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Tradução: Márcia de Oliveira

Revisão Inicial: Marlene Augusta

Revisão Final: Sam

Verificação: Lela C

Leitura Final: Angeline

Formatação: Angeline
SINOPSE

Meu meio-irmão arrogante, tem um segredo.

Nunca vi um cadáver antes de conhecer meu novo meio-irmão


Easton Wright. Naquela época, eu era apenas mais uma garota
comum da faculdade tentando escapar de sua vida na cidade
pequena.

Easton é um ex-agente do FBI que virou detetive particular, e


acha que é a melhor coisa que já aconteceu com nossa família. Seu
sorriso arrogante e todas as tatuagens me fazem querer ficar
longe, muito longe.

Até que minha madrasta me convence a vir trabalhar para ele.


Supostamente é bom ter " Uma boa experiência", mas posso dizer
que Easton só quer experimentar me fazer corar com toda essa
conversa imunda.

Odeio estar em seu escritório. Ele é um bastardo convencido,


mas mal consigo parar de imaginar seus rudes lábios contra o meu
pescoço.

As coisas só pioram quando um serial killer o segue para


casa. Os corpos estão se acumulando e Easton está intimamente
ligado aos assassinatos.

Ele me deixa louca, mas estou tão interessada em tudo que ele
faz.

Preciso desvendar o caso e chegar ao fundo do meu misterioso


meio-irmão antes de me tornar a tragédia final.
Eu estava presa no escuro.

Ele estava bem longe e seu toque era como uma


memória distante. Mal conseguia sentir o roçar suave dos
lábios dele contra minha pele. Eu queria aquela sensação
novamente, precisava dela, mas não podia alcançá-lo. Queria
seus músculos, sua pele, seus lábios, seu sorriso de fazer as
pernas tremerem. Ele me fez contorcer com doce agonia. Era
a luz, o oposto de onde eu estava.

O mais escuro estava no final do corredor.

Eu podia ouvir a água escorrer nas paredes da minha


gaiola, meu corpo contorcido para caber confortavelmente
enquanto as minhas mãos estavam presas acima da minha
cabeça.

Ele não me tocava. Ainda não, pelo menos.

Mas suas palavras sussurradas eram piores: eu vou


matá-lo lentamente e vou fazer você assistir.

Ele sempre foi apenas uma sombra, apenas um pequeno


movimento no canto dos meus olhos. Nunca pensei que iria
ser levada, nunca pensei que estaria em algum lugar contra a
minha vontade.
Também nunca pensei que iria implorar por minha vida
no covil de um assassino em série.

Ainda assim, Easton estava lá fora. Ele era o ele que eu


precisava, a sua força que me impedia de gritar. Lembrei-me
do jeito que seus braços me agarraram contra seu corpo, a
maneira como suas tatuagens serpenteavam dentro e fora de
suas mangas e aquele sorriso malicioso e provocante.

Pensei nele várias vezes, trancada na gaiola.

Eu vou cortar a garganta dele para você, Laney. Vou


fazer você assistir.

Um calafrio desceu pela minha espinha.

Abra a boca, Laney.

Grite para mim.

Quieto como um rato.

Fique como os mortos.

Eu não daria a ele o que queria.


Capítulo 1

Laney

Não fui para casa por quase três anos.

Depois que saí de Mishawaka, pensei que nunca mais


voltaria. Nunca quis voltar para minha pequena cidade no
interior de Indiana.

Mas, infelizmente, era difícil não voltar para casa


quando seu pai casou sem lhe contar.

Mishawaka é Cidade com alguns milhares de pessoas e


milhares de mentiras. Era o estereótipo de cidade pequena
em um lugar muito especial. Eu adorava quando era criança.
Minha mãe estava viva na época e eu sentia que Mishawaka
era como um verdadeiro lar. As coisas mudaram depois que
ela faleceu e comecei a perceber que a vida de cidade
pequena não era o que eu pensava.

A faculdade foi minha saída. Quando recebi minha bolsa


de estudos para estudar justiça criminal na Universidade de
Chicago, meu mundo mudou. De repente não eram os
mesmos três lugares e as mesmas pessoas, mas uma cidade
inteira. Eu estava cercada e sozinha e foi totalmente incrível.
Ninguém me conhecia e não conhecia ninguém, gostei disso.
Claro, eu fiz amigos. A faculdade era assim. Você
precisava realmente odiar as pessoas se não quisesse fazer
nenhum amigo. Caí em uma vida confortável na cidade,
trabalhando em um emprego decente durante os verões para
pagar meu apartamento e ir para a escola.

Pelo menos até que recebi a ligação.

O verão havia começado e a cidade ganhava vida após


um inverno particularmente brutal. Era cedo e eu havia
terminado as provas finais. Estava ansiosa para finalmente ir
devagar e não trabalhar enquanto ia às aulas todos os dias.

Mas isso foi um sonho, claro.

Meu celular tocou e não reconheci o número. Eu


considerei não atender, na verdade, gostaria de não ter
atendido.

Aquele telefonema levaria a tudo, a trabalhar lado a lado


com o homem mais frustrante que eu já conheci, a ajudar as
pessoas de maneira que nunca percebi que poderia e por fim
acabar trancada em uma jaula.

Mas esse ponto demorou algumas semanas a chegar.

— Olá? — eu disse, pegando o telefone.

— Querida, é o papai.

Eu fiz uma pausa, surpresa. Eu não tive notícias dele


por muitos meses.
— Como vai, pai?

— Estou bem. — Houve outra pausa desconfortável.


Porque as coisas ficaram tão tensas entre nós dois?

Sabia a resposta para essa pergunta. Eu me afastei de


Mishawaka e nunca olhei para trás e papai sentiu que era
como se eu desse as costas para a nossa família. Viveu toda
sua vida na cidade e minha mãe também e ele realmente
nunca me entendeu por querer ir para a cidade grande
fugindo da cidade pequena.

Deveria ter mantido mais contato com ele, até mesmo


fui para casa algumas vezes para visitá-lo, mas era tão fácil
ficar longe. Um dia eu não fui para casa quando era caloura,
ainda no primeiro ano e no dia seguinte, já haviam se
passado três anos, tudo num piscar de olhos.

— Eu tenho que te falar uma coisa, garota, — ele disse.

— Ok. O que aconteceu? — fiquei nervosa, como se de


alguma forma tivesse feito algo errado.

— Eu me casei.

Meus olhos se arregalaram e fiquei sem ar.

— Você está falando sério? — perguntei.

— Sim querida, muito sério. Você se lembra da Senhora


Wright?
— Claro, lembro-me dela. — era loira, alta e detestável.
O marido morreu anos antes de eu nascer, mas ela manteve o
seu nome. Era advogada popular na cidade e tinha uma
cadeira no Conselho, a única mulher com um assento
recorrente. De muitas maneiras, Susan Wright era a mulher
mais poderosa da cidade.

— Bem. — papai continuou — fomos ficando muito


próximos ao longo dos últimos anos. Na semana passada,
decidimos finalmente tornar isso oficial.

Eu balancei minha cabeça.

— Isto é muito difícil de acreditar.

— Escute-me, querida, sei que não temos nos visto


muito ultimamente, mas adoraria se pudesse vir para casa e
passar algum tempo com a gente neste verão.

Eu mordi meu lábio.

— Eu não sei, pai.

— Por favor? Significaria muito para nós dois.

— Tenho muito trabalho aqui. Eu tenho um emprego.


Não posso ir embora, sabe?

— Na verdade, falando sobre emprego. — papai disse


rapidamente. — Susan ouviu que você se especializou em
justiça criminal e puxou algumas cordas. Se quiser, há um
estágio importante com um detetive que seria perfeito para
você.

— Um estágio com um detetive?

— Tenho certeza. É parte de um novo programa do


xerife.

Eu estava completamente impressionada e sem


palavras. Mal havia falado com meu pai nos últimos três anos
e de repente ele estava soltando bombas em mim, uma atrás
da outra.

— Vamos devagar. — eu disse.

— Espere querida. — ele respondeu. Eu ouvi alguns


sons do outro lado da linha. — Desculpe-me. Eu tenho que
correr. Estou no meu local de trabalho neste momento.

Eu suspirei.

— Ok, claro. — papai era um dos mais famosos e


influentes promotores imobiliários em nossa região e ele
praticamente sempre estava trabalhando.

— Por favor, pense sobre isso.

— Ok. Eu vou pensar.

— Bom ouvir você. — ele desligou o telefone.


Inclinei-me em minha cadeira, jogando meu telefone no
sofá. Mal entendia o que estava sentindo enquanto respirava
fundo.

Meu pai se casou novamente. Ele nem me falou sobre


seu relacionamento antes. Não que pudesse culpá-lo, eu
estava muito distante dele. Mas de repente ele me queria em
casa e até encontrou um trabalho para mim?

Suspirei, olhando pela janela. Já fazia muito tempo


desde que saí de casa. As coisas mudaram. Pelo menos, eu
certamente mudei. Havia amigos que não via há algum
tempo.

Além disso, se Susan Wright havia me arranjado um


emprego, era provavelmente muito sério. Eu estava
trabalhando como garçonete em um bar de luxo local e
embora o dinheiro fosse bom, não estava exatamente
ajudando minha carreira.

Meu objetivo a longo prazo era ir para o FBI. Eu não


queria necessariamente ser uma agente de campo, em vez
disso queria trabalhar como analista ou algo assim. Gostaria
realmente de trabalhar como suporte para agentes,
fornecendo análise da inteligência sobre relatórios de campo,
atuando essencialmente como um cérebro extra para agentes
em situações difíceis.
Infelizmente, dividir a conta de trinta maneiras em trinta
cartões de crédito diferentes para babacas bêbados não me
dava exatamente as habilidades que eu precisava.

Era uma decisão difícil. Deixei Mishawaka por muitas


razões e não sabia se estava pronta para voltar. De qualquer
maneira, eu havia mudado. Essa cidade não exercia mais
controle sobre mim.

E de qualquer maneira era uma decisão difícil.

Levantei e me estiquei. Decidi que havia apenas uma


maneira de descobrir as coisas: precisava pedir uma pizza.

Duas semanas depois, sai do táxi e olhei para a casa do


meu pai.

Paguei a corrida e dei gorjeta ao taxista observando


quando ele foi embora, deixando-me em pé, lamentando cada
decisão que tomei e que antecedeu aquele momento.

A pizza não havia funcionado, infelizmente e não fazia a


menor ideia sobre o que fazer quando recebi outra ligação
que também não reconheci o número.

Era a própria Susan, no final das contas.

E foi muito amável. Tivemos uma longa conversa sobre


ela e meu pai e até me deu mais detalhes sobre o estágio.
Aparentemente, era com um detetive particular que
costumava ser um membro proeminente do FBI, o que
parecia bom demais para ser verdade.
Depois daquela conversa e depois de outro turno
frustrante no bar, praticamente me decidi. Eu dei meu aviso
prévio no dia seguinte e estava indo para casa não muito
tempo depois disso.

Foi uma decisão maluca. Todos os meus amigos


pensaram que eu estava doida por estar indo para casa no
verão, especialmente por desistir do meu trabalho.

Mas assim que soube que iria trabalhar com um ex-


agente do FBI, mesmo que tenha deixado a agência, sabia
que precisava ir. Eu sabia que não podia recusar uma
oportunidade assim.

Além disso, queria ver meu pai, claro. Eu me senti mal,


pois foi o trabalho que realmente me fez mudar de ideia, não
pude negar isso. Mas planejava compensar meu pai passando
muito tempo com ele ou pelo menos tanto quanto ele
quisesse.

Respirei profundamente e subi as escadas, tocando a


campainha. Era estranho tocar a campainha da casa do meu
pai, mas não era a mesma casa que eu havia crescido. Tanta
coisa mudou e ainda assim nada aconteceu.

Esperei alguns minutos antes de tocar novamente.


Eventualmente, eu ouvi alguém gritar lá dentro e lentamente
a porta se abriu.

— Ei — eu comecei a dizer, esperando ver meu pai, mas


parei no meio da frase.
O cara olhando para mim com um pequeno sorriso em
seu rosto era alto. Seus olhos verdes perfuraram os meus e
dei um passo para trás, inconscientemente me afastando
dele. Fiquei surpresa com a maneira que meu coração de
repente começou a martelar no meu peito, enquanto meus
olhos seguiam ao longo de seu corpo musculoso e
demoravam-se sobre as dicas de tatuagens nos punhos da
camisa de manga longa.

— Posso ajudá-la? — ele perguntou.

— Ah, sim. Oi. Eu sou Laney.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Oi, Laney. Eu sou Easton.

O nome de repente fez sentido e respirei fundo.

— Você é o filho da Susan. Easton Wright.

— Correto.

— Eu sou filha de Alan.

O reconhecimento floresceu no rosto quando ele saiu


para varando ao meu lado.

— Bem, Laney, eu acho que isso nos faz meio irmãos.

— Acho que sim.


— É um prazer conhecê-la. Eu estava de saída. — olhou
para dentro. — Susan está lá dentro, na cozinha.

— Ok. — comecei a dizer, mas ele já estava saindo. —


Prazer em conhecê-lo, — falei atrás dele.

Levantou a mão em um pequeno aceno, mas continuou


andando. Foi um pouco rude a maneira que ele foi embora.
Por um segundo me encarou como se eu fosse uma idiota.
Talvez Susan não tenha contado sobre mim.

Quase não me lembrava de Easton no ensino médio. Ele


era alguns anos mais velho que eu, provavelmente três ou
quatro e só o conhecia como uma lenda. Era um atleta,
embora não a estrela de qualquer coisa e bem popular. Mas
era mais conhecido como o rei da equipe de debate.

Em nossa cidade, você não era popular, atleta e da


equipe de debate. Simplesmente não acontecia. O fato de
Easton, de alguma forma conseguir fazer todas essas coisas
era impressionante por si só. Havia também outras histórias
sobre ele, do tipo lendas, a maioria provavelmente era
inventada.

Mas precisava admitir, depois de vê-lo de perto, comecei


a entender a sua reputação. Ele era conhecido como um
jogador, ou pelo menos foi no passado. De repente sabia por
que foi capaz de ter tantas meninas atrás dele.

— Laney?
A voz me tirou dos meus pensamentos e olhei dentro da
casa. De pé com os braços cruzados estava Susan Wright,
sorrindo ligeiramente.

— Oi, Susan, — eu disse, entrando.

Ela me deu um abraço rápido e se ofereceu para levar as


minhas malas, mas recusei. Levou-me para a cozinha,
conversando amigavelmente o tempo todo.

— Seu pai está atrasado como sempre. — ela disse. —


Sinto muito por não podermos buscá-la na estação de trem.

Eu balancei minha cabeça.

— Está tudo bem.

— Você viu Easton saindo? — ela perguntou.

— Oh, sim, eu vi.

Ela franziu a testa.

— Sinto muito sobre ele. Pode ser muito rude às vezes.

— Tudo bem. Pareceu que ele estava bem.

A expressão dela mudou para um sorriso.

— Bom. Estou feliz. Você vai trabalhar com ele, então


espero que ele seja simpático.

Meus olhos se arregalaram e senti meu coração saltar.


— Ele também trabalha com o agente do FBI?

Susan inclinou a cabeça.

— Oh, eu não te disse? Easton é agente do FBI. Bem,


ex-agente pelo menos.

Abri minha boca e fechei. Eu estaria trabalhando para


meu meio-irmão, o jogador mais famoso de toda Mishawaka?
Não sabia o que dizer.

— Ele é tão jovem. — deixei escapar.

Ela assentiu com a cabeça.

— Sim, ele é. Muito jovem para ser um ex-agente, mas,


coisas pessoais aconteceram.

Eu queria fazer mais perguntas, mas decidi não


perguntar. O olhar no rosto dela sugeria que este não era o
melhor tema do mundo.

Então, a porta se abriu e meu pai entrou na sala.

Eu me levantei e sorri.

— Oi, pai.

Alan Mason era um homem grande. Não


particularmente alto e não exatamente acima do peso, mas
ainda assim corpulento. Estava sempre sorridente e ocupado.
Seu cabelo ficou um pouco acinzentado desde última vez que
eu o vi, mas exceto isso, era a mesma pessoa que lembrava.
— Laney, é tão bom ver você. — ele disse, envolvendo-
me em seu abraço habitual.

— Você também, pai.

— Vou deixar vocês dois conversarem. — Susan disse e


desapareceu.

— A sua nova casa é muito boa. — eu disse, olhando ao


redor. Até agora, pelo que vi, o lugar era mesmo
absolutamente muito, muito moderno. Sem dúvida, deu uma
surra no meu apartamento em Chicago.

— Vamos fazer um tour. Vamos lá.

Seguimos pelos corredores. Ele me mostrou a sala de


estar, sala de jogos e sala de jantar. Atrás, havia um grande
deck e uma bela piscina. Lá em cima, havia vários quartos,
incluindo o quarto principal. Eu ficaria hospedada no terceiro
andar, para que tivesse mais privacidade.

— Melhor quarto da casa. — ele disse com uma


piscadela.

A cama era enorme, com quatro colunas, algo como um


conto de fadas. Eu teria minha própria escrivaninha, cômoda
e closet, além de uma pequena TV.

— Posso colocar um computador aqui também, se você


quiser. — ele disse.

— Não, obrigada. Isto já é demais.


Ele riu.

— Estou feliz que voltou para casa. Qualquer coisa que


você quiser, é só pedir.

Passamos por mais dois quartos vazios e ele me mostrou


o banheiro. Pisos em mármore, banheira e chuveiro enormes.
Era absolutamente irreal.

— Quanto tempo mora aqui? — perguntei enquanto


caminhava pelo banheiro, olhando tudo.

— Só há dois meses, na verdade. Susan escolheu.

— É incrível.

— Eu sei. Foi difícil de vender a casa em Beaker.

Assenti. A rua Beaker foi onde moramos com minha


mãe, tantos anos atrás. Eu pensava naquela casa como
minha casa de infância.

Mas esta nova casa faria muito bem a ele.

— Porque não desfaz as malas e depois desça. Teremos


algo para comer.

— Parece bom, pai.

Ele fez uma pausa na porta.

— Obrigado por voltar para casa.


— Obrigada por fazer tudo isso por mim. Estou feliz de
estar aqui.

Ele sorriu e saiu.

Desmoronei na cama, minha mente girando. A casa,


meu pai, Susan e Easton eram todos incríveis. Era bom
demais para ser verdade.

Exceto a parte sobre trabalhar com Easton. Com toda


honestidade, isso me deixou nervosa. Não fazia ideia de como
ele era e, além disso, era tão jovem. Como realmente poderia
aprender alguma coisa com ele? Provavelmente não sabia
nada.

E por que ele havia deixado o FBI? O comentário de


Susan a respeito disso fez com que parecesse tudo muito
misterioso. Talvez eu pudesse perguntar ao próprio Easton,
embora não parecesse exatamente amigável quando o
encontrei mais cedo naquele dia.

Enquanto desempacotava minhas coisas, podia sentir


meu coração acelerado. Não sabia o que aconteceria, mas
sabia que estava no meio de um verão interessante. Todas as
reservas e hesitações sobre Mishawaka foram esquecidas por
enquanto.

Eu estava empregada e com um lugar decente para


ficar. O que mais podia querer?
Capítulo 2

Easton

Voltar para casa era não era o que eu queria fazer no


meu 25º aniversário. Mas depois que você recebe uma
dispensa honrosa do FBI, ou um "deixe ir" como gostam de
dizer, não há muito que fazer.

Então arrumei minhas coisas e dirigi por todo o país.


Tudo passou como um borrão, uma longa fila de fast-food
atrás do outro.

Finalmente, como mágica, encontrei-me em Mishawaka.


O lugar estava cheio de lembranças. E a última coisa que eu
queria eram lembranças.

Tive o suficiente para durar uma vida.

Não contei a minha mãe no começo. Ela provavelmente


estava muito ocupada, dirigindo a cidade com punho de ferro
para se importar. Notaria eventualmente, de qualquer forma,
quando um novato começasse a exercer o comércio na
cidade. Era um dos mais poderosos membros do Conselho da
cidade, afinal de contas e quaisquer mudanças na cidade
inevitavelmente passavam por ela.

Ainda assim, consegui minha licença particular, usei o


que me restou da poupança para alugar um escritório e
coloquei um anúncio no jornal. O trabalho começou a chegar,
mas devagar.

Minha mãe levou três meses para perceber que eu


estava em casa. Desnecessário dizer que ficou muito infeliz,
quando descobriu que seu filho foi demitido pelos federais e
de repente estava trabalhando como detetive particular
barato no centro de sua cidade, sem que tivesse
conhecimento. Esse tipo de coisa não acontecia com Susan
Wright.

Fiquei orgulhoso do fato de ter passado tanto tempo sem


que ela percebesse. Eu usei todos os truques que pude
pensar para passar despercebido, mas eventualmente ela
descobriria. Achei que três meses foi um tempo muito bom.

A primeira conversa não foi boa. Eu não ligava se ela


estava feliz em me ver ou não, mas sabia que poderia
dificultar a minha vida se quisesse.

Eventualmente, depois de algumas semanas as coisas


melhoraram um pouco.

Estacionei meu carro na esquina da casa dela, um


hábito que criei quando era um agente. Nunca estacione na
frente; nunca fique exposto. Eu era uma pessoa cuidadosa e
sempre tive que ser. Quando se trabalhou na minha divisão
do FBI, você precisava ser.

Havia algumas pessoas fodidas e perigosas no mundo.


Caminhei lentamente pelo quarteirão até a varanda do
meu novo padrasto. Susan foi morar com ele depois que o
convenceu a vender a sua antiga casa e elevar o padrão. Não
foi surpresa ela se recusar a viver em qualquer coisa que não
fosse a melhor.

Toquei a campainha e esperei deslocando meu peso


para os pés. Os federais, eles te ensinam a estar sempre
pronto para tudo.

Ainda mantinha um monte de hábitos dos meus tempos


no FBI. Olhei para as tatuagens que espreitavam das mangas
da minha camisa e sorri para mim mesmo. Eu aprendi umas
coisas novas também.

Susan abriu a porta depois de alguns instantes.

— Mãe. — eu disse.

— Easton. Prazer em vê-lo.

O tom dela sugeria o contrário.

Segui-a para dentro sem dizer nada. Nós entramos na


cozinha e sentamos em uma bela ilha. Imaginei que a casa
valia pelo menos um milhão, talvez um ponto dois. Eu sabia
que Alan Mason poderia pagá-la, considerando que era o
incorporador de maior sucesso em Mishawaka. Na verdade,
era o incorporador mais bem-sucedido em toda a região, se
não no estado.

— Você sabe por que está aqui? — ela perguntou.


Um começo ameaçador.

— Não, mãe, eu não sei. Tenho trabalho a fazer, então


vamos fazer isso rápido.

Ela franziu a testa para aquilo.

— Não precisa ser descortês.

— Não há nada de descortês sobre a necessidade de


trabalhar.

— Algum trapaceiro bêbado que você precisa seguir?

— Viciado em heroína, na verdade. — sorri para ela.

Ela zombou e balançou a cabeça. Susan Wright


acreditava que vigiar bêbados e traidores estava abaixo dela e
por extensão do seu filho. Pessoalmente, não estava acima ou
abaixo de qualquer coisa, algo que aprendi da maneira mais
difícil.

Meu trabalho não era fascinante. Na maior parte, eu


seguia maridos traidores. Noventa por cento de ser um
investigador particular era esperar para tirar fotos. A vida de
um IP era tudo sobre paciência e diligência, e eu tinha
ambos. Embora não estivesse mais caçando bandidos a nível
federal, ainda estava ajudando as pessoas.

Mesmo pequenas cidades como Mishawaka precisavam


de ajuda. Havia muitas pessoas ruins em toda parte.
— De qualquer forma — ela disse, seguindo em frente —
queria lhe pedir um favor.

Levantei uma sobrancelha.

— Sério?

Ela assentiu com a cabeça.

— Esperava que pudesse ser uma maneira de consertar


as coisas.

— Estou ouvindo.

— Você sabe que sou casada agora, mas sabia que Alan
tem uma filha?

— Laney Mason. Vinte e um anos. Júnior na


Universidade de Chicago. — respondi.

— Muito bem. Você fez a lição de casa.

— É o meu trabalho.

Ela ficaria surpresa pelas outras coisas que eu sabia


sobre seu novo marido, mas guardei essas coisas para mim.

— Bem, você sabia que ela estuda direito criminal?

Levantei uma sobrancelha.

— Eu não sabia. E posso imaginar onde isso vai dar.


— Antes de dizer não, ouça-me. Ela é uma menina
brilhante.

Levantei. – Desculpe-me, mãe. Não estou interessado.

— Por favor, Easton, sente-se.

Suspirei e olhei para a porta da frente. Absolutamente


não estava interessado em contratar uma garota boba para
ficar no meu escritório o dia todo. Não precisava de uma
secretária e francamente, não podia pagar uma. Eu não
parecia uma babá e não precisava de outra distração na
minha vida.

— Por que quer isso, afinal?

— Porque, apesar do que possa pensar, eu quero que


sejamos uma família novamente. Esperava que pudesse
ajudá-la, talvez lhe ensinar algumas coisas.

— Ela é uma garota mimada de uma cidade pequena.


Não quer trabalhar comigo.

— Na verdade, ela quer. Está vindo para cá agora


conhecê-lo.

Apertei meu maxilar. Uma emboscada.

— Você não deveria ter feito isso.

— Vou pagar por ela. — ela disse rapidamente. — Você


não terá que se preocupar. Basta aceitá-la, e ensinar o que
puder.
— Não acredito que você está fazendo isso pela bondade
do seu coração. — disse, afastando-me. — E não estou
interessado em fazer parte de seus joguinhos.

A resposta dela foi engolida pelo som da campainha.

— Aí está ela. — Susan disse suavemente.

Olhei para ela.

— Vou embora. Diga que disse não e que não é nada


pessoal.

— Diga você mesmo. — minha mãe respondeu.

Eu me virei, balançando a cabeça e caminhando em


direção da porta. Abri, não tendo certeza do que esperar.

Foi a primeira vez que realmente vi Laney Mason. Fomos


para a mesma escola, embora nunca frequentássemos os
mesmos lugares. Nunca a conheci e quase nunca a via. O que
eu lembrava, era uma jovem desengonçada, joelhos grandes e
aparelho nos dentes.

Laney cresceu.

Seu cabelo era longo e escuro e seus olhos eram de um


marrom profundo. Sua pele era pálida e os lábios eram
cheios, do tipo que era inevitável imaginar que iria envolver
completamente a cabeça do seu pau. O corpo dela era cheio e
eu poderia dizer que ela se mantinha em forma.
Olhei para ela por um segundo, sentindo algo despertar.
Não era o que eu esperava, nem um pouco.

— Ei. — ela disse, mas parou de repente. O jeito como


mordeu o lábio me deixou louco.

— Posso ajudá-la? — perguntei, decidindo ver como ela


reagiria.

— Ah, sim. Oi. Eu sou Laney.

— Oi, Laney. Eu sou Easton. — Ela se mexeu


nervosamente enquanto a olhava, um sorriso brincando nos
meus lábios.

— Você é o filho de Susan. Easton Wright.

— É verdade.

— Eu sou filha de Alan.

— Bem, Laney, acho que isso nos faz meio irmãos.

Assim que as palavras saíram da minha boca, tive uma


descarga súbita e estranha de adrenalina. Nunca
experimentei algo assim antes, mas sabia imediatamente o
que era.

Luxúria pura e simples. Eu quis muitas mulheres antes


e tive bastante. Mas nunca experimentei esse desejo inicial
como um raio de luz em meu interior.
A garota era sexy e era minha irmã. Isso era fodido e
errado, mas soube instantaneamente que a queria.

— Acho que sim.

— É um prazer conhecê-la, — disse, olhando para trás.


— Eu estava de saída. Susan está na cozinha.

— Ok — ela começou a falar, mas eu já estava passando


por dela. Meu coração estava acelerado e meu pau estava um
pouco duro, imaginado o que aqueles lábios poderiam fazer.
— Prazer em conhecê-lo, — ela falou atrás de mim.

Dei-lhe um aceno curto, mas continuei andando.

Laney Mason, minha nova irmã. A proposta da minha


mãe voltou para mim enquanto me aproximava mais e mais
do meu carro.

Havia algum trabalho para fazer, mas talvez valesse a


pena considerar. Precisava de uma ajudinha no escritório. E
talvez Laney fosse tão brilhante como Susan disse que era e
talvez ela fosse um trunfo.

Ou ela seria uma total perda de tempo. Parte de mim


estava ansioso para descobrir.

Meu escritório cheirava a suor.

Provavelmente porque dormia lá desde que voltei para


Mishawaka. No início, foi porque não podia pagar uma casa e
o escritório, mas rapidamente ficou claro que não estava
interessado mesmo em encontrar um apartamento.

Eu morava no último andar de um edifício de três


andares. Era uma mistura de escritórios e dentistas
principalmente e estava certo que não era a única pessoa que
vivia ali. Tive sorte o suficiente para pegar um lugar com um
pequeno chuveiro e o espaço da cozinha minúscula
funcionou. Suspirei enquanto desabotoava minha camisa,
pegando uma garrafa do armário.

Enquanto colocava dois dedos de uísque barato, pensei


nos últimos anos da minha vida. Meu tempo no FBI foi ideal
no começo e me encaixava perfeitamente. Tive pontuações
estelares em todos os meus exames na Academia e as
pessoas me chamavam de uma estrela em ascensão. Tornou-
se óbvio como eu era bom no que fazia quando me
designaram para uma divisão especial operando fora do
Texas.

Nós nos chamávamos de Serial Hunters, (Caçadores em


Série), porque nos especializamos em rastreamento e captura
de assassinos em série. Os agentes da lei de todo o país nos
pediam ajuda em seus casos mais difíceis e esperávamos
resolvê-los sempre.

Eu adorava. Adorava o desafio e o prestígio, mas, acima


de tudo, adorava entrar na mente de um assassino. Os
homens que seguimos eram o pior do pior, os filhos da puta
mais perversos e sádicos que já existiram. Eram homens que
matavam por diversão, prazer ou por algum motivo distorcido
que nós não podíamos sequer imaginar, e era meu trabalho
tentar pensar como eles.

E eu era bom nisso.

Tomei meu uísque, caindo no sofá que também servia


como cama. O quarto dos fundos servia como meu quarto e
sala, enquanto a sala da frente era onde me encontrava com
os clientes. Afinal, era necessário manter alguma aparência
de limpeza e profissionalismo, caso contrário nunca
conseguiria nenhum trabalho.

E a merda é que eu preciso do trabalho. O FBI foi muito


generoso quando me deixou ir, mas o dinheiro estava
rapidamente sendo sugado pelo cheque mensal do aluguel.

Liguei a TV para assistir um jogo qualquer de futebol,


quando ouvi minha campainha tocar. Suspirando, tomei mais
um gole de uísque e levantei abotoando minha camisa.

Andei até a porta da frente e parei antes de abrir.

Normalmente nos filmes, eu abriria relutantemente a


porta e encontraria uma mulher linda ali. Seu longo cabelo
loiro, lábios carnudos e seios assassinos que me fariam
querer deixá-la entrar, mesmo que ela cheirasse a desespero.
Daria algum trabalho maluco que sabia que não deveria
pegar, mas pegaria de qualquer jeito.
Eventualmente, a foderia, curvada sobre minha mesa.
Eu a faria gozar de novo e de novo com sua boceta apertada
em volta do meu pau enquanto gritava meu nome.

Abri a porta. Ali estava uma mulher de cinquenta e


poucos anos, baixa, redonda e morena, com cabelos e olhos
castanhos.

Suspirei. A vida real nunca era como nos filmes.

— Senhor Wright? — ela perguntou. — Detetive


particular? — falava com sotaque espanhol, o que não me
surpreendeu. Em Mishawaka havia uma grande comunidade
hispânica e fiz um monte de trabalho para eles no passado,
principalmente porque poderia falar espanhol passável.

— Por favor — eu respondi a deixando entrar.

Ela parecia nervosa, como a maioria das pessoas que


encontrei na minha porta. Sentei-me atrás da minha mesa e
ela sentou na minha frente, franzindo a testa e olhando para
as mãos.

— O que posso fazer por você, Senhora...? — eu parei.

— Suarez. — ela disse. — Por favor, Senhor Wright, você


tem que nos ajudar.

— Pode me chamar de Easton. — respondi em espanhol.


— O que posso fazer por você?
Ela instantaneamente pareceu mais à vontade, quando
mudamos para sua língua.

— Moro com a minha família na Avenida Maple, nos


edifícios de apartamento na esquina de Maple e Brown. Você
conhece?

Balancei a cabeça.

— Passei por lá ontem.

Ela parecia um pouco mais confortável.

— Bem, o proprietário é um homem muito mau. Você vê,


muitas pessoas de meu país vivem lá e muitos de nós somos
apenas pobres, trabalhadores imigrantes. Ele constantemente
ameaça nos jogar na rua para aumentar nosso aluguel.

— Não posso fazer nada sobre um senhorio rude. —


respondi.

— Mas não é esse o problema. Você vê, ele nunca faz o


seu trabalho. Temos ratos, insetos, o lixo fica fora de nossos
apartamentos por semanas e as máquinas de lavar estão
todas quebradas. Ele não faz nada por nós, mesmo quando
nos queixamos.

Eu suspirei, balançando a cabeça. Era uma história


bem comum.

— E o que quer que eu faça? — O rosto dela se abaixou


levemente.
— Ouvi dizer que você pode ajudar. Com problemas.

— Senhora Suarez — eu disse sentado na frente dela, —


parece que este senhorio está infringindo a lei. Vá à polícia
primeiro, talvez tenha que contratar um advogado.

— Nós não podemos pagar um advogado. — ela disse


rapidamente. — E se formos à polícia, ele vai saber. — ela fez
uma pausa, a testa franzida enquanto me olhava
intensamente. — Por favor, tem que nos ajudar.

— Recostei-me na cadeira e cruzei os braços. Esta era a


parte mais difícil, a parte que eu odiava.

— Eu cobro 50 por hora mais despesas. Preciso de


pagamento adiantado.

Ela olhou para baixo para o chão.

— Senhor Wright, não posso pagar isso.

— Por favor. — eu disse, — é Easton. O que você pode


pagar?

Ela abriu sua bolsa e tirou um envelope, colocando-o


sobre a mesa. Eu peguei e contei trezentos dólares.

Não era suficiente para cobrir dois dias de trabalho. Eu


precisava do dinheiro, mas também precisava ser capaz de
trabalhar em empregos reais, receber pelo trabalho e não
ficar preso a alguém desesperado por causa de um
proprietário extorsivo.
Porém eu sabia sobre o lugar onde a Senhora Suarez
vivia. Era conhecido na cidade por ser um buraco horrível e o
senhorio era conhecido como o tipo de homem que poderia
tirar proveito de uma mulher velha e bem-intencionada como
senhora Suarez.

— Isso é o suficiente — falei e já me arrependendo.

Seu rosto se iluminou.

— Oh, muito obrigada, — ela agradeceu e começou a


falar rapidamente em espanhol. Entendi apenas cerca de
metade disso, mas tive certeza que ela fez um convite para
que eu casasse com qualquer uma de suas filhas que
quisesse, ou até mesmo um filho se fosse isso o que eu
preferia. Sem julgamentos.

Eu segurei sua mão.

— Por favor, Senhora. Não posso prometer resultados,


mas vou fazer o meu melhor.

— Rosário Mendez disse que você é o melhor, Easton,


então confiarei em você.

Concordei me lembrando da Senhora Mendez. Eu ajudei


a procurar seu filho viciado em drogas e ajudá-lo. Essa foi pro
bono.

Levantei.
— Volte em alguns dias e vou dizer o que encontrei. —
disse.

— Muito obrigada. — ela respondeu quando a conduzi


para fora do meu apartamento.

Uma vez que a porta estava fechada, inclinei-me contra


o batente. Mais um trabalho rápido, feito a baixo custo.
Quando ia aprender que precisava pegar trabalhos sérios?
Não podia continuar a fazer malditos casos de caridade,
senão eu ia estar no vermelho no final do mês.

Ainda assim, esses trezentos ajudariam. Significava


comida e uísque por uma semana, pelo menos. Além disso, a
Senhora Suarez parecia ser uma senhora simpática.

E eu odiava os senhorios desprezíveis. Odiava-os quase


tanto quanto odeio assassinos. Todos os idiotas que se
aproveitam dos fracos porque por dentro também são fracos
demais.

Homens de verdade ajudam aqueles que precisam.

Fui para o quarto dos fundos e me servi de mais uísque.


De repente, lembrei-me da minha meia-irmã e o jeito que
olhou para mim pela primeira vez. Peguei meu uísque e tirei
meu celular do bolso. Disquei e esperei.

— Olá?

— Susan, é seu filho. — eu resmunguei.


— O que posso fazer por você, Easton?

Hesitei. Eu realmente queria trazer alguém para o meu


mundo ferrado, especialmente uma garota universitária
ingênua?

Mas então o seu corpo, seu olhar, inundou minha mente


novamente.

— Diga a minha irmã para estar aqui amanhã às 10


horas.

— Obrigada, Easton. Estou realmente feliz por você


estar fazendo isso.

— Não faça com que me arrependa.

— Você não vai. Ela é uma garota brilhante.

Rosnei e então desliguei o celular. Já sentia que era


uma má ideia, mas me servi de outro uísque em vez de ficar
pensando.

Eu tinha um envelope cheio de dinheiro e um caso. E


aparentemente um trabalhador não remunerado estava vindo
para ajudar.

O amanhã estava parecendo um dia decente.


Capítulo 3

Laney

Senti-me estranhamente nervosa quando subi as


escadas em direção ao terceiro andar.

Seu escritório ficava em uma área muito discreta no


meio da cidade. Parecia muito com qualquer coisa em
Mishawaka e me perguntei brevemente como ele conseguia
clientes. Não sabia se estava vestida adequadamente, ou
mesmo o que deveria fazer, mas estava determinada a
descobrir.

Esperava ter um pouco mais de tempo para me habituar


a estar em casa. Em vez disso, Susan disse para aparecer
neste endereço exatamente as dez da manhã. Estava alguns
minutos adiantada, mas percebi que isso não importava
desde que ele provavelmente abria às nove de qualquer
maneira.

Fiquei pensando sobre ele, meu meio-irmão. Parecia


muito jovem e atraente demais para ter sido um agente do
FBI. Ninguém me diria por que ele saiu do FBI e a
curiosidade estava praticamente me rasgando. Talvez tivesse
sido desonesto ou algo assim, ou talvez fosse totalmente
incompetente.
Finalmente, encontrei a porta dele. No vidro, algumas
frases foram gravadas em letras extravagantes. Dizia.

"Wright Easton, Detetive Particular. Toque a campainha


se precisar de ajuda."

Tentei a maçaneta, mas estava trancada. Toquei a


campainha e ouvi zumbir no interior.

Nada aconteceu. Eu mordi meu lábio. Talvez ele não


tivesse ouvido? Toquei a campainha outra vez, ouvi o
zumbido e parte de mim pensou que soava um pouco mais
alto.

Novamente, nada. Esperei por quase cinco minutos e


não ouvi um pio do lado de dentro. Estava começando a me
perguntar se cheguei no dia ou hora errada, mas estava certa
que Susan havia falado hoje às dez.

Toquei novamente. No interior, ouvi o que parecia ser


vidro quebrando e uma maldição abafada.

— Estou indo. — alguém gritou. — Estou chegando.


Espere.

Mais xingamentos abafados. Afastei da porta, meus


olhos arregalados, meu coração batendo. O que diabos estava
acontecendo?

Finalmente, ele abriu a porta.


Fiquei ali olhando para ele, minha boca aberta. Sua
camisa estava desabotoada e calças penduradas livremente
nos quadris. Seu peito definido estava coberto de tatuagens e
eu observava enquanto elas serpenteavam ao redor de seus
quadris. Meus olhos subiram para seu queixo quadrado, a
barba por fazer, o vermelho sob o olhar penetrante e os
cabelos despenteados.

Instantaneamente senti meu coração começar a bater


mais rápido e um ligeiro calor. Ele parecia incrível, como se
tivesse acabado de acordar.

— É você. — ele resmungou. — Você chegou cedo.

— Susan me disse às 10 horas. — consegui dizer.

Ele ficou me olhando por um segundo.

— Sim, isso mesmo — ele disse finalmente e se afastou


da porta. — Entre e sente-se.

Eu o segui e ele apontou para as cadeiras na frente da


mesa.

— Uh, eu vim em um momento ruim? — perguntei.

— Você está certa. Dê-me um segundo. — Ele


desapareceu na parte de trás e ouvi mais xingamentos
abafados.

Este era o famoso agente do FBI? A sala da frente era


bem pequena, com seus diplomas e credenciais pendurados
nas paredes e um grande arquivo encostado na parede. Havia
um laptop na mesa, porém nada mais, sem fotos, sem itens
pessoais, nem mesmo uma caneta.

Era um pouco estranho, na verdade. Estiquei o meu


pescoço para dar uma espiada no quarto dos fundos e avistei
uma mesa de café com uma garrafa de uísque meio vazia no
centro, antes de ele bloquear minha visão.

— Bem-vinda ao trabalho. — ele disse.

Levantei.

— Obrigada por me receber. Se este é um momento


ruim, posso voltar mais tarde.

— Está tudo bem. Sente-se.

A calça estava fechada e camisa abotoada estava dentro


dela. Parecia que ele passou os dedos no cabelo, mas não se
preocupou com muito mais. Parecia cansado, e eu pensei que
cheirava a álcool, mas apesar disso, ele parecia incrível.

— Então, Laney. — ele disse. — Que experiência você


tem?

Observei quando ele sentou à mesa e se recostou na


cadeira.

— Bem. — disse — Não muito, se eu for honesta. Eu


sou formada em justiça criminal e Susan pensou que podia
ajudar aqui no escritório.
Ele levantou uma sobrancelha.

— E Susan disse por que ela pensou isso?

Hesitei.

— Talvez porque você precise de ajuda?

Ele riu.

— Você não sabe algo sobre minha mãe é que ela não
faz nada que não a beneficie.

— Ok. O que isso tem a ver conosco?

— É o que estou tentando descobrir.

Ele ficou em silêncio enquanto olhava para mim e


entendi.

— Você não me quer aqui, não é? — perguntei de


repente.

Ele parecia um pouco surpreso.

— Por que diz isso?

— É óbvio.

Um sorriso arrogante brincou em seus lábios.

— Vá em frente e explique então.

— Bem, é óbvio que está de ressaca e provavelmente te


acordei. Não, deixe-me continuar. — disse rapidamente
quando ele tentou protestar. Seu sorriso arrogante ficou
maior, mas não interrompeu. — Você não pareceu
interessado quando nos encontramos ontem. Sei que sua
mãe é uma pessoa importante e suspeito que ela não ame ter
seu filho trabalhando como um detetive particular. Você
deixou o FBI por alguma razão misteriosa, tornando o
relacionamento com sua mãe ainda mais tenso. Então
suspeito que ela esteja forçando você a isso, com base no que
você disse. — seu sorriso era enorme quando acabei de falar.
— Quão perto estou?

Ele olhou para mim e lentamente começou a balançar a


cabeça.

— Você já esteve numa vigilância antes, Laney?

— Como?

Ele levantou. Enfiou a mão na sua gaveta e tirou uma


pistola enfiada em um coldre. Empurrou o coldre na parte de
trás das calças e caminhou até uma chapeleira, pegando um
casaco leve.

Olhei para ele o tempo todo. Eu realmente acabei de ser


ousada em dizer aquilo tudo e principalmente esperava que
me expulsasse. Deve ter ficado irritado e sinceramente queria
que ficasse. Estava irritada por ele não estar me levando a
sério, irritada por ter atendido a porta do jeito que fez,
irritada por ele estar de ressaca.
Em vez disso, ele estava agindo como se nada tivesse
acontecido.

— Venha. — ele disse, abrindo a porta. — Vamos.

Ele desapareceu do lado de fora. Rapidamente levantei e


o segui.

— Espere! — disse, alcançando-o. — Espere um


segundo. Do que você estava falando, uma vigilância?

— Você sabe o que é, certo?

— Sim. Já vi em filmes. É sério?

— Claro que estou falando sério. — ele fez uma pausa


na escada. — Assustada? — ele perguntou provocativamente.

Mordi meu lábio.

— Pensei que se tratava de um trabalho de escritório.

— É o que eu quiser que seja.

Eu respirei fundo. Percebi que ele estava me testando,


vendo o quão longe estava disposta a ir.

E havia algo sobre ele. Verdade era grosseiro e rude,


mas também parecia completamente no controle. Senti que
estava sendo arrastada.

— Ok, tudo bem. — disse.


Eu o segui escada abaixo. Não fazia ideia do que
estávamos fazendo ou aonde íamos, mas não pude me conter.
Queria descobrir qual era a desse cara. Queria conhecê-lo,
mesmo que ele estivesse sendo irritante.

— A primeira regra para ser um detetive particular.


— Easton disse — É nunca fazer nada estúpido.

Ele fez uma curva acentuada à direita e eu agarrei a


maçaneta da porta, como se minha vida dependesse disso.
Easton dirigia como um louco.

— Ok. — disse.

— A segunda regra é fazer exatamente o que eu digo.

— Parece ser uma regra ruim para a maioria dos


detetives particulares.

Ele riu.

— Estas são só para você.

— Ok, tudo bem. Vai me ensinar alguma coisa útil?

— Talvez. Mas por agora, você não faz nada, apenas me


escute. Entendeu?

— Tudo bem. — eu resmunguei.

— Isto não é como suas aulas de Justiça Criminal na


escola. Este é o mundo real, garota.
— Não me chame de garota. Somos quase da mesma
idade.

— Que tal chamar você mana, então?

— Não é muito melhor. — eu resmunguei.

— A terceira regra é. — ele disse, sem perder o ritmo —


Se você acha que está em apuros, porra, fuja e chame a
polícia.

— Realmente acha que isso vai acontecer?

— Eu não tenho ideia do que vai acontecer. — ele disse


de repente, encostando-se ao meio-fio. — É por isso que é tão
divertido.

Desligou o motor e olhei em volta. Estávamos em um


lugar chato e normal na frente de um banco. Havia um
shopping center à nossa esquerda, do outro lado da rua e um
edifício de apartamento. Mais à frente e à direita estava uma
pequena área de parque e playground.

— O que estamos fazendo? — perguntei.

— Observando. — ele disse.

Ele chegou perto de mim. Senti sua proximidade de


repente, praticamente podia cheirá-lo. Abriu o porta-luvas e
tirou um binóculo. Virou lentamente e eu queria inclinar para
ele. Ou talvez quisesse dar um tapa nele. Não sei.

— Ok. — disse. — O que estamos vigiando?


— O senhorio. — ele disse.

Eu suspirei frustrada.

— Você vai realmente me dizer alguma coisa?

Ele olhou através dos binóculos.

— Quando você precisar saber, claro.

Suspirei, irritada. Relaxei no assento e liguei o rádio,


passando pelos canais aleatoriamente enquanto ele olhava
para fora através de seu binóculo.

Passaram-se dez minutos. Easton mal se mexeu, apenas


ficou observando a frente do prédio. Parecia que o tempo
desacelerou para um engatinhar, mas isso foi só porque
estava presa em um carro com um imbecil mudo.

De repente, ele se agitou.

— Viu alguma coisa? — perguntei.

Ele colocou os binóculos nos olhos, observou por um


segundo e então se recostou no assento.

— Não. Nada.

— É assim que se faz uma vigilância?

— Basicamente, sim.

— É muito chato.
— Bem-vinda à vida de um detetive particular, garota.

— Não me chame de garota. Nós somos basicamente da


mesma idade.

Ele me deu um sorriso de torto.

— Talvez, mas você é praticamente uma criança


comparada a mim.

— Por que, porque você é um agente do FBI


espertalhão?

— Não mais. — ele murmurou.

— Realmente. Mas o que faz você pensar que é melhor


do que eu?

Ele olhou para mim por um segundo.

— Você realmente quer saber?

— Vá em frente. — estava tão irritada com o quanto ele


estava cheio de si.

— Você pode ser da minha idade, mas já vi muito mais


do que pode imaginar.

— Você nem me conhece.

Ele riu com tristeza.

— Talvez não, mas deixe-me tentar. Você foi bem no


colégio, tinha alguns amigos, mas não causou nenhum
problema. Então, assim que pôde, deu o fora de Mishawaka.
Foi para uma escola da cidade, aprendeu uma coisa ou duas
sobre a vida. Provavelmente trabalha duro para pagar suas
contas, mas ainda recebe dinheiro do papai todo mês. — Ele
fez uma pausa e levantou uma sobrancelha. — Estou perto?

Cerrei meus punhos.

— Não aceito o dinheiro dele.

— Talvez não, mas você ainda está protegida. — ele


olhou em direção ao prédio. — Já vi algumas merdas, garota,
merda que é melhor que você nunca precise ver.

Eu suspirei e tentei não praguejar. Ele estava sendo


desagradável de propósito. Não sabia se estava tentando me
testar ou só queria irritar, mas não ia deixá-lo me derrotar.

— Isso tem a ver com o porquê você foi expulso da


agência? — Perguntei acidamente.

Ele vacilou um pouco, mas não me olhou.

— Sim.

— E o que aconteceu?

Ele não respondeu, continuou observando o prédio.


Depois de alguns minutos, percebi que não pretendia
responder, então voltei a mexer no rádio.

Um cretino detestável. Veio para cima de mim do nada,


só porque eu não estava preparada para ficar sentada num
carro fedorento o dia todo com ele. Nem se preocupou em
explicar o que estávamos fazendo. Só esperava que eu o
seguisse e obedecesse sem questionar.

Mas, foi incrível em sua análise de mim. Não sinto que


vivo numa bolha, mas realmente não passei por quaisquer
dificuldades na minha vida. Claro, trabalhei duro para me
sustentar, mas além de perder minha mãe, foi só isso.

De repente, ele sentou empertigado, olhos colados no


binóculo.

— Mais um alarme falso? — perguntei.

— Não desta vez.

Tentei ver o que ele estava vendo, mas havia muito


trânsito na área. Olhou pela janela, rastreando lentamente
alguém ou alguma coisa do outro lado da rua.

— O que é? — perguntei.

— Nosso alvo, saindo da gaiola.

— Vamos segui-lo?

— Não desta vez. Apenas espere.

Mais um minuto de silêncio. Entregou-me os binóculos e


ligou o motor. Nós voltamos para o trânsito e ele atravessou a
rua, fazendo uma inversão de marcha em frente ao edifício de
apartamento. Estacionamos e ele saiu.
— Câmera no porta-luvas. — ele disse.

Abri e achei uma câmera profissional, embora não fosse


muito grande. Eu abri a porta e saí.

— Essa aqui? — perguntei.

— Essa é minha garota. — Ele estendeu a mão, mas eu


a segurei fora de seu alcance.

— Diga-me o que estamos fazendo aqui. — eu falei.

Ele sorriu.

— Você quer jogar este jogo? — perguntou.

Eu não recuaria.

— Conte-me.

De repente se lançou para frente, pressionando o corpo


contra o meu, empurrando minhas costas contra o carro.
Ofeguei quando seu corpo esmagou o meu, seus músculos se
movendo contra meus seios. Ele prendeu meu braço e
arrancou a câmera da minha outra mão.

Seu rosto estava a centímetros do meu e eu respirava


com dificuldade, chocada com a rapidez que ele se moveu.
Não podia acreditar que estava me tocando, como se não
fosse completamente inapropriado. Era meu chefe e também
meu meio-irmão. Ele não devia estar me imprensando contra
o carro.
— Não brinque. — ele disse suavemente. — Isto é uma
merda séria.

— Eu só quero saber o que está acontecendo. —


respondi.

— Nós estamos vigiando o senhorio. — ele disse se


afastando de mim. Respirei fundo, equilibrando-me.

— Ok. Por quê?

— Fui contratado por uma pessoa dos cortiços, Senhora


Suarez. Disse que ele não tem feito seu trabalho, deixando as
coisas quebradas, lixo para fora, coisas assim.

— O que vamos fazer sobre isso?

Ele ergueu a câmera.

— Documentar e então ameaçá-lo.

Olhei para ele por um segundo.

— Ameaçá-lo?

— Sim. Vou lhe mostrar as fotos, ameaçá-lo com ação


judicial, a menos que ele comece a ser menos que um
escroto.

— Isso é loucura.

Ele encolheu os ombros.


— É mais fácil do que contratar um advogado. Eles são
muito caros. — começou a caminhar em direção ao prédio. —
E sou muito barato. — ele disse suavemente.

Corri para alcançá-lo enquanto caminhávamos em


direção ao edifício. Nada parecia fora do lugar, nenhum lixo
deixado para fora, sem janelas quebradas, nada. Finalmente,
paramos na porta da frente do edifício.

— E agora? — perguntei.

— Espere.

Eu fiquei ali, tentando não ficar aborrecida enquanto as


pessoas passavam pela calçada. Eventualmente, alguém ia
entrar no prédio e Easton se moveu rapidamente para segui-
lo. Deu ao cara um sorriso envolvente, mas o homem mal
notou quando abriu as portas e nos deixou passar.

Ele parou perto da escada.

— Fácil. — disse.

— Não acredito que esse cara nos deixou entrar.

— Você ficaria surpresa do quanto você pode ir longe se


for confiante o suficiente.

— Se está trabalhando para alguém que mora aqui, por


que não deixam você entrar?

Ele deu um grande sorriso.


— Porque não tem graça. — virou e subiu as escadas,
me fazendo novamente correr atrás dele.

Durante a próxima meia hora, nós vagamos pelo edifício.


Easton não falava muito, apenas continuava tirando fotos de
várias coisas. Fotografou algumas manchas nos corredores,
tetos danificados pela água, lavadoras e secadoras
quebradas, condutores de lixo sujo e muito mais. Isso foi
apenas o material das áreas principais. Quem sabia o que
estava acontecendo dentro de cada apartamento.

Finalmente, chegamos ao último andar. Ele empurrou a


porta que dava acesso ao telhado, mas não abriu.

— Segure isso. — ele disse, entregando-me a câmera.

Observei quanto ele pegou uma pequena caixa preta e


tirou duas ferramentas prateadas e brilhantes. Ele as inseriu
na fechadura e começou a mexer com cuidado em uma e
girando lentamente a outra.

— Vai abrir a fechadura sem a chave? — perguntei


incrédula. — Não é ilegal?

— Shhh. — ele disse.

Finalmente, a porta abriu. Ele nem mesmo hesitou. Só


colocou as ferramentas de volta no bolso e saiu para o
telhado.

— Eles ensinaram isso no FBI? — perguntei.


— Sim, na verdade. — ele disse, distraído.

O teto parecia bem normal. Havia aquecedores e


refrigeradores de porte industrial, mas nada de anormal. Ele
andou para a direita e então parou no meio do caminho.

— Sujeira. — ele disse.

Na frente havia uma grande pilha de sacos de lixo preto.


Dei um passo mais perto, mas o cheiro era quase
insuportável.

— Mas que diabos? — Eu disse.

— Tire fotos.

Comecei a tirar fotos me afastando um pouco.

— Chegue mais perto. — ele disse.

— De jeito nenhum. — eu disse, balançando a cabeça.


— Isso fede.

Ele suspirou, pegou a câmera e foi até a pilha. Tirou


fotos durante algum tempo, e eventualmente rasgou o saco,
expondo o lixo nojento e podre.

— Por que isto está aqui? — perguntei.

— Provavelmente porque para o senhorio é muito mais


barato do que pagar o coletor.

— Não é o município que faz isso?


— Não para cargas de porte industrial como esta. Ele
deveria cuidar disso sozinho.

— Ele apenas deixa aqui?

— Provavelmente tem alguém para pegar uma vez por


mês para economizar dinheiro.

Quando ia responder, avistei o maior rato que já vi na


vida passando através da pilha de lixo. Evitei gritar, indo
embora o mais rápido que pude.

Ouvi o som de risada dele e da câmera enquanto o


esperava na escada.

Cinco minutos depois, ele estava pronto para ir.

— Não é grande coisa. — ele disse.

— E agora? — perguntei enquanto voltávamos para


baixo.

— Agora, nós revelamos estas fotos.

— Acha que vai funcionar? Ameaçá-lo, quero dizer.

— Provavelmente. Os sacos de lixo lá em cima são uma


enorme violação do código de saúde. Isso poderia acabar com
ele.

Quando descemos os degraus, nos afastamos para dar


passagem a duas mulheres latino-americanas idosas
subirem. Easton, de repente, parou de falar e parecia
desconfortável.

Uma das duas mulheres o notou e deu um sorriso


enorme.

— Senhor Wright! — ela exclamou.

— Easton. — ele murmurou.

— O que está fazendo aqui?

— Trabalhando no seu caso. — ele disse.

Ela respondeu em espanhol e ele franziu a testa,


olhando para mim.

— Não acho que seja uma boa ideia. — ele disse.

— Por favor, eu insisto. — ela se virou para mim. — O


Senhor Easton é um bom homem. Ele está nos ajudando por
muito pouco. O mínimo que posso fazer é oferecer-lhe o
almoço.

Olhei de relance para ele, surpresa. Parecia


incrivelmente desconfortável com o encontro, mas eu não
sabia o por que.

O que mais me surpreendeu foi que ele aparentemente


estava trabalhando por um preço baixo. Easton não parecia
ser o tipo caridoso, à primeira vista, muito menos o tipo que
ajuda senhoras latino-americanas idosas com os seus
problemas.
— Isso é muita gentileza sua Senhora Suarez, mas
temos que ir embora. — ele disse.

— Por favor, fique. Leve algo com você, pelo menos.

Ele suspirou.

— Ok. Rápido, no entanto. — ele disse mais alguma


coisa em espanhol e as duas mulheres riram, olhando para
mim.

Seguimos as duas mulheres subindo os degraus. A


outra mulher virou à esquerda e nós à direita, seguindo a
Senhora Suarez. Ela tagarelava, falando sobre seus filhos e
seus netos, mas não pude deixar de olhar para Easton. Ele
parecia estar ouvindo e respondia em espanhol de vez em
quando.

Finalmente, chegamos ao apartamento dela. Nos fez


sentar na sua minúscula cozinha. Ela se ocupou em fazer
tortilhas pequenas para nós, embrulhando-as em papel
alumínio e as enchendo com carne e queijo.

— Você sabe o Senhor Easton tem reputação muito boa.


Ele ajuda muita gente. — ela me disse, piscando. — Ele é um
bom chefe.

Concordei completamente pasma.

— Muito bom.

— Você é solteira? — Ela perguntou.


— Ok. — Easton disse rapidamente. — É o bastante.

— Eu sou. — disse.

— Bom bom. Case com ele, se puder. Faça-o dar-lhe


muitos bebês de bom coração.

Eu ri, olhando para Easton, que apenas franziu a testa


para nós duas.

— Obrigado por isso, mas temos que ir antes que o seu


senhorio volte.

Ele agarrou meu braço e praticamente me arrastou em


direção à porta.

— Mas eu quero falar mais sobre ter seus bebês com


Senhora Suarez. — eu disse.

— Pare com isso. — ele rosnou.

— Obrigada novamente! — A Senhora Suarez gritou


quando saímos com as tortilhas na mão.

Descemos e fomos em direção ao carro.

Ele parou antes de chegarmos.

— Eu não faço isso de graça. — ele disse.

— Desculpe?

— Ajudar. Ela me pagou. Não faço isso de graça.


Eu concordei lentamente.

— Ok.

— Bom. Você não pode fazer nada de graça e esperar


sobreviver. — ele desembrulhou a comida e deu uma
mordida. — Delícia.

Subi no carro e ele ficou no banco do motorista.

— Por que você está ajudando então? Não pode ser só


pelo dinheiro.

Ele ficou em silêncio por um segundo.

— Pela mesma razão que entrei para o FBI. — ele ligou o


motor do carro. — Não gosto de idiotas.

Entramos no trânsito e mordi meu lábio inferior.

Até agora, Easton Wright era um enigma absoluto. Num


segundo, era grosseiro e rude, no outro estava ajudando
velhinhas hispânicas. Ele era absolutamente lindo, mas
também era o meu meio-irmão.

O dia foi estranho pra cacete. Enquanto nos dirigíamos


para seu escritório em silêncio, não pude deixar de perguntar
se todos os dias com ele iam ser assim.

Parte de mim esperava que sim.


Capítulo 4

Easton

Deixei Laney na sala principal para atender ao telefone e


me tranquei no banheiro para revelar as fotos.

Não havia nada para ela fazer lá fora, mas precisava de


um tempo sozinho. Eu não trabalhava com alguém há muito
tempo e não estava acostumado a ter outra pessoa ao redor
em todos os momentos.

Especialmente outra pessoa como Laney.

Ela era brilhante, como Susan havia dito, mas suave.


Mal conseguiu ficar perto do lixo, embora aquela pilha
nojenta fosse a chave para o caso. Com as fotos do rato e o
lixo, me sentia muito bem em fazer uma abordagem no dia
seguinte.

Mas se dependesse de Laney, não teríamos nada. Aquela


suavidade era a primeira coisa que ela teria que perder se
quisesse realmente fazer algo sério na aplicação da lei.

Liguei a luz vermelha e lentamente comecei o processo


de revelação do filme. Poderia ter usado uma câmera digital
como quase todo mundo, mas havia algo sobre fazer tudo eu
mesmo que me atraia. Além disso, as impressões saíam bem
melhor dessa forma.
Enquanto trabalhava, minha mente começou a vagar
pelas últimas horas. Eu havia me distraído um pouco
enquanto vasculhávamos o prédio, distraído pela maneira
que ela olhava para mim. Uma parte era desprezo e outra era
fascinação e não pude deixar de retornar o sentimento. Havia
algo em seus lábios carnudos, sobre seu corpo e a maneira
que se movia que me atraia.

Era verdade que a Senhora Suarez me envergonhou na


frente dela. Não queria que Laney pensasse que eu era
apenas um perdedor patético atendendo casos de caridade
para cada história triste que vinha até minha porta. A
Senhora Suarez me pagou e embora não fosse realmente
minha taxa integral, era o suficiente.

E não estava exatamente na posição de recusar


dinheiro.

Finalmente, terminei meu trabalho e coloquei o filme


revelado para secar. Eu poderia dizer que as fotos valeriam a
pena, embora não conseguisse impressões em tamanho real
até mais tarde.

Eu abri a porta e fechei rapidamente, entrando na sala


principal. Parei de repente quando vi Laney vasculhar o meu
arquivo.

O medo se apoderou do meu peito. Rapidamente


atravessei a sala e fechei a gaveta, assustando-a.
— Merda, Easton. Que diabos? — ela disse. — Você me
assustou.

Olhei para ela.

— Eu disse para não mexer nisso.

— Os telefones não estão tocando. — ela disse. — Pensei


em organizar seus arquivos, ajudar você.

— Não pedi para fazer isso.

— Ok. Eu estava apenas tentando ser útil.

— Por hoje chega.

Ela me olhou desafiadoramente.

— Bem. Como você quiser.

— Tenha uma boa noite mana. — eu disse.

Ela foi até a porta.

— Mesma hora amanhã? — ela perguntou.

Dei de ombros.

— Como você quiser.

Ela me deu uma última olhada, um olhar que não pude


ler e então abriu a porta e foi embora.
Estava chateada, mas não me importei. Soltei um
suspiro e abri a gaveta novamente, procurando por ele. O
arquivo não estava lá, graças a Deus. Ela não o encontrou.

Abri outra gaveta e achei o arquivo de Lester Seed e o


peguei. Eu o deixei cair em cima da mesa e sentei na minha
cadeira, olhando para ele.

Memórias vieram rodopiando em fragmentos. As horas


gastas estudando evidências. A menina, seus dedos cortados,
seu corpo sem vida. Lester rindo. O telefonema.

Mitch e o ferimento na garganta.

Coloquei o arquivo de volta em outra gaveta e fui para o


quarto dos fundos. Eu me servi de um uísque e cai no sofá,
ligando a televisão no volume alto. Queria que isso abafasse
as memórias enquanto bebia.

Uma última lembrança veio a mim: a voz de Lester,


dizendo, ―Vamos, Easton, você não é um profissional?".

Engoli meu uísque e coloquei outro.

Parecia que o zumbido perfuraria meu crânio


diretamente no meu cérebro.

Eu rolei no sofá. Minha boca com gosto de uísque. A TV


ainda estava ligada.

E a campainha tocava como louca.


Saí do sofá, estabilizando por um minuto enquanto
minha ressaca me cercava. Bebi muito na noite passada,
como de costume. Desde que voltei para Mishawaka, os
sonhos eram terríveis, angustiantes, destrutivos pesadelos e
a única maneira de superar as memórias era afogando-as em
álcool.

Levantei lentamente, olhando para o relógio. Passava


um pouco mais de dez da manhã.

Eu vou matar essa garota, pensei enquanto vestia a


calça, não me incomodando com a camisa. Tropecei na sala
principal e abri a porta.

Laney estava ali, sorrindo docemente.

— Bom dia, Easton. — ela disse. — Você parece uma


merda.

— Vá embora. — eu grunhi e tentei fechar a porta.

Ela colocou o pé antes e abriu a porta, passou por mim


e eu estava com ressaca demais para impedi-la.

Estava carregando uma bandeja de bebidas com dois


grandes cafés nele e um saco de papel marrom na outra mão.

— Imaginei que você estaria assim. — ela disse.

— Por quê? — grunhi para ela.

— Baseado em ontem. — Fez uma pausa e olhou para


mim por um segundo enquanto eu caminhava me
aproximando dela. Percebi que havia algo acontecendo no
pequeno e bonito cérebro dela, mas não sei o que. Estava de
ressaca demais para lê-la.

Ela rapidamente se recompôs.

— De qualquer forma, rosquinhas e café. — ela fez um


gesto para o saco.

Peguei meu copo.

— Obrigado.

— Vista-se. — ela sentou-se na recepção, deixando a


bolsa no chão. Tirou um laptop e o abriu na mesa. — Você
tem acesso a Wi-Fi?

— Sim. — eu disse. — O roteador está ali. — eu bebi o


café quente escaldante.

— Bom. Sabia que você não tem um site?

— Não havia me ocorrido.

— Você precisa de um.

— Por quê?

— Para que as pessoas posam encontrá-lo online.

Olhei para ela por um segundo.

— Não quero ser encontrado.


— Você quer trabalhar, não é?

— Com certeza.

Mais ou menos.

— Então você precisa de um site. Como não sabe disso?

—Já pensou que não quero anunciar este trabalho a


todas as pessoas do mundo?

— Não. — ela teclava feliz.

— Nenhum site. — eu disse e fui para o quarto dos


fundos.

— Você está adquirindo um site.

Resmunguei alguma coisa, mas não tinha forças para


lutar.

Fiquei surpreso por ela ter aparecido novamente.


Esperava que fugisse sem olhar para trás, especialmente
depois do show de merda de ontem. Não aconteceu
exatamente como planejei, embora tivesse acontecido do jeito
que eu precisava.

Em vez disso, ela apareceu com seu laptop e começou a


falar sobre um site. Talvez a garota fosse ser mais problemas
do que eu imaginara.

Além disso, havia a questão de sua roupa de trabalho. A


blusa era transparente, e por baixo, ela usava um top
decotado. Bem, não vi os seios dela, mas a dica deles estava
bem ali, praticamente pressionando até a superfície. Seu
jeans era apertado e justo e a bunda dela era impecável.

O sangue correu direto para minha cabeça assim que


ela entrou na sala. Ou talvez fosse apenas a ressaca que
ainda fazia seus truques.

Eu tirei minha calça, pegando uma toalha e a enrolei na


minha cintura. Peguei minha nécessaire para banho e voltei
para a sala principal.

— Isso é o oposto de se vestir. — disse Laney, olhando


por cima do seu computador.

— Preciso de um banho.

— Você nunca vai para casa?

Eu dei risada.

— Mana, esta é minha casa.

Abri a porta e sai antes que ela pudesse responder.

O banheiro comum ficava no final do corredor. Dentro e


na parte de trás, havia um pequeno chuveiro, provavelmente
destinado às pessoas que faziam intercâmbio para trabalhar
ou queriam se exercitar durante o intervalo. Liguei o chuveiro
e esperei que esquentasse.

Finalmente, deixei a água quente escorrer pelo meu


rosto. Dei algumas respirações profundas e entre, com o
chuveiro e o café, comecei a me sentir um pouco mais
humano.

Laney estava certa sobre o site. Parte de mim sabia que


eu estava fazendo de tudo para foder a minha vida ainda
mais, mas não conseguia entender o por que.

Provavelmente tinha algo a ver com o fato de que as


duas pessoas mais próximas a mim foram mortas nos
últimos anos, tudo por minha causa.

Balancei a cabeça, banindo o pensamento. Talvez fosse


melhor que Laney estivesse por perto. Claro, ela era minha
irmã, mas quando é que isso significou alguma coisa para
mim? Era bonita para caralho e foi a primeira mulher em
muito tempo, mesmo remotamente que me deixou duro.

Como estava agora, eu notei. Meu pau estava totalmente


atento, enquanto minha mente se aproximava das fantásticas
possibilidades de Laney se despindo na minha frente. Ela
agia de forma tímida e inocente, mas tive um vislumbre da
pessoa real escondida por baixo de tudo isso. Era inteligente,
astuta e talvez até um pouco implacável.

Não pude deixar de imaginar o que poderia fazer com ela


no meu pequeno escritório. Eu a curvaria sobre minha mesa
e espancaria sua bunda bonita, uma e outra vez, até que ela
implorasse para eu fodê-la. Iria afundar meu pau
profundamente entre suas pernas, escorregar para dentro e
para fora, sentir o calor liso de sua boceta apertada.
Beijaria seu pescoço, seus seios, puxaria seu cabelo e
sussurraria em seu ouvido. Eu a faria implorar para que
continuasse a fodê-la, para fazê-la gozar como a garota
safada que era.

Gozei, em seguida, ao pensar nos lábios de Laney


envolvendo a ponta do meu pau, engolindo cada gota do meu
esperma.

Limpei-me e terminei de tomar banho. Eu me senti


melhor e voltei novamente para a sala, minha cabeça
zumbindo um pouco por causa do orgasmo. Abri a porta e
Laney olhou para mim.

Não perdi seu olhar. Ela mordeu o lábio inferior


ligeiramente quando olhou meu corpo molhado, mal
escondido pela toalha que enrolei em torno de meus quadris.

— Como está o site? — perguntei.

— Está bem. — ela disse rapidamente, olhando por trás


de seu computador.

Eu ri enquanto caminhava para o quarto e me vesti.

— É hora de outra vigilância? — Laney perguntou


quando estacionei o carro em frente ao edifício de
apartamentos. Meu estômago estava roncando, passei a
última meia hora na loja, revelando nossas fotos enquanto
Laney me importunava com perguntas.
— Sim, mais ou menos. — mordi meu pãozinho e
mastiguei.

— O que estamos observando?

— O senhorio novamente.

— Como ele se parece?

— Homem velho. Gordo.

— Quantos anos? Qual a cor do cabelo?

Engoli meu pãozinho e inclinei minha cabeça para ela.

— Você é cheia de perguntas.

Isso a irritou.

— Se eu vou ficar aqui, poderia muito bem ser útil.

Olhei para ela por um segundo... e sorri.

— Ok então. — peguei meu celular no meu bolso,


desbloqueei a tela e abri em uma foto. Mostrei para ela.

Ela pegou o telefone e olhou para ele. — É ele?

— Sim. — coloquei a mão ao lado do meu assento e


empurrei a trava, quase deixando reclinado.

— O que você está fazendo? — ela perguntou.

— Ainda estou de ressaca. Fique com o primeiro turno.


— Está falando sério?

Com os olhos semicerrados.

— Quer ajudar?

— Eu quero, mas não sei como.

— O binóculo está no porta-luvas. Se você o ver, me


acorde.

— Easton. — podia sentir seu nervosismo, mas eu não


disse nada. —Tudo bem. — ela murmurou.

Tive que morder o lábio para não rir. Mantive meus


olhos fechados e tentei dormir, mas sabia que o sono não
viria.

Normalmente, o sono significado pesadelos. E não


estava com disposição para compartilhar essa parte de mim
com Laney, ou com qualquer pessoa. Ainda era muito fresco
na minha mente, ainda demasiado cru e poderoso para tentar
explicar a alguém o que aconteceu.

Laney escutava o rádio. Ouvi a estação de músicas


antigas e tentei descansar. Minha dor de cabeça diminuiu ao
ponto de um leve e maçante pulsar, que significava que
poderia realmente ser uma pessoa normal durante o dia.

De repente, após o que pareceu ser apenas dois


minutos, Laney estava sacudindo meu braço.

— Easton, acorde!
— O que? Estou acordado.

— Olhe.

Sentei, colocando meu assento de volta na posição.


Tirei-lhe os binóculos.

— Segundo carro, do outro lado.

Eu olhei e avistei: nosso senhorio gordo idiota. Estava


entrando na traseira de um carro caindo aos pedaços.

— Espere. — eu disse e liguei o motor.

— O que vai fazer?

— Segui-lo.

Liguei o carro e vi quando o idiota fez uma inversão de


marcha. Virei à esquerda no semáforo e acelerei. Avistei o
carro à frente e saí atrás dele, mantendo distância.

— Então, tipo, dois carros atrás? — Laney perguntou.

— Mais ou menos.

Ela ficou quieta por um minuto, enquanto nós o


seguimos.

— Sua mãe me disse que você era muito bom.

Eu olhei de relance para ela.

— Do que você está falando?


— Em ser do FBI. Você era parte de uma força-tarefa
especial?

Concordei, mantendo os olhos na estrada.

— O que aconteceu?

— Não estou com vontade de falar.

— Você sabe isso seria muito mais fácil se você


relaxasse um pouco.

Suspirei, balançando a cabeça. Ela estava certa, mas eu


não estava a fim.

— Era para capturar assassinos em série.

— O quê?

— A força-tarefa. Éramos de uma força-tarefa especial


do FBI de assassinos em série. Fui contratado como um
investigador especial em perfis.

— Uau. — ela disse. — Isso parece incrível.

— Foi. — no começo, pelo menos, pensei, mas segurei


minha língua.

— Então, você sabe, pegou algum?

Hesitei.

— Sim. — eu disse suavemente. — Um.


— Quem era?

— Olhe, vamos nos concentrar nisso, ok?

Ela deve ter sentido algo no meu tom, porque ficou


quieta. Eu estava irritado comigo mesmo por ter falado sobre
isso e ainda mais irritado por ser incapaz de ter uma
conversa normal sobre uma parte importante da minha vida.

Concentrei-me na direção e Laney ficou em silêncio,


provavelmente envolvida no que estava acontecendo.
Seguimos o senhorio idiota por algumas milhas através de
uma área cada vez mais suburbana. As casas eram maiores e
espaçadas e achei que tínhamos deixado Mishawaka e fomos
para uma cidade vizinha.

Finalmente, o cara entrou em uma bifurcação.


Continuei atrás dele, porém afastado. Ele dirigia lentamente
até que entrou em uma garagem e eu segui em frente,
observando o número.

— É a casa dele? Laney perguntou.

— Provavelmente.

— Nós deveríamos espalhar aquele lixo por aqui.

Eu a olhei e ela sorriu para mim. Não pude deixar de rir.

— Sim, isso iria ensiná-lo.

— Não, mas seria divertido.


— Tem razão. — sorrindo, encostei o carro cerca de um
quarteirão da casa do idiota.

— E agora?

— Acho que é hora do show. — abri a porta e sai. Laney


me seguiu. — Pronta para isto? — perguntei.

— Não, não realmente.

— Bom. — comecei a caminhar em direção a casa do


cara.

Laney caminhou ao meu lado. Nós repassamos o que ia


acontecer, mais ou menos, mas ela não sabia ao certo como
seria, não realmente. E francamente, nem eu. Cada pessoa
reagia de forma diferente a uma chantagem, e já havia visto
de tudo, desde implorar até a violência. Esperava algo entre
os dois.

Fomos até a casa dele. Ela estava silenciosa, parecia


uma casa normal, com venezianas azuis e janelas amplas. As
cortinas estavam fechadas e não havia luz acesa. Era dia,
entretanto, por isso era difícil dizer se havia mais alguém na
casa.

Parei na porta e olhei de relance para Laney.

— Você pode sair se não estiver preparada para isto.

— Apenas bata. — ela disse.


Olhei-a por mais um segundo. Ela parecia decidida a ir
em frente, o rosto sério e impassível e fiquei impressionado. A
maioria das pessoas iria pirar por bater na porta de algum
cara e empurrar fotos ameaçadoras em seu rosto, mas Laney
não parecia chateada.

Para dizer a verdade, ela parecia concentrada e decidida.


Talvez Susan estivesse certa afinal. Talvez Laney não fosse só
uma garota mimada de faculdade.

Bati e então toquei a campainha. Após alguns segundos,


a porta interna abriu e lá estava ele.

— Sim? — ele disse. — Posso ajudá-lo?

— Senhor, — eu disse rapidamente — Meu nome é


Adam Greenspan e sou do Departamento Federal de Aluguel
de Imóveis e Alojamento Temporário. Esta é minha
assistente, a Senhora Arnsdot. Podemos ter um minuto do
seu tempo?

Ele imediatamente me olhou desconfiado, mas não


bateu a porta.

— Nunca ouvi falar de você. — ele disse.

— Senhor, nós somos uma agência pequena. Mas eu sei


que você aluga várias propriedades na área. Estou certo?

Ele assentiu.

— Sim. É isso mesmo.


— Estou acompanhando algumas reclamações que
recebemos ultimamente. Esperava que pudéssemos resolver
esses problemas aqui e agora e evitar longas discussões.

Ele olhou para nós.

— Tem alguma identificação?

Eu coloquei a mão no bolso e tirei o meu velho distintivo


do FBI. Eu havia modificado um pouco com papel colante
para que parecesse menos com uma identificação de mesa.
Mostrei para ele e guardei.

Ele franziu a testa para nós e olhou para Laney. Ela


olhou para ele e sorriu um pouco.

— Ok. — ele disse. — Entre.

Ele abriu a porta externa e entramos. Laney nos seguiu


de perto.

Por dentro, o lugar cheirava a fumaça. As paredes


estavam amareladas e o teto era baixo. Não havia muita luz e
os tapetes pareciam muito velhos. Nós o seguimos para uma
sala de estar. Havia um sofá dominando o espaço na frente
de um sistema de entretenimento com televisão de tela plana
grande. O futebol em destaque estava sem som.

Ele limpou um lugar para nós em duas cadeiras e


sentou-se no sofá, tirando um cigarro.

— Se importa se eu fumar? — ele perguntou.


— A casa é sua. — peguei minha pasta. — Ok, Senhor
Gibson. — nós apertamos as mãos.

— O que se trata? — ele perguntou, acendendo seu


cigarro.

— Como eu disse, nós tivemos algumas reclamações. —


retirei as fotos que fizemos mais cedo naquele dia.

— O que é isso? — ele perguntou.

— Bem, isto parece uma montanha de lixo no seu


telhado.

Eu segurei a imagem, sorrindo serenamente.

Seus olhos saltaram e ele quase deixou cair o cigarro.

— Isso não é meu. — disse rapidamente.

— Sabemos que é. — eu disse um pouco mais tranquilo.


Tirei outra imagem do rato e segurei. Ele praticamente estava
tremendo. Tirei mais algumas fotos, de máquinas de lavar
quebradas e outras coisas. Finalmente, estendi as imagens
para ele pegar, e ele pegou.

— Bem, Senhor Gibson, como você pode ver, estas


denúncias são graves. Esta é sua propriedade, não é?

Ele assentiu estupefato.

Eu me inclinei para a frente.


— Ouça, Chuck. Eu posso chamá-lo de Chuck, certo?

Ele balançou a cabeça novamente.

— Chuck, entre mim e você, este material é rotina.


Quero dizer, estas pessoas podiam consertar essas coisas se
eles quisessem certo?

Ele acenou pela terceira vez e deu uma tragada no


cigarro.

— Mas você sabe, é meu trabalho dar prosseguimento a


esse tipo de coisa. O chefe teria minha bunda de outra
maneira. — fiz a demonstração de um sorriso gentil. — Então
aqui está o que vai acontecer. Você vai consertar tudo isso,
lamentável efeito colateral de administrar um edifício de alta
classe. Você vai consertá-lo amanhã. — fiz uma pausa e
levantei uma sobrancelha. — Então vou acompanhar. Tudo
ficará bem, lindo, sem problemas. Vou escrever um relatório
positivo e tudo isto acaba.

Ele olhou para Laney.

— Como você se chama? — ele perguntou.

— Não olhe para ela. — eu disse vigorosamente. Seu


olhar voltou para o meu surpreso. Eu amaciei minha voz. —
Ela está aqui apenas para observar. Isto fica entre nós,
Chuck.

— Você quer que eu conserte essas coisas. — ele disse


estupidamente.
— Sim. Amanhã.

— Eu não posso. Isso é impossível.

— Chuck. — Inclinei-me em minha cadeira, balançando


a cabeça. — Você é um homem de posses. Pode lidar com
isso.

— Estou dizendo a você, essas coisas vão levar semanas


para resolver.

— Chuck, você gosta de ser dono de um edifício?

— É claro. O que...

— Faça o que eu estou dizendo para fazer.

Ele me encarou, chocado.

De minha parte, estava me divertindo muito. Adorava


interpretar um papel, adorava mentir para esse cara, adorava
intimidá-lo. Ele era um escroto e um idiota e eu adorava
brincar com suas emoções. Eu queria puni-lo e a punição era
muito mais doce quando era lenta.

— Não posso. — ele disse simplesmente.

— Ouça-me, você é gordo, estúpido, nojento pateta. —


eu disse. — Vai consertar este maldito lixo horroroso e vai
consertar amanhã. Se não o fizer, tirarei seu prédio. —
Levantei.
— Você não pode falar desse jeito! — havia quantidade
iguais de raiva e confusão, brincando em seu rosto.

— Sim, eu posso, porque está à minha mercê. Senhora


Arnsdot? — Laney levantou-se.

— Eu vou contar ao seu supervisor!

— Por favor, faça isso. Então eles irão fazer a inspeção.


O que é exatamente o que você não quer. — quando ele não
respondeu, eu virei para Laney. — Senhora Arnsdot, por
favor, em seu relatório faça uma anotação para elogiar o
Chuck aqui sobre como ele foi educado e prestativo.

— Sim, Sr. Greenspan. — disse Laney.

Queria beijá-la. Era tão perfeita.

— Não pode fazer isso, disse o idiota.

— Amanhã. — respondi e então acenei para Laney. Ela


foi embora e eu a segui.

Saímos pela porta da frente e fomos rapidamente em


direção ao carro.

Eu me senti muito feliz, animado, energizado. Ri alto


quando entramos no carro, gargalhando.

— Você viu a cara dele? — perguntei. — Que porra de


idiota!

Laney balançou a cabeça, sorrindo de orelha a orelha.


— Isso foi insano. Por que fingimos ser gente do
governo?

— Sempre funciona melhor do que qualquer ameaça


direta. Ele vai descobrir que não há nenhuma agência de
aluguel ou qualquer outra coisa e vai ficar ainda mais louco.

— E se ele não fizer nada?

— Então voltarei sozinho e direi algo mais convincente.


— liguei o motor. — Mas não temos que nos preocupar sobre
isso.

— Por quê?

— Porque ele vai fazer. Eu fiz isso algumas vezes antes e


posso dizer.

— Você está louco.

Sorri para ela.

— Sim, provavelmente. Mas você foi ótima, Senhora


Arnsdot.

— O que há com esse nome?

— Quem sabe. Mas ele estava te olhando como se


quisesse arrancar sua roupa.

Ela corou.

— Não, ele não estava.


— Claro que estava. Ele é um maldito verme. — inclinei-
me mais próximo a ela, sorrindo. — Mas você parece sexy
para caralho, especialmente quando está mentindo para um
cretino.

Ela corou ainda mais.

— Ok, isso é o suficiente. Vamos sair daqui.

— É para já, Senhora Arnsdot. — dei partida no carro e


dirigi para o escritório.

Eu me senti ótimo. Sempre me sentia bem depois de


algo assim, mas agora era diferente. De alguma forma, ter
Laney ao meu lado me fez mais confiante, como se quisesse
impressioná-la ou alguma merda.

Mas não era eu. Não era o tipo que se mostrava para
uma mulher. Nunca precisei antes e é claro como merda que
não precisava agora.

Ainda assim, aquele sorriso que ela me deu, a maneira


que corou quando falei sujo, me deixava louco. Meu coração
estava acelerado e não queria nada mais do que estacionar e
foder Laney até ela gritar meu nome na traseira do carro.

Em vez disso, levei-a ao Starbucks e comprei dois cafés


para nós. Eu a foderia mais tarde.
Capítulo 5

Laney

— Senhor Easton, muito obrigada!

Observei Easton praticamente se contorcer no abraço da


Senhora Suarez.

— Só fiz o meu trabalho. — ele murmurou.

Ela o abraçou fortemente.

— Você nos salvou. Salvou todos nós.

Eu sorri e ele murmurou para tirá-la de cima dele. Só


balancei a cabeça e cruzei os braços, amando o seu
desconforto.

Mas ele merecia o elogio. Depois da nossa visita ao


senhorio mais idiota da história, vigiamos o prédio por mais
alguns dias. Com certeza, nós vimos grupos de trabalhadores
indo e vindo, fazendo reparos e limpando o lugar.

Alguns dias mais tarde, nós entramos e subimos até o


telhado. A pilha de lixo desapareceu milagrosamente.

Nunca entendi completamente a lógica por trás do que


Easton havia feito. Fizemos a ameaça, mas não estava certa
por que nós não poderíamos fazer isso nós mesmos em vez de
fingir. Disse que nós nunca teríamos entrado pela porta da
frente, muito menos que ele nos ouviria se estivéssemos
sendo apenas nós mesmos.

Assim, qualquer magia que Easton fez, pareceu


funcionar. Eu era bem cética sobre a coisa toda, embora fosse
bem excitante. Ele foi legal, calmo, sério e um pouco protetor.
Não precisava que ficasse em cima de mim, mas sentia algo
no meu estômago toda vez que olhou para mim.

— Por favor, se precisar de alguma coisa, conte comigo.


— disse Senhora Suarez, antes de deixá-lo ir.

— Você já pagou. É o suficiente.

A Senhora Suarez foi abraçá-lo novamente, mas ele


habilmente saiu do caminho. Ela disse algo em espanhol e ele
respondeu em espanhol. Tiveram uma conversa rápida,
apenas a metade fez sentido para mim e então finalmente a
Senhora Suarez saiu do escritório.

Eu ri dele, balançando a cabeça.

— O que foi essa última parte? — perguntei.

— Nada. — ele resmungou, sentando atrás de sua mesa.

— Vamos, diga.

— Ela estava me oferecendo uma filha.

Eu levantei uma sobrancelha.


— Sério?

— Para casar, eu acho. — ele sorriu para mim. — Estou


pensando em aceitar

— Vá em frente. Elas são bonitas?

Ele encolheu os ombros.

— Depende. Os burros são bonitos?

Eu ri e inclino-me contra o gabinete.

— Não do jeito que estou pensando, eles não são.

— Bem, aí está a resposta.

— Você fez uma coisa boa, você sabe.

Ele fez uma pausa.

— Fui pago. Fiz um trabalho. É isso.

— Ainda assim. Aquelas pessoas precisavam disso.

— Não me interessa. Se eles podem pagar, eu vou


ajudar.

Suspirei.

— Você é mesmo tão insensível?

— Não é qualquer coisa que move este coração, mana. A


única coisa que me excita mais é essa bunda muito bem
torneada.
— Você é tão lisonjeiro. — eu disse, revirando os olhos.

— Que tal celebrarmos esta coisa boa que eu fiz. — ele


disse, apontando para que eu fosse até ele. — Talvez aqui
mesmo em cima da minha mesa.

— Tenho certeza que não deveria falar com uma


funcionária dessa maneira.

— Não, definitivamente não. Mas eu amo o jeito que


você cora quando faço isso. E aposto que está toda molhada
só de pensar em mim te fodendo até você gritar meu nome.

— Definitivamente não deveria dizer isso. — murmurei,


tentando não corar. Tanto quanto odiasse admitir isso, ele
tinha um talento especial para me irritar.

Pior, ele era talentoso em me deixar irritar e molhada.


Olhei seus braços fortes e mordi o lábio inferior, desviando o
olhar rapidamente. Ele pegou meu olhar, no entanto e
levantou, chegando mais perto.

— Não posso dizer a minha irmã que eu quero sentir


seus lábios envolvendo meu pau também, mas estou fazendo
isso. — ele parou perto de mim.

— Continue assim. — eu disse — E contarei a sua mãe


sobre você.

Seu sorriso ficou maior.


— Sim? Vai dizer a mamãe e ao papai que eu tentei
foder sua bocetinha apertada?

Balancei minha cabeça.

— Isso nunca vai acontecer.

— Nós dois sabemos que porque você continua voltando


e não é apenas pelo salário de merda.

— Por que eu continuo voltando então?

Ele chegou perto, muito perto de mim. Eu recuei


completamente contra o arquivo e senti sua respiração
quente no meu pescoço. A emoção de um trabalho bem feito
estava tocando nas minhas veias, meu coração batendo
rápido, minha boceta molhada outra vez. Seus olhos estavam
queimando nos meus e eu estava praticamente implorando
para que me beijasse, para me curvar e levantar minha saia
inadequadamente curta.

— Eu não posso entender. Acho que você quer me


montar até que não possa pensar.

— Entenda isso. — eu disse suavemente. — Você é meu


chefe e meu meio-irmão. Isso nunca vai acontecer. — como
estou começando a querer, pensei comigo mesmo.

— Azar o seu. — sua boca estava tão perto da minha. —


Fico imaginando qual seria o seu sabor.
O telefone começou a tocar e praticamente dei um pulou
até o teto.

Ele se afastou e riu de mim.

— Você vai ficar? — ele perguntou.

— Oh, sim. Com certeza. — rapidamente me movi em


torno dele, embora não me desse qualquer espaço. Nossos
corpos se tocaram por um momento, enviando uma emoção
no meu peito.

Peguei o telefone no terceiro toque.

— Olá?

— É Easton Wright? Detetive particular?

— Este é o escritório dele. Como posso ajudá-lo?

— Preciso de ajuda.

Peguei uma caneta e perguntei exatamente o que


poderíamos fazer. Enquanto isso, Easton desapareceu em seu
apartamento dos fundos, provavelmente para tirar um
cochilo.

A mulher parecia jovem e zangada. Ela disse que achava


que seu marido a estava traindo, provavelmente com alguém
do trabalho. Marcamos um horário para ela e acertamos o
preço e então desliguei.

— Temos um cliente. — eu falei.


— Marido traidor? — ele resmungou da outra sala.

— Como sabe?

— É sempre um marido infiel. — Olhei para cima e o vi


de pé na porta, sem camisa.

Fiquei boquiaberta. As tatuagens dele cobriam seu corpo


musculoso, todo sarado e perfeito.

— O que vai fazer? — perguntei.

— Vou tomar banho.

— Ok. Pode continuar vestido enquanto estou aqui pelo


menos?

— Não. — ele andou até a porta, carregando material de


banho e uma toalha. — Faça-me um favor. Arrume o arquivo
enquanto estou fora.

Eu franzi a testa.

— Pensei que havia dito para não fazer isso.

— Havia algumas coisas lá dentro que você não deveria


ver. Está tudo bem agora.

Algumas coisas que eu não deveria ver? Isso foi um


pouco misterioso.

— São arquivos secretos do FBI?

— Algo assim.
— Ok. Tome uma boa ducha, chefe.

— Estarei pensando em você. — ele sorriu quando abriu


a porta e se foi.

Que idiota frustrante. De repente ele queria que eu


organizasse o arquivo quando mais cedo ficou assustado
sobre isso?

E é claro que estava andando por aí sem camisa mesmo


que fosse completamente errado. Claro, eu não estava
exatamente me vestindo conservadoramente para vê-lo, mas
mesmo assim. Era parte do meu trabalho ser uma distração,
pelo menos para as pessoas ao nosso redor. Isso é o que ele
disse, de qualquer forma.

Levantei, caminhei até o arquivo e o abri. Quando


comecei a trabalhar, não pude deixar de pensar no último
comentário que ele fez. Eu imaginava a mão dele em torno de
seu pau, acariciando-se lentamente, com a água cobrindo seu
corpo definido. Ele chamaria meu nome quando gozasse e
grossos jatos de porra cairiam no chão do banheiro.

Balancei minha cabeça, meu coração acelerado. O que


havia de errado comigo? Eu estava tendo pensamentos sujos
sobre meu meio-irmão.

Em vez disso, me perdi no trabalho de reorganização dos


arquivos absolutamente caóticos.

Coloquei meus pés sobre a mesa e li o jornal.


Estávamos no escritório há horas. Ninguém ligou;
ninguém entrou. Ele voltou do chuveiro e foi direto para o seu
lugar, deixando-me concluir a arrumação por conta própria.

Arrumei o arquivo todo antes do almoço. Depois disso,


estava entediada pra caramba. Poderia olhar o Facebook por
tanto tempo antes que quisesse literalmente arrancar meus
olhos. Quer dizer, de quantas selfies eu iria gostar? Era muito
boa em fotos de bebê e cães, pontos de bônus se os bebês
estivessem com os cães fofos, mas não podia fazer isso o dia
todo.

Então decidi enriquecer-me com o jornal. Folheei as


páginas frágeis, folheando coisas ruins típicas.

Mas uma manchete chamou minha atenção.

— Prostitua sem mãos foi encontrada numa vala. —


estava escrito e era o tipo de coisa obscena que raramente se
lia em um lugar como Mishawaka.

Eu folheei o artigo. O corpo foi encontrado não muito


longe daqui, mais perto de Chicago do que na nossa cidade,
mas ainda no interior do país. Aparentemente, o corpo tinha
apenas alguns dias. A garota era jovem e bonita e
provavelmente uma prostituta, embora ainda não tivesse sido
identificada.

Depois vieram os detalhes horripilantes. Eu quase não


podia ler sobre isso. Aparentemente ela foi sexualmente
agredida e espancada. Mas a coisa mais estranha, os dedos
dela foram cortados. Estava faltando alguns dedos, mas não
todos e a língua dela também foi cortada.

A polícia disse que não tinham pistas ainda. Era tudo


muito confuso. Como alguém poderia fazer isso com outra
pessoa? Eu sabia que o mal existia no mundo, mas sempre a
distância. Sempre como notícia. Mas por alguma razão,
estava me atingindo fortemente, que alguém fizesse algo tão
horrível com outro ser humano.

— O que foi?

Olhei para cima, assustada.

— Nada. — disse.

— Seu rosto está branco.

— É só este artigo.

Ele estendeu a mão.

— Deixe-me ver.

Dei o jornal e ele começou a ler.

— É muito confuso. Estava pensando que é difícil


imaginar que uma pessoa possa fazer algo assim. Não sei, por
alguma razão está me atingindo, sabe? — em pausa, percebi
o olhar no rosto de Easton. — Você está bem?

Ele me olhou e nunca esquecerei o que vi em seus olhos.


Era assombrado, escuro e profundo, como se estivesse vendo
algo que nunca esperava ver, algo mais terrível do que eu
podia entender.

— Está tudo bem. — ele resmungou. — Você deveria ir


para casa. — virou e entrou no quarto dos fundos.

Aquilo foi estranho. Esse olhar me abalou, realmente


assustou, mas não fazia ideia do por que. Levantei e o segui
até a porta. Eu observava enquanto se servia de uma dose de
uísque, bebendo.

— O que está errado? — perguntei.

— Vá para casa, Laney.

— Foi aquele artigo? Você sabe algo sobre isso?

Ele jogou o jornal no lixo e voltou-se para mim. O medo


e o choque foram completamente substituídos por algo mais,
algo que não esperava.

Raiva. Era tudo raiva e fúria fluindo através dele.

Eu recuei, sem saber o que estava acontecendo.

— Vá para casa. — ele rosnou.

— Podemos conversar sobre isso, se você quiser.

— Estou bem. — ele me encarou. — Preciso que vá para


casa agora, Laney. — assenti lentamente.

— Ok. Vou ver você amanhã.


Ele não respondeu, serviu-se de outra bebida. Eu olhei
para ele por mais um segundo e depois voltei para a sala da
frente. Recolhi minhas coisas rapidamente e saí, dando um
último olhar na direção dele.

Parecia distante e assombrado.

Fechei os olhos e pensei nele.

Easton, o homem mais frustrante que conheci. Só


quando estava sozinha em minha cama, a salvo de seus olhos
arrogantes, podia ceder e pensar nele.

Nunca conheci ninguém sequer remotamente parecido


com ele. Era confiante, sombrio, misterioso e bonito demais.
Sexy, na verdade, a forma como se movia e falava as coisas
sujas que me disse...

Nós realmente não éramos parentes, claro. Foi por isso


que eu não deixei de enfiar meus dedos para dentro da minha
calcinha para sentir meu clitóris encharcado.

Imaginei o que ele faria comigo se eu deixasse. Queria


que colocasse suas mãos na minha bunda, beijasse meu
pescoço e sussurrasse no meu ouvido. Queria que derrubasse
as coisas da mesa e rasgasse minha saia. Ajoelharia e
sentiria seu pau grosso e duro, passando minhas mãos para
baixo e para cima ao longo do seu comprimento, sentiria o
quanto estava duro para mim.
E depois o envolveria com a minha boca e o chuparia.
Eu queria prová-lo, sua pele salgada, fazê-lo grunhir e gemer.
Queria chupá-lo forte e rápido até que me levantasse e
jogasse sobre a mesa.

Esfreguei meu clitóris em círculos furiosos enquanto


pensava sobre ele empurrando dentro de mim. Colocaria
minhas mãos em seu peito musculoso enquanto me fodia
profunda e asperamente, enchendo-me, deslizando dentro e
fora em agonizantes estocadas ásperas.

Easton, seu pau grosso, seus olhos marcantes, queria


cada polegada dele. Eu o queria tanto quanto o odiava.
Odiava a bebida, seu mau humor, sua raiva. Não entendia
nada disso e ele não estava disposto a me deixar passar pelo
seu exterior rude.

Mas eu queria ir fundo, tão profundo quanto ele poderia


me comer. Sussurrei seu nome suavemente para mim
mesmo, testando-o, sentindo-o em meus lábios. Esfregava
meu clitóris, toda molhada, enquanto dizia suavemente.

E então alguém bateu na minha porta.

Imediatamente eu parei, pronta e alerta. Olhei de


relance para o relógio. Por que alguém está batendo à meia-
noite? Pensei comigo mesmo.

— Pai? — eu chamei.

— Sou eu.
Aquela voz. Que diabo? Era algum tipo de piada?

— Easton?

— Posso entrar?

Eu estava prestes a entrar em pânico. Ele tinha me


ouvido falar? Estava apenas me tocando, pensando nele e de
repente ele apareceu.

— Espere.

Rapidamente saí da cama, vermelho brilhante e corri


para me vestir. Vesti calcinha limpa, calça de pijama e um
moletom. Olhei no espelho e estava um desastre total, é claro,
mas nada que pudesse ser evitado.

Lentamente abri a porta do meu quarto. Ali no corredor


estava Easton, encostado na parede.

— O que está fazendo aqui? — murmurei para ele. — É


tarde.

— Posso entrar?

— Não sei.

— Intenções puras. Dedos cruzados.

Olhei por um segundo.

— Ok. Tudo bem.


Ele me seguiu para dentro. Sentei na cama, cruzando
meus braços, quando começou a olhar no meu armário e
debaixo da minha cama.

— O que está fazendo? — perguntei.

— Checando.

— Estou vendo. Você está louco?

Ele parou na minha frente, franzindo a testa.

— Viu alguma coisa estranha ultimamente? Caras


assustadores à sua volta?

— Não. Nem um pouco. — conseguia sentir o cheiro de


uísque na respiração dele, mas parecia lúcido.

— Bom. — ele terminou de olhar e se levantou,


balançando a cabeça. — Desculpe.

— Easton. — eu disse suavemente — Isto é sobre o que


aconteceu mais cedo, aquela notícia?

— Não se preocupe. Não é nada importante.

Ele já estava na metade do caminho para a porta.

— Espere um segundo! — disse, seguindo-o. — Como


chegou aqui?

Ele olhou para mim.

— Táxi.
— E como vai voltar para casa? Duvido que haja algum
a essa hora.

— Andando, provavelmente.

— Você é idiota. — eu disse, balançando a cabeça. —


Fique aqui.

— Ficar com você, mana? — ele perguntou, sorrindo


pela primeira vez. — Parece que nós não devemos misturar
negócios com prazer.

— Isto é negócio?

— Algo assim.

— Fique no quarto ao lado. Está vazio.

— Eu prefiro ficar na sua cama. Você pode envolver as


pernas em volta do meu rosto, deixe-me provar sua boceta.

— Vá dormir Easton.

— Azar seu. — virou e saiu. Eu ouvi a porta do quarto


ao lado abrir e fechar.

Fechei a porta do meu quarto, trancando-a. Subi na


cama, minha cabeça rodando.

O que foi isso? Ele agiu de modo tão estranho em seu


escritório, mas isto foi ainda mais estranho. O que
procurava?
Tinha a ver com o artigo que eu li. Algo sobre o
assassinato o alertou e estava provavelmente preocupado.

Mas por que se preocupar comigo?

Puxei as cobertas sobre minha cabeça, envergonhada e


preocupada. Estava apavorada que ele tivesse me ouvido
sussurrando seu nome, que eu tinha me tocado e que de
alguma forma eu estava em perigo. Ele parecia pensar que
havia uma possibilidade.

Adormeci, pensando nele, alternando entre preocupação


e luxúria.

De manhã, acordei lentamente. Levantei e me estiquei,


então caminhei suavemente pelo corredor. A porta do quarto
dele já estava aberta, a cama uma bagunça e vazia.
Capítulo 6

Easton

Olhei através do binóculo para uma casa suburbana de


aparência normal. Não havia nada de extraordinário sobre o
lugar, exceto talvez que ele estava sendo vigiado por um
detetive particular e sua meia-irmã.

Ele deveria estar lá e supostamente estaria cometendo


uma traição, mas eu não ouvi um único pio dele ou de sua
suposta amante por horas. A cliente nos disse que ele trouxe
a amante para casa quando ela foi para uma conferência de
negócios, mas nunca foi capaz de provar.

Até agora, e ela parecia paranoica. Fiz uma anotação no


meu bloco e olhei de relance para Laney. Parecia que ela
estava dormindo, mas eu sabia que não. Ficou estranha o dia
todo e não podia culpá-la, não desde a noite anterior.

Como poderia explicar a ela o que foi aquilo?


Parcialmente alimentado pelo álcool, mas em grande parte
alimentado pela minha própria paranoia, peguei um táxi para
casa da minha mãe, só para checar a minha irmã. Ela não
fazia ideia do por que, claro e nunca poderia adivinhar. Não
estava certo se minha mãe sabia ou talvez ela soubesse.

O artigo me deixou em um ponto sem retorno. Nos


últimos meses eu tive minhas suspeitas, meus palpites, mas
não havia provas, apenas uma sequência de corpos
aparentemente desconectados aparecendo em todo o país,
lentamente se aproximando de mim.

A garota com os dedos removidos era uma mensagem,


um sinal claro.

Era uma mensagem do passado para mim. De um


passado violento e mortal. De um passado que pensei ter ido
embora para sempre.

— O que é aquilo? — Laney disse, me puxando de volta


para o presente.

Eu segui seu olhar e vi. Uma mulher andando na


calçada, vestindo um roupão e chinelos.

— Uma vizinha? — Laney perguntou.

Comecei a tirar fotos.

— Faz sentido.

— Ela parece uma pessoa normal.

— Claro que sim. — Eu retruquei enquanto a mulher


caminhou até a garagem, olhando ao redor nervosamente. —
Eles não são monstros.

— Mas eles são traidores.

— Sim, eles são traidores. Não são pessoas boas. Só não


são monstros.
— Não vejo diferença.

Fiquei quieto por um segundo.

— Conheço monstros. E acredite em mim, essas pessoas


são provavelmente apenas egoístas e confusos, mas não são
más.

Vimos quando a mulher de roupão bateu na porta.


Depois de um segundo, o homem que devíamos vigiar
respondeu e rapidamente conduziu a mulher para dentro.
Tirei algumas fotos, tirei uma de seu rosto bonito olhando em
volta.

— Agora o quê? — Laney perguntou. — Podemos entrar


e pegá-los?

Eu ri.

— Sim, certo. E depois disso, ir direito para a cadeia.

— Então ficamos esperando aqui?

— Praticamente isso. Vamos tirar fotos e relatar o que


vimos.

— Parece muito idiota. Nós devemos pegá-los em


flagrante.

— Quase nunca pego alguém em flagrante.

— Por que não?


Pensei por um segundo.

— Você simplesmente não precisa. A maioria das


pessoas não precisa de prova. Eles só precisam de alguém
para confirmar as suas suspeitas. Estas imagens
provavelmente serão suficientes.

— E se eles não estiverem fazendo sexo lá dentro?

— Eles estão.

— Talvez só estejam jogando jogos de tabuleiro. Talvez


ele seja apenas solitário.

— E talvez eu urine açúcar.

Laney riu.

— Você sabe, algumas pessoas realmente urinam


açúcar.

— Ok e a minha merda cheira rosas.

Ela fez uma careta.

— Não seja bruto.

— Eu só estou dizendo, confie em mim. Eu conheço


pessoas. Fiz isso por tempo suficiente para te dizer que eles
estão fodendo.

Nós ficamos em silêncio e eu esperava que ela estivesse


começando a entender como era ser um verdadeiro detetive
particular. A maior parte do trabalho era de espera, paciência
e inteligência. Na maioria das vezes não entrarmos na casa de
alguém e tiramos fotos. Em vez disso, ficamos sentados,
esperando e observando, aprendendo tanto quanto possível e
então deixamos o cliente decidir por conta própria o que é
verdade.

Não podia contar quantos clientes me culparam pela


traição de seu cônjuge, pelo menos no início. Mesmo quando
eles tinham suas suspeitas, não conseguiam entender que
isso era verdade. Mas as pessoas são sempre pessoas,
inerentemente defeituosas e feridas. Eventualmente, eles
veriam a verdade.

— Então vamos falar sobre a noite passada? — Laney


disse finalmente.

Eu olhei de relance para ela.

— Não, nós não vamos.

— Você estava procurando alguma coisa.

— Eu estava bêbado.

— Você não estava bêbado. — ela disse. — Não


totalmente bêbado pelo menos.

Inclinei-me mais próximo a ela.

— Você está certa. Sóbrio o suficiente para lembrar o


quanto parece fofa com o cabelo desalinhado.
Ela corou.

— Não mude de assunto.

— Eu não estou. Estou sempre pensando em como


melhor colocar meus dedos para dentro de sua calcinha e te
fazer gozar.

Ela desviou o olhar e não consegui ler sua expressão.

— Vamos lá. Era algo sobre aquele artigo que você


rasgou. Ambos sabemos disso.

Eu me afastei dela, não querendo entrar nisso.

— É uma longa história.

— Nós não temos mais nada para fazer.

— Desculpe-me, mana. Hoje não.

— Então vai aparecer no meu quarto todas as noites, de


agora em diante? Procurar debaixo da minha cama por
monstros?

— O único monstro em sua vida sou eu. — disse,


sorrindo para ela. — Não se preocupe.

— Não estou preocupada.

— Então você quer que eu apareça no seu quarto todas


as noites?
— Não. — ela disse rapidamente. Um pouco rápido
demais.

— Tem certeza? Eu poderia dormir no outro quarto,


esgueirar-me para o seu depois que nossos pais forem para a
cama, colocar a língua na sua bocetinha até você gemer.

— Você não consegue ficar na mesma casa que sua


mãe. — ela disse.

— Talvez não, mas eu faria você gemer tão alto que teria
que colocar um travesseiro na sua boca. Isso pode valer a
pena.

— Você está mudando de assunto novamente. — ela


murmurou.

— Então, e se eu estiver? Este é um assunto muito mais


interessante.

— Não sei o que aconteceu com você no FBI, mas você


pode me dizer.

Olhei pela janela, em direção à casa normal de


subúrbio. A faca de Lester se projetou, esfaqueando Martin
no pescoço. Sua expressão horrorizada, a risada de Lester.
Minha arma disparando, novamente e novamente, quase
como se eu não pudesse me controlar.

— Eu não preciso de um psiquiatra. — disse. — Mas


você poderia me ajudar de outras maneiras.
— Como?

Eu sorri para ela.

— Deixe-me provar sua boceta no banco de trás.

Ela suspirou e acenou com a cabeça.

— Você nunca desiste.

— Eu vou, assim que você concordar.

Ela não disse mais nada e voltei a vigiar a casa. Mas


mesmo que minha atenção estivesse estritamente no
trabalho, ainda continuei olhando para ela pelo canto do meu
olho.

Laney era quase um mistério para mim. Talvez eu


pudesse adivinhar que tipo de pessoa ela era, mas isso não
significava que a conhecia totalmente. Poderia adivinhar de
onde ela era e o que fazia, mas isso não me mostrou tudo
sobre ela.

Por exemplo, não me disse por que continuou vindo aqui


depois que invadi seu quarto na noite anterior para verificar
se havia algum assassino em série lá.

Ela também não explicou por que não consegui tirá-la


da minha cabeça. Desde o incidente que me fez deixar o FBI,
descobri que meu apetite por mulheres diminuiu
significativamente. Antes disso, eu estive com muitas de
todas as formas e tamanhos. Mas Laney foi a primeira a me
puxar de volta à realidade e que me faz querer arrancar suas
roupas.

Não consegui tirar a imagem da saia curta da minha


cabeça. Eu queria tocar sua calcinha, para sentir o ponto
encharcado, para fazê-la tremer e gemer sob o meu toque.
Sabia que ela nunca esteve com um homem como eu antes.
Poderia dizer por todas as vezes que ela olhou para meu
corpo e minhas tatuagens.

Mas ela era minha irmã, o que era a parte fodida. Além
disso, era minha funcionária, embora minha mãe estivesse
pagando o salário dela.

E cada segundo que ela passava perto de mim a


colocava mais em perigo. Então por que não a mandei
embora ainda?

Porque eu ainda esperava que não fosse verdade.

Eu não sabia ao certo quanto tempo passou. Consegui


me distanciar, ao observar o imóvel enquanto o tempo
passava e caia em uma meditação silenciosa.

E então eu vi o roupão rosa novamente, mas desta vez


não era na porta da frente.

— Janela superior. — disse.

— Hã? — Laney perguntou, olhando por cima de seu


celular.
— Olhe.

Entreguei-lhe a câmera e ela olhou através do visor.


Levou um segundo e então ela começou a tirar fotos.

— Puta merda. — ela disse.

Eu ri quando ela tirou fotos. Mesmo sem o zoom da


câmera, eu podia ver claramente a mulher e o homem em
frente da janela se beijando suavemente. Foi quase um
momento de ternura e provavelmente um compartilhado
muitas vezes. Estava disposto a apostar que isso os arriscaria
a serem pegos, embora a ideia de que alguém estivesse
observando nunca parecia possível realmente.

— Tem que ser prova suficiente. — disse Laney.

— Mais do que suficiente.

— Estou quase decepcionada.

— Por quê? Isto é mais do que normalmente recebo.

— Não, quero dizer com ela. — ela fez uma pausa e


abaixou a câmera. — Ela parecia tão normal.

Eu gentilmente tirei a câmera dela.

— Ela é ainda normal, Laney. — Tirei mais algumas


fotos, até que eles desapareceram. — Vamos. Vamos dar o
fora daqui.
Ela concordou, mas não disse nada. Eu liguei o carro, o
motor rugindo para a vida, e voltamos para o escritório.

Tranquei-me no banheiro para revelar o filme enquanto


Laney se ocupou com o seu laptop. Eu não estava muito
preocupado com isso enquanto passava pela rotina habitual.

A revelação de fotografias era reconfortante. Eu gostava


e sabia exatamente que produtos químicos usar e em qual
proporção e ordem, e sabia como terminava. O produto final
era por causa de minhas próprias mãos.

Além disso, foi uma desculpa para olhar novamente o


arquivo. Uma vez que o filme foi pendurado para secar, fui
até a parte de trás do vaso sanitário e peguei a pasta com
uma faixa gravada. Sentei no banco e abri o arquivo.

Lester Seed. Quarenta e três anos, solteiro, loiro cabelos


e olhos castanhos. Um metro e noventa e 200 quilos. Ele
falava com um ligeiro balbuciar, mas todos o descreveram
como amigável. Alguns vizinhos foram mais longe ao dizer
que era o homem mais gentil que já conheceram.

Ele se ofereceu para cuidar de crianças, que foi um


detalhe que sempre me fez tremer. Trabalhou como corretor
de seguros para uma grande empresa e nunca teve uma
única reclamação de um superior.

De modo geral, Lester parecia normal.

Mas não era.


Levamos mais de um ano para localizá-lo. Eu não
poderia dizer o porquê, mas havia algo sobre o caso que me
atraiu quase que imediatamente. Ele ficou em nossa gaveta
de casos sem solução por anos e por qualquer motivo o tirei
de lá e comecei a trabalhar nele desde o início.

Eu encontrei os mesmos obstáculos como todos os


outros. Cada vítima teve os dedos removidos e havia sinais de
abuso sexual, mas nunca houve qualquer DNA. Nenhuma
testemunha ocular e muitas vezes nós não pudemos
identificar corretamente as meninas. Eram sempre meninas,
jovens garotas, mas nunca com menos de dezoito anos.
Lester era um assassino e um doente, mas nunca fez mal a
crianças.

Pelo menos, descobrimos isso mais tarde.

Sugou-me o corpo, a mente e a alma. Meu parceiro,


Martin Rodriguez, não achou nada disso na época. Ele
costumava brincar que eu estava tentando resolver o
insolúvel, e que não deveria perder minhas horas preciosas
com casos inúteis.Mas a cada noite eu voltava para o arquivo.
Nós o chamávamos de assassino dos dedos naquela época
por falta de um nome melhor.

Ele fez mais de doze vítimas pelo que sabíamos.


Suspeitamos que pudesse ter mais de vinte anos,
especialmente desde que os corpos variavam tanto no tempo.
Estava ativo por mais de quinze anos e estávamos
preocupados que pudesse ir mais longe.
Eu trabalhei nesse caso mais do que já havia trabalhado
em outro caso em minha vida. Era obcecado, caindo mais e
mais no fundo do poço, enquanto aprendia mais sobre a
cidade. Ele fez sua base na cidade de Wilder, Mississippi, um
lugarzinho como Mishawaka. Talvez fosse isso o que me
atraiu para ele desde o início.Talvez eu estivesse tentando
vingar os fantasmas das meninas mortas porque sentia que
conhecia cada uma delas.

Fiz minha primeira descoberta depois de um mês. Notei


um padrão para os corpos com base na geografia e quando
traçamos o padrão para algumas conclusões lógicas,
achamos mais corpos.

E mais corpos significavam mais provas. De repente, o


caso do assassino dos dedos foi reaberto. Encontramos mais
seis vítimas, uma das quais remontava de vinte anos atrás.

Aquela garota de vinte anos atrás foi o maior erro de


Lester. Percebi que ela foi sua primeira vítima, embora eu
ainda não soubesse disso.

Lester Seed ainda assombrava meus sonhos. Lester foi


um dos homens mais inteligentes, mais perigosos com quem
me deparei mesmo como um agente do FBI que tratava
exclusivamente com homens inteligentes e perigosos.

E estava apavorado que estivesse de volta. Ele deveria


estar morto, baleado no peito por minha arma. Deveria estar
enterrado em algum lugar, lá no fundo.
Mas a garota sem dedos e os outros corpos que
continuavam surgindo diziam o contrário.

Eu balancei minha cabeça, tentando dissipar os


fantasmas.

Talvez fosse apenas coincidência. Talvez tenha sido


apenas um imitador. Mas eu estava com um pressentimento,
uma pedra afundando na minha barriga, que me fez pensar
que algo horrível estava acontecendo. Algo que estava fora do
meu alcance.

— Já terminou? — ouvi Laney perguntar.

Olhei para cima, surpreso. Deve ter ficado no banheiro


por muito tempo.

— Sim. — respondi, empurrando o arquivo para o


esconderijo às pressas.

— Acabei.

Olhei para meus pés. Eu não terminei com Lester. Ele


não estava me deixando ir.

Abri a porta e rapidamente a fechei atrás de mim.

— Você vai se transformar em um vampiro se ficar lá


por mais tempo. — disse Laney, sorrindo.

Eu sorri de volta.

— Se você soubesse.
Capítulo 7

Laney

Ela parecia irritada.

— Não acredito.

Vi a mulher folhear as fotos que Easton entregou para


ela. Ela estava na casa dos 50 anos, não exatamente em sua
melhor forma física, mas eu poderia dizer que ainda era
bonita por baixo de todo o estresse. Francamente, ela estava
abatida.

— Lamento. — disse Easton — Mas é verdade.

— Marcy nunca faria isso.

Inclinei-me contra o gabinete e franzi a testa.

— Sinto muito, Senhora Jenkins, mas é a verdade. Eu


estava lá, também.

— Ela me deu um olhar sujo. — Quem é esta?

— Minha assistente. — disse Easton.

— O que uma garotinha boba está fazendo para ajudar


você?
Eu olhei para ela. Nunca conheci um estranho que me
insultasse aleatoriamente. Easton me olhou e então se voltou
para a Senhora Jenkins.

— Sinto muito sobre seu marido, Senhora Jenkins, mas


esta é a verdade.

Ela acenou com a cabeça violentamente.

— Não. Não com a Marcy. — ela olhou para mim. — Isso


é culpa sua, aposto. Você tirou essas fotos. Não sabe o que
está fazendo. — ela parecia histérica.

Não podia acreditar que estava me culpando, mas


estava começando a entender o que Easton queria dizer.
Pessoas vinham até ele quando estavam desesperados. De
muitas maneiras, era o último recurso para estas pessoas e
muitas vezes não estavam exatamente na melhor forma
mental ou financeiramente. O trabalho de Easton era
confirmar as suspeitas, mas muitas vezes a verdade era bem
pior.

Perguntei-me se era melhor alguém saber. Pelo menos


essa mulher sabia que não devia confiar mais em sua melhor
amiga e no seu marido. Pelo menos agora ela poderia seguir
em frente, mesmo que fosse doloroso.

— Eu tirei as fotos. — disse Easton. — Sinto muito,


Senhora Jenkins.

Ela se recostou na cadeira, derrotada.


O olhar dela era quase comovente. Nunca antes vi um
olhar adulto tão destruído e deprimido antes. Ela estava à
beira de lágrimas.

Fui até ela e me ajoelhei ao lado de sua cadeira.

— Sinto muito. Vai ficar tudo bem.

E então aconteceu tudo tão rápido. Easton ia dizer algo


quando estendi a mão para confortar a Senhora Jenkins. No
entanto, ela reagiu tão rápido que não tive tempo para
pensar. De repente, seus braços me empurraram para trás,
derrubando a caneca de café na mesa de Easton,
esparramando o café.

— Fique longe de mim! — ela gritou.

Olhei minhas mãos, cobertas de café. A mulher parecia


um cão acuado em um canto. Easton saiu rapidamente de
trás de sua mesa.

— Você está bem? — perguntou.

— Tudo bem. — eu disse, levantando.

A Senhora Jenkins olhou e lentamente recuperou o


controle de si mesma.

— Sinto muito. — ela disse. — Sinto muito mesmo.

— Está tudo bem. — eu disse. — Estou bem.


— Vá se limpar no banheiro. — Easton disse baixinho
no meu ouvido. — Vou cuidar dela.

— Estou bem. — eu disse de volta e ele assentiu.

Saí, indo para o banheiro. Fechei a porta atrás de mim,


me inclinando contra a parede.

Estava bem, mas abalada. Nunca vi uma pessoa reagir


assim, com tal instinto animal e repulsa. Easton
provavelmente estava tentando me avisar para ficar longe e
não tentar tocá-la; Ele provavelmente já viu isso antes. Para
mim, porém, foi totalmente novo e me abalou seriamente.

Dei um suspiro e olhei para baixo. Então, algo chamou


minha atenção. Parecia que um pedaço de pasta de um
arquivo estava aparecendo atrás do vaso sanitário. Era só um
canto, mas definitivamente estava lá.

Curiosa, ajoelhei perto do vaso e peguei a pasta.


Encostada na parte de trás do vaso sanitário estava uma
pasta grossa. Sem pensar, tirei-a de lá.

Era pesada e cheia de imagens. Escrito na guia estava


as palavras "O assassino dos dedos" em tinta preta.

Sentei no vaso sanitário e abri a pasta.

A escrita era sua caligrafia. Era de Easton, obviamente


de quando trabalhou para o FBI. A primeira página era um
relatório de campo, realmente seco a princípio até chegar na
descrição de cena de crime.
Garota morta, dedos faltando, possível agressão sexual.
Sem DNA ou qualquer outra evidência encontrada.

Num piscar de olhos, de repente me lembrei do dia que


Easton foi ver se eu estava bem. Isso aconteceu logo depois
que ele leu a história sobre uma mulher que teve os dedos
cortados.

Tinha que ser uma coincidência. Mas, então, por que


estava escondendo um arquivo de mim?

Nervosa, abri a torneira da pia para mascarar qualquer


som que eu fizesse. Sabia que devia colocá-la de volta no
lugar e não ler, mas não pude me conter. Isto poderia ser a
razão pela qual ele ficou tão zangado comigo por mexer nos
arquivos dele quando comecei.

Foi como o Santo Graal. A coisa certa a fazer era colocá-


la de volta e fingir que nunca vi. Mas a coisa errada parecia
bem melhor.

Comecei a ler, folheando o arquivo. Havia fotos e mais


fotos, de cenas de crime, corpos e tentei pular aquelas partes.
Mas o que mais me incomodou foi à narrativa que começou a
ficar coesa.

Lester Seed era um assassino, um assassino em série


agindo na área de Dallas. Ele fez um monte de vítimas,
percebi pelo menos dez enquanto lia por cima, provavelmente
havia mais. Alguns dos casos datavam de muito tempo e
parecia que quanto mais eu folheava o arquivo, mais a
caligrafia mudava.

Foi claramente escrito por pessoas diferentes. Mas


Easton e seu parceiro eram os nomes mais recentes que
apareciam sempre.

Lester Seed. Ele quase foi pego acidentalmente.


Aparentemente, eles encontraram uma vítima antiga, muito
antiga, conseguiram um pouco do DNA de seu corpo. Talvez
tivesse sido descuidado no início, Easton especulava em
algumas notas de campo. Talvez quisesse ser apanhado um
dia.

Easton e seu parceiro, Martin, encontraram Lester


quando seu DNA combinou com o de um banco de dados de
doadores de sangue. Eles o vigiaram, o seguiram, foram
horas incontáveis de observações.

E então algo aconteceu.

Meus olhos se arregalaram ao ler o último relatório de


campo, os terríveis detalhes cada vez mais evidentes.

Lentamente entendi exatamente por que Easton havia


deixado o FBI e porque estava bebendo tanto.

Easton estava convencido que Lester estava prestes a


matar novamente. Ele pressionou para que a agência fizesse
alguma coisa, mas eles não tinham provas suficientes e
queriam continuar a observar. Indo contra as ordens, Easton
seguiu Lester Seed para a casa dele e o confrontou.

Seed se tornou violento. Na perseguição e luta que se


seguiu Martin Rodriguez foi esfaqueado no pescoço e acabou
morrendo no hospital por seus ferimentos. Easton atirou em
Seed quatro vezes no peito, matando-o instantaneamente.

Eu não podia acreditar no que estava lendo. O parceiro


de Easton foi assassinado, e Easton matou um homem. Tudo
em um único momento. Tudo em algum acidente bizarro.

Então alguém bateu na porta.

Eu quase tive um ataque cardíaco.

Meu coração estava acelerado e minha mente estava


presa imaginando aquela noite. Lester correndo pela sua casa
e depois saindo de trás de uma porta, esfaqueando o pescoço
de Martin. Eu só podia adivinhar o medo e as emoções que
Easton sentiu naquele momento e agora.

— Você está bem? — eu o ouvi dizer.

— Sim, bem. — disse rapidamente. Fechei a pasta e cai


de joelhos, colocando-a suavemente no lugar que estava.

— Você caiu?

— Eu não caí — eu disse, irritada.


Rapidamente me levantei, agarrei o papel higiênico e
comecei a esfregar na minha calça. Abri a porta depois de um
segundo.

Ele sorriu para mim.

— Louco, hein?

— Totalmente insano. — respondi.

Mas não pude deixar de ver a pessoa que estava


escondida atrás de seu olhar, a pessoa que perdeu seu
parceiro. A pessoa que chegou muito perto de um caso e
perdeu tudo.

— Isso não é o pior que já vi. — ele disse.

— Ela foi embora?

Ele assentiu.

— Não a veremos novamente. — fez uma pausa e o vi


olhar rapidamente para o banheiro. Segurei minha
respiração, mas olhou para mim e sorriu. — Muito bem pago,
no entanto.

— Oh, isso é bom. — eu disse e comecei a limpar minha


calça novamente.

— Precisa de ajuda com isso? — perguntou.

— Acho que posso lidar com isso sozinha.


— Bom. Sou bom em te deixar molhada, de qualquer
maneira.

Dei-lhe um olhar fulminante.

— Que tal um pouco de privacidade.

— O que você quiser, mana. — ele se virou e saiu.

Fechei a porta atrás dele e soltei um longo suspiro.

Eu não sabia o que deveria fazer com esta informação,


mas isto mostrou que algo assustador estava acontecendo. O
artigo mencionou que o corpo estava relativamente perto,
Mishawaka e Easton estava claramente paranoico se estava
disposto a ir ver se eu estava bem.

De alguma forma Lester Seed sobreviveu? Eu não podia


ver como, não baseado no que li. Mas entendi porque Easton
estava preocupado. Seed tinha um estilo particular de matar
e esse assassinato combinava muito bem. Tanto quanto se
poderia dizer, Lester Seed voltou dos mortos.

Mas as pessoas não voltam dos mortos.

Passei o papel seco na minha calça e limpei


rapidamente. Precisava me recompor antes de sair e olhar
para Easton novamente.

Tantas coisas estavam de repente se encaixando e


desencadeavam tantas outras perguntas.
Eu sequei minhas mãos, abri a porta e entrei no
escritório, não tendo certeza sobre nada.
Capítulo 8

Easton

Não houve uma única chamada o resto do dia.

O dinheiro da senhora louca pagaria meu aluguel e


talvez comprasse alguns mantimentos, mas precisava de
mais clientes, de preferência aqueles que pagavam mais e que
precisavam de alguém para um trabalho de longo prazo.

Infelizmente, as cidades pequenas raramente tinham


grande necessidade de um detetive particular, o que
significava que constantemente eu ganhava apenas o
suficiente para sobreviver. O que me agradava mais ou
menos; nunca me importei antes. Mas de repente, com Laney
perto, importei-me com as condições do escritório, importei-
me com a necessidade de manter a eletricidade funcionando.

Nenhuma ligação o dia todo. Olhei Laney enquanto ela


olhava preguiçosamente seu feed no Twitter.

— Vamos fazer alguma coisa. — eu disse.

Ela olhou para mim.

— O que você tem em mente?


Era uma ótima pergunta. Desde a explosão da mulher
no dia anterior, Laney parecia estranha, talvez um pouco
distante.

— Vamos. — eu disse, pegando minhas chaves da mesa.

— Aonde nós vamos?

— Você vai ver. — ela me olhou por um segundo antes


de fechar a tampa do seu laptop e seguir-me para fora.

— Ainda está interessada em justiça criminal? —


perguntei-lhe quando nós entramos no carro. Eu liguei o
carro entrando no trânsito da cidade.

— Por que não estaria?

— Porque a maioria dos clientes é como ela.

Laney ficou quieta por um segundo.

— Ela apenas estava sofrendo.

— Sim, ela estava.

— As pessoas precisam mais das outras quando estão


sofrendo. Mesmo que eles os afastem.

— Você pode estar certa. Mas ficou coberta de café.

— Você está com ciúmes.

— Do quê?
— Ela conseguiu me molhar facilmente.

Eu olhei para ela e então comecei a rir.

— Laney, você está flertando com seu meio-irmão?

— Flertando? É o seu desejo.

Eu sorri para ela.

— Eu amo quando você finge que não pensa em mim


todos os dias no chuveiro.

— Você é a coisa mais distante de minha mente.

— Duvido. Tenho certeza que quer saber como seria se


eu colocasse meu pau dentro de você.

— Aonde nós vamos?

Observei enquanto as árvores passavam. Estávamos


fora da cidade, indo para a fronteira de Mishawaka. Não
sabia se ela já foi antes onde estávamos indo, mas era um
dos meus lugares favoritos em toda a cidade. Eu não fui lá
desde que voltei para casa, e pensei que era o que ela
precisava para sair de sua tristeza.

— Você logo vai descobrir. Nós já estamos perto.

Dirigi um pouco mais enquanto ela brincava com o


rádio. Reduzi a velocidade e acendi os faróis. O sol ainda não
estava alto, mas as árvores estavam lançando longas
sombras. Finalmente, avistei a saída. Era uma pequena
estrada de terra, levando para a floresta.

Nós saímos da estrada principal e entramos na pista de


terra.

— Ok, agora eu não faço ideia de onde estamos. — ela


disse.

— Bom. — sorri para ela. — Não acredito que você é


uma nativa e nunca esteve aqui antes.

Pegamos a estrada de terra por mais dez minutos,


enquanto Laney tentava desesperadamente defender seu
status de nativa. Na maioria das vezes eu grunhi em
resposta, prestando atenção na estrada à nossa frente.
Enfim, finalmente, a estrada se abriu em uma pequena
clareira.

Tirei o carro para o lado.

— Aqui estamos.

Ali à frente estava um rio grande. Era o rio que ficava ao


longo da fronteira de Mishawaka e o condado vizinho.
Estendendo-se sobre a água havia uma ponte incrivelmente
velha, feita de aço e madeira.

Saímos do carro.

— Eu nunca vi isso antes. — Laney disse.


— É meu lugar favorito. Vamos lá. — caminhei com
confiança em direção à ponte.

— Não vamos nessa coisa. — ela chamou para voltar.

Virei e andei em sentido contrário.

— Não me diga que você tem medo, mana.

— Não tenho medo.

— Eu não penso assim. — virei e fui para a ponte.

Entendi sua hesitação. A ponte parecia algo saído de um


filme de terror, especialmente de um filme de zumbi. Ela não
era usada há muito tempo e havia plantas nas laterais. O aço
estava começando a enferrujar em alguns lugares e algumas
tábuas de madeira estavam ligeiramente apodrecidas.

Mas eu sabia que era firme. Há muito tempo atrás eu


costumava pescar aqui, quando meu pai ainda estava vivo.
Ele faleceu de câncer e nunca me esqueci de que ele
costumava levar para a ponte.

Inclinei contra o corrimão, olhando para a água. Nem


percebi quando Laney apareceu ao meu lado.
Silenciosamente ficamos assim por algum tempo, ouvindo os
pássaros e observando a água.

— É muito bonito aqui. — ela disse.

— É.
— Como sabia desse lugar?

— Meu pai. Nós costumávamos pescar aqui.

Ela assentiu com a cabeça.

— Ele morreu, certo?

— Sim. Câncer.

— Sinto muito.

Dei de ombros, batendo meu ombro contra o dela.

— Foi há muito tempo. Mas é um dos meus lugares


favoritos na cidade. Desde que voltei ainda não havia vindo
aqui.

— É mesmo? Por que não?

— Não tenho certeza. Apenas não senti vontade até


agora.

— Estou feliz que você me trouxe.

Fiquei perto dela, sentindo meu coração bater forte no


peito. Percebi naquele momento que embora estivesse
dizendo a mim mesmo que a nossa viagem era para animá-la,
era realmente tudo para mim.

Porque eu queria compartilhar esse lugar com Laney.


Eu não queria que tudo que ela soubesse sobre mim fosse
apenas sobre o trabalho, sobre as partes de merdas da
natureza humana. Queria que soubesse sobre as coisas boas.

E ela parecia muito bem. Sua camiseta era apertada e


combinava com um minúsculo short, seus longos cabelos
caindo em cascata nas costas. Podia sentir meu pau mexendo
quando comecei a me imaginar a fodendo pressionada contra
a grade ao ar livre para qualquer um ver.

Ela parecia sentir o que eu queria, ou talvez estivesse


apenas com frio. Chegou mais perto, nossos ombros se
tocando.

— Você tinha uma reputação, você sabe. — ela disse.

— Que tipo de reputação?

— Na escola. Você é um pouco mais velho, mas ouvi


falar de você.

— Provavelmente era tudo mentira.

Ela riu.

— Sim, talvez. Aparentemente você era um grande


mulherengo.

Hesitei.

— Isso pode ser verdade.

Ela levantou uma sobrancelha e olhei para ela, sorrindo.


— Sério?

— Estive com uma garota ou duas.

— Mais como toda menina mais ou menos atraente na


sua turma.

— Isso é um exagero. — respondi. — Talvez toda garota


totalmente atraente.

Ela riu novamente e abanou a cabeça.

— Você provavelmente nem sequer me notou na época.

— Não, não. Mas eu noto você agora.

— Sim, porque somos parentes.

— Eu notaria você mesmo se minha mãe não tivesse se


casado com seu pai.

Ela virou-se para mim, mordendo o lábio.

— Por que me trouxe aqui, Easton?

Virei em sua direção, olhando em seus olhos. Estendi a


mão e pegando delicadamente seu cabelo, puxei-a para mim.
Ela engasgou e os lábios dela se abriram enquanto eu
apertava minha boca contra sua orelha.

— Porque eu queria que visse isto. — respondi


suavemente. — E porque quero você sozinha.

— Estamos sempre sozinhos.


— Talvez, mas não desse jeito.

— Ela pôs seu braço em volta de mim, pressionando seu


corpo contra o meu.

— E agora?

Eu recuei levemente.

— Agora quero que você finalmente admita que fica


molhada toda vez que me vê.

— Não vai acontecer.

Eu sorri, chegando mais perto.

— Não precisa dizer com palavras.

Então eu pressionei meus lábios contra os dela,


beijando-a com força e fome.

Ela empurrou o corpo dela contra o meu com mais força


quando sua língua entrou na minha boca, me beijando com
abandono. Sabia que era o que eu precisava o que precisava
o tempo todo, desde que voltei para Mishawaka, bem antes de
notá-la.

E o jeito que ela me beijou de volta significava que


também precisava.

Arrepios percorreram minha espinha quando nossos


corpos se juntaram lábios e bocas pressionadas, seu gosto
fresco entrando no meu. Minhas mãos desceram para agarrar
os quadris dela, puxando-os para mim com força. Segurei
sua bunda e ela soltou um gemido suave na minha boca.
Meu pau estava praticamente rasgando minha calça.

Senti uma vibração nas minhas calças.

Ela se afastou ligeiramente, as bochechas vermelhas.

— O telefone.

— Foda-se meu telefone.

— Poderia ser um cliente. — ela disse suavemente. —


Pode ser importante.

Fiz uma careta, mas tirei o celular do meu bolso. Apertei


o botão e o segurei na minha orelha.

— Sim? — resmunguei.

— Easton, é sua mãe. — disse Susan.

— O que você quer? Estou ocupado.

— Algo aconteceu. Pode ir à delegacia de polícia o mais


rápido possível?

Senti meu coração bater mais forte. Afastei-me de Laney


e ela me olhou confusa e preocupada.

— O que está acontecendo? — eu perguntei.

— O xerife quer falar com você.


— Sobre o quê? Minha licença está atualizada. Eu não
quebrei nenhuma lei. — recentemente, pelo menos.

Ela fez uma pausa.

— Não devia dizer isto, mas sei que não tem outra
forma. Houve um assassinato e o xerife Sloan quer sua
opinião.

Eu não respondi de imediato e minha mente começou a


corrida. Se Sloan estava envolvido com um assassinato, isso
significava que aconteceu em Mishawaka. Isso significava que
aconteceu em minha cidade natal.

E se eles queriam a minha ajuda, eu estava disposto a


apostar que era horrível.

Finalmente ele está aqui, pensei.

— Eu estarei lá em breve.

— Obrigada, Easton.

Desliguei o telefone e coloquei de volta no meu bolso.

— O que foi isso?

— Temos que ir.

Ela deu alguns passos em minha direção, mas já estava


voltando para o carro. Eu a vi hesitar e depois me seguir.
Entramos juntos e liguei o motor, dando a volta na clareira e
indo em direção a rodovia.
Nós dirigimos em silêncio. O beijo, seu corpo, sua bunda
perfeita, seu gosto, tudo foi esquecido quando minha mente
se aprofundou em uma coisa.

Lester Seed estava de volta. Não sei como, ou de que


forma, mas Seed estava matando novamente. E ele estava
atrás de mim, lentamente, mas seguramente. Estava disposto
a apostar que havia alguma mensagem para mim nesta cena
do crime. Ou talvez o FBI já tivesse contado a Sloan sobre o
meu passado com Seed.

— Vou deixar você em sua casa. — disse à Laney.

— Ok — ela disse. — O que está acontecendo?

— Minha mãe precisa de ajuda com alguma coisa.

— Oh. — ela fez uma pausa, olhando pela janela. —


Você pode falar comigo, você sabe.

— Certo. Eu sei.

Ela olhou para mim.

— Mesmo. Você pode me dizer o que está acontecendo.

— Não é nada. Vou deixá-la e então nos vemos amanhã


de manhã.

— Tudo bem. — ela se virou para a janela enquanto um


silêncio pairava sobre nós.
Nem notei, no entanto. Estava muito ocupado
percorrendo cenários em minha mente, tentando descobrir
como Seed estava de volta e matando novamente. Laney
estaria a salvo em casa, especialmente se o pai dela estivesse
lá.

Chegamos a casa dela e eu estacionei na frente.

— Feche as portas. — eu disse.

Ela me olhou por um segundo.

— Ok.

— Ligue o alarme, se você tem um.

— Ok. Eu vou.

Ela saiu e eu abri a janela.

— Não abra a porta para ninguém. — falei atrás dela.

Ela acenou e depois desapareceu dentro da casa.

Olhei para a porta, a raiva lutando com a confusão.

Finalmente, fui em direção à estrada. A raiva venceu. Eu


ia ver a obra de Seed de perto novamente.

E eu ia pegá-lo, de uma vez por todas.


Capítulo 9

Laney

Observei enquanto Easton se afastava, o carro levantava


poeira.

Houve uma mudança instantânea nele assim que falou


ao telefone com a mãe dele. Algo grave aconteceu, mas ele
não parecia disposto a falar sobre isso. Isso era bem comum
para Easton; Estava mais interessado em manter tudo
trancado.

Parte de mim desejava que não tivesse dito para ele


atender o celular. Parte de mim desejava que tivesse ficado
um tempo mais longo, visto para onde aquele beijo estava
indo.

Eu fazia ideia. Ainda podia sentir minha boceta


encharcada, ainda podia sentir o frio persistente de seus
lábios contra os meus, a emoção em todo o meu corpo
enquanto ele pressionava o corpo contra o meu. Nunca antes
um cara que me deixou assim, mas eu absolutamente amei.

Nós nunca poderíamos contar a alguém sobre isso.


Realmente nunca faríamos isso novamente. Éramos meios-
irmãos e só podia imaginar como nossos pais reagiriam se
soubessem.
Precisava ter cuidado com ele. Realmente estava me
ensinando muito sobre o que significava ser um agente de
campo, mas era perigoso. Meus sentimentos por ele eram
perigosos. Tudo girando em torno de nós estava misturado
com perigo e emoção, e eu estava começando a perguntar se
isso foi o que me atraiu nele.

Entrei em casa e fui para a cozinha, deixando minha


bolsa no chão com um bufo.

— Algo errado, querida?

Quase morri de susto.

— Pai. Você me assustou.

— Desculpe-me. — ele se afastou da janela, com uma


bebida na mão. — Easton te deixou aqui?

— Sim, ele fez.

Ele assentiu.

— Susan me ligou. Aparentemente, algo aconteceu na


cidade. Uma menina morreu.

Senti um congelamento agudo percorrer minhas costas.

— É mesmo? Aqui?

— Sim, eu sei. Aparentemente é muito ruim. Eles


queriam que Easton fosse dar uma olhada, ver se ele poderia
ajudar.
Eu balancei minha cabeça, sem saber o que fazer.

— Isso é loucura.

Isso explicava por que ele queria que eu trancasse as


portas e ligasse o alarme. Easton pensava que Seed estava de
volta e provavelmente pensou que este assassinato tinha
alguma ligação com ele.

— Querida? Você está bem?

Olhei para cima, afastando o pensamento do assunto.


Papai estava me encarando, um olhar preocupado no rosto.

— Estou bem. Sinto muito.

— Sente-se. Eu vou fazer alguma coisa para você comer.

— Não. Tudo bem. Não precisa.

— Eu insisto. Não cozinho para minha filha há... Quanto


tempo?

Eu sorri suavemente e me sentei junto à ilha.

— Anos pelo menos.

— Anos. Como isso aconteceu? — ele começou a


vasculhar a geladeira.

— Pai, como conheceu Susan?

Ele surgiu com uma braçada de ingredientes e começou


a cozinhar.
— Bem, vamos ver. Já nos conhecemos há muito tempo.
Você sabe como é Mishawaka.

— Sim, eu sei.

— Mas a primeira noite que começamos a nos ver, bem,


deve ter começado em uma festa beneficente.

— E como sabia que queria casar com ela?

Ele fez uma pausa e levantou uma sobrancelha para


mim.

— Por que você está perguntando?

— Eu não sei. Estou curiosa.

— Bem, — disse ele, continuando — Isso é difícil. Acho


que a certa altura percebi que eu era mais feliz com ela do
que sem e queria fazer algo para tornar esse sentimento real.

Balancei a cabeça. Isso fez todo o sentido, embora fosse


um pouco estranho ouvir meu pai dizer isso. Na verdade,
nunca tivemos uma conversa assim em toda a nossa vida.

O cheiro de comida lentamente começou a encher a


cozinha.

— Como é trabalhar com Easton? — meu pai perguntou.

— Tudo bem, eu acho.

— Você acha?
— Ele é um pouco difícil.

Meu pai sorriu.

— Foi o que ouvi de Susan. Mas aparentemente é muito


bom.

— Ele é, na verdade. — hesitei, não tendo certeza de


quanto eu queria falar. — Você sabia que ele ajuda as
pessoas daqui?

— O que você quer dizer?

— Bem, ele faz vários trabalhos a preço baixo.

— Parece interessante. O que ele fez recentemente?

Papai começou a refogar alguns legumes enquanto uma


massa começou a cozinhar em uma panela grande. Senti meu
estômago reclamar e percebi que estava com mais fome do
que pensava.

— Bem, ele ajudou uma família com um senhorio durão.


Foi incrível.

Pai assentiu.

— Parece um cara legal.

— Você sabe por que ele deixou o FBI? — deixei escapar.


Eu não fazia ideia por que perguntei. Já sabia a história,
mais ou menos. Vi no seu arquivo, o arquivo que não deveria
saber que existia.

Mas queria que meu palpite fosse confirmado. Queria


alguém que contasse tudo, porque até agora Easton não
passava de um mistério para mim. Mantinha-se tão fechado
que não importava o quanto eu quisesse desvendá-lo, ele não
cederia.

— Ninguém te contou ainda? — meu pai perguntou.

— Não. E não vou perguntar para ele.

— Provavelmente é uma boa decisão. — ele disse, rindo.


— Bem, pelo que Susan me disse, Easton estava envolvido
com uma investigação de assassinos em série.

Balancei a cabeça.

— Ele me disse isso.

— Há um ano, estava caçando um tipo particularmente


desagradável. Realmente nojento aparentemente. De qualquer
forma, Easton estava totalmente envolvido com este caso,
realmente nele. Ele acabou encontrando o cara, mas em vez
de esperar os reforços chegarem, tentou capturar o cara. —
meu pai deixou o que estava fazendo e olhou para mim. —
Seu parceiro foi morto nesse confronto, junto com o
assassino. Easton demitiu-se após isso, embora eles o
liberariam de qualquer maneira.
— Uau. — foi tudo o que eu pude dizer.

Não era uma história nova para mim, mas ouvindo de


meu pai fez tudo parecer mais real. Por alguma razão, parte
de mim imaginou que Easton não poderia ter feito algo assim,
não deveria ter passado por isso.

Mas ele fez. Cometeu um erro que custou a vida de seu


parceiro e agora estava afundando nele.

Pior, ele estava lidando com isso tudo novamente.


Porque o assassino que achou que estava morto voltou.

— Não sei o quanto dessa história é verdade. — papai


disse. — Vem de segunda mão. Talvez até terceira mão.

— Ok. Eu entendo.

— Estou surpresa que Susan não tenha contado a você.

— Acho que ela estava protegendo Easton. Eu também


não tenho visto você muito.

Papai suspirou.

— Desculpe por isso. Eu sei que estamos ocupados.

— Estou também, estou no escritório de Easton o dia


todo.

— Verdade. Ele não está fazendo você trabalhar muito


duro, não é?
Eu corei ligeiramente e desviei o olhar. A memória do
corpo sem camisa de Easton, atravessando o escritório,
pressionando contra mim, me beijando, sussurrando no meu
ouvido, me fez ter que cruzar as pernas.

— Não. Está tudo bem.

— Bom.

Papai voltou a cozinhar e eu fiquei perdida em meus


pensamentos, tentando imaginar o que Easton estava
passando.

Não conseguia decidir se estava realmente em perigo ou


não. Eu sabia que havia assassinatos reais acontecendo nas
proximidades, mas Lester Seed estava morto. Se outra pessoa
estivesse envolvida, eles poderiam saber da minha existência?

Finalmente, papai terminou a refeição. Era um prato de


massa delicioso, com legumes, cobertos de um molho
maravilhoso. Nós comemos juntos, conversando sobre
praticamente nada. Ele falou sobre seu trabalho e eu falei
mais alguns detalhes sobre ser um detetive particular. Ficou
surpreso com o quanto era chato na verdade.

Eu me senti bem de estar tão confortavelmente com meu


pai depois de tantos anos separados. Tive medo deste
momento, quando finalmente ficasse a sós com ele e tivesse
que interagir, mas foi realmente muito bom. Percebi que não
o odiava, até mesmo gostava disso e que estava feliz por estar
em casa.
Nós lavamos os pratos juntos, brincando sobre os velhos
tempos. Quando nós acabamos, fiquei surpresa ao ver que já
eram dez horas da noite.

— Bem. — papai disse, terminando sua bebida. — Hora


deste velho ir dormir.

— Tudo bem. — disse. — Termino aqui.

— Obrigado, garota. — ele beijou minha testa. — Estou


muito contente por você estar em casa.

— Eu também, pai.

— Boa noite. — virou e caminhou para cima.

Comecei a arrumar, secando os pratos, quando de


repente fiquei ciente de que estava completamente sozinha.

Ainda não estava muito confortável na casa. Apenas não


era o que estava acostumada. Era bom, mas não estava na
minha casa. E assim, sozinha na cozinha depois de tanto
tempo pensando sobre assassinatos e assassinos em série, de
repente, senti uma sensação estranha rastejar pela minha
espinha.

Como se alguém estivesse me observando.

Balancei minha cabeça. Isso era estúpido. Estava me


preocupando por nada. Peguei meu celular, mas não havia
nenhuma mensagem. Estava terminando a limpeza; podia
voltar para o meu quarto logo, logo.
Quando guardei o último prato, eu ouvi. Parecia a porta
rangendo, abrindo e fechando, mas não estava certa.

Eu havia trancado antes? Não estava certa. Caminhei


em direção ao corredor que levava para o hall da frente, meu
coração começando a bater mais rápido.

Cada tábua do assoalho rangia sob os meus pés. As


paredes pareciam grandes, e eu podia jurar que vi sombras
movendo-se pelo canto do meu olho.

Estava sendo estúpida. Não havia um assassino em


série, entrando pela porta da frente.

— Oi, mana.

Quase morri de susto. Soltei um pequeno suspiro e dei


um passo para trás, meu coração disparado no meu peito.

— Easton! — disse. — Seu idiota. Você me assustou.

Ele deu um grande sorriso, indo para a cozinha.

— Bom. Isso significa que você está alerta.

Ele carregava uma mochila pendurada no ombro, mas


parecia cansado, ainda mais cansado do que o habitual.

— O que está fazendo aqui? — perguntei.

Ele deixou cair o saco no chão.

— Bem, — ele disse — Estou me mudando.


Olhei para ele por um segundo, o choque se misturando
com o medo. Eu me lembrei do beijo, lembrei-me do perigo.

— Você está falando sério?

Ele assentiu.

— Só por pouco tempo. Só enquanto estou trabalhando


nesse caso.

Inclinei minha cabeça.

— Por quê?

Ele deu de ombros, evitando a pergunta.

— É melhor aqui. Posso me concentrar melhor.

— Não preciso que me proteja. — eu disse rapidamente.

— Nem tudo é sobre você, princesa. — ele disse,


sorrindo para mim.

Eu queria tirar esse delicioso sorriso da cara dele.


Queria beijar seus lábios, fazê-lo me jogar contra a mesa e
finalmente sentir os dedos dele contra minha pele nua.

Mas eu sabia que não podia. Especialmente não na casa


do meu pai.

— Vou para a cama. — disse.

— Ótimo. Exatamente o que eu queria fazer.


— Sozinha.

Ele encolheu os ombros quando me seguiu no andar de


cima, com a mochila.

— Estarei bem ao lado. — ele disse enquanto caminhava


pelo corredor. — Para quando você mudar de ideia.

Parei do lado de fora da minha porta.

— Olha, sobre hoje cedo....

— Eu prefiro não falar sobre isso. — disse baixinho, seu


corpo perto do meu. — Prefiro que apenas me mostre o que
você quer.

— Nós não podemos. — falei. — Você é meu meio-irmão.


Nossos pais são importantes aqui. E todo mundo fala. Você
sabe disso.

— Não vejo ninguém por perto agora.

Balancei minha cabeça rapidamente.

— Nós não podemos. — rapidamente abri a porta e


entrei no meu quarto.

— Azar seu. — comecei a fechar a porta. — Boa noite,


mana.

Fechei a porta e me inclinei contra a maçaneta por um


segundo antes de trancar.
Meu coração estava batendo rápido no meu peito. Não
podia acreditar que Easton estava no quarto ao lado. Ele
odiava sua mãe e não queria ficar na casa, no entanto estava
aqui. Disse que era para ser capaz de se concentrar sobre o
caso, mas eu sabia que não era verdade.

Tanto quanto o queria, as coisas estavam muito


confusas. Se eu fosse completamente honesta, estava com
medo dele. Estava com medo do que eu queria dele e com
medo de seu passado.

Subi na cama com um suspiro. Eu só precisava


esquecê-lo.

O que era muito difícil, considerando que trabalhamos


juntos. E ele estava na porta ao lado, seu corpo musculoso a
poucos metros de distância.

Fechei meus olhos, tentando não me lembrar de como


ele me fez sentir quando estávamos sozinhos na ponte.
Capítulo 10

Easton

O xerife Sloan estava com o ar condicionado no máximo,


mesmo que a noite estivesse relativamente fria. Nós andamos
por toda a noite, em direção à floresta densa. Ele fez um
pequeno desvio para uma trilha de terra, quase idêntica que
eu peguei mais cedo.

Nós ficamos em silêncio, o que me agradou. Eu não


estava muito interessado em falar com Sloan. Ele era um tipo
simpático, mas não fazia ideia de onde estava se metendo.
Como poderia? Mishawaka raramente via crime pior do que
dirigir bêbado.

Hoje, no entanto, Sloan viu o trabalho de um verdadeiro


monstro.

Após mais de dez minutos, vi as luzes vermelhas e azuis


de uma viatura policial à frente.

— A linha está logo ali. — Sloan comentou como se eu


fosse cego.

— Sim. — resmunguei.

— Quando foi à última vez que esteve em uma cena?

— Não o suficiente.
Voltamos ao silêncio quando lentamente paramos ao
lado de uma viatura.

As pessoas andavam por toda parte. Os peritos


perambulavam em seus trajes de anti-contaminação, tirando
fotos de tudo enquanto os vestidos à paisana ao redor
pareciam importantes.

Sloan estacionou e nós saímos.

— Ela está aqui. — ele disse.

Eu assenti e o segui enquanto nos abaixávamos sob a


fita amarela da polícia.

Respirei fundo. Realmente não passou tempo suficiente


desde que fui a uma cena de crime. Memórias vividas se
espalharam, memórias que eu realmente não queria. Martin,
a garganta sangrando, sua pele pálida. Seed no chão, imóvel.
Os outros agentes e o maldito olhar que me deram, como se
eu fosse um criminoso desprezível. Mas não era mais aquele
cara.

Nós passamos pelo pequeno grupo. Notei alguns olhares


em minha direção, mas a presença de Sloan significava que
eles não iam dizer uma palavra.

Sloan parou e se virou para mim.

— Ouvi sobre o que aconteceu com você e o FBI. — ele


disse.
Balancei a cabeça.

— Tudo bem.

— Está pronto para isso?

— Vamos acabar com isso.

Ele me deu um longo olhar. Sloan não era um cara tão


mau, mas eu teria dado qualquer coisa para ficar longe dele.
Estava na casa dos 50 anos com cabelo curto grisalhos nas
laterais e pelo menos 10 quilos extras pendurados em seu
corpo alto. Éramos quase da mesma altura, um pouco acima
de 1,80 e parecia que foi um linebacker em sua juventude.

— Venha. — ele disse e nós andamos os últimos cinco


metros.

E lá estava ela. Deitada e apoiada em uma árvore, uma


mulher com cerca de vinte anos. Pele pálida e cabelos
castanhos. Sua boca estava aberta, mas seus olhos estavam
fechados. As mãos foram colocadas carinhosamente no colo
dela e cada um dos seus dedos foi removido.

Ajoelhei ao lado de um técnico que estava fotografando


as mãos da vítima.

— O que você pode me dizer?

— Vítima, mulher, dezoito a vinte anos, caucasiana.


Ainda sem identificação, mas é só uma questão de tempo.
— Luta?

— Não. Não há sinais de luta. Se eu tivesse que


adivinhar, eu diria que a causa da morte foi uma overdose ou
um veneno.

Concordei, olhando para a garota. Ela parecia como


tantas outras garotas que eu vi, cada uma delas tão jovem,
nenhuma delas merecia o que aconteceu.

— Agressão Sexual? — perguntei.

— Sinais dela, mas não temos certeza.

Assenti com a cabeça e fiquei em pé, caminhando


lentamente ao redor da árvore.

Tudo sobre isso gritava Lester Seed, mas ao mesmo


tempo algo não estava certo.

— O que você acha? — Sloan perguntou.

— Já vi algo assim antes.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Então você sabe quem é este psicopata?

— O nome do cara era Lester Seed. Era, pelo menos.

— O que isso significa?

— Seed está morto. — fiz uma pausa e olhei para ele. —


Eu o matei.
Sloan ficou quieto por um segundo, mas eu pude ver a
surpresa em sua expressão.

— Sabia que você tinha história aí, mas.... — ele parou e


se recompôs antes de começar novamente. — Então este é
ele.

Eu assenti lentamente.

— Ou alguém que trabalhou com ele.

— Um cúmplice. O que ele faz aqui?

— Acho que está me mandando uma mensagem, xerife.

— Que mensagem?

Olhei de volta para o corpo, para a pobre menina.

— Que ele está vindo atrás de mim.

Houve um silêncio no bosque naquele momento,


enquanto assistia a técnica terminar suas fotos. Ela se
levantou e foi na direção das caminhonetes, provavelmente
para deixar o seu filme e pegar outro.

— Mas você disse que não é igual a ele. — Sloan disse


finalmente.

Neguei com a cabeça.

— Seed nunca deixou suas vítimas em céu aberto


assim. O desmembramento ritual, a falta de evidência de
DNA, a agressão sexual, são todos consistentes com Seed,
mas não a maneira como ele deixou o corpo aqui.

— Então, quem quer que seja, está mudando o padrão.

— Parece ser o caso. — comecei a dar voltas na árvore


novamente com Sloan a reboque. — E se não é Seed, então
quem quer que seja pode ficar desleixado. Eu não descartaria
a possibilidade de encontrar alguma coisa.

— Vou dizer aos técnicos para ficar de olho. — Sloan


grunhiu quando paramos de caminhar. — Ele vai fazer de
novo?

Olhei-o nos olhos.

— Eu ficaria muito surpreso se ele não fizesse.

— Foda-se. — o xerife disse suavemente.

— Sim. — respondi. — Foda-se.

Não havia muito a dizer nesse momento. Prometi enviar


meu arquivo de Seed e ele prometeu compartilhar tudo o que
encontrar. Voltamos ao veículo de Sloan e fomos à direção da
cidade.

Minha mente estava uma bagunça, variando pelas


possibilidades. Quem estava matando, se não era Seed?
Definitivamente alguém com uma conexão com ele, mas
também com uma conexão comigo. Alguém que queria me
encontrar e mandar uma mensagem.
Não pude deixar de pensar em Laney. Desejei não ter
atendido o celular, queria apenas tê-la beijado em vez disso,
dizer-lhe para parar de falar.

Mas eu também sabia que ela estava em perigo. Na


verdade, toda a minha família. Não podia descartar a
possibilidade de que quem estava fazendo estas mortes viria
diretamente para mim.

Quando Sloan me deixou no meu escritório e subi as


escadas, tomei uma decisão. Abri a porta do meu escritório e
comecei a arrumar uma mala, às pressas, jogando coisas sem
pensar muito.

Eu ia fazer uma coisa que nunca quis fazer.

Estava voltando para casa da minha mãe.


Capítulo 11

Laney

Eu rolei para fora da cama, os olhos um pouco turvos.


Espreguicei minha cabeça ainda um pouco confusa com o
sono quando abri a porta do meu quarto e segui pelo
corredor.

Não dormi bem na noite anterior. Visões de um


assassino em série entrando pela minha janela mantiveram-
me rolando na cama até que foi quase inútil tentar dormir.

Sem pensar abri a porta do banheiro.

— Ei, mana. — Easton disse.

Parei assustada com minha boca aberta.

Ele estava na frente da pia, usando apenas uma boxer


preta apertada. Dei um passo pequeno para trás,
praticamente pronta para entrar em pânico e fugir, mas não
conseguia parar de olhar para ele. Seu corpo era magro e
musculoso, alto e bem constituído e estava sorrindo para
mim como se não fosse grande coisa.

— Hum, bom dia. — resmunguei.


— Dormiu muito? — perguntou, se virando para fazer a
barba.

— Não realmente. Vou te dar privacidade.

Virei e comecei a me afastar, minhas bochechas


vermelhas.

— Fique e aproveite o show, Laney. — disse atrás de


mim. — Você mal consegue parar de me olhar de qualquer
maneira.

Voltei para o meu quarto, fechando a porta atrás de mim


rapidamente.

Estava tão envergonhada. Eu simplesmente o interrompi


como se não fosse nada. É verdade que ele pareceu não se
importar e provavelmente se divertiu com a coisa toda, mas
mesmo assim. Não sabia como me esqueci de que estava
morando conosco agora, meu meio-irmão idiota, a escuridão
estranha pela qual inegavelmente estava atraída.

Eu voltei para a cama e esperei quinze minutos antes de


finalmente me aventurar.

Felizmente, ele se foi, a porta de seu quarto estava


aberta e estava vazio.

Passei pela minha rotina matinal normal, ainda um


pouco abalada e um pouco excitada. Vesti-me, tentando não
imaginar como Easton reagiria às roupas que escolhi.
Precisava lembrar que ele era meu meio-irmão em primeiro
lugar, meu empregador em segundo e o que quer que aquele
beijo tenha significado, em um distante terceiro lugar.

Vestida, radiante e pronta, desci as escadas.

Entrei na cozinha. Sentado na ilha e lendo o jornal,


estava meu pai e sentado na frente dele bebendo uma caneca
de café e revirando uma tigela de cereal estava Easton.

— Bom dia, querida. — papai disse.

— Dia.

Easton apenas resmungou para mim. Revirei os olhos e


me servi de um pouco de café.

Fiquei ali olhando para os dois homens mais


importantes da minha vida no momento e senti algo
estranho, um instante quase surreal e uma louca vertigem
me atingiram.

Em um dos lados da ilha estava meu pai, um homem de


quem eu não me aproximava há anos e com quem estava
tentando reavivar uma relação.

Do outro lado estava meu meio-irmão. Ele era o homem


que mais havia visto nos últimos dias e por quem estava
começando a sentir coisas que nunca deveria sentir.

E se meu pai soubesse o que estava acontecendo entre


Easton e eu só podia imaginar como ele reagiria.

— O que está olhando? — Easton perguntou.


— Nada. — eu disse rapidamente, olhando para longe.

— Você está bem, querida? — meu pai perguntou.

— Tudo bem. — tomei um grande gole de café para


cobrir o meu embaraço e escaldei o céu da boca. — Merda! —
eu disse. — Está quente.

Easton começou a rir e meu pai apenas balançou a


cabeça, sorrindo.

— Já está indo para o trabalho? — papai perguntou a


Easton.

— Eu estarei pronto quando Laney estiver.

— Não me deixe segurá-lo.

Ele se levantou, levando a tigela até a pia.

— Depois de você, mana.

Papai sorriu.

— Ótimo vê-los se dando bem.

— É bom. — Easton disse. — Realmente nos damos


bem. Ela é ótima para trabalhar.

Tomei mais um gole de café e coloquei minha caneca na


mesa.

— Vamos. — eu disse. — Até logo, papai.


— Tenham um bom dia.

Easton me seguiu até a porta da frente e fomos em


direção ao seu carro.

Eu parei e me virei.

— Antes de sairmos, uma coisa. — eu disse.

— O quê?

— Se você está vivendo com a gente agora, nada de


piadas bobas ou insinuações grosseiras em torno de nossos
pais.

Ele me olhou inocentemente.

— Por que eu faria uma coisa dessas?

— Porque você é um cretino e gosta de me irritar.

— Tudo isso é verdade. Você é tão sexy quando está


frustrada.

— Certo, pare. Sei que nos beijamos, mas nossos pais


não podem saber disso.

Ele assentiu.

— Bem. Mais alguma coisa?

— Apenas nos leve ao trabalho.

— Claro que sim, mana.


— Pare de me chamar de mana. — eu murmurei
entrando no carro.

Eu podia ouvi-lo rindo para si mesmo, enquanto


caminhava na direção do lado do motorista.

Ele me entregou a xícara de café e pagou o garoto


entediado que olhava pela janela do drive-thru.

— Obrigada, eu disse, sorvendo a bebida quente.

— De nada. — ele voltou para o tráfego.

— O que está na agenda hoje?

Ele encolheu os ombros.

— Não tenho certeza. Tenho que ir para o escritório do


xerife mais tarde, falar com eles sobre esse caso.

— O que está acontecendo?

Ele ficou quieto por um segundo.

— Lembra-se daquele artigo que você leu no jornal?

— Com certeza.

— Quando estava no FBI, eu estava seguindo um


assassino chamado Lester Seed. Ele matou de forma muito
semelhante aos recentes assassinatos por aqui.

— Você acha que é ele?


— Talvez. — ele ficou em silêncio novamente, olhando
para frente.

Eu queria dizer que vi o arquivo. Queria tanto admitir


que quase doía. Estava cansada de esconder e fingir que não
sabia o que estava acontecendo.

E talvez eu pudesse ajudar. Não foi como se quisesse


encontrar o arquivo em primeiro lugar. Talvez ele ficasse
aliviado.

— Encontrei seu arquivo. — deixei escapar.

Ele não reagiu.

— Oh sim?

— Sinto muito. — eu disse, as palavras saindo


apressadamente. — Eu estava no banheiro e ele foi
aparecendo por trás do vaso sanitário e não pude deixar de
olhá-lo.

O silêncio entre nós se estendeu. Eu queria continuar


falando, explicar por que olhei e como não foi culpa minha,
mas sabia que não adiantaria. Ele não parecia zangado, mas
também não estava falando.

— Acho que você o leu. — ele disse finalmente.

— Eu li algumas coisas.

— O que você acha?


Eu levantei uma sobrancelha, surpresa.

— Você não está bravo?

— Estou bravo. — ele disse. — Estou muito chateado.


Mas está feito. Eu iria te contar eventualmente e acho que é
minha culpa por não esconder melhor.

— Eu sinto muito. Sei que violei o seu espaço.

Ele encolheu os ombros.

— Então, o que você acha disso?

— Não pode ser ele. — eu disse e minha voz quase um


sussurro. — Você atirou nele no peito.

— Mas os assassinatos são dele.

Balançou a cabeça. — Eu sei.

— Temos três cenários aqui. Um deles, Lester de alguma


forma está vivo. Duvido que seja o caso. Dois, ele estava
trabalhando com alguém, que eu também duvido.

— Por quê? — perguntei.

Ele balançou a cabeça lentamente.

— Difícil de explicar. Às vezes, quando você vai fundo


em um caso começa a pensar como o cara que está
perseguindo. Não acho que é possível ir mais fundo em um
caso do que fui com Seed. Ele não trabalhava com outras
pessoas.

— Ok. Qual é a terceira opção?

— Um imitador.

— Alguém está matando como Seed fazia?

Ele parecia frustrado.

— Sim. Mas há detalhes nos assassinatos que não


foram divulgadas ao público, coisas que um imitador não
deveria saber.

— Além disso, por que estariam matando por aqui?

— Não sei. — ele disse. — Eu realmente não sei.

Nós entramos no estacionamento do escritório e Easton


saiu do carro. Peguei meu café e o segui. Poderia dizer que a
conversa havia acabado, mas estava me queimando com mais
perguntas. Meu coração estava martelando no meu peito,
batendo descontroladamente. Não podia acreditar que ele se
abriu comigo daquele jeito. Claro, ele disse que estava bravo,
mas parecia mais interessado em saber minha opinião sobre
o caso do que qualquer outra coisa.

Ele me respeitava assim? Não poderia dizer se pensou


que eu era só uma garota burra ou se pensou que tinha
algum potencial. Era um cretino na maioria das vezes, fiquei
um pouco surpresa quando ele agiu como um ser humano
normal.

Eu o segui até seu escritório, mas assim que entramos,


ele desapareceu no quarto dos fundos. Faria melhor do que o
seguir, então coloquei minhas coisas na mesa e chequei as
mensagens.

Olhei para cima quando ele entrou no banheiro. Um


minuto depois, voltou com a pasta de arquivo e a colocou na
mesa em minha frente.

Eu o encarei.

— O quê? — perguntei.

— Leia tudo.

— Você está brincando?

Ele chegou perto de mim e minha boca ficou aberta.


Segurou meu queixo em sua direção, seus olhos fixos nos
meus.

— Você pode ler.

— O que você quer de mim? — sussurrei para ele.

— Nada. Você é minha meia-irmã. Minha empregada.

— Mas o que...
Ele agarrou meu cabelo ligeiramente e fiquei
boquiaberta parando no meio da sentença.

— Você é apenas uma boceta bonita que eu quero foder


mais e mais.

— Se isso for verdade, você não quer minha opinião. —


fiz uma pausa quando entendi o olhar nos olhos dele. — Você
precisa, não é?

— Eu preciso de algo. — ele sussurrou.

E então esmagou sua boca contra a minha, beijando-me


duramente.

Todo o resto foi esquecido naquele instante enquanto me


levantava e pressionava meu corpo contra o dele, beijando-o
profundamente, nossas línguas se entrelaçando.
Capítulo 12

Easton

Eu a pressionei contra a mesa, a bunda dela no meio


enquanto a beijava duramente.

Sabia o que queria. Laney era muito mais do que eu


esperava e ela me desgastou ao longo dos dias. No começo
achava que era somente uma garota mimada de faculdade
sem o conhecimento do mundo real, mas como trabalhamos
juntos, sabia que era muito mais do que isso.

Fiquei chateado quando ela disse que havia lido o


arquivo. Estava com raiva de mim mesmo por tê-lo deixado a
vista e por ela agir furtivamente. Mas realmente, foi melhor
assim. Era melhor que todas as minhas besteiras estivessem
ao ar livre para todo mundo saber.

Agora ela sabia como eu era. Sabia o que eu fiz e o que


aconteceu comigo. Ela sabia que meu parceiro estava morto
por causa da minha imprudência, porque entrei no caso de
Seed muito fundo. Sabia como todos os outros, que havia me
afogado.

E isso só me fez querer mais dela. Meu pau ficava duro


ao pensar nela com suas saias curtas e suas blusas que
mostravam seus seios perfeitos. Isso me fez ficar duro
imaginando os doces lábios envolvendo meu pau, me
chupando.

Peguei o computador dela e deixei cair na cadeira. Então


afastei todas as coisas de cima da mesa.

Ela riu.

— Você irá limpar isso depois.

Mordi seu lábio inferior e senti os seios.

— Sem chance.

— Você não pode simplesmente fazer uma bagunça


dessas.

Eu lentamente escorreguei minhas mãos para debaixo


da saia, ao longo da coxa e entre as pernas dela. Sua boceta
estava encharcada, a calcinha inútil.

— Eu não sou a bagunça aqui. — disse quando comecei


a esfregar suavemente o ponto sensível.

— Merda. — ela engasgou. — Eu não sou uma bagunça.

— Você está encharcada por mim, Laney.

— E daí?

— Então, você é uma menina safada tentando foder seu


chefe.

— E o seu meio-irmão. Não se esqueça.


Ela engasgou enquanto eu beijava seu pescoço e
escorregava a mão por baixo da calcinha, sentindo as pregas
lisas da pele e finalmente pressionei o dedo contra seu
clitóris. Comecei a esfregar em círculos suaves e ela
estremeceu contra mim, soltando pequenos gemidos que eu
sufocava com minha boca.

Senti suas mãos enlaçarem o meu pescoço enquanto ela


se inclinava para trás, e a empurrei para cima, pressionando-
a de volta na mesa. Rapidamente tirei sua calcinha e retirei
seus sapatos, jogando-os fora.

Subi em cima dela e pressionei meu corpo sobre o seu,


esfregando meu pau duro entre suas pernas.

— E se um cliente chegar? — ela perguntou entre


suspiros.

— Deixe-os ver.

— Pensei que você precisava se encontrar com o xerife?

— Foda-se o xerife. Mais alguma coisa? — sussurrei


quando comecei a esfregar seu clitóris novamente.

— Apenas continue.

— Isso eu posso fazer.

Fiquei impressionado com ela, pela sua bocetinha


apertada e seu gosto incrível. Pensei nisso vários dias,
pensando em fodê-la aqui no meu escritório. Queria o seu
cheiro, sentir meu pau enfiar profundamente dentro dela,
fazer suas costas arquearem e seu corpo endurecer quando a
fodesse profundamente. Ver seu rosto enquanto gemia de
prazer.

— Não pare. — ela fez beicinho.

Peguei suas pernas e a puxei para a ponta da mesa. Eu


a abri, olhando para sua boceta perfeita quando comecei a
colocar meus dedos dentro dela.

— Oh merda, Easton. — ela gemeu. — Isso é muito bom.

— Tenho pensado nisso desde que nos conhecemos. —


eu disse. — Tenho pensado sobre como eu foderia essa
bocetinha apertada até você gritar meu nome.

— Oh Deus. Eu quis você também.

— Sei que você quis. Poderia dizer que te molhei cada


vez que a vi.

— Continue. — ela disse.

Tirei minhas mãos e de repente mergulhei minha


cabeça, beijando suas coxas. Respirei profundamente o
cheiro dela.

— Eu quero te provar.

— Easton. — ela gemeu.


Eu lentamente alcancei seu clitóris molhado e comecei a
acariciá-la suavemente, lambendo seus sucos, lambendo-a
dolorosamente devagar no começo. Queria enlouquecê-la,
queria levá-la para a beira e lentamente empurrar. Eu queria
que ela gozasse na minha boca.

Comecei a lambê-la mais rápido, sugando seu clitóris e


pressionando os meus dedos dentro dela. Ela agarrou meu
cabelo, gemendo com total abandono enquanto eu esfregava o
clitóris dela. Podia sentir seu corpo inteiro enrijecer em ondas
enquanto fodia sua boceta apertada com meus dedos e comia
seu clitóris.

— Porra, você é tão deliciosa. — eu disse. — Eu amo o


sabor desta boceta.

— Easton. — ela gemeu. Poderia dizer que adorou


quando disse toda a merda suja que pensava sobre ela.

Estendi a mão livre e senti seus seios cheios. Continuei


trabalhando ela assim, fodendo sua boceta, lambendo seu
clitóris e sentindo os seios dela. Ela gemia meu nome várias
vezes, que só fazia meu pau ficar duro como pedra,
praticamente implorando para sair das calças.

Eu queria transar com ela ali mesmo. Queria bater meu


pau profundamente na sua boceta apertada, mas queria fazê-
la gozar primeiro. Queria fazê-la minha, e a melhor maneira
era fodê-la.

Percebi que estava perto.


— Merda. — ela gemeu. — Continue.

Continuei movendo minha língua ao redor de seu


clitóris, meus dedos pressionados profundamente dentro
dela.

— Oh meu Deus. — ela disse. — Pare, pare. Eu vou


gozar.

— Bom. — disse, me movendo com mais força.

— Ah foda-se. Não, foda-me. Foda-me agora.

Eu amei que ela estivesse implorando.

— Você gozará para mim primeiro.

— Oh meu Deus, Easton. Quero sentir você me fodendo.


— ela disse.

Continuei a trabalhá-la apesar de seus desejos. Queria


entrar profundamente dentro dela, enquanto estava
implorando, mas ia conseguir o que queria primeiro.

Queria saboreá-la. Queria ouvi-la gozar, fazer seu corpo


ficar tenso. Então ela engoliria meu pau até eu sentir vontade
de foder sua boceta apertada, mais e mais.

As mãos dela agarraram no meu cabelo.

— Oh meu Deus estou tão perto. — ela engasgou.


Eu trabalhei rápido, rolando-a em torno de seu clitóris,
minha boca sugando e os dentes se movendo ao longo de sua
pele, meus dedos dentro dela.

— Oh merda. — ela gemeu. — Oh merda, Easton. — ela


disse quando o orgasmo veio sobre ela.

Amei a porra dos gemidos que ela fez quando seu corpo
enrijeceu. Adorei a forma como disse meu nome, de novo e de
novo, baixo e profundamente, enquanto trabalhava sua
boceta até a beira do abismo.

Amava como seu corpo era meu, meu para fazer com o
que eu quisesse. Ela estava em minhas mãos e tinha o poder
de fazê-la gozar, implorar o meu nome.

Lentamente, o orgasmo diminuiu. Diminui o ritmo, os


dedos escorregando para fora dela, a língua subindo por suas
coxas, beijando sua pele.

Ela olhou para mim enquanto sorria para ela.

— Uau. — foi tudo o que ela disse.

Seu rosto estava vermelho e acho que nunca a vi tão


perfeita.

— Você tem gosto de rosas. — falei.

De alguma forma ela conseguiu corar ainda mais.

— Cale-se.
— Venha aqui.

Ela veio em minha direção e a beijei. Pensei que ela


poderia fugir de seu próprio sabor, mas ela não pareceu se
importar, beijando-me de volta profunda e apaixonadamente.

Ainda havia fogo dentro dela, eu poderia dizer. Talvez


tivesse gozado uma vez, mas a maneira que ela se atrapalhou
com meu cinto significava que queria mais.

Quando abaixou minhas calças até meus tornozelos e


enfiou a mão dentro da minha boxer, sabia que ela ia
encontrar muito.

Suas mãos envolveram meu pau quando ela o tirou,


lentamente passando para cima e para baixo.

— É isso que você quer dentro de você? — sussurrei no


ouvido dela.

— Não tenho certeza se caberia. — ela disse, mordendo


o lábio.

— Você pode tomá-lo. Eu vou ter certeza que pode.

Ela escorregou para fora da mesa, empurrando-me um


passo para trás. As mãos dela subiram lentamente pelo
comprimento, usando o pré-sêmen para escorregar
suavemente.

— Como você fará isso? — perguntou.


— Primeiro, vou me certificar que sua boceta está
encharcada além da imersão. Você estará mais molhada do
que jamais pensou ser possível.

— Ok. Isso já está feito.

— Em seguida, vou abrir suas pernas amplamente,


certificando-me de que está pronta para mim.

— E então?

— E então vou pressionar a ponta do meu pau contra


você e entrar lentamente até ficar totalmente dentro de você.

Ela caiu de joelhos, mordendo o lábio.

— E então?

— Então eu vou lentamente passar para frente e para


trás, esfregando meus quadris contra os seus.

Ela abriu a boca e colocou a ponta do meu pau entre os


lábios.

Eu estava praticamente pronto para explodir ali mesmo.


Nunca fiquei tão duro na minha vida, nunca quis tanto que
alguém ficasse com a língua na ponta do meu pau. Queria
que ela engolisse cada centímetro.

Começou a me chupar, trabalhando a ponta com a


língua, fazendo-o penetrar dentro e fora. Eu gemia e agarrei a
parte trás de sua nuca, incapaz de esperar mais. Pressionei-a
para frente, empurrando meu pau em sua boca e garganta e
ela imediatamente respondeu sugando-me com mais força e
mais rápido.

Nunca vi alguém com tanta fome de pau antes, mas


Laney me chupou como uma profissional. A mão dela
espalhou a saliva de seus lábios ao longo do meu eixo,
enquanto a sua língua lambia a ponta, me chupando rápido e
duro.

Ela puxou para fora e começou a trabalhar o meu saco,


enquanto masturbava meu pau como uma especialista.

— Porra, garota. — eu gemia. — Você chupa como se


tivesse nascido para fazer isso.

Ela voltou para a minha ponta, chupando colocando-o


profundamente em sua boca e garganta. Comecei a foder seu
rosto, enfiando meu pau dentro e fora.

Podia sentir a porra de meu desejo correr como fogo


quente através de minhas bolas. Estava doendo para
explodir. Queria que ela engolisse tudo, tomasse cada gota, e
estava me chupando como se desejasse isto. Seu longo cabelo
balançava enquanto a cabeça se movia para frente e para
trás, sua boca trabalhando meu pau.

Ela não era tímida, com certeza. Eu nunca esperei isso


dela, mas era uma profissional. Fogo puro de prazer estava
rolando pelas minhas veias. Depois de ver e provar a sua
boceta apertada estava pronto para gozar.
Mas ela adicionou suas incríveis habilidades em mim e
eu mal podia me segurar.

— Chupe esse pau, garota. — eu gemia. — Sugue cada


gota. Você quer que eu entre direto na sua garganta?

Ela me olhou nos olhos.

— Eu quero engolir cada gota de você.

— Foda-se, — eu disse, pressionando a boca no meu


pau. Ela chupou forte e rápido, esfregando-me em sua mão.

Ela recuou respirando fundo e me provocando.

— Vamos, Easton. — ela disse. — Goze na minha boca.


— ela me olhou nos olhos. — Goze para mim, Easton. Quero
seu esperma.

Que merda foi isso.

Eu a pressionei de volta e ela continuou


descontroladamente.

Levantei quando senti o orgasmo começando a crescer


na base do meu pau.

Ela continuou chupando e empurrando.

— Continue. — eu disse. — Continue chupando este


pau. Eu vou gozar no fundo de sua garganta.
Ela começou a gemer enquanto me chupava e eu não
suportava isso.

O orgasmo me atravessou. Ela tomou cada gota,


engolindo como se não fosse nada. Eu não podia acreditar o
quanto era gananciosa e incrível, trabalhando meu pau
assim.

Finalmente, lentamente, o orgasmo diminuiu e ela


chupou até a última gota. Ainda limpou por fora com a
língua, sorrindo o tempo todo.

Eu a levantei.

— Você é incrível. — disse, beijando-a.

E quando eu senti meu pau começar a se mexer de


novo, a campainha tocou.

Ela me olhou e riu.

— O cliente está aqui.

— Foda-se o cliente. — eu disse.

— Vamos lá, precisamos de trabalho.

— Foda-se. — eu resmunguei. — Está bem.

— É melhor se limpar.

Ela pegou a calcinha e a vestiu.


— Você o atrasa. — peguei minhas coisas e fui ao
banheiro.

Meu coração estava acelerado enquanto estava puto e


me vestia.

Não podia acreditar nela. Laney, a porra da minha meia-


irmã, chupando meu pau como se fosse a única coisa no
mundo que ela queria.

Eu me acalmei e respirei fundo.

Voltei para o escritório principal.

— Como posso ajudá-la hoje? — eu disse.


Capítulo 13

Laney

Easton estacionou o carro na sombra e desligou o


motor.

— Normalmente, — ele disse — Não saímos rapidamente


assim depois de receber um caso.

— Por quê? — perguntei.

— Você precisa de tempo para planejar, para pesquisar.


Mas a Senhora Smith disse que seu marido traidor
provavelmente estaria aqui hoje, então temos que o seguir.

— Acha que é o nome verdadeiro dela?

Ele sorriu para mim.

— Não faço esse tipo de pergunta.

Meu corpo ainda estava cheio de energia de horas mais


cedo. Easton veio para mim como um furacão, seu corpo
pressionado contra o meu. Ainda podia sentir os punhais
profundos de prazer abrindo caminho pela minha espinha e o
seu gosto na minha boca. Ele era intenso, forte e tão atraente
que foi difícil sentar ao lado dele, sem me jogar em cima dele.
Assim que a senhora Smith apareceu, ele era todo
trabalho. Era quase como se não tivesse devorado minha
boceta apenas alguns minutos mais cedo e eu não tivesse o
seu pau na minha boca. Mas o olhar astuto que me deu
quando descemos do elevador disse que eu estava em sua
mente, como ele estava na minha.

No momento, todos os pensamentos sobre ele ser o meu


meio-irmão foram totalmente enterrados no desejo que sentia
por ele. Eu sabia que nós realmente não éramos parentes ou
qualquer coisa, mas uma relação entre nós dois seria um
escândalo enorme. Em uma cidade pequena como
Mishawaka, algo fora do comum era notícia.

E deixar meu meio-irmão bonito e sombrio fazer sexo


comigo em sua mesa era uma dessas coisas.

Em retrospecto, não podia acreditar que a senhorita


Smith não disse nada sobre a bagunça. Nós apenas tiramos
as coisas da mesa, jogando papéis e canetas no chão, mas ela
não fez nenhum comentário. Era quase como se nada disso
existisse.

Isso fazia sentido. No mundo do detetive particular,


eram segredos dentro de segredos e havia coisas sobre as
quais você simplesmente não falava.

— Onde ele está? — Easton murmurou para si mesmo.

Nós estávamos sentados no carro, estacionado em frente


de um hotel, nas últimas duas horas. O sol estava
começando a se por, lançando longas sombras do outro lado
do estacionamento. Easton mudou o carro de lugar algumas
vezes, para ter certeza de não parecermos suspeitos.

Ele tirou a foto que a senhora Smith nos deu e olhei


para ele novamente.

— Ocupado. — ele disse. — Os traidores não são


exatamente pontuais.

— Esse é o problema. Eles geralmente são.

— Parece que um traidor não se importaria muito se


estivesse um pouco atrasado.

— Na verdade, eles se importam. Quando você está


traindo, você está focado em não quebrar as regras, quase ao
ponto de ser suspeito.

Eu balancei a cabeça. Isso fazia sentido. Às vezes seguir


as regras com muita atenção pode parecer quase tão
estranho como quebrá-las.

Olhei para o meu colo, para a pasta grossa descansando


ali e a abri novamente. Easton concordou em me deixar olhar
enquanto esperávamos, embora eu tivesse resistido em me
aprofundar mais nele. Sentia-me estranha lendo sobre sua
vida com ele ao meu lado, especialmente sobre uma coisa tão
difícil.
— Você sabe. — eu disse depois de algum tempo —
Nunca me explicou por que Seed errou naquele corpo que
você encontrou.

Ele encolheu os ombros.

— Você nunca teve a chance de perguntar.

— Mas você tem uma teoria?

— Sim, eu tenho.

— Vamos ouvir.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Você é um detetive iniciante; pode descobrir.

— Vamos lá, Easton. Você teve meses para entrar na


cabeça desse cara. Não posso fazer isso em poucos minutos.

— Talvez não, — ele disse, — Mas qual é a graça se eu


contar?

Eu suspirei.

— Não seja um idiota.

— Que tal isso, você pode me fazer uma pergunta e


responderei honestamente, mas em troca, tem que tirar uma
peça de roupa.

Levantei uma sobrancelha, meu coração de repente


batendo rápido no peito. Ele falou de uma forma muito
prática, quase como se estivesse descrevendo uma cena de
crime para mim. Mas estava sugerindo que eu ficasse nua em
troca de informações, bem ali no carro enquanto estávamos
fora em um trabalho.

— Vai responder honestamente? Uma pergunta para


cada peça de roupa?

Ele assentiu.

— Este é o acordo.

Eu mordi meu lábio inferior.

— E se alguém chegar?

Ele encolheu os ombros, olhando ao redor.

— Isso não vai acontecer tão cedo.

Balancei a cabeça.

— Ok. Tudo bem.

O sorriso que brincou em seus lábios me deixou


absolutamente louca.

— Roupas primeiro.

Podia me sentir completamente molhada enquanto


lentamente retirava minha camisa por acima da minha
cabeça e jogava no banco de trás. Felizmente, estava vestindo
um top por baixo.
— Por que Seed cometeu um erro no crime antigo?

Seus olhos observaram meu corpo de forma intensa e


faminta. Eu podia ver o que ele estava pensando: Queria meu
corpo, queria foder-me. Isso era exatamente o que eu queria.

— Aquele corpo era muito, muito antigo. Acho que Seed


estava com aproximadamente vinte anos quando matou pela
primeira vez. Foi provavelmente um erro.

Franzi a testa.

— Isso não é exatamente uma ótima resposta.

— Ok. Também acho que ele queria ser pego um dia.


Imagine que você é um garoto de vinte anos com vontade de
matar, mas ainda não aceitou. Ele fez uma pausa,
examinando a área e depois continuou.

— Você é inteligente o suficiente para se dar bem com


isso e está motivado, mas nunca fez isso antes. Você está em
conflito. Acho que Seed queria ser pego um dia, queria ser
punido. Depois de sua primeira morte e aquelas que se
seguiram, aposto que esqueceu tudo sobre seu erro inicial.

Isso fez sentido para mim e se encaixou no seu perfil.


Pelo menos do que eu poderia dizer.

— O que seu parceiro achou? — perguntei.

Ele sorriu para mim.

— Roupas primeiro.
— Tudo bem. — abri o zíper da minha saia e a deixei
cair no chão na minha frente.

Os olhos de Easton percorriam meu corpo, olhando para


as minhas pernas. Eu podia sentir minha boceta encharcada
e o ar frio do carro só me deixou mais excitada. Mudei o
aquecedor para uma potência mais baixa.

— Martin era da velha escola. — disse. — Ele


sinceramente não se interessava muito com o motivo de Seed
ter estragado tudo. Sua mente trabalhava só com fatos e
teorias que impactavam diretamente no caso e qualquer
outra coisa foi posta de lado.

— É mesmo? Isso é uma resposta muito fraca. Dê-me


outra coisa.

— Não é minha culpa que você está escolhendo


perguntas ruins.

— Quer que eu tire mais roupas? — Perguntei.

Ele fez uma pausa por um segundo, um sorriso


brincando em seu rosto.

— Sim.

— Dê-me algo mais.

— Não vai acontecer. Essas são as regras.

Dei a ele uma olhada e então rapidamente tirei meu top.


Estava usando um sutiã preto que quase não servia mais e
meus seios estavam pressionados firmemente contra ele.
Joguei o top no banco de trás.

— Como era seu parceiro? — perguntei.

Seus olhos vagaram pelo meu corpo novamente,


encarando meus seios com uma intensidade faminta. Eu
podia sentir a excitação pulsando através do meu corpo e
sabia que isto estava se tornando menos sobre nosso
pequeno jogo de perguntas e respostas e mais sobre que ele
me fazia sentir o que senti mais uma vez.

— Ele era intenso. — disse Easton. — Sério e sincero.


Odiava assassinos mais do que qualquer outra pessoa que eu
conhecia, acho que porque o primo dele foi assassinado
quando eram crianças. Era absolutamente e cegamente
determinado. — ele fez uma pausa, olhando ao redor da área
novamente. — Era um bom homem. Um homem de família.

Eu retomei rapidamente soltei o meu sutiã. Eu o joguei


no banco de trás.

— Por que foi naquele dia sem esperar reforços? Não


parece você.

Seu rosto obscureceu por um momento.

— Não fui eu.

— O quê?
Ele se aproximou de mim e senti meu coração palpitar
de emoção.

— Não posso responder mais.

— Estou nua para você.

Ele estava tão perto, seus lábios na minha orelha.

— Eu sei.

— Acho que tenho direito a minha resposta.

— Sinto muito, mana. — Suas mãos seguraram meus


seios e respirei fundo.

— Você só tem direito a uma coisa.

— O que é?

— Meu pau entre suas pernas.

— E se eu preferir as respostas?

Suas mãos percorreram meu corpo e escorregaram entre


minhas pernas.

— Não acho que isso é verdade.

— Você não sabe de nada.

— Eu sei que você está encharcada novamente. Sei que


está pensando em sentar ao longo do meu pau o dia todo.
Não aguentava mais. Toda pressão se acumulou dentro
de mim durante as últimas duas semanas. Desde o primeiro
momento que o vi, soube que o queria. Verdade, ele era um
babaca arrogante, mas tinha toda razão de ser.

Esmaguei a minha boca contra a dele e o beijei


fortemente. Ele correspondeu meu beijo com tanta paixão
quando seus dedos encontraram meu clitóris, enviando
eletricidade pulsante em minhas veias.

— Não podemos — ofeguei. — Aqui não.

Ele olhou ao redor.

— Estamos sozinhos.

— Mas alguém pode aparecer.

— Você não está com medo, está, Laney?

Os dedos dele rolaram ao longo do meu clitóris


encharcado, brincando com meu corpo.

— Não. — eu gemia. — Não tenho medo.

— Sei que você não tem. — ele sussurrou quente no


meu ouvido, provocando a minha boceta. — Vai me deixar
fodê-la onde eu quiser, não vai?

— Sim. — eu ofeguei. — Deus eu preciso seu pau.


Ele me beijou duramente, os dedos penetrando dentro
de mim. Agarrei seus braços enquanto me manipulava,
empurrando para dentro de mim.

Agarrei a ponta de sua camisa e comecei a desabotoá-la.


Escorreguei meus dedos pelo peito musculoso. Nós nos
separamos para puxar sua camiseta por cima da cabeça dele,
revelando seu corpo malhado e tatuado. Corri meus dedos
pelo seu peito e ao longo de seu abdômen, amando que ele
me provocasse o tempo todo, os olhos vagando pelo meu
corpo.

Comecei a desabotoar o cinto dele.

— Você me quer aqui mesmo? — sussurrei.

— Quero que coloque suas pernas ao redor de meus


quadris e empurre para baixo ao longo do meu pau.

Ele rapidamente enfiou a mão no bolso de trás e tirou a


carteira. Pegou uma camisinha e em seguida a jogou no
banco de trás.

Ajudei-o a tirar suas calças, seu pau pressionando


contra sua boxer preta. Ele jogou as calças no banco de trás
enquanto eu abaixava sua boxer.

— Não seja tímida. — ele disse. — Quero ver você


chupar meu pau novamente.

Eu o acariciei lentamente subindo e descendo.


— E por que faria isso?

— Porque esses lábios foram feitos para isso.

Inclinei e o coloquei na minha boca, sugando-o com


força. Adorei fazê-lo gemer e adorei o seu gosto. Ele mal cabia
na minha boca, mas o chupava de qualquer maneira.
Pressionou as mãos atrás da minha cabeça, falando sujo o
tempo todo.

— Eu amo esses belos lábios. — ele sussurrou. — Você é


uma garota muito safada, me chupando assim. Sei que quer
me sentir dentro de você, enchendo sua boceta apertada.

Trabalhei nele, chupando forte, todo o meu corpo


vibrando e vibrando. Eu precisava disso, precisava ser fodida,
precisava de seu pau e seu corpo.

Depois de um minuto, ele me puxou para cima.


Empurrou seu assento para trás o máximo possível e me
entregou o preservativo.

Eu o rasguei sem mais uma palavra e rolei ao longo


dele. Inclinei para trás tirando minha calcinha inútil e
encharcada.

Ele agarrou meu cabelo, puxando-me perto dele.

— Diga que é o que você quer.

— Eu quero.

— Diga que quer que eu te foda.


— Foda-me, por favor, Easton.

Ele agarrou minha cintura e me puxou através do


console central, me colocando para baixo com minhas pernas
sobre seus quadris.

— Diga novamente.

— Fode-me. Por favor.

Ele lentamente me abaixou.

Sua grossura entrou dentro de mim, tão lentamente e


um calafrio desceu pela minha espinha. Pressionei minhas
mãos contra o peito duro enquanto ele lentamente me deixou
escorregar pelo seu comprimento. Eu não podia acreditar que
pudesse caber dentro de mim, mas estava finalmente dentro,
sentindo a dor doce dele profundamente dentro de mim.

— Porra, garota. — ele resmungou. — Sua boceta é a


porra de um torno. Você é tão apertada.

— Easton. — eu gemia enquanto começava a deslizar


para cima. — Caralho, tão bom.

Ele agarrou minha bunda.

— Sua boceta é como fogo.

Comecei a montá-lo lentamente, subindo e descendo,


meus seios no rosto dele. Ele me beijou, beijou meu pescoço,
provou meus mamilos. Suas mãos eram firmes na minha
cintura, me guiando, movendo-me para subir e descer sobre
ele.

Eu podia sentir onda após onda de prazer passando por


mim. Estava frenética, precisando dele, querendo ele. Minhas
mãos percorriam seu peito musculoso e ombros enquanto
começava a ir mais rápido, escorregando para cima e para
baixo.

— Eu amo isso. — ele resmungou. — Amo essa bunda


grande cavalgando meu pau. Mexa a porra desses quadris. —
ele disse.

Comecei a mover os quadris em círculos, subindo e


descendo.

— Oh meu Deus, Easton. — eu disse em seu ouvido.

Ele bateu na minha bunda.

— Monte esse pau.

— Porra. Bata novamente.

Ele me deu outro tapa, mais forte e depois usou as mãos


e os quadris para bater o pau dentro de mim. Joguei minha
cabeça para trás, gemendo com abandono quando ele
continuou a empurrar dentro de mim, meus seios saltando
com cada impulso forte.

Ele não estava se segurando. Eu podia sentir o poder em


cada novo impulso, batendo profundamente em mim.
E me perdi. Eu me perdi nele, em seu cheiro, seu gosto e
seu pau, cada novo impulso, conduzindo-me cada vez mais
perto do êxtase. Sua boca estava nos meus mamilos, me
provocando enquanto batia na minha bunda novamente,
fodendo-me profunda e asperamente.

Eu o queria tanto, precisava dele para encher cada


centímetro. Rolei meus quadris, balançando para frente e
para trás. A ideia de ser pega nem sequer me ocorreu
enquanto ele me fodia ali no carro, a janela lentamente
começando a embaçar.

Pressionei minha mão contra o vidro quanto seus dedos


encontraram meu clitóris. Inclinei para trás, batendo na
buzina uma vez, quando ele começou a me foder duro e
esfregar meu clitóris. A outra mão apoiava minha bunda,
seus músculos tensionados e sabia que eu estava perto.

— Continue fazendo isso. — ofeguei, gemendo alto. —


Foda-me apenas assim.

Seus dedos se moviam em círculos incríveis, enviando


prazer extraordinário por todo o meu corpo. Seus braços
fortes me seguravam enquanto me fodia duro, duro e
profundo, cada impulso um prazer.

E depois tomou conta de mim. O orgasmo começou na


minha boceta e explodiu em minha mente. Minhas costas
arquearam e ele envolveu seus braços ao meu redor,
puxando-me contra ele e me fodendo áspero e duro.
— Oh, merda, merda, Easton, foda-me. — eu gemia.

— Goze para mim, garota. — ele disse. — Goze para


mim enquanto eu encho essa boceta.

Meu orgasmo foi forte e denso. Pude senti-lo tenso


também, seus grunhidos cada vez mais alto, seus impulsos
mais urgentes.

— Vou encher essa boceta. — ele resmungou. — Vou


entrar profundamente na sua bocetinha.

— Oh, merda. Encha-me, Easton. Me foda. — eu gemia.

Quando meu orgasmo lentamente se desvaneceu, suas


estocadas ficaram mais fortes, mais profundas e todo o seu
corpo enrijeceu em resposta.

O orgasmo tomou conta dele. Ele enterrou o rosto entre


meus seios enquanto suas mãos seguravam meus quadris
com força, seu pau fodendo minha boceta profundamente.

E então, lentamente, tudo acabou. Sentei-me ofegante,


sentindo a doce e incrível dor ainda profundamente entre
minhas pernas.

— Merda. — eu disse. — Alguém nos viu?

Easton riu, beijando meu pescoço.

— Quem se importa?
Ri muito, uma risada excitada e sem sentido. Eu me
senti livre e bem pela primeira vez desde que cheguei em
casa.

— Sim, foda-se.

Nosso riso diminuiu lentamente. Um minuto mais tarde,


saí de cima dele e voltei para o meu lugar.

As janelas do carro estavam muito embaçadas. Ele


enfiou a mão no banco de trás e pegou nossas roupas. Tirou
a camisinha, deu um nó e jogou pela janela.

Balancei minha cabeça para ele.

— Não jogue lixo.

Ele apenas sorriu para mim, enquanto se vestia. Segui


seu exemplo, colocando minha calcinha inútil e vestindo as
minhas roupas.

Minha cabeça estava girando, repleta de energia e


prazer. Estava flutuando no carro. Easton foi incrível,
poderoso, faminto e me fez sentir melhor do que poderia ter
imaginado.

Ele colocou o ar condicionado no máximo e lentamente


as janelas embaçadas começaram a clarear.

— Puta merda. — ele disse. — Rápido, a câmera.

Meu coração disparou.


— Alguém nos viu?

— Não. É ele. A câmera!

Rapidamente eu a peguei no porta luvas. Entreguei e ele


imediatamente começou a tirar fotos.

Eu segui seu olhar e com certeza, do outro lado do


estacionamento, um homem e uma mulher loira, com pouca
roupa caminhavam na direção de um carro.

— Tem certeza? — perguntei. Não sei como ele era.

— Positivo. E se isso não é uma prostituta, então eu não


te dei o melhor orgasmo da sua vida.

Eu corei.

— Apenas tire as fotos.

Vimos quando entraram no carro. Ele tirou uma foto da


placa.

— Que sorte. — ele disse.

— Dez minutos antes e nós nunca teríamos percebido.

Ele sorriu para mim.

— As coisas parecem sempre funcionar para mim.

Rolei meus olhos para ele.

— Sim, você é tão sortudo.


Ele me jogou a câmera e ligou o motor.

— Vamos. Vamos dar o fora daqui. O sol estava quase se


pondo.

— Ok. Parece bom.

Saímos dali e fomos para o escritório. Minha boceta


ainda latejava e minha cabeça estava zumbindo, uma
sensação agradável, confortável.

Nós tiramos as fotos. E mais importante, eu finalmente


o senti dele dentro de mim.

Enquanto ele dirigia, eu já estava imaginando como


seria ser fodida pelo seu corpo forte novamente, suando
profundamente na noite.
Capítulo 14

Easton

Minha cabeça ainda estava zumbindo com a doce


boceta de Laney quando entramos no escritório do meu
apartamento.

Ela estava estranhamente quieta no caminho de volta,


quase como se finalmente tivesse satisfeito a sua curiosidade.
Eu fiquei pensando nos seios dela no meu rosto, o aperto
forte de sua boceta em torno de mim gozando dentro dela,
nossos olhos presos um no outro.

Era quase o suficiente para me deixar duro novamente.

— Tenho que revelar estas. — eu disse a ela.

— Com certeza. Estarei aqui. — ela se sentou na


recepção, reorganizando a superfície desarrumada.

Caminhei em direção ao banheiro, mas uma vibração no


bolso me fez parar de repente. Peguei meu celular e atendi.

— Olá?

— Easton? Aqui é o xerife Sloan.

Ah foda-se, eu pensei. O mundo não pode me deixar


sentir bem a porra de dez minutos?
— O que posso fazer por você, xerife?

— Nós temos outro corpo.

Senti uma facada de adrenalina. Eu me inclinei contra o


batente da porta, falando mais baixo.

— Isso foi rápido.

— Nós a encontramos hoje. Acho que está morta há doze


horas no máximo.

— Onde você está?

— Vou enviar mensagem da localização.

— Entendi. — desliguei o telefone e voltei para a sala


principal.

Laney olhou para cima.

— Tudo bem?

— Você sabe como usar uma arma?

Ela olhou para mim por um segundo e então sorriu


incerta.

— Você aponta e atira, certo?

— É sério.

Ela balançou a cabeça.

— Não, não sei. O que há de errado?


Destranquei uma gaveta na parte inferior do armário e
peguei meu velho revólver. Abri a câmara, me certifiquei que
estava carregada e então fechei novamente.

— Não está travada. Você apenas aponta e dispara. Puxe


o gatilho lentamente e respire. Não entre em pânico.

Laney parecia preocupada agora, enquanto eu


caminhava e colocava a arma sobre a mesa na frente dela.

— O que está acontecendo?

— Nada, Laney. Eu tenho que ver o xerife Sloan. Quero


que tranque a porta e espere aqui.

— Houve outro assassinato?

Concordei gravemente.

— Não tenho tempo para levá-la para casa. Então por


favor, fique aqui. Não abra a porta para ninguém além de
mim sob quaisquer circunstâncias. — fiz uma pausa e olhei
para a minha arma. — Atire para matar se for preciso.

Seus olhos estavam arregalados.

— Easton, deixe-me ir com você.

— Não. Não é seguro para você.

— Eu posso ajudar.
— Laney. — eu disse, com mais intensidade do que
queria. — Há um assassino à solta. Preciso saber que você
está segura.

Ela assentiu lentamente.

— Ok. Tudo bem.

— Chame se precisar de alguma coisa. — entrei no meu


quarto e coloquei a mão debaixo do meu colchão, agarrando a
minha pistola. Verifiquei a trava, coloquei no coldre e o enfiei
em minhas calças.

— Tome cuidado. — Laney disse quando a deixei.

— Você também. — fechei a porta e desci os degraus,


todos os pensamentos do corpo de Laney banidos da minha
mente.

— Você está pronto para ver isso? — Sloan


perguntou.

Estávamos dez minutos fora da cidade. Era uma


pequena área arborizada a menos de cinco minutos de um
pequeno bairro de casas. Quem colocou o corpo nesta área
tinha coragem, porque ele estava à vista de qualquer um.

— Mostre-me.

Sloan assentiu e fomos através da fita da polícia. À


frente, eu vi o corpo apoiado contra uma árvore, igual ao
último.
Quando cheguei mais perto, comecei a usar minha
mente analiticamente treinada para entender o que estava
vendo. A garota era jovem, talvez quinze ou dezesseis anos e
hispânica. Ela parecia familiar, mas eu não sabia exatamente
por que.

Como todas as outras mortes, as mãos dela foram


mutiladas e seus dedos foram removidos. Como as novas
mortes, as mãos dela foram colocadas delicadamente no colo.
Ela estava completamente vestida, o que significava que não
tinha certeza se foi abusada sexualmente ou não. A garota
era mais jovem do que as vítimas normalmente eram e quem
cometeu o crime pode não ter sido capaz de estuprar uma
menor.

Bom para ele. Duvidei que fosse importante em longo


prazo, se a porra do doente poderia ficar duro ou não.

Finalmente, a parte mais estranha de toda a cena:


pregado acima da cabeça da garota estava um pedaço de
madeira com a palavra "TON" gravada nela.

— O que você acha? — Sloan perguntou.

— Estranho. — eu falei distraído. Andei lentamente em


torno da árvore novamente, tendo o cuidado onde pisava,
procurando por qualquer evidência. Uma única marca de
pegada, mas era fraca. De qualquer forma, a cena foi limpa,
como de costume.
— Algumas diferenças — afirmei. — As mãos dela foram
dobradas suavemente, como se o assassino se importasse.
Normalmente ela é deixada aberta, ou simplesmente jogada
no chão. O sinal também é novo.

— Tem ideia do que isso significa?

— Não. Agora não.

— Os peritos acham que ela não foi estuprada.

Balancei a cabeça.

— Eu o ouvi dizer isso. Outra esquisitice.

— Talvez ele não goste de garotas jovens.

— Bom para ele.

Sloan resmungou.

— Vou deixar que olhe ao redor. Nós nos instalamos ao


leste. — ele apontou o caminho de onde viemos.

Segui seu olhar e então parei. Isso me atingiu de repente


como uma tonelada de tijolos. Tive essa sensação antes no
passado; sempre acontecia quando uma grande oportunidade
acontecia de repente.

Sloan foi embora, voltando para o acampamento. Ele


disse algo, mas eu não ouvi. Estava ocupado demais olhando
aquela placa.
"TON", claramente gravado na madeira.

A garota estava virada para o leste.

"EAST—TON."

Eu balancei minha cabeça. Não podia ser; era tão


improvável. Mas nada sobre esse assassino fazia sentido e
nada sobre o que ele fez foi sem sentido. Ele estava
quebrando todas as regras e agora estava me mandando uma
mensagem pessoal.

Ele queria que eu soubesse que pensou em mim quando


matou essa garota.

Caminhei em direção ao acampamento em confusão


mental. Adiante, eu vi um pequeno grupo de técnicos
fotografando algo no chão.

— A garota. — disse. Todos olharam para cima. — Quem


é ela?

O cara olhou para o outro. Ele folheou a prancheta.


Acabei de verificar a identidade, trata-se de Luisa Suarez,
dezesseis anos de idade. Garota local.

Tropecei em direção ao corpo em uma névoa, não disse


mais nada. Eu mal conseguia pensar, mal respirava. Parei na
frente dela e me ajoelhei, olhando para o rosto dela.

A imagem da senhora Suarez de quarenta anos atrás me


encarou.
Não sabia se Luisa era filha ou neta da Senhora Suarez
ou qualquer outra coisa, mas era óbvio que elas eram
parentes.

E ela foi assassinada por minha causa, por minha


causa.

Esse era o significado óbvio do sinal e a direção. Sutil o


bastante para que a polícia não conectasse os dois, mas
suficientemente óbvio para que eu pudesse. Mesmo que não
percebesse imediatamente a coisa voltada para o leste,
saberia que algo estava errado quando a garota fosse
identificada.

Olhei para ela, minha cabeça zumbia. Desde que os


assassinatos começaram meses atrás, soube que tinha algo a
ver comigo. Seed foi morto, mas alguém estava matando
como ele. E a cada nova mulher morta, os assassinatos
chegavam mais perto de mim.

Cinco mulheres mortas, seis agora que Luisa se foi.


Cada uma chegando cada vez mais perto até que finalmente,
uma mulher seria morta por ter uma conexão direta comigo.

Luisa Suarez. Eu não a conhecia, mas ela não merecia


ser morta.

O pedaço de merda. O filho da mãe. O filho da puta ia


queimar. Ele ia pagar por isso.

Levantei, fervendo de raiva.


A porra do jogo estava mudando. Esperava-se que a
verdadeira aplicação da lei pudesse ajudar a corrigir essa
bagunça, mas eram claramente inaptos. Eles não
conseguiriam consertar a merda a menos que eu me
envolvesse.

Eu não podia mais ficar sentado e deixar este maldito


idiota matar novamente.

Eu ia encontrá-lo e acabar com isso sozinho.


Capítulo 15

Laney

Fiquei ali, olhando para a arma por muito tempo sem


perceber.

Em um segundo, ele colocou a coisa na minha frente e


se passou uma hora sem que me mexesse.

Atire para matar continuava a martelar na minha


cabeça. Fiquei me imaginando pegando a coisa, sentindo o
peso do metal e apertando o gatilho.

Parecia tão fácil nos filmes. Você aperta e ele faz um


pequeno som de estouro. Mas eu sabia que a verdade era
completamente diferente, que a arma iria pular em minhas
mãos e o som seria ensurdecedor.

E mataria alguém do outro lado da arma.

Levantei e levei o meu laptop para o quarto dos fundos.


Não passei muito tempo aqui, principalmente porque era um
espaço particular de Easton. Não sentia que eu era bem-
vinda.

Mas hoje eu não me importava.


Sentei no sofá e abri meu laptop, percorrendo o
Facebook. Eu precisava manter minha mente ocupada.
Poderia facilmente mergulhar no medo e na incerteza, mas
precisava evitar fazer isso.

Easton estava claramente preocupado. Não deixaria


uma arma comigo a menos que achasse que eu estava em
perigo. Sabia que ele sentiu isso antes, mas agora estava
muito claro.

Eu não sabia quanto tempo fiquei sentada ali,


encarando descuidadamente o Facebook. Deve ter sido pelo
menos uma hora.

Mas de repente eu ouvi um som.

O som que eu estava temendo e imaginando a noite


toda. Um arranhado na porta e o balançar da maçaneta.

Fiquei de pé, com o medo tomando conta de mim e


entrei no escritório principal. A maçaneta estava se movendo
e alguém estava prestes a entrar.

Peguei a arma sem pensar. Era pesada, substancial. Foi


exatamente como pensei que seria e muito mais
aterrorizante.

A porta começou a abrir.

— Ei, mana. — Easton olhou para mim, um pequeno


sorriso no rosto.
— Easton. — lentamente abaixei a arma.

— Você pode relaxar. Sou só eu.

— Ok. — coloquei a arma de volta na mesa, o alívio


tomando conta de mim.

Ele fechou a porta atrás dele.

— Você está bem?

— Eu estou bem. Por que não bateu?

Ele deu de ombros e passou por mim.

— Estamos saindo. — ele disse do quarto dos fundos. —


Venha pegar seu laptop.

Eu o segui, peguei e o desliguei. Ele estava enchendo


outra mala de coisas.

— Dois assassinatos em dois dias. — eu disse


suavemente. — É uma loucura.

Ele olhou para mim, muito sério.

— Estamos fechando o escritório.

As palavras me atingiram como um martelo.

— De jeito nenhum!

— Desculpe mana. Nós temos que fazer isso.


— Não. Não podemos fechar este escritório. Estamos
ajudando as pessoas!

Ele me deu um sorriso irônico.

— Nós estamos tirando fotos de pervertidos e traidores.

— Estamos salvando casamentos e ajudando as pessoas


a se livrarem de pessoas más. — hesitei. — E a senhora
Suarez? Nós a ajudamos.

Seu rosto anuviou na menção da senhora Suarez.

— Nós não podemos ajudar mais ninguém. — ele disse


baixinho e voltou a fazer as malas.

O que ele estava falando? Não podíamos desistir. Nós


nem começamos a investigar os assassinatos.

— Easton. — eu disse, caminhando até ele. — Pare. —


coloquei minha mão em seu braço.

Ele olhou para mim com tristeza.

— Nós vamos fazer mais mal do que bem, se


continuarmos a ver clientes, Laney.

— O que aconteceu?

Eu podia ver a dor em seu rosto. Mas mais do que isso,


eu podia ver a raiva. Raiva brutal, feroz e intensa.
— A menina era filha da senhora Suarez. Ela tinha
apenas dezesseis anos.— minha boca ficou aberta e minha
mão caiu.

— O quê?

— Junte suas coisas. Vamos embora.

Ele continuou a empacotar e eu fiquei ali,


completamente paralisada.

A filha da Senhora Suarez foi assassinada? Easton com


certeza pensava que tínhamos algo a ver com isso. Porque
estávamos ajudando as pessoas, elas estavam sendo mortas.

Eu balancei minha cabeça. Isso não podia ser verdade.


O que fazíamos era bom. Claro, não era a coisa mais
importante ou vital no mundo e geralmente estávamos
pegando maridos traidores, mas mesmo assim. Trouxemos a
paz para a vida das pessoas. Nós fizemos coisas para as
pessoas que elas não podiam fazer por si mesmos.
Encontramos a verdade.

Não quero desistir disso, não quando finalmente


encontrei.

Easton parou na minha frente.

— Laney, — ele disse, tirando-me do meu transe.

— Vamos embora.
— Não. — disse, mas ele já estava entrando na sala da
frente. Eu o segui até lá. — Não, Easton. Espere.

— Ouça-me, — ele disse, virando e olhando para mim.


— Essa garota está morta por minha causa. Você entendeu?

— Não é culpa sua. — eu disse quase em um sussurro.

— Seus dedos foram cortados. Ela foi estrangulada até a


morte. Tudo porque a mãe pediu minha ajuda. — ele
balançou a cabeça, praticamente vibrando de raiva. — Temos
que fechar o escritório até esse pedaço de merda ser morto ou
preso.

Assenti lenta e estupidamente, incapaz de dizer mais


alguma coisa. Como eu poderia discutir?

Ele colocou a mochila pesada no ombro e pegou a


pistola da mesa, colocando-a nas calças. Deu mais um olhar
ao redor do escritório e então assentiu.

— Vamos. — ele disse.

Segui-o para fora. Ele trancou a porta atrás de nós.

Senti como se meu mundo de repente estivesse


mudando novamente. Os últimos dois dias foram como uma
montanha-russa insana. Fiquei irritada por ele ter se mudado
para o quarto ao lado e de repente, com medo e nervosa
quando não estava por perto.

E os corpos começavam a se amontoar.


Eu o segui em silencio até o carro, nervosa sobre onde
isto nos deixava ou se isso ainda importava.
Capítulo 16

Easton

Não podia acreditar que eu fosse um estúpido.

Enquanto nos dirigíamos para casa de Laney em


silêncio, continuei repassando mentalmente repetidas vezes
todos os erros idiotas que cometi.

Erros que me distraíram. Erros que me impediram de


caçar este assassino de merda e trazê-lo à justiça.

Claro, eu não estava mais no FBI. Não estava na


aplicação da lei. Mas quem estava fazendo isso claramente
queria me atingir de alguma forma me enviando uma
mensagem. De muitas maneiras, era tudo culpa minha que
estas mulheres estivessem sendo mortas. Além disso, eu
estava mais próximo do caso, sabia mais sobre isso. O xerife
até pediu minha ajuda diretamente, o que só provou que isto
estava fora do seu alcance. Eu era a razão, o catalisador para
tudo e as pessoas estavam sendo levadas para algo que
nunca quiseram fazer parte por minha causa.

Especialmente Luisa Suarez.

Enquanto a pobre menina estava sendo estrangulada


até a morte, eu estava muito ocupado fodendo minha meia-
irmã no meu carro, porra. Estava pensando com meu pau e
não com a minha cabeça e alguém perdeu a vida por causa
disso.

Teria prendido o cara antes de Luisa ter morrido?


Provavelmente não. Mas talvez eu pudesse estar mais
informado, mais engajado e talvez pudesse ter mudado
alguma coisa. Talvez se a senhora Suarez tivesse me
procurado mais cedo se eu fosse mais interessado nela.
Talvez pudesse parar a próxima matança, pelo menos.

Mas eu precisava tirar a cabeça da minha bunda. Na


verdade, precisava tirar da porra da minha mente da boceta
de Laney.

Porque sua boceta estava me distraindo. Porra, seus


lábios, dentes e olhos era uma distração. A maneira que ela
sorria para mim incerta, quando eu fazia algum comentário
sujo era uma distração. A inclinação de sua cabeça, as ondas
no cabelo dela, como ela se vestia e falava. Tudo nela me fazia
querer mergulhar fundo no buraco negro que era o seu corpo
e nunca mais sair. Eu queria ouvi-la falar e gemer e o atrito
macio da minha pele contra a dela.

Precisava desistir dela.

Tanto quanto doía pensar, precisava me concentrar


inteiramente no caso, me entregar totalmente a ele
novamente. Caso contrário, nada ia acontecer e este otário
doente ia continuar a matar mais e mais.
Paramos do lado de fora da casa e estacionei. Desliguei
o motor e fiquei sentado, perdido em meus pensamentos.

— Easton? — Laney disse suavemente. — Você está


bem?

Olhei de relance para ela.

— Tudo bem. — Eu abri a porta e saí.

Ela me seguiu.

— Você disse aos nossos pais que vai ficar aqui?

Eu assenti.

— Eles sabem.

— Ok. — ela mordeu o lábio. — Vai dar certo, você sabe.


Nós vamos descobrir.

Virei para ela. Senti tanta raiva borbulhando dentro de


mim e mesmo sabendo que não era culpa dela, não pude
deixar minha própria auto aversão subir para a superfície.

— Não existe 'nós' aqui, Laney. — eu disse. — O


escritório está fechado. Nós somos apenas meios-irmãos. —
fiz uma pausa, deixando que compreendesse. — E já não está
bem.

Seus olhos se arregalaram ligeiramente de surpresa, e a


dor que vi ali espelhava a minha própria dor. Eu me odiava
ainda mais por dizer isso, mas era melhor assim. Precisava
colocar distância entre nós dois ou então arriscar que ela
fosse sugada para meu turbilhão de merda.

— Eu ainda posso te ajudar. — ela disse. — Sei que não


estamos mais trabalhando juntos.

— Não. — eu disse, agarrando a minha mochila. —


Acabou. Volte a fazer o que fazia antes de me conhecer.

A dor em seu rosto foi rapidamente se transformando


em raiva.

— Eu não entendi. Você disse que queria minha ajuda.

— Você não precisa entender Laney.

— Bem. Se você quer ser um cretino, seja um cretino. —


ela estendeu o arquivo de Seed. — Tome seu precioso
arquivo.

Eu o peguei, olhando para ela sombriamente.

— Apenas esqueça tudo. Você vai ficar melhor assim.

— Você não sabe tanto quanto pensa Easton.

— Talvez não.

Eu me virei e entrei na casa sem dar um pio.

Não olhei para trás. Eu sabia que se o fizesse, ela veria a


dor nos meus olhos, veria o quanto machucava me afastar
dela, tentar afastá-la.
E ela também veria a raiva. A raiva assassina, o desejo
de destruir o mundo.

Eu não sabia o que era mais assustador.


Capítulo 17

Laney

No dia seguinte acordei cedo, as palavras de Easton


soando nos meus ouvidos.

Eu não estava surpresa por ele agir como um idiota.


Honestamente, meio que esperava isso. Ele normalmente era
uma pessoa tão arrogante que me perguntava quando
decidiria atacar ou algo assim.

Não foram suas palavras que me incomodaram. Pelo


contrário, foi o que vi nos seus olhos, como se ele estivesse
assombrado, abatido, zangado e acima de tudo, com medo.

Ele queria cuidar de tudo sozinho. Não queria ajuda,


porque pensava que poderia fazer tudo acontecer sozinho. E
talvez isso fosse verdade. Easton era uma pessoa incrível,
tanto por dentro como por fora. Sua mente era afiada e era
fisicamente qualificado como uma pessoa poderia ser.

Mas tenho a sensação de que ele também está muito


envolvido no caso. Eu queria ajudar, queria fazer parte disso,
mas estava com medo que me afastasse.

Saí da cama e fui ao banheiro, escovar os dentes e fazer


minha rotina matinal. Odiava que ele dissesse que acabamos
e que éramos apenas meios-irmãos novamente. Pensei que
éramos mais do que apenas colegas de trabalho e meios-
irmãos, mas talvez eu estivesse errada. Talvez tenha me
enganado com ele. Talvez no final das contas, ele só se
importasse com seus casos e consigo próprio.

Frustrada, desci até a cozinha. Susan estava sentada na


mesa, o que me surpreendeu. Ela raramente estava em casa,
sempre tão ocupada com seu trabalho e sua cadeira no
Conselho da cidade.

— Bom dia, Laney. — ela disse.

— Bom dia. — servi-me uma xícara de café e encostei-


me ao balcão. — Normalmente você não está em casa nessa
hora.

Ela sorriu.

— Tenho trabalhado muito duro. Decidi tirar a manhã


de folga.

— Sorte sua. — fiz uma pausa, tomando meu café. —


Você sabe que Easton está aqui agora, certo?

— Claro que sim. Eu sugeri, na verdade.

Inclinei a cabeça na direção dela.

— Por quê?

— Bem, você ouviu sobre o que está acontecendo.

— Com certeza. Os assassinatos.


— O Xerife Sloan acha que Easton pode ajudar. Quero
oferecer todo o apoio possível. Acho que ele pode trabalhar
mais aqui do que naquele escritório pequeno.

— Talvez. — eu murmurei. — Ou talvez esteja melhor


sozinho lá.

Susan riu.

— Está tudo bem?

— Sim, claro.

— Você parece um pouco irritada.

Eu suspirei, sentando na frente dela.

— Seu filho é um verdadeiro idiota, isso é tudo.

Meus olhos se arregalaram. Não podia acreditar no que


havia acabado de dizer, mas Susan apenas riu um pouco
mais.

— Ele é um menino teimoso, isso é certo. O que


aconteceu?

— Fechou o escritório e terminou o trabalho comigo.

— Sério? — ela pareceu um pouco surpresa. — Ele disse


que você tem sido de grande ajuda para ele.

Eu assenti.
— Também pensei assim. Estávamos analisando o caso
juntos em um segundo e no outro ele me disse que não
trabalharemos mais em conjunto e para eu o esquecer.

Susan fez um pequeno som e acenou com a cabeça,


pensativamente.

— Não posso dizer que estou surpresa.

— Você não pode? Tenho certeza que sim.

— Você sabe, — ela disse lentamente — Quando Easton


era um garotinho, ele tinha um amigo chamado Michael.
Mike veio de um lar ruim, seus pais estavam sempre
bêbados, ele se mudava bastante. Por algum motivo, Easton
descobriu tudo.

— Quantos anos ele tinha?

— Nove ou dez.

— Era muito jovem para ver algo assim.

— Eu sei. Ele sempre teve uma leitura incrível das


pessoas, muito além de sua idade quando era jovem.

— Então o que ele fez?

— Bem — ela disse, continuando — Um dia ele veio e


me implorou para deixar Michael dormir aqui. Disse que tudo
bem, claro. Na noite seguinte Easton veio até mim e implorou
para deixar Michael ficar de novo. Eu disse que tudo bem
mais uma vez, pois não era incomum que as crianças
ficassem duas vezes seguidas.

— Posso ver aonde isto vai. — eu disse suavemente.

Susan sorriu.

— Eu sabia que algo estava acontecendo quando ele


perguntou pela terceira vez. Sentei com ele e disse: — Easton,
porque você está tentando tanto fazer Michael ficar? — nunca
vou esquecer o que ele disse.

Eu bebi o meu café.

— O quê?

— Ele disse: — Porque, mãe, a casa do Mike é horrível e


ele não quer mais viver lá. Talvez não diga isso, mas ele está
feliz aqui. Pensei que talvez pudesse morar com a gente.

— Uau. — fiquei genuinamente surpresa.

Ela assentiu, sorrindo com carinho para a memória.

— Perguntei-lhe: Onde Mike iria ficar? — ele disse: No


meu quarto. Eu perguntei: — O que ele vai comer? — ele
disse: Minha comida. — eu estava genuinamente surpresa.

— Então, o que aconteceu?

— Mike foi para casa naquela noite e a mãe dele o


espancou severamente por não dizer a ela onde estava.
Depois disso, a mãe dele foi presa e o pai ficou sóbrio.
Deixei essa história penetrar em minha mente por um
segundo. Parecia com Easton, de algum modo. Ele estava
disposto a ajudar a senhora Suarez e apesar de demonstrar
ser um detetive cínico na maioria das vezes, eu consegui
vislumbrar alguém generoso debaixo daquele exterior.

— Uau. — eu disse suavemente. — Isso deve ter sido


difícil para uma criança.

— Era mesmo. Lembro-me de quando ele finalmente


entendeu o que havia acontecido com Mike e embora nunca
dissesse em voz alta, poderia dizer que ele se culpou.

— Não foi culpa dele. Até tentou, o melhor que uma


criança poderia fazer pelo menos.

Ela sorriu tristemente.

— Eu sei. Mas você tem que entender algo sobre Easton.


— ela tomou um gole de café e olhou para a cozinha. — Ele
quer ajudar a salvar todos e cada fracasso é pessoal. A certa
altura, aprendeu que era mais fácil relacionar-se pouco com
as pessoas do que falhar constantemente em tentar corrigir
tudo.

— Mas como ele poderia tornar o mundo perfeito?

Ela olhou para mim, sorrindo.

— Ele não pode. Mas é teimoso além da conta. Isso tudo


tem muito a ver como o motivo pelo qual ele e eu não nos
damos bem.
— Por que é assim?

Ela balançou a cabeça.

— Uma história longa e estúpida. Fomos muito teimosos


um com o outro.

— Eu entendo. — disse, embora desejasse que ela


continuasse.

— Seja como for, — ela disse, bebericando seu café e


espreguiçando-se. — Eu acho que é o suficiente sobre ele.

Queria pressioná-la. O que essa história toda tinha a ver


comigo e com ele? Ela achou que estava tentando me
proteger, não deixando eu me envolver com sua investigação?
Eu queria saber mais, ter sua perspectiva sobre ele quando
era criança, mas sabia que mais perguntas pareceriam
suspeitas.

Afinal, éramos apenas meios-irmãos.

— Obrigada por me dizer isso. — eu disse. — Faz com


que me sinta um pouco melhor, eu acho.

— Não se preocupe querida. Eventualmente ele voltará.


— ela fez uma pausa e riu suavemente. — Ou não. Nunca se
sabe.

Eu bebi o meu café.

— Acho que vou subir e me recompor.


— Parece bom.

Sorri e deixei a cozinha. Precisava sair de lá antes que


minha curiosidade tomasse conta de mim.

Talvez sua história tivesse levantado mais perguntas do


que respostas, mas eu estava totalmente certa de uma coisa:
Easton iria tentar me afastar, porque ele achava que era
melhor para mim. Mas não tinha permissão para escolher o
que era melhor para mim.

Parei na porta dele. Estava entreaberta, então empurrei


suavemente para abri-la.

O quarto estava vazio.

Entrei rapidamente, sem pensar muito. Fiz uma procura


rápida no quarto e vi o que estava procurando: o arquivo do
caso. Eu o peguei da mesa ao lado e rapidamente trouxe para
o meu quarto.

Uma vez lá dentro, sentei no chão e espalhei o arquivo


na minha frente.

Havia muita coisa. Relatórios policiais, fotos da cena do


crime, anotações manuscritas e muito mais. Tudo se estendia
por um longo período de tempo, voltando para o assassinato
original que iniciou o arquivo. As contribuições de Easton
foram significativas, mas era apenas uma pequena parte do
que estava lá dentro.
Eu não sabia o que Easton estava pensando, ou o que
ele queria. Parte de mim não se importava. Se quisesse ser
teimoso, então tudo bem. Mas não podia controlar minhas
ações e eu iria ajudá-lo a pegar esse assassino.

Ele não era a único que conhecia a senhora Suarez. Fui


à casa dela; eu a conhecia. Sentia-me tão responsável pela
Luisa quanto ele.

Tomei mais um grande gole de café e mergulhei de


cabeça no arquivo desde o início. Eu teria uma longa manhã
pela frente.
Capítulo 18

Easton

Estava coberto de suor, quando comecei a segunda série


de exercícios. Eu despi a camisa encharcada e a joguei para o
lado, ficando de joelhos para começar. Flexionei meus braços,
exercitando meu corpo duramente, além do ponto de
exaustão.

Havia negligenciado meus exercícios. Felizmente, o


porão de Susan estava equipado e tranquilo, e então eu pude
escapar para lá cedo para me exercitar. Havia apenas uma
esteira e alguns pesos simples, mas tudo bem.

Eu liguei a TV no noticiário local e comecei minha série


de exercícios. Isso afiou minha mente, fazendo com que
tivesse melhor concentração. Estava muito ocupado me
embebedando com álcool para me esforçar realmente, mas
me senti bem para finalmente tirar minha bunda da cadeira.

Além disso, malhar me ajudava a pensar.

Havia tantas possibilidades no caso. Todas giravam em


torno da minha mente constantemente, voando de um lado
para o outro. Queria ficar com a mente totalmente clara, eu
precisava ficar se quisesse descobrir alguma coisa.
Infelizmente, Laney continuava se projetando na minha
mente.

A maneira que me olhou quando disse que não


trabalhávamos mais juntos continuava cutucando meu peito.
Eu odiava magoá-la, senti que precisava afastá-la, mas
esperava que ela entendesse isso um dia. Esperava que ela
entendesse que, no momento, eu era a pessoa mais perigosa
de toda Mishawaka. Apenas estar perto de mim poderia
significar a morte.

Talvez eu devesse ter fugido, mudado para outro estado,


mas isso não teria parado as mortes. Francamente, pensei
que se Susan e Alan estavam em perigo, Laney também
estaria. A melhor coisa que poderia fazer por eles era resolver
o caso e resolvê-lo rapidamente.

Mas a maldita Laney. Lembrar a maneira que ela gemeu


quando montou no meu pau só me fez ficar duro como uma
rocha. Eu terminei minha série e sentei no sofá, respirando
profundamente. Podia sentir meu pau começar a se mexer
quando tudo sobre aquela tarde no carro voltou para mim.

A maneira como ela sussurrou no meu ouvido. A


maneira como implorou por isso. Seus lábios me chupando.
Era impossível não pensar nela, não quando me deixava
completamente louco.

Apertei meu maxilar e voltei a me exercitar. Não havia


nada a fazer naquele dia exceto limpar minha mente. Mais
tarde, uma vez que sentisse que finalmente podia concentrar-
me no meu trabalho, me jogaria no caso. Em primeiro lugar,
porém, precisava fazer meu pequeno ritual.

Cansar o corpo para que a mente possa assumir.

Passaria horas ali. Iria me exercitar e descansar um


pouco vendo as notícias e depois voltar ao exercício. E mais e
mais.

Por fim, o sol se pôs no horizonte e estava


completamente exausto. Foi muito bom estar totalmente e
absolutamente exausto.

Levantei e me espreguicei, olhando para a janela do


porão. Sombras se estendiam pelo pátio e o céu era um
profundo vermelho sangue.

— Easton.

Olhei para as escadas. Laney estava ali, olhando para


mim.

— O que posso fazer por você?

Ela mordeu o lábio com meu tom de voz. Senti uma


pontada pequena de arrependimento, mas deixei de lado. Eu
precisava manter minha mente focada.

— Acho que encontrei algo.

Levantei minha sobrancelha.


— Pensei que disse que não trabalhamos mais juntos.

— Sei o que você disse, — ela retrucou — Mas nem


sempre escuto.

Eu suspirei, sentando e passando a toalha pelo meu


corpo. Vi seu olhar, mas me recusei a entender o que isso
significava.

— Não tenho tempo para isto, Laney.

Ela fez uma careta.

— Olha, eu entendo. Você é o grande babaca que vai


salvar a todos. Mas acho que percebi algo importante.

Ela desceu os degraus, segurando o arquivo do caso.


Levantei de repente irritado.

— Você pegou isso do meu quarto?

— Sim, eu peguei.

— Não é seu para pegar.

— Que pena. — ela sentou no sofá e abriu o arquivo. —


Olhe para isto.

Ela começou a tirar fotos das cenas dos crimes. Cada


foto era de uma mão, os dedos da forma habitual. Ela
espalhou todos no chão na frente dela.

— Mãos, eu disse.
— Fique quieto por um segundo. — ela disse. Eu tentei
não sorrir, mas não disse nada. — Estas são todas dos
assassinatos originais. — prosseguiu. — Vi que a polícia
nunca liberou este pequeno detalhe, que o mindinho da mão
esquerda sempre foi cortado até a segunda junta, enquanto
todos os outros dedos foram removidos completamente.

Balancei a cabeça.

— Sim, me lembro disso. Eles queriam ser capazes de


verificar se tínhamos pegado o cara.

— Você também disse que sabia se estávamos lidando


com alguém que realmente trabalhou com Seed ou com um
imitador, certo?

— Isso é o que estou tentando descobrir agora.

Ela me olhou por um segundo.

— Você não vê? Somente as pessoas mais íntimas com


os assassinatos saberiam disso: o próprio assassino, os
outros quatro agentes que trabalharam nesse arquivo,
incluindo você mesmo.

Inclinei minha cabeça para ela, franzindo a testa. Seus


grandes olhos me encaravam, seu rosto sério, a respiração
profunda. Comecei a endurecer quando me lembrei daqueles
seios no meu rosto, o corpo dela batendo em cima de mim.

E então isso me atingiu. É claro. Se os novos


assassinatos tinham as mãos como os antigos, poderíamos
concluir que alguém com informação privilegiada estavam
cometendo os assassinatos.

Olhei para ela por um longo tempo. Sabia que tinha


motivo para ficar impressionado, pois ela viu algo tão óbvio
que eu esqueci.

— Você tem razão. — eu respondi simplesmente.

Seu rosto se abriu em um sorriso orgulhoso.

— É mesmo? Isto é importante?

Concordei.

— Preciso falar com o xerife.

— Puta merda, Easton!

Não pude deixar de sorrir de volta. Ela se levantou,


espalhando as fotos pelo chão e jogou os braços em minha
volta. Ela esmagou seu o corpo contra o meu, me abraçando
fortemente.

Senti uma onda de excitação me percorrer quando ela


pressionou o corpo contra o meu, eu a abracei puxando-a
para mais perto de mim. Naquele momento, percebi o quão
envolvido estava. Estava disposto a afastar as pessoas, mas
para quê? Laney queria ajudar e ela boa nisso. Além disso,
ela estava em perigo, não importa o que eu fizesse.

Afastei-a e a olhei.
— Sobre o que aconteceu.

— A menos que você esteja prestes a pedir desculpas,


não quero ouvir.

Sorri para ela.

— Não peço desculpas.

— Isso parece ser uma regra ruim.

Cheguei por trás dela e agarrei sua bunda, pressionando


minha virilha com mais força contra ela.

— Trabalhamos muito bem juntos.

— Isso não soa como "Desculpe-me Laney você tinha


razão, Laney".

— Eu disse que você estava certa.

— Verdade. Chegou bem perto então.

Aquele sorriso provocante em seu rosto estava me


deixando louco. Apesar de ter exercitado meu corpo até a
exaustão o dia todo, estava duro para ela, meu pau lutando
contra meu short de treino. Sabia o que queria: a única coisa
que poderia limpar minha mente.

Beijei-a, pressionando minha boca contra a dela. Ela


soltou um gemido suave quando minhas mãos agarraram sua
bunda, puxando-a para mim com mais força. Retribuiu o
beijo, envolvendo seus braços ao meu redor.
Havia me ferrado quando a afastei, quando pensei que
poderia fazer tudo sozinho.

Mas não ia estragar tudo agora.


Capítulo 19

Laney

Easton me beijou áspera e duramente, a fome nele me


surpreendeu.

Soltei um gemido suave enquanto sentia seu pau duro


através do short, o que também me surpreendeu.

— Esta é uma forma estranha de pedir desculpas. —


sussurrei quanto ele tirou minha camisa.

— Não peço desculpas. — ele respondeu, tirando sua


própria camisa. — Mas vou ter a sua boceta.

— Easton. — eu disse, mas ele já estava beijando meu


pescoço.

Não conseguia evitar. Abaixei e o agarrei, acariciando o


seu eixo através do short fino. Ele soltou meu sutiã e o deixei
cair no chão. Começou a apalpar gentilmente meus seios,
minhas costas, minha pele. Amei a sensação do seu pau duro
em minhas mãos e os grunhidos suaves que ele dava
enquanto eu o acariciava.

Ele abaixou e desabotoou minhas calças, caindo de


joelhos. Dei uma risadinha quando a tirou de mim, jogando-a
para o lado. Agarrou minha bunda e me puxou contra sua
boca enquanto beijava e lambia minha boceta sobre a
calcinha.

— Cuidado. — eu disse, mordendo meu lábio. — Você


vai destruí-la.

— Já está arruinada.

Ele a puxou para baixo e passei meus dedos pelo seu


cabelo. Começou a mordiscar meu clitóris novamente,
gentilmente, lambando e chupando. Abriu mais minhas
pernas e pegou na minha bunda, pressionando com mais
força contra sua boca.

— Oh merda, Easton. — eu gemia. — Puta merda como


é bom.

— Saber como tratar uma boceta significa que nunca


tenho que pedir desculpas. — ele resmungou.

Não pude deixar de rir. Puxei seu cabelo delicadamente


e respondeu lambendo mais forte e enfiou um dedo dentro de
mim.

Minhas pernas tremiam enquanto me acariciava. De


repente colocou seus braços nas minhas pernas levantando-
se e me levando junto.

— Easton! — ofeguei, surpresa e com um pouco de


medo.
Ele riu quando me colocou no sofá. Eu mordi o lábio,
surpresa com a facilidade que poderia me levantar e um
pouco mais do que excitada. Voltou a lamber meu clitóris e
enfiou o dedo dentro e fora de mim, pressionando-o contra
mim com força. Abri mais minhas pernas, tentando não
gemer muito alto.

Olhei para ele. Seus dedos pressionaram dentro de mim


e ele sorria.

— Quer que eu te foda novamente, Laney?

— Sim. — eu disse imediatamente.

Ele fez algo com os dedos que deixou meu corpo em um


prazer convulsivo.

— Vai me deixar entrar nessa boceta apertada?

— Por favor. — gemi incapaz de pensar, incapaz de me


mover.

Tirou os dedos e se levantou. Tirou o short, a cueca e


olhei para ele. Caminhou até sua mochila, tirou a carteira e
pegou um preservativo.

Ele o entregou para mim.

— Vá em frente.

Fiquei de joelhos na sua frente e o abri. Lentamente


coloquei seu pau entre meus lábios, tomando tanto quanto
podia e então comecei a rolar o preservativo pelo seu
comprimento.

— Ah, merda. É disso o que eu gosto. — ele disse.

Quando terminei, ele me agarrou, levantando-me e


colocando de costas. Pressionou meu corpo para baixo,
posicionando meus joelhos no sofá e ficou em pé atrás de
mim. Senti seus dedos e boca começarem em minha boceta
por trás e apertei meu rosto na almofada, gemendo alto.

Senti seus dedos se afastarem e ele se inclinar para


frente, falando no meu ouvido.

— Eu amo quando está encharcada. Eu amo quando


você mostra sua boceta, me implorando por isso.

Eu o senti pressionar as mãos contra meu quadril e


empurrar lenta e profundamente seu pau entre minhas
pernas.

Soltei um gemido baixo, profundo, quando ele me


preenchia.

— Merda. — ele resmungou. — Porra, eu adoro olhar


para o seu rabo no ar.

Começou a se empurrar em mim, seu comprimento


penetrando em minha boceta lisa. Gemia no travesseiro,
agarrando-o apertado de encontro à dor deliciosa que sentia.
Suas estocadas ficaram mais profundas, mais
insistentes, quando ele agarrou meus seios, brincando com
os mamilos. Pressionou mais fundo em mim e então começou
a esfregar meu clitóris.

Movi meu quadril contra ele, facilitando-lhe em um


ritmo que funcionou. Pude senti-lo bater em meu núcleo,
enquanto me esticava e enchia. Amei o atrito da nossa pele
quando começou a me foder com mais força.

Ele deu um tapa na minha bunda e soltei um gemido.

Comecei a empurrar meus quadris contra ele, usando o


sofá como alavanca.

— Sim foda-se. — ele resmungou. — Monte esse pau.

Balancei minha bunda furiosamente, sentindo longas


ondas de prazer e desejo passando por mim. Eu o queria
tanto e ele começou a empurrar de volta, suas mãos fortes
em meus quadris.

Agarrou meu cabelo, inclinando minha cabeça para trás.


Ofeguei, tentando não gritar quando senti os lábios dele
encontrar minha orelha.

— Você tem uma boceta tão boa e apertada. — ele


sussurrou.

— Oh Deus. — eu gemia. — Easton, continue e me


foder.
— Você está chegando perto? Acha que vou deixar você
gozar?

— Easton. — eu disse, meio choramingando e gemendo.


Estava fora de mim com tanto prazer.

De repente, ele tirou o pau e me virou. Ajoelhou no sofá


na minha frente e estendi a mão para tocar seu peito e
abdômen. Observei enquanto afundava profundamente entre
minhas pernas e joguei minha cabeça para trás soltando um
gemido profundo.

Ele se inclinou, colocando uma mão sobre minha boca.

— Silêncio. — ele disse em meu ouvido. Eu podia ouvir o


riso em sua voz. — Não queremos que os nossos pais ouçam,
não é?

— Easton. — eu gemia.

Começou a mover os quadris, a mão na minha boca.


Coloquei as mãos para cima e agarrei o braço do sofá,
segurando enquanto ele me fodia.

Movi meus quadris, me esfregando contra ele enquanto


empurrava seu pau dentro de mim. Olhou-me nos olhos
enquanto me fodia, sua mão na minha boca. Gemia em sua
mão com abandono selvagem, perdendo-me completamente
em seu cheiro, seu corpo.

Podia sentir meu orgasmo chegando pesado e duro.


Mordi seu dedo e ele resmungou com a dor.
— Seja boa. — ele rosnou quando me fodeu com mais
força, asperamente.

— Estou perto — eu disse.

— Goze então. — ele resmungou. E começou a me foder


asperamente, profunda e duramente e joguei minha cabeça
para trás, deixando o prazer se derramar em cima de mim.

E então o orgasmo me atingiu, convulsivo e incrível.


Cada novo impulso dele enviou choques na minha espinha,
fazendo meus músculos se contraírem. Minha mente ficou em
branco com total prazer, inteira e completamente livre.

Lentamente, diminuiu o ritmo e começou a sair. Ele


sorriu para mim.

— Isso foi bom. — disse. — E agora é minha vez.

Concordei, respirando profundamente, meu coração


batendo forte. Ele voltou a se ajoelhar e segurou minhas
pernas para cima, batendo ainda mais fundo dentro de mim.

— Ah foda-se, Easton. — eu ofeguei.

Ele me fodeu duramente e sem piedade. Adorei, adorei o


suor escorrendo por nossos corpos, amei o olhar sério em seu
rosto enquanto olhava para os meus seios, meus lábios e
meu rosto.

— Vamos. — eu gemia. — Foda-me profundamente.

— Você quer que eu te encha?


— Encha-me, Easton. Foda minha boceta.

— Quero que engula tudo. Quero que engula meu


esperma.

— O que você quiser. Vou fazer o que você quiser.

— Foda-se, garota. — ele gemeu. — Eu adoro ouvir


essas palavras.

— Goze quando quiser. Eu sou sua.

— Merda. — ele engasgou. Continuou a bater dentro de


mim, empurrando profunda e duramente, seu corpo
musculoso treinado com antecipação.

Então ele tirou, arrancando a camisinha. Fui na sua


direção quando trouxe seu pau para a minha boca.

Empurrou uma vez, duas vezes e então seu esperma


quente encheu minha garganta.

— Oh meu Deus. — ele gemeu em um orgasmo duro. Eu


o chupei, trabalhando nele enquanto gozava na minha boca.

Engoli cada gota.

Lentamente, seu orgasmo diminuiu e ele caiu no chão.

Sai do sofá e sentei ao lado dele. Adorava a sensação de


nossos corpos nus, ensopados de suor juntos.
Não havia mais nada naquele momento, apenas eu e ele.
Esqueci tudo sobre os assassinatos, o perigo, a raiva e a dor.

Havia apenas nós.

Não sabia onde estávamos, mas sabia que eu queria


mais disso.
Capítulo 20

Easton

A floresta estava linda, escura e profunda quando subi


pela mesma longa estrada de terra do dia anterior. Visões do
corpo delicioso de Laney dançavam na minha cabeça, quando
parei na clareira onde eu vi pela primeira vez o corpo de Luisa
Suarez.

Passei o dia tentando contato com o xerife Sloan, que


era algo surpreendentemente difícil de fazer. Então, ele era
um xerife de cidade pequena com alguns casos de homicídios
enormes na sua agenda e provavelmente estava mais
ocupado do que já esteve em toda sua vida.

Enquanto isso estava na cama com Laney. Depois que


os nossos pais saíram para trabalhar, estávamos livres para
vagar pela casa, para explorar um ao outro tanto quanto
quiséssemos. Vinte e quatro horas de prazer e sexo suado
significava que estava limpo e lúcido de uma forma que não
esperava.

Pensei que ela era uma distração. Pensei que era algo
que precisava deixar fora do limite, superar, se ia fazer o meu
trabalho. Mas estava começando a ver que Laney era muito
mais do que isso.
Estacionei meu carro e saí. A caminhonete de Sloan
estava há alguns metros de distância e assim que saí, ele
abriu sua porta.

— Easton. — ele disse.

— Sloan.

Nós apertamos as mãos.

— Por que diabos eu estou aqui? — perguntou.

— Eu queria falar com você sobre Luisa Suarez.

— Achei que fosse isso. — ele me deu um olhar sério. —


Está escuro e tive um longo dia, então vamos fazer isso
rápido.

— Trouxe o que pedi?

Ele assentiu.

— Todas as fotos que você poderia querer. — estendeu


uma pasta de papel pardo.

Eu a peguei.

— Vamos.

Saí em direção à árvore onde Luisa foi encontrada,


Sloan no reboque. Paramos em frente ao local e ficamos em
silêncio. Sem o corpo, era apenas mais uma árvore em uma
pequena clareira. Não havia nada de significativo sobre isso,
não desde que a cena havia sido liberada pela perícia.

Porém ambos sabíamos que apenas dois dias antes, foi o


local de um terrível, horrível assassinato. Ainda era pesado,
quase como se o resíduo do crime horrível ainda pairasse no
ar.

Abri a pasta e comecei a folhear as fotos. Parei quando


encontrei o que procurava.

— Lembra-se disso? — perguntei a Sloan, segurando a


foto.

— É claro. Ainda não temos nenhum indício do que


significa 'TON', apesar de termos algumas teorias.

Balancei a cabeça.

— Sei o que isso significa.

Ele levantou uma sobrancelha e cruzou os braços.

— Você poderia ter me dito pelo telefone ao invés de me


trazer aqui, filho.

— Eu precisava que você visse. Caso contrário, não sei


se acreditaria em mim.

— Está bem, então. Continue.

Respirei fundo, não tendo certeza se estava fazendo a


coisa certa ou não.
— Qual a posição que o corpo de Luisa foi deixado? —
perguntei para ele.

Ele apontou.

— Dessa forma. Estava de costas contra esta árvore.

— Certo. E que direção é essa?

Ele pensou por um segundo.

— Leste, mais ou menos.

— Certo. Luisa estava virada para leste e este sinal dizia


'TON'. Xerife, eu acho que foi uma mensagem para mim.

Ele me olhou em silêncio por um minuto, talvez mais.

— Então você acha que o assassino estava escrevendo


seu nome.

Concordei.

— Era óbvio o suficiente para eu encontrar, mas não tão


óbvio para alguém notar.

— Tenho que admitir é uma teoria atraente.

— Você sabe sobre o meu envolvimento com o caso


original.

— É claro.
— Então sabe o quanto estou perto de tudo isso. Acho
que quem está fazendo isso está vindo atrás de mim.

— Mas por quê?

— Não sei. — fiz uma pausa folheando as fotografias. —


Há algo mais.

— Você esteve ocupado. — ele murmurou.

— Isto não fui eu, na verdade. — parei quando encontrei


o que estava procurando e tirei a foto. Um relance confirmou
minhas suspeitas. — Quanto do arquivo original você viu?

— Um pouco. Não muito. O que o FBI enviou tinha um


monte de correções.

— Isso é porque eu ainda tenho o original. — levantei


minha mão quando vi o olhar em seu rosto. — Desculpe
Sloan. Não sabia em quem confiar.

— Jesus, Easton. Você disse que iria compartilhar isso


conosco. Achei que você não o tinha.

— Estou compartilhando agora. Não sabia em quem


confiar com isso. Mas olhe. — apontei para a foto. — Veja
isso? Sua mão esquerda. O dedo mindinho não foi totalmente
cortado da mão. — tirei do bolso e peguei uma cópia da foto.
— Esta é de um dos assassinatos originais. A mão esquerda,
dedo mindinho cortado somente na segunda junta.

Sloan estudou as fotos.


— Então o que isso prova?

— Nunca divulgamos os detalhes sobre o mindinho. Era


para provar que quem nós pegamos era o verdadeiro
assassino.

— Entendo. — ele disse lentamente. — Então quem está


fazendo esta matança é muito íntimo com o caso, mas não
totalmente.

— Correto. Acho que isso exclui alguém que trabalhou


com Seed originalmente, ou o próprio Seed.

Sloan balançou a cabeça, me entregando as fotos.

— Isto é muito para assimilar, Easton. E esconder


informações de nós é muito importante.

— Estou ciente disso. Mas acho que consigo reduzir o


número de suspeitos para poucos.

— E são estas pessoas que você vai me deixar


investigar?

Concordei.

— Sem mais segredos, xerife. Quero pegar esse filho da


puta.

— Sim. — ele resmungou. — Eu também.

Ficamos ali em silêncio, por mais um minuto,


examinando a cena juntos. A raiva tomou conta de mim
novamente, raiva contra o assassino e uma profunda tristeza
por todas as vidas perdidas.

Durante o caso de Seed, eu não queria matá-lo. Foi em


legítima defesa. Mas se eu tivesse outra chance, iria em frente
e faria tudo novamente. Puxaria o gatilho sem pensar duas
vezes.

Entreguei a Sloan a cópia do arquivo e voltei para o meu


carro.

— Envie esses nomes para mim. — ele falou atrás de


mim.

Apenas acenei, subindo no meu carro.

Minha mente ainda estava em Laney enquanto dirigia


para casa, apesar de minha conversa com Sloan.

Sabia que deveria estar trabalhando no caso com mais


afinco, mas também sabia que não conseguiria sozinho.
Laney me fez perceber isso. Vi algo nela desde o começo vi
que ela era mais inteligente e corajosa do que poderia
imaginar. Mas isto não aconteceu até que reparou em um
detalhe que esqueci completamente e percebi quão perto do
caso estava e quanto precisava de sua ajuda.

Parte de mim desejava que ela fosse apenas uma garota


normal. Desejei que fosse chata, normal, nada de especial.
Desse jeito eu não estaria tão envolvido com ela, entrando em
um espiral de profunda necessidade de seu corpo.
Enquanto dirigia, tornou-se cada vez mais claro para
mim que precisava contar para ela.

Desde que posso me lembrar, tenho guardado esse


segredo. Foi algo que jurei que nunca contaria a ninguém,
algo que jurei que levaria para o túmulo. Mas sabia que era
um detalhe importante e algo que Laney devia saber. Ela até
poderia fazer uma conexão que eu posso estar
negligenciando.

Ainda assim, não contaria para Sloan. Teria que fazê-la


prometer guardar para si mesma; caso contrário, tudo o que
passei seria por nada. Podia-se ou não confiar nela não
estava totalmente claro, mas eu sabia que precisava arriscar.

Se quiser pegar o otário, teria que fazer tudo o era


possível.

Agora eu tinha Sloan trabalhando comigo. Ele sabia


tanto quanto eu e provavelmente teria mais recursos. Uma
vez que tivesse o arquivo completo do caso, talvez ele fosse
capaz de decifrar aquela merda.

Em última análise, não me importava quem pegasse o


cara, contanto que ele fosse pego e as mortes parassem.

Odiava pedir ajuda. Odiava precisar de ajuda. Mas sabia


que precisava de Laney e do departamento de polícia. Não
estava mais no FBI. Não tinha um parceiro ou os recursos
que uma vez havia usado.
Estacionei o carro na garagem de nossa casa. As luzes
estavam quase todas desligadas e nossos pais ainda não
estavam em casa. Sabia que Laney estava lá em cima em
algum lugar e é melhor que o sistema de segurança esteja
ligado.

Saí do meu carro e fui em direção à porta da frente.

Eu quase o ignorei. Quase passei por ele. Mas


felizmente, olhei de relance para pegar a chave da porta em
meu chaveiro e notei o pequeno envelope marrom no chão ao
lado do tapete.

Não tinha nada escrito ou postagem. Abaixei


cautelosamente e o peguei.

Parecia leve, mas havia algo dentro dele.

Curioso, rasguei a parte superior e coloquei a mão


dentro.

Era quadrado e a sensação de ser de plástico. Eu tirei de


lá.

Meu coração quase parou.

Deixei cair instantaneamente, meus olhos arregalados, o


choque tocando meu âmago.

No chão, olhando para mim, o rosto do meu parceiro


morto imortalizado em seu distintivo do FBI.

O distintivo do FBI de Martin.


O distintivo do meu antigo parceiro, solitário no degrau
da minha porta, fitando-me do passado.
Capítulo 21

Laney

Ouvi a porta ser aberta e o alarme disparar. O medo


tomou conta de mim brevemente até que o sistema foi
desativado um segundo mais tarde.

— Pai? — chamei. — Easton?

Desci as escadas ao vê-lo. Ele parecia abatido e a


expressão em seus olhos enviou arrepios na minha espinha.

— Easton, o que aconteceu?

Ele balançou a cabeça.

— Eu... porra. — ele murmurou, se arrastando.


Entregou-me um envelope marrom.

Peguei e olhei dentro. A preocupação inundou minha


mente. Nunca vi Easton sem palavras antes, muito menos
não tentando esconder isso. Dentro do envelope, encontrei
um crachá de plástico e o tirei de lá.

— Martin Rodriguez? Este era o seu parceiro?

Ele assentiu lentamente.

— Esse é o seu distintivo.


— Como o distintivo veio parar aqui?

— Não sei Laney. Encontrei lá fora nos degraus.

Isso me atingiu imediatamente.

— O assassino?

Ele assentiu lentamente.

— Sim. O assassino.

Calafrios desceram pela minha espinha.

— Ele estava aqui.

— Lá fora.

— Easton. — meus olhos se arregalaram. — O que isso


significa?

O medo na sua expressão lentamente foi sendo


substituído por raiva e exaustão.

— Há uma coisa que não te contei.

— O que está errado?

— Vamos. — ele me levou para longe da porta e fomos


para a cozinha. Abriu a geladeira, pegou uma cerveja e a
abriu. Balancei minha cabeça, quando me ofereceu uma. — É
uma longa história. — ele disse sentado à minha frente.

— Eu li sobre o que aconteceu. Nos arquivos.


— Os arquivos estão errados.

Levantei uma sobrancelha.

— O que você quer dizer? Eles não são baseados no que


você disse que aconteceu?

— Laney. — ele disse lentamente — Eu menti sobre o


que aconteceu naquela noite.

— O que? Por que você fez isso?

Ele suspirou.

— A maioria do que eu disse realmente aconteceu, mas


um detalhe importante é diferente. Apenas... ouça.

Sentei, com medo e confusa, quando ele começou a


falar. Eu podia ver tudo, cada detalhe, quase como um filme
na minha cabeça.

Martin era mais velho, estava com cinquenta anos,


estava quase se aposentando e era por isso que eles o
colocaram como parceiro de Easton para começar. Easton
imaginou que queriam tentar ensinar-lhe alguma coisa, talvez
alguma sabedoria da velha guarda.

A única coisa que Easton havia aprendido até agora era


que Martin odiava a chuva.

— É sempre assim quando estamos de vigia. — ele


resmungou.
— Não. — Easton disse. — É que você só percebe
quando está de vigia.

Martin deu-lhe um olhar.

— Eu conheço a psicologia por trás disso, garoto.

Easton apenas deu de ombros e se recostou no banco do


carro. Ele estava no limite, fortemente no limite, desde que
pararam do lado de fora da casa suburbana totalmente
entediante. Ficaram lá por algumas horas,

— Onde diabos eles estão? — Martin perguntou depois


de um longo tempo de silêncio.

— Eles estão vindo. — Easton respondeu.

— Nós os chamamos há mais de uma hora. Não há


motivos para ainda não estarem aqui.

— Nós dissemos que não era importante. — disse


Easton.

— Como? Nós somos a merda do FBI. Quando


chamamos, você vem correndo.

— Poderia haver algo mais importante acontecendo. É


uma cidade pequena, afinal de contas.

Martin apenas amaldiçoou e cruzou os braços.

Easton sabia o que aquele olhar significava e ele tinha


um mau pressentimento. Os anos não amenizaram a
impaciência de Martin ou seu ódio contra os assassinos. Na
verdade, até onde Easton sabia, Martin era um dos agentes
mais intensos e apaixonados de seu departamento.

Ainda assim, era o caso dele. Easton havia rastreado


este traste, ficou tão obcecado que começou a pensar como
aquele cara. Ele encontrou um corpo novamente, encontrou
uma evidência extra. Era sua operação.

Mas isso nunca importou para Martin.

— Temos que esperar. — Easton disse. — Precisamos de


reforços antes de falar com esse cara.

— Vamos lá, rapaz, não te ensinei nada? — Martin


disse. — Este é só um velho gordo, cara. Não estamos aqui
para prendê-lo.

— Mesmo assim. — Easton disse — Ele é perigoso.

— Talvez. Não temos certeza que ele é o assassino.

— Ele é. O DNA não mente.

— Ok. — Martin disse — Talvez ele seja. Como você


acha que vai reagir quando um carro da polícia parar na
porta da sua casa?

Easton suspirou, balançando a cabeça.

— Calma, Mart. Espere.


— Foda-se. — Martin disse, abrindo a porta. — Estou
indo.

— Martin, foda-se. Espere!

Mas Martin já havia saído do carro.

Easton não teve escolha. Ele o seguiu rapidamente, seus


nervos explodindo. Eles estavam prestes a ficar cara a cara
com um assassino e Martin não parecia se importar.

Ele alcançou Martin e subiram os degraus da frente


juntos. Martin abriu a porta de tela e bateu várias vezes na
grossa porta de madeira verde.

Eles esperaram, Easton recuou colocando o peso em


seus calcanhares. Ele sutilmente verificou sua arma, o
coração batendo forte.

A porta se abriu em uma fresta.

— Sim?

Aquela voz. Aqueles olhos. O coração de Easton estava


martelando como um louco. Era ele. Tinha que ser ele. Era o
assassino que Easton seguiu por muito tempo, que colocou
tanta energia para capturar.

— Lester Seed? — Martin perguntou.

— Sim? Posso ajudá-lo?


— Senhor Seed, meu nome é agente especial Rodriguez e
este é...

A porta se fechou e Easton o ouviu correr dentro de


casa.

— Merda. — disse Martin. — Causa provável?

Easton não teve chance de responder, porque Martin já


estava empurrando a porta. Em sua pressa, Seed não
trancou.

A chuva começou a cair forte.

Eles entraram na casa.

A primeira coisa que impressionou Easton foi o quanto


parecia normal. O homem que vivia ali, Lester Seed, era um
assassino em série de longa data. Era um dos assassinos
mais bem-sucedidos e doentes do mundo e sua casa parecia
como a de qualquer outra da classe média, um trabalhador
de colarinho branco.

Sala de estar limpa. Cozinha limpa. Fotos nas paredes.


Houve um som na parte traseira da casa.

— Seed, queremos apenas conversar. — Martin disse,


seguindo em frente.

Easton colocou a mão na sua arma. Ele estava pronto


para sacar.
— Espere. — disse, mas Martin não estava ouvindo. Ele
caminhou em direção ao barulho.

— Senhor Seed, só queremos conversar. — a mão de


Martin também foi para sua arma, mas ele não fez nenhum
movimento para tirá-la do coldre.

Easton avistou Seed. Seu rosto era de um maníaco, um


sorriso enorme. Ele fugiu em direção aos fundos e Martin o
seguiu.

— Pare! — Easton gritou, mas ele estava falando com


Martin, não com Seed.

Martin não escutou. Ele correu atrás de Seed pela casa,


virando nos cantos cegos. Easton o seguiu, correndo rápido,
seu coração martelando.

Aconteceu de repente. Viraram uma esquina sem


verificar primeiro e Seed se moveu mais rápido do que Easton
imaginou. A faca brilhou, atingindo Martin, o corte profundo.
O sangue jorrava e Martin fez um som que Easton nunca
esqueceria.

E então, a arma estava na mão dele. A faca de Seed


voltou a brilhar, cortando Martin novamente e então virou
para Easton.

Easton atirou. Quatro tiros, um som ensurdecedor no


minúsculo espaço. Ele não poderia ter errado nem se tivesse
tentado.
O vermelho grosso floresceu no peito de Seed quando
caiu no chão.

Easton estava sobre Seed, mas ele não se movia. Seus


os olhos olhavam sem nada ver.

— Martin. — disse Easton.

Ele pegou seu telefone e discou 9—1—1. Os reforços


chegaram em poucos minutos.

Martin se foi antes de chegar ao hospital.

Observei por alguns minutos depois de ter terminado a


história, deixando suas palavras penetrar na minha pele. Ele
terminou a cerveja, levantou e pegou outra.

— É isso. — ele disse. — Agora você sabe tudo.

— Easton. — eu disse suavemente.

— Entende o que isso significa?

Concordei.

— Você levou a culpa.

Ele não disse nada, apenas abriu a cerveja e se sentou.

— Mas por quê? — pressionei. — Toda a sua carreira foi


arruinada por causa disso. Não era esse o emprego dos seus
sonhos?

Ele assentiu.
— Foi como um sonho, sim. E quando a faca de Seed
afundou na pele de Martin, acordei dessa porra bem
depressa.

— Você não precisa levar a culpa.

— Martin era um bom homem. — Easton disse. — Ele


tinha uma família. Era respeitado. Mas estava morto. Pelo
menos eu poderia tenta voltar atrás, tentar limpar meu nome.
Martin nunca poderia. Seria para sempre conhecido como o
agente que foi morto por quebrar o protocolo e correr atrás de
um assassino conhecido.

Estava totalmente chocada. Não podia acreditar que


Easton estava disposto a sacrificar-se por aquele homem.
Martin quase matou os dois e ainda assim Easton destruiu
toda a sua carreira e sua reputação por ele.

— Mas por que o distintivo? — perguntei.

— Eu não sei. — ele disse frustrado e com raiva. —


Realmente não sei.

Easton não agiu impulsivamente. Ele não matou Martin.


Na verdade, tentou salvar a vida dele, mas falhou. Todo esse
tempo viveu com esse fato enquanto o mundo o viu como um
fracassado impulsivo e imprudente que matou um homem.

Não podia sequer imaginar o peso da mentira. Entendi


por que ele fez isso.

Estendi a mão e peguei a dele.


— Como você tem lidado com isso?

Ele sorriu.

— Você viu o meu escritório. Nada bem.

Balancei minha cabeça, surpresa.

— Você precisa contar a alguém.

— Não. — ele disse com força. — E você também não


pode contar.

— Mas por quê? Você pode limpar o seu nome.

— Não. — ele repetiu, movendo sua mão. — Se você


contar a alguém, então tudo o que já passei terá sido em vão.

Fique boquiaberta.

— Easton, vamos lá.

— Ouça-me. Vamos usar esta informação juntos, mas


isso ficará entre nós.

— Ok. — eu disse suavemente.

— Jure.

— Eu juro. Não contarei a ninguém.

Ele relaxou um pouco.

— De qualquer maneira não sei como essa informação


será útil.
— Tem que ser importante. — eu disse. — O distintivo
de Martin não seria deixado aqui sem motivo. Tudo o que
aconteceu com você, Martin e Seed é importante.

Easton me encarou.

— Então o que você acha?

Levantei e dei a volta na mesa, tomando seu rosto em


minhas mãos.

— Eu não sei. Mas você é louco.

Ele sorriu.

— Sim. Eu sei.

Eu o beijei profunda e duramente. Ele me puxou para o


seu colo, envolveu seus braços ao meu redor e beijou de
volta.

Ficou frenético, faminto. Senti suas mãos percorrem


meu corpo e um segundo depois ele levantou, carregando-me
em direção a seu quarto.
Capítulo 22

Easton

Eu me senti aliviado.

Como se um peso de merda tivesse sido tirado do meu


peito.

Esse segredo, essa mentira, vinha pesando desde aquele


dia há mais de um ano. Não contei a verdade a ninguém, mas
contar a Laney era a coisa certa a fazer. Apenas contar a
história verdadeira em voz alta me fez sentir incrivelmente
leve.

E ajudou que fosse Laney quem ouviu. Eu a beijei


áspera e duramente enquanto a pressionava na minha cama,
praticamente arrancando suas roupas.

Eu a queria mais do que nunca. Queria fodê-la


profundamente, lenta e duramente, queria fazê-la gemer meu
nome de novo. Tirei a camisa e abri o sutiã, beijando o
pescoço e apertando os seios dela.

— Porra, Laney. — sussurrei no ouvido dela. — Você me


deixa maluco.

— O mesmo para você. — ela disse, rindo.


— Eu já sei disso. — coloquei minha mão entre suas
pernas, apertando meus dedos na sua boceta. — Posso sentir
isso o tempo todo.

Desabotoei sua calça e coloquei a mão por dentro da


calcinha dela, a necessidade de sentir seu clitóris, tocar sua
pele encharcada. Sua boceta estava molhada como sempre,
encharcada e pronta para mim, o que só me deixava mais
selvagem. Comecei a esfregar o clitóris suavemente, ela se
contorcia e gemia sob meu toque.

— Cuidado, — eu disse — não pode ser muito alto.


Nunca se sabe quando nossos pais podem vir para casa.

— Foda-se. — ela disse.

Eu ri.

— Laney, desde quando você ficou com a boca suja?

Ela corou.

— Você é uma má influência.

— Eu discordo. Sou uma influência maravilhosa. Você é


só uma garota muito, muito má. — escorreguei um dedo
dentro dela e ela engasgou. — Uma garota muito má. Ama ter
o dedo do seu meio-irmão dentro de sua boceta encharcada,
não é?
— Sim, eu gosto mesmo. — ela disse, mordendo o lábio
quando comecei lentamente a colocar meus dedos dentro e
fora.

— Você não sabe o quanto eu fico duro com isso.

— Vamos descobrir. — ela me empurrou e rolou em


cima de mim, desabotoando minha calça jeans. Tirou-a e a
deixou de lado.

— Olhe para você, ficando no controle. — eu disse.

— Tentando fazer a minha parte.

Sentei e agarrei o cabelo dela, puxando-a em minha


direção. Eu a beijei forte quando a mão dela começou a
acariciar meu pau.

— Não esqueça quem está no comando. — sussurrei.

— Nunca.

Eu a soltei e ela tirou minha cueca. Não perdeu tempo e


chupou meu pau, pressionando a ponta grossa e dura entre
os lábios, chupando forte.

Adorava que não estivesse brincando. Havia algo


intenso nela, sério. Foi-se toda a incerteza e qualquer
aparência de hesitação. Ela me queria e ambos sabíamos.
Não tínhamos que fingir que foi um erro porque éramos
meios-irmãos ou porque eu era o chefe dela ou a porra de
qualquer outro motivo idiota.
Assisti seus belos lábios subindo e descendo no meu
pau e desejo tomou conta de mim. Forçava a cabeça dela
para baixo, fodendo sua boca. Ela agarrou seus seios,
segurando-os enquanto eu fodia sua boca.

Ela finalmente recuou e meu pau saiu de seus lábios


com um estalo.

— Deus você é tão sexy. — sussurrei. — Esses lábios


são irreais.

— Oh sim? — ela disse, acariciando meu pau, molhado


com sua saliva.

Sentei e tirei minha camisa. Eu a vi morder o lábio


quando olhou para os meus músculos, o meu corpo. Puxei-a
para frente, colocando-a de quatro. Coloquei a mão por trás
dela e comecei a esfregar seu clitóris e foder sua boceta com
meus dedos.

Bati na sua bunda com a mão livre e ela gemeu. Sabia


que ela gostava e então dei outro tapa mais forte.

— Vamos. — ela gemeu. — Foda-me. Não me faça


esperar e implorar novamente.

Sorri e coloquei a mão no criado-mudo, pegando um


preservativo.

— Por trás. Abra as pernas.


Ela fez como eu pedi, abrindo bem as pernas. Amei sua
boceta molhada esperando por mim, nua e pronta. Ela viu
quando abri o preservativo e coloquei sobre meu pau,
movendo-me lentamente só para provocá-la.

Finalmente, eu puxei seu quadril em minha direção e


coloquei meu pau entre suas pernas, escorregando
profundamente dentro dela.

Ela soltou um gemido baixo, profundo.

— Ah porra. — eu disse. — É como se estivesse mais


apertada.

— Eu preciso disso, Easton. — ela gemeu. — Foda-me.

Agarrei seus quadris com mais força e comecei a


pressão, dando o que ela queria. Ela agarrou seus seios,
gemendo descontroladamente quando meus impulsos ficaram
mais profundos, mais ásperos.

— Deus eu amo quando você implora por isso, eu


disse.— Eu amo encher esta boceta apertada, encharcada.
Você me faz pegar fogo.

— Ah, Easton. — ela gemeu — Quero gozar no seu pau


grosso. Continue-me fodendo.

Esfreguei seu clitóris com o polegar, fodendo-a


profundamente. Ela se contorcia de prazer e eu adorei.
— Você quer que eu a foda sem piedade? Fazer você
tomar totalmente meu pau?

— Por favor. — ela gemeu.

— Você não está preparada ainda.

— Easton. — ela engasgou.

Peguei seus quadris novamente e comecei a fodê-la


violentamente. Segurei suas mãos acima da cabeça,
prendendo-a. Beijei seu pescoço, meu pau empurrando e
entrando dentro dela.

— Quero ver você gozar. Quero excitá-la até não poder


pensar mais. — eu sussurrei.

Eu a segurei enquanto a fodia profunda e duramente.


Ela gemia alto, tomando meu pau, me deixando enchê-la
total e asperamente.

Tirei de repente fazendo-a ofegar. Voltei e a puxei para


cima de mim.

— Monte. — ordenei.

— Foda-se, ok. — ela pôs seus joelhos em torno de mim.

— Não. Assim. — eu a levantei. Ela se inclinou para


frente, as mãos se apoiando no meu peito, enquanto eu
empurrava meu pau para cima e dentro dela.

Ela gemeu no meu ouvido.


— Oh merda, Easton. Estou tão perto.

— Cavalgue Laney. — ela começou a mover seus joelhos


e quadris para cima e para baixo. Segurei sua bunda,
apoiando-a enquanto se movia.

Ela gemia alto, sua bunda batendo contra mim, quando


comecei a me empurrar nela. Eu a fodia duro e áspero,
usando todas as minhas forças para pressionar
profundamente nela. Montou de volta, movendo os quadris,
batendo para baixo no meu pau duro.

Escorregou ficando de joelhos, me pressionando de


volta. Seus quadris começaram a se mover em círculos
cavalgando-me. Deixei-a definir o ritmo, combinando-o com
meus impulsos.

Podia ver que ela estava chegando. Sentia no seu corpo.


Seus olhos fechados enquanto a fodia, sentia seus seios e
bunda.

E então começou a gozar. Ela não disse nada, só gemia


alto. Não podia mais cavalgar, então continuei empurrando,
fodendo através do seu orgasmo, empurrando-a sobre o
orgasmo e fundamente nela.

Vi o seu corpo convulsionar, os músculos tensos,


relaxarem. Sua boca aberta, um meio sorriso, uma expressão
de puro êxtase.
— Oh caralho. — ela disse quando finalmente terminou.
— Puta merda.

Eu ri, segurando-a firmemente contra mim.

— Sim?

— Foda-se.

Sorri perversamente, tirei e a afastei. Eu a coloquei de


quatro, fazendo com que ofegasse.

— Você quer que eu seja bom? — Eu disse.

— Não.

— Tem certeza?

— Quero que goze em mim.

Eu sorri.

— Sim, Senhora.

Agarrei seus quadris e enfiei profundamente o pau entre


as pernas dela. Bati na sua bunda, fodendo-a asperamente.

O corpo dela me deixava louco. Nada mais importava


enquanto estava com ela. Todos os meus problemas, minhas
mentiras, a dor e os pesadelos do último ano derreteram
quando fodia sua boceta apertada. Ela gemeu e moveu os
quadris, me incentivando, querendo que gozasse dentro dela.
E a queria muito. Queria enchê-la com meu esperma
quente para fazê-la minha. Porque quando transava com ela,
nossos corpos suados sabia que sempre iria querer que fosse
minha.

O orgasmo me atingiu com força. Gozei fogo líquido


dentro dela. Ela disse meu nome, mais e mais enquanto
empurrava e bombeava dentro dela.

Isso era o que eu precisava. Queria que ela dissesse meu


nome, de novo e de novo.

Nós desmoronamos juntos na cama, mas eu sabia que


seria apenas uma questão de tempo antes que abrisse suas
pernas e a fizesse minha novamente.

O que quer que aconteça, quase não importava.

A noite de sexo suado ainda zumbia na minha cabeça


enquanto dirigia para o meu escritório na manhã seguinte.

Nós não ouvimos nossos pais chegar em casa.


Felizmente, a casa era grande, então eles não perceberam que
estávamos trancados no nosso pequeno quarto, explorando
um ao outro por horas a fio.

Ela era insaciável e eu também. Nada parecia melhor do


que foder várias vezes até você atingir seu limite absoluto de
exaustão. Exaustos e satisfeitos, caímos num sono profundo.

Fazia muito tempo desde que me senti assim por


alguém. Estive com outras garotas nesse meio tempo, mas
sempre foi uma coisa de uma noite. Iria fodê-la e depois
passar para a próxima. Meus demônios nunca me deixaram
ir devagar, nem por um segundo. Se pensasse em me
estabelecer, os pesadelos poderiam voltar.

Era por isso que estava sempre em movimento, bebendo


para esquecer. Funcionou por um tempo, mas não era uma
solução permanente e nunca poderia ser.

Pegar este assassino e talvez ficar com Laney, poderia


ser a minha salvação.

Estava cansado de fraqueza, cansado de


sentimentos/emoção. Queria caçar este desgraçado com
obstinada dedicação e queria Laney ao meu lado.

Sentindo-me decente pela primeira vez em muito tempo,


estacionei na frente do meu escritório e sai do carro.

Instantaneamente, um sentimento estranho me cercou.


Não sei se foi só uma coincidência estranha, ou se foi por
anos de treinamento do FBI, mas de repente senti que
alguém me observava.

Olhei ao redor, mas não havia ninguém perto de mim.

Balançando a cabeça, eu entrei.

Enquanto andava pelo corredor, o sentimento não foi


embora. Quando me aproximei da porta, quase me senti
tonto com isso.
Coloquei minha mão na maçaneta. A porta começou a
abrir.

Recuei. Havia trancado a porta, quando saímos.


Coloquei a mão na calça e peguei minha arma, erguendo-a
suavemente e engatilhando. Pressionando-me contra a porta,
rapidamente a empurrei, arma estendida.

Tudo estava destruído. Os papéis estavam espalhados


por toda parte, todos os armários foram empurrados e até
mesmo a mesa de madeira pesada estava inclinada para
frente.

Eu me movi pelo local, tomando cuidado para verificar


os cantos, confiando no meu treinamento. Fiz uma varredura
em todo o apartamento, quarto após quarto e não encontrei
ninguém.

Mas o lugar era uma maldita tempestade. Quem quer


que invadiu jogou tudo para fora do lugar, não conseguia
nem encontrar minha garrafa de uísque. À primeira vista não
percebi o que estava faltando, mas sabia que devia ser um
monte de coisas.

Voltei para pegar alguns documentos importantes, mas


pude ver era totalmente inútil. Em vez disso, fui ver as fotos
no banheiro.

A maioria delas estava lá. Escolhi algumas que eu


poderia precisar, colocando-as em minha bolsa. Tive uma
sensação incômoda de que algo estava faltando, mas não
sabia o que era.

Voltei para o escritório e comecei a classificar os


arquivos. A maior parte ainda estava lá, apenas espalhada
por toda parte.

Um calafrio percorreu minha espinha. Sabia quem havia


invadido meu escritório/espaço, mas não queria admitir.

Rapidamente, porém, o mal-estar se transformou em


raiva.

O desgraçado veio aqui. Quem quer que fosse encontrou


meu escritório e invadiu, revirou minha merda, violou a porra
do meu espaço pessoal. Meu escritório foi meu santuário e
minha casa por tanto tempo e agora ele estava contaminado.

Balancei minha cabeça, fervendo. Demorei quase uma


hora para pegar os arquivos, mas eventualmente encontrei o
que precisava. Eles eram principalmente dossiês relativos a
pessoas que estavam mais próximas do caso de Seed no
passado.

Voltei para o banheiro que usava como laboratório de


revelação de filmes e comecei a examinar as fotos novamente.
Aquela sensação incômoda de que algo estava faltando voltou
fortemente.
E então eu percebi. Quando Laney começou a trabalhar
comigo, tirei umas fotos dela e aquelas fotos estavam
faltando.

Na verdade, as fotos dela sumiram.

Voltei para o escritório principal, meu estômago se


encheu de temor.

O arquivo que fiz quando ela começou também estava


faltando. Costumava iniciar um arquivo pessoal sobre as
pessoas, caso precisasse dele.

Todas as fotos dela. Todos os seus materiais. Tanto


quanto eu poderia dizer, isso era tudo o que foi levado.

A raiva tomou conta de mim, raiva e preocupação. Eu


rapidamente recolhi minha merda e saí, fechando a porta
atrás de mim, mas não me preocupei em trancá-la.

Quando cheguei mais perto do meu carro, comecei a


correr, meus punhos cerrados, meu maxilar cerrado, a
inquietação enchendo o meu peito.
Capítulo 23

Laney

Era como flutuar em uma nuvem. Talvez seja um clichê,


mas era como me sentia.

Easton provocou/excitou meu corpo por toda a noite,


mais do que eu já havia sentido antes. No final, estava pronta
para desmaiar, completamente exausta.

Eu me sentia ótima na manhã seguinte. Easton estava


dormindo ao meu lado, seu corpo firme, forte e não pude
deixar de admirá-lo enquanto ele dormia.

Estava tudo tão confuso. Tudo estava acontecendo


rápido, muito rápido e não fazia ideia de onde isso iria parar.
Estávamos lidando com um louco assassino, aparentemente
empenhado em ir atrás de Easton. No entanto, tudo o que
conseguia pensar era em nós dois juntos.

Depois que ele acordou, tomamos café. Mal vimos


nossos pais, pois estavam saindo cedo e trabalhando até
tarde. Era quase como se nós estivéssemos morando juntos
na grande casa sozinhos e tudo fosse nosso.

Foi bom brincar de casinha com ele, mesmo que fosse só


por um dia.
— Estarei de volta em uma hora ou duas. — ele disse.

— Aonde você vai?

— Tenho que pegar algumas coisas no escritório.

Concordei, espreguiçando-me. Estava usando apenas


um short e um top.

— Tem certeza que quer ir embora?

Ele sorriu, beijando meu pescoço.

— De jeito nenhum, mas alguém tem que trabalhar.

— Bem. Fique à vontade.

— Fique aqui. Estarei de volta em breve.

— Ok.

Ele me beijou rapidamente e saiu.

A casa ficou enorme sem ele por perto. Passei meia hora
brincando no Facebook, basicamente matando tempo. Minha
mente vagava de volta para a forma como Easton me fez
sentir, a maneira como excitou meu corpo, sua fome incrível
por mim.

Claro, ele era arrogante e podia ser um idiota. Mas havia


algo dentro dele que eu estava começando a ver mais claro,
algo especial, algo que queria entender. Ele me deixou ver
vislumbres, mas nunca me deixou entrar totalmente.
Após mais alguns minutos, ouvi a porta da frente se
abrir e fechar. Sorrindo para mim, abri a porta do quarto.

— Easton? — chamei.

Não houve resposta.

— Pai? Susan?

Nada.

Franzindo a testa, voltei ao meu quarto e coloquei uma


calça e uma camiseta de manga comprida. Coloquei meu
celular no bolso e então abri a porta e caminhei suavemente
pelo corredor, descendo as escadas.

Parei na porta da frente. Ainda estava ligeiramente


entreaberta. Eu a fechei.

Quem entraria e deixaria a porta aberta?

Franzindo a testa, caminhei em direção à cozinha.

— Easton? — chamei. — Onde você está? — à frente,


ouvi o som da água correndo.

Olhei para a cozinha e franzi a testa. A torneira estava


aberta, mas não havia ninguém lá.

Eu me dirigi a ele.

— Easton? Você deixou a torneira aberta. — falei


fechando a torneira.
Uma sensação de formigamento desceu pelo meu
pescoço.

— Easton não está aqui. — uma voz sussurrou.

Virei.

Ele estava ali, perto de mim, o sorriso doentio no rosto.


Seu rosto parecia familiar por algum motivo, mas não poderia
dizer por quê. Era jovem, talvez tivesse a minha idade.

Tentei correr.

Ele me agarrou, jogando contra o balcão.

—Pare! Quem é você? — gritei.

— Desculpe-me, Laney. — ele disse em tom monótono.


— Você pode culpar seu meio-irmão

Sombrio, calafrios congelantes se instalaram no meu


estômago.

Sabia quem ele era. Eu sabia. Não podia ser mais


ninguém.

Tentei correr novamente, mas ele me bateu. Estrelas


brilharam em minha visão quando seu punho bateu na
minha cabeça. Gemi e tropecei.

Ele riu. Desagradável e alto, ele riu.

— Laney, Laney. Ele não está aqui, então não lute.


— Ele vai te pegar. — respondi.

Chutou meu estômago.

— Bem. — ele sussurrou. — Espero que me encontre em


breve.

A última coisa que lembro foi um pano sendo


empurrado contra meu rosto.
Capítulo 24

Easton

Meus pneus gritaram, queimando borracha, quando


parei o carro na entrada da nossa casa. Saltei e corri,
deixando ele ligado, não pensando em nada além de Laney.

Meu coração quase saiu do peito quando vi que a porta


estava entreaberta.

Segurei minha arma firmemente enquanto empurrava a


porta aberta.

— Laney? — chamei.

Apenas o silêncio em resposta.

Andei pela casa, quarto por quarto, verificando cada


espaço. Em cada local vazio, o silêncio continuava gritando
para mim, cada vez mais alto.

Finalmente, desabei na cama, olhando para as minhas


mãos.

Laney foi embora.

Retirei meu telefone e liguei para o celular dela. Ele


tocou e depois foi para a caixa postal. Tentei novamente, mas
desta vez o correio de voz atendeu imediatamente.
Como se alguém tivesse desligado o telefone dela.

Liguei para o pai dela em seguida.

— Alan? — perguntei quando finalmente consegui falar


através de sua secretária.

— Easton, o que está acontecendo?

— Você viu Laney?

— Não. Está tudo bem?

— Sim. Só estou procurando por ela.

Eu podia ouvir a preocupação na voz dele.

— Ok. Bem, me avise se precisar de alguma coisa.

— Claro. — eu disse e desliguei.

Em seguida liguei para Susan, mas ela disse a mesma


coisa.

Não queria admitir. Não queria que fosse verdade.

Mas o fato era que Laney estava desaparecida. Ela se foi.


Eu falei expressamente para não sair de casa sem mim, em
hipótese alguma e sabia que não faria isso. Sabia que ela não
era burra para deixar a porta aberta.

Levantei e entrei no modo de ação. Sai de casa, voltei


para o meu carro e fui em direção do escritório do xerife.
Quinze minutos depois e pelo menos um sinal vermelho
ultrapassado, eu estacionei na frente e saí do carro. Passei
pela porta da frente.

O cara sentado na mesa era um sargento entediado que


preferia estar em qualquer outro lugar, mas estava preso no
trabalho. Provavelmente no pior dia, também, desde que eu
estava em pé de guerra.

— Você. — eu disse a ele. — Quero ver Sloan.

Ele levantou uma sobrancelha preguiçosa.

— Quem é você, senhor?

— Easton Wright.

— Ok. O xerife está ocupado. — ele olhou para o seu


jornal.

A raiva ferveu em minhas veias. Peguei o papel de suas


mãos e joguei no chão.

— Escute-me, seu idiota. — eu rosnei. — Traga Sloan e


traga-o agora. Minha irmã está desaparecida.

Desnecessário dizer, o Sargento não respondeu bem a


isso. Ele se levantou com uma das mãos em seu spray de
pimenta, seu rosto mortalmente sério. Todos os olhos no
escritório de repente estavam em nós e percebi que estava
cercado por policiais.

— Senhor, — ele disse — Você precisa se acalmar agora.


— Tragam-me Sloan, seu fodido sem cérebro. Minha
irmã pode estar morta agora. Precisamos encontrá-la.

— Quem levou sua meia irmã?

— O maldito assassino em série. — queria quebrar o


nariz do idiota, arrancar sua cabeça dura do corpo. — Traga-
me Sloan.

O cara me olhou por um segundo e eu pensei que


finalmente estava entendendo a situação. Em vez disso, dois
outros policiais vieram.

— Você precisa sair senhor, — disse o Sargento.

— Malditos idiotas. — dei um passo à frente e dei um


soco no nariz do sargento. A cabeça dele caiu para trás e vi
sangue.

Estava no chão em meio segundo.

Senti mais de uma bota me bater no estômago,


enquanto os policiais se empilhavam em cima de mim.

O escritório ficou uma loucura de merda. Duvidava que


alguém tivesse a coragem de dar um soco na cara do
Sargento, muito menos quebrar o nariz dele. Mas eles não me
conheciam.

Logo, eu estava em um banco, dolorido por causa de


uma tonelada de diferentes golpes e algemado.
— Seu burro fodido. — eu gritei. — Ela pode estar morta
agora.

Os policiais apenas me olharam. O sargento me mostrou


dedo do meio, segurando um saco de gelo no rosto. Seus
olhos já estavam ficando pretos.

Eles me seguraram lá por quinze minutos agonizantes


antes de Sloan finalmente sair de seu escritório.

— Easton. — ele disse. — Venha.

O sargento me ajudou a levantar e me acompanhou.


Dei-lhe um grande sorriso e ele me ignorou.

— As algemas? — perguntei.

— Tire você mesmo. — o sargento disse e então foi


embora.

Resmunguei e entrei no escritório de Sloan, sentando na


frente de sua mesa.

Sloan me encarou, balançando a cabeça.

— Você é idiota.

— Ele está com ela, Sloan. Ele está com ela.

— Devagar agora. Não sabemos se ele está com alguém.

— Pode tirar essas algemas?

— Não. Você bateu no policial. Por que não me chamou?


Dei de ombros.

— Eu precisava falar com você agora.

— Bem, aqui estou. Você acha que o assassino está com


ela?

— Sei que ele está.

— Diga-me por que. — ele segurou suas mãos assim que


viu a frustração em meu rosto. — Por favor, me entenda,
Easton. Você vem aqui gritando e socando as pessoas.
Precisa me dar um motivo para ajudá-lo. Eu quero, mas você
parece um pouco perturbado.

Respirei fundo, me recompondo.

— Ok. Ouça.

E então contei a ele sobre o distintivo. Contei sobre a


invasão em meu escritório e contei sobre as fotos
desaparecidas. Disse que tinha certeza de que Laney não
deixaria a casa e como a porta da frente estava entreaberta
quando cheguei em casa. Contei sobre o telefone dela indo
para a caixa postal.

— Você tem que entender. — insisti. — Foi tudo uma


mensagem pessoal para mim. E agora ele a levou.

Sloan assentiu lentamente.

— Entendo o que está dizendo.


— Então me ajude.

— Por que o distintivo? — perguntou.

— O distintivo? Foda-se o distintivo, Sloan.

Ele só se recostou na cadeira.

— O distintivo parece estranho. Como o assassino


conseguiu isso?

Estreitei meus olhos. Não havia pensado nisso antes.


Era estranho que o assassino tivesse o distintivo; até onde eu
sabia só a família de Martin podia estar com ele.

A constatação me sacudiu fisicamente. De repente


estava exultante e incrivelmente triste quando percebi quem
eu estava caçando e por que tudo isso estava acontecendo.

— Easton, nós não sabemos se ele está com ela. —


Sloan estava dizendo, mas eu quase não ouvi. — Ela poderia
ter saído por conta própria, decidiu não queria se envolver em
uma investigação de assassinato.

Minha mente estava girando, se movendo através das


possibilidades.

— Por que não dizer aos pais dela então? — perguntei


indiferente.

Sloan apenas encolheu os ombros.

— Não sei.
— Você está brincando comigo. — senti como se
estivesse em um pesadelo.

— Desculpe garoto. Precisamos de mais tempo antes de


saber se ela realmente se foi ou não.

— Ela estará morta até lá.

— Eu duvido.

Olhei para ele por meio minuto, surpreso demais para


sentir raiva. Finalmente, estendi minhas mãos. Sloan
suspirou.

— Rick. — ele gritou.

O sargento chegou.

— Tire as algemas. — Sloan disse.

Rick se aproximou e tirou as algemas.

— Idiota. — ele murmurou.

Gentilmente sorri para ele e fiquei em pé.

— Por favor, mude de ideia, Sloan. Você vai ter outro


corpo em suas mãos em breve.

— Talvez. Mas volte apenas quando tiver algo mais


concreto.

Virei e deixei a delegacia sem olhar para trás.


A polícia me decepcionou. A porra da polícia havia
falhado. Eram muito lentos, difícil de funcionar.

Mas eu não. Ira encontrá-la. Não ia deixar a porra de


um psicopata machucar Laney.

Finalmente sabia quem estava caçando. O tempo todo


estava bem na minha frente. Alguém perto, mas não
demasiado perto. Alguém que me odiava. Era tão claro que
doía.

Ninguém ia se machucar novamente por minha causa.


Capítulo 25

Laney

Minha cabeça estava rodando quando eu finalmente


recuperei a consciência.

No começo pensei que estava cega. O quarto estava


muito escuro e levei um tempo para entender que não podia
ver porque não havia luz.

Sem luz. Em lugar nenhum.

Grogue, comecei a verificar mentalmente meu corpo. Eu


não estava com dor, ou pelo menos não com muita dor. Todo
o meu corpo estava dolorido e minha cabeça latejava, mas
não era nada fatal.

Tentei me mover, mas não consegui. Mexi meus dedos e


percebi que estava presa, os pulsos juntos, as mãos acima da
cabeça. Minhas costas estavam encostadas na parede fria,
talvez pedra, mas não tinha certeza.

Tentei gritar, mas não consegui. Minha voz era um


coaxar arranhado, quase um sussurro.

O medo não tomou conta de mim, felizmente. Ainda


estava pensando muito objetivamente, criticamente. Eu não
podia ver e minhas mãos, estavam acorrentadas, mas minhas
pernas pareciam estar livres. Tentei deslocar meu peso
empurrando as pernas para frente, mas elas bateram no que
pareciam ser barras de metal apenas a 30 centímetros de
distância.

Então eu estava em algum tipo de gaiola, acorrentada a


uma parede.

O medo veio então, rápido e pesado.

O assassino me pegou. Tive um vislumbre do seu rosto,


mas ele me bateu forte o suficiente para me derrubar. Pensei
tê-lo reconhecido, mas era jovem, muito jovem. Comecei a
lutar, tentando soltar meus braços, mas as algemas em meus
pulsos me seguravam fortemente.

Fiz barulho, mas não me movi nenhum centímetro.

O que estava acontecendo? Por que não eu estava morta


ainda como todas as outras meninas? Ainda tinha meus
dedos, o que era bom.

Quando ele os tiraria?

Eu tentei fazer mais barulho e só conseguiu arrastar as


correntes e chutar a gaiola. De qualquer forma, havia um
silêncio total ao meu redor.

Easton. Ele sabia onde eu estava? Mudei meu peso, mas


não conseguia mais sentir meu celular. Antes estava no meu
bolso, mas claramente o assassino o levou.
Senti o medo e o pânico no meu peito tomar conta de
mim. Eu queria gritar, mas não conseguia, e sabia que não
adiantaria. Precisava confiar que Easton saberia o que fazer.

Easton, ainda estava lá fora. Ele sabia que eu estava em


casa e sabia que o assassino estava vindo atrás dele. Easton
viria atrás de mim.

Ele precisava vir por mim.

Eu não sei quanto tempo fiquei lá em baixo. Senti algo


úmido e mofado e então percebi que estava em um porão.
Mas sem luz ou som, estava completamente perdida,
flutuando no espaço.

Horas se passaram, talvez minutos, talvez dias. Dormi


em um ponto e acordei com um sobressalto, sonhos de
pessoas sem dedos desfilando pela minha mente. Dizia a mim
mesma que Easton estava chegando, ele viria, mas o medo
era muito grande.

E então de repente, a luz.

Pisquei surpresa com o brilho forte. Ouvi alguém


descendo as escadas. A luz original desapareceu, substituída
por uma única fonte.

Ele veio em minha direção, iluminando o espaço.

Estava em um porão, com certeza. O lixo empilhado ao


redor. Madeira podre, blocos de concreto, musgo e muito
mais. Estava numa jaula com minhas costas contra a parede
de concreto, as correntes ligadas a um anel a poucos metros
acima da minha cabeça, do lado de fora do telhado da gaiola.

Eu era como um cachorro em sua grade.

— Oi, Laney.

Sus voz atravessou minha mente.

— Onde estou? — tentei dizer, mas saiu um farfalhar


rouco no lugar.

A luz se agachou na minha frente e finalmente descobri


o que era.

Uma lanterna a gás.

Segurada por um homem jovem, quase bonito. Seu


cabelo era escuro e ele parecia tão familiar. Pisquei para ele,
tentando entender, mas minha mente estava uma bagunça.

— Aqui. — ele disse, abrindo a minha gaiola. — Beba.

Ele estendeu a mão com uma garrafa de água. Eu não


queria, mas meu corpo precisava da água. Bebi avidamente.

— Aí está você. — ele parou e tirou a garrafa. A água


escorria pela minha camisa. — Melhor. Você pode falar?

Tentei de novo.

— Onde estou?

— Bem. — ele sorriu. — Você está no meu porão, Laney.


— Quem é você?

Seu sorriso ficou maior.

— Ah, aí está a grande questão. Você não descobriu? Ou


Easton não é o menino de ouro que todos pensavam que era?

Balancei minha cabeça. Não fazia ideia de quem ele era,


embora parecesse familiar. Tão familiar. Como uma versão
jovem de uma foto que vi uma centena de vezes.

Ele se inclinou para frente, sorrindo.

— Vamos, Laney, diga.

— Jean Rodriguez. — eu soltei enquanto a revelação me


atingia de uma vez.

— Muito bem! — ele disse, batendo palmas.

Jean Rodriguez, filho de Martin Rodriguez. Filho do


parceiro do Easton. Ele tinha dezenove, talvez vinte anos,
apenas um ou dois anos mais novo que eu.

Balancei minha cabeça, incapaz de acreditar. Por que


Jean estava matando pessoas? Seu pai odiava assassinos,
passou sua vida inteira os caçando e prendendo. E agora
Jean se tornou o monstro que seu pai tanto odiava.

— Surpresa? — perguntou. —Tenho certeza que está.

— Por quê? — murmurei.


— Porque; — ele disse baixinho — É uma boa pergunta.
— sentou de pernas cruzadas e me olhou atentamente. — É
muito simples na verdade. Você realmente quer saber?

— Sim, — continuei — embora parte de mim não quer


saber.

— É por causa de Easton. Sempre foi por causa dele. —


Jean riu novamente. — Depois que Easton matou meu pai,
minha família se desfez. Você sabe o que é isso, perder um
pai assim?

Eu balancei minha cabeça.

— Não. Seu pai odiava assassinos. — consegui dizer.

— Eu sei. Irônico, não é? — Jean parecia estar se


divertindo imensamente. — Pensei comigo mesmo, qual seria
a melhor maneira de me vingar de Easton? E me ocorreu
tudo de uma vez: reviver o assassino que destruiu tudo na
minha vida e tirou a do meu pai. Tornar-me Lester Seed e me
vingar de Easton Wright.

— Isso é uma loucura. — eu disse.

O sorriso dele desapareceu.

— Talvez, — ele disse. — mas está quase no fim. Você é


a última vítima antes que eu destrua Easton.

— Como?

Ele gargalhou perversamente, o sorriso voltando.


— Você sabe o que vai acontecer agora, não é? Está
tentando me manter falando para não ter que passar por
isso?

Ele estava certo, mas eu só o olhei silenciosamente.

— De qualquer forma, é só um atraso. — Jean olhou


distraidamente para suas unhas. — Meu pai guardava uma
riqueza de informações, você sabe. Arquivos, livros,
basicamente um guia prático para qualquer assassino em
série em ascensão. Eu simplesmente estudei e pratiquei.

—Todas essas garotas mortas. — eu disse suavemente.


— Todas eram inocentes.

— Talvez, mas a morte vem eventualmente de qualquer


maneira, não é?

Eu podia ver a loucura em seus olhos. O que quer que


tenha acontecido com Jean após a morte de seu pai o
empurrou além dos limites de uma pessoa normal. Ele deixou
de ser humano. Talvez uma vez ele pudesse ter sido salvo,
mas quanto mais falava, mais eu sabia que estava muito
além do ponto de retorno.

— Não é assim. — eu disse. — Por favor.

— Desculpe-me, Laney. — ele começou a tirar o cinto, o


sorriso perverso, torcido, nunca deixando seu rosto. — Eu
gosto de você, você sabe. Parece inteligente e gentil. Easton
também gosta de você. — abaixou as calças. — Ele tinha um
arquivo sobre você. Descreveu-a como ―sexy e brilhante‖, e eu
acredito. Além disso, essas fotos eram tão íntimas quanto
poderia ser.

Começou a vir em minha direção e eu sabia o que estava


por vir. Havia lido os arquivos do caso, muitas, muitas vezes
e agora estava me tornando um deles. Estava me tornando
uma pobre garota assassinada.

Ele estendeu a mão e soltou meus pulsos. Eu tentei


lutar, mas estava tão fraca e simplesmente me prendeu de
volta contra a parede.

— Eu gosto de você, Laney. — ele disse suavemente. —


Então vou te dizer isso. Se você lutar, vai ser pior, muito pior.

Comecei a chorar.

De repente, houve um estrondo alto. Foi quase


ensurdecedor em sua força explosiva. Jean imediatamente
parou o que estava fazendo, seu rosto ficando nublado.

— Foda-se. — ele disse.

A esperança encheu o meu peito.

Ele saiu da gaiola e bateu a porta com força.

— Fique. — ele ordenou. — Volto em um segundo.

Pegou a lanterna e saiu.


Meu coração estava batendo desesperado no meu peito,
mas ele não prendeu minhas mãos novamente.

Esperei meio segundo para ele desaparecer no andar de


cima e então movi meu corpo em direção à porta da gaiola.
Empurrei contra ela o quanto pude, mas estava trancada.

Empurrei e forcei colocando todo o meu peso e força,


mas estava fazendo muito barulho e não conseguia
absolutamente nada. Ouvi os passos de Jean no andar de
cima.

Então me lembrei da calça. Ele não a colocou de volta


quando saiu.

Estendi a mão entre as barras, tateando às cegas. Meu


coração estava martelando e o suor escorria ao longo do meu
corpo.

Nada além de piso de concreto. Nada, nada, nada.

E então uma manga de camisa.

Peguei, puxando lentamente em minha direção.

Ela passou pelas grades e rapidamente tateei o bolso.

Quase quis gritar. Havia um telefone no bolso. Eu o tirei


de lá rapidamente e liguei. Quando a tela de bloqueio
apareceu, comecei a chorar de novo.

Era o meu telefone.


Rapidamente eu o destravei. Fui para o mapa e
encontrei minha localização. Eu coloquei meu número de
identificação pessoal e rapidamente percorri as opções para
compartilhar a minha localização.

A porta se abriu e a luz voltou.

Frenética, encontrei a opção de ações. Percorri os


nomes, rápido, rápido.

— Laney. — voz de Jean vindo.

Easton. Achei o nome de Easton, apertei ' enviar '.

— Eu tenho um pequeno problema aqui em cima. —


Jean falou. — Mas estarei com você em breve.

Enviei um texto, para Easton.

“Eu estou aqui. Venha me buscar. É Jean Rodriguez, ele é


o assassino.” Apertei enviar .

Ouvi os pés de Jean nos degraus. Coloquei o celular no


bolso e puxei a calça para fora da gaiola.

Jean se aproximou, parando em frente a minha gaiola.

— Você já fez metanfetamina? — ele perguntou.

Eu balancei minha cabeça, os olhos arregalados.


— É um pé no saco. — agarrou as calças e vestiu. —
Não se preocupe, devo terminar logo de limpar. Então
podemos voltar a isso, ok?

Encostei-me à parede, abraçando meus joelhos no meu


peito.

Ele sorriu e acenou enquanto se afastava, mergulhando


o quarto na escuridão.

Fiquei sozinha novamente. Apenas eu, flutuando em um


espaço vazio. Sozinha, aterrorizada e completamente cega.

Mas Easton sabia onde eu estava.

A esperança brilhou no meu estômago.


Capítulo 26

Easton

Estava profundamente envolvido em minha própria


pesquisa para notar o texto.

Isto me atingiu como um flash no escritório de Sloan. E


quanto mais lia, mais fazia sentido.

Jean Rodriguez teria a mesma idade de Laney, talvez


fosse um ano mais novo. Ele teve problemas de
comportamento desde criança e foi diagnosticado com
instabilidade emocional grave. O arquivo na verdade não o
chamava de sociopata, mas definitivamente estava implícito.

Martin protegeu Jean toda a sua vida. Quando o


comportamento de Jean começou a ficar estranho, Martin
usou quase todo seu dinheiro para pagar os tratamentos
dele. A esposa de Martin, Melissa, tentou ajudar o melhor que
pôde e os dois conseguiram manter Jean sob o controle.

Por volta do seu décimo quinto aniversário, Jean matou


o gato do vizinho. Ele ficou algum tempo na detenção juvenil
por isso, mas apenas um mês. Martin o tirou mais cedo.

Dois anos depois, ele se envolveu em um incidente na


escola. Aparentemente, atacou de forma selvagem e espancou
brutalmente um menino da escola por causa de uma garota.
Os detalhes eram poucos, mas ele conseguiu evitar a prisão.

Depois disso, Martin colocou Jean em uma escola


especial para crianças com problemas emocionais.

Martin fez um trabalho incrível, protegendo seu filho. Eu


mal sabia sobre Jean e nunca me preocupei em pesquisá-lo
antes. Sabia que tinha problemas, mas não sabia a extensão
desses problemas. Martin nunca falou sobre ele e claramente
se esforçou para tentar manter Jean longe da atenção de
todos.

Martin foi o maior defensor e o mais poderoso protetor


de Jean.

Quando morreu, Jean se formou na escola. Sem a mão


firme de Martin para guiá-lo e o dinheiro que ele fornecia,
Jean foi deixado aos cuidados da Melissa. E Melissa
simplesmente não estava preparada como Martin para lidar
com ele. Além disso, ela estava trabalhando em tempo
integral para sustentar seus outros filhos mais novos.

Jean não tinha a menor chance.

Era uma história trágica. Uma história com a qual eu


deveria estar mais familiarizado. Deveria saber o que estava
acontecendo, deveria ter estado lá. Martin enterrou tudo tão
bem que foram necessários os assassinatos para desenterrar
a história de Jean. Além disso, estava muito ocupado
chafurdado na minha própria auto piedade para notar essa
merda. Prometi ajudar a cuidar da família de Martin, o
melhor que pudesse.

Mas eu ia pegar e prender Jean por um tempo muito


longo.

Eu só notei o telefone zumbido porque estava pensando


em telefonar para Melissa e verificar se ela sabia onde Jean
estava.

É claro que quando vi a mensagem de Laney, não


precisei mais ligar.

Atingiu-me como uma faca no peito. Eu estou aqui.


Venha me buscar. É Jean Rodriguez, ele é o assassino. E o
local estava bem ali.

Abri meu aplicativo de mapas. Ela estava fora da cidade,


surpreendentemente perto de onde Luisa foi encontrada.

Fiquei de pé, a raiva tomando conta de mim e peguei


minha arma. Já estava dentro do carro, o motor acelerando
quando percebi o que estava fazendo.

Isto era como há um ano novamente. Só que agora eu


era Martin, pronto para me encarregar do perigo sozinho.

O pensamento me atingiu no peito.

Mas, tanto quanto eu sabia Sloan não acreditava que


Laney estivesse desaparecida. De qualquer forma, o texto era
bastante conclusivo. Ou pelo menos seria suficiente para ele
enviar alguns policiais comigo para verificar o local.

Ainda assim, eu não sabia quanto tempo ela teria. Não


sabia como conseguiu o celular, se estava ilesa ou não.
Quanto mais rápido eu chegasse até ela, mais provável que
ela ficasse segura.

Ou, eu poderia chegar lá e matar nós dois.

Precisava tomar a maior decisão da minha vida. Deram-


me uma segunda chance para tentar fazer o certo, mas não
conseguia me decidir.

Estava dividido. Precisava me mover para poupar tempo,


mas também precisava de reforços.

Com meu celular na mão, comecei a dirigir.


Capítulo 27

Laney

Sozinha no escuro, flutuando no espaço.

Ouvi Jean andando no andar de cima um pouco mais.


Não entendi o que ele quis dizer com o comentário sobre
metanfetamina, ou o que estava acontecendo lá em cima,
mas sabia que tinha muita sorte. Se ele não tivesse se
distraído um pouco, ou se não tivesse mantido meu telefone
nas suas calças, ou qualquer outra possibilidade,
provavelmente já estaria morta.

Em vez disso, Easton sabia onde eu estava. Enviei uma


mensagem para ele e ele viria.

A esperança fracamente floresceu dentro de mim.

Mais uma vez o tempo passou. Horas, minutos, eu não


poderia dizer. Só ouvia minha respiração e os passos de Jean
no andar de cima.

Então, de repente, seus passos pararam. Havia apenas


minha respiração e a escuridão.

Mais tempo se passou. Minha esperança guerreou com


meu medo pelo controle da minha mente.
E de repente a luz voltou novamente me cegando. Jean
desceu as escadas.

— Estou de volta, querida. — ele disse — Desculpe-me


pela demora.

Eu me encolhi no canto.

— Demorei mais do que imaginava. Sorte não estarmos


mortos, na verdade. — ele agachou na frente da gaiola
novamente, rindo. — O maldito laboratório quase arrancou
metade da casa. — balançou a cabeça, sorrindo.

— Por favor, não faça isso. — eu sussurrei.

— Vamos, Laney. — ele disse — Eu não sou assim tão


mau, sou? — ele riu.

— Por favor. — eu precisava ganhar tempo. — Você não


é uma pessoa má.

— Oh, vamos lá. Eu sempre fui podre, você sabe. Agora


terei minha vingança final no seu meio-irmão idiota. Ou devo
dizer namorado? De qualquer forma, você está envolvida em
coisas estranhas e eu gosto. Vou matá-lo lentamente e vou
obrigar você a assistir. — ele riu, balançando a cabeça. —
Loucura, não é? Decidi isso. Vou cortar a garganta dele para
você, Laney. Vou obrigá-la a assistir.

— Ele vai te pegar — eu disse ferozmente, sem saber de


onde vinha a confiança súbita.
— Provavelmente. — Jean concordou, tirando suas
calças. — Mas não antes de eu ter você. — seu rosto se
aproximou do meu. Podia cheirar seu hálito podre. — Abra a
boca, Laney. Grite para mim.

Antes que eu pudesse responder, houve outro estrondo


no andar de cima. A cabeça de Jean se virou na direção da
porta.

— Que porra é essa agora? — levantou e rapidamente se


afastou.

Mais passos quando Jean subiu as escadas.

Estava apavorada, mas esperançosa. Tinha que ser


Easton. Tinha que ser ele.

Gritos, berros. E, em seguida, tiros. Ecoaram no ar bem


alto, mais do que eu teria imaginado.

Estava flutuando, sozinha, no escuro, ouvindo as balas


voando em cima de mim.
Capítulo 28

Easton

Olhei para Sloan.

— É isso.

Ele assentiu.

— Vamos juntos.

A polícia havia cercado a velha fazenda abandonada. A


fumaça estava subindo de uma janela, embora nós não
tivéssemos ideia do por que. Não parecia um grande incêndio.

— Você deve ficar aqui. — Sloan disse.

— Sem chance.

— Podemos cuidar disso. Você é um civil agora.

— Sloan. — eu disse, olhando para ele — Eu estou indo.

— Bem. Fique comigo. — ele segurou seu rádio. —


Todos em posição?

Todos os policiais confirmaram as suas posições e


prontidão. Peguei minha arma do coldre, tirei a trava e me
preparei.

— Atire somente se for necessário. — disse Sloan.


— Entendi.

— Easton. — Ele me olhou por um segundo. — Cuidado.

Assenti.

— Sim. Você também.

Começamos a nos mover em direção a casa, os outros


policiais, movendo-se em uníssono.

Eu fiz a escolha certa, mesmo que tenha sido a decisão


mais difícil que tomei na minha vida. Cada polegada de mim
queria vir sozinho apenas com minhas armas em punho, mas
sabia que era a escolha errada. Precisava ser mais inteligente
e mais comedido. Caso contrário, pessoas morreriam.

Não deixaria ninguém morrer por minha causa.

Foi fácil convencer Sloan. Francamente, ele achou que


mesmo que não fosse nada, valia a pena investigar. E se fosse
mesmo Laney com o assassino, tudo acabaria finalmente.

Até o sargento que eu agredi concordou que devíamos ir.

Cinco minutos depois, quatro carros da polícia estadual


além de Sloan e eu estávamos a caminho, correndo as
estradas, indo em direção à localização que Laney mandou.

Senti medo e antecipação. A última vez que invadi a


casa de um assassino, meu parceiro foi assassinado
brutalmente na minha frente.
Naquela época, estava lutando com minha própria
obsessão. Estava tão envolvido no caso que mal podia ver
Martin. Agora, porém, estava lutando por uma razão
completamente diferente.

Estava lutando por Laney, para salvar a vida da minha


irmã, a mulher que eu queria mais do que qualquer outra
coisa.

Segui Sloan enquanto caminhávamos rapidamente e


abaixados em direção a casa. Outros dois policiais se moviam
na nossa frente, um deles segurando um aríete pesado.
Paramos na porta e escutei.

Silêncio absoluto. Meu coração batia rápido em meu


peito, o nervosismo tomando conta da minha mente. Mas eu
nunca tive tanta certeza na minha vida.

O policial balançou o aríete, martelando a porta. Ela se


despedaçou e explodiu para dentro na segunda martelada.
Nós entramos.

O lugar estava praticamente vazio. Eu segui Sloan pelo


corredor enquanto os outros policiais entraram pelos fundos.
Fomos de quarto a quarto, gritando alto.

Na cozinha, encontramos a fonte da fumaça.


Aparentemente Jean fez alguma coisa, talvez um veneno ou
algum tipo de droga em uma grande instalação química
improvisada. Pelo que pude perceber, a coisa explodiu
recentemente.
— Vazio. — Sloan disse. — Mas alguém esteve aqui.

Assenti.

— O que é isso?

— A melhor aposta é a metanfetamina. Coisas populares


por aqui.

— Provavelmente é como ele consegue dinheiro. Fabricar


e vender as coisas.

De repente, ouvi um som ao virar da esquina. Saltei


para frente, com a arma em punho, para verificar.

Em pé na minha frente, parado em uma porta, estava


uma versão jovem de Martin. Olhei e era quase como se
estivesse vendo um fantasma e então rapidamente balancei
minha cabeça.

— Easton. — Jean disse com os olhos arregalados. —


Como?

— Jean Rodriguez, você está preso. — Sloan gritou.

Jean deu um passo em minha direção.

— Pare. — eu disse.

Outros policiais estavam gritando e se movimentando ao


redor. Jean enfiou a mão na calça.
— Não faça. — falei para ele. — Você não precisa fazer
isso, Jean.

Era quase como se nós estivéssemos sozinhos naquela


sala. Eu estava cara a cara com o assassino que vinha me
assombrando. Pior, era o meu passado também. Jean
representava todos os meus fracassos, todos embrulhados em
um só.

— Easton. — ele disse — Eu te odeio. — não havia


quase nenhuma expressão em seu rosto.

— Se entregue, Jean. Por favor. — Fiz uma pausa, em


seguida, acrescentei, — Pense em seu pai.

Seu rosto torcido em uma máscara de raiva.

— Penso nele todos os dias. — ele puxou uma arma do


bolso.

— Pare. — eu gritei, mas era tarde demais.

Jean apontou a arma para mim.

Uma explosão de balas o encontrou.

Não sabia realmente quem o abateu, eu ou qualquer um


dos policiais que dispararam. Mas no final, o corpo de Jean
se encolheu e caiu para trás, crivado de balas desabrochando
vermelhas. Ele caiu nos degraus do porão.

Segui em frente, ignorando o aviso de Sloan. Liguei o


interruptor, mas a luz não acendeu.
E me movi cuidadosamente descendo os degraus, minha
arma em punho. O feixe de uma lanterna dançou por trás de
mim, provavelmente segurado pelo guarda que estava no meu
calcanhar.

O corpo de Jean sumiu.

— Ele ainda está vivo. — eu disse.

— Easton!

Parei, reconhecendo a voz.

— Laney?

— Estou aqui!

Desci os degraus correndo, dois de uma só vez,


chegando ao patamar inferior e correndo para o porão.

O policial não podia me acompanhar.

Primeiro, senti a faca. Ela passou pela minha lateral, me


cortando. Soltei um gemido de dor.

— Morra. — ouvi um sussurro molhado a minha direita.

Coloquei minha arma na cabeça de Jean e puxei o


gatilho. Ele caiu no chão e não se mexeu.

— Foda-se. — eu disse.

O policial apareceu ao meu lado.


— Precisamos de uma ambulância! — ele gritou. —
Temos um esfaqueamento!

— Easton! — Laney gritou. — Easton, o que está


acontecendo?

Passei pelo policial e cai de joelhos. Laney estava


encolhida em uma gaiola, algemas pendurada acima da
cabeça. Ela olhou para mim e estava ilesa.

— Laney. — eu consegui falar. Podia sentir a dor, sentir


o sangramento, mas não me importei.

Eu a tinha. Eu a tinha. Ela estava segura e o assassino


estava morto.

De repente, o mundo se inclinou.

— Easton? — ela disse, empurrando-se contra as


barras. — Alguém ajude!

— Laney, eu salvei você. — sorri fracamente para ela,


sentindo a escuridão vindo em minha direção.

Alguém me segurou antes que eu caísse.

A lateral do meu corpo doía como um filho da puta.

Acordei lentamente, meus olhos piscando. Estava


deitado de costas numa cama e havia um sinal sonoro ao
meu lado. O quarto estava iluminado por luzes fluorescentes
fortes.
— Easton?

Virei minha cabeça com um pouco de esforço. Sentada


ao meu lado estava um anjo.

— Laney.

Ela sorriu.

— Ei. Você está acordado.

— Onde diabos estou?

— Você está num hospital. Foi esfaqueado.

Eu sorri.

— Esfaqueado? E daí? — tentei me sentar.

— Não tão rápido. — ela pediu, sorrindo. Empurrou-me


para baixo. — Você precisa ver o médico primeiro.

— Você está bem? — perguntei.

Ela assentiu.

— ele não me tocou.

— Laney, eu...

— Mais tarde. Conte-me mais tarde.

Estendi a mão e agarrei a dela antes que pudesse se


afastar.
— Eu te amo.

Ela piscou surpresa.

— Eu sei disso. Também te amo. Agora converse com o


médico.

Eu ri suavemente, mesmo que doesse muito.

— Bem.

O médico explicou tudo sucintamente. Fui esfaqueado


na lateral do corpo, mas tive sorte que não atingiu nada vital.
Ficaria no hospital por alguns dias e com dor por algumas
semanas, mas ia ficar bem.

Tive sorte, realmente muita sorte, mas Martin não. E


nem o seu filho.

— Está tudo acabado agora. — Laney disse depois que o


médico foi embora.

— Nunca devia ter começado.

— Pare. — ela disse rapidamente. — Não é culpa sua.


Eu li o arquivo que você tem de Jean.

— O garoto tinha problemas, claro, mas o pai dele


estava cuidando disso.

— O pai dele estava escondendo isso. Jean era uma


bomba-relógio ambulante prestes a explodir.
Suspirei. Sabia que ela estava certa, mas ainda uma
parte de mim me culpava por todo o sofrimento que causei.

— Pare de se culpar. — ela pediu suavemente,


sussurrando no meu ouvido. — Você salvou muitas vidas.
Você não tirou nenhuma.

Resmunguei.

— Bem.

— Além disso, — ela disse, sorrindo maliciosamente —


você é bem mais sexy quando está confiante.

Eu ri e cheguei mais perto para apalpar sua bunda.

— Mesmo com um ferimento de faca, ainda sou o


homem mais sexy que você conhece.

— Eu não vou negar.

— Você está certa.

Ela se inclinou e me beijou.

Realmente acabou. Laney estava segura e Jean estava


morto. Mulheres não mais morreriam por causa de uma
vingança do caralho de algum doente.

Vingança totalmente equivocada. Ele nunca descobriu


que eu não era a causa da morte de seu pai, mesmo que eu
me culpasse.
Não importava mais. Realmente nunca importou.
Aconteceu e tentei fazer a coisa certa. Talvez eu tenha feito de
alguma forma.

Talvez pudesse seguir em frente, me perdoar.

Com a ajuda de Laney, nada parecia impossível.


Capítulo 29

Laney

Meses mais tarde

— Como vai, menina da faculdade?

Sorri para Easton quando entrei no nosso apartamento.


Realmente, era mais como seu escritório. Nós o montamos
quase igual ao de Mishawaka, com a recepção e o local da
secretária na frente e nosso espaço atrás.

— A aula era uma merda. — eu disse — Mas estamos


quase acabando.

Estávamos de volta a Chicago para meu último ano. Por


causa do trabalho de Easton, eu realmente não precisava
mais trabalhar para me sustentar. Ele estava fazendo uma
matança trabalhando como detetive particular na cidade,
muito mais do que ele jamais poderia ter sonhado. Talvez
"matar" não fosse a melhor palavra para usar.

Depois que Easton saiu do hospital, começamos a


descobrir o que significávamos um para o outro. Estava
apaixonada, louca e profundamente apaixonada, mas ainda
éramos meios-irmãos.
Eventualmente, tivemos que contar aos nossos pais.
Eles não aceitaram bem.

Easton voltou para Chicago comigo e começou o seu


trabalho. Eu não falava com meu pai desde então e Easton
estava mais do que feliz por não falar com sua mãe. Depois
de tudo, ele ainda parecia guardar rancor.

— Venha. — ele ordenou.

Eu me aproximei e sentei em seu colo. Ele afastou a


cadeira da escrivaninha para abrir espaço.

— Assim é melhor. — respondi sorrindo. — Pegou algum


bandido hoje?

— Apenas um pervertido. — ele disse sorrindo. — Você


sabe o que é um peludo?

Eu fiz uma careta.

— Não sei e não quero ouvir.

— Vamos lá. Envolve um lobo e uma zebra.

— De jeito nenhum, — eu disse, colocando a mão sobre


a boca dele. — Pare aí mesmo.

Ele me mordeu suavemente e eu ri, colocando minha


mão para trás.

— Não me fale sobre esta cidade. — ele disse. — Há


tanta merda.
— Sim, mas você é uma coisa boa.

— Eu tento.

Beijei-lhe suavemente nos lábios.

Nossa vida juntos era certa. Era boa. Eu sabia o que


queria e estava fazendo isso acontecer. Easton estava me
ensinando o que ele aprendeu no FBI e às vezes fazia
trabalhos para seu escritório particular. A escola estava indo
bem e nunca fui tão feliz.

As mãos dele escorregaram ao longo do meu corpo e


senti aquela velha emoção familiar.

— Easton. — eu avisei. — Tenho que estudar.

— Estude mais tarde. — ele sussurrou. — Lembra-se da


primeira vez, em Mishawaka? Na minha mesa?

Eu corei.

— Como eu poderia esquecer?

Ele se levantou me ergueu no ar me colocando em cima


da mesa.

— Estava pensando sobre isso mais cedo.

Empurrou algumas coisas de cima da mesa jogando no


chão. Beijou meu pescoço, meus lábios e me senti derreter e
ansiar por ele.
O pesadelo ficou para trás. Caminhávamos juntos.

Deixei-o empurrar minha calça para baixo e retirá-la.


Deixei-o beijar minhas coxas, minha boceta. Deixei-o provar o
quanto estava molhada.

— Estive pensando sobre esse gosto todo o dia. — ele


sussurrou.

— Easton. — eu gemia — Eu realmente preciso estudar.

— Você pode estudar daqui a pouco. — ele gentilmente


afastou minha calcinha para o lado e começou com a língua
no meu clitóris. — Eu quero estudar você primeiro.

— Merda. — suspirei, percebendo que ele me tinha.

Deixei-o me lamber e colocar um dedo dentro de mim.


Era completamente dele e quase todos os dias eram assim.
Queria seu corpo, seu corpo musculoso, tenso e suando
contra o meu, poderoso e no controle.

Balançava meus quadris, montando sua língua,


implorando para ele continuar.

Queria gozar, gozar na boca dele, para liberar todo o


estresse do meu dia.

— Foda-se, Laney. — ele disse. — Eu amo essa boceta,


seu corpo e tudo sobre você.

— Continue fazendo isso. — eu ofeguei — Eu também


amo muito você.
Ele sorriu e continuou enfiando os dedos dentro de
mim, sua língua trabalhando meu clitóris em círculos
furiosos.

Cheguei mais para frente e agarrei o cabelo dele,


mexendo o meu quadril enquanto ele me lambia. Todo o meu
corpo estava tenso de antecipação.

Lentamente, dolorosamente devagar, nós trabalhamos


em um só ritmo. Meu orgasmo cresceu tomou conta de mim,
mandando meu corpo para aqueles espasmos convulsivos,
incríveis.

— Garota linda. — ele disse. — Goze para mim.

— Ah, Easton. — eu gemia enquanto o orgasmo rolou


através de mim.

E finalmente passou.

Esse sentimento nunca envelheceu. Nunca, nunca ficou


velho. O jeito que ele me fez gozar tão poderosamente, que me
queria, fez sentir de uma maneira que me deixou louca.

Desci da mesa e fui para o seu colo novamente,


descansando minha cabeça em seu peito. Ele beijou meu
pescoço suavemente, rindo de si mesmo.

— O que é tão engraçado? — perguntei, sem fôlego.

— Nada. — ele disse.

— Vamos, diga-me.
— É só isso, você não faz ideia do que virá para você
mais tarde.

Eu dei uma risadinha.

— O que você quer dizer?

— Isso foi só um aquecimento.

Aninhei minha cabeça contra ele.

— Bom.

E eu sabia que ele não estava mentindo. Sabia que


ainda estava com fome e sempre estaria. Sabia que também o
queria, tanto quanto me queria.

Agora era assim. Nossos monstros ficaram para trás,


longe, muito longe.

Era apenas Easton agora, perto de mim, sempre perto


de mim, pelo tempo que eu quisesse.
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