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AULA 1

Do Mito à Filosofia
1. A era dos Deuses
Teogonia é um conceito que deriva do vocábulo latino theogonĭa, embora as suas raízes
etimológicas mais distantes residam na língua grega. No que toca ao dicionário, a ideia de
teogonia refere-se à geração das divindades dos pagãos.
É importante destacar que “Teogonia” também é o título de uma obra que escreveu Hesíodo
por volta do século VII e do século VIII antes de Cristo. Neste trabalho, o poeta detalha a
genealogia dos diferentes deuses que fazem parte da mitologia da Antiga Grécia. Além do
mais, dá a sua versão sobre a origem do universo.
A nível geral, costuma-se dizer que a teogonia se encarrega de explicar a origem dos
deuses e, por extensão, do universo, já que os deuses são os criadores do cosmos. Neste
sentido, a teogonia muitas vezes está associada à cosmogonia (que gira em torno da
origem do mundo).
2. O surgimento da Filosofia: as condições materiais
A filosofia oriental é mais antiga do que a ocidental e está intimamente ligada à religião. A
filosofia ocidental, a cujo âmbito nos limitaremos, inicia-se com os Gregos no séc. VI a. C
ponto de partida de uma tradição ininterrupta até aos nossos dias.
Uma teoria aponta inúmeras condições materiais (econômicas, sociais, políticas e
históricas) que favoreceram o nascimento da Filosofia na Grécia, tais como:
• O surgimento da vida urbana - O comércio de artesanato desenvolveu novas técnicas de
fabricação e de trocas e diminuiu o prestígio das famílias aristocráticas, donas das terras,
por quem e para quem os mitos foram criados. Surge também uma nova classe de
comerciantes ricos e estes, procurando poder e prestígio, começaram a patrocinar e
estimular as artes, as técnicas e os conhecimentos, favorecendo um ambiente propício para
o surgimento da Filosofia.
•As viagens marítimas - Levaram os gregos a conhecer outros lugares, sobre os quais os
mitos diziam ser habitados por seres fantásticos. O contato com culturas diferentes da sua
produziu o desencadeamento e a desmitificação do mundo, pois cada povo tinha sua
própria explicação para os fatos, às vezes contraditórios. Quem tinha razão? O mundo
precisava agora de uma nova explicação, que o mito não podia oferecer.
• A invenção da moeda - Permitiu uma nova forma de troca - não se troca mais uma coisa
concreta por outra. A troca é feita pelo cálculo do valor de coisas diferentes, revelando um
novo tipo de pensamento mais abstrato e generalizador.
• A invenção do calendário - modificou o cálculo do tempo que, na Grécia, era dividido
segundo as estações do ano. Isso revela uma nova percepção do tempo, como algo natural
e não mais como um deus (Cronos).
• A invenção da escrita - Diferentemente dos hieróglifos dos egípcios, dos ideogramas
chineses, a escrita alfabética grega não representa a imagem de alguma coisa, mas sim
idéia dessa coisa. É uma nova mentalidade, ou seja, a escrita não é mais um desenho que
representa um objeto e sim uma palavra que representa a idéia desse objeto.
• A invenção da política - Com o surgimento do espaço público nasce um novo tipo de
discurso ou palavra, diferente do discurso do mito.
A idéia de lei, também, cria condições para esse novo pensamento. Ela é tida como
expressão da vontade de uma coletividade humana que decide por si o melhor para si. O
aspecto legislado da cidade servirá de modelo para Filosofia quanto a sua cosmologia e a
sua ordenação de mundo.
3. Os Pré-socráticos
Os primeiros filósofos eram chamados de pré-socráticos, que é um termo empregado para
designar os filósofos anteriores a Sócrates. Eles também eram chamados de físicos, pois
suas questões filosóficas estavam voltados para o estudo da physis (natureza).
Sua filosofia era chamada de cosmologia. Mais adiante veremos o que isso significa.
Os principais filósofos pré-socráticos são: Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Pitágoras,
Heráclito, Parmênides, Zenão, Anaxágoras, Demócrito e Diógenes
4. A Cosmologia dos Pré-Socráticos
Os pré-socráticos, a exemplo dos poetas, deram explicação sobre a ordenação do mundo,
porém, elas eram totalmente diferentes. Em vez de descrever nascimentos sucessivos,
definiram os princípios primeiros, constitutivos do ser. Surge, então, a cosmologia - um
discurso racional sobre a ordenação do mundo.
Referências:
Chauí, Marilena; Iniciação à Filosofia, Ática 2014, SP.
Vernan, Jean Pierre; As origens do Pensamento
Grego, Bertrand do Brasil, 1999, Rio de Janeiro.
Gallo, Silvio; Filosofia: Experiências do Pensamento,
Scipione, 2016, São Paulo
EXERCITANDO
1. (ENEM 2016)
Compreende-se assim o alcance de uma reivindicação que surge desde o nascimento da
cidadena Grécia antiga: a redação das leis. Ao escrevê-las, não se fez mais que assegurar-
lhes permanência e fixidez. As leis tornam-se bem comum, regra geral, suscetível de ser
aplicada a todos da mesma maneira.
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 1992 (adaptado).
Para o autor, a reivindicação atendida na Grécia antiga, ainda vigente no mundo
contemporâneo, buscava garantir o seguinte princípio:
a) Isonomia — igualdade de tratamento aos cidadãos.
b) Transparência — acesso às informações governamentais.
c) Tripartição — separação entre os poderes políticos estatais.
d) Equiparação — igualdade de gênero na participação política.
e) Elegibilidade — permissão para candidatura aos cargos públicos
GABARITO DO EXERCITANDO:
1- A

AULA 2 FILOSOFIA ANTIGA 1


Introdução
Os pré-socráticos representam o primeiro sistema de pensamento do período da filosofia
antiga. Agora damos continuidade no tema tratando dos filósofos Sócrates e Platão onde
será tratado em primeiro lugar Sócrates e posteriormente falaremos de Platão.
Vida
Sócrates, filósofo que nasceu em Atenas em 470 a.C, tornou-se notável por motivos bem
pontuais. Em primeiro lugar, foi o primeiro filósofo que preferiu a morte á renunciar a sua
filosofia. Como dizia ele, segundo Platão “Não vou me defender, pois se eu me defender o
que os juízes vão querer de mim? Que eu pare de filosofar, mas prefiro a morte a renunciar
a minha filosofia” 1992. Esse fato acontece quando Sócrates foi acusado de não acreditar
nos deuses de Atenas e ensinar novos valores aos jovens atenienses. Essa passagem
trágica na vida do pensador é narrada na obra,de Platão, A apologia de Sócrates ou a
defesa de Sócrates.
Uma outra novidade na filosofia Socrática é o seu objeto investigado: O homem, por isso
mesmo é chamada de filosofia antropológica. Em terceiro lugar Sócrates é reconhecido por
não ter deixado obra escrita, mas apenas máximas, sendo a primeira uma resposta à
pergunta da sacerdotisa do templo de Apolo que perguntara ao filósofo se ele era o mais
sábio de Atenas. Por sua vez ele respondeu “Só sei que nada sei”.
A segunda máxima não é atribuída a Sócrates, mas estava gravado no portal de entrada
no templo de Apolo “ Conhece-te a ti mesmo”. Essa máxima é o centro da filosofia socrática,
que trata do autoconhecimento.
Metódo
O filósofo criou um método de se chegar a verdade chamado de maiêutica, que se refere
ao ato de “parir” verdades, através de perguntas continuas e a utilização de ironia até que
a verdade seja provocada. Sócrates é sem dúvida um divisor de “águas” no pensamento
ocidental, tudo que veio antes é pré-socrático e após Sócrates é pós-socrático. Sócrates foi
um filósofo que estabeleceu conceito como o procedimento que garantiu a separação entra
o discurso do filosófico e os outros discursos.
Vida
Nasceu em Atenas e foi discípulo de Sócrates. Diferente de seu mestre deixou uma extensa
obra escrita.
Foi o primeiro a estabelecer uma escola para filósofos, chamada de A academia.
Teoria
Em sua teoria do conhecimento o filósofo divide o conhecimento humano em dois mundos,
onde o mundo sensível serio o mundo prático, do uso dos sentidos e consequentemente
do engano, da mentira e do erro, pois esse mundo é transitório, finito e mutável. Já o mundo
inteligível é o mundo das ideias onde a verdade é verificável no campo ideal, do raciocínio,
do entendimento, do conhecimento intelectual. Os sentidos enganam, as ideias
esclarecem. Platão usa a dialética como seu método através do uso de diálogos com a
busca na contradição dos argumentos e o descobrimento da verdade. Suas obras
atravessam os vários temas que percorrem a vida do homem, por exemplo, o amor, o
conhecimento, a verdade, a política, os sofistas e etc..
Filosofia Política
No campo da política, Platão de espirito aristocrático escreveu uma obra fundamental
Chamada A República.
Trata- se de uma republica ideal que nunca existiu em lugar algum, exceto na cabeça do
filósofo e nas páginas que compõe essa obra de filosofia política.
Na república de Platão existem três classes sociais, onde a primeira e mais importante era
a do governante que caberia ao mais sábio chamado de filósofo – rei. A segunda classe
social tratava- se dos militares chamados de guardiões que eram representados pelos
militares, a terceira e última classe tratava-se dos cidadãos inferiores que usam os sentidos
para viver e teriam o papel de prover a sociedade, sendo chamados de produtores. Uma
república onde escravos e mulheres não faziam parte, mas que, segundo filósofo,
procurava o bem dos cidadãos.
A República
O livro A República a é composto de 23 capítulos e é no capitulo 7 será encontrado o
famoso mito da caverna, que aborda a denúncia contra a injustiça a Sócrates que foi
acusado, julgado e condenado a morte injustamente. Além do mais, trata-se da denúncia
contra aqueles indivíduos que usam os sentidos como critério para estabelecer a verdade
na vida.
Platão e sua filosofia continuam sendo estudados e pesquisados em todas as universidades
do planeta e seus temas são recorrentes no mundo acadêmico.
EXERCITANDO
1. (Pucpr 2015) Leia os enunciados abaixo a respeito do pensamento filosófico de Sócrates.
I. O texto Apologia de Sócrates, cujo autor é Platão, apresenta a defesa de Sócrates diante
das acusações dos atenienses, especialmente, os sofistas, entre os quais está Meleto.
II. Sócrates dispensa a ironia como método para refutar as acusações e calúnias sofridas
no processo de seu julgamento.
III. Entre as acusações que Sócrates recebe está a de “corromper a juventude”.
IV. Sócrates é acusado de ensinar as coisas celestes e terrenas, a não acreditar nos deuses
e a tornar mais forte a razão mais débil.
V. Sócrates nega que seus acusadores são ambiciosos e resolutos e, em grande número,
falam de forma persuasiva e persistente contra ele.
Assinale a alternativa que apresenta apenas as afirmativas CORRETAS.
a) II, IV e V.
b) I, III e IV.
c) I, III e V.
d) II, III e V.
e) I, II e III.
2. (Ufu 1998) Sócrates é tradicionalmente considerado como um marco divisório da filosofia
grega. Os filósofos que o antecederam são chamados pré-socráticos. Seu método, que
parte do pressuposto “só sei que nada sei”, é a maiêutica que tem como objetivo:
I. “dar luz a ideias novas, buscando o conceito”.
II. partir da ironia, reconhecendo a ignorância até chegar ao conhecimento.
III. encontrar as contradições das ideias para chegar ao conhecimento.
IV. “trazer as ideias do céu à terra”.
Assinale
a) se apenas I e II estiverem corretas.
b) se apenas I e III estiverem corretas.
c) se apenas II, III e IV estiverem corretas.
d) se apenas III e IV estiverem corretas.
e) se apenas I e IV estiverem corretas.
3. (Ufu 2002) “Mas quem fosse inteligente (…) lembrar-se-ia de que as perturbações visuais
são duplas, e por dupla causa, da passagem da luz à sombra, e da sombra à luz.
Se compreendesse que o mesmo se passa com a alma, quando visse alguma perturbada
e incapaz de ver, não riria sem razão, mas reparava se ela não estaria antes ofuscada por
falta de hábito, por vir de uma vida mais luminosa, ou se, por vir de uma maior ignorância
a uma luz mais brilhante, não estaria deslumbrada por reflexos demasiadamente
refulgentes [brilhantes]; à primeira, deveria felicitar pelas suas condições e pelo seu gênero
de vida; da segunda, ter compaixão e, se quisesse troçar dela, seria menos risível esta
zombaria do que aquela que descia do mundo luminoso.”
A República, 518 a-b, trad. Maria Helena da Rocha Pereira, Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 1987.
Sobre este trecho do livro VII de A República de Platão, é correto afirmar.
I. A condição de quem vive nas sombras é digna de compaixão.
II. O filósofo, sendo aquele que passa da luz à sombra, não tem problemas em retornar às
sombras.
III. O trecho estabelece uma relação entre o mundo visível e o inteligível, fundada em uma
comparação entre o olho e a alma.
IV. No trecho, é afirmado que o conhecimento não necessita de educação, pois quem se
encontraria nas sombras facilmente se acostumaria à luz.
Marque a alternativa que contém todas as afirmações corretas.
a) II e III b) I e IV
c) I e III d) III e IV
GABARITO DO EXERCITANDO:
1 – B 2 – A 3-C

AULA 3 FILOSOFIA ANTIGA 2


ARISTÓTELES
(384a.C.-322a.C.)
Introdução
O texto a seguir apresenta características da vida e da obra do filósofo macedônio
Aristóteles. Expondo os principais aspectos de sua filosofia e apresentando as principais
obras do filósofo.
Vida
Nasceu em 384 a.C, na cidade de Estagira, na Macedônia, filho de Nicomaco, médico do
Rei Amintas II, rei da Macedônia, Avô de Alexandre, o Magno.
Aluno acima da média, foi mandado muito jovem, para estudar na escola de Platão
(academia) em Atenas. Se tornou notável, inclusive chegando a lecionar na escola de seu
mestre. Discípulo que nutria uma diferença teórica com a teoria das ideias propostas por
Platão. Ficou interno durante vinte anos, mas quando seu mestre morre, Aristóteles sai da
academia e funda a sua escola de Filosofia, O Liceu.
Pensador que tem uma extensa obra produzida e publicada, escrevendo um tipo de
enciclopédia do conhecimento humano, pois seus estudos trataram de economia, medicina,
física, ética, metafisica, poética, sonhos, política, estética, e outras dimensões de
conhecimento humano.
Sua morte encerra o período da Filosofia antiga e seu legado, aparece até os dias de hoje.
Filosofia
Para Aristóteles, a verdade no conhecimento humano, esta localizada no mundo sensível,
ou seja, nas práticas. Os objetos são reais quando são concretos e não passam por uma
ideia abstrata das coisas do pensamento.

Exemplo:
A existência de um copo a sua frente pode ser simplesmente comprovada pelo fato do
objeto, copo, ser manuseado.
A ideia só existe na forma pois a prioridade está no campo da experiência concreta que se
distingue em potencia e ato, matéria e forma. Aristóteles pode ser considerado na história
do pensamento ocidental como primeiro materialista devido ao fato de a experiência prática,
ou seja, material, é o elemento determinante da verdade no mundo.
Teoria das causas
Segundo Aristóteles, a filosofia se preocupa com as causas dos fenômenos e não suas
consequências.
Essa conduta levou-o a ser considerado o pai da ciência ao apresentar a sua famosa teoria
das causas que dividiu em quatro tipos:
a) Material - trata da matéria a ser tratada
b) Formal – trata das formas da causa.
c) Eficiente – para que serve a causa
d) Final – trata da finalidade da causa

Exemplo:
Combater a violência no Brasil não passaria pelo simples ato de diminuir a maioridade penal
de dezoito para dezesseis anos, pois essa medida atacaria as consequências da violência,
e não as causas.

Lógica
Aristóteles foi o primeiro a cria uma maneira de abordar os objetos a serem pensados de
forma lógica, sendo por ele considerado um estudo preliminar (propedêutica). Trata-se da
forma e da validade do raciocínio válido, não fazendo parte a verdade e o conteúdo do
raciocínio. O silogismo é marca decisiva na organização do raciocínio, na medida em que
o argumento lógico é composto de duas primícias e uma conclusão.
Exemplo clássico:
Todos os homens são mortais
Sócrates é homem
Logo, Sócrates é mortal
As duas primeiras afirmativas são chamadas de proposições e a ultima, conclusão.
A lógica aristotélica prevaleceu até o século XIX quando foi substituída pela lógica
matemática.
Ética
O estagirita se deteve ao tema da ética, como pratica, visto que a conduta humana, estaria
a procura de sua felicidade (Eudemonismo). Essa procura é marcada pela prudência e a
moderação evitando os extremos que levam o individuo a tornar-se um problema, ou
pessoal ou social. A virtude é construída pelo aperfeiçoamento e regulação da conduta do
individuo.
A política
O tema da política é abordado na obra A politica que de espírito pragmático afirma ser a
essência do homem. Tratada como a ciência das ciências, pois é a única realizadora de
todas as necessidades humanas. Aristóteles investiga as vária s formas de governar e
classifica em dois grandes grupos: Governos justos e injustos. Sendo a mais realizável para
a democracia a política. O governo de todos. l
Legado
Aristóteles, de maneira sistematizada, inaugura um novo território para a constatação da
verdade no pensamento ocidental, onde a pratica é o único caminho consistente que
garantia a realização humana. No período medieval o recurso de seu pensamento chegou
ao ponto de ele ser considerado “o filósofo”. No período moderno a filosofia Empirista deve
seus princípios a filosofia aristotélica. No mundo contemporâneo, o retorno, ao seu
pensamento é constantemente utilizado em todas as universidades e escolas do mundo.
Principais obras
Organon, das categorias, primeiros analíticos, segundos analíticos, da alma, da
imortalidade da alma, do sono, do sono e da virgilia, da interpretação dos sonhos, da vida
e da morte, economia, física, metafisica, a grande moral, ética a nicomaco, ética a eudemo,
poética, do sentido da vida, anatomia, da parte dos animais.

EXERCITANDO
1)(Enem 2013) A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do
mundo, e esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em
Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce
é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes
atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade.
ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.
Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica
como:
a) busca por bens materiais e títulos de nobreza.
b) plenitude espiritual e ascese pessoal.
c) finalidade das ações e condutas humanas.
e) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.
e) expressão do sucesso individual e reconhecimento público.
2) (Ufu 2002) A filosofia de Aristóteles representou uma nova interpretação sobre o
problema do ser. Nesse sentido, Aristóteles define a ciência como
a) conhecimento verdadeiro, isto é, conhecimento que se fundamenta apenas na
compreensão do mundo inteligível porque as ideias, enquanto entidades metafísicas, não
mudam.
b) conhecimento verdadeiro, isto é, conhecimento pelas causas, capaz de compreender a
natureza do devir e superar os enganos da opinião.
c) conhecimento relativo porque o ser é mobilidade, eterno fluxo e a verdade não pode,
portanto, ser absoluta.
d) conhecimento relativo porque a ciência, enquanto produção do homem, é determinada
pelo desenvolvimento histórico.
3) (ENEM 2017) Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele
mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem,
ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre
essa vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas,
o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará
de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode
chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina
quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão
deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço,
como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza
as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos
fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade
será o bem humano.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991
(adaptado).
Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que
a) o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses.
b) o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade.
c) a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade.
d) a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente.
e) a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum.
GABARITO DO EXERCITANDO:
1- C 2-B 3-C

AULA 5 FILOSOFIA PATRÍSTICA

Introdução
As linhas a seguir tratam da primeira etapa da filosofia cristã chamada de patrística. Seu
contexto, seu objeto e seus representantes. Dando prioridade ao filósofo Santo Agostinho.
Contexto (Séc V ao VIII D.C)
O declínio do império romano e o surgimento do cristianismo marca o ambiente em que a
filosofia patrística aparece. Período que alguns filósofos de formação greco-romano
converteu-se ao cristianismo. Segundo os autores, o primeiro foi Justino (100-165 D.C) da
cidade de Roma, Justino era platônico e ao se encontrar com o cristianismo afirmava
encontrar uma finalidade mais justa à razão que encontrara ate então.
Combinar os temas filosóficos através de uma experiência de fé foi a originalidade da
patrística. Assim chamada por ter sido, inicialmente, abordada pelos “pais” da igreja, os
padres.
O objeto
A patrística trouxe um problema novo a filosofia: como relacionar a razão filosófica a fé
cristã. Onde a primeira é suporte da segunda. Nenhuma ação racional trata da verdade se
não estiver vinculada aos preceitos cristãos. Uma relação, em principio, difícil de ser
equacionada, a ideia de criação do mundo passa a ser entendida como um jeito de Deus e
não de um principio caótico como aponta os pré-socráticos. Quando esses primeiros
filósofos cristãos tratavam do movimento do mundo eles se utilizavam de Platão de Atenas,
mas quando o tema era sobre o destino do alma após a morte, a criação do mundo ou a
salvação, eles recorriam a fé cristã .
Pensadores:

Vida
Em seus primeiros anos, Agostinho foi muito influenciado pelo maniqueísmo e, logo depois,
pelo neoplatonismo de Plotino. Depois de se converter ao cristianismo e aceitar o batismo,
Agostinho desenvolveu uma abordagem original a filosofia e teologia, acomodando uma
variedade de métodos e perspectivas de uma
maneira até então desconhecida, acreditando que a
graça de cristo era indispensável para a liberdade hu-
mana, ajudou a formular a doutrina do pecado original
e deu contribuições seminais ao desenvolvimento da
teoria da guerra justa.
Filosofia
Estudou retórica e conheceu a filosofia de Sêneca,
mas foi a partir da filosofia de Platão que construiu seu
sistema filosófico. Segundo ele, a razão é ferramenta
para o exercício da fé e Deus criou o mundo por sua
plena bondade. Agostinho cria a interioridade na filoso-
fia, segundo o filosofo o homem tem uma propriedade
interna e externa. Essa abordagem antecedeu o que
mais tarde seria chamado de subjetividade.
SANTO AGOSTINHO
(354-430 D.C)

2
a
A filosofia se tem finalidade se contribuir com a ver-
dade da fé cristã. A teoria da iluminação é a sua princi-
pal contribuição onde a partir da teoria das ideias de
Platão, Agostinho estabelece que a verdade depende
de uma iluminação divina (Deus) sobre as coisas e o
mundo prático. Há uma diferença decisiva entre o cor-
po (matéria), alma (espírito); O universo como uma
hierarquia de seres pela qual os superiores (Deus,
serafins, querubins, arcanjos, anjos, alma) dominam e
governam os inferiores (corpo, animais, vegetais, mine-
rais). O poder dos homens é subordinada a Deus.
Principais obras
Cidade de deus
As confissões
A trindade
Outros pensadores da patrística
São Gregório de Nanzianzo
Boécio
São Crisóstomo
Tertuliano
Orígenes
Clemente
Eusébio
EXERCITANDO
1. (Ufu 2001) Sobre a doutrina da iluminação
divina de Santo Agostinho, considere o
conteúdo das assertivas abaixo:
I. A iluminação divina dispensa o homem de ter inte-
lecto próprio.
II. A iluminação divina capacita o intelecto humano
para entender que há determinada ordem entre o mun-
do criado e as realidades inteligíveis.
III. Agostinho nomeia as realidades inteligíveis de
forma pouco precisa como, por exemplo, ideia, forma,
espécie, regra ou razão e afirma, platonicamente, que
essas realidades já foram contempladas pela alma.
IV. A iluminação divina exige que o homem tenha in-
telecto próprio, a fim de pensar corretamente os conte-
údos da fé postos pela revelação.
Assinale a alternativa que contém somente as
afirmações corretas:
a) II e III
b) I e III
c) II e IV
d) III e IV
2. (Enem 2012)
TEXTO I
Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento
originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que
outras coisas provêm de sua descendência. Quando o
ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os
ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a
partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas,
transformam-se em água. A água, quando mais con-
densada, transforma-se em terra, e quando condensa-
da ao máximo possível, transforma-se em pedras.
BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro:
PUC-Rio, 2006 (adaptado).
TEXTO II
Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus,
como criador de todas as coisas, está no princípio do
mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos
apresentam, em face desta concepção, as especula-
ções contraditórias dos filósofos, para os quais o mun-
do se origina, ou de algum dos quatro elementos, como
ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demó-
crito. Na verdade, dão a impressão de quererem anco-
rar o mundo numa teia de aranha”.
GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã.
São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).
Filósofos dos diversos tempos históricos de-
senvolveram teses para explicar a origem do uni-
verso, a partir de uma explicação racional. As teses
de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio,
filósofo medieval, têm em comum na sua funda-
mentação teorias que
a) eram baseadas nas ciências da natureza.
b) refutavam as teorias de filósofos da religião.
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
d) postulavam um princípio originário para o
mundo.
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as
coisas.
3. (Ueg 2010) Os primeiros séculos da era
cristã são os da constituição dos dogmas
cristãos. A tarefa da filosofia desenvolvida
pelos padres da Igreja nesta época é a de
encontrar justificativas racionais para as
verdades reveladas, ou seja, conciliar fé e
razão. Santo Agostinho é o principal repre-
sentante deste período que ficou conhecido
como
a) racionalismo. b) escolástica.
c) fideismo. d) patrística.

3
GABARITO COMENTADO DO EXERCITANDO
Resposta questão 1: [C]
Sobre a Teoria da Iluminação, somente as afirmativas II e
IV estão corretas. A Iluminação Divina pressupõe a existência
do intelecto no homem que, iluminado, chega ao conheci-
mento da verdade
Resposta questão 2: [D]
Anaxímenes de Mileto (585–528 a.C.) é um filósofo pré-
socrático preocupado com a cosmologia, isto é, preocupado
com a ordenação das coisas que compões o mundo. Desse
modo, a sua filosofia posiciona princípios dos quais ele pensa
poder derivar de maneira coerente e coesa o sentido da exis-
tência de tudo que há na natureza. Já São Basílio Magno
(329–379 d.C.) é um teólogo preocupado com a propagação
da verdade revelada pela Bíblia, o livro que já oferece toda a
ordenação das coisas que compõem o mundo. Desse modo,
Deus não é exatamente um princípio do qual se origina o
mundo, mas sim o próprio criador desse mundo, o seu dono e
conhecedor de todas as suas regras cosmológicas.
Resposta questão 3: [D]
Somente a alternativa D está correta, pois é conhecida
como “filosofia patrística” o período filosófico dominado pelas
ideias desenvolvidas por padres católicos – durante a fase
final do Império Romano - e que dariam origem à escolástica
(por volta dos séculos VIII-IX). Tem em Santo Agostinho seu
maior expoente, cujo pensamento se voltava aos problemas
de Deus e da alma, tentando conciliar o ensinamento da
Bíblia com a filosofia platônica.