RESUMO DE ALGUNS CAPÍTULOS DO LIVRO “DOS DELITOS E DAS PENAS” DE CESARE BECCARIA II - ORIGEM DAS PENAS E DIREITO PUNIR

Neste capítulo o autor, baseando na teoria do contrato social, atribui o direito de punir de uma sociedade ao pacto inicial de seus membros, que, para viverem harmoniosamente abririam mão de parte de sua liberdade, restringindo seus direitos e conseqüentemente os de seus pares, para que não houvesse abusos. Os homens entregariam parte de sua liberdade, para preservar o resto dela. A soma dessas partes constituiria o poder soberano de um Estado. Não bastava porém, apenas esse depósito. Os homens teriam que se precaver da usurpação dele por parte dos particulares. Para isso criaram as leis penais, para punirem aqueles que não respeitassem o pacto social e desrespeitassem as leis. Por fim o autor revela-nos os limites do direito de punir: Por conseguinte, só a necessidade constrange os homens a ceder uma parte de sua liberdade; daí resulta que cada um só consente em pôr no depósito comum a menor porção possível dela, isto é, precisamente o que era preciso para empenhar os outros em mantê-lo na posse do resto. O conjunto de todas essas pequenas porções de liberdade é o fundamento do direito de punir. Todo exercício do poder que se afastar dessa base é abuso e não justiça; é um poder de fato e não de direito (8) ; é uma usurpação e não mais um poder legítimo. As penas que ultrapassam a necessidade de conservar o depósito da salvação pública são injustas por sua natureza; e tanto mais justas serão quanto mais sagrada e inviolável for a segurança e maior a liberdade que o soberano conservar aos súditos. IV - DA INTERPRETAÇÃO DAS LEIS Segundo Beccaria, não caberia aos juizes interpretar as leis, visto que não são legisladores. Aleis não seriam heranças recebidas dos magistrados pelos antepassados da sociedade; as leis advem da sociedade atual, viva, da vontade de todos. A autoridade da lei não estaria em executar velhas tradições, e sim executar a vontade geral, advinda do pacto social, do juramento dos súditos feitos ao soberano, os quais, deixariam, assim, de serem apenas escravos, rebanho sem vontade. O interprete por excelência das leis seria o soberano; o juiz deveria fazer apenas o silogismo perfeito: encaixar ou não o caso específico na lei geral. Se o magistrado faz mais do que isso, torna o processo jurídico penal obscuro, confuso, inseguro.

a lei deve ser cumprida estritamente. E.DA PENA DE MORTE Aqui. nas épocas de confusão.. Para ele. Beccaria faz uma reflexão sobre a pena de morte.O autor continua o capítulo mostrando a importância de se atentar a letra da lei. melhor é nos países em que os acusados são julgados por pessoas escolhidas pela sorte. revelando o acontecimento. independentes. a qual visa o esclarecimento ou confissãopor parte do acusado. arbitrariedade. pois calculariam o resultado de suas ações com tamanha certeza. Isso evitaria julgamentos preconceituosos ou influenciados por diferenças sociais. Para ele. Para o autor. perante as leis. afirma Beccaria. “Se é certo. É importante também que o acusado seja acusado por seus semelhantes. Se. mesmo equivocada. Para o autor. Se o delito é incerto. pois o acusado teria razões suficientes para mentir. e quando um . sem títulos de magistrados. o autor descreve a uma forma interessante de se medir a certeza dos fatos em relação aos seus indícios: se os indícios dependem uns dos outros. Da mesma forma. evitando insegurança. “Eis uma proposição bem simples: ou o delito é certo. nenhuma confissão que se consiga através de tortura é válida. se para que um seja válido os outros também devem o ser. estas. e provas imperfeitas. que isso os forçariam a não cometer certos atos. e não como os magistrados. há maior grau de certeza sobre o fato. e confessar um crime que não cometeu.) nos momentos de confusão em que uma nação fica na alternativa de recuperar ou de perder sua liberdade. os cidadãos evitariam os crimes e delitos. VII .DA QUESTÃO OU TORTURA Neste capítulo Beccaria faz severas críticas à prática da tortura durante o processo. que buscam culpados em toda parte. pois só assim pode-se garantir segurança e previsibilidade das conseqüências das ações. pois já não se tem necessidade das confissões do acusado. XII . julgariam a existência ou não do fato através do bom senso.DOS INDÍCIOS DO DELITO E DA FORMA DOS JULGAMENTOS Aqui. os indícios forem autônomos. a não confissão depois de tortura não prova a inocência de ninguém: prova somente sua resistência dor. ela só é importante em situação especificas: (. Beccaria fala sobre provas perfeitas. cada um. pouca é a certeza a respeito do fato. Ou o crime é certo ou incerto. em que as leis são substituídas pela desordem. é inocente aquele cujo delito não se provou”.. e não por pessoas muito diferentes dele. dessa forma. as quais não excluem a possibilidade de inocência do acusado. porém. por si só. não é hediondo atormentar um inocente? Com efeito. ou é incerto”. e a tortura é inútil. só deve ser punido com a pena fixada pela lei. ou seja irrefutáveis. XVI .

imaginando a situação dos condenados. O autor conclui questionando a existência de penas de morte. XXIII. A distribuição desigual de penas produz contradições. O autor defende que durante os processos. pois a prática indica que os criminosos não são amedrontados por ela. para que o acusado logo saiba de sua condenação ou absolvição. é necessário que o legislador estabeleça divisões principais na distribuição das penas proporcionadas aos delitos e que. sobretudo. podendo sua existência produzir uma revolução perigosa no governo estabelecido.. quanto mais rápida a aplicação. Daí. a agir com vistas a recompensa ou a evitar castigo. embora privado de sua liberdade. Beccaria fala a respeito do processo. Se a lei condena o homicídio e o declara hediondo. os juizes devem ser sensíveis. Novamente o autor retoma a idéia de que as penas não devem ser cruéis. um criminoso sempre se inclinará a praticar crimes com menores penas. atentar contra a segurança pública. tendo em vista o grau de prejuízo ao bem público. pode ainda. em suas ações. por suas relações e seu crédito. não aplique os menores castigos aos maiores crimes..DA PUBLICIDADE E DA PRESTEZA DAS PENAS Neste capítulo brilhante. e que o povo se sensibilizaria com penas menores. Para ele. da importância de sua rápida duração. sob uma forma de governo aprovada pela nação inteira. tendo em vista que o homem é motivado. num país em que a autoridade é exercida pelo próprio soberano. em que as riquezas só podem. XIX . só deve haver prisão para impedir a fuga ou destruição de provas. agilizando os procedimentos. .) sob o reino tranqüilo das leis. não deveria prática morticínios públicos. QUE AS PENAS DEVEM SER PROPORCIONADAS AOS DELITOS A intensidade da sanção deve ser proporcional à infração cometida. E continua: (. a menos que a morte seja o único freio capaz de impedir novos crimes. mais úteis e justas são as penas. num Estado bem defendido no exterior e sustentado no interior pela força e pela opinião talvez mais poderosa do que a própria força.cidadão. Portanto. não pode haver nenhuma necessidade de tirar a vida a um cidadão. proporcionar prazeres e não poder.

O infanticídio é ainda o resultado quase inevitável da cruel alternativa em que se acha uma infeliz. de outro a morte de um ser incapaz de sentir a perda da vida: como não havia de preferir esse último partido. Conclui-se que a verdadeira medida dos delitos é o dano causado à sociedade tendo em vista a preocupação do Direito regular o convívio social de forma harmoniosa. Se esse método fosse aceito. As medidas para se prevenir tais delitos se encontram em medidas sociais como a vigilância ostensiva. DA MEDIDA DOS DELITOS A intensidade do crime não depende da intenção de quem o comete. pois a superioridade da natureza divina compensaria infinitamente a diferença da ofensa. DE CERTOS DELITOS DIFÍCEIS DE CONSTATAR Existem na sociedade certos delitos que são bastante. só são tão freqüentes porque as leis não são fixas e porque há atração física natural. A gravidade do crime também não deve ser avaliada pela dignidade da pessoa ofendida. cuidando para que as medidas não se baseiem em abusos e arbitrariedades. leis de silêncio e de ordem entre outras. ou seja. é extremamente importante que haja mecanismos para garantir uma segurança jurídica e social.XXIV. pois estas somente causam revoltas na sociedade. Muitas vezes. à miséria. a pederastia. Eles se baseiam no princípio que expressa que os cidadãos devem saber o que precisam fazer para serem culpados. porque a intenção do acusado depende de um julgamento subjetivo circunstâncias. do que reprimi-lo quando já se estabeleceu. Entre eles estão o adultério. XXXVI. que só cedeu por fraqueza. que a rouba à vergonha. uma pequena irreverência para com o Ser supremo mereceria uma pena bem mais severa do que o assassínio de um monarca. O adultério e a pederastia são condutas que. um cidadão faz à sociedade os maiores males. e o que precisam evitar para serem inocentes. Envolvem questões morais e culturais complexas. XXXIII. ao passo que um outro lhe presta grandes serviços com a vontade de prejudicar. considerado sob o ponto de vista político. Além disso. De um lado a infâmia. É mais fácil ao legislador determinar medidas quando ele não foi cometido. de prevenção. . ou que sucumbiu sob os esforços da violência. juntamente com o desgraçado filhinho. com a melhor das intenções. DOS DELITOS QUE PERTURBAM A TRANQUILIDADE PÚBLICA Nesse grupo de crimes estão compreendidos atos de vandalismo e desordem que prejudicam a tranqüilidade e a harmonia pública. o infanticídio.

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