Goulart, o PCB sabia que nem

todas as concessões aos capitalistas foram excluídas no processo de reformas. Por isso o

apoio ao governo Goulart considerava-o também um governo em disputa, que precisava

ser mais firme em suas posições políticas.

As eleições de 1962, além de serem as últimas eleições antes do golpe militar de

1964, seriam apenas para cargos proporcionais e para o Senado Federal. Depois delas

somente ocorreria o plebiscito a respeito da forma de governo, que optou pelo

presidencialismo e aprofundou a crise institucional em que o país vinha mergulhado

desde a renúncia de Jânio Quadros (cf. SANTOS, 1978). O PCB do Paraná, nas eleições de

1962, tomou a posição de lançar candidatos por outras legendas – a maioria pelo PTB,

embora sem êxito na eleição de comunistas.

  • 18 O apoio à candidatura de Nelson Maculan pode ser constatado pela ficha do DOPS do Secretário Político do Partido, o conhecido Capitão Agliberto Vieira de Azevedo, que foi deslocado para o Paraná no final dos anos 1950 para assumir o Partido no estado: “Em 27/09/1960 o fichado assinou um manifesto em companhia de outros elementos comunistas, no qual apóia Nelson Maculan ao Governo do Estado” (FUNDO DOPS, s/d-b).

  • 19 A campanha da legalidade foi uma resistência encabeçada pelos governadores Leonel Brizola, do Rio Grande do Sul, e Mauro Borges, de Goiás, no sentido de garantir a posse de João Goulart na Presidência da República após a renúncia de Jânio Quadros. A resistência contou com uma cadeia de 104 rádios que reproduziam os sinais a partir do entrincheirado Palácio Piratini, do governo do estado do Rio Grande do Sul.

V. OS CANDIDATOS E O DESEMPENHO ELEITORAL DO PCB

O PCB, no período de 1945 a 1947, participou legalmente de apenas duas

eleições, em que apresentou candidatos próprios: as que ocorreram em dezembro de

1945 – que elegeram Eurico Gaspar Dutra para a Presidência da República – e as que

ocorreram em janeiro de 1947, quando se elegeu Governador do Paraná Moisés Lupion.

Na primeira – que, por sinal, era também para um Congresso Nacional Constituinte – o

PCB elegeu um Senador e 14 deputados federais; o Senador era Luís Carlos Prestes e entre

os deputados federais havia nomes famosos, como o escritor Jorge Amado 20 . Além disso,

seu candidato a Presidente, Iedo Fiúza, recebeu 10% dos votos válidos na eleição geral,

ficando em terceiro lugar no Paraná, com 6.811 votos. Um fato peculiar dessas eleições de

dezembro de 1945 é que os candidatos podiam concorrer a diferentes cargos em vários

estados, tendo apenas que optar por um deles caso eleitos (para mais de um). Assim,

Prestes foi candidato a Senador e a Deputado Federal Constituinte em diversos estados; em

alguns foi simultaneamente candidato a ambas funções. No Paraná, por exemplo, ele

concorreu a Senador e a Deputado juntamente com Octávio da Silveira, que disputou os

mesmos cargos. Nenhum dos dois foi eleito no estado, sendo suas votações respectivamente:

“6.870 votos para o Senado e 658 para o Congresso, e 6.279 para o Senado e 964 para o

Congresso” (TRE-PR, 1946, p. 3-5). Nessas eleições, foram apresentados pelo PCB do

Paraná diversos candidatos a Deputado Federal, mas nenhum conseguiu vaga no Congres-

so Nacional Constituinte. Os resultados desses candidatos foram os seguintes: “Dr. José

Rodrigues Vieira Neto, 1.469 votos; Dr. Newton Leopoldo Câmara, 1.173 votos; Octávio da

Silveira, 964 votos; Luís Carlos Prestes, 658 votos; Dr. Francisco Osvaldo Castelutti, 587

votos; José Bezerra de Vasconcelos, 443 votos; Claudemiro Batista, 344 votos; dr. Flávio

Ribeiro, 333 votos, Walfrido Soares de Oliveira, 114 votos” (ibidem).

Além dos votos individuais, o Partido recebeu 6.570 votos de legenda. Além

dessas duas eleições, o PCB esteve presente em outros processos eleitorais, por meio da

apresentação de seus candidatos por meio de outras legendas ou com o apoio dado a

outras siglas partidárias que não foram colocados na ilegalidade em 1947. Nas eleições

municipais de 1947 o PCB elegeu diversos vereadores lançados por outras legendas,

inclusive em Curitiba. Na capital foram eleitos Maria Olímpia Carneiro – eleita com 436

votos, a nona vereadora mais votada daquela legislatura – e o estudante Hedel Jorge Ázar,

pela sigla do Partido Social Trabalhista (PST). Hedel Jorge Ázar ficou como suplente,

chegando a assumir o cargo em uma discussão ligada à questão do transporte coletivo;

em Morretes elegeu-se Adão Toledo Aghar do Nascimento, pela UDN; em Londrina, Manoel

Jacinto Corrêa, com 153 votos, e Newton Leopoldo Câmara, com 188 votos, pelo PTB.

20 A bancada do PCB era a seguinte: Senador: Luís Carlos Prestes (pela cidade do Rio de Janeiro, à época Distrito Federal); deputados federais: Carlos Marighela (Bahia), Batista Neto (Distrito Federal), João Amazonas (Distrito Federal), Maurício Grabois (Distrito Federal), Agostinho de Oliveira (Pernambuco), Alcedo Coutinho (Pernambuco), Gregório Bezerra (Pernambuco), Abílio Fernandes (Rio Grande do Sul), Trifino Correa (Rio Grande do Sul), Alcides Valença (Rio de Janeiro), Claudino Silva (Rio de Janeiro); Caires de Brito (São Paulo), Jorge Amado (São Paulo); José Crispin (São Paulo) e Osvaldo Pacheco (São Paulo) (BRAGA, 1998, p. 103).

Newton Câmara foi o quinto mais votado na eleição. Em Paranaguá diversos candidatos

foram lançados: Ângelo Maria Patitutti, João Batista Teixeira, Eustáquio Quadros, João

Policarpo Felipe Chede, pelo Partido Libertador (PL) e, em Ponta Grossa, João Manuel dos

Santos Ribas pelo Partido Republicano (PR) 21 . É importante frisar que não apenas os

dirigentes comunistas, mas também outros militantes e dirigentes intermediários, foram

candidatos pelo PCB ou, na época de semilegalidade, por outras legendas. Ainda assim,

aqui mostraremos apenas os dirigentes estaduais e municipais que foram candidatos a um

cargo eletivo no período, segundo a Tabela 1 abaixo:

Tabela 1

Dirigentes comunistas candidatos entre 1945 e 1963

CARGO

CASOS

Deputado Federal

3

Deputado Estadual

22

Vereador

3

Deputado Estadual/Federal

3

Deputado Estadual/Vereador

4

Senador/Dep. Federal

1

sem informação

13

Não foram candidatos

40

Total

89

Fonte: o autor, a partir de TRE-PR (s/d-b) e Fundo DOPS (1920-1989).

O quadro era o seguinte: dos 89 dirigentes estaduais que participaram das

direções regionais entre 1945 e 1964, um total de 49 candidatos concorreu a algum cargo

eletivo, muitos a mais de um cargo, em eleições diferentes. Por exemplo, José Rodrigues

Vieira Neto foi candidato a Deputado Federal em 1945, a Deputado Estadual em 1947

(eleito e cassado) e em 1950, e candidato a Deputado Federal em 1954 22 . Assim como ele,

muitos foram candidatos a Deputado Federal e Estadual, ou a Deputado Federal e a

Vereador ou, ainda, a Deputado Estadual e a Vereador.

Em 1945 só houve eleições para deputados federais, senadores e Presidente,

pois elegia-se um Congresso Nacional Constituinte. Nesse ano, sete dirigentes estaduais

foram lançados para Deputado Federal e um, que era Octávio da Silveira, para Senador,

sendo que Luís Carlos Prestes também concorreu como candidato a Senador e a Deputado

Federal pelo Paraná; o candidato a Presidente pelo PCB era Iedo Fiúza. De todos os

apresentados para esse pleito não se elegeu ninguém pelo estado. Para sermos mais

claros: sete dirigentes foram candidatos a Deputado Federal e, para Deputado Estadual,

foram 26 dirigentes do PCB que concorreram, distribuídos nas eleições de 1945, 1947,

1950, 1954, 1958 e 1962 – sendo que, como vimos, em 1945 somente concorreram para

  • 21 Infelizmente não conseguimos obter o número de votos nominais dos não-eleitos nessas eleições pois as fontes primárias que conseguimos versavam apenas sobre os eleitos, sem mencionar a quantidade de votos obtidos por eles.

  • 22 Infelizmente não dispomos de informações a respeito de por quais legendas ele concorreu.

a Constituinte Federal e em 1947 houve eleições apenas para a Constituinte Estadual, em

que foi eleito um membro do PCB, o Professor José Rodrigues Vieira Neto. Candidatos a

Vereador, nas eleições de 1947, 1951, 1955, 1959, 1962 23 e 1963, também foram sete, em

diversas cidades do estado. Nas eleições do início de 1947, dezoito dirigentes foram

candidatos a Deputado Estadual, em uma relação aprovada pelo Comitê Central que tinha

  • 29 nomes. O Partido Comunista no Paraná, seguindo a orientação do Comitê Nacional de

lançar candidatos em 1950, lançou apenas dois dirigentes candidatos a Deputado Estadual 24

e, na verdade, foram candidatos que aproveitaram o espaço político das eleições para

apresentar à sociedade as propostas políticas da FDLN; os dois candidatos apareceram

como candidatos de Prestes no Paraná e em suas plataformas, em suma, está o manifesto

da FDNL. As candidaturas estaduais do PCB, para as eleições de 1950, foram, na verdade,

a expressão da Guerra Fria; com isso, o PCB partiu para a radicalização política, inclusive

pedindo aos seus eleitores o voto nulo para Presidente da República.

Em 1954 foram lançados dois dirigentes como candidatos a Deputado Federal

e cinco como candidatos a Deputado Estadual. Nas eleições municipais de 1955 não foi

possível identificar se algum dirigente foi lançado como candidato a Vereador, pois nessas

eleições todos os candidatos saíram por outras legendas. Em relação às eleições de 1958,

dispomos da informação de que o Partido lançou apenas um dirigente como candidato a

Deputado Estadual. A respeito das eleições de 1959 para as câmaras municipais, não se

tem notícia de nenhum dirigente que tenha sido apresentado. Nas eleições de 1962 foram

lançados três dirigentes como candidatos a Deputado Federais e cinco para Deputado

Estadual. Nas eleições municipais de 1963, última eleição livre antes da instalação do

regime militar no Brasil, o PCB lançou três dirigentes estaduais como candidatos a Vereador.

A respeito dos eleitos no período, temos algumas indicações. Em primeiro

lugar, é importante destacar que, dos sete comunistas que foram candidatos a Deputado

Constituinte em 1934, dois foram eleitos: Octávio da Silveira, médico, e Waldemar Reickdhal,

funileiro. Não temos dados precisos sobre se eles foram deputados eleitos pela legenda do

PCB ou não. Fora esses dois dirigentes, um total de mais cinco dirigentes foram eleitos nos

processos eleitorais que aconteceram entre 1945 e 1963. Assim, apenas o dirigente José

Rodrigues Vieira Neto, advogado e professor, foi eleito, em janeiro de 1947, com 775

votos. Seus suplentes foram outros quatro dirigentes: Manoel Leandro da Costa Jr., estivador,

também com 775 votos; Antônio Carlos Raimundo, gráfico, com 454 votos; Nelson Torres

Galvão, bancário, com 289 votos; Mozart de Oliveira Valin, operário 25 , com 286 votos, e

Miguel Pan, ferroviário, com 283 votos, todos pela legenda do PCB. Nas eleições municipais

  • 23 As eleições municipais de 1962 foram realizadas somente para preencher o cargo de Prefeito; nesse ano não houve eleições proporcionais para a Câmara de Vereadores (TRE-PR, s/d-b).

  • 24 Os candidatos do PCB na eleição de 1950 foram Manoel Jacinto Correia e Joaquim Mochel. Eles não eram candidatos reconhecidos do ponto de vista legal. Foram candidatos lançados pela FDNL, com um documento em que apontavam nove pontos básicos de transformação da sociedade brasileira, sob orientação do conhecido Manifesto de Agosto de 1950, que radicalizou a política do PCB (cf. CARONE, 1982).

  • 25 Mozart de Oliveira Valin não era da Direção Estadual do PCB; deve ter sido um militante de base ou um dirigente intermediário do PCB.

que ocorreram no segundo semestre de 1947 houve um total de quatro dirigentes eleitos,

sendo dois em Curitiba: Maria Olímpia Carneiro Moschel, professora, e o suplente, que

assumiu no decorrer da legislatura, Hedel Jorge Ázar, pelo PST 26 ; em Londrina, também

foram dois dirigentes eleitos: Manoel Jacinto Correia, agricultor, e Newton Leopoldo

Câmara, médico, ambos pelo PTB; em Antonina foi eleito Adão Aghar Toledo do Nascimento,

comerciante, pela UDN. Depois das eleições de 1947, somente em 1958 é que um dirigente

do Partido apareceu como suplente da bancada de deputados estaduais do PTB – Nilo

Izidoro Biazetto, bancário. Em 1963 o sindicalista Expedito Oliveira da Rocha foi suplente

da bancada de vereadores do PTB em Curitiba.

VI. CONCLUSÃO

O PCB foi um partido que esteve presente em todos os principais momentos da

história da República após 1922. Tomou a frente na construção do período democrático

organizando por todo o Paraná os comitês democráticos, que fizeram o recadastramento

eleitoral após o Estado Novo getulista. Participou dos processos eleitorais, ainda que

poucas vezes com candidaturas próprias, e, quando estava na ilegalidade, teve a

preocupação da sua volta à legalidade.

As candidaturas ocorridas nas eleições de 1945 e 1947 foram bem estruturadas

e organizadas. Como foi visto, durante esse período de legalidade o PCB teve duas intenções

básicas. A primeira era organizar-se do ponto de vista da militância e da estruturação

política do próprio Partido. Assim, as eleições que disputava tinham como prioridade o

seu crescimento constante e a disputa política nas bases do movimento sindical e social.

Somente depois dessa finalidade alcançada é que o Partido deu importância para o processo

eleitoral em si, ou seja, para a conquista do pleito. Nesse sentido é que podemos observar

que as listas do Partido sempre eram listas numerosas, com diversos candidatos inscritos,

e a plataforma política era sempre voltada para a politização do processo eleitoral, com a

apresentação das propostas da perspectiva da construção do socialismo.

Outro aspecto importante a destacar é que o período de semiclandestinidade,

entre 1947 e 1963, foi aproveitado pelo partido para apresentar-se como uma alternativa

revolucionária para a população (BRANDÃO, 1997a). O PCB não deixou, então, de acreditar

que o momento eleitoral continuasse sendo importante para o crescimento partidário.

Nesse sentido, adotou a tática de lançar candidatos por outras legendas, pois sabia da

importância estruturadora que cumpre um parlamentar no Partido. Por mais que o

parlamento burguês, na opinião do PCB em seus anos mais radicalizados, não resolvesse

a situação, ter uma tribuna para suas idéias era importante, mesmo que se apresentando

por outras legendas partidárias. Quando adotou as idéias do Manifesto de Agosto de 1950,

de que era o momento de organizar os trabalhadores das cidades e do campo para a

revolução socialista, radicalizando a política de enfretamento com a burguesia, utilizou-se

26 Entretanto importa notar que Hedel Ázar não era da Direção Estadual.

do espaço eleitoral para divulgar suas idéias: esse foi o seu objetivo em 1950, com a

apresentação de seus “anticandidatos” para as eleições a Deputado Estadual.

O principal objetivo do Partido não era eleitoral, mas sim o de divulgar o manifesto

da FDLN. Como seus diretórios regionais respeitassem a organização vertical, essa

orientação perdurou e foi referendada no IV Congresso do Partido, que afirma a linha

adotada em 1950 e só teve uma nova flexão tática quando da morte de Getúlio Vargas, em

1954. O clamor popular diante da figura de Vargas aproximou politicamente o PCB do PTB

e orientou as alianças políticas dos dois partidos nas eleições de 1955 e 1960. Com o

golpe de 1964, que instaurou o regime militar no país, o Partido foi tido como subversivo

e colocado literalmente na clandestinidade com o Ato Institucional n. 2, que instalaria no

Brasil, em 1965, um sistema bipartidário.

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Curitiba. Ata da eleição de dezembro de 1945, realizada em 5.jan.1946. Tribunal

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CAPÍTULO DOIS

O VOTO INTEGRALISTA NO PARANÁ:

UMA ANÁLISE DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1955

Amanda Litzinger Gomes

2. O VOTO INTEGRALISTA NO PARANÁ:

Uma análise das eleições presidenciais de 1955

I. INTRODUÇÃO

Ao estudarmos a história política paranaense dos anos 1950, deparamo-nos

com um fato sui generis referente ao comportamento político-eleitoral nas eleições

presidenciais de 1955. O líder integralista Plínio Salgado, que concorreu à Presidência da

República naquele ano, pelo Partido de Representação Popular – PRP, foi o candidato mais

votado em Curitiba e obteve uma significativa votação no estado, diferentemente de sua

atuação nos demais estados brasileiros.

Neste capítulo tentaremos responder às seguintes perguntas: 1) Por que Plínio

Salgado obteve tão significativa votação no Paraná? 2) Por que o estado do Paraná seguiu,

então, um padrão diferente de votação dos demais estados brasileiros? Para

compreendermos tal fenômeno eleitoral, analisamos no presente trabalho cinco hipóteses

rivais.

A primeira delas foi apresentada no estudo de Szvarça e Cidade (1989), em que

se sugere uma explicação de tipo societalista para a expressiva votação de Plínio Salgado

no Paraná e, principalmente, em Curitiba. Segundo os autores, as várias transformações

por que passou o estado na década de 1950 (demográficas, sociais, político-

administrativas etc.) induziram um sentimento de “crise de identidade” e insegurança

social vividos no “quotidiano” dos paranaenses, encontrando assim abrigo na pregação

autoritária do líder integralista, fato que gerou sua expressiva votação. Porém essa tese

não consegue provar a “crise de identidade” do homem paranaense e nem explica por que

cidades que não foram afetadas diretamente pelas transformações pelas quais passava o

estado foram cidades em que Plínio Salgado também obteve significativa votação, tais como

as do Norte Novo.

A segunda hipótese é a do “voto étnico”, ou seja, a explicação difundida em

várias fontes que enfatiza que quem votou em Plínio Salgado no Paraná e em Curitiba foi a

grande parcela de imigrantes alemães e italianos. Embora seja tentadora, essa hipótese é

de difícil comprovação, pois a divisão das zonas eleitorais em Curitiba, por exemplo,

impede uma definição mais precisa da origem nacional dos eleitores 1 .

Outra hipótese é a do “voto ideológico”. Houve paranaenses que votaram em

Plínio Salgado devido à ideologia do partido integralista (fascista), mesmo que a maioria

tenha votado em Plínio devido ao seu “carisma”. Porém essa hipótese também é de difícil

comprovação, pois o Partido de Representação Popular não alcançou significativa

representação política no estado na década de 1950, já que obteve insignificante votação

tanto nos municípios paranaenses quanto no estado em si.

A quarta hipótese de trabalho enfatiza a seguinte idéia. Podemos considerar que o

que ocorreu no Paraná foi a manifestação típica do fenômeno conhecido como “populismo

de direita” – hipótese que nos serviu de ponto de partida –, fenômeno político análogo ao

janismo (de Jânio Quadros) e ao adhemarismo (de Adhemar de Barros) em São Paulo.

Considerando o fenômeno do populismo como uma variável histórica com base de classe,

e não apenas um fenômeno de manipulação eleitoral, sua política definindo-se como uma

política de reforço das estruturas do Estado nacional (caracterizada como uma “ideologia

de Estado”, efeito da representação política das baixas camadas médias na cena política),

poderíamos afirmar que o que ocorreu no Paraná foi que parte do eleitorado encontrava-

se “disponível” política e ideologicamente. As aspirações das baixas camadas médias

encontraram expressão no “conservadorismo” do PRP, que sustentava a necessidade de

construção de um Estado autoritário (traços típicos da figura e do discurso integralista do

“líder” Plínio Salgado) e de uma política nacionalista (base do Programa do Partido de

Representação Popular e até mesmo anteriormente, do Manifesto Integralista de 1932) 2 .

Todavia essa hipótese também é de difícil comprovação, pois encontramos uma

grande dificuldade para obtenção dos dados (censo demográfico, divisão das zonas e

distritos eleitorais, entre outros) para que possamos comprovar que foram realmente as

baixas camadas médias paranaenses que votaram no líder integralista Plínio Salgado,

como fez Aziz Simão (1956) ao estudar o voto operário em São Paulo 3 .

  • 1 Sabe-se que as zonas eleitorais em Curitiba eram quatro, divididas, no período de dezembro de 1961 a janeiro de 1962, da seguinte forma: Zona 1 – parte da sede (Centro), Santa Felicidade e Campo Comprido; Zona 2 – parte da sede, Barrerinha, Taboão, sede de Rio Branco do Sul e Açungui (Rio Branco do Sul); Zona 3 – parte da sede, Cajuru, Boqueirão, Umbará, Tatuquara, Piraquara (sede), Campina Grande do Sul (sede) e Quatro Barras (sede); Zona 4 – parte da sede e Portão. Nota-se que a sede (Centro) fazia parte das quatro zonas eleitorais, fato que impossibilita verificar quem eram e de qual etnia eram os eleitores de cada zona, não podendo, então, afirmar que quem votou em Plínio Salgado eram os imigrantes alemães e italianos.

  • 2 Encontramos o discurso nacionalista no Manifesto Integralista de 1932 no item Para o nosso Nacionalismo, em que é pregado, por exemplo, que se crie uma cultura, civilização e um modo de vida genuinamente brasileiro, ou ainda na frase “O nacionalismo para nós não é apenas o culto da Bandeira e do Hino Nacional, é a profunda consciência das nossas necessidades, do caráter, das tendências, das aspirações da Pátria e do valor da raça”. Mas o nacionalismo também se encontra no Programa do Partido de Representação Popular (PRP) quando, por exemplo, afirma-se querer a unidade, a independência, a soberania e o prestígio internacional do Brasil (CHACON, 1985, p. 333-338, 467-478).

  • 3 Nesse estudo, Aziz Simão separa São Paulo em quatro zonas eleitorais operárias com taxas de operários eleitores superiores a 40%, de acordo com os critérios de situarem-se ou não no perímetro urbano, estarem dentro ou fora da área mais antiga e se estavam na área mais industrial do município, com o intuito de traçar um perfil do eleitorado operário e sua distribuição (SIMÃO, 1956, p. 130-141).

Porém, ao analisarmos os dados eleitorais disponíveis, observamos outro fato

marcante: a semelhança na votação obtida por Plínio Salgado e por Moysés Lupion,

candidato a Governador do Estado do Paraná pela coligação Partido Social Democrático

(PSD)-Partido Democrata Cristão (PDC)-Partido Trabalhista Nacional (PTN) nas zonas

eleitorais de Curitiba. Esse fato faz-nos pensar em uma quinta hipótese de trabalho: a

transferência de votos de Moysés Lupion a Plínio Salgado – e é essa hipótese que tentaremos

comprovar aqui.

Com esse objetivo, trataremos primeiramente de analisar os dados eleitorais,

ou seja, a votação obtida por Plínio Salgado, e em seguida estudaremos a história política

do Brasil e do Paraná nos anos 1950. Finalmente, antes de concluir, analisaremos a

campanha eleitoral de Plínio Salgado no ano de 1955, tendo como fonte os dois principais

jornais do estado na época, O Estado do Paraná e a Gazeta do Povo.

II. A VOTAÇÃO

Como já foi dito e podemos verificar na Tabela 1, a votação recebida por Plínio

Salgado no Paraná foi atípica, pois ele não obteve significativa votação na maioria dos

estados, com exceção da Bahia, onde obteve a terceira maior votação; do Espírito Santo,

obtendo a quarta votação, porém muito próximo do terceiro mais votado no estado –

Juarez Távora –, e de Santa Catarina, onde obteve também a terceira maior votação.

Considerando o desempenho do candidato no Brasil (8,3% do total de votos), Plínio teve

o triplo no Paraná.

Tabela 1

Resultados eleitorais para Presidente da República de acordo com o candidato

(partido/coligação), por estado brasileiro (1955; em %)

ESTADO

JUSCELINO

JUAREZ

ADHEMAR

PLÍNIO

KUBITSCHEK

TÁVORA

DE BARROS

SALGADO

(PSD-PTB)

(UDN-PDC)

(PSP)

(PRP)

Acre

45,2

31,2

20,9

2,7

Amazonas

35,4

16,7

39,8

8,1

Pará

49,6

11,9

36,2

2,3

Amapá

82,7

6,3

9,4

1,6

Rondônia

30,9

5,3

61,5

2,3

Roraima

69,4

17,0

12,3

1,3

NORTE

47,3

13,2

36,1

3,4

Alagoas

39,2

44,5