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THAYSA CAVALCANTE

LÍNGUA PORTUGUESA

Aluno (a): _____________________________________________________________________________ Turma: _______ Data: ____/____/____

FICHA
QUINHENTISMO

Texto I – Carta (fragmento)


Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até a outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos
vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa.
[...]
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal nem de ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de
muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre-Doiro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que vossa alteza em ela
deve lançar.
(Carta de Pero Vaz de Caminha, 1500. http://objdigital.bn.br.)

Texto II – Carta de Pero Vaz


A terra é mui graciosa, Reforçai, Senhor, a arca.
Tão fértil eu nunca vi Cruzados não faltarão,
A gente vai passear, Vossa perna encanareis,
No chão espeta um caniço, Salvo o devido respeito.
No dia seguinte nasce Ficarei muito saudoso
Bengala de castão de oiro. Se for embora d'aqui.
Tem goiabas, melancias. (Murilo Mendes)
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muitos. castão - remate superior de uma bengala;
De plumagens mui vistosas. cruzado - antiga moeda portuguesa;
Tem macaco até demais. vossa perna encanareis - a expressão quer dizer que o rei "estava mal
Diamantes tem à vontade, das pernas", isto é, sem dinheiro, "quebrado". As riquezas do Brasil
Esmeralda é para os trouxas. poderão tirá-lo dessa situação.

1. O adjetivo graciosa possui vários sentidos: bonita, jovial; que tem graça, encanto, delicadeza; engraçada, divertida; que tem generosidade,
liberalidade; que concede graças, favores. Com que sentido esse adjetivo é empregado por Pero Vaz de Caminha?

2. Como Murilo Mendes satiriza a famosa expressão “dar-se-á nela tudo”?

3. Parodiando a linguagem de Caminha, Murilo utiliza formas arcaicas como o advérbio mui (contração de muito) antes dos adjetivos, o pronome
enclítico em tem-nos e o tratamento na segunda pessoa do plural, vós. Entretanto, a essa linguagem solene e arcaica, ele mistura expressões
coloquiais e modernas, impróprias numa carta dirigida a um rei. Dê alguns exemplos.

4. Que recomendação Caminha faz ao rei em sua carta?

5. E que recomendação o personagem Pero Vaz, do poema de Murilo Mendes, faz ao rei?

6. "Duas relíquias históricas produzidas no Brasil, foram trazidas para exibição na Mostra do Redescobrimento, em São Paulo: o manto tupinambá e a
carta de Pero Vaz de Caminha." (Folha de São Paulo, 11 de maio de 2000.)
A carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o achamento do Brasil, enviada a El-Rei Dom Manuel é a principal manifestação literária do Quinhentismo,
movimento literário brasileiro do século XVI. Tendo em vista o seu teor, podemos afirmar que os visitantes da Mostra do Redescobrimento, ao se
depararem com tal texto, conseguiriam através dele:
a) resgatar valores e conceitos sociais brasileiros.
b) descobrir a história brasileira pela arte.
c) ter mais informações sobre a arte brasileira.
d) ver a cultura indígena brasileira.
e) perceber o interesse português em explorar a nova terra.

7. (UFPEL) O texto a seguir servirá de base para a próxima questão.


Pero Vaz de Caminha, referindo-se aos indígenas escreveu:
“E naquilo sempre mais me convenço que são como aves ou animais montesinhos, aos quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que aos mansos,
porque os seus corpos são tão limpos, tão gordos e formosos, a não mais poder.” […]
“Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem
crença alguma, segundo as aparências. E, portanto, se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e eles a nossa, não duvido
que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga,
porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles todo e qualquer cunho que lhes quiserem dar, uma vez
que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o fato de Ele nos haver até aqui trazido, creio que não o foi sem
causa. E portanto, Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar à santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E aprazerá Deus que com pouco
trabalho seja assim.” […]
“Eles não lavram nem criam. Não há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao convívio com o
homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam
tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.”
CASTRO, Silvio. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996.

De acordo com o texto e seus conhecimentos, marque a alternativa correta:


a) Caminha, numa visão eurocentrista, exalta a cultura do “descobridor”, menosprezando todos os aspectos referentes ao modo de vida dos nativos,
por exemplo, a não exploração daqueles mamíferos placentários exóticos, citados na carta, introduzidos no Brasil quando da colonização.
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b) Caminha realiza, através de farta adjetivação, descrições botânicas minuciosas acerca da flora da nova terra,
destacando o tipo de alimentação do europeu — rica em vitaminas e sais minerais — em contraposição à indígena, que é rica em lipídios.
c) A religiosidade está presente ao longo do texto, quando se constata que o emissor, tendo em mente a conversão dos índios à “santa fé católica” —
pretensão dos europeus conquistadores —, ressalta positivamente a existência de crenças animistas entre os nativos.
d) Na carta de Pero Vaz de Caminha, que apresenta linguagem formal, por ser o rei português o destinatário, há forte preocupação com aspectos da
necessária conversão dos índios ao catolicismo, no contexto de crise religiosa na Europa.
e) Ao realizar concomitantemente a narração e a descrição dos hábitos dos nativos, o remetente destaca informações não só do habitat como dos usos
e costumes indígenas, exaltando o cultivo das plantas de lavouras e dos pomares.

8. (UFSM) O Quinhentismo, enquanto manifestação literária, pode ser definido como uma época em que:
I – não se pode falar, ainda, na existência de uma literatura brasileira, pois a cultura portuguesa estabelecia as formas de pensamento e expressão
para os escritores na colônia;
II – se pode falar na existência de uma literatura brasileira porque, ao descreverem o Brasil, os textos mostram um forte instinto de nacionalidade, na
medida em que todos os escritores eram nativos da
terra;
III – a produção escrita se prende à descrição da terra e do índio ou a textos escritos pelos jesuítas, ou seja, uma produção informativa e doutrinária.
Está(ão) correta(s):
a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) Apenas III.

9. (UFSE) Nas manifestações literárias dos dois primeiros séculos de nossa história podem estar presentes as seguintes características:
I – intenção catequética e informação sobre a terra;
II – relato de viagem e pregação religiosa;
III – sentimento nacionalista e participação em campanha republicana.
Estão corretas somente as características indicadas em:
a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III.

10. (IFSP) Leia um trecho do poema Ilha da Maré, do escritor brasileiro Manuel Botelho de Oliveira.
E, tratando das próprias, os coqueiros, De várias cores são os cajus belos,
galhardos e frondosos uns são vermelhos, outros amarelos,
criam cocos gostosos; e como vários são nas várias cores,
e andou tão liberal a natureza também se mostram vários nos sabores;
que lhes deu por grandeza, e criam a castanha,
não só para bebida, mas sustento, que é melhor que a de França, Itália, Espanha.
o néctar doce, o cândido alimento. (COHN, Sergio. Poesia.br Rio de Janeiro: Azougue, 2012.)
Podemos relacionar os versos desse poema ao Quinhentismo Nacional, pois
a) o eu lírico repudia a presença de colonizadores portugueses em nossa terra.
b) a fauna e a flora tropicais são descritas de maneira minuciosa e idealizada.
c) o poeta enriqueceu devido à exportação de produtos brasileiros para a metrópole.
d) a exuberância e a diversidade da natureza tropical são exaltadas pelo poeta.
e) a natureza farta e bela é o cenário onde ocorrem os encontros amorosos do eu lírico.

11. Leia, abaixo, o fragmento da História da Província de Santa Cruz, de Pero de Magalhães Gândavo, para responder à questão.
Finalmente que como Deus tenha de muito longe esta terra dedicada à cristandade, e o interesse seja o que mais leva os homens trás si que nenhuma
outra coisa haja na vida, parece manifesto querer entretê-los na terra com esta riqueza do mar até chegarem a descobrir aquelas grandes minas que a
mesma terra promete, para que assim desta maneira tragam ainda toda aquela bárbara gente que habita nestas partes ao lume e ao conhecimento da
nossa santa fé católica, que será descobrir-lhe outras minas maiores no céu, o qual nosso Senhor permita que assim seja, para glória sua, e salvação
de tantas almas.
GÂNDAVO, Pero de Magalhães. História da Província de Santa Cruz. Org. Ricardo Martins Valle. Introd. e notas Ricardo Martins Valle e Clara Carolina Souza Santos. São Paulo: Hedra, 2008. p. 115.

A leitura atenta do texto permite afirmar que


a) nos textos de informação estavam consorciados o projeto de exploração das novas terras descobertas e o de difusão da fé cristã.
b) o autor julga desinteressante a perspectiva de exploração mercantil do Brasil, preferindo a ela o projeto de difusão da fé cristã.
c) o autor condena os homens ambiciosos e interesseiros, que preferem a exploração mercantil ao projeto abnegado de difusão da fé cristã.
d) o autor condena a hipocrisia dos que afirmam empreender em nome da fé cristã, mas que apenas se interessam pelas “grandes minas” a descobrir.
e) havia discrepância e dissenso entre o projeto de exploração das novas terras descobertas e o de difusão da fé cristã.