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AULA 4

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
DE MARKETING

Profª Bárbara Regina Lopes da Costa


CONVERSA INICIAL

O preço pode ser conjugado de muitas formas, como aluguéis,


mensalidades, parcelas, taxas, custos, tarifas, juros e outros. Como qualquer
transação resulta em trocas, o preço é a definição de uma parte do processo de
troca. Na maioria das vezes, o preço é o montante financeiro para a realização da
troca de dinheiro por uma satisfação.
“Ao longo da história, os preços foram determinados por meio da
negociação entre compradores e vendedores. A determinação de um preço para
todos os compradores é uma ideia relativamente moderna, que surgiu com o
desenvolvimento do varejo em grande escala, no final do século XIX” (Kotler,
2000, p.476).
No Brasil, a noção real dos preços de determinado produto e/ou serviço é
ainda mais recente, pois sempre convivemos com a inflação. Foi na década 1970
que a economia brasileira conheceu os mais altos índices de inflação da história,
e os preços eram atribuídos como forma de prever e assim repassar o índice
inflação ao consumidor. Os preços dos produtos/serviços eram reajustados
diariamente por uma taxa estimada de inflação. Após diversos planos econômicos
terem sido aplicados sem sucesso, em 1994 o plano Real1 conseguiu controlar a
inflação galopante, e os consumidores começaram a tomar ciência dos preços,
permitindo o planejamento das compras e a comparação de preços (Costa, 2016).
Quando pensamos em preço, a primeira ideia que passa em nossa cabeça
é que se trata de um numeral que pressupõe uma proposta quantitativa e racional,
mas, na prática, muitas vezes, tem mais a ver com uma proposta qualitativa e
emocional. É neste contexto que o preço deixa de ser calculado com base em
custos, margem de lucro e índice de inflação, e as políticas de preços passam a
ter amplas possibilidades e importância estratégica. Observe os preços quando
se trata de serviços para um evento comemorativo, como um casamento ou uma
festa de aniversário infantil, ou pesquise preços de roupas para bebês ou de um
stent2 para a realização de uma angioplastia, isso sem falar de marcas de luxo,

1 Considerado o mais bem-sucedido de todos os planos econômicos lançados para combater a


inflação crônica. Combinaram-se condições políticas, históricas e econômicas para permitir que o
Governo brasileiro lançasse, ainda no final de 1993, as bases de um programa de longo prazo.
Organizado em etapas, o plano resultaria no fim de quase três décadas de inflação elevada e na
substituição da antiga moeda pelo real. Em consequência do fim da inflação, a economia brasileira
voltou a crescer (Brasil, 2013).
2 Stent cardíaco é uma endoprótese expansível, em formato de tubo, normalmente fabricada com

metal (especialmente nitinol, aço e ligas de cromo e cobalto), perfurado, que é colocado no interior
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que podem cobrar por uma bolsa feminina o mesmo valor de um carro popular.
Preços que são aplicados tendo como base o momento vivido ou
necessidade/desejo de diferenciação/expressão da identidade pessoal são
definidos pela percepção de valor, é essa a proposta do pricing estratégico.
Uma análise fragmentada do composto de marketing mostra que o preço é
único gerador de receita, pois os demais pês (produto, praça e promoção) apenas
geram custos, a curto prazo.

CONTEXTUALIZANDO

Leia o artigo “Havaianas e o reposicionamento histórico de marca”,


publicado pelo site Adnews. Disponível em:
<https://inteligencia.rockcontent.com/case-havaianas/>.

Quando a empresa optou por reposicionar o preço do produto,


aumentando-o, quais possíveis reações dos clientes ela corria o risco de
enfrentar?
Dar a impressão de extorsão e ser excluída das opções de compra.

a. Sofrer ações consumeristas.


b. Dar a impressão de reposicionar a imagem do produto/serviço.

TEMA 1 – ESTRATÉGIA DE PRECIFICAÇÃO TRADICIONAL

Entre os elementos mais tradicionais considerados nos cálculos para a


formação do preço, estão: a quantidade necessária para cobrir os custos e/ou
obter lucro e os preços dos concorrentes.

1.1 Mark-up (margem de lucro)

Após mensurar os custos totais (fixos e variáveis), é adicionada uma


porcentagem, uma margem de lucro padrão, ao custo do produto. Essa estratégia
é mais utilizada quando:

 Os produtos têm demandas sazonais;

de uma artéria para prevenir ou evitar a obstrução do fluxo no local por entupimento desses vasos
(Meldau, 2017).
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 A demanda é inelástica3;
 Há alto custo de armazenagem e de manuseio;
 As vendas são mais lentas.

1.2 Rate of return (taxa de retorno)

Para analisar o ponto de retorno, é preciso quantificar o volume de vendas


necessário para cobrir todos os custos a um preço específico. Churchill e Peter
(2000, p.322) explicam que essa técnica de precificação visa “adicionar uma taxa
de retorno desejada aos custos totais para a definição do preço de venda”.

Figura 1 – Gráfico do ponto de equilíbrio

Fonte: Ávila, 2015. Disponível em: <https://blog.luz.vc/como-fazer/como-fazer-projecao-de-


vendas-a-partir-do-seu-ponto-de-equilibrio/>. Acesso em: 6 mar. 2018.

Figura 2 – Gráfico do ponto de equilíbrio

3Demanda inelástica é quando não há mudança na demanda quando há uma pequena mudança
no preço. Já na demanda elástica, quando há uma pequena mudança no preço, a demanda muda
consideravelmente.

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Fonte: Aquino, 2014. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/wandickrochadeaquino/entendend
o-custos-despesas-e-formalo-formao-do-pv>. Acesso em: 6 mar. 2018.

1.3 Preços da concorrência

Ao analisar a concorrência, é preciso considerar a percepção dos clientes


sobre a oferta (produto/serviço e preço praticado), pois:

 Oferta similar – preço próximo ao do concorrente para não perder vendas;


 Oferta inferior – preço não poderá ultrapassar o da concorrência;
 Oferta superior – preço poderá ser maior que o da concorrência.

Quando a empresa opta por equiparar preços pela proposta da


concorrência, os clientes também passam a fazer essa equiparação e consideram
que os produtos e/ou serviços são iguais. Outro risco é a guerra de preços entre
os concorrentes.
No século 21, com a dinâmica atual do mercado, determinar o preço de um
produto e/ou serviço utilizando as táticas de precificação tradicional é uma boa
decisão?
Segundo Zornig (2007, p. 1), no varejo, o mark-up preestabelecido é 2, ou
seja, custo vezes 2, mas editoras de livros utilizam o fator 4, e a indústria de
móveis aplica o fator 7. Ele conta que também trabalhou “em uma indústria de
produtos químicos que utilizava fator 1,6 em função do alto nível de concorrência”
e que realizou uma pesquisa informal com executivos de 500 empresas médias e
grandes brasileiras, pela qual verificou que mais de 80% dos participantes
admitiram ainda adota o mark-up para a definição de seus preços. “Provavelmente
a maioria dos outros 20% devia determinar preços imitando a concorrência. Essa
ainda é a realidade da gestão de preços na maior parte do mercado brasileiro,
completamente em descompasso com as práticas mais avançadas do mundo”
(Zornig, 2007, p.1).
Algumas empresas começam a perceber a importância de definir uma
proposta de posicionamento da marca, analisar a percepção de valor dos clientes
e só depois definir sua margem de lucro.

TEMA 2 – ESTRATÉGIA DE PRECIFICAÇÃO ESTRATÉGICA

Estabelecer o preço de um produto e/ou serviço é uma das etapas do


planejamento estratégico de marketing. Assim como todo o planejamento de

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marketing, a(s) estratégia(s) de precificação deve(m) estar alinhada(s) aos
objetivos da empresa.
Para muitos segmentos e nichos de mercado, o preço não é por si só o
determinante de compra, por isso ter preço baixo não é garantia de venda, pois
há outras expectativas que a oferta precisa atender. Observemos os exemplos
que Zornig (2007) apresentou para esclarecer a importância da segmentação, da
oferta de valor diferenciada e da aplicação do pricing estratégico:

Vamos ilustrar esse ponto com uma fábrica de baterias para trator. Você
acredita que todos os segmentos que compram uma bateria para trator
deveriam pagar X reais por uma unidade? Imagine o preço que um
fazendeiro, que só precisa comprar uma bateria cada três anos e está
isolado em sua fazenda, estaria disposto a pagar se tivesse que ter uma
bateria entregue em 24 horas em sua fazenda no interior de Goiás para
não deixar seu trator parado. Utilize agora o mesmo raciocínio para um
fabricante de tratores que compra milhares de baterias todos os meses.
Ou quem sabe um revendedor de baterias de trator que tem sede em
São Paulo e atende varejistas pelo País afora. Fica evidente que o
mesmo produto tem valor percebido muito diferente para cada segmento
de clientes. (Zornig, 2001, p.1-2)

A estratégia de pricing estratégico é uma metodologia que primeiro


segmenta seu público-alvo, avalia a percepção de valor deste público-alvo, ou
seja, o que eles demandam e quanto estão dispostos a pagar por determinada
oferta. Com base nesses conhecimentos, a metodologia foca no ajuste dos
processos e da oferta, eliminando o que não agrega valor, e nos custos, para que
estes possibilitem lucratividade. Por fim, é delimitada a proposta de valor,
investindo em posicionamento da marca, em qualidade e inovação do(s)
produto(s)/serviço(s) e em comunicação e realizando distribuição em locais de
vendas compatíveis com a proposta de valor.

Saiba mais
Uma pesquisa para avaliação da percepção de valor das marcas é IPMC –
Índice de Prestígio da Marca Corporativa, que utiliza as seguintes métricas para
que os entrevistados definam a importância dada para cada um desses aspectos:

• Qualidade de produtos e serviços;


• Admiração e confiança;
• Responsabilidade social e ambiental;
• Capacidade de inovação;

• História e evolução das empresas.

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Leia a matéria “Consumidor avaliou a qualidade de produtos e serviços
das marcas” (disponível em <https://www.mundodomarketing.com.br/
reportagens/pesquisa/18688/marcas-entregam-o-que-prometem-e-satisfazem-
o-consumidor.html>) e conheça as marcas com o maior índice de prestígio.

TEMA 3 – ENTREGA DE VALOR AO CLIENTE

Para falar de entrega de valor, é preciso compreender o que é valor na


perspectiva do cliente:
A expressão popular “é preciso analisar os custos e benefícios” define bem
como as pessoas dão valor a determinado produto/serviço e como sentem
satisfação. O cliente dará valor a sua compra e se sentirá satisfeito quando os
custos forem menores que os benefícios, mas custos, neste contexto, não se
resumem aos custos fixos e variáveis de produção, além dos custos financeiros
monetários: o cliente contabiliza o tempo gasto no processo, a energia despendida
para obtenção da satisfação e o seu envolvimento psicológico. Assim como os
custos, os benefícios são tangíveis e intangíveis, são benefícios práticos que o
produto/serviço vai proporcionar mais os benefícios emocionais.
Kotler (2000, p. 33) apresenta a fórmula da relação custo-benefício e define
“valor como a razão entre o que o cliente recebe e o que ele dá”.

Por isso, ao definir uma das estratégias de precificação, recomenda-se


suplantar os custos financeiros e contabilizar todos os quatro custos envolvidos,
assim como conhecer realmente os benefícios ofertados.

Saiba mais
Refletindo a respeito da entrega de valor ao cliente, André Damasceno
escreveu o artigo “Valor agregado: percepção e realidade”, publicado no site O
Melhor do Marketing, disponível em <http://omelhordomarketing.com.br/valor-
agregado-percepcao-e-realidade/>.

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TEMA 4 – ESTRATÉGIAS DE PRECIFICAÇÃO BASEADAS EM VALOR

4.1 Preço pelo valor percebido

A proposta é determinar o preço pela percepção de valor dos clientes, e não


pelo custo do produto. Este método leva em consideração o que e quanto o cliente
acredita que vale o produto e/ou serviço. Para tal, primeiro é necessário conhecer
os clientes e os prospects e depois, realizar pesquisas de mercado para definir o
valor da oferta, sob a ótica do mercado.

4.2 Preço de diferenciação ou preço premium

Os preços altos são aplicados quando:

 Trata-se de uma oferta exclusiva, como ter um vestido desenhado e


confeccionado por um estilista que considera características pessoais do
cliente;
 É uma inovação com alta tecnologia envolvida, como os celulares mais
modernos;
 Reafirma a expressão da identidade pessoal, como marcas consagradas,
por exemplo as de roupas e calçados de surfistas ou skatistas;
 Sustenta uma diferenciação, como produtos classificados na categoria
marcas de luxo, que demonstram o poder aquisitivo;
 Serviços complementares são agregados, como seguros de veículos que
também disponibilizam serviços de reparos para a residência.

Alguns compradores consideram o preço alto como indicador de qualidade.

4.3 Preço psicológico

Quando vamos às compras e nos deparamos com um anúncio de que


determinado produto e/ou serviço custa R$199,99 (cento e noventa e nove reais
e noventa e nove centavos), assumimos que o preço está na casa dos R$100
(cem reais), e não na casa dos R$200,00 (duzentos reais). Embora estejamos
falando da diferença de apenas um centavo, situamos o valor como mais
vantajoso, o que de fato é, mas financeiramente a diferença é irrisória. Vale
registrar que essa estratégia de precificação denota um produto em promoção.

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4.4 Preço mais baixo

Para praticar o preço mais baixo, a empresa precisa ter custos baixos de
produção sem sacrificar a qualidade dos produtos, o que possibilita ofertar preços
mais baixos que os do concorrente. Uma realidade enfrentada pelas empresas é a
forte e acirrada concorrência dos produtos fabricados em países como a China, o
Vietnã e a Indonésia, o que não pode ser ignorado pelas empresas que optam por
essa estratégia.

4.5 Preço para licitação

Kotler (2000, p.488) explica: “A empresa baseia seu preço em expectativa


de como os concorrentes determinarão os deles.” Vence a licitação quem
apresentar menor preço para o produto e/ou serviço especificado no edital da
licitação.

4.6 Preço geográfico

O preço é determinado levando em consideração a diferença de localidade


geográfica. A lógica é quantificar os custos de transporte quando o cliente está
distante da produção e também dos impostos que incidem em localidades
diferentes. Para cobrir o custo, é preciso ter um preço final mais elevado.
Observe que no Brasil, além de questões logísticas, como estradas
esburacadas, que podem encarecer o produto final, há diferenças de ICMS
cobrados em cada estado.
Um simples produto, como um coco verde, possibilita a percepção dos
custos de transporte e de impostos incidindo no preço quando é comprado em
São Paulo se comparado ao preço do mesmo produto no Rio Grande do Norte.

4.7 Preço promocional

São estímulos de compras, que pode se apoiar em um mix de ações de


promoção de vendas para gerar fluxo no estabelecimento comercial, para
apresentação/lançamento de produto/serviço, para reduzir estoque e ampliar as
vendas em determinado período. Essa estratégia de preço variável não pode ser
utilizada continuamente, pois perde sua função e credibilidade com os clientes
regulares. O mix de promoção de vendas é enorme, uma vez que a criatividade é
o seu motor, mas, entre elas, temos: preço “isca”, preço de ocasião, financiamento
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a juros baixos ou zero, prazos de pagamento mais longos, garantias e contratos
de serviço, descontos etc.

4.8 Descontos

É a redução do preço durante uma negociação. Pode acontecer devido a:

 Barganha do comprador;
 Grande quantidade de produtos adquiridos;
 Antecipação do pagamento;
 Ação promocional.

4.9 Preço discriminatório

São preços diferenciados, do mesmo produto/serviço, para determinado(a):


 Segmento: idosos, estudantes ou crianças de até nove anos.
 Localização: em um show ou em um teatro, há espaços diferentes, como
camarotes, arquibancadas ou plateia geral.
 Período: conforme a temporada, o dia do mês ou o horário do dia. Todos
pagam meia entrada no cinema às quartas-feiras.

4.10 Preço linha de produtos

São determinados levando em consideração o conjunto de produtos que


forma a linha de produtos. Zornig (2007) alerta

Consumidores percebem diferença de valor em uma linha de produtos


mais facilmente do que comparando produtos concorrentes. Por
exemplo, embalagens de Coca-Cola deveriam ter um preço coerente
com o volume de líquido vendido em suas garrafas plásticas. Idealmente,
quanto maior o volume comprado, menor o preço por mililitro, mas
algumas vezes encontramos preços que não seguem essa regra. O
consumidor mais sensível a preço poderá abrir mão da embalagem que
procura para levar o produto com melhor preço por mililitro. (Zornig,
2007)

A estratégia mais comum quando se trabalha com uma linha de produto é


ter preços próximos para cada item. Observe que xampu, condicionador e
reparador de pontas da mesma marca possuem preços aproximados.

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4.11 Preço por opcional

Além do produto principal, a empresa oferece opcionais de produtos, como


características e/ou serviços. Essa estratégia é utilizada frequentemente na venda
de automóveis, quando são oferecidos ar-condicionado, air bags laterais, kit
multimídia, roda de liga leve etc. Quando realizamos uma compra pela internet,
normalmente podemos optar por embalagens para presente ou prazos de entrega
diferenciados.
Os preços por opcionais podem ser diferentes, sem nenhuma relação com
o produto principal.

4.12 Preço por complemento

Quando o produto principal necessita de outro produto para funcionar,


como tinta/toner para impressoras, controles remotos para video games, blister de
café expresso, laminas de barbear etc.
A estratégia é cobrar um preço mais baixo pelo produto principal, que só
será adquirido uma vez, e que o lucro advenha dos complementos que serão
adquiridos mais vezes.

4.13 Preço por composto

São produtos que cobram taxa fixa mais taxa de utilização variável, comum
nos planos de telefonia e planos de saúde.
Normalmente a taxa fixa possui um preço mais baixo, e a taxa de utilização
proporcionalmente é mais elevada.

4.14 Preço por pacote

Agrupamento de produtos por um preço fixo, como os combos das redes


de fast-food que oferecem o lanche, a bebida e a batata-frita ou salada por um
preço menor do que quando é comprado cada item separadamente.
Zornig (2007) explica que quando alguma empresa possui um produto
muito consolidado, pode utilizar esta estratégia para ajudar a mover o estoque dos
itens de menor giro ou com menor participação do mercado.

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TEMA 5 – ESTRATÉGIAS DE PRECIFICAÇÃO BASEADAS EM VALOR

Para definir um preço, é preciso considerar também os itens que veremos a


seguir.

5.1 Os objetivos da empresa

 Expansão do portfólio do produto: o crescimento do negócio se dá pela


venda dos diversos produtos ofertados ao mercado. Cada produto ou linha
de produtos poderá possuir estratégias de precificação distintas.
 Ampliação do market share: a lucratividade virá com a quantidade de
vendas, sendo possíveis estratégias a redução do preço, a promoção de
vendas e o preço psicológico.
 Sobrevivência: geralmente é quando o produto está no fim do ciclo de vida.
Nesse caso, a empresa poderá agregar valor ao produto, reposicioná-lo no
mercado, identificar novos mercados ou então desistir da operação.
 Recuperação total ou parcial dos custos: esse objetivo é praticado por
organizações públicas e/ou sem fins lucrativos.

5.2 O posicionamento da marca

Posicionamento é a imagem que a marca de um produto, serviço ou


empresa possui na mente do cliente. Cada marca possui um significado para cada
pessoa, e a estratégia de posicionamento é fazer com que o máximo de pessoas
tenha a mesma imagem e/ou significado pela marca. Vale destacar que a proposta
do posicionamento não é criar algo novo ou diferente na mente do cliente, pois
parte do pressuposto de divulgar os valores, os benefícios, as vantagens de
determinada marca, estabelecer uma relação com o que já está na mente do
cliente.
Assim, empresas que possuem marcas consagradas ou que garantem uma
identidade pessoal aos consumidores precisam ter preços superiores aos da
concorrência como forma de destaque e diferenciação. Empresas que apresentam
ao mercado novidades ou ofertam produtos/serviços customizados/únicos podem
aplicar preços altos.

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5.3 A demanda

De acordo com Schewe (1982, p.292), a demanda “reflete os limites mais


altos que os consumidores estão dispostos a entregar para que possam obter o
produto”. Se a demanda estabelece um teto para o preço, os custos determinam
um piso.
Os compradores se tornam menos sensíveis a preço quando:

 O produto é customizado;
 Não conhecem substitutos;
 Não podem pagar pela qualidade ou marca de substitutos;
 Parte do custo é assumida por terceiros;
 O produto é utilizado em conjunto com bens comprados anteriormente;
 O produto supostamente possui mais qualidade ou prestígio;
 Não podem estocar o produto;
 Têm grande quantidade de recursos financeiros;
 Menor for o dispêndio total em relação à renda total do cliente, ou seja, a
proporção preço-salário/rendimentos for menor.

Embora haja formas diferentes para definir o preço de um produto e/ou


serviço, observe que praticar um preço único para cada produto/serviço parece
ser a melhor opção. Quando recordamos o exemplo da bateria para tratores,
percebemos que o preço deve ser ajustado para cada situação e/ou cada
segmento de clientes. Em contrapartida, para possuir preços diferenciados, é
preciso ter ofertas diferenciadas, pois um segmento de clientes pode preferir o
parcelamento, já outro pode optar pelo pagamento à vista, obtendo um desconto,
por ser mais vantajoso.
No entanto, alguns cuidados precisam ser tomados, pois as políticas de
precificação devem ser apresentadas previamente, com transparência, para que
seus clientes percebam justiça nas condições oferecidas e para que a equipe de
vendas tenha ciência do posicionamento da marca e saiba ligar com a barganha
dos clientes.

Com a facilidade que os sistemas de gestão estão trazendo para o dia-


a-dia das empresas, é necessário que sua empresa se municie de
informações estratégicas de preços para gerenciar proativamente como
a estratégia de preços está sendo implementada no mercado e atuar
rapidamente na correção de qualquer desvio do plano (Zornig, 2007, p.6-
7).

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FINALIZANDO

Se a decisão for pela redução de preços, há o risco de os consumidores


desconfiarem de qualidade, obsolescência do produto, ciclo de vida do produto,
situação financeira da empresa, imagem empresarial etc.
Se a proposta for aumentar os preços, é preciso estar atento para não dar
a impressão de extorsão, pois os clientes não aceitam ser explorados e podem
excluir o produto/serviço da lista de compra, praticar uma ação consumerista4 ou
reposicionar a imagem do produto/serviço como não adequado a sua classe social
e/ou a seu grupo, por isso recomenda-se que os clientes regulares sejam avisados
antecipadamente para se prepararem para o reajuste.
Por sua vez, os concorrentes podem interpretar a alteração de preço (para
mais ou para menos) como tentativa de roubar sua “fatia” de mercado, impulsionar
as vendas por um curto período, reposicionar a marca ou convidar o setor para
que todos modifiquem os preços para estimular a demanda ou reposicionar o
produto.

4 O consumerismo é um movimento social que, por meio de pressões legais, morais e/ou
econômicas, busca uma atitude ética empresarial e um mercado equânime. Se inicialmente os
cidadãos consumeristas realizavam ações físicas para se fazer ouvir, atualmente também utilizam
das mídias de massa e sociais para se manifestarem. Tal expressão social advém daí, pois os
consumidores passaram a agir de forma criteriosa em relação aos seus direitos, e mais
recentemente estão assumindo um pensamento mais consciente, politicamente correto e
sustentável, ou seja, cada vez mais assumindo o papel de cidadãos e assim demandando novas
relações de consumo pautadas em valores sociais (Costa, 2016, p. 17).
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REFERÊNCIAS

BRASIL: Ministério da Fazenda. Área de Publicações. Plano Real. Disponível em:


<http://www.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/plano-
real/copy_of_plano-real >. Acesso em: 5 mar. 2018.

CHURCHILL, G. A.; PETER, P. J. Marketing: criando valor para o cliente. São


Paulo: Saraiva, 2000.

COSTA, B. R. L. Manifestaciones consumeristas realizadas em lãs redes


sociales: evidencias de que lãs empresas desconocen lãs demandas de los
consumidores del siglo 21. 2016. 299 f. Tese (Doutorado) – Universidad de la
Empresa. Montevideo, 2016.

DAMASCENO, A. Valor agregado: percepção e realidade. O Melhor do Marketing.


Disponível em: <http://omelhordomarketing.com.br/valor-agregado-percepcao-e-
realidade/>. Acesso em: 6 mar. 2018.

HAVAIANAS e o reposicionamento histórico de marca. AdNews, 11 fev. 2015.


Disponível em: <http://adnews.com.br/adallstars/havaianas-e-o-
reposicionamento-historico-de-marca.html>. Acesso em: 6 mar. 2018.

KOTLER, P. Administração de marketing: a edição do novo milênio. São Paulo:


Prentice Hall, 2000.

MELDAU, D. C. Stent cardíaco. InfoEscola. Disponível em:


<http://www.infoescola.com/medicina/stent-cardiaco/>. Acesso em: 5 mar. 2018.

MELLO, B. O Boticário, Sadia e Tramontina são eleitas marcas de prestígio e


reputação. Mundo do Marketing, 8 abr. 2008. Disponível em:
<https://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/marca/3935/o-boticario-
sadia-e-tramontina-sao-eleitas-marcas-de-prestigio-e-reputacao.html>. Acesso
em: 6 mar. 2018.

ZORNIG, F. M. Tudo o que você queria saber sobre o novo pricing. Revista HSM
Management Update. São Paulo, n. 42, mar. 2007.

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