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PROCESSO Nº TST-RR-21348-89.2015.5.04.

0203

A C Ó R D Ã O
  (8ª Turma)
GMDMC/Esr/cb/gm

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO


DE REVISTA. NULIDADE DO ACÓRDÃO
REGIONAL POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO
PESSOAL DO ENTE PÚBLICO SOBRE A
INCLUSÃO DO RECURSO ORDINÁRIO EM
PAUTA DE JULGAMENTO. Ante a
demonstração de possível ofensa ao
art. 5º, LV, da CF, merece
processamento o recurso de revista.
Agravo de instrumento conhecido e
provido. B) RECURSO DE REVISTA.
NULIDADE DO ACÓRDÃO REGIONAL POR
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL DO ENTE
PÚBLICO SOBRE A INCLUSÃO DO RECURSO
ORDINÁRIO EM PAUTA DE JULGAMENTO. A
intimação constitui ato judicial que
visa dar publicidade aos atos
processuais e ciência às partes dos
atos e termos do processo,
assegurando eventual manifestação e
acompanhamento dos atos praticados,
razão pela qual incumbe ao julgador
zelar pela sua regularidade, a fim de
preservar a condução íntegra do
processo e a observância do devido
processo legal, garantindo o pleno
exercício do contraditório e da ampla
defesa. No tocante à intimação de
entes públicos, o art. 183 do
CPC/2015 preceitua que a contagem do
prazo de suas manifestações "terá
início a partir da intimação
pessoal", a qual "far-se-á por
carga, remessa ou meio eletrônico",
conforme regra estabelecida no § 1º
da referida norma. No caso dos autos,
não restou evidenciada a efetiva
intimação pessoal do recorrente,
Município de Canoas, acerca da
inclusão do feito em pauta de
julgamento do recurso ordinário.
Nesse contexto, impõe-se o
acolhimento da questão preliminar
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arguida, a fim de declarar a nulidade


absoluta do acórdão regional
decorrente da ausência de regular
intimação pessoal do ente público
sobre a inclusão do recurso ordinário
em pauta de julgamento, em respeito
às garantias constitucionais
positivadas no inciso LV do artigo 5º
da Carta Magna. Recurso de revista
conhecido e provido.

Vistos,   relatados   e   discutidos   estes   autos   de


Recurso   de   Revista   n°  TST­RR­21348­89.2015.5.04.0203,   em   que   é
Recorrente  MUNICÍPIO   DE   CANOAS  e   são   Recorridos  MARILU   MARINHO
ALVARES e REVITA ENGENHARIA S.A.

O Vice-Presidente do Tribunal Regional do Trabalho


da 4ª Região, pela decisão de fls. 458/460, denegou seguimento ao
recurso de revista interposto pelo 2º reclamado, Município de
Canoas.
Inconformado, o Município reclamado interpôs
agravo de instrumento, às fls. 464/472, insistindo na
admissibilidade da revista.
Não foram apresentadas contraminuta nem
contrarrazões, conforme certidão à fl. 480.
A Procuradoria-Geral do Trabalho, mediante parecer
(seq. 6), opina pelo conhecimento e não provimento do agravo de
instrumento.
É o relatório.

V O T O

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA

I - CONHECIMENTO

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Atendidos os pressupostos de admissibilidade


recursal, conheço do agravo de instrumento.

II - MÉRITO

NULIDADE DO ACÓRDÃO REGIONAL POR AUSÊNCIA DE


INTIMAÇÃO PESSOAL DO ENTE PÚBLICO SOBRE A INCLUSÃO DO RECURSO
ORDINÁRIO EM PAUTA DE JULGAMENTO.

À fl. 450, o Município de Canoas aduz a nulidade


do acórdão regional, ao argumento de que não foi intimado da pauta
de julgamento do recurso ordinário, tendo perdido a oportunidade de
apresentar memoriais e produzir sustentação oral.
Aponta violação dos arts. 5º, LV, da CF e 183 do
CPC.
Ao exame.
Ab initio, registre-se que, diversamente da
conclusão adotada no exame prévio de admissibilidade exercido pelo
Tribunal a quo, não há falar em preclusão e ausência de
prequestionamento da matéria pelo fato de não terem sido opostos
embargos de declaração pelo recorrente, na medida em que a nulidade
arguida diz respeito a vício surgido na própria decisão combatida,
sendo inaplicável a Súmula nº 297 do TST, conforme diretriz
perfilhada pela OJ nº 119 da SDI-1 desta Corte.
Por sua vez, acrescente-se que o recorrente arguiu
a nulidade no primeiro momento oportuno em que se manifestou nos
autos, ou seja, por ocasião da interposição do recurso de revista,
em conformidade com a previsão contida no art. 795 da CLT.
De igual modo, o § 8º do artigo 272 do CPC/2015
preceitua expressamente que "a parte arguirá a nulidade da intimação
em capítulo preliminar do próprio ato que lhe caiba praticar".
Ora, a intimação constitui o ato judicial que visa
dar publicidade aos atos processuais e ciência às partes dos atos e
termos   do   processo,   assegurando   eventual   manifestação   e
acompanhamento   dos   atos   praticados,   razão   pela   qual   incumbe   ao
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julgador zelar pela sua regularidade, a fim de preservar a condução
íntegra   do   processo   e   a   observância   do   devido   processo   legal,
garantindo o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
No  tocante  à  intimação  de  entes  públicos,  o  art.
183 do CPC/2015 preceitua que a contagem de suas manifestações "terá
início a partir da intimação pessoal", a qual "far-se-á por carga,
remessa ou meio eletrônico", conforme regra estabelecida no § 1º da
referida norma.
Por sua vez, a Lei nº 11.419/2006, ao disciplinar
a comunicação eletrônica dos atos processuais, estabelece em seu
artigo 5º que "as intimações serão feitas por meio eletrônico em
portal próprio aos que se cadastrarem na forma do art. 2º desta Lei,
dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico".
Já o § 1º do referido preceito dispõe que "considerar-se-á realizada
a intimação no dia em que o intimando efetivar a consulta eletrônica
ao teor da intimação, certificando-se nos autos a sua realização"
(grifos apostos).
Registre-se que esses preceitos também são
aplicáveis à Fazenda Pública, por expressa disposição contida no §
6º do aludido dispositivo.
Na   presente   hipótese,   não   se   extrai   dos   autos
digitalizados   a  efetiva   intimação  pessoal   do  recorrente,   Município
de   Canoas,   acerca   da   inclusão   do   feito   em   pauta   de   julgamento   do
recurso ordinário, seja por carga, remessa ou disponibilização por
meio   eletrônico,   notadamente   porque   não   há   registro   de   que   o
referido   ente   público   esteja   cadastrado   na   forma   da  Lei nº
11.419/2006, tampouco há certidão nos autos da efetivação da
intimação, conforme preceitua o § 1º do artigo 5º da referida norma.
Outrossim,   em   consulta   ao   sistema   PJe   no   sítio
eletrônico do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, constata­
se que houve mera disponibilização da inclusão do feito na pauta de
julgamento   do   dia  17/8/2017 no Diário da Justiça Eletrônico
publicado em 10/8/2017, sem nenhum registro da intimação pessoal do
recorrente,   seja   por   carga,   remessa   ou   meio   eletrônico,   na   forma
preconizada pela legislação processual vigente.
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Dessa   forma,   restou   evidenciada   a   ausência   de


regular intimação pessoal do recorrente sobre a inclusão do feito em
pauta   de   julgamento   a   impulsionar   o   acolhimento   da   nulidade   do
acórdão   regional,   em   respeito   às   garantias   constitucionais
positivadas no inciso LV do artigo 5º da Carta Magna.
Na mesma linha, já me manifestei alhures:

"RECURSO DE REVISTA. NULIDADE PROCESSUAL.


AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL DA UNIÃO SOBRE A
INCLUSÃO DO FEITO EM PAUTA DE JULGAMENTO. A União não foi
intimada pessoalmente acerca da inclusão em pauta de julgamento do
recurso ordinário por ela interposto. Conforme consta da certidão de
julgamento, a intimação da referida pauta se deu apenas mediante
publicação no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho. Nesse sentido, não
há como entender-se pela regularidade de intimação do ente público quanto
ao ato de inclusão do processo em pauta de julgamento, uma vez que ele
detém a prerrogativa processual de intimação pessoal. Nesse contexto,
constata-se que os presentes autos encontram-se eivados de nulidade
absoluta, considerando que não houve a necessária intimação pessoal da
União quanto à inclusão do processo em pauta de julgamento, motivo pelo
qual hão de ser anulados os atos posteriores a tal inclusão. Recurso de
revista conhecido e provido." (RR-67500-21.2009.5.05.0611, Rel. Min.
Dora Maria da Costa, 8ª Turma, DEJT 21/8/2015)

No mesmo sentido, os seguintes precedentes:

"RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO DE GREVE.


UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. AUTARQUIA FEDERAL.
PAUTA DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL
DA PROCURADORIA-GERAL FEDERAL. CERCEAMENTO DO
DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO JULGADO. É nula a intimação
da Universidade Federal do Ceará - Autarquia Federal- mediante publicação
no Diário de Justiça Eletrônico. Violação do art. 17 da Lei n.º 10.910/2004.
Nem se cogite que estaria preclusa a arguição de nulidade da intimação,
porquanto a Suscitante manifestou-se na primeira oportunidade que lhe
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coube falar nos autos, nos exatos termos do art. 795 da CLT. Recurso
Ordinário e Reexame Necessário conhecidos e providos." (ReeNec e RO -
80039-08.2016.5.07.0000, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, SDC, DEJT
10/5/2017)

"[...] PRELIMINAR DE NULIDADE SUSCITADA PELO BACEN -


CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - AUSÊNCIA DE
INTIMAÇÃO PESSOAL DO PROCURADOR FEDERAL PARA
IMPUGNAÇÃO DOS RECURSOS ANTERIORES AO AGRAVO
INTERNO. Os artigos 35, IV, 38 da Lei Complementar nº 73/93 e 17 da Lei
nº 10.910/04 estabelecem aos membros da advocacia Geral da União -
AGU e aos ocupantes dos cargos das carreiras de Procurador Federal e de
Procurador do Banco Central do Brasil a prerrogativa de serem intimados
pessoalmente, cuja inobservância resulta em nulidade absoluta. A
prerrogativa dos Advogados Públicos não pode ser negligenciada, ante o
seu caráter cogente e a existência de norma especial. No caso dos autos,
inexiste intimação pessoal da autarquia quanto à inclusão do processo em
pauta de julgamento para julgamento dos embargos declaratórios e dos
apelos anteriores ao julgamento do agravo interno por esta Corte e esta é a
primeira oportunidade para a autarquia suscitar a preliminar de nulidade
absoluta por cerceamento do seu direito de defesa. Assim, a intimação
quanto à inclusão do feito em pauta para julgamento, em segunda instância,
não foi feita de forma regular, qual seja, pessoalmente à Procuradoria-Geral
Federal, cerceando o direito de defesa do BACEN, violando o art. 5º, LV, da
Constituição Federal. Dessa forma, acolhe-se a preliminar de nulidade
absoluta para, decretando a nulidade das decisões posteriores ao acórdão do
TRT, determinar o retorno dos autos ao Tribunal Regional para que intime
pessoalmente o procurador federal para apresentar contrarrazões aos
embargos de declaração e de sua decisão, assim como intimação dos demais
possíveis recursos conseguintes, e prossiga no julgamento do feito como
entender de direito. Precedentes. Prejudicado o exame dos recursos
interpostos pelo autor." (Ag-AIRR-53500-15.2001.5.01.0059, Rel. Min.
Alexandre de Souza Agra Belmonte, 3ª Turma, DEJT 25/08/2017)

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"RECURSO DE REVISTA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DO


TRIBUNAL REGIONAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL.
PROCURADOR FEDERAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE
DEFESA. O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, mediante a
decisão de admissibilidade do recurso de revista, reconheceu a ausência de
intimação pessoal do Procurador Federal, representante do Instituto
reclamado, quando da inclusão do processo em pauta para julgamento do
recurso ordinário. O art. 17 da Lei nº 10.910/2004 dispõe, "verbis": "Nos
processos em que atuem em razão das atribuições de seus cargos, os
ocupantes dos cargos das carreiras de Procurador Federal e de Procurador
do Banco Central do Brasil serão intimados e notificados pessoalmente".
Nesse contexto, a ausência de intimação pessoal do Procurador Federal da
inclusão do feito em pauta para julgamento, em segunda instância,
configura cerceamento do direito de defesa da parte, violando o art. 5º, LV,
da Constituição Federal, a ensejar a nulidade dos atos a partir da inclusão
do recurso ordinário em pauta de julgamento. Precedentes. Recurso de
revista parcialmente conhecido e provido." (RR-7062-84.2010.5.12.0001,
Rel. Min. Walmir Oliveira da Costa, 1ª Turma, DEJT 24/2/2017)

Pelo   exposto,   ante   a   demonstração   de   possível


ofensa   ao   art.   5º,   LV,   da   CF,  dou   provimento  ao   agravo   de
instrumento para determinar o processamento do recurso de revista.

B) RECURSO DE REVISTA

I - CONHECIMENTO

Preenchidos os pressupostos comuns de


admissibilidade, examinam-se os específicos da revista.

NULIDADE DO ACÓRDÃO REGIONAL POR AUSÊNCIA DE


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ORDINÁRIO EM PAUTA DE JULGAMENTO.

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Consoante   os   fundamentos   expendidos   no   exame   do


agravo de instrumento, o recurso de revista tem trânsito garantido
ante a demonstração de ofensa ao art. 5º, LV, da CF, razão pela qual
dele conheço.

II - MÉRITO

NULIDADE DO ACÓRDÃO REGIONAL POR AUSÊNCIA DE


INTIMAÇÃO PESSOAL DO ENTE PÚBLICO SOBRE A INCLUSÃO DO RECURSO
ORDINÁRIO EM PAUTA DE JULGAMENTO.
Como   consequência   lógica   do   conhecimento   do
recurso   de   revista   por   violação   do   art.   5º,   LV,   da   Constituição
Federal,  dou­lhe   provimento  para   declarar   a   nulidade   do   acórdão
regional e dos atos processuais praticados a partir da inclusão do
recurso ordinário em pauta de julgamento, determinando o retorno dos
autos ao Tribunal de origem a fim de reincluir o feito em pauta, com
observância   da   regular   intimação   pessoal   do   recorrente.   Por
conseguinte, fica prejudicado o exame do tema remanescente veiculado
no agravo de instrumento e no recurso de revista.

ISTO POSTO

ACORDAM  os   Ministros   da   Oitava   Turma   do   Tribunal


Superior   do   Trabalho,   por   unanimidade:   a)  conhecer  do   agravo   de
instrumento   e,   no   mérito,  dar­lhe   provimento  para   determinar   o
processamento   do   recurso   de   revista;   e   b)  conhecer  do   recurso   de
revista quanto à nulidade do acórdão regional, por violação do art.
5º,   LV,   da   Constituição   Federal,   e,   no   mérito,  dar­lhe   provimento
para declarar a nulidade do acórdão regional e dos atos processuais
praticados   a   partir   da   inclusão   do   recurso   ordinário   em   pauta   de
julgamento, determinando o retorno dos autos ao Tribunal de origem a
fim   de   reincluir   o   feito   em   pauta,   com   observância   da   regular
intimação pessoal do recorrente. Por conseguinte, fica prejudicado o
exame do tema remanescente veiculado no agravo de instrumento e no
recurso de revista. 
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Brasília, 18 de setembro de 2019.

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DORA MARIA DA COSTA
Ministra Relatora

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