O ensino do gênero da carta de leitor para alunos do 2º ano de ensino médio Isaque HATTU Sandoval Nonato GOMES-SANTOS

(Orientador) Introdução É proposta deste estudo apresentar o processo de ensino e aprendizagem do gênero carta de leitor, realizado junto aos alunos do segundo ano de ensino médio da Escola Estadual Professor Andronico de Mello, Vila Sônia, São Paulo capital. Para tanto, propõe-se nesse artigo descrever e analisar, num primeiro instante, o processo de elaboração do Projeto de ensino didático, que foi previamente discutido com o orientador e professor responsável pela turma onde a intervenção foi realizada, sendo que num segundo momento, será feito uma avaliação do processo de implementação da sequência didática proposta, focando nos pontos fortes e nas dificuldades enfrentadas pelo estagiário, bem como na análise da produção escrita final feita pelos alunos. Este trabalho será complementado pelas informações do contexto escolar e descrição dos componentes didáticos das práticas de ensino-aprendizagem realizada pela professora em sala de aula, fruto do trabalho de 40 horas de observação. Algumas considerações finais serão feitas ao término desse artigo.

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1. Sobre o contexto escolar 1.1 Escola Estadual Professor Andronico de Mello A Escola Estadual Professor Andronico de Mello está situado junto à rua Theo Dutra, 33, Jardim Colombo, Vila Sônia, São Paulo capital. A escola foi fundada em 11 de Outubro de 1965 e, em seu início, ocupava as dependências da atual Escola Estadual Professor Adolfo Trípoli. Desde 1975, com a aquisição e construção do prédio novo, a escola passou a ocupar as instalações do endereço atual. No período de estágio em que esse artigo foi elaborado, i.e., setembro a novembro de 2009, o “Nicão”, apelido pela qual a escola é conhecido entre os alunos e moradores da região, estava passando por amplas reformas estruturais. Em termos estruturais, aliás, a EE Professor Andronico de Mello é composto de um prédio de dois andares com 17 salas de aulas, uma sala de Biblioteca, uma sala de computação, três laboratórios, uma sala de secretaria com uma sala anexa de reprografia, uma sala da diretoria, uma cozinha, seis sanitários, dois vestiários, dois depósitos, uma sala de inspetoria de alunos, uma sala de educação física, uma cantina, duas quadras para práticas esportivas e uma área verde de cercade um hectare. A EE Professor Andronico de Mello em seu site oficial (www.andronic.hpg.com.br) orgulha-se de preparar o seu corpo discente para cursar faculdades de alto nível e para ocupar postos dignos no mercado de trabalho. Visando alcançar esse objetivo, a escola foi homenageada pela Universidade de São Paulo (USP) e Secretaria Estadual de Educação em 2007 como sendo a escola estadual que mais colocou alunos na USP. Em 2001, O Governo de São Paulo também havia diplomado o Andronico como a mais forte escola estadual em todo o Estado. Em 2008, o Andronico tinha cerca de 1900 alunos matriculados no periodo matutino, diurno e noturno, contando com um grupo de cerca de 60 professores, entre efetivos e contratados. A direção e o corpo de funcionários totaliza ao todo cerca de 10 pessoas. 1.1.1 A sala de aula As dependências e as facilidades das salas de aula do Andronico podem ser consideradas satisfatórias e longe do ideal de um ambiente que favoreça o pleno desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. A dimensão das salas de aula usadas pelas turmas de segundo ano do ensino médio tem em torno de 10m x 12m. Cada sala comporta cerca de 35-40 alunos. Não se pode dizer que a sala de aula é considerada confortável. O sistema de ventilação depende totalmente da entrada do ar pelas janelas. Estas 2

não têm cortinas, o que facilita a penetração dos raios solares nos dias mais ensolarados, atrapalhando muitas vezes a concentração dos alunos que estão sentados rente as janelas. Todas as classes possuem lousas na parte frontal da sala. Muitas mesas dos professores estão em condições precárias, ou seja, quebradas. Seguindo uma tendência de se prevenir contra os atos de vandalismo nas escolas, as portas das aulas não têm maçanetas próprias. As maçanetas-chave geralmente ficam com os inspetores de alunos, que são responsáveis por abrir e fechar as salas. As cadeiras usadas pelos alunos em sala de aula são do tipo de conjunto mesa-cadeira. Muitas mesas estão sujas por rabiscos e os efeitos que o próprio desgaste do tempo e uso se encarregam de fazer. A disposição do formato das cadeiras na sala de aula, fica a cargo e gosto dos professores. A professora Maria Rita Cerullo, geralmente, concede liberdade para os alunos sentarem e posicionarem suas carteiras da forma que acharem melhor, desde que isso não prejudique o desenvolvimento das aulas. Outros professores, entretanto, preferem a disposição tradicional das carteiras em filas seqüenciais. Em termos estruturais, a sala de computação da escola é uma grande exceção. Pode-se dizer que a sala é moderna, limpa e equipada com os melhores computadores do mercado. A escola também investiu na compra de aparelho de projeção multi-mídia, o que possibilitou o uso desse ambiente não só por parte dos professores, mas também pelos próprios estagiários. O único problema da sala de computação é a falta de lugares para comportar uma turma de 40 alunos. A reforma que o Andronico experimentou na época em que esse estágio se desenrolou, a saber, a pintura das salas de aula e da secretaria, bem como o intuito de se adquirir novas facilidades (cadeiras, mesas, etc.) só tem a melhorar e favorecer o processo de ensinoaprendizagem. 1.1.2 A professora No início do estágio, o autor desse artigo teve a oportunidade de acompanhar o trabalho realizado pela professora Maria Claudia Ferreira. Entretanto, a professora Maria Claudia Ferreira estava na iminência de adquirir sua licença-prêmio, que veio a ocorrer na primeira semana de setembro. Como a professora Maria Claudia Ferreira também estava no último ano de sua carreira profissional, ela aproveitou a sua licença-prêmio para dar entrada no seu pedido de aposentadoria. Desde então o estágio de observação e intervenção do autor desse artigo focou-se no trabalho realizado pela professora Maria Rita Cerullo. A professora Maria Rita Cerullo é responsável por lecionar Língua Portuguesa em très turmas do terceiro ano e quatro turmas do segundo ano de ensino médio, todos no período 3

3º B e 3º H. nas turmas da professora Maria Rita. pelo testemunho da secretaria da escola. o autor pòde notar que as professoras optaram por utilizar dois tipos de material didático: o material didático oficial. quando acontece.2 Descrição dos componentes didáticos das práticas de ensino-aprendizagem Durante o período de observação das aulas de português das professoras Maria Claudia Ferreira e. A professora Maria Rita tem ampla experiência no ensino de português na rede pública e leciona há mais de cinco anos no Andronico. de segunda-feira até sexta-feira. brancos. A convivência dos alunos. sendo que. pela observação do estagiãrio. há mesmo alguns alunos vieram por transferência de escolas particulares renomadas. distração e gosto pela conversa entre os amigos. Há grande variedade de “raça” entre os alunos. Durante os três meses de observação e estágio no Andronico. Diferentemente de outras escolas que o estagiário teve oportunidade de observar em semestre anterior. e 2º D. 4 . com presença negros. além das turmas de 3º A. 1. não tem a tendência de descambar para a violência verbal e física. Há sempre uma interação e um canal de diálogo aberto entre a professora e os alunos. Ou seja. 2º C. mulatos e descendentes de asiáticos. além do material extra-oficial. composto pelo livro de Língua Portuguesa determinado pela direção da escola. mas. Maria Rita Cerullo.3 Os alunos A professora Maria Rita Cerullo leciona português nas turmas do 2º A. Em termos sociais. fornecido pela secretaria da educação do governo do estado de São Paulo. pode ser considerada pacífica e amigável. especialmente. quando a condição disciplinar em sala parece estar fora do controle. A maioria dos alunos pode ser categorizada como sendo de classe média. 2º B. pode-se concluir que a bagunça não é suficiente para interromper o processo de ensino-aprendizagem estabelecido em sala de aula.matutino. Por muitas vezes. nada que lhes impeça de mostrarem o total desinteresse pelos conteúdos ministrados em sala de aula. os alunos da professora Maria Rita se comportam bem em sala de aula. sendo responsável ao todo por cerca de 245 alunos. acrescido dos materiais selecionados pela iniciativa própria das professoras. Os alunos têm os seus períodos de agitação.1. não foi constatada nenhuma briga ou atos de vandalismo. os alunos da professora Maria Rita são de diferentes camadas sociais. uma intervenção mais rígida e firme por parte da professora é suficiente para restabelecer a ordem mínima necessária para a condução do processo de ensino em classe. 1. Em termos gerais. os alunos jamais pronunciaram uma palavra de baixo calão à professora. composto pelo caderno de aluno e professor. A bagunça e a agitação das turmas.

Para isso. como por exemplo. os substantivos compostos (Caderno do aluno. ela pediu os alunos que trouxessem o dicionário e pesquisassem a forma de escrever e o significado das palavras mais difíceis. volume 3. levita e fragor (Livro extradidático págino 262). 36). . Entre os assuntos abordados nessa obra constam. . as fontes das práticas de ensino-aprendizagem da professora Maria Rita basearam-se no livro Português: linguagens (vol. redação. Durante a aula da professora Maria Claudia. Dentre os principais objetos de ensino e as práticas de linguagem empregadas em sala de aula durante o período de estágio. a estagiária Taciana devolveu as redações dos alunos e aproveitou a ocasião para analisar os erros sintáticos.Objeto de ensino discursivo: leituras de vários textos que se aproximam do cotidiano.Dessa forma. Foi trabalhada em sala também a formação do plural metafônico. questões relacionadas à gramática. literatura.Objeto de ensino ortográfico: baseado na poesia Mais Luz de Guilherme de Azevedo e o soneto A Um Poeta de Antero de Quental. a professora Maria Rita aproveitou a oportunidade para trabalhar a questão ortográfica. a saber. pag. Didaticamente. Na aula do dia 23 de outubro.1 Os objetos de ensino e as práticas de linguagem . a professora Rita trabalhou com classes gramaticais. de como a classe deve se atentar às classes de palavras variáveis e invariáveis. o texto sobre a questão do voto e as transformações sociais. romantismo. impassíveis e inextinguíveis.literatura. como ele se posiciona. podemos citar as seguintes: 1. . dentre outros. naturalismo. linguagem. realismo.2. 2) . argumenta e procura dar uma coesão entre todas as partes dos elementos que compõem o texto.Prática de linguagem (leitura-escuta): durante o curso. passando algumas dicas de como evitar alguns vícios de linguagem. da autoria de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães. a professora Maria Rita encorajou a leitura em voz alta de várias poesias. Foi analisada a partir de então o ponto de vista do autor. Rita ensinou aos alunos a diferença no processo de elaboração dos substantivos compostos. como de Fernando Pessoa.Objeto de ensino gramatical: correção sintática das redações dos alunos. além do caderno do aluno. como crapulosos. Antero de 5 . parnasianismo e simbolismo. produção de texto e gramática (n° 2).

Quase nada foi mencionado em termos das diferentes formas de genêro textual e fala. 1. como o extrato de O Primo Basílio (Livro extra-didático. a professora Maria Rita solicitou várias vezes a elaboração individual de redação. os exercícios de interpretação de texto. O gênero carta de leitor acabou se tornando uma das únicas alternativas de produção escrita que se diferiu das redações. vocês se lembram quando nós discutimos a respeito das três partes essenciais do corpo de uma redação?” Ao tratar da obra Dom Casmurro. Na aula em que a estagiária Taciana estava ministrando a respeito das características de uma boa redação. tanto oralmente. a professora. não foi notada a presença de nenhuma produção escrita de poesia ou conto.Quental. com a intenção de resgatar na memória do aluno a associação do conteúdo já ensinado anteriormente.Pratica de linguagem (a reflexão sobre a língua): limitou-se às explicações do desenvolvimento da Língua Portuguesa no Brasil. Olavo Bilac. 284). a importância de se valorizar e respeitar as regionalidades e peculiaridades. A professora empregou muitas vezes este recurso. as razões das diferenças.2 Os gestos profissionais e os instrumentos didáticos . . além de trechos de romances. Durante as mais de 40 horas de período de observação. visando sempre preparar os alunos para enfrentarem as provas finais e os vestibulares. que a professora Rita chamou a atenção dos alunos para focarem a questão da metalinguagem. .2. por exemplo. pag. Foi durante a leitura de Dom Casmurro. Durante a leitura dos textos. através das explicações dos períodos da literatura brasileira e o contraste com as caracteríticas do mesmo período histórico em Portugal. pág. por exemplo. utilizando-se para isso de várias perguntas. quanto por escrito. com variados temas e assuntos.Apelo à memória foi um dos instrumentos frequentemente empregado no início das aulas e mais ao final do curso. usou a oportunidade para elaborar a pergunta “Turma. a professora instruiu os alunos a ouvirem atentamente para que pudessem responder. a professora Maria Rita utilizou-se do filme Dom Casmurro como uma das refêrencias para a interpretação da obra original e indagou à 6 . 264) e Dom Casmurro (Livro extra-didático.Pratica de linguagem (produção escrita): como parte integral do curso de português.

2. dentre outros. gravador. numa média de cada 7 . A professora Maria Rita elaborou diversas atividades em grupo. jornal. A regulação como forma de gesto profissional veio em forma da explicação de como os alunos devem se portar no momento da apresentação do seminário. acompanhados de pequenos “simulados”. . nomes das principais obras. especialmente para os seminários de apresentação das leituras dos livros obrigatórios e períodos da história da literatura brasileira. para que findasse a conversa e ficasse em silêncio. “Vocês se lembram o que aconteceu na abertura do livro?” “O que vocês acharam do filme?” . sem pressa. dentre outros ítens.. nas diferentes turmas do segundo e terceiro ano de ensino médio. figuras e gravuras. sem correria. além de solicitar à classe.Instrumentos didáticos de ordem discursiva e de ordem material: os instrumentos didáticos utilizados pelas professoras foram cadernos de aluno e livro extra-didático. computador. i. É preciso ressaltar que a postura dos alunos durante o momento de apresentação dos seminários também está ligado à questão da institucionalização do saber. Essa revista deveria conter a história. A maioria dos trabalhos consistia em tarefas de caráter individual baseada nos exercícios do caderno de aluno e livro extra-didático determinado. elaboração de redação. com português apropriado. um outro tipo de tarefa muito empregado pela professora Rita.e. revistas. foi uma das formas de formulação de tarefas feitas pela professora Maria Claudia. os nomes dos principais autores. papel impresso. giz. pontuando claramente os tópicos. foi a tarefa de elaboração de uma revista temática sobre um determinado período da literatura brasileira. com boa entonação de voz. atividades e tarefas. Além das tarefas tradicionais de resolução dos exercícios do caderno do aluno e do livro extra-didático.classe. em determinados momentos. Assim. internet. textos do cotidiano. etc.. lousa.Formulação de tarefas: a seleção de exercícios de vestibulares de universidades renomadas com a intenção de verificar se o aluno está ou não atento em relação às instruções das provas de vestibular. as atividades e tarefas A professora Maria Rita empregou durante o curso diversas formas de trabalho escolar. 1. dentre outros. tais como interpretação de texto.3 As formas de trabalho escolar.

Essa metodologia foi utilizada especialmente nas apresentações dos seminários sobre os livros de literaturas. por exemplo. Além do trabalho individual. a professora utilizava um momento da aula para verificar se os alunos haviam feitos os exercícios. entretanto. e também nos seminários de apresentação sobre os períodos históricos da literatura brasileira como. por exemplo. servia como uma das principais fontes de motivação para os alunos realizarem as suas tarefas. onde um grupo apresentou o pano de fundo e as obras de Vinícius de Moraes. como a do trabalho em grupo. aliada ao medo de não obter uma boa pontuação. O caráter da nota. Além das tradicionais atividades de resolução dos exercícios do caderno do aluno. Dom Casmurro. aliás. A maioria das atividades propostas pela professora Maria Rita foram feitas para serem apresentadas. dos seminários de apresentação dos livros de leitura obrigatórios e períodos da história da literatura brasileira. algumas atividades. 8 . atribuindo um visto (com valor de pontuação) a ser agregada na nota final do aluno. como. O ensino do gênero carta de leitor e a sua elaboração veio acrescentar uma nova forma de atividade e tarefa no curriculo da professora. Eis a razão pela qual ela se mostrou muito aberto à constribuição das idéias e atividades propostas pelos diversos estagiários. planejando e pesquisando junto o objeto de ensino. A professora sempre incentivou os alunos a levarem e usarem os dicionários na medida em que estivessem entrando em contato com novas palavras. a terceira fase modernista.duas aulas. Diferentemente das provas. teve como intenção treinar o aluno a trabalhar com os demais colegas de classe. a professora Maria Rita também elaborou formas de trabalho coletivo. Por diversas vezes Rita encorajou os alunos a utilizarem as dependências da biblioteca da escola. além de acessarem a rede mundial de computadores. a professora Maria Rita também sempre se mostrou aberto a experimentação e criação de novas formas de atividades. corrigidas e devolvidas em sala de aula.

principalmente da língua escrita. de forma geral. . consiga. as relações que faz entre os conteúdos disciplinares e sua vivência tornam-se mais significativas”2. 13. a intenção da elaboração desse projeto foi. como se dá esse processo de ensino e aprendizagem. 17 (2000) 2 PCN. Um projeto para gênero carta de leitor Tendo-se por base que os Paramêtros Curriculares Nacionais (PCNs) almejam que a Língua Portuguesa. Por outro lado. além do que. 3. Dessa forma. pg. a intenção desse projeto foi a de averiguar de forma crítica. 3 Ibid. e o gênero carta de leitor. durante o seu período de ensino e aprendizagem no ensino médio. n. pg. Códigos e suas Tecnologias. É preciso ressaltar que “se na sala de aula. dentre muitos dos seus objetivos. pg. quais são os pontos fortes e fracos. fazer com que o aluno supere. os limites do mero uso básico e instrumental. pg. 9 . Parte II: Linguagens. o autor desse artigo resolveu desenvolver um projeto de ensino do gênero carta de leitor para os alunos do segundo ano de ensino médio. citada por Denise Porto Cardosos e Antonieta Emanuelle S. de forma específica. no processo de ensino e aprendizagem da Lingua Portuguesa já em pleno percurso no Andronico. 2002. a capacidade dos alunos em assimilarem a proposta de sequência didática. O gênero carta de leitor foi escolhido para trabalhar e aprimorar a capacidade de uso da função social da Língua Portuguesa.jul/dez 2006. 1 Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio. “a situação formal da fala/escrita na sala de aula deve servir para o exercício da fala/escrita na vida social” 3. e quais seriam as disparidades entre a parte teórica e prática. primeiro.2. em Interdisciplinar. v. da Silva. as dificuldades na implementação do projeto. como parte integrante das Linguagens. vindo a desenvolver a competência e a habilidade em Língua Portuguesa para “confrontar opiniões e ponto de vista sobre as diferentes manifestações da linguagem verbal”1. 2. 78. Cartas do Leitor: Atividades para o Ensino Médio. 22. contribuir com o ensino de gêneros textuais. o estudante analisa textos com os quais convivem fora da escola. Códigos e suas Tecnologias.

L. & XAVIER.) Hipertextos e gêneros digitais. como algo relacionado à religião. o gènero carta originou outras variedades de gêneros de cartas mais específicos. Segundo Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva. petição. A. o corpo textual. publicados ou divulgados anteriormente em jornais ou revistas. e. expressões cordiais de despedida e assinatura.C. comentar. o destinatário do conteúdo da carta do leitor pode ser. Na era da tecnologia e da informação.1 Sobre o gênero carta de leitor O gênero carta do leitor pode ser definido como um gênero textual onde o leitor expressa a sua opinião (favorável ou não) sobre textos. a alusão à matéria. dentre outros aspectos.M. Devido à questão de espaço. elogiar. com outros propósitos. carta comercial. a data. ou mesmo. (Orgs.4 Em termos práticos. geralmente. reclamar. Alguns elementos que geralmente compoem a carta de leitor são os vocativos. a carta do leitor surge como uma forma de evolução natural do desenvolvimento e modificação que o gênero discursivo carta sofreu no decorrer dos tempos. políticas. Para que as cartas dos leitores sejam publicadas. entre outros.L. a estrutura da carta de leitor assemelha-se à carta argumentativa. além do próprio jornal. a carta surgiu na Grécia antiga e foi utilizada para questões militares. a maioria das revistas e jornais mencionam explicitamente que se dão o direito de editar as cartas recebidas e escolhidas para serem publicadas. com a intenção persuasiva. manifestação. Devido as transformações e demandas da sociedade. reportagem ou assunto a ser comentado. 4 PAIVA. como a carta familiar. servir para criticar. agradecer e sugerir. aos poucos. V.A. muitas cartas de leitores tem sido enviados via e-mail ou mesmo através de um formulário de preenchimento de texto preparado pelo próprio web site do meio de comunicação em questão. É necessário que o autor deixe sempre bem claro. e. assuntos. a carta de leitor. Rio de Janeiro: Lucerna. revista ou repórter. dentre tantas.O. as revistas ou os jornais solicitam que os leitores enviem cópia das informações e dos seus documentos originais. reportagens ou notícias. Como um gènero que está diretamente ligado à função social da escrita. O propósito comunicativo da carta do leitor pode ser também. E-mail: um novo gênero textual. aos demais leitores do meio de comunicação em questão.p. In: MARCUSCHI. administrativas. o local. 2004.2. endereçado à determinado sujeito ou instituição mencionado na notícia. Estes critérios são necessários e até obrigatórios. vindo posteriormente a ser uma mensagem particular. documentação. Muitas vezes.68-90 10 .

considerar o lugar institucional e o momento social de onde se enuncia. A descrição dos conteúdos de cada hora aula ficou da seguinte forma: 1ª h/a: Nessa primeira aula. o domínio dos modos de produção e significação dos discursos da esfera jornalística. elaborou-se vários tipos de perguntas. A Prática de Linguagem em Sala de Aula – Praticando os PCNs. 11 . 6 Ibid. ortográfica.).5 Assim sendo torna-se importante para os alunos que durante o seu processo de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa. juntamente com o orientador. é também uma forma de ensinar o aluno a exercer a sua cidadania plena. ou mesmo social. construir a imagem dos interlocutores.2 Descrevendo o Projeto de ensino O projeto de ensino didático do gênero carta de leitor foi elaborado. São Paulo. 213-214. estabelecer o objeto do enunciado e pôr-se em uma relação valorativa diante do objeto do enunciado e dos outros discursos sobre o mesmo objeto.6 2. 217. ou seja. além de trabalhar a competência e habilidade discursiva do aluno para além dos gêneros escolares. são os grupos sociais que mais se beneficiam do espaço da cobertura jornalística. citado por Kátia Lomba Brakling. Para facilitar a interação com a turma. o gênero carta de leitor abre espaço para que os alunos tratem de questões de convívio social e ética. mas com questões de ideologia. evitando que venham futuramente a ser manipulados facilmente. O genêro carta de leitor nesse sentido lida não somente com a questão gramatical. Empregando devidamente esta ferramenta de função social. pode-se dizer que o gênero carta de leitor serve. Pg. visando sempre fazer com que o aluno se 5 Trabalhando com Artigo de Opinião: Re-Visitando o Eu no Exercício da (Re)Significação da Palavra do Outro. para o bem estar de sua própria existência na sociedade.Quanto a importância de se lecionar o gènero carta de leitor no ensino médio. In: Roxane Rojo (Org. Semelhantemente ao gênero artigo de opinião. sendo impelidos à necessidade de compreender. sob o aval da professora Maria Rita Cerullo. pg. Kátia Loba Brakling. que segundo José Marques de Melo. seus pontos de vista. trabalhar gêneros textuais e gênero carta de leitor. na medida em que ele se manifesta ou se posiciona perante uma determinada matéria ou reportagem jornalística. eles tenham condições de estarem cientes a respeito da inexistência do caráter imparcial de qualquer notícia em revista ou jornal. Educ. na medida em que os alunos tem a oportunidade de se colocarem discursivamente como autor. para ser implementado em seis horas aula. o aluno terá a possibilidade de contrapor as idéias e pensamentos das instituições hegemônicas. propôs-se a introdução do tema geral e específico da intervenção.

ser sujeito. propôs-se em primeiro lugar fazer uma retomada da aula anterior. datada de 12 . será impresso uma seção do painel do leitor do jornal A Folha de São Paulo. reclamar de alguma notícia ou assunto de revista ou jornal.Qual o objetivo de aprendermos a Língua Portuguesa na escola? . quais são os que terão menos atenção. além da carta de leitor ser útil para possibilitar o aluno a comentar. O objetivo final dessa interação com os alunos é transmitir o fato de que. o aluno tem a oportunidade de ser autor. Ou seja. de forma prática.familiarize e compreenda da forma mais simples possível o objeto de ensino a ser abordado. Logo após trazer à memória do aluno o conteúdo discutido na aula anterior. Para facilitar a identificação e compreensão das características do gênero carta de leitor. perguntando aos alunos sobre o assunto que eles estão estudando atualmente. o propósito da segunda aula foi o de aprofundar o conhecimento do gênero carta do leitor. usaremos a Língua Portuguesa. Pode-se perceber a partir das respostas. de se posicionar ideologicamente perante qualquer meio de comunicação ou grupo social dominante. opinar. quais são os ítens que o estagiário precisará trabalhar ou enfatizar mais. ensinando aos alunos as características peculiares pertencentes a este gênero. sugerir.Será que durante a nossa vida. agradecer. Antes de entrar nas características do gênero carta de leitor propriamente dito. da mesma maneira em todos os lugares e em todas as situações? .Quais são os tipos de gêneros textuais? .O que é uma carta de leitor? . procura-se nessa aula incetivar o aluno a começar a refletir sobre a importância de desempenhar plenamente a sua cidadania. elaborou-se a pergunta sobre “Qual é a importância do gènero carta de leitor?” A intenção dessa pergunta é recolher o máximo de informações por parte dos alunos e concluir de certa maneira qual é o grau de conhecimento que eles têm a respeito desse gênero.O que é um gênero textual? .Quais são as características particulares do gênero carta de leitor? 2ª h/a: Nessa segunda aula. Algumas das questões feitas foram em classe foram: .

o estagiário irá se direcionar a turma e perguntar “Quais são as características particular do gênero carta de leitor?” Após ouvir as variadas respostas. procurando atentar-se para as características em comum presentes em cada carta. 3ª h/a: Semelhantemente à segunda aula. Logo após dar tempo suficiente para os alunos lerem as cartas do leitor. Na medida em que estiver lecionando esses meios linguísticos. intitulada Escrita e Progressão Sequecial. Propoem-se então dar continuidade ao ensino do gênero carta de leitor. o ensino do gênero carta de leitor será retomada através da sistematização das características pertencentes a este gênero. pergunta-se para a classe quais são as diferenças entre as características da carta comercial e da carta de leitor. utilizará do tempo em sala de aula para ensinar técnicas de repetição e sequenciação que ajudam a aprimorar e dar efeito de sentido persuasivo na carta de leitor. Essa teoria é baseada no capítulo sete do livro Ler e Escrever de Ingodore Villaça Kock e Vanda Maria Elias. 13 . como forma de complementar a elaboração do conteúdo de uma carta de leitor. a terceira aula deve ser iniciada com a retomada do conteúdo das aulas anteriores. o estagiário proporá à turma que empregue ou utilize variados meios linguísticos para incrementar a composição da carta de leitor. Logo a seguir. A atividade a ser proposta é que os alunos leiam as cartas dos leitores. de perpetuar a compreensão e familiaridade com o gênero carta de leitor.sábado. utilizando-se de perguntas para situar os alunos em relação ao conteúdo já ensinado até então. quanto à forma de produção escrita dos conteúdos da carta de leitor. Para isso. teria que se aliar a Judas. 24 de outubro de 2009. projeta-se nessa aula uma comparação entre uma carta comercial e uma carta do leitor. abrir-se á espaço para interagir e tirar as dúvidas dos alunos. Os alunos deveriam então responder quais eram as características pecualiares pertencentes ao gênero carta de leitor. que complementará as respostas que os alunos porventura ainda não tiverem mencionado durante a interação. Logo a seguir. Com o intuíto de facilitar. tanto em termos da estrutura de elaboração da escrita técnica da carta. (anexo 1) onde vários leitores comentaram a frase do presidente Lula que disse que se Jesus Cristo vivesse no Brasil.

todavia. reportagens ou artigos publicados... “Discordo quando Fulano.”. “Quanto à questão Y.Qual será o objetivo principal da minha carta? Seria tecer uma crítica? Sugestão? Opinião? Comentário? Concordância? Elogio? . penso que . aproveitarse-á o 14 .. Jesus teria que se aliar a Judas”..Quais os tempos verbais serão mais empregados? Presente? Passado? Futuro? .. . Dessa forma. etc. discordo..A carta será endereçada para quem? Para o jornal ou a revista? Para o autor da reportagem? Para as pessoas ou os fatos mencionados pela reportagem? Para os outros leitores da revista ou jornal? .. sendo disponibilizado. etc. “Quanto à reportagem de capa ‘Rio 2016’.Estou me posicionando de forma clara em relação ao assunto que irei escrever? Não se esqueça de que alguns verbos que podem usados para marcar um posicionamento são: concordo.. A diversidade das opções visa meramente fazer com que o aluno tenha fácil acesso a diversas fontes de noticias. .Quais os adjetivos podem ser aproveitados? ..Quais os advérbios podem ser empregados? . será realizada uma revisão geral e final de todo conteúdo e características que não devem faltar no gênero carta de leitor. A revisão geral será conduzida mediante a elaboração de diversas perguntas endereçadas aos alunos. creio. tempo para que os alunos possam iniciar a composição de suas respectivas cartas de leitor.4ª e 5ª h/a: Na quarta e quinta aula será apresentada a proposta da atividade de produção escrita final. Ex: “Eu concordo com a reportagem X. Algumas dessas perguntas são: . concordo que .Todos os meus dados pessoais já foram claramente mencionados na carta? A proposta de elaboração da produção escrita final da carta do leitor constará de várias opções.. Antes da implementação prática da atividade.”. penso.”.”.”. baseadas numa “lista de checagem” que verificam se os elementos fundamentais da carta de leitor estão presentes ou não em suas composições. penso que . afirmo.Já fiz uma referência clara em relação ao nome do artigo que irei comentar? Não se esqueça! Ex: No que diz respeito ao artigo “Lula: No Brasil. em sala de aula..

Aproveite o jornal Metro que você tem em mãos e selecione uma das reportagens. da escola possuir a tiragem de 40 exemplares do jornal Metro. Com a rapidez atual das comunicações. Escreva uma carta de leitor à Folha de São Paulo. uma matéria polêmica e envie uma carta à redação manifestando a sua opinião. consultando. o professor ou estagiário. 2. porque eventualmente a sua poderá ser selecionada para publicação. sempre que houver alguma dúvida. ou mesmo relacionado à precisão dos comentários sobre determinado conteúdo Leia o texto da reportagem “Namíbia é limpa e não parece África. sendo que as revistas. em um jornal ou revista. emitindo a sua opinião sobre o fato do julgamento do jornal ter inocentado a Capitu. como se diz. os jornais costumam publicar cartas apenas sobre matérias do dia anterior. Não se esqueça de que a carta tem de ser enviada. por motivo da falta de provas. por exemplo. no calor da hora. a demonstração de uma deficiência na composição estrutural da carta. No final da aula. 6ª h/a: A proposta desta última aula é devolver a produção escrita das cartas de leitores aos alunos. Pede-se que um aluno leia em voz alta e depois é discutido com a turma quais são as características do gênero carta de leitor que estão presentes nas cartas lidas no momento. da acusação de ter traído o Bentinho. ou levantem alguma dúvida sobre a forma de composição das cartas de leitor do jornal Metro. Logo após a distribuição da proposta de produção final do texto escrito. Após dar oportunidade para que os alunos possam levantar algum questionamento sobre a proposta de produção escrita final. Selecione. Não deixe de verificar a seção de carta. para dar oportunidade dos alunos escreverem uma carta de leitor tendo uma dessas fontes. página 365 do seu livro extra-didático e envie uma carta de leitor emitindo sua opinião sobre 15 . diz Lula. sendo que aqueles que não terminaram deverão entregar na próxima aula. pontuando as dificuldades e os êxitos que estes tiveram no processo de composição final. uma questão gramatical. o assunto.fato do livro extra-didático conter reportagens de jornais. 3.”. deverão entregar ao professor. instruiremos a classe para começar a elaborar e compor as suas cartas de leitores. os alunos que conseguiram terminar de redigir a carta. A proposta da atividade final será apresentada da seguinte forma: 1. sobre matérias da última semana. proporemos a leitura em voz alta de algumas cartas de leitor do jornal distribuído em sala de aula. e dos alunos terem que ler o livro Dom Casmurro. Vários pontos podem ser ressaltados nessa avaliação final como.

procurou-se aproveitar a infra-estrutura da escola e usar o projeto multi-mídia como instrumento de ensino. Sobre a intervenção didática A descrição da intervenção didática será divida em duas partes. 3. em relação as perguntas que havíamos preparado para a primeira aula.das reportagens ou notícias. e as áreas que tiveram mais dificuldades. Em termos de instrumentos didáticos. Além do projetor multi-mídia. Por isso. Abre-se a oportunidade para a última interação e espaço para pronunciamento das considerações finais. O clima inicial da implementação didática pode ser considerada muito boa. 3. As respostas que os alunos deram. Essa avaliação será usada como base de ponderação para as considerações finais. ao 16 . bem como do relato das formas de interação e participação dos alunos na implementação prática da sequência didática. A primeira constará do relato das práticas de linguagem. conseguimos estabelecer uma aproximação. de caráter primordialmente descritivo. A intenção dessa avaliação é mostrar as áreas e elementos teóricos que os alunos deixaram de lado e que poderão explorar no futuro. através das perguntas pré-preparadas. interação e diálogo com a turma. Alguns tiveram que sentar no chão. O objetivo dessa segunda parte é tentar pontuar as áreas e elementos teóricos que os alunos utilizaram da forma mais frequente. revelam muito da realidade que estes tem experimentado no processo de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa.1 Descrevendo as práticas de intervenção A primeira até a terceira aula foram realizadas no laborátorio de informática da escola. A segunda parte. constará de uma análise quantitativa e qualitativa. gestos profissionais e instrumentos didáticos utilizados e praticados na intervenção. do grau de dificuldade e compreensão geral do gênero carta de leitor. foram usadas também a lousa e material impresso sobre o conteúdo da matéria. Essa avaliação também serve para perguntar aos alunos a respeito daquilo que eles acharam da atividade de intervenção como um todo. das produções escritas final feita pelos alunos. Isto é. Um primeiro problema que surgiu foi a falta de espaço para que todos os alunos pudessem garantir um assento em sala.

não deixando transparecer nenhuma dúvida. da língua (saber ler e escrever corretamente). Alguns responderam sobre o aspecto da importância de se aprender a literatura. As respostas dos alunos acabaram revelando por si mesmo a razão pela qual tiveram grande dificuldade em responder a pergunta sobre o que é um gènero textual. que só veio a ajudar os alunos na visualização e compreensão do conteúdo transmitido. Esse era um sinal apropriado então para fazer a transição e entrar diretamente no assunto gênero textual e gênero carta de leitor. e a partir dali fazermos a conexão com a definição do conceito de gênero textual. usaremos a Língua Portuguesa. Um dos problemas que enfrentamos. feminino e neutro na Língua Portuguesa?”. já que a leitura acabou sendo muito dificultada. procuramos então lançar outras perguntas que não estavam no planejamento da sequência didática. 17 .responder “Qual o objetivo de aprendermos a Língua Portuguesa na escola?”. citaram que há uma clara diferença entre o uso da Língua Portuguesa em contexto de balada/festa e contexto formal de ambiente empresarial. Muitos. “O que se entende por gênero sexual?” Sendo assim. como. Algumas respostas eram bastante simplistas. foi a qualidade da impressão e tamanho das fontes (muito pequenas) da seçao de leitor do jornal a Folha de São Paulo (anexo 1). “O que significa falarmos em gênero masculino. Durante a ministração das três primeiras aulas. gramatical. entretanto. apesar do próprio material oficial do governo trabalhar a Língua Portuguesa a partir dessa abordagem. de forma prática. como “um texto diferente do outro”. utlizamos o projetor multi-midia de forma intensiva. em termos de uso de material didático. por exemplo. como exemplo. A pergunta que facilitou definitivamente a compreensão dos alunos quanto a existência das diferenças de gênero textual foi “Será que durante a nossa vida. que quase comprometeram o andamento da atividade em sala de aula. da mesma maneira em lugares e todas as situações?” A resposta dos alunos foram rápidas e imediatas. Visando facilitar a pergunta e tentar tirar da memória do aluno uma resposta mais precisa. sendo que nenhum respondeu sobre a importância de se obter o conhecimento histórico de nossa língua ou a importância de dominar os modos de produção para ter melhor competência e desempenho possível no uso cotidiano. a maioria absoluta dos alunos responderam sempre enfatizando o aspecto prescritivo.

já que as definições projetadas em sala de aula via multi-mídia eram definições de textos teóricos a nível de universidade (como de Marcuschi) (Vide anexo da apresentação do power point utilizado na intervenção – anexo 2). em termos de intervenção em sala de aula. a saber. Da quarta até a quinta aula. não tivemos maiores dificuldades no processo de ensino e aprendizagem. reclamaram. das técnicas de repetição e sequenciação. O tempo dado aos alunos para elaborarem a carta de leitor foi também considerada suficiente. diferentemente do planejamento da sequência didática. Procuramos sempre utilizar do apelo à memória como um gesto profissional que pudesse certificar o processo de captação da transmissão dos saberes ensinados nas aulas anteriores. incetivamos o uso das figuras de linguagem. procuramos incentivar os alunos a usarem da criativade e do pratrimônio teórico linguístico adquirido nos dez anos de ensino prévio da Língua Portuguesa. Na parte que tange a ministração das partes teóricas que poderiam incrementar a qualidade dos textos das cartas de leitores. deve ser anotada que poderíamos simplificar a definição conceitual de tipo de texto e gênero textual que fora apresentada aos alunos. que provavelmente haviam sido ensinados pelos professores anteriores. foi o fato de que muitos alunos reclamaram que os professores anteriores não haviam lecionado ou ensinado nenhum desses elementos linguísticos que seriam relevantes agora na composição de um texto da Língua Portuguesa em contexto da vida social. o que surpreendeu. Durante a ministração dessa parte teórica. podendo terminar e revisar em casa. que poderiam ser usados sempre dentro do contexto de intenção persuasiva e posicionamento do autor em relação à materia publicada. diminuindo as dúvidas que poderiam surgir.Durante a ministração sobre a análise e identificação das características particulares pertencentes ao gênero carta de leitor. 18 . o ensino dos elementos linguísticos. acabamos propondo uma atividade de leitura e discussão dos textos impressos em pequenos grupos. sarcamo. já que começariam a elaborar em sala de aula. Por fim. que não sabiam como poderiam utilizar dessas técnicas e teorias em outro contexto sençao àquele que não seja o escolar. A presença do jornal como material didático concreto que exemplificasse a produção final do gènero carta de leitor proposta aos alunos. entregando em outro dia. que foi bem aceita pela classe. cuja linguagem (altamente técnica) mostrouse dificil de ser compreendida e assimilada pelos alunos. dentre outros elementos. sob acompanhamento e supervisão do professor e estagiário. analogia. ironia. humor. facilitou muito a compreensão do produto final que eles teriam que entregar. Ou seja. Se haviam sido ensinados.

todos os vinte e cinco alunos escreveram os seus nomes completos. Ao selecionar algumas das produções para serem lidas e comentadas em sala de aula. Dezessete alunos acrescentaram de forma clara aos seus nomes. quanto pela professora. data. ainda que fosse tão somente um 7 Alusão clara à matéria a ser comentada. discordo. Dois alunos não escreveram nem a data e nem a cidade em suas respectivas cartas. nome completo do rementente. levaremos em conta se os alunos empregaram em suas cartas três aspectos teóricos importantes: a parte estrutural da carta7. É interessante notar também.2. concordo. o emprego dos verbos/termos para posicionamento do autor8. como a questão gramatical. sou da opinião que. sugiro. quanto àquelas julgadas como as que mais se aproximaram do ideal teórico. o nome da cidade e data da composição de suas cartas. nem todos os alunos colocaram a data e a cidade de origem. poderia ser levado em conta. sendo que quatro alunos escreveram só a data e um aluno identificou só a cidade.2 Breve análise quantitativa e qualitativa da produção escrita final dos alunos Em termos de participação. tanto as que fugiram totalmente da proposta de produção escrita final. identificaram-se como os remetentes de suas respectivas cartas.9 3. e uso de elementos linguisticos para aprimoração da carta e acentuação de efeito de sentido persuasivo. 25 dos 40 alunos da turma do 2º B da professora Maria Ritha entregaram a proposta de produção escrita final. 8 Penso. É verdade que outros aspectos. a porcentagem de participação nas aulas de intervenção pode ser considerada boa. Lembrando-se que a atividade final foi realizada no início do quarto bimestre e que alguns alunos desses 40 alunos haviam abandonado o curso. etc. através da elaboração de uma carta de leitor. 9 Levaremos em conta especialmente os elementos linguísticos de repetição e sequenciação. acabaram incentivando e reafirmando a capacidade dos alunos em dispor-se da Língua Portuguesa em uso. expressão cordial de abertura e despedida. 3. 19 . agradeço. Entretanto.A última aula da intervenção. com o objetivo de passar o feedback das obras dos alunos também foi vista positivamente. procurou-se limitar aqui os itens de referência suficientemente para tecer as considerações finais. Para efeito de análise descritiva qualitativa e quantitava da produção escrita final dos alunos. ou seja.1 Emprego estrutural Em termos do emprego dos elementos que compõem a estrutura da carta de leitor. tanto pelos alunos. Entretanto.

comentada ou elogiada. sete outros alunos preferiram fazer uma alusão à matéria a ser abordada em suas cartas de forma indireta. que representa menos de 5% do total de alunos que produziram a carta de leitor. 20 . por exemplo. não no título da carta de leitor. estes alunos escreveram no cabeçário de suas cartas o título da matéria criticada. só quatro alunos (16%) iniciaram suas cartas com expressão cordial de abertura. Apesar de mencionar que “Adorei a matéria contra as drogas. o seu e-mail de contato. a aluna não deixou claro aos editores qual matéria ela estava se referindo e endereçando seus comentários. muitos alunos ainda tem dificuldade de seguir as instruções à risca. e tão somente uma aluna (4%) encerrou a sua carta de leitor com expressões finais de despedida e agradecimento (“Grata pela atenção”). não fez menção nem direta nem indireta ao nome da reportagem que havia sido escolhido com seu objeto de elogio. Duas alunas (8%) incluiram nesse parágrafo de abertura notas de agradecimento pela oportunidade de suas críticas e sugestões serem lidas. ou seja. mencionando. escreveu o seu nome completo. Ou seja.” (vede anexo 4). “Senhores editores e diretores”. ou seja. o seu número de registro de identidade. “Prezada reportagem”.. Ainda sobre a questão estrutural da carta do leitor.. Uma aluna. a sua profissão. “Caros diretores e integrantes da equipe”. Os termos usadas nessa saudação inicial foram termos formais como “Prezada redação do jornal”. “Incêndio em Paraisópolis deixa 40 famílias sem casa”. o nome do artigo a ser comentado e objetivo da carta que tratava-se de uma crítica (vede anexo 3). mas em meio aos parágrafos de suas composições o título da matéria ou partes das reportagens. A interpretação que podemos tirar dessa primeira análise é que no processo de elaboração de tarefas. só uma aluna seguiu a risca as intruções teóricas ensinadas em classe e se identificou por completo.exercício de simulação de produção de carta de leitor. A constatação deste tipo de dificuldade no processo de composição da carta de leitor foi mostrada aos alunos na sexta aula da sequência didática. Ainda sobre os elementos que compõem as caracteristicas particulares pertencentes ao gênero carta de leitor. dezessete alunos (68%) fizeram menção da matéria a ser comentada em forma de título da carta. Por outro lado. como. etc. procurando ensinar aos alunos para que sejam sempre o mais claro possível no endereçamento e na ancoragem das referências a serem opinadas ou comentadas. “Câmeras vão filmar todos os espaços das estações do metrô”. assuntos ou assuntos abordados no meio de comunicação principal.

“Acredito que”. “adorei” (2x). ou seja. 21 . alguns ainda foram influenciados e tem na memória o formato de carta de leitor contendo expressão de abertura e encerramento. ou elogiada. “Não gostei que” e “Sugiro”. Dentre os termos/verbos mais utilizados pelos alunos para marcarem o posicionamento perante as matérias comentadas foram “Penso que” (4x). a revista.2. ainda que. um modo de exercicitar através da Língua Portuguesa sua plena cidadania. seis alunos empregaram no mesmo texto. mais de um verbo modal ou termos auxiliares para posicionamento do autor. “Creio que” (2x). (in)diretamente em questões ligadas à ideologia e política. “Concordo”. “na minha opinião”. “Discordo”. ou mesmo em relação aos demais leitores. “Esperamos que”. o repórter. criticada. e “agradeço”.A interpretação que se pode fazer do pequeno uso desses termos de abertura e encerramento (cerca de 20% dos alunos) é que a maioria dos alunos começam a pensar na elaboração de uma carta de leitor enviada via e-mail. 3. Nesse sentido. Como vimos. um dos pontos mais enfatizados no ensino do gênero carta de leitor foi a questão da importância dos autores das cartas manifestarem o seu posicionamento claro em relação à matéria escolhida para ser comentada. É a influência da era da informática e tecnologia impactando os modos de produção escrita. Para isso. assim como verbos ou termos que pudessem ajudar o aluno a marcar o seu posicionamento em relação ao jornal. que mostram a variação da intenção da carta. foram “elogio”. 14 alunos (56%) utilizaram explicitamente um dos verbos ou termos auxiliares para posicionamento de suas opiniões perante as matérias jornalísticas escolhidas para serem opinidas. como exemplificado na sala de aula com os exemplos da carta de leitor da Folha de São Paulo e Veja. dos 25 alunos. Essa possibilidade argumentativa é possível. o intuíto de ressaltar esses elementos visavam trazer o aluno para um patamar de uso linguístico que não somente pudesse refletir a sua competência e habilidade linguística. “Acho que” (4x). ensinou-se aos alunos o emprego de verbos modais. “gostaria de pedir”.2 O emprego de verbos/termos para posicionamento do autor. como vimos. Alguns outros verbos ou termos usados. Desses 14 alunos. Durante o período de intervenção em sala de aula. ao sujeito de umas das notícias. mas envolvê-lo. A menção direta ao assunto que esses leitores fizeram em seus emails marcaram fortemente o paradigma de elaboração da carta dos alunos. pois as cartas de leitores atuais também podem ser enviadas aos jornais e revistas via correio eletrônico.

foi o emprego de elementos linguísticos visando a aprimoração do conteúdo da carta e acentuação dos efeitos de sentido persuasivo. As frases usadas por essa aluna foram: “Rio é eleito o melhor destino gay do mundo.Trés alunos (12%) elaboraram suas cartas sem o uso de nenhum verbo modal ou termo auxiliar para marcar um posicionamento de suas idéias e pensamentos. nem de forma direta. ou seja. Rio é eleito sede das Olímpiadas de 2016. auxiliadas pela presença e alusão ao objeto de notícia escolhida para ser criticada. Os alunos acabaram produzindo uma paráfrase da noticia principal e não uma opinião crítica. saúde e da educação públicaque foi abandonada? O que adianta ser “uma cidade acolhedora” como disse o prefeito. elogio. etc. Isso se deve ao tom de crítica constante em suas cartas. O problema principal dos trabalhos desses alunos foi que o conteúdo da tentativa das cartas que eles elaboraram continham meramente uma paráfrase da reportagem original da revista ou jornal. segundo a investigação do autor nas 27 cartas de leitores feitas pelos aluno. Das 27 produções escritas finais. Rio é eleito sede do Pan 2007. se essa cidade não tem base para um crescimento adequado.2. nem indireta. apenas uma aluna (4% do total) empregou em sua carta os elementos linguísticos de repetição e sequenciação (vide anexo 6) exemplificados em sala de aula. cerca de 12%. Quando vamos começar a escrita [sic]: Sobre a segurança. ou agradecimento.3 Uso de elementos linguisticos para aprimoração da carta e acentuação de efeito de sentido persuasivo Dos três aspectos usados para análise superficial quantitativa e qualitativa da produção escrita final da carta de leitor. ou mesmo uma sugestão. com boa educação. o ítem mais ausente em termos percentuais. alguma crítica velada em relação à noticia de jornal. Não havia nesses escritos. mas que.” A partir dessa constatação percentual. podemos tentar pelo menos citar três fatores responsáveis do porquê este terceiro ítem de análise ter sido o menos empregado pelos alunos em suas cartas: 1) por causa da realidade do fato da ausência de ensino e uso desses elementos línguísticos de repetição e sequênciação fora do contexto de uso dos 22 .. segurança e saúde pública e etc. De todos os 25 alunos. apenas três alunos. revista. repórter. ou para o sujeito de uma das notícias. todavia. 3. ainda podem ser englobados dentro do gênero carta de leitor.. acabaram realizando uma produção escrita final que não pode ser caracterizada como pertencente ao gênero carta de leitor (vide anexo 5).

etc) dos alunos. 3) Os alunos preferiram trilhar o caminho mais econômico. quais os tipos principais e as suas devidas características. Entretanto. podemos tecer as seguintes considerações finais: Ainda que o material didático oficial e extra-oficial nas escolas públicas paulistas estejam implementando o desejo dos PCNs de levar o ensino da Língua Portuguesa além do conhecimento e manejo básico e intrumental. ou seja. mas a sua plena formação e cidadania. Em termos práticos. qual sua importância. Considerações Finais Baseado na elaboração do projeto de ensino da sequência didática gênero carta do leitor e a sua implementação junto aos alunos do segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Andronico de Mello.gêneros escolares tradicionais (redação). não basta dizer aos alunos que aprenderemos hoje. é preciso que haja uma clara introdução aos alunos a respeito das diferenças entre o ensino da Língua Portuguesa como saber prescritivo. exemplificando e associando diretamente com o contexto de composição do gênero carta de leitor. por exemplo. Revela-se aqui uma forte disparidade entre o ensino da Língua Portuguesa em sala de aula. assim como a competência que estes têm para aprimoração dos seus textos na vida social. e a importância do uso desta. negação. de um lado. Preferimos concluir dessa amostra que provavelmente o ítem 2) seja a maior razão do porquê os alunos não utilizaram dos elementos linguísticos de repetição e sequênciação para aprimorarem os seus textos. indo direto ao assunto. e o seu uso prático na vida cotidiana. que sirva num contexto social e do cotidiano. 2) pode ser devido à falta de tempo em classe para se trabalhar e enfatizar o ensino desses elementos. ironia. para que os alunos tenham ciência que o aprendizado da Língua Portuguesa não visa meramente o vestibular. compondo suas cartas sem demais efeitos. o gênero jornalístico. sarcasmo. na medida em que avaliamos todas as demais cartas e deparamos com o fato de que a única forma alternativa empregada pelos alunos para aprimorarem o efeito persuasivo de suas cartas foram as perguntas retóricas (só dois alunos trabalharam com esses elementos – 8%). O ensino do gênero carta de leitor aos alunos do ensino médio poderá servir como instrumento de avaliação da capacidade de assimilação do ensino de Língua Portuguesa que 23 . para além dos gêneros escolares tradicionais. tudo isso nos leva a questionar o grau de capacidade de assimilação do ensino de elementos linguísticos (figuras de linguagem. Deve-se procurar esclarecer aos alunos das razões pela qual existem inúmeros gêneros textuais.

para o seu uso prático na vida social e cotidiana.). V. Educ. os empregos do uso de elementos linguísticos para aprimoração dos seus textos. In: MARCUSCHI. L. Rio de Janeiro: Lucerna.M.O. o uso ou não dos verbos e termos auxiliares para marcarem o posicionamento de idéias e pensamentos. O ensino do gênero carta de leitor tem a oportunidade de trabalhar no aluno o letramento integral. A. deve sempre andar de acordo com o nível de capacidade e competência linguística dos alunos. Códigos e suas Tecnologias (2000) 24 .jul/dez 2006. revelarem as dúvidas que estes alunos tem para efetuarem uma transição do conhecimento da Língua Portuguesa de forma prescritiva. Trabalhando com Artigo de Opinião: Re-Visitando o Eu no Exercício da (Re)Significação da Palavra do Outro. da SILVA. ou seja. E-mail: um novo gênero textual.68-90 Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio.os alunos tiveram anteriormente. Referências Bibliográficas BRAKLING. Parte II: Linguagens. preparando o aluno para lidar com questões ideológicas. PAIVA. A. na medida em que as dúvidas sobre os empregos gramaticais. v. Esse ensino. A Prática de Linguagem em Sala de Aula – Praticando os PCNs. Cartas do Leitor: Atividades para o Ensino Médio. L. 2004. 2. de acordo com o seu bakground e contexto social. D. 3. ética e política.L. São Paulo. que vai além do conhecimento e dominio básico da gramática portuguesa. 213-214. K. de convívio. contudo. n. P e S.) Hipertextos e gêneros digitais. In Interdisciplinar. (Orgs.C. pg. In: Roxane Rojo (Org. pg. .. 13. E. & XAVIER. CARDOSO.A.p.

ANEXOS ANEXO 1 25 .

ANEXO 2 – ESTRUTURA DE TÓPICOS INICIAL DA APRESENTAÇÃO DE POWER POINT (MODIFICADA POSTERIORMENTE) 26 .

GÊNEROS TEXTUAIS 27 . Andronico de Mello GÊNEROS TEXTUAIS Qual o objetivo de aprendermos a língua portuguesa na escola? GÊNEROS TEXTUAIS Será que durante nossa vida. da mesma maneira em lugares e todas as situações? GÊNEROS TEXTUAIS O QUE É UM GÊNERO TEXTUAL? Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária (cotidiano) e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos. estilo e composição característica. nós usaremos a língua portuguesa. propriedades funcionais.GÊNEROS TEXTUAIS Regência – Isaque Hattu – EE Prof. de forma prática.” (MARCUSCHI. p 27).

exposição. instrucoes de uso. resenha. receita culinaria. argumentação. injunção. outdoor. inquerito policial. usando da sua capacidade linguística de letramento integral. tipo textual designa uma espécie de construção teórica definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais. Gênero Textual: Carta do Leitor Qual a importância de dominarmos o gênero carta do leitor? A importância do gênero carta do leitor A emissão de opinião. descrição. cardapio. bate-papo virtual. relações lógicas). A oportunidade de estar na posição de autor. Em geral. Para efetivização da cidadania. sintáticos. no tempo e espaço. TIPOS DE GÊNERO TEXTUAL Telefonema Sermão carta comercial carta pessoal Romance Bilhete aula expositiva reunião de condominio. CARTA DO LEITOR SE DIFERE DA CARTA COMUM OU COMERCIAL CARTA DO LEITOR Através dessa variedade textual. etc. os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração. tempos verbais. o leitor expressa opinião sobre textos publicados 28 . mostrando seu ponto de vista. lista de compras.O gênero textual de difere dos tipos textuais. manifestando valor.

Selecao de léxico. Expressao nominal com funcao adjetivadora. 8. A sua estrutura assemelha-se à da argumentativa: local e data. etc. futuro. Adjetivos: indices avaliativos. 3. 14. 5. Vocativos – Instaura o tu. autor-autor. o candidato deve lembrarse de não assinar). CARACTERÍSTICAS DA CARTA DO LEITOR 1. 4. 7. vocativo. corpo do texto. Comentário sobre outros textos (Intertextualidade). Relação sujeito-sujeito. agradecer. 12. 13. 9. com intenção persuasiva. JESUS TERIA QUE SE ALIAR A JUDAS” CARTA DO LEITOR Exercício: Leia as seguintes cartas dos leitores e identifique as principais características desse gênero textual. 2. 6. CARTA DO LEITOR Afirmação principal: Lula: “NO BRASIL. Espaco – local. Tempos verbais: presente. Leitor emite opiniao sobre o fato e nao a reportagem. 11. opinar. expressão cordial de despedida assinatura (para efeito de vestibular. Explicitacao do nome do remetente. 10. Modalizacao epistemica. CARTA DO LEITOR 29 . Perguntas retóricas. Adverbios de tempo: prospeccao ao momento do discurso. PRESENÇA DE ATOS DE FALA: solicitar. DIRIGEM-SE PARA UM INTERLOCUTOR: A revista ou (outros leitores). perguntar. criticar. passado.jornal ou revista. elogiar.

sobre matérias da última semana.As cartas para VEJA devem trazer a assinatura. Só poderão ser publicadas na edição imediatamente seguinte as cartas que chegarem à redação até Quarta-feira de cada semana. Por motivos de espaço ou clareza. o número da cédula de identidade e o telefone do autor. como se diz.VEJA. as cartas poderão ser publicadas resumidamente. SP. Fax (011) 3990-1640. Enviar para: Diretor de Redação. Com a rapidez atual das comunicações. em um jornal ou revista. São Paulo. ANEXO 3 - 30 . uma matéria polêmica e envie uma carta à redação com sua opinião sobre ela. o endereço. e as revistas. no calor da hora. Telex (011) 22115. Caixa Postal 14110 CEP 02909-900. PRODUÇÃO FINAL Nossa sugestão agora é que você selecione. b) Não deixe de verificar a seção de carta. porque eventualmente a sua poderá ser selecionada para publicação. Não se esqueça de duas coisas. os jornais costumam publicar cartas apenas sobre matérias do dia anterior. a) A carta tem de ser enviada.

ANEXO 4 31 .

ANEXO 5 – A 32 .

ANEXO 5 – B 33 .

ANEXO 5 – C 34 .

ANEXO 6 – ANOTAÇÕES DE ALGUMAS AULAS DE OBSERVAÇÃO – 35 .

Iniciou-se a aula com chamada.O objeto de ensino foi a familiarização com a linguagem do ENEM.Logo depois.A aula foi iniciada com chamada. Menino Jesus. . possessivo. é explicado tambpem a sua biografia particular. 22/ 09 (3º B) .Explicou antes disso a biografia de Fernando Pessoa .Realizou-se em classe a interação sobre a pesquisa dos pronomes e seus tipos (pessoal. . indefinido.Cita-se as obras principais de Caeiro.18/09 (2º E) . . a professora pediu para que o grupo que iria apresentar o seminário tomasse a frente para iniciar a apresentação. interrogativo.Alberto Caeiro é apresentado como mestre dos heterônimos.Foi elaborado um exercício de identificação dos pronomes no fragmento de um texto.Logo a seguir. 30/09 (2º B) 36 . . . pedindo pra classificar adequadamente.Logo a seguir o grupo discorre a respeito de Fernando Pessoa ele mesmo. Nem Sempre Igual. .A professora encerra o seminário e aproveita o restante da aula para dar visto nas lições anteriores.O grupo apresentou o seminário sobre Alberto Caeiro. . . relativo. demonstrativo. . trabalhou-se com a revisão da prova. . dentre outros. oblíquo. como o Guardador de Rebanhos. e os de tratamento).

e para isso solicita que très alunos participem. . . . . como “Quem trai mais? O homem ou a mulher?” .A professora então passa a ler o trecho do texto do livro didático em voz alta pedindo aos alunos que atentassem para a metalinguagem. 37 .Depois da leitura..A professora inicia a aula com chamada.Logo a seguir passa a trabalhar com o livro didático exta-oficial. e pede que os alunos leiam o texto de Dom Casmurro e anote as dificuldades encontradas para interpretar o trecho. .A professora realiza uma atividade de leitura do excerto da obra O Primo Basílio. a metalinguagem e a ironia. página 264-266.A professora pede então que os alunos abram os seus livros na pãgina 284.A professora inicia a aula com chamada.A professora encerra a aula passando alguns exercícios para os alunos.A professora passa a explicar as características de Machado de Assis.A professora concede espaço e tempo ao estagiário Pedro para explicar a sua proposta de intervenção. . . .A turma responde e uma discussão sadia é estabelecida em sala de aula. a professora comenta sobre uma breve biografia de Eça de Queiróz. cada um lendo uma parte de um dos personagens da obra. enfatizando três características: a interação com o leitor. 02/10 (2º D) . sendo que a professora interpretará e lerá uma quarta personagem (Luisa).A professora realiza um diálogo com a turma sobre o excerto e lança algumas perguntas. .

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