DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

No Título XI da Parte Especial do CP temos a previsão dos CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. O TÍTULO FOI CRIADO PARA PROTEGER A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DAS CONDUTAS LESIVAS DE SEUS SERVIDORES, COMO TAMBÉM DOS PARTICULARES QUE SE RELACIONAM COM A ADMINISTRAÇÃO. SÃO DELITOS QUE ATENTAM CONTRA O REGULAR FUNCIONAMENTO DA ORGANIZAÇÃO ESTATAL, OS QUAIS ESTÃO DIVIDIDOS EM QUATRO CAPÍTULOS: CAP. I – DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL (CP, ARTS. 312 A 327): PECULATO (ART. 312), PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM (ART. 313), INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÕES (ART. 313-A); MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE SISTEMA DE INFORMAÇÕES (ART. 313-B); EXTRAVIO, SONEGAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO (ART. 314); EMPREGO IRREGULAR DE VERBAS OU RENDAS PÚBLICAS (ART. 315); CONCUSSÃO (ART. 316); CORRUPÇÃO PASSIVA (ART. 317); FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO (ART. 318); PREVARICAÇÃO (ART. 319); CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA (ART. 320); ADVOCACIA ADMINISTRATIVA (ART. 321); VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA (ART. 322); ABANDONO DE FUNÇÃO (ART. 323); EXERCÍCIO FUNCIONAL ILEGALMENTE ANTECIPADO OU PROLONGADO (ART. 324); VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL (ART. 325); VIOLAÇÃO DO SIGILO DE PROPOSTA DE CONCORRÊNCIA (ART. 326); ART. 327 (CONCEITO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO). CAP. II – DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL (CP, ARTS. 328 A 337-A): USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA (ART. 328); RESISTÊNCIA (ART. 329); DESOBEDIÊNCIA (ART. 330); DESACATO (ART. 331); TRÁFICO DE INFLUÊNCIA (ART. 332); CORRUPÇÃO ATIVA (ART. 333); CONTRABANDO OU DESCAMINHO (ART. 334); IMPEDIMENTO, PERTURBAÇÃO OU FRAUDE DE CONCORRÊNCIA (ART. 335); INUTILIZAÇÃO DE EDITAL OU DE SINAL (ART. 336); SUBTRAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO (ART. 337); SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (ART. 337-A). CAP. II – A – DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRANGEIRA (ARTS. 337-B a 337-D): CORRUPÇÃO ATIVA EM TRANSAÇÃO COMERCIAL INTERNACIONAL – art. 337-B do CPB; TRÁFICO DE INFLUÊNCIA EM TRANSAÇÃO COMERCIAL INTERNACIONAL – art. 337-C do CPB; FUNCIONÁRIO PÚBLICO ESTRANGEIRO – art. 337-D do CPB. 1

356). 354). 359-A a 359-H. REALIZA-SE A ADMINISTRAÇÃO 2 . AUTOACUSAÇÃO FALSA (ART. ADMINISTRAR É GERIR INTERESSES. IV – DOS CRIMES CONTRA AS FINANÇAS PÚBLICAS – arts. 341). a honra objetiva da administração e seu perfeito funcionamento dentro da sociedade. 350). 345). 360 e 361. 358). PATROCÍNIO INFIEL (ART. EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO (ART. FRAUDE PROCESSUAL (ART. DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA (ART. COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME OU DE CONTRAVENÇÃO (ART. PROMOVER. editora Malheiros. ARREBATAMENTO DE PRESO (ART. ensina que: “EM SENTIDO LATO. em sua obra DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO. FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA (ART. 359). SEGUNDO A LEI. 357). COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO (ART. FUGA DE PESSOA PRESA OU SUBMETIDA A MEDIDA DE SEGURANÇA (ART. EM ESTABELECIMENTO PRISIONAL (ART. publicidade e eficiência.” CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES. criado pela Lei 12. dos Estados. 348). 353). 342). III – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA (CP. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. CP. 344). VIOLAÇÃO OU FRAUDE EM ARREMATAÇÃO JUDICIAL (ART. 349). FAVORECIMENTO REAL (ART. do CP. 339). CAP. SONEGAÇÃO DE PAPEL OU OBJETO DE VALOR PROBATÓRIO (ART. INTERMEDIAR. A MORAL E A FINALIDADE DOS BENS ENTREGUES À GUARDA E CONSERVAÇÃO ALHEIAS. SEM AUTORIZAÇÃO LEGAL. 338). SE OS BENS E INTERESSES GERIDOS SÃO INDIVIDUAIS. FAVORECIMENTO PESSOAL (ART. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO OU ABUSO DE PODER (ART. moralidade. MOTIM DE PRESOS (ART. OBJETIVIDADE JURÍDICA O eminente jurista Hely Lopes Meirelles.CAP. ARTS. DISPOSIÇÕES FINAIS – arts.012. A importância de tipificar os crimes praticados contra a Administração Pública está em manter a integridade do erário público. ART. 37 da CF: “A Administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. EVASÃO MEDIANTE VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA (ART. de 06/08/2009). 347). impessoalidade. 346. 355). ART. DE RÁDIO OU SIMILAR. 351). AUXILIAR OU FACILITAR A ENTRADA DE APARELHO TELEFÔNICO DE COMUNICAÇÃO MÓVEL. 352). 349-A. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES (ART. INGRESSAR. 343. DESOBEDIÊNCIA A DECISÃO JUDICIAL SOBRE PERDA OU SUSPENSÃO DE DIREITO (ART. 340). FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL: De acordo com o art.. 338 A 359): REINGRESSO DE ESTRANGEIRO EXPULSO (ART..

PORTANTO. ou seja. 8. As faltas mais leves. podem constituir ilícito administrativo. É A GESTÃO DE BENS E INTERESSES QUALIFICADOS DA COMUNIDADE NO ÂMBITO FEDERAL. INCOLUMIDADE E DECORO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. regula as relações com os indivíduos e as havidas entre estes. promovendo o que elas visam.763. 12. REALIZA-SE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.PARTICULAR. como diz Heleno Cláudio Fragoso. o INTERESSE DA NORMALIDADE FUNCIONAL. como atividade funcional do Estado em todos os setores em que se exerce o poder público (com exceção da atividade política)”. porém. 10. caput). indireta ou fundacional. que mais ofendem aos interesses da administração. editora Forense. a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA compreende essas funções e é nesse caráter que a lei a ela se refere no Título XI da Parte Especial do CP. civis e administrativas. SE SÃO DA COLETIVIDADE. ASSIM SENDO. Vale ressaltar. protegendo-as e zelando para que sejam obedecidas. portanto. cargo. A fim de atingir os resultados a que se destina. prevê a lei no referido título os crimes contra a Administração em Geral. Selecionando os fatos graves. e executa essas normas. em sua obra Lições de Direito Penal. A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PROBIDADE. não contempladas na lei penal. previstas na legislação específica (art. que a Lei n. NO DIREITO PÚBLICO – DO QUAL O DIREITO ADMINISTRATIVO É UM DOS RAMOS – A LOCAÇÃO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TANTO DESIGNA PESSOAS E ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS COMO A ATIVIDADE ADMINISTRATIVA EM SI MESMA. A objetividade jurídica desses crimes é. 33 do CP. “é aqui considerada pela lei penal num sentido amplo. o Estado estabelece normas a respeito de sua própria organização. Em sentido amplo. ESTADUAL OU MUNICIPAL. Nos termos do § 4° do art. o condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime de cumprimento de pena condicionada à 3 . ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SEGUNDO OS PRECEITOS DO DIREITO E DA MORAL. acrescentado pela Lei n. de 12/11/2003. VISANDO AO BEM COMUM. PRESTÍGIO. SÃO AS FUNÇÕES LEGISLATIVAS. EXECUTIVAS E JUDICIÁRIAS DO ESTADO. emprego ou função na administração direta. dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. PODE-SE FALAR DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ALUDINDO-SE AOS INSTRUMENTOS DE GOVERNO COMO A GESTÃO MESMA DOS INTERESSES DA COLETIVIDADE”. O referido diploma legal prevê a perda de bens e valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio e o ressarcimento integral do dano.429 de 02/06/1992. independentemente das sanções penais.

portanto. ORDENADO E LEGAL DOS ÓRGÃOS DO ESTADO. EM BENEFÍCIO DO BEM-ESTAR E DO DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE. como ocorre nas hipóteses de sursis especial (art. para as quais há norma expressa nesse sentido. finalmente. A exigência legal abrange os crimes definidos no Título XI da Parte Especial do CP. com os acréscimos legais. OS QUAIS DEVEM FUNCIONAR CONJUNTA E HARMONICAMENTE. 78. Os primeiros seriam DELICTA IN OFFICIO. NO ÂMBITO DOS TRÊS PODERES – EXECUTIVO. prevê condutas criminosas praticadas por FUNCIONÁRIO PÚBLICO (INTRANEI) OU POR PARTICULAR (EXTRANEI OU EXTRANEUS) QUE AFETAM O REGULAR 4 . o terceiro capítulo. LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO. praticados por funcionário público ou por particular. ao contrário de algumas legislações de direito comparado. que o Título XI da Parte Especial do CP. é a ATIVIDADE DO ESTADO NA BUSCA DO BEM COMUM ATRAVÉS DOS SEUS TRÊS PODERES. CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA O DIREITO PENAL: Para o Direito Penal. LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO. “CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA” e “CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA”. Os CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA propriamente foram divididos pelo CP de 1940 em três capítulos: ”CRIMES PRATICADOS PELOS SEUS PRÓPRIOS INTEGRANTES” (FUNCIONÁRIOS). os quais recebem a denominação de DELICTA COMUNIA. § 2°. 83.reparação do dano que causa ou à devolução do produto do ilícito praticado. com a expressão “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA” pretende-se definir o DESENVOLVIMENTO NORMAL. tratando-os apenas como espécie do gênero. daqueles que integram a função administrativa estatal. Afirma Capez. os segundos seriam os crimes praticados pelo particular contra a Administração Pública. inciso IV). CONCEITO DE ADMINSTRAÇÃO LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO) PÚBLICA (EXECUTIVO – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA É CONJUNTO DAS FUNÇÕES EXERCIDAS PELOS VÁRIOS ÓRGÃOS DO ESTADO. A comprovação de efetiva impossibilidade de reparação do dano causado afasta a exigência. CP) e de livramento condicional (art. EXECUTIVO. o que revela a amplitude que atribui ao vocábulo “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”. com os “CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA” revela que nosso CP não consagrou um título específico e autônomo para esses crimes. Em outros termos. ou seja.

A TUTELA PENAL TAMBÉM SE ESTENDE AO BEM PARTICULAR LESADO PELO FUNCIONÁRIO PÚBLICO. PROBIDADE E EFICIÊNCIA. ENTÃO. por exemplo: funcionário público que pratica peculato é intranei. A LEI PENAL TAMBÉM PROTEGE INTERESSES PARTICULARES. ILÍCITO PENAL. Há autores que atribuem também ao funcionário público a denominação intraneus. pela incriminação penal. portanto. o particular que a ele auxilia. ILÍCITO ADMINISTRATIVO Os crimes funcionais não encontram sua proibição só no Direito Penal. INCOLUMIDADE E DECORO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. destarte. de forma comissiva ou omissiva. Desta forma. e é nesse caráter que a lei a ela se refere no Título XI da Parte Especial do CP (DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA). A OBJETIVIDADE JURÍDICA DESSES CRIMES É O INTERESSE DA NORMALIDADE FUNCIONAL. ao estrangeiro e INTRANEI o de dentro. Prevê a lei no referido título os crimes contra a Administração em Geral. executivas e judiciárias do Estado. não apenas a conduta ilícita dos agentes do poder público. como as dos estranhos. Em síntese. estranhos. os particulares. os funcionários públicos. o legislador proteger o normal desenvolvimento da máquina administrativa em todos os setores de sua atividade. que venham. NESTE CASO. proíbe-se. Diz-se EXTRANEUS ou EXTRANEI de igual forma. a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA compreende as funções legislativas. Pretende. os de fora. De FORMA SECUNDÁRIA. PROBIDADE. causar ou expor a perigo de dano a função administrativa. ENTENDIDA ESTA EM SENTIDO AMPLO. é uma expressão latina usada quanto aos crimes praticados por funcionário público para designar os particulares que dele participam (art. EXTRANEUS ou EXTRANEI. sabendo de sua qualidade profissional é extraneus ou extranei. OBJETO JURÍDICO: O OBJETO JURÍDICO DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA É O DESENVOLVIMENTO REGULAR DA ATIVIDADE DO ESTADO. o inserido em determinada qualidade. como também no campo do Direito Administrativo.FUNCIONAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Todo o ilícito penal 5 . 29 do CP). no sentido do bem-estar e do progresso da sociedade. DENTRO DE REGRAS DE DIGNIDADE. legislativa e judiciária. PRESTÍGIO. externos.

praticado por funcionário público é igualmente ilícito administrativo. Dessa forma. e por esse motivo é realizada fora da administração ativa. nem todo bem jurídico da Administração será protegido simultaneamente pelo Direito Administrativo e pelo Direito Penal. 9º. EMBORA AS INSTÂNCIAS PENAL E ADMINISTRATIVA SEJAM AUTÔNOMAS. Afirma Capez que. “PODER DISCIPLINAR É A FACULDADE DE PUNIR INTERNAMENTE AS INFRAÇÕES FUNCIONAIS DOS SERVIDORES E DEMAIS PESSOAS SUJEITAS À DISCIPLINA DOS ÓRGÃOS E SERVIÇOS DA ADMINISTRAÇÃO”. 8. art. que a falta disciplinar é um minus em relação à reprimenda penal. ao lado do ilícito penal há também o ilícito administrativo. A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA possui instrumentos internos aptos a punir o funcionário público que infrinja as normas de funcionamento do serviço público em geral. as exigências legais para o aperfeiçoamento típico são muito maiores. quantidade. É que. O funcionário pode ser absolvido no processo criminal e sancionado administrativamente. resultando que a única diferença entre ambos reside na sua gravidade. pelo PODER JUDICIÁRIO. O poder disciplinar é exercido como faculdade punitiva interna da administração e. O fato praticado pelo funcionário público que tipifique um ilícito administrativo ou um ato de improbidade previsto nos arts. a punição criminal é aplicada com finalidade social. Ressalte-se ainda que as reprimendas são autônomas. Concluise. sendo a esfera criminal a mais rigorosa de todas. só abrange as infrações relacionadas com o serviço. Assim. Quando o ato denota maior gravidade. então. Tal poder punitivo decorre dos PODERES HIERÁRQUICO E DISCIPLINAR. podendo ocorrer a cumulação de reprimendas no mesmo caso concreto. A diferença das reprimendas é de grau. ART. realizado através da JUSTIÇA PENAL. por isso mesmo. 66) OU A ATUAÇÃO DO FUNCIONÁRIO NO ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL (CPP. SE FICAR PROVADA NA JUSTIÇA CRIMINAL A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO (CPP. Para Hely Lopes Meirelles. tutela-se o bem pelo Direito Penal.429/92 nem sem sempre configurará um fato típico no campo penal. visando à repressão de crimes e contravenções definidas nas leis penais. NÃO HÁ COMO SUBSISTIR A CONDENAÇÃO 6 . Não se deve confundir o PODER DISCIPLINAR DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA com o PODER PUNITIVO DO ESTADO. 65). o funcionário público incorre apenas em falta disciplinar. 10 e 11 da Lei n. O ilícito administrativo é minus em relação ao ilícito penal. Quando denota menor gravidade.

crimes dos que realizam atividade estatal. CRIMES FUNCIONAIS. por exemplo. A ausência da qualidade de funcionário público torna o fato atípico (atipicidade absoluta). a ausência da qualidade de funcionário público não torna o fato atípico. citando-se como exemplo. Os crimes previstos no Cap. uma vez que pode suceder que um fato não criminoso seja residualmente falta disciplinar (CPP. do Título XI da Parte Especial do CP SOMENTE PODEM SER PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO (por exemplo: peculato. III. resistência etc). que só podem ser praticados por determinada classe de pessoas em face de a norma incriminadora exigir uma condição ou situação particular. POR ISSO DENOMINADOS CRIMES FUNCIONAIS. ainda que sem qualquer remuneração. de 28/10/1968 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo). Nessa hipótese. JÁ QUE SÃO PRATICADOS EXCLUSIVAMENTE POR AQUELES QUE DETÊM UMA QUALIDADE ESPECIAL. Assim. Dividem-se em: a) CRIMES FUNCIONAIS PRÓPRIOS: A FUNÇÃO PÚBLICA É ELEMENTO ESSENCIAL DO CRIME. nada impedirá a imposição da sanção administrativa. da Parte Especial do CP. art. poderá haver a falta administrativa dos arts. b) CRIMES FUNCIONAIS IMPRÓPRIOS OU MISTOS: são aqueles que se destacam apenas por ser o sujeito ativo funcionário público. III). os jurados. embora não configurado o crime de prevaricação pela ausência da satisfação de interesse ou sentimento pessoal. a qualidade de funcionário público não é essencial. abandono de função (CP. por exemplo. concussão. art. 320). I. Se o agente não estivesse revestido dessa qualidade o crime seria outro. os crimes previstos no Cap. São os que só podem ser cometidos por pessoas que exercem funções públicas. 241. CLASSIFICAÇÃO Os chamados DELITOS FUNCIONAIS pertencem à categoria dos crimes próprios. cujo exercício pode ser efetivado a qualquer título. como ocorre nas hipóteses de convocação de particulares pelo Estado. do Título XI. II. definitivo ou precário. Ex: o peculato – é uma apropriação indébita praticada por funcionário público. ou seja. 10. crime de prevaricação (CP. 319). 323). O delito de peculato nada mais é que um crime de apropriação indébita ou furto. praticado por funcionário público em razão do 7 . art. O delito existe como crime comum e como delito funcional. e 253 da Lei n. QUAL SEJA: SER FUNCIONÁRIO PÚBLICO. isto é. abandono de função etc). condescendência criminosa (CP. se a absolvição criminal foi proferida em face da atipicidade do fato. art. SÃO.ADMINISTRATIVA. 67. SOMENTE POR PARTICULAR (por exemplo: usurpação de função pública. pois poderá constituir outro crime (atipicidade relativa). corrupção ativa.261. Damásio de Jesus adota a denominação DELICTA IN OFFICIO. Por outro lado. OS PRIMEIROS CONSTITUEM DELITOS PRÓPRIOS.

O DOLO DEVE ABRANGER A ELEMENTAR DO TIPO PENAL. O PARTICULAR. § 1°. § 2°. vários outros crimes funcionais. se praticados por funcionário público. há uma majoração da pena.§ 2°. 300. Se o agente. QUE COLABORE DE QUALQUER FORMA PARA O CRIME COMETIDO POR FUNCINÁRIO PÚBLICO. DESDE QUE O PARTICULAR TENHA A CIÊNCIA DA QUALIDADE DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO. 151. ESTRANHO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. O funcionário público é denominado intraneus ou intranei e o particular extraneus. 289. ao tempo da prática delitiva. CONCURSO DE PESSOAS Dispõe o art. Dessa forma. COMUNICA-SE AO COAUTOR OU PARTÍCIPE DO CRIME. SÃO DELITOS FUNCIONAIS (DELICTA IN OFFICIO). ESSA ELEMENTAR. São crimes que. sob pena de nulidade absoluta. Ex: arts. EMBORA NÃO DETENHA A QUALIDADE DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO. POR EXEMPLO. SALVO QUANDO ELEMENTARES DO CRIME”. POR TER CARÁTER PESSOAL. 150. PECULATO. o delito por ele cometido contra a Administração Pública poderá configurar um dos crimes contra o patrimônio (CP. 297. 296. todos os crimes previstos no Cap. § 3°. PORTANTO. que a notificação prévia não é exigível quando se trata de denúncia lastreada em Inquérito Policial instaurado para a apuração dos fatos. tinha. Ausente essa condição. a condição de funcionário público constitui elementar dos crimes previstos no Capítulo I do Título XI. deve o funcionário público ser notificado para apresentar defesa preliminar. arts. tratando-se de crime afiançável. PODENDO TER O PARTICULAR COMO COAUTOR OU PARTÍCIPE. 8 . RESPONDERÁ POR ESSE DELITO NA QUALIDADE DE COAUTOR OU PARTÍCIPE. I. CRIMES FUNCIONAIS. Ressalte-se que. 155 ou 168). do Título XI do CP. parágrafo único. parágrafo único. por exemplo. para o jurista Luiz Regis Prado. § 3°. 301 do CP. EM VIRTUDE DO QUE DISPÕE O ART. Ressalte-se que vamos achar. porém. têm um funcionário público como autor.cargo. 30 DO CP. Assim. 295. 290. 30 do CP: “NÃO SE COMUNICAM AS CIRCUNSTÂNCIAS E AS CONDIÇÕES DE CARÁTER PESSOAL. pode haver peculato quando o particular for o autor e o funcionário público apenas partícipe. Ressalte-se que O PARTÍCIPE DEVE TER CONHECIMENTO DESSA CONDIÇÃO PESSOAL DO COAGENTE. O STF e o STJ (Súmula 330) têm decidido. ao longo do CP. 514 do CPP. Nos termos do art. se exonerado do serviço público. o crime desaparece (atipicidade absoluta) ou se transforma em outra (atipicidade relativa). ISTO É. 268.

Desse modo. C) AGENTES DELEGADOS – são aqueles que recebem. a despeito de relevantes não representam exercício de soberania. 327 do CP: “CONSIDERA-SE FUNCIONÁRIO PÚBLICO. a qualquer título. subdivididos em: empregados celetistas. São os chamados servidores públicos em sentido amplo. O CONCEITO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO FOI AMPLIADO. contratados para o desempenho de funções específicas. uma vez que não prestam jurisdição. D) AGENTES HONORÍFICOS – trata-se de particulares que colaboram com a Administração. os quais desempenham funções que. não legislam. sem vínculo empregatício ou estatutário. PARA OS EFEITOS PENAIS. por delegação do Poder Público. o qual. CONCEITO No âmbito administrativo é bastante restrito o conceito de funcionário público. pelo regime da CLT. o conceito mais amplo é o de agente público. magistrados e membros do Ministério Público. Dispõe o art. por sua vez. integrando os primeiros escalões do Poder Executivo e compreendendo ainda os parlamentares. servidores autárquicos. EMPREGO OU FUNÇÃO PÚBLICA”. Os agentes públicos subdividem-se em: a) AGENTES POLÍTICOS – dotados de ampla discricionariedade funcional e que detêm o exercício de parcela do poder soberano do Estado. São os agentes de concessionárias e permissionárias de serviços públicos. denominado agente público. servidores temporários. também pertence a um gênero mais amplo. 9 . consubstanciada em concessões ou permissões. função pública. EXERCE CARGO. mediante concurso. os quais trabalham em autarquias sob regime jurídico de direito público e estatutário. consistindo em mera espécie de agente administrativo. em caráter emergencial e transitório. entendendo-se como tal qualquer pessoa que exerça. não exercitam o jus puniendi do Estado nem estabelecem as diretrizes administrativas governamentais.FUNCIONÁRIO PÚBLICO. e os funcionários públicos propriamente ditos. QUEM. PARA EFEITOS PENAIS. serviços em favor do Estado. a função de realizar obras e serviços públicos. tendo seus conflitos trabalhistas dirimidos pela Justiça do Trabalho. transitoriamente e sem remuneração. ainda que transitoriamente e sem remuneração. que são aqueles servidores investidos em cargos públicos da Administração Direta. bem como os titulares de cartórios extrajudiciais. originariamente atribuídos ao concedente sob sua fiscalização. mediante convocação ou nomeação para prestar. EMBORA TRANSITORIAMENTE OU SEM REMUNERAÇÃO. contratados como se fossem empregados privados. b) AGENTES ADMINISTRATIVOS – São os servidores público em seu sentido mais amplo.

EMPRESA PÚBLICA OU FUNDAÇÃO INSTITUÍDA PELO PODER PÚBLICO. I do Título XI da Parte Especial forem OCUPANTES DE CARGOS EM COMISSÃO OU DE FUNÇÃO DE DIREÇÃO OU ASSESSORAMENTO DE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. CAUSA DE AUMENTO DE PENA Aumenta-se a pena em um terço quando os autores dos crimes previstos no cap.112/90 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União). PARA OS MESMOS FINS. entendimento jurisprudencial em sentido contrário. PELA PESSOA. FUNÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO DIRETA OU INDIRETA DO ESTADO. CONSIDERA-SE.2000). DE ALGUMA FORMA. DEFINITIVO OU TRANSITÓRIO.TAL CONCEITO ALCANÇA TODAS AS ESPÉCIES DE AGENTES PÚBLICOS. O SUJEITO ATIVO DOS CRIMES. A Lei n. NÃO IMPORTA SE O SERVIDOR É OCUPANTE DE CARGO OU SE FOI APENAS INVESTIDO NO EXERCÍCIO DE UMA FUNÇÃO. 28. SOMENTE PODE SER EQUIPARADO A FUNCIONÁRIO PÚBLICO. AQUELE QUE EXERCE CARGO. contudo.. instituiu o regime jurídico único. EMPREGO OU FUNÇÃO EM ENTIDADE PARAESTATAL. NOS TERMOS DO § 1º DO ART. DE UMA FUNÇÃO DE NATUREZA E INTERESSE PÚBLICO. OCUPADO POR SERVIDOR COM VÍNCULO ESTATUTÁRIO (EX: CARGO DE DELEGADO DE POLÍCIA. DO MESMO MODO. 8. POIS O QUE IMPORTA PARA O CP É O EXERCÍCIO. inclusive do próprio STF: “ESSA EQUIPARAÇÃO NÃO TEM EM VISTA OS EFEITOS PENAIS SOMENTE COM RELAÇÃO AO SUJEITO ATIVO DO CRIME. Moreira Alves. PARA GUILHERME NUCCI. Há. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. DE OFICIAL DE JUSTIÇA. DE AUDITOR DA RECEITA. rel. SÃO DENOMINADOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS TODOS OS QUE DESEMPENHAM. COM DENOMINAÇÃO E PADRÃO DE VENCIMENTOS PRÓPRIOS. ETC). MAS ABARCA TAMBÉM O SUJEITO PASSIVO” (HC 79. NÃO EXISTINDO CABIMENTO QUE SE ESTENDA O ALCANCE DESSA NORMA AO SUJEITO PASSIVO.823-RJ. 10 . T.03. EQUIPARADO. 1ª. OS SERVIDORES OCUPANTES DE CARGO PÚBLICO SUJEITAM-SE AO REGIME ESTATUTÁRIO. E QUEM TRABALHA PARA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO CONTRATADA OU CONVENIADA PARA A EXECUÇÃO DE ATIVIDADE TÍPICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (§ 1º). É IRRELEVANTE SE SEU VÍNCULO COM A ADMINISTRAÇÃO É REMUNERADO OU NÃO. CARGO PÚBLICO – É O POSTO CRIADO POR LEI NA ESTRUTURA HIERÁRQUICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. 327 DO CP.

de 14 de julho de 2000. NO DIZER DE MAGGIORE É ‘QUALQUER ATIVIDADE QUE REALIZA FINS PRÓPRIOS DO ESTADO. DIARISTAS OU EXTRANUMERÁRIAS. NA REALIDADE. OS JURADOS (CPP. QUE A PESSOA SEJA FUNCIONÁRIO PÚBLICO. AINDA QUE EXERCIDA POR PESSOAS ESTRANHAS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”. ainda que a pessoa não seja empregada nem tenha cargo no Estado. EMBORA SEJA OCUPADO POR SERVIDOR QUE POSSUI VÍNCULO CONTRATUAL. ETC. no § 1º do art. 438). O FUNCIONÁRIO PÚBLICO”. “NÃO É MISTER. E QUEM TRABALHA PARA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO CONTRATADA OU CONVENIADA PARA EXECUÇÃO DE ATIVIDADE TÍPICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”. SERVIDOR QUE EXERCE FUNÇÃO DE CHEFIA. OS DO CONGRESSO E OS DOS TRIBUNAIS. O QUE É INDISPENSÁVEL É QUE EXERÇA FUNÇÃO PÚBLICA.EMPREGO PÚBLICO: É O POSTO CRIADO POR LEI NA ESTRUTURA HIERÁRQUICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SOB A REGÊNCIA DA CLT (EX: ESCREVENTE JUDICIÁRIO CONTRATADO PELO REGIME DA CLT). 327. FUNÇÃO PÚBLICA É ASSIM. QUE ENVOLVE TODO AQUELE QUE PRESTA SERVIÇOS PARA A ADMINISTRAÇÃO. PARA FINS PENAIS. AS PESSOAS CONTRATADAS. SEM CONCURSO PÚBLICO. NÃO EXERCEM FUNÇÃO PÚBLICA OS TUTORES. função pública. para quem a lei “QUIS DEIXAR CLARO QUE BASTA O SIMPLES EXERCÍCIO DE UMA FUNÇÃO PÚBLICA PARA CARACTERIZAR. EXERCEM MUNUS PUBLICO. Assim. OS SENADORES. passou-se a considerar funcionário público por equiparação “QUEM EXERCE CARGO. FUNDAÇÕES E AGÊNCIAS REGULADORAS. No mesmo sentido é a lição de Delmanto. Com as inovações introduzidas pela Lei n. OS INVENTARIANTES JUDICIAIS. 11 . FUNÇÃO PÚBLICA – É A DENOMINAÇÃO RESIDUAL. EMPRESAS PÚBLICAS.983. A ADMINISTRAÇÃO INDIRETA FAZ COM QUE SEJAM COMPREENDIDOS TODOS OS AGENTES QUE DESEMPENHAM FUNÇÕES EM AUTARQUIAS. ART. Ensina Noronha. QUE. 9. EMBORA SEM A EXISTÊNCIA DE CARGO). SÃO FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. DEPUTADOS E VEREADORES. desde que exerça. de algum modo. OS SERVENTUÁRIOS DE JUSTIÇA. A ATIVIDADE CORRESPONDENTE AO CARGO OU EMPREGO. ASSIM. COM DENOMINAÇÃO E PADRÃO DE VENCIMENTOS PRÓPRIOS. MAS QUE PODE SER EXERCIDA SEM UM OUTRO. ESTES. PARA OS EFEITOS PENAIS. o qual não se confunde com função pública. EMBORA NÃO SEJA OCUPANTE DE CARGO OU EMPREGO. OS CURADORES. ela estará incluída no conceito penal de funcionário público. (EX: SERVIDOR CONTRATADO TEMPORARIAMENTE. SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. EMPREGO OU FUNÇÃO EM ENTIDADE PARAESTATAL.

PORTANTO. ATUALMENTE DENOMINADAS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR. 37. Todos aqueles que exercem atividades nessas entidades são equiparados a funcionários públicos. mas sem fins lucrativos. criada por lei para a exploração de atividade econômica. ESTÃO TAMBÉM COMPREENDIDOS NO AMPLO CONCEITO PENAL ATÉ OS QUE PRESTAM SERVIÇOS PARA EMPRESAS PRIVADAS CONTRATADAS OU CONVENIADAS. XXI) E DETÊM OS MESMOS PRIVILÉGIOS DO ESTADO. Ex: Empresa Brasileira de Correias e Telégrafos. PARA O FIM DE EXECUÇÃO DE ATIVIDADE TÍPICA DA ADMINISTRAÇÃO (CP. Banco do Brasil). sempre em caráter suplementar à iniciativa privada (ex. 200/67). Ex: FUNAI. criadas por lei para a exploração de atividade econômica. com patrimônio próprio e capital exclusivo do Estado. as quais desempenham funções típicas da ADMINISTRAÇÃO INDIRETA e possuem as seguintes características: SÃO CRIADAS POR LEI ESPECÍFICA DE INICIATIVA DO CHEFE DO EXECUTIVO (CF. Assim.983/2000). AGÊNCIAS REGULADORAS nada mais são do que autarquias em regime especial. § 1º). segurança. para o desenvolvimento de atividades que exijam execução por órgãos ou entidades de direito público. 200/67). ENTIDADES DE APOIO E ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS. EM § 1º. ART. SÃO EXEMPLOS: O SESC. por exemplo. concessionária de serviço público. DETÊM PATRIMÔNIO PRÓPRIO. a qual poderá ser feita mediante concessão. podendo assumir qualquer das formas admitidas em direito (DECRETO-LEI N. FORA DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA (COMPREENDEM OS SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. art. 6º. ART. FUNDAÇÕES são entidades dotadas também de personalidade de direito privado. permissão ou autorização. O SENAI E O SESI. Ex: INSS. ESTÃO SUJEITAS AO DEVER DE LICITAR PARA PODEREM CONTRATAR (CF. EMPRESAS PÚBLICAS são entidades dotadas de personalidade de direito privado. criadas por autorização legislativa.AUTARQUIAS são pessoas jurídicas com personalidade de Direito Público. E QUE SE SITUAM. 327. sob a forma de sociedade anônima (DECRETO-LEI N. 200/67. AS CHAMADAS ONGs). coleta de lixo etc). ART. II e III). tais como a ANATEL. o engenheiro contratado por empresa privada. com autonomia administrativa. 9. ACRESCENTADO PELA LEI N. São empresas privadas que executam serviços de natureza pública por delegação estatal. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA é a entidade de direito privado. 61. hospitalar. A lei primeiro refere-se àqueles que trabalham em empresa prestadora de serviço contratada para a execução de atividade típica da Administração Pública (por exemplo: serviço de iluminação. SÃO TAMBÉM ATINGIDAS PELA EXTENSÃO CONCEITUAL FEITA PELO CP AS PESSOAS QUE TRABALHAM EM ENTIDADES PARAESTATAIS. que desvia o dinheiro destinado à consecução de obras públicas 12 . patrimônio gerido pelos respectivos órgãos de direção e funcionamento custeado por recursos da União e outras fontes (DECRETO-LEI n.

ADVOGADO. PERITOS JUDICIAIS. MILITAR. exercida profissionalmente ou não. CONTADOR DA PREFEITURA MUNICIPAL. mas o fato de que é praticado por quem se acha no exercício de função pública. é considerado funcionário público por equiparação. de Processo Penal. LEILOEIRO OFICIAL. PROCEDIMENTO O PROCEDIMENTO ESPECIAL PREVISTO NO ART. PARTICULARIDADES: a) PODEM SER CONSIDERADOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS: VEREADORES. QUANDO AUXILIAR DO JUÍZO. para efeitos penais. b) NÃO PODEM SER CONSIDERADOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS: SÍNDICOS OU ADMINISTRADOR JUDICIAL DE MASSA FALIDA. e não somente os delitos que integram o Título XI do mesmo Diploma Legal. O CP adotou assim um conceito bastante extensivo de funcionário público. TUTORES E CURADORES. seja esta permanente ou temporária. 327 é aplicável a todos os crimes previstos no CP envolvendo funcionário público. o depositário infiel nomeado pelo juiz. pois. INVENTARIANTES. 438 do Cód. ADMINISTRADOR DE HOSPITAL QUE PRESTA ATENDIMENTO A SEGURADOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. JURADOS.pratica o crime de peculato e não delito contra o patrimônio (furto ou apropriação indébita). etc)”. ZELADOR DO PRÉDIO MUNICIPAL. A lei também se refere àqueles que trabalham em empresa prestadora de serviço conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. SERVENTUÁRIOS DE JUSTIÇA. a cujo respeito achou de ser expresso o art. 514 DO CPP APLICA-SE A TODOS OS CRIMES FUNCIONAIS. MESMO EXERCENDO A FUNÇÃO DE REPRESENTANTE CLASSISTA OU REMUNERADO POR CONVÊNIO PÚBLICO. ADVOGADO DO MUNICÍPIO. DESDE QUE AFIANÇÁVEIS. CRIMES FUNCIONAIS. DEPUTADOS E SENADORES. O conceito do art. ensinando Nelson Hungria que “não é propriamente a qualidade de funcionário público que caracteriza o crime funcional. PREFEITO MUNICIPAL. PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO. ou per accidens (ex: o jurado. efetiva ou interinamente. FICANDO 13 . ISTO É. DIRIGENTE SINDICAL. FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS EXTRAJUDICIAIS. DEFENSOR DATIVO. FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL. ESTUDANTE ATUANDO COMO ESTAGIÁRIO DA DEFENSORIA PÚBLICA. GUARDA-NOTURNO NÃO PARTICULAR. remunerada ou gratuita. ADMINISTRADORES E MÉDICOS DE HOSPITAIS PRIVADOS CREDENCIADOS PELO GOVERNO.

514 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. 327 E 328 DESTE CÓDIGO. de 12 de julho de 2001. que a Súmula 330 do STJ estabelece: “É DESNECESSÁRIA A RESPOSTA PRELIMINAR DE QUE TRATA O ART. instituiu o Juizado Especial Criminal da União. Constitui uma fase obrigatória no procedimento. TIVEREM QUEBRADO A FIANÇA ANTERIORMENTE CONCEDIDA OU INFRINGIDO.259. ART. 324: NÃO SERÁ. 323 e 324 do CPP foram modificados. II – NO CRIMES DE TORTURA. A Lei n.AOS QUE. NO MESMO PROCESSO. IV – QUANDO PRESENTES OS MOTIVOS QUE AUTORIZAM A DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. A FIANÇA SERÁ REQUERIDA AO JUIZ. CIVIS OU MILITARES. 312)”. O JUIZ ANTES DE RECEBÊ-LA. SÃO ETAPAS DO PROCEDIMENTO ESPECIAL: A) OFERECIMENTO DA DENÚNCIA OU QUEIXA: OFERECIDA A DENÚNCIA OU QUEIXA. parágrafo único. B) RECEBIMENTO DA DENÚNCIA OU QUEIXA: A PARTIR DO RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA O PROCEDIMENTO SE ORDINARIZA. NÃO SERÁ CONCEDIDA FIANÇA: I – NOS CRIMES DE RACISMO. por força do art. ART. CONTRA A ORDEM CONSTITUTICIONAL E O ESTADO DEMOCRÁTICO. que entrará em vigor sessenta (60) após a sua publicação. QUE DECIDIRÁ EM 48 (QUARENTA E OITO HORAS. CONCEDIDA FIANÇA: I. QUALQUER DAS OBRIGAÇÕES A QUE SE REFEREM OS ARTS. passando a ter a seguinte redação: “ART. OS INAFIANÇÁVEIS (ARTS. para julgar as infrações de menor potencial ofensivo de competência da Justiça 14 . por ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório (nulidade absoluta). IGUALMENTE. PORTANTO. com o advento da Lei nº 12. TERRORRISMO E NOS DEFINIDOS COMO CRIMES HEDIONDOS. IV – REVOGADO. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DROGAS AFINS. 2º. 322. Essa defesa visa impedir o recebimento da peça acusatória inaugural no interesse da Administração Pública. sua falta acarreta a nulidade do processo. III – NOS CRIMES COMETIDOS POR GRUPOS ARMADOS.EXCLUÍDOS. Ressalte-se que. 323. Vale ressaltar. III – REVOGADO. A AUTORIDADE POLICIAL SOMENTE PODERÁ CONCEDER FIANÇA NOS CASOS DE INFRAÇÃO CUJA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE MÁXIMA NÃO SEJA SUPERIOR A 4 (QUATRO ANOS) E NOS DEMAIS CASOS. VREVOGADO. NÃO SÓ DETERMINARÁ SUA AUTUAÇÃO COMO TAMBÉM MANDARÁ NOTIFICAR O AGENTE PARA APRESENTAR SUA DEFESA PRELIMINAR NO PRAZO DE QUINZE DIAS. NA AÇÃO PENAL INSTRUÍDA POR INQUÉRITO POLICIAL”. 322. os arts. 10.403 de 05 de maio de 2011. II – EM CASO DE PRISÃO CIVIL OU MILITAR. 323 E 324 DO CPP). SEM MOTIVO JUSTO.

vol. Manual de Direito Penal. pois seria inconcebível que a lei tivesse dois conceitos diversos. 2010. DESSA FORMA.ESTEFAM. PARA TODOS OS CRIMES FUNCIONAIS PREVISTOS NO CAPÍTULO I DO TÍTULO XI. Damásio de. III. Código Penal anotado. vol. Saraiva. Direito penal. Manual de direito penal. 9. PRADO. 15 . 2010. tenham ou não procedimento especial. parte especial. tem incidência sobre as infrações de competência da Justiça Comum. Cezar Roberto. 2007. Saraiva. 3. André. Cezar Roberto.BITENCOURT. Saraiva. Direito penal.JESUS. Referências bibliográficas: 1. Curso de Direito Penal. Niterói. Saraiva. Código Penal comentado. CUJA PENA MÁXIMA PREVISTA SEJA DOIS ANOS. V. Verbo Jurídico. parte especial. Julio Fabbrini. 8. São Paulo. o conceito de menor potencial ofensivo é um pouco mais amplo do que na Justiça Comum. 514 DO CPP. 2009. São Paulo. parte especial. 2010.Federal. parte especial. Atlas. 6.BITENCOURT. Guilherme de Souza. INCIDENTE SOBRE AS INFRAÇÕES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO. 7. Tratado de Direito Penal. para a mesma expressão contida no texto constitucional – infrações de menor potencial ofensivo. O SUMARÍSSIMO.GRECO. Saraiva. E NÃO AQUELE PREVISTO NO ART. III. Tal modificação. Rio de Janeiro. 2006. Código Penal comentado. 2009. Fernando. parte geral. vol. 2.MIRABETE. parte especial. Fernando. São Paulo. São Paulo. vol. São Paulo. São Paulo. parte especial. 5. embora refira-se apenas à Justiça Federal.JESUS. Stela. São Paulo. ISTO É. Curso de direito penal. O PROCEDIMENTO A SER APLICADO SERÁ O DA LEI N. e considerou como tais os crimes a que a lei comine pena máxima de até 2 anos ou multa. 2007. Damásio de.CAPEZ. 2009. Ímpetus. um federal e outro estadual. São Paulo. Rogério. Para o âmbito federal. Porto Alegre. 4. 10- NUCCI. portanto. 2010. Revista dos Tribunais. parte especial.CAPEZ. 9099/95. III. Saraiva.

16 .11- NUCCI. São Paulo. Guilherme de Souza. Código Penal comentado. Revista dos Tribunais. 2008.

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