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RESUMO DE FILOSOFIA - UFU 2016

Professora: Crystianne Mendonça Email: crysfilosofia@gmail.com

O MITO GREGO: DA COSMOGONIA A COSMOLOGIA

O pensamento mítico nasce do desejo de dominação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança.

A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de

dois verbos: do verbo mytheyo (contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e do verbo mytheo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador.

Características da Mitologia Grega:

O

Mito é:

o

Sagrado

o

Inquestionável

Funções do mito:

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adesão plena e é transmitido pelo poeta-rapsodo, tido como autoridade religiosa Os poetas mais famosos são Homero (Obras: Ilíada e Odisséia) e Hesíodo (Obra: teogonia). Cabia ao poeta- rapsodo a tarefa de anunciar às populações a palavra divina, sob suposto efeito da inspiração das musas. As Musas eram entidades mitológicas capazes de inspirar a criação artística ou científica. Eram adoradas no templo Museion (daí a palavra “museu”, que é o local onde se preservam as artes e as ciências);

Elementos cognitivos do mito: o poeta relata de modo detalhado “como” tudo surgiu, fazendo conexões de hierarquia e necessidade entre uns e outros elementos; Esta narrativa representou, até o século VII a.C., a única maneira conhecida pelo grego como explicação para o mundo.

O mito opera com a saturação do sentido, ou

seja, um mesmo fato pode ser narrado de inúmeras maneiras diferentes, dependendo do que se queira enfatizar, e as coisas do mundo (animais, vegetais, minerais, humanos) podem receber inúmeros sentidos, conforme o lugar que

ocupem na narrativa. Por isso, o mito abre espaço para contradições e incoerências, mesmo sendo inquestionável. A verdade nele se estabelece em um plano diverso daquele em que atua a racionalidade humana.

o

Situar o homem no mundo;

o

Criar diretrizes da ação humana;

O

mito é uma cosmogonia, composta da palavra

o

Explicar a construção cultural;

cosmos, que significa mundo ordenado e da

o

Explicar a realidade

Conceito de mito: O mito é uma narrativa inquestionável acerca do surgimento do universo pela qual as várias culturas procuram explicar a

A

O mito era narrado pelos Poetas Rapsodos, em

palavra gonia, que vem da palavra gênese, que significa nascimento, surgimento. O mito grego narra a origem da ordem=cosmos, gerada (gonia) pelos Deuses.

origem do universo, a origem dos homens, seus

Filosofia, ao contrário do mito, possui um

costumes, apelando para entidades sobrenaturais, superiores aos homens e que

conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia. A palavra cosmologia é composta de duas outras:

definiriam o seu destino.

cantigas, poemas, músicas. O mito pressupõe

cosmos, que significa mundo ordenado e organizado, e logia, que significa pensamento racional, discurso racional, conhecimento, estudo.

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Cosmogonia: tentativa de explicar a realidade através dos mitos, narrava a origem da natureza por meio de genealogias divinas.

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condições históricas para o surgimento da Filosofia na Grécia:

 

o

Viagens marítimas

Cosmologia: tentativa de explicar a realidade por

o

Invenção do calendário

meio de conceitos, explicava a origem da

o

Invenção da moeda

natureza pela existência de um ou alguns

o

Invenção da escrita alfabética

elementos naturais (terra-seco, água-úmido, ar-

o

Surgimento da vida urbana

frio, fogo-quente), a Physis (natureza).

o

Invenção da política

Porque

cosmogônico para o período cosmológico?

O mito

acontecimentos ocorridos na pólis (cidade-

período

ocorre

não

era

a

transição

capaz

do

mais

de

explicar

os

Estado).

O SURGIMENTO DA FILOSOFIA

No final do século VII e início do século VI a C.,

surge a Filosofia nas colônias gregas da Ásia Menor (particularmente as que formavam uma região denominada Jônia). De acordo com os historiadores, o primeiro filósofo foi Tales de

Mileto (c. 625-558 a C.).

A filosofia nasce com o intento de responder os

questionamentos que o mito não mais conseguia explicar. Agora, o estudo pauta-se na razão (Logos), e não mais na explicação por meio dos

mitos. OBS: Os primeiros filósofos consideravam

os elementos originários como forças divinas,

mas já não eram personalizados nem sua ação explicada por desejos, paixões e furores.

A palavra filosofia é grega. É composta por duas

outras: philo e sophia. Philo deriva-se de philia,

que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer dizer sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio.

Vale lembrar que ocorreram algumas condições materiais, isto é, econômicas, sociais, políticas e históricas que permitiram o surgimento da Filosofia. Podem ser apontadas como principais

TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DA FILOSOFIA

Existem algumas teorias que explicam o surgimento da Filosofia. Dentre elas destacamos:

Teoria do Milagre Grego: a filosofia nasceu por uma ruptura radical com os mitos, sendo a primeira explicação científica da realidade produzida pelo Ocidente.

Teoria do mito noético: Dizia-se que os gregos, como qualquer outro povo, acreditavam em seus mitos e que a filosofia nasceu, vagarosa e gradualmente, do interior dos próprios mitos, como uma racionalização deles.

Teoria da origem política da filosofia: vários fatores influenciaram, como os sociais e econômicos, mas sobre a política, valorizando o humano, o pensamento, a discussão, a persuasão. A valorização do pensamento racional criou condições para que surgisse o discurso ou a palavra filosófica.

Teoria do Espanto (Aristóteles): Aristóteles afirmava que a filosofia tinha a sua origem no espanto, na estranheza e perplexidade que os homens sentem diante do desconhecido e dos enigmas do universo e da vida. É o espanto que os leva a formularem perguntas e os conduz à procura das respectivas soluções. A atitude filosófica que motiva o homem é a libertação da ignorância.

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OS PRIMEIROS FILÓSOFOS

OS PRÉ-SOCRÁTICOS

Os pensadores pré-socráticos buscaram explicações racionais para o conhecimento da natureza e da realidade, tendo como problemas centrais a constante mudança percebida pelos sentidos humanos e a recusa dos sentidos como fonte segura de conhecimento.

Os primeiros filósofos buscavam descobrir a Arché ou Arqué da Physis.

A arché ou arqué (origem/princípio) seria um

princípio que deveria estar presente em todos os momentos da existência de todas as coisas; no

início, no desenvolvimento e no fim de tudo. Esses primeiros filósofos são chamados de Filósofos da Natureza (cosmólogos), Físicos, ou ainda de Pré-Socráticos.

Os diferentes filósofos escolheram diferentes physis, isto é, cada filósofo encontrou motivos e razões para dizer qual era o princípio eterno e imutável que está na origem da Natureza e de suas transformações. A Arché para cada um deles

era:

Tales de Mileto: A Arché da Physis para Tales era a Água. Desse modo, para o filósofo, a “água é o princípio de todas as coisas.”

Pitágoras de Samos: A Arché da Physis para Pitágoras eram os Números. Relatam os

historiadores que Pitágoras foi o primeiro filósofo

a utilizar a palavra filosofia para designar a atividade incansável da busca do saber.

Anaximandro: A Arché da Physis para Anaximandro era o Ilimitado (ápeiron), princípio indeterminado e em movimento perpétuo.

Anaxímenes: A Arché da Physis para Anaxímenes era o Ar, com seus atributos como a infinitude e o movimento incessante.

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Heráclito: A Arché da Physis para Heráclito era o Fogo, que sempre acende e apaga com medida.

OBS: Para os historiadores da filosofia, o primeiro filósofo é Tales de Mileto, e quem “batizou” a filosofia foi Pitágoras de Samos.

HERÁCLITO DE ÉFESO

Os primeiros filósofos se preocupavam com a

origem, a transformação e o desaparecimento de todos os seres. Preocupavam-se com o devir. O DEVIR é a passagem contínua de uma coisa ao

leis

seu determinadas pela physis.

estado

contrário

e,

obedece

a

Heráclito defende o mobilismo: considerava a Natureza como um “fluxo perpétuo”, o escoamento contínuo dos seres em mudança perpétua. É considerado o “Pai da Dialética”

Segundo o filósofo, nada permanece idêntico a si mesmo, nem por um instante. Desse modo, tudo está em constante transformação, em eterno devir. O eterno devir traz a ideia de que o mundo, não é um lugar estático, mas sim um fluxo, uma mudança eterna e permanente de todas as coisas, um constante vir-a-ser.

O movimento segundo esse filósofo, só é possível

porque tudo o que existe, existe em seu oposto.

Desse modo, só é possível conhecer qualquer coisa, porque existe seu contrário.

São os Opostos em guerra que possibilitam o movimento.

A causa do movimento, segundo Heráclito: A Luta

Constante dos Contrários/ Luta constante dos

opostos.

Exemplo: Só existe dia, porque existe noite. Só existe quente, porque existe frio. Só existe seco, porque existe molhado; etc.

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OBS: Esse movimento gerado pela Guerra SEMPRE é dado em EQUILÍBRIO. Nunca gera o caos e a desordem. Assim, o universo está em permanente conflito com o seu contrário.

Heráclito para ilustrar sua dialética utiliza da metáfora do “Fogo”. Ele utiliza esse recurso para demonstrar que tudo flui, tudo está em constante movimento. Pois “o fogo acende e apaga com medida”. Desse modo, o fogo, como chamas vivas

e eternas, governa o constante movimento dos seres.

“Este mundo, que é o mesmo para todos, nenhum dos deuses ou dos homens o fez; mas foi sempre, é e será um fogo eternamente vivo, que

se

acende com medida e se apaga com medida”.

O

fogo como o princípio eterno que causa a

mudança e concebe Deus como a harmonia ou síntese entre os contrários.

O Logos é que compreende e sabe que a

harmonia e a unidade nasce da contradição, do movimento e da multiplicidade. “A natureza gosta de se ocultar”, afirma Heráclito, querendo

dizer com isso que a aparência das coisas não

revela a sua verdade que é o eterno fluxo de tudo

e sua contradição a estabelecer que tudo é Um:

harmonia e unidade que somente o Logos conhece.

Heráclito escreve sobre a forma de aforismos, frases que expressam de forma condensada uma ideia. Exemplos: “O Sol é novo a cada dia”, “Não

podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca

somos os mesmos”, ”A guerra é o pai de todas as coisas e de todas o rei; de uns fez deuses, de outros, homens; de uns, escravos, de outros, homens livres”.

O SER

Destrutível. Mas a multiplicidade gera a unidade.

para

Heráclito

é

Múltiplo,

Mutável,

Heráclito não pode ser considerado empirista, vale lembrar que para o filósofo, os sentidos são

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importantes, mas por si só não são garantias de conhecimento.

Assim, Heráclito tem como reflexão a afirmação da mudança constante, o eterno fluxo, como fundamento do conhecimento, admitindo tanto a multiplicidade (dos seres) quanto a unidade e a harmonia garantidas pelo “logos”.

Palavras-chave: MOVIMENTO, DEVIR, TUDO FLUI (“Panta rei”).

PARMÊNIDES DE ELÉIA

Parmênides defende o imobilísmo, ele é considerado por historiadores da filosofia como o

“Pai da Metafísica”, o Pai da Ontologia(refere-

se ao estudo do ser) e da Lógica: (diz respeito a possibilidade de conhecer as coisas condições para desenvolver o pensamento).

Quase toda a teoria de Parmênides se encontra em um poema de sua autoria denominado “Sobre a natureza”, que trata basicamente em suas duas partes, do caminho da verdade (Alétheia) e do caminho da opinião (Doxa).

Segundo esse filósofo, não existe movimento, tudo o que vemos, é ilusão dos nossos sentidos, “Doxa”, pois aquilo que corresponde ao Ser, não pode se transformar, ou deixar de ser. Desse modo, o pensamento de Parmênides é absolutamente oposto ao de Heráclito, que afirmava que o Ser estaria em eterno devir.

Para Parmênides o olho engana, o conhecimento não está nos sentidos, mas em um plano metafísico. Esse filósofo é considerado o primeiro a formular os princípios lógicos de identidade e não-contradição, desenvolvidos posteriormente por Aristóteles.

A busca racional do ser vai nos revelar um ser

uno, imutável, ingênito, imperecível, eterno, não

contraditório e idêntico a si mesmo. Que só

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podemos conhecer pelo pensamento, já que pensar e ser é uma só coisa para ele.

O fluxo dos contrários, é uma aparência, mera opinião que formamos, porque confundimos a realidade com as nossas sensações. O devir dos contrários é uma linguagem ilusória, não existe, é irreal, não é.

Assim, existe o ser, e não é concebível sua não- existência. Por isso, o ser é, e o não-ser não é.

AS VIAS DE INVESTIGAÇÃO DO CONHECIMENTO

do SER: Tudo aquilo que nós podemos

conhecer, Parmênides chama de SER. O SER é

ser pensado, dito e

explicado.

tudo

Via

aquilo

que

pode

Via do NÃO-SER: O NÃO-SER nada é. O NÃO-SER não poder ser dito, nem pensado, muito menos explicado, porque o NÃO-SER não existe.

Via dos Mortais: São aqueles que acreditam que existe tanto o SER quanto o NÃO-SER. Os mortais tendem a tomar o Não-Ser pelo Ser, uma vez que guiam seu pensamento pela opinião.

CAMINHOS DE INVESTIGAÇÃO

Caminho da Verdade: É o caminho do ser, caminho de todo o conhecimento.

Caminho da Opinião (“doxa”): É o caminho dos

enganos, da opinião, do erro, conhecimento.

do falso

OBS: O SER para Parmênides é Uno, Imutável, Indestrutível. Parmênides não pode ser considerado empirista.

Segundo Parmênides só podemos conhecer pelo pensamento, já que pensar e ser é uma só coisa para ele. Dessa maneira Parmênides, que afirma a imobilidade do ser e a identidade entre o ser e

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o pensar, em oposição à aparência, que é fruto

das opiniões formadas pelos homens a partir dos

sentidos.

OS SOFISTAS

Os sofistas, que são os primeiros filósofos do período socrático. Os sofistas mais importantes foram: Protágoras de Abdera e Isócrates de Atenas. Para os Sofistas, tudo deveria ser avaliado segundo os interesses do homem e de acordo com a forma que este vê a realidade.

Os Sofistas eram “Professores Itinerantes” que se preocupavam apenas com a retórica. Assim, usavam complicados jogos de palavras, trocadilhos, raciocínios sem lógica, todos os recursos do discurso para demonstrar a “verdade” daquilo que se pretendia alcançar. Utilizavam-se da arte da Persuasão:

Convencimento -> Fundamental para a Política, exemplo Protágoras de Abdera: “O homem é a medida de todas as coisas.”

- Retórica: Convencer uma pessoa sobre algo,

sem saber se é verdadeiro ou não. “A verdade depende apenas da confiança de quem ouve” “uma mentira repetida várias vezes se torna uma verdade.”

DEMOCRACIA DIRETA

DEMOCRACIA

INDIRETA

Ocorre na praça (ágora)

Voto dos cidadãos

Debater sobre

assuntos;

Criada na

Grécia

Antiga.

Elegem-se representantes; Criam as leis de acordo com a vontade da população.

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O filósofo Sócrates, considerado o patrono da

Filosofia, rebelou-se contra os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer idéia, se isso fosse vantajoso, assim, para Sócrates, os sofistas não se preocupavam com a essência, mas apenas com a persuasão e cobravam para ensinar. Por isso, os maiores críticos dos sofistas são Sócrates e Platão.

A diferença entre os sofistas, de um lado, e

Sócrates e Platão, de outro, é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.

A sofistica destruía os fundamentos de todo o

conhecimento, já que tudo seria relativo e os valores seriam subjetivos, assim, como impedia o estabelecimento de um conjunto de normas de comportamento que garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis. Eis que assim, por esse motivo, surge Sócrates, cuja doutrina se opõe profundamente aos sofistas.

SÓCRATES DE ATENAS

Sócrates é considerado um marco na história da filosofia por deixar de analisar especificamente a questão da origem do mundo na natureza physis e buscar no próprio homem fundamentos para sua filosofia. Desse modo, os filósofos que o antecederam são chamados de pré-socráticos, por ser um marco divisório na história da filosofia.

Sócrates modifica o eixo das questões propostas pelos pré-socráticos, direcionando as questões filosóficas para temas como a Ética, a formação

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moral, os limites do conhecimento humano e para a formulação de conceitos universais, em oposição ao relativismo dos sofistas.

Sócrates foi mestre de Platão; Sócrates não deixou nada escrito, tudo sobre esse filósofo foram outros pensadores que descreveram, sendo que a maior parte dos escritos da doutrina socrática se encontra nas obras de Platão.

Sócrates propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo.

Assim, para o filósofo o homem não deve ser caracterizado por seus atributos exteriores (saúde, corpo, riqueza ou vigor), mas sim pela sua parte interna, a saber, sua alma (psyqué), na medida em que é precisamente sua alma que o distingue especificamente de qualquer outra coisa. O homem vivo é a sua alma, o corpo é somente o conjunto de instrumentos ou ferramentas das quais a alma se serve na vida. A vida só pode ser bem vivida se a alma estiver no controle do corpo. Isso significa pura e simplesmente que em uma vida perfeitamente ordenada a alma ou inteligência tem o completo controle dos sentidos e das emoções.

A expressão “conhece-te a ti mesmo” que estava gravada no pórtico do templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates. Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz: A Filosofia socrática é conhecida como Antropológica ou Antroposophica.

“Conhece-te a ti mesmo”. Sócrates encontra sua verdadeira missão ao visitar o oráculo de Delfos:

despertar o conhecimento nas pessoas, por meio da Maiêutica. O autoconhecimento é um dos pontos fundamentais da filosofia socrática.

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O conhece-te a ti mesmo remete a ideia de que

não se pode melhorar e cuidar de uma coisa a menos que se conheça a sua natureza. Nesse sentido, uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida. Mas essa reflexão deve ser uma aplicação do logos exercício racional sobre as próprias virtudes que definem o ser humano em sua conduta e em sua relação dialógica com as outras pessoas. O conhecimento do “eu” possibilita e instaura o conhecimento do “outro”. Assim, na vida, não podemos conseguir um

aprimoramento de nós mesmos a menos que primeiro possamos compreender o que somos. Nosso primeiro dever é obedecer à ordem délfica “conhece-te a ti mesmo”, “pois uma vez que nos conheçamos, podemos aprender a cuidar de nós”.

Assim,

a

mensagem

do

“Conhece-te

a

ti

mesmo”,

Oráculo

de

a

acusação

Delfos

o

e

julgamento definem a missão de Sócrates.

Outro ponto fundamental é quando o indivíduo admite sua ignorância, a consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia: o “sei que nada sei”, para que se realize o principal aspecto de sua filosofia: a busca pelo bem na vida em sociedade.

Sócrates funda um Método que é chamado de Método do Diálogo, ou Método Dialético.

O MÉTODO DO DIÁLOGO:

O método socrático, exercitado sob a formado

diálogo, consta de duas partes:

Ironia (eiróneia), isto é, refutação: feita a pergunta, Sócrates comenta as várias respostas que a ela são dadas, mostrando que são sempre preconceitos recebidos, imagens sensoriais percebidas ou opiniões subjetivas e não a definição buscada.

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Maiêutica, isto é, parturição: Sócrates, ao perguntar, vai sugerindo caminhos ao interlocutor até que este chegue à definição procurada. Esta segunda parte é uma arte de realizar um parto, no caso, parto de uma ideia verdadeira.

A ciência, epistême, socrática é o resultado do

método. Por operar com o exame de opiniões, doxa isto é, definições parciais, subjetivas, confusas, contraditórias para chegar à definição universal e necessária, Sócrates dá início ao que

Aristóteles chama de indução: chegar ao universal por meio do particular. Portanto:

A ironia é o momento no qual Sócrates

interrogava/questionava seu interlocutor sobre aquilo que julgavam conhecer. O interlocutor apresenta suas opiniões e, Sócrates o envolve na estrutura confusa de suas próprias afirmações,

terminando por trazer a tonatoda a ignorância

do interlocutor.

A Maiêutica concepção de ideias, “arte de trazer

à luz” novos conhecimentos. Assim, Sócrates dizia

que transportava para a filosofia o exemplo de sua mãe, que sendo parteira, ajudava a trazer crianças ao mundo, trazendo novas ideias.

A finalidade da Ironia socrática não é depreciar o seu interlocutor, mas sim despertar nele o conhecimento, a partir do momento em que ele admite sua ignorância, quebram-se os preconceitos sobre o assunto o qual debatem e chegam a busca de um novo conceito, por meio do “parto das ideias”.

Desse modo, a maiêutica (o parto das ideias), o reconhecimento do não saber pela ironia e a ausência de respostas às questões levantadas (aporia) constituem o fundamento do pensamento socrático.

O método socrático é Indutivo, pois parte de afirmações particulares do indivíduo para se

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construir conceitos universais. Desse modo, não confundir com o método aristotélico do silogismo que é DEDUTIVO, partindo de premissa universal, para concluir particularidades do ser. Vale lembrar que quem deu a denominação de indução ao método socrático foi Aristóteles.

Sócrates não tem a intenção de humilhar seu interlocutor, pelo contrário, a finalidade do filósofo é fazer com que o interlocutor busque a verdade. O diálogo socrático é aporético, pois não consegue alcançar a definição completa daquilo que se perguntou: “só sei que nada sei”.

Sócrates foi condenado a morte acusado em sua época de corromper a juventude, visto que a sua ironia enfureceu alguns cidadãos de Atenas que detinham o poder.

Sócrates foi levado a julgamento e diante dos

juízes rebateu os argumentos de seus acusadores,

e apesar de se declarar inocente, foi condenado a

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errados em suas afirmações acerca da existência

ou não do movimento.

Para resolver o impasse entre Parmênides e Heráclito, Platão apresenta relação entre o sensível e o inteligível, presente na Alegoria da Caverna.

A ontologia platônica introduz uma divisão no

mundo, afirmando a existência de dois mundos diferentes e separados: o mundo sensível da mudança, da aparência, do devir dos contrários, e

o mundo inteligível da identidade, da

permanência, da verdade, conhecido pelo intelecto puro, sem qualquer interferência dos

sentidos e das opiniões.

O primeiro é o mundo das coisas, material. O

segundo, o mundo das ideias ou das essências verdadeiras, portanto real.

O mundo sensível é uma sombra, uma cópia

morte por envenenamento. Foi dado a ele a

deformada ou imperfeita do mundo inteligível

chance de escapar da pena se admitisse as

das

ideias ou essências. O mundo das ideias ou

acusações a ele feitas, porém, não aceitou a

das

essências verdadeiras é o mundo do Ser; o

alternativa, por ser desonesta de acordo com suas ideias. Assim, foi morto por ingestão de cicuta, veneno letal, defendendo até a morte suas

mundo sensível das coisas, material ou aparências é o mundo do falso ser.

ideias.

O

mundo sensível tem influência do pensamento

A

procura da verdade para Sócrates implicava em

de Heráclito, pois nele se tem um eterno fluxo, onde tudo se transforma. Já no mundo inteligível,

conseguir uma convivência honesta e digna entre

as

essências não mudam, sempre permanecem

os homens. Assim, Sócrates procurou caracterizar

idênticas a si mesmas.

a sua vida construindo uma personalidade

corajosa e guiando sua conduta pelo seu critério

de justiça. Viveu conforme sua própria consciência. Morreu sem ter renunciado a seus valores morais e a sua doutrina.

PLATÃO (ARISTOCLES)

A filosofia platônica tem como fundamento inicial

resolver o embate entre o mobilísmo de Heráclito

e o imobilísmo de Parmênides. Segundo Platão, nem Heráclito e nem Parmênides estavam

MUNDO SENSÍVEL

MUNDO INTELIGÍVEL

Cópias Imperfeitas das Ideias

Essências

Mundo das Sombras, do falso conhecimento (Doxa)

Mundo das Ideias, do conhecimento (Episteme)

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Teoria da Reminiscência

Em A República, Platão desenvolve uma teoria que já fora esboçada no Mênon: a teoria da reminiscência. Nascemos com a razão e as idéias verdadeiras, e a Filosofia nada mais faz do que nos relembrar essas idéias. Platão é um grande escritor e usa em seus escritos um procedimento literário que o auxilia a expor as teorias muito difíceis. Assim, para explicar a teoria da reminiscência, narra o mito de Er.

O pastor Er, da região da Panfília, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali chegando, encontra as almas dos heróis gregos, de governantes, de artistas, de seus antepassados e amigos. Ali, as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro. Er fica sabendo que todas as almas renascem em outras vidas para se purificarem de seus erros passados até que não precisem mais voltar à Terra, permanecendo na eternidade. Antes de voltar ao nosso mundo, as almas podem escolher a nova vida que terão. Algumas escolhem a vida de rei, outras de guerreiro, outras de comerciante rico, outras de artista, de sábio. No caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre um rio, o Lethé (que, em grego, quer dizer esquecimento), e bebem de suas águas. As que bebem muito esquecem toda a verdade que contemplaram; as bebem pouco quase não se esquecem do que conheceram. As que escolheram vidas de rei, de guerreiro ou de comerciante rico são as que mais bebem das águas do esquecimento; as que escolheram a sabedoria são as que menos bebem. Assim, as primeiras dificilmente (talvez nunca) se lembrarão, na nova vida, da verdade que conheceram, enquanto as outras serão capazes de lembrar e ter sabedoria, usando a razão. Conhecer, diz Platão, é recordar a verdade que já existe em nós.

Segundo Platão os indivíduos já viveram outras vidas, eles contemplaram todo o conhecimento no mundo das ideias. Só que eles passaram pelas

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águas do esquecimento, e vieram para o mundo sensível, tendo se “esquecido” das ideias que já havia contemplado.

Conhecer é recordar. Assim, a alma antes de se encarnar, conheceu as ideias, pois estava junto delas. Ao encarnar-se, entretanto, esse conhecimento se perderia, numa espécie de “esquecimento.” Uma vez presente no homem, no mundo sensível, ela poderia “recordar-se” pelo processo de reminiscência (anámnesis).

Por exemplo, quando um homem vê uma gato e aprende o que é esse animal é, sua alma que estaria reconhecendo a ideia de gato. Assim, todo aprendizado seria na verdade uma lembrança.

Para adquirir o conhecimento o indivíduo precisa passar pelo processo de Educação (Dialética Platônica). Assim, o movimento dialético da alma começa com as sombras (ilusões), passa pelos objetos sensíveis (doxa), vai para o primeiro momento do inteligível que são os raciocínios (matemática) até comtemplar o bem (analogia do sol), simbolizados na símile da linha de Platão, com os quarto graus de conhecimento.

da linha de Platão, com os quarto graus de conhecimento. Platão é INATISTA : Todo o

Platão é INATISTA: Todo o indivíduo já nasce com

o

conhecimento, o que ele deve fazer é relembrar

o

que já contemplou no mundo das ideias.

Assim, a

reminiscência é que o conhecimento vem pela

relação entre conhecimento e

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recordação das ideias perfeitas que se encontram

no mundo inteligível.

A distinção existente entre o verdadeiro saber (episteme) e o falso saber (doxa), é feita, portanto, na apresentação do mundo dos

sentidos e o mundo das ideias.

O Demiurgo: “artesão”: Platão escolheu essa palavra para designar o deus que, em sua doutrina, criou o mundo material (sentidos). Assim ele modelou o mundo inferior com base nas ideias. Esse mundo criado a partir do mundo perfeito, das ideias, é o mundo dos sentidos, cópia imperfeita do mundo inteligível.

O mundo sensível/sentidos/sombras, só existe

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nas paredes, no fundo da caverna, estão projetadas as sombras dos bonecos de madeira, cópias dos objetos sensíveis, imagens (simulacros). Na segunda etapa ainda no fundo da caverna, isto é, no mundo sensível: temos a crença no que os sentidos nos mostram: os bonecos de madeira, objetos sensíveis, meras cópias dos verdadeiros seres as Ideias (formas). Na terceira etapa, entre o mundo sensível e o mundo inteligível, o cativo liberto chega ao primeiro grau do conhecimento verdadeiro com o pensamento discursivo, que são os raciocínios matemáticos que refletem e demonstram as verdades filosóficas. E finalmente, na última etapa o cativo liberto “vê” o mundo verdadeiro

das ideias. Através da intuição intelectual, visão da alma que contempla as formas (ideias) puras:

porque participa do mundo inteligível/ideias,

o

mundo inteligível e o sol da Ideia do bem, ou

sendo que o primeiro é uma cópia imperfeita do segundo.

o

Ser.

O Homem é o conjunto de Corpo + Alma. O corpo

é cativeiro, isto é, prisão da alma pelo desejo do

próprio homem.

Corpo ou Sentidos: Conhecimento Sensível M.S.

Alma ou Razão: Conhecimento Intelectivo M.I.

Cabe a cada homem usar dos sentidos apenas como forma de chegar ao conhecimento das

essências, para assim poder alcançar o que é em

si e superar os enganos da opinião e, comisso,

evoluir pelo processo de metempsicose.

A metempsicose: Trata-se do modo pelo qual a alma, por um processo de múltiplos nascer e morrer, evolui de uma condição inferior para um estágio superior a partir da recordação acumulada do que já se encontra em seu interior.

Alegoria da Caverna “Mito da Caverna”

O caminho que eleva a alma ao conhecimento

das ideias se inicia no grau de máxima ignorância:

Livro VII: A República - O governo ideal: O rei Filósofo. É na alegoria/mito da caverna que Platão demonstra sua teoria política e propõe o governo dos melhores em inteligência.

Meritocracia (Aristocracia): Governo dos melhores, esses melhores para Platão eram melhores em inteligência; Assim tem-se o ideal platônico da política: a cidade Justa e o Rei Filósofo.

Platão defendeu um modelo de poder aristocrático, mas não pela riqueza ou sangue, e sim pela inteligência e conduta ética. O Filósofo por ser o único que possui senso de justiça, igualdade, e a ideia do supremo bem, deve ser o governante da cidade.

Para Platão, as três partes da alma agem na busca do Bem supremo, impulsionadas pelo amor. A Alma de ouro (racional); Alma de prata (irascível); Alma de Bronze (apetites);

A parte racional da alma, conheceria a verdade e

reuniria a inteligência, a moral e a lógica. A parte

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emocional conteria as emoções superiores, como

a honra e o ódio à injustiça. A parte da alma dos

apetites é rebelde e corresponde aos desejos inferiores carnais, sendo desordenada e inquieta.

A Alegoria (Simbologia):

Sol: Ideia do Supremo Bem

Interior da Caverna: Mundo Sensível

Exterior da Caverna: Mundo Inteligível

Sombra da Fogueira no fundo da caverna: Cópias imperfeitas das ideias

Cativos/Bonecos: Prisioneiros na caverna.

Objetos fora da Caverna: Ideias, essências.

O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.

Alegoria do navio

No Teeteto, “Sócrates” considera que mesmo que

os filósofos pareçam inúteis, eles foram criados como homens livres. Os hábeis retóricos [sofistas], por outro lado, como escravos: de almas pequenas e não retas, são servos do tempo

e de seus discursos (172c-173b). Em uma citada

passagem da República, “Sócrates” responde às objeções de “Adimanto” com a Alegoria do Navio:

no relato, quem maneja uma embarcação não tem nenhum conhecimento do ofício, todos ali

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comem [gulosos] e bebem [bêbados] até empanturrarem-se, se regem pelo prazer [do corpo] e não pelo saber [da alma]: consideram inútil o “verdadeiro” piloto [o capitão], que julga ser necessário ter em conta as estações, o estado do tempo, o movimento dos astros e outras coisas tais para conduzir adequadamente a embarcação (488a-489a). Em um navio como este. Afirma “Sócrates”, os filósofos são certamente inúteis, mas não são responsáveis por isso, já que o natural seria que os homens que têm necessidade de governo fossem em busca de quem tem capacidade para fazê-la

Na alegoria do navio o que se tem é a relação

entre o governo dos filósofos e dos sofistas.

Platão a Alegoria do Navio ilustra dois tipos possíveis e distintos de poderes relativo ao

governo da pólis, a saber: o governo justo dos filósofos e o governo injusto dos sofistas. O primeiro se preocuparia com o bem e o segundo

se preocuparia com o prazer pessoal. Verdadeiro

piloto Filósofo. Bêbados e gulosos Sofistas

Para

ARISTÓTELES DE ESTAGIRA

A filosofia aristotélica tem como fundamento

inicial resolver o embate entre o mobilísmo de

Heráclito e o imobilísmo de Parmênides, assim como a filosofia de Platão.

Aristóteles foi discípulo de Platão, porém, com seu mestre não concorda no que diz respeito a

dicotomia dos mundos sensível e inteligível. Por isso costuma-se dizer na história da filosofia que Aristóteles “Trouxe de volta dos céus para a Terra

o mundo das ideias de Platão”. Assim, para

Aristóteles o Conhecimento não está em um mundo separado, ele está na própria realidade

que vivemos.

O mundo das ideias para Aristóteles não existe.

Para ele o mundo material da natureza deve ser conhecido e explicado pela razão do filósofo.

Assim, Aristóteles concebe os seres ou entes como uma unidade substancial de matéria e

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forma. Para ele não há matéria sem forma, nem forma sem matéria.

A matéria é indeterminada. A matéria pode

assumir qualquer forma. Já a forma é quem determina a matéria. Informa o ser /ente, diz o que ele é. Por isso a forma é o princípio de determinação dos seres.

A metafisica ou filosofia primeira de Aristóteles preceitua o conhecimento das primeiras causas.

A metafisica é a compreensão dos fenômenos

que se situam “além do físico”, mas cujas manifestações ou consequências são percebidas pelos sentidos. Daí a ideia da teoria da abstração das ideias, onde coloca-se mentalmente as características e qualidades de um objeto de estudo para analisá-lo e conhecê-lo. Para Aristóteles é possível conhecer o mundo, aplicando a razão meio da experiência sensorial para descobrir a essência das coisas.

Aristóteles reúne o mundo sensível e o inteligível,

no conceito de SUBSTÂNCIA.

sensível e o inteligível, no conceito de SUBSTÂNCIA. A substância primeira é o ser individual concreto,

A substância primeira é o ser individual concreto, existente por si mesmo e que não se diz de algum outro, pois é sujeito, suporte e substrato. Já a substância segunda são os universais que não existem por si mesmos, mas que podem ser conhecidos, são os gêneros e espécies das substâncias primeiras.

Assim, segundo o filósofo, a Filosofia Primeira (Metafísica) pode conhecer as causas primeiras

ou as mais universais, a partir da substância. Cada ser ou objeto possui uma substância própria. Por meio da abstração o homem analisa os atributos separadamente, mas que são inseparáveis no ser.

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Essência (Ousía-Substância): nos dá o que há de mais íntimo e necessário num ser; aquilo que a coisa é. Ex: homem, mortal, bípede.

Acidente/Acessório: atributo circunstancial do ser. O ser pode apresentar ou não, não alterando

a essência do ser. Ex: Alto, Baixo, Magro, Gordo.

Para o filósofo, o ser pode ser dito de várias maneiras, a partir dos acidentes e das categorias.

As 9 Categorias Aristotélicas são:

Quantidade, Qualidade, Ação, Paixão, Lugar, Posição, Posse, Tempo e Relação.

OBS: Categoria é diferente de conceito.

Conhecer para Aristóteles é buscar as causas. Causa para ele é em sentido bastante amplo:

tudo aquilo que determina a realidade de um ser ou ente.

Ato e potência

Explica a mobilidade/transformação dos seres/entes. A matéria possui potencialidade

indeterminadas e a forma lhe dá determinações

na constituição de um ser/ente em ato.

Potência: (Possibilidade de mudança, de vir a ser)

é o que está contido numa matéria e pode vir a

existir, se for atualizado (ato) por alguma causa (Ex: a criança é um adulto em potência) .

Ato: (É o ser atual) é a atualidade de uma matéria, sua forma num dado instante do tempo;

o ato é a forma que atualizou uma potência

contida na matéria. (Ex: a árvore é o ato da semente, o adulto é o ato da criança).

Ato Puro (Primeiro motor imóvel): Somente o imóvel é causa absoluto do móvel. Já que todo ser é contingente, não tem em si a causa de sua existência, foi produzido por outro. Para não ir ao

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infinito, é preciso admitir uma primeira causa incausada. Esse primeiro motor imóvel é o ato puro (sem nenhuma potência), Deus. O primeiro motor é de onde parte todo o movimento de todo o Universo. Ele é um motor, pois move todas as coisas, mas é imóvel, pois ele não é movido por ninguém.

Causa final de todos os seres: A natureza dos seres agem sempre tendo em vista um thelos, uma finalidade. Move para buscar a perfeição (enteléquia ato final), que é a ausência de potência.

Distingue então o filósofo as quatro causas primeiras de todos seres/entes.

Teoria das quatro causas:

Causa material: (De que é feito?) é aquilo de que uma essência é feita, sua matéria.

Causa formal: (O que é?) é aquilo que explica a forma que uma essência possui.

Causa eficiente ou motriz: (Quem faz?) é aquilo que explica como uma matéria recebeu uma forma para constituir uma essência.

Causa final: (Para que é feito?) é a causa que dá o motivo, a razão ou finalidade para alguma coisa existir e ser tal como ela é.

finalidade para alguma coisa existir e ser tal como ela é. Lógica Aristotélica Na lógica aristotélica

Lógica Aristotélica

Na lógica aristotélica a verdade da proposição é uma adequação do discurso àquilo que ocorre

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nas coisas e se diferencia da noção de validade, apropriada ao raciocínio.

Assim, a lógica é um instrumento para o exercício formal do pensamento. Desse modo, Lógica não é uma ciência prática, mas um instrumento para as ciências e a lógica é formal. Importa a estrutura válida do raciocínio e não a verdade do argumento.

O Silogismo: é um raciocínio dedutivo válido que infere uma conclusão derivada necessariamente

de duas premissas. O argumento ou raciocínio é o

discurso em que proposições são encadeadas de

maneira a chegar a uma conclusão.

Um silogismo é constituído por três proposições, que encadeadas recebem o nome de argumento.

A primeira é chamada de premissa maior, a

segunda, de premissa menor e a terceira de

conclusão, inferida das premissas pela mediação

de um termo médio. Por isso, a arte do silogismo

consiste em saber encontrar o termo médio que ligará os termos extremos e permitirá chegar à conclusão. O silogismo deve obedecer a um

conjunto complexo de regras.

-

Regras

silogismo:

básicas

para

construção

de

um

a. Um silogismo tem 3 termos, e apenas 3 termos (maior, menor e médio).

b. O termo médio sempre se repete nas duas

primeiras premissas, mas nunca aparece na conclusão, pois sua função se esgota ao ligar os extremos (Termo maior e Termo menor).

c. Princípio de Identidade e não-contradição

d. Princípio do terceiro excluído: dada duas

proposições com o mesmo sujeito e o mesmo

predicado, uma delas é necessariamente verdadeira e a outra necessariamente falsa : A é x

ou não-x, não havendo terceira possibilidade.

Silogismo dialético é aquele cujas premissas se referem ao que é apenas possível ou provável. Assim possui argumento falso e estrutura válida.

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Silogismo científico é aquele que se refere ao universal e necessário, suas premissas são apodíticas (necessárias). Assim possui argumento verdadeiro e estrutura válida.

Método Dedutivo: Parte do Universal para o Particular. Método indutivo: Parte do Particular para o Universal. O Silogismo Aristotélico utiliza- se do método dedutivo.

FILOSOFIA MEDIEVAL

Na Filosofia Medieval se discute a relação entre a fé cristã e a filosofia grega, a partir da concepção da patrística e da escolástica, com ênfase nas propostas de Agostinho de Hipona e de Tomás de Aquino.

Assim é abordado o papel da filosofia grega como instrumento da teologia (fé cristã). Apresentando sempre a ideia central da superioridade da fé sobre a razão.

SANTO AGOSTINHO

Filosofia Patrística: filosofia dos primeiros padres da igreja, da qual, Santo Agostinho é um dos principais representantes.

Santo Agostinho é influenciado pela corrente dos chamados “neoplatônicos, que era uma escola filosófica que utilizava a doutrina platônica na defesa da religião como forma de revelação da verdade.

Ele foi influenciado por Platão, mais ele não concorda em todos os pontos com sua filosofia.

Agostinho propõe a conciliação entre Fé e Razão. Assim, o filósofo considera a filosofia grega um instrumento útil para a fé cristã, pois a primeira ajuda a compreender melhor as verdades da fé.

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Para se ter acesso as verdades eternas é necessário que o indivíduo tenha fé. As verdades eternas encontram-se no interior do homem, em sua alma. Deus está na alma de cada um de nós, e o conhecimento está na mente de Deus, que habita o interior do homem.

“Creio em tudo o que entendo, mas nem tudo que creio, também entendo”, ou seja, existem alguns mistérios da fé que não são acessíveis aos homens, mas eles devem acreditar, pois são verdades de Deus, e assim, a fé ilumina os caminhos da razão. Assim, para o filósofo, a fé revela verdades ao homem de forma direta e intuitiva, vem depois a razão esclarecendo aquilo que a fé já antecipou.

Assim, para Agostinho, as verdades eternas e imutáveis têm sua sede em Deus, assim sendo, as mesmas só podem ser alcançadas pela iluminação divina: Deus que é uma realidade exterior, habita o interior do homem, revelando o conhecimento verdadeiro.

Nenhum conhecimento verdadeiro pode ser introduzido na mente das pessoas vindo de fora, por meio do ensino. O saber se encontra na alma, porque ela se origina da substância divina. Com isso Agostinho demonstra que a verdade não pode ser ensinada pelos homens, mas somente pelo mestre interior (o mestre interior é Deus, que habita o interior do homem).

Deus cria as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias ou razões não existem em um mundo à parte, como afirmava Platão, mas na própria mente ou sabedoria divina, conforme o testemunho da Bíblia.

Agostinho entende a percepção do inteligível na alma como irradiação divina no presente. Assim como os objetos exteriores só podem ser vistos quando iluminados pela luz do sol, também as verdades da sabedoria precisam ser iluminadas

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pela luz divina para se tornarem conhecidas pelo intelecto.

Deus não substitui o intelecto quando o homem pensa o verdadeiro, a iluminação teria apenas a função de tornar o intelecto capaz de pensar corretamente em virtude de uma ordem natural

estabelecida por Deus. Assim, tem-se a influência

e participação de uma centelha do intelecto divino que se irradia na mente humana.

A teoria agostiniana estabelece assim, que todo

conhecimento verdadeiro é o resultado de um processo de iluminação divina, que possibilita ao homem contemplar as ideias, arquétipos eternos

de toda realidade. Assim que pode ser compreendida a principal diferença entre a teoria

de Agostinho e a teoria de Platão.

A luz divina, segundo Agostinho, torna inteligível

a verdade eterna na mente falível.

Agostinho rejeita a teoria da reminiscência de Platão e cria a chamada Teoria da iluminação divina. Assim, o conhecimento não vem da recordação de uma passagem anterior pelo mundo das ideias, mas sim da iluminação divina, no momento presente, onde Deus ilumina o indivíduo para ter acesso as verdades.

A

Reencarnação consiste na crença da existência

de

outras vidas, veja-se a teoria da Reminiscência

de Platão, que aponta que nossa alma já contemplou as ideias quando transitou pelo mundo inteligível. A Ressurreição é o que defendem os católicos-cristãos, que quando o indivíduo morre, ele irá para o reino dos céus descansar eternamente ao lado de Deus.

Deus se espelha na alma. E "alma" e "Deus" são

os pilares da "filosofia cristã" agostiniana. Não é indagando o mundo, mas escavando a alma que

se encontra Deus.

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Para o filósofo, o homem que trilha a via do pecado só consegue retornar aos caminhos de Deus e da salvação mediante a combinação de seu esforço pessoal de vontade e a concessão, imprescindível, da graça divina. Sem a graça de Deus, o homem nada pode conseguir. E nem todas as pessoas são dignas de receber essa graça, mas somente, alguns eleitos, predestinados a salvação.

Segundo Agostinho, o mal seria a perversão da vontade desviada da substância suprema. Assim,

para o filósofo “ama e faze o que quiseres” diz respeito a: se o homem ama verdadeiramente, isto é, como Deus ama, com gratuidade fazendo o bem aos outros, sua vontade será guiada corretamente; por isso, ser e agir conforme a própria vontade, iluminada pelo amor de Deus é

a garantia de que a liberdade de ação será justa, ou seja, ética.

Desse modo, para Agostinho, a liberdade humana

é a própria da vontade, e não da razão. E é nisso

que reside a fonte do pecado. O indivíduo peca porque usa de sua vontade para satisfazer a sua

própria vontade, mesmo sabendo que tal atitude

é pecaminosa.

QUESTÃO DOS UNIVERSAIS

A questão ou problema dos Universais, também conhecida como querela dos universais trata, especialmente no período da escolástica, a relação existente entre as coisas e as palavras, e se caracteriza como um momento na reflexão filosófica sobre a existência ou não de conceitos universais.

Duas soluções opostas foram dadas pelos filósofos da Idade Média sobre a questão dos universais:

Realista: de Santo Anselmo e Guilherme de Champeaux, afirma que: os universais existem como natureza comum real, e os indivíduos

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diferem apenas em seus acidentes e não em sua substância (essência, universalidade comum). Assim, o realismo representa a opinião de que o mundo exterior é tal qual o compreendemos, por meio de nossos conceitos (universais), ou seja, considera que os universais são entidades que existem por si e separados das coisas exteriores. De certa forma, o realismo deriva da doutrina de Platão.

Nominalista: de Roscelino e de Guilherme de Ockham, que afirma uma posição diametralmente oposta ao realismo, defendendo a tese de que a realidade é constituída pelos indivíduos singulares, não sendo o universal mais do que uma simples emissão de voz humana (flatus vocis), meros nomes. Desse modo, Os nominalistas defendem a ideia de que os universais não existem independentemente das coisas, os universais são apenas palavras sem existência real, ou apenas conceitos produzidos pela razão para referir-se a elas, ou seja, consideram nossos conceitos como ficções úteis que nos permitem uma compreensão da realidade sem nos dar certeza de como ela é realmente.

Ainda há a posição do Conceitualismo de Pedro Abelardo (também se chama conceitualismo de realismo moderado) que defende que os Universais não são entidades metafísicas, nem meros nomes, e sim discursos mentais (existência simbólica na mente e existência concreta nas coisas). Assim, para o Conceitualismo só existem as realidades singulares, no entanto é possível que se busquem as semelhanças entre os seres individuais, através de abstração, de tal maneira a gerar os conceitos universais. Por isso, a posição de Pedro Abelardo diferencia-se do realismo, pois nega que os universais sejam entidades metafísicas (tese defendida pelo realismo), mas não se identifica com o nominalismo, pois para Abelardo os universais existem como entidades mentais, que fazem a mediação entre o mundo do pensamento e o mundo do ser, portanto, não

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podem ser apenas palavras, como pregavam os nominalistas.

SÃO TOMAS DE AQUINO

Tomás de Aquino ao formular sua doutrina, foi

influenciado pela teoria de Aristóteles. O filósofo

é considerado um dos principais representantes

da Filosofia escolástica: filosofia nas escolas medievais, surgimento do debate da conciliação entre fé e razão.

O conhecimento é resultado da conciliação entre

fé e razão. Desse modo, o trabalho da razão humana é compatível com a crença nos dogmas de fé: filosofia e teologia são ciências distintas, porém não excludentes. Assim, fé e razão não se contradizem. A fé, portanto, melhora a razão assim como a teologia melhora a filosofia. Fé e razão são conciliáveis, estando em um mesmo patamar. Em alguns casos a fé pode ultrapassar a razão, pois Tomás de Aquino trabalha para conciliar a filosofia de Aristóteles com a religião cristã, embora mantenha a supremacia da fé em relação à razão.

O conhecimento está na experiência, mas a razão

recebe os dados da experiência e registra-os. Assim nota-se o caráter abstrativo do conhecimento tomista, que consiste em abstrair do objeto a espécie inteligível: abstrair o universal do particular, a espécie inteligível das imagens singulares.

Nota-se a influência da teoria da abstração aristotélica na doutrina de Tomás de Aquino: a razão tem como ponto de partida a realidade sensível, pois cada ente (substância individual) traz a sua forma inteligível, que é a forma da espécie.

Desse modo, o conhecimento começa pela experiência sensível até a apreensão de formas abstratas pelo intelecto.

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O conhecimento humano parte sempre dos

sentidos, que revelam objetos concretos e singulares: mas, através da abstração, é capaz de finalmente forjar conceitos universais. Exemplo:

deste gato concreto e singular que inicio conhecendo pelos sentidos, sou capaz de abstrair e forjar o seu conceito universal: felino.

Intelecto agente é a faculdade que anima o conhecimento sensível para captar a essência que está no objeto (abstração);

Intelecto passivo recebe esse conhecimento e o apreende pelos conceitos, fixa o conhecimento ativado pela intelecção ativa que entende a essência, e o faz pelo raciocínio, pelo julgamento, pela elaboração do saber filosófico.

Tomás de Aquino formula chamadas “provas” da existência de Deus, partindo dos dados sensíveis

e procurando ultrapassá-los pelo esforço de abstração, culminando na Metafísica.

AS 5 PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS:

1) Pelo movimento/Primeiro Motor Imóvel: tudo aquilo que se move é movido por outro ser. Por sua vez, este outro ser, necessita também que seja movido por outro ser. E assim sucessivamente. Se não houvesse um primeiro ser movente cairíamos num processo indefinido. Assim, é necessário chegar a um primeiro ser movente que não seja movido por nenhum outro. Esse ser é Deus.

2) Causa eficiente: todas as coisas existentes no mundo não possuem em si próprias as causas eficientes de sua existência. Assim, é necessário admitir a existência de uma primeira causa eficiente, responsável pela sucessão dos efeitos. Essa causa primeira é Deus.

3) Ser necessário, ser contingente: Todo ser contingente, do mesmo modo que existe, pode deixar de existir (nós, humanos). É preciso admitir

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um ser que sempre existiu e sempre irá existir, um ser absolutamente necessário, que não tenha fora de si a causa de sua existência, mas ao contrário, seja a causa da necessidade de todos os seres contingentes. O ser necessário é Deus que é onisciente, onipotente e onipresente.

4) Graus de Perfeição: Em relação à qualidade de todas as coisas existentes, pode-se afirmar a existência de graus diversos de perfeição. Devemos então, admitir que existe um ser com o máximo de bondade, de beleza, de poder, de verdade, sendo portanto, um ser máximo e pleno. Esse ser é Deus.

5) Finalidade do ser/Pela finalidade, pela ordem e governo do mundo: todas as coisas brutas, que não possuem inteligência própria, existem na natureza cumprindo uma função, um objetivo, uma finalidade, semelhante a flecha dirigida pelo arqueiro. Devemos admitir então que existe algum ser inteligente que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Esse ser é Deus.

Segundo Aquino, Deus cria e regula a ordem do mundo. Essa ordem divina é chamada de providência, e todas as coisas e seres estão sujeitos a ela. Deus ao estabelecer essa ordem, encaminha todas as coisas a si, o bem supremo.

Assim, em virtude da providência, o homem é encaminhado para a beautitude, porém escolhe seus próprios caminhos. A faculdade de escolha é o livre-arbítrio, e os homens dele se utilizam para as decisões que tomam em suas vidas. Por isso, o mal para Aquino é a ausência do bem, e o homem que pratica o mal é porque deixou de praticar o bem em sua perfeição.

Por isso, segundo Aquino, o homem, por ter em sua natureza a providência divina e saber diferenciar o bem de suas imperfeições, deve corrigir a culpa, e seus pecados, nas escolhas que tiver de fazer.

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FILOSOFIA MODERNA RENÉ DESCARTES

Descartes é considerado um dos pais da filosofia moderna, pois sua filosofia e originalidade sintetizam o espírito do século XVII. Ele pauta seus estudos no Racionalismo.

Para obter o conhecimento o indivíduo primeiro necessita DUVIDAR DE TUDO. Assim, é a partir da dúvida começa a construção do conhecimento. O objetivo da dúvida cartesiana é encontrar uma primeira verdade impondo-se com absoluta certeza.

Para começar a descobrir a verdade, o indivíduo precisa colocar todos os juízos em suspensão. Não atingiremos a verdade se, antes, não pusermos todas as coisas em dúvida.

Nas Meditações metafísicas Descartes apresenta uma série de argumentos demonstrando a importância de pôr à prova todas as certezas aparentes que vão metódica e progressivamente destruindo as falsas certezas. São falsas todas as coisas das quais nós podemos duvidar.

A Dúvida em Descartes, tem três características fundamentais, ela é:

Metódica: A dúvida é metódica pois é metodicamente necessário pôr tudo em dúvida. Assim, a dúvida é um caminho para se buscar a primeira verdade indubitável.

Hiperbólica:

A

dúvida é

hiperbólica

porque

é

exagerada,

chegando

a

extremos

de

generalização (radical).

Provisória: Por fim, a dúvida é provisória, pois ela termina, no momento em que se chega a primeira verdade indubitável, que é o cogito, ergo sum.

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Descartes coloca tudo em dúvida, até que se chegue a uma certeza da qual não se pode duvidar. Assim começa a dúvida em Descartes.

Argumentos da dúvida metódica:

O filosofo começa por colocar em dúvida tudo

aquilo que nos é dado pelos sentidos: pois esses, por vezes nos enganam;

Depois destrói também as certezas mais difíceis de serem postas em dúvida, ter algo, estar em determinado lugar, pois podemos estar sonhando. Quantas vezes não tivemos um sonho tão vívido que nos parecia real?

certezas

matemáticas, Descartes supõe a existência de um Deus enganador.

Em

seguida

para

destruir

as

Para reforçar o argumento do Deus enganador, imagina a existência de um gênio maligno, que se diverte em enganar as pessoas.

Após todo esse mergulho, em diversas dúvidas, Descartes tem uma intuição: Ele nota com clareza que duvida, e se duvida, ele pensa. Assim, não importa se o que ele pensa é um pensamento verdadeiro, não importa que ele não tenha certeza; existe, porém, a consciência de que pensa. E uma coisa que pensa, existe, pelo menos enquanto pensa.

A partir daí ele terá acesso a primeira verdade indubitável: “COGITO, ERGO SUM”.

Aqui está o racionalismo de Descartes: ele funda sua primeira certeza somente na razão.

O homem é pensamento, daí a primeira certeza,

do ponto fixo procurado, momento fundamental da reflexão cartesiana.

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Assim, tem-se a primeira verdade, ou certeza encontrada por Descartes, “O Penso, logo existo., ou cogito, ergo sum. Desse modo, o cogito cartesiano é a primeira verdade indubitável e fundamenta as outras duas verdades: Deus e a matemática.

A segunda verdade indubitável a que Descartes

chega é a da existência de Deus (argumento

ontológico). Isso significa que Deus existe, pois se não existisse não poderia causar a ideia de perfeição que existe em cada um de nós. Por isso, para o filósofo a ideia de Deus só pode ser inata, pois ela nasceu com os indivíduos e produzida

por ele desde o momento em que ele foi criado.

A terceira verdade indubitável é a do Raciocínio

lógico-matemático, ou seja, a essência geométrica do mundo material. Dessa maneira, quando se chega a primeira verdade indubitável a dúvida termina, por isso, Descartes não pode ser considerado um filósofo cético, pois sua dúvida

não é permanente.

Para Descartes, o conhecimento sensível (isto é, sensação, percepção, imaginação, memória e linguagem) é a causa do erro e deve ser afastado.

O conhecimento verdadeiro é puramente

intelectual, parte das ideias inatas e controla (por

meio de regras) as investigações filosóficas, científicas e técnicas.

AS IDEIAS EM DESCARTES

De acordo com Descartes nós possuímos três

tipos de ideias que se diferenciam por sua origem e qualidade:

Adventícias: originam de nossas sensações, lembranças; ideias que nos vêm da experiência. Podem ser verdadeiras ou falsas. Descartes denomina as ideias adventícias como obscuras, pois dependem da experiência. São aquelas que se originam de nossas sensações, percepções, lembranças; são as idéias que nos vêm por

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termos tido a experiência sensorial ou sensível das coisas a que se referem. Por exemplo, andando à noite por uma floresta, vejo fantasmas. Quando raia o dia, descubro que eram galhos retorcidos de árvores que se mexiam sob o vento. Olho para o céu e vejo, pequeno, o Sol. Acredito, então, que é menor do que a Terra, até que os astrônomos provem racionalmente que ele é muito maior do que ela.

Fictícias: aquelas que criamos em nossa fantasia e imaginação. Essas ideias nunca são verdadeiras, pois não correspondem a nada que exista realmente e sabemos que foram inventadas por nós, mesmo quando as recebemos já prontas de outros que as inventaram. São aquelas que criamos em nossa fantasia e imaginação, compondo seres inexistentes com pedaços ou partes de ideias adventícias que estão em nossa memória. Por exemplo, cavalo alado, fadas, elfos, duendes, dragões, Super-Homem, etc. São as fabulações das artes, da literatura, dos contos infantis.

Inatas: inteiramente racionais e só podem existir porque já nascemos elas, por isso, são ideias sempre verdadeiras. As ideias inatas são resultado exclusivo da capacidade pensar e, portanto, independentes da experiência sensível. Elas são a assinatura do Criador nas criaturas; assim, a razão é a luz natural inata que nos permite conhecer a verdade.

No Discurso sobre o Método, Descartes afirma a igualdade, de direito, do bom senso ou razão:

todos nós possuímos a razão, ou seja, essa capacidade de bem julgar e de discernir o verdadeiro do falso.

Nem todos os homens utilizam corretamente sua razão segundo a filosofia de Descartes. Daí a necessidade de um método, quer dizer, um “caminho seguro para bem conduzir a razão à verdade nas ciências”.

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Daí as quatro regras do método formuladas pelo filósofo:

Evidência: jamais admitir coisa alguma como verdadeira se não a reconheço evidentemente como tal; isto é, evitar cuidadosamente a precipitação (pressa excessiva) e prevenção (opiniões) e de nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão clara e tão distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida. Ideias claras e distintas são o mesmo que ideias evidentes.

Análise: dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis

e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las.

Síntese: conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais

fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre

os que não se precedem naturalmente uns aos outros.

Enumeração, Revisão, Verificação: fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que se tenha a certeza de nada omitir.

Para Descartes, uma ideia clara e distinta é aquela que pode ser apreendida em sua totalidade pelo espírito atento e que não pode ser confundida com nenhuma outra. Assim, uma ideia clara e distinta é o mesmo que uma ideia evidente.

Concepção dualista da realidade em Descartes:

separação da realidade material e da realidade espiritual. Assim, para o filósofo, mente e corpo são coisas separadas e distintas. Assim, existe, além da Res Cogitans (Coisa pensante) a Res Extensa: (Coisa extensa). Isso significa que o conhecimento certo e seguro do mundo externo será possível apenas no que diz respeito a essas

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propriedades quantitativas, geométricas, matemáticas, as únicas que podem ser conhecidas pela razão.

Desse modo, para o filósofo, o Universo propriamente sensível, por sua incerteza, isto é, por não garantir a consciência a certeza das ideias claras e distintas, não poderá ser objeto de conhecimento.

DAVID HUME

David Hume defende uma filosofia empirista, na qual não existem ideias inatas. Assim, para o filósofo, as ideias vão se formando na mente humana ao longo da vida, por isso, os indivíduos nascem uma “folha de papel em branco” e formam suas ideias a partir da experiência.

Os empiristas pretenderam dar uma explicação do conhecimento a partir da experiência, eliminando assim a noção de ideia inata, considerada obscura e problemática.

Para Hume, os materiais da mente, ou conteúdo da consciência constituem as chamadas percepções.

As percepções se dividem em:

Impressões: são as percepções mais vivas, como aquelas que se tem quando se “ouve, vê, sente, ama, deseja”. As impressões, por sua vez, se subdividem em duas espécies:

1) impressões de sensação, que nascem na alma originariamente, de causas desconhecidas;

2) impressões de reflexões, que derivam em grande parte das ideias.

Ideias ou pensamentos: são as percepções mais fracas que as impressões, pois são cópias destas, e ocorrem quando recordamos, imaginamos,

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refletimos. Imagens enfraquecidas que a memória apresenta das impressões.

Desse modo tem-se que:

IMPRESSÃO: Sempre forte e Vívida

X

IDEIA: Sempre fraca e menos Vívida

A Ideia, portanto, é uma lembrança de uma

experiência, ou seja, uma impressão já vivida por cada um de nós.

O conhecimento se origina nas impressões, pois a validade das ideias é determinada a partir das impressões que lhes deram origem. Assim, não existem ideias inatas.

Desse modo, compreende-se a anterioridade das impressões em relação às ideias. As ideias nada mais são do que hábitos mentais de associação de impressões semelhantes ou impressões sucessivas.

TIPOS DE IDEIAS

Ideia Simples: Formada por meio da sensação e

da reflexão. Exemplo: branco, frio, duro.

Ideia Complexa: Composição de ideias simples.

As ideias formadas a partir de um repertório de

impressões que se encontram disponíveis em nossa memória. Exemplo: Cubo de gelo, onde para conhece-la, são necessárias as ideias simples

de frio, duro, branco.

ASSOCIAÇÕES DE IDEIAS

Os processos cognitivos do entendimento ocorrem quando a mente reúne, junta, conecta mais de uma ideia, simples ou complexa.

Assim, há três tipos de associação das ideias na mente: semelhança, contiguidade e causa e

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efeito. Sendo esses os recursos que a mente possui para produzir conteúdo cognoscitivo.

TIPOS DE ASSOCIAÇÕES DE IDEIAS

Semelhança: Quando uma pessoa vê um retrato

e pensa no que está retratado.

Contiguidade: A ideia de neve faz pensar em branco, a ideia de verde faz pensar em grama, pois neve e branco, grama e verde, são ideias próximas ou contiguas.

Causa e efeito: Ideia de ferimento faz pensar na ideia de dor, como uma relação de causa (ferimento) e efeito (dor).

Deus: Ideia complexa que a mente criou a partir de associações de ideias de inteligência, sabedoria e bondade.

A partir dos pressupostos do empirismo de

Hume, é possível entender que é impossível se construir a priori o conceito de causalidade, visto que a ideia de causa e efeito, segundo esse

filósofo é decorrente do hábito. Por isso, o hábito é o recurso cognoscitivo para explicar a relação

de causa e efeito.

Portanto, segundo Hume, todo o conhecimento

se encontra na experiência, nos sentidos. E assim

sendo, todo conhecimento é probabilidade todo conhecimento é relativo, pois não existe conhecimento absoluto e necessário a partir dos fenômenos sensíveis, pois nenhuma ideia possui esse grau de universalidade. Sendo assim, a crença e o hábito, fundamento do conhecimento.

Com David Hume, tem-se a crise da metafisica, que em sua teoria se torna praticamente impossível. Assim, substância, essência, causa, efeito e todos os outros conceitos da metafísica não correspondem a seres, mas apenas nomes gerais que o sujeito nomeia e indica seus próprios hábitos associativos.

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David Hume, o mais radical dos empiristas, chegará a negar a validade universal ao princípio de causalidade e à noção de necessidade a ele associada. A causalidade não seria, assim, uma propriedade real, mas simplesmente o resultado de nossa forma habitual de perceber fenômenos, relacionando-os como causa e efeito, a partir de sua repetição constante.

Para Hume causa e efeito não se fundamentam na razão; causa e efeito se explicam pelo hábito, na observação sensível, pela experiência de eventos, acontecimentos, sucessivos, repetidos que nos leva a inferir a existência de um objeto (efeito), pelo aparecimento de outro (causa). O hábito de ver se repetindo o acontecimento me dá a crença que irá se repetir sempre.

Desta forma, as causas primeiras dos acontecimentos permanecem inatingíveis, o que acaba por implicar um ceticismo considerando que inclusive a Ciência da Natureza estaria definitivamente limitada à mera probabilidade.

Hume critica a causalidade, pois, nem toda causa sempre trará o mesmo efeito. A causa e efeito não é uma lei natural, mas sim produto do hábito. A causalidade não existe como lei da natureza, assim é o HÁBITO que faz com que acreditemos que a mesma causa trará o mesmo efeito. Desse modo, a crença (advinda do hábito) é a única hipótese para o estabelecimento de leis gerais sobre o mundo.

As relações de fato estabelecidas pela mente não se baseiam em nenhum princípio racional, mas apenas na experiência.

Hume afirmou que a conclusão indutiva, por maior que seja o número de percepções repetidas do mesmo fato, não possui fundamento lógico. Será sempre um salto do raciocínio impulsionado pela crença ou hábito seguinte: as repetidas percepções de um fato nos levam a

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confiar em que aquilo que se repetiu até hoje irá repetir amanhã.

Desse modo, a ciência, que se constitui de afirmações fundamentadas em relação a fatos, não tem bases racionais. São a crença e o hábito que fundamentam as leis “imutáveis” da natureza.

Hume considerava-se cético moderado. Com efeito, em sua opinião, o ceticismo moderado "pode beneficiar o gênero humano", visto que consiste na "limitação de nossas investigações aos temas que melhor se adaptam as limitadas capacidades do intelecto humano".

IMMANUEL KANT

A filosofia Kantiana tem como fundamento inicial

resolver o embate entre o racionalismo de Descartes e o empirismo de David Hume, daí Kant formula o CRITICISMO.

Kant em sua filosofia pretende conciliar o uso da razão e dos sentidos. Assim, partiu da crença de que tanto a razão quanto os sentidos são determinantes no processo de conhecimento das coisas e, por isso, não adotou nem o racionalismo, nem o empirismo.

Para estudar o conhecimento Kant propõe uma nova forma de pensar o sujeito do conhecimento,

o Sujeito Cognoscente (Razão).

Kant propõe, para formular sua filosofia uma Revolução Copernicana na filosofia. A revolução consiste em, ao invés de admitir que a faculdade de conhecer se regula pelos objetos, pela realidade objetiva, admite-se o contrário, é a faculdade de conhecer da razão regula os objetos.

Veja-se ilustração que remete a inversão proposta por Kant, com a revolução copernicana na filosofia.

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Assim, o Sujeito é conhecedor, ou seja, é cognoscente. Já o Objeto do conhecimento é

Assim, o Sujeito é conhecedor, ou seja, é cognoscente. Já o Objeto do conhecimento é cognoscível. Desse modo, a Revolução Copernicana no pensamento kantiano é uma nova concepção da relação entre sujeito e objeto no uso teórico da razão.

Assim, os objetos para Kant se regulam pelo nosso conhecimento. Isso quer dizer que, quando, por exemplo, vemos um objeto qualquer, a imagem que se forma em nossa mente não é determinada por esse objeto, e sim ao contrário: nós, por meio do nosso modo próprio de perceber as coisas, é que determinamos e formamos essa imagem.

Para Kant, o processo de construção do conhecimento é constituído de Sensibilidade e Entendimento. Assim, o sujeito possui certas faculdades que possibilitam e determinam a experiência e o conhecimento.

A sensibilidade é composta por espaço e tempo. Espaço e tempo são condições a priori de possibilidade da experiência sensível ou intuição empírica. Em outras palavras, tempo e espaço não são abstrações ou algo que existe fora de nós, são formas que o sujeito põe nas coisas, ou seja, ferramentas inatas e necessárias ao homem para que possa construir toda a sua experiência do mundo.

Assim, para conhecer as coisas, precisamos ter delas uma experiência sensível, mas essa experiência não será dada se não for organizada por formas da nossa sensibilidade, as quais são a priori, ou seja, anteriores a qualquer experiência

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e condição da própria existência. Para conhecer

as coisas, temos de organiza-las a partir das formas a priori do tempo e espaço.

Vale lembrar que não pode se confundir as

ferramentas da sensibilidade a priori com a posse

de conteúdos inatos, visto que o conhecimento é

produzido pelo intelecto em conjunto com a experiência.

O entendimento ou faculdade de pensar é

responsável por unificar as múltiplas

representações que aparecem na sensibilidade. Assim, todo juízo é uma síntese efetuada pelo entendimento. Dentro do entendimento temos

as categorias (Quantidade, Qualidade, Relação e Modalidade) e conceitos.

(Quantidade, Qualidade, Relação e Modalidade) e conceitos. Portanto, as formas de conhecimento para Kant são duas:

Portanto, as formas de conhecimento para Kant

são duas: o empírico (da experiência sensível) ou

a posteriori, fornecidos pela experiência sensível e o puro ou a priori que não depende de qualquer experiência sensível.

O filósofo afirma que o conhecimento humano é

constituído de matéria e forma. A matéria dos nossos conhecimentos é dada pelos objetos (empírico) e a forma é fornecida por nós mesmos (puro). Assim, para conhecer as coisas, temos de organizá-las a partir das formas a priori da sensibilidade, o tempo e o espaço, como também aplicá-las às formas a priori do entendimento, às categorias ou conceitos puros.

Para Kant, se projetamos sobre a natureza as nossas formas próprias de conhecer, o conhecimento do mundo se restringe, pois nunca poderemos conhecer como o mundo é em si, mas

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apenas como ele aparece para nós. Assim, Kant contribui com os conceitos de “coisa em si” e “coisa para nós”. Daí Kant distingue as duas modalidades de realidade.

Fenômeno (coisa para nós): Tudo que conhecemos do mundo, aquilo que já aparece para nós filtrado pelas formas da sensibilidade. Assim o fenômeno é aquilo que de modo algum pode encontrar-se no objeto em si mesmo, mas sempre na sua relação com o sujeito, sendo inseparável da representação do primeiro. (Exemplo: Nós, seres humanos, os animais, ou seja, tudo o que pode ser conhecido).

Coisa em si (nôumeno): Pode ser pensado, mas não pode ser conhecido. Não é dado nem a sensibilidade, nem ao entendimento, mas é afirmado pela razão sem base na sensibilidade e no entendimento. Não pode ser percebida pela razão humana porque ultrapassa a experiência possível. (Exemplo: Deus, Infinito, pois nos falta a experiência para que possamos afirmar ou não sua existência).

JUÍZOS

PREDICADO

EM

KANT

RELAÇÃO

DE

SUJEITO

E

Conhecer é formular juízos, e tem que constar de afirmações universais. Todo juízo traz consigo uma afirmação ou uma negação acerca de um objeto.

Juízo Analítico (a priori): É aquele no qual o sujeito contém o predicado. Esses juízos fundamentam-se no princípio de identidade: são universais, válidos, em qualquer tempo e lugar (necessários). São juízos a priori, pois independem da experiência. Porém esses juízos não ampliativos, pois o predicado apenas explicita e explica o conteúdo do sujeito.

mais

importante por dois motivos: a) é universal e necessário e não está limitado a experiência; e b)

Juízo

Sintético

(a

priori):

É

o

juízo

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seu predicado acrescenta novas informações aos sujeitos possibilitando uma ampliação do conhecimento. Esse juízo é o instrumental para a operação da Ciência: reúnem em si características básicas dos juízos analíticos e sintéticos. Estão fundamentados na intuição do sujeito, e ao mesmo tempo que podem ser comprovados pela experiência.

Juízo Sintético (a posteriori): Estão ligados a experiência. Esses juízos fundamentam-se na experiência, por isso não são universais e nem necessários, mas particulares e contingentes.

IDEALISMO TRANSCENDENTAL

Transcendental é todo conhecimento que se ocupa não propriamente com objetos, mas, em geral, com a nossa maneira de conhecer objetos, enquanto esta deva ser possível a priori.

Assim, todos nós, como sujeitos do conhecimento, trazemos formas e conceitos a priori (que não necessitam da experiência) para a experiência do mundo.

Vale lembrar que o transcendental corresponde ao conhecimento das formas que antecedem a experiência, que não se confunde com o transcendente que é conhecimento dos objetos que estão fora do domínio da experiência. Assim, a filosofia kantiana se pauta no conhecimento transcendental e não pelo conhecimento transcendente.

FILOSOFIA POLÍTICA MAQUIAVEL

Maquiavel é um marco na história da filosofia política moderna, por desvincular o Estado dos imperativos da religião (propõe assim um Estado Laico), e também dos imperativos da metafísica. Assim, a filosofia de Maquiavel é considerada amoral no sentido de que não se vincula a ideia de moral posta pela igreja, visto que o príncipe

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não está vinculado a ideia de bem ou mal. Isso não significa que não possa haver uma moral própria da ação política.

Maquiavel é um teórico da política, sendo sua obra mais importante “O Príncipe”. É nela que ele vai demonstrar o que um governante deve fazer para conquistar o poder e se manter no governo. Assim, o filósofo se preocupa em saber como os governantes governam de fato, quais os limites do uso da força e da violência para conquistar e conservar o poder, como se ter um governo estável. Assim, para Maquiavel o que importa para o príncipe é MANTER-SE NO GOVERNO.

Um aspecto inovador na política de Maquiavel é que ele ressalta o aspecto agonístico (luta, conflito) da realidade. Para o filósofo o conflito é inerente a atividade humana. Assim, trata-se do reconhecimento de que a política se faz com base em interesses divergentes, em contínuo movimento. Daí a necessidade de ordem, única condição capaz de trazer o bem comum.

O Príncipe deve ter ao mesmo tempo o amor e o temor de seus súditos, pois para o filósofo é importante ser amado e temido. Porém se tiver que escolher entre um dos dois, “É melhor ser temido do que amado”, visto que o temor faz com que o príncipe tenha ações imprevisíveis. Já se for amado, seus súditos conheceram seus pontos fracos e poderão retirá-lo do poder.

Para que o Príncipe se mantenha no governo, ele deve saber se adaptar as situações, ou seja, a realidade concreta. Assim, ele não precisa ser bom sempre, mas os súditos devem lhe devotar confiança. A virtú do príncipe não deve ser a mesma do cristianismo, a qual prega a resignação, a humidade, o perdão aos inimigos. Porém o príncipe deve parecer ter tais virtudes, mas de modo algum, deve de fato, empregá-las.

Desse

Maquiavel não é um governo ideal, ou ainda

que Maquiavel defende

modo,

o

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governantes ideais, mas sim um governo que saiba se adequar a realidade concreta, um governo real, sem qualquer concepção idealizada de política como propunham a religião e a política clássica. Assim, a política tem o objetivo a manutenção do poder.

O governante deve lutar com todas as armas para manter-se no poder. A qualidade exigida do príncipe que deseja se manter no poder é sobretudo a sabedoria de agir conforme as circunstâncias. Sendo capaz de aparentar possuir as qualidades valorizadas pelos governados. Assim, a ação política boa consistirá naquela que consiga atingir, não importa como, os resultados almejados na busca do bem comum.

VIRTÚ E FORTUNA

Virtú: significa virtude, na expressão grega de força, valor, qualidade de lutador e guerreiro viril. Vale lembrar que não se refere ao príncipe bom e justo no sentido empregado pelos cristãos. Os homens de virtú são aqueles que tem a capacidade de perceber o jogo de forças que lhe impõe a política e agir com energia para conquistar e manter o poder. Assim, a virtude maquiavélica se mostrará contundente e revela a prudência do observador atento.

Fortuna: Para o pensamento antigo clássico a fortuna é uma deusa mulher. Como se trata de uma deusa e mulher, para atrair suas graças era necessário mostrar-se “vil”, um homem de verdadeira virilidade, inquestionável coragem. Assim, a fortuna, entendida como ocasião, o príncipe deve sempre estar atendo ao curso da história aguardando a ocasião propícia aproveitando o acaso ou as circunstâncias.

Maquiavel procurará demonstrar a possibilidade da virtù conquistar a fortuna. O Príncipe de virtude é aquele que aproveita a ocasião que a Fortuna lhe põe ao alcance, mas que sabe esperar quando a situação lhe é desfavorável, ou ainda

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converte a situação desfavorável ao seu favor para manter o seu poder.

A VERDADE EFETIVA DAS COISAS

favor para manter o seu poder. A VERDADE EFETIVA DAS COISAS Cuidado: a fortuna, é chamada

Cuidado: a fortuna, é chamada de sorte, mas necessário que o príncipe saiba quando agir, não se deixando levar pelo mero oportunismo. Assim,

a virtú não deve existir sem a fortuna para aquele

príncipe que visa manter-se no poder. Por isso, o

mais importante para o príncipe é que ele saiba se adaptar as condições impostas pela fortuna.

Desse modo, governante deve fazer o que for mais conveniente para que se mantenha no poder a cada momento em que seja importante para que ele o mantenha. O príncipe é um homem de virtú que deve voltar seu ânimo para a

direção que a fortuna o impelir, pois a conquista

e a conservação do poder podem implicar ações

más. Assim, não se tem uma decisão moral, mas sim decisões que atendem a lógica do poder. Por isso que:

decisões que atendem a lógica do poder. Por isso que: Vale lembrar que essa frase não

Vale lembrar que essa frase não pertence ao filósofo Maquiavel, mas se adequa perfeitamente a lógica do poder proposta pelo filósofo conforme acima demonstrado. Desse modo, a Força e a Violência só podem ser utilizadas se NECESSÁRIO para que se mantenha o governo, não podem ser utilizadas a qualquer custo e em todos os casos.

OBS:

Maquiavel

não

é

um

teórico

do

Absolutismo, o

que

ele

defende

é

uma

centralização

do

poder.

No

seu

livro

“Comentários sobre a primeira década de Tito

Lívio”

Assim, a interpretação que prevalece é que “O

republicano.

Maquiavel

se

apresenta

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príncipe” representaria uma primeira etapa da ação política para se justificar o poder para a conquista da estabilidade. Atingido esse fim, surgiria uma segunda etapa, em que seria possível se instalar um governo republicano.

O uso do termo “maquiavélico” que passou a designar um comportamento “desleal”, “sem moral”, ou ainda “mau” por causa da franqueza que o filósofo trata a realidade concreta. Na verdade, o que deve ser analisado é que o pensamento desse filósofo inaugura um novo patamar de reflexão política, o que é o grande mérito de Maquiavel, compreender a política como se dá realmente e não como pregava a moral tradicional e a religião, constituindo assim uma esfera autônoma.

FILOSOFIA CONTRATUALISTA

Os Filósofos contratualistas são aqueles que partem da análise do homem em um estado de natureza (anterior a sociabilidade, pré-social), para ingresso na sociedade civil, através de um pacto artificial, ou seja, um contrato social.

O direito de natureza, a que os autores

geralmente chamam jus naturale, é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio

poder, da maneira que quiser, para a preservação

de sua própria natureza, ou seja, de sua vida: e

consequentemente, de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento e razão lhe indiquem como meios adequados a esse fim e é isso que faz com que eles deixem esse estado, para conviverem

em sociedade.

A partir da tendência de secularização do

pensamento político, os filósofos do século XVII

estão preocupados em justificar racionalmente e legitimar o poder do Estado sem recorrer à intervenção divina ou a qualquer explicação religiosa. Daí a preocupação com a origem do Estado de Hobbes, Locke e Rousseau.

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27 FILOSOFIA DA HISTÓRIA HEGEL Para Hegel, o real é uma totalidade em movimento. A realidade

FILOSOFIA DA HISTÓRIA HEGEL

Para Hegel, o real é uma totalidade em movimento. A realidade passa de um estado a outro e só é o que é no final do processo. A verdade é movimento dialético em sua totalidade, e o todo real, resultado do seu vir-a- ser (devir), daí a influência do pensamento do filósofo Heráclito de Éfeso que defendia a eterna luta dos contrários.

Para o filósofo, o que chamamos realidade, a totalidade de nossas experiências têm uma coerência e um sentido. Porque a realidade é racional o pensamento é capaz de encadeá-la entre os elos de sua dialética. A realidade é o que nós podemos e devemos pensar, porque em si mesma é pensável, porque tem em si mesma uma estrutura e sentido. A dialética tem por

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missão descobrir e fazer patente essa profunda racionalidade do real.

Segundo Hegel, “o real é racional, o racional é real”, visto que todas as coisas existentes, mesmo as piores, fazem parte de um plano racional, e que portanto, tem sentido dentro do processo histórico. Essa afirmação de Hegel sofre diversas críticas pois leva a um certo conformismo ou passividade diante das injustiças sociais.

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pois cada momento final, que seria a síntese, se torna a tese de um movimento posterior.

OS ESPÍRITOS EM HEGEL

O verdadeiro protagonista da história é o Espírito (Razão/Ideia) e o fim que o move é a conquista da liberdade. A história é processo de desenvolvimento da liberdade. O que está em jogo nela é o progresso do homem na consciência

 

de

sua liberdade.

Para Hegel, o motor do movimento dialético é a negação ou contradição, é “a alma dialética que

O

espírito para realizar o seu fim utiliza como

contém em si mesma todo o verdadeiro”. O

meio os pequenos interesses, necessidades e

espírito (razão/ideia) não é esta potência ou força

paixões humanas que surgem a cada passo no

como o positivo que se separa do negativo, como quando dizemos de alguma coisa não é =nada ou é falsa e tendo afirmado isso, passamos imediatamente a outra coisa que seja seu contrário ou negação. A morte é ao mesmo tempo fim e começo de vida. O animal predador tira da morte (negação da vida) de outro a sua

cenário da história. Mas, como pode o espírito com essa massa enorme de interesses e paixões individuais, numa palavra: egoísmo, realizar o fim universal da história? A razão/Espírito faz com que o interesse particular da paixão sirva de instrumento a realização do interesse universal. Assim, a história é o desdobramento do espírito

vida. Esta permanência no negativo (negação/contradição) é então a força mágica que faz com o negativo = não-ser (morte), retorne ao ser/é (vida).

no

tempo.

Os grandes indivíduos e personagens históricos tais como Alexandre, César e Napoleão Bonaparte, não tinham consciência de que os fins particulares que perseguiam eram momentos

O conceito em Hegel se refere ao processo de raciocínio, ao movimento completo de reflexão.

do

fim universal da Razão.

A negação/contradição é o motor do movimento dialético da vida do Espírito (razão/ideia), e não a luta de classes que move a história, como propõe a teoria de Karl Marx.

Os três momentos da dialética:

Afirmação (Tese) Ex.: o botão (de uma flor)

Negação (Antítese) Ex.: a flor

Negação da Negação (Síntese/ Superação) Ex. o fruto.

Hegel concebe assim um movimento em espiral, ou seja, um movimento circular que não se fecha,

Exemplo: Napoleão era para Hegel a encarnação da Razão na histórica dos ideais da revolução francesa e do mundo moderno, visto que “O indivíduo perece, mas a ideia se salva”.

Com relação a natureza desse espírito Hegel reconhece três momentos:

Espirito Subjetivo: se refere ao indivíduo e a consciência individual.

Espírito Objetivo: se refere as instituições e costumes historicamente produzidos pelo homem.

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Espírito Absoluto: se manifesta na arte, na religião e na filosofia, como espírito que compreende a si mesmo.

O ESTADO EM HEGEL

Para Hegel o Estado é o desenvolvimento concreto da ideia de Estado que conduz a História. Para Hegel a instituição que assegura a realização/efetivação do fim a que se dirige a história, a liberdade, é o Estado.

O Estado para o filósofo é o material com o qual

se constrói na história o fim último do espírito/ideia. É a realização (efetivação) da liberdade, da união da vontade universal do espírito/ideia e da vontade subjetiva (particular/individual) dos indivíduos.

Em sua dialética o pensamento se movimenta nos três momentos:

TESE: A meta da História universal é o progresso na consciência da liberdade.

ANTÍTESE: Os meios para alcançar o seu fim são

as paixões e o egoísmo dos indivíduos.

SÍNTESE: A união de ambos os momentos é a efetivação(realização) da liberdade no Estado.

é a efetivação(realização) da liberdade no Estado. Desse modo, o Estado é o único ente que

Desse modo, o Estado é o único ente que consegue superar os embates existentes entre os interesses públicos e os interesses privados e compatibilizá-los dentro do Estado. Assim é dentro do Estado que se tem a concretização da liberdade.

a

efetivação do fim a que se dirige a história é o

Para

Hegel,

a

instituição

que

assegura

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Estado. O Estado é o material com o qual se constrói na história o fim último do Espírito/Ideia.

O verdadeiro protagonista da história é o espírito

e o fim que o move é a conquista da liberdade.

A história é o processo de desenvolvimento da

liberdade e o que está em jogo é o progresso do homem na consciência dessa liberdade. Segundo Hegel, a sucessão dos vários estágios percebidos na história da humanidade são necessários, racionais e progressivos; são momentos da ideia, em sua marcha para a liberdade. Assim, o Estado

é a realização da liberdade, da união da vontade

universal do Espírito e da vontade subjetiva, particular, dos indivíduos. Por isso os grandes

personagens históricos, como Napoleão, César, também foram criadores de grandes Estados. A história universal se reconhece nos povos que formam um Estado. A realização da liberdade, por intermédio do Estado, também está presente na dialética hegeliana.

Hegel contrapõe ao conceito abstrato e subjetivo de liberdade, o conceito de liberdade concreta. De acordo com Hegel, a liberdade, em sua realidade concreta, significa mais do que a possibilidade de satisfazer os instintos, paixões e desejos. Por isso, a limitação dos instintos, tida como limitação da liberdade, só o é em certo sentido. Para Hegel, a astúcia da razão se vale dos instintos e desejos humanos para realizar fins universais. Hegel afirma inclusive que “sem paixão nada de grande foi realizado no mundo”.

A razão faz com que os pequenos interesses, necessidades e paixões humanas, que surgem a cada passo no cenário da história, sirvam de instrumento à realização do interesse universal. Seus instrumentos são os grandes indivíduos históricos, os homens cujo fim individual inclui o fim universal da Ideia, do Espírito. Tais homens históricos não tinham consciência de que seus fins particulares eram só momentos do fim universal. O indivíduo perece, mas a ideia se salva. Desta forma, os impedimentos para a

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liberdade, enquanto tal, são de fato a ausência da organização do Estado e da Sociedade, que representam a manifestação do Espírito; e a ausência, nos sujeitos, de uma necessidade de se libertarem do determinismo natural que os leva a identificar a liberdade apenas com a satisfação plena dos instintos. Hegel, no entanto, não defende a eliminação dos instintos, mas a sua purificação pela reflexão.

KARL MARX

Karl Marx apresenta uma nova possibilidade, uma concepção dialética da realidade social. Assim, para Marx, não é a consciência dos homens que determina o seu ser social, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência, assim, discorda do idealismo de Hegel e propõe o materialismo histórico e dialético que compreende a história real dos homens a partir das condições materiais em que eles vivem.

Desse modo, Marx critica o idealismo hegeliano.

A crítica começa pela concepção hegeliana da

história como uma sequencia racional de acontecimentos, que se desenvolve segundo uma

dialética interna.

Para Hegel, o sujeito da história não é o indivíduo, é o espírito absoluto, que toma consciência de si mesmo no decurso da história. Para Marx, o modo de pensar do homem é condicionado pela situação concreta. Dessa forma, o que impede o indivíduo de se realizar como ser humano não são suas representações inadequadas sobre o mundo, mas suas condições

de vida opressivas. À medida que essas condições

materiais mudarem, também o modo de pensar mudará.

É o caráter de exploração característico do modo de produção capitalista, que leva ao limite o antagonismo entre as classes sociais: burguesia e proletariado. Para esse filósofo existe um caráter contraditório existente entre o desenvolvimento

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de forças produtivas e a manutenção das relações

sociais de produção capitalistas.

Nas relações capitalistas de produção do período

contemporâneo, os indivíduos livres estabelecem uma relação mediada pelo mercado: aqueles que

não são donos dos meios de produção vendem a

única coisa de que dispõe seu trabalho - em troca de recursos necessários a sua sobrevivência. Daí na sociedade capitalista Marx afirma que é o capital que explora o trabalho.

O trabalho é explorado segundo a filosofia de

Marx através da mais-valia. A mais-valia corresponde a diferença entre o valor final da

mercadoria e a soma do valor dos meios de produção e do valor do trabalho, ou seja, parte

do valor da força de trabalho dispendida por um

determinado trabalhador na produção que não é remunerada pelo patrão.

A mais-valia absoluta é aquela na qual o detentor dos meios de produção estende a duração da jornada de trabalho mantendo o salário constante. Já a mais-valia relativa é quando há a ampliação da produtividade física do trabalho pela via da mecanização.

A relação de condicionamento da base

econômica da sociedade sobre as ideias presentes em um determinado período histórico pode ser compreendida em Marx a partir dos

conceitos de infraestrutura e superestrutura, assim, para Marx, a sociedade se estrutura em níveis.

O primeiro nível, chamado de infraestrutura,

constitui a base econômica (que é determinante, segundo a concepção materialista). Engloba as relações do homem com a natureza, no esforço

de produzir a própria existência, e as relações dos

homens entre si. Ou seja, as relações entre os proprietários e não proprietários, e entre os não proprietários e os meios e objetos de trabalho.

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O segundo nível, político ideológico, é chamado de superestrutura que é constituída pela estrutura jurídico-política representada pelo Estado e pelo direito e pela estrutura ideológica referente às formas da consciência social, tais como a religião, as leis, a educação, a família, a literatura, a filosofia, a ciência, a arte, os meios modernos de comunicação: TV, rádio, cinema, etc.

A superestrutura de uma sociedade depende, pois, de sua infraestrutura. Daí a importância da questão econômica para Marx. Desse modo, a infraestrutura determina a superestrutura que por sua vez, influencia a infraestrutura.

superestrutura que por sua vez, influencia a infraestrutura. Os modos de produção é a maneira pela

Os modos de produção é a maneira pela qual as forças produtivas se organizam em determinadas relações de produção num dado momento histórico. Por exemplo, no modo de produção capitalista, as forças produtivas, representadas, sobretudo pelas máquinas do sistema fabril, determinam as relações de produção caracterizadas pelo dono do capital e pelo trabalhador (operário) assalariado.

Antagonismo de classes: as forças produtivas só podem se desenvolver até certo ponto, pois, ao atingirem um estágio por demais avançado, entram em contradição com as antigas relações de produção, que se tornam inadequadas. Surgem então as lutas e a necessidade de uma nova divisão de trabalho. A contradição aparece

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como luta de classes. Por isso, a luta de classes é o motor da história.

Revolução e práxis: Marx chama de práxis à ação humana de transformar a realidade. Nesse sentido, o conceito de práxis não se identifica propriamente com prática, mas significa a união dialética da teoria e da prática. Isto é, ao mesmo tempo em que a consciência é determinada pelo modo como os homens produzem sua existência, também a ação humana é projetada, refletida, consciente.

Para Marx, o Estado não supera as contradições

da sociedade civil, mas é o reflexo delas, e está aí

para perpetuá-las. Por isso só aparentemente visa

o bem comum, estando de fato a serviço da

classe dominante. Portanto, o Estado é um mal que deve ser superado. O Estado para Marx, assim como, as demais formas da superestrutura são um instrumento de manutenção das relações existentes na base econômica.

O Estado burguês protege as relações capitalistas

de produção de forma a assegurar o domínio do capital sobre o trabalho, a reprodução ampliada do capital, a acumulação privada do produto social, a redistribuição do fundo público em benefício do capital, a exploração da renda fundiária etc., essa é a real função do Estado. Portanto, o Estado seria, ao mesmo tempo, parte integrante das relações capitalistas de produção e instrumento de defesa destas.

Ao lutar contra o poder da burguesia, o proletariado deve destruir o poder estatal, o que não será feito por meios pacíficos, mas pela revolução. Daí que se compreende o que Marx quer dizer com “Proletários, uni-vos”.

Marx não considera viável a passagem imediata

da

sociedade dominada pelo Estado burguês para

o

comunismo, havendo a necessidade de um

período de transição. Entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista media o

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período da transformação revolucionária da primeira na segunda.

A este período corresponde também um período

político de transição, cujo Estado não pode ser outro senão a ditadura revolucionária do proletariado. Este Estado transitório que irá construir a sociedade comunista, onde o Estado será superado, é a Ditadura Revolucionária do Proletariado (socialismo), ou a Democracia Proletária.

FILOSOFIA ÉTICA ÉTICA ARISTOTÉLICA

A filosofia ética de Aristóteles é teleológica, ou

seja, os fins a que se destina o homem é a felicidade.

A ética aristotélica busca como fim último a

FELICIDADE (eudaimonia). Assim é necessário que

os cidadãos sejam educados nos bons hábitos e

capazes de agir por meio de um princípio racional

e não por paixões.

Tendo em vista que a honra para Aristóteles é a finalidade da vida política e sua busca se daria por meio da virtude, para o filósofo essa é a razão para qual os homens convivem em sociedade. A política é a ciência cujo objetivo é buscar o bem comum. Daí sua frase marcante: “o homem é um animal político”, ou seja, o homem é participante

da pólis.

Para Aristóteles a ética é a ciência que trata do caráter e da conduta dos indivíduos, enquanto a política cuida dos estudos que regem a existência do homem vivendo em uma comunidade, no caso, a pólis. Assim, a política e a ética são inseparáveis.

Segundo a filosofia ética desse filósofo o homem virtuoso encontra o prazer em seus próprios atos. Assim, a conduta humana, conduzida por leis que

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possibilitam promover a realização do bem supremo, ou seja, a felicidade de contemplar a verdade e possuir sabedoria.

Para Aristóteles a ética é a ciência da práxis humana que tem por objeto a ação. A ética é teleológica pois busca um fim, que segundo esse filósofo se encontra na felicidade que é um bem supremo. Esta virtude é racional, daí a necessidade da razão para se chegar a virtude.

A virtude

Aristóteles é a justa medida.

ética

mais

importante

segundo

O justo meio: consiste no meio, onde se visa o

equilíbrio entre os vícios por falta e os vícios por excesso.

Aristóteles distinguiu vícios e virtudes pelo critério do excesso, da falta e da moderação, ou seja, um vício é um sentimento ou uma conduta excessiva, ou deficiente; uma virtude é um sentimento ou uma conduta moderada. O agir virtuoso é, portanto, agir de modo deliberado.

Tabela das virtudes

é, portanto, agir de modo deliberado. Tabela das virtudes Para buscar a felicidade o homem deve

Para buscar a felicidade o homem deve agir com excelência, praticar o justo meio. Assim, a virtude não é uma inclinação, mas sim uma disposição. É

um hábito adquirido para agir racionalmente.

O Homem deve agir de acordo com o justo meio,

esse homem que o faz é o homem prudente, ou seja, aquele que sabe deliberar, pois a prudência

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orienta a escolha. Assim, o homem prudente é aquele que pratica condutas éticas deliberadas pelo justo meio. A prudência é condição de todas as virtudes, por ser a disposição prática para deliberar em qualquer circunstância, visto que versa sobre a totalidade do bem viver.

Excelência Moral (virtudes éticas): São as virtudes morais que implicam um sentimento afetivo que deve ser governado pela razão. São as virtudes adquiridas a partir da prática do justo meio. As virtudes éticas são adquiridas a partir do hábito de práticas virtuosas equilibradas pelo justo meio. Assim, as virtudes morais são um meio termo entre dois vícios.

Excelência Intelectual (virtudes dianoéticas): São as virtudes racionais resultantes da atividade intelectual, que demandam tempo e esforço, adquiridas a partir do estudo, por isso são virtudes superiores as virtudes dianoéticas.

Vale lembrar que tanto as virtudes éticas, quando as virtudes dianoéticas são importantes para a formação do caráter do indivíduo. Dizer que a excelência intelectual é superior a moral, não quer dizer que a excelência moral seja negativa. Pelo contrário, tanto a excelência intelectual, quando a excelência moral são positivas.

Caráter é formado com o hábito da virtude justo meio, (atitudes). A educação ética está destinada a nos fazer adquirir esse hábito da virtude. Desse modo, segundo esse filósofo, nos tornamos bons, quando praticamos atos bons.

O hábito da virtude é o exercício da vontade sobre a orientação da razão para deliberar sobre os meios e escolher os fins nas ações que permeiam satisfazer os desejos sem cair em extremos, evitando assim, os vícios. As virtudes morais são a gênese do hábito nas relações de formação do caráter humano, o qual deve ser a base para a participação na vida da polis.

ÉTICA KANTIANA

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A ética kantiana é deontológica, ou seja, é uma

ética fundamentada no princípio racional da ação

e do dever. Para o filósofo o conteúdo da ação

moral está na prática do dever e não por inclinação, isso porque o dever contem a boa vontade, ou seja, um tipo de querer, com valor

absoluto, independente, de qualquer outra influência.

Assim, na ética kantiana, no campo prático da razão, ideias como Deus, a imortalidade e liberdade, não devem ser tratadas como conhecimento, no campo da razão pura, mas sim como noções reguladoras da prática humana, ou seja, essas noções tem funções práticas em nossas vidas.

A ética (moral) na razão, independe da religião,

dos costumes e da comunidade. Kant sustenta que há uma lei moral objetiva. Ela é conhecida por nós não pela experiência, mas pela razão. Ela

nos obriga a agir ou a nos abster de agir, simplesmente em razão de que a ação é exigida pela lei, ou proibida por ela.

A lei moral objetiva da razão exige obediência por

direito próprio. Também a moralidade não pode depender de nossos desejos. Ela tem valor em si mesma. Ela não deriva seu valor de sua aptidão

para promover a felicidade ou qualquer outro objetivo que consideramos atraente. Ela apenas nos diz o que devemos fazer. Assim, a ética kantiana é fundamentada na razão.

Dever em Kant é “uma necessidade prática, incondicional da ação, (a qual) deve ser válida para todos os seres racionais e que, por essa razão também pode ser uma lei para todas as vontades humanas”.

Desse modo, para o filósofo, “O dever é uma necessidade de cumprir uma ação por respeito a

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lei.” É um imperativo, o qual, por causa de sua origem incondicional, é categórico.

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outros, sempre ao mesmo tempo como fim, e nunca como puro meio”.

a inclinação para Kant, diferentemente do

A

AÇÃO POR DEVER E EM CONFORMIDADE COM

dever, está fundada na liberdade do mundo

A

escolha humana ao ser afetada mas não

O

DEVER:

sensível, é a dependência da faculdade de apetições das sensações. Possuir uma vontade determinada exclusivamente por inclinação é ser desprovido de espontaneidade, reagir à estímulos, é uma “escolha animal”.

Dever: “o dever é uma necessidade de cumprir uma ação por respeito à lei”. Ora, se o dever me faz cumprir uma ação por respeito a lei, a ação por dever só pode corresponder ao respeito pela lei moral objetiva da razão, qual seja, o imperativo categórico.

determinada por inclinação, nos leva a debilitar a liberdade da vontade. Os objetos da inclinação têm um valor condicionado, não são desejados “por si mesmos”, mas por concorrerem para satisfazer fins fora deles: as necessidades de inclinação. Isto torna-os indignos de servirem como princípios de juízo moral, porque não podem ser universalizados, só podem servir a base de imperativos hipotéticos e não categóricos.

Imperativo Hipotético: Estes nos apresentam uma ação meio como necessária para alcançar um certo fim. Por exemplo: os imperativos da prudência, que nos prescrevem os meios mais seguros para alcançar a felicidade.

O Imperativo Categórico: é aquele no qual se encontra a ética “Age apenas segundo uma máxima (lei) tal que possas, ao mesmo tempo, querer que ela se torne uma máxima universal.”

Os imperativos categóricos para Kant, portanto, são aqueles que nos apresentam uma ação como necessária em si mesma, incondicionalmente. Estes não estão subordinados a nenhum fim. Ora, não existe, na natureza, senão um fim em si: o Homem. E ao tomarmos a pessoa humana como um fim em si, é que podemos afirmar uma segunda formulação do imperativo categórico:

“Procede de maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de todos os

humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de todos os Kant distingue quando uma ação

Kant distingue quando uma ação tem verdadeiro valor moral ou quando esta ação tem como fim o interesse.

Por exemplo, comerciante que atende honestamente aos clientes, age em conformidade com o dever, mas não por dever. Se não tem em vista senão o seu interesse bem definido de manter a clientela. A pessoa que leva uma vida feliz e se esforça em conservar a vida, age conforme o dever, pois a conservação da vida é um dever, assim não age por dever.

A ação por dever é uma ação desinteressada, ou seja, quem se esforça por conservar uma vida a que já não tem amor, este sim age por dever. Aquele que pratica o bem, mesmo sem se sentir inclinado a isso, possui um valor moral maior do que aquele que é bom por inclinação.

Portanto, na filosofia moral de Kant existe uma oposição entre agir por inclinação e por dever. Para ele o dever rejeita todo “parentesco” ou semelhança com as inclinações. Assim a ação tem

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valor moral quando “ele faz o bem, não por inclinação, mas por dever”, e desse modo, a ação será ética.

Para Kant, a liberdade é condição da lei moral. Desse modo, só pode ser considerada uma ação moral aquela que for realizada de forma livre e autônoma. Desse modo, esse filósofo recusa todas as éticas anteriores fundamentadas em normas de origens diversas, ou seja, rejeita as éticas heterônomas, ou seja, aquelas vindas de outras fontes, que não da razão. Por isso é a razão que deve indicar quais são os deveres e normas a serem seguidos de uma forma universal pela razão.

ESCLARECIMENTO EM KANT

O esclarecimento, segundo a filosofia de Kant é a

saída da menoridade, da qual o próprio homem é

culpado, por ser preguiçoso e covarde. Para Kant,

o homem tem preguiça de fazer o uso de seu

próprio entendimento, ele prefere ser guiado por

outro, do que fazer o uso de sua própria razão.

Assim, Kant propõe que o homem precisa ter coragem para fazer o uso de sua própria razão, ou seja, do seu próprio entendimento, para sair dessa condição de menoridade, para passar a maioridade (esclarecimento). Portanto, o homem esclarecido segundo Kant, é aquele que faz o uso de sua própria razão sem ser guiado pelo outro.

NIETZSCHE

Nietzsche é um filósofo que trata de questões morais. Ele critica toda a moral pré-estabelecida e propõe que os conceitos de bem e mal forma transformados em valores metafísicos e transcendentes à realidade da Terra, independentes de situações concretas vividas pelos homens. Em sua principal obra Assim falou Zaratustra expõe os conceitos do eterno retorno e da derrota da moral cristã pelo Super-homem.

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Segundo Nietzsche, existem dois elementos fundamentais e antagônicos: o espírito apolíneo e

o espírito dionisíaco, sendo que o primeiro

representa a ordem, a harmonia e a razão, e o

segundo o sentimento, a ação e a emoção.

Na cultura ocidental, o espírito apolíneo é mais forte do que o dionisíaco, e o papel da filosofia seria de libertar o homem dessa tradição para se encontrar com o niilismo. O niilismo de Nietzsche conduz o homem ao encontro de valores que sejam afirmativos de sua existência real, da sua vontade de poder, para que possa escapar dos valores e das crenças tradicionais como aqueles impostos pelo cristianismo. Assim, ser niilista corresponde a não crer em nenhuma vontade moral ou hierarquia de valores pré-estabelecidos.

O niilismo de Nietzsche baseava-se na afirmação

da “morte de Deus”, isto é, na rejeição a crença

de um ser absoluto capaz de traçar o caminho, a

verdade e a vida para o ser humano. Assim, visa a

liberdade da razão sem conformismo, resignação

ou submissão.

Para Nietzsche a moral deve estar além do bem e do mal, não está vinculada a religião (Filosofia Amoral). Assim esse filósofo critica os valores morais existentes, e propõe a transvaloração dos valores.

A transvaloração dos valores feita por Nietzsche

tem o objetivo de revalorizar o equilíbrio entre as forças instintivas e vitais do homem que foram subjugadas pela filosofia socrático-platônica e pelas religiões.

Nietzsche busca promover a grande transformação no modo de vida, questionando de modo radical os fundamentos dos valores morais que norteiam nossas atitudes na vida. Sua filosofia busca recuperar, revalorizar o equilíbrio entre as forças instintivas e vitais do homem que foram subjugadas pela filosofia socrático- platônica e pelas religiões.

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A cultura helênica foi marcada pelo equilíbrio entre o dionisíaco (força vital e do instinto) e o apolíneo (a racionalidade) e que a filosofia socrático-platônica representou a tentativa de compreender e dominar a vida com a razão, tiraram do homem o espírito dionisíaco (contradição) e colocaram o homem para pensar apenas de acordo com o espírito apolíneo (razão).

O Cristianismo também se aproveitou dessa

valorização exacerbada da razão e fez com que os

homens deixassem de valorizar suas Forças Vitais e os seus Instintos.

Tradição filosófica: triunfo do espírito apolíneo em detrimento do dionisíaco. A filosofia socrático-platônica representou a tentativa de compreender e dominar a vida com a razão.

O Cristianismo: Reforço na direção do apolíneo,

enaltecendo o espírito do sacrifício e da submissão, com o pecado e a culpa. Nietzsche voltou-se contra a tradição filosófica e defendeu uma “filosofia afirmativa da vida”.

O espírito dionisíaco: A mitologia e a tragédia:

confronto entre os homens e os deuses e entre

os homens e seu destino, os heróis que buscam superar seus limites.

Os rituais dionisíacos: deus da dança, da embriaguez, que habita a natureza, simbolizando a força vital, a alegria, o excesso. O desejo: a “afirmação da vida”.

O espírito apolíneo: A filosofia, representada por

Sócrates, o “homem de uma visão só”, instaura o

predomínio da razão, da racionalidade argumentativa, da lógica, da demonstração. O surgimento da filosofia representa o predomínio

do espírito apolíneo, derivado de Apolo, o severo

deus da racionalidade, da medida, da ordem, do

equilíbrio.

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Para Nietzsche, o apolínio e o dionisíaco são duas forças vitais que caracterizam a arte trágica na Grécia clássica. Para ele, Dioniso é a força noturna que representa a desmedida, a embriaguez, os sentimentos, os instintos, a fertilidade e as ações e emoções. Por outro lado, Apolo é a força diurna que representa a ordem, a medida, o equilíbrio, a harmonia e a razão. Segundo Nietzsche, são forças antagônicas, as quais, porém, não subsistem uma sem a outra, complementando-se numa relação de tensão mútua.

a outra, complementando-se numa relação de tensão mútua. Transvaloração dos valores: “Inversão de todos os

Transvaloração dos valores: “Inversão de todos os valores, eis minha fórmula para um ato de supremo reconhecimento de si mesma por parte da humanidade, ato que em mim tornou-se carne e gênio. Meu destino exige que eu seja o primeiro homem honesto, que me sinta em oposição às mentiras de vários milênios”.

A MORAL:

Moral dos Senhores: (Positiva) Moral dos fortes, dos que dizem sim a vida, valorização da força, da saúde, da criatividade, do amor à vida, da embriaguez dionisíaca, do novo orgulho. (Homem Ético).

Moral dos Escravos (moral de rebanho, moral dos ressentidos): (Negativa) Moral daqueles que não conseguem viver sua vida como senhor de suas ações, caracterizada pelo ódio dos impotentes, pelo ressentimento contra aquelas características e pela crença em um mundo

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superior, que torna a Terra algo inferior e imperfeito, da qual se aspira distância.

Propagando uma moral que protegia os fracos dos fortes, os mansos dos ousados, que valorizava a justiça em vez da força, eles inverteram os processos pelos quais o homem se elevou acima dos animais e exaltaram como virtudes características típicas de escravos:

abnegação, auto sacrifício, colocar a vida a serviço dos outros.

Segundo Nietzsche a nossa cultura é fraca e decadente. A verdade e a moral são os instrumentos que os fracos inventaram para submeter e controlar os fortes, os guerreiros. A tradição ocidental é resultado desse processo. Nietzsche objetivava restaurar os valores primitivos e criticar os conceitos éticos tradicionais. Em “A genealogia da moral” revelou o que chamava de “moral de rebanho”: os que se submetem e obedecem, anulando sua vontade e reprimindo seus desejos.

Vontade de potência: "Super-homem":

Considerando que os valores não têm origem divina ou transcendente, Nietzsche afirma que somos livres para negá-los e escolher nossos próprios valores. Ao "tu deves" devemos responder com o "eu quero". É a vontade de poder que permite ao indivíduo que se auto elege desenvolver seu potencial máximo de modo a tornar-se um super-homem ou um ser além-do- homem - isto é, que se coloca acima da massa.

Nietzsche identifica o "super-homem" em personagens como Napoleão, Lutero, Goethe e até mesmo Sócrates (não por suas ideias, mas pela coragem de levá-las às últimas consequências). Enfim, no líder que tem vontade de poder, que ousa tornar-se o que realmente é. É assim que se afirma a vida e se pode atingir a auto realização.

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Nietzsche considera que o cristianismo tem um efeito degenerativo, porque doma o espírito e enfraquece a vontade de poder com a sua condenação do orgulho, da paixão, da cólera, dos instintos de guerra e de conquista. Assim, para o filósofo, a moral do super-homem define tudo que intensifica no homem a vontade de potencia e que o mau é tudo o que provem do sentimento de fraqueza.

Desse modo o homem ético é aquele que tem VONTADE DE PODER, VONTADE DE POTÊNCIA. Por isso o homem deve se superar a cada momento, e não deve buscar o escapismo na religião ou na razão, assim, acredita na disciplina e na força de vontade e vê a compaixão como uma fraqueza a ser combatida (o sofrimento é necessário). Daí a ideia de Nietzsche de que “O que não me mata, me fortalece”.

O eterno retorno: pode ser considerada a fórmula que sintetiza todo o pensamento de Nietzsche. O filósofo coloca-se em oposição frontal ao platonismo e ao cristianismo, considerando-os uma espécie de platonismo popular. Dessa forma, rejeita qualquer distinção entre este mundo e outro, seja o mundo inteligível de Platão ou paraíso cristão.

Para Nietzsche, sé este mundo é real, com suas cores e movimentos, em constante mudança. Não admite a existência de uma outra realidade que seja inteligível, única e imutável; assim como também nega a existência de uma verdade necessária e universal. Para o filósofo, há apenas perspectivas diversas sobre um real que está em permanente transformação e que se repete num eterno retorno.

Segundo Nietzsche, devemos aceitar a vida como ela é e o eterno retorno consistiria num verdadeiro teste pelo qual o homem deveria passar: a vida, revivida inúmeras vezes, não trazendo nada de novo, tudo ocorrendo na mesma ordem e na mesma sucessão, pode levá-

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lo à destruição ou à exaltação, dependendo de

sua capacidade para superar e admitir essa

contínua repetição.

Segundo Nietzsche, só resta ao homem, diante do espetáculo irracional do mundo, adotar três posturas: ser fraco, forte ou inocente. Para explicar essas atitudes, recorre a uma metáfora envolvendo as figuras do camelo, do leão e do menino. Assim, o homem passa da situação de camelo, que aceita, ou melhor, carrega todos os valores, para a do leão, que se revolta contra esses mesmos valores. Entretanto, o leão não corresponde ao último estágio; segundo Nietzsche, ele deve dar lugar à criança, que é capaz de esquecer, de recomeçar, de aceitar o jogo natural da criação e da vida.

JEAN-PAUL SARTRE

A Ética de Sartre pauta-se na responsabilidade de cada indivíduo. Sartre é um Existencialista (trata do indivíduo apenas depois que ele existe) Ateu (não há um Deus criador). Assim, ser para esse filósofo não há um Deus criador, os indivíduos vieram do nada e para o nada retornaram. Desse modo, o indivíduo nasce uma “tabula rasa”, sem nenhum conhecimento, portanto:

Para Sartre “A existência precede a essência”,

isso quer dizer que para o filósofo: “(

menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem. O que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O Indivíduo primeiro nasce e depois ele adquire o conhecimento.

há pelo

)

O

homem, tal como o concebe o existencialista,

se

não é definível, é porque primeiramente não é

nada. A característica tipicamente humana é o nada, um “espaço aberto”. Assim, segundo Sartre

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não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber. O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como

ele se deseja após este impulso para a existência;

o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o

primeiro princípio do existencialismo. É também

a isso que se chama a subjetividade.

SER “EM SI” E SER “PARA SI”

Qual a diferença entre o homem e as coisas, a natureza? É que só o homem é livre. O homem nada mais é do que o seu projeto. A palavra projeto significa, etimologicamente, “ser lançado adiante”, assim como o sufixo ex da palavra existir significa “fora”. Ora, só o homem existe, porque o existir do homem é um para si, ou seja, sendo consciente, o homem é um “ser-para- si”. É o único ser que tem consciência de ser um

ser para si mesmo. As coisas, objetos e a natureza

é um Em-si, um “bloco fechado em si mesmo”,

porque não tem consciência de ser. O homem é o

que ele próprio se faz. A Condição humana fundamental no homem é, antes de mais nada, um projeto que se vive subjetivamente. O homem é um ser PARA-SI mesmo, pois possui Liberdade, Consciência e Escolha.

Desse modo, por não existir nenhum ser criador dos homens, eles nascem LIVRES. Eles são CONDENADOS A LIBERDADE. Assim, a Liberdade

é INCONDICIONADA. Se não há natureza humana,

se o homem nasce uma tábula rasa, ou seja, uma folha de papel em branco, sem nenhum conhecimento e só o constrói com sua vida, e se

os homens são condenados a liberdade, o Indivíduo deve ser responsável por suas escolhas,

é a liberdade que trás a responsabilidade. Por

isso, o homem será ético segundo a filosofia sartreana quando responde por suas ações. Isso é

o que vemos representado no esquema abaixo.

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Segundo Sartre nós “Somos eternos aprendizes de nossas escolhas”. Pois todo momento estamos fazendo escolhas.

Segundo Sartre nós “Somos eternos aprendizes de nossas escolhas”. Pois todo momento estamos fazendo escolhas. O homem está condenado a ser livre. Precisa assumir suas próprias escolhas para ser responsável por sua história. Sartre afirma a importância de caminha com os próprios pés. Desse modo o indivíduo deve ter consciência de seus atos, pois é o único responsável pelo fracasso ou sucesso de suas ações.

Existem indivíduos que preferem fingir que escolhem sem na verdade escolher. Mas mesmo assim eles acabam escolhendo, eles escolhem não escolher. Esses indivíduos são chamados por Sartre de pessoas que agem de Má-Fé. Assim a Má-Fé é característica daqueles indivíduos que tentam fugir da responsabilidade da escolha.

O homem ao experimentar a liberdade, e ao sentir-se como um vazio, vive a angústia da escolha. Muitas pessoas não suportam essa angústia, fogem dela, aninhando-se na má fé. A má fé é a atitude característica do homem que finge escolher, sem na verdade escolher (acaba escolhendo não escolher). Imagina que seu destino está traçado, que os valores são dados; aceitando as verdades exteriores, “mente” para si mesmo, simulando ser o próprio autor dos seus atos. É um conformismo. Aceita os valores estabelecidos. Para fugir à angústia da escolha, tentando mentir para si mesmo e renunciar a condição fundamental de liberdade, ele busca tornar-se um EM-SI. Semelhante às coisas, os objetos. Para assim não ter que escolher mais, escapar ao fato de estarmos condenados à liberdade.

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Inicialmente, o homem passa pela constatação de que é essencialmente um ser livre, que deve tomar como ponto de partida a construção de um projeto de vida individual. Contudo, o seu projeto pode entrar em conflito com o projeto dos outros. Como ser livre, pode praticar o mal. Essa ideia levou Sartre a afirmar que “o inferno são os outros”. Para Sartre “O inferno são os outros” porque cada indivíduo projeta no outro a própria infelicidade. As relações afetivas, familiares, sexuais, profissionais acabam se transformando em um inferno, porque cada um culpa o outro por aquilo que não conseguiu desenvolver ou ser.

Desse modo, para Sartre, o homem se angustia com o peso da responsabilidade de uma escolha que faz. Aqueles que fogem da angustia são os homens sérios que agem de má-fé. Assim, a Angustia é o homem que tem consciência do peso da sua responsabilidade de escolher, do peso de sua liberdade. O homem angustiado é o homem ético.

A Vida para Sartre é gratuidade, contingência; poderíamos existir ou não existir. Tudo o que existe também poderia não existir. Não há destino, ou um Deus com uma finalidade pré- estabelecida. Desse modo, a Morte é um Absurdo, fim de todos os projetos, “a nadificação de todos os projetos”, por isso a “A vida é uma paixão inútil”. “O importante não é o que fazem de mim, mas o que eu farei com aquilo que fizeram de mim.”

Livros utilizados para elaboração desse resumo:

CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. São Paulo:

Ática, 2006.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo:

Ed. Ática, 2003.

Coleção Os Pensadores Abril Cultural.

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