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PROFISSIONALISMO NA ATUALIDADE

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APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR

Professor Me. Marcelo Cristian Vieira possui Mestrado em Ciência Social pela UEM -
Universidade Estadual de Maringá (2014) com Bacharelado em Administração
(2007). Pós-Graduado em Docência no Ensino Superior (2010), Pós-Graduado em
Educação a Distância e Tecnologias Educacionais (2013) e Pós-Graduado em
Auditoria e Controladoria (2012).

Possui experiência na área comercial, onde atuou em grandes empresas do


segmento do varejo como Lojas Americanas e C&A Modas, e também foi consultor
pelo SEBRAE-PR, onde prestou consultoria em micro e pequenas empresas.

Na área educacional atua desde 2008, possui experiência na coordenação e


gerência de Pós-Graduação na Educação a Distância na Unicesumar, onde
escreveu alguns livros para os cursos na área de gestão. Atualmente é
Microempreendedor na área educacional e Professor Universitário nas modalidades
a distância e presencial nos cursos de Graduação e Pós-Graduação.

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UNIDADE I – RELACIONAMENTO INTERPESSOAL, TRABALHO EM EQUIPE E
LIDERANÇA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

 Definir equipe e suas características;

 Apresentar as características compartilhadas de uma equipe;

 Conceituar liderança e suas características;

 Apresentar os estilos que um líder pode ter;

 Diferenciar os tipos de estruturas organizacionais: formal e informal;

 Compreender sobre relacionamento interpessoal e suas características;

 Demonstrar a importância da comunicação para uma boa relação


interpessoal;

 Apresentar exemplos de empresas que buscam o trabalho em equipe e o bom


relacionamento entre seus funcionários.

PLANO DE ESTUDO

A seguir apresentam-se os tópicos que você estudará nessa unidade:

 TÓPICO 1 – RELACIONAMENTO ENTRE AS PESSOAS NO AMBIENTE DE


TRABALHO
 TÓPICO 2 – DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS, ESTILO DE LIDERANÇA,
QUALIDADE DE UM LÍDER

 TÓPICO 3 – HABILIDADES INTRAPESSOAIS E TRABALHO EM EQUIPE

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INTRODUÇÃO DA UNIDADE

Olá caro aluno, seja bem-vindo à disciplina de Profissionalismo na Atualidade.


Primeiramente quero parabenizá-lo pela iniciativa de se dispor ao aprendizado e ao
conhecimento que um curso superior pode proporcionar. O conteúdo dessa
disciplina foi produzido com muita satisfação e pensado no perfil do aluno da
Educação a Distância, ou seja, um aluno autônomo e condutor do próprio
aprendizado.

Nessa disciplina veremos que não é de hoje que as empresas de todos os


tipos criam equipes para desempenhar melhor suas atividades. Há um provérbio
africano que diz "Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo". Pode
ser que você já tenha visto esse provérbio, mas você já parou para refletir sobre ele?
Já questionou sobre o trabalho em equipe ou sobre as suas vantagens e
desvantagens?

Bom, é nesse contexto que iremos trabalhar em nossa primeira unidade. Ela
será dividida em três tópicos principais, sendo que no primeiro abordaremos sobre
relacionamento entre as pessoas no ambiente de trabalho, será discutido sobre
equipe, trabalho em grupo e as relações interpessoais nas organizações.
Apresentaremos a definição de equipe, e as características compartilhadas.

No segundo tópico, abordaremos sobre liderança. Veremos o que a literatura


fala sobre o assunto e, também, descreveremos os estilos e as qualidades que um
líder deve ter, bem como o conceito de liderança e suas características. Também,
serão apresentados os tipos de estruturas organizacionais: formal e informal e
discutiremos como ela se relaciona com o processo de liderança na organização.

Por fim, falaremos sobre as habilidades intrapessoais e trabalho em equipe.


Serão apresentadas as características necessárias que uma pessoa precisa ter para
criar e manter bons relacionamentos interpessoais e também o que as empresas
fazem para facilitar a integração e incentivar o trabalho em equipe. Será
demonstrada a importância da comunicação para uma boa relação interpessoal e

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alguns exemplos de empresas que buscam o trabalho em equipe e o bom
relacionamento entre seus funcionários.

Novamente quero agradecer a sua pré-disposição em adquirir conhecimento


e desejar muito sucesso na sua caminhada profissional e que alcance suas metas e
objetivos.

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TÓPICO 1 – RELACIONAMENTO ENTRE AS PESSOAS NO AMBIENTE DE
TRABALHO

Olá aluno, hoje em dia é muito importante que as organizações estejam


cientes de que por trás dos valores, da produção, dos resultados, estão as pessoas,
cada qual com suas habilidades, competências e experiências. Sendo assim as
relações interpessoais no trabalho e a capacidade de trabalhar em equipe estão
cada vez mais valorizadas no mundo corporativo (SANTOS 2016). Pois, trabalhar
em equipe potencializa as características individuais e aumenta a produtividade.

Para entendermos melhor sobre o assunto, primeiramente, devemos


compreender que equipe é quando várias pessoas se juntam para realizar a mesma
tarefa ou o mesmo trabalho. Na esfera esportiva, temos como exemplo os times de
futebol ou de vôlei, que tem como objetivo a participação em uma competição
esportiva. Na esfera coorporativa verificamos grupo de pessoas, onde todos se
dedicam à realização de uma tarefa, para atingir o objetivo principal da empresa.

Vejamos outros exemplos:

Grupo de Estudos Comissões de Escola


Grupos Políticos Unidades Militares
Grupos Musicais Equipes de Projetos
Grupos de Pais e Mestres Clubes de Hobbies
Grupos Religiosos Grupos Sindicais
Grupo de Jovens Associações em geral
Quadro 1: Exemplos de equipes
Fonte: Adaptado de Maginn (1996)

Conforme Maginn (1996) qualquer que seja a denominação para equipe


(grupo, unidade, comissões, associações...), há sempre três características em
comum que são compartilhadas. E você, conseguiu identificar quais são elas?

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Conforme o autor a primeira característica que uma equipe apresenta é o
Propósito Compartilhado. As pessoas possuem diversas habilidades, percepções,
experiências, talentos, porém em uma equipe todos devem ter o mesmo foco. Essa
é uma das vantagens da equipe, unir todas as características das pessoas em prol
de um único resultado.

Nesse sentido, temos a segunda característica, Cooperação. As pessoas


precisam trabalhar juntas, temos que entender que um depende do outro, pois se as
pessoas trabalharem isoladamente, as metas dificilmente serão alcançadas. Tente
imaginar como seria uma empresa onde cada funcionário busca atingir seus
objetivos de forma isolada.

Vamos fazer uma analogia com as engrenagens de um relógio, conforme a


imagem a seguir.

Imagem 1: Engrenagens de um relógio


Fonte: Pixabay (2017)

Repare no trabalho em conjunto entre as catracas. Caso uma quebre ou deixe


de fazer sua função, o relógio irá parar de funcionar.

Por fim, a terceira característica, Benefício ou Compensação. É simples


falar em Propósito Compartilhado e Cooperação, mas se não tiver algo em troca,
uma equipe não é formada. As pessoas, para fazerem parte de algo, precisam ter ou
receber algo em troca. Alcançar metas ou propósitos que beneficiam direta ou

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indiretamente os integrantes da equipe facilitará a união e cooperação das pessoas
nos processos, além de deixar o trabalho mais interessante e satisfatório.

Um time de futebol, por exemplo, é composto por jogadores com diversas


características (rápido, alto, forte, baixo, destro, canhoto), pois cada um
desempenhará funções distintas no campo de jogo.

.
Imagem 2: Time de Futebol
Fonte: Pixabay (2017)

Mas, para se tornar uma equipe é preciso conter as três características


compartilhadas (Propósito Compartilhado, Cooperação e Benefício ou
Compensação).

Nesse contexto e levando em consideração a economia globalizada, um tema


que está muito em voga é o trabalho em equipe. Autores como Schein (2009);
Carvalho (2010); Portal Educação (2013); Rocha (2009); Santos (2016), comentam
que o trabalho em equipe passou a ser uma das características mais importantes,
tanto para gestores quanto para os colaboradores da empresa. Com isso, muitas
empresas estão percebendo que o conhecimento econômico, técnico e financeiro,

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não é suficiente, também é preciso ter conhecimento sobre comportamento
interpessoal e a compreensão das pessoas com quem se relacionam, por isso, o
investimento em cursos, treinamentos e palestras sobre o tema qualificam melhor
seus funcionários para o dia a dia, reduzindo ou preparando os funcionários a
resolver conflitos no trabalho, problemas da empresa e problemas pessoais.

- Preconceito - Diferença de interesses


- Grosseria - Competição
- Teimosia - Distorções na comunicação
- Diferença de valores - Luta por status ou poder
- Diferença de percepções - Vaidade desmedida
Quadro 2: Exemplos de Causas de Conflitos
Fonte: Adaptado de Carvalho (2010)

Sendo assim, as relações interpessoais são fundamentais para o bom


desenvolvimento da equipe, pois trabalhar em equipe, antes de tudo, significa ter
uma boa comunicação, não basta apenas seguir ou dar ordens, é necessário que as
tarefas sejam contextualizadas por prioridade, para que as tarefas importantes não
sejam preteridas para outras de menor urgência (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013).
Portanto, aprender a trabalhar em equipe e a desenvolver as relações interpessoais
é um passo muito importante que você terá que dar dentro de uma organização, pois
caso não consiga exercer tais habilidades, as chances de ser rotulado como um
profissional de difícil convivência dificultará, em muito, suas chances de crescimento
profissional.

TÓPICO 2 – DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS, ESTILO DE LIDERANÇA,


QUALIDADE DE UM LÍDER

Bom, caro aluno, vamos falar agora um pouco sobre liderança, aquela
capacidade que algumas pessoas têm em conduzir outras pessoas para um
determinado caminho. Vamos ver como Maximiano (2012, p.205 e 206) define
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liderança: “Liderança é o processo de conduzir as ações ou influenciar o
comportamento e a mentalidade de outras pessoas [...] é a realização de metas por
meio da direção de colaboradores”.

Atualmente, as organizações estão repletas de sistemas, processos e


tecnologias, porém o fator humano, ainda é essencial para o bom desenvolvimento
das atividades. Todos os dados e informações gerados pelos sistemas terão que ser
interpretados pelas pessoas, que juntamente com seus conhecimentos e habilidades
terão que tomar decisões e conduzir toda equipe, visando o melhor resultado para a
organização. Portanto, o papel do líder nas organizações é muito importante, uma
vez que se faz necessário que a empresa tenha um caminho a percorrer em busca
de objetivos satisfatórios (PESSOTTI, 2016).

Imagem 3: Liderança
Fonte: Pixabay (2017)

Maximiano (2012) descreve que a liderança não é apenas baseada nas


habilidades de uma pessoa, ela dependerá de um contexto e de outros elementos,
tais como: características do líder, características da tarefa, motivação dos liderados
e a conjuntura (contexto).
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Características do líder: independente da qualidade de cada um, muitas
vezes as pessoas são colocadas em situação de liderança, onde deverá tomar
decisões que conduzirá outros. Como no caso de professores, treinadores, gerentes
ou até mesmo na situação de pai ou mãe. Na situação de liderança, algumas
pessoas serão mais motivadas para realizar a tarefa, outras podem ter mais
capacidade.

Características da tarefa: é a responsável pela ligação entre líder e liderado,


pois sem uma tarefa a ser realizada, não existiria o processo de liderança. As
características de uma tarefa fornecerão os motivos, as motivações para os
liderados.

Motivação dos liderados: os liderados irão seguir o líder por algum motivo, e
o interesse de realizá-lo dependerá do benefício conseguido. Neste sentido,
entendemos que podem existir liderados fiéis e mercenários. Isso mesmo,
encontraremos pessoas que seguirão um líder devido a uma mensagem intrínseca,
em prol de uma missão e outros que buscarão algo material ou psicológico em troca.
Temos como exemplo os soldados do exército que lutam até a morte pelo seu país,
em busca de um sonho, de uma condição visualizada pelo seu líder. Por outro lado,
temos um jogador de futebol, que se esforça em uma partida, para receber uma
bonificação ofertada pelo clube.

Conjuntura (contexto): é a representação dos fatores históricos, culturais e


organizacionais nos quais ocorre o processo de liderança. Entender a
contextualização fará com que compreenda o processo de liderança. No exército,
por exemplo, é impossível exercer a liderança de baixo para cima, algo possível de
ser enxergado em outros tipos de organizações.

Entendido que em um processo de liderança existem essas características,


vamos ver que cada líder tem um estilo e que esse estilo está relacionado com a
forma de autoridade exercida.

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Figura 1: Quatro estilos de liderança desde a antiguidade
Fonte: Adaptado de Maximiano (2012)

O estilo de liderança pode ser Autocrático ou Democrático, isso dependerá da


forma como o líder conduzirá a autoridade com a equipe. Um líder Autocrático é
aquele que centraliza o poder de decisão consigo, porém o abuso de poder o
transforma em tirano. Por outro lado, um líder que compartilha o poder de decisão
com a equipe, busca uma liderança democrática, mas o excesso de liberdade fará
de sua liderança uma demagogia, uma vez que sempre buscará a popularidade e
dificilmente entrará em conflito.

A formalidade da liderança é um tema importante a ser abordado, pois


ajudará na compreensão dos estilos citados. A estrutura formal da organização “[...]
é aquela deliberadamente planejada e formalmente representada, em alguns de
seus aspectos, pelo organograma” (OLIVEIRA, 2009, p. 65). Na mesma linha
Johnson (1997, p. 163) define:

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Uma organização formal é um sistema social estruturado em torno de
metas específicas e que, em geral, consiste de vários grupos ou
subsistemas interrelacionados. É dirigida de acordo com normas
estabelecidas de forma facilmente clara e rigidamente imposta.
Empresas, a Igreja Católica, os sistemas judiciários, as reitorias de
universidades e as forças militares exibem as propriedades das
organizações formais.

A princípio, a estrutura formal de uma organização é facilmente percebida,


porém, nem tudo é explícito, em qualquer organização existem também as relações
que não são visíveis na estrutura formal, são os chamados grupos informais, com
relações informais. Tais relações estão presentes entre as pessoas e não
correspondem às regras, normas, organogramas estabelecidos pela estrutura
formal. Os grupos informais, por exemplo, são grupos criados por iniciativa de seus
próprios integrantes, para defender seus interesses ou atender a necessidade de
convivência social.
Sobre as relações informais nas organizações, Johnson (1997, p. 164)
descreve que:

Nas organizações formais, indivíduos muitas vezes participam de


redes de informações informais, nas que as expectativas são menos
rigidamente definidas e menos focalizadas em objetivos específicos.
Amizades de escritório (e animosidades), por exemplo, com frequência
desempenham uma parte importante no desempenho de papéis mais
formais.

No mesmo sentido, em Oliveira (2009, p. 65) verifica-se:

Estrutura formal é a rede de relações sociais e pessoais que não é


estabelecida ou requerida pela estrutura formal. Surge da interação
social das pessoas, o que significa que se desenvolve,
espontaneamente, quando as pessoas se reúnem. Portanto,
apresenta relações que, usualmente, não aparecem no organograma.

Desta forma, as diferentes estruturas existentes que uma organização possa


ter e seus diversos elementos e interações humanas, produzem líderes com

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características diferenciadas. Você consegue imaginar um líder dentro de um
sistema formalizado?

Bom, esse parece fácil, se você imaginou um presidente de um país, um


treinador de algum clube esportivo, um gerente de um departamento, ou algo
semelhante, você está certo. No sistema formal, a hierarquia é definida pela
organização e os líderes são escolhidos, como por exemplo, Papa Francisco, Sir
Winston Churchil, Barack Obama, Mao Tsé-tung, Margaret Thatcher, Nelson
Mandela.

E de maneira informal, você consegue imaginar um líder?

Esse líder irá surgir, não será escolhido e nem eleito, ele aparece e as
pessoas o seguem. Um jogador de futebol, que não é o capitão do time (o capitão é
a liderança formal), mas que consegue o respeito dos outros atletas e consegue
exercer uma liderança informal. Outro exemplo seria um revolucionário que lidera um
grupo em busca de algo maior, como por exemplo: Che Guevara, Joana d'Arc,
Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr,

E você, ocupa ou já ocupou uma situação de liderança? Conseguiu


desempenhar com sucesso? Como você reage a essa situação? Com naturalidade?

Quando se trata do futuro do trabalho, os gestores estão assumindo novas


formas de atuação para que de fato se tornem grandes líderes. Em um artigo,
Yamaoka (2015) descreveu algumas características, consideradas, fundamentais
para um líder de sucesso. São elas: (1) Ser um líder atuante; (2) Assumir as
responsabilidades; (3) Entender sobre as tecnologias; (4) Liderar pelo exemplo; (5)
Pedir ajuda se necessário; (6) Acreditar na inteligência coletiva; (7) Ser um tomador
de decisões; (8) Saber reconhecer os méritos; (9) Oferecer feedback; (10)
Reconhecer os limites pessoais.

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SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

Para saber mais sobre o assunto, acesse o link:

http://exame.abril.com.br/pme/as-10-caracteristicas-fundamentais-de-um-lider-de-
sucesso/

O líder do futuro é aquele que possui ênfase em suas competências e comportamentos


definidos a partir da organização e suas estratégias. Nesse sentido as competências para a
liderança no futuro é ter uma visão ampla do negócio, saber gerenciar complexidade e
mudanças, desenvolver a si mesmo e aos outros, ter alinhamento emocional e focar nos
resultados.

Os modelos de liderança que estudamos nessa unidade estão relacionados


ao comportamento, características humanas e nas estruturas organizacionais.
Podemos perceber a existência de uma interdependência entre as partes,
organização, líder e liderados.

TÓPICO 3 – HABILIDADES INTRAPESSOAIS E TRABALHO EM EQUIPE

Para Pereira (2013), na vida temos vários relacionamentos, porém os de


trabalho são diferenciados, pois temos que realizar nossas atividades e obter
resultados juntos de pessoas que não escolhemos para trabalhar e que muitas
vezes não temos afinidade. É nesse ambiente e nessa situação que nos obrigamos

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a lidar com diferenças de opinião, de visão, de formação, de cultura e de
comportamento.

Imagem 4: Trabalho em Equipe


Fonte: Pixabay (2017)

Podemos perceber que essa situação não é muito fácil, alguns podem ter
mais facilidades, mas outros têm mais dificuldades de adaptação. Para a autora, se
basearmos nossos relacionamentos interpessoais em cinco pilares:
Autoconhecimento, Empatia, Assertividade, Cordialidade e Ética, a adaptação se
torna mais fácil.

Vejamos agora como os autores, Pereira (2013), Santos (2016), Dicio (2017)
falam sobre as características dos cinco pilares.

Autoconhecimento – Implica em reconhecer nossos traços de


comportamento, o impacto que causamos nos outros e que comportamentos dos
outros nos incomodam. Santos (2016) complementa dizendo que ao trabalhar o
relacionamento interpessoal, as pessoas passam a conhecer melhor a si próprias
(maior autoconhecimento), e sua maneira de relacionar-se com o mundo e com as
pessoas, muda.

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Por exemplo: uma pessoa objetiva e dinâmica, que gosta de agir com
independência e rapidez para atingir seus objetivos, pode ter conflitos na interação
com um colega de perfil mais cauteloso e metódico, que segue regras à risca e tem
um ritmo mais lento, por se preocupar com detalhes. Porém, se pelo menos um dos
dois tiver autoconhecimento, pode utilizar estratégias que minimizam o conflito com
o outro (PEREIRA, 2013).

Empatia – Ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou


pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias (DICIO,
2017). Exemplo: A empatia também nos torna capazes de enxergar além do próprio
umbigo e ampliar nossa percepção da realidade com os pontos de vista dos outros.
Entre as várias coisas que se pode fazer para praticá-la, a mais básica é saber ouvir
(PEREIRA, 2013).

Assertividade – Aquele que possui uma afirmação categórica; afirmativo. Ter


a habilidade de se expressar de forma franca, direta, clara, serena e respeitosa.
Expressar segurança ao agir; que se comporta de maneira firme; que demonstra
decisão nas palavras (DICIO, 2017). A palavra está ligada à forma de expor e
defender posições. Exemplo: Pessoas assertivas não dispendem tempo com fofocas
ou assuntos fora do contexto, é transparente nas suas intenções e colocações.

Cordialidade – Tratar as pessoas com cordialidade, ser gentil e simpático.


Demonstrar consideração pelo outro de várias formas. Ação de expressar carinho,
afeto e amizade, ser educado em ambientes de trabalho (DICIO, 2017).

Exemplo: Pode ser com o “bom dia” com que saudamos o destinatário de
nossa mensagem de e-mail, com o ato de segurar a porta do elevador para alguém
entrar ou apanhar do chão um objeto que o colega deixou cair (PEREIRA, 2013).
Tratar as pessoas de forma cordial e respeitosa é fundamental em um
relacionamento duradouro.

Ética – Reunião das normas de valor moral presentes numa pessoa,


sociedade ou grupo social. Razões que ocasionam, alteram ou orientam a maneira
de agir do ser humano (DICIO, 2017).

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Exemplo: Ser ético é ter atitudes que não prejudiquem os outros, não
quebrem acordos e não contrariem o que se considera certo e justo. Podemos ter
muito autoconhecimento, ser altamente empáticos e assertivos, mas, se não nos
conduzirmos pela ética, não conseguiremos manter relacionamentos equilibrados
(PEREIRA, 2013).

Outra característica que é muito citada nas leituras e que podemos


acrescentar como mais um elemento desse pilar é a Comunicação.

Comunicação – O que se relaciona ou pode ocasionar a transmissão ou


recepção de ideias ou de mensagens, buscando compartilhar informações. Ação de
transmitir ou de receber essas mensagens: comunicação empresarial (DICIO, 2017).

Exemplo: Rocha (2009) cita que uma boa comunicação é um fator relevante
para a uma boa relação interpessoal, pois se em um ambiente de trabalho, os
colaboradores possuírem a mesma linha de pensamento, as informações
necessárias para o desenvolvimento das atividades serão facilmente absorvidas e
as ações ocorrerão com maior êxito.

A autora também alerta sobre a falta da comunicação:

“A inexistência da comunicação entre os indivíduos em ambientes de


trabalho é um fator negativo que influencia diretamente na
organização de pessoas e, consequentemente, na má qualidade do
processo produtivo, seja ele, por motivo de horário (os funcionários
não são devidamente avisados de reuniões importantes),
desenvolvimento das ações, falta de afinidade entre os grupos e a
precária liderança do gestor” (ROCHA, 2009, P. ONLINE).

Conforme podemos observar, o ambiente corporativo é uma grande escola de


relacionamento, por isso, desenvolver e fortalecer as características dos pilares
melhorará não apenas a sua capacidade de se relacionar no ambiente de trabalho,
mas também o ajudará nas áreas da vida, como familiar, social, ciclo de amizades.
Conhecer seus sentimentos e emoções o ajudará a ter mais foco e ser mais

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produtivos no trabalho, além de propiciar maior capacidade de lidar e entender os
outros, e trabalhar em equipe (SANTOS, 2016).

SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

O Desafio do comprometimento da equipe

O que você faria se fosse um técnico de futebol com a responsabilidade de ganhar o jogo e
percebesse que a metade do seu time não está comprometido? Como você se sentiria?

Link: https://www.elos360.com.br/artigos/o-desafio-do-comprometimento-da-equipe

Outro ponto importante a ser abordado e que Santos (2016) exemplifica muito
bem, é o fato de as empresas criarem o hábito, a cultura baseada nos princípios,
nos pilares do trabalho em equipe. A autora traz alguns exemplos de grandes
empresas que se empenham realmente nesse quesito. Vejamos o exemplo:

O setor de RH da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolve há algum


tempo programas que visam estimular as relações interpessoais de seus
colaboradores, através de dinâmicas de grupo e atividades destinadas à melhoria
das relações, trabalhando, inclusive, questões trazidas pelos próprios funcionários.

A loja de departamentos Magazine Luiza também investe em programas que


trabalham o relacionamento interpessoal de seus colaboradores. Há 13 anos,
desenvolve um trabalho de fortalecimento de cultura e clima com os colaboradores,
com o objetivo de internalizar valores da empresa - ética, colaboração,
transparência, simplicidade, respeito, amor, fé - e de promover o amadurecimento
das relações interpessoais, familiares, corporativas e, obviamente, com o cliente.

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Além disso, a cada nova loja do Magazine Luiza inaugurada, os
colaboradores passam por um programa, chamado fortalecimento interno. O
programa foca no autoconhecimento, na ampliação da consciência e da visão
sistêmica e no fortalecimento interior, para somente depois, trabalhar as relações
externas. Esse trabalho acaba sendo um preventivo de clima e promove o
engajamento dos colaboradores.

Esse tipo de ação aumenta a integração entre os membros da equipe,


soluciona conflitos e proporciona o autoconhecimento, trazendo maior produtividade
e comprometimento, o que é benéfico tanto para o colaborador, quanto para a
empresa (SANTOS, 2016).

Muitas empresas perceberam o quanto é importante cultivar hábitos com base


em princípios sólidos e transmitir para todos os colaboradores. Organizações que
buscam melhores desempenhos por meio, ou melhor, junto de seus colaboradores,
devem se tornar exemplos, ser fonte de inspiração para seus colaboradores.

Exemplo de bons relacionamentos e a criação de um bom ambiente de


trabalho deve seguir a hierarquia, vir de cima para baixo. Os líderes devem atuar de
forma incentivadora, investindo no bom relacionamento, sendo respeitoso e maduro
com todos. Santos (2016) complementa dizendo que as empresas podem investir
em programas e treinamentos que promovam o autoconhecimento, através de
trabalhos de desenvolvimento, ou também, incentivar os colaboradores a participar
de workshops e eventos.

Portanto, é importante mencionar que relacionamento interpessoal não


significa amizade e intimidade. Significa entender as pessoas e saber lidar com as
diversidades, pois como vimos, cada pessoa possui sua personalidade, costumes e
estilo de vida distintos dos demais. O segredo é focar na importância do
estabelecimento de confiança, respeito mútuo, ética e na percepção de saber
escutar os outros e entender as diferenças (SANTOS, 2013).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Encerro nossa primeira unidade relembrando que as pessoas com suas


habilidades, competências e experiências são essenciais para as organizações e as
relações interpessoais no trabalho e a capacidade de trabalhar em equipe estão
cada vez mais valorizados no mundo corporativo.

Após ter definido equipe e compreendido sobre as características


compartilhadas da mesma, foi possível aprender a trabalhar em equipe e a
desenvolver as relações interpessoais, que é um passo muito importante que você
terá que dar dentro de uma organização, pois caso não consiga exercer tais
habilidades, as chances de ser rotulado como um profissional de difícil convivência
dificultará, em muito, suas chances de crescimento profissional.

Vimos também o conceito de liderança, que é o processo de conduzir as


ações ou influenciar o comportamento e a mentalidade de outras pessoas para a
realização de metas, por meio da direção de colaboradores, suas características e
estilos.

Foi possível entender que as organizações estão repletas de sistemas,


processos e tecnologias, porém o fator humano, ainda, é essencial para o bom
desenvolvimento das suas atividades, pois o papel do líder nas organizações é
muito importante, uma vez que se faz necessário que a empresa tenha um caminho
a percorrer em busca de objetivos satisfatórios.

Com relação às características de um líder, vimos que a liderança não é


baseada apenas nas habilidades de uma pessoa, ela dependerá de um contexto e
de outros elementos, tais como: características do líder, características da tarefa,
motivação dos liderados e a conjuntura (contexto), e que em um processo de
liderança cada líder pode ter seu estilo e que esse está relacionado com a forma de
autoridade exercida, que pode ser tirana, autocrata, democrata ou demagoga.

Além das características pessoais de um líder, foi feita a diferenciação dos


tipos de estruturas de organizacionais (formal e informal) e vimos também sobre a
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formalidade da liderança e como ela tem relação com os estilos estudados. Pois as
diferentes estruturas existentes que uma organização possa ter e seus diversos
elementos e interações humanas, produzem líderes com características
diferenciadas.

Nesta unidade foi compreendido sobre relacionamento interpessoal e suas


características, vimos que na vida temos vários relacionamentos, porém os de
trabalho são diferenciados, pois temos que realizar nossas atividades e obter
resultados juntos de pessoas que não escolhemos para trabalhar e que muitas
vezes não temos afinidade. É nesse ambiente e nessa situação que nos obrigamos
a lidar com diferenças de opinião, de visão, de formação, de cultura e de
comportamento.

Discutiu-se que nem todas as pessoas têm facilidade de se adaptar a um


ambiente diferente, e que num relacionamento interpessoal existem cinco pilares
que podem facilitar essa adaptação: Autoconhecimento, Empatia, Assertividade,
Cordialidade e Ética.

Sendo assim, desenvolver e fortalecer as características dos pilares


melhorará não apenas a sua capacidade de se relacionar no ambiente de trabalho,
mas também o ajudará nas áreas da vida, como familiar, social, ciclo de amizades.
Conhecer seus sentimentos e emoções o ajudará a ter mais foco e ser mais
produtivos no trabalho, além de propiciar maior capacidade de lidar e entender os
outros, e trabalhar em equipe.

Por fim, foi demonstrada a importância da comunicação para uma boa relação
interpessoal e apresentados exemplos de empresas que buscam o trabalho em
equipe e o bom relacionamento entre seus funcionários. Pois, muitas empresas
perceberam o quanto é importante cultivar hábitos com base em princípios sólidos e
transmitir para todos os colaboradores. Organizações que buscam melhores
desempenhos por meio, ou melhor, junto de seus colaboradores, devem se tornar
exemplos, ser fonte de inspiração para seus colaboradores.

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ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

1-

2-

3-

4-

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UNIDADE II – ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO E METAS PESSOAIS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

 Diferenciar administração do tempo de administração dos eventos e


atividades pessoais;

 Conceituar administração;

 Compreender sobre administração do tempo;

 Refletir sobre como utilizamos nosso tempo;

 Aprender a fazer um quadro de distribuição de atividades;

 Aprender a elaborar um planejamento da utilização do tempo;

 Entender a lei de Parkinson;

 Aprender sobre mapa de prioridade;

 Diferenciar as características do mapa de prioridade;

 Apresentar dicas para melhorar o uso do tempo.

PLANO DE ESTUDO

A seguir apresentam-se os tópicos que você estudará nessa unidade:

 TÓPICO 1 – ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO?

 TÓPICO 2 – COMO VOCÊ UTILIZA SEU TEMPO?

 TÓPICO 3 – UTILIZANDO MELHOR O TEMPO

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INTRODUÇÃO DA UNIDADE

Olá caro aluno, é muito comum ouvirmos pessoas reclamando que não tem
tempo para desenvolver suas atividades cotidianas devido ao excesso de tarefas
que tem para realizar. Ao se questionar o que é tempo, verificará que é algo
complexo sem uma resposta ou um conceito único. Ao refletir sobre o assunto você
perceberá que o futuro não existe, o passado já aconteceu e o presente é apenas
uma fração de segundo, pois ao pensar nele já se torna passado.

Provavelmente, você já deve ter visto a expressão “tempo é dinheiro”. Para


muitos, essa é a definição simplista de tempo. Se analisar o período de 1 ano, verá
que existem 12 meses, dividido em 52 semanas ou 365 dias. Se dividir por hora
encontrará 8.760, o equivalente a 525.600 minutos.

A comparação com o dinheiro, fez do tempo algo valoroso, e


consequentemente perigoso. A ansiedade em lidar com o tempo, pois poupar tempo
tornou-se uma virtude, assim como poupar dinheiro. Com a criação dos dispositivos
tecnológicos, poupar tempo é sinônimo de produtividade, de progresso. Desta forma,
a perda de tempo é visto como algo pecaminoso, é a não produção, é a ineficiência
do uso de recursos.

Como você se sentiria se em um dia de semana, na parte da tarde, ficasse


algumas horas assistindo TV ou lendo uma revista? A sensação de não estar
fazendo nada, de não estar produzindo, está mais comum na nossa sociedade e
aflige cada vez mais as pessoas. Você se lembra da relação tempo x dinheiro?
Então, esse conceito moderno, é proveniente das revoluções industriais.

Em nossa atual sociedade industrial um dos grandes desafios do homem


moderno é saber lidar e gerenciar bem o tempo, ou seja, produzir o máximo dentro
de um pequeno espaço de tempo. Bernhoeft (2009) explica que essa angustiosa
realidade moderna, está diretamente ligada com a pressa, ou seja, uma necessidade
(consciente ou inconsciente) de realizar determinada tarefa em um período de tempo
escasso e comprimido.

25
O autor continua dizendo que essa realidade é igual para todos, o dom do
tempo se reparte igualmente para todos, porém algumas pessoas conseguem
realizar uma grande quantidade de atividades, com alto nível de qualidade, enquanto
outras não conseguem avançar. Para essas pessoas, a resposta está sempre na
ponta da língua.... Falta tempo!!!

Mas afinal, por que algumas pessoas conseguem lidar melhor com o tempo
do que outras?

Para ajudar a compreender esse dilema, nessa unidade iremos trabalhar em


três tópicos, sendo que no primeiro iremos diferenciar administração do tempo de
administração dos eventos e atividades pessoais, para depois conceituar
administração e, por fim, compreender sobre administração do tempo.

No segundo tópico iremos refletir sobre como utilizamos nosso tempo e


iremos aprender a fazer um quadro de distribuição de atividades. Por último, no
terceiro tópico será visto como elaborar um planejamento da utilização do tempo e
entender a lei de Parkinson. Após isso, aprenderemos sobre mapa de prioridade,
suas características e serão apresentadas dicas para melhorar o uso do tempo.

26
TÓPICO 1 – ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO?

Imagem 5: Engrenagens de um relógio


Fonte: Pixabay (2017)

Você consegue administrar bem o seu tempo? Consegue realizar tudo aquilo
que planejou? E se eu perguntar de forma diferente, você tem o costume de planejar
suas tarefas?

Quando iniciamos uma atividade, seja ela no trabalho, na faculdade ou no dia


a dia, é comum focarmos mais no ‘o que’ fazer do que no ‘como fazer’. Medeiros
(2015, p.6) explica que:

[...] as pessoas quando aprendem em um curso acadêmico, ou mesmo


ingressam de alguma forma em uma função, profissão, são sempre
instruídas sobre “O que” fazer sendo ignorado o modo como se fazer o
trabalho, principalmente aos detalhes que fazem o diferencial para se
obter uma maior eficiência e eficácia.

27
Vamos primeiro ao exemplo, para depois discutirmos mais sobre o assunto.

João é vendedor em uma grande empresa do varejo, seu horário de trabalho


é das 8hrs as 18hrs de segunda a sábado. Como ele sempre buscou melhores
condições de vida começou a fazer faculdade a noite, pois era o período que ele
tinha livre.

No decorrer do curso, João percebeu que precisava aprender um novo


idioma, e se inscreveu em um curso de inglês aos sábados à noite, pois era o
período em que ele não trabalhava e não tinha aula. João sabia o quanto essa
jornada semanal era cansativa, mas também sabia que era passageiro, pois dentro
de alguns anos ele terminaria seus estudos. Como não tinha muito tempo livre na
semana, João prestava o máximo de atenção nas aulas e tentava realizar todas as
atividades dentro desse período.

Com relação ao seu trabalho, ele buscava desempenhar suas tarefas dentro
de sua carga horária, tentando não levar trabalho para casa. Domingo era o dia em
que João descansava e finalizava alguma atividade pendente. Num período de
quatro anos essa foi a jornada de João, de segunda a sábado, nos períodos de
manhã, tarde e noite, ele se dedicava ao trabalho e aos estudos, e aos domingos,
buscava descansar.

Talvez você tenha passado por algo semelhante, provavelmente, no período


acadêmico. Também, é provável que conheça pessoas que não se submeteriam a
tal jornada. Pois bem, o exemplo de João demonstra que não há grandes segredos
para se utilizar bem o tempo; o que ele fez foi planejar e manter o foco no
planejamento. Administrar ou gerenciar o tempo são termos comuns e empregados
em várias leituras, porém, particularmente não acredito na administração do tempo,
mas sim na administração dos eventos e atividades pessoais.

Por que digo isso?

Porque o tempo é algo que não se pode controlar e muito menos modificar.
Kroehnert (2001 p.13) explica que o “correto seria autoadministração, pois não
28
podemos administrar o tempo em si, mas podemos nos administrar com maior
eficiência”. Olhe para o relógio nesse momento, agora cruze os braços e tente
lembrar qual é a marca de seu computador ou de seu celular. Lembrou? Bem, agora
olhe novamente no relógio. Continua na mesma hora, minutos e segundos? Com
certeza não.

Essa pequena dinâmica foi para demonstrar como não temos controle sobre o
tempo, mas temos sobre nossas ações. Portanto, o foco nessa unidade será como
podemos administrar melhor nossas ações para que possamos aproveitar melhor o
tempo. Para que isso seja possível, é importante conhecer melhor o conceito de
administração.

Processo Significado
Planejar Decisões sobre objetivos e recursos necessários para realizá-los.
Organizar Decisões sobre a divisão de autoridade, responsabilidades e recursos
para realizar objetivos.
Executar Decisões de execução de planos. Direção, coordenação e autogestão
são estratégias de execução.
Controlar Decisões de assegurar a realização dos objetivos.

Quadro 3: Principais Funções da Administração


Fonte: Adaptado de Maximiano (2012)

O quadro acima demonstra as principais funções da administração. Ela se


inicia com o Planejamento do que será feito, para depois Organizar os recursos e as
responsabilidades. Após planejado e organizado é hora de colocar em prática,
Executar. Conforme ocorre a execução, deve-se fazer o Controle, ou seja, verificar
se o que foi planejado está realmente acontecendo.

29
TÓPICO 2 – COMO VOCÊ UTILIZA SEU TEMPO?

Normalmente achamos que sabemos como utilizamos nosso tempo, porém


nem sempre isso é verdade. Primeiramente, para utilizar bem o tempo, temos que
priorizar as tarefas realmente importantes e que nos trazem maiores resultados.
Fazer em primeiro lugar as mais importantes e não as mais fáceis. (MEDEIROS,
2015).

Para que possamos definir quais são as tarefas mais importantes, temos que
analisar e avaliar como estamos utilizando nosso tempo. Depois disso, temos que
questionar: como poderia executar melhor as tarefas mais importantes? Como
consigo melhorar os resultados?

Para fazer a identificação com precisão de como utilizamos nosso tempo,


Medeiros (2015) explica que temos de criar uma agenda, para conseguir
dimensionar exatamente o percentual de tempo que usamos em cada tipo de tarefa.

Imagem 6: Agenda de Trabalho


Fonte: KROEHNERT (2001)

Afinal, se não sabemos como estamos utilizando nosso tempo, como


poderemos dimensioná-lo melhor?
30
Segue um texto “Cuidado com o jacaré”, muito interessante, do professor Luiz
Carlos de Queirós Cabrera para fazermos algumas reflexões.

Cuidado com o jacaré, por Luiz Carlos de Queirós Cabrera

Como lidar com as tarefas (e pessoas) que ficam no seu pé só para tirar o seu foco.
Estou muito impressionado com o número de profissionais, de todas as idades, que
me contam estar preocupados com sua performance.

Nós todos sabemos que, depois das reengenharias, “downsizings” e outros


processos chamados de modernização organizacional, as pessoas estão com uma
carga de trabalho que beira o limite físico. Por outro lado, a constante busca de
ferramentas modernas, como os sistemas integrados de gestão, procura facilitar a
rotina diária, mas, na verdade, está criando mais tensão, até essas ferramentas
estarem perfeitamente implantadas. Tudo isso afeta a performance, fora o fato que
hoje a competitividade exige tudo mais rápido, mais perfeito e mais barato.

No entanto, quando estou entrevistando profissionais durante os processos de


seleção que conduzo, tenho notado que existe um inimigo maior ainda, que afasta
as pessoas da tão sonhada alta performance. É o jacaré. Deixe-me explicar: muitos
anos atrás, ouvi numa aula do professor Larry Greiner, da University of Southern
California, a seguinte frase: Se você tem um jacaré a lhe morder a perna, a
tendência é esquecer que sua tarefa principal era drenar o pântano.

Realmente, nessa hora a sobrevivência fala mais alto. Você entra no pântano, cheio
de vontade de executar a tarefa de drená-lo. Aí, o jacaré morde a sua perna. E você
vai querer matar o jacaré, claro. O pântano que espere.

O jacaré desta história é o nosso dia a dia. É a rotina que lhe ataca de manhã e que
impede que você faça todas as tarefas que planejou para o dia. E ao final, exausto,
você olha a pilha de jacarés mortos e é cobrado, pelo seu chefe, pelo pântano que
não drenou. Saber enfrentar a rotina é uma tarefa fundamental para quem quer ter
31
alta performance. Evitar o jacaré é planejar melhor, é testar todas as hipóteses, é
prever os desvios e inconsistências. O jacaré detesta planejamento. Ele anda pela
empresa com sua casca grossa, rabo comprido e braços curtos dizendo que
planejamento não serve para nada, que nunca dá certo, que é um jogo de
adivinhação. Tudo mentira.

O jacaré morre de medo do PLANEJAMENTO, que, quando bem-feito, é um


exercício de previsibilidade. E que não é feito para dar certo, mas sim para testar
antecipadamente todas as hipóteses. Olhe bem a sua volta. Os jacarés estão por
todos os lugares, com sua fala mansa e andar desengonçado. E, se você bobear,
um deles ataca: Cadê a cópia do relatório A45 que você ficou de me mandar?
Pronto, ele mordeu sua perna! Agora vai ter de matar este… e lá se vão quase duas
horas do dia. Fique atento. Planeje bem o seu dia.

Exercite o planejamento, pratique o exercício da previsibilidade, ou você vai se


tornar um especialista em matar jacarés. E o duro desta vida é que o
reconhecimento, as oportunidades e as recompensas só virão para os que drenarem
o pântano. Vade retro, jacaré.

Fonte: http://lock.com.br/port/noticia/noticias/cuidado-com-o-jacare

Medeiros (2015) comenta que normalmente você recebe mensagens ou


tarefas que não dizem respeito à sua atividade principal ou aquela em que você está
focado. Encaminhe tal material diretamente para a pessoa responsável e dê um
retorno ao remetente dizendo que foi encaminhado para o responsável pela tarefa.
Evite assumir atividades que não são suas, ou dar resposta do tipo: vou verificar e
assim que possível lhe retorno.

Dê as informações ou o encaminhamento necessário de imediato, não atue


como intermediário, deixe que a própria pessoa pesquise e busque as informações
necessárias.

32
Seguindo as orientações de Medeiros (2015), a primeira coisa que deve ser
feita para melhor utilizar seu tempo é verificar como ele está sendo empregado. O
autor nos alerta sobre alguns pontos poderá encontrar em seu quadro e algumas
conclusões que você poderá ter.

 Decisões sobre assuntos importantes;


 Conversas telefônicas que se estendem demasiadamente;
 Período de interrupções constantes;
 Concentração em assuntos poucos importantes;
 Período de escravidão ao papel, onde se manuseiam muitos papéis
sem importância;
 Falta de tempo para pensar e planejar, ficando escravo da rotina;
 Período de grandes atividades consertando ou refazendo atividades
anteriores.

Monte um quadro de registro de tempo, isso mesmo, faça um registro de um


dia seu para te auxiliar na identificação do uso de tempo.

Segue modelo de exemplo.

Atividade Início Fim Total Percentual


(480min=8hrs)
Arrumação da Mesa 8:00 8:20 20 min 4,16%
Reunião 8:30 9:40 70 min 15,22%
Responder e-mails durante o dia ---- ---- 50 min 10,41%
Quadro 4: Quadro de Distribuição de Atividade
Fonte: Próprio Autor (2017)

Lembrando o modelo criado é apenas uma sugestão, você poderá


acrescentar mais dados ou fazer qualquer modificação que achar necessário. O

33
intuito é que você realmente faça um registro e depois uma análise sobre seu dia a
dia. Caso não tenha uma rotina, tente criar um padrão, listar atividades semelhantes.

TÓPICO 3 – UTILIZANDO MELHOR O TEMPO

- Estabelecimento de prazo

Depois de feito o registro e a análise de sua rotina, o próximo passo é


começar a planejar suas atividades, seu dia.

Você já deve ter ouvido a seguinte frase: “Se quer ver algo feito, peça a
alguém que não tenha tempo; para se certificar de que isso não ficará feito, peça a
alguém com tempo. A primeira pessoa não tem tempo porque faz tudo que lhe
dizem para fazer; a segunda tem tempo porque não faz nada do que lhe pedem.”
Alfonso Milagro.

Em 1955 o historiador Cyril Northcote Parkinson, disse: "O homem mais


ocupado é o que tem mais tempo livre". Essa é a essência da "Lei de Parkinson", o
trabalho tende a preencher (ou adaptar-se) ao tempo disponível ou alocado para ele.
Medeiros (2015) descreve que se você determinar trinta minutos para fazer uma
tarefa usará esses trinta minutos. Mas ao invés de trinta minutos você determinar
uma hora, provavelmente utilizará essa uma hora.

Quando temos pouco tempo para realizar uma atividade, buscamos ser mais
prático e objetivo, com mais foco para terminar no tempo restante. Agora, quando o
prazo é maior, provavelmente relaxamos, deixando para começar a fazer mais
próximo do prazo final.

Com base na lei de Parkinson, a lição que tiramos é que devemos


estabelecer horas e datas para a entrega da tarefa, mesmo que possua um bom
prazo.

34
- Estabelecimento de prioridade

No dia a dia de muitas empresas é comum recebermos tarefas consideradas


urgentes, o famoso “apagar incêndio”. Ávila (2017) comenta que normalmente isso
ocorre quando não existe muito planejamento e, muitas coisas precisam ser
resolvidas sem se pensar na sua real importância.

Quando falamos de problemas que surgem de forma inesperada e das


nossas atividades rotineiras é preciso trabalhar com prioridades, a fim de organizar
de forma mais eficaz nossos esforços. Uma forma de organizar é classificando como
Prioridade, Urgência e Importância. As três classificações (conceitos) são parecidas
e muitas vezes as usamos de forma equivocada.

Entretanto, conforme Zapata (2014, online), “em um ambiente profissional,


que exija que ações sejam efetuadas precisamente, que energia seja focada
claramente em certas ações e em uma determinada ordem, é essencial saber
diferenciar cada um desses conceitos”.

De acordo com Zapata (2014), seguem suas definições quanto a Prioridade,


Urgência e Importância.

 Prioridade

Definição do que deve ser feito primeiro, o lugar onde a energia precisa ser
focalizada antes dos demais.

Exemplo: É impossível fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo. Mesmo
quando alguém diz que faz multitarefa, no microcosmo esta pessoa está primeiro
focando na tarefa A, e rapidamente foca na tarefa B, para voltar para a tarefa A.
Mesmo se esse movimento for rápido, a prioridade é clara: primeiro fez A, depois B e
retornou para A. Em nenhum momento as tarefas A e B foram feitas ao mesmo
tempo, sempre uma delas estava com a prioridade.

35
 Urgência

Está intimamente ligado a tempo, é algo que grita por atenção porque tem um
tempo limite para ser feito. Se for ultrapassado aquele tempo limite, não faz mais
sentido dar prioridade a tal tarefa, por mais insignificante que ela seja.

Exemplo: Um telefone tocando no meio de uma reunião chama por atenção.


Quem nunca parou rapidamente para checar quem estava telefonando, nem que
seja para desligar o telefone e retornar depois? Pois bem, nesses poucos segundos
o telefone se transformou em sua prioridade, por mais significativa que fosse a
reunião onde você estava. Você inclusive parou de focar na reunião para checar o
telefone. Ele era algo tão urgente que se tornou sua prioridade momentânea.

 Importância

Refere-se a impacto, ao tamanho do risco envolvido em não priorizar tal


assunto. Se urgência chama por prioridade devido ao tempo limite que ele impõe, a
importância chama por prioridade pelo impacto do assunto em questão.

Exemplo: É importante fazer exercícios regularmente, mas você pode esperar


alguns dias se estiver com algum projeto atrasado. Importante mas não urgente.

Entendido as diferenças, vejamos como podemos usar os conceitos de forma


mais prática.

36
Figura 2: Mapa de Prioridade
Fonte: Zapata (2014)

Você deverá montar uma matriz com 4 quadrantes, sendo que em cada
quadrante deverá ser inserido as tarefas, de acordo com sua classificação.

Quadrante 1 – Alta Urgência e Alta Importância;

Quadrante 2 – Baixa Urgência e Alta Importância;


37
Quadrante 3 – Alta Urgência e Baixa Importância;

Quadrante 4 – Baixa Urgência e Baixa Importância.

Figura 3: Exemplo de Mapa de Prioridade


Fonte: Zapata (2014).

38
“Para um problema ser resolvido é necessário alocar recursos, destinar
tempo, energia e atenção ao mesmo. Isso tudo custa caro, portanto é essencial que
tenha sido escolhido o alvo certo para focar a energia [...]” (ZAPATA, 2014, online).

Prioridade Atividade Início Fim Total Percentual


(480min=8hrs)
Urgente Arrumação da Mesa 8:00 8:20 20 min 4,16%
Importante Reunião 8:30 9:40 70 min 15,22%
Importante Responder e-mails durante o ---- ---- 50 min 10,41%
dia

Quadro 5: Quadro de Distribuição de Atividade com Prioridades


Fonte: Próprio Autor (2017)

Você também poderá aproveitar o quadro de distribuição de tarefa e


acrescentar o nível de prioridade. Fazendo a Matriz ou o Quadro, você terá mais
facilidade para visualizar as tarefas e sua importância.

- Separação em Lotes

Outra maneira de melhorar o uso do tempo é dividir suas tarefas em lotes, ou


seja, agrupar atividades semelhantes e executá-las juntas. Assim você conseguirá
economizar tempo e deslocamento.

Vamos supor que você precise ir ao banco, desta forma você lista tudo que
precisa ser feito nas proximidades do banco e elabora uma rota com os destinos e
as tarefas. Assim, conseguirá aproveitar melhor a saída que teve que fazer.

- Foco/Atenção

Pereira (2016) faz um alerta com relação ao foco e atenção durante a


execução das tarefas. Muitos autores escrevem sobre a gestão do tempo, porém
39
pouco tem se falado sobre atenção. A autora descreve a situação clássica, onde ao
ligar o computador para pagar uma conta, acaba desviando o foco e se entretendo
com outras informações que acabam surgindo.

Devido a essa dificuldade, Pereira (2016) separa algumas medidas que ela
começou a fazer e que ajudou muito.

1 - Dividiu o dia em duas partes. Pela manhã, cuida do varejo e a tarde do


atacado.

2 - Quando precisa se concentrar, silencia o celular e trabalha com o


computador off-line.

3 - Realiza uma tarefa por vez e, ao terminar, se permite a espiar um site


interessante ou ler notícias. Distrações programadas são uma boa forma de
descansar a mente após um período de concentração.

4 - Adotou o lema: faça logo, faça direito, faça até o fim.

5 – Passou a usar uma agenda de papel, grande, em que podia visualizar a


semana inteira, e marcou ali até as pequenas coisas que precisa fazer.

6 - Parou de jogar Candy Crush.

SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

Leia a matéria, “Gestão do tempo não é tudo: é preciso também gerenciar a atenção”,
na íntegra acessando o link: https://reginagiannetti.wordpress.com/2016/07/25/gestao-do-
tempo-gerenciamento-da-atencao/

40
Para encerrarmos o assunto, segue indicação de outro texto com dicas para
melhorar a produtividade no dia a dia.

No texto “Administração do tempo: 5 dicas para melhorar sua


produtividade” você terá acesso a dicas importantes como:

1. Limpe e organize: deixar o local de trabalho em condições de organização


e limpeza, poupará tempo e evitará a perda de documentos importantes.

2. Renove seus apps: instale bons aplicativos para organizar seus afazeres.
Pomodo Timer, Evernote e Remember the Milk são alguns exemplos.

3. Calcule e priorize: Calcular o tempo de trabalho e de compromissos e


tentar respeitá-lo.

4. Seja rigoroso: Seja rigoroso com os cálculos de tempo que você estimou.
Evite se distrair com outras coisas.

5. Descanso também tem hora: respeite seus intervalos para descansar,


fazer alongamentos e se alimentar.

SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

Esse texto, “Administração do tempo: 5 dicas para melhorar sua produtividade”, você
poderá ler na integra acessando o link:

http://ecommerce.uol.com.br/impulso-digital/temas/diagnostico-e-
planejamento/administracao-do-tempo-5-dicas-para-melhorar-sua-produtividade.html#rmcl

41
Acredito que você levará um tempo para absorver essas novas técnicas, isso
dependerá da sua motivação e da adaptação e capacidade em absorver coisas
novas. Tente encarar essa oportunidade de mudança como algo que fará diferença
na sua vida. Fácil, sei que não é, mas se criar o hábito do planejamento e de manter
o foco na tarefa estipulada, os ganhos com a sua produtividade serão incríveis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Você consegue administrar bem o seu tempo? Consegue realizar tudo aquilo
que planejou? Esses foram os questionamentos que fiz ao iniciar a unidade.

Vimos que é comum iniciarmos uma atividade, seja ela no trabalho, na


faculdade ou no dia a dia, focando mais no ‘o que’ fazer do que no ‘como fazer’. Se
dedicar ao como fazer é um dos segredos de se administrar melhor o tempo. Aliás, o
‘termo administrar o tempo’ foi algo discutido na unidade. Particularmente não
acredito na administração do tempo, mas sim na administração dos eventos e
atividades pessoais e, por isso, que é importante se dedicar ao como fazer, pois o
tempo é algo que não se pode controlar e muito menos modificar.

Depois de diferenciar administração do tempo de administração dos eventos e


atividades pessoais, foi conceituada Administração e suas principais funções
(Planejar, Organizar, Executar e Controlar). Ela se inicia com o Planejamento do que
será feito, para depois Organizar os recursos e as responsabilidades. Após
planejado e organizado é hora de colocar em prática, Executar. Conforme ocorre a
execução, deve-se fazer o Controle, ou seja, verificar se o que foi planejado está
realmente acontecendo.

Como normalmente achamos que sabemos como utilizar nosso tempo, porém
isso nem sempre é verdade, vimos que para utilizar bem o tempo temos que
priorizar as tarefas realmente importantes e que nos trazem maiores resultados.
Fazer em primeiro as mais importantes e não as mais fáceis.

42
Para que possamos definir quais são as tarefas mais importantes, temos que
analisar e avaliar como estamos utilizando nosso tempo. Para isso, foi visto como
criar uma agenda, para conseguir dimensionar exatamente o percentual de tempo
que usamos em cada tipo de tarefa. A criação de um quadro de distribuição de
atividade permitirá verificar como o seu tempo está sendo empregado no dia a dia.

A reflexão de como utilizamos nosso tempo foi um dos objetivos da unidade, e


de posse dessa ciência, a criação do mapa de prioridade se torna mais fácil. O mapa
de prioridade visa classificar suas atividades em status como urgência e importância
e, com isso determinar o que é prioridade. O conceito de Parkinson, também foi
apresentado, nele percebemos como nos sabotamos ou procrastinamos quando
temos mais ou menos prazo para cumprir uma tarefa.

Por fim, vimos algumas dicas do que fazer para melhorarmos a produtividade
em nosso dia a dia. Separar atividades por lote é uma das dicas, com isso podemos
economizar mais tempo e se deslocar menos. Outra dica é que temos que manter o
foco/atenção no que estamos fazendo, tomar cuidado para não cair nas armadilhas
cotidianas, como por exemplo, abrir site de relacionamento social ou aplicativos no
smartphone. Com isso, devemos apagar aplicativos desnecessários, manter o local
de trabalho organizado, e programar momento de descanso, pois corpo e mente
cansados não têm o mesmo rendimento.

Todo esse processo de mudança é lento e custoso, porém com um pouco de


esforço e dedicação você conseguirá criar o hábito do planejamento e colher
resultados incríveis.

43
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

1-

2-

3-

4-

44
UNIDADE III – INTRAEMPREENDEDORISMO E FINANÇAS PESSOAIS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

 Definir e conceituar intraempreendedorismo;

 Apresentar as características de uma pessoa intraempreendedor;

 Apresentar os 10 mandamentos do intraempreendedor;

 Apresentar a importância de mudar hábitos;

 Conceituar roda da vida;

 Refletir sobre como gerenciamos as finanças pessoais;

 Compreender sobre spread bancário;

 Apresentar um controle financeiro;

 Diferenciar tipos de gastos;

 Apresentar dicas de controle das finanças pessoais.

PLANO DE ESTUDO

A seguir apresentam-se os tópicos que você estudará nessa unidade:

 TÓPICO 1 – INTRAEMPREENDEDORISMO E SUAS CARACTERÍSTICAS

 TÓPICO 2 – MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

 TÓPICO 3 – GERENCIAMENTO PESSOAL: FINANÇAS

45
INTRODUÇÃO DA UNIDADE

O empreendedorismo no Brasil vem ganhando espaço no mercado e passou


a ser uma ótima opção de carreira para muitos. Diversos empresários cheios de
novas ideias entram no mercado com suas empresas a todo instante. Dedicados e
com dinheiro para investir, esses empreendedores encontram um mercado cada vez
mais competitivo, onde a concorrência vem aumentado a uma velocidade incrível.

Desta forma, as empresas precisam buscar inovações e diferenciais para se


diferenciar no mercado. O que muitos empresários (empreendedores) ainda não
perceberam, é que a “chave para o sucesso pode estar dentro da sua própria
empresa e recebe o nome de Intraempreendedorismo” (SANTOS, 2017, ONLINE).

Nesse mesmo contexto, surge intraempreendedorismo, onde Montenegro


(2015, p.01) explica que é “um processo que ocorre dentro de uma empresa
existente, independente de seu porte, e leva-a não somente a novos negócios, mas
também a outras atividades e orientações inovadoras”.

O intraempreendedor é um dos mais importantes recursos nas empresas de


alta competitividade. As empresas perceberam a importância e a oportunidade de
estimular o crescimento profissional de seus funcionários, para extrair todo o seu
potencial, revertendo isso em benefícios para a empresa. Por isso, segundo Periard
(2010, online) “as organizações buscam colaboradores que possam oferecer um
“algo mais” para a elas, pessoas dedicadas que trabalhem como verdadeiros sócios
do negócio”.

Diante do contexto, a seguinte unidade foi dividida em três tópicos. No


primeiro será definido e conceituado intraempreendedorismo e apresentado as
características de uma pessoa intraempreendedora. Depois serão apresentados os
10 mandamentos do intraempreendedor. No segundo capítulo será abordado sobre
a importância de mudar hábitos e apresentado o conceito da roda da vida.

No terceiro e último tópico, será feita uma reflexão sobre a forma como
gerenciamos nossas finanças. Será abordado o tema spread bancário e
46
apresentado controle financeiro. Por fim, será feito a diferenciação dos tipos de
gastos e a apresentação de dicas de controle das finanças pessoais.

47
TÓPICO 1 – INTRAEMPREENDEDORISMO E SUAS CARACTERÍSTICAS

O termo Intraempreendedorismo, conforme Santos (2017, online) “é a


tradução de “intrapreneur” e nada mais é do que o empreendedorismo interno, ou
seja, é a existência do espírito empreendedor nos funcionários que atuam como se
fossem “donos do próprio negócio”, tornando-se verdadeiros líderes para os demais
colegas”.

Imagem 7: intraempreendedor
Fonte: Pixabay (2017)

Periard (2010) segue a mesma linha, e acrescenta dizendo que os


profissionais internos “[...] possuem uma capacidade diferenciada de analisar
cenários, criar ideias, inovar e buscar novas oportunidades para estas empresas.
São eles que ajudam a movimentar a criação de ideias dentro das organizações,
mesmo que indiretamente”.

A similaridade é percebida nas palavras de Garcia et al. (2008) apud Munhoz


e Santos (2014, p.52) “o intraempreendedorismo é fruto de comportamento de

48
indivíduos dentro de organizações associados à sua capacidade e inovação,
guiados por um sentido de visão e integração, determinação e competitividade, por
meio de um processo de liderança e iniciativa e voltados para resultados e busca de
oportunidades.

Costumo dizer que o intraempreendedor é aquele funcionário que ‘pensa com


a cabeça do dono’. São funcionários que buscam melhorar o processo, não se
contentam em apenas fazer sua função, querem o melhor para a empresa.

Os intraempreendedores, segundo Santos (2014), têm as seguintes


características:

 Se sentem responsáveis pela empresa, agindo como “donos do


negócio”;

 São criativos, inovadores, ousados e proativos;

 Possuem capacidade para analisar os diversos cenários e tomar


decisões coerentes;

 Tem foco na solução;

 Possuem autonomia;

Rogers (2011), complementa, trazendo mais algumas características:

 Estar disposto a assumir riscos;

 Dedicar-se arduamente ao trabalho;

 Ter planos;

 Saber administrar;

 Ser visionário;

 Concentrar-se no lucro;

 Ser inovador;

 Aceitar ser comandado.

49
O conhecimento das características que identificam os intraempreendedores
pode contribuir para o desenvolvimento e melhoria dos processos da empresa.

Entendido o conceito de intraempreendedorismo, você se considera um


intraempreendedor? Caso você seja proprietário de uma empresa, você tem ou já
identificou algum intraempreendedor na sua empresa?

“Muitas organizações já perceberam nesse processo uma grande


oportunidade de estimular o crescimento profissional de seus funcionários e extrair
todo o seu potencial, revertendo isso em benefícios para a empresa” (SANTOS,
2014, ONLINE). A autora continua dizendo que é preciso observar quais
funcionários possuem o perfil intraempreendedor, deve-se estimular a autonomia e
criatividade na equipe, permitindo que os funcionários inovem e se sintam
diretamente responsáveis pelo crescimento do negócio.

Por ser um profissional que agrega valor à equipe, é comprometido com a


empresa, busca soluções e traz benefícios como inovação e redução de custos,
Santos (2014) explica que esse profissional é muito demandado no mercado e ter
esse tipo de perfil na empresa pode trazer um bom diferencial competitivo.

Periard (2010), com base no consultor Gifford Pinchot, traz os 10


Mandamentos do intraempreendedor

1 – Forme sua equipe. Intraempreendedorismo não é uma atividade solitária;

2 – Compartilhe o mais amplamente possível as recompensas;

3 – Solicite aconselhamento antes de pedir recursos;

4 – É melhor prometer pouco e realizar em excesso;

5 – Faça o trabalho necessário para atingir o seu sonho, independentemente


de sua descrição de cargo;

6 – Lembre-se de que é mais fácil pedir perdão do que pedir permissão;

50
7 – Tenha sempre em mente os interesses de sua empresa e dos clientes,
especialmente quando você tiver que quebrar alguma regra ou evitar a burocracia;

8 – Vá para o trabalho a cada dia disposto a ser demitido;

9 – Seja leal à suas metas, mas realista quanto às maneiras de atingi-las;

10 – Honre e eduque seus patrocinadores.

Desta forma, com base em Periard (2010) e nos outros autores estudados,
podemos perceber que a motivação interna é de suma importância para que os
funcionários se sintam à vontade para trabalhar desta maneira. Pois, um funcionário
que possua um perfil empreendedor pode desenvolver as habilidades de um
intraempreendedor. Porém, para que isso aconteça é preciso que a empresa crie
programas ou projetos que façam o acompanhamento dos colaboradores que se
destacam.

TÓPICO 2 – MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

Um belo dia, após ter ministrado mais uma aula, os alunos já se retirando da
sala, uma aluna se aproxima e me pergunta se poderia conversar comigo.
Naturalmente, como sempre faço, digo que sim e ela fala:

- Professor, preciso de um conselho seu: é sobre meu namorado.

- Claro, o que tem ele?

- Professor, ele não me ama mais... só briga comigo... não me dá mais


atenção.

- Mas então, por que não termina?

- PROFESSOR, eu “AMO ELE”.

51
Essa situação realmente aconteceu comigo, porém me baseei e fiz uma
adaptação de Guindani, Martins e Cruz (2008).

O que quero chamar atenção é com relação a como nos sujeitamos a certos
sofrimentos ou ao medo da mudança, por gostar muito de algo (AMAR ELE). Muitas
vezes nos acostumamos com certas situações até que aconteça algo que nos force
a mudar.

Tem uma parábola muito interessante que se chama A Vaquinha e o


Precipício. Talvez já conheça, mas em suma ela conta o seguinte.

Um mestre passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou
ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer-lhe uma breve visita. Durante
o percurso, ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades
de aprendizado que temos, também, com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio, constatou a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de


madeira, os moradores – um casal e três filhos – vestidos com roupas rasgadas e
sujas. Então, aproximou-se do senhor e perguntou-lhe:

– Neste lugar, não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como a


sua família sobrevive aqui?

O senhor respondeu:

– Nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite. Uma parte do
produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por comida e a outra
produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo, e assim vamos sobrevivendo.
O sábio agradeceu, se despediu e foi embora.

No meio do caminho, voltou ao seu discípulo e ordenou-lhe:

– Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e jogue-a.

O jovem arregalou os olhos e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha


ser o único meio de sobrevivência daquela família; mas, como percebeu o silêncio
do seu mestre, cumpriu a ordem: empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.

Anos depois, ele resolveu largar tudo e voltar àquele lugar, pedir perdão e
ajudar a família. Quando se aproximou, do local avistou um sítio bonito, com árvores
floridas, carro na garagem e crianças brincando no jardim. Ficou desesperado,
imaginando que a família tivera de vender o sítio para sobreviver. Chegando lá, foi
52
recebido por um caseiro simpático, a quem perguntou sobre as pessoas que ali
moravam.

Ele respondeu:

– Continuam aqui.

Espantado, entrou correndo casa adentro e viu que era mesmo a família que
visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da
vaquinha):

– Como o senhor melhorou o lugar e agora está bem?

O senhor, entusiasmado, respondeu: – Nós tínhamos uma vaquinha que caiu


no precipício e morreu. Daí em diante, tivemos de fazer outras coisas e desenvolver
habilidades que nem sabíamos que tínhamos e, assim, alcançamos o sucesso que
seus olhos vislumbram agora.

Muitas vezes temos que nos desvencilhar do que estamos habituados para
podermos conhecer nossas verdadeiras habilidades. Cada dia, é uma oportunidade
de refletirmos sobre a “nossa” vaquinha e empurrá-la morro abaixo...

Fonte: https://pensador.uol.com.br/frase/MTQyNzE4MA/

Obs.: Caso queira assistir essa parábola em formato de animação, clique no


link https://www.youtube.com/watch?v=Gbnj6c38NVU.

Essa parábola nos remete a algumas reflexões sobre como nos prometemos
várias mudanças, normalmente nas viradas de anos ou no início da semana, mas
não cumprimos. Sabe aqueles quilinhos que sempre quis perder, aquele hábito ou
vício que precisa ser descontinuado ou aquela prática de exercício que tanto precisa
iniciar?

Então, muitas vezes nem as colocamos em prática, ficamos só na promessa.


Mas quando a vaquinha cai no precipício, somos forçados a mudar. Caso faça ou

53
tenha feito algum processo de Coaching Pessoal1, você irá se deparar com a Roda
da Vida2, ou com algo semelhante.

Figura 4: Roda da Vida


Fonte: http://coachingnapratica.com.br/a-roda-da-vida/

Esse processo fará com que você faça uma autoanálise das diversas áreas e
elabore ações de melhora. Nessa unidade irei focar em apenas uma dessas áreas, a
área Financeira.

1
O Coaching pessoal (também conhecido como Coaching de vida) é um dos ramos do Coaching e é uma técnica
de desenvolvimento humano, que pretende alcançar a transformação pessoal.
2
A Roda da Vida é uma ferramenta de Coaching que facilita o autoconhecimento, a percepção acerca das áreas
que nos cercam.
54
SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

A Roda da Vida é uma das ferramentas mais utilizadas no processo de coaching.

O motivo para isso é simples: a ferramenta fornece uma imagem que possibilita a imediata
visualização de como se encontra o equilíbrio entre os diversos aspectos da vida em
determinado momento.

Para saber mais sobre o assunto, acesse o link abaixo:

http://coachingnapratica.com.br/a-roda-da-vida/

TÓPICO 3 – GERENCIAMENTO PESSOAL: FINANÇAS

Imagem 8: Finanças Pessoais


Fonte: Pixabay (2017)

55
Começarei esse tópico fazendo algumas perguntas: Como gerencia seu
dinheiro? Como aprendeu a gerenciar suas finanças? Talvez você seja um
privilegiado e fez algum curso relacionado a área financeira, mas acredito que a
grande maioria responderá: - Não sei, acho que aprendi sozinho.

Pergunto isso, pois em nosso país não temos em nossas escolas uma
disciplina que aborda sobre finanças e nos prepara a lidar com o dinheiro. Também
não temos a cultura de trabalhar com o dinheiro, se verificarmos a história, veremos
que há um pouco mais de vinte anos atrás tínhamos uma economia totalmente
desestabilizada, com inflação superando o 100% ao mês. Esse cenário fazia com
que os brasileiros gastassem todo o seu dinheiro, fazendo estoques, antes que ele
se desvalorizasse.

Naquela época, poupar ou economizar, era inviável e fazer compras


parceladas era inimaginável, e esse costume foi passado por muitos pais para seus
filhos, mesmo depois da estabilidade econômica. Hoje, vivemos em um cenário
antagônico, temos um dos sistemas bancários mais desenvolvidos do mundo,
porém, com uma população despreparada, sem conhecimento para lidar com
empresas especializadas. É o qualificado lidando com o desqualificado.

E qual o reflexo disso? Um spread bancário imenso.

O spread bancário é a diferença entre as taxas que as instituições


financeiras pagam para captar recursos e as que cobram do cliente final. Ou
seja, é a diferença entre quanto de juros o banco cobra de você quando pega
um empréstimo, para quanto ele paga quando você investe.

Para termos uma ideia, até o dia da escrita desse material, se você
precisasse usar o crédito rotativo de seu cartão de crédito, pagaria 15,90% de juros
mensais ou 487,49% de juros anuais.

56
Figura 5: Taxa de Juros do Cartão de Crédito
Fonte: http://www.bb.com.br/ (2017)

Agora, se você tivesse um pouco de dinheiro sobrando e decidisse investir


nesse mesmo banco, você teria um retorno mensal de 0,48%, com um acumulado
anual de 11,07%.

57
Figura 6: Rentabilidade para Investimento de Curto Prazo
Fonte: http://www37.bb.com.br/ (2017)

Baseando-se nessas taxas, farei duas simulações. A primeira, utilizaremos


um crédito rotativo de R$10.000 e a segunda faremos um investimento do mesmo
valor. Ambos terão o mesmo período de um mês e o acumulado de um ano.

Valor do Crédito R$ 10.000,00 Valor do Investimento R$ 10.000,00


1 mês R$ 1.590,00 1 mês R$ 48,00
12 meses R$ 48.749,00 12 meses R$ 1.110,70
Quadro 6: Simulação de Juros
Fonte: Próprio Autor (2017)

58
Surpreso? Pois é, em um ano você estaria devendo R$48.749,00 de juros
mais os R$10.000 que utilizou, ou seja, R$58.749,00. Agora, se tivesse investido,
teria recebido os míseros R$1.110,70. Isso porque me baseei no acumulado, onde a
média de juros é um pouco maior do que 0,48% ao mês. Essa diferença recebe o
nome de Spread Bancário.

Compreendido sobre essa diferença percebemos que não há muita margem


para o erro, e muitos brasileiros estão nessa situação. Abusaram nos gastos, se
perderam nas dívidas e acabaram entrando no crédito rotativo ou no cheque
especial, que é praticamente a mesma coisa.

Como não temos uma fonte de renda ilimitada, é preciso tomar algumas
providências para evitar essa situação e, consequentemente, usufruir do nosso
dinheiro. Primeiro é preciso que organize suas finanças pessoais, faça um registro
das entradas e saídas do seu dinheiro. Com isso saberá exatamente quanto ganha e
quanto gasta. Caso não tenha esse controle, ficará surpreso, pois terá mais dinheiro
do que imagina.

Para auxiliar nesse controle, segue um exemplo de uma tabela que poderá
montar, tanto num caderno quanto numa planilha em Excel.

Controle Financeiro Valor R$


Salário
Receita
Outras Receitas
Total das Receitas R$

Aluguel/Prestação
Condomínio
Gastos Fixos: Contas Impostos (IPTU, IPVA...)
necessárias que têm o
Plano de Saúde
mesmo valor todo
mês. Colégio/Curso
Clube/Academia
Plano de Aposentadoria

59
Assinaturas
TV/NET/Revista
Outros
Total dos Gastos Fixos R$

Alimentação
Gastos Variáveis: Água/Gás/Luz
Contas necessárias,
Telefone/Celular
mas que não têm o
Cartão de Crédito
mesmo valor todo
mês. Gasolina/Transporte
Outros
Total dos Gastos Variáveis R$

Viagem
Gastos Arbitrários: São Cinema
Gastos que você não,
Restaurante
necessariamente,
precisa ter. Roupas/Acessórios
Outros
Total dos Gastos Arbitrários R$

Saldo Total (Receitas - Gastos) R$


Quadro 7: Modelo de Controle Financeiro
Fonte: Próprio Autor (2017).

SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

Está com dificuldades de controlar os gastos e mal sabe o que entra e o que sai da sua
conta corrente? Que tal criar uma planilha personalizada com a indicação de receitas e
despesas para deixar claro se sua saúde financeira está boa ou se é hora de colocar o pé
no freio?

No link a seguir você encontrará um passo a passo de como montar uma planilha de
controle financeiro.

https://tecnologia.uol.com.br/album/2016/08/17/saiba-como-montar-uma-planilha-de-
gastos-mensais-personalizada.htm#fotoNav=4

60
Com o controle feito, é possível identificar onde estão os maiores gastos.
Essa organização não depende de quanto tem, Luquet (2007, p.14) comenta que ao
“organizar suas finanças com critérios definidos e sendo bastante realista com suas
receitas e despesas, você acabará por descobrir que tem mais recursos do que
imagina para fazer suas aplicações”.

Para fazer com que seu orçamento caiba em seu salário, Luquet (2007)
recomenda que devemos começar revendo os gastos Arbitrários e Variáveis. A
autora explica que se conseguir reduzir uma parcela de cada item dos Gastos
Variáveis, você consegue no final do mês ter uma folga. Nesse item, estamos
falando em reduzir o consumo da água, luz, telefone. Com relação à alimentação, é
trocar a marca de algum produto por outra mais barata, não ir ao supermercado com
fome, tentar pagar tudo a vista, parcelar somente quando não tiver dinheiro.

Conseguir reduzir os Gastos Variáveis é um grande passo, mas se conseguir


cortar os Gastos Arbitrários, você terá sua independência financeira, pois com as
sobra de dinheiro conseguirá fazer investimentos. Luquet (2007) explica que são
gastos que você poderá cortar de imediato e quando tiver com suas finanças
organizadas, poderá inseri-los aos poucos. Para cortar esses gastos você deve fugir
das armadilhas do impulso, não carregue os cartões de crédito, aliás, cancele
alguns, fique somente com alguns e carregue-os somente quando for comprar algo.
Lembre-se, o valor que tem em crédito não é extensão do seu salário.

Não compre roupas, calçados e acessórios antes de fazer uma geral no


guarda-roupa e se mesmo assim identificar a necessidade, não compre sem antes
rever seu controle financeiro. Além das orientações feitas por Luquet ((2007), Takar
(2017) apresenta outras dicas para ajudar no controle das finanças pessoais,
seguem algumas delas:

- Reveja as anotações: se não anotou nada, comece já. Se você já anota


suas receitas e despesas, faça um balanço do ano. É um bom momento para
descobrir falhas nas planilhas, perceber alguma despesa que fugiu do controle.

Anote tudo, mas tudo mesmo: é preciso lembrar de todas as despesas,


valores pequenos, quando somados fazem toda a diferença no fim do mês.
61
- Troque o restaurante pela marmita: em vez de comprar lanche ou almoçar
perto do serviço, que normalmente é mais caro, você pode levar comida de casa ou
passar no mercado antes do trabalho.

- Lembretes para pagar as contas no dia certo: pagar contas após o


vencimento aumentará em média 10%, acostume-se a colocar lembretes em locais
estratégicos.

- Reúna a família para economizarem juntos: falar sobre finanças em


família ainda é um tema difícil. A conversa em família pode facilitar, por exemplo, a
decisão de abrir mão da TV a cabo, de reduzir o plano de internet ou até de vender
um carro.

- Conserte, recicle, reaproveite, faça manutenção: cuide da manutenção


do carro, conserte a máquina de lavar, ponha uma capa de proteção no celular para
ele durar mais.

- Explore as redes sociais, junte os amigos: você pode montar grupos de


pais para comprar material escolar em quantidade, com desconto. Se o esquema
der certo, você pode juntar essa mesma turma, uma vez por mês, para comprar
comida e outros produtos em supermercados que vendem por atacado.

- Estimule seus filhos a ajudar na economia: seus filhos também podem


ajudar, buscando livros usados com colegas mais velhos e oferecendo os livros
deles para os mais novos. Esse processo vai conscientizá-los a cuidar mais de
cadernos e livros.

- Nunca é tarde para mudar: o cheque especial e o rotativo do cartão são as


dívidas mais comuns hoje porque não exigem nenhum esforço. Mas essa
comodidade tem um preço. Se você recebe salário pelo banco, o consignado pode
ser uma boa opção.

- Cuidado para não entrar em dívidas sem parar: pegue o dinheiro de


empréstimos mais baratos para pagar as dívidas mais caras. As prestações ao longo
dos próximos meses serão bem mais suaves. Mas tome cuidado para não cometer o
erro de entrar de novo no cheque especial ou no cartão.
62
- Comece a planejar hoje 2018, 2019… e 2048: separe uma parte das
economias para os imprevistos e, principalmente, para os previstos, como o IPTU,
IPVA e material escolar de 2018.

Agora vamos ilustrar a situação onde você já possua um equilíbrio financeiro,


tem os controles necessários e no final do mês sobre um pouco. Nesse caso vamos
falar sobre o hábito de guardar dinheiro e de fazer investimento. Muitas pessoas têm
a dificuldade de vencer a tentação do consumo, na maioria das vezes compram de
forma desnecessária e com isso acabam não conseguindo poupar. Dessen (2015)
descreve que para poupar é preciso ter um objetivo forte o suficiente para renunciar
à tentação do consumo.

Todo objetivo precisa de prazo e valor para ser atingido, deve-se fazer um
planejamento e estipular as metas. Caso contrário, poupar dinheiro perde o sentido
e o que sobrar será entendido como uma “sobra” e facilmente será gasto com outras
coisas.

Outra forma de guardar dinheiro é programar investimento automático. O


autor alerta para não esperar sobrar muito dinheiro para começar a poupar, comece
aos poucos, com 5% e depois vai aumentando. Agende com o banco um valor para
ser retirado de sua conta e depositado em algum investimento. Todo mês o valor
estipulado será retirado e você deverá desconsiderar esse valor de suas receitas.
Quando for possível você poderá aumentar o valor até chegar aos 20%, valor
considerado ideal pelos especialistas.

Um investimento que você pode fazer para aumentar a possibilidade de


ganhar mais é na Educação. Pesquise cursos em áreas que te ajudará a ampliar
suas qualificações profissionais e sua empregabilidade, como também, algo que
você se identifica e traga satisfação.

63
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta unidade vimos que intraempreendedor é o empreendedor interno, ou


seja, é aquele funcionário que tem espírito empreendedor, que atua como se fosse
‘dono do negócio’, tornando-se verdadeiro líder para os demais colegas. Essas
pessoas têm características diferenciadas, são criativos, responsáveis, proativos,
assumem riscos, são autônomos, visionários, enfim, ‘pensam’ com a cabeça do
dono.

O conhecimento das características que identificam os intraempreendedores


pode contribuir para o desenvolvimento e melhoria dos processos da empresa e
muitas organizações já perceberam nesse processo uma grande oportunidade de
estimular o crescimento profissional de seus funcionários e extrair todo o seu
potencial, revertendo isso em benefícios para a empresa.

Também vimos sobre mudança de comportamento e o quanto ficamos presos


a velhos hábitos por medo ou por termos medo de mudar. Sujeitamo-nos a certos
sofrimentos ou ao medo da mudança, por gostar muito de algo, sendo que muitas
vezes nos acostumamos com certas situações até que aconteça algo que nos force
a mudar.

Uma forma de conhecer melhor nossas características e analisar nossos


hábitos é elaborando e aplicando a roda da vida. Essa técnica fará com que façamos
uma autoanálise das diversas áreas e nos conduz a uma elaboração de ações de
melhora. Como o foco do nosso estudo era a área financeira, foi feita uma
autoanálise, uma reflexão de como gerenciamos nossas finanças pessoais. Vimos
que a falta de conhecimento ou hábitos ruins são culturais, vindo de um período
onde no Brasil os juros e a inflação eram exorbitantes, o que obrigavam nossos pais
e avós a gastar seu salário o quanto antes, para não ser desvalorizado.

Hoje, vivemos em um cenário antagônico, temos um dos sistemas bancários


mais desenvolvidos do mundo, porém, com uma população despreparada, sem
conhecimento para lidar com empresas especializadas. É o qualificado lidando com

64
o desqualificado. O resultado disso é o imenso spread bancário, a diferença entre as
taxas que as instituições financeiras pagam para captar recursos e as que cobram
do cliente final.

Por meio de exemplos, foi possível perceber o quanto é perigoso se endividar


com credito rotativo do cartão ou cheque especial. Como não temos uma fonte de
renda ilimitada, é preciso tomar algumas providências para evitar essa situação e,
consequentemente, usufruir do nosso dinheiro. Para isso, foram apresentados
alguns modelos de controle financeiro, onde primeiramente diferenciamos os tipos
de gastos, para posteriormente apresentarmos formas e metodologias de organizar
e gerenciar bem os recursos financeiros pessoais.

Foi estudado que reduzir os Gastos Variáveis é um grande passo, mas se


conseguirmos cortar os Gastos Arbitrários, possivelmente, conquistaremos a tão
sonhada independência financeira, pois com as sobras de dinheiro conseguiremos
fazer investimentos. Para cortar os gastos devemos fugir das armadilhas das
compras por impulso, como não carregando os cartões de crédito, pois o valor que
temos em crédito não é extensão do nosso salário.

Outras dicas foram apresentadas como rever o planejamento feito no ano


anterior, para verificar o que deu certo ou errado, trocar produtos ou serviços por
marcas mais em conta, expor para família a situação e incluí-los no processo,
poupar e investir o quanto puder, não esperar sobrar muito dinheiro para fazer isso e
começar a preparar o planejamento dos próximos anos.

Outra forma de investimento é na educação, pois isso poderá dar a


possibilidade de ganhos maiores, além de elevar sua qualificação profissional e
empregabilidade. Pois, as empresas precisam buscar inovações e diferenciais para
se diferenciar no mercado. O que muitos empresários (empreendedores)
perceberam, é que a chave para o sucesso pode estar dentro da sua própria
empresa e recebe o nome de Intraempreendedorismo.

Portanto, esteja preparado e pense com a cabeça do dono!

65
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

1-

2-

3-

4-

66
UNIDADE IV – ÉTICA PROFISSIONAL E A RESPONSABILIDADE SOCIAL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

 Conceituar ética e moral;

 Fazer a diferenciação de ética e moral;

 Entender como funciona ética e moral nas organizações;

 Compreender sobre código de ética profissional e empresarial;

 Ver exemplos antiéticos;

 Apresentar ações para criar uma cultura ética nas organizações;

 Conceituar Responsabilidade Social Empresarial;

 Entender o histórico de Responsabilidade Social Empresarial;

 Compreender sobre as formas de atuação com Responsabilidade Social


Empresarial.

PLANO DE ESTUDO

A seguir apresentam-se os tópicos que você estudará nessa unidade:

 TÓPICO 1 – O QUE É ÉTICA E MORAL?

 TÓPICO 2 – ÉTICA E MORAL NAS ORGANIZAÇÕES

 TÓPICO 3 – RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL E ALGUMAS


FORMAS DE ATUAÇÃO

67
INTRODUÇÃO DA UNIDADE

Olá caro aluno, chegamos ao final do nosso livro, esta é última unidade. Nela
vamos trabalhar conceitos importantes para o profissional, vamos falar sobre ética e
moral.

Pesquisas demonstram que o currículo, com as qualificações e competências


técnicas, é a maior responsável pela contratação do profissional por uma empresa,
porém a maioria dos desligamentos é proveniente do comportamento e
relacionamento com as outras pessoas, poucos são desligados por falta de
competência ou erro técnico.

É com essa visão que essa unidade foi dividida em três tópicos, sendo que
primeiro abordaremos sobre ética e moral; iremos trabalhar sobre conceituar a ética
e a moral para depois fazermos as diferenciações e entendimento de como funciona
dentro nas organizações, que é o assunto do segundo tópico. Nela estudaremos
sobre código de ética profissional e empresarial.

Veremos que o surgimento dos códigos profissionais pode ser considerado


um dos componentes do progresso moral, uma vez que refletem o crescimento do
valor da personalidade e estabelecem os princípios humanos nas relações entre as
pessoas e profissionais. Serão trazidos alguns exemplos antiéticos, de algumas
empresas e profissionais que apresentaram desvio de conduta e viraram caso de
investigação e polícia.

Também serão abordadas algumas ações que as empresas podem fazer para
criar ou manter uma cultura ética, com o intuito de criar uma cultura organizacional
ética como forma de base de sustentação e longevidade, que reflete em uma
imagem empresarial sólida e transparente, diante do mercado em que atua.

No terceiro e último tópico, será discutido sobre Responsabilidade Social


Empresarial e algumas formas de atuação. Veremos que esse assunto é algo
recente, dinâmico e polêmico, pois o modelo baseado em extração, transformação,
comercialização, exploração da mão de obra e descarte de recursos naturais,
68
sustentado por muitos anos pelas organizações, desde as revoluções industriais,
não é mais viável.

Devido ao surgimento de ONGs (Organizações não Governamentais) e o


desenvolvimento do Terceiro setor, no começo de 1990 no Brasil, muitas empresas
brasileiras começaram a buscar formas de agregar valor social às suas atividades,
interessando-se em desenvolver atividades sociais devido à importância e aos
impactos positivos aos negócios.

Com isso, termos e expressões como filantropia, cidadania empresarial,


ética nos negócios, voluntariado empresarial e responsabilidade social foram
incorporados ao vocabulário corporativo.

Desta forma, o tópico apresentará possíveis ações que as organizações


poderão fazer para ter um modelo econômico e sustentável, possibilitando a
internalização de nova cultura gerencial revestida de máxima transparência e
orientada por sólidos princípios éticos.

Boa leitura e aprendizado!!!

69
TÓPICO 1 – O QUE É ÉTICA E MORAL?

Escrever sobre ética é falar de um momento da humanidade onde o ser


humano começou a viver em sociedade, a conviver e dividir espaço com outras
pessoas. Dessas experiências surgiram normas e regras comportamentais para
manter sadio o convívio. Nesse contexto surge a ética, onde os valores permanecem
até hoje, porém constantemente são questionados e sofrem alterações ou até o
esquecimento.

Holanda, (1999, p.848) apud Egg (2012, p. 5) descreve que na “Língua


Portuguesa, ética é o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta
humana susceptível de qualificação, do ponto de vista do bem e do mal, seja
relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”. O autor, também,
comenta que a palavra Ética tem sua origem no vocábulo grego ethos, que significa
o modo de ser de um indivíduo, o seu caráter.

Segundo Egg (2012) os filósofos gregos, na Grécia Antiga por volta do século
IV a.C., foram os primeiros a pensar no conceito de ética. Uma vez que suas
cidades-estados estavam crescendo, necessitavam de honestidade, harmonia e
felicidade entre os cidadãos e por isso o conceito se associava à ideia de moral, da
cidadania.

“Sócrates, Platão e Aristóteles são os pensadores gregos mais estudados e


citados no campo da ética. De um modo geral, afirmavam que a conduta do ser
humano deveria ser pautada no equilíbrio, a fim de evitar a falta de ética. Pregavam
a virtude, a estreiteza moral e outras atitudes voltadas para a ética” (EGG, 2012,
p.5).

Ao pesquisar na literatura atual, diversas são as definições sobre ética.


Seguem-se algumas delas, descritas por Mattos (2012):

“Ética é uma parte da Filosofia que reflete sobre a moral, e por isso recebe o
nome de ‘filosofia moral’” (CORTINA, 2003, P. 14).

70
“Ética, ou filosofia moral, é uma reflexão sistemática sobre o comportamento
moral. Ela investiga, analisa e explica a moral de uma determinada sociedade. A
ética não diz o que deve ser feito (moral), a ética tira conclusões, elaborando
princípios sobre o comportamento moral” (CORDI ET AL. 1995, P.45).

“Ética vem do grego ethos, que tem o mesmo significado de ‘costume’. Ética
ou filosofia moral é a parte da Filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito das
noções e princípios que fundamentam a vida moral” (ARRUDA E MARTINS, 2003,
P. 305).

“Ética vem de duas palavras gregas: ethos, que significa ‘o caráter de alguém’
e êthos, que significa ‘o conjunto de costumes instituídos por uma sociedade para
formar, regular e controlar a conduta de seus membros’” (CHAUÍ, 2003, P. 307).

De forma geral, podemos identificar nas definições dos autores sobre a ética,
palavras como costumes, comportamento moral, conduta humana e valores. Neste
contexto, Mattos (2012) explica que ética é a parte da Filosofia que reflete sobre a
moral e concepção do indivíduo, instituindo valores que o orienta na sociedade.

Repare que moral é constantemente citada pelos autores e para clarear um


pouco mais o entendimento sobre a ética, vamos conhecer um pouco sobre a moral
e suas definições. Moral vem do latim mos ou mores, que significa costumes,
normas adquiridas por hábitos. Pereira (1991, p.11) apud Mattos (2012, p.19)
complementa que “moral é tudo aquilo (ato, comportamento, fato, acontecimento,)
que realiza o homem, que o enraíza em si mesmo e, por ele e para ele, ganha
sentido humano”.

No mesmo sentido, Chauí (2003, p.307) apud Mattos (2012, p.19) descreve
que “moral vem de uma palavra latina: mos, moris, que quer dizer ‘o costume’, e no
plural, mores, significa os hábitos de conduta ou de comportamento instituído por
uma sociedade em condições históricas determinadas”.

Mattos (2012, p.19) explica que os autores descrevem a moral como algo da
“vida concreta, como uma prática objetiva das pessoas que se expressam nas
ações, nos costumes, nos hábitos e nos valores que a cultura produz”.

71
Em suma, baseando-se nos Significados (2017), pode-se entender que a
Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por
cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os
seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.

Já a Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do


comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional,
fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral.

Imagem 10: Ética e Moral


Fonte: Shutterstock (2017)

“No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São


ambas responsáveis por construir as bases que vão guiar a conduta do homem,
determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de
agir e de se comportar em sociedade” (SIGNIFICADOS, 2017, ONLINE).

72
TÓPICO 2 – ÉTICA E MORAL NAS ORGANIZAÇÕES

Em nossa trajetória profissional podemos escolher diversas profissões e


áreas de atuação. Porém, ao fazer uma escolha temos que seguir as normas de
conduta da profissão, o chamado código de ética.

Glock e Goldim (2005, p.2) apud Mattos (2012, p.23) explica que:

[...] ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um


juramento, que significa sua adesão e comprometimento com a
categoria profissional onde formalmente ingressa. Isso caracteriza o
aspecto moral da chamada ética profissional, esta adesão voluntária a
um conjunto como sendo as mais adequadas para o seu exercício.

Segundo o Código de Ética (2017, online) “O código de ética é um documento


que busca expor os princípios e a missão de uma determinada profissão ou
empresa. Seu conteúdo deve ser pensado para atender às necessidades que aquela
categoria serve e representa”. Em maneira geral, os códigos são baseados na
legislação vigente, na Declaração dos Direitos Humanos, nas Leis Trabalhistas,
entre outras.

Entre os códigos existem algumas diferenças e Código de Ética (2017, online)


faz a distinção em:

Códigos de Ética Profissionais - códigos em que estão especificados os


direitos e deveres, o que é vetado eticamente naquele exercício profissional e as
possíveis punições no caso de desobediência ao código. Ex.: código de ética do
contador, código de ética do assistente social, etc. Os códigos mais conhecidos no
Brasil são os de Medicina, Enfermagem, Psicologia e o da OAB (Ordem dos
Advogados do Brasil). Cada um deles especifica o papel dessas profissões na

73
sociedade e a importância do respeito à dignidade humana, no exercício de cada um
desses trabalhos tão importantes.

Códigos de Ética Empresariais - códigos em que estão contidos a missão, a


visão e os princípios da empresa. Itens, os quais, todo funcionário da instituição
deve conhecer. Através do Código de ética institucional é possível perceber a função
da empresa na sociedade e os valores que se cultivam lá dentro.

Neste sentido, Mattos (2012, p.23) descreve que “o surgimento dos códigos
profissionais pode ser considerado um dos componentes do progresso moral, uma
vez que refletem o crescimento do valor da personalidade e estabelecem os
princípios humanos nas relações entre as pessoas e profissionais”.

Sendo assim, percebe-se que uma pessoa, ao ingressar em uma profissão,


terá um conjunto de regras estabelecidas por sua confederação, que trará de forma
detalhada suas responsabilidades, direitos e formas de punição, caso necessária.

Por mais que as empresas e as confederações se esforcem na criação dos


códigos, e em fazer com que os profissionais ajam conforme os mesmos, muitas
vezes isso não acontece. Basta ligar a televisão ou ler um jornal para perceber isso.
Várias são as reportagens que apresentam desvios de condutas de profissionais
qualificados e muitas vezes renomados.

Vejamos alguns exemplos de reportagens:

74
Imagem 11: Antiético
Fonte: Shutterstock (2017)

1 - Fraude da Volkswagen: Denúncia surgiu em 2015, nos EUA, mas


investigação começou em 2009

A Volkswagen está envolvida em um escândalo de falsificação de resultados


de emissões de poluentes em motores a diesel. A montadora admitiu que, para

75
burlar inspeções, usou um programa de computador em 11 milhões de carros em
todo o mundo.

O escândalo veio à tona em setembro de 2015, nos Estados Unidos, mas as


suspeitas foram levantadas muito antes. Veja abaixo a cronologia do caso.

Para ver a matéria na íntegra, acesse o link:


http://g1.globo.com/carros/noticia/2015/09/escandalo-da-volkswagen-veja-o-passo-
passo-do-caso.html

2 - Novo laudo aponta que médica foi responsável por antecipar mortes

Um laudo complementar, feito a pedido do Ministério Público do Paraná (MP-


PR), aponta que a médica Virgínia Soares de Souza foi a responsável pela
antecipação de morte de pacientes. Ela chefiava a Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba.

Para ver a matéria na íntegra, acesse o link:


http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/07/novo-laudo-aponta-que-medica-foi-
responsavel-por-antecipar-mortes.html

3 - Odebrecht condenado: Entenda as polêmicas envolvendo a maior


construtora do país

Ocorrida em junho do ano passado, a prisão do então presidente da


Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi avaliada por analistas como um "duro golpe" para
uma das maiores multinacionais brasileiras, que se tornou um dos ícones da
projeção internacional do país.

Para ver a matéria na íntegra, acesse o link:


http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160308_perfil_odebrecht_condena
cao_jf_ab

76
4 - Advogados são acusados de dar golpe em aposentados rurais

Trabalhadores rurais são obrigados a entregar parcelas atrasadas de


benefício por meio de contratos abusivos. A reportagem especial do Fantástico
conta a triste história de trabalhadores rurais, gente muito humilde, que esperou
meses, até anos, para receber a aposentadoria a que tinha direito.

Para ver a matéria na íntegra, acesse o link:


http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/01/advogados-sao-acusados-de-dar-
golpe-em-aposentados-rurais.html

Muitas vezes as questões éticas são postas em prova perante a possibilidade


de lucro ou vantagem nos negócios. Santos (2017) comenta que não só os
profissionais devem seguir os padrões éticos sociais, mas também as empresas
devem aplicar as normas internas. A presença da ética na cultura organizacional é a
base de sustentação e longevidade que reflete em uma imagem empresarial sólida e
transparente diante do mercado em que atua.

Sendo assim, para finalizarmos o assunto, a autora apresenta em seu texto


algumas ações que as empresas podem fazer para criar ou manter uma cultura
ética, são elas:

Código de Conduta Ética Organizacional: criar ou seguir o Código de Ética


de suas profissões. Quanto mais simples melhor.

Disk Denúncia ou Canal Aberto: geralmente é uma Linha telefônica


específica para receber denúncias anônimas de funcionários, clientes, fornecedores
e etc., sobre atos fraudulentos e ações antiéticas ou até mesmo criminosas.

77
Auditorias: implantar Auditorias em todas as áreas, a fim de verificar se os
processos estão ocorrendo de forma transparente e de acordo com os princípios da
empresa, não somente a financeira.

Avaliações: as avaliações periódicas e de Clima, também auxiliam os líderes


a enxergarem e entenderem melhor o comportamento de seus funcionários e assim
ajustar possíveis falhas.

Desenvolvimento e Feedback: é papel do líder incentivar a verdade e a


cultura de princípios. Encontros de desenvolvimento e feedback possibilitam a
relação de trocas, propiciando a oportunidade de manifestação.

Figura 7: Exemplos de Condutas antiéticas


Fonte: Toi e Carmo (2015).

78
SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

Ética, ética Empresarial, Moral e Responsabilidade Social

Ao iniciar um trabalho que envolve a ética como objeto de estudo, consideramos importante,
como ponto de partida, estudar os conceitos de ética, ética empresarial e fazendo uma
pequena abordagem sobre a Moral e a Responsabilidade Social, que consideramos muito
importantes para o nosso trabalho.

Para ler o texto na íntegra acesse o link:


http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/etica-etica-empresarial-moral-e-
responsabilidade-social/57698/

TÓPICO 3 – RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL E ALGUMAS


FORMAS DE ATUAÇÃO

O tema Responsabilidade Social é algo recente, dinâmico e polêmico, o


modelo baseado em extração, transformação, comercialização, exploração da mão
de obra e descarte de recursos naturais, sustentado por muitos anos pelas
organizações, desde as revoluções industriais, não é mais viável.

A escassez de recursos naturais, a conscientização social e a facilidade de


disseminação de informação fizeram, ou estão fazendo, com que muitas
organizações repensem seu modo de gestão. A exposição nas mídias de algo ruim
feito por uma organização e a repercussão disso, fizeram surgir uma preocupação
constante em não ter sua imagem vinculada a algo negativo.

Essa exposição mais a melhoria no nível educacional da população propiciou


o surgimento de um novo mercado, com um consumidor mais consciente e exigente,
pressionando uma atuação mais responsável por parte das organizações. Garcia
79
(2006, p.16) explica que “as organizações, cientes de que o mercado consumidor é
cada vez mais um bem escasso, visto que a miséria exclui um grande contingente
populacional do processo de consumo, por insuficiência de renda, assume um papel
ativo na melhoria das condições, compartilhando essa atuação com o governo e a
sociedade”.

A atuação social das empresas surgiu no início do século XX, conforme


menciona Tenório (2006). Até meados de 1950, devido aos avanços tecnológicos, a
sociedade transitava da economia agrícola para a industrial, o que acarretava na
mudança do processo produtivo. Com a difusão da Administração Científica 3 e com
um modelo econômico liberal4, muitas indústrias surgiram e com elas o acúmulo de
capital, a degradação da qualidade de vida, os problemas ambientais e a
precariedade das relações de trabalho.

Foi a partir desse período que segundo Tenório (2006, p.18) a “sociedade
começou a se mobilizar, pressionando o governo e empresas a solucionarem os
problemas gerados pela industrialização”. Diante disso, o conceito de
responsabilidade social empresarial passou a ser entendido não somente pela
geração de empregos, pagamentos de impostos e geração de lucro, mas também
pelo cumprimento das obrigações legais, trabalhistas e ambientais.

Sendo assim, Garcia (2006) afirma que as empresas já não podem atuar
como um sistema fechado, devendo buscar a sobrevivência em longo prazo com
equilíbrio entre o desempenho econômico, social e natural.

Segundo Tenório (2006), devido ao surgimento de ONGs (Organizações não


Governamentais) e o desenvolvimento do Terceiro setor, no começo de 1990 no
Brasil, muitas empresas brasileiras começaram a buscar formas de agregar valor
social às suas atividades, se interessando em desenvolver atividades sociais devido
à importância e aos impactos positivos aos negócios.

3
Administração Científica é a corrente administrativa iniciada por Taylor e que enfatiza a administração das
tarefas, isto é, focaliza a racionalização do trabalho operário, a padronização e o estabelecimento de princípios
básicos de organização racional do trabalho.
4
Liberalismo Econômico é uma ideologia baseada na organização da economia em linhas individualistas, o que
significa que o maior número possível de decisões econômicas são tomadas por indivíduos e não por instituições
ou organizações coletivas.
80
Com isso, termos e expressões como filantropia, cidadania empresarial,
ética nos negócios, voluntariado empresarial e responsabilidade social foram
incorporados ao vocabulário corporativo (TENÓRIO, 2006, p.23). Desta forma,
seguem as definições conforme o próprio autor:

Filantropia Empresarial: filantropia faz referência a caridade, a uma ação


altruísta e desprendida. Significa ‘amor ao homem ou a humanidade’. Desta forma, a
Filantropia Empresarial pode ser entendida como uma ação social de natureza
assistencialista, caridosa e temporária, por meio de doações financeiras ou
materiais. É valido frisar que a ação filantrópica não garante que a empresa esteja
respeitando o ambiente social, pois se trata de algo esporádico.

Cidadania Empresarial: expressão utilizada para demonstrar o envolvimento


da empresa em programas sociais, por meio de incentivo ao trabalho voluntário, a
parcerias com a comunidade, ao investimento em projetos sociais nas áreas da
saúde, educação e meio ambiente. As ações adotadas pelas empresas podem ser
no âmbito interno e externo.

Voluntariado Empresarial: conjunto de ações empresariais para incentivar


os colaboradores a engajarem-se em atividades voluntárias na comunidade. As
ações podem ser as mais variadas possíveis e passíveis de dispêndio de horas dos
colaboradores e espaço físico da empresa.

Responsabilidade Social: compromisso ético com os diversos agentes


sociais participantes da cadeia produtiva. Remete à constituição de uma cidadania
organizacional no âmbito interno e externo. Faz relação com os cumprimentos das
obrigações legais e com o comprometimento do desenvolvimento econômico.
Também visa o envolvimento da empresa com as atividades comunitárias,
participando diretamente das ações em sua região e minimizando os danos
ambientais, decorrentes do exercício de suas atividades.

Young (2014, online) descreve Responsabilidade Social Empresarial como:

81
[...] a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente
da empresa com todos os seus públicos e pelo estabelecimento de
metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável
(DS) da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais,
respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades
sociais.

O autor traz em seu texto que muitas empresas buscam por uma visão mais
ampla de si, de seus públicos e da sociedade. Com relação ao grau de
responsabilidade interna é possível mensurar, utilizando-se de indicadores de
Responsabilidade Social e o modelo de Balanço Social do Ethos. Há também as
ferramentas desenvolvidas por instituições como Ibase, GRI e ISO, que se revelaram
importantes para orientar as organizações quanto à aplicação das práticas de
responsabilidade social.

Young (2014) acredita na construção de um país melhor, onde as empresas,


que são poderosas agentes de transformação, adotem um comportamento
socialmente responsável, se juntando com o Governo e com a sociedade civil. Pois
a responsabilidade social empresarial implicaria na melhora do desempenho da
empresa e também no impacto sobre o bem-estar humano.

Porém, são grandes os desafios para se chegar a esse patamar.


Primeiramente é fazer com que as empresas aderem aos indicadores de
responsabilidade social empresarial, o autor descreve que atualmente no Brasil,
cerca de 400 empresas aplicam regularmente os Indicadores Ethos de
Responsabilidade Social, 200 publicam Balanços Sociais e outras utilizam as
diretrizes do Global Reporting Initiative (GRI).

Outro ponto é a desigualdade social no país, onde a concentração de renda


mantém na pobreza mais de 50 milhões de pessoas. Nessa situação, cerca de um
terço da população brasileira convive com a insegurança alimentar, sendo que o
Brasil é um dos maiores exportadores de carne e grãos do mundo.

82
SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

Responsabilidade Social Empresarial, Filantropia e Investimento Social

Você realmente sabe o que isso significa?

Em outras palavras, a responsabilidade social da atividade de negócios é econômica


por natureza, pois a instituição de negócios é a unidade econômica base de nossa
sociedade e sub-entende a competência e a excelência na gestão capaz de gerar lucros
suficientes e adequados.

Para ler o texto na íntegra acesse o link:


http://www.revistanegociospe.com.br/materia/RESPONSABILIDADE-SOCIAL-
EMPRESARIAL-FILANTROPIA-E-INVESTIMENTO-SOCIAL

Outro desafio está na esfera governamental, que é desenvolver regulação de


iniciativas que estimulem empresas que têm adotado estratégias de
Responsabilidade Social.

E também, possibilitar que ações para o desenvolvimento sustentável possam


inspirar políticas públicas; possibilitar ações de redirecionamento fiscal em projetos
de inclusão social e sustentabilidade; disseminar políticas sociais; criar mecanismos
de monitoramento de RSE e desenvolvimento sustentável em conjunto com a
sociedade civil; criar o Fórum Nacional de Responsabilidade Social e
Desenvolvimento Sustentável; estimular a criação de um conselho e órgãos técnicos
que deem suporte científico às iniciativas de RSE e desenvolvimento sustentável;
disseminar nas universidades programas de capacitação em gestão socialmente
responsável; reforçar os acordos e as decisões das conferências multilaterais,
esforçando-se para implementá-los (YOUNG, 2014, ONLINE).

83
Sendo assim, conforme Young (2014) “expandir a responsabilidade social
empresarial como ferramenta concreta para uma referência de um modelo
econômico sustentável significa avançar nos métodos, instrumentos, indicadores e
processos de capacitação que possibilitem a internalização de nova cultura
gerencial, revestida de máxima transparência e orientada por sólidos princípios
éticos”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nessa última unidade do livro, primeiramente foi discutido sobre o conceito de


ética e moral. Vimos que Ética é o conjunto de conhecimentos extraídos da
investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de
forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral.

Já Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas


continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando
as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou
errado, bom ou mau. Pode-se entender que ambas são responsáveis por construir
as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo
e virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade.

Depois de conceituado e entendido as diferenças entre ética e moral,


discutimos sobre como elas funcionam dentro das organizações. Vimos que em
nossa trajetória profissional podemos escolher diversas profissões e áreas de
atuação. Porém, ao fazer uma escolha temos que seguir as normas de conduta da
profissão, o chamado código de ética.

O código de ética é um documento que busca expor os princípios e a missão


de uma determinada profissão ou empresa. Seu conteúdo deve ser pensado para
atender às necessidades que aquela categoria serve e representa. São baseados na
legislação vigente, na Declaração dos Direitos Humanos, nas Leis Trabalhistas,
entre outras.
84
Vimos, também, que por mais que as empresas e as confederações se
esforcem na criação dos códigos, e em fazer com que os profissionais ajam
conforme os mesmos, muitas vezes isso não acontece. Para exemplificar a
afirmação, foram citados vários casos de desvios de condutas de empresas e
profissionais qualificados. Os casos foram: Fraude da Volkswagen; Médica
responsável por antecipar mortes; Condenação da Odebrecht; Acusação de
advogados por dar golpe em aposentados rurais.

Por meio dos exemplos, percebemos que, muitas vezes, as questões éticas
são postas em prova perante a possibilidade de lucro ou vantagem nos negócios, e
alguns acabam se desviando. Com base na situação, foram apresentadas algumas
ações que as empresas podem fazer para criar ou manter uma cultura ética, como a
criação do Código de Conduta Ética Organizacional e do Disk Denúncia, da
execução de Auditorias e Avaliações periódicas e da elaboração de Feedback pelo
líder.

A Responsabilidade Social Empresarial foi outro assunto discutido na


unidade, a escassez de recursos naturais, a conscientização social e a facilidade de
disseminação de informação fizeram, ou estão fazendo, com que muitas
organizações repensassem seu modo de gestão, pois a exposição nas mídias de
algo ruim feito por uma organização e a repercussão dessa ação fizeram surgir uma
preocupação constante em não ter sua imagem vinculada a algo negativo.

Devido aos avanços tecnológicos no início do século XX, a sociedade


transitou da economia agrícola para a industrial, fazendo com que a forma de as
empresas atuarem se modificassem. Foi a partir desse período que a sociedade
começou a se mobilizar e pressionar o governo e empresas a solucionarem os
problemas gerados pela industrialização. Essa pressão fez com que muitas
empresas começassem a se preocupar com os aspectos sociais.

Com surgimento de ONGs (Organizações não Governamentais) e o


desenvolvimento do Terceiro setor, no começo de 1990 no Brasil, muitas empresas
brasileiras começaram a buscar formas de agregar valor social às suas atividades,
85
se interessando em desenvolver atividades sociais devido à importância e aos
impactos positivos aos negócios.

Hoje, existem algumas formas de atuação com Responsabilidade Social


Empresarial, como filantrópica, uma ação social de natureza assistencialista,
caridosa e temporária, por meio de doações financeiras ou materiais. Com cidadania
empresarial, onde se envolve em programas sociais, por meio de incentivo ao
trabalho voluntário, a parcerias com a comunidade, ao investimento em projetos
sociais nas áreas da saúde, educação e meio ambiente. Há também o voluntariado
empresarial, onde são criadas ações empresariais para incentivar os colaboradores
a engajarem-se em atividades voluntárias na comunidade.

Vimos que são grandes os desafios para se chegar ao patamar desejado,


pois no país há muita desigualdade social, sendo que a concentração de renda
mantém na pobreza mais de 50 milhões de pessoas. Outro ponto é o número de
empresas que aderem aos indicadores de Responsabilidade social empresarial,
como balanço social e as diretrizes do Global Reporting Initiative (GRI).

Enfim, podemos acreditar na construção de um país melhor, onde as


empresas, que são poderosas agentes de transformação, adotem um
comportamento socialmente responsável, se juntando com o Governo e com a
sociedade civil. Umas vez que a responsabilidade social empresarial implicaria na
melhora do desempenho da empresa e também no impacto sobre o bem-estar
humano.

86
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

1-

2-

3-

4-

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