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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA _____ VARA

FEDERAL DA SUBCEÇÃO DE ___________.

_________________________________(nome da empresa), empresa


regularmente constituída e inscrita no CNPJ sob o número
__________________, estabelecida à Rua
________________________, nesta cidade de __________________,
por intermédio de seu procurador in fine assinado vem, com o
devido acatamento e respeito ante a Ilustre presença de Vossa
Excelência para impetrar o presente

MANDADO DE SEGURANÇA

com pedido liminar

em desfavor do SUPERINTENDENTE DA POLICIA FEDERAL DO ESTADO


DO ___________________, pessoa jurídica de Direito Público,
com sede e foro na Rua __________________, nº _____, Bairro
________, nesta cidade de ______________, com fulcro nos
artigos 282 e 283 do Código de Processo Civil, artigo 5º,
170, inciso IV e seu parágrafo único, todos da Constituição
Federal, Lei 1.533/51 e demais dispositivos aplicáveis à
espécie, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.

DOS FATOS

1. O impetrante possui estabelecimento comercial situado as


margens da BR ______ na altura do Km ___________
(descreva o ramo de atuação da empresa).
2. Em sua atividade, o impetrante vende no varejo bebidas
alcoólicas bem como ____________________________
(descreva o que é vendido no estabelecimento)

3. Descreva a atuação da empresa, o número de funcionários


que emprega e desde quando exerce essa atividade
comercial.

4. No início de 2008 foi editada a Medida Provisória


415/2008 e seu regulamento, proibindo a comercialização
de bebidas com teor alcoólico superior a 0,5º Gay Lussac.

5. Infelizmente, a empresa do impetrante se enquadra nos


casos de incidência da MPV 415/2008 motivo pelo qual se
vê impedido de exercer na plenitude a sua atividade
comercial, sob risco de ser multado por desobediência a
Medida provisória em tela.

6. O impetrante vem sofrendo vários prejuízos de ordem


econômica não apenas deixando de vender mercadoria
legalmente permitida no país como tendo que devolver o
estoque que já mantinha, diante da repentina proibição.

7. A empresa vem passando por dificuldades desde a proibição


que diminuiu em muito o ativo, motivo pelo qual mais cedo
ou mais tarde terá que fazer corte de pessoal.

DOS FUNDAMENTOS

O Mandado de segurança é remédio


constitucional contra ato abusivo de autoridade pública ou
agnete no exercício de suas atribuições previsto no artigo 5º,
LXIX da Constituição Federal.

A lei 1533/51 regulamenta os procedimentos


processuais aplicadas ao mandado de segurança, exigindo a
demonstração do direito líquido e certo e da violação desse
direito.

Assim, a função precípua do mandado de


segurança é a proteção de direito líquido e certo, em caso de
violação ou fundado receio de violação por ato de autoridade
pública, requisitos presentes in casu como passamos a
demonstrar.

I - Do direito líquido e certo

1. Um dos requisitos para concessão do


mandado de segurança é a demonstração cabal do direito líquido
e certo do impetrante.
Segundo jurisprudência e doutrina, direito
líquido e certo é aquele resultante de fato certo e que pode
ser comprovado de plano. Identificado o direito líquido e
certo e sua violação ou justo receio de violação por
autoridade pública, a segurança deverá ser concedida. Neste
sentido:

16144670 – MANDADO DE SEGURANÇA –


PROCESSUAL CIVIL – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PAI –
AUTUAÇÃO – DESCONSTITUIÇÃO DE NFLD –
ALEGAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO –
INEXISTÊNCIA – CARÊNCIA DE AÇÃO – EXTINÇÃO DO
PROCESSO – CF, ART. 5º, LXIX – LEI 8212/91 (ART. 28,
I) – LEI 9528/97 – DECRETO Nº 89.312/79 (ART. 135) –
DECRETOS 356 E 612/92 – CTN, ARTIGO 151, IV CLT,
ARTIGO 389, §§ 1º E 2º, E 458 – CPC, (ART. 267, VI) –
1. O direito líquido e certo é condição
constitucional da ação do Mandado de
Segurança. (STJ – MS – 6522 – DF – 1ª S. – Rel.
Min. Milton Luiz Pereira – DJU 29.10.2001 – p. 00178)
JLCPS.28 JCTN.151 JCF.5 JCF.5.LXIX JCPC.267
JCPC.267.VI JCLT.389 JCLT.389.1 JCLT.389.2 JCLT.458

16142556 – CONSTITUCIONAL – COMPOSIÇÃO DE


TRIBUNAL – PREENCHIMENTO DE VAGAS DE
DESEMBARGADOR – LISTA DE ANTIGÜIDADE –
ATUALIZAÇÃO – PUBLICAÇÃO – DIREITO LÍQUIDO E
CERTO – AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA –
MANDADO DE SEGURANÇA – 1. O caráter preventivo
da impetração não afasta a necessidade de que
sejam efetivamente demonstradas a certeza e a
liquidez do direito em tese ameaçado. 2. O direito
invocado, para ser amparado, há que vir
expresso em norma legal, e trazer em si
todos os requisitos e condições de sua
aplicação ao impetrante. 3. Ao apreciar a ADIN
189-2/RJ, o Supremo Tribunal Federal declarou a
constitucionalidade da Resolução nº 03/89. TJ/RJ.
Ilegalidade que não se reconhece. 4. Recurso em
Mandado de Segurança conhecido, mas não provido.
(STJ – ROMS 12445 – RJ – 5ª T. – Rel. Min. Edson
Vidigal – DJU 13.08.2001 – p. 00180)

16064238 – TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA


– DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ICMS –
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE –
COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES –
BASE DE CÁLCULO ESTABELECIDA POR ESTIMATIVA
MAIOR QUE A REAL – ACÓRDÃO SUSTENTADO EM
PRECEITO CONSTITUCIONAL (ART. 150, § 7º, DA
CF/88) E LOCAL (DECRETO ESTADUAL Nº 33.118/91) –
IMPOSSIBILIDADE DE SER APRECIADA A QUESTÃO EM
SEDE DE RECURSO ESPECIAL – ALEGATIVA DE
AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO REPELIDA –
ART. 1º, DA LEI Nº 1.533/51 – 1 – Vislumbra-se, da
leitura do voto-condutor do aresto impugnado, que
há, unicamente, fundamentos de natureza
constitucional e de direito local a sustentarem a
conclusão assumida pelo Tribunal a quo na linha de
que merece ser ressarcida a impetrante do ICMS
recolhido a maior, corrigido monetariamente, o que
torna inviável a apreciação do especial em relação a
este ponto. 2 – A ofensa ao art. 1º, da Lei nº
1.533/51, fundamentada na ausência de direito
líquido e certo, deve ser repelida, pois da inicial
claramente se infere que o objeto do mandamus não
é discutir o valor exato dos créditos, que poderão ser
a qualquer tempo impugnados pelo Fisco, mas, tão-
somente, o reconhecimento do direito à
compensação e à sua atualização monetária. 3 –
Recurso especial da Fazenda do Estado de São Paulo
conhecido parcialmente e, nesta parte, improvido.
PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA
PREVENTIVO – PRAZO DECADENCIAL – ART. 18, DA LEI
Nº 1.533/51 – INAPLICABILIDADE – 1 – É inaplicável o
prazo decadencial de 120 dias ao mandado de
segurança preventivo que visa à proclamação do
direito ao creditamento de valores de ICMS recolhidos
a maior por ocasião da venda de veículos por preço
inferior ao que serviu de base de cálculo à retenção,
na chamada "substituição tributária para frente", e
busca a prevenção contra eventual autuação por
parte da autoridade fiscal em decorrência de tal
procedimento. 2 – Recurso especial da empresa
provido. (STJ – RESP 268293 – SP – 1ª T. – Rel. Min.
José Delgado – DJU 04.12.2000 – p. 00056) JLMS.1
JLMS.18 JCF.150 JCF.150.7

2. A ordem econômica brasileira é fundada na


livre iniciativa e tem como um de seus princípios a livre
concorrência, conforme disposto no artigo 170, inciso IV da
Constituição Federal.

Em seu parágrafo único, o artigo supra citado


ainda estabelece:

Parágrafo único. É assegurado a todos o livre


exercício de qualquer atividade econômica,
independentemente de autorização de órgãos
públicos, salvo nos casos previstos em lei.

A venda de bebidas alcoólicas não é proibida


no país. Existe regulamentação acerca da idade de quem
compra e quanto a sua propaganda, mas nenhuma lei proíbe a
sua comercialização. É produto lícito e livremente
comercializado por estabelecimentos similares ao impetrante.
O impetrante trata-se de pessoa jurídica
legalmente constituída e possui todas as autorizações para
exercer a atividade comercial em sua plenitude, o que fazia
até a edição da Medida Provisória 415/2008 e seu regulamento.

3. Os documentos anexos ao presente pedido


são prova indiscutível de seu direito líquido e certo de
comercializar todo e qualquer produto de venda não proibida
no território nacional e que esteja incluído em seu objeto
social.

Impedir o impetrante de comercializar produto


lícito com base apenas em sua localização física fere de
morte os princípios constitucionais da livre concorrência,
livre iniciativa e livre exercício de atividade econômica.

Não se trata de exigência de nova


documentação ou qualquer outra providência possível. A
proibição baseia-se tão somente em sua localização que não
pode ser modificada. O impetrante levou anos para construir
sua reputação e clientela e agora se vê impedido de continuar
exercendo sua atividade devido à edição da medida provisória
em tela.

Os demais estabelecimentos que não se


encontram às margens de Rodovia Federal, que recolhem os
mesmos impostos e tem as mesmas autorizações de funcionamento
do impetrante continuam a exercer sua atividade econômica
normalmente, o que fere o princípio da livre concorrência.

II – Da violação do direito ou do justo receio de sofrê-la

1. Preceitua a Medida Provisória 415/2008,


in verbis:

Art. 1o São vedados, na faixa de domínio de


rodovia federal ou em local contíguo à faixa de
domínio com acesso direto a rodovia, a venda
varejista e o oferecimento para consumo de
bebidas alcoólicas.

§ 1o A violação do disposto no caput implica


multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais).

§ 2o Em caso de reincidência, a multa será


aplicada em dobro e suspensa a autorização
para acesso a rodovia pelo prazo de dois anos.

Segundo definições contidas no Decreto


6366/08 que regulamenta a supra citada Medida Provisória, o
impetrante encontra-se dentro da faixa de domínio de rodovia
federal, estando assim incluso na proibição de comercialização
dos produtos especificados nos artigos 1º, caput e 4º.

A Medida Provisória ainda prevê fiscalização


a ser feita pela Polícia Rodoviária federal que aplicará as
multas previstas em seus artigos 1º e 2º, prevendo ainda a
possibilidade de suspensão da autorização para acesso a
rodovia no caso de reincidência.

2. O impetrante comercializa os produtos


definidos nos artigos 1º e 4º da Medida Provisória 415/2008,
estando prontamente sujeito à fiscalização da Polícia
Rodoviária e a aplicação de multa. Assim, comprovado o justo
receio de violação de seu direito líquido e certo.

Neste sentido:

33039527 – TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PARA O


PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS –
MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO – ATO
COATOR – EXISTÊNCIA – DIREITO LÍQUIDO E CERTO –
JUSTO RECEIO DE VIOLAÇÃO – RETORNO DOS AUTOS
– 1. O mandado de segurança pressupõe,
necessariamente, a existência, no momento de sua
impetração, de ato concreto ou preparatório, hábil a
demonstrar, com objetividade, o justo receio de que
o direito líquido e certo do impetrante seja
molestado. Não basta, assim, a mera suposição da
possibilidade de existência de risco, para o
cabimento do mandado de segurança. (TRF 1ª R. –
AMS 38000026653 – MG – 4ª T. – Rel. Des. Fed. I'talo
Fioravanti Sabo Mendes – DJU 17.12.2002 – p. 94)

133038408 – PROCESSUAL CIVIL – ADMINISTRATIVO –


MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO –
EXISTÊNCIA DO JUSTO RECEIO DE SOFRER VIOLAÇÃO
A DIREITO LÍQUIDO E CERTO – 1. Havendo
fundado receio do impetrante de ser autuado
a partir da data limite para pagamento dos
salários de agosto de 1990, pois caso o
abono instituído pela MP nº 211/90 não fosse
pago, a DRT procederia à autuação com base
no art. 4º da Lei nº 7.855/89, caracterizado
está o temor fundado do Impetrante. 2.
Quando das informações o impetrado revela resistir à
pretensão deduzida, tal fato constitui evidência de
que tal ato seria praticado em relação ao Impetrante.
3. Remessa improvida. (TRF 1ª R. – REO 01131095 –
GO – 3ª T.Supl. – Rel. Juiz Conv. Wilson Alves de Souza
– DJU 28.11.2002 – p. 178)
Comprovados o direito líquido e certo e o
receio de violação de seu direito constitucional, sendo o
presente writ a via correta para a garantia de seu direito,
imperativa é a concessão da segurança pleiteada.

III – Da natureza preventiva e não aplicação do prazo


decadencial.

1. O artigo 1º da Lei 1533/51 e os


dispositivos da Constituição Federal determinam o mandado de
segurança como remédio apropriado para evitar violação de
direito ou justo receio de violação.

Como já demonstrado desde a edição da MPV


415/2008 pelo Executivo, o impetrante está correndo o risco
de mediante fiscalização da Polícia Federal, ser multado ou
mesmo ter o seu funcionamento suspenso, caso continue a
exercer sua atividade econômica.

2. Uma vez se tratando de mandado de


segurança preventivo, não há de se falar no prazo decadencial
de 120 dias, previsto na legislação pertinente. Neste
sentido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE MANDADO DE


SEGURANÇA – CONCESSÃO DE MEDIDA LIMINAR – I.
ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA DO DIREITO DE
IMPETRAÇÃO – INOCORRÊNCIA, POSTO TRATAR-SE DE
MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO – II.
EXIGÊNCIA DE COMPROVANTE DE GRADUAÇÃO DE
LICENCIATURA PLENA – REQUISITO PREVISTO NO
EDITAL DE CONCURSO PARA PROFESSORES DO
MAGISTÉRIO DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO –
AMPARO NA LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL Nº 19/98 –
VIOLAÇÃO DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA
EDUCAÇÃO, LEI FEDERAL Nº 9.394/97 – ILEGALIDADE –
RECURSO IMPROVIDO – I. Tratando-se de mandado de
segurança impetrado a título preventivo, não há que se
falar de decadência do direito de impetração, posto que
o ato ainda não fora praticado. II. Se eventual lei
municipal estabelecer requisitos para acesso a cargo de
professor da rede municipal de ensino – como por exemplo,
comprovante de graduação de licenciatura plena para
ministrar educação infantil -, sem previsão na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB -, tal
exigência pode ser objeto de correção através de writ of
mandamus. (TJMS – AG 2002.000739-1 – 1ª T.Cív. – Rel.
Des. Ildeu de Souza Campos – J. 30.04.2002)

Comprovado o direito líquido e certo, o


fundado receio de violação e sendo a via do mandado de
segurança a correta para ver o seu direito amparado, não
existe outra providência que não seja conceder a segurança.

III – Da Concessão liminar


O artigo 7º da Lei 1533/51 estabelece os
requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora,
exigidos para concessão de qualquer medida de natureza
cautelar.

O fumus boni iuris é de fácil constatação no


caso em tela. O direito líquido e certo do impetrante está
expresso límpido e cristalino na Constituição Federal.

Ainda, caso não seja deferido o pedido de


imediato, o impetrante poderá ser multado a qualquer momento
e caso continue a exercer sua atividade comercial em sua
plenitude comercializando assim bebidas alcoólicas, como
sempre o fez.

O requerente sofreu prejuízo ao se ver


obrigado a se desfazer de estoques de bebidas e ainda vem
sofrendo tendo em vista a limitação de sua atividade
comercial.

Vale ressaltar que vários clientes NÃO


MOTORISTAS, que o procuravam para a compra de produtos não
mais o fazem, motivo pelo qual teve o seu lucro sensivelmente
reduzido colocando em risco até mesmo a existência do
estabelecimento.

IV – Considerações acerca da eficácia e


constitucionalidade da medida

A Administração Pública deve sim fiscalizar e


combater a violência no trânsito e a mortalidade nas
estradas, de forma eficaz e com medidas adequadas. É farta a
legislação brasileira acerca do assunto.

A Constituição da República no artigo 220


estabelece restrições a propaganda de bebidas alcoólicas. No
mesmo sentido, a Lei 9.294/96 e diz que "somente será
permitida a propaganda comercial de bebidas alcoólicas nas
emissoras de rádio e televisão entre as 21 (vinte e uma) e as
6 (seis) horas". E que nos rótulos das embalagens conterão a
advertência: Evite o Consumo Excessivo de Álcool.

O Código Penal (art. 28, II) esclarece que a


embriaguez não exclui a responsabilidade de quem bebe e comete
algum crime.

A Lei das Contravenções Penais informa que a


pessoa sob o efeito do álcool, ao causar escândalo ou perigo
público pode ser preso (art. 62). A seguir proíbe que se sirva
bebida alcoólica a menor de 18 anos, a bêbado, a doente mental
e a pessoa com restrições judiciais.
O Estatuto da Criança e do Adolescente não só
proíbe a venda de bebida alcoólica à criança ou adolescente em
seu artigo 8l, inciso II, como para quem desobedece estipula
em seu artigo 243 pena de reclusão, de dois a quatro anos e
multa.

O Código de Trânsito Brasileiro qualifica


como crime a embriaguez ao volante, determinando a pena de
detenção de 6 meses a 3 anos, multa e suspensão ou proibição
de sua habilitação. Estabelece ainda sanções administrativas
além das penais.

Assim, legislação tendente a diminuir a


mortalidade por álcool nas estradas já existe. O que falta é
a fiscalização apropriada.

A solução supostamente encontrada pelo


Governo Federal através da Medida Provisória nº 415 é
inconstitucional por violar o princípio da livre iniciativa e
por inviabilizar a atividade das empresas. Além disso, é um
atestado da incapacidade do Poder Público em fiscalizar e
fazer valer a legislação que já existe.

A condução de veículo por indivíduo


embriagado é considerada crime pela legislação e é função
precípua do Poder Público combater e fiscalizar a prática
desta conduta.

Não é justo transferir ao impetrante o dever


de fiscalizar o comportamento dos motoristas que trafegam
pelas rodovias federais, sendo esta atribuição da Polícia
Rodoviária que tem sua competência definida na Constituição
Federal.

O comércio de bebida alcoólica é uma


atividade lícita, sendo que todas as pessoas têm o direito de
adquirir a mercadoria. Mesmo os motoristas que estão ao
volante de seus veículos, têm o direito de comprar bebida
alcoólica desde que não a consuma enquanto estiver dirigindo.

A forma como os clientes irão fazer uso do


produto não é questão afeta ao comerciante, que vive do
exercício de sua atividade empresarial. É problema exclusivo
da fiscalização e do combate à prática de conduta ilícita,
que cabe unicamente ao Poder Público.

Ademais, cumpre-nos evidenciar a ineficácia


da MP 415 para os fins a que se presta, eis que a proibição
de venda de bebida alcoólica nos estabelecimentos situados às
margens da rodovia não evitará que o motorista mal
intencionado compre a bebida em outro estabelecimento ou
mesmo beba no perímetro urbano antes de “pegar o volante”.

Data venia, o fator “distância” entre a


rodovia e o local da venda não impedirá o motorista de
adquirir a bebida alcoólica e muito menos de a consumir.
DO PEDIDO

Ex positis, tendo em vista o justo receio da


fiscalização e do procedimento coercivo e abusivo que a
qualquer momento pode ser verificado, e para assegurar o seu
direito líquido e certo, impetra o presente MANDADO DE
SEGURANÇA e requer:

1. Se digne o Eminente Julgador, em conceder in limine a segurança


requerida, reconhecendo o direito Impetrante em continuar a vender
bebidas alcoólicas à margem da Rodovia Federal, determinando
ainda que a Impetrada se abstenha de cumprir a MP nº 415
e o Decreto nº 6.366/08, de forma a suspender a eficácia de
eventuais multas decorrentes de fiscalização, abstendo-se, ainda, de
fechar o estabelecimento da Impetrante, sob pena de multa diária a
ser arbitrada por Vossa Excelência.

2. Concedida a liminar, determine o MM. Juiz, a notificação da


autoridade coatora para, querendo, prestar as informações que julgar
necessárias

3. Requer, afinal, a concessão da segurança, e, como corolário, declara


a inexigibilidade das multas irregularmente impostas ao impetrante,
Dá-se à presente causa, para efeitos fiscais e de alçada, o
valor de R$ ....

Nestes termos,

Pede DEFERIMENTO.

Local e data.