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CENTRO UNIVERSITÁRIO SÃO JUDAS TADEU – CSJT

BEATRIZ RODRIGUEZ LIMA – 520114950


JEFFERSON DA S. ALMEIDA – 52013061
LUCAS DANCEV – 52018530
MAURÍCIO DOS SANTOS SILVA – 520115630
REBECA SANTOS – 520114488
RUTE LÉIA PEREIRA BONFIM – 520111589
VINÍCIUS HERDY MOURA – 520214221

ANÁLISE E INTERVENÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL.


A3 – ANÁLISE DO FILME “VIDAS PARTIDAS”

Trabalho Interdisciplinar apresentado ao Centro


Universitário São Judas Tadeu – CSJT, como
exigência parcial para a aprovação na disciplina
Análise e intervenção em psicologia social do Curso
de Psicologia.
Orientador(a): Prof(a). Sandra Lia Rodrigues e
Ana Maria Melo e Souza

SANTOS, 16 DE NOVEMBRO DE 2021


1.1 - SINOPSE DO FILME “VIDAS PARTIDAS”.

Vidas partidas é uma obra nacional, que se passa na década de 80. A


história retratada é a de Graça e Raul, um casal que vive uma paixão ardente.
Eles se casaram e tiveram duas filhas, porém Raul não era quem parecia ser,
um homem de segredos e um lado obscuro. Essa história de “amor” começa a
desmoronar quando Raul fica desempregado e vê sua esposa progredindo na
carreira, fazendo o que ele mostre seu lado agressivo e possessivo.

1.2 – INTRODUÇÃO

Vidas partidas é um filme que nos apresenta a realidade de muitas


mulheres. De acordo com uma pesquisa do Datafolha apresentada pelo G1, uma
a cada quatro mulheres acima de 16 anos já sofreu violência física, psicológica
e/ou sexual nos últimos anos (PAULO, 2021). E apesar do Brasil ter uma Lei
especificamente para mulheres, a Lei Maria da Penha, o país é o 5° que mais
mata mulheres no mundo, de acordo com uma reportagem publicada no G1
(FRANCHESCHINI, 2015). Números extremamente altos, que compõem a
nossa sociedade. Umas das premissas do filme é mostrar que a violência contra
a mulher é indiferente às condições socioeconômicas, uma vez que Graça é uma
cientista que está progredindo na carreira e Raul é um professor universitário.
Pode-se dizer que toda essa violência é um padrão comportamental que está
presente na face da terra desde sempre. Não é de hoje que mulheres são
consideradas inferiores aos homens, entretanto essa concepção veio se
fortalecendo a partir de algo que todos nós conhecemos muito bem. O
machismo.

2. DESENVOLVIMENTO

Quando falamos sobre violência contra mulher sempre relacionamos com


o machismo estruturado na nossa sociedade. Esse problema social pode vir de
qualquer pessoa, basta “dar um Google” e veremos desde desconhecidos até o
presidente da república dizendo algo de cunho sexista e misógino. Uma das
frases marcantes do atual presidente, Jair M. Bolsonaro (no sentido negativo) foi
uma declaração dizendo: “Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei
uma fraquejada e veio uma mulher.” (GREDO, 2017). Na época, Jair era
deputado, o que não o impediu de se tornar presidente. O que nos leva a
questionar, será que só as mulheres se importam com a desconstrução do
machismo? E a resposta é, não exatamente. Já quem em 2018, durante as
eleições para presidência, cerca de 18% das eleitoras femininas disseram que
iam voltar nele (WETERMAN, 2018). O que nos reforça a ideia de que o
machismo está muito bem estruturado entre nós. No filme, Vidas Partidas, Raul
apresenta seu lado machista antes mesmo da primeira agressão.

Mas afinal, o que é o machismo? E de maneira bem direta podemos dizer


que machismo é uma crença de que homens são superiores e detém a posse
sobre as mulheres. E se analisarmos de um ponto de vista sócio-histórico,
podemos dizer que o machismo estrutural é oriundo do patriarcado, que é
concebido através de esferas sociais, como família, escola, trabalho e etc.
(KUBOTA e ALVES, 2018). E de maneira bem sucinta, podemos dizer que esse
patriarcado se instalou no Brasil com os portugueses no período de colonização.
Os colonizadores tomaram as terras brasileiras e as mulheres à força, primeiro
as indígenas e logo após as escravas africanas, pois eram vistas apenas como
trabalhadoras e objetos sexuais. Entretanto as mulheres europeias já eram
vistas como submissas, uma vez que viviam a vida apenas para se casar, cuidar
da casa, dos filhos e tolerar as relações extraconjugais do marido. (DESOUZA,
BALDWIN e ROSA, 2000). É importante ressaltar que o Brasil não é o único país
machista, e que cada país constrói seus discursos de masculinidade e
superioridade a partir de suas respectivas culturas e ideologias. No Brasil ficou
mais evidente por conta do período de escravidão e a superioridade dos homens
brancos sobre mulheres de cor. E em paralelo ao machismo temos o
marianismo, que em resumo seria a mulher que aceita ser submissa do homem,
graças às construções e imposições feitas por homens, isso se dá também
porque em alguns lugares o conceito de machismo foi redefinido para o oposto
do que realmente é, então um homem machista era visto como alguém
cavalheiro. (DESOUZA, BALDWIN e ROSA, 2000).

Atualmente atitudes machistas rodeiam a vida de mulheres com “piadas”,


falso romantismo ou proteção. Inicialmente o machismo começa em casa com
uma mulher, porém ultrapassam esses limites para escolas, trabalhos e etc. No
filme, percebemos algumas atitudes machistas por parte do Raul, uma das mais
marcantes é quando ele diz: “O que cê fez para conseguir esse emprego?”
indicando que ela não teria capacidade e teria feito algo em troca. Raul também
fica muito desconfortável quando vê sua esposa ganhando um prêmio por causa
de seu trabalho e tenta diminuí-la para parecer que continua superior a ela: “eu
sou acadêmico, né? Não faço política para ganhar prêmio que nem minha
mulher”. E aqui é interessante dizer que Raul é professor universitário, o que
reforça que o machismo é indiferente de status social, condições financeiras,
grau de formação, homem ou mulher (VIDAS PARTIDAS, 2016).

Contudo, é nítida a diferença entre mulheres e homens aos olhos de uma


sociedade construída sob uma perspectiva machista e patriarcal. E trazendo
para nossa realidade, em meados de julho de 2021, muitos brasileiros ficaram
chocados com a divulgação de vídeos do artista DJ Ivis agredindo de forma
brutal sua, atualmente ex-esposa, Pamela Gomes de Holanda. (RAMIL, 2021)

No primeiro momento, quando a situação ainda se fazia obscura,


foram veiculadas em páginas e perfis de influência nas redes sociais, postagens
que questionavam o motivo pelo qual o famigerado artista teria então, executado
as agressões. Muitas delas, acusavam a vítima, Pamela, de ter o chantageado,
agredido previamente, ameaçado ou ter feito qualquer coisa que justificasse de
maneira ímpar a violência da qual fora submetida, sem ao menos ter ciência dos
fatos, sendo de cunho completamente suposto. Essa atitude diz muito do
machismo estrutural da sociedade brasileira, imbuindo na maioria das vezes, a
mulher de ser a causadora, e o homem, em forma de resposta, o agressor
justificável (RAMIL, 2021).

Consequentemente, segundo a ferramenta Social Blade, DJ Ivis


ganhou mais de 200 mil seguidores em suas redes após a divulgação das
notícias referentes à agressão, passando de cerca de 720 mil para 966 mil
seguidores (RAMIL, 2021).

Nas filmagens, é possível observar que, durante as agressões,


além da filha do casal que estava presente na hora do ocorrido, haveria também
uma terceira figura: outro homem, amigo de DJ Ivis, Charles Barbosa. Charles
observou o ato, e, além de se abster de uma reação, sequer tomou um
posicionamento, sendo que, segundo Pâmela, não era a primeira vez que era
agredida por seu cônjuge. O ato de omitir-se, embora imoral, não é criminalizado,
inclusive em uma situação como a que Charles se viu envolvido, apesar de que,
em certos casos, o magistrado pode encarar com crime de cumplicidade.
(RAMIL, 2021)

E comparando com o filme, Raul também teve cúmplices, principalmente


durante o seu julgamento, no qual o vigilante, mesmo sabendo das agressões e
de tudo que o Raul fez, ainda sim depôs a favor do réu. (FILME)

E em contraponto a todos esses privilégios que homens têm a mulher


desde sempre é ridicularizada e um bom exemplo é a Histeria, era dessa forma
que era encarada a mudança drástica, e natural, de hormônios da mulher há não
mais de 150 anos. Desde muito tempo, os males que vêm com o ato de
relacionar-se são atribuídos à mulher. Uma mulher que tem a preferência de
relacionar-se com diversos parceiros ao invés de se sujeitar a uma relação firme
é vista de uma maneira mais pejorativo que um homem que tem os mesmos
costumes, tão somente, a traição também é encarada com mais pesar quando
parte do lado da mulher em uma relação. Casos criminosos geralmente têm mais
visibilidade por parte da mídia quando são praticados por mulheres, como por
exemplo, temos o caso de Elize Matsunaga, do qual reporta que a mesma matou
e esquartejou o marido Marcos. Casos semelhantes ocorrem com bem mais
frequência, porém, sendo a mulher a vítima fatal. O número discrepante de
resultados na busca de “homem mata mulher” e vice-versa é notório. Aparecerão
mais casos e inclusive mais recentes, como destacam matérias do portal
jornalístico G1. Em particular, o caso de Elize, veio a se tornar escândalo mundial
e documentário com visibilidade internacional, produzido pelo serviço de
streaming Netflix (NUNES, 2021).

Portanto, além de ser alvo de mais críticas e pesar nas atribuições


negativas por preferências pessoais, as mulheres também costumam ser alvo
de mais mortes, preconceitos e agressões por parte dos homens, e inclusive, de
próprias mulheres que flertam com costumes voltados às práticas conservadoras
e/ou machistas. A sociedade, tem o costume estrutural de questionar a mulher
quando a mesma se vê em apuros, muitas vezes, fazendo-a induzir culpa das
mazelas que é posta, ocasionando depressão e demais problemas relacionados.

2.1 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Dito isso, podemos adentrar no tema central do filme, a violência
doméstica. E de maneira bem geral esse tipo de violência pode assumir várias
formas, principalmente física, até mesmo ameaças, violências psicológicas e
abusos, ela acontece entre duas pessoas que estão em um relacionamento
íntimo, seja ele heterossexual ou homo. Porem as estatísticas globais apontam
que as mulheres são as que mais sofrem violência doméstica, cometida por seus
parceiros homem (ou seja, uma relação heterossexual).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) 38% dos


assassinatos de mulheres são cometidos por seus próprios maridos ou parceiro
íntimo do gênero masculino. São considerados violência doméstica, qualquer
atitude que gera ou resulta em um sofrimento físico, mental ou sexual as
mulheres, atos de privação arbitrária de liberdade seja na vida pública ou privada
(BRASIL, 2006)

Normalmente nos casos de violência doméstica se trata de uma


relação abusiva, onde ocorre um desequilíbrio de poder e controle. A relação
abusiva as vezes pode ser desde o início do relacionamento, ou uma relação de
muita paixão super intensa, onde o homem aparenta ser muito amoroso, e
cuidadoso com sua companheira, mas com o tempo a relação abusiva fica cada
vez mais aparente, tanto pra mulher, quanto para as pessoas a sua volta.

Ciúmes possessivos constantes, insultos, xingamentos, está


sempre tentando rebaixar o parceiro, te impede ou desencoraja de seus sonhos,
controlador, ameaças e agressão física, são as principais atitudes de uma
pessoa abusiva. A manipulação é mais uma arma dessas pessoas, elas gostam
de atribuir a responsabilidade ou culpa dessas atitudes e agressões à própria
vítima, eles dificilmente assumem responsabilidade por suas ações.

Outro padrão das relações abusivas e a reconciliação,


normalmente essas após essas agressões surgem gestos fofos, pedidos de
perdão, juras de mudanças, e união familiar, essa é só mais uma forma que os
agressores encontraram de manipular suas vítimas. Quebrar esse ciclo vicioso
muitas vezes parece impossível para essas vítimas, e quanto mais tempo essas
mulheres permanecem nessas relações, maiores serão seus danos físicos e
emocionais, que em alguns casos podem custar até a morte dessas mulheres.
(ECYLE, 2021)

E se analisarmos o filme com cuidado percebemos que Raul


demonstra todos esses pontos citados no decorrer da história, desde os
primeiros incômodos por ciúmes, seu comportamento agressivo, não apenas
com Graça, mas com suas filhas e a empregada, primeira agressão e tentativa
de reconciliação até o momento que ele tenta matar ela deixando-a cadeirante
(VIDAS PARTIDAS, 2016).

E apesar de não ser muito explorado no Filme, podemos atribuir ao uso


excessivo de álcool várias situações como mudança de humor, agressividade
exacerbada, aumentando a probabilidade de conflitos no âmbito familiar.
Chegando até mesmo a interferir de maneira negativa na vida e na saúde mental
dessas mulheres. Em um ambiente doméstico que é basicamente constituído
por agressões físicas e mentais, humilhações, sofrimento e submissão, o uso em
excesso de álcool e drogas do marido contribuiu com a violência sofrida pelas
mulheres no seio familiar. Apesar de ser um tema de grande importância, a
violência contra a mulher potencializada pelo o uso de drogas e o álcool, grande
parte dos casos de violência não é identificado pelos familiares dessas mulheres,
já que a grande maioria tenta esconder até mesmo com vergonha ou medo.
Favorecendo para a invisibilidade do problema social que é a violência associada
ao uso abusivo do álcool e drogas pelo companheiro agressor. (ZELESKI;
PINSKY; LARANJEIRA; RAMISETTY-MIKLER; CAETANO, 2009)

2.3 VIOLÊNCIA PSICOLOGIA

Aqui é importante ressaltarmos que a violência nem sempre vai ser física.
A agressão emocional, mais conhecida como Violência Psicológica é todo tipo
de conduta ou atitude que tem como consequência a causa de danos emocionais
ou tenham como cunho controlar ou limitar uma ação e comportamento a alguma
outra pessoa. Essa forma de violência é muito comum e muito difícil de ser
identificada, já que a mesma não gera danos materiais.

A Violência Psicológica contra as mulheres ainda é um tema


recente e existe muito a ser conversado sobre o mesmo. Esse tipo de violência
pode ser feito pelo agressor de diversas formas, sejam elas por meio de
ameaças, constrangimentos, humilhação, isolamento, manipulação, chantagem,
ridicularização ou qualquer ato de desvalorização moral, assim como atos que
abalam a autoestima da vítima ou então a prejudique em seu livre
desenvolvimento.

As consequências desse tipo de ato podem gerar milhares de


transtornos psíquicos, dentre eles se encaixam: Ansiedade, Depressão, perda
de autoestima, isolamento social e também transtornos sexuais. (EQUIPE
EDITORIAL, 2021)

2.3 – VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL

Não o bastante, muitas mulheres ainda sofrem mais um tipo de agressão,


a violência institucional. Que basicamente é uma violação de direitos, pode
ocorrer tanto em uma intuição pública ou privada, com ou sem fins lucrativos.
Normalmente ela é definida como uma violência praticada por agentes públicos
no desempenho de função pública em instituições de qualquer natureza, por
meio de atos comissivos ou omissivos que prejudiquem o atendimento da vítima
(CHAI, SANTOS e CHAVES, 2018).

Esse tipo de violência é muito pouco comentada na sociedade, talvez um


grande número de pessoas nem saiba da existência desse tipo de violação, ou
até mesmo já passou por esse quadro de violência e nem percebe, ou não
encarou como uma violência de fato. Esse tipo de crime vem de agentes que
deveriam na verdade prestar uma atenção humanizada e reparar danos.

Um exemplo, que retrata e explica, a violência institucional contra a


mulher, como ela acontece, e os danos e traumas causados por ela, e a série da
provedora global de filmes e séries Netflix chamada Inacreditável baseada em
fatos reais lançada em 2019. Conta a história de uma menina que é vítima de
abuso sexual em sua própria casa onde mora sozinha, os policiais fazem uma
abordagem de forma inadequada com a vítima, eles a fazem dar vários
depoimentos diversas vezes, que fazem ela reviver o momento traumático, sofre
suspeitas policiais, passa por procedimentos desnecessários e invasivos, então
ela faz uma Retratação, que acontece quando a vítima nega a violência mesmo
depois de ter feito a ocorrência. Ela decide retirar sua queixa de estupro por
conta da violência institucional que sofre por parte dos agentes de investigação
e da polícia (INACREDITÁVEL, 2019).

De acordo com o artigo da Revista Eletrônica do Curso de Direito, sobre


a violência institucional contra a mulher, historicamente na nossa sociedade os
homens têm ocupado uma posição de maior relevância, e uma organização de
gênero hierarquizada, com predominância do gênero masculino, que muitas
vezes vem acompanhada de violência. Essa é uma consequência da nossa
constituição social, e da forma como foi feita a divisão sexual dos papéis.

Outro exemplo recente deste crime de violência institucional, é o caso


Mariana Ferrer. Caso de uma jovem que foi humilhada por agentes públicos no
julgamento do homem que supostamente a violou, ela ouviu diversos
comentários misóginos, onde eles davam a entender, e tentavam justificar que
Marina deu motivos para a violência que sofreu. A cena desta audiência, que
circulou na mídia nacional, mostrou para as pessoas que há muito a pensar e se
fazer para combater e impedir esses crimes de violência institucional (G1 SC,
2020).

No filme, esse tipo de violência é retratado logo quando Graça busca


ajuda após a primeira agressão, com as leis da época ela podia perder a guarda
das filhas se tentasse fugir de casa. Outro momento é quando Raul comprando
o silêncio do Policial, que tinha provas contra o agressor. E logo no final do filme
também vemos o advogado de Raul humilhando a empregado que depôs a favor
de Graça. (VIDAS PARTIDAS, 2016)

2.4 FEMINICÍDIO
Contudo, chegamos ao ponto final para uma mulher que vivenciou todas
as agressões. O feminicídio. Até alguns anos atrás vistos apenas como
homicídio, o assassinato de mulheres nunca foi algo novo nem tão pouco
diferente, ele sempre existiu e talvez essa seja a questão.

O homicídio contra as mulheres passou a ser conhecido e julgado como


feminicídio há pouco mais de anos, mais precisamente no dia nove de março de
2015 entra em vigor a lei do reinício (LEI. 13.104/15) onde o assassinato de
mulheres pelo simples fato de serem mulheres passa a ser crime previsto em lei
tudo isso dado ao grande índice de homicídios contra o sexo feminino e como
forma de conscientizar a cidadania a rever a cultura machista que ocorro no
nosso país (BRASIL, 2015). Anteriormente à criação da lei do feminicídio, à
prática de homicídios em razão ao gênero eram caracterizadas como crime
passional. Houve uma evolução social no sentido de não tratar mais como
tolerância o autor de crimes de tamanha gravidade. É de extrema importância,
trazer a incoerente ideia na lei Maria da Penha já era responsável por punir esse
time de crime, quando na verdade ocorre, que na Lei n. 11.340/2006 não indica
nenhum tipo de crime, tendo apenas como objetivo proteger mulheres vítimas de
violência doméstica e familiar através de medidas protetivas (BRASIL, 2006).

No nosso país a situação de vulnerabilidade que se encontra o sexo


feminino em relação a agressões físicas e moral sofrida no seio familiar e em
especial pelo cônjuge, e que faz de suma importância e relevância essa situação
no meio da sociedade alicerçada no machismo, que coloca a figura masculina
como centro da família. A lei anunciada é um exemplo expresso da luta contra
violência doméstica (BENTO, 2006).

O feminicídio é subdivido em três tipos, o feminicídio por conexão, esse


abrange a situação que a mulher é morta por um homem ao tentar intervir a
tentativa de assassinato de outra mulher. O feminicídio íntimo é aquele que de
fato tem um vínculo afetivo ou parentesco entre agressor e vítima. Por último, o
feminicídio não íntimo, que é aquele que não tem vínculo de afeto ou parentesco
entre o agressor e a vítima. Tratando-se do feminicídio se percebe que não se
dá da mesma forma e pelo mesmo pressuposto de como acontece nos
assassinatos do gênero masculino. Para o termo “feminicídio” ser usado como
crime de homicídio, houve um processo histórico de controle a violência contra
a mulher no Brasil. No Brasil em 2020 foi registrado pelo menos um caso de
feminicídio a cada 6 horas e meia sendo que de três a cada quatro vítimas tinham
entre 19 e 44 anos, mais da metade dessas mulheres são mortas por armas
brancas, como facas canivetes, tesouras ou instrumentos do tipo (ACOSTA,
GOMES, FONSECA e GOMES, 2013)

Raul tentou matar graças algumas vezes durante o filme, eletrocutada e


com um tiro, porém não obteve sucesso. (VIDAS PARTIDAS, 2016)

2.5 TRAUMAS
E se por um ato de sorte ou se a justiça funcionar, como foi no caso da
graça, a mulher vai carregar traumas pelo resto da vida. Os reflexos desse
desequilíbrio sociocultural estão estampados no psicológico e no físico das
mulheres. As marcas da violência, que em sua maioria são domésticas, são
notadas pela depressão e ansiedade. É comum a vítima desenvolver estresse
pós-traumático e ter alguns picos de pânico. No começo é possível notar que a
vítima se apresenta mais retraída, com fortes expressões de tristeza e pedindo
ajuda em entrelinhas. Apesar de não ser uma regra, essas são as principais
características. São muitos os motivos que prendem a vítima no ambiente de
violência, na maioria das vezes é a dependência econômica e emocional. Existe
também o medo de denunciar o agressor e o mesmo “fazer algo pior”. Muitas
são as marcas que ficam em uma mulher que sofre violência doméstica, a perda
da autoestima é bem marcante, a imagem pessoal que tem de si vai aos poucos
perdendo o valor e com isso a perda de confiança em sua própria avaliação
subjetiva (BOTH e OLIVEIRA). No caso da protagonista, além dos problemas
psíquicos que ela pode ter adquirido, o mais impactante foi que ela perdeu o
movimento das pernas (VIDAS PARTIDAS, 2016).

2.6 - INTERVENÇÃO DA PSICOLOGIA SOCIAL

Quando se aborda a temática de violência doméstica, assim como


assistimos no filme “Vidas partidas”. A atuação do psicólogo seria pautado no
atendimento à vítima de agressão, realizando uma escuta ativa. Com essa
escuta ativa será possível ajudá-las a falar, e até mesmo a entender a
experiência, levando-a a criticar essa experiência vivida.

Será preciso avaliar seu estado psíquico, e também levando atendimento


a família em situação de violência, esse atendimento será com uma equipe
multidisciplinar. Em que consiste essa equipe? Consiste em trabalhar em
conjunto com assistentes sociais, enfermeiros, médicos, etc. Essas intervenções
seriam feitas principalmente nas Unidades Básicas de Saúde, essa intervenção
também deve ter como objetivo trabalhar com o autor das agressões, muitos não
tem nem ideia que estão praticando violência doméstica, porque acham que
existe só um tipo de violência que é a física, por ignorância ou desinformação. É
preciso que essa equipe tenha bastante capacidade e que tenham conhecimento
para atuar e intervir de maneira mais eficaz possível, até porque muitas dessas
agressões estão veladas de maneira patriarcal e por vezes passam
despercebidas.

Pois esse grupo multidisciplinar tem como avaliar a propensão de novas


agressões. Essas intervenções têm como objetivo facilitar um espaço de reflexão
e segurança dentro do seio familiar.

Na situação de violência doméstica, abordada no filme ‘Vidas Partidas’,


tomando como base a psicologia social, o papel do psicólogo seria voltado para
uma intervenção social que buscaria a interrupção do ciclo de violência. O
profissional colocaria em prática uma escuta ativa, escutando todas as partes
que tenham presenciado o ocorrido, direta ou indiretamente. Ou seja, escutaria
a vítima, o agressor, o restante da família e os empregados que testemunharam
as agressões. A escuta é importante pois ela será a base para uma interpretação
do caso e auxiliará o profissional no que deve ser feito. Também cabe ao
psicólogo atuante na área social rever todos os direitos que a vítima possui.

Marília Novais da Mata Machado, em seu livro Práticas Psicossociais, diz:


“Entre os diversos instrumentos de pesquisas utilizados nas ciências humanas e
sociais para a coleta de informações e dados, os mais comumente empregados
são as entrevistas abertas, individuais ou em grupo.” reforçando que as
entrevistas são essenciais para a prática na área social e que de início é preciso
pesquisar todo o contexto do caso.

Outro objetivo do psicólogo, no atendimento à vítima, é auxiliá-la no


resgate de sua condição de sujeito, na sua auto-estima e seus desejos, que
foram desqualificados psicológica e moralmente, isso pode ser feito em sessões
de grupos que tratam especialmente de mulheres que sofreram violência
doméstica ou em conversa privada com o próprio profissional, dependendo da
forma que atua ou onde atua.

No caso dos homens que procuram auxílio psicológico para enfrentar o


comportamento agressivo, o profissional pode direcioná-lo a grupos reflexivos e
educativos (Fernanda Santos Monteiro, 2012), para que trabalhe refletindo as
suas atitudes e reveja sua forma de se relacionar com mulheres, não como forma
de um objeto, mas sim como ser humano. Esses grupos normalmente trabalham
a responsabilidade do ato de violência no homem, proporcionando uma
compreensão do motivo que o leva à agressão.

4 – CONCLUSÃO

Em suma, é possível afirmar que a violência vem de uma raiz histórica


onde o homem assume a posição de protagonista, chamada de patriarcado. O
patriarcado vem com a ideia de o homem ser o chefe da família e a mulher ser
submissa a essa situação. Tendo isso em vista, quando a linha entre as posições
de dominância e submissão é ameaçada, há o início de um padrão de violência
contínuo.

É certo afirmar que este é um problema que está longe do fim, no entanto
o papel do psicólogo e da intervenção social se faz necessária. A mulher perante
ao ciclo ou esfera de violência apresenta dificuldade de reconhecimento da
situação, picos de humor, tendência à reclusão entre outras manifestações de
comportamento e neste ponto da situação a intervenção de amigos ou familiares
não se faz mais efetiva.

A atuação do psicólogo auxiliará a vítima no reconhecimento cristalino da


situação sem que isto cause a mesmas feridas sentimentais além de auxiliar na
saída desta esfera de abuso de forma mais branda impedindo que o desfecho
da história das mulheres que passam por esta situação seja as mesma da
protagonista de Vidas Partidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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