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INSTRUÇÕES GERAIS

Realização das práticas: na medida do possível, os


experimentos devem ser realizados pelos estudantes. Para isto, a turma
é dividida em grupos e cada um fica incumbido de realizá-los de acordo
com o programado. No caso, em que haja deficiência de materiais ou de
animais, o experimento passa a ser demonstrativo. Nesta situação, o
docente e o técnico de laboratório o executam, enquanto que os
estudantes fazem as observações.
Tanto numa situação, como na outra, para o real
aproveitamento do curso prático, devem ser obedecidas as seguintes
recomendações:

1. Para participar das aulas práticas o aluno deverá estar usando jaleco
sobre a roupa (importante: calça comprida e sapatos fechados).
Luvas serão necessárias quando a aula for realizada com animais.

2. Leia atentamente todo o trabalho a ser realizado, a começar do


título e objetivos. Esta leitura deve ser feita com antecedência
suficiente para que o grupo de trabalho providencie todo o material
necessário que por obrigação lhe caiba.

3. Esteja imbuído, antes de dar início ao experimento, do que pretende


investigar ou analisar, a técnica a ser empregada e as observações a
serem feitas. Esteja consciente que a execução da atividade prática
não é somente realizar trabalho de laboratório, mas entender o
porquê está sendo realizado. Não torne a sua pesquisa um simples
exercício de destreza manual ou de descomprometido espectador.

4. Comece o experimento somente quando estiver consciente do que


pretende realizar e dispondo de todos os materiais e soluções
necessários para realizá-lo.

5. Lembre-se que o fato de obter resultados diferentes aos esperados


deve-se, comumente, a procedimento experimental diferente do
planejado.

6. Use os equipamentos corretamente e, em caso de dúvida, consulte o


docente ou o técnico de laboratório.
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7. Quando usar animais observe, preliminarmente, o seu estado geral e


use de todos os cuidados necessários para evitar traumatizações que
possam comprometer os resultados.

8. Não confie em sua memória. Anote as observações à medida que


são feitas, num caderno próprio, de modo claro e preciso.

9. Quando realizar determinado teste, se a observação não foi possível


ou lhe apresentou estranha, deve repeti-lo, procurando descobrir ou
eliminar as possíveis causas de tal suposta anormalidade.

10. Realizado o experimento e feitas às observações, os elementos do


grupo deve se reunir para a discussão dos resultados, não deixando
de responder às perguntas do manual de práticas.

11. Procure com paciência e persistência resolver as dúvidas por si


mesmo. Não conseguindo, consulte livros, revistas ou apontamentos
e troque idéias com os elementos do grupo.

12. Anote as explicações para poder revê-las. Em caso de persistir


dúvidas, apesar de todo o esforço em saná-las, anote-as de modo
claro e as formule, por ocasião da discussão geral, a fim de que haja
uma participação de todos sob a coordenação do docente.

13. Após a realização das aulas práticas pertinentes a cada Unidade,


os grupos deverão entregar relatório seguindo estas normas:
- a apresentação do relatório deve ser nos moldes de artigo
científico, ou seja, constando de: introdução, material e método,
resultados, discussão, conclusões e referências
bibliográficas, segundo as normas da ABNT;
- A capa do relatório deverá conter, além do título e data da aula
(dia/mês), o número, o nome de cada aluno que esteve presente
nas aulas práticas e participou de sua realização;
- Os resultados deverão ser apresentados em forma de tabelas e/ou
gráficos, utilizando programas gráficos com excel, origin, etc.
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14. Avaliação:

Avaliação Peso
Provas: Unidades (N1) 8
Provinhas (N2) 1
Relatórios e Seminários (N3) 1

Média:

Md = (N1x8) + (N2x1) + (N3x1)


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Obs: Os alunos com média inferior a 7,0 (Md < 7,0) realizarão o Provão.
A média obtida (Md) terá peso 7 e o provão, peso 3.

Média Final: (Md x 7) + (Provão x 3)


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Exemplo de nota de um aluno:
Média (Md): 5,9 x 7 = 41,3 ÷ 10 = 4,13
Provão: 4,2 x 3 = 12,6 ÷ 10 = 1,26
Média Final: ........................... 5,39 (Aprovado)

Após a divulgação da média final, o aluno que tiver nota inferior a 5,0
poderá ainda solicitar uma nova prova (recuperação), constando de toda
a matéria lecionada no ano. Se ainda persistir nota inferior a 5.0, o aluno
estará reprovado
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ÉTICA: PRINCÍPIOS ÉTICOS NA EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL
COBEA – Colégio Brasileiro de Experimentação Animal

O progresso dos conhecimentos humanos, notadamente os


referentes a biologia, à medicina humana e dos animais, é necessário. O
homem precisa utilizar animais na busca do conhecimento, para se
nutrir, se vestir e trabalhar. Assim, ele deve respeitar o animal, seu
auxiliar, como um ser vivente como ele.

Postula-se
Artigo I – Todas as pessoas que pratiquem a experimentação biológica
devem tomar consciência de que o animal é dotado de sensibilidade, de
memória e que sofre sem poder escapar à dor;
Artigo II – O experimentador é, moralmente, responsável por sua
escolha e por seus atos na experimentação animal;
Artigo III – Procedimentos que envolvam animais devem prever e se
desenvolver considerando a sua relevância para a saúde humana ou
animal, a aquisição de conhecimento ou o bem da sociedade;
Artigo IV – Os animais selecionados para um experimento devem ser
de espécie e qualidade apropriadas e apresentar boas condições de
saúde, utilizando-se o número mínimo necessário para se obter
resultados válidos. Ter em mente a utilização de métodos alternativos
tais como modelo matemático, simulação por computadores e sistemas
biológicos in vitro;
Artigo V – É imperativo que se utilizem animais de maneira adequada,
incluindo aí evitar o desconforto, a angústia e a dor. Os investigadores
devem considerar que os processos determinantes de dor e angústia em
seres humanos causam o mesmo em outras espécies a não ser que o
contrário tenha sido demonstrado;
Artigo VI – Todos os procedimentos com animais que possam causar
dor e angústia, precisam se desenvolver com sedação, analgesia e
anestesias adequadas. Atos cirúrgicos ou outros atos dolorosos não
podem se implementar em animais não anestesiados e que estejam
apenas paralisados por agentes químicos ou físicos;
Artigo VII – Os animais que sofram dor ou angústia intensa ou crônica,
que não possam se aliviar e os que serão utilizados devem ser
sacrificados por método indolor e que não cause estresse;
Artigo VIII – O uso de animais em procedimentos didáticos e
experimentais pressupõe a disponibilidade de alojamento que
proporcione condições de vida adequada às espécies, contribuindo para
sua saúde e conforto. O transporte, a acomodação, a alimentação e os
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cuidados com os animais criados ou usados para fins biomédicos devem
ser dispensados por técnicos qualificados;
Artigo IX – Os investigadores e funcionários devem ter qualificação e
experiência adequadas para exercer procedimentos em animais vivos.
Deve-se criar condições para seu treinamento no trabalho, incluindo
aspectos de trato e uso humanitário de animais de laboratório.

USO DE ANIMAIS EM EXPERIMENTOS

OBJETIVOS:

1. Mostrar a importância da forma de tratamento dos animais de


laboratórios, levando em consideração que estes dão a vida para que
possamos conhecer as funções do organismo.
2. Verificar que o tratamento inadequado de organismo vivo, ocasiona
alterações importantes nos resultados das manobras experimentais.

ANIMAIS:

Rã, rato, coelho e cão são os animais que serão utilizados na


realização dos trabalhos de laboratório relacionados neste texto.

MANUSEIO DE ANIMAIS:

Rã: Estes animais são comumente utilizados nos estudos do sistema


circulatório, reflexos medulares e atividades de músculo esquelético.
Para estes estudos e, para que o animal adquira uma postura que
possibilite as manobras experimentais, inicialmente deve proceder-se à
destruição do Sistema Nervoso Central (SNC). Nos casos de estudos de
parâmetros circulatórios e músculo esquelético, a destruição deve ser de
todo o SNC. Já, nos casos de análise de reflexos, deverá ser
preservada a medula espinhal. Para a destruição do sistema nervoso,
segure o animal com a mão esquerda, apoiando o polegar sobre o dorso
do animal e com o indicador pressione a cabeça para baixo, de modo a
localizar uma pequena depressão formada na articulação atlo-occipital.
Neste ponto, introduza a ponta de um estilete e ao julgar ter atingido o
neuroeixo, execute movimentos laterais a fim de seccionar a medula.
Dirigindo a ponta do estilete no sentido caudal, procure
introduzir no canal medular e com movimentos giratórios do estilete,
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destrua a medula espinhal. Retirando o estilete, introduza a sua
extremidade no sentido oposto para destruir o encéfalo. Havendo
destruição do SNC, o animal não apresentará reflexos.

Coelho ou cobaia: Para a imobilização destes animais, deve segurá-los


com uma mão as orelhas e com a outra conter firmemente os membros
posteriores, levantando-os levemente de forma a não oferecer-lhes
suporte fixo. Para os estudos da ação do Sistema Nervoso Autônomo
(SNA), na regulação dos vasos periféricos e da pupila, após o
procedimento referido acima, deverá ser colocado um afastador na boca
do animal. Este afastador deve ter um orifício no centro e por onde
deverá ser imediatamente introduzida uma sonda no estômago. Através
desta via será administrada a solução anestésica.

Ratos: São animais freqüentemente empregados nos trabalhos de


laboratórios; são geralmente fáceis de manipular, mas deve ser tomado
bastante cuidado, pois, mordem quando são tratados de forma
inadequada. Para imobilizá-los, inicialmente devem ser tomados pelo
extremo da cauda com os dedos indicador e polegar, colocando-o sobre
a mesa, de forma a apoiar as suas extremidades anteriores. Com os
dedos polegar, indicador e médio da mão livre, dispostos em forma de
pinça e com movimento rápido, deve prender o animal pelo pescoço,
não permitindo que o mesmo movimente a cabeça. Persistindo alguma
dúvida ou receio na imobilização do animal, pode ser empregada uma
toalha, o que permitirá maior segurança na manobra. Para os casos de
injeções intraperitoniais, o operador deve também prender a parte
torácica e lombar com a mesma mão com a qual está segurando a
cabeça do animal (figura 1).

TIPOS DE INJEÇÕES

Todos os alunos deverão ler atentamente e entender


corretamente as técnicas de aplicação de injeção, que serão
empregadas nas diversas práticas programadas pela Disciplina de
Fisiologia.
A introdução de medicamentos no organismo pelas injeções,
denominadas também de via parenteral, se processa através da
passagem de fármacos dos interstícios das células à circulação pela via
capilar, executando-se a injeção endovenosa, que como seu próprio
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nome indica, a substância é depositada diretamente na corrente
circulatória.
Na prática de introdução de medicamentos pela via
parenteral, o operador deve enquadrar-se a uma série de cuidados e
princípios, de forma a não causar acidentes, que algumas vezes podem
adquirir caracteres seríssimos. Estas observações são: seringa e agulha
novas e descartáveis adequadas para cada tipo de injeção (observando-
se diâmetro, comprimento, bisel, etc); esterilização do material a ser
empregado; limpeza e desinfecção da região onde se processará a
injeção; nas injeções intramusculares, injetar a substância só depois de
verificar por aspiração de que a ponta da agulha não ficou dentro de um
vaso sangüíneo. Este cuidado deve ser estritamente observado,
principalmente, quando vai se injetar solução oleosa, a qual nunca deve
ser depositada na corrente circulatória. Antes da introdução da agulha
em qualquer tecido, deve-se retirar todo o ar existente dentro da seringa.
Após a observação dos ítens acima, proceda da seguinte maneira:
Injeção Subcutânea: É a deposição de uma solução no tecido
subcutâneo. O líquido é aplicado lentamente, produzindo um leve
aumento volumétrico no local, o que será distribuído através de
massagens feitas com algodão e álcool. A agulha deve ser introduzida
com movimento rápido e seguindo uma direção inclinada com relação à
pele. A pele da região onde será feita a injeção, deve ser presa com os
dedos polegar, indicador e médio.

Injeção Intramuscular: Com uma das mãos prenda um segmento do


músculo da região na qual será feita a injeção. Com movimento rápido e
único, introduza a agulha, em uma posição oblíqua com relação à pele,
no sentido súpero-inferior. Conseguindo isto, puxe o êmbolo e após
verificar que a agulha não está dentro de um vaso sangüíneo, proceda a
injeção. Cuidado especial deve ter para que a agulha não lese o ciático
ou o radial (Figura 2).
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Figura 1. Técnica da injeção intraperitoneal no rato.

Injeção Intraperitoneal: Contido o animal experimental, exponha o seu


ventre e injete a solução na cavidade abdominal. Para isto, introduza a
agulha no peritônio, atravessando os músculos abdominais (Figura 2).
Este tipo de injeção freqüentemente é usado na aplicação de
anestésico, aproveitando a rica vascularização da região, o que
possibilita a rápida e eficaz absorção da solução. A agulha a ser
utilizada deve ser 10x5, para pequenos animais.

Cuidado: respeitar a região ocupada pelo fígado (parte superior


direita da cavidade abdominal).

Figura 2. Locais de injeção intramuscular no homem. A) na região


glútea, no quadrante superior externo; B) no músculo deltóide.

Injeção Intravenosa: Esta forma de administração de medicamentos


proporciona uma ação imediata, por isso, os cuidados devem ser

maiores, pois, a reação orgânica também é imediata. Para facilitar a


introdução da agulha na veia escolhida deve-se utilizar um
torniquete ou compressão de forma a provocar uma estagnação
sangüínea e um aumento volumétrico da veia. A agulha deve estar
em linha oblíqua em relação à pele e a sua introdução deve ser lenta,
de forma a não ultrapassar o vaso (figura 3). A chegada da ponta
da agulha no interior da veia é fácil de ser constatada, pois,
imediatamente, há um refluxo de sangue para dentro da seringa. Após
esta observação deve-se retirar o torniquete ou aliviar a compressão e
proceder à injeção.
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Figura 3. Técnica de injeção intravenosa. Colocação do torniquete no


braço e introdução da agulha na veia cefálica medial.

Cuidado: Não injetar solução oleosa ou ar na corrente circulatória.

UNIDADES DE MEDIÇÕES

Sempre que se deseje quantificar uma determinada grandeza,


torna-se necessário medi-la, ou seja, compará-la com uma unidade
escolhida previamente. A seguir, apresentamos várias unidades para
medição de acordo com o tipo de grandeza em estudo.

I. Medidas de comprimento:

Medida Símbolo Valor


Quilômetro km 103m
Metro m Unidade-Padrão
Centímetro cm 10-2m
Milímetro mm 10-3m
Micrômetro µm 10-6m (Ou 10-3mm)
Nanômetro nm 10-9m (Ou 10-6mm)
Angstrom A 10-10m (10-7mm)
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II. Medidas de massa:

Quilograma kg unidade-padrão
Grama g 10-3kg
Decigrama dg 10-1g
Miligrama mg 10-3g
Micrograma µg 10-6g
Nanograma ng 10-9g
Micromicrograma Ou µµg
Picograma pg 10-12g

III. Medidas de volume:

metro cúbico m3 103l


Litro l unidade-padrão
mililitro ml 10-3l
microlitro ou µl ou
milímetro cúbico mm3 10-6l

IV. Medidas de tempo:

Hora h 3,600 s
Minuto Min 60 s
Segundo s Unidade-padrão
milissegundo Ms 10-3s

V. Medidas de ângulos:

Grau o 1/360 da circunferência


minuto ‘ 1/60 do grau
Segundo “ 1/60 do minuto

VI. Medidas de força:

Newton n unidade-padrão
Quilograma-força Kgf unidade-padrão(1 kgf =
9,806 N)
Grama-força Gf 10-3kgf
Dina D 10-5N
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CONCENTRAÇÕES
CONCENTRAÇÕES DAS SOLUÇÕES

É entendida como uma relação entre a quantidade de soluto


e a quantidade de solvente ou de solução. Há várias maneiras de
expressar as concentrações das soluções, contudo, devemos exprimir
as concentrações de uma maneira coerente com os fenômenos que
pretendemos observar ou estudar. Assim, por exemplo, se estamos
analisando reações entre íons, é conveniente expressarmos as
concentrações em Normalidade ou Equivalente - grama por litro, uma
vez que as reações se verificam equivalente-grama por equivalente-
grama.
Concentração comum ou concentração - relação entre a massa de
soluto e o volume da solução.
massa
Concentração=
volume da solução

Esta pode ser expressa em: g/l, mg/ml, µg/ml, etc.

Título - é comumente expresso em porcentagem (%), representado a %


em peso (p/p) ou volume do soluto na solução (v/v). Assim, por exemplo,
solução de glicose a 5%, tem-se 5 g de glicose dissolvidas em 100 g de
solução. Outro exemplo: 78% de nitrogênio no ar, tem-se 78 l deste gás
em 100 l do ar.

Molaridade (M) - relação entre o número de móis do soluto e o volume


da solução.
nº de móis do soluto
M=
volume da solução em litros

Em soluções fisiológicas, comumente, são expressas as


concentrações dos solutos em milimolar (mM) que representa M/1000.

Normalidade (N) - é o quociente entre o número de equivalente-


grama do soluto e volume da solução.
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nº de equivalente-grama do soluto
N=
volume da solução em litros

Quando se diz que uma solução é xN, isto significa que nesta
solução há xeq. por litro de solução, daí ser comum expressar a
concentração em equivalente-grama por litro (eq/l). Os componentes
iônicos do líquido extracelular, geralmente, são expressos em
miliequivalente/litro (meq/l).

l mEq = eq/1000

Osmolaridade - é o quociente entre o número de osmóis e o volume da


solução.

nº de osmóis do soluto
Osmolaridade =
volume de solução em litros

O nº de osmóis obtém-se: m.i. Onde m = massa de soluto em gramas


M i = fator de Van't Hoff
M = Mol do soluto

Assim, quando dizemos que uma solução tem a


concentração 0,5 osmolar, isto significa que num litro de solução há 0,5
osmol do soluto.
Termo parecido, mas não correspondente é osmolaridade
que significa nº de osmóis por kg de solução. Em se tratando de
soluções diluídas, osmolaridade e osmolalidade praticamente se
equivalem.
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UNIDADE I

1 – Mecanismos
Mecanismos Homeostáticos no Homem
As diversas funções do corpo humano são decorrentes de
processos físicos e químicos que continuamente ocorrem em
aproximadamente 75 trilhões de células.
A ação de uma grande quantidade de sistemas de controle locais e
sistêmicos permite o estabelecimento de um equilíbrio entre as diversas
funções corporais, pela ativação ou inibição de mecanismos que alteram
a atividade de células, órgãos e sistemas.
Os diversos sistemas de controle das funções corporais têm um
objetivo comum: a manutenção das condições estáticas, ou constantes,
do meio interno, entendendo-se como meio interno o meio que envolve
as células, ou seja, o líquido intersticial nos tecidos e o plasma no
sangue.
As condições referidas acima representam o que em Fisiologia
denomina-se homeostasia e que indicam funcionamento orgânico em
condições normais.
Dentre os sistemas de controle das funções corporais, o
mecanismo de retroalimentação (“feedback”) constitui um dos principais
meios de manutenção das condições necessárias para o funcionamento
orgânico normal. O mecanismo de retroalimentação pode ser positivo ou
negativo.
O mecanismo de retroalimentação negativo é o mais importante
para a manutenção da homeostasia. Esse mecanismo atua por uma
resposta contrária do sistema de controle à condição inicial do estímulo.
Ex. o aumento de CO2 no sangue ativa o mecanismo de
retroalimentação negativa que promove a diminuição do CO2 ; a queda
da pressão arterial ativa o mecanismo de retroalimentação negativa, que
eleva a pressão arterial.
Devido a ação do mecanismo de retroalimentação negativa, as
funções corporais oscilam dentro de faixas de normalidade (valores
mínimos e máximos), pois a tendência de aumento ou diminuição das
funções de células, órgãos e sistemas, continuamente sofrem correções,
permanecendo desta forma, dentro dos limites considerados fisiológicos.
O mecanismo de retroalimentação positivo é conhecido como
“ciclo vicioso”, pois o mecanismo induz à instabilidade e ao desequilíbrio
das funções do organismo. A ação de retroalimentação positiva pode
promover a morte porque a resposta do sistema de controle ao estímulo
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original é de potencialização. Ex.: infarto do miocárdio, hemorragia
grave.
As células benefeciam-se das condições fisiológicas adequadas
para executar as suas atividades metabólicas e ao mesmo tempo
contribuem para a permanência dessas condições funcionais. Desta
forma, quando um ou mais sistemas de controle perdem a sua
capacidade de participar no processo de manutenção das condições
normais do meio interno, as células sofrem podendo até morrer.
A disfunção dos sistemas de controle altera o meio interno
promovendo o estado conhecido como doença: A disfunção
generalizada ou de órgãos vitais, pode provocar a morte.

 Objetivos:
1. Demonstrar a presença de mecanismos de regulação das funções
orgânicas.
2. Analisar a interação entre os mecanismos de regulação das funções
corporais.

 Materiais e Métodos:
Termômetro clínico, fita indicadora de pH, escala colorimétrica de pH,
cronometro relógio, pneumógrafo, tambor de Marey e quimógrafo.

Técnica para determinação do(a):

- Pulso radial
Colocar os dedos indicador, médio e anelar, ou somente o dedo
polegar sobre a artéria radial, entre o osso rádio e o tendão, na altura do
punho. Posicionar os dedos do mesmo lado do dedo polegar do
voluntário. Com a polpa dos dedos, sentir a pulsação da artéria, dando
atenção à freqüência, à intensidade e ao ritmo.

- Temperatura Corporal
Verificar se a coluna de mercúrio do termômetro está no nível zero.
Constatado isso, colocar o bulbo do termômetro na boca do voluntário,
embaixo da língua, deixando-o nessa posição por 3 min. Pedir ao
voluntário para que permaneça com a boca fechada, sem mexer no
termômetro. Após esse período, retirar o termômetro e fazer a leitura da
temperatura corporal do voluntário, tomando o cuidado de não tocar no
bulbo.
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- Freqüência respiratória
A determinação da freqüência respiratória pode ser feita
simplesmente colocando a mão estendida com o dorso voltado para
cima, inclinado em direção às narinas e boca, apoiando a mão sobre a
extremidade do maxilar inferior. Você irá sentir o ar que expirado. Para
obter a freqüência respiratória basta contar as expirações realizadas
durante 1 minuto.
A freqüência respiratória nesta atividade prática será realizada com a
utilização de pneumógrafo, tambor de Marey e quimógrafo. Coloque o
pneumógrafo na parte anterior e inferior do tórax conectando-o, a seguir,
com o sistema de registro (tambor de Marey e quimógrafo). Ajuste a
pena inscritora no tambor esfumaçado e ligue o quimógrafo. Faça o
registro da atividade respiratória por 1 minuto, contando as oscilações
registradas durante este período de tempo a fim de obter a freqüência
respiratória/ minuto.
- pH bucal
Segurar uma das pontas da fita indicadora de pH e introduzir,
aproximadamente, 1/3 da fita na boca do voluntário, mantendo-a dentro
até o completo umidecimento com a saliva, colocar a ponta da fita sob a
língua a fim de favorecer o contato com o líquido bucal. Após 10
segundos retirar a fita e fazer a leitura, comparando a reação de cor
ocorrida com a escala colorimétrica fornecida na caixa de fitas.

 Seqüência Experimental:
1. Determinar o pulso radial (PR), a freqüência respiratória (FR), a
temperatura corporal (TC) e o pH bucal de 2 alunos voluntários do grupo
(A e B). Realizar essas determinações com os alunos em repouso
(Repousoi). Anotar os dados obtidos.

Obs: para este experimento, deverão ser escolhidos alunos que não
tenham nenhum impedimento para a realização de esforço físico.

2. Solicitar aos dois voluntários, de preferência com características


físicas semelhantes, a realização de exercício físico (pular/ pedalar e/ou
correr) por um período de 5 minutos.

3. Imediatamente após a realização do exercício físico determinar o


pulso radial, a freqüência respiratória, a temperatura corporal e o pH
bucal. Anotar os dados.
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4. Colocar os dois alunos em repouso (REPOUSOF) por 15 minutos.
Após esse período, proceder novamente à determinação dos
parâmetros em estudo.

5. Colocar no quadro os dados obtidos nos itens 1, 3 e 4 do


experimento.

PR FR TC PH
A B A B A B A B
Repousoi
Após Exercício.
RepousoF

 Estudo Orientado:
♦ Quais são as alterações detectadas com o exercício? O repouso
restaurou as condições?
♦ Qual a relação funcional entre os parâmetros estudados?
♦ Por que ocorrem estas alterações provocadas pelas manobras
experimentais?
♦ O exercício físico provoca diminuição do pH e aumento da
temperatura, resultando em um aumento da freqüência respiratória
(FR), além de sudorose? Como a FR está agindo na regulação das
condições do meio interno?
♦ Quais as conseqüências orgânicas da acidose e da alcalose
metabólica?
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2- TRANSPORTE FÍSICO DE MATERIAIS

2.1- Filtração:

 Objetivos:
1- Comparar materiais filtráveis com materiais não filtráveis;
2- Demonstrar a importância da pressão induzida pelo peso do fluido da
coluna.

 Materiais:
Funil, papel filtro, proveta, carvão vegetal, sulfato de cobre, amido
(fervido 0,5 – água), pipeta de 2 ml, 1 tubo de ensaio, solução de Lugol.

 Seqüência Experimental:
1- Dobrar o papel filtro em 4 partes, abrir e colocar no funil. Adicione
algumas gotas de água para fixar o papel filtro na posição correta.
2- Coloque o funil sobre o proveta;
3- Faça a seguinte mistura: Porções iguais de carvão vegetal (preto) e
sulfato de cobre (azul) e 15 ml de amido (branco): Complete o volume
de 25 ml com água. Coloque no funil até a borda superior do papel.
4- Para observar a diferença na taxa de filtração com a altura da
solução na diminuição do funil, conte o número de gotas formadas
nos primeiros 10 segundos.
N.º de gotas nos primeiros 10 segundos: _________________
5- Quando o nível do fluído é reduzido para baixo de 1/3, contar o
número de gotas por segundo (durante 10 segundos)
Nº de gotas (durante o segundo 10 segundos):_______________
6- Repetir o procedimento quando o nível do fluído estiver reduzido para
2/3, contar o número de gotas por segundo (durante 10 segundos).
Nº de gotas (durante o terceiro 10 segundos):_______________
7- Observe quais substâncias passaram através do papel filtro por sua
cor. Verifique o papel filtro para determinar se alguma partícula
colorida não foi filtrada.
8- para determinar quanto passou através do papel filtro, coloque
aproximadamente 2 ml do filtrado no tubo teste, adicione algumas
gotas de Lugol. A coloração azul escuro indica que o amido esta
presente.
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3- EFEITOS OSMÓTICOS DAS SOLUÇÕES SOBRE AS


HEMÁCIAS

VOCÊ RECORDE QUE:

 Solução de 1 osmol/l é aquela capaz de exercer a 0ºC uma pressão


osmótica de 22,4 atmosfera?

 Osmolaridade significa número de osmóis/l de solução, enquanto


que, osmolalidade significa número de osmóis/kg de solução?

 Soluções isosmóticas são aquelas que apresentam a mesma


osmolaridade e solução isotônica é aquela que em contato com as
células, não lhes causa alteração de volume?

 Reveja as noções de osmose e pressão osmótica.

 Objetivos:
1. Analisar os efeitos de soluções, com diferentes concentrações, sobre
o volume das hemácias.
2. Constatar a importância de ser mantido o meio interno isotônico com o
interior da célula.
3. Ser capaz de calcular a osmolaridade de uma solução.

 Materiais e Soluções:

Materiais: 7 pipetas de 5 ml, 7 tubos de centrífuga, centrífuga, 1 porta-


tubos, 1 porta-pipetas e fita adesiva.

Soluções: NaCl 5%, 0,9% e 0,4%, glicose a 5,1%, uréia a 1,7%,


solução heparina 50 U.I./ ml de solução salina isotônica (solução
anticoagulante) e água destilada, 20 ml de sangue com 2 ml de
solução de heparina.

Animal: cavalo.

 Seqüência Experimental:
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1. Dispondo dos 7 tubos iguais de centrífuga, coloque 5 ml


separadamente em cada tubo: solução de salina 0,9%, 5%, 0,4%, água
destilada, solução de glicose 5,1% e solução de uréia 1,7%. Anote, na
parede dos tubos o conteúdo correspondente.

2. Antes de qualquer colheita de amostra, agite suavemente o sangue.


Adicione em cada tubo 2 ml de sangue e agite suavemente o tubo. No
tubo nº 7 coloque somente 2 ml de sangue.

3. Centrifugue todos os tubos por 10 minutos a 5000 rotações por


minuto.

 Estudo Orientado:
♦ Descreva as características do conteúdo dos tubos (cor do
sobrenadante, cor e volume do depósito) após a centrifugação,
confrontando-as com as do tubo tendo apenas sangue.
♦ Calcule a osmolaridade de todas as soluções, tendo os pesos
moleculares: glicose= 180; uréia=60; cloreto de sódio= 58,5, sendo
que o fator de Van´t Hoff(i) corrigido devido à interação iônica de Na+
e Cl- é de 1,84 para as soluções de cloreto de sódio.
♦ As osmolaridades corrigidas do líquido intersticial é de 0,281 osmóis/l
e do plasma é 0,282 osmóis/l. Por que há esta pequena diferença
entre elas? O que é osmolaridade?
♦ Qual a razão das diferenças (cor do sobrenadante e volume do
depósito) entre o tubo com apenas sangue e os demais tubos?
♦ Classifique as soluções estudadas em relação ao conteúdo das
hemácias quanto à tonicidade (hipertônica, isotônica ou hipotônica) e
osmolaridade Hiper, iso ou hiposmótica).

Obs: Cada mesa de trabalho deve deixar os materiais em ordem como


foram encontrados, sem necessidade de lavá-los.
21

UNIDADE
UNIDADE III

ENDOCRINOLOGIA E REPRODUÇÃO

1- FATOR INIBIDOR DA PROLACTINA (PIF)

Esta aula serve como um bom modelo para o estudo do arco


reflexo nervoso que controla a secreção de hormônios essenciais para a
lactação. O desenvolvimento completo da glândula mamária depende da
ação de vários hormônios, como: estrógeno, progesterona, hormônio do
crescimento, prolactina, hormônios tireoidianos, glicocorticóides e
insulina. Durante a gestação ocorre aumento dessas glândulas e da sua
capacidade secretora devido a ação dos hormônios citados acima,
associados aos de origem placentária (lactogênio placentário e
esteróides) sobre o sistema canavicular, promovendo o desenvolvimento
dos ductos e dos alvéolos. A manutenção da secreção de leite no
período pós-parto depende de um arco-reflexo neuroendócrino, que se
inicia ao nível dos mamilos, por estímulos dos mecanorreceptores aí
localizados (sucção). Por intermédio dos nervos sensitivos e conexões
multisinápticas ao nível da medula espinhal, bulbo e mesencéfalo, os
impulsos chegam ao hipotálamo e ativam os mecanismos responsáveis
pela secreção de prolactina e ocitocina. A prolactina é o principal fator
responsável pela produção do leite, enquanto a ocitocina age nas
células mioepiteliais que revestem os alvéolos determinando sua
contração que promove a expulsão do leite (lactopoiese ou descida do
leite).

 Objetivos:

O objetivo deste experimento é de verificar alguns fatores


que atuam na liberação do PIF, aumentando-o ou diminuindo-o.

 Materiais e Soluções:

Materiais: 4 gaiolas, balança comum, balança analítica, seringas.


22
Soluções: pentobarbital sódico à 50 mg/ml, xilocaína 2%, L-Dopa
15 mg/ml, ocitocina.

Animais: 4 ratas com as ninhadas.

Serão utilizadas neste experimento, ratas em fase de


lactação com suas respectivas ninhadas, tendo o mesmo número de
filhotes de (06) de aproximadamente 14 dias.
As ninhadas deverão ser separadas das mães por 12-14
horas do início dos experimentos. Durante este período as mães terão
acesso livre à alimentação e à água.
No tempo zero do experimento a ninhada será pesada e
colocada junto à mãe e após 45 minutos, a ninhada será novamente
pesada. As bexigas urinárias dos filhotes devem ser esvaziadas por
compressão do ventre.

Obs. 1: Número limitado de 6 filhotes/ ninhadas visa evitar que em


ninhadas maiores ocorra competição entre os filhotes na disputa
pelos mamilos e isso interfira nos resultados.
Obs. 2: Antes da pesagem da ninhada do tempo zero proceder o
esvaziamento da bexiga urinária dos filhotes por meio de compressão
leve com o polegar na bexiga abdominal baixa. Esse manuseio tem o
objetivo de evitar que ocorram variações de peso dos filhotes em
decorrência de eliminação urinária que poderia anular as variações
provocadas pela ingestão do leite.

 Técnica:

Os animais serão divididos nos seguintes 4 grupos de 1 mãe


e filhotes:
1. Controle - Deixar apenas os seis filhotes. Cuidado em esvaziar as
bexigas dos filhotes. Pesar os filhotes. Colocá-los junto à mãe.
Retornar a pesá-los 45 minutos após.

2. Injeção de L-Dopa – Injetar na rata mãe 7,5 mg de L-Dopa (i.p.) e


colocar a ninhada. Após 45 minutos retirá-los e pesá-los. Após esse
período, injeta, via endovenosa, 60 mµ de ocitocina na mãe, junte
novamente os filhotes e tome o peso final dos mesmos.
23
3. Pentobarbital sódico – Pesar os filhotes; injetar pentabarbital sódico
5 mg/ 100g (i.p.) na mãe e quando esta estiver anestesiada, colocar
os filhotes. Marcar o tempo zero e pesá-los 45 minutos após. Passado
esse tempo injetar 60 mµ (endovenoso) de ocitocina na mãe. Juntar
os filhotes durante 45 minutos e pesá-los novamente.

4. Efeito da anestesia local – Injetar ao redor de cada mamilo 0,10 ml


(subcutânea) de xilocaína 2%. Pesar os filhotes. Colocá-los junto à
mãe. Pesá-los novamente após 45 minutos. Passado esse tempo,
injetar 60 mµ (endovenoso) de ocitocina na mãe. Juntar os filhotes à
mãe durante 45 minutos e pesá-los novamente.

 Resultados:
O efeito de cada condição experimental será avaliado pela
variação no peso dos filhotes (peso final – peso inicial) em correlação
direita com a quantidade de leite ejetado pela rata.

VARIAÇÃO DO PESO DOS FILHOTES (APÓS AMAMENTAÇÃO) DE


RATAS EM LACTAÇÃO SUBMETIDAS A VÁRIAS CONDIÇÕES
EXPERIMENTAIS:
Tratamento Grupo de alunos Variação de Média dos
peso dos filhotes resultados
(g): Pfinal –
Pinicial
Controle G1
G5
Pentobarbital G2
sódico G6
Pentobarbital G2
sódico +
G6
ocitocina
Dopamina G3
G7
Dopamina + G3
ocitocina G7
Xilocaína G4
G8
Xilocaína + G4
Ocitocina G8
24

2- HIPO E HIPERTIREOIDISMO
HIPERTIREOIDISMO INDUZIDOS EM RATOS

 Objetivos:

1. Identificar e descrever as alterações morfológicas da glândula tireóide,


em ratos, frente ao hipotireoidismo e hipertireoidismo induzidos.

 Fundamentos:
A glândula tireóide é composta por dois lobos laterais à traquéia,
unidos por um istmo de parênquima glandular. É formada por folículos,
os quais são constituídos por células foliculares que são responsáveis
pela síntese e secreção dos hormônios tireoidianos. Essas células estão
dispostas de forma a englobar uma quantidade de colóide rico em
tireoglobulina.
Os hormônios tireoidianos metabolicamente ativos são a
triiodotironina (T3) e a tetraiodotironina (T4). Alguns fatores são cruciais
para a síntese e secreção desses hormônios:
→ Iodo: proveniente da dieta, esse elemento faz parte das
moléculas de T3 e T4;
→ Tireoglobulina: principal proteína sintetizada pela tireóide,
contém em sua estrutura átomos de tirosina, os quais são a
matéria prima para a formação de T3 e T4;
→ Peroxidase: enzima responsável pela organização do iodo, ou
seja, a oxidação simultânea do iodeto com o radical tirosil da
molécula de tireoglobulina. Os fármacos propiltiouracial e
metimazol, da família das tiouréias, inibem a ação da
peroxidase, por competirem com o iodo.
Após ingestão, o iodo é reduzido a iodeto e absorvido pelo trato
digestivo. Captado da circulação sangüínea pelas células foliculares da
tireóide, é então organificado, tornando-separte da molécula de
tireoglobulina

 Materiais e Soluções:

Materiais: balança e material cirúrgico

Soluções: metimazol; hormônio tireoidiano (T3); hidrato de cloral


25
Animais: ratas wistar

 Seqüência experimental:

Dividir os animais em 3 grupos:


→ Grupo controle (sem qualquer tratamento);
→ Grupo tratado com metimazol (0,03%, adicionado à água de
beber);
→ Grupo tratado com hormônio tireoidiano (100µg/ 100 g de
peso)

Após tratamento com as respectivas drogas por 10 dias, os


animais devem ser submetidos à anestesia (hidrato de cloral na dose de
0,4 ml/ 100g de peso). Em seguida, são submetidos a cervicotomia de
forma a expor a glândula tireóide, q qual deve ser observada e ter sua
morfologia descrita em detalhes. A glândula deve então ser removida e
pesada, sendo que todas as características observadas nos 3 diferentes
grupos devem ser comparadas entre si e discutidas.

 Responda:

- Quais são as características morfológicas da glândula tireóide


observadas nos 3 grupos estudados, e qual a razão das diferenças
encontradas?

- Qual o papel desempenhado pelo hormônio tireoidiano nas


alterações observadas?

- Qual o papel desempenhado pelo metimazol nas alterações


observadas?

- Qual o papel representado pelo eixo hipotálamo-hipofisário nos


efeitos induzidos pelas drogas utilizadas?

- Quais as possíveis conseqüências fisiológicas sobre outros órgãos e


sistemas causadas pela administração das drogas utilizadas?

3-REGULAÇÃO HOMEOSTÁTICA DA GLICEMIA


26
INTRODUÇÃO

A manutenção da concentração plasmática de glicose é de


suma importância para a sobrevivência, visto que a glicose plasmática é
o principal substrato metabólico utilizado pelo sistema nervoso central
(exceto no jejum prolongado). Uma breve hipoglicemia pode ocasionar
uma disfunção cerebral, e prolongando-se este estado pode-se
ocasionar morte cerebral. Por isso, é imprescindível a existência de
mecanismos glico-regulatórios incumbidos de prevenir ou corrigir a
hipoglicemia.
A regulação da captação, estoque e mobilização dos
combustíveis celulares e substratos sob as variações das condições
ambientais e fisiológicas em organismos superiores envolve fatores
hormonais, neurais e de substratos.

Fatores Hormonais

Os principais hormônios envolvidos na manutenção da glicemia


plasmática são: insulina, glucagon, epinefrina, cortisol e hormônio do
crescimento. Sendo que os quatro últimos são chamados de hormônios
contra-regulatórios, pois se opõem à principal ação da insulina, que é
reduzir a glicemia plasmática.
A insulina desempenha uma função primordial na regulação da
glicose sangüínea. Esse hormônio é produzido no pâncreas, pelas
células β das ilhotas de Langerhans, e é secretado no sangue como
uma resposta direta à hiperglicemia. Sua concentração no sangue
acompanha a da glicose, e sua administração provoca hipoglicemia
imediata. As principais substâncias que determinam a liberação de
insulina são: carboidratos, alguns aminoácidos, ácidos graxos livres,
corpos cetônicos, glucagon, secretina, gastrina... A insulina tem efeito
imediato, em tecido adiposo e o muscular, aumentando a velocidade de
absorção de glicose. Essa reação é causada pelo aumento de
transporte de glicose na membrana celular devido ao recrutamento de
transportadores de glicose GLUT4, que estão no interior da célula, para
a membrana plástica. Ao contrário, não há efeito direto da insulina na
entrada de glicose nas células hepáticas. Todavia, indiretamente, a
insulina aumenta a captação de glicose pelo fígado em virtude de sua
ação: 1) estimulante sobre enzimas que regulam a glicólise e a síntese
de glicogênio; 2) inibitória sobre algumas enzimas glicogenolíticas e
neoglicogênicas.
O glucagon é o hormônio sintetizado no pâncreas pelas células
α das ilhotas de Langerhans. Sua secreção é estimulada pela
27
hipoglicemia, e quando ele chega ao fígado (via veia porta), provoca
glicogenólise por ativar a fosforilase. A maior parte do glucagon
endógeno é retirada da circulação pelo fígado. O glucagon também
aumenta a gliconeogênese a partir de aminoácidos e do lactato. Tanto a
glicogenólise quanto a gliconeogênese, que ocorrem no fígado,
contribuem com os efeitos hiperglicêmicos do glucagon, cujas ações
opõem-se às da insulina.
A epinefrina, hormônio sintetizado pela medula adrenal,
estimula a produção de glicose hepática e limita a utilização de glicose.
As ações da epinefrina são diretas e indiretas, e são mediatas através
da sua ligação aos receptores α e β adrenérgicos. O efeito α
adrenérgico inibindo a secreção de insulina, é um dos principais efeitos
hiperglicemiante indiretos da epinefrina. A estimulação β adrenérgica da
secreção de glucagon também ocorre, mas sua contribuição no efeito
hiperglicemiante sob condições fisiológicas parece ser menor. A
epinefrina também atua diretamente aumentando a glicogenólise e
gliconeogênese hepática. Como o glucagon, a epinefrina atua em
minutos e produz um aumento transiente na produção de glicose. Já o
cortisol e hormônio do crescimento possuem efeitos mais lentos,
requerendo diversas horas para promover o aumento glicêmico. Por
isso, estes hormônios, embora sejam liberados durante a hipoglicemia,
não são importantes para a contra-regulação a curto prazo.
Os glicocorticóides do córtex adrenal elevam a glicose
sangüínea e produzem uma curva de intolerância à glicose do tipo
diabético. Na espécie humana, esta ação ocorre somente em indivíduos
com predisposição genética ao diabetes. A tolerância à glicose está
reduzida em 80% dos pacientes com síndrome de Cushing e 20%
desses pacientes têm franco diabetes. Os glicocorticóides são
necessários para o glucagon exercer sua ação gliconeogênica durante o
jejum. Os principais efeitos diabetogênicos são: 1) o aumento do
catabolismo protéico, que aumenta a gliconeogênese no fígado; 2) o
aumento da glicogenogênese e da cetogênese hepáticas; 3) a redução
de utilização periférica de glicose, que pode ser devido à inibição da
fosforilação da glicose.
O hormônio de crescimento (GH), secretado pela hipófise
anterior, também ocasiona aumento da glicemia. Esse hormônio
mobiliza os ácidos graxos livres do tecido adiposo favorecendo assim a
cetogênese, ele reduz a captação de glicose em alguns tecidos (ação
anti-insulínica), aumenta a liberação de glicose hepática e pode reduzir
a capacidade da insulina ligar-se aos seus receptores. O GH não
estimula diretamente a secreção de insulina, porém, a hiperglicemia por
ele produzida estimula secundariamente o pâncreas e pode
28
eventualmente produzir exaustão das células B. Há evidências de que o
GH reduz o número de receptores insulínicos e de que os
glicocorticóides reduzem suas afinidades à insulina. Contudo, a
diminuição na utilização da glicose produzida por esses hormônios
deve-se mais à inibição da fosforilação da glicose do que de sua entrada
nas células.
O efeito hiperglicemiante de infusão combinada de glucagon,
epinefrina e cortisol é substancialmente maior do que a soma dos efeitos
de cada hormônio infundido individualmente. Essas interações
sinergísticas são potencialmente relevantes na contra-regulação da
glicose.

Fatores Neurais

Estimulações elétricas dos nervos simpáticos hepáticos


diminuem o conteúdo de glicogênio, aumentando liberação de glicose
hepática e causando hiperglicemia em animais. Essas estimulações no
pâncreas inibem a liberação de insulina e estimulam a liberação de
glucagon o que resulta no aumento da glicemia.
A estimulação parassimpática via nervo vago aumenta o
conteúdo de glicogênio hepático e diminui a liberação hepática de
glicose, sendo que no pâncreas promove a liberação de insulina,
ocasionando a diminuição da glicemia.

Substratos

A glicose “per si” impulsiona o metabolismo hepático em favor


do estoque de glicogênio. Isto se baseia no conceito da auto-regulação
de glicose hepática, isto é a taxa de produção de glicose hepática é uma
função inversa da concentração de glicose plasmática, independente de
fatores hormonais ou neurais. Os ácidos graxos e corpos cetônicos
também interferem no metabolismo de glicose.

 Objetivo
Analisar o papel de hormônios no perfil glicêmico, após ingestão de
glicose (75g).

 Materiais e Métodos
 2 Alunos em jejum (8h)
 200 g de açúcar
 1 limão (opcional)
 Álcool 77%
29
 Almotolia
 Algodão
 Luvas
 Lancetas descartáveis adaptadas a um lancetador - Accu-
Chek Softclix Pro; Roche, USA)
 Fitas (Advantage II -ROCHE-USA) para aferir a glicemia.
Monitor de glicemia (Accu-Chek Advantage II, Roche, USA).
 Teste de tolerância à glicose (GTT)

Os testes serão realizados pela manhã, após jejum de 8 horas. As


amostras de sangue (glicemia capilar) serão colhidas do dedo médio
(utilizando-se lancetas descartáveis adaptadas a um lancetador - Accu-
Chek Softclix Pro; Roche, USA), antes e após 2h da ingestão de glicose
(75g). A glicemia será aferida utilizando um monitor de glicemia (Accu-
Chek Advantage II, Roche, USA).

4- INFLUÊNCIAS DA ATIVIDADE OVARIANA SOBRE O ÚTERO

 Objetivos:

1. Familiarizar o aluno com o desenvolvimento de trabalhos científicos


que duram vários dias.
2. Analisar os efeitos da atividade dos ovários sobre o útero e massa
corporal.

 Materiais e Soluções:

Materiais: Gaiolas para ratos, ração granulada, frascos para água,


mesa cirúrgica, instrumental cirúrgico, agulha e fios para sutura, luvas,
seringa de tuberculina, éter, algodão, câmara para anestesia, balança
analítica e balança comum, fita adesiva.

Soluções: pentobarbital sódico, benzoato de estradiol à 25 µg/ ml de


óleo de milho.

Animal: ratas (180 g).

 Técnica:
30
1. Separe as ratas em 4 grupos: 1.0) controle/ scham; 1.1) controle +
estrógeno; 2.0) ovariectomizado (OVX) + óleo vegetal; 2.1) OVX +
estrógeno; Coloque duas ratas em cada gaiola, identificadas com o
nome dos grupos experimentais e a data do início do experimento.
Para diferenciar as ratas na gaiola, realize marcações nas orelhas
mediante pequenos cortes em V. Isto deve ser feito após a rata estar
anestesiada.
2. Anestesie, por via intraperitoneal, com pentobarbital sódico i.p.
3. Coloque a rata em decúbito lateral sobre a mesa cirúrgica (A; figura
III.1a), localize a última costela e faça a assepsia. Faça uma incisão
de 1-1,5 cm, na pele e subcutâneo entre a última costela e a coxa.
4. Com uma pinça fazer uma seguida incisão na camada muscular
abrindo a cavidade peritoneal (B). Divulsione o músculo abrindo a
pinça (C) e observe neste local massa de gordura (esbranquiçada).
5. O ovário está localizado nesta massa de gordura (Figura III.1b; D,E).
Com auxílio da pinça puxe o ovário ou a massa de gordura (F). Faça
uma ligadura logo abaixo da trompa uterina (G). Corte entre o ovário e
a ligadura.
6. Recoloque o restante da cavidade abdominal e suture o tecido (H,I).
Não esqueça que a cirurgia é bilateral.
7. No grupo 1.0 (controle) e 1.1 (tratado com estrógeno), localize os
ovários, porém sem retirá-los. Suture a musculatura e a seguir a pele
em planos separados, passando mertiolato após o término da sutura.
8. Nos outros 2 grupos realize a OVX (Figura III.1).
31

Figura III.1 : Ovariectomia

 Seqüência Experimental:
1. Durante 4 dias que antecedem o sacrifício (9 dias após as cirurgias),
injete subcutaneamente:
- estrógeno na dose de 20 µg (benzoato de estradiol) por dia em cada
rata do grupo 1.1 e 2.1
- óleo vegetal nos animais do grupo 2.0;
- pese todas as ratas
- os grupos de alunos 1 a 4 serão responsáveis pelos animais dos
grupos 1.0 e 1.1; e os alunos dos grupos 5 a 8, pelos grupos de
animais 2.0 e 2.1.
2. Após 14 dias, sacrificá-las com éter na câmara para anestesia. Abrir a
cavidade abdominal e expor os cornos uterinos. Amarre as 2
extremidades, no seu extremo mais anterior e, posteriormente,
imediatamente antes de formar os 2 cornos. Seccione a vagina
próxima a esta última ligadura e remova-os da rata. É importante
manter igual procedimento em todas as ratas com respeito à retirada
dos cornos uterinos.
3. Os cornos devem ser pesados com o líquido neles contidos. A seguir
esvaziados e pesados novamente.
4. Faça o gráfico da média da massa corporal dos diversos grupos e
apresente as tabelas das massa médias dos cornos uterinos com e
sem líquido e relacioná-las com a massa corporal. Esta relação deve
ser expressa em mg/100 g de massa corporal.
32

Figura III.1b: Ovariectomia

5-ESFREGAÇO VAGINAL E CICLO ESTRAL EM RATAS

Obs.: Esta atividade será demonstrativa.


 Objetivos:
1. Conhecer técnicas de investigação das funções endócrinas.
2. Identificar as fases do ciclo estral nas ratas, correlacionando-as com
as alterações hormonais.

 Materiais e Soluções:

Materiais: conta-gotas, microscópio, lâminas para microscópio.


Soluções: pentobarbital sódico à 50 mg/ml, mertiolato, solução de NaCl
a 0,9%.

Animais: ratas (180 g).

 Técnica:
1. Obtenção e análise do esfregaço vaginal:
2. Segure firmemente a rata pelo dorso, mantendo-a de ventre para
cima. Outro estudante introduz na vagina a ponta de um conta gotas
de ponta fina, tendo uma gota de solução fisiológica.
3. Libere a solução fisiológica na vagina da rata e aspire novamente a
solução, a qual deverá conter suspensão células do epitélio vaginal
(figura III.2)
33

Figura III.2 - Coleta de material

4. Esparrame a suspensão na lâmina de vidro e anote na mesma a


identificação da rata.
5. Examine o esfregaço no microscópio com pequeno aumento e faça o
diagnóstico da fase do ciclo estral de cada rata, anotando as
características do campo miscroscópico.
34

Figura III.3 - Esfregaço Vaginal e Ciclo Estral

Microscopicamente as fases do ciclo estral se caracterizam:


Diestro (DII): poucas e pequenas células epiteliais, predominância
de leucócitos e bastante muco.
Proestro: células epiteliais grandes e nucleadas e ausência de
leucócitos.
Estro: presença apenas, de células queratinizadas.
Metaestro (DI): algumas células queratinizadas e outras células
epiteliais com presença de leucócitos.

6-EFEITOS DA CASTRAÇÃO E TERAPÊUTICA SUBSTITUTIVA


EM RATOS
 Objetivos:
1. Familiarizar o estudante com a investigação em Endocrinologia.
2. Observar os efeitos dos hormônios sexuais nos órgãos anexos do
aparelho reprodutor.
3. Observar o papel da terapêutica substitutiva.
35

 Materiais e Soluções:

Materiais: 3 gaiolas, 3 frascos para água, ração granulada,


instrumental cirúrgico, luvas, mesa cirúrgica para ratos, agulha e fio para
sutura, balança comum, balança analítica, seringa de tuberculina,
câmara para anestesia, éter, esparadrapo.
Soluções: pentobarbital sódico à 50 mg/ml, mertiolato, propianato de
testosterona à 1 mg/ml.

 Técnica:
1. Separe, aleatoriamente, 3 grupos de ratos, denominados: 1.0)
controle; 2.0) castrado e 2.1) castrado e tratado com propianato de
testosterona.
2. Coloque cada grupo numa gaiola e identificação devida. Faça também
a identificação de cada rato, mediante um pique na orelha, em V, em
posição diferente para cada rato contido na gaiola. Esta identificação
faça-a após o rato estar anestesiado.
3. Anestesie os ratos com pentobarbital sódico , coloque-os em decúbito
dorsal e realize a castração do grupo b e c. (figura III.4)

Figura III.4 - Animal anestesiado em decúbito dorsal

Procedimento da orquidectomia:
3.1. Faça a assepsia com mertiolato e a seguir uma incisão na bolsa
escrotal, (B-E; Figura III.5a), separando o testículo dos tecidos
adjacentes por divulsão.
36
4. Retire o testículo da bolsa escrotal (F-G; Figura III.5b). Faça uma
ligadura, envolvendo o cordão espermático com os vasos sangüíneos.
Seccione e remova o testículo (H-I).

Figura III.5a : Orquidectomia

3.3. Proceda de modo análogo para retirar o testículo do outro lado.


3.4. Faça as suturas, mediante pontos separados e passe novamente
mertiolato.

 Seqüência Experimental:

1. Mantenha os ratos nas gaiolas com ração e água, pesando-os,


diariamente, durante o decorrer do experimento.
2. No 10º dia após a castração, injete no grupo 2.1 propianato de
testosterona por via subcutânea, na dose de 300 µg por rato. Este
37
tratamento deverá ser diário, num período mínimo de 4 dias, a partir
do décimo dia pós-cirúrgico.
3. Após este período, sacrifique os animais com éter na câmara para
anestesia.
4. Retire as vesículas seminais, hipófise e adrenais.
5. Imediatamente após a retirada das estruturas do item anterior, pese-
as. Relacione a massa de cada uma em mg/100 g de massa corporal
de rato.

Figura III.5b - Orquidectomia


38

UNIDADE VIII

SISTEMA DIGESTÓRIO E ESTOMATOGNÁTICO

O tratamento de alimentos por processos físico-químicos, em


diferentes níveis do sistema digestório, permite um fornecimento
adequado de nutrientes para as células do organismo. O alimento
penetrando na cavidade oral é impulsionado por contrações musculares
através das regiões do trato digestivo. Este movimento súpero-inferior
no homem e ântero-posterior em outras espécies, está relacionado
principalmente com a atividade do músculo liso, que se estende desde a
parte distal do esôfago até as porções finais do intestino grosso.
A disposição das camadas musculares: longitudinal externa,
circular interna e a "muscularis mucosae", promove movimentos que
facilitam a propulsão e a mistura com as secreções digestivas,
permitindo a degradação e absorção dos alimentos.
Os constituintes orgânicos da dieta (proteínas, carboidratos e
lípides), penetram no sistema digestivo de forma estruturalmente
complexa, não podendo ser absorvidos em seu estado natural. Porém, o
sistema digestório possui uma grande quantidade de glândulas
exócrinas, que secretam enzimas e que convertem as grandes e
complexas moléculas em moléculas simples, passíveis de serem
absorvidas pelo trato gastrintestinal. Principalmente as glândulas
salivares parótidas, submandibulares e sublinguais, desempenham
funções relevantes, nos processos digestivos, pois a saliva facilita os
processos mecânicos realizados na boca (mastigação e deglutição) e
inicia a degradação de carboidratos, além de propiciar a função dos
receptores de gustação presentes na cavidade bucal.
As funções motoras e secretoras das diversas estruturas do
sistema digestório são reguladas por mecanismos nervosos e
hormonais.
A regulação nervosa é realizada por plexos localizados no
próprio trato gastrintestinal (Meissner e Auerbach) e por nervos
autonômicos provenientes dos ramos simpático e parassimpático.
Centros nervosos superiores também podem ter participação no controle
39
da atividade digestiva (reflexos condicionados). A participação hormonal
na regulação da motilidade e da secreção no trato gastrintestinal
constitui ponto importante no processo digestivo. Atualmente se
conhece os seguintes hormônios nesse processo: gastrina (aumenta a
liberação de HCl no estômago); gastrozimina (aumenta a secreção de
enzimas no estômago); secretina (aumenta a secreção pancreática rica
em bicarbonato e também de bile); pancreozimina (aumenta a secreção
pancreática rica em enzimas); colicistoquinina (aumenta o esvaziamento
da vesícula biliar para o duodeno); enterogastrona (inibe secreção e a
motilidade gástrica); viliquinina (aumenta os movimentos das vilosidades
intestinais).
Propõe-se freqüentemente que uma mastigação cuidadosa é
importante para o processo digestivo, embora trabalhos recentes
tenham demonstrado que as dietas modernas requerem um mínimo de
mastigação para uma digestão completa.
A função mastigatória destina-se à divisão dos alimentos, de
forma a diminuir o atrito contra os tecidos moles da boca e do tubo
digestório aumentar a superfície de contato entre os alimentos e as
secreções digestivas, possibilitando uma digestão adequada e rápida.
Na execução da função mastigatória, dois fatores são básicos:

1º) a ação muscular, que por meio de trabalho muscular produz forças
que permitem vencer a resistência imposta pelo alimento;

2º) transmissão de força, conduzida por meio dos dentes nos


alimentos.
Esses fatores, embora pareçam simples, na realidade
constituem mecanismos extremamente complexos, considerando que
estão envolvidos mecanismos de regulação altamente diferenciado, com
a finalidade de controlar a grandeza da distribuição da força necessária
para a trituração ou masseração do alimento.
Para que a mastigação seja efetiva é pois necessário
“conhecer” a quantidade de força que será desenvolvida pela ação
muscular, levando em conta as condições intra-orais. Esse
“conhecimento” da força mastigatória é elaborado pela integração no
SNC de informações que chega ao trono encefálico, oriundos dos
receptores da cavidade oral, do olfato, visão, tato, etc...
Pessoas habituadas a uma alimentação cujos elementos da
dieta apresentam resistência à mastigação (corte ou trituração) possuem
força mastigatória maior, comparadas àquelas pessoas que ingerem
alimentos de baixa resistência.
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A disposição correta e a oclusão dos dentes superiores e
inferiores é um fator de grande importância, visto que a força produzida
pelo trabalho muscular é exercida nos alimentos por meio dos dentes.
Assim, deve haver uma disposição dos dentes que permita uma
transmissão uniforme dessas forças, caso contrário, algumas partes do
sistema serão afetadas, e consequentemente ter-se-á um ato
mastigatório deficiente.

1 – ATIVIDADE DOS MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO:

 Objetivos:
Analisar se 1 (um) minuto de descanso é suficiente para se
refazer de 2 (dois) minutos de exercícios mandibulares.

 Materiais:
Cronômetro; pedaço de borracha flexível, (não facilmente
friável), com cerca de 1,5 cm de espessura (largura e comprimento
suficiente para ser colocado entre os dentes incisivos).

 Técnica:
1) Coloque o pedaço de borracha entre os dentes incisivos. Fazer
compressões sucessivas na freqüência de 120/min (2/s) durante 2
minutos. Os movimentos do maxilar inferior devem ser feitos para
haver compressões de 5 mm na borracha. Contar a freqüência
realizada no 1º e 2º minuto. Após os 2 minutos de exercícios parar
por 1 minuto. Repetir o exercício como antes e contar as
compressões no 1º e 2º minutos pós-pausa.
2) Realizar as mesmas etapas do item 1, mas alterar a freqüência de
120/min (2/s) para 180/min (3/s).

 Estudo Orientado:
♦ Descrever as sensações que surgem nos músculos da mastigação
desde o início até o término do experimento.
♦ Apesar da proposta de realizar 120 movimentos por minuto,
conseguiu tal intento? Mostre num gráfico as freqüênias de
compressões nos 1º e 2º minuto, e pós-pausa. 1º e 2º minutos,
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colocando o tempo no eixo horizontal e a freqüência no eixo vertical.
Descrever o mesmo para 180 movimentos por minuto.
♦ Neste tipo de experimento o descanso (pausa) de 1 minuto foi
suficiente para refazer as condições contráteis dos músculos.
Explicar
♦ O que seria previsto se a borracha fosse mais rígida? E se os
movimentos fossem mais lentos? E mais rápidos?
♦ Quais meios artificiais poderiam ser utilizados para se refazer mais
rapidamente deste exercício feito?
♦ Pelas sensações tidas, quais músculos da mastigação entraram em
maior grau de fadiga, neste tipo de experimento?
♦ O que significa fadiga muscular, quais os tipos e qual ou quais
possivelmente, tenha(m) ocorrido neste caso? Justifique.

2- DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA OU ÍNDICE


MASTIGATÓRIO

O método mais comumente utilizado para se determinar a


eficiência mastigatória de uma pessoa, consiste em instruí-la a mastigar
uma quantidade de alimento, geralmente de consistência razoável,
durante um determinado número de ciclos mastigatórios, ou até que ela
considere que o alimento está pronto para ser deglutido. O alimento
mastigado é então expelido da cavidade oral e passado através de uma
série de tamises, cada uma com diferentes diâmetros de malha.
Portanto, a eficiência constitui na medida do tamanho das partículas em
que o alimento foi dividido, determinado pela ausência de partículas
grandes e pelo predomínio de partículas pequenas. Os resultados desse
estudo têm demonstrado que uma boa dentição é necessária para se
obter mastigação efetiva. Sem dúvida, a eficiência mastigatória não
pode ser estimada somente a partir do número de dentes presente, pois
ela varia muito entre os indivíduos com o mesmo número de dentes. O
que parece ser realmente de grande importância é a área ou superfície
de contato dos dentes.

 Objetivo:
Determinar a eficiência mastigatória.

 Material:
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Tamises com malhas de 5, 4, 3, 2, e 1 mm; 20 gramas de coco
em fruta ou cenoura crua de tamanho médio; 1 béquer, centrífuga; 5
tubos graduados; álcool, espátula ou colher pequena.

 Procedimento:
Examinar as dentárias de um aluno voluntário, anotando as
ausências de dentes, presença de cáries e qualquer outra anomalia,
como por exemplo – mordida aberta, mordida aberta com arremesso
lingual, mordida cruzada, etc...

Tamises
Superpostas

Figura IX.1 - Tamises superpostas e deitados mostrando as malhas.

 Seqüência Experimental:
1. Fazer o voluntário mastigar 20 g de coco ou 1 cenoura de tamanho
médio dividida em 4 pedaços equivalentes, realizando para cada
pedaço 50 movimentos mastigatórios, tendo o cuidado de não
deglutir as partículas, recolhendo-as a um béquer.
2. Verter todas as partículas mastigadas sobre os tamises, que devem
estar superpostos em ordem crescente, isto é, o tamis de malha 5
mm sobre o de 4 mm, este sobre o 3 mm e assim por diante (figura
IX.1). Todas as partículas são colocadas inicialmente sobre o tamis
de 5 mm.
3. Tamisar sob pressão d’água.
4. Recolher as partículas mastigadas obedecendo ao seguinte critério:
as partículas mastigadas do tamis de 1 mm, no tubo A; do tamis 2
43
mm, no tubo B; do tamis de 3 mm, no tubo C; do tamis de 4 mm, no
tubo D e, finalmente, do tamis de 5 mm, no tubo E.
5. Adicionar álcool a cada tubo até 2 centímetros da borda.
6. Centrifugar durante 5 minutos numa velocidade de 2.000 rotações por
minuto.
7. Fazer a leitura (em ml das partículas dos alimentos) de cada tubo e
aplicar a seguinte fórmula; substituindo as letras pelos valores
respectivos obtidos.

4.A + 2.B + C
Índice mastigatório=
D+E

8. Confrontar o índice calculado com os índices mastigatórios fornecidos


na tabela que se segue:
Valores médios dos índices mastigatórios encontrados na literatura:
- Índice mastigatório superior a 10 -------------------- ótimo
- Índice mastigatório de 5 a 9,9 ------------------------ bom
- Índice mastigatório de 2,0 a 4,9 --------------------- regular
- Índice mastigatório de 1,0 a 1,9 --------------------- mau
- Índice mastigatório inferior a 1,0 -------------------- péssimo

 Estudo Orientado:
♦ Qual o índice obtido?
♦ A que qualidade ou defeitos você atribui ao grau de eficiência
mastigatória obtida?
♦ Em uma pessoa que come depressa, como se comportaria o indice?

3- SECREÇÃO SALIVAR E pH BUCAL

 Objetivos:
1. Mostrar a influência do fluxo salivar sobre o pH da boca.
2. Analisar a relação entre o tipo de alimento a ingestão alimentar e a
secreção salivar.

 Materiais e métodos:
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Materiais: fita de pH, limão, chiclete com açúcar, chiclete sem açúcar,
bolacha salgada, bolacha doce, refrigerante comum e refrigerante
dietético.

Soluções: fluoreto de sódio a 0,05%.

Técnicas Para a Determinação do pH da Boca:


Segurar uma das pontas da fita indicadora de pH com os dedos
polegar e indicador; introduzir aproximadamente 1/3 da fita na boca do
voluntário, mantendo-a dentro até o completo umedecimento com a
saliva, colocando a ponta da fita sob a língua a fim de favorecer o
contato com o líquido bucal. Após 10 segundos, retirar a fita e fazer a
leitura, comparando a reação de cor ocorrida com a da escala
colorimétrica fornecida na caixa de fitas, verificando o valor
correspondente de pH. Nesta determinação do pH, permanecer no
mínimo 1 hora sem ingerir alimentos, chupar balas, mascar chicletes,
fumar ou beber refrigerantes.

 Seqüência Experimental:
1. Escrever os nomes dos alunos do grupo e numerar seqüencialmente.
Usando a fita para pH, fazer a determinação do pH da boca de cada
aluno do grupo. Anotar os resultados.
2. O aluno número 1 irá mastigar um chiclete com açúcar por um
período de 5 minutos e, a seguir, medir o pH da boca. Anotar o
resultado.
3. Após a realização do item 2, fazer bocheco com solução de fluoreto
de sódio a 0,05% e determinar novamente o pH. Anotar os
resultados.
4. O número 1 da relação de nomes deverá repetir os ítens 2 e 3
utilizando chicletes sem açúcar e a solução de flúor, Anotando os
dados obtidos.
5. O aluno número 2 irá realizar o experimento, ingerindo três bolachas
doces em um período de 1 minuto. Medir o pH da boca. A seguir,
fazer bochecho com a solução de flúor e medir novamente o pH.
Anotar os resultados.
6. O aluno do grupo número 2 deverá repetir o experimento anterior
ingerindo três bolachas salgadas.
7. O aluno número 3 deverá ingerir lentamente, mas de forma contínua,
um copo de refrigerante comum e, logo a seguir determinar o pH da
boca. Após um intervalo de 10 minutos, medir novamente o pH e
repetir o experimento ingerindo refrigerante dietético.
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8. Escolher dois alunos do grupo e pedir para colocarem 3 gotas de
suco de limão sobre o dorso da língua. Após 1 minuto, determinar o
pH bucal. Anotar os resultados.
9. Ilustrar os efeitos das manobras experimentais preparando tabelas
com os dados obtidos.

 Estudo Orientado:
♦ Em relação ao tipo de alimento apresentado e ingerido, que influência
teve no ph da boca?
♦ O volume de saliva formado foi influenciado pelo tipo de alimento?
Descreva.
♦ Quais são as glândulas encarregadas de produzir saliva? Classificá-
las de acordo com o tipo de saliva secretado.
♦ Explicar a importância da saliva para a manutenção da fisiologia
bucal.
♦ Qual a função dos ácinos e dos ductos na secreção salivar?
♦ Como é feita a regulação da secreção salivar?
♦ Qual o volume diário de secreção salivar? Citar fatores que podem
alterar este volume.
♦ Explicar como o fluxo e a composição da saliva podem influenciar o
ph da boca.