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Aprendendo a ser Psicoterapeuta

Elizabeth Amelio Faleiros

Atualmente, é crescente a busca pela psicoterapia. Isso é positivo pois representa a busca
pelo crescimento pessoal. Ser psicoterapeuta é tarefa exigente. Na abordagem Moreniana, a
psicoterapia visa o encontro. Tanto o cliente quanto o psicoterapeuta, precisam ser espontâneos,
isto é, responder adequadamente às situações novas ou dar novas respostas à situações conhecidas
(antigas). Ao terapeuta cabe, cuidadosamente, construir o vínculo com aquele que dele espera. É
necessário se trabalhar bem primeiro por meio de terapia no papel de cliente, lidar com perdas e
frustrações e depois com segurança poder trabalhar o outro tendo sempre a consciência de seus
limites. Por exemplo, ter claro que um psicoterapeuta não consegue ser psicoterapeuta para todas
as pessoas e estar atento para que os sentimentos e afetos do cliente não o impeçam de perceber,
fazer e dizer o que for necessário por meio de atitudes como moderação, originalidade, capacidade
de percepção interior, flexibilidade, empatia, visão ampla e aberta do mundo, humildade e fluidez
mostrando, conforme Fiorini (1976) aponta, ser uma pessoa real através dos papeis desempenhados
ao longo da vida.
Moreno afirma que são os diferentes papeis (maneiras específicas de reagir às situações
específicas) que fazem surgir o eu em sua integralidade. Há os papeis psicossomáticos que auxiliam
a criança pequena a experimentar as sensações corpóreas; os papéis psicodramáticos que
favorecem o desenvolvimento da psique e os papéis sociais que contribuem para integrar à
sociedade.
O papel é sempre relacional e ocorre de forma complementar. Assim, existe o papel de mãe,
por existir o contra papel de filho, o professor e o aluno, o psicoterapeuta e o cliente...e nos
desenvolvemos adequadamente na vida física, psíquica e relacional por nascer com recursos de
espontaneidade, sensibilidade e criatividade. Estas podem ser perdidas em função de tornar-nos
rígidos, escravos de rotinas e sistemas chamados conserva cultural. Esta não permite a expressão
do eu verdadeiro, não permite o ato criador, favorece apenas o ato reprodutor.
A espontaneidade traz em si a criatividade, uma qualidade sutil da mente que torna a pessoa
ativa, consciente e intencionada à transformação pessoal, coletiva e social positiva. Para que a
espontaneidade ocorra, segundo Moreno, é primordial o aquecimento que irá exponenciá-la no
sentido de tornar a pessoa apta (sensível) a perceber (fator tele) as mútuas mensagens nos
movimentos vividos e assim existir (inter-relação) no tempo com o outro resgatando e recuperando
a capacidade criadora rumo ao encontro.
Diante destes conceitos é fundamental que o acadêmico chegue ao final da formação
conhecendo-se, sentindo-se seguro, respondendo autenticamente aos desafios da vida, afastando-
se sempre da conserva cultural e de cristalizações a fim de fomentar relações originais
compartilhadas e criativas com seus futuros clientes proporcionando o encontro.