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ESTRUTURA E ANÁLISE

DAS DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
Conselho Editorial EAD
Dóris Cristina Gedrat (coordenadora)
Mara Lúcia Machado
José Édil de Lima Alves
Astomiro Romais
Andrea Eick

Obra organizada pela Universidade Luterana do


Brasil. Informamos que é de inteira responsabilidade
dos autores a emissão de conceitos.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido
na Lei nº .610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código
Penal.
APRESENTAÇÃO

O objetivo da Administração Financeira é maximizar a riqueza dos


acionistas. A função do Administrador é gerenciar os recursos finan-
ceiros (investimentos e financiamentos) de forma a atingir tal objetivo.
O Contador, nesse contexto, fornece as demonstrações financeiras que
subsidiam a tomada de decisão. A análise dessas demonstrações finan-
ceiras propicia a avaliação da evolução patrimonial e das decisões
tomadas, daí a sua importância. O presente livro aborda uma a uma
das demonstrações financeiras e os elementos básicos para sua análise,
de forma a contextualizar a leitura e interpretação do desempenho
empresarial.
4

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já


têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos
levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não
ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós
mesmos".

Fernando Pessoa
SOBRE O AUTOR

Simone Loureiro Brum Imperatore

É graduada em Ciências Contábeis, especialista em Controladoria pela


Universidade Regional Integrada (URI-RS) com a temática “Sistemas
de informação com foco no CRM” e mestra em Desenvolvimento Re-
gional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC-RS) com apro-
fundamento do tema “Lei de Responsabilidade Fiscal: estudo da exe-
cução orçamentária nos municípios da região metropolitana de Porto
Alegre no período de 2000 a 2005”. Tem vasta experiência em qualifi-
cação e gestão pública e privada e – além de ser docente na Universi-
dade Luterana do Brasil (ULBRA) nos cursos de Ciências Contábeis
Administração, Gestão Pública, Gestão Financeira, Gestão de RH – é
diretora de Consultoria em Projetos e Gestão Públicos e privados
(PGPP), instituição onde responde pelos programas de planejamento
Estratégico, Políticas e Estratégias Gerenciais e Desenvolvimento Regi-
onal
SUMÁRIO

1 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS/RELATÓRIOS CONTÁBEIS........................................... 10

1.1 Processo decisório ............................................................................................................. 10

1.2 Conceito de relatório contábil/demonstração financeira ............................ 11

1.3 Complementação às demonstrações financeiras: ........................................... 15

1.4 Ponto final ................................................................................................................................ 17

2 BALANÇO PATRIMONIAL ..............................................................................................................20

2.1 O que é balanço patrimonial? .......................................................................................20

2.2 Ponto final ............................................................................................................................... 34

3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE ou DEREX) ............................. 38

3.1 Receitas .................................................................................................................................. 38

3.2 Despesas................................................................................................................................ 38

3.3 Despesa e custo ................................................................................................................. 39

3.4 Estrutura básica da DRE ................................................................................................... 41

3.5 DRE inovada ou Ebitda ......................................................................................................45

3.6 Reservas .................................................................................................................................46

3.7 Ponto final ...............................................................................................................................48

4 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS – DLPA .......................54

4.1 Conteúdo da demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados ..........54

4.2 Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) ..................... 58

4.3 Ponto final............................................................................................................................... 61


9
5 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA.............................................................................. 65

5.1 Principais transações que afetam o caixa ........................................................... 66

5.2 Estrutura da demonstração dos fluxos de caixa ............................................... 68

5.3 Demonstração do fluxo de caixa: métodos direto e indireto ...................... 70

5.4 Ponto final............................................................................................................................... 75

6 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO ........................................................................... 80

6.1 Modelo de demonstração do valor adicionado................................................... 81

6.2 Instruções de preenchimento da DVA .....................................................................84

6.3 Ponto final ............................................................................................................................. 86

7 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ................................................................... 91

7.1 Etapas do processo de análise das demonstrações financeiras .............. 91

7.2 Exame e padronização das demonstrações financeiras .............................. 93

7.3 Leitura e interpretação das demonstrações contábeis: análise vertical


e análise horizontal ................................................................................................................. 96

7.4 Ponto final .............................................................................................................................. 99

8 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ATRAVÉS DE INDICADORES ........ 103

8.1 Conceito de índice ou quociente ............................................................................. 103

8.2 Índices econômico-financeiros ...............................................................................104

8.2 Índices de rotatividade ou atividade ..................................................................... 107

8.4 Ponto final............................................................................................................................. 110

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 114

GABARITO ........................................................................................................................................... 116


1
DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS/RELATÓRIOS
CONTÁBEIS

Simone Loureiro Brum Imperatore

A introdução ao estudo das demonstrações financeiras dá-se a partir


da compreensão da importância (e abrangência) do processo decisório
e do entendimento de como as demonstrações financeiras integram tal
processo. Cabe salientar os relatórios obrigatórios para Sociedades
Anônimas e Sociedades Limitadas.

1.1 Processo decisório


A nossa vida é uma sequência de decisões e escolhas. A cada instante,
para vivermos, temos que tomar decisões em graus variados de impor-
tância. Algumas são essenciais (papel social, religião, opção profissio-
nal), outras são operacionais (o que vestir hoje, onde almoçar, por qual
caminho ir à aula). Nessa dinâmica da vida, em muitos casos, temos
respostas prontas para as situações, mas, via de regra, a vida sempre se
apresenta com situações novas, para as quais temos que elaborar alter-
nativas de ação e escolher entre elas.

Dentro de uma empresa, a situação não é diferente. Frequentemente os


gestores estão tomando decisões, todas elas importantes para a conti-
nuidade e sucesso do negócio. Decisões como definir o preço de venda
de um produto, contratar (ou não) um funcionário, financiar uma
máquina ou pagá-la a vista, que quantidade de estoque manter de
determinada mercadoria, como reduzir custos e produzir mais, entre
outras, fazem parte da rotina dos administradores.

Para que possam tomar tais decisões, eles necessitam de dados, infor-
mações e subsídios que embasem essas escolhas e, é claro, minimizem
os riscos. A Contabilidade é o instrumento que auxilia a administração
em suas decisões. Na prática, ela coleta todos os dados econômicos e
financeiros, registrando-os e sintetizando-os em forma de relatórios
(obrigatórios ou não obrigatórios).
11

1.2 Conceito de relatório contábil/demonstração


financeira
Marion (2003, p.39) conceitua relatório contábil como a exposição re-
sumida e ordenada de dados colhidos pela contabilidade. Seu objetivo
é relatar às pessoas que se utilizam da contabilidade (os usuários) os
principais fatos registrados em determinado período.

Tais relatórios devem ser elaborados de acordo com as necessidades


dos usuários, por exemplo: o relatório sobre o resultado anual de uma
floricultura apresentará muito menos detalhes do que o de um banco,
que normalmente tem muitos acionistas, grande volume de negócios,
entre outros. Dentre os inúmeros relatórios (ou informes) contábeis,
destacam-se aqueles que são obrigatórios de acordo com a legislação
brasileira. Estes relatórios são conhecidos como demonstrações finan-
ceiras, ou ainda, demonstrações contábeis. As demonstrações financei-
ras obrigatórias para as S.A.a (sociedades anônimas) segundo a Lei
6404/76, alterada pelas Leis 11.638/07 e 11.941/09 são as seguintes:

a) Balanço Patrimonial (BP);

b) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);

c) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);

d) Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)b;

e) Demonstração do Valor Adicionado (DVA)

a Equiparam-se às S.A. (e, consequentemente, seguem a mesma legislação) as chamadas sociedades de


grande porte as quais apresentam ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a
R$ 300 milhões.

b A Companhia Fechada com patrimônio líquido superior a R$ 2 milhões será obrigada à elaboração e
publicação da Demonstração dos Fluxos de Caixa.
12
Atenção:

O Balanço Patrimonial (BP) representa a fotografia da empre-


sa em determinado período (seus bens, direitos, obrigações e
patrimônio líquido). Apresenta as aplicações dos recursos da
entidade (Ativo) e como estas aplicações estão sendo financi-
adas (Passivo e Patrimônio Líquido);

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE ou DEREX),


como o próprio nome já diz, evidencia a formação do resulta-
do da empresa (lucro ou prejuízo). Esta demonstração evi-
dencia, de forma ordenada, todas as receitas auferidas e as
despesas incorridas pela entidade durante determinado perí-
odo, ou seja o resultado gerado no período;

A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados


(DLPA) visa apresentar, de forma clara, o resultado líquido
do período (lucro ou prejuízo), a sua distribuição (no caso de
lucro) e a movimentação ocorrida no saldo da conta de lucros
ou prejuízos acumulados. Para as Cias Abertas (S/A), confor-
me normatização da Comissão de Valores Mobiliários, deverá
ser publicada a Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido (DMPL), evidenciando a movimentação de todas as
contas do Patrimônio Líquido (não somente do lucro líquido
do exercício). Dentre as alterações mais comuns no Patrimô-
nio Líquido das entidades estão os aumentos de capital social,
a apuração e destinação dos lucros;

A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC): indica a origem


de todo o dinheiro que ENTROU no caixa ou equivalentes de
caixa (bancos e aplicações financeiras disponíveis em 90 dias),
bem com a aplicação de todo dinheiro que SAIU em determi-
nado período e, ainda, o resultado do fluxo financeiro. A DFC
propicia ao gerente financeiro a elaboração de melhor plane-
jamento financeiro, sabendo-se o momento certo de buscar
recursos para cobrir a insuficiência de fundos, bem como
quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro,
proporcionando maior rentabilidade à empresa. Também ser-
ve a outros usuários, apresentando a forma como gerou caixa
e como utilizou os recursos e valores equivalentes ao caixa. A
empresa quando utiliza essa demonstração com as demais,
supre de forma completa os usuários e, principalmente, os
habilita à avaliação das mudanças de ativos líquidos de uma
empresa e sua estrutura financeira, que podem ser explicadas
13
nas questões de liquidez e solvência;

A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) desenvolve


conceitos puramente econômicos, evidenciando quanto de va-
lor a empresa agrega durante seu processo produtivo, ampli-
ando os horizontes de seus usuários. As entidades poderão
utilizar-se da DVA para identificar, analisar e comunicar o
montante de recursos adicionais gerados para a economia (lo-
cal, regional, nacional, setorial, etc.) bem como para relacionar
quais as fontes e quais as aplicações dessa riqueza, ou seja,
para quem ela foi distribuída. Segundo alguns autores, a DVA
vem sendo considerada um dos melhores critérios para indi-
car a medida da eficácia da gestão empresarial. Tudo isso
dentro da concepção de que a missão moderna na empresa
representa um papel econômico e social.

Importante:

Tais demonstrações contábeis, assinadas pelo administrador e pelo


contador, devem ser publicadas em dois jornais: no Diário Oficial e em
um jornal de grande circulação na localidade onde é sediada a empre-
sa. Tal publicação deve ser feita no prazo de até cinco dias antes da
Assembleia Geral de Acionistas, o que deve ocorrer dentro dos quatro
meses subsequentes à data de encerramento do exercício.

Ressalte-se que as chamadas Sociedades Limitadas seguem legislação


específica (Lei 10.406/2002 – Novo Código Civil) devendo apresentar à
Receita Federal (não estão obrigadas à publicação em jornais de grande
circulação e diário oficial) as seguintes demonstrações ou relatórios
contábeis:

a) Balanço Patrimonial;
b) Balanço Econômico (equivale à Demonstração do Resultado do
Exercício e Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados).

Vamos entender um pouco mais sobre esses dois tipos societários antes
de prosseguirmos: a Sociedade Anônima (ou companhia) se caracteri-
za por ter seu capital dividido em partes iguais chamadas ações (os
proprietários, geralmente em grande número, são denominados de
acionistas), e têm a responsabilidade de seus sócios ou acionistas limi-
tada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Deverá
publicar as Demonstrações Financeiras no Diário Oficial e em outro
jornal de grande circulação editado na localidade onde se situa a em-
14
presac. Porém, apesar da legislação definir a periodicidade anual para
a publicação das demonstrações, para atender às necessidades gerenci-
ais, a contabilidade deverá apresentar relatórios contábeis com perío-
dos mais curtos (semanal, quinzenal, mensal,...).

A Sociedade Limitada (nova designação dada à antiga sociedade por


quotas de responsabilidade limitada) constitui a forma mais usual de
sociedade comercial e caracteriza-se por seu capital dividido em quo-
tas (os proprietários, geralmente em pequeno número, são denomina-
dos sócios ou quotistas). Não precisa publicar as demonstrações finan-
ceiras em jornal, mas deverá apresentá-las junto ao Imposto de Renda,
através do preenchimento da Declaração do Imposto de Renda ou para
atender ao novo Código Civil.

Algumas características da sociedade limitada são:

a) atividades reguladas por um contrato social;

b) seu capital social divide-se em cotas, iguais ou desiguais, cabendo


uma ou diversas a cada sócio;

c) é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato


social ou em ato separado;

d) algumas deliberações devem ser tomadas pelos sócios, em reunião


ou assembleia.

Resumindo:

RELATÓRIOS CONTÁBEIS OBRIGATÓRIOS:


Sociedade Anônima (Lei 11.638/07): Balanço Patrimonial, De-
monstração do Resultado de Exercício, Demonstração das Muta-
ções do Patrimônio Líquidos (quando de capital aberto) ou De-
monstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, Demonstração
dos Fluxos de Caixa (S.A. abertas e fechadas – estas últimas, com
patrimônio líquido superior a R$ 2 milhões) e Demonstração do
Valor Adicionado (somente para as Cias Abertas).
Sociedades Limitadas (Lei 10.406/2002 – Novo Código Civil): Ba-
lanço Patrimonial e Balanço do Resultado Econômico (equivale ao
DRE e a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados).

c No caso de instituições financeiras ou correlatadas (seguradoras, financeiras, previdência privada, etc), a


publicação é semestral, para as demais empresas que negociam papeis na Bolsa de Valores, a
obrigatoriedade de publicação é anual.
15
É importante ressaltar que o exercício social ou período contábil terá
duração de um ano, não havendo necessidade de coincidir com o ano
civil (de 1º. de janeiro a 31 de dezembro), embora, na maioria das ve-
zes, isso aconteça. Para fins de Imposto de Renda considera-se ano
civil = exercício social.

1.3 Complementação às demonstrações financeiras:


relatório da diretoria, parecer de auditoria e notas
explicativas
Quando da publicação das Demonstrações Financeiras, as Sociedades
Anônimas deverão informar aos usuários desses relatórios dados adi-
cionais. O Relatório da Diretoria (logo após a identificação da empre-
sa) dará ênfase às informações de caráter não financeiro. Saliente-se
que esse relatório não tem uma estrutura padronizada, mas, normal-
mente, contempla a análise corporativa (estratégia corporativa, fatores
externos à empresa que afetam seu desempenho, resultados de inves-
timentos significativos, políticas de responsabilidade social desenvol-
vidas pela entidade, programas de pesquisa e desenvolvimento e pro-
jeções quanto ao futuro da entidade); análise setorial (comparação
entre o desempenho da entidade com outras que atuam no mesmo
segmento econômico); análise financeira (comentários sobre o desem-
penho e a situação econômico-financeira da entidade); análise de risco
(questões relativas à diversificação e concentração dos negócios da
empresa entre ramos de atividade, clientes, fornecedores, ativos e
regiões geográficas); práticas de governança corporativa, entre outros.

Além do Relatório da Diretoria, temos as Notas Explicativas ou notas


de rodapé, que são complementos às demonstrações (sem serem de-
monstrações), destacadas após as referidas demonstrações (abaixo). A
publicação de Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras está
prevista no § 4º do artigo 176 da Lei 6.404/1976, visando fornecer as
informações necessárias para esclarecimento da situação patrimonial,
ou seja, de determinada conta, saldo ou transação, ou de valores relati-
vos aos resultados do exercício, ou para menção de fatos que podem
alterar futuramente tal situação patrimonial, critérios de cálculos na
obtenção de itens que afetam o lucro; obrigações de longo prazo (cre-
dores, taxa de juros, garantias), ajustes de exercícios anteriores, entre
outros.

O Parecer da Auditoria ou Parecer dos Auditores Independentes


complementa as demonstrações financeiras, sendo quesito obrigatório
para as demonstrações das S.A., instituições financeiras e de outros
casos específicos. Trata-se de parecer de auditor externo informando se
16
as referidas demonstrações representam adequadamente a situação
patrimonial e financeira da empresa, se foram levantadas de acordo
com os Princípios Fundamentais da Contabilidade e se há uniformida-
de em relação ao exercício anterior.

Exemplo: RELATÓRIOS CONTÁBEIS OBRIGATÓRIOS

Relatório da diretoria ___________________________________________

Em $ milhares

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Demonstração do Resul-
Balanço
tado
Patrimonial
do Exercício
Data___/___/___
Data ___/___/___

_____________ _____________
_____________ _____________

EM DUAS______
COLUNAS _______
EM DUAS COLUNAS

____________ _____________
____________ ____________

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido


ou Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados

Data ___/___/___

___________________________________
____________________
EM DUAS COLUNAS

Demonstração dos Fluxos de Caixa Demonstração do Valor Adicionado

Notas Explicativas:_______________________________________

Assinatura dos Diretores Parecer dos Auditores

Assinatura do Contador – nº registro CRC


1.4 Ponto final
No capítulo 1 estudamos as demonstrações contábeis e entendemos o
quanto elas são importantes para a tomada de decisão. Verificamos
que, segundo a Lei 11.638/2007, temos como demonstrações obrigató-
rias para as S.A, o Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do
Exercício - DRE, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido –
DMPL (ou Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados –
DLPA); Demonstração dos Fluxos de Caixa e Demonstração do Valor
Adicionado. Já para as Sociedades Limitadas as demonstrações obriga-
tórias são o Balanço Patrimonial e o Balanço Econômico (DRE +
DLPA).

Diferenciamos dois tipos societários: Sociedades Anônimas e Socieda-


des Limitadas e verificamos que o tratamento das demonstrações con-
tábeis varia de acordo com o tipo de constituição da sociedade empre-
sarial. Além disso, vimos a complementação das demonstrações contá-
beis obrigatórias e seus requisitos e modelo para publicação. Nos capí-
tulos seguintes, estudaremos, em detalhes, uma a uma das demonstra-
ções contábeis, sua estrutura e importância para a gestão.

Atividades
1) De acordo com o tipo de sociedade por ações, é obrigatória a de-
monstração:
( ) Das Origens e Aplicações de Recursos para as Cias de grande
porte;
( ) Do Valor Adicionado para as Cias Abertas;
( ) Dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, no caso das Cias Fechadas
apenas se seu Patrimônio Líquido for superior a R$ 2 milhões;
( ) Dos Fluxos de Caixa, apenas para as Cias Abertas;
( ) Nenhuma das alternativas está correta.

2) Atribua letra V para assertivas verdadeiras e F para as falsas, Em


seguida, marque a opção que contenha a sequência correta:
De acordo com o art.176 da Lei 6404/76, alterada pela Lei
11.638/07, entre as demonstrações financeiras que a Cia de Capital
Aberto deverá elaborar ao final de cada exercício social, estão:
( ) Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos
Acumulados;
( ) Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, Demonstra-
ção do Resultado do Exercício;
( ) Demonstração dos Fluxos de Caixa, Demonstração do Valor Adi-
cionado.
18
a) V,V,V
b) V,F,V
c) V,V,F
d) F,V,V
e) F,V,F

3) A Lei 11.638/07 ao modificar alguns artigos da Lei 6.404/76, intro-


duziu a obrigatoriedade da elaboração de duas demonstrações
contábeis adicionais pelas Cias Abertas abertas:
a) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e Demons-
tração do Valor Adicionado;
b) Demonstração dos Fluxos de Caixa e Demonstração das Mutações
do Patrimônio Líquido;
c) Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos e Demons-
tração das Mutações do Patrimônio Líquido;
d) Demonstração do Valor Adicionado e Demonstração dos Fluxos
de Caixa;
e) Demonstração de Dividendo Obrigatório e Demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido.

4) Em relação às demonstrações contábeis é correto afirmar:


a) A demonstração das mutações patrimoniais mostra a variação da
posição financeira da entidade no curto prazo;
b) A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados pode ser
substituída, com vantagens, pela demonstração das origens e apli-
cações de recursos;
c) No balanço patrimonial, constituem contas redutoras de Patrimô-
nio Líquido: prejuízos acumulados, ações em tesouraria, capital
social a integralizar, ajustes de avaliação patrimonial
d) O cálculo do valor dos dividendos a pagar por ação é evidenciado
na Demonstração do Resultado do Exercício;
e) No balanço patrimonial, as contas do ativo são apresentadas em
grau crescente de liquidez e as do passivo em grau crescente de
exigibilidade.

5) Em relação às demonstrações contábeis, considere as seguintes


afirmativas:
I. A demonstração das mutações do patrimônio líquido, de acordo
com a Lei 6404/76 é de apresentação obrigatória para todas as so-
ciedades anônimas;
II. No balanço patrimonial está evidenciado o capital de terceiros de
uma entidade (e seu conseqüente grau de endividamento);
III. Na demonstração/conta de lucros/prejuízos acumulados é eviden-
ciada a distribuição do resultado do exercício;
19
IV. A demonstração das origens e aplicações de recursos evidencia as
causas que geram a variação das disponibilidades;
V. A apresentação do Balanço Social é obrigatória apenas para todas
as S.A.
Está correto o que se afirma:
a) I e II
b) II e III
c) III e IV
d) IV e I
e) V e II

6) Elabore um quadro comparativo entre as Leis 6404/76 e 11.638/07


acerca das demonstrações obrigatórias para as sociedades por
ações (Abertas e Fechadas):
Sintetize com suas palavras o que evidencia cada uma das de-
monstrações contábeis:
a) Balanço Patrimonial:

b) Demonstração do Resultado do Exercício:

c) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados:

d) Demonstração dos Fluxos de Caixa:

e) Demonstração do Valor Adicionado:

7) Cite e explique os relatórios que complementam as demonstrações


financeiras:
a) Relatório da Diretoria:

b) Notas Explicativas:

c) Parecer de Auditoria:

d) Diferencie e caracterize as Sociedades Anônimas e as Sociedades


Limitadas:

8) Qual a importância das demonstrações financeiras para o admi-


nistrador? Contextualize sua resposta:
2 BALANÇO PATRIMONIAL

Simone Loureiro Brum Imperatore

O termo “Balanço Patrimonial” nos remonta a uma balança de dois


pratos, onde sempre encontramos a igualdade (ATIVO = PASSIVO +
PATRIMÔNIO LÍQUIDO). A balança ainda remete à ideia de mensu-
ração do peso. Só que no caso do Balanço Patrimonial não se mede o
peso, mas o patrimônio. O termo patrimonial, por sua vez, tem origem
no patrimônio da empresa, ou seja, conjunto de bens, direitos e obriga-
ções. Juntando as duas partes, obtém-se o balanço patrimonial, equilí-
brio do patrimônio, igualdade patrimonial. Em sentido amplo, o ba-
lanço evidencia a posição contábil, financeira e econômica de uma
entidade em determinada data, representando uma posição estática
(posição ou situação do patrimônio em determinada data).

2.1 O que é balanço patrimonial?


O Balanço apresenta os Ativos (bens e direitos) e Passivos (exigibilida-
des e obrigações) e o Patrimônio Líquido, que é resultante da diferença
entre o total de ativos e passivos. O balanço patrimonial é uma das
peças extraídas dos livros contábeis, que faz parte do conjunto das
demonstrações financeiras, e é elaborado segundo os princípios contá-
beis geralmente aceitos.

Segundo Matarazzo (2008, p.41)

O balanço patrimonial é a demonstração que apresenta todos os bens e direitos da


empresa – Ativo -, assim como as obrigações - Passivo Exigível - em determinada
data. A diferença entre Ativo e Passivo é chamada Patrimônio Líquido e
representa o capital investido pelos proprietários da empresa, quer através de
recursos trazidos de fora da empresa, quer gerados por esta em suas operações e
retidos internamente.

Assim, temos a chamada EQUAÇÃO PATRIMONIAL BÁSICA, con-

forme apresentado a seguir.


21

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Assaf Neto (2002, p.58) menciona que o balanço apresenta a posição


patrimonial e financeira de uma empresa em dado momento. A infor-
mação que esse demonstrativo fornece é totalmente estática e, muito
provavelmente, sua estrutura se apresentará relativamente diferente
algum tempo após seu encerramento.

É a principal demonstração contábil usada por bancos, governo, forne-


cedores, sindicatos, sócios, acionistas. Reflete a posição financeira em
determinado momento, normalmente no final do ano (exercício social)
ou de um período prefixado. É como se tirássemos uma foto da empre-
sa e víssemos de uma só vez todos os bens, valores a receber (direitos)
e valores a pagar (obrigações) em determinada data.

Iudícibus e Marion (2006, p.19) explicam a expressão balanço patrimo-


nial:

O termo balanço decorre do equilíbrio ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO


LÍQUIDO, ou da igualdade APLICAÇÕES = ORIGENS DOS RECURSOS.
Parte da ideia de uma balança de dois pratos, onde sempre encontramos a
igualdade. Só que, em vez de denominarmos de balança (como a Balança
Comercial) denominamos no masculino: Balanço. A expressão patrimonial
origina-se do Patrimônio Global da empresa, ou seja, o conjunto de bens, direitos e
obrigações. Daí origina-se a expressão Patrimônio Líquido, a riqueza líquida da
empresa num processo de continuidade, a Situação Líquida. Compondo as duas
expressões, teremos a expressão Balanço Patrimonial, o equilíbrio do Patrimônio, a
igualdade patrimonial.

2.1.1 Os grupos de contas do balanço patrimonial


O balanço patrimonial é uma demonstração simples e fácil de ser en-
tendida, pois visa mostrar a situação econômico-financeira da empresa
para leigos, sendo constituído de duas colunas, conforme convenção
da Lei 6404/76, que regulamenta as Sociedades por Ações:

a) A coluna do lado direito chama-se PASSIVO (obrigações e Patri-


mônio Líquido);

b) A coluna do lado esquerdo chama-se ATIVO (bens e direitos).

Para facilitar a leitura, análise e interpretação do Balanço, Ativo e Pas-


sivo dividem-se em grupos de contas que apresentam as contas de
22
mesmas características (prazo e grau de liquidez). Duas regras básicas
orientam a distribuição de contas no Balanço Patrimonial:

a) Prazo (vencimento): em Contabilidade CURTO PRAZO significa,


normalmente, o período de até um ano e, LONGO PRAZO, o pe-
ríodo superior a um ano. Assim, na data de elaboração do Balan-
ço, 31/12/20XX, por exemplo, todas as contas a receber até
31/12/20X1 (um ano da elaboração do balanço) serão agrupadas
num mesmo título do Ativo (Ativo Circulante), assim como todas
as contas a pagar até o final do ano seguinte (31/12/20X1), serão
agrupadas num mesmo título no Passivo (Passivo Circulante). O
mesmo ocorre com as contas de LONGO PRAZO que são classifi-
cadas em Ativo Não Circulante, no subgrupo Realizável a Longo
Prazo (direitos realizáveis num período superior a um ano) e no
Passivo Não Circulante (obrigações vencíveis num período supe-
rior a um ano).

b) Grau de LIQUIDEZ: liquidez vem do verbo liquidar, pagar os


compromissos, assim, os itens mais rapidamente conversíveis em
dinheiro são classificados em primeiro plano. Assim temos caixa,
bancos, duplicatas a receber, mercadorias em estoque etc.

A seguir, vamos conhecer os grupos de contas do Balanço Patrimonial.

No ativo, as contas devem ser dispostas em ordem decrescente de


realização, ou seja, de acordo com a facilidade de conversão em di-
nheiro, assim, os itens patrimoniais cuja velocidade de conversão em
dinheiro é maior (caixa, bancos, contas a receber, mercadorias) são
classificados em primeiro plano. Os de menor liquidez (valores a rece-
ber no longo prazo, máquinas e equipamentos, veículos, terrenos, etc)
aparecem num segundo plano de acordo com a velocidade (ou poten-
cialidade de conversão em dinheiro).

Os elementos registrados estão estruturados nos seguintes subgrupos


(de acordo com o parágrafo 1º do artigo 178 da Lei 6.404/76 alterado
pelas Leis 11.638/07 e 11.941/09 ):

a) Ativo Circulante;

b) Ativo Não Circulante: compreende Ativo Realizável a Longo


Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível.

IMPORTANTE: Para ser Ativo, é preciso preencher a quatro requisitos:

a) ser classificado em bens e ou direitos;


23
b) ser de propriedade da empresa;

c) avaliável monetariamente (R$);

d) representar benefícios presentes ou futuros.

Ativo circulante
O Ativo Circulante engloba contas que constantemente estão em giro,
em movimento (daí a expressão circulante). Constitui o capital de giro
da empresa, onde estão dispostas as contas Caixa, Bancos e outros
itens que serão transformados em dinheiro, consumidos ou vendidos a
curto prazo, ou seja, dentro de um ano (contas a receber, bens de con-
sumo, investimentos temporários, mercadorias para revenda, etc).

De acordo com a Lei 6.404/76, o ativo circulante subdivide-se em:

a) Disponível - refere-se às contas onde são registrados os valo-


res que representam o dinheiro em caixa, os saldos disponí-
veis em contas de movimento bancário, os saldos de contas
relativas aos ativos imediatamente liquidáveis;

b) Direitos (créditos) Realizáveis no Exercício Seguinte: saldos


relativos a aplicações em valores mobiliários, operações no
mercado aberto; contas a receber, com vencimentos para o e-
xercício seguinte, tais como: contas ou duplicatas a receber
por vendas mercantis (inclusive cheques pré-datados); adian-
tamentos a empregados, adiantamentos a diretores/sócios,
impostos a recuperar/restituir, e outros;

c) Estoques – incluem três contas:

 Estoque de mercadorias, matérias-primas, embala-


gens e materiais secundários empregados em pro-
cesso de produção, materiais de consumo e produtos
em trânsito, subprodutos e resíduos;

 Estoque de imóveis prontos para a venda ou em


construção com prazo de entrega até 12 meses (no
caso de construtora);

 Estoque de materiais em poder de terceiros para be-


neficiamento.

d) Despesas Apropriáveis no Exercício Seguinte (ou Despesas


Antecipadas) – Registra-se neste subgrupo os valores das
24
despesas pagas antecipadamente, ou, em outras palavras, cu-
jo prazo de vigência é futuro, devendo ser contabilizadas
mensalmente de acordo com o período a que se refere: Prê-
mios de Seguros a Apropriar ou a Vencer; Despesas Financei-
ras a Apropriar ou a Vencer; Aluguéis a Apropriar ou a Ven-
cer.

O termo “a Apropriar” (ou a Vencer) refere-se à aplicação do Princípio


da Competência, no qual se deve reconhecer e classificar as contas de
resultado (receitas e despesas) no período a que se referem, indepen-
dentemente do seu efetivo recebimento (receitas) ou pagamento (des-
pesas). Assim, se pago o aluguel da empresa antecipado, com vigência
para 18 meses, preciso registrar o valor pago antecipadamente como
despesa apropriável e, mês a mês, fazer o “reconhecimento” da despe-
sa no mês correto (aluguel de janeiro de 2010 contabilizado no mês de
janeiro de 2010 e assim sucessivamente).

Ativo não circulante


Este grupo compõe-se de subgrupos, a saber: realizável a longo prazo,
investimentos, imobilizado e intangível, conforme veremos a seguir.

a) Realizável a Longo Prazo

Neste subgrupo são registrados, os direitos realizáveis após o encer-


ramento do Exercício Seguinte (mais de 360 dias após o encerramento
do Balanço Patrimonial): Duplicatas a Receber, Adiantamentos ou
Empréstimos a Fornecedores ou a Sociedade Coligada ou Controlada,
Adiantamentos ou Empréstimos a Diretoresa. Também são registradas
as despesas apropriáveis após o encerramento do Exercício Seguinte
referentes a encargos financeiros exigíveis após o exercício seguinte ao
do encerramento do Balanço.

b) Investimentos

Em que pode ser registrado:

 As participações permanentes em outras sociedades;

 Os empreendimentos relativos ao plantio de florestas


destinados à proteção do solo ou à preservação do meio

a No caso de adiantamentos/empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (do mesmo grupo


empresarial) e ou adiantamentos/empréstimos a sócios/diretores a legislação societária obrigada a sua
contabilização no longo prazo independentemente de seu prazo contratual. A máxima é: “negócios em
família” a contabilização é sempre no longo prazo!!!
25
ambiente, sem que se destinem à manutenção da ativi-
dade da empresa;

 As importâncias aplicadas na aquisição de imóveis, des-


de que não sejam para revenda ou destinadas à manu-
tenção das atividades da empresa (ex: imóveis para alu-
guel);

 As aplicações em ouro, quando não constarem do objeto


social da pessoa jurídica.

c) Imobilizado

Registra-se nesse subgrupo os bens e os direitos que tenham por objeto


bens destinados para a manutenção das atividades da empresa ou
exercidos com essa finalidade. Exemplos: máquinas, equipamentos,
construções, veículos, móveis e utensílios, etc

d) Intangível

Registra-se neste grupo os direitos correspondentes à propriedade


industrial e comercial da empresa, as patentes de invenção, as marcas,
fórmulas e processos de fabricação, valor do ponto comercial e outros
de idêntica natureza;

Passivo
Em ordem de exigibilidade (vencimento), as contas do passivo são
estruturadas nos seguintes grupos:

a) Passivo Circulante

São registradas as obrigações da empresa que serão pagas no prazo de


um ano (curto prazo). As principais contas do passivo circulante são:

 Fornecedores: origina-se das operações de compra a pra-


zo, no mercado nacional ou exterior, de matérias-primas
destinadas ao processo produtivo, mercadorias com a fi-
nalidade de revenda ou outros materiais ou insumos;

 Tributos a Pagar/Recolher: compreende as obriga-ções re-


lativas a impostos, taxas e contribuições;

 Salários e Encargos Sociais: compõe-se das obrigações da


empresa para com seus empregados e aos agentes arre-
cadadores de contribuições sociais, bem como as obriga-
26
ções conhecidas como previsíveis e calculáveis na data
do balanço;

 Empréstimos e Financiamentos de Instituições Financei-


ras: compreende os recursos obtidos pela empresa junto a
instituições financeiras do país com a finalidade de fi-
nanciar imobilizações ou o próprio giro do negócio;

 Além das contas descritas acima, podemos encontrar


muitas outras contas no passivo circulante, tais como: a-
diantamentos, contas a pagar, dividendos, gratificações e
participações, empréstimos em moeda estrangeira etc.

b) Passivo Não Circulante:

Registram-se as contas que representam as obrigações vencíveis após o


prazo de um ano (encerramento do exercício seguinte). Classificam-se
neste grupo as seguintes contas:

 Financiamentos;

 Parcelamentos de Débitos Fiscais e Sociais;

 Créditos de Empresas Coligadas e Controladas; etc.

Em sentido restrito poderíamos considerar como PASSIVO apenas o


Passivo Exigível (Circulante e Não Circulante). Em sentido amplo,
porém, esse termo é utilizado como o total das exigibilidades (dívidas
com terceiros) e dos recursos próprios (Patrimônio Líquido), a saber.

c) Patrimônio Líquido:

Conforme já estudamos, o patrimônio líquido é a diferença entre o


Ativo e o Passivo. Representa os investimentos dos proprietários (Ca-
pital Social), mais os lucros reinvestidos (reservas). Deve apresentar o
capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimoni-
al, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos
acumulados. Saliente-se que no capítulo 3 estudaremos mais detalha-
damente as reservas.

Para sua melhor compreensão, apresentamos a seguir um resumo dos


Grupos e Subgrupos do Balanço Patrimonial:
27
Quadro 1: Grupos do balanço patrimonial

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
CIRCULANTE CIRCULANTE
São contas que estão constante-
mente em giro - movimento – sen- São obrigações exigíveis que
do que a conversão em dinheiro serão liquidadas nos próximos
ocorrerá, no máximo, no próprio 360 dias após o levantamento
exercício social. do Balanço Patrimonial.

NÃO CIRCULANTE NÃO CIRCULANTE

a) Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo

São bens e direitos que se transfor- São as obrigações (dívidas de


marão em dinheiro um ano após o longo prazo) que serão liquida-
levantamento do BP. das com prazo superior a um
ano após o levantamento do
b) Investimentos: Balanço Patrimonial.
São as inversões financeiras de cará-
ter permanente que geram rendi-
mentos e que não são necessárias à
manutenção da atividade fundamen-
tal da empresa.

c) Imobilizado:

São itens de natureza permanente


que serão utilizados para a manuten-
ção da atividade básica da empresa.

d) Intangível:

Bens e direitos que tenham por obje-


to bens incorpóreos destinados à
manutenção da empresa ou exerci-
dos com essa finalidade.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

São os recursos dos proprietários


aplicados na empresa. Tais recur-
sos significam o Capital mais o
seu rendimento (lucros) e reser-
vas.

Fonte: elaborado pela autora


28
Cabe salientar a importância de compreender o que encontramos em
cada grupo patrimonial para facilitar a compreensão do Balanço Pa-
trimonial.

Muita atenção ao quadro 1!!!!

2.1.2 Principais deduções do ativo e do patrimônio líquido


A seguir são apresentadas as principais deduções (contas redutoras ou
de ajuste) relacionadas ao ativo circulante, ao ativo não circulante e ao
patrimônio líquido.

2.1.2.1 Deduções do ativo circulante


No item Duplicatas a Receber (ou contas a receber/CLIENTES) encon-
tram-se duas deduções:

a) A parcela estimada pela empresa que não será recebida (ina-


dimplência), com o título Provisão para Devedores Duvido-
sos (o cálculo é feito de acordo com a média considerada in-
cobrável em exercícios anteriores);

b) Parcela das duplicatas a receber negociadas com as institui-


ções financeiras (antecipação de recebíveis), com o título de
Duplicatas Descontadas.

c) Na conta Estoques, se o valor de mercado deste item for me-


nor que o valor do custo de aquisição ou produção, deverá ser
deduzida a provisão para ajustá-lo ao valor de mercado (con-
servadorismo)

2.1.2.2 Deduções do ativo não circulante


No grupo Investimentos, encontram-se como deduções as Provisões
para Perdas, com o objetivo de cobrir as perdas prováveis na realiza-
ção financeira, quando comprovadas (tais perdas) como permanentes.

No Imobilizado, como dedução do valor bruto, encontram-se as con-


tas depreciação, amortização e exaustão A perda de valor dos bens do
ativo não circulante em virtude da ação do tempo, uso, da evolução
técnica (obsolescência), ou exaustão, será registrada periodicamente
nas contas de:

a) Depreciação Acumulada – corresponde à perda do valor dos


bens que têm por objeto bens físicos (tangíveis) sujeitos a des-
gaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou por
29
obsolescência técnica. A taxa anual de depreciação é determi-
nada em função da vida útil do bem, isto é, do prazo durante
o qual se possa esperar a utilização econômica dele na produ-
ção. A Secretaria da Receita Federal estabelece e publica as ta-
xas de depreciação conforme o prazo de vida útil admissível
para cada item do Ativo Imobilizado.

b) Amortização Acumulada – quando corresponder à perda do


valor do capital aplicado na aquisição de direitos de proprie-
dade industrial ou comercial, marcas, patentes, benfeitorias
em imóveis de terceiros e quaisquer outros com existência ou
exercício de duração limitada. A taxa anual de amortização é
fixada considerando-se: o número de anos restantes da exis-
tência do direito amortizável e a legislação do imposto de
renda (prazos mínimos e máximos).

c) Exaustão Acumulada – corresponde à perda do valor decor-


rente da exploração de direitos cujo objeto sejam recursos mi-
nerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. As
mineradoras poderão considerar como custo ou despesa, em
cada exercício, o valor correspondente à percentagem extraí-
da de minério no período sobre o custo de aquisição ou pros-
pecção dos recursos minerais explorados. O valor da quota de
exaustão florestal em cada exercício é apurado através da
identificação do percentual entre o volume de recursos flores-
tais explorados em relação ao volume da floresta no início do
período-base.

2.1.2.3 Deduções do patrimônio líquido


O Patrimônio Líquido pode ser reduzido:

a) Quando há prejuízo no exercício evidenciado pela conta Pre-


juízos Acumulados;

b) Quando houver capital ainda não realizado, o patrimônio lí-


quido demonstrará o montante do valor subscrito pelos só-
cios e por dedução o valor ainda pendente de realização em
dinheiro ou outros bens e direitos na conta Capital Social a
Integralizar;

c) Também será demonstrado por dedução o valor empregado


nas aquisições de ações ou quotas do capital social da própria
sociedade na conta Ações em Tesouraria;
30
d) Outra conta redutora de patrimônio líquido é Ajustes de
Avaliação Patrimonial em que se contabilizam os ajustes ne-
gativos (diminuições) de avaliações de Ativos a preço de mer-
cado.

Na sequência, apresentamos a estrutura do Balanço Patrimonial se-


gundo a Lei 6404/76, alterada pelas Leis 11.638/2007 e 11.941/09.

Quadro 2 - Estrutura básica do balanço patrimonial

ATIVO PASSIVO
CIRCULANTE CIRCULANTE
DISPONIBILIDADES Empréstimos
Fornecedores
Caixa
Bancos Conta Corrente Obrigações fiscais e sociais
Aplicações de Liquidez Imediata Adiantamento de clientes
Utilidades e serviços a pagar
CRÉDITOS Gratificações a empregados,
diretores, administradores
Clientes
Salários, férias e 13º. Salário a
(-) Provisão para Devedores Duvi-
pagar
dosos
Títulos a pagar
(-) Duplicatas Descontadas
Debêntures a Pagar
Títulos a Receber
Bancos Conta Vinculada
Adiantamentos a Terceiros
Adiantamentos a Funcionários
Impostos a Recuperar
ESTOQUES
Mercadorias para revenda
Matérias-primas
Materiais de Embalagem
Materiais de Limpeza
DESPESAS ANTECIPADAS
Prêmios de seguros a apropriar
Encargos financeiros a apropriar
Aluguéis a apropriar
NÃO CIRCULANTE
REALIZÁVEL A LONGO
PRAZO
Clientes
Bancos conta Vinculada
Títulos a Receber
31
Créditos de acionistas NÃO CIRCULANTE
Créditos de diretores
EXIGÍVEL A LONGO
Créditos de coligadas e controladas
PRAZO
Adiantamentos a terceiros
Impostos a Recuperar Empréstimos e financiamentos
INVESTIMENTOS Títulos a pagar
Participação em sociedades (contro- PATRIMÔNIO LÍQUIDO
ladas e coligadas)
Participações em outras empresas Capital social
Imóveis não de uso – de renda (-) capital social a integralizar
Direito de Exploração de Recursos (-) Ações em tesouraria
Naturais (minerais e vegetais) (- +) Ajustes de avaliação pa-
(-) exaustão acumulada trimonial
IMOBILIZADO (-) Prejuízos acumulados

Terrenos Reservas
Instalações
Máquinas, aparelhos e equipamen-
tos
Móveis e Utensílios
Veículos
Ferramentas
(-) depreciação acumulada
Obras em andamento
INTANGÍVEL
Marcas, direitos e patentes indus-
triais
(-) amortização acumulada
Fonte: Lei 6404/76, alterada pelas Leis 11.638/07 e 11.941/09

Observada a estrutura básica do Balanço Patrimonial conforme a legis-


lação vigente, cabe ressaltar a importância dessa demonstração na
gestão da empresa, tendo em vista que apresenta, de forma sucinta, as
origens (passivo e patrimônio líquido) e as aplicações (ativo) de recur-
sos, de onde temos os subsídios para as decisões de investimento e
financiamento.

2.1.3 Decisões de investimento e financiamento


Entende-se por investimento toda a aplicação de capital em algum
ativo (bens e direitos) tangível ou intangível, para obter determinado
retorno no futuro. Um investimento pode ser a criação de uma nova
empresa, ou pode ser um projeto em uma empresa já existente, por
exemplo.
32
No setor industrial, o projeto de investimento mais clássico é a aquisi-
ção de novas linhas de produção. Mas também são importantes os
projetos de reposição de equipamentos, reforma de linhas de produção
antigas, projetos para automação industrial, projetos para adoção de
novas tecnologias e projetos linha verde, objetivando reduzir os impac-
tos ambientais dos processos produtivos.

No setor agroindustrial, os projetos envolvem aplicações de recursos


na aquisição de maquinário agrícola, na construção de silos e arma-
zéns, no melhoramento genético e do solo, no aumento da produtivi-
dade, na formação de cooperativas, no processamento de produtos in
natura, agregando valor na informatização do controle da produção e
nos canais de comercialização.

Já no setor de serviços, os projetos de investimento referem-se desde a


reforma de instalações até campanhas publicitárias. Os gastos com
automação comercial e sistemas de informações gerenciais também são
projetos de investimento, na medida em que podem aumentar ou
diminuir o valor da empresa no longo prazo.

No segmento comercial os projetos centram-se nos investimentos em


marketing, diferenciais mercadológicos, TI, dentre outros.

O Quadro 3 ilustra as principais questões que devem ser respondidas


antes de se tomar uma decisão de investimento na empresa, utilizan-
do-se da estrutura do ATIVO. Sabe-se que esta estrutura se altera em
função do ramo de negócios da empresa e de suas características espe-
cíficas, no entanto, em quaisquer ramos, as questões respondidas são
semelhantes para qualquer empresa.
33
Quadro 3 – Decisão de Investimento

ATIVO Questões a serem respondidas

Ativo Circulante (até 360 dias) Onde estão aplicados os re-


cursos financeiros?
Disponibilidades
Quanto em ativos circulantes?
Créditos
Quanto em ativos não circu-
Estoques lantes? Em quais?
Despesas Antecipadas Qual a melhor composição
Ativo Não Circulante (+ de dos ativos?
360 dias) Qual o risco do investimento?
Realizável a Longo Prazo Qual o retorno do investimen-
Investimentos to?

Imobilizado Quais as novas alternativas de


investimentos?
Intangível
Como decidir em quais ativos
investir?
Como maximizar a rentabili-
dade dos investimentos exis-
tentes?
O que deve ser descartado,
reduzido ou eliminado por
não acrescentar valor?
Fonte: Adaptado de Lemes Júnior, Rigo, Cherobim (2002, p.10)

No que se refere às decisões de financiamento, a composição de re-


cursos da empresa é chamada de ESTRUTURA FINANCEIRA e pode
ser verificada do lado direito do balanço: o PASSIVO. Tais decisões
envolvem a escolha da estrutura de capital, a determinação do custo de
capital e a captação de recursos. Remetem, portanto, à definição das
fontes de financiamentos a serem utilizadas nas atividades da empresa
e nos projetos de investimento. Os recursos financeiros advêm de duas
fontes: capital próprio (Patrimônio Líquido) e de terceiros (obrigações,
dívidas).

O capital próprio é formado por recursos dos proprietários e acionistas


da empresa. Tais recursos são feitos no longo prazo, através da compra
de ações, do investimento em cotas, do reinvestimento de lucros gera-
dos, etc. O capital de terceiros entra na empresa por meio de emprés-
timos e financiamentos obtidos de instituições financeiras, além das
34
dívidas da empresa com fornecedores (duplicatas a pagar), com funci-
onários (salários a pagar), com o governo (tributos a pagar/recolher),
conforme evidenciado no quadro 4.

Quadro 4 – Decisões de financiamento

Passivo Questões a serem respondidas...

Passivo Circulante (até 360 dias)  Qual a estrutura de capital?


Fornecedores  De onde vêm os recursos?
Empréstimos e financiamentos  Qual a participação de capital
próprio?
Impostos a Pagar
 Qual a participação de capitais de
Salários a Pagar
terceiros?
Encargos a Recolher
 Qual o perfil do endividamento?
Outros
 Qual o custo de capital? Como
Passivo Não Circulante (+ 360 di- reduzi-lo?
as)
 Quais as fontes de financiamento
Financiamentos utilizadas e seus respectivos cus-
Patrimônio Líquido tos?

Capital Social  Quais deveriam ser substituídas


ou eliminadas?
Reservas
 Qual o risco financeiro?
Ajustes de Avaliação Patrimonial
 Qual o sincronismo entre os
vencimentos das dívidas e a gera-
ção de meios de pagamento?
Fonte: Adaptado de Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2002, p. 12)

As questões pontuadas por Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2002) nos


remetem às primeiras “leituras” do balanço patrimonial, com vistas a
compreender as informações contidas nesse relatório. Analistas, ban-
cos, investidores, sindicatos, fornecedores, governo, buscam respostas
a tais indagações com vistas a mensurar o risco e a liquidez das enti-
dades, tópicos que estudaremos a seguir.

2.2 Ponto final


O Balanço Patrimonial é a demonstração financeira destinada a evi-
denciar, de forma qualitativa e quantitativa, numa determinada data, a
posição patrimonial e financeira da entidade. No Balanço Patrimonial
as contas deverão ser classificadas de acordo com os elementos do
patrimônio que registrem, de forma a facilitar sua leitura e interpreta-
35
ção. Saliente-se que no Ativo (aplicações de recursos – bens e direitos)
as contas estão organizadas em ordem dos prazos esperados de reali-
zação, enquanto que no Passivo (origem dos recursos), estão em ordem
de exigibilidade (vencimento).

Atividades
1) O Balanço Patrimonial serve como elemento de partida funda-
mental para o conhecimento da situação financeira e patrimonial
da entidade. Em relação ao Balanço Patrimonial, é correto dizer:
a) O Passivo representa as aplicações dos recursos;
b) Os Capitais de Terceiros contemplam os bens e direitos da organi-
zação;
c) O Ativo representa as aplicações de recursos;
d) As obrigações vencíveis no curto prazo devem ser registradas no
Ativo Circulante;
e) Apresenta a formação do resultado do exercício.

2) O Balanço Patrimonial é a fotografia dos atos e fatos contábeis de


uma entidade, expresso em valores monetários. É finalidade do
Balanço Patrimonial:
a) a) demonstrar o resultado do exercício;
b) b) evidenciar as mutações do Patrimônio Líquido;
c) c) detalhar a movimentação dos recursos financeiros disponíveis;
d) d) demonstrar a situação patrimonial e financeira da empre-
sa/organização, no encerramento do exercício social, e as mutações
ocorridas durante o exercício;
e) apresentar as mutações do Patrimônio Líquido.

3) Em relação ao Balanço Patrimonial, as Disponibilidades, os Direi-


tos Realizáveis durante o exercício social seguinte ao do Balanço,
bem como as aplicações de recursos em Despesas do Exercício Se-
guinte, serão classificados em:
a) Ativo Circulante;
b) Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo;
c) Ativo Não Circulante Imobilizado;
d) Ativo Não Circulante Investimentos;
e) Ativo Não Circulante Intangível.
36
4) As contas que representam bens destinados à manutenção das
atividades da empresa, como: Móveis e Utensílios, Veículos, Insta-
lações, Imóveis, Computadores e Periféricos, etc, são classificadas:
a) no Ativo Circulante;
b) no Passivo Exigível a Longo Prazo;
c) no Ativo Não Circulante Imobilizado;
d) no Ativo Não Circulante Intangível;
e) no Ativo Não Circulante Investimentos.

5) Os direitos realizáveis compreendem as contas representativas de


direitos ou valores a receber que, embora não representem dinhei-
ro disponível em determinada data, serão convertidos em dinhei-
ro em maior ou menor prazo. As contas que representam direitos
a receber no curto prazo são classificadas:
a) No Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo;
b) No Ativo Circulante
c) No Passivo Circulante;
d) No Ativo Não Circulante Investimentos;
e) No Passivo Circulante.

6) As obrigações de longo prazo referem-se aos valores a pagar cuja


liquidação ocorrerá em prazo superior ao seu ciclo operacional ou
após o exercício social seguinte. As contas que representam obri-
gações de longo prazo devem ser classificadas:
a) no Passivo Circulante;
b) no Passivo Não Circulante;
c) no Patrimônio Líquido;
d) no Ativo Circulante;
e) No Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo.

7) No Balanço Patrimonial, as aplicações de recursos em despesas do


exercício seguinte deverão ser classificadas no:
a) Ativo Intangível;
b) Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo;
c) Ativo Circulante;
d) Ativo Não Circulante Imobilizado;
e) Patrimônio Líquido.
37
8) O Balanço Patrimonial da empresa Lizbela Confecções está assim
constituído:
Ativo Circulante R$ 3.000.000
Ativo Não Circulante R$ 10.000.000
Passivo Circulante R$ 2.000.000
Passivo Não Circulante R$ 1.500.000
Patrimônio Líquido R$ 9.500.000

Com base nessas informações, pode-se afirmar que:

a) O seu capital próprio é de R$ 13.000.000;


b) O capital de terceiros é de R$ 1.500.000
c) O conjunto de bens e direitos disponíveis e realizáveis no curto
prazo é de R$ 3.000.000;
d) As obrigações exigíveis no longo prazo totalizam R$ 2.000.000;
e) As aplicações de recursos totalizam R$ 10.000.000

9) Aponte a alternativa em que não há correlação entre os termos


agrupados:
a) Máquinas e equipamentos; veículos para entrega de mercadorias;
imóvel da fábrica.
b) Caixa; Bancos conta Movimento; Aplicações Financeiras de Liqui-
dez Imediata.
c) Capital Social; Ajustes de avaliação patrimonial; Reservas de Lu-
cro.
d) Duplicatas a Receber (até 6 meses); Estoques; Empréstimos a Só-
cios/Empresas Coligadas.
e) Salários a Pagar (mês seguinte), Impostos a Recolher (daqui a 30
dias); Fornecedores (curto prazo).

10) As aplicações efetuadas por empresas industriais em bens imóveis


que se destinam à renda (para aluguel) devem ser classificadas
como:
a) Ativo Não Circulante Imobilizado
b) Ativo Não Circulante Intangível
c) Ativo Não Circulante Investimentos
d) Ativo Circulante
e) Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo
3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO
DO EXERCÍCIO (DRE ou DEREX)

Simone Loureiro Brum Imperatore

Antes de prosseguirmos com o estudo do DRE, torna-se necessário que


você conheça as contas de resultado, quer sejam: as Receitas e Despe-
sas (e custos). Elas aparecem durante o exercício social, encerrando-se
(zerando) ao final do mesmo. Não fazem parte do Balanço Patrimonial
como as contas patrimoniais (bens, direitos, obrigações e patrimônio
líquido), mas é por meio delas que sabemos se a empresa apresentou
lucro ou prejuízo em suas atividades. Vejamos...

3.1 Receitas
São valores que a empresa gera como fonte de recursos financeiros,
para atender a seus gastos e manter as suas atividades, ou seja, decor-
rem da venda de bens (mercadorias) ou da prestação de serviços.
Constituem INGRESSOS (entradas) de recursos para o patrimônio da
entidade sob a forma de bens e direitos, correspondendo, em geral, a
vendas de mercadorias ou prestação de serviços. Podem derivar, tam-
bém, de remunerações sobre aplicações ou operações financeiras. A
receita sempre aumenta o Patrimônio Líquido. Ex.: Vendas a Vista,
Vendas a Prazo, Receitas de Prestação de Serviços, Aluguéis Ativos,
Juros Ativos, Descontos Obtidos.

3.2 Despesas
Segundo Marion, (2006, p. 78), despesa é todo o sacrifício, todo o esfor-
ço da empresa para obter receita. Cherman (2010, p.4) sintetiza: “São
gastos consumidos, direta ou indiretamente, na obtenção de receitas”.

Em outras palavras, é o gasto relativo a bem ou serviço consumido


direta ou indiretamente para:
39
a) comercialização e distribuição dos produtos (despesa de ven-
das);

b) direção geral e área de apoio (despesa administrativas)

c) remuneração do capital de terceiros (despesa financeira)

As despesas deverão ser registradas por ocasião do consumo dos bens


ou serviços utilizados pela empresa para a manutenção, independen-
temente de seu efetivo pagamento. Constituem SAÍDAS de recursos e
se refletem no Balanço Patrimonial através da redução do saldo de
Caixa (ou Banco Conta Corrente) quando é paga no ato (a vista), ou
mediante o aumento de uma obrigação, quando é contraída no presen-
te para ser paga no futuro (a prazo). Ex.: Água e Esgoto, Material de
Expediente, Aluguéis Passivos, Juros Passivos, Café e Lanches, Luz,
Descontos Concedidos, Salários, Despesas Bancárias, Encargos Sociais,
Fretes, Prêmios de Seguros, Impostos, Telefone, etc.

Bem, se receitas e despesas são CONTAS DE RESULTADO, as contas


que representam bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido (as
quais você já conhece) são chamadas de CONTAS PATRIMONIAIS.
Fica fácil de diferenciar:

3.3 Despesa e custo


Precisamos diferenciar despesa e custo.

Quando a matéria-prima é adquirida (comprada), constitui um gasto,


ou seja, um desembolso (saída de dinheiro, pagamento) para a aquisi-
ção de um bem, sendo “estocada” no Ativo. No instante em que essa
matéria-prima entra em produção, a reconhecemos como CUSTO.

Portanto, todos os gastos no processo de industrialização, que contri-


buem com a transformação da matéria-prima (fabricação) em produto,
entendemos como custos: mão de obra, energia elétrica, manutenção,
desgaste de máquinas utilizadas para a produção (depreciação), emba-
lagens, aluguel da fábrica, etc. Já os gastos referentes ao escritório e à
administração são classificados em despesas.
40
Observe: o aluguel pode ser tratado como despesa ou custo. Tratando-
se de aluguel referente ao prédio da fábrica, será considerado custo;
tratando-se de aluguel referente ao prédio do escritório (administra-
ção) será considerado despesa. Este raciocínio é extensivo ao imposto
predial, salários, materiais, depreciação (quando de bens da fábrica
custo; quando de bens do escritório, despesa).

Numa empresa comercial, o gasto da aquisição da mercadoria para


revenda será tratado como custo; já numa empresa de prestação de
serviços, a mão de obra aplicada nos serviços prestados mais o materi-
al utilizado nesses serviços serão considerados custos. Para ambas as
atividades, todos os gastos na administração, assim como na indústria,
serão tratados como despesas.

Pela Lei das Sociedades Anônimas identificamos três tipos de despe-


sas: de vendas, administrativas e financeiras. Vejamos alguns exem-
plos:

a) Despesas com Vendas: salários do pessoal de vendas, marke-


ting e pesquisa de mercado, distribuição, comissões sobre
vendas, propaganda e publicidade, despesas com garantia,
promoções de bonificações, fretes, etc;

b) Despesas Administrativas: salários do pessoal administrati-


vo, encargos sociais, assistência médica, aluguéis, energia elé-
trica, condomínio, seguros, despesas de viagens, material de
escritório, depreciação, impostos, remuneração da diretoria,
etc;

c) Despesas Financeiras: juros passivos, descontos concedidos,


despesas bancárias, etc;

Para não esquecer:

Custos : Gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na pro-


dução de outros bens ou serviços: Gastos da FÁBRICA – custo
dos produtos, custo das mercadorias vendidas

Despesas: Gastos do ESCRITÓRIO e ADMINISTRAÇÃO –


vendas, administrativas e financeiras para manutenção das ati-
vidades da empresa; promoção de vendas.
41

3.4 Estrutura básica da DRE


A DRE é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em
determinado período (12 meses). Segundo Azevedo (2009, p.15) “[...]
pretende demonstrar qual o lucro ou prejuízo do exercício publicado,
bem como a sua estrutura de apuração, demonstrando o “caminho”
que o dinheiro percorre dentro de uma empresa até ser apurado o
lucro”.

É apresentada de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas sub-


traem-se as despesasa e, em seguida, indica-se o resultado (lucro ou
prejuízo). Ao apresentar o resultado, a DRE evidencia a riqueza gerada
pela entidade em determinado período (exercício), sabendo-se que esta
riqueza pertence, ao final das contas, aos acionistas/sócios da entidade.

A DRE pode ser simples para micro e pequenas empresas que não
requeiram dados pormenorizados para a tomada de decisão, como é o
caso de bares, farmácias, mercearias, etc. Deve evidenciar o total de
despesa deduzido da receita, apurando-se, assim, o lucro, sem destacar
os principais grupos de despesas.

A DRE completa, exigida por lei, fornece maiores detalhes para a to-
mada de decisão: grupos de despesas, vários tipos de lucro, destaque
dos impostos, etc. Assim:

a Atenção: a DRE obedece ao princípio de competência, ou seja, as receitas e despesas são contabilizadas
no momento de sua ocorrência, independentemente de seu recebimento ou pagamento.
42
Importante:

A DRE é elaborada a partir da conta Lucros e Perdas (ou Lucros ou


Prejuízos Acumulados). Ela é uma demonstração financeira impres-
cindível para a elaboração do Balanço Patrimonial (deve, inclusive,
preceder o levantamento do mesmo). Normalmente o resultado do
exercício das empresas é apurado no final do ano civil. Sua finalidade é
melhor evidenciar o ganho, tendo em vista as necessidades de infor-
mações do usuário externo, bem como fornecer os dados essenciais à
análise da formação do resultado do exercício. Como já vimos, para se
apurar o resultado do exercício de uma empresa, basta confrontar o
total de despesas com o total das receitas ocorridas em um determina-
do período.

Quadro 5 – Estrutura da demonstração do resultado do exercício

ESTRUTURA BÁSICA DA DRE


Empresa Z
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
Período de 01.01 a 31.12.XX

RECEITA BRUTA
( - ) Tributos Incidentes sobre Vendas
( - ) Devoluções e Abatimentos
( - ) Descontos Incondicionais
= RECEITA LÍQUIDA

( - ) Custo das Mercadorias Vendidas (se comércio)


ou ( - ) Custo dos Produtos Vendidos (se indústria)
ou ( - ) Custo dos Serviços Prestados (se empresas de
serviços)
= RESULTADO BRUTO

( - ) Despesas Operacionais
- Vendas
- Administrativas
- Financeiras Líquidas (despesas - receitas financei-
ras)
= RESULTADO OPERACIONAL
43

( + ) e/ou ( - ) Outras Receitas e/ou Despesas Operacio-


nais

= RESULTADO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

( - ) Provisão para a Contribuição Social


= RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA

( - ) Provisão para o Imposto de Renda


= RESULTADO DEPOIS DO IMPOSTO DE RENDA

( - ) Provisão para Participação de Debenturistas


( - ) Provisão para Participação dos Empregados
( - ) Provisão para Participação dos Administradores
( - ) Provisão para Participação de Partes Beneficiárias
= RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

LUCRO LÍQUIDO POR AÇÃO

Fonte: Adaptado de Azevedo (2009)

Segundo Azevedo (2009, p.30) “A Demonstração do Resultado do


Exercício (DRE) tem como finalidade, além de evidenciar o resultado
do exercício – lucro ou prejuízo – demonstrar a origem dos recursos
próprios que são aplicados na empresa (receitas) assim como todos os
gastos (custos e despesas) envolvidos na geração da riqueza da entida-
de”. Saliente-se que a DRE tem caráter econômico (relacionado à ri-
queza da entidade) e não financeiro (relacionado a dinheiro). O mesmo
autor exemplifica a aplicação das informações da DRE:

a) O gestor da entidade terá uma visão estratégica, determinan-


do qual o melhor caminho a ser seguido pela organização pa-
ra o aumento de sua lucratividade, podendo, para tanto, de-
terminar a redução de custos e despesas (quais?), sem com-
prometer a qualidade dos produtos e serviços;

b) O acionista, por sua vez, visualiza as tendências financeiras


da entidade, se está aplicando de forma correta e coerente os
recursos obtidos (despesas e custos);

c) O Governo (fisco) observa se a empresa está apurando seus


impostos com correção;
44
d) A concorrência (no caso de demonstrações publicadas) avalia
o sistema de custeio/despesa da empresa;

e) Os fornecedores, investidores e bancos avaliam o potencial de


geração de lucros da entidade.

O quadro 6 evidencia as principais questões que orientam a leitura e


interpretação da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE:

Quadro 6 – Análise da demonstração do resultado do exercício: questões a


serem respondidas

Receita Operacional
(-) Deduções da Receita
Impostos incidentes sobre vendas Quais os resultados obtidos? Co-
Devoluções mo mantê-los ou melhorá-los?
Abatimentos Qual o crescimento das vendas? E
(=) Receita Operacional Líquida dos custos? E das despesas?
(-) Custos Operacionais Qual a participação percentual
dos custos e das despesas em
(=) Resultado Operacional Bruto
relação às receitas?
(-) Despesas Operacionais
Qual a margem líquida de venda?
Administrativas
Quais os custos e despesas que
Comerciais
podem ser reduzidos?
Financeiras
As receitas obtidas são compatí-
(=) Resultado Operacional veis com os investimentos?
(+-) Outras Receitas/Despesas Ope- Os lucros têm atingido as metas
racionais estabelecidas? Como são quando
(=) Lucro antes IR comparados com os das melhores
(-) Imposto de Renda empresas do ramo?

(=) Lucro Líquido do Exercício


Lucro Líquido por Ação
Fonte: Adaptado de Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2002, p. 13)

As questões apresentadas pelos autores nos remetem à análise da for-


mação do resultado do exercício e sua comparação com o inicialmente
planejado. Como se vê, a DRE fornece detalhes para a tomada de deci-
são: grupos de despesas, vários tipos de lucros, destaque dos impostos,
evolução das devoluções e dos custos, etc
45

3.5 DRE inovada ou Ebitda


É comum observarmos atualmente, relatórios contábeis com a expres-
são Ebitda.

Ebitda em inglês é identificado como Earning Before Interest, Taxes, De-


preciation am Amortization. Em português é chamado popularmente de
Lajida – Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.

De certa forma, Ebitda é o Lucro Operacional ajustado, quer seja, indica


quanto dinheiro os ativos operacionais de uma companhia produzem.
Portanto, O EBITDA representa a geração operacional de caixa da
companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas atra-
vés de suas atividades operacionais, sem levar em consideração os
efeitos financeiros e de impostos. Por isso, alguns profissionais cha-
mam o EBITDA de fluxo de caixa operacional. Observe a comparação
de uma DRE Tradicional e uma DRE Inovada com EBITDA de uma
empresa comercial.

Quadro 7 – Comparação DRE tradicional e inovada

DRE TRADICIONAL DRE INOVADA


Receita 1.600.000 Receita 1.600.000
(-) CMV (800.000) (-)CMV (800.000)
Lucro Bruto 800.000 Lucro Bruto 800.000
(-) Despesas Operacionais (-) Desp Vendas (200.000)
Vendas (200.000) (-) Desp Administrativas (2 90.000)
Administrativasb (350.000) EBITDA 310.000
Financeiras (50.000) (-) Depreciação (60.000)
Lucro Operacional 200.000 (-) Desp Financeiras (50.000)
(-) IR Renda e Contr Social (48.000) Lucro Operacional 200.000
Lucro Líquido 152.000 (-) IR e Contr Social (48.000)
Lucro Líquido 152.000
Fonte: Adaptado de Marion (2006)

Segundo Marion (2006, p. 106) “Ebitda abrange todos os componentes


operacionais (despesa e receita financeira não são operacionais) e os
componentes com potencial de afetar o caixa (depreciação não afeta o
caixa), evidenciando a capacidade da empresa em gerar recursos con-
siderando seu negócio”.

O EBITDA representa o potencial de geração operacional de caixa que


o ativo operacional de uma empresa é capaz de produzir, antes de
considerar o custo de qualquer capital tomado emprestado (despesas

b Incluída Depreciação
46
financeiras). Não corresponde ao efetivo fluxo de caixa físico já ocorri-
do no período porque parte das vendas pode não estar recebida e parte
das despesas pode não estar paga. Assim que recebidas todas as recei-
tas e pagas todas as despesas, esse é o valor de caixa produzido pelos
ativos, antes de computadas as receitas e as despesas financeiras (ju-
ros), impostos (sobre o lucro), a depreciação, a amortização e a exaus-
tão.

Desta forma, consiste o EBITDA num poderoso indicador de desem-


penho financeiro, posto que reflete o potencial de geração de recursos
decorrentes eminentemente das operações da empresa. Note que são
excluídos do cômputo toda e qualquer despesa escritural, ainda que
operacional, a exemplo da depreciação posto que, não representa saída
de recursos (desembolso). Sua aplicação tem sido exaustiva no campo
de avaliação de empresas, o que ressalta a importância da contabilida-
de, ainda que histórica, na fixação de referência de valor.

3.6 Reservas
Reservas são valores recebidos dos sócios ou de terceiros que não cor-
respondem a aumento de capital e que não passaram pelas contas de
resultado como receita. Podem ser, ainda, lucros retidos com finalida-
de específica. As reservas não constituem valores em dinheiro, são
percentuais predefinidos pela legislação e pelo estatuto da empresa,
sendo assim, não podem ser distribuídas aos acionistas ou partes inte-
ressadas como lucros ou dividendos, pois não têm características de
exigíveis. Podem ser:

a) Reservas de Capital;

b) Reservas de Lucros.

3.6.1 Reservas de capital


A reserva de capital é aquela que não se origina do resultado do exer-
cício (lucro), portanto, não transita pela DRE. Originam-se de fatos
financeiros e contábeis ocorridos na empresa, dentre os quais desta-
cam-se:

a) Ágio na emissão das ações: deriva do aumento do capital da


empresa, por meio da emissão e venda de novas ações com
lucro; esse excedente é chamado de ágio e será classificado na
conta de Reservas de Capital;
47
b) Doações e subvenções para investimentos: são doações e
subvenções recebidas pela empresa, vindas da iniciativa pú-
blica ou privada, aumentando a sua riqueza.

Destinação das Reservas de Capital:

a) Absorver prejuízos;

b) Incorporação ao Capital;

c) Resgate de partes beneficiárias;

d) Pagamento de dividendos a ações preferenciais, quando essa


vantagem lhes for assegurada.

3.6.2 Reservas de lucros


As reservas de lucros subdividem-se em:

a) Reserva Legal;

b) Reservas Estatutárias;

c) Reserva para Contingências;

d) Reserva Orçamentária;

e) Reserva de Lucros a Realizar.

A reserva legal é constituída por valor igual a 5% do lucro líquido do


exercício e não excederá a 20% do capital social. Tem por fim assegurar
a integridade do Capital Social e somente poderá ser utilizada para
compensar prejuízos ou aumentar capital (lei das S.A).

As reservas estatutárias, por sua vez, são aquelas previstas nos estatu-
tos da empresa e possuem regras claras que indicam a sua finalidade e
fixam os critérios que determinam a parcela anual dos lucros líquidos a
serem destinados à sua constituição. O estatuto também determina o
limite máximo da reserva.

A Assembleia geral poderá ainda, destinar parte do Lucro Líquido à


formação de reserva com a finalidade de compensar, em exercício
futuro, a diminuição de perda julgada provável, cujo valor possa ser
estimado. A constituição de tal reserva busca evitar uma situação de
desequilíbrio financeiro caso se distribuíssem os dividendos em um
exercício, face à probabilidade de redução de lucros ou mesmo ocor-
48
rência de prejuízo em exercício futuro, em virtude de fatos extraordi-
nários previsíveis. Como exemplo temos: suspensão temporária da
produção, falta de suprimento de matéria-prima, passivos ambientais,
processos tributários, eventos climáticos previstos, etc. Sua constitui-
ção é opcional, devendo ser indicadas a causa da perda prevista e
justificativa de sua constituição. Referida reserva deixará de ser consti-
tuída e será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões
que justificaram a sua constituição.

A Reserva Orçamentária, também conhecida como Reserva de Lucros


para Expansão, tem a finalidade de garantir o investimento em expan-
são da empresa quando previsto no orçamento de capital, devendo ser
aprovada em assembleia geral. Referido orçamento deverá compreen-
der todas as fontes de recursos e aplicação de capital e poderá ter a
duração de até cinco exercícios, salvo exceções.

Por último, no exercício em que os lucros a realizar ultrapassarem o


total deduzido dos valores destinados às reservas legal, estatutária,
contingências e orçamentária, a Assembleia geral poderá destinar o
excesso à constituição de Reserva de Lucros a Realizar. Pela Lei
10.303/01 fica assegurado o cálculo da Reserva de Lucros a Realizar
apenas para pagamento de dividendo obrigatório.

3.7 Ponto final


A DRE é apresentada como um resumo ordenado dos componentes
que provocam alterações no Patrimônio Líquido das entidades (recei-
tas, despesas e custos). Além de fornecer as informações para a apura-
ção do resultado, a DRE possibilita uma visão gerencial da entidade e,
com uma análise mais apurada, avalia-se o desempenho da entidade e
a eficiência dos gestores em obter (ou não) resultados positivos. Confi-
gura-se num importante instrumento de orientação para a gestão e,
junto ao Balanço Patrimonial constitui as demonstrações mais impor-
tantes das entidades (e nas quais vamos dedicar especial atenção nos
processos de análise e interpretação).
49
Atividades
1) Sobre a Demonstração do Resultado do Exercício, é correto afir-
mar:
I. compara receitas com despesas do período, apurando seu resulta-
do;
II. indica acréscimos e decréscimos gerados no Patrimônio Líquido,
originários das operações da empresa.;
III. é um relatório contábil que evidencia a situação econômica da
entidade.
a) Todas as alternativas estão corretas
b) Nenhuma alternativa está correta;
c) As alternativas I e II estão corretas;
d) Apenas a alternativa I está correta;
e) Apenas a alternativa II está correta.

2) A Demonstração do Resultado do Exercício é a apresentação, em


forma resumida, das operações realizadas pela empresa, durante o
exercício social, demonstradas de forma a destacar o resultado lí-
quido do período. Relativamente a esse assunto, julgue os itens a
seguir, assinalando a resposta correta:
a) na determinação do resultado do exercício, serão computadas
apenas as receitas e os rendimentos efetivamente realizados em
moeda, no período, assim como custos, despesas, encargos e per-
das pagos, correspondentes às receitas e rendimentos;
b) a Receita Líquida de Vendas corresponde à receita Bruta de Ven-
das menos deduções e abatimentos sobre vendas;
c) as despesas financeiras, gerais, administrativas e com vendas
devem ser demonstradas após a apuração do resultado operacio-
nal;
d) o Lucro Bruto é igual à Receita Bruta de Vendas ou Serviços mais
impostos;
e) regime contábil aplicado à DRE é o de Caixa.

3) Na Demonstração do Resultado do Exercício, a informação contá-


bil que permite saber se uma empresa está obtendo lucro ou preju-
ízo com as atividades diretamente relacionadas com o objetivo de
seu negócio chama-se Resultado:
a) Bruto
b) Líquido
c) Operacional
d) Do exercício após o IR
e) Nenhuma das alternativas está correta.
50
4) No encerramento de uma empresa comercial, apuraram-se, entre
outros, os saldos a seguir:

Faturamento R$ 700.000
Devoluções de vendas R$ 35.000
Descontos comerciais (abati-
R$ 15.000
mentos) sobre vendas
Impostos incidentes sobre
R$ 167.900
vendas
Descontos financeiros sobre
R$ 25.000
vendas
Comissões sobre vendas R$ 30.750

Com base nesses dados, é correto afirmar que a receita líquida de ven-
das, nos termos da legislação comercial e tributária, é de:

a) R$ 522.750;
b) R$ 532.100;
c) R$ 426.350;
d) R$ 482.100;
e) R$ 457.100.

5) A Cia Esperança apresenta os seguintes valores em relação a resul-


tado do exercício:
COFINS R$ 180
Custo da Mercadoria Vendida R$ 2.800
Despesas Financeiras R$ 600
ICMS sobre Vendas R$ 720
PIS sobre Faturamento R$ 60
Receita Operacional Bruta R$ 6.000
Salários e Ordenados R$ 1.000

Com base nos dados apresentados, pode-se afirmar que a empresa


apresenta:
a) Receita Líquida de Vendas de R$ 5.280;
b) Receita Líquida de Vendas de R$ 2.240;
c) Lucro Operacional Bruto de R$ 5.040;
d) Lucro Operacional Líquido de R$ 2.240;
e) Lucro Operacional Líquido de R$ 640.
51
6) A Cia Sucesso apresentou os seguintes resultados no exercício
anterior:

Vendas 526.000
Outras Receitas Operacionais R$ 48.000
Despesa de Aluguel R$ 13.000
Despesas Financeira R$ 22.000
Dividendos pagos R$ 57.000
Despesas de salários R$ 42.000
Imposto de Renda e Contri-
R$ 80.000
buição Social provisionados
Impostos Incidentes sobre
R$ 50.000
vendas
Despesa de Depreciação R$ 32.000
CMV R$ 213.000

De acordo com a estrutura prevista na legislação brasileira, o resultado


operacional líquido e o resultado líquido apurados foi de:
a) R$ 263.000 e R$ 176.000
b) R$ 154.000 e R$ 202.000
c) R$ 476.000 e R$ 176.000
d) R$ 202.000 e R$ 176.000
e) Nenhuma das alternativas está correta

7) Ao encerrar o exercício de 20XX, a Cia Alegria apurou os seguin-


tes saldos:

Contas Saldos
Capital Social 200.000
Estoque de Mercadorias 256.000
Clientes 140.000
Caixa 70.000
Fornecedores 250.000
Participações em outras Empresas 50.000
Móveis e Utensílios 310.000
Depreciação 60.000
Duplicatas Descontadas 90.000
Depreciação Acumulada 180.000
Prejuízos Acumulados 32.000
Salários a Pagar 18.000
Provisão para devedores duvido-
2.000
sos
Capital a Realizar 40.000
52
ICMS a Recolher 65.000
Reserva Legal 6.000
Ações em Tesouraria 30.000
Prêmios de Seguros 17.000
Duplicatas a Pagar 100.000
IR a Recolher 15.000

Elaborando o balanço patrimonial com os dados apresentados, vamos


encontrar um:
a) Ativo Total de R$ 478.000
b) Passivo e Patrimônio Líquido de R$ 560.000
c) Passivo Circulante de R$ 354.000
d) Patrimônio Líquido de R$ 104.000
e) Nenhuma das respostas está correta

8) (Adaptado de ESAF/SEFAZ/2009) Em relação à Demonstração do


Resultado do Exercício, assinale a alternativa correta:

a) Após apurado o resultado do exercício e calculadas as provisões


para contribuição social e Imposto de Renda, deverão ser calcula-
das e contabilizadas as participações contratuais e estatutárias nos
lucros e as contribuições para instituições ou fundos de assistência
ou previdência de empregados;
b) As despesas do mês, que foram pagas antecipadamente, estão
registradas em contas de Ativo Não Circulante Investimentos;
c) Outras despesas operacionais são aquelas decorrentes de transa-
ções não incluídas nas atividades principais ou acessórias da em-
presa, como, por exemplo, o montante obtido com a venda do
imobilizado;
d) Lucro Bruto é a diferença entre a receita líquida de vendas de bens
ou serviços e as despesas operacionais;
e) Todas as alternativas estão corretas

9) A empresa Facilite Ltda apurou ao final do exercício 20XX os


seguintes saldos:
Receita Bruta de Vendas R$ 700.000
Deduções de Vendas R$ 58.000
Custo das Mercadorias Vendidas R$ 400.000
Despesas Operacionais R$ 32.000
Provisão de Imposto de Renda e CSLL R$ 10.000
Do resultado apurado, 10% será provisionado para pagamento
de participação estatutária de administradores
53
Com base nessas informações, pode-se dizer que o lucro após o IR e
CSLL e a participação estatutária dos administradores (em R$) será de,
respectivamente:
a) R$ 232.000 e R$ 23.200;
b) R$ 200.000 e R$ 18.000;
c) R$ 210.000 e R$ 21.000;
d) R$ 200.000 e R$ 20.000;
e) R$ 242.000 e R$ 24.200.

10) A Lei 6404/76 e as alterações pertinentes estabelecem que na De-


monstração do Resultado do Exercício seja evidenciada a lucrati-
vidade absoluta, indicando o montante, em reais ou fração, do lu-
cro obtido por ação do capital social. A empresa Facilita tem seu
capital social constituído de 600 mil ações e apresentou os seguin-
tes dados em relação ao exercício 20XX:

Reserva Legal R$ 30.000


Reservas Estatutárias R$ 45.000
Participações Estatutárias R$ 18.000
Provisão IR e CSLL R$ 40.000
Receita Líquida de Vendas R$ 225.000
Lucro Operacional Bruto R$ 145.000
Lucro Operacional Líquido R$ 106.000
Outras Receitas Operacionais R$ 24.000
Capital Social R$ 800.000

Neste caso, baseado nas informações fornecidas, podemos dizer que o


lucro por ação do capital social a ser indicado na última linha da DRE
foi de:
a) R$ 0,15 por ação
b) R$ 0,12 por ação
c) R$ 0,11 por ação
d) R$ 0,09 por ação
e) R$ 0,08 por ação
4
DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS
OU PREJUÍZOS ACUMULADOS –
DLPA

Simone Loureiro Brum Imperatore

Além das demonstrações contábeis mais conhecidas, Balanço Patrimo-


nial e Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilidade pro-
duz outras demonstrações, que são derivadas dessas, e que oferecem
importantes “detalhes” das operações das entidades. A Demonstração
dos Lucros ou Prejuízos Acumulados analisa o fluxo do lucro ajustado
ao do Patrimônio Líquido, por meio das destinações para as reservas e
suas reversões, até a evidenciação dos dividendos a serem distribuídos
aos acionistas. Segundo Iudícibus e Marion (2006), a DLPA constitui o
elo de integração entre a Demonstração do Resultado do Exercício e o
Balanço Patrimonial, tendo por finalidade evidenciar, num determina-
do período, o lucro no período, sua distribuição e a movimentação
ocorrida no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados.

4.1 Conteúdo da demonstração dos Lucros ou


Prejuízos Acumulados
De acordo com a legislação vigente, citado por Sá (2009), a demonstra-
ção de lucros ou prejuízos acumulados discrimina:

a) o saldo inicial (lucro/prejuízo) do exercício;

b) os ajustes que tenham ocorrido no exercício que se demonstra a;

c) reservas revertidas;

d) o lucro líquido do exercício que se demonstra e que se acresce à


situação anterior (a + b);

a Os ajustes dos exercícios anteriores são apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil,
ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a
fatos subseqUentes.
55
e) o destino que foi dado ao resultado referido (a+b+c), ou seja, o que
se transferiu para reservas, o que se distribuiu como dividendos, o
que se incorporou ao capital, mostrando como se chega ao saldo
final.

Segundo a legislação do Imposto de Renda (art. 274 do RIR/99), a de-


monstração dos lucros ou prejuízos acumulados é obrigatória para as
limitadas e outras sociedades. Já para as companhias abertas, a Comis-
são de Valores Mobiliários - CVM estabelece a obrigatoriedade da
demonstração das mutações do patrimônio líquido (a qual estudare-
mos ainda neste capítulo).

4.1.1 Ajustes de exercícios anteriores


A legislação vigente estabelece que, observado o Princípio da Compe-
tência de Exercíciosb, o Lucro Líquido do Exercício não deve ser influ-
enciado por valores oriundos de outros exercícios. Desta forma, temos
a evidenciação do Resultado Líquido realmente obtido com as opera-
ções num determinado exercício.

A referida legislação dispõe que ajustes de exercícios anteriores são


considerados apenas os decorrentes dos efeitos da mudança do critério
contábil ou da retificação de erro imputável a determinado exercício
anterior e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. Os erros
a serem retificados são aqueles caracterizados por não serem cometi-
dos para lesar o patrimônio da empresa ou os cofres públicos, são
erros corriqueiros, como: inversão de números, contabilização para
maior ou para menor de alguma provisão (IR, CSLL, férias, etc).

Tais ajustes devem ser contabilizados diretamente na conta de lucros


acumulados de forma a aumentá-los ou diminuí-los. Critérios contá-
beis, por sua vez, só podem ser alterados quando tal alteração gera
uma qualificação na informação contábil. Saliente-se que a legislação
dispõe que as Demonstrações Financeiras do exercício em que houver
tais ajustes, deverão indicá-los em Notas Explicativas e ressaltar tal
efeito.

4.1.2 Reversão de reservas


A reversão de reservas representa as parcelas do Lucro Líquido de
exercícios anteriores que foram destinadas à constituição de reservas e
que agora estão sendo reconduzidas, em sua totalidade ou em parte,
para manutenção dos saldos do Patrimônio Líquido. As reversões de

b Receitas e despesas são contabilizadas no período de sua ocorrência, independemente de seu


recebimento/pagamento
56
reservas são importantes porque algumas delas alteram o montante
que servirá de base para a apuração do dividendo obrigatório. É o
caso, por exemplo, da reserva de contingênciac.

4.1.3 Lucro ou prejuízo do exercício


É o resultado líquido apurado na DRE do exercício financeiro findo,
após as deduções das participações dos lucros (de debenturistas, em-
pregados, administradores e partes beneficiárias), e será posto à dispo-
sição dos sócios/acionistas para sua destinação, que deverá ser escritu-
rada na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

4.1.4 Destinação do exercício


Nas sociedades limitadas não há dispositivo legal que as obrigue à
distribuição de seus lucros, já para as sociedades anônimas, a obrigato-
riedade de distribuição de lucros vem da Lei 6404/76. Consiste na des-
tinação do resultado ajustado do exercício e, será feita pela direção da
empresa em consonância com a decisão da Assembleia Geral, com o
objetivo de constituição ou aumento das Reservas, até a distribuição
dos dividendos aos acionistas.

Tendo sido apurado prejuízo no exercício, mesmo após a reversão das


reservas, este deverá ser lançado diretamente na conta Prejuízos Acu-
mulados (retificando o Patrimônio Líquido).

O quadro 8 apresenta a estrutura da Demonstração dos Lucros ou


Prejuízos Acumulados:

c É importante diferenciar reserva de provisão. No caso das provisões o fato gerador já ocorreu, por
exemplo, uma ação trabalhista por parte de um ex-empregado, com perda provável (e mensurável) e
credor. No caso de Reserva para Contingência ainda não ocorreu o fato gerador da perda, mas há uma
probabilidade que venha acontecer no futuro.
57
Quadro 8 – Modelo da demonstração do resultado do exercício

Fonte: Azevedo (2009, p.144)

Como se vê, a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados


evidencia o destino que se dá ao lucro. Saliente-se que uma parte é
distribuída aos donos da empresa (sócios/acionistas) em dinheiro,
remunerando o capital investido (dividendos). Outra parcela visa ao
reinvestimento na empresa, no sentido de fortalecer o capital próprio,
conhecida como lucro retido que irá ser incorporada ao Patrimônio
Líquido da entidade através da constituição de reservas ou aumento
de capital social.

Com a instituição dos dividendos obrigatórios e, também da faculdade


de destacar parcelas do lucro do período para formação de reservas de
lucros a realizar e da reserva para contingências, essa demonstração
assume maior importância porque reflete os acréscimos e decréscimos
que influenciam a base dos dividendos devidos.

Tratando-se de Sociedade Anônima de Capital Aberto, a Demonstra-


ção dos Lucros ou Prejuízos Acumulados deverá ser substituída pela
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, a qual estudare-
mos a seguir.
58

4.2 Demonstração das mutações do patrimônio


líquido (DMPL)
Segundo Perez Jr e Begalli (2002, p. 176) “O patrimônio líquido de uma
empresa representa a riqueza real da entidade e pode ser interpretado
como sendo ativos líquidos pertencentes aos proprietários, ou seja,
bens mais direitos menos obrigações e constituem direito comum des-
ses mesmos proprietários. Corresponde ao chamado capital próprio,
ou seja, proveniente dos proprietários e dos lucros provenientes das
atividades da empresa".

A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia as


mudanças, qualitativas e quantitativas, ocorridas no Patrimônio Líqui-
do da entidade em determinado período. Ao contrário da Demonstra-
ção dos Lucros ou Prejuízos Acumulados que fornece a movimentação
de apenas uma das contas do Patrimônio Líquido (Lucros ou Prejuízos
Acumulados), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
evidencia as movimentações de TODAS as contas do Patrimônio Lí-
quido. Assim, todo acréscimo e toda diminuição do Patrimônio Líqui-
do são evidenciados por essa demonstração, bem como a formação e
utilização das reservas (portanto, a empresa que optar publicar a
DMPL, não precisa elaborar a DLPA).

Referida demonstração contábil fornece a movimentação ocorrida


durante o exercício nas diversas contas do patrimônio líquido, fazendo
indicação da origem e do valor de cada acréscimo ou diminuição no
patrimônio líquido durante o exercício. Trata-se, portanto, de uma
informação que complementa os dados constantes no Balanço Patri-
monial e na Demonstração do Resultado do Exercício.

4.2.1 Estrutura da demonstração das mutações do patrimônio


líquido
De acordo com a legislação vigente, a DMPL deverá discriminar, em
confronto com os saldos já existentes:

a) Os saldos do início do período;

b) Os ajustes de exercícios anteriores;

c) Aumento de capital, discriminando sua natureza;

d) As reversões de reservas;

e) O resultado líquido do exercício (atual);


59
f) A proposta de destinação do lucro do período e

g) O saldo final do período.

Saliente-se que as contas que formam o Patrimônio Líquido podem


sofrer variações por inúmeros motivos, tais como:

a) Itens que afetam o patrimônio total: acréscimo pelo lucro ou


redução pelo prejuízo líquido do exercício; redução por dividen-
dos; acréscimo por ajuste de avaliação de ativos; acréscimo por
doações e subvenções para investimentos recebidos; acréscimo por
subscrição e integralização de capital; acréscimo pelo recebimento
de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o
preço de emissão das ações sem valor nominal; acréscimo pelo va-
lor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;
acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures; redução
por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda; acrés-
cimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores;

b) Itens que não afetam o total do patrimônio: aumento de capital


com utilização de lucros e reservas; reversões de reservas patri-
moniais para aumento de capital e ou compensação de Prejuízos.

O quadro 9 apresenta a estrutura detalhada da Demonstração das

Mutações do Patrimônio Líquido.


60
Quadro 9: Demonstração das mutações do patrimônio líquido

Fonte: Azevedo (2009, p.150)

Como se vê, a técnica de elaboração dessa demonstração é simples:

a) Indica-se uma coluna para cada conta do Patrimônio Líquido


(preferencialmente indicando o grupo de reservas a que pertence).
No caso da conta Capital social, pode-se detalhá-la apresentando o
valor do capital subscrito, a realizar e realizado ou subtrair-se o
saldo da conta capital a realizar (constante do Balanço Patrimoni-
al) da conta Capital Social, indicando-se a conta Capital Realizado
(saldo líquido);

b) nas linhas horizontais indicam-se as movimentações das contas do


mesmo modo como se fez com a Demonstração dos Lucros ou
Prejuízos Acumulados;

c) A seguir faz-se as adições e/subtrações de acordo com as movi-


mentações ocorridas.
61

4.3 Ponto final


Neste capítulo apresentamos a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos
Acumulados e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
Observa-se a necessidade de elaboração da DMPL para uma análise
mais detalhada da movimentação das contas do Patrimônio Líquido,
que evidenciam variações para maior ou para menor, bem como as
transferências de valores entre elas. Saliente-se que a DLPA está conti-
da na DMPL e, portanto, sendo elaborada esta última, desobriga-se a
entidade da elaboração da DLPA.

Como Leituras complementares sugere-se: Lei 6404/76 e 11.638/07;


RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda e Instrução CVM 59/1986.

Atividades
1) Sobre a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, é
INCORRETO afirmar:
a) a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Lí-
quido (DMPL) é facultativa e, de acordo com o artigo 186, pará-
grafo 2º, da Lei das S/A, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos
Acumulados (DLPA) poderá ser incluída nesta demonstração;
b) a DMPL é uma demonstração mais completa e abrangente, já que
evidencia a movimentação de todas as contas do patrimônio lí-
quido durante o exercício social, inclusive a formação e utilização
das reservas não derivadas do lucro;
c) a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Lí-
quido é relativamente simples, pois basta representar, de forma
sumária e coordenada, a movimentação ocorrida durante o exercí-
cio nas diversas contas do Patrimônio Líquido, isto é, Capital, Re-
servas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação Pa-
trimonial, Ações em Tesouraria e Lucros ou Prejuízos Acumula-
dos;
d) tem por finalidade indicar, a princípio, as origens dos recursos das
operações, sendo que, após apurar-se o Imposto de Renda e a par-
cela da depreciação, obtém-se o resultado líquido.
e) De acordo com a legislação vigente, a DMPL deverá discriminar,
em confronto com os saldos já existentes: os saldos do início do
período, os ajustes de exercícios anteriores, os aumentos de capi-
tal, as reversões de reservas, o resultado líquido atual, a proposta
de destinação do lucro, o saldo ao final do período.
62
2) É evidenciado, ou são evidenciados, na Demonstração das Muta-
ções do Patrimônio Líquido:
a) saldos iniciais, ajustes anteriores, aumentos de Capital, reversões
de reservas, o lucro líquido e sua destinação e saldos finais das
contas que compõem o Patrimônio Líquido;
b) a formação do resultado do exercício e sua destinação;
c) a situação patrimonial em um dado momento;
d) as origens e as aplicações dos recursos;
e) Todas as alternativas estão corretas

3) Com base nas informações extraídas de uma Demonstração dos


Lucros ou Prejuízos Acumulados, apure o saldo final da conta Lu-
cros ou Prejuízos Acumulados:
Saldo credor do início do exercício R$ 100
Reversões de Reservas de Lucros de Exercícios R$ 200
Anteriores
Lucro Líquido do Exercício R$ 1.000
Transferências para Reservas de Lucros R$ 300
Dividendos propostos R$ 150
Parcela de lucros incorporada ao capital R$ 100
Ajustes negativos de exercícios anteriores R$ 50

4) Considere os dados relativos à Demonstração de Lucros ou Preju-


ízos Acumulados da Cia Beta, levantada em 31/12/XX.
Saldo credor da conta Lucros ou Prejuízos Acumu-
R$ 123.450
lados no início do ano-calendário 20XX R$
Ajuste de exercícios anteriores R$ 12.350
Reversão de saldo das contas de reservas de lucros R$ 75.000;
Reversão de Reserva de Contingências R$124.050
Reversão de reservas de lucros a realizar R$ 25.500
Parcela de lucros incorporada ao capital R$ 60.000
Lucro Líquido do Exercício 20X1 R$ 80.500
Distribuição do Lucro Líquido: Reserva Legal (R$ 4.025); Re-
serva Estatutária (R$ 8.050) e Dividendos (R$ 50,000 – 0,025
por ação)

Com base nos dados apresentados, o saldo da conta lucros ou prejuí-


zos acumulados em 31/12/X1 será, em reais, de:
63
5) (Adaptada de TCE-ES/Esaf) Pelas disposições da Lei 6404/76,
sobre as demonstrações financeiras, podemos perceber que:
a) A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, quando
devidamente elaborada, substitui a Demonstração das Mutações
do Patrimônio Líquido;
b) O Balanço Patrimonial deve apresentar, já devidamente contabili-
zada, a proposta dos órgãos da administração para distribuição do
lucro líquido do exercício;
c) A Demonstração do Resultado do Exercício deve apresentar, ex-
presso em reais, o valor dos dividendos distribuídos para cada
uma das ações do capital social;
d) A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, a partir da
Lei 11638/07 substitui a Demonstração dos Fluxos de Caixa;
e) Todas as alternativas estão corretas.

6) É transação evidenciada na Demonstração das Mutações do Pa-


trimônio Líquido:
a) alienação de bens do ativo não circulante;
b) compra de bens do ativo imobilizado financiada por empréstimo
de longo prazo;
c) constituição de reserva de reavaliação de bens imóveis;
d) empréstimos efetuados a empresas coligadas ou controladas;
e) aquisição de investimentos permanentes.

7) Considere os seguintes elementos, os quais foram extraídos da


Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados da Cia Neves
em 31/12/X2:
Lucros Acumulados (31/12/X1) 4.800
Reversão de reservas de contingências 1.600
Constituição de Reserva Legal 300
Lucro Líquido do Exercício 6.000
Dividendos a Pagar 1.800

Além do exposto, no exercício de X1 foi calculada a menor em R$ 400


(ajuste de exercícios anteriores). O ajuste foi feito no exercício de x2.
Assim, com base nas informações anteriores, pode-se afirmar que o
saldo da conta Lucros Acumulados em 31/12/X2 foi de:
a) R$ 10.300
b) R$ 10.700
c) R$ 9.900
d) R$ 12.100
e) R$ 12.000
64
8) (Adaptada de Petrobras/Fundação Cesgranrio). A Cia Mafra, de
capital fechado, está elaborando o seu primeiro balanço, em
31/12/2008, apresentando as seguintes informações:
Lucro Líquido apurado na DRE R$ 200.000
Constituição de Reserva Legal R$ 10.000
Dividendos nos termos do estatuto R$ 95.000
Constituição de Reserva Estatutária R$ 5.000
Reservas Estatutárias para Investimentos R$ 45.000

Na Demonstração das Mutações o Patrimônio Líquido, o saldo transi-


tório da conta de Lucros Acumulados em 31/12/2008, o qual integrará
os dividendos propostos pela administração, em reais, foi de:
a) zero
b) 70.000
c) 95.000
d) 130.000
e) 185.000

9) A que destinações está sujeito o saldo da Conta Lucros ou Prejuí-


zos Acumulados?
10) Conceitue reservas e diferencie reservas de capital de reservas de
lucros.
5 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE
CAIXA

Simone Loureiro Brum Imperatore

A Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC tornou-se obrigatória para


todas as S.A de capital aberto com a sanção da Lei 11.638/07. A referida
Lei obrigou, ainda, as companhias fechadas com patrimônio líquido
superior a R$ 2 milhões a publicá-la. Seu objetivo é evidenciar a capa-
cidade da entidade em gerar fluxos positivos de caixa (e equivalentes
de caixa), a habilidade de pagar obrigações e dividendos, bem como
suas necessidades de financiamento.

Segundo Iudícibus e Marion (2006) a DFC vem esclarecer situações


controvertidas como o porquê de uma empresa ter um lucro conside-
rável e estar com o caixa baixo, não conseguindo liquidar seus com-
promissos. A referida demonstração, salientam os autores, possibilita
ao gerente financeiro a elaboração de melhor planejamento financeiro,
onde se saberá o momento certo em que se contrairá empréstimos para
cobrir a insuficiência de fundos, bem como quando aplicar no mercado
financeiro o excesso de dinheiro.

O Pronunciamento Técnico CPC 03 salienta os benefícios da DFC:

A demonstração dos fluxos de caixa, quando usada em conjunto com as demais


demonstrações contábeis, proporciona informações que habilitam os usuários a
avaliar as mudanças nos ativos líquidos de uma entidade, sua estrutura financeira
(inclusive sua liquidez e solvência) e sua capacidade para alterar os valores e
prazos dos fluxos de caixa, a fim de adaptá-los às mudanças nas circunstâncias e
oportunidades. As informações sobre os fluxos de caixa são úteis para avaliar a
capacidade de a entidade gerar recursos dessa natureza e possibilitam aos usuários
desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente de futuros fluxos de
caixa de diferentes entidades. A demonstração dos fluxos de caixa também melhora
a comparabilidade dos relatórios de desempenho operacional para diferentes
entidades porque reduz os efeitos decorrentes do uso de diferentes tratamentos
contábeis para as mesmas transações e eventos.
66

Mister conceituarmos caixa, equivalentes de caixa e fluxos de caixa


para darmos prosseguimento ao nosso estudo:

a) Caixa: compreende o numerário em espécie e depósitos ban-


cários disponíveis;

b) Equivalentes de Caixa: são aplicações financeiras de curto


prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em
um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um in-
significante risco de mudança de valor.

c) Fluxos de caixa: são as entradas e saídas de caixa e equivalen-


tes de caixa.

Segundo Matarazzo (2008, p. 364), os principais objetivos da Demons-


tração dos Fluxos de Caixa são:

 Avaliar as alternativas de investimento;

 Avaliar e controlar ao longo do tempo as decisões importan-


tes que são tomadas na empresa, com reflexos monetários;

 Avaliar as situações, presente e futura, do caixa da empresa,


posicionando-a para que não chegue a situações de iliquidez;

 Certificar que os excessos momentâneos de caixa estão devi-


damente aplicados.

5.1 Principais transações que afetam o caixa


A finalidade da Demonstração do Fluxo de Caixa é mostrar como se
comportam as entradas e saídas de recursos financeiros da empresa em
determinado período. O estudo cuidadoso dessa demonstração, além
de propiciar a análise de tendências, serve de base para o planejamento
do fluxo projetado. A seguir relacionamos as principais transações que
afetam o Caixa.

5.1.1 Transações que aumentam o caixa (disponibilidades)


a) Integralização do Capital pelos sócios ou acionistas: são in-
vestimentos integralizados em dinheiro pelos só-
cios/acionistas (caso a integralização se dê com imóveis, por
exemplo, não afetará o Caixa);
67
b) Empréstimos Bancários e Financiamentos: são os recursos fi-
nanceiros oriundos das instituições financeiras;

c) Venda de Itens do Ativo Não Circulante Imobilizado: embora


não seja comum, a empresa pode vender itens do ativo fixo,
gerando uma entrada de caixa;

d) Vendas a Vista e Recebimento de Duplicatas a Receber (Clien-


tes): esta constitui a principal fonte de recursos do Caixa;

e) Outras entradas: juros recebidos (ativos), dividendos recebi-


dos de outras empresas, indenizações de seguros recebidas,
etc.

5.1.2 Transações que diminuem o caixa (disponível)


a) Pagamentos de Dividendos a Acionistas: dividendos pagos
representam diminuições (desembolsos) de Caixa;

b) Pagamentos de Juros e Amortização da Dívida: O resgate das


obrigações junto às instituições financeiras bem como os en-
cargos financeiros (juros, correção monetária, taxas, tarifas,
etc) significam saídas do Caixa;

c) Aquisição de item do Ativo Não Circulante: aquisições a vista


de itens do imobilizado e de investimentos constituem saídas
de Caixa;

d) Compra a Vista e Pagamentos a Fornecedores: saída de di-


nheiro referentes à compra de matérias-primas e mercadorias
para revenda;

e) Pagamento de Despesas/Custo, Contas a Pagar, Outros: de-


sembolsos com despesas administrativas, com itens de custo e
outros.

5.1.3 Transações que não afetam o caixa


a) Depreciação, Amortização e Exaustão: são reduções do ativo
que não afetam o caixa;

b) Provisão para Devedores Duvidosos: estimativa de possíveis


perdas com clientes que não representa saída de recursos;
68
c) Ajustes de Avaliação de Ativos: a (re) avaliação dos ativos a
valores de mercado não ocasiona aumento ou redução de
Caixa;

d) Acréscimos (ou Diminuições) de Investimentos pelo Método


de Equivalência Patrimonial: poderá haver aumentos ou di-
minuições em itens de investimentos sem significar vendas
ou novas aquisições.

5.2 Estrutura da demonstração dos fluxos de caixa


A demonstração dos fluxos de caixa deve apresentar os fluxos de caixa
do período classificados por atividades operacionais, de investimento e
de financiamento.

5.2.1 Atividades operacionais


Os fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais são basica-
mente derivados das principais atividades geradoras de receita da
entidade. Portanto, eles resultam das transações e de outros eventos
que entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Exemplos de
fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais:

a) Recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela pres-


tação de serviços;

b) Recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários,


comissões e outras receitas;

c) Pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e servi-


ços;

d) Pagamentos de caixa a empregados ou por conta de empre-


gados;

e) Recebimentos e pagamentos de caixa por seguradora de prê-


mios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice;

f) Pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a ren-


da, a menos que possam ser especificamente identificados
com as atividades de financiamento ou de investimento;

g) Recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos


para negociação imediata ou disponíveis para venda futura.
69
5.2.2 Atividades de investimento
A divulgação em separado dos fluxos de caixa decorrentes das ativi-
dades de investimento é importante porque tais fluxos de caixa repre-
sentam a extensão em que os dispêndios de recursos são feitos pela
entidade com a finalidade de gerar resultados e fluxos de caixa no
futuro. Exemplos de fluxos de caixa decorrentes das atividades de
investimento:

a) Pagamentos de caixa para aquisição de ativo imobilizado, in-


tangível e outros ativos de longo prazo. Esses desembolsos
incluem os custos de desenvolvimento ativados e ativos imo-
bilizados de construção própria;

b) Recebimentos de caixa resultantes da venda de ativo imobili-


zado, intangível e outros ativos de longo prazo;

c) Pagamentos para aquisição de ações ou instrumentos de dí-


vida de outras entidades e participações societárias em joint
ventures (exceto desembolsos referentes a títulos considerados
como equivalentes de caixa ou mantidos para negociação
imediata ou venda futura);

d) Recebimentos de caixa provenientes da venda de ações ou


instrumentos de dívida de outras entidades e participações
societárias em joint ventures (exceto recebimentos referentes
aos títulos considerados como equivalentes de caixa e os man-
tidos para negociação);

e) Adiantamentos de caixa e empréstimos feitos a terceiros (ex-


ceto adiantamentos e empréstimos feitos por instituição fi-
nanceira); recebimentos de caixa por liquidação de adianta-
mentos ou amortização de empréstimos concedidos a tercei-
ros (exceto adiantamentos e empréstimos de uma instituição
financeira);

f) Pagamentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção


e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para ne-
gociação imediata ou venda futura, ou os pagamentos forem
classificados como atividades de financiamento; e

g) Recebimentos de caixa por contratos futuros, a termo, de op-


ção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para
negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos fo-
rem classificados como atividades de financiamento.
70
5.2.3 Atividades de financiamento
A divulgação separada dos fluxos de caixa decorrentes das atividades
de financiamento é importante por ser útil para prever as exigências
sobre futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à entidade.
Exemplos de fluxos de caixa decorrentes das atividades de financia-
mento:

a) Caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos


patrimoniais;

b) Pagamentos de caixa a investidores para adquirir ou resgatar


ações da entidade;

c) Caixa recebido proveniente da emissão de debêntures, em-


préstimos, títulos e valores, hipotecas e outros empréstimos
de curto e longo prazos;

d) Amortização de empréstimos e financiamentos, incluindo de-


bêntures emitidas, hipotecas, mútuos e outros empréstimos
de curto e longo prazos; e

e) Pagamentos de caixa por arrendatário, para redução do pas-


sivo relativo a arrendamento mercantil financeiro.

5.3 Demonstração do fluxo de caixa: métodos direto e


indireto
A Demonstração do Fluxo de Caixa pode ser apresentada de duas
formas: método direto e método indireto, conforme evidenciada na
figura 2.
71
Figura 2 – Método direto versus método indireto

Fonte: Sá (1998, p.36)

5.3.1 Método direto


O método direto indica os recebimentos e os pagamentos oriundos das
atividades operacionais da entidade, em vez do Lucro Líquido Ajusta-
do. Demonstra, efetivamente, as movimentações dos recursos financei-
ros ocorridos no período. A opção para esse método deve apresentar,
pelo menos, os seguintes tipos de pagamentos e recebimentos relacio-
nados às operações:

 recebimentos de clientes;

 juros e dividendos recebidos;

 pagamentos de fornecedores e empregados;

 juros pagos;

 imposto de renda pago;

 outros recebimentos e pagamentos.

O modelo simplificado de Demonstração do Fluxo de Caixa, pelo mé-


todo direto mostrado no quadro 10, faz uma segregação dos tipos de
atividades e foi baseado no modelo FAS 95:
72
Quadro 10 – Demonstração do fluxo de caixa: método direto

Fonte: Azevedo (2009, p.126)


73
A demonstração pelo método direto facilita ao usuário avaliar a sol-
vência da empresa, pois evidencia toda a movimentação dos recursos
financeiros, as origens dos recursos de caixa e onde eles foram aplica-
dos.

5.3.2 Método indireto


No método indireto, parte-se do lucro líquido para, após os ajustes
necessários, chegar-se ao valor das disponibilidades produzidas no
período pelas operações registradas na Demonstração do Resultado do
Exercício. Esses ajustes consistem em itens, tais como depreciação,
amortização, exaustão e provisões que não modificam o caixa da em-
presa.

O quadro 11 apresenta o modelo genérico da Demonstração do Fluxo


de Caixa pelo método indireto.
74
Quadro 11: Fluxo de caixa método indireto

Fonte: Azevedo (2009, p.127)

No método indireto, também conhecido como método da reconcilia-


ção, a DFC é elaborada a partir do resultado, ou seja, do lucro ou preju-
ízo líquido do exercício, de forma semelhante à antiga Demonstração
das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR. Porém, se a DFC tem
como principal argumento ser de mais fácil compreensão do que a
DOAR, não faz sentido manter-se o método de elaboração desta.
75
Saliente-se que a diferença entre os dois métodos refere-se apenas à
forma de evidenciação dos fluxos das atividades operacionais. Os
fluxos das atividades de financiamento e das atividades de investimen-
to são demonstrados de igual maneira nos dois métodos. No modelo
direto, os fluxos operacionais são evidenciados pela análise direta das
entradas e saídas de dinheiro em Caixa e Bancos, são evidenciados,
portanto, todos os pagamentos e recebimentos feitos no período.

A DFC pelo método indireto apresenta no grupo das atividades opera-


cionais primeiro o lucro líquido (proveniente da DRE), para, em segui-
da, adicionar os valores que não representam desembolsos de caixa
que tenham sido deduzidos do lucro da DRE, ou seja, depreciação e
amortização, provisão para devedores duvidosos, aumento ou dimi-
nuição referente a fornecedores, entre outros.

5.4 Ponto final


A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) passou a ser um relatório
obrigatório (em substituição à Demonstração das Origens e Aplicações
de Recursos – DOAR) pela contabilidade para todas as sociedades de
capital aberto ou com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00
(dois milhões de reais). Esta obrigatoriedade vigora desde 01.01.2008,
por força da Lei 11.638/2007 (referida lei seguiu a prática internacional
– em especial os pronunciamentos Statement of Financial Accounting
Standard (SFAS) n° 95 e International Accounting Standard (IAS) n° 7 – e
as orientações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a qual já
recomendava às companhias abertas brasileiras a elaboração da DFC).
Esta demonstração torna-se mais um importante relatório para a to-
mada de decisões gerenciais. Essa demonstração tem a finalidade de
fornecer informações sobre os recebimentos e pagamentos em um
determinado período, que, utilizadas em conjunto com as informações
das outras demonstrações, possibilitarão aos usuários avaliar a poten-
cialidade da empresa de geração de caixa futuro, bem como a necessi-
dade de financiamento a curto e a longo prazo.

Mister explicitar a diferença entre DOAR e DFC, sendo que a principal


diferença é que a DOAR é elaborada com base no conceito de Capital
circulante líquido, obedecendo ao regime de competência e a DFC
baseia-se no conceito de disponibilidade imediata, obedecendo ao
regime de caixa.

De forma sucinta, a DOAR procura mostrar os fatores que afetam a


folga financeira de curto prazo de uma empresa. A mudança na posi-
ção financeira é analisada por esta demonstração pela soma das fontes
76
de recursos e dos seus usos. De outra forma, procura mostrar as altera-
ções que ocorreram na posição financeira, permitindo avaliar aspectos
relacionados com as decisões financeiras de investimento, de financi-
amento e de dividendos da empresa (identifica os fluxos financeiros
que aumentaram ou reduziram o Capital Circulante Líquido, identifi-
cando suas origens e aplicações).

A DFC, por sua vez, é uma demonstração contábil que informa sobre
os fluxos das transações e eventos que afetaram o caixa da empresa ao
longo de um determinado período, de forma organizada e estruturada
por atividades, permitindo melhor compreensão da articulação entre
as diversas demonstrações financeiras.

Além de ser um instrumento de trabalho para a empresa, a DFC é um


importante instrumento de análise, pois fornece informações referentes
à capacidade financeira da empresa de autofinanciamento das opera-
ções, de independência do sistema bancário no curto prazo, de gerar
recursos para manter e expandir o nível de investimentos, e sobre as
condições da empresa para amortizar suas dívidas de curto e longo
prazo. O quadro 12 apresenta as vantagens e limitações da DOAR e da
DFC.
77
Quadro 12 : Vantagens e limitações da DOAR e da DFC

Fonte: Gangoni (1997) apud Borsato, Pimenta e Veiga (2010)

Atividades
1) Em relação à Demonstração dos Fluxos de Caixa, é correto afir-
mar:
a) consiste na demonstração financeira que evidencia resumidamen-
te o patrimônio da entidade, quantitativa e qualitativamente;
b) evidencia a situação econômica da entidade;
c) evidencia as variações de todas as contas do Patrimônio Líquido;
d) permite o controle do elemento patrimonial mais líquido da enti-
dade (caixa, bancos e aplicações financeiras;
e) foi substituída pela Demonstração das Origens e Aplicações de
Recursos com o advento da Lei 11.638/07.
78

2) De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade e, confor-


me o Pronunciamento Técnico CPC 03, a entidade deve divulgar
os fluxos de caixa das atividades operacionais usando:
( ) O Método Indireto, segundo o qual as principais classes de rece-
bimentos brutos e pagamentos brutos são divulgadas;
( ) O Método Direto, segundo o qual o lucro líquido ou o prejuízo é
ajustado pelos efeitos de quaisquer deferimentos ou outras apro-
priações por competência sobre recebimentos ou pagamentos ope-
racionais passados ou futuros;
( ) O Método Direto, segundo o qual o lucro líquido ou prejuízo é
ajustado pelos efeitos de itens de receita ou despesa associados
com fluxos de caixa das atividades de investimento ou de financi-
amento.
a) V,V,F
b) V,V,V
c) F,V,V
d) F,F,F
e) F,F,V

3) (Curso Cathedra/2008) De acordo com a Demonstração dos Fluxos


de Caixa, analise as afirmativas a seguir:
I. A integralização do capital social da entidade, em dinheiro, cor-
responde a um fluxo de caixa gerado pela atividade de financia-
mento;
II. O pagamento de dividendos, em dinheiro, corresponde a um
fluxo de caixa gerado pela atividade de financiamento;
III. O recebimento do dinheiro da venda do imobilizado corresponde
a um fluxo de caixa gerado pela atividade de investimento.
Assinale:

a) Somente a afirmativa I está correta;


b) Somente a afirmativa II está correta;
c) Somente a afirmativa III está correta;
d) Afirmativas I e III estão corretas;
e) Todas as afirmativas estão corretas

4) (Curso Cathedra/2008) De acordo com a Demonstração dos Fluxos


de Caixa, pelo método INDIRETO, analise as afirmativas a seguir
a respeito da apuração do Fluxo de Caixa da Atividade Operacio-
nal:
I. É necessário somar ao Lucro Líquido do período o saldo da conta
Depreciação Acumulada (conta retificadora do imobilizado);
79
II. É necessário somar ao lucro ajustado do período o aumento do
saldo da conta Estoques de Mercadorias;
III. É necessário somar ao lucro ajustado do período o aumento do
saldo da conta Fornecedores a Pagar
Assinale:

a) Somente a afirmativa I está correta;


b) Somente a afirmativa II está correta;
c) Somente a afirmativa III está correta;
d) Afirmativas I e III estão corretas;
e) Todas as afirmativas estão corretas

5) (FGV/TCM/PA/2008) De acordo com a Resolução CFC 1125/2008,


avalie as afirmativas a seguir:
I. A entidade pode escolher, livremente, se elaborará a DFC pelo
método Direto ou Indireto;
II. Se escolher a DFC pelo método direto, é necessário evidenciar,
adicionalmente, a conciliação entre o lucro líquido e o fluxo de
caixa líquido das atividades operacionais;
III. A entidade pode escolher, livremente, se evidenciará o pagamento
de juros sobre o financiamento como caixa consumido pela ativi-
dade operacional ou pela atividade de financiamento.
Assinale:

a) Somente a afirmativa I está correta;


b) Somente a afirmativa II está correta;
c) Somente a afirmativa III está correta;
d) Afirmativas I e III estão corretas;
e) Todas as afirmativas estão corretas

6) Com tuas palavras, sintetize os benefícios da Demonstração dos


Fluxos de Caixa:
7) Relacione as principais transações que afetam o caixa da entidade:
8) A demonstração dos fluxos de caixa apresenta os fluxos de caixa
do período classificados por atividades operacionais, de investi-
mento e de financiamento, exemplifique-as:
9) Diferencie os métodos direto e indireto da Demonstração dos
Fluxos de Caixa:
10) Com a obrigatoriedade da Demonstração dos Fluxos de Caixa
imposta pela Lei 11638/07, esta demonstração torna-se um impor-
tante relatório para a tomada de decisões gerenciais. Por quê?
6 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR
ADICIONADO

Simone Loureiro Brum Imperatore

A Lei 11.638/07 introduziu para todas as companhias abertas a obriga-


toriedade da elaboração e divulgação da Demonstração do Valor Adi-
cionado. Referida demonstração evidencia quanto de riqueza uma
entidade produziu, ou seja, quanto ela adicionou aos seus fatores de
produção e de que forma esta riqueza foi distribuída (entre emprega-
dos, governo, acionistas, financiadores de capital).

Segundo Marion (2009, p.58), “O Valor Adicionado é calculado subtra-


indo-se da Receita Operacional os custos dos recursos adquiridos de
terceiros (compras de matérias-prima, mercadorias, embalagens, ener-
gia elétrica, terceirização da produção) utilizados no processo operaci-
onal. Esse primeiro valor calculado poderia ser chamado de Valor
Adicionado Bruto”. O mesmo autor salienta que, na sequência, subtrai-
se a depreciação, gerando o chamado Valor Adicionado Líquido.

Esse resultado corresponde à riqueza gerada, efetivamente, pela enti-


dade. Outros acréscimos e reduções deveriam ser destacados: receita
financeira, dividendos, outras despesas operacionais, etc. A esse resul-
tado chamamos Valor Adicionado. Saliente-se que para os investidores
e outros usuários, essa demonstração proporciona o conhecimento de
informações de natureza econômica e social e oferece a possibilidade
de melhor avaliação das atividades da entidade dentro da sociedade
na qual está inserida.

Segundo o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2010), através do


Pronunciamento Técnico CPC 09,

A DVA está fundamentada em conceitos macroeconômicos, buscando apresentar,


eliminados os valores que representam dupla-contagem, a parcela de contribuição
que a entidade tem na formação do Produto Interno Bruto (PIB). Essa
demonstração apresenta o quanto a entidade agrega de valor aos insumos
81
adquiridos de terceiros e que são vendidos ou consumidos durante determinado
período.

Em termos gerais, a DVA contempla as mesmas informações apresen-


tadas da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), mas numa
segregação diferente, voltada para uma magnitude mais social das
entidades, principalmente no que se refere à distribuição da riqueza
gerada. A demonstração apresenta separadamente a parcela que se
destina à remuneração de cada público que contribuiu para sua forma-
ção:

 Empregados/colaboradores: remuneração pela força de trabalho


(incluindo encargos);

 Financiadores: remuneração pelos recursos emprestados;

 Governo: remuneração pela estrutura social, política e econômica


que gera condições de operações no meio ambiente (impostos, ta-
xas e contribuições); e

 Acionistas: remuneração pelo capital investido na empresa (além


dos juros sobre capital próprio e lucros retidos).

6.1 Modelo de demonstração do valor adicionado


O Quadro 13 apresenta o modelo da demonstração do valor adiciona-
do apresentado pelo CRCRS).
82
Quadro 13: Modelo da demonstração do valor adicionado

Fonte: CRCRS (2009, p.51)

A participação dos trabalhadores no valor adicionado compreende


todos os gastos com pessoal, em contrapartida ao trabalho realizado no
período. Assim, deve conter os pagamentos feitos diretamente aos
empregados, como, por exemplo, os salários, as contribuições de segu-
ridade ou sociais, e quaisquer outras vantagens oferecidas por conta da
participação na atividade produtiva da companhia.
83

Apesar de o governo não ser considerado um dos fatores diretos de


produção, ele também participa na criação de riqueza para a entidade,
pois apoia suas atividades produtivas por meio de investimentos em
infraestrutura, incentivos fiscais e subvenções. Os tributos (impostos,
taxas e contribuições) pagos ou devidos pela companhia representam,
na riqueza gerada, a remuneração devida ao Estado por seu apoio para
que a empresa tenha condições de realizar suas atividades em seu
ambiente e para a manutenção da estrutura social organizada.

Contudo, somente os impostos associados ao lucro obtido e outros


tributos que tenham relação direta com a atividade principal da em-
presa deveriam ser computados neste agrupamento, e, para uma me-
lhor evidenciação, o ideal seria especificar os impostos conforme suas
competências segundo a unidade federativa que os originou, por
exemplo, da União, do Estado ou do Município, ou, ainda, de um País
estrangeiro — quando o pagamento do imposto é feito fora das fron-
teiras, pela qual a empresa realiza suas atividades.

A remuneração dos credores e financiadores, por sua vez, representa


os pagamentos a terceiros, sob a forma de custo financeiro (juros), por
conta das captações de capital externo destinado à manutenção e aos
investimentos. São excluídos deste agrupamento os gastos financeiros
relativos a comissões ou outras despesas bancárias similares, por re-
presentarem despesas consideradas intermediárias.

Na rubrica remuneração dos sócios ou acionistas apresenta-se a parce-


la do lucro destinada àqueles que aplicaram os recursos próprios,
reembolsados sob a forma de pagamento de dividendos ou juros sobre
o capital próprio, por conta das capitalizações realizadas na entidade.
Algumas empresas costumam apresentar, neste agrupamento, também
os lucros retidos, por entenderem que a totalidade dos lucros da com-
panhia pertence a seus acionistas.

Saliente-se que os reinvestimentos correspondem ao lucro retido pela


empresa para sustentar seu autofinanciamento. Uma parte desta ri-
queza foi direcionada para a constituição das reservas, segundo a le-
gislação societária e a deliberação da assembleia, e a outra parcela está
embutida na depreciação calculada com base na estimativa de vida útil
econômica dos ativos que a companhia está utilizando em suas ativi-
dades operacionais (na verdade, essa distribuição do valor adicionado
tem por fim manter a capacidade física da empresa para realizar seu
papel na geração de novas riquezas).
84

6.2 Instruções de preenchimento da DVA


A seguir relacionamos o passo a passo de preenchimento da Demons-
tração do Valor Adicionado.

Conforme estabelece a NBC T 3.7, no grupo de receita bruta e outras


receitas, devem ser apresentados os seguintes valores:

a) As vendas de mercadorias, produtos e serviços, incluindo os


valores dos tributos incidentes sobre essas receitas, ou seja, o
valor correspondente à receita bruta, deduzidas as devolu-
ções, os abatimentos incondicionais e os cancelamentos;

b) As outras receitas decorrentes das atividades-fim não cons-


tantes da letra “a” deste item;

c) Os valores relativos à constituição (reversão) de provisão para


créditos duvidosos;

d) Os resultados não decorrentes das atividades-fim, como: ga-


nhos ou perdas na baixa de imobilizado, investimentos, etc.

No grupo de insumos adquiridos de terceiros, devem ser apresenta-


dos:

a) Materiais consumidos incluídos no custo dos produtos, mer-


cadorias e serviços vendidos;

b) Demais custos dos produtos, mercadorias e serviços vendi-


dos, exceto gastos com pessoal próprio e depreciações, amor-
tizações e exaustões;

c) Despesas operacionais incorridas com terceiros, tais como:


materiais de consumo, telefone, água, serviços de terceiros,
energia;

d) Valores relativos a perdas de ativos, como perdas na realiza-


ção de estoques ou investimentos, etc;

e) Nos valores constantes dos itens “a”, “b” e “c” anteriores, de-
vem ser considerados todos os tributos incluídos na aquisi-
ção, recuperáveis ou não.

Os valores retidos pela entidade são representados pela depreciação,


amortização e exaustão registrados no período.
85
Os valores adicionados recebidos (dados) em transferência a outras
entidades correspondem:

a) Ao resultado positivo ou negativo de equivalência patrimoni-


al;

b) Aos valores registrados como dividendos relativos a investi-


mentos avaliados ao custo;

c) Aos valores registrados como receitas financeiras, relativos a


quaisquer operações com instituições financeiras, entidades
do grupo ou terceiros, exceto para entidades financeiras; e

d) Aos valores registrados como receitas de aluguéis ou royalties,


quando se tratar de entidade que não tenha como objeto essa
atividade.

No componente relativo à distribuição do valor adicionado, devem


constar

a) Colaboradores – devem ser incluídos salários, férias, 13º salá-


rio, FGTS, seguro de acidentes de trabalho, assistência médi-
ca, alimentação, transporte, etc., apropriados ao custo do pro-
duto ou ao serviço vendido ou ao resultado do período, exce-
to os encargos com o INSS, SESI, SESC, SENAI, SENAT, SE-
NAC, e outros assemelhados. Fazem parte desse conjunto,
também, os valores representativos de comissões, gratifica-
ções, participações, planos privados de aposentadoria e pen-
são, seguro de vida e acidentes pessoais;

b) Governo – devem ser incluídos impostos, taxas e contribui-


ções, inclusive as contribuições devidas ao INSS, SESI, SESC,
SENAI, SENAT, SENAC e outros assemelhados, imposto de
renda, contribuição social, ISS, todos os demais tributos, taxas
e contribuições. Os valores relativos ao ICMS, ao IPI, ao PIS, à
COFINS e outros assemelhados, devem ser considerados
aqueles devidos ou já recolhidos aos cofres públicos, repre-
sentando a diferença entre os impostos incidentes sobre as
vendas e os valores considerados dentro do item "Insumos
adquiridos de terceiros". Como os tributos são, normalmente,
contabilizados no resultado como se devidos fossem, e os in-
centivos fiscais, quando reconhecidos em conta de reserva no
patrimônio líquido, os tributos que não forem pagos em de-
corrência de incentivos fiscais devem ser apresentados na
86
Demonstração do Valor Adicionado como item redutor do
grupo de tributos;

c) Agentes financiadores – devem ser consideradas, neste com-


ponente, as despesas financeiras relativas a quaisquer tipos
de empréstimos e financiamentos com instituições financei-
ras, entidades do grupo ou outras e os aluguéis (incluindo os
custos e despesas com leasing) pagos ou creditados a terceiros
(exceto para entidades financeiras que devem observar nor-
matização específica);

a) Acionistas – incluem os valores pagos ou creditados aos acio-


nistas, a título de juros sobre o capital próprio ou dividendos.
Os juros sobre o capital próprio, apropriados ou transferidos
para contas de reservas no patrimônio líquido, devem constar
do item "Lucros retidos";

b) Participação dos minoritários nos "Lucros retidos" – deve ser


incluído neste componente, aplicáveis às demonstrações con-
tábeis consolidadas, o valor da participação minoritária apu-
rada no resultado do exercício, antes do resultado consolida-
do;

c) Retenção de lucro – deve ser indicado neste componente o lu-


cro do período destinado às reservas de lucros e eventuais
parcelas ainda sem destinação específica.

6.3 Ponto final


A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é o informe contábil que
evidencia, de forma sintética, os valores correspondentes à formação
da riqueza gerada pela empresa em determinado período e sua respec-
tiva distribuição. Saliente-se que a riqueza gerada pela empresa, medi-
da no conceito de valor adicionado, é calculada a partir da diferença
entre o valor de sua produção e o dos bens e serviços produzidos por
terceiros utilizados no processo de produção da empresa.

Segundo Zanluca (2010),

A utilização do DVA como ferramenta gerencial pode ser resumida da seguinte


forma:

1) como índice de avaliação do desempenho na geração da riqueza, ao medir a


eficiência da empresa na utilização dos fatores de produção, comparando o valor
das saídas com o valor das entradas, e
87
2) como índice de avaliação do desempenho social à medida que demonstra, na
distribuição da riqueza gerada, a participação dos empregados, do Governo, dos
Agentes Financiadores e dos Acionistas.

Atividades
1) Em relação à Demonstração do Valor Adicionado, é CORRETO
afirmar:
a) a) seu objetivo é evidenciar tanto a geração do valor econômico
agregado pelos produtos e serviços oferecidos pela empresa como
a sua distribuição;
b) b) a Lei 11.638/07 dispensou as S.A. da publicação da Demonstra-
ção do Valor Adicionado;
c) c) evidencia as modificações que deram origem às variações do
Capital Circulante Líquido;
d) d) evidencia a formação do lucro da entidade;
e) e) evidencia o patrimônio e suas variações.

2) Em relação à Demonstração do Valor Adicionado, é INCORRETO


afirmar:
a) o valor adicionado demonstra a efetiva contribuição da empresa,
dentro de uma visão global de desempenho, para a geração de ri-
queza da economia na qual está inserida, sendo resultado do es-
forço conjugado de todos os seus fatores de produção;
b) a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é o informe contábil
que evidencia, de forma sintética, os valores correspondentes à
formação da riqueza gerada pela empresa em determinado perío-
do e sua respectiva distribuição;
c) constitui importante ferramenta gerencial do desempenho da
entidade na geração de riqueza e no seu desempenho social, sendo
sua publicação obrigatória para todas as empresas;
d) a Demonstração do Valor Adicionado, que também pode integrar
o Balanço Social, constitui uma importante fonte de informações à
medida que apresenta esse conjunto de elementos que permitem a
análise do desempenho econômico da empresa, evidenciando a
geração de riqueza, assim como dos efeitos sociais produzidos pe-
la distribuição dessa riqueza;
e) A DVA complementa as informações apresentadas pela DRE,
voltada para uma magnitude mais social das entidades, princi-
palmente no que se refere à distribuição da riqueza gerada.
88
3) De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade e confor-
me o Pronunciamento Técnico CPC 09 – Demonstração do Valor
Adicionado do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, constantes
na Deliberação CVM 557/2008 e na Resolução CFC 1.138/2008,
atribua letra V para as verdadeiras e F para as falsas. Em seguida,
marque a opção que contenha a sequência correta:
( ) Valor adicionado representa a riqueza criada pela empresa, de
forma geral medida pela diferença entre o valor das vendas e os
insumos adquiridos de terceiros. Inclui, também, o valo adiciona-
do recebido em transferência, ou seja, produzido por terceiros e
transferido à entidade;
( ) Valor adicionado recebido em transferência representa a riqueza
que não tenha sido criada pela própria entidade, e sim por tercei-
ros, e que a ela é transferida, como, por exemplo, dividendos, alu-
guel, royalties, etc. Precisa ficar destacado, inclusive para evitar
dupla contagem em certas agregações;
( ) A segunda parte da DVA deve apresentar de forma detalhada
como a riqueza obtida pela entidade foi distribuída. Um dos prin-
cipais componentes dessa distribuição são os gastos com pessoal –
valores apropriados ao custo e ao resultado do exercício na forma
de remuneração direta.
a) V,V,F
b) F,V,V
c) V,V,V
d) F,V,F
e) F,F,V

4) A legislação societária estabelece que:


I. As Demonstrações do Valor Adicionado e das Mutações do Pa-
trimônio Líquido são obrigatórias para todas as sociedades anô-
nimas, sejam abertas ou fechadas;
II. As demonstrações serão complementadas por notas explicativas
para o esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do
exercício;
III. A apresentação da Demonstração dos Fluxos de Caixa não é obri-
gatória para as Cias Fechadas com patrimônio líquido, na data do
balanço, inferior a dois milhões de reais;
Está correto o que se afirma em:

a) I
b) I e II
c) I e III
d) II
e) II e III.
89
5) Acerca da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e da De-
monstração do Resultado do Exercício (DRE), julgue as afirmati-
vas a seguir:
I. O valor dos insumos adquiridos de terceiros, tais como materiais,
energia elétrica e água, deve ser apresentado na DVA pelo valor
total (sem dedução de PIS, COFINS e outros tributos);
II. As despesas com funcionários fazem parte da distribuição do
valor agregado e o valor da receita, considerado para elaboração
da DVA deve ser idêntico ao do faturamento bruto divulgado na
DRE;
III. O valor adicionado bruto é calculado subtraindo-se da receita
operacional os custos dos recursos adquiridos de terceiros utiliza-
dos no processo operacional, na seqüencia, deduz-se a deprecia-
ção e obtém-se o valor adicionado líquido;
IV. A DVA contempla as mesmas informações apresentadas na DRE,
voltada para o resultado econômico da entidade somente.
a) F,V,V,F
b) V,V,V,F
c) F,F,V,V
d) F,V,V,F
e) todas as alternativas são verdadeiras

6) Em relação à DVA é correto afirmar:


a) A DVA deve ser consistente com a DRE e conciliada em registros
auxiliares mantidos pela entidade;
b) No item relativo à distribuição do valor adicionado, deve constar
apenas os valores pagos aos acionistas, a título de juros sobre capi-
tal próprio ou dividendos;
c) Como são demonstrações de publicação opcional, não estão sujei-
tas à revisão de auditoria, como aquelas que são de caráter obriga-
tório, mesmo que a entidade seja uma Cia Aberta;
d) As informações contábeis contidas na DVA são de responsabili-
dade técnica do Conselho de Administração da empresa;
e) Nos valores dos materiais consumidos e incluído o custo dos pro-
dutos, devem ser considerados na aquisição apenas os tributos re-
cuperáveis.

7) De acordo com a DVA, analise as afirmativas a seguir:


I. A depreciação reconhecida no período corresponde a uma reten-
ção do valor adicionado;
II. A remuneração paga (devida ou creditada) a autônomos corres-
ponde a uma distribuição de valor para a sociedade;
III. Os juros recebidos das aplicações financeiras (receitas financeiras
na DRE) correspondem a um abatimento dos juros e alugueis evi-
90
denciados na DVA como distribuição do valor adicionado a tercei-
ros e a investidores.
a) Somente a afirmativa I está correta;
b) Somente a afirmativa II está correta;
c) Somente a afirmativa III está correta;
d) As afirmativas I e III estão corretas;
e) Todas as afirmativas estão corretas.

8) Evidenciará quanto de riqueza a entidade produziu, ou seja, quan-


to ela adicionou aos seus fatores de produção e de que forma esta
riqueza foi distribuída (entre empregados, financiadores do capi-
tal, governo, acionistas):
a) Dos Fluxos de Caixa
b) Do Balanço Patrimonial;
c) De Resultado do Exercício;
d) Das Mutações do Patrimônio Líquido;
e) Do Valor Adicionado

9) De que forma a DVA pode ser utilizada como ferramenta gerenci-


al?
10) Qual a importância da DVA para os gestores e para a geração de
valor para a empresa?
7 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS

Simone Loureiro Brum Imperatore

A Análise das Demonstrações Financeiras é a técnica contábil que


consiste na decomposição, comparação e avaliação das demonstrações
financeiras. As demonstrações objeto de análise são Balanço Patrimo-
nial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos
Lucros ou Prejuízos Acumulados (ou das Mutações do Patrimônio
Líquido), Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do Valor
Adicionado. Cabe ressaltar a ênfase da análise sobre o Balanço Patri-
monial e Demonstração do Resultado do Exercício, consideradas as
duas demonstrações contábeis mais importantes.

A análise das demonstrações financeiras não é exigida por lei, decorre


da necessidade do detalhamento de informações acerca do patrimônio
e suas variações; do processo de formação de resultados; da capacida-
de de pagamento da entidade. Os processos mais utilizados na análise
das demonstrações financeiras são:

a) Análise Vertical;

b) Análise Horizontal; e

c) Análise por Quocientes ou Indicadores.

Neste capítulo estudaremos as análises vertical e horizontal, antes,


porém, vejamos a etapas do processo de análise.

7.1 Etapas do processo de análise das


demonstrações financeiras
Segundo Matarazzo (2008) para o contador a preocupação básica são
os registros das operações e a elaboração das demonstrações financei-
ras. O analista de balanços, preocupa-se com a transformação das
demonstrações financeiras em informações:
92
 Situação financeira;

 Situação econômica;

 Desempenho;

 Pontos fortes e fracos;

 Tendências e perspectivas;

 Avaliação de alternativas econômico-financeiras futuras.

Saliente-se que a Análise das demonstrações Financeiras é tão antiga


quanto a própria Contabilidade, todavia, é no final do século XIX que
observamos os banqueiros americanos solicitando as demonstrações às
empresas que desejavam contrair empréstimos. À época a demonstra-
ção comumente solicitada era o Balanço Patrimonial, daí a expressão
“Análise de Balanços”, expressão tradicionalmente utilizada até nossos
dias, apesar de, hoje, a análise ampliar-se a todas as demais demons-
trações.

Iudícibus (2009, p. 5) caracteriza a análise de balanços com a “arte de


saber extrair relações úteis para o objetivo econômico que tivermos em
mente, dos relatórios tradicionais e de suas extensões e detalhamentos,
se for o caso”. O mesmo autor salienta (p.6):

 Depreende-se que a análise de balanços tem valor somente à medida que


o analista:

 estabeleça uma tendência (uma série histórica) dentro da própria


empresa;

 compare os índices e relacionamentos realmente obtidos com os mesmos


índices e relacionamentos expressos em termos de metas;

 compare os índices e relacionamentos com os da concorrência, com


outras empresas de amplitude nacional ou internacional.

Azevedo (2009, p.17) complementa:

A análise dos demonstrativos contábeis é o exame de laboratório da saúde


econômica, financeira e patrimonial da sociedade. É um diagnóstico bem-
estruturado da situação do patrimônio. É uma maneira de transformar os dados
das peças contábeis em valores relativos, tornando-os mais fáceis de serem
comparados com outras empresas ou mesmo com o mercado.
93
Sá (2009) apresenta algumas das aplicações (utilidades) da análise de
balanços:

 Concessão de créditos para se vender a prazo: serviços, mer-


cadorias ou produtos;

 Concessão de empréstimos;

 Locação e arrendamento de bens;

 Investimentos em outras empresas;.

 Aplicação em título do mercado de capitais e bolsas de valo-


res;

 Controles internos administrativos;

 Previsões e estudos de probabilidades de situações patrimo-


niais;

 Procedimentos de auditoria;

 Controle de preços;

 Ampliação de linhas de produção, abertura de filiais e frentes


de serviços;

 Cisão, fusão, incorporação e liquidação de empresas;

 Perícias judiciais;

 Pesquisas científicas;

De posse das demonstrações financeiras, o analista irá decompô-las


através do exame minucioso de cada uma das contas que compõem
essas demonstrações, padronizando-as para facilitar o processo de
análise. Na sequência, fará a análise vertical e horizontal, além do
cálculo dos indicadores, interpretará as análises realizadas e elaborará
um relatório apresentando suas conclusões.

7.2 Exame e padronização das demonstrações


financeiras
A padronização das demonstrações financeiras para fins de análise é
importante tendo em vista que as demonstrações publicadas pelas
entidades contêm um número excessivo de contas. O processo de sin-
94
tetização portanto, facilita o trabalho do analista. As contas normal-
mente “ajustadas” são:

a) Duplicadas descontadas (saldo a ser reclassificado para o Pas-


sivo Circulante);

b) Despesas do Exercício Seguinte (ou despesas antecipadas)


devem ser deduzidas do Patrimônio Líquido;

c) Contas retificadoras (provisão para devedores duvidosos, de-


preciação, amortização, exaustão, prejuízos acumulados, capi-
tal a integralizar e ações em tesouraria) devem ajustar os sal-
dos das contas principais, apresentando seus saldos líquidos;

d) Contas do Ativo e Passivo Circulante devem ser reclassifica-


das em operacionais e financeiras (dívidas onerosas);

e) Extrai-se, ainda, o total do Ativo Circulante, do Ativo Não


Circulante, do Passivo Circulante, do passivo Não Circulante,
do Patrimônio Líquido, das vendas líquidas, etc,

Na sequência, calcula-se e interpreta-se os indicadores (os quais estu-


daremos no capítulo 8), estudo que consiste na comparação entre gru-
pos de elementos das demonstrações financeiras por meio de índices,
objetivando o conhecimento da relação entre cada um dos grupos do
conjunto.

Complementarmente, comparamos os indicadores da entidade com os


chamados índices-padrão. O objetivo dos índices-padrão é servir de
base de comparação entre empresas que operam no mesmo ramo de
atividade. Desde 1974 a Revista Exame tem contribuído sensivelmente
com indicadores das 500 maiores empresas do Brasil, por meio da
edição “Melhores e Maiores” publicada anualmente.

O processo de análise das demonstrações financeiras tem continuidade


com as análise vertical e horizontal. A análise vertical consiste na de-
terminação da porcentagem de cada conta ou grupo de contas em
relação ao seu conjunto. A análise horizontal, por sua vez, é feita entre
componentes do conjunto em vários exercícios (de 3 a 5, normalmen-
te), objetivando a avaliação do desempenho de cada conta ou grupo de
contas ao longo dos períodos analisados.

Finalmente, interpreta-se conjuntamente indicadores e análises verti-


cal/horizontal, sintetizando-se as análises realizadas de forma sistêmi-
ca e apresentando as conclusões da análise em forma de relatórios.
95
Para elaborar um relatório de análise da melhor maneira possível,
alguns pontos devem ser considerados:

a) O relatório de análise deve ser elaborado em linguagem inte-


ligível para leigos, ainda que alguns usuários possuam co-
nhecimentos de contabilidade. Não devem apresentar dados
como indicadores (ou coeficientes), os quais devem ser tradu-
zidos em informações;

b) Os relatórios de análise podem conter muitas ou poucas in-


formações, conforme a necessidade do usuário. Em geral o re-
latório de análise deve apresentar informações de natureza
econômico-financeira da empresa e sobre seu desempenho ao
longo dos períodos analisados, bem como as tendências para
o futuro. Devem ser esclarecidas as causas que proporciona-
ram o grau de endividamento, liquidez e rentabilidade encon-
trados, sejam eles positivos ou negativos;

c) Relatório breve: este relatório envolve apenas os aspectos


mais importantes da situação patrimonial, baseando-se na in-
terpretação de quocientes econômicos e financeiros, sendo
preferido por bancos, clientes e fornecedores, além de outros
usuários. Observe a seguir um modelo de relatório de análise:

RELATÓRIO

Após a análise e interpretação dos indicadores econômicos e


financeiros calculados com base no Balanço Patrimonial e De-
monstração do Resultado do Exercício da Empresa XX, levan-
tados em 31 de dezembro de XX, apresentamos as seguintes
informações:

Situação Financeira:

a) Endividamento: A empresa apresenta grau de endividamen-


to satisfatório, uma vez que seus quocientes de estrutura de
capitais encontram-se abaixo dos índices-padrão de seus seg-
mento. Isto pode ser comprovado pela preponderância de ca-
pitais próprios sobre os capitais de terceiros, pela boa margem
existente entre as obrigações de longo prazo e as obrigações de
curto prazo e pela não imobilização total dos capitais próprios,
revelando liberdade financeira para a tomada de decisões;

b) Liquidez: Em relação à solvência, a empresa encontra-se


muito bem estruturada, apresentando solidez financeira que
96
garante o cumprimento de seus compromissos de curto e de
longo prazo.

Situação Econômica:

Rentabilidade: A empresa apresenta situação econômica satis-


fatória decorrente da boa rentabilidade apresentada.

Situação Econômica e Financeira:

A empresa encontra-se muito bem estruturada sob o ponto de


vista econômico e financeiro devido ao baixo grau de endivi-
damento, ao alto grau de liquidez e ao grau de rentabilidade
que permite o retorno do capital próprio investido em apenas
2,63 anos, constituindo negócio altamente positivo para aque-
les que confiarem na empresa.

Ass: _____________________ (fulano de tal, analista)

Anexos ao Relatório de Análise:

I- Índices Econômico-financeiros;

II- Balanço Patrimonial padronizado;

III- DRE padronizada

7.3 Leitura e interpretação das demonstrações


contábeis: análise vertical e análise horizontal
Nosso estudo preliminar fez um ”TUR” pelas demonstrações financei-
ras obrigatórias para Sociedades Anônimas e Sociedades Limitadas.
Agora é o momento de “fazermos a leitura e interpretação” dessas
demonstrações contábeis. Todas as demonstrações contábeis podem
ser analisadas, mas a ênfase é dada para o Balanço Patrimonial e DRE,
uma vez que através destas, é evidenciada de forma objetiva a situação
econômico-financeira da empresa. Diante disso, nosso estudo se volta-
rá às análises de Balanço e DRE.

Cabe salientar: A análise das demonstrações contábeis transforma


DADOS em INFORMAÇÕES.
97
7.3.1 Análise horizontal
De acordo com Iudícibus (2009), a análise horizontal ressalta a variação
obtida nos itens do Balanço e das Demonstrações de Resultado. Assaf
Neto (2002) define esta análise como uma comparação de diferentes
exercícios entre contas ou determinado grupo de contas. Pode ser
entendida como uma análise temporal, exposta através de números –
índices.

De acordo com Matarazzo (2003), a análise horizontal pode ser desen-


volvida com a apresentação das variações de um ano-base para outro –
sendo assim será denominada análise horizontal encadeada – ou em
relação ao ano anterior – sendo denominada análise horizontal anual.
Em outras palavras, esta análise apresenta a evolução de uma conta ou
um grupo específico, analisa e compara os resultados do exercício com
os exercícios anteriores.

Uma vez padronizadas as demonstrações financeiras, a análise hori-


zontal é facilmente realizada estabelecendo o ano inicial da série anali-
sada como índice básico 100 e expressando as cifras relativas aos anos
posteriores, com relação ao índice básico 100. Basta fazer uma regra de
três para encontrar os outros índices.

Por exemplo:

Ano 2006 Ano 2007 Ano 2008

Valores 358.300 425.000 501.000

Índices 100 119 140

Assim, comparando os índices de base 100, o item teve um crescimento


de 19% em 2006 para 2007 e de 40% de 2006 para 2008. A análise hori-
zontal, portanto, é quando comparamos valores ou índices de dois ou
mais anos. Nossos olhos fixam um sentido horizontal, apreendendo a
evolução ou involução de cada item analisado.

Importante:

Se os valores estiverem expressos em valores nominais, o crescimento


(ou decréscimo) dos índices expressará porcentagens nominais. Se tais
98
valores estiverem corrigidos monetariamente, então o crescimento ou
decréscimo dos itens expressará a evolução real da série analisada a.

7.3.2 Análise vertical


Conforme Iudícibus (2009), a análise vertical avalia a estrutura de
composição dos itens das demonstrações e a evolução dos mesmos nos
exercícios. Basicamente a análise vertical é realizada extraindo-se rela-
ções percentuais entre itens pertencentes à mesma Demonstração Fi-
nanceira. Sua finalidade é dar uma ideia da representatividade de
determinado item ou subgrupo de uma demonstração relativa a de-
terminado total ou subtotal tomado como base.

Por exemplo, num Balanço Patrimonial, podemos querer verificar


quanto o Ativo Circulante representa em relação ao Ativo Total. Basta
dividir o valor do Ativo Circulante pelo Valor do Ativo Total, multi-
plicar o resultado por 100 e colocar o sinal de percentagem. Assim,
consideremos:

Ativo Circulante R$ 101.000

Ativo Total R$ 659.000

Dividindo 101.000/659.000 = 0,1533

0,1533 X 100= 15,33%

Isso significa que o Ativo Circulante representa 15,33% do Ativo Total.

Ressalte-se que a análise vertical pode ser realizada para determinados


subitens com relação ao total dos subitens. Por exemplo, poderemos
ter o interesse de calcular a representatividade de cada componente
principal do Ativo Circulante em relação ao total do Ativo Circulante.
Assim, se os estoques estivessem representados por R$ 49.000, diría-
mos que eles representam cerca de 48,51% do Ativo Circulante (e cerca
de 7,44% do Ativo Total). Vamos conferir estes cálculos?

A análise vertical é importante para todas as demonstrações financei-


ras, mas ganha realce especial na DRE, quando poderemos expressar
os vários itens componentes da DRE em relação às vendas (brutas ou

a O índice IPCA/IBGE foi instituído inicialmente com a finalidade de corrigir as demonstrações financeiras
das companhias abertas, porém hoje utiliza-se o IGPM ou índice aderente à atividade da empresa, por
exemplo, as demonstrações de uma construtora podem ser atualizadas monetariamente pelo INCC –
Índice Nacional da Construção Civil.
99
líquidas) e, dentro das despesas, representar cada uma delas com rela-
ção ao total de despesas, por exemplo.

A análise vertical é para um único ano. Nossos olhos fixam num senti-
do vertical (enquanto na análise horizontal observamos a variação em
dois ou mais anos).

7.4 Ponto final


A análise horizontal é realizada a partir de um conjunto de balanços e
demonstrações de resultados consecutivos. Para cada elemento desses
demonstrativos são calculados números índices, cuja base correspon-
dente ao valor mais antigo da série. Desse modo a evolução de cada
elemento patrimonial e de resultados ao longo de diversos períodos
sucessivos. Contudo a análise horizontal nos mostra a evolução no
tempo de cada elemento específico.

No balanço, a análise vertical fornece indicadores que facilitam a avali-


ação da estrutura do ativo (como os recursos estão sendo aplicados) e
da suas fontes de financiamento. Esses indicadores correspondem às
participações percentuais dos saldos das contas e dos grupos patrimo-
niais sobre o total do ativo (ou do passivo + patrimônio líquido). Na
DRE a análise vertical indica o percentual de cada um dos itens de
formação do resultado em relação à receita líquida.

As análises estudadas prestam-se ao estudo de tendências da empresa


e, associadas aos índices (que estudaremos no próximo capítulo) pro-
piciam uma análise sistêmica da empresa.

Atividades
1) São processos/técnicas de Análise das Demonstrações Contábeis:
a) Exame, padronização e elaboração de demonstrações contábeis;
b) Análise por quocientes, Análise Vertical e Análise Horizontal
c) Comparação com padrões, elaboração de relatórios e apuração de
resultados;
d) Análise Horizontal/Vertical e elaboração de demonstrações finan-
ceiras;
e) Escrituração, Demonstrações Financeiras, Análise das Demonstra-
ções Financeiras, Auditoria e Perícia
100
2) O processo de análise que consiste no estudo comparativo entre
grupos de elementos das demonstrações financeiras por meio de
índices, objetivando o conhecimento da relação existente entre ca-
da um dos grupos do conjunto, denomina-se:
a) Exame de padronização;
b) b) Análise por quocientes;
c) c) Análise Vertical;
d) d) Análise Horizontal;
e) e) Nenhuma das Alternativas está correta

3) Processo de análise que consiste na determinação da porcentagem


de cada conta ou grupo de contas em relação ao conjunto denomi-
na-se:
a) Exame e Padronização;
b) Análise por quocientes;
c) Análise Vertical;
d) Análise Horizontal;
e) Índices-padrão

4) O Processo de análise que consiste na comparação entre compo-


nentes do conjunto em vários exercícios, através dos números-
índices, objetivando a avaliação do desempenho de cada conta ou
grupo de contas ao longo dos períodos analisados, denomina-se:
a) Exame e Padronização;
b) Análise por quocientes;
c) Análise Vertical;
d) Análise Horizontal;
e) Índices-Padrão

5) O Processo de Análise das Demonstrações Financeiras ou Contá-


beis que consiste na comparação entre quocientes, coeficientes e
números-índices com os índices-padrão denomina-se:
a) Análise por quocientes;
b) Análise Vertical;
c) Análise Horizontal;
d) Comparação com Padrões
e) Nenhuma das alternativas está correta
101
6) A inflação é um sério problema que o analista de balanços enfren-
ta, ao comparar valores de um exercício para outro. A melhor ma-
neira para se sanar este problema é:
a) corrigir as demonstrações financeiras com base em indexadores
oficiais e ou convertê-las em moeda constante (dólar, por exem-
plo);
b) não efetuar qualquer correção, pois o impacto do efeito inflacioná-
rio no resultado da análise é mínimo;
c) suprimir os pequenos saldos, porque não influenciam no resulta-
do da análise; definir um percentual aleatório para correção das
demonstrações financeiras.
d) definir um percentual aleatório para correção das demonstrações
financeiras;
e) ignorar o efeito inflacionário.

7) Em relação à Análise Horizontal, é correto afirmar:


a) compara cada um dos elementos do conjunto em relação ao total
do conjunto;
b) evidencia a evolução dos itens das demonstrações financeiras ao
longo dos tempos;
c) ressalta a posição do capital próprio no conjunto patrimonial;
d) evidencia o grau de endividamento da empresa;
e) não tem importância no processo de análise das demonstrações
contábeis

8) Em relação à Análise Vertical, é correto afirmar:


a) compara cada um dos elementos do conjunto em relação ao total
do conjunto;
b) evidencia a evolução dos itens das demonstrações financeiras ao
longo dos tempos;
c) ressalta a posição do capital próprio no conjunto patrimonial;
d) evidencia o grau de endividamento da empresa;
e) não tem importância no processo de análise das demonstrações
contábeis.

9) A principal finalidade da análise horizontal é:


a) determinar a evolução dos elementos das demonstrações contá-
beis e caracterizar tendências;
b) determinar a relação de uma conta com o todo de que faz parte;
c) determinar os quocientes de liquidez, endividamento, rotativida-
de e rentabilidade.
d) determinar índices-padrão de crescimento das contas do balanço;
e) Nenhuma das alternativas está correta
102
10) (Adaptada de UFPA/Infraero/Contador 2004). A análise vertical
do Passivo da Cia Beta é apresentada a seguir:
Passivo Análise Vertical
Circulante
Fornecedores 28
Empréstimos bancários 3
Outras Obrigações 13
Exigível a Longo Prazo
Financiamentos 16
Patrimônio Líquido
Capital Social 32
Reservas de Lucros 8
Total do Passivo 100
Considerando essas informações NÃO é correto afirmar que:

a) os capitais próprios representam 40% do Passivo Total;


b) os principais componentes dos Capitais de Terceiros é a conta
Fornecedores que representa 28% do Passivo Total;
c) Os empréstimos de curto prazo são pouco expressivos em relação
ao total do endividamento;
d) Os Capitais de Terceiros representam 44% do Passivo Total;
e) 16% do Passivo Total referem-se a dívidas de longo prazo.
8
ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS ATRAVÉS DE
INDICADORES

Simone Loureiro Brum Imperatore

A análise das demonstrações contábeis encontra seu ponto mais im-


portante no cálculo e avaliação do significado dos quocientes (índices),
relacionando, principalmente, itens e grupos do Balanço Patrimonial e
da Demonstração do Resultado do Exercício. A seguir, estudaremos as
formas de cálculo e o significado de cada um dos principais índices.

É sempre bom lembrar que é necessário que os índices financeiros


sejam calculados após “ajustes” (reclassificação) das demonstrações
financeiras procedida pelo analista.

Conforme Matarazzo (2003), é necessário efetuar a análise da situação


financeira separadamente da situação econômica; no momento seguin-
te, juntam-se as conclusões dessas duas análises. Os índices da situação
financeira são divididos em índices de estrutura de capitais e índices
de liquidez e o da situação econômica é o índice de rentabilidade.

8.1 Conceito de índice ou quociente


Segundo Morante (2009, p. 28) “Índice é uma relação entre duas gran-
dezas, que expressa o resultado da divisão de valores que compõem o
patrimônio, se considerarmos exclusivamente o objetivo deste traba-
lho”.

Iudícibus (2009, p. 92) salienta: “O uso de quocientes tem como finali-


dade principal permitir ao analista extrair tendências e comparar os
quocientes com os padrões estabelecidos. A finalidade da análise é,
mais do que retratar o que aconteceu no passado, fornecer bases para
inferir o que poderá acontecer no futuro”.

Matarazzo (2008, p. 148) complementa: “Os índices servem de medida


dos diversos aspectos econômicos e financeiros das empresas. Assim
como um médico usa certos indicadores, como pressão e temperatura,
104
para elaborar o quadro clínico do paciente, os índices financeiros per-
mitem construir um quadro de avaliação da empresa”.

8.2 Índices econômico-financeiros


Pode-se subdividir a análise das Demonstrações Financeiras em análise
da situação financeira e análise da situação econômica. Inicialmente
analisa-se a situação financeira (estrutura e liquidez) e a situação eco-
nômica (rentabilidade), na sequência, junta-se as duas avaliações.

O quadro 14 apresenta o resumo dos índices de avaliação das demons-


trações financeiras.

Quadro 14: Índices de avaliação das demonstrações contábeis

ÍNDICES DE AVALIAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS


Índices da análise financeira: estes índices verificam a capacidade de
pagamento da empresa, esta análise é feita somente através do Balanço
Patrimonial. A palavra financeiro refere-se a dinheiro, apresenta a situação
da conta caixa, as movimentações desta rubrica. Pode também apresentar o
sentido amplo, analisando neste caso o Capital Circulante Líquido.

Índices de liquidez: Os índices apresentados neste tópico são extraídos do


relacionamento entre as contas do Balanço que apresentam uma situação
estática de liquidez.

Quociente de Liquidez Imediata:


apresenta a disponibilidade imedia-
ta de capital para a quitação das Disponibilidades
dívidas a curto prazo, evidencia as Passivo Circulante
condições que a empresa possui
para liquidar suas dívidas do curto
prazo apenas com os recursos de
suas disponibilidades.

Quociente de liquidez corrente:


apresenta de quanto a empresa
dispõe de reais imediatamente para Ativo Circulante
serem convertidos em curto prazo Passivo Circulante
em dinheiro, relacionando às dívi-
das de curto prazo. É a capacidade
de pagamento das obrigações de
105
curto prazo.

Quociente de Liquidez Seca: avalia


conservadoramente a liquidez da
empresa, considerando a alta rota-
tividade dos estoques. Este índice Ativo Circulante – Estoque
indica a capacidade de pagamento Passivo Circulante
para saldar as obrigações de curto
prazo, desconsiderando-se a reali-
zação de estoques.

Quociente de Liquidez Geral: Este


quociente avalia a saúde financeira,
considerando a liquidez, de longo
prazo da empresa, indica a capaci- Ativo Circulante + Ativo Não Circulante
dade que a empresa tem de pagar Passivo Circulante + Passivo Não Circulante
todos os seus compromissos, tanto
os de curto prazo como de longo
prazo.

Quocientes de endividamento: eles têm o objetivo de reproduzir a posição


do capital próprio da empresa com relação ao capital de terceiros. É apre-
sentado a grau de dependência da organização do capital de terceiros.

Quociente de Participação de Capi-


tais de Terceiros sobre os Recursos
Totais: o índice representa a por- Exigível Total
centagem que o endividamento está Exigível Total + PL
representado sobre o Passivo e
Patrimônio Líquido.

Quocientes de Capitais de Tercei-


ros e Capitais Próprios: é outro
índice que avalia a dependência de
recursos de terceiros, este índice é
Exigível Total
chamado de grau de endividamen-
Patrimônio Líquido
to e significa o percentual de capital
de terceiros (recursos de terceiros)
em relação aos capitais próprios
(patrimônio líquido).

Quociente de Participação das


Dívidas de Curto Prazo sobre o
Passivo Circulante
Endividamento Total: representa a
Exigível Total
formação do endividamento total e
apresenta a parcela que vence do
curto prazo com relação ao endivi-
106
damento total. A composição do
endividamento é apresentada por
este índice, que mostra o impacto
das obrigações de curto prazo (cir-
culante) em relação ao total de
capitais de terceiros.

Grau de Imobilização do Capital


Próprio: A visualização do quanto
do Patrimônio Líquido está aplica-
( )
do no ativo não circulante imobili-
zado é feita neste índice.

Grau de Imobilização de Recursos


Permanentes: é utilizado para
evidenciar quanto de recursos
permanentes (não correntes ou não
circulantes) foi investido no ativo
não circulante.

ÍNDICES DA ANÁLISE ECONÔMICA: A análise econômica apresenta a


lucratividade da empresa. No sentido estático refere-se ao Patrimônio
Líquido, o lucro ou o prejuízo modifica o Patrimônio Líquido sem alterar a
disponibilidade de dinheiro.

ÍNDICES DE RENTABILIDADE: Nos índices de rentabilidade o lucro é


comparado com ativo e com patrimônio líquido, mas para a análise evi-
denciar índices condizentes é necessário que os valores que correspondem
ao lucro sejam coerentes aos valores de ativo ou patrimônio líquido. Quan-
do for utilizado o lucro líquido no numerador é imprescindível a utilização
do ativo total no denominador ou quando lucro operacional com ativo
operacional.

Retorno sobre o Ativo: o resultado


deste índice mostra o tempo que
levará para a empresa obter o re-
torno do investimento executado. A
taxa de retorno sobre o ativo apre- Lucro Líquido
senta a lucratividade obtida pela Ativo Total
empresa com a utilização dos inves-
timentos do empreendimento,
significa o tempo de retorno do
investimento, levando em conside-
ração que o faturamento, o lucro e o
investimento permaneçam constan-
107
tes.

Retorno sobre o Patrimônio Líqui-


do (TRPL): o índice resulta no
tempo que os proprietários levaram Lucro Líquido
para recuperarem seus investimen- Patrimônio Líquido
tos, ele evidencia a capacidade da
geração de lucro do capital próprio.

Margem de Lucro sobre as Vendas:


Lucro Líquido
compara o lucro com as vendas
Vendas Líquidas
líquidas.

Retorno sobre o Investimento: é


considerado o mais importante
Margem Líquida
quociente individual de toda a
Giro do Ativo Total
análise de balanços para a admi-
nistração.

Fonte: Adaptado de Marion, 2002

Os índices de liquidez e endividamento englobam o relacionamento


das contas do balanço patrimonial que refletem a situação estática de
liquidez (saúde financeira) ou entre fontes diferenciadas de capital
(estrutura de capitais). No grupo de indicadores de rentabilidade, por
sua vez, são apresentadas as fórmulas de cálculo da rentabilidade dos
capitais que foram investidos na empresa.

8.2 Índices de rotatividade ou atividade


Além dos quocientes de liquidez, rentabilidade e endividamento, te-
mos os QUOCIENTES DE ROTATIVIDADE ou ATIVIDADE, con-
forme apresentados no quadro 15.
108
Quadro 15 – Índices de rotatividade

ÍNDICES DE ROTATIVIDADE: Esses quocientes, que conside-


ramos de grande relevância para a análise de crédito, expressam
a velocidade com que determinados elementos patrimoniais se
renovam durante certo período de tempo. Devido à sua nature-
za, tais quocientes usualmente apresentam seus resultados em
dias, meses ou períodos, fracionários ou múltiplos de um ano. A
importância de tais quocientes é representada pelo fato de ex-
pressarem relacionamentos dinâmicos, que acabam influencian-
do a posição de liquidez e rentabilidade da empresa.

Prazo Médio de Recebimento (PMR):


indica a média de dias em que as con-
tas (duplicatas, títulos) são recebidas
pela empresa. Avalia o tempo entre o
( )
faturamento e o recebimento. É útil na
avaliação das políticas de crédito e co-
brança.

Prazo Médio de Estoques (PME): ex-


prime o número de dias, em média, em
que os estoques ficam armazenados na
( )
empresa antes de serem vendidos, ou
ainda, o número de dias em que os es-
toques são renovados (ou vendidos).
Quanto menor o prazo, melhor.

Prazo Médio de Pagamento (PMP):


indica a média de dias em que as con-
tas (duplicatas, títulos) são pagas pela
empresa. Avalia o tempo entre a com- ( )
pra e o pagamento. É útil na avaliação
das políticas de crédito e cobrança.

Ciclo Operacional (CO): indica o in-


tervalo de tempo decorrido entre o
momento em que a empresa adquire as
matérias-primas ou mercadorias e o
CO = PME + PMR
momento em que recebe o dinheiro re-
lativo às vendas. Portanto, refere-se ao
período (em média) em que os recursos
estão investidos nas operações sem que
tenha ocorrido as correspondentes en-
109
tradas de caixa.

Ciclo Financeiro (CF): representa, em


termos médios, o tempo decorrido en-
tre o instante do pagamento dos forne-
cedores pelas matérias-primas ou mer-
cadorias adquiridas e o recebimento
das vendas efetuadas. Em outras pala-
vras, é o período em que a empresa ne-
cessita ou não de financiamento com-
plementar do seu ciclo operacional. A
apuração do ciclo financeiro evidencia CF=(PME+PMR) –
qual o prazo que a empresa financia PMP
seus cliente com recursos próprios ou
de terceiros. Quanto maior for o ciclo
financeiro, mais necessidade a empresa
tem de obtenção de financiamento
complementar para o giro de seus ne-
gócios. Se obtido de fontes onerosas,
poderá provocar redução da rentabili-
dade e contribuir para eventual insol-
vência da empresa.

Necessidade de Capital de Giro


( )
(NCG):

Fonte: Elaborado pela autora

Os índices de rotatividade são de alta relevância para a análise de


crédito pois expressam a velocidade com que determinados elementos
patrimoniais se renovam durante certo período de tempo. Devido à
sua natureza, tais índices usualmente apresentam seus resultados em
dias, meses ou períodos, fracionários ou múltiplos, de um ano. Segun-
do Iudícibus e Marion (2006, p. 135), “A importância de tais quocientes
é representada pelo dato de expressarem relacionamentos dinâmicos
que acabam influenciando a posição de liquidez e rentabilidade, mais
adiante”.

Importante salientar que não esgotamos os índices existentes, sequer a


possibilidade de cálculo de outros tantos índices. Cada empresa, com
suas peculiaridades pode (e deve) escolher seus índices de forma a
avaliar a eficiência e eficácia da gestão em relação aos impactos patri-
moniais e resultados obtidos.
110

8.4 Ponto final


A análise das demonstrações contábeis visa obter informações finan-
ceiras e econômicas, tendo como objetivo a tomada de decisão dentro
de uma organização. Através das principais demonstrações, como o
Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício ex-
traem-se índices para observar a situação de LIQUIDEZ, ENDIVIDA-
MENTO, RENTABILIDADE e ROTATIVIDADE da empresa. Saliente-
se que a análise das demonstrações financeiras consubstancia-se em
um relevante instrumento de auxílio para a tomada de decisão, uma
vez que o seu objetivo é transformar dados financeiros em informações
de cunho gerencial. Com a conclusão de nosso livro-texto, o desafio
agora é aplicarmos a teoria aos estudos de caso propostos na NETAU-
LA. Mãos à obra!!!

Atividades
1) Os quocientes de estrutura de capitais evidenciam:
a) o grau de solvência da empresa, ou seja, sua saúde financeira;
b) o grau de endividamento da empresa;
c) a lucratividade da empresa em termos absolutos;
d) o tempo necessário para que os elementos do Ativo se renovem;
e) o desempenho comparativo da empresa em relação às médias do
segmento em que atua.

2) Constituem índices de liquidez:


a) margem líquida, giro do ativo, rentabilidade do patrimônio líqui-
do;
b) participação de capitais de terceiros, imobilização do patrimônio
líquido e composição do endividamento;
c) prazos médios de recebimento e pagamento;
d) corrente, seca, geral, imediata;
e) ciclo operacional e ciclo financeiro

3) Em relação à Análise das Demonstrações Financeiras, é CORRETO


afirmar:
a) quando os investimentos efetuados pela entidade no seu Ativo
são financiados pelos Capitais de Terceiros em proporção maior
que os capitais próprios, podemos dizer, em princípio, que a sol-
vência da entidade é satisfatória;
b) em nenhuma entidade o valor dos capitais de terceiros poderá ser
superior ao valor dos capitais próprios;
c) para se obter uma boa visão da situação econômica e financeira da
entidade, é aconselhável que a análise das demonstrações finan-
111
ceiras seja realizada de forma global: análise horizontal, análise
vertical e quocientes: estrutura de capitais, liquidez e rentabilida-
de;
d) sempre que o quociente de liquidez geral é igual ou superior a 1
(um), pode-se afirmar, em princípio, que a entidade não se encon-
tra estruturada do ponto de vista financeiro;
e) Os índices da análise econômica reproduzem a posição do capital
próprio da empresa em relação ao capital de terceiros, apresen-
tando o grau de dependência da entidade do capital de terceiros.

4) Uma empresa que apresente grandes lucros:


a) sempre terá plena condição de pagar suas contas em dia;
b) poderá, em certas circunstâncias, ter dificuldade em pagar suas
contas em dia;
c) poderá, de acordo, com a lei dos investimentos naturais, imobili-
zar recursos equivalentes a 1,5 vezes o lucro do exercício;
d) deverá manter certa quantia depositada em títulos de renda fixa
para enfrentar os anos de “vacas magras”;
e) nenhuma das alternativas está correta.

5) A Empresa Binacional apresentava em seu Balanço Patrimonial


projetado, antes do final do ano, os seguintes valores no Circulan-
te:
Ativo Circulante R$ 1.200.000
Passivo Circulante R$ 1.000.000
Liquidez Corrente: 1.200.000/1.000.000= 1,20

Todavia o seu presidente não está contente com o índice de liquidez


corrente de 1,20. Ele determinou ao contador que o índice deverá ser
igual a 2,00.

a) É impossível modificar esta situação, considerando-se que esta-


mos próximos do final do ano;
b) A única alternativa é o contador “fajutar” o Balanço Patrimonial;
c) A solução seria pagar R$ 400.000 da dívida de curto prazo
d) Não é possível atingir este índice porque o Ativo Circulante é
maior do que o Passivo Circulante;
e) Para melhorar o índice deve-se aumentar o endividamento de
curto prazo.

6) Uma empresa tem Ativo Circulante de $ 1.800.000 e Passivo Circu-


lante de $ 700.000. Se fizer uma aquisição extra de mercadorias, a
112
prazo, na importância de $ 400.000, seu índice de liquidez corrente
será de:
a) 3,1
b) 1,6
c) 4,6
d) 2,0
e) 2,57

7) A empresa Orquídeas possui as seguintes informações extraídas


de seu Balancete de Verificação em 20X1:
Grupos de Contas 01/01/20X1 31/12/20X1

Ativo Circulante R$ 24.000 R$ 18.000

Passivo Circulante R$ 12.000 R$ 6.000


Em relação ao índice de liquidez corrente da empresa no período ana-
lisado, é correto afirmar que:

a) A empresa terminou o exercício de 20X1 com um crescimento


positivo na liquidez corrente de R$ 2,00;
b) A empresa terminou o exercício de 20X1 com um crescimento
positivo na liquidez corrente de R$ 3,00;
c) A empresa terminou o exercício de 20X1 com uma redução de 50%
na liquidez corrente;
d) A empresa terminou o exercício de 20X1 com uma redução de R$
6.000,00 na liquidez corrente;
e) A empresa terminou o exercício de 20X1 com um crescimento
positivo na liquidez corrente de R$ 1,00;
113
A partir dos informações extraídas do Balanço Patrimonial da Cia
Catleya no exercício 20X1, responda às questões 8,9 e 10.
Grupo Valor R$
Ativo Circulante 520.000
Ativo Não Circulante Realizável a LP 70.000
Ativo Não Circulante Imobilizado 200.000
Passivo Circulante 450.000
Passivo Não Circulante 120.000
Patrimônio Líquido 220.000
8) O índice de imobilização do capital é de:
a) 1,16
b) 1,39
c) 0,72
d) 0,91
e) 1,04

9) O índice de liquidez geral é de:


a) 1,04
b) 1,68
c) 1,16
d) 1,31
e) 0,58

10) O Quociente de Capitais de Terceiros e Capitais Próprios é de:


a) 0,79
b) 0,55
c) 3,59
d) 2,59
e) 2,68
REFERÊNCIAS

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http://www.face.ufmg.br/revista/index.php/contabilidadevistaerevista/article/viewFile/618/415> Acesso
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KRAEMER, Maria Elisabeth Pereira. Contabilidade ambiental como sistema de informações. Disponível em:
http://www.gestiopolis.com/Canales4/fin/amsistema.htm

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de Balanços. 10ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARION, José Carlos. Curso de Contabilidade para Não Contadores. 4ª Ed. São Paulo:
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LEMES Júnior, Antônio Barbosa; RIGO, Claúdio Miessa; CHEROBIM, Ana Paula Mussi Szabo.
Administração Financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras. Rio de Janeiro: Campus, 2002.

MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Financeiras: Contabilidade Empresarial. 4ª Ed. São Paulo:
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MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 8ª Ed. São Paulo: Atlas, 2006.

MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços: abordagem básica e gerencial. 6ª Ed. São
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MORANTE, Antônio Salvador. Análise das Demonstrações Financeiras. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MOREIRA, José Carlos. Orçamento Empresarial: manual de elaboração. 5ª Ed. São Paulo: Atlas, 2002.

PADOVEZE, Clóvis Luís. Introdução à Contabilidade: uma abordagem para não contadores. São Paulo: Pioneira
Thomson Learning, 2006.

PERES JR, José Hernandez; BEGALLI, Glaucos Antônio. Elaboração das Demonstrações Financeiras. 3ª Ed. São
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RIBEIRO, Osni Moura. Estrutura e Análise de Balanços Fácil. 7ª Ed. 4ª tiragem. São Paulo: Saraiva, 2002.

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 25ª Ed. 2ª tiragem. São Paulo: Saraiva, 2003.
115
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Sá, Antônio Lopes de. Moderna Análise de Balanços ao Alcance de Todos. 2ª Ed.Curitiba: Juruá, 2009.

SUZSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes; SUZSTER, Fortunée Rechtman; SZUSTER, Fernanda
Rechtman; SZUSTER, Flávia Rechtman. Contabilidade Geral: introdução à Contabilidade Societária. 2ª. Ed. São
Paulo: Atlas, 2008.

ZANLUCA, Júlio Cesar. Demonstração do Valor Adicionado. Disponível em


http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/demonstracaodovalor.htm. Acesso em 21 agosto 2010.
GABARITO

Capítulo 1

1-b; 2-b; 3-d; 4-c; 5-b

6-

Lei 6404/76 Lei 11.638/07

Cia Abertas Cias Abertas


Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial
Demonstração do Resultado do Exercício Demonstração do Resultado do Exercício
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumula- Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumula-
dos dos
Demonstração das Origens e Aplicações de Demonstração dos Fluxos de Caixa
Recursos
Demonstração do Valor Adicionado
Cias Fechadas Cias Fechadas
Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial
Demonstração do Resultado do Exercício Demonstração do Resultado do Exercício
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumula- Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumula-
dos dos
Demonstração dos Fluxos de Caixa (se o patrimô-
nio líquido for superior a R$ 2 milhões)
IMPORTANTE: saliente-se que as SOCIEDADES DE GRANDE PORTE (cujo ativo total supera R$ 240
milhões ou receita bruta anual maior do que R$ 300 milhões) seguem a legislação das Cias Abertas,
independentemente do tipo societário.

7- vide seção 1.2 de nosso livro texto

8- vide seção 1.3 de nosso livro texto

9-

Sociedades Limitadas
Capital Social dividido em ações Capital Social dividido em cotas
Proprietários denominados ACIONISTAS Proprietários denominados COTISTAS ou sócios
Responsabilidade dos acionistas limitada Responsabilidade dos acionistas limitada ao
ao preço de subscrição de ações capital social integralizado
Obrigatoriedade de publicação das de- Não necessita publicar as demonstrações
monstrações financeiras no Diário Oficial e financeiras.
em jornal de grande circulação.
Forma mais usual de sociedade comercial.
117
10- Questão pessoal

Capítulo 2

1-c; 2-d; 3-a; 4-c; 5-b; 6-b; 7-c; 8-c; 9-d; 10-c

Atenção:

Questão 8

Ativo Passivo
Ativo Circulante R$ 3.000.000 Passivo Circulante R$ 2.000.000
Ativo Não Circulante R$ 10.000.000 Passivo Não Circulante R$ 1.500.000
Patrimônio Líquido R$ 9.500.000
Total R$ 13.000.000 Total R$ 13.000.000
a) Capital próprio = patrimônio líquido = R$ R$ 9.500.000

b) Capital de terceiros = total das obrigações = R$ 2.000.000 = R$ 1.500.000 = R$ 3.500.000;

c) Obrigações de longo prazo = Passivo Não Circulante = R$ 1.500.000

d) Aplicações de recursos = total do Ativo = R$ 13.000.000

Questão 9 – as contas estoques e duplicas a receber classificam-se no Ativo Circulante, enquanto a conta

“empréstimo s sócios/empresas coligadas, por determinação legal, classifica-se no Ativo Não Circulante

Realizável a Longo Prazo independentemente do prazo definido.

Capítulo 3

1- a; 2-b; 3-c

4-d

Receita Bruta R$ 700.000

Devoluções R$ (35.000)

Abatimentos R$ (15.000)

Impostos Sobre Vendas R$ (167.900)

Receitas Líquidas R$ 482.100

Descontos financeiros são classificados como despesas operacionais financeiras;

Comissões sobre vendas são classificadas como despesas operacionais de vendas; ambas deduzem o

resultado bruto.

5- e

Receita Bruta R$ 6.000

PIS (R$ 60)

COFINS (R$ 180)

ICMS (R$ 720)

Receita Líquida R$ 5.040


118
CMV (R$ 2.800)

Resultado Bruto R$ 2.240

Despesa Operacionais

Financeiras (R$ 600)

Administrativas (R$ 1.000)

Resultado Operacional Líquido R$ 640

6- d

Receita Bruta R$ 526.000

Impostos Incidentes sobre Vendas (R$ 50.000)

Receita Líquida R$ 476.000

CMV (R$ 213.000)

Resultado Bruto R$ 263.000

Despesas Operacionais

Financeiras (R$ 22.000)

Administrativas (R$ 87.000)

Resultado Operacional R$ 154.000

Outras Receitas Operacionais R$ 48.000

Resultado Operacional Líquido R$ 202.000

IR e CSLL (R$ 26.000)

Resultado Líquido R$ 176.000

7-d

Ativo Passivo
Circulante Circulante
Caixa R$ 70.000 Fornecedores R$ 250.000
Clientes R$ 140.000 Salários a Pagar R$ 18.000
(-) Prov Devedores Duv R$ 2.000 ICMS a Recolher R$ 65.000
(-) Duplicatas Descontadas R$ 90.000 IR a Recolher R$ 15.000
Estoque de Mercadorias R$ 154.000
Total Ativo Circulante R$ 272.000 Total Passivo Circulante R$ 348.000
Ativo Não Circulante Patrimônio Líquido
Investimentos R$ 50.000 Capital Social R$ 200.000
Imobilizado R$ 310.000 (-) Capital a Realizar R$ 40.000
(-) Depreciação Acumulada R$ 180.000 (-) Prejuízos AcumuladosR$ 32.000
(-) Ações em Tesouraria R$ 30.000
Reserva Legal R$ 6.000
Total Ativo Não Circulante R$ 180.000 Total Patrimônio Líquido R$ 104.000
Total ATIVO R$ 452.000 Total PASSIVO R$ 452.000
119
8-a

9-
Receita Bruta R$ 700.000

Deduções (R$ 58.000)

Receita Líquida R$ 642.000

CMV (R$ 400.000)

Resultado Bruto R$ 242.000

Despesas Operacionais (R$ 32.000)

Resultado Operacional R$ 210.000

Provisão IR e CSLL (R$ 10.000)

Resultado após IR e CSLL R$ 200.000

Participações

Administradores R$ 20.000

Lucro Líquido do Exercício R$ 180.000

10- b

Receita Líquida de Vendas R$ 225.000


(-) CMV
(=) Resultado Bruto R$ 145.000
(+) Receitas Operacionais – Despesas Operacionais
(=) Lucro Operacional Líquido R$ 106.000
Resultado Não operacional R$ 24.000
Lucro Antes IR R$ 130.000
(-) Provisão IR R$ 40.000
(=) Lucro após o IR R$ 90.000
(-) Participações Estatutárias R$ 18.000
Lucro Líquido do Exercício R$ 72.000
Lucro por ação= R$ 72.000/600.000= R$ 0,12 por ação

Capítulo 4

1-d; 2-a;

3-

Saldo Credor do Início do Exercício R$ 100

Reversões de Reservas de Lucros de Exercícios Anteriores R$ 200

Ajustes Negativos de Exercícios Anteriores (R$ 50)

Lucro Líquido do Exercício R$ 1.000

Parcela de Lucro Incorporada ao Capital (R$ 100)

Transferência para Reservas e Lucros (R$ 300)

Dividendos Propostos (R$ 150)

Lucros acumulados R$ 700


120

4- Saldo de Lucros ou Prejuízos Acumulados em 31/12/XX R$ 123.450

Ajustes de Exercícios Anteriores R$ 12.350

Reversão de Reservas de Contingências R$ 124.050

Reversão de Reservas de Lucros a Realizar R$ 25.500

Parcela de Lucros Incorporada ao Capital (R$ 60.000)

Lucro Líquido do Exercício 20X1 R$ 80.500

Distribuição do Lucro 20x1

Reserva Legal (R$ 4.025)

Reserva Estatutária (R$ 8.050)

Dividendos (R$ 50.000)

Saldo de Lucros ou Prejuízos Acumulados em 31/12/20X1 R$ 243.775

5-b; 6-c;

7- c

Lucros Acumulados 31/12/X1 R$ 4.800

(+) Reversão de Reservas de Contingências R$ 1.600

(-) Constituição de Reserva Legal R$ 300

(+) Lucro Líquido do exercício R$ 6.000

(-) Dividendos a Pagar R$ 1.800

(-) Ajuste de Exercícios Anteriores R$ 400

Lucros Acumulados 20X2 R$ 9.900

8-b

Distribuição Transitória do Lucro Líquido

Lucro Líquido R$ 200.000

(-) Reserva Legal R$ 10.000

(-) Reserva Estatutária R$ 5.000

(-) Reserva para Investimentos R$ 20.000

(-) Dividendos (estatuto) R$ 95.000

(=) Lucros Acumulados R$ 70.000

9- Distribuição de dividendos, reinvestimentos (formação de reservas e aumento de capital social).

10- vide livro texto itens 3.6; 3.6.1; 3.6.2.


121
Capítulo 5

1-d; 2-d; 3-e; 4-c; 5-d; 6- vide seção 5 do livro texto; 7- seção 5.1 do livro texto; 8- seção 5.2 do livro

da disciplina; 9- seção 5.3; 10- questão aberta

Capítulo 6

1-a; 2-c; 3-c; 4-e; 5-b; 6-a; 7-a; 8-e; 9- vide seção 6.3; 10- resposta aberta

Capítulo 7

1-b; 2-b; 3-c; 4-d; 5-d; 6-a; 7-b; 8-a; 9-a; 10-c

Capítulo 8

1-b; 2-d; 3-c; 4-b; 5-c; 6-d; 7-e; 8-c; 9-a; 10-d