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Aula 01 Direito Civil

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São aquelas cuja atuação se restringe aos interesses e limites
territoriais do Estado. É a nossa nação, politicamente organizada, nos moldes
previstos na Constituição Federal de 1988.

A) PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO DA
ADMINISTRAÇÃO DIRETA OU CENTRALIZADA (art. 41, I, II e III, CC) ⎯
São elas: União, Estados-membros, Distrito Federal, Territórios e os
Municípios legalmente constituídos.
Costuma-se dizer que o Brasil é detentor de soberania, ou seja, não
deve obediência jurídica a nenhum outro Estado. É juridicamente ilimitada no
plano interno e somente contra limites na soberania de outro País. Já as
demais entidades dentro do Brasil são detentoras de autonomias. A
autonomia dos entes da federação brasileira está devidamente delimitada
pelo Direito. Esta autonomia, na verdade, é o exercício do poder do Estado
com a observância dos parâmetros jurídicos estabelecidos em uma norma de
hierarquia superior (em outras palavras: a própria Constituição Federal).
A União designa a nação brasileira, nas suas relações com os Estados-
membros que a compõe e com os cidadãos que se encontram em seu
território. Os Estados federados (Estados-membros) possuem autonomia
administrativa, competência e autoridade legislativa, executiva e judiciária
sobre os negócios locais. Os Municípios legalmente constituídos também se
encaixam nesta classificação, pois foram assegurados pela Constituição
Federal; eles têm interesses e economia próprios. Também há previsão
expressa em relação ao Distrito Federal. Mas em relação a ele a natureza
jurídica é controvertida. Alguns dizem que ele é um município anômalo;
outros que é uma autarquia territorial; outros que é uma circunscrição
territorial assemelhada aos territórios. Finalmente outros afirmam que é
“mais do que um município e menos que um Estado”. Possui previsão
expressa no art. 32, CF/88. Vejamos: a) o Distrito Federal rege-se por uma

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Lei Orgânica (típica de Municípios) e não por uma Constituição Estadual
(típica dos Estados-membros); b) o Poder Legislativo é exercido pela
Câmara Legislativa (mistura de Câmara de Vereadores – Poder Legislativo
Municipal e Assembleia Legislativa – Poder Legislativo Estadual) composto
por Deputados Distritais eleitos, acumulando as competências legislativas
reservadas aos Estados e Municípios; c) o Chefe do Poder Executivo é um
Governador (típico dos Estados) Distrital e não um Prefeito (típico dos
Municípios); d) é proibida a sua divisão em municípios. Há uma grande
crítica em relação ao texto do art. 18, §1o

, CF/88, pois ele afirma que
Brasília é a Capital Federal, quando se devia ter mantido a nossa tradição
e correção técnica afirmando que “o Distrito Federal é a capital da União”. Na
realidade Brasília é apenas uma cidade (e que bela cidade!!) do Distrito
Federal, que serve de centro político à União. As aglomerações urbanas
situadas fora do Plano Piloto são chamadas de regiões administrativas (ou
cidades-satélites).

Chamo atenção para os Territórios. Como sabemos, já não existem
mais os Territórios no Brasil. Mas apesar de não mais existirem há previsão
expressa na Constituição Federal, possibilitando a criação de eventual novo
Território, por meio de Lei Complementar (arts. 18, §2º e 48, inciso VI,
CF/88). Para o Direito Civil ele será considerado como sendo uma Pessoa
Jurídica de Direito Público Interno, pois há previsão expressa no art. 41,
inciso II do Código Civil neste sentido. Alguns autores classificam os
territórios como “autarquias territoriais” dando a entender que seriam pessoa
jurídicas de direito público interno de administração indireta.
O Brasil, pelos termos da Constituição Federal de 1988, é uma
República Federativa, com sistema Presidencialista. Além disso (segundo a
doutrina), possui como Regime de Governo o Estado Democrático e de
Direito.

B) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO DE
ADMINISTRAÇÃO INDIRETA OU DESCENTRALIZADA (art. 41, IV e V,
CC) ⎯ São órgãos descentralizados, criados por lei, com personalidade
jurídica própria para o exercício de atividade de interesse público. São eles:
a) Autarquias. b) Associações Públicas (Lei nº 11.107/05). c) Demais
entidades de caráter público criadas por lei. Vejamos cada um destes itens:

A) AUTARQUIAS

São pessoas jurídicas de direito público, que desempenham atividade
administrativa típica, com capacidade de auto-administração. Embora ligadas
ao Estado, elas desfrutam de certa autonomia, possuindo patrimônio e
orçamento próprio, mas sob o controle do Executivo que o aprova por
Decreto e depois o remete ao controle do Legislativo. Elas são criadas por lei
específica, possuindo atribuições estatais específicas, destinadas à realização
de obras e serviços públicos, de cunho social, geralmente ligadas à área da
saúde, educação, etc. (exclui-se, portanto as de natureza econômica ou
industrial). A autarquia nasce com a vigência da lei que a instituiu; não há
necessidade de registro. Seus atos são considerados como

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administrativos. Como possui personalidade jurídica própria, ela se desliga
do ente criador. Portanto, se alguém quiser discutir judicialmente uma
revisão em sua aposentadoria, deve ingressar com ação judicial não contra a
União (entidade criadora), mas contra o próprio INSS como entidade
autônoma e com patrimônio próprio. Ex: INSS (Instituto Nacional de
Seguridade Social), USP (Universidade de São Paulo), Imprensa Oficial do
Estado.

Observação: Algumas autarquias como o BACEN são consideradas
“autarquias de regime especial”, posto que o legislador conferiu a elas maior
autonomia perante o Poder Executivo em comparação com as demais.

B) ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS
A Lei n° 11.107/05 regulou os consórcios públicos, cumprindo o
disposto no art. 241 da Constituição Federal. A lei optou por atribuir
personalidade jurídica aos consórcios públicos, dando-lhes a forma de
uma associação, podendo ser de direito público ou de direito privado.
Quando criado com personalidade de direito público, o consórcio público se
apresenta como uma associação pública. O consórcio público será
constituído por contrato, cuja celebração dependerá de prévia subscrição de
protocolo de intenções.

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