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Freud começa por defender sua que a civilização é responsável por nossa miséria:

nos organizamos em sociedade civilizada para escapar do sofrimento, só para infligi-lo


de volta sobre nós mesmos.

Freud identifica três eventos históricos importantes que produziram essa desilusão com
a civilização humana:

1. a vitória da cristandade sobre religiões pagãs (e consequentemente o baixo valor


colocado sobre a vida terrena na doutrina cristã);
2. a descoberta e conquista de tribos e povos primitivos, que pareciam aos
europeus estarem vivendo mais felizes em um estado de natureza;
3. Identificação científica do mecanismo de neuroses, que são causados pelas
exigências frustrantes colocadas sobre o indivíduo na sociedade moderna.

Antagonismo em relação a civilização se desenvolveu quando as pessoas


concluíram que apenas uma redução dessas exigências – em outras palavras, a
retirada das imposições da sociedade – levaria a uma maior felicidade.

A tecnologia também traz a promessa de uma vida melhor e maior felicidade, mas
Freud contesta a noção de que os avanços na tecnologia automaticamente melhoram a
nossa qualidade de vida. Por outro lado, é difícil medir a felicidade do homem em uma
época anterior porque “felicidade” é um sentimento essencialmente subjetivo. As
pessoas em situações extremas de infelicidade também podem ser insensíveis ao seu
próprio sofrimento.

A civilização pode ser definida como a soma total das realizações humanas e
regulamentos destinados a proteger homens contra a natureza e “ajustar suas
relações mútuas.” Os avanços tecnológicos têm melhorado o nosso poder contra a
natureza, mas também as nossas capacidades de percepção sensorial através de
invenções como o telefone e fotografia. Estas invenções tem dado ao homem uma
sensação de onipotência e onisciência anteriormente atribuída apenas aos deuses. Freud
vai tão longe a ponto de chamar o homem de “Deus protético.”

Além da proteção contra a natureza, outras expectativas de viver em uma sociedade


civilizada incluem beleza (a experiência estética de várias formas de arte e expressão
artística), limpeza (em termos de higiene pessoal e saneamento público), ordem (um
princípio introduzido pelas ciências e que aprendemos com a nossa observação da
natureza). Freud defende a sua inclusão de beleza dentro de sua lista de expectativas. De
acordo com ele, a civilização não está focada exclusivamente no que é útil. O cultivo de
atividades mentais superiores do homem é um dos objetivos centrais da civilização, e
alcança este objetivo, em parte, através da produção de arte.

Quanto à regulamentação de nossas “relações mútuas”, um “passo decisivo” em direção


à civilização reside na substituição do poder do indivíduo, pelo da comunidade. Mas
esta substituição, doravante, restringe as possibilidades de satisfação individual no
interesse da lei, da ordem e da justiça. Sociedades civilizadas colocam o Estado de
direito sobre os instintos individuais. Aqui Freud faz uma analogia entre a evolução da
civilização e o desenvolvimento libidinal do indivíduo, identificando três fases
paralelas, em que cada uma ocorre:

1. carácter de formação (aquisição de uma identidade);


2. sublimação (canalização da energia primal para outras atividades físicas ou
psicológicas);
3. não-satisfação / renúncia dos instintos (enterro de impulsos agressivos no
indivíduo; imposição do Estado de direito na sociedade).

Capítulo 4 de O Mal-Estar na Civilização – Resumo

A vida comunitária dos seres humanos tem as suas raízes na compulsão para trabalhar
(criada por necessidade externa) e o poder do amor (ou falta de vontade de ser privado
de um objeto sexual). Freud conjectura que “erotismo genital” estimulou a formação de
relações humanas duráveis, tornando a satisfação do prazer sexual o protótipo de outras
formas de felicidade que poderiam ser alcançadas com e através de companheirismo.
Tendo em conta os riscos do amor, algumas pessoas fazem-se independentes dos
objetos de amor individuais e em vez disso dedicam-se a um amor universal por toda a
humanidade, tipificado pelos santos cristãos. Freud chama esse fenômeno de “amor com
o objetivo inibido.”

Mesmo que uma das principais finalidades da cultura humana seja a de vincular os
homens “libidinalmente” uns aos outros, amor e civilização, eventualmente, entram em
conflito. Freud identifica várias razões diferentes para este antagonismo mais tarde. Por
um lado, unidades familiares tendem a isolar-se e impedir que os indivíduos se
desprendam e amadureçam por conta própria. As mulheres em particular têm, de acordo
com Freud, uma influência moderadora sobre as crianças e entram em oposição com a
civilização por ressentimento sobre a intimidade e amor que as exigências do trabalho,
necessariamente, levam para longe de suas relações conjugais.

A civilização esgota a energia sexual, desviando-a em empreendimentos culturais.


Ela também restringe escolhas objeto de amor e mutila nossas vidas eróticas. Tabus
(contra o incesto, em primeiro lugar), leis e costumes impõe mais restrições. Medo da
revolta sexual leva a medidas de precaução que começam na infância.

Para Freud, a civilização da Europa Ocidental representa uma grande marca de água na


regulação da sexualidade. Mesmo heterossexualidade, praticada livremente e endossada
pela sociedade, é forçosamente canalizada para a monogamia e casamento. Mesmo onde
a sociedade deixa de regular e colocar um fim a um comportamento que considere
transgressivo, ela ainda tem um efeito prejudicando sensivelmente a vida sexual das
pessoas.

Capítulo v

Freud observa que o antagonismo da civilização em relação à sexualidade surge a


partir do trabalho e da necessidade de construir laços comunitários com base na
amizade. Se a atividade da libido fosse autorizada a correr desenfreada, é provável que
destruiria o relacionamento amoroso monogâmico do casal que a sociedade tem
endossado como o mais estável.

Freud tem como próximo alvo o mandamento “Ama o teu próximo como a ti mesmo”,
porque, ao contrário do ensino bíblico, ele tem uma visão pessimista do homem, cujo
instinto primitivo Freud considera ser agressivo, não amoroso. O mandamento
bíblico “ama ao próximo como a ti mesmo” vai contra a natureza original do
homem, e a história é a prova: O homem provou mais de uma vez que vai explorar,
abusar, humilhar, causar dor, torturar e matar outros homens, desde a invasão dos hunos
à Primeira Guerra Mundial.

Civilização é continuamente ameaçada de desintegração por causa desta inclinação para


a agressão, mas investe grande energia em restringir esses instintos. A lei tem tentado
refinar-se ao ponto de regular a maioria das formas de agressão, mas ainda não
consegue impedi-la.

Freud, em seguida, volta-se para o pensamento socialista. Comunistas afirmam


encontrar o caminho para a libertação através da abolição da propriedade privada,
assim, eliminando um sistema econômico que permite a determinados indivíduos
acumular riqueza desproporcional e abusar de seus semelhantes.

Para Freud, o comunismo é baseado em uma suposição falsa, uma vez que não
altera em nada a natureza humana, apenas uma das motivações por onde atua (ou seja, a
ganância). A agressão é anterior à posse da propriedade. Ela também tem servido ao
longo da história para ligar comunidades contra aqueles que estão fora delas. Os judeus
na Idade Média eram, por exemplo, as vítimas de intolerância dos cristãos; e na Rússia,
a difamação do burguês tem servido como um grito de guerra para o governo
comunista.

Freud conclui que o homem civilizado trocou a possibilidade de felicidade pela


segurança. Mas a sociedade primitiva não é para ser invejada, uma vez que, nesse
contexto, apenas o chefe da família gozava de liberdade instintiva à custa de todos os
outros.

Algumas dessas limitações da sociedade moderna são superáveis, enquanto outros são
intrínsecas à civilização. Freud não especifica quais limitações à nossa liberdade
instintiva caem em que categoria. A sociedade mais perigosa, segundo ele, é aquela em
que o líder é exaltado e os indivíduos não adquirem um senso adequado de identidade.
Freud aponta para a sociedade americana como um exemplo deste perigo, mas abstém-
se de persistir em sua crítica.- estado é superioridade ao individuo, ás vontades
individuais e à dignidade humana (panoptismo)