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UNIP – UNIVERSIDADE PAULISTA

AIZITA TELESFORO SAMPAIO

AS IMPLICAÇÕES DO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA COMO UM INDICADOR DA EVASÃO NO EAD

São Paulo 2011

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AIZITA TELESFORO SAMPAIO

AS IMPLICAÇÕES DO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA COMO UM INDICADOR DA EVASÃO NO EAD

Monografia

apresentada

à

UNIP

Universidade Paulista, com objetivo de obtenção de título de especialista, no curso da pós-graduação “lato sensu” em Formação em EAD sob a orientação do Prof. MSc. Santiago Valverde.

São Paulo 2011

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AIZITA TELESFORO SAMPAIO

AS IMPLICAÇÕES DO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA COMO UM INDICADOR DA EVASÃO NO EAD

Monografia

apresentada

à

UNIP

Universidade Paulista, com objetivo de obtenção de título de especialista, no curso da pós-graduação “lato sensu” em Formação em EAD sob a orientação do Prof. MSc. Santiago Valverde.

Aprovado em: BANCA EXAMINADORA _______________________/__/___ Prof. ________________ Universidade Paulista – UNIP _______________________/__/___ Prof. ________________ Universidade Paulista – UNIP _______________________/__/___ Prof.________________ Universidade Paulista UNIP

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AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar a DEUS por ser à base da minha vida; Aos meus pais, Eliezer Telesforo Sampaio (in memoriam) e Neuza de Jesus Cardozo Sampaio, por tudo que me ensinaram a ser; À minha querida amiga, Cristiane Fernandes de Aguilar, por me incentivar e colaborar no desenvolvimento de minhas idéias; Ao Prof. MSc. Santiago Valverde, pela dedicação e paciência em suas orientações prestadas na elaboração deste trabalho; À Universidade Paulista, pela oportunidade de abrir mais uma vertente acadêmica em minha vida profissional;

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EPÍGRAFE

“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens educam-se entre si mediatizados pelo mundo”. Paulo Freire

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RESUMO

Este trabalho teve como interesse principal verificar a relação da Matemática como um indicador de evasão. O estudo foi realizado a partir de revisão bibliográfica e pesquisa de campo. Na revisão bibliográfica, observa-se que a sociedade brasileira se depara, desde há muito tempo, com a questão da qualidade da educação. O estudo apresenta a EAD como uma modalidade de ensino em constante crescimento. Porém, assim como a educação tradicional enfrenta problemas. Assim, foco deste trabalho é relacionar as dificuldades de aprendizagem em disciplinas que envolvam cálculos matemáticos com a evasão pesquisando as principais alegações para o fato. Na pesquisa de campo foram coletados dados que permitiram associar alegações para a evasão com fatores aprovadores e reprovadores nas duas modalidades de ensino, presencial e à distância. Pesquisando as principais causas para o fato, este trabalho conclui que fatores como qualidade da interação entre alunos e professores, relação entre alunos e instituição, recursos bem dirigidos, bem como o reconhecimento da qualidade dos cursos devem ser trabalhados por todas as instituições, públicos e privados que desejam diminuir a evasão. Palavras-chave: Evasão, Matemática, dificuldade de aprendizagem, Fatores Influenciadores da Evasão.

Thus.7 ABSTRACT This work had as main interest to verify the relationship of mathematics as an indicator of avoidance. the relationship between students and institution. . In the field research data were collected that allowed for evasion allegations associated with factors approvers and disapproving the two modes of teaching. public and private that would like to reduce evasion. Searching the main causes for the fact. On the literature review it is observed that Brazilian society faces a long time the issue of quality education. mathematics. this study concludes that factors like quality of interaction between students and teachers. classroom and distance learning. However just like traditional education faces same problems. well-directed resources. the focus of this study was to relate the difficulties of learning in disciplines involving mathematical calculations with evasion allegations searching for the main fact. learning difficulties and evasion influential factors. Keywords: Evasion. as well as recognition of the quality of the courses should be worked by all institutions. The study presents the distant learning as a mode of education growing constantly. The study was conducted based on a review and field research.

............................................................................................... 25 Gráfico 4 (a) – Formação Inicial das turmas – 1º Semestre ............. 50 Gráfico 5 (a) – 1º Semestre – Alegações apresentadas na evasão ou troca de curso......................................................................................................................... 50 Gráfico 5 (b) ........................................ 54 Gráfico 7 (b) ....................................Série histórica ...... 54 ..................................... 53 Gráfico 7 (a) – 1º Semestre – Principais dificuldades do processo ensino aprendizagem da Matemática.Número de matrículas EAD em graduação – Censo EAD Br.......Censo EAD Br.... 51 Gráfico 6 (a) – 1º Semestre – Afinidade com disciplinas que envolvam cálculos matemáticos . 2010 ................................................................................................................................8 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 .................... 2010...........................2º Semestre – Principais dificuldades do processo ensino aprendizagem da Matemática...................Número de instituições de EAD para cursos de graduação ....... 2010...............................................................................................................2º Semestre – Alegações apresentadas na evasão ou troca de curso ........................................................................ 52 Gráfico 6 (b) .......................Número de cursos de EAD para graduação – Série histórica ........ 24 Gráfico 3 .............................................................................................................................................Censo EAD Br....................... 49 Gráfico 4 (b) – Formação Inicial das turmas – 2º Semestre .....................................2º Semestre – Afinidade com disciplinas que envolvam cálculos matemáticos ............................................. .........23 Gráfico 2 ............

......................9 Gráfico 8 – Fatores de aprovação e desaprovação das disciplinas que envolvam cálculos matemáticos ................................................ 54 ..........................

Censo EAD Br..............10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 ...... 24 Tabela 5 ..........................................Número de instituições credenciadas que ministram cursos a distância por região....................... 2010 ....................Série histórica: número de matrículas EAD em graduação ......... nível educacional e natureza jurídica – Censo EAD Br... avaliados em habilidades de leitura e matemática .............. 34 Tabela 7 ........... 2010 ................................. 71 ......................................Índices de Alfabetização.......Série histórica: número de cursos de EAD para graduação ................................................................................ nível educacional e natureza jurídica – Censo EAD Br..............Série histórica: número de instituições de EAD para cursos de graduação ...............Número de alunos em instituições credenciadas por região................... 2010 ..Censo EAD Br..................Definição de evasão e amplitude do conceito ............................. 22 Tabela 3 ........ 2010 ....... 23 Tabela 4 ... 25 Tabela 6 ........................................ 22 Tabela 2 .......

2. 2.1. 2.11 SUMÁRIO Introdução Capítulo I .2.2. 1.3.2.1.4. O papel do professor universitário na educação contemporânea 2. 1. Dislexia Discalculia Disgrafia Dislalia Disortografia TDAH Implicações do processo de ensino aprendizagem no Ensino Superior 2. 2. 2.4.EAD 1.Implicações do processo de ensino aprendizagem 2.2.2.2. 1. 1. 2. Os profissionais da EAD .2. 2. 1.6. 2. Implicações do processo de ensino aprendizagem na Educação a Distância Atuação Docente 2.5. Conceitos: Educação x Ensino x Aprendizagem Implicações do processo de ensino aprendizagem na Educação Básica 2. Conceitos e definições de Educação a Distância Breve histórico da Educação a Distância A EAD no Brasil Regulamentação Papel da educação à distância no ensino superior brasileiro Crescimento da EAD no Brasil Características da EAD 13 Capítulo II .2.3.2.3.1.2.4.2.2.5.1.2. Elementos que Interferem negativamente na aprendizagem do Ensino Superior 2. Principais dificuldades ensino-aprendizagem na Educação Básica 2.2.2.A Educação à Distância .2.5. 2.2.6.5.7.1. 1.3.1.5.2. Terminologias e Definições aplicadas à dificuldade de aprendizagem na Educação Básica 2.

Evasão no Ensino Superior 2.1.12 2. Pesquisa Bibliográfica 3.1. Demonstração das alegações apresentadas na Evasão ou troca de curso 4.2.1.7.7. Evasão no Ensino a Distancia 2.1.3 Demonstração das afinidades com disciplinas que envolvam cálculos matemáticos 4. Considerações Finais Referências Bibliográficas Anexos .6.2.1. Metodologia do Trabalho 3.4.7.3.1. Implicações do processo de ensino–aprendizagem da Matemática Evasão 2.7. Pesquisa Aplicada Capítulo 4 – Pesquisa de Campo 4. Estatísticas de Evasão e dificuldades de aprendizagem em Matemática 4.1. 2. Demonstração da formação Inicial das turmas 4.5.3 O papel do professor universitário na educação a Distância 2. Demonstração dos fatores de aprovação e desaprovação das disciplinas que envolvam cálculos matemáticos em disciplinas presenciais e à distância.2. Pesquisa sobre Evasão em de Educação à Distância Capitulo 3 – A Metodologia 3.1.5. Demonstração das principais dificuldades do processo de ensino aprendizagem da Matemática 4.1.3.

13 INTRODUÇÃO A evasão universitária tem se caracterizado como uma realidade recorrente no âmbito do ensino de graduação. ocasionando os primeiros estudos e debates sobre o tema. O estado da arte para o estudo sobre as possíveis causas da evasão e a análise dos dados coletados encontrou apoio nos estudos de Tinto (1975). As formas de acesso e permanência dos alunos nos cursos superiores têm preocupado pesquisadores e gestores no mundo inteiro. que estudaram as possíveis causas para a evasão nos cursos superiores nas modalidades presenciais e a distância. É notório que no Brasil. Coelho (2001). ANDRIOLA. de disciplina só para alguns. de inacessibilidade. O ensino de Matemática é sempre um desafio para qualquer educador da área. Vargas (2004) entre outros autores. Porém. no entanto. muitos entraves se colocam entre o aluno que ingressa e o aluno que conclui um curso de graduação. 1996. Amidami (2004). . que norteou o foco de pesquisa deste trabalho. 2003). manifestou preocupações com o assunto. quer seja na universidade pública ou privada. teve início a partir de 1972 (BRAGA. tanto na modalidade presencial quanto na modalidade à distância. em que ela aponta a formação básica “deficiente” como um aspecto gerador de evasão. por meio das universidades públicas. A preocupação governamental com a evasão no ensino superior. Atualmente a Matemática é imagem de disciplina de insucesso. quando o Ministério da Educação/MEC. foi o trabalho de Amidami (2004).

Para outros. Tal como não é novo o grande desconforto e mal estar que eles provocam tanto para quem aprende quanto para quem ensina. associada à análise estatística de dados (pesquisa aplicada). Dados estes obtidos com um grupo de alunos de um curso de Gestão Tecnológica e que cursam disciplinas presenciais e à distância simultaneamente. o objetivo geral deste trabalho é estabelecer uma análise da confluência da Matemática como um dos indicadores de evasão. Dado que a Matemática desempenha um papel de tal forma central na cultura moderna. na lógica e na criatividade. pretende-se: . e é estudada tanto pelas suas aplicações práticas como pelo seu interesse teórico. este mal parece aumentar. e não só para os matemáticos profissionais. compreender a natureza do pensamento matemático e familiarizar-se com idéias e técnicas matemáticas essenciais. o valor essencial da Matemática é a sua aplicação à própria atividade. os problemas que se levantam ao ensino da Matemática e disciplinas que envolvam sua aplicação não são novos. um conhecimento básico da natureza da Matemática é um requisito da instrução científica. incluindo muitos cientistas.Identificar as principais dificuldades do processo ensino aprendizagem da Matemática. Para alcançar esse requisito. No entanto.14 A Matemática assenta. a essência da Matemática reside na sua beleza e no seu desafio intelectual. Portanto.Levantar as principais alegações. . Para algumas pessoas. Assim. . os estudantes precisam entender a Matemática como uma parte do empreendimento científico. O estudo foi desenvolvido através de uma revisão acadêmica (pesquisa bibliográfica).

e corroborando com trabalhos já existentes na área. busca-se contribuir na busca de caminhos que facilitem a implantação de estratégias nas IES (Instituições de Ensino Superior) que busque formas para se evitar a evasão. Neste sentido. didáticos e pedagógicos.Analisar. . do professor/tutor e recursos técnicos.15 . à luz da literatura que dispõe sobre o assunto. .Estabelecer uma relação entre os fatores de aprovação e reprovação das disciplinas que envolvam cálculos matemáticos quanto ao perfil do aluno. os fatores apontados como motivadores da evasão.

622.16 Capítulo I A Educação à Distância . ao longo do tempo. com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversas. que regulamenta os cursos a distância no Brasil. de estudos externos. da Lei de Diretrizes e Bases (LDB). na Espanha. que regulamenta o Art. nos Estados Unidos. Entre os conceitos de educação à distância podem ser destacados os seguintes: “A EAD é uma modalidade de educação em que professores e alunos estão separados. é mais conhecida por ensino à distância ou simplesmente EAD.EAD 1. vem recebendo diversas denominações. na sua mediação. de tele-educação. ou seja. de estudo em casa ou independente. encontra-se em distâncias geográficas diferentes e existência da tecnologia e de meios eletrônicos para a distribuição dos conteúdos educacionais. Utilizam-se também diversas definições para a educação a distância. do MEC. Conceitos e definições de Educação a Distância A Educação a Distância. No Reino Unido. . O Decreto 5. de 2005. conceitua este tipo de ensino como “a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. em Portugal. No Brasil. planejada por instituições e que utiliza diversas tecnologias de comunicação” (Maia e Mattar.494/98). de estudo ou ensino à distância. de tele-ensino ou ensino à distância. ela costuma ser aplicada na forma de educação por correspondência. na Austrália.6).1. na França. educação à distância. focando um modelo educacional em os atores do processo (professor e aluno) não se encontram fisicamente no mesmo local. 2007. na Alemanha.” Esse decreto revoga o Decreto 2. 80 da Lei 9394/96 (LDB). p.

17 “Educação a distância é o aprendizado planejado que ocorre normalmente em um lugar diferente do local do ensino. o CD-ROM. . interligados por tecnologias. 2002. o rádio.2). educação a distância é a separação física entre professores e alunos. como a Internet.1) Para Keegan (apud Saito. p. o fax e tecnologias semelhantes. pois há autores que afirmam que ela é oriunda do século XVIII. e o ensino de modo individual. (MORAN. estreitando relações através da nova sociedade que vive conectada a uma rede numa relação totalmente nova entre espaço e tempo. p. o referido autor criou um plano sobre a EAD que vem sido referenciada até os dias de hoje: a separação definitiva e permanente entre professor e aluno no processo de aprendizagem. Assim. o vídeo. com encontros ocasionais pessoais ou eletrônicos. fisicamente. a contribuição da instituição de ensino no planejamento e preparação dos materiais didáticos. oferecidos por anúncios de jornais. principalmente as telemáticas. mediado por tecnologias. 2000). comunicação por meio de várias tecnologias e disposições organizacionais e administrativas especiais” (Moore e Kearsley.2. a função da mídia tecnológica para unir professor e aluno e transportar o conteúdo do curso. 2007. a EAD não é uma prática recente. exigindo técnicas especiais de criação do curso e de instrução. a televisão. mas podem estar conectados. Breve histórico da Educação a Distância O avanço tecnológico trouxe a rapidez no trânsito de informações. desde os anos 1720. onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. É ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos. 1. Maia e Mattar (2007) informam que há registros de curso de taquigrafia (escrita abreviada) à distância. Em 1986. Educação a distância é o processo de ensino-aprendizagem. Contudo. Mas também podem ser utilizados o correio. o telefone. as tecnologias de informação e comunicação (TICs) são essenciais para o avanço e a difusão do conhecimento. a comunicação bidirecional para facultar a participação do aluno.

o modelo passou por diversas fases. enquanto os dois últimos falam de cinco. As diferentes etapas da EAD são as seguintes: . Tal distinção é feita de acordo com o uso das tecnologias e mídias utilizadas e a forma como é ministrada. ao universo de alunos. essa modalidade de ensino se desenvolveu exponencialmente. É assim que autores como Maia e Mattar (2007) e Moore e Kearsley (2007) dividiram a história da EAD em diferentes gerações. inicialmente foi usado como apoio ao ensino tradicional e somente na década de 1940 transformou-se num verdadeiro veículo da EAD. Landim (1997) informa que o rádio. Com efeito. mas iniciando oito anos depois. o ABRAEAD (2005). que teve as suas primeiras matrículas em 1970 e começou a ministrar cursos um ano depois. devido a mudanças ocorridas em tecnologias e mídias. A educação à distância. Demonstrando que o ensino a distância. Entretanto. Mas.18 Landim (1997:2) confirma a informação que existe EAD desde o século XVIII. às NTICs. em sua edição de 20 de março de 1728. A partir de então. A autora diz que a Gazeta de Boston. sempre se adaptando ao tempo. a Open University. a formalidade da EAD aconteceu mais de cem anos (século XIX) após os registros iniciais. Os dois primeiros autores mencionam três gerações. O anuário considera que a EAD foi à modalidade educacional que mais aperfeiçoou sua metodologia. mostrando que a educação é um processo focado nas necessidades do aprendiz. informa que o surgimento de instituições precursoras em ensino a distância data dos anos 1850. o que veio a acontecer na década de 1960. por volta de 1840. e se espalharam pela Europa e os Estados Unidos. é uma realidade bem antiga. apesar de se iniciar informalmente. vem se adaptando. oferecia num anúncio: “material para ensino e tutoria por correspondência”. Tornando-se possível separar essa modalidade educacional em fases. Com a invenção do rádio nos anos 1910 e da televisão na década de 1930 foi aberto o caminho para as universidades abertas. Saito (2000) ressalta que as primeiras instituições com esse tipo de ensino surgiram na Inglaterra. A primeira apareceu em 1969 na Inglaterra.

Nesse ano. Surgiu. . formalmente. Outras experiências de educação à distância por correspondência também ocorreram em outros países. 2007). impulsionando o ensino por correspondência. entusiasmadas pela criação do Open University britânica. Segunda geração .19 1. mesmo nos países mais desenvolvidos. também era chamado de estudo em casa pelas primeiras escolas com fins lucrativos e estudo independente. à medida que os países desenvolveram seus sistemas postais (Moore e Kearsley. Iniciativas similares ocorreram ao redor do mundo. levando à criação de uma escola de idiomas por correspondência. Fundado em 1881. Isaac Pitman utilizou o sistema postal nacional de ensino para ensinar seu sistema de taquigrafia. centros de estudo e realizaram diversas experiências pedagógicas. as fitas de áudio e vídeo e o telefone marcaram essa fase. televisão. o francês Charles Toussant e o alemão Gustav Langenscheidt deram início ao intercâmbio do ensino de línguas. mídias e universidades abertas: o aparecimento de novas mídias e tecnologias como a televisão. A resistência em relação a cursos universitários a distância destacava-se. obter instrução de um professor à distância. Denominado usualmente como estudo por correspondência. foi rebatizado de Chautaugua College of Liberal Arts. Em 1850. pela primeira vez. Esses ensaios fizerem crescer o interesse pela EAD. em meados do século XIX. audiocassetes. o rádio. As pessoas que desejavam estudar em casa ou no trabalho poderiam. pelas universidades. com poucas experiências duradouras.cursos por correspondência: o histórico da educação a distância tem início com os cursos de instrução que eram entregues pelo correio. em 1840. As universidades abertas utilizavam intensamente rádio. em 1883. 2. A primeira iniciativa que utilizou a correspondência em cursos de educação superior ocorreu no Chautauqua Correspondence College. 1993). foi autorizado pelo Estado de Nova York a conceder diplomas e graus de bacharel por correspondência (Bittner e Malory. a partir do desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação (trens e correio).novas tecnologias. Primeira geração . Surgiram as universidades abertas de ensino a distância. Na Grã-Bretanha.

a Central Radio and TV University na China. Terceira geração . 3. a Universidad Nacional de Educación a Distancia (Uned) na Espanha. a Indira Gandhi National Open University na Índia. o crescimento acelerado da Internet revolucionou a história da educação à distância. . O espaço virtual (por meio da rede) da aprendizagem digital (informação transformada em números. instituindo a EAD on-line. flexível quanto ao currículo e às estratégias de aprendizado. a University of South África (Unisa). som e imagens. em 1964. da University of Wisconsin. Segundo Turban. Em 1995. centrado no aluno. participativo. as duas experiências mais importantes desse tipo de ensino foram o Projeto Mídia de Instrução Articulada (AIM – Articulated Instructional Media Project). a Universitas Terbuka na Indonésia. a Universidade Aberta de Portugal. informações divulgadas por meio da informática e da telefonia. não era exatamente uma universidade aberta. A intenção era incorporar várias tecnologias de comunicação para oferecer um ensino de alta qualidade com custo reduzido a alunos não-universitários. Destacam-se o Centre National d’Enseignement à Distance (CNED) na França.EAD on-line: esta fase trouxe a utilização do videotexto. baseado no resultado. As mídias dessa geração ainda convivem. Para esses autores. e a Universidade Aberta da Grã-Bretanha. surgiu um ensino-aprendizagem aberto. Rainer e Potter (2005) “rede é um sistema de conexão. interativo (comunicação nos dois sentidos). Enquanto Maia e Mattar (2007) falam de universidades abertas na segunda etapa. Moore e Kearsley (2007) se referem a essa forma de ensino na terceira geração. criada em 1946. em 1969. no início. dados em rede conectados por links e de redes de computadores. isto é. apesar de predominar o uso da Internet. a FernUniversität in Hagen na Alemanha. que permite o compartilhamento de recursos por diferentes computadores”. do microcomputador. Com a educação on-line. mas que. da multimídia. que integra texto. na verdade a pioneira. em muitos cursos a distância. baseado na rede) tornou-se uma realidade. do hipertexto. ou seja.20 As Megauniversidades (as maiores em número de alunos) abertas à distância começaram a se alastrar pelo mundo. com ou sem fio.

foi a de áudio-conferência (conferência eletrônica à distância por meio exclusivo do som).uso da teleconferência: Moore e Kearsley (2007) referem-se a esta fase. ou seja. nessa época. por Moore e Kearsley (2007).3. A EAD no Brasil No Brasil. a história da Educação a Distância tem seu primeiro capítulo dedicado aos esforços isolados dos idealistas que se lançaram à aventura de colocar os meios de comunicação a serviço da educação. por Roquete Pinto. assinala também essa etapa da EAD nesse país. A EAD era suportada pela teleconferência nesse país nos anos 1970 e 1980. Porém. A era do satélite de comunicações iniciada nos Estados Unidos. de um plano sistemático de utilização educacional da radiodifusão como forma de ampliar o acesso a educação. marcada pelo uso da teleconferência (conferência eletrônica simultânea à distância). entre 1922 e 1925. 5. Quarta geração . educação on-line é apontada por Maia e Mattar (2007) na terceira geração 1.21 4. Quinta geração . com ênfase para aulas virtuais baseadas no computador e na Internet. A primeira tecnologia utilizada na teleconferência em ampla escala. Alguns projetos que acompanharam a trajetória do EAD no Brasil merecem destaque: . O início se deu a partir do surgimento e da disseminação dos meios de comunicação. Considera-se como marco inicial a criação. Uma das primeiras universidades norte-americanas a fazer experiências com a transmissão de programas educacionais com o uso do satélite (transmissões digitais ponto a ponto) foi a University of Alaska. ao que parece exclusiva dos Estados Unidos. com o lançamento do satélite Early Bird. que oferecia cursos de educação continuada para professores. a seis de abril de 1965.ensino por computador e Internet: ainda se distingue uma quinta geração da EAD. a utilização do computador e da Internet na educação. fundador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

O projeto propunha desenvolver um experimento com utilização ampla dos meios de comunicação de massa para fins educativos. A programação era voltada para as quatro primeiras séries do ensino primário e para a habilitação de leigos. o projeto oferecia mecanismos constantes de feedback aos alunos. produziu e veiculou programas de apoio a alunos e professores das últimas séries do ensino fundamental. Adquirida pelo Governo de São Paulo em 1967.O Projeto Minerva. por meios de textos de instrução programada e um sistema de correção de testes por computador. O Governo do Rio Grande do Norte e o Ministério da Educação.O Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares (Projeto Saci) foi concebido e operacionalizado em caráter experimental entre 1967 e 1974 por iniciativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). situado em São José dos Campos (SP) teve dificuldades em continuar com o projeto. transmitido pela Rádio MEC. . oferece cursos por correspondência. . . com filial no Rio de Janeiro e Brasília. é um dos pioneiros no ensino a distância no País. com o objetivo de promover atividades culturais e educacionais por meio de rádio e TV. com apoio de material impresso.O Instituto Universal Brasileiro. em convênio. A transmissão por satélite foi abandonada. Foram utilizados telepostos mantidos pela própria Fundação ou por entidades particulares. A Tele-Escola da Fundação Padre Anchieta. Fundado em 1941. o INPE. Além da idéia de usar rádio e televisão por satélite. de São Paulo. Esse projeto tinha como objetivo estabelecer um sistema nacional de tele-educação com uso de satélite. permitiu a milhares de pessoas realizarem seus estudos básicos. A partir de 1975.A experiência pioneira no Brasil em televisão educativa foi realizada pela Fundação Padre Anchieta. porém a experiência prosseguiu com o uso da televisão e emissão por rádio. deram continuidade ao projeto. . sediado em São Paulo. .O ensino por correspondência é utilizado pela Marinha desde 1939.22 .

com uma atuação em nível ginasial.A Fundação Padre Landell de Moura (Feplan). criou um Curso de Especialização Didática Aplicada a Educação Tecnológica. anos) do ensino fundamental.A televisão Educativa do Ceará teve início em 1974. possibilita ao professor cursista o acesso a alguns referenciais teórico-práticos. vem oferecendo desde o final da década de 70. com foco de atuação no interior do Estado. utilizando metodologia de ensino pelo rádio e por correspondência. e 9º. para brasileiros que residem temporariamente fora do País. com sede no Rio de Janeiro.O Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia ocupa lugar de destaque na história da tele-educação brasileira por sua iniciativa pioneira. Desenvolveu o Projeto Tele-Ensino para alunos de 5ª. em 28 países. séries (atuais 6º. O material utilizado era produzido pela TV Cultura de São Paulo. a 8ª. em 1969. A TVE do Ceará presta serviços às Secretarias Estadual e Municipal de Educação. em meados da 1970. postos de recepção para o curso ginasial em integração com as atividades radiofônicas educativas. . . . . . . Utilizando a modalidade de EAD. cursos por correspondência em nível de ensino fundamental e médio. desenvolve expressiva programação educativa.O sistema de Televisão Educativa do Maranhão teve início em 1969. sediada em Porto Alegre. mediante convênio.Criado em 1975. sendo o único experimento que integrava a TVE ao sistema educacional formal. . instalando.23 . em uma iniciativa conjunta com a Secretaria de Educação Média e Tecnológica do MC. desde 1967.Uma das primeiras experiências universitárias de educação a distância no Brasil foi iniciada pela Universidade de Brasília – UnB. o Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro.O colégio Anglo-Americano.

oferece cursos profissionalizantes. iniciou suas atividades em EAD em 1976. é uma das maiores iniciativas de EAD. Neste departamento. a TV Escola da Secretaria de Ensino a Distância do Ministério da Educação (MEC) que vai ao ar diariamente. com a criação de um Sistema Nacional de Teleducação. vem desenvolvendo vários programas de ensino a distância.A Multi-Rio.O Laboratório de Ensino a Distância do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). ao 9º. em convênio com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). grau e o Supletivo de 1º. 14 horas por dia. . Entre 1976 e 1988.Implantada em março de 1996. anos do sistema municipal de ensino. além da parte de educação geral. voltada para a formação profissional no setor de Comércio e Serviços. utilizando material institucional adaptado pelo seu Departamento Nacional. empresa de multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro. grau. o Centro Nacional de Ensino a Distância.O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). em operação no País. . Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Serviço Social da Indústria (SESI). Baseia-se em disseminação de material didático via TV. criado em 1995. desde 1977. O primeiro curso oferecido foi o de Mecânica. foi criado. . atua na área de EAD e vem realizando um trabalho dirigido a alunos e professores do 6º. Iniciou seu Telecurso de 2º.A Fundação Roberto Marinho (FRM). Em 1994.24 . em 1995. Esta série. . . concebeu e produziu o Telecurso 2000. oferece cursos de Pós-Graduação – Lato e Stricto Sensu – cursos de extensão em todas as áreas de engenharia de produção e áreas afins em várias cidades do Estado de Santa Catarina com aulas ministradas a distância. instituição sem fins lucrativos. a partir de material já existente na Instituição. complementado por atividades presenciais ou de interação à distância. foram oferecidos cerca de 40 cursos.

Apesar de a LDBEN representar um grande avanço em relação às tentativas 1 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . é atualmente composto por 62 universidades públicas brasileiras e visa colocar o ensino a distância no Brasil em um alto patamar tanto de qualidade quanto de quantidade de cursos e atividades ofertadas. Regulamentação A legalização da Educação a Distância deu-se somente a partir da década de 60. televisão. destinado a desenvolver cursos e programas on-line em todos os níveis nas áreas de negócios. entre outras. apresentando condições de certificação e admitindo a sua existência em todos os níveis de ensino. também foi lançada a Universidade Virtual Brasileira. via Internet. fato que só veio a ocorrer na década de 90 com a publicação da Lei 9. Assim. turismo. As primeiras iniciativas em Ensino Interativo nessa Universidade começaram com o Projeto Atue On-Line. que abria a possibilidade para que o ensino supletivo fosse ministrado mediante a utilização do rádio. Em 2000. comunicação e artes. Essas tentativas de legitimação dos processos em EAD não possibilitaram a consolidação de um sistema de ensino baseado nessa modalidade de ensino.A Universidade Anhembi-Morumbi é pioneira na experimentação de um curso de moda à distância.O Consórcio Uniredes. marketing.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – que em seu Art. passou a integrar a Universidade Virtual Brasileira. correspondência e outros meios de comunicação. 1. cuja proposta foi lançada em dezembro de 1999 e formalizada em janeiro de 2000. Em 2000. um consórcio que reúne universidades privadas de todo o Brasil. .4. 80. em 1997.25 . iniciaram-se tentativas de organização e normatização das experiências em EAD com a promulgação da 1LDBEN 5692/71. título VIII traça diretrizes gerais sobre a Educação a Distância.

494. A educação a distância deixou de ser apenas uma alternativa ao ensino presencial para assumir um papel fundamental no processo educativo brasileiro. de 10 de fevereiro de 1998 (que reconhecia a EAD como uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem). de que a aprendizagem está restrita a salas de aula fechadas. quase uma década depois.5.26 anteriores de normatização e direcionamento da EAD. foram definidas políticas de orientação e direcionamento a essa modalidade de ensino com a promulgação do Decreto Lei Nº 5. Se no Decreto anterior (nº 2.561. Papel da educação à distância no ensino superior brasileiro A EAD está conquistando seu espaço a cada ano que passa. Tal realidade confirma que o aprendizado a distância é uma forma de ensino que não fica devendo nada à educação convencional. 1. afirmando em seu Art.494. e regulamentou o Artigo 80 da LDBEN. isoladas. dispondo sobre os atos de credenciamento dos cursos à distância).494. 11 e 12 do Decreto anterior – 2. rompendo com os velhos paradigmas educacionais. 1º: A Educação a Distância caracteriza-se como uma modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos (DECRETO 5. de 10 de fevereiro de 1998) ela era tida como uma forma de ensino que possibilita autoaprendizagem. A análise desse artigo oportuniza o esclarecimento quanto à mudança que serve de padrão em relação ao ensino e aprendizagem e que são flexibilizados pelos fatores tempo e espaço. Ambas as modalidades de ensino têm o mesmo objetivo: oferecer uma educação de qualidade em qualquer nível educacional. no Decreto atual ela é reconhecida como modalidade educacional cuja mediação pedagógica possibilitava o desenvolvimento de atividades educativas em espaços e tempos distintos.622 de 19/12/2005). e Nº 2.622 de 19/12/2005 que revoga os Decretos Nº 2. . de 27 de abril de 1998 (alterou os Art. somente em 2005.

alunos e instituições. o público da EAD é ilimitado. hoje. Desta forma. principalmente adultos. a aprendizagem on-line torna-se cada vez mais central para a educação superior no mundo inteiro. mas também em instituições que oferecem o ensino presencial. Agora é possível que as IES integrem ensino a distância com o tradicional sem perda da qualidade. e as que trabalham em horários alternativos ou viajam sempre. portanto. Maia e Mattar (2007) lembram que ela exerce um papel crucial na democratização do acesso ao conhecimento. mestrado e doutorado. defendem o uso da educação online no ensino superior. pelo MEC. Ainda ajuda um grande número de alunos. reduzindo a distinção entre estes métodos de educação. Autores. para a firmação no domínio profissional. Eles acreditam que é preciso criar neste nível de ensino a cultura do aprendizado on-line em professores. Não apenas em contextos de EAD.27 Em princípio. a qualidade do ensino e o reconhecimento profissional e salarial dos envolvidos na educação. Porém. no entender de Bacha (2003). É notável que a educação caminhasse para uma integração desses dois sistemas de ensinoaprendizagem. as que moram onde não é possível estudar presencialmente. graduação. no sentido de exigir uma qualidade que atende aos princípios de uma educação democrática e transformadora. . autorizados. sem condições para sujeitarem-se ao rigor dos horários e locais das escolas presenciais. adicionando justiça social. Com efeito. a continuar seus estudos ou a aperfeiçoar-se. é imperativo. Para isso. Além disso. Só assim será aproveitada a oportunidade para oferecer cursos superiores à distância nos níveis seqüenciais. é preciso um sistema adequado de avaliação externa que estimule a atualização dos cursos. também uma permanente atuação do poder público. especialização. defende o autor. a educação a distância é uma excelente possibilidade para ter acesso a novos conhecimentos importantes hoje. O rigor acadêmico deve estar sempre nas preocupações dos órgãos normativos e fiscalizadores dos sistemas. como Moran (2003) e Lea (2006). A EAD beneficia várias pessoas: as incapacitadas (por deficiências físicas) de freqüentar instituições convencionais de ensino.

099 alunos em 108 instituições credenciadas.500 alunos em uma universidade estadual.Instituições particulares: 551.Instituição pública com ensino pago: 92.6.Instituições públicas com ensino gratuito: 67. .Para cursos de graduação e lato sensu: 145.761. .28 1. no primeiro semestre de 2009.Instituições credenciadas: . uma estimativa de crescimento no número de alunos e de instituições que ofereceram cursos na modalidade a distância em 2008. .Cursos lato sensu: 32. estaduais e institutos federais.860 alunos em 49 instituições.600 alunos em 48 universidades federais. . Crescimento da EAD no Brasil O MEC divulgou.Instituições comunitárias: 49.Total de IES credenciadas: 177. .139 alunos em 11 instituições. . conforme informações abaixo (Censo EAD BR 2010): . . .

Quantidade Instituiçõe Estado Nordeste Norte Centro-oeste Nível Educacional Educ. nível educacional e natureza jurídica. nível educacional e natureza jurídica. 38 31 13 10 19 23 88 57 39 58 197 179 Fonte: Censo EAD BR 2010 Natureza Jurídica Pública 47 15 17 41 21 141 Privada 22 08 25 104 76 235 Sudeste Sul Total s Nº Inst. bás. Educ. sup.29 Tabela 1: Número de alunos em instituições credenciadas por região. Fonte: Censo EAD BR 2010 Tabela 2: Número de instituições credenciadas que ministram cursos a distância por região. 69 23 42 145 97 376 Tabela 3: Série histórica: número de matrículas EAD em graduação .

30 Fonte: Censo EAD BR 2010 Gráfico 1 .

2010) Fonte: Censo EAD Br. 2010 Gráfico 2 .31 Tabela 4: Série histórica: número de instituições de EAD para cursos de graduação (Censo EAD Br.

2010 Gráfico 3 .32 Tabela 5: Série histórica: número de cursos de EAD para graduação Fonte: Censo EAD Br.

79%.Condições de cumprir sua missão para atuação em EAD. A tabela 3 demonstra o crescimento no número de matrículas ao longo dos anos.85%) bem como o aumento de 40.5%). projetos e cursos na modalidade EAD.8% no número de cursos oferecidos para os cursos de graduação na modalidade EAD. De acordo com a tabela. a SEED criou alguns mecanismos que englobam os principais pontos a seguir: Dimensão 1: organização institucional para EAD . Enquanto a região Sudeste concentra 42.944%. Embora o MEC/SEED (Ministério da Educação / Secretaria de Educação a Distância) possua claras diretrizes para o desenvolvimento da educação a distância no Brasil. afirma que o rigor no credenciamento e o constante acompanhamento das instituições que oferecem esta modalidade de ensino é fundamental para que seja garantida a qualidade nos cursos. gerando um significativo grau de preocupação no que se refere à qualidade dos cursos oferecidos. De 2000 a 2002. a concentração na região nordeste corresponde a 6. é possível visualizar o significativo aumento no número de instituições credenciadas (13.8% dos alunos. houve o excepcional crescimento de 21. houve um crescimento de 2. Quando se fala especificamente de instituições credenciadas (tabela 2). Sendo assim.33 A tabela 1 demonstra a concentração de alunos na modalidade EAD por região. a região Sudeste concentra o maior número de alunos na modalidade EAD se comparado com a região Nordeste. mantém-se a concentração na região Sudeste (38. a SEED. o grande crescimento ocorrido na metade da década de 2000 superou as expectativas. Nas tabelas 4 e 5. De 2000 para 2007.Condições para implementação do planejamento de programas.420%. . A série histórica compreende o período de 2000 a 2007. Para isso. .

Existência de uma política para formação e capacitação permanentes do corpo técnico e administrativo.Política de incentivo à produção acadêmica.Condições de cumprimento do Plano de Gestão em caráter administrativo e acadêmico. aplicado periodicamente.Comprovação da existência de processo adequado de avaliação institucional. a fim de garantir reflexões e debates. .O coordenador de EAD deve possuir doutorado e experiência de magistério superior de. . .Existência de programas para formação e capacitação permanente dos tutores.34 . . .Existência de regras que permitam a representação ampla de professores. tutores e estudantes. responsável pela gestão acadêmica operacional da modalidade EAD. no mínimo.Existência de programas para formação e capacitação permanente dos docentes.Existência de uma unidade específica. no mínimo 4 anos. Existência de. 3 anos de oferta de cursos à distância. . sendo pelo menor 3 anos em EAD. . - Dimensão 2: corpo social . .

além de ampliar o acesso à educação superior pública. incluindo multimídia. ventilação. iluminação. à educação à distância possuía alguns propósitos. acústica. a SEED utiliza a Universidade Aberta do Brasil (UAB) como indutor de boas práticas de qualidade. meio cultural e natural dos alunos. e combinar o ensino com trabalho.Comprovação da existência de recursos audiovisuais. distância ou incapacidade física. 1.Democratizar o acesso à educação: oferecer educação para todos. ou seja. proporcionar chance àqueles que estejam em desvantagem por limitação de tempo. . conservação e comodidade necessárias à atividade proposta. evitando êxodos que incidissem negativamente no desenvolvimento regional. levando os cursos às diferentes regiões do País.As instalações administrativas envolvidas nas atividades EAD devem atender aos requisitos de dimensão. Além desses mecanismos. A Universidade Aberta do Brasil é um projeto desenvolvido entre o MEC.35 Dimensão 3: instalações físicas . Fazer a educação chegar a públicos-alvos específicos. segurança. . Landim (1997) e Moore e Kearsley (2007) apontam algumas: .7. vida familiar. empresas estatais e a Associação dos dirigentes das Instituições Federais de Ensino. Propósitos e Características da EAD Ao surgir no cenário educacional. limpeza. Seu objetivo é desenvolver a modalidade do ensino a distância no País com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior. em locais onde não haja instituições convencionais de ensino. promover a igualdade de oportunidades educativas por meio de treinamento e atualização do aprendizado.

propiciar um sistema educativo inovador.Propiciar uma aprendizagem autônoma e ligada à experiência: estimular a formação diferente do contexto da sala de aula. incentivar o aluno a estudar e pesquisar de modo independente e fortalecer o aprendizado colaborativo.Promover um ensino inovador: diversificar e ampliar as ofertas de estudos e cursos regulares ou não. bem como oferecer estratégias adequadas e instrumentos para a formação permanente. com satisfação pelo esforço pessoal. Landim (1997). fazendo-os se conscientizar da importância da aprendizagem autônoma. Belisário (2003). reciclagem e aperfeiçoamento profissionais. fomentar a autodeterminação dos alunos. A EAD tem se desenvolvido ao longo dos tempos com suas próprias peculiaridades que lhe são inerentes. causados pela produção de materiais didáticos e apoio do sistema operacional. . propor uma independência de critério.Incentivar a educação permanente: satisfazer a crescente demanda e as aspirações dos diversos grupos com a promoção de atividades de extensão educacional e cultural. e Soares (2003) assinalam as seguintes características dessa modalidade educativa. . tornar os alunos agentes próprios de sua formação e o professor orientador e facilitador. . . capacidade para pensar. diminuir os custos iniciais considerados altos. trabalhar e decidir por si mesmo.Uso de recursos mediáticos e tecnológicos para unir professor e estudante.Reduzir os custos: procurar economia de escala.36 . . Comunicação massiva (grande quantidade) e com procedimentos industriais. Moore e Kearsley (2007). e alunos entre si. .Separação do professor e do aprendiz no espaço e/ou no tempo durante a maior parte do processo educacional. com meios didáticos e de multimídia.

ao invés do professor. . independente e flexível. assistência às aulas e tempo (quando estudar?) e ritmo (em que velocidade aprender?). pois é menos rígida sobre fatores como espaço (onde estudar?).Aprendizagem planejada.37 .Ensino fora do contexto da sala de aula com a utilização de apoio-tutoria. . . .Controle da iniciativa de aprendizagem pelo estudante.Fornecimento de comunicação em dois sentidos: entre o professor. o tutor ou a instituição com o aprendiz.

pois enuncia um novo saber”. mas também da sua capacidade de discernir e agir”. que criam e convergem para a formação de traços de um sujeito. para o desenvolvimento. São suas vivências. Somente com a educação é possível reduzir a pobreza.1. Assim. Segundo Freire (1996.38 Capítulo II Implicações do processo de ensino aprendizagem 2. pelo menos é assim que pensa Freire (1983). valores e conhecimento.106): “Educação ao longo da vida é uma construção contínua da pessoa humana. a violência e a exclusão social. 59). O saber se faz por uma superação constante. no que se aludi a sua personalidade. Paulo Freire Amplamente podemos considerar e definir que Educação é a junção de todas as experiências que constitui o ser. Conceitos: Educação x Ensino x Aprendizagem “A sabedoria parte da ignorância e não há ignorantes absolutos. De acordo com Delors (2006. E não haveria educação se o homem fosse um ser acabado. pg. Experiências estas de natureza formal e informal. . para a democracia. O autor acredita que este conceito aproxima-se do conceito de sociedade educativa favorável para aprender e desenvolver os próprios talentos. a educação tem caráter permanente. “um saber necessário à prática educativa é a inconclusão do ser que se sabe inconcluso devido à autonomia do ser do educando”. Educação sem esperança não é educação. que superada se transforma em uma nova ignorância. visto que as pessoas estão sempre se educando. pg. Freire (1999) salienta que a educação é um ato de amor e de coragem e defende uma educação para a decisão. do seu saber e das suas aptidões. para a responsabilidade social e política.

A idéia de desenvolvimento do educando nestas etapas que formam um conjunto orgânico e seqüencial é o do reconhecimento da importância da educação escolar para os diferentes momentos destas fases da vida e da sua intencionalidade maior já posta no art. Ensino é o ato de ensinar. E o art. Implicações do processo de ensino aprendizagem na Educação Básica A educação básica no Brasil ganhou contornos bastante complexos nos anos posteriores à Constituição Federal de 1988. as três etapas que estão sob esse conceito: a educação infantil. o ensino fundamental e o ensino médio. assumisse esse conceito já no § único do art. Lei nº 9.394/96. deve-se entender que ensino e aprendizagem são processos totalmente distintos. 2. 21 como um nível da educação nacional e que congrega. 11 ao assinalar a possibilidade de o Estado e os municípios se constituírem como um sistema único de educação básica. requer envolvimento do aluno no processo de receber a informação. articuladamente. Aprendizagem requer envolvimento entre as partes do processo. visando uma educação contínua e suprema. é a transmissão de informações. Mas a educação básica é um conceito. definido no art. assegurarlhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. A Constituição Federal de 1988. o processo de ensino aprendizagem tem sido estudado incessantemente sob os mais diferentes enfoques. 22 estabelece os fins da educação básica: A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando. no capítulo próprio da educação. é uma troca interativa.2. Porém. criou as condições para que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.39 Assim. 205 da Constituição Federal: .

transtorno. na definição de uma sociedade justa e democrática. A educação básica é um conceito mais do que inovador para um país que.40 A educação. dificuldade e/ou problema de aprendizagem é uma das mais inquietantes problemáticas no âmbito educacional.1. e é de uma visão do todo como base que se pode ter uma visão conseqüente das partes. Mas o art. a participação ativa e crítica do sujeito. A educação básica torna-se. de modo elitista e seletivo. 22 da LDB. E tal o é por ser indispensável. direito de todos e dever do Estado e da família. negou. pedestal. avançar. a fim de evitar uma interpretação dualista entre cidadania e trabalho e para evitar o tradicional caminho no Brasil de tomar a qualificação do trabalho como uma sala sem janelas que não a do mercado. o ensino fundamental é o seu tronco e o ensino médio é seu acabamento. . como direito social. pôr em marcha. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 4º da LDB. a seus cidadãos o direito ao conhecimento pela ação sistemática da organização escolar. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. A própria etimologia do termo base nos confirma esta acepção de conceito e etapas conjugadas sob um só todo.2. eós e significa. ao mesmo tempo. suporte. fundação e andar. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. acrescenta como próprios de uma educação cidadã tanto o trabalho quanto o prosseguimento em estudos posteriores. dos grupos a que ele pertença. 2. um direito do cidadão à educação e um dever do Estado em atendê-lo mediante oferta qualificada. Terminologias e Definições aplicadas à dificuldade de aprendizagem na Educação Básica A definição do que se considera como distúrbio. Base provém do grego básis. Resulta daí que a educação infantil é à base da educação básica. por séculos. dentro do art.

escrita. raciocínio ou habilidades matemáticas. Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo. Estas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central.41 Segundo Moojen (1999). os termos dificuldades. p. o uso da expressão distúrbio de aprendizagem tem se expandido de maneira assustadora entre os professores. fatores psicogênicos). instrução insuficiente/inadequada. retardo mental. Portanto. um distúrbio de aprendizagem obrigatoriamente remete a um problema ou a uma doença que acomete o aluno em nível individual e orgânico. fala leitura. teria o significado de. segundo Collares e Moysés (1992). alteração sensorial. problemas. obviamente localizada em quem aprende. para designar quadros diagnósticos diferentes. Distúrbios de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição. distúrbios e transtornos de aprendizagem têm sido utilizados de forma aleatória. tanto na literatura especializada como na prática clínica e escolar. não é resultado direto dessas condições ou influências. “anormalidade patológica por alteração violenta na ordem natural da aprendizagem”. 1992. (Collares e Moysés. 32) . A expressão distúrbios de aprendizagem. distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (por exemplo. a utilização desmedida da expressão distúrbio de aprendizagem no cotidiano escolar seria mais um reflexo do processo de patologização da aprendizagem ou da biologização das questões sociais. Na opinião das autoras. apesar da maioria desses profissionais nem sempre conseguir explicar claramente o significado dessa expressão ou os critérios em que se baseiam para utilizá-la no contexto escolar. diferenças culturais. De acordo com Collares e Moysés (1992).

ocasionou durante anos que tais crianças fossem ignoradas. 2000). Esse rótulo. Outra terminologia recorrente na literatura especializada é a palavra “transtorno”. segundo Ross (1979 apud Miranda. a utilização do termo “distúrbio de aprendizagem”. elaborado pela Organização Mundial de Saúde: O termo “transtorno” é usado por toda a classificação. intelectuais ou emocionais. “síndrome da criança hiperativa”. Segundo a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças . . “dificuldade de aprendizagem” ou “disfunção na aprendizagem. chama a atenção para a existência de crianças que freqüentam escolas e apresentam dificuldades de aprendizagem.” Para Collares e Moysés (1992). mal diagnosticadas ou maltratadas e as dificuldades que demonstravam serem designadas de várias maneira como “hiperatividade”. a sofrimento e interferência com funções pessoais (CID . sensoriais. surgindo como entidades nosológicas e com o caráter de doenças neurológicas.10. inclusive os Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81).89).42 No entanto. porém é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado. os distúrbios de aprendizagem seriam frutos do pensamento médico.10. 1992: 5). embora aparentemente não possuam defeitos físicos. na maioria dos casos. disfunção cerebral mínima”. todos os transtornos incluídos na categoria Transtornos do desenvolvimento psicológico (F80 . possuem os seguintes aspectos em comum: . “lesão cerebral mínima”. de forma a evitar problemas ainda maiores inerentes ao uso de termos tais como “doença” ou “enfermidade”.um início que ocorre invariavelmente no decorrer da infância. segundo o autor. Segundo o CID .10. “síndrome hipercinética”. “Transtorno” não é um termo exato.

A maioria dessas condições é mais comum em meninos que em meninas. 1992. p. 228). (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças .236).10. p.10: Na maioria dos casos. habilidades visuoespaciais e/ou coordenação motora. . .. sem nenhum período anterior de desenvolvimento normal. Eles não são simplesmente uma conseqüência de uma falta de oportunidade de aprender nem são decorrentes de qualquer forma de traumatismo ou de doença cerebral adquirida. Segundo o CID .. Quanto ao diagnóstico desses tipos de transtornos. 1992. Em relação aos Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81). as funções afetadas incluem linguagem. o CID . É característico que os comprometimentos diminuam progressivamente à medida que a criança cresce (embora déficits mais leves freqüentemente perdurem na vida adulta).a necessidade de diferenciar os transtornos de variações normais nas realizações escolares. o documento coloca que: (. pensa-se que os transtornos originam-se de anormalidades no processo cognitivo.um comprometimento ou atraso no desenvolvimento de funções que são fortemente relacionadas à maturação biológica do sistema nervoso central.10 alerta que existem cinco tipos de dificuldades para que esse seja estabelecido. a história é de um atraso ou comprometimento que está presente desde tão cedo quando possa ser confiavelmente detectado. que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica (CID . dos quais se destacam: .10. Ao contrário. Em geral.43 .um curso estável que não envolve remissões (desaparecimentos) e recaídas que tendem a ser características de muitos transtornos mentais.) são transtornos nos quais os padrões normais de aquisição de habilidades são perturbados desde os estágios iniciais do desenvolvimento.

comprometimentos esses que não são resultado direto de outros transtornos. . na idade de 7 anos é diferente do atraso de um anos aos 14 anos de idade.2. os problemas visuais ou auditivos não corrigidos ou as perturbações emocionais. os Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares são compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares. como o retardo mental. em primeiro lugar.9 .44 . pois. Em segundo lugar. por sua vez. dessa maneira.3 .a dificuldade de que as habilidades escolares têm que ser ensinadas e aprendidas: essas habilidades não são apenas resultados da maturação biológica e.Transtorno específico da leitura F81. a condição é a mesma ao longo do tempo.0 . as seguintes subcategorias: F81. não especificado De acordo com o CID . é comum que um atraso de linguagem nos anos pré .Transtorno misto das habilidades escolares F81.1 . mas seja seguido por um atraso específico na leitura.Transtorno específico de habilidades aritméticas F81. o significado de um atraso de um ano em leitura. .10. Os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares geralmente ocorrem junto .8 . os déficits neurológicos grosseiros.a necessidade de levar em consideração o curso do desenvolvimento. pode diminuir na adolescência. Fazem parte da categoria Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81).escolares desapareça no que diz respeito à linguagem falada.Outros transtornos do desenvolvimento das habilidades escolares F81. ou seja. o qual. embora eles possam ocorrer simultaneamente com essas condições. o nível de habilidades de uma criança dependerá das circunstâncias familiares e da escolaridade.Transtorno específico do soletrar F81. além de suas próprias características individuais. mas o padrão se altera com o aumento da idade.Transtornos do desenvolvimento das habilidades escolares.

a um ensino deficiente. disgrafia. Principais dificuldades ensino-aprendizagem na Educação Básica É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades. dislalia. segundo o CID . ou outros transtornos do desenvolvimento. tais como o transtorno específico do desenvolvimento da função motora ou os transtornos específicos do desenvolvimento da fala e linguagem. 2. devido à falta de interesse. É um fator diagnóstico importante que os transtornos se manifestem durante os primeiros anos de escolaridade. .45 com outras síndromes clínicas. mas supõe-se que exista a predominância de fatores biológicos. o atraso do desempenho escolar de crianças em um estágio posterior de suas vidas escolares. o transtorno de déficit de atenção ou o transtorno de conduta. a perturbações emocionais ou ao aumento ou mudança no padrão de exigência das tarefas. não podem ser considerados Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares. observando se são momentâneas ou se persistem há algum tempo. disortografia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).2. Portanto. como oportunidade para aprender e qualidade do ensino. porém. A dificuldade mais conhecida e que vem tendo grande repercussão na atualidade é a dislexia.10.2. é necessário estarmos atentos a outros sérios problemas: discalculia. como por exemplo. os quais interagem com fatores não biológicos. As possíveis causas dos Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares não são conhecidas.

está associada a letras mal traçadas e ilegíveis.46 2. Dislalia É a dificuldade na emissão da fala. letras muito próximas e desorganização ao produzir um texto. flacidez na língua ou lábio leporino. porque se o aluno faz trocas e inversões de letras conseqüentemente encontra dificuldade na escrita.2. 2. Disgrafia Normalmente vem associada à dislexia. porém ainda pouco conhecido.2. pois faz trocas ou omissões de letras. tornando-as confusas.2. apresenta pronúncia inadequada das palavras. não conseguem quantificar ou fazer comparações.4. Além disso.3.2. apresenta leitura lenta.2. de um modo geral os portadores não identificam os sinais das quatro operações e não sabem usá-los.2. Discalculia É a dificuldade para cálculos e números. Dislexia É a dificuldade que aparece na leitura. Estudiosos afirmam que sua causa vem de fatores genéticos. não entendem seqüências lógicas e outros. Esse problema é um dos mais sérios. mas nada foi comprovado pela medicina.2. impedindo o aluno de ser fluente. etc. Manifestase mais em pessoas com problemas no palato. .2.1.2. dá pulos de linhas ao ler um texto. 2. 2. inverte sílabas. não entendem enunciados de problemas. com trocas de fonemas e sons errados.

desmotivação para escrever. mas dando-lhe a oportunidade de descobrir suas potencialidades.47 2.2. tornando as aulas mais motivadas e dinâmicas. psicólogos e psicopedagogos. como agir em um curso a distância em que a relação professor-aluno se estabelece através da interatividade? . que devem ser feitos por médicos. aglutinação ou separação indevida das palavras. Disortografia É a dificuldade na linguagem escrita e também pode aparecer como conseqüência da dislexia. TDAH O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um problema de ordem neurológica.2. Professores podem ser os mais importantes no processo de identificação e descoberta desses problemas. que traz consigo sinais evidentes de inquietude. não rotulando o aluno. falta de percepção e compreensão dos sinais de pontuação e acentuação.2.6. porém não possuem formação específica para fazer tais diagnósticos.5. falta de concentração e impulsividade. Hoje em dia é muito comum vermos crianças e adolescentes sendo rotulados como DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção). desatenção.2. fatores que podem advir de causas emocionais. cabe aqui perguntar se estes procedimentos são difíceis presencialmente. 2. em que o professor está presente a todo instante. nervosismo e inquietação. É importante que esse diagnóstico seja feito por um médico e outros profissionais capacitados. porque apresentam alguma agitação. Suas principais características são: troca de grafemas. O papel do professor no processo se restringe em observar o aluno e auxiliar o seu processo de aprendizagem. Assim.

E nesse movimento de pergunta/resposta o produto é a projeção para o futuro. quase sempre.. p. corporal.1. às dúvidas que mais aparecem. Pimenta (2002. por sua vez.. informática etc.48 2. As dificuldades com a aprendizagem podem decorrer de diversas causas. de construção científica e de crítica ao conhecimento produzido. o ensino na universidade. 2. cujo domínio permite ao ser humano aprender todos os conhecimentos do mundo – a linguagem escrita. e os sintomas que aparecem.3.3 Implicações do processo de ensino aprendizagem no Ensino Superior O ensino superior não é um ensino descontextualizado. 97). não são dificuldades que se localizam dentro de um sujeito. Estas dificuldades. . e sim na relação entre ele e o conhecimento ou entre ele e aqueles que ensinam. De acordo com Pimenta (2002. enquanto reflexo. matemática. ou seja.164) continua afirmando que “. constitui um processo de busca. “a educação. visual. mas vem ao encontro dos anseios da sociedade. Elementos que Interferem negativamente na aprendizagem do Ensino Superior No contexto universitário. oral. na maioria das vezes. estão ligados ao uso do instrumental simbólico. ao mesmo tempo em que projeta a sociedade que se quer”. é sabido que as dificuldades de aprendizagem se revelam de uma forma muito peculiar. cartográfica. buscando responder às questões que mais intrigam. p. ao seu papel na construção da sociedade”. retrata e reproduz a sociedade. às necessidades de trabalho que precisam ser sanadas.

por sua vez. 359) afirma que: “o sucesso implica a superação de um obstáculo. Nele está contida a base da motivação da aprendizagem. todos os conteúdos são muito complexos... As situações fáceis ou difíceis são trampolim para o desinteresse e para a distração”.102). Para isso Fonseca (1995. 2002. Fernández (2001) afirma que o sucesso na aprendizagem está diretamente relacionado ao prazer de aprender. ele vai investir tempo e dedicação para compreendê-los. adaptações tanto em nível pessoal. À medida que alguém se torna autor. das experiências positivas ou traumáticas. a adoção de conhecimentos adequados às novas exigências com que os alunos se deparam. impossível de compreensão para o acadêmico que acredita não ser importante a busca da superação. no seu interior. a motivação que o acadêmico tem para estudar. uma vez que a autonomia é uma exigência básica e fundamental para a construção do conhecimento. se a motivação interior é pequena.91) diz que “a autoria de pensamento é condição para autonomia da pessoa e. resultando em pontos negativos. A não adaptação pode gerar dificuldades na aprendizagem. Se há. ao nela ingressar. No entanto.” (BORTOLANZA. O fato de estar na universidade significa que o acadêmico traz consigo uma vasta bagagem de experiências que se refletem na forma de encarar as diversas situações. poderá conseguir o mínimo de autonomia”. ou seja. esforço pessoal. A transição do ensino médio para o ensino superior implica. por mais difíceis e complexos que sejam os conteúdos. no que tange às tarefas de ordem acadêmica. p. O aluno que não tem opinião própria a respeito do cotidiano tende a enfrentar sérias dificuldades na vida acadêmica. além de ter formado sua “auto-imagem” que “é produto da história de cada um. p. vontade de aprender. a autonomia favorece a autoria de pensar. Fernández (2001a. . de todos os momentos da vida. A adaptação à universidade exige dos acadêmicos. ou seja.49 Dentre os fatores internos que interferem na aprendizagem. como social e acadêmico a uma nova realidade. p. Outro fator é a estrutura/personalidade do acadêmico.

.4. devido à necessidade de se ter atividades profissionais nem sempre suficientemente remuneradas para investir no ensino superior. Scoz coloca: . afetivos. percebidos dentro das articulações sociais (SCOZ.1994. “os instrumentos de avaliação estão diretamente ligados ao in\sucesso escolar visto que ainda está ligado à escola tradicional retardando a aprendizagem do aluno. identidade e projeto pessoal. o interesse é maior. o processo de aprendizagem pode ficar comprometido.. A opção pelo curso é fator que interfere na aprendizagem do acadêmico de forma que. sociais e pedagógicos. de reavaliar métodos de estudo. relação entre saber e poder. É preciso compreendê-los a partir de um enfoque multidimensional. da parte dos alunos.os problemas de aprendizagem não são restringíveis nem a causas físicas ou psicológicas. caso contrário. condições e história de vida. O ideal. é que primeiro freqüentassem o curso que realmente gostariam. não o que é mais barato e noturno. se for feita a opção pela vocação profissional. Assim acontece incompatibilidade de tempo para o estudo e trabalho. objetivando a construção do conhecimento. caracterizando-se pela utilização de uma multiplicidade de recursos pedagógicos. ambiente familiar e profissional. itinerário educacional”. em horário noturno. na qual apresenta excelentes possibilidades da modalidade para a educação permanente. cognitivos.. p. o que o obriga a freqüentar um curso de menor custo.50 Segundo Bortolanza (2002). Implicações do processo de ensino aprendizagem na Educação a Distância A EAD é considerada como uma modalidade de ensino com características específicas. Destaca-se que as condições socioeconômicas do acadêmico são um fator que interfere demais.22). que amalgame fatores orgânicos. nem às análises das conjunturas sociais. 2.

cobrando ou elogiando. .buscar em si mesmo e por conta própria a motivação necessária para realização do curso.estar consciente da necessidade de aprendizagem continuada pelo resto da vida. .estabelecer horários.Iniciativa . Diferentemente do aluno do ensino presencial.estudar de forma independente. não é bom para educação à distância. que tem todo um ambiente ao alcance dele.Automotivação .Responsabilidade . É preferível um aluno um pouco mais maduro. . De acordo com Belloni (2006. 39) “seja do ponto de vista dos paradigmas econômicos. Estudos mostram que há uma preocupação constante em tornar a EAD cada vez mais centrada no aluno.estudar de forma independente e posteriormente apresentar seus questionamentos e idéias.Disciplina .Persistência . O aluno que precisa do professor ao lado dele. autônomo. . .Organização . fazendo-se valer todas as dificuldades apresentadas no item acima. .cumprir os objetivos estabelecidos. Na EAD nos deparamos com o perfil do aluno como um dos fatores de relevância maior no processo de ensino aprendizagem. Alunos que apresentam características como: . reconhecendo seu ritmo e estilo de aprendizagem. o aluno que opta pela EAD possui algumas características próprias que são necessárias para estimular a percepção e a cognição do mesmo com a finalidade de prender sua atenção por longos períodos de estudo.51 Assim. p. seja desde a perspectiva das grandes definições”. esquemas e rotinas de estudo.

partindo das diferenças básicas entre o Ser-adulto e o Ser-criança". define aprendizagem autônoma como um processo de ensino e aprendizagem centrada no aprendente. Considerando o público adulto. com alguma educação superior em andamento. mais precário.52 Para saber quem é o aluno da educação a distância é necessário analisar algumas características que lhes são peculiares. Knowles (1995). preocupado com o bem-estar social da comunidade. p. Pode se. exigindo um trabalhador multicompetente. um trabalhador mais informado e autônomo. Trabalho mais responsabilizado. apud Palloff e Pratt (2004) diz que: O aluno on-line “típico” é geralmente descrito como alguém que tem mais de 25 anos. multiqualificado. 32). com maior mobilidade. no sentido de resolver problemas. está empregado. usando os princípios básicos da . Gilbert. Segundo Belloni (2006): As características fundamentais da sociedade contemporânea que mais têm impacto na educação são. podendo ser tanto do sexo masculino quanto do feminino. e diz ainda que o professor deva assumir-se como recurso deste aprendente. mais tecnologia. O profissional atual precisa ser versátil e estar sempre ligado a novas tendências aprimorando seu aprendizado em prol do seu trabalho e até mesmo da sua realização pessoal. Hoje em dia as pessoas procuram cada vez mais sua autonomia e a auto– aprendizagem é uma das características que mais se destacam no perfil dessas pessoas. Os jovens e as crianças aprendem com a finalidade de estocar conhecimentos. sempre pronto a aprender. compressão das relações de espaço e tempo. de se adaptar a situações novas. apud Belloni (1992. Trindade. capaz de gerir situações de grupo. maior complexidade. dizer que o aluno adulto da educação a distância atualmente encontra-se na fase da andragogia. Segundo este autor os adultos aprendem para uma aplicação imediata das atividades que executam. Knowles (1995) define andragogia como "a arte e a ciência de ajudar adultos a aprenderem. pois. Em suma.

também ingressaram em tais cursos. mostram que não há uma faixa etária definida para os cursos a distância.53 andragogia. autoconceito do estudante. motivação para aprender. experiência anterior do estudante. e o índice de pessoas com mais de 30 anos que fizeram o mesmo foi de 63%. . porém. 23) citam uma pesquisa publicada pelo National Center for Education Statistics (2002) que mostra que: Em 31 de dezembro de 1999. Palloff e Pratt (2004 p. Pesquisas. Com exceção dos grupos indígenas e dos nativos do Alaska (dos quais apenas 45% ingressaram em cursos on-line). Cinqüenta e seis por cento das pessoas com idade entre 24 e 29 anos matricularam-se. orientação para aprender. Cinqüenta e sete por cento dos alunos universitários considerados tradicionais. Com o uso da Internet houve uma facilitação maior visto que agora inexistem barreiras na comunicação entre o aluno e seu professor. 65% das pessoas com menos de 18 anos haviam ingressado em um curso on-line. entendendo também o modelo de curso adotado. Entende-se que o aumento da procura por cursos a distância se dá pelas facilidades que esse tipo de ensino pode oferecer. As estatísticas confirmam que o número de homens e mulheres e bastante semelhante. cerca de 60% de pessoas de todas as raças participam de tais cursos. prontidão para aprender. e considerando as necessidades individuais de cada indivíduo cita os princípios desta ciência dizendo que eles permitem elaborar processos efetivos para a aprendizagem: necessidade de saber do estudante. com idade entre 19 e 23 anos. o que indica a popularidade crescente dos cursos virtuais de ensino médio.

além da necessidade do conhecimento científico. autônomo. capaz de enfrentar todos os desafios. o aprender e o ensinar são ações inseparadas e que os sujeitos envolvidos neste processo complexo são o professor e o aluno mediante o conhecimento. na perspectiva de transformá-las em conhecimento. analisar. Pimenta explicita que. O papel do professor universitário na educação contemporânea Existe a idéia de que o aluno ingressa na universidade pronto. estabelecer as diferenças destas na produção da informação. é primordialmente tarefa das instituições educativas (Pimenta. Conhecer significa trabalhar as informações. relacionar as informações e a organização da sociedade.100). esta é a sua maior preocupação. contextualizar. p. Um antigo paradigma na educação era a divisão de funções: o professor ensina e o aluno aprende. organizar. não beneficiando nem a um nem a outro.54 2. o professor precisa conhecer como ocorre o processo de aprendizagem em seus alunos e buscar a formação para que eles também se apropriem desta nova prática. Pois como ao professor cabe a tarefa de ensinar. Trabalhar as informações. em sala de aula. como são utilizadas para perpetuar a desigualdade social. O professor universitário precisa ter a dupla competência: competência científica – estar bem fundamentado no domínio de seus saberes e a competência pedagógica – compromisso com formação e aprendizagem dos alunos. a formação da docência universitária precisa deixar de ser baseada no ensino para ser baseada na aprendizagem. Isto é. Ou seja. Atuação Docente 2.5. Tanto o professor quanto o aluno universitário precisam ter consciência de que de todo ato de ensinar na sala de aula ocorre o aprender para que tenha valido a pena aquele momento.5. Mas esta idéia não pode ser a norteadora da visão do professor dentro de uma universidade. 2002. obedecer ao . Conhecer é mais do que obter as informações. identificar suas fontes.1. Segundo Zabalza (2004).

aprendem em contato com o objeto de conhecimento. A universidade precisa modificar o olhar que tem sobre seus acadêmicos. beneficiando a todos os envolvidos.tornar o aprender constante conteúdo e propósito do ensino. Logo o aluno universitário encontra-se numa situação muito delicada. apud Bortolanza (2002. o mundo em que vivemos é construído simbolicamente pela mente. O professor não é mais o detentor máximo do conhecimento.aprofundar o conhecimento sobre como ocorre à aprendizagem. sobre os quais o professor precisa refletir: . Para contribuir. Conforme Giroud.. . E dessa forma a aprendizagem ocorre. acomodar e transformar o mundo em que vivermos”.pensar a sua disciplina tendo em vista o aluno e experiências anteriores. passar de um olhar passivo para um ativo. capazes de agir autonomamente. e descobrir por si só. “a pedagogia diz respeito aos investimentos intelectuais. se desestimula a aprendizagem quando não consegue alcançar o que lhe é exigido em termos de conhecimento. . O trabalho do professor é fazer a mediação entre as informações e o que o aluno vai fazer com elas.55 currículo. Mas o paradigma atual na educação mostra que ambos. Zabalza (2004) aponta alguns pontos de referência para a orientação para a aprendizagem.37) é clara ao afirmar que “. Bortolanza (2002. Não ocorre ensino sem aprendizagem e nem aprendizagem sem ensino. emocionais e éticos que fazemos como parte da nossa tentativa de negociar. percebendo e incentivando-os a serem agentes do processo.. repassar todos os assuntos da sua disciplina.33). como aprender no meio universitário. p. através da interação social com os outros e . p. o insucesso é culpa de quem não aprende. Ao aluno resta aprender. Como cada um é responsável pela sua função. aluno e professor.

Não há modelos ou experiências modelares a serem aplicadas. avanços. lutas. O docente deve empenhar-se numa luta árdua para obter êxito. e nunca de modelos. p. os saberes são cada vez mais requeridos. Portanto aperfeiçoar-se.. de quem na atualidade. tanto individual como coletivo. Uma prática docente crítica envolve pesquisa. 2002. recuos. flexibilidade.165-167).56 é extremamente dependente do contexto. A experiência acumulada serve apenas de referência. principalmente para o professor universitário. imprevisibilidade. (PIMENTA. vai auxiliar para a diminuição de muitos problemas. nunca de padrões de ações com segurança de sucesso. do costume e da especificidade cultural”. 2002. rever a própria prática. o insucesso escolar. ganhos. p. debruçar-se e refletir sobre ela é necessário a toda profissão” (Pimenta. 2002. e muito menos sem que haja rompimentos. docentes e discentes fazem-se sujeitos da educação. A profissão de professor exige de seus profissionais alteração. que se verificará plenamente em longo prazo. .. é a base para a sistematização de princípios norteadores de possíveis ações. por sua vez. interagir com os acadêmicos. para tornar-se ela mesma crítica e verá os resultados que conseguirá provocar nos seus acadêmicos com a construção e saber de prática transformadora. auto-reflexão. Continua a autora destacando que “. Assim. O saber-fazer pedagógico.199).196). como as dificuldades de aprendizagem. “Conscientes. p. A transformação não acontece do dia para a noite. possibilita ao educando a apreensão e a contextualização do conhecimento científico elaborado” (Pimenta. o processo de reflexão. A universidade precisa deixar de ser continuadora dessas desigualdades. perdas.

Cabe ao gestor em EAD unificar a linguagem.57 2. tutores e técnicos. Atualmente. O professor formador acompanha e operacionaliza a disciplina durante o período em que ela está acontecendo. orientando os tutores e professores formadores no processo de aprendizagem. Geralmente ele apresenta uma formação generalista vinculada à área do curso e não a uma determinada disciplina.2. O professor que atua como gestor em educação à distância tem a função de transpôr todo o material desenvolvido para a linguagem em EAD. o público alvo e os recursos humanos disponíveis. O papel da tutoria é de extrema importância para o sucesso da aprendizagem. que incluem desde a gestão até a atuação como professor virtual. orientando-o na execução de suas atividades. professor formador e professor gestor. . observando os obstáculos no processo de aprendizagem. Os profissionais da EAD Os cursos de EAD são constituídos por equipes multidisciplinares e os professores assumem papéis diferenciados. gerenciando pedagogicamente o ambiente virtual e todas as ferramentas tecnológicas utilizadas no curso. considerando o projeto político-pedagógico. encontramos diferentes papéis e diversas definições para o professor que atua em Educação a Distância.5. Este professor atua diretamente com os alunos. O contato do professor/aluno é realizado através dos fóruns e chats. Ele pode ser ou não o autor do material utilizado pelo aluno. O tutor é o professor que atende o aluno diretamente no pólo. auxiliando-o na organização do seu tempo e dos seus estudos. O tutor é a figura mais próxima dos alunos e o relacionamento entre estes dois grupos é sempre estruturado em um grau de afetividade bastante considerável. propondo novas estratégias e realizando avaliações constantes durante o processo. professores formadores. É responsável pela elaboração das provas e das atividades e orienta os tutores nos objetivos e entraves do conteúdo. sendo elas: tutor.

desencaixa. declarada no DECRETO 5. Posto esse contexto de disseminação da EAD é de extrema necessidade investigar e entender os “atores” responsáveis pela transmissão e mediação do conhecimento.3. segundo o autor. e a análise de como esse profissional está dialogando com as novas tecnologias da informação e da comunicação. Essa descontinuidade. e não como transmissor de conhecimentos. p. A diversidade de lugares educativos propostos pelo Decreto Nº 5. A nova concepção de tempo e espaço. Dentre os vários desafios que se impõem na sociedade tecnológica. evidencia-se a necessidade de se entender as transformações e interferências que as TICs impuseram às organizações sociais e educativas. O rápido desenvolvimento tecnológico nos demonstra a necessidade de formação e aperfeiçoamento do profissional atuante desta modalidade de ensino. Essa mudança dos papéis implica em que o professor nessa modalidade de ensino se configure como mediador.estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas. reorganizando as relações sociais mediante grandes distâncias tempos-espaciais (GIDDENS. 1991.622 de 19/12/2005.5. transformando-as em novos espaços colaborativos de construção do conhecimento. e ao mesmo tempo um desafio.58 2. havendo uma substituição de papéis dos autores do processo de ensino aprendizagem. é uma realidade.622 conduz a compreensão de que a figura da sala de aula foi substituída por espaços de aprendizagens colaborativas . enquanto o aluno assume o papel de produtor e auto-regulador de . A tecnologia é uma forma de inclusão social. Para o autor a modernidade enquanto descontinuidade entre as ordens sociais tradicionais e as instituições sociais modernas provoca mudanças na forma de organização social. retira a atividade social dos contextos localizados.28). O papel do professor universitário na educação a Distância A EAD já não se apresenta mais um modo regulador de ensino. de acordo com Giddens (1991) decorre da modernidade.

presidida por Jacques Delors. da UNESCO. não conseguirá apropriar-se dos benefícios proporcionados. precisam ter domínio das ferramentas e conhecer em profundidade todas as possibilidades existentes para elaboração de novas estratégias. 2007. 1999. algumas capacidades. São aspectos conectados ao relacionamento interpessoal e a compreensão de educação que cada indivíduo constrói internamente. O perfil de um profissional de um curso à distância exige algumas características que não estão relacionadas apenas com uma competência objetiva. tais como orientar a aprendizagem. 94) ao discutir as novas organizações dos espaços de aprendizagem – o ciberespaço – vê o intelectual coletivo como uma espécie de sociedade anônima para a qual cada acionista traz como capital seus conhecimentos. MORAES. que é um documento que traça o perfil da educação nesse novo milênio. Segundo Belloni (2000). A melhor ferramenta tecnológica não surtirá o efeito esperado se os alunos não se sentirem confortáveis e perceberem sua importância. Do mesmo modo um professor que não compreende as mudanças na aquisição do conhecimento provocadas pelas tecnologias. e não de mero receptor. conhecer as ferramentas tecnológicas. Dessa forma.59 sua aprendizagem. motivar o aluno. (MORAN. e LITWIN. Essa preocupação com o sentido e função da educação presente nas Políticas Nacionais de Educação. entre outras. 2001). portanto. sua capacidade de aprender e de ensinar. as inteligências individuais se transformam em inteligência coletiva. É interessante observar que todos os professores utilizarão as mídias propostas e. suas navegações. O redirecionamento de papéis no processo de ensino e de aprendizagem pode ser observado também nas idéias de Levy (2000 p. tem seu fundamento no Relatório da Comissão Internacional de Educação para o século XXI. como acontece na educação presencial. são essenciais ao bom desempenho de um professor em EAD. sobretudo da educação do adulto defendendo que esta deverá desenvolver-se de . 2001. ser aberto a críticas.

Dentre eles. notamos que a conotação .622 que estabelece em seu Artigo 12. competências e responsabilidades deste profissional quando não se existe ainda nem uma terminologia própria para se utilizar no que tange ao papel exercido pelos docentes que trabalham em Educação a Distância [EAD]. (Freire. Frente a esta situação de adaptação e reestruturação. é que se dá a sistemática da atuação docente no ensino à distância. com formação para trabalhar com a educação à distância”. da criticidade e da capacidade autocriadora do educando. Ao observarmos com atenção a descrição dos verbetes Tutor e Tutoria em relação à definição de professor e educador. aprender a conviver e aprender a ser. aprender a fazer. do saber pensar. os requisitos que deverão ser cumpridos pelas instituições de ensino superior quando do ato de credenciamento para a oferta de cursos à distância. destaca-se o inciso VI: “apresentar corpo com qualificação exigida pela legislação em vigor e. do adulto”. 2005). Qual é a formação específica do docente em atuação em EAD? Quais competências são necessárias a este profissional? É delicado analisar as habilidades.60 forma mais generalizada devendo ser a bússola que permita ao adulto navegar nesse mundo rico de novos conhecimentos.incentiva o desenvolvimento de uma educação que contemple o desenvolvimento das estruturas mentais. Segundo esse documento. atendendo atualmente à formação inicial e continuada. Esse documento vem reiterar a visão de que o novo paradigma moderno/pósmoderno . Diante desse quadro. Segundo o Decreto Nº 5. preferencialmente. sobretudo. A EAD é uma realidade incontestável reconhecida pela LDBEN 9394/96 como uma modalidade oficial de educação integrada aos diversos sistemas de ensino. deve primar pelo desenvolvimento ontológico do homem. o processo educacional necessita estruturar-se para atender às novas necessidades da era virtual. a educação nesse novo milênio deve fundar-se em quatro pilares básicos: aprender a conhecer. “de uma educação problematizadora que possibilite o desenvolvimento da criatividade. Isto é. isto é.

[Mini Houaiss – Ainda assim. informatizada e globalizada. Não se fala e nem se mencionam os responsáveis pelos cursos como sendo professores ou educadores... (LIBÂNEO. decidiu-se pela não utilização dos vocábulos professor e educador como referenciais para estes profissionais. capacidade de aprender a aprender. LIBÂNEO (1998) considera os tempos atuais como um tempo de reavaliação do papel dos professores frente às exigências postas pela sociedade comunicacional. saber usar os meios de comunicação e articular as aulas com as mídias e multimídias”. competência para saber agir na sala de aula. arte. estes termos foram.) o saber ensinar é algo relevante na profissão professor e evolui com o tempo e com as mudanças sociais”. certamente. os saberes necessários à realização do trabalho docente”. 14) “(. [Mini Aurélio – Dicionário] Tutor – Indivíduo legalmente encarregado de tutelar alguém. p. no mínimo. Tardiff (2002. Protetor. aos poucos. como conseqüência disto. se estabelecendo no Brasil como representativos da função exercida pelos profissionais que oferecem suporte ao crescente público de cursos em EAD. 1998).) ensinar supõe aprender a ensinar.. Há. “(. Tutoria – Cargo ou autoridade de Tutor. domínio da linguagem informacional. isto é. a dominar.) o novo professor precisaria... um distanciamento provocado pela compreensão do trabalho de professores e/ou educadores como sendo aquele que se executa numa sala de aula. intelectual e moral. em moldes mais convencionais. Nóvoa (1995 p. “(. não correspondem a esta leitura mais tradicional do trabalho dos educadores e. estabelecidas em ambientes próprios para a realização de cursos à distância.20) . progressivamente.61 dada a estas palavras relaciona-se mais diretamente às necessidades e à realidade jurídica que propriamente à educacional.. Salas de aula virtuais. [Mini Aurélio – Dicionário] Professor – aquele que ensina uma ciência. técnica. [Mini Aurélio – Dicionário] Educador Dicionário] – fornecer os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento físico. de uma cultura geral mais ampliada. habilidades comunicativas.

desenvolvendo ou aprimorando suas competências. os profissionais que atuam transferindo conhecimentos para outros. a valorização da subjetividade no processo de ensino-aprendizagem. Algumas das preocupações contidas nesses referenciais já vêm sendo discutidas por alguns educadores que enfatizam a necessidade de formação dos professores em requer capacidade de adotar procedimentos relativos com a teleeducação. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho.. administrar a progressão das aprendizagens.(PERRENOUD. as mudanças demonstradas e solicitadas tanto por Demo (1999) e Perrenoud (2000) não são tão simples e superficiais.) a familiarização com as novas tecnologias. envolvem revisões de conceitos. o desenvolvimento da capacidade de pesquisar. bases históricas quanto ao processo ensino/aprendizagem. avanço na direção da interdisciplinaridade do conhecimento e a revisão de sua teoria e prática avaliativa. Utilizar novas tecnologias: Enfrentar os dilemas éticos da profissão e Administrar sua própria formação contínua”. 1999. Trabalhar em equipe. 2000) No entanto. p. a produção e instrumentalização eletrônica a serviço da educação.. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. (. O perfil almejado num contexto de mudanças é o do profissional que está em contínuo aperfeiçoamento. apto ao uso intensivo das facilidades tecnológicas e que seja agente propulsor e facilitador de geração de conhecimento. práticas profissionais.62 Assim. . conforme o recomendado pelos Referenciais de Qualidade prescritos pela SEED/MEC para a EAD. mantendo-se atualizado. necessitam romper os paradigmas existentes e buscar as competências necessárias para ensinar na era da informação. ações. a elaboração de material com a própria mão. a atualização permanente. ao contrário. (DEMO. como a utilização de recursos didáticos mais modernos.182-197) “Organizar e dirigir situações de aprendizagem.

“O profissional do ensino é alguém que deve habitar e construir seu próprio espaço pedagógico de trabalho de acordo com limitações complexas que só ele pode assumir e resolver de maneira cotidiana.” (TARDIFF. e que por ser uma proposta de formação continuada. ao contrário. É necessário criar meios de capacitá-los para que atinjam todos as competências necessárias à atuação na EAD possibilitando a constituição de um profissional docente que contemple competências e saberes necessários a prática da educação mediada por tecnologias. apoiando necessariamente em visão de mundo. seja na utilização adequada das novas tecnologias e até a forma como devem atuar. como tal. é construtor de si mesmo e da história nas interações de circunstâncias que o envolvem. 2002. de homem e de sociedade. p. pois como aponta Tardiff.149) A formação do professor deve ser consistente e bem fundamentada. . irá reconstruí-la a partir de um novo olhar sobre o processo de ensino e de aprendizagem com o apoio das TICs. Então como estruturar estes docentes para a nova era? Quais procedimentos e estratégias devem ser direcionadas especificamente para a formação e atuação direta em EAD? Qual a qualificação que se faz estritamente necessária na atuação do professor para que este esteja apto e condizente quanto aos referenciais de qualidade? É difícil o docente vencer por si só todas as fronteiras e obstáculos quanto a essa nova postura. permitirá que o professor assuma o papel de mediador da sua própria aprendizagem e que passe por um processo de reconstrução de sua prática pedagógica.63 Exige ainda o entendimento de que o docente em primeiro lugar é um ser humano e. Entende-se que nesse processo de formação para atuação no ensino em EAD o professor não vai deixar os saberes que construiu ao longo de sua trajetória profissional no ensino presencial.

6. a formação do professor requer que em seu processo formativo.) o curso de formação deve ter como objetivo uma mudança.. 2. resolvemos problemas durante vários momentos do dia e somos convidados a pensar de forma lógica cotidianamente. muitas vezes. Geralmente as referências que o professor tem em relação a essa disciplina vêm de sua experiência pessoal. 2003 p. entender o processo de ensino aprendizagem e assumir uma nova postura como educador. A . ao desenvolvimento do seu potencial. (VALENTE. sendo a maior preocupação dos professores cumprir o programa. haja a vivência de situações práticas para que ele possa de fato compreender qual o seu papel como educador nessa situação e qual a metodologia é mais adequada ao seu estilo de trabalho. de modo que as pessoas percebam que pensamos matematicamente o tempo todo. Cabe então descobrir novos jeitos de trabalhar com a matemática. Muitos deles afirmam que tiveram dificuldades com aquela matemática tradicionalmente ensinada nas escolas. O aluno é. inflexível e imutável. propiciar condições para que haja uma mudança na maneira do profissional da educação ver a sua prática. sendo produto de mentes privilegiadas. de sua expressão e interação com o meio. um mero expectador e não um sujeito partícipe.2) Para esse autor.. ou pelo menos. que tinha como objetivo a transmissão de regras por meio de intensiva exercitação.64 (. Sua visão vai de frente com o pensamento de Schon (1992) e Nóvoa (1995) para quem a formação continuada deve favorecer o movimento continuum de ação-reflexão e reflexão-ação. Atualmente o ensino da Matemática se apresenta descontextualizado. O ensino da matemática representa um desafio para o professor na medida em que exige que ele o conduza de forma significativa e estimulante para o aluno. Os conteúdos e a metodologia não se articulam com os objetivos de um ensino que sirva à inserção social das crianças. Implicações do processo de ensino–aprendizagem da Matemática A preocupação com o ensino da matemática é histórica.

o problema é sempre o mesmo: interessar o aluno. por si só. não o iluminam. por um lado. Mas como atingir a todos? . comunicar-se matematicamente.65 matemática. muitas vezes é reprovado nesta disciplina. dar-lhe sem cessar o sentimento de que ele descobrirá por si próprio o que lhe é ensinado. portanto. O professor. O professor não deve forçar a conclusão: deve deixála formar-se espontaneamente no espírito do aluno. É necessário fornecer experiências que encorajem e permitam aos alunos dar valor à Matemática. não estejam solidamente apoiadas em intuições. acreditam que possam melhorar este quadro. provocá-lo para a investigação. se tornarem solucionadores de problemas matemáticos. no fim. sente dificuldades em fazer relações com o dia a dia daquilo que a escola lhe ensinou. consciente de que não consegue alcançar resultados satisfatórios junto aos alunos. por outro lado. contudo há aqueles que não percebem qualquer utilidade técnica das ferramentas matemáticas. pelo menos no início. resultam inoperantes. em síntese. e tendo dificuldades de. faz parte da vida e pode ser aprendida de uma maneira dinâmica. desafiante e divertida. não falam ao espírito. Especulações matemáticas que. É fato que nos deparamos com alunos que gostam muito da matéria e se vêem fascinados com seus conceitos. repensarem satisfatoriamente seu fazer pedagógico procuram novos elementos que. Ensinar Matemática sem mostrar a origem e a finalidade dos conceitos é como falar de cores a um daltônico: é construir no vazio. ganhar confiança nas suas capacidades matemáticas. ou então. Mas. o aluno não consegue entender a matemática que a escola lhe ensina. As dificuldades encontradas por alunos e professores no processo ensinoaprendizagem da matemática são muitas e conhecidas. não consegue efetivamente ter acesso a esse saber de fundamental importância. mesmo que aprovado.

Novamente. matemático. 3. A melhor maneira de aprender algo é descobri-lo por si mesmo. 5. 10. mas também saber. não force os alunos a aceitar. como agir em um curso a distância? . Conheça as formas de aprendizagem. Seja interessado na sua ciência. hábitos de trabalho com método. 2. Permita que aprendam provando. Sugira as coisas. tanto quanto for possível. Encare as características do problema em mãos como podendo ser úteis na resolução de outros problemas – tente descobrir o padrão geral que está por detrás da situação concreta presente. Conheça a sua ciência.66 George Polya (1981). 6. Não partilhe o seu segredo todo de uma vez só – Permita que os alunos o adivinhem antes que o diga – deixe que descubram por si mesmos. Permita que aprendam por descoberta. cabe aqui perguntar se estes procedimentos são difíceis presencialmente. Tente ler nas faces dos seus estudantes. 9. Dê-lhes não só a informação. tem um decálogo de regras para lecionar esta disciplina com qualidade: 1. formas de raciocínio. ponha-se no lugar deles. 8. tente ver as suas expectativas e dificuldades. 7. 4.

Partir do aluno real.Que competências profissionais devem ser construídas por um (a) professor (a) de Matemática? . ditas mais pragmáticas: 1. Fazer auto-análise. 8. Cortar o programa (isto significa saber tirar proveito da ementa em favor da eficácia do ensino). 4. Usar sons e imagens além do texto. com perfis extremamente distintos e considerar que o professor não deve forçar a conclusão: deve deixá-la formar-se espontaneamente no espírito do aluno? O paradigma da dificuldade em estudar. De nada adiantam estas competências se . Ser paciente. espera-se de um professor de Matemática competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem trabalhados. 3. tem outras dez regras para os docentes. Variar avaliações. 2. Trazer o mundo para a sala. além daquelas referentes ao domínio do conhecimento pedagógico. Possibilitar o caos criativo.Em que âmbitos de conhecimento encontram-se os conteúdos que dão consistência à constituição das competências? Obviamente. Karnal (2003). Admitindo-se que o ensino de matemática resulta de uma confluência de múltiplos saberes. 9. Ser interdisciplinar. ensinar e aprender matemática e assuntos correlatos deve ser rompido através das respostas aos questionamentos: . 5. Problematizar o conhecimento. 6. de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação interdisciplinar.67 Por outro lado. pesquisador brasileiro. 7. onde reside a maior dificuldade dos profissionais nele inseridos? Em fazer uso de forma correta das ferramentas para um grande número de alunos. 10.

Cabe também ao profissional conhecer os problemas cognitivos relacionados às habilidades matemáticas. Trazer questões do dia a dia ao contexto da matemática ajuda no processo de ensino e reduz a dificuldade das relações interpessoais aluno-professor. - Discalculia Ideognóstica: dificuldade em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos. afetando áreas como atenção. - Discalculia Operacional: dificuldade na execução de operações e cálculos numéricos. nem por falta ou precariedade de escolarização. um diagnóstico preciso é fundamental. a auto-estima e as habilidades sociais. desde que não sejam ocasionadas por deficiência mental. O primeiro problema cognitivo. Discalculia Gráfica: dificuldade na escrita de símbolos matemáticos. geralmente. não relacionado com lesões. Discalculia Léxica: dificuldade na leitura de símbolos matemáticos. Os efeitos das dificuldades de aprendizagem da matemática. seus símbolos e relações. são diversos e vão além da área acadêmica específica. memória. definida pela dificuldade significativa no desenvolvimento de habilidades relacionadas à matemática. . Pode ser identificada em cinco situações: Discalculia Verbal: dificuldade em nomear números. auditiva ou visual. Logo. que muitas vezes acompanham o discente em toda sua formação e carreira profissional. mas que tem predominância em adultos e jovens é a discalculia.68 não forem crescidas da condição de pensar formas mais criativas que a mera organização disciplinar.

dificuldades de leitura.Dificuldades espaços-temporais: o que leva.69 Como qualquer distúrbio de aprendizagem.Dificuldades na resolução de problemas. .Falhas no pensamento operatório: incluindo a impossibilidade de realizar cálculo mental.quanto ao enunciado do problema: . extremamente cansativos para o caso de adultos. Observando-se que a dificuldade de resolução de problemas tem as seguintes vertentes: 1.quanto ao raciocínio: .não entende a relação do enunciado com a pergunta do problema. 2. . .Transtornos de estruturas operacionais: facilmente visível em trabalhos presenciais. a falta da compreensão dos conceitos das operações fundamentais da matemática. .Déficit de atenção: levando a erros sistemáticos.linguagem empregada. a dificuldade no manejo da reversibilidade das operações. Este último caso deve ser apresentado de forma mais detalhada. por exemplo: . mas de difícil observação no ensino a distancia. a dificuldade de informações gráficas e geométricas. . principalmente. . . não pertence ao seu vocabulário. leva o aluno a passar por situações de desconforto que devem ser identificadas e prontamente trabalhadas de forma positiva.dificuldade de representação mental não permitindo estabelecer as relações necessárias para a resolução do problema. a dificuldade para estabelecer as operações para resolução de problemas.

fazendo com que cometam os mesmos erros constantemente.quanto ao mecanismo operacional: . A literatura internacional tem destacado este fenômeno e divulgado resultados de estudos que indicam estratégias pedagógicas e terapêuticas eficazes na reversão desses quadros. Para o caso da ansiedade matemática. etc. reestruturação de hábitos de estudo. ficam bastante aborrecidos com a presença de disciplinas como Matemática Básica. Raramente associam alguma finalidade prática a estes cursos e sua opção de formação acadêmica. dessensibilização sistemática. Matemática Aplicada.Estratégias adequadas de ensino: programas de ensino individualizado. por exemplo. Isto impacta não somente sobre sua habilidade matemática. ao decidirem por um curso superior. Estatística. . a falta da percepção lógica. ou buscam professores com perfil mais “leve” nas exigências.70 3. Assim.dificuldade de resolver a equação. alguns alunos.Técnicas terapêuticas de redução de ansiedade: relaxamento progressivo. acabam buscando áreas como Humanas e Biológicas. . os procedimentos de intervenção encontrados por Carmo (2003) foram: . É comum ao discalcúlico. ou sistema de equações montado para resolver o problema. uso de monitores durante aula. este é um campo a ser explorado. principalmente nas metodologias de ensino a distância. visando à fuga dos dissabores de conteúdos que envolvam cálculos matemáticos. reestruturação do ambiente de estudo.falhas nas técnicas operatórias. mas também no esperado raciocínio lógico para a tomada de decisões empresariais. . Uma das conseqüências negativas do ensino tradicional da matemática tem sido o desenvolvimento de um quadro clínico chamado de ansiedade matemática. No Brasil. Reagem negativamente.

ou em compreender outras representações matemáticas como tabelas ou gráficos. contar dinheiro e ..] 2% da população brasileira com idade entre 15 (quinze) e 64 (sessenta e quatro) anos encontram-se numa situação considerada de analfabetismo matemático”. em identificar relações de proporcionalidade. Novamente a intervenção de um professor qualificado faz a diferença. treino de assertividade em sala de aula. sendo sequer.. levando-o a ter uma vida normal fora das dificuldades matemáticas específicas. Ainda que as habilidades cognitivas de um estudante possam progredir além de seu diagnóstico original. Observe-se que em 2004. instrumentos de medida simples. um anúncio ou anotar um número de telefone ditado por alguém. calendários). O Corpo e a mente formam um equilíbrio dinâmico que está constantemente em mudança se adaptando às novas situações. mas extremamente delicados para serem inseridos no contexto do ensino superior. Interessante notar que mesmo o CID-10 da Organização Mundial da Saúde (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) tem uma graduação e posicionamento sobre este transtorno. o teste aplicado na pesquisa do Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF) pelo Instituto Paulo Montenegro revelava que: “[. horários. Novamente. Na verdade. são capazes de ler e comparar números decimais que se referem a preços. que dirá no ensino a distância. “46% dos entrevistados já demonstram dominar completamente a leitura dos números naturais.71 . a discalculia não é uma doença. necessariamente. independente da ordem de grandeza”. não pode ser desconsiderado sua continuidade na vida adulta. como ler o preço de um produto. ou seja. números de telefone. “29% apresentam habilidade matemática elementar”: lêem números de uso freqüente em contextos específicos (preços. uma condição crônica. são métodos possíveis. não demonstra dominar sequer habilidades matemáticas mais simples. É aqui que entra a habilidade do professor habilitado e formado especificamente para tal. mas encontram dificuldade em resolver problemas envolvendo cálculos.Técnicas terapêuticas de reestruturação cognitiva: alteração de auto-regras e auto-atribuições negativas.

pois é fator de desequilíbrio. Vargas (2007) destaca que cada autor propõe uma definição para o conceito de evasão cuja amplitude pode variar em razão dos critérios escolhidos para categorizar os processos de entrada e saída dos alunos dos eventos instrucionais. tabelas e gráficos. Diante disto faz-se necessária uma releitura da posição do professor de matemática de ensino superior.7. de não motivar os alunos nem atrair professores com melhores qualificações. 2. responsável pelo processo de educação formal. Segundo Santana (1996). Evasão A evasão é o desligamento da instituição de ensino. uma aprendizagem deficitária. desarmonia e desajustes dos objetivos educacionais pretendidos. A autora faz uma análise de algumas definições de evasão encontradas na literatura sintetizadas na Tabela 6: . sem que esta tenha controle do mesmo. O autor acusa as instituições de ensino. Estes resultados também indicam que apenas 23% da população jovem e adulta brasileira é capaz de adotar e controlar uma estratégia na resolução de um problema que envolva a execução de uma série de operações. oferecendo assim.72 “fazer” troco. que deverá superar toda a problemática descrita e. descobrir quais metodologias permitem que descubra os problemas envolvidos e saiba resolve-los a contento. É ainda mais preocupante a revelação de que apenas nesse grupo encontram-se os sujeitos que demonstram certa familiaridade com representações gráficas como mapas. a evasão escolar é um dos maiores e mais preocupantes desafios do Sistema Educacional. em se tratando de ensino a distância.

Muitos alunos têm que dividir seu tempo entre a faculdade e o trabalho. (KAFURI E RAMON.1. assim. trabalho.7. ele acaba absorvendo essas informações e nem busca conhecer pessoas que se deram bem na área de seu interesse. Definição de evasão e amplitude do conceito 2. Evasão Universitária Pode ocorrer evasão por vários motivos: problemas financeiros. dependência. e são vencidos pelo cansaço. (AUGUSTIN. transferência de domicílio. doença grave ou morte. afinidade com disciplinas.73 Autores Definição Amplitude do conceito Tabela 6. etc. Outros são afetados com o problema da moradia. sem falar no tempo despendido por aqueles que moram longe da escola. 1985) Outra causa da evasão está no fato do aluno não saber escolher a profissão que quer seguir. fica confuso e acaba evadindo do curso. e. optando pelo dinheiro necessário à sobrevivência. 2005) . Isso leva à evasão universitária e ao baixo rendimento dos alunos. tendo que arcar com o alto preço dos aluguéis ou das passagens. Muitas vezes é transmitida ao jovem uma visão negativa do mercado de trabalho e da profissão.

Nessa hora. é o processo educacional. eles buscam maior certeza com o que vão se comprometer. o que não contribui para a formação de um espírito investigador. sobre as dificuldades do mercado e sobre as matérias da faculdade [.(AUGUSTIN. as questões são mais objetivas e se referem ao mercado de trabalho. O aprendizado adquirido anteriormente consiste em memorização. p. geralmente é porque começaram a se questionar sobre o sentido da profissão. o aluno sofre um impacto na forma como as disciplinas são ministradas. 2) Outro fator a ser considerado. Lehman (apud HARNIK. como o fortalecimento de medidas que privilegiam o apoio financeiro e psicológico aos alunos carentes ou a modernização de métodos e de currículos. pois eles já se envolveram com boa parte do curso. devido à mudança de domicílio. As grandes causas da evasão universitária.74 Uma boa escolha profissional leva em conta pelo menos três elementos: quem é o jovem. etc. o aluno tem que pesquisar para criar seus próprios textos em vez de copiá-los. O aluno está acostumado a um processo bem diferente do adotado na universidade. há uma preocupação no sentido de diminuir ou. Segundo Spinosa (2003). Já quando os alunos evadem por volta do quarto e do sexto semestres. até mesmo. Muitos alunos evadem do curso por motivo de transferência para outra universidade. o que é o mercado de trabalho e o que é a vida universitária. podendo perder o interesse pelo curso.. à busca de emprego. [. e que pode contribuir para a evasão. 2005) indica que. está normalmente relacionada à dificuldade do aluno em se adaptar às exigências dos professores e à mudança do ensino médio para o superior. 2005. extinguir a evasão." .. as vagas ociosas surgem quando o aluno faz opção por outro curso (transferência interna). No final do curso. existem políticas voltadas para a permanência dos estudantes nas universidades. se transfere para outra instituição. Na universidade. é jubilado (perde direito à vaga) ou quando morre. além da evasão. De uma maneira geral. Segundo Spinosa (2003). Assim. Já.]... "A angústia é maior. quando a evasão acontece no início do curso.] têm relação com a desinformação do aluno sobre si mesmo.

Estes índices mostram. os cursos totalmente à distância têm maior evasão (30%) que os cursos semipresenciais (8%). Segundo uma pesquisa realizada pela FGV-EAESP . este índice cai para 21%. Esta é uma realidade. em qualquer momento (Favero. sobre o índice de evasão em educação superior à distância. se o certificado for emitido pelo MEC.7. a aspectos didáticos – pedagógicos e à infra-estrutura. Os cursos de extensão e especialização têm 25% de evasão. percebe-se que os mesmos se manifestam em graus distintos nos mais variados cursos das IES – Instituições de Ensino Superior. uma vez que. não só em nosso país. 2. Entre as escolas privadas e públicas também há uma diferença. Afinal. em 2005. A maior diferença existente está entre os cursos certificados pelo MEC (21%) e os cursos com certificação própria (62%). após terem se matriculado. nunca se apresentaram ou se manifestaram de alguma forma para os colegas e mediadores do curso.Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.75 É importante que sejam investigados os fatores causadores da evasão no âmbito das diversas instituições e cursos. pois normalmente esses fatores estão relacionados a características individuais. . As causas internas são referentes aos recursos humanos. não havendo uma lógica uniforme que possa explicar homogeneidade à sua ocorrência no conjunto dos cursos.2. Evasão no Ensino a Distancia A Evasão nos cursos na modalidade a distância constitui um problema contundente. fatores internos e fatores externos às IES. Este percentual de 62% de evasão em cursos com certificação própria pode indicar que existe pouca credibilidade e confiabilidade nesta certificação. Enquanto nas públicas tem 11% de evasão. Considera-se evasão a desistência do curso. nas privadas o percentual é de 23%. incluindo os que. Já as causas externas são ligadas a aspectos sócio-político-econômicos e as causas relacionadas ao aluno são aquelas referentes à vocação e a outros problemas de ordem pessoal. 2005): Por mais que se pesquisem os fatores determinantes da evasão discente. 2006). como pondera Biazus (apud SILVA. mas também em outros países.

2006). como são necessários os encontros presencias. também é um elemento a ser considerado neste fato. não só cognitivos. o perfil do professor. que trabalham e estudam. A solidão e a falta de interação entre os educandos e educadores e entre os próprios educandos podem provocar um maior abandono. Uma aproximação mais face-a-face parece estimular mais o aluno a continuar e a participar efetivamente do curso. O próprio desinteresse pela continuidade dos estudos. as - avaliações. São vários os fatores que intervêm na problemática da evasão (Favero. Segundo Coelho (2002) e Moore e Kearsley (2007). Porém quando. as principais causas para a evasão na educação à distância são: Insatisfação com o tutor – às vezes. mas também afetivos. é possível observar que o percentual de evasão diminui (Favero. impossibilitando-as de aprender na sua totalidade. No diálogo há construção de conhecimento tanto por parte do educador como do educando e esta construção está atravessada por aspectos. isto é. na sua grande maioria. entre outras. a abordagem pedagógica. independente do local onde esteja ocorrendo à aula. influenciam negativamente para a decisão do aluno quanto à sua permanência. Se for considerado que a maioria dos estudantes é formada por adultos entre 25 e 40 anos. Como foi apontado. após um dia de trabalho. . uma sensação de abandono que o cerca durante todo o curso. principalmente quando não ocorre uma maior interação entre os atores deste processo. o índice de evasão em cursos totalmente a distância é de 30%. sabe-se que não é só o cansaço. Porém. ocorre diálogo entre educadores e educandos e entre os educandos. Os alunos que fazem cursos à distância. que é a solidão.76 também. percebe-se que uma das grandes causas da evasão é o cansaço que as pessoas sentem ao final do dia. num Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). o motivo pelo qual um aluno abandona um curso na modalidade à distância. têm uma característica em comum. 2006).

os índices de evasão. Assim. Ramble afirma. Apesar da importância dos cursos a distância como ferramenta de desenvolvimento de competências humanas para o trabalho. Dificuldade de assimilação da cultura inerente à EAD – por não ter - conhecimento do ambiente virtual de aprendizagem usado no curso e de sua metodologia. o sucesso ou o fracasso de um curso é avaliado em termos dos alunos que concluem ou que desistem do curso.77 - Dificuldade de acesso à Internet – muitos dos pólos de educação à distância ficam localizados em cidades do interior do país e apresentam como principal dificuldade o acesso à Internet de banda larga. Expectativas erradas por parte dos alunos – os alunos têm uma - imagem errada do curso que é oferecido. Ramble (1992) fez uma análise sobre os critérios para se avaliar a evasão nos cursos à distância e concluiu que. em geral. há poucas pesquisas que avaliam esses cursos e. muitos se sentem inseguros em ingressar em um curso a distância. pode haver problemas de usabilidade tanto para as ferramentas síncronas. Tecnologia inadequada ou falta de habilidade para usar a - tecnologia corretamente – caso não haja familiaridade por parte dos alunos na utilização de recursos Web. em razão de uma série de fatores que podem influenciar para maior . há uma tendência para se considerar as taxas de conclusão ou desistência como medidas de avaliação de sucesso de cursos à distância. Falha na elaboração do curso – a forma em que o curso foi - estruturado pode não atender às necessidades de determinado grupo de alunos. todavia. em particular. quanto as assíncronas. Complexidade das atividades – dificuldade do aluno em desenvolver - as atividades passadas pelos tutores. que isso é apenas uma meia-verdade e que evasão deve ser avaliada com muito cuidado.

do ponto de vista da instituição. ministrado pela Escola de . as taxas de conclusão de um curso podem ser muito baixas.7. necessariamente. as principais conclusões de Tinto acerca do fenômeno são: . muitos alunos nem chegam de fato a começarem o curso. Para o autor.3. a sua formação escolar anterior. Cabe salientar que foi considerado nesse estudo o seguinte critério de evasão: os alunos que iniciaram e em algum momento do curso desistiram. O modelo de Tinto analisa de que forma o compromisso do aluno com os seus objetivos de concluir o curso. . Pesquisa sobre Evasão em Cursos a Distancia Um dos trabalhos mais citados em pesquisas sobre evasão no ensino superior presencial é o Modelo de Tinto (1975). se comparadas com a integração acadêmica e social. e. O autor ressalta que as diferenças pessoais e demográficas são menos importantes na determinação da evasão.Vários fatores determinam a desistência e persistência dos alunos no curso. muitos alunos que estudam a distância optam por fazer um curso sem. Portanto. Entretanto. a integração acadêmica (intelectual) e a integração social (pessoal) do aluno se relacionam à evasão.78 ou para menor as taxas encontradas. que descreve e explica o estudo do fenômeno da persistência e desistência em cursos de graduação. Pesquisa realizada por Coelho (2001) investigou as causas da evasão em um curso à distância para professores universitários. eles são considerados como alunos que nunca iniciaram o curso. muitas vezes. o comprometimento com as suas obrigações fora do ambiente acadêmico. 2.As pesquisas sobre evasão e persistência devem ser melhores conduzidas utilizando um modelo teórico e não apenas descritivo. planejarem cumprir todas as atividades ou avaliações exigidas.

. As causas apresentadas pela maioria dos evadidos nesta pesquisa foram: . . Identificou que a habilidade do manuseio de ferramentas da Web foi o maior indicador de permanência ou evasão dos participantes. Em uma pesquisa realizada por Carvalho (2003) no curso Iniciando um Pequeno Grande Negócio (IPGN). O curso. Já Zerbini e Abbad (2003) consideraram que as características pessoas são as maiores influenciadoras nos efeitos do treinamento.Falta de condições de estudo no local de trabalho. mediado pela internet. Portanto os recursos instrucionais tornam-se secundários.Problemas com tecnologia. registrou um alto índice de evasão – aproximadamente 50%.Falta de organização pessoal. que registrou índice de evasão de aproximadamente 50%.Falta de tempo. . . podem assumir maior implicação na evasão. Afirmam ainda que o estudo das estratégias de aprendizagem é de grande utilidade para nortear o planejamento instrucional de cursos à distância. .Falta de atendimento do curso às expectativas pessoais.Falta de condições de estudo em casa. do Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (SEBRAE) sobre avaliações de treinamento à distância. Concluem que a motivação. Os alunos precisam gerir a auto-gestão da aprendizagem. . e de especial relevância a verificação dos estilos mais utilizados pelos indivíduos para aprender.79 Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (EE/ UFMG). ansiedade e gestão do tempo.

Distância entre o local de trabalho e a sala onde estavam os computadores em que o curso era oferecido. . ofertado pelo Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ). Amidami (2004) em um seu estudo para analisar o curso de Licenciatura em Matemática a Distância. devido às diferenças relacionadas ao método instrucional.Sobrecarga de serviço. identificou algumas causas de evasão apontadas pelos desistentes: . .80 As autoras sugerem a realização de mais estudos que analisem por exemplo: índices de evasão e de freqüência de participação nos fóruns e chats oferecidos no curso. “Reação ao Tutor” e “Estratégias de Aprendizagem”. Amidami (2004) ressalta. foi um dos aspectos geradores da evasão. Técnica para Agentes e Assistentes Administrativos de uma empresa de energia elétrica. que no contexto do EAD o modelo de Tinto é restritivo para investigar o fenômeno da evasão. Segundo Amidami. encontrou além das causas de evasão citadas por Coelho (2001). todavia. às necessidades do aluno à distância e às diferenças no tocante ao envolvimento social. a formação escolar anterior quando “deficiente”.Problemas de estabilidade da rede e velocidade da internet. . . Vargas (2004). “Reação aos Procedimentos”. Avaliando um curso de Especialização. relatado principalmente pelos alunos da primeira turma. resultando em desistência.Falta de equipamento adequado. Ela encontrou que a experiência escolar inadequada às exigências do curso gerou dificuldades para o acompanhamento do conteúdo e um baixo desempenho acadêmico. outra: a formação escolar anterior exibida pelos alunos.

que conferem aos meios tecnológicos a única forma de mediação e interação entre alunos e professores.81 . . Destacaram também que os cursos totalmente à distância. . . . constatou que o índice de evasão estava correlacionado à tecnologia utilizada e ao modelo de ensino. embora se saiba que elas exercem influências nos índices de evasão.O ambiente de aprendizagem. em instituições de ensino superior do Brasil. Maia e Meireles esclareceram que essas variáveis explicaram (34%) do índice de evasão dos cursos. .Falta de informações adequadas sobre a importância do curso que estavam realizando.Falta de domínio da tecnologia. desestimulando-os a continuarem o curso. . e que variáveis exógenas não foram estudadas na pesquisa. Pesquisa realizada por Maia e Meireles (2005). sem nenhum encontro presencial. .A tecnologia utilizada no curso. os principais fatores que influenciaram na evasão dos cursos foram: .O desenho do curso.Desmotivação em permanecer no curso em função de outras prioridades que surgiram ou em decorrência de problemas de saúde pessoais ou de familiares. podem gerar nos alunos sentimentos de isolamento em relação ao grupo.Problemas de desempenho do tutor.O modelo de ensino. Segundo Maia e Meireles (2005).

realizado em um treinamento a distância de funcionários do Serviço Estrangeiro Canadense. valor instrumental do curso e hábitos de estudo) no curso “Iniciando um Pequeno Grande Negócio (IPGN)” oferecido pelo SEBRAE.82 Brauer (2005) analisou o relacionamento entre as variáveis preditoras de Características da Clientela (dados demográficos. ela cita algumas intervenções que ajudaram na relação da taxa de desistentes. organização e habilidade de estudo. Johsnton e Shafer (2004). que era voltado para o empreendedorismo e a possível abertura de um negócio próprio. Em um estudo qualitativo. Desmarais (2000) cita que alguns investigadores associaram persistência e a motivação. Ela afirma que as razões identificadas por Garland (1993) formam um tipo de taxonomia que permite a análise de um ambiente pedagógico que pode contribuir para a persistência do aluno. Considerando de suma importância a realização de um diagnóstico como estratégia de apoio e acompanhamento desses alunos. O estudo de Brauer encontrou relações significativas entre idade. Eles afirmam ainda os alunos devem possuir características que permitirão o sucesso no curso. que buscou isolar os fatores relacionados à persistência. O estudo também não encontrou relação significativa entre gênero e evasão. Afirmam que um fator de pré-disposição à desistência é o nível de escolaridade inferior exigido para a realização de um curso à distância. Resultado semelhante ao de Brauer foi encontrado por Petty. Citam como exemplos: autonomia. via internet. tais como: . escolaridade e evasão. Indivíduos mais jovens e com menor grau de escolaridade são os que mais se evadiram do curso analisado. O autor acredita que uma explicação para esses resultados pode estar no foco do curso. Em um estudo de caso. como resposta ao problema da evasão. motivação. Desmarais identificou fatores potenciais que podem influenciar na persistência.

83 . . que os alunos destinados a terem mais sucesso em ambiente on-line são aqueles que se mostram mais autodirigidos e autoconfiantes sobre as habilidades necessárias para se usar a tecnologia. Hiltz e Shea consideram que os cursos on-line são mais centrados no aluno que cursos tradicionais – isso se houver uma interação eficaz entre aluno e professor. Segundo eles.Informação aos Tutores do perfil dos participantes no início do curso.motivação pessoal. autodisciplina. . . por conta de habilidades verbais mais elevadas ou algumas tendências a apreciar estilos mais colaborativos de aprendizagem. o papel do tutor é fundamental. . Para Desmarais (2000). com a indicação do aluno propenso a abandonar o curso. Estes dados são importantes para nortear a estratégia de interação do tutor com aluno.estilo de aprendizagem mais visual. capaz de proporcionar uma participação do aluno mais ativa em atividades de aprendizagem.Qualidade do material didático e metodologia adequada. os autores citam as características do aluno de sucesso em cursos on-line: . as mulheres se sentem mais confortáveis dos que os homens.habilidade para ferir o tempo.independência. em cursos à distância. convergência e seqüencial. pois pode tornar a aprendizagem mais dinâmica. assim apoiá-lo em suas dificuldades. Eles destacam ainda. Com base neste estudo. para que ocorra uma redução de evasão. satisfazendo às expectativas dos alunos.Identificação dos fatores relacionados às atitudes e hábitos de trabalho que poderiam influenciar na decisão de desistir do curso. . .

. .evitar sentir-se prejudicado pela ausência de sinais auditivos ou visuais no processo de comunicação. trabalho e outras experiências educacionais. .atender a um mínimo de exigências ou até excedê-las para participar.dedicar qualidade significativa de seu tempo semanal aos seus estudos e não ver o curso como “maneira mais leve e fácil”. .bom acesso a computadores e a internet.predominância da idade acima de 25 anos.experiência anterior com cursos on-line. .apoio da família ou do empregador. . . . Palloff e Pratt (2004) identificaram os traços que contribuem para o aluno prosseguir seus estudos on-line e citam o perfil do aluno virtual de sucesso: . .notas de vestibular mais elevadas.predominância do sexo feminino.pensar criticamente e ter capacidade reflexiva.ter acesso a um computador e a um modem ou conexão de alta velocidade e saber usá-los. .84 . .ter a mente aberta e compartilhar detalhes de sua vida.

acreditar que a aprendizagem de alta qualidade pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento.ter automotivação e autodisciplina. .ser motivado a expressar-se e a contribuir para as discussões em grande parte por meio de textos. o que significa dizer que deva possuir uma capacidade elevada para escrever. .85 . .

no trabalho de Cassandra Amidami apresenta um caminho ao foco da presente pesquisa. Segundo ele.86 Capítulo III A Metodologia 3. foi construída a base da pesquisa. 3. por ser esta forma de abordagem. Maria de Lourdes Coelho. Rute V. Pesquisa Bibliográfica A pesquisa bibliográfica auxiliou na elaboração de modelo de investigação que orientasse quanto à identificação. Miramar Ramos Vargas. Metodologia do Trabalho Para a realização do presente trabalho monográfico foi necessário estabelecer inicialmente duas abordagens distintas de investigação: a pesquisa bibliográfica e a pesquisa aplicada.1. . um dos principais recursos que o investigador pode utilizar como técnica de coleta de informação.2. 3.3. Pesquisa de Campo Para a obtenção dos dados necessários para a realização da pesquisa de campo. Porém. A partir dos autores: Maria Luiza Belloni. Favero. Paulo Freire e outros. recorri à utilização de um questionário de acordo com a argumentação de Trivinos (1987). Por ela ter encontrado causas de evasão pertinentes a formação escolar básica deficitária. análise e interpretação das principais causas relacionadas com a evasão na educação à distância.

oferecem amplo campo de interrogativas. apresentado no Anexo 1. Desta maneira. . Para fundamentar a argumentação que será apresentada neste trabalho.87 (. . contabilizados os que permanecem e os evadidos.Fatores de aprovação e desaprovação das disciplinas que envolvam cálculos matemáticos. 1987. serão utilizados resultados e demonstrações estatísticas comparativas de duas turmas.Principais dificuldades no processo de ensino aprendizagem da Matemática. 1º e 2º semestres de um curso de Gestão Tecnológica. A pesquisa foi realizada com dados disponibilizados pela coordenação do curso e por dados coletados através dos discentes que responderam a um questionário. quanto à aprendizagem de disciplinas que envolvam cálculos matemáticos e correlatos a esta. . começa a participar da elaboração do conteúdo da pesquisa. num universo estimado de duzentos e dez alunos. apoiados em teorias e hipóteses.Afinidade com disciplinas que envolvam cálculos matemáticos. em seguida.) certos questionamentos básicos. p. A pesquisa de campo foi realizada entre os meses de outubro e novembro de 2010.Evasão ou troca de curso. . fruto de novas hipóteses. vão surgindo à medida que recebemos as respostas do informante..Alegações para evasão ou troca de curso. e que. que proporcionaram o levantamento de dados quanto: .146).. . o informante. (TRIVINOS. que interessam a pesquisa. seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador.

A opção de trabalhar com duas salas de aproximadamente mesmo porte (estatisticamente similares) se deu pela facilidade de identificar problemas como os citados no trabalho.Por se tratar do mesmo curso e tipo de disciplinas o suporte acadêmico e de formação tendem a se assemelhar.88 Cabem aqui algumas justificativas técnicas para a escolha destas salas. 3. 2.Em salas com este tipo de situação educacional as intervenções e atuações corretivas para a melhoria do curso podem ser avaliadas de forma mais direta. . diante da ampla amostragem que seria possível: 1.

89 Capítulo IV Pesquisa de Campo 4. ela nos permite conhecer quantitativamente.1. no início do segundo semestre letivo de 2010. a sala do 1º semestre constava com 112 alunos matriculados. Neste capítulo serão demonstrados gráficos construídos através dos dados coletados em uma pesquisa espontânea e sem identificação tanto da IES e discentes envolvidos. no âmbito da realização desta pesquisa. Estatísticas de Evasão e Dificuldades de Aprendizagem em Matemática Segundo Reis (1996). a estatística descritiva pode ser considerada como um conjunto de técnicas analíticas utilizado para resumir dados recolhidos de uma população na forma de valores numéricos e alfanuméricos.1. o que foi observado. Em outras palavras. 4. Demonstração da formação inicial das turmas De acordo com dados obtidos pela coordenação da IES analisada. Segundo ele. a sala encontrava-se como demonstrada no Gráfico 4 (a). a interpretação destas informações deve produzir um resumo numérico que podem ser classificados como dados quantitativos e qualitativos. a partir de uma amostra. .1. No mês de novembro.

90 1º Semestre . . .Permaneceram: alunos que continuam normalmente.Evadiram: alunos que desistiram do curso.31 alunos evadiram. no término do semestre a sala encontra-se na seguinte situação: . .e 9 remanejaram. .Remanejaram: alunos que mudaram de curso. .72 alunos permanecem no curso. De acordo com o Gráfico 4 (a).112 alunos Permanecem Evadiram Remanejaram 8% 28% 64% Gráfico 4 (a) Cabe aqui ressaltar que os termos utilizados nos gráficos significam: .

e 2 remanejaram. . no início do segundo semestre letivo de 2010. a sala encontra-se na seguinte situação: . ou seja. no término do semestre.91 Já a turma do 2º semestre. 2º Semestre . a sala encontrava-se como demonstrada no Gráfico 4 (b). Porém. constava com 98 alunos matriculados.30 alunos evadiram. .98 alunos Permanecem Evadiram 2% 31% Remanejaram 67% Gráfico 4 (b) De acordo com o Gráfico 4(b). no mês de novembro. .66 alunos permanecem no curso.

92 4. os alunos ao se apresentarem para realizar o trancamento de sua matricula ou mudança de curso.1. Problemas financeiros 33% Não tiveram afinidade com o curso Gráfico 5 (a) . Demonstração das alegações apresentadas na Evasão ou Troca de Curso Analisando os resultados. como uma estratégia para levantamento destes motivos.2.Principais alegações apresentadas na evasão ou troca de curso 30% 37% Dificuldades em disciplinas que envolvam cálculos matemáticos. As principais alegações estão dispostas no gráfico 5 (a) – alunos do 1º semestre e gráfico 5(b) – alunos do 2º semestre. verifica-se que a evasão é um problema nesta IES. Sendo necessário sério levantamento de causas para esta situação. passaram a ter que justificar por escrito o porquê da sua opção pela desistência do curso. 1º Semestre . Assim.

as causas que acarretam desistências podem ser ordem: interna ou externas. Portanto fez-se a necessidade de novos dados que buscassem esclarecer as relações dos alunos com as disciplinas que envolviam cálculos. porém o que chama mais atenção é o número de alegações quanto às dificuldades que envolvam cálculos matemáticos que se sobrepõe às de ordem financeira. Problemas financeiros 31% Não tiveram afinidade com o curso DP's ereprovação Gráfico 5 (b) De acordo com Biages (apud SILVA. .Principais alegações apresentadas na evasão ou troca de curso 16% 34% 19% Dificuldades em disciplinas que envolvam cálculos matemáticos. As alegações quanto a problemas financeiros.93 2º Semestre . já as causas externas são as relacionadas ao aluno são aquelas referentes à vocação e a outros problemas de ordem pessoal. As causas internas dizem respeito ao direcionamento da IES. 2005). tida como uma das maiores causas por estudiosos correspondem a uma grande parcela. As análises destes gráficos nos levam a problemáticas tanto de ordem interna quanto de externa.

. Sendo as grades: 1º Semestre: .Matemática e Estatística Aplicada. . . .Marketing. a coordenação forneceu as grades de disciplinas que compunham os semestres analisados e identificou as disciplinas que envolviam cálculos.Custos e Orçamentos.Teoria Geral da administração. .Contabilidade. um questionário que apresentava as disciplinas que envolviam cálculos e três classificações de afinidades (gostam. Foi apresentado então. Os dados obtidos proporcionaram a elaboração dos gráficos 6 (a) e 6 (b).Economia. têm afinidade e detestam). .Direito. com o intuito de tentar esclarecer o porquê deste índice.Recursos Humanos.Estudos formativos: raciocínio lógico e matemático – EAD.Estudos formativos: raciocínio lógico e matemático – EAD. aos 138 alunos que permaneceram no curso.Matemática Financeira.3.1. Para a construção deste gráfico. 2º Semestre . .94 4. Demonstração das Afinidades com disciplinas que envolvam cálculos matemáticos Assim. .Finanças. . . . Fez-se necessário uma análise das disciplinas que compunham a grade e conseqüentemente a afinidade por aquelas que envolviam cálculos.

na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos. 1º. a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade em EAD.EAD Matemáticae Estatística Aplicada Temafinidade Gostam 56 2 14 38 15 26 32 Contabilidade 1 15 8 25 Economia 63 Gráfico 6(a) .MEC nº 4. uma vez que a IES faz jus à Portaria .95 Cabe aqui esclarecer que a disciplina Estudos Formativos: Raciocínio Lógico e Matemático é ministrada em ambiente virtual.059/2004. desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso e suas avaliações sejam presenciais. que permite introduzir. 1º Semestre . Art.Análise de afinidade com disciplinas que envolvam cálculos matemáticos Detestam Estudos Formativos: Raciocínio Lógico e Matemático .

etc.EAD Matemática Financeira Finanças Custos e Orçamentos Tem Afinidade Gostam 40 39 5 12 15 18 21 14 34 46 6 14 Gráfico 6(b) Analisando os resultados.96 2º Semestre . Quando indagados do motivo. percebe-se que em algumas disciplinas o nível de reprovação (detestam) é muito alto. tanto no 1º Semestre quanto no 2º Semestre. operação de ferramentas. Contabilidade apresentou. aproximadamente. Já a disciplina Matemática e Estatística Aplicada apresentou a maior desaprovação dentre as disciplinas presenciais. As disciplinas presenciais apresentaram resultados um pouco melhores. Já a disciplina Custos e Orçamentos. teve desaprovação maior. No 1º Semestre a disciplina que apresentou maior aprovação (gostam). A disciplina Matemática Financeira apresentou 18% de aprovação e 59% de desaprovação. 44% de reprovação.Análise de afinidade com disciplinas que envolvam cálculos matemáticos Detestam Estudos Formativos: Raciocínio Lógico e Matemático .4% de reprovação. foi a de Economia. com apenas 21% de desaprovação. com apenas 1. No 2º Semestre a disciplina que apresentou maior aprovação foi Finanças. falta de interatividade. . aproximadamente 70%. não tinham acesso ao tutor. os alunos alegaram: material excessivo. A maior reprovação deu-se na disciplina Estudos Formativos: Raciocínio Lógico e Matemático. 53% e aprovação somente de 21%.

2 que especifica os transtornos específicos habilidade em aritmética. os alunos foram questionados sobre as principais dificuldades apresentadas em seu processo de ensino aprendizagem em matemática. Estes responderam a um questionário com perguntas que apresentavam os problemas cognitivos relacionados às habilidades matemáticas. o professor é técnico. etc. referentes ao CID 10 – F81. material de difícil compreensão. As principais foram: não entendem Matemática. nunca tinham visto cálculos parecidos.1. .4. 4. Cujos resultados estão apresentados nos gráficos 7 (a) e 7 (b). linguagem difícil.97 Mediante estes resultados os alunos foram indagados dos possíveis motivos para estes resultados de desaprovação das disciplinas. falta de esclarecimento de dúvidas. não lembram o procedimento matemático. Demonstração das principais dificuldades do processo ensino aprendizagem da Matemática Observando que uma das maiores alegações para a desistência do curso estava ligada às disciplinas que envolvem cálculos matemáticos e que a grade curricular do curso é formada por 67% destas disciplinas.

não permitindo estabelecer as relações necessárias para a resolução do problema. 15 10 Dificuldade de resolver a equação ou sistema de equações montado para resolver o problema. 25 Linguagem empregada. 0 Dificuldades Gráfico 7(a) . não pertence ao seu vocabulário. Falhas nas técnicas operatórias.98 1º Semestre . 20 Não entende a relação do enunciado com a pergunta do problema. Dificuldade de representação mental.a.d. 5 N.Principais Dificuldades do Processo Ensino Aprendizagem da Matemática 30 Dificuldade de leitura.

não permitindo estabelecer as relações necessárias pa raaresolução do problema.Principais Dificuldades do Processo Ensino Aprendizagem da Matemática 30 Dificuldade deleitura. . Falhasnastécnicasoperatórias. 15 Dificuldade de representação mental. não pertenceao seu vocabulário.99 2º Semestre . 25 Linguagem empregada. Dificuldades 0 Gráfico 7(b) Analisando-se os gráficos. 10 5 Dificuldade de resolver a equação ou sistema de equações monta do para resolveroproblema. tem-se que as maiores dificuldades estão relacionadas com a falta de pré-requisitos e diagnósticos concisos que acabaram resultando em uma aprendizagem básica de má qualidade. 20 Não entende a relação do enunciado com aperguntado problema.

Demonstração dos fatores de aprovação e desaprovação das disciplinas que envolvam cálculos matemáticos em disciplinas presenciais e à distância. . E observando que as dificuldades nestas disciplinas fizeram parte das principais alegações para a desistência ou mudança de curso. as justificativas se apresentaram distintas para a modalidade presencial e à distância. Diante dos resultados que demonstraram que o índice de desaprovação é alto na maioria das disciplinas que envolvam cálculos. Porém. fez-se necessário que se levantasse os principais fatores que resultaram nesta problemática. Para a coleta de dados.100 4.1.5. foram utilizadas as justificativas que os alunos apresentaram no questionário quanto à afinidade pelas disciplinas.

Apontaram que o material era excessivo. exercícios de difícil entendimento. . porém 66% reprovaram.Problemas de Desempenho do Professor/Tutor Nas disciplinas presenciais. Os alunos afirmaram que os materiais das aulas presenciais eram bem elaborados. sem todas as passagens da .5%. Principalmente nas passagens que exigem pré-requisitos. que os discentes relataram que em outras disciplinas interativas o material instrucional já apresentou melhor elaboração. Já na disciplina à distância. os textos com linguagens muito técnicas. pois afirmam que apresentaram problemas com o entendimento de resoluções de exercícios.5% e de reprovação de 93. Principais justificativas . pois após a demonstração do enunciado o tutor apresenta a resolução “condensada”. não condizia com os conteúdos estabelecidos pela ementa. Relataram também que a forma com que o professor direciona sua aula é primordial para o melhor entendimento. direcionados e distribuídos ao longo do semestre. Os alunos afirmaram que durante as tele-aulas as resoluções dos exercícios não são esclarecedoras. e outros. o índice de aprovação foi muito baixo 6. 33% dos alunos afirmaram que não possuem problemas com relação a esse fator. contribuindo para o melhor entendimento. Cabe dizer aqui.Qualidade do Material e Metodologia Adequada Analisando o gráfico percebe-se que com relação a esse fator os discentes aprovaram muito mais o material na modalidade presencial e desaprovam o material da modalidade interativa. O mesmo não sendo aplicado à disciplina ministrada na modalidade à distância. ou seja. erros de digitação. que entendem com facilidade as explicações dos professores.101 Cabe aqui lembrar que estas justificativas são pertinentes à IES em estudo. Não determinando os motivos alegados como um padrão.

surgem empecilhos e as atribuições do dia-a-dia: telefone.102 resolução do exercício. financeiro. a resposta demorava muito ou até não era respondida. pois afirmam que a instituição apresenta problemas quanto ao atendimento.Feedback Neste fator a aprovação é bem maior nas disciplinas presenciais visto que o professor está próximo dos alunos. e-mail. Alegam que as ligações são demoradas. novela. seja de qualquer natureza: acadêmico. etc. sempre acontece algo com a conexão. pois o ambiente é propício para a aprendizagem. 48% dos alunos afirmaram que não possuem problemas com relação a esse fator. Na modalidade à distância. etc. que acabou gerando grande reprovação na disciplina ministrada na modalidade à distância é que quando buscavam solucionar algum problema. . MSN. preguiça.Relação Aluno x Instituição No ensino presencial. organizacional. visando esclarecer dúvidas de pré-requisitos. . Porém 66% reprovaram. família. Capítulo V . via chat. caem e às vezes não recebem as respostas que necessitam.Motivação Pessoal Analisando o gráfico percebemos uma aprovação maior com relação a esse fator nas aulas presenciais. o índice de aprovação novamente foi baixo 4% e de reprovação foi de 96%. O ambiente acaba ficando mais leve e dinâmico. A maior queixa. pois sempre que precisam resolver algum problema à instituição corresponde às suas expectativas. . fórum. Afirmaram ainda que os tutores deveriam acompanhar. Já quando se tem que estudar sozinho e em casa. ler a resolução dos exercícios. Os alunos alegaram que a grande problemática se dá devido ao atendimento acontecer via telefone. telefone. Os alunos afirmaram que é mais motivador.

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Considerações Finais

Esse estudo buscou verificar através de pesquisa bibliográfica e de campo, a relação da Matemática como um indicador de evasão. Os resultados desta investigação geraram implicações que permitiram concluir que a evasão é resultado de um conjunto de ações de ordem intrínseca e extrínseca ao processo acadêmico e que as dificuldades de aprendizagem em matemática, é apenas um ante os vários norteadores de evasão. O estudo de caso permitiu inferir que quando a EAD apresenta recursos instrucionais e metodologia diferenciada, esta modalidade de ensino viabiliza a democratização da Educação uma vez que a aprendizagem se faz presente. Proporcionou identificar alguns dos principais motivos que levaram os alunos a optar pela evasão ou mudança de curso, tanto na modalidade presencial e à distância, entre os quais estão: insatisfação com o processo educacional, falta de apoio acadêmico, falta de apoio administrativo, problemas com a tecnologia, sobrecarga de trabalho, problemas financeiros, dificuldades de aprendizagem, desmotivação, vocação e problemas de pessoal ou familiar. Frente a essa problemática, cabe às instituições de ensino superior buscar mecanismos que visem à reestruturação do seu relacionamento com os alunos. É papel da instituição, propiciar comunicação, recursos instrucionais e interatividade de qualidade. Acima de tudo fazer com o professor/tutor entenda sua nova atuação. Para aumentar o sucesso e, conseqüentemente, diminuir o insucesso acadêmico, a união de interesses para resolver as questões práticas que surgem no dia-a-dia é imprescindível. O professor/tutor deve criar formas de superar obstáculos e desafios que os levem a realização de suas aspirações. E ainda, precisa conhecer e entender como se processa a aprendizagem no aluno, rever a concepção teórica

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que embasa a sua prática, bem como os instrumentos usados na avaliação. Não é fácil, mas não é impossível; “... rever a própria prática, debruçar-se e refletir sobre ela é necessário a toda profissão” (Pimenta, 2002, p.196) Porém não existe uma lógica uniforme que possa explicar de forma homogênea a evasão para o conjunto visto que alguns fatores estão relacionados às peculiaridades de cada instituição. Como sugestão para novos trabalhos, sugiro uma pesquisa sobre as melhores formas de se desenvolver a motivação em um professor/tutor, já que, segundo o presente trabalho, ele é um ator de extrema relevância para a construção e percepção da qualidade dos cursos oferecidos na modalidade EAD.

Referências Bibliográficas

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Anexos

) linguagem empregada.Qual é a sua relação com a disciplina Economia? a) Gostam b) Tem afinidade c) detestam 2. não pertence ao seu vocabulário. ( ) dificuldade de representação mental não permitindo estabelecer as relações necessárias para a resolução do problema. ( ) falhas nas técnicas operatórias.Questionário 1º Semestre 1. ( ) dificuldade de resolver a equação.Qual é a sua relação com a disciplina Contabilidade? a) Gostam b) Tem afinidade c) detestam 4.Assinale um item que estabeleça melhor sua relação com os exercícios de matemática e disciplinas afins.Justifique. 6. ( ( ( ) dificuldades de leitura.Qual é a sua relação com a disciplina Matemática Aplicada e Estatística? a) Gostam b) Tem afinidade c) detestam 3. ou sistema de equações montado para resolver o problema.Questionário 2º Semestre .106 ANEXO 1 . ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ANEXO 2 .Qual é a sua relação com a disciplina Estudos Formativos: Raciocínio Lógico e Matemático? a) Gostam b) Tem afinidade c) detestam 5. apontando motivos que dificultam a aprendizagem nas disciplinas que envolvam cálculos matemáticos. ) não entende a relação do enunciado com a pergunta do problema.

( ) dificuldade de representação mental não permitindo estabelecer as relações necessárias para a resolução do problema. ( ) falhas nas técnicas operatórias. ) não entende a relação do enunciado com a pergunta do problema.Assinale um item que estabeleça melhor sua relação com os exercícios de matemática e disciplinas afins. ( ( ( ) dificuldades de leitura. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ANEXO 3 .Transtornos em habilidades matemáticas .Qual é a sua relação com a disciplina Custos e Orçamentos? b) Gostam b)Tem afinidade c) detestam 4.Justifique. ( ) dificuldade de resolver a equação. apontando motivos que dificultam a aprendizagem nas disciplinas que envolvam cálculos matemáticos. 6.107 1. ) linguagem empregada. ou sistema de equações montado para resolver o problema.Qual é a sua relação com a disciplina Finanças? b) Gostam b)Tem afinidade c) detestam 2. não pertence ao seu vocabulário.Qual é a sua relação com a disciplina Estudos Formativos: Raciocínio Lógico e Matemático? b) Gostam b)Tem afinidade c) detestam 5.Qual é a sua relação com a disciplina Matemática Financeira? b) Gostam b)Tem afinidade c) detestam 3.

Inclui: • • • • Acalculia de desenvolvimento. de cálculo e raciocínio matemático) acentuadamente abaixo da esperada para a idade cronológica. geometria ou cálculo.IV : F81.108 CID-10: F81.dificuldades aritméticas: • • associadas a um transtorno da leitura ou da soletração . multiplicação e divisão mais do que as habilidades matemáticas abstratas envolvidas na álgebra. Diferentes habilidades . Caso esteja presente uma condição neurológica.1 TRANSTORNO DA MATEMÁTICA Características Diagnósticas A característica essencial do Transtorno da Matemática consiste em uma capacidade para a realização de operações aritméticas (medida por testes padronizados. isto deve ser codificado no Eixo III. não atribuível exclusivamente a um retardo mental global ou à escolarização inadequada. Síndrome de Gerstmann de desenvolvimento . Exclui: • acalculia SOE. trigonometria. . devidas a ensino inadequado.2 TRANSTORNO ESPECÍFICO DA HABILIDADE EM ARITMÉTICA Transtorno que implica uma alteração específica da habilidade em aritmética. DSM . a inteligência medida e a escolaridade do indivíduo (Critério A). Discalculia.2 . Transtorno de desenvolvimento do tipo acalculia. as dificuldades na capacidade matemática excedem aquelas geralmente a este associadas (Critério C). A perturbação na matemática interfere significativamente no rendimento escolar ou em atividades da vida diária que exigem habilidades matemáticas (Critério B). outra condição médica geral ou déficit sensorial.315. individualmente administrados. Em presença de um déficit sensorial. subtração. O déficit concerne ao domínio de habilidades computacionais básicas de adição.

. O Transtorno da Matemática em geral é encontrado em combinação com o Transtorno da Leitura ou o Transtorno da Expressão Escrita. habilidades "perceptuais" (por ex. copiar corretamente números ou cifras. Matemática ou Expressão Escrita. quando não encontrado em associação com outros Transtornos da Aprendizagem) é estimada como sendo de aproximadamente um em cada cinco casos de Transtorno da Aprendizagem. contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).109 podem estar prejudicadas no Transtorno da Matemática.. Curso Embora os sintomas de dificuldade na matemática (por ex. reconhecer ou ler símbolos numéricos ou aritméticos e agrupar objetos em conjuntos). O transtorno em geral torna-se visível durante a segunda ou terceira série. habilidades de "atenção" (por ex. operações ou conceitos matemáticos e transpor problemas escritos em símbolos matemáticos). lembrar de somar os números "levados" e observar sinais de operações) e habilidades "matemáticas" (por ex. Características e Transtornos Associados Consultar a seção "Características e Transtornos Associados" referente aos Transtornos da Aprendizagem. podendo o Transtorno da Matemática não ser percebido até a quinta série ou depois desta. Estima-se que 1% das crianças em idade escolar têm Transtorno da Matemática. uma vez que ainda não ocorreu suficiente instrução formal em matemática até este ponto na maioria dos contextos escolares. A prevalência do Transtorno da Matemática isoladamente (isto é. uma vez que muitos estudos se concentram na prevalência dos Transtornos da Aprendizagem. . compreender ou nomear termos. confusão para conceitos numéricos ou incapacidade de contar corretamente) possam aparecer já na pré-escola ou primeira série. Particularmente quando o Transtorno da Matemática está associado com alto QI. seguir seqüências de etapas matemáticas. à criança pode ser capaz de funcionar no mesmo nível ou quase no mesmo nível que seus colegas da mesma série.. o Transtorno da Matemática raramente é diagnosticado antes do final da primeira série. Prevalência A prevalência do Transtorno da Matemática é difícil de estabelecer... sem o cuidado de separar transtornos específicos da Leitura. incluindo habilidades "lingüísticas" (por ex.

C. A capacidade matemática. a inteligência medida e a escolaridade apropriada à idade do indivíduo.1 Transtorno da Matemática: A. está acentuadamente abaixo do nível esperado. considerando a idade cronológica.315. B. A perturbação no Critério A interfere significativamente no rendimento escolar ou atividades da vida diária que exigem habilidades em matemática. neurológica) ou déficit sensorial.. as dificuldades na capacidade matemática excedem aquelas geralmente a este associadas. Critérios CID-10/DSM-IV Critérios Diagnósticos para F81. Em presença de um déficit sensorial.110 Diagnóstico Diferencial Consultar a seção "Diagnóstico Diferencial" relativa aos Transtornos da Aprendizagem. individualmente administrados. . medida por testes padronizados. Nota para a codificação: Caso esteja presente uma condição médica geral (por ex.2 . codificar no Eixo III.

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