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UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

ANDRÉ CALCAGNITI PADILHA

Estágio Supervisionado para a Licenciatura em Matemática I

Araras – SP
2019

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UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Estágio Supervisionado para a Licenciatura em Matemática I

Relatório apresentado na disciplina de Estágio


Supervisionado para o curso de Licenciatura
em Ciências Naturais e Matemática da
Fundação Universidade Virtual do Estado de
São Paulo (UNIVESP). Estágio realizado na
Escola Estadual José Ometto, no município
de Araras, SP.

Tutora: Silvana Aparecida Barbosa de Castro

Araras - SP
2019

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PADILHA, André Calcagniti. Estágio Supervisionado para a Licenciatura em
Matemática I. 00f. Relatório Técnico-Científico (Licenciatura em Ciências
Naturais e Matemática) – Universidade Virtual do Estado de São Paulo.
Tutora: Silvana Aparecida Barbosa de Castro. Polo Araras, 2019.

RESUMO

O presente relatório tem como objetivo apresentar, de forma sintética, as


atividades exercidas durante o estágio supervisionado para a Licenciatura em
Matemática realizado no primeiro semestre de 2019. Esse estágio foi realizado
na Escola Estadual José Ometto, na cidade de Araras/SP, e serão abordados
tópicos da estrutura escolar, planejamento e gestão, atividades em sala de
aula, avaliações e o uso da história da matemática e de TIC´s em uma sala de
aula no 9º ano do Ensino Fundamental.

PALAVRAS-CHAVE: estágio, atividades, planejamento, sala de aula.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.........................................................................................4
2. APRESENTAÇÃO DA ESCOLA ............................................................5
3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS..........................................................13
4. CONCLUSÃO........................................................................................19
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................20

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INTRODUÇÃO

O mapa do Eu

Arrisco-me a dizer que o ensino e a matemática são dois assuntos que


sempre me motivaram e de certa forma influenciaram meu desenvolvimento
pessoal. Desde os primeiros anos no ambiente escolar a matemática
(juntamente com outras ciências exatas) mostrou-se mais “próxima” ao meu
gosto escolar, e as aulas da matéria eram as que mais geravam expectativas
nas semanas de aula de meu Ensino Fundamental e Médio. De certa forma
apresentava facilidade no aprendizado dos assuntos matemáticas, e os
exercícios e possibilidade de aplicação dos conceitos na resolução de
problemas me fascinavam. Estudei, dos 7 aos 16 anos, em uma única escola
particular da cidade de São Paulo e, apesar das alternâncias de professores
durante esse anos, a matemática sempre se destacou como preferência em
minhas paixões de estudo.
Da mesma forma, ao cursar o meu primeiro curso de graduação
(Administração de Empresas), as matérias vinculadas ao estudo da Matemática
(Financeira, Estatística, Economia, Pesquisa Operacional) foram as preferidas
durantes os quatro anos de curso. Após a graduação, iniciei minha carreira
profissional no ramo estudado e, como atividade “extra”, e pela paixão pelo
ensino, comecei a ministrar aulas de Música de forma voluntária.
Após cinco anos da conclusão de minha primeira graduação, decidi unir
as duas paixões: a Matemática e o Ensino, e iniciei os estudos em Licenciatura
em Matemática pela UNIVESP. Paralelamente, no 2º ano da nova graduação,
iniciei o Mestrado em Matemática pelo PROFMAT. A Matemática, portanto,
está presente na minha vida hoje de uma forma que nunca esteve. E apesar de
todos os obstáculos e dificuldades momentâneas, sei que num futuro próximo
poderei exercer minhas duas grandes paixões.
Minhas experiências em sala de aula sempre foram relacionadas ao
ensino da Música. A Música sempre fez parte da minha vida, e a possibilidade
de ensinar e transmitir o pouco conhecimento que tenho sobre o assunto é algo
muito gratificantes. Até o momento não tive a oportunidade de estar presente
em uma sala de aula de matemática no papel do docente, e acredito que a
prática do estágio será uma experiência valiosíssima para a minha formação

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como professor e educador. Poderei presenciar a realidade dos docentes, as
principais dificuldades, a importância do planejamento escolar, a realidade dos
alunos e muitos outros aspectos do cotidiano escolar.

APRESENTAÇÃO DA ESCOLA

Roteiro de Entrevistas

A primeira atividade desenvolvida no estágio foram dois questionários,


de dez perguntas cada, aplicados ao Diretor da Escola e o Professor de
Matemática que acompanhará as atividades do estágio. O objetivo dessas
perguntas é abordar aspectos da organização e gestão da escola e as práticas
de planejamento do professor de Matemática. Os entrevistados foram o Diretor
Manoel e o Professor Zedequias. Abaixo apresentarei os dois questionários e
as respectivas respostas das perguntas.

Primeiro Roteiro de Entrevista (com o Diretor Manoel)

André: Há quanto tempo você está exercendo a função de Diretor da E.E. José
Ometto?
Manoel: Esse ano completarei seis anos de exercício na direção da escola.
Anteriormente fui vice-diretor em outras escolas da cidade e, com a
transferência do diretor anterior para a DR de Pirassununga, assumi essa
posição.

A: De forma resumida, como é sua rotina de diretor na instituição?


M: Apesar do “cargo” de Diretor, acabo tendo muitas atribuições operacionais
na escola. Consigo cumprir minhas atividades de planejamento e gestão, mas
gostaria de investir mais tempo na estratégia do ensino. Acabo resolvendo
muitas situações cotidianas que consomem grande parte das horas do dia, e a
gestão acaba “ficando para depois”.

A: Como você vê a infraestrutura da escola que dirige?


M: Não tenho o que reclamar da infra da escola. Possui uma excelente
localização, boas salas para as aulas e material para atividades. Acredito que é
um problema crônico do Estado, mas gostaria que os equipamentos de
Informática fossem um pouco melhores e mais atualizados, para melhor
aproveitamento das aulas relacionadas ao assunto.

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A: Descreve um pouco sua equipe de docentes.
M: Tenho uma equipe maravilhosa! São perfis mistos: alguns professores com
mais de 30 anos de docência, outros recém-formados e já exercendo a
profissão. Somos bem unidos em nossas atividades e no dia-a-dia. Infelizmente
muitas das vezes não consigo atender a demanda e necessidade de todos,
mas são bem compreensivos em relação a isso, e temos um ótimo
relacionamento de forma geral.

A: Em uma escala de Muito Ruim a Muito Bom, como você classifica o


planejamento escolar na E.E. José Ometto?
M: Vou classificar como Bom. De forma geral, conseguimos planejar nossas
atividades e aulas, mas acabamos não cumprindo algumas das tarefas
planejadas, por inúmeros motivos e imprevistos.

A: Poderia citar alguns desses motivos e imprevistos?


M: Às vezes planejamos algumas atividades extras, como visitas, aulas “fora
da sala”, mas devido ao cronograma apertado, deixamos de cumprir esses
momentos. Alguns outros compromissos e burocracias fazem com que (mais
uma vez) gastemos mais tempo no operacional do que no estratégico.

A: Cite algumas atividades de planejamento e gestão que você e sua equipe


realizam.
M: Semanalmente nos reunimos para discutirmos do planejamento da próxima
semana. Todo o final de mês fazemos um planejamento macro das atividades
do mês seguinte. Procuro me reunir periodicamente de forma individual com os
docentes, para auxiliá-los nas atividades de planejamento e entender suas
necessidades e demandas. Nas reuniões com os pais procuro fazer uma
“avaliação de clima”, para entender as percepções dos pais em relação à
escola e aos professores.

Segundo Roteiro de Entrevista (com o Professor Zedequias)

André: Há quanto tempo você exerce a função de professor de Matemática?


Zedequias: Exerço a docência há doze anos. Além de ser professor de
Matemática na E.E. José Ometto, também dou aulas de Física em uma escola
municipal de Araras/SP.

A: Qual o motivo de ter escolhido a Matemática (e a Física) para dar aulas?


Z: Primeiro por ser minha grande paixão desde a escola. E também pois
acredito na importância da matemática na vida de um cidadão, ainda que a
ensinemos de forma deficitária para esses fins.

A: Por que diz que ensinamos de forma deficitária?

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Z: Nosso ensino de matemática ainda é muito “quadrado”. Ensinamos de forma
muito convencional, abordando fórmula e problemas predefinidos, que acabam
sendo cansativos tanto para os professores como para os alunos. Deveríamos
trazer a matemática para a realidade e cotidiano dos alunos.
A: E de que forma você tenta fazer isso em suas aulas?
Z: Não vou dizer que saio totalmente do convencional. Logicamente mostro as
fórmulas, os problemas presentes nos materiais didáticos, mas também tento
trazer nas aulas assuntos que são de interesse aos alunos e comuns em
crianças/adolescentes de sua faixa etária, de forma que isso gere interesse
neles e consigam fazer relação com o ensino e assunto abordado de
matemática.

A: Fale um pouco como você faz o planejamento de suas aulas.


Z: Grande parte do planejamento faço individualmente (inclusive, devido ao
tempo , muitas das vezes faço em minha casa). Temos reuniões periódicas
(semanais e mensais), em que o planejamento é apresentado; no entanto
nessa reunião apenas discutimos e adaptamos alguns aspectos: a parte bruta
do planejamento é por conta do professor mesmo.

A: Você tem apoio da coordenação e direção de sua escola?


Z: Sim, temos grande abertura para conversarmos e apoio em caso de
necessidades. Sei que algumas de minhas demandas podem não ser
atendidas, mas entendo que nem sempre isso depende do Diretor.

Caracterização da Escola

A E.E José Ometto é uma escola estadual localizada no município de


Araras, interior do Estado de São Paulo. Situada na Zona Rural da cidade, fica
localizada na colônia da Usina São João, tradicional indústria sucroalcooleira
da cidade. A história da escola está intimamente ligada com a da Usina São
João; o Sr. José Ometto foi o fundador da empresa e, como empresário,
sempre apostou na educação como fator principal para o desenvolvimento de
uma sociedade. Após sua morte, sua esposa Duse Ometto quis desenvolver
esse legado, e assim a E.E. José Ometto iniciou suas atividades no município
de Araras. A Usina São João possui grande fator contributivo com as atividades
da escola, através do Projeto Usina do Saber (falarei com detalhes mais
adiantes).
Do último censo realizado em 2018, a escola apresentou os seguintes
números relacionados a funcionários, alunos e infraestrutura:

7
8
9
Índice de Evasão Escolar

Ano Ciclo I Ciclo II


2015 2 4
2016 0 2
2017 0 0

10
Evolução do Resultado do IDESP

8
6.79
7 6.4
6.35
6
5 4.22
3.43
4 3.79
3
2
1
0
IDESP 2011 IDESP 2012 IDESP 2013

5º ano EF 9º ano EF

Projeto Usina do Saber

Em parceria com a Usina São João, o Projeto Usina do Saber tem como
principais objetivos proporcionar ação complementar aos alunos nas áreas de
lazer, recreação, cultura, saúde e esporte, melhorar a qualidade de ensino,
ampliar a rede de conhecimento e desenvolvimento dos alunos e oferecer
condições para o pleno desenvolvimento das crianças e dos adolescentes
atendidos pelo Projeto. Serão destacadas algumas iniciativas do Projeto
relacionadas às práticas de melhoria do ensino:

Oficina Superando Dificuldades de Aprendizagem

O projeto teve inicio em 06/03/2014 com os alunos do 6º Ano A e B no


total de 10 alunos, que apresentavam dificuldades na escrita e produção de
texto.
Inicialmente realizou-se uma sondagem para ver quais seriam as formas
para se trabalhar uma vez que alguns desses alunos apresentavam
dificuldades na fala também. Os alunos que apresentavam problema na sala
foram encaminhados para um possível tratamento com Fonoaudióloga.
Após o término do trabalho com os alunos da turma do 4º ano, verificou-
se que cinco alunos mostram grandes avanços, comparando a primeira
sondagem com o último dia das atividades realizadas no decorrer do programa.

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Psicologia Escolar

As atividades dos grupos de psicologia escolar são pautadas sob três


vertentes:

Professores: encontros realizados semanalmente nos ATPC´s e atendimento


em casos pontuais. Temas: Trabalho em Equipe, Resgate Pedagógico,
Desmotivação e Stress.
Pais: são atendidos conforme demanda apresentada pelos próprios alunos e
professores/coordenação. Participação na reunião de pais bimestralmente.
Alunos: grupos separados por demanda são atendidos semanalmente e em
casos pontuais os alunos são atendidos individualmente. Temas: Indisciplina,
Respeito ao Próximo, Relacionamento Social e Prevenção Contra Uso de
Drogas.

Currículo Pedagógico e Oficinas Extracurriculares

Oficina Robótica
Jornada da Matemática
Projeto Mais Educação Literatura de Cordel
Canteiros Sustentáveis
Acompanhamento Pedagógico: leitura e escrita
Eventos Simulado IDESP
Um dia na Escola do meu Filho
Passeata da Dengue
Agita Galera
Halloween
Festa Junina
Gincana Cultural Semana da Criança
Apresentação Visita Fornecedores/Parceiros de
Cana USJ
IX Mostra da ETI – Escola em Tempo Integral
Comemoração 60 Anos da Escola e 10 Anos
Projeto Usina do Saber
Teatro Carnaval/ A galinha Ruiva/ Dia da Água/ Dia do
Munícipio/ Dia do Indio/ Páscoa/ Monteiro Lobato/
Folclore
Passeios Visita Fazenda Colorado

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Feira das Profissões FHO – Uniararas
Visita ao SAEMA
Projetos Superação Jovem (Instituto Ayrton Senna)
Futuridade
Horta
PROERD
Projeto Prodesc Hora da Leitura
Consciência Negra
Contos de Assombração
Sarau da Primavera
Sala de Leitura: Sarau e Contação de Histórias
Concurso OBMEP – Olimpíada Brasileira de Matemática das
Escolas Públicas
Olimpíada da Língua Portuguesa
Redação EPTV na Escola

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Organização Curricular da Escola

Após participar de algumas reuniões e abordagens com a equipe


pedagógica, pude perceber que o currículo escolar é baseado em alguns
documentos-base para a sua construção. Em relação a documentos de âmbito
federal, a LDB (Lei das Diretrizes e Bases da Educação) e a indispensável
BNCC (Base Nacional Comum Curricular) são documentos obrigatórios para os
docentes e para a construção do currículo. É unânime a utilização desses
documentos para a organização curricular.
Em relação aos documentos de âmbito estadual, é possível perceber
que os mesmos não tem a abrangência dos documentos federais. Poucos
professores os conhecem e utilizam; pude ter uma explanação melhor sobre
esses documentos conversando com o Diretor Manoel.
O diretor mencionou que, ao auxiliar alguns professores na construção
do planejamento escolar, consulta documentos estaduais como o Currículo
Básico da Escola Estadual, o Currículo do Estado de São Paulo e a Matriz
Curricular do Estado de São Paulo. Apesar de considerá-los tão importantes
quanto os federais, não utiliza tanto esses documentos (por uma questão de
prática e costume).

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Interdisciplinaridade da Matemática com base na BNCC

Essa atividade do estágio teve como objetivo analisar o currículo escolar


da escola, compará-lo às diretrizes das cinco unidade temáticas da BNCC
(Números, Álgebra, Geometria, Grandezas e Medidas, Probabilidade e
Estatística) e analisar se existem elementos faltantes no currículo e se há a
presença da interdisciplinaridade entre as unidades e outras disciplinas dos
anos avaliados. Os resultados dessa comparação foram resumidos na tabela
abaixo:

Tipos de Avaliação em Sala de Aula

Nesta atividade do estágio, identifiquei as principais atividades


avaliativas realizadas em sala de aula, qual o principal objetivo e período de
realização e as ferramentas utilizadas para esse processo. Em algumas
rápidas abordagens, pude verificar como são aplicadas as avaliações durante o
período letivo. Essas informações estão compiladas na tabela abaixo.

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Em complemento a essas observações, também conversei com o Prof.
Zedequias sobre sua percepção de avaliações de larga escala (como a Prova
Brasil e SAEB) e o impacto em suas atividades docentes. O professor destacou
os pontos positivos destas avaliações, mas também algumas preocupações e
obstáculos que se apresentam diante desse tipo de avaliação. Dentre eles,
posso destacar três dos mais evidentes:

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Diante dessas exposições, vemos as dificuldades que alunos,
professores e o próprio sistema têm em relação às avaliações. Nosso formato
de ensino ainda trata a avaliação de forma tradicionalista, com o objetivo único
de uma nota final e de um critério de aprovação/reprovação. Atualmente temos
diversas ferramentas alternativas para avaliação, mas o sistema ainda nos
pede que categorize os alunos de forma genérica e tradicional. Os educadores
devem entender que o processo avaliativo deve ser contínuo, com o principal
objetivo de desenvolvimento do processo de aprendizagem em si. Não deve
ser focado apenas no final de um ciclo, mas sim durante todo o processo
didático, devendo ser flexível e sujeito à alterações no meio do “trajeto” para
melhoria do ensino. Os alunos e professores devem “amolecer” a tradição, e
começar a praticar as diversas formas de avaliação (como apresentadas nos
resultados acima). Acredito que, com essas novas práticas, influenciaremos o
sistema como um todo e alteraremos para melhor.

Problemática para a Resolução de Problemas

Nessa etapa do estágio, o objetivo é a indicação de um tema que


envolva a resolução de problemas. Em abordagens com alunos e com o
professor, identifiquei que uma das maiores dificuldades no aprendizado era
relacionada ao conteúdo de Probabilidade e Estatística. Os alunos sinalizavam
que os problemas apresentados em sala de aula eram muito difíceis, e não
conseguiam acompanhar o raciocínio, mesmo quando explicado pelo
professor. O professor Zedequias mencionou que também considerava os
problemas com um nível de dificuldade do médio para o difícil, principalmente
pelo fato de que eram problemas prontos, criados por um autor que propunha
uma única e exclusiva solução para cada caso. Após a compreensão do
problema, identificamos, como um dos principais obstáculos, a complexidade e
volume de conteúdo da disciplina e como aplica-la “fugindo” das formas

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tradicionais. Poderia ser desenvolvida uma atividade com coleta de dados e
amostragem de informações dos próprios alunos, e a partir da construção de
uma base de dados os conceitos e assuntos de Estatística e Probabilidade
poderiam ser abordados (como a média das alturas dos alunos da sala, a
probabilidade de que, ao escolher um dos alunos da sala, o mesmo tenha
nascido em mês par, entre outras). Obviamente, através de um processo de
avaliação contínuo, o docente poderá verificar se o conteúdo e o aprendizado
estão sendo eficazes aos alunos e à instituição.

Modelagem Matemática na Resolução de Problemas

De forma análoga, podermos utilizar a modelagem matemática com o


objetivo de resolução de problemas. Nesta metodologia, podemos utilizar o
conteúdo de Grandezas e Medidas: os alunos possuem certas dificuldades em
lidar com grandezas e medidas que não estão acostumados e que fogem de
sua compreensão. Quando calculamos, por exemplo, o volume de um tanque
de 10000 litros, os alunos apresentam dificuldades na visualização mental
desse caso. Através da modelagem matemática, e com a possibilidade de,
através do Projeto Usina do Saber, realizar visitas à usina para presenciar
algumas medidas não tão usuais (hectares, toneladas, metros cúbicos, bar,
kgf), os alunos, juntamente com os professores, podem desenvolver problemas
que envolvam esses conceitos, realizar a aplicação teórica e a
complementação prática do assunto.
Tanto no conteúdo de Probabilidade e Estatística como no de
Grandezas e Medidas, foram desenvolvidos planos de aula junto ao Professor
Zedequias para que essas atividades fossem realizadas com a turma.
Infelizmente o plano de aula do conteúdo de Probabilidade e Estatística não foi
aplicado (por uma questão de cronograma de cumprimento de aulas), mas
conseguimos dar início às atividades planejadas da disciplina de Grandeza e
Medidas. Foi realizada uma visita às dependências da Usina (tanto na parte
agrícola como industrial) para que os alunos presenciassem como algumas
grandezas eram medidas e tinham utilidade no cotidiano. Verificamos o volume
de um tanque de etanol (tanto em metros cúbicos como em litros), a dimensão
de um hectare de plantação de cana-de-açúcar (através de imagens de drone),
a pesagem de toneladas de cana, micro-pesagem no laboratório industrial,
entre outras. Conseguimos resgatar os conceitos vistos na visita em sala de
aula, e o professor conseguiu fazer uma boa relação com os conteúdos
teóricos e desenvolvimento de exercícios em sala de aula. O planejamento e as
atividades executadas se mostraram de grande valor para os alunos e para o
educador.

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O uso da História da Matemática e TIC´s na disciplina de Grandezas e
Medidas

Nesta atividade do estágio tínhamos que desenvolver, no conteúdo de


Grandezas e Medidas, um planejamento de aula que abordasse conceitos de
Etnomatemática e História da Matemática. O grande desafio é conciliar o
extenso conteúdo da matéria que deve ser passada pelo professor com
conceitos (normalmente não aplicados) de história da matemática. Existe uma
riqueza de conteúdo de história da matemática em “Grandezas e Medidas”:
como diferentes culturas mediam e medem pesos, comprimentos, alturas,
volumes, entre outros. É possível abordar a história de cada medida “criada”
pelo homem: como surgiu o conceito de polegada, de onde vem a medida do
quilograma, qual a diferença entre o quilômetro e a milha, o porquê dos países
de língua inglesa terem unidades de medidas diferentes das nossas e muitos
outros aspectos interessantes. O professor Zedequias demonstrou
preocupação em relação ao tempo de aula e a abordagem de todo esse
conteúdo. Fizemos uma reunião após a aula, e decidimos que abordaríamos o
assunto de forma introdutória, como se introduzíssemos pílulas de
conhecimento e curiosidades nas aulas. Escolhemos alguns assuntos que
abordaríamos dessa forma e aplicamos na aula seguinte. O processo mostrou-
se muito eficaz, provocando curiosidade nos alunos e questionamentos antes
não observados em sala de aula. O professor também avaliou positivamente a
forma de aula inserindo algumas questões históricas e, apesar de não possuir
essa prática, demonstrou interesse em repetir o método em aulas de outros
conteúdos.
Em relação à aplicação de TIC´s na disciplina, apresentei ao professor a
plataforma “Kahoot!”. “Kahoot!” é uma plataforma de aprendizagem baseada
em jogos, usada como tecnologia educacional em escolas e outras instituições.
Seus jogos de aprendizado, "Kahoots", são testes de múltipla escolha que
permitem a geração de usuários e podem ser acessados por meio de um
navegador da Web, telefone ou aplicativo em si. A proposta seria realizar
algumas atividades pelo Kahoot na Sala de Informática da escola ou através
dos próprios smartphones. O Professor Zedequias achou muito interessante
essa forma de abordar conteúdos, inclusive em utilizar a ferramenta como
avaliação diagnóstica. Infelizmente não foi possível a aplicação dessa
ferramenta nesse semestre, por questões de cronograma de aulas e outras
atividades da escola. No entanto, o professor mencionou que tentaria fazer
alguma atividade com a ferramenta no semestre que vem. Dispus-me a auxiliá-
lo, mesmo com o término do meu estágio.

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CONCLUSÃO

A prática de estágio me surpreendeu de forma extremamente positiva.


Como dito em meu “Mapa do Eu”, não tinha experiências com o ensino da
Matemática em uma sala de aula “real”. Encantei-me com as inúmeras
possibilidades que o professor tem em criar uma aula, em como aplicar as
disciplinas cursadas no âmbito do planejamento escolar, em verificar a
aplicação dos conceitos (e a dificuldade em aplicar algumas questões vistas
nas aulas na realidade escolar). Pude verificar também os obstáculos e
dificuldades que os professores se deparam durante o período letivo:
dificuldades com infraestrutura, com atividades extracurriculares e a “agenda
apertada” de horas-aula, com o tradicionalismo educacional e a presença das
avaliações com o objetivo único de aprovação/reprovação, a heterogenia de
perfis dentro de uma sala de aula, e a flexibilidade de um professor diante de
inúmeras situações que se apresentam na classe, sempre pensando no
objetivo de que o aprendizado seja justo e igualitário.
Definitivamente o estágio foi de extrema importância para minha
formação profissional com educador. Apesar de ter sido possível algumas
intervenções pedagógicas durante as aulas, particularmente não vejo a hora de
poder exercer essas práticas de forma mais livre e frequente.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BLOG DA ESCOLA ESTADUAL JOSÉ OMETTO. Disponível em:


http://joseometto.blogspot.com/. Acesso em 14 de maio de 2019.

MATRÍCULAS E INFRAESTRUTURA DA ESCOLA ESTADUAL JOSÉ


OMETTO. Disponível em: https://www.qedu.org.br/escola/190391-jose-
ometto/censo-escolar. Acesso em 30 de abril de 2019.

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