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SEMINÁRIO CONCÓRDIA

ACONSELHAMENTO PASTORAL
EDIVAR GOVASKI

A experiência cristã se processa em três níveis: aqueles em que os dias


parecem estar em cima da montanha; aqueles dias que parecem comuns,
em que se faz a mesma coisa; em terceiro aqueles que parecem dias
sombrios.
A depressão é problema reconhecido há quase dois mil anos. Em seus
sinais se incluem tristeza, apatia e inércia, perda de energia e fadiga,
acompanhados de insônia, pessimismo e desesperança, medo, auto-
conceito negativo, quase sempre acompanhado de autocrítica e
sentimentos de culpa, vergonha, senso de indignidade e desamparo, perda
de interesse no trabalho, sexo e atividades usuais, perda de
espontaneidade, dificuldade de concentração e perda de apetite.
Tipos:
reativa: reação a uma perda real ou imaginária;
endógena: surge espontaneamente, mais freqüente nos idosos;
psicótica: desespero intenso, perda da noção da realidade e atitudes auto-
destrutivas;
neurótica: níveis elevados de ansiedade;
crônicas: de longa duração;
agudas: intensas e de curta duração, corrigem-se sozinhas.
Há vários trechos na Bíblia referentes à depressão, um deles é quando
Jesus está no Getsêmani. Todos os relatos referentes à ela mostram também
a fé e esperança dos deprimidos no livramento divino.
Causas:
físico-genéticas: falta de sono, alimentação imprópria, entorpecentes,
tumores cerebrais ou desordens glandulares.
ambientais: separação dos pais, discrepância entre a realidade e o alvo
proposto (status).
incapacidade aprendida: sentimento de incapacidade.
pensamento negativo: em relação ao mundo, a si e ao futuro.
tensão: ela acarreta em perdas.
ira: a depressão já foi vista como sentimento de ira contra si mesmo - o
indivíduo sente ira e não pode expressá-la devido ao ambiente, então acaba
tornando isto numa ira si mesmo.
culpa: ocasionada pelo sentimento de falha.
Efeitos:
infelicidade e ineficiência: os indivíduos deprimidos quase sempre
sentem-se "desanimados", desesperançados, autocríticos e miseráveis.
reações mascaradas: a depressão surge de outras formas, como
hipocondria, agressividade, explosões de mau gênio, comportamento
impulsivo (sexo compulsivo, impulso de destruição, violência, bebedeira).
retração: a pessoa sente-se desencorajada, desmotivada, aborrecida com
a vida, falta de autoconfiança, escape ou fuga para o mundo da TV, drogas
ou álcool.
suicídio: não existe uma fuga mais completa que a tirar a própria vida.
Pode significar um esforço sincero de fugir desta vida, ou um grito
inconsciente de socorro, uma oportunidade de vingança, ou ainda um gesto
de manipular emocionalmente alguém próximo.

O Aconselhamento e a Depressão:

As pessoas deprimidas freqüentemente são passivas, não-verbais, pouco


motivadas, pessimistas e caracterizadas por uma atitude resignada: "não
vale a pena". O conselheiro deve, portanto, procurar contato verbal. _
medida que o aconselhado ficar mais à vontade e começar a falar, o
conselheiro deve ouvir atentamente. Encoraje o paciente a falar sobre
situações em sua vida que o afligem. Deve prestar atenção se atrás deste
sentimento não há outro escondido.
Abordagens médicas: os conselheiros não são médicos, mas devem
encaminhá-los para quem tem qualificação adequada. Portanto, não devem
fazer avaliações que cabem a outro.
Avaliação das causas: as causas podem ser baixa auto-estima, ineficiência
aprendida, pensamentos negativos, perdas, sentimentos de vingança ou
outros. A compreensão da depressão e suas causas por parte do
aconselhado pode levar _ mudança e a melhora.
Estímulo ao pensamento realista: a fim de mudar nossos sentimentos é
necessário mudar nosso modo de pensar, e com isso nosso comportamento.
Deve-se encorajar a atividades em que provavelmente serão bem-sucedidos
.
4. mudança de ambiente: estimular o aconselhado a mudar de rotina,
reduzir as horas de trabalho ou a tirar férias regularmente. Deve-se também
estimular um ambiente de apoio na família, pois se esta mostrar aceitação e
interesse, o aconselhado mudará mais rapidamente.
5. proteger o aconselhado de si mesmo: as pessoas podem prejudicarem-
se a si mesmas de muitas formas, tomando decisões duradouras quando se
acham na depressão, quando não conseguem vislumbrar com toda nitidez
as conseqüências de suas escolhas. O suicídio é considerado por muitos
deprimidos. O conselheiro deve se manter atento ao comportamento do
aconselhado para ver se não demonstra inclinação para esta idéia.

Como evitar a Depressão:

1. Confiança em Deus: a convicção de que Deus está vivo e controla tudo


pode dar esperança e encorajamento hoje, à exemplo do apóstolo Paulo,
que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação.
2. Esperar o desânimo: quando somos suficientemente realistas para
contar com o sofrimento e bastante informados para saber que Deus está
sempre no controle, podemos então tratar melhor do desânimo e evitar cair
em depressão profunda.
3. Aprender a tratar com a ira e a culpa: deve-se pedir a Deus que ajude a
esquecer-nos do passado, a perdoar os que pecaram contra nós, e a perdoar
a nós mesmos.
4. Aprender a enfrentar os pensamentos: quando aprendemos a enfrentar
nossos próprios pensamentos (negativos) e os dos outros, isto pode
igualmente evitar ou reduzir a gravidade da depressão.
5. Ensinar técnicas para resistir: crianças e adultos podem ser
superprotegidos. Isto interfere em sua capacidade de aprender a enfrentar
ou dominar as tensões da vida. Se as pessoas puderem observar como
outras resistem, e aprenderem a resistir, as circunstâncias parecerão menos
esmagadoras.
6. Forneça apoio: ao perceber que não estão sozinhos, os indivíduos em
crise conseguem resistir melhor e evitar assim as depressões graves.
7. Estenda a Mão: o estímulo de uma comunidade de ajuda é, portanto,
um meio indireto de evitar a depressão. Aqueles que ajudam são os que
obtém benefícios e são mais ajudados. Quando nos estendemos para
socorrer alguém, inclusive os deprimidos, isto faz maravilhas para impedir
que nós fiquemos deprimidos.
8. Encoraje a aptidão física: uma alimentação pouco equilibrada e a falta
de exercício podem fazer com que as pessoas tenham tendência à
depressão, elas devem ser encorajadas a cuidar de seus corpos. Um corpo
sadio é menos susceptível às doenças mentais e físicas.

Conclusão:

O conselheiro deve tentar ensinar ao aconselhado a tratar seus problemas


de uma maneira realista - perdas sempre tivemos e sempre teremos, sejam
elas grandes ou pequenas. Mas o importante é saber que Deus está no
controle do mundo, e o que acontece somente acontece por sua vontade.