O ensino do gênero da carta de leitor para alunos do 2º ano de ensino médio Isaque HATTU Sandoval Nonato GOMES-SANTOS

(Orientador) Introdução É proposta deste estudo apresentar o processo de ensino e aprendizagem do gênero carta de leitor, realizado junto aos alunos do segundo ano de ensino médio da Escola Estadual Professor Andronico de Mello, Vila Sônia, São Paulo capital. Para tanto, propõe-se nesse artigo descrever e analisar, num primeiro instante, o processo de elaboração do Projeto de ensino didático, que foi previamente discutido com o orientador e professor responsável pela turma onde a intervenção foi realizada, sendo que num segundo momento, será feito uma avaliação do processo de implementação da sequência didática proposta, focando nos pontos fortes e nas dificuldades enfrentadas pelo estagiário, bem como na análise da produção escrita final feita pelos alunos. Este trabalho será complementado pelas informações do contexto escolar e descrição dos componentes didáticos das práticas de ensino-aprendizagem realizada pela professora em sala de aula, fruto do trabalho de 40 horas de observação. Algumas considerações finais serão feitas ao término desse artigo.

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1. Sobre o contexto escolar 1.1 Escola Estadual Professor Andronico de Mello A Escola Estadual Professor Andronico de Mello está situado junto à rua Theo Dutra, 33, Jardim Colombo, Vila Sônia, São Paulo capital. A escola foi fundada em 11 de Outubro de 1965 e, em seu início, ocupava as dependências da atual Escola Estadual Professor Adolfo Trípoli. Desde 1975, com a aquisição e construção do prédio novo, a escola passou a ocupar as instalações do endereço atual. No período de estágio em que esse artigo foi elaborado, i.e., setembro a novembro de 2009, o “Nicão”, apelido pela qual a escola é conhecido entre os alunos e moradores da região, estava passando por amplas reformas estruturais. Em termos estruturais, aliás, a EE Professor Andronico de Mello é composto de um prédio de dois andares com 17 salas de aulas, uma sala de Biblioteca, uma sala de computação, três laboratórios, uma sala de secretaria com uma sala anexa de reprografia, uma sala da diretoria, uma cozinha, seis sanitários, dois vestiários, dois depósitos, uma sala de inspetoria de alunos, uma sala de educação física, uma cantina, duas quadras para práticas esportivas e uma área verde de cercade um hectare. A EE Professor Andronico de Mello em seu site oficial (www.andronic.hpg.com.br) orgulha-se de preparar o seu corpo discente para cursar faculdades de alto nível e para ocupar postos dignos no mercado de trabalho. Visando alcançar esse objetivo, a escola foi homenageada pela Universidade de São Paulo (USP) e Secretaria Estadual de Educação em 2007 como sendo a escola estadual que mais colocou alunos na USP. Em 2001, O Governo de São Paulo também havia diplomado o Andronico como a mais forte escola estadual em todo o Estado. Em 2008, o Andronico tinha cerca de 1900 alunos matriculados no periodo matutino, diurno e noturno, contando com um grupo de cerca de 60 professores, entre efetivos e contratados. A direção e o corpo de funcionários totaliza ao todo cerca de 10 pessoas. 1.1.1 A sala de aula As dependências e as facilidades das salas de aula do Andronico podem ser consideradas satisfatórias e longe do ideal de um ambiente que favoreça o pleno desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. A dimensão das salas de aula usadas pelas turmas de segundo ano do ensino médio tem em torno de 10m x 12m. Cada sala comporta cerca de 35-40 alunos. Não se pode dizer que a sala de aula é considerada confortável. O sistema de ventilação depende totalmente da entrada do ar pelas janelas. Estas 2

não têm cortinas, o que facilita a penetração dos raios solares nos dias mais ensolarados, atrapalhando muitas vezes a concentração dos alunos que estão sentados rente as janelas. Todas as classes possuem lousas na parte frontal da sala. Muitas mesas dos professores estão em condições precárias, ou seja, quebradas. Seguindo uma tendência de se prevenir contra os atos de vandalismo nas escolas, as portas das aulas não têm maçanetas próprias. As maçanetas-chave geralmente ficam com os inspetores de alunos, que são responsáveis por abrir e fechar as salas. As cadeiras usadas pelos alunos em sala de aula são do tipo de conjunto mesa-cadeira. Muitas mesas estão sujas por rabiscos e os efeitos que o próprio desgaste do tempo e uso se encarregam de fazer. A disposição do formato das cadeiras na sala de aula, fica a cargo e gosto dos professores. A professora Maria Rita Cerullo, geralmente, concede liberdade para os alunos sentarem e posicionarem suas carteiras da forma que acharem melhor, desde que isso não prejudique o desenvolvimento das aulas. Outros professores, entretanto, preferem a disposição tradicional das carteiras em filas seqüenciais. Em termos estruturais, a sala de computação da escola é uma grande exceção. Pode-se dizer que a sala é moderna, limpa e equipada com os melhores computadores do mercado. A escola também investiu na compra de aparelho de projeção multi-mídia, o que possibilitou o uso desse ambiente não só por parte dos professores, mas também pelos próprios estagiários. O único problema da sala de computação é a falta de lugares para comportar uma turma de 40 alunos. A reforma que o Andronico experimentou na época em que esse estágio se desenrolou, a saber, a pintura das salas de aula e da secretaria, bem como o intuito de se adquirir novas facilidades (cadeiras, mesas, etc.) só tem a melhorar e favorecer o processo de ensinoaprendizagem. 1.1.2 A professora No início do estágio, o autor desse artigo teve a oportunidade de acompanhar o trabalho realizado pela professora Maria Claudia Ferreira. Entretanto, a professora Maria Claudia Ferreira estava na iminência de adquirir sua licença-prêmio, que veio a ocorrer na primeira semana de setembro. Como a professora Maria Claudia Ferreira também estava no último ano de sua carreira profissional, ela aproveitou a sua licença-prêmio para dar entrada no seu pedido de aposentadoria. Desde então o estágio de observação e intervenção do autor desse artigo focou-se no trabalho realizado pela professora Maria Rita Cerullo. A professora Maria Rita Cerullo é responsável por lecionar Língua Portuguesa em très turmas do terceiro ano e quatro turmas do segundo ano de ensino médio, todos no período 3

A professora Maria Rita tem ampla experiência no ensino de português na rede pública e leciona há mais de cinco anos no Andronico. pode ser considerada pacífica e amigável. com presença negros. nas turmas da professora Maria Rita. 1. mas. há mesmo alguns alunos vieram por transferência de escolas particulares renomadas. 2º B. pela observação do estagiãrio.3 Os alunos A professora Maria Rita Cerullo leciona português nas turmas do 2º A. Maria Rita Cerullo. uma intervenção mais rígida e firme por parte da professora é suficiente para restabelecer a ordem mínima necessária para a condução do processo de ensino em classe. Os alunos têm os seus períodos de agitação. Por muitas vezes. não tem a tendência de descambar para a violência verbal e física. Diferentemente de outras escolas que o estagiário teve oportunidade de observar em semestre anterior.1. mulatos e descendentes de asiáticos. Há sempre uma interação e um canal de diálogo aberto entre a professora e os alunos. especialmente. e 2º D.2 Descrição dos componentes didáticos das práticas de ensino-aprendizagem Durante o período de observação das aulas de português das professoras Maria Claudia Ferreira e. quando acontece. A maioria dos alunos pode ser categorizada como sendo de classe média. sendo que. sendo responsável ao todo por cerca de 245 alunos. 2º C. Em termos sociais. quando a condição disciplinar em sala parece estar fora do controle. de segunda-feira até sexta-feira. pelo testemunho da secretaria da escola. A convivência dos alunos. A bagunça e a agitação das turmas. brancos. o autor pòde notar que as professoras optaram por utilizar dois tipos de material didático: o material didático oficial. acrescido dos materiais selecionados pela iniciativa própria das professoras.matutino. 4 . Durante os três meses de observação e estágio no Andronico. 1. Ou seja. Há grande variedade de “raça” entre os alunos. não foi constatada nenhuma briga ou atos de vandalismo. distração e gosto pela conversa entre os amigos. 3º B e 3º H. além do material extra-oficial. pode-se concluir que a bagunça não é suficiente para interromper o processo de ensino-aprendizagem estabelecido em sala de aula. composto pelo livro de Língua Portuguesa determinado pela direção da escola. fornecido pela secretaria da educação do governo do estado de São Paulo. composto pelo caderno de aluno e professor. os alunos jamais pronunciaram uma palavra de baixo calão à professora. os alunos da professora Maria Rita são de diferentes camadas sociais. além das turmas de 3º A. os alunos da professora Maria Rita se comportam bem em sala de aula. Em termos gerais. nada que lhes impeça de mostrarem o total desinteresse pelos conteúdos ministrados em sala de aula.

a saber. 36). Didaticamente. pag. Entre os assuntos abordados nessa obra constam. parnasianismo e simbolismo.Objeto de ensino discursivo: leituras de vários textos que se aproximam do cotidiano. como de Fernando Pessoa.1 Os objetos de ensino e as práticas de linguagem .literatura. . volume 3. dentre outros. a professora Maria Rita encorajou a leitura em voz alta de várias poesias. Foi analisada a partir de então o ponto de vista do autor. da autoria de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães. como por exemplo. além do caderno do aluno.Objeto de ensino gramatical: correção sintática das redações dos alunos. a professora Rita trabalhou com classes gramaticais. . podemos citar as seguintes: 1. Na aula do dia 23 de outubro. o texto sobre a questão do voto e as transformações sociais. Rita ensinou aos alunos a diferença no processo de elaboração dos substantivos compostos. os substantivos compostos (Caderno do aluno. 2) . romantismo. ela pediu os alunos que trouxessem o dicionário e pesquisassem a forma de escrever e o significado das palavras mais difíceis. impassíveis e inextinguíveis. a estagiária Taciana devolveu as redações dos alunos e aproveitou a ocasião para analisar os erros sintáticos. linguagem. argumenta e procura dar uma coesão entre todas as partes dos elementos que compõem o texto. como crapulosos. . Para isso. as fontes das práticas de ensino-aprendizagem da professora Maria Rita basearam-se no livro Português: linguagens (vol. realismo. literatura. redação. produção de texto e gramática (n° 2). de como a classe deve se atentar às classes de palavras variáveis e invariáveis. Durante a aula da professora Maria Claudia. naturalismo. passando algumas dicas de como evitar alguns vícios de linguagem.Objeto de ensino ortográfico: baseado na poesia Mais Luz de Guilherme de Azevedo e o soneto A Um Poeta de Antero de Quental. levita e fragor (Livro extradidático págino 262).Dessa forma. Antero de 5 . como ele se posiciona. questões relacionadas à gramática. Foi trabalhada em sala também a formação do plural metafônico. Dentre os principais objetos de ensino e as práticas de linguagem empregadas em sala de aula durante o período de estágio.2. a professora Maria Rita aproveitou a oportunidade para trabalhar a questão ortográfica.Prática de linguagem (leitura-escuta): durante o curso.

Quental. utilizando-se para isso de várias perguntas.2. pág.Pratica de linguagem (produção escrita): como parte integral do curso de português. 284). a professora instruiu os alunos a ouvirem atentamente para que pudessem responder. as razões das diferenças. que a professora Rita chamou a atenção dos alunos para focarem a questão da metalinguagem. por exemplo. a professora Maria Rita solicitou várias vezes a elaboração individual de redação. pag. Durante a leitura dos textos. como o extrato de O Primo Basílio (Livro extra-didático. por exemplo. Quase nada foi mencionado em termos das diferentes formas de genêro textual e fala.Pratica de linguagem (a reflexão sobre a língua): limitou-se às explicações do desenvolvimento da Língua Portuguesa no Brasil. quanto por escrito. tanto oralmente. a professora.2 Os gestos profissionais e os instrumentos didáticos . além de trechos de romances. através das explicações dos períodos da literatura brasileira e o contraste com as caracteríticas do mesmo período histórico em Portugal. 1. não foi notada a presença de nenhuma produção escrita de poesia ou conto. os exercícios de interpretação de texto. . visando sempre preparar os alunos para enfrentarem as provas finais e os vestibulares. Foi durante a leitura de Dom Casmurro. . com a intenção de resgatar na memória do aluno a associação do conteúdo já ensinado anteriormente. 264) e Dom Casmurro (Livro extra-didático. Na aula em que a estagiária Taciana estava ministrando a respeito das características de uma boa redação. A professora empregou muitas vezes este recurso. Olavo Bilac. a professora Maria Rita utilizou-se do filme Dom Casmurro como uma das refêrencias para a interpretação da obra original e indagou à 6 . com variados temas e assuntos. O gênero carta de leitor acabou se tornando uma das únicas alternativas de produção escrita que se diferiu das redações.Apelo à memória foi um dos instrumentos frequentemente empregado no início das aulas e mais ao final do curso. vocês se lembram quando nós discutimos a respeito das três partes essenciais do corpo de uma redação?” Ao tratar da obra Dom Casmurro. a importância de se valorizar e respeitar as regionalidades e peculiaridades. usou a oportunidade para elaborar a pergunta “Turma. Durante as mais de 40 horas de período de observação.

Instrumentos didáticos de ordem discursiva e de ordem material: os instrumentos didáticos utilizados pelas professoras foram cadernos de aluno e livro extra-didático. etc. textos do cotidiano. giz.3 As formas de trabalho escolar. dentre outros. Assim. com português apropriado. É preciso ressaltar que a postura dos alunos durante o momento de apresentação dos seminários também está ligado à questão da institucionalização do saber. um outro tipo de tarefa muito empregado pela professora Rita. lousa. nas diferentes turmas do segundo e terceiro ano de ensino médio. numa média de cada 7 . sem pressa. revistas. foi a tarefa de elaboração de uma revista temática sobre um determinado período da literatura brasileira. foi uma das formas de formulação de tarefas feitas pela professora Maria Claudia.e. papel impresso. tais como interpretação de texto. além de solicitar à classe. A professora Maria Rita elaborou diversas atividades em grupo. pontuando claramente os tópicos.Formulação de tarefas: a seleção de exercícios de vestibulares de universidades renomadas com a intenção de verificar se o aluno está ou não atento em relação às instruções das provas de vestibular. Essa revista deveria conter a história.. i. nomes das principais obras. jornal. em determinados momentos. elaboração de redação. para que findasse a conversa e ficasse em silêncio. os nomes dos principais autores. com boa entonação de voz. . sem correria. “Vocês se lembram o que aconteceu na abertura do livro?” “O que vocês acharam do filme?” . dentre outros ítens. computador. internet. acompanhados de pequenos “simulados”. figuras e gravuras. especialmente para os seminários de apresentação das leituras dos livros obrigatórios e períodos da história da literatura brasileira. A regulação como forma de gesto profissional veio em forma da explicação de como os alunos devem se portar no momento da apresentação do seminário. A maioria dos trabalhos consistia em tarefas de caráter individual baseada nos exercícios do caderno de aluno e livro extra-didático determinado. atividades e tarefas..2. dentre outros. as atividades e tarefas A professora Maria Rita empregou durante o curso diversas formas de trabalho escolar. Além das tarefas tradicionais de resolução dos exercícios do caderno do aluno e do livro extra-didático. 1.classe. gravador.

Além das tradicionais atividades de resolução dos exercícios do caderno do aluno. como. O ensino do gênero carta de leitor e a sua elaboração veio acrescentar uma nova forma de atividade e tarefa no curriculo da professora. A professora sempre incentivou os alunos a levarem e usarem os dicionários na medida em que estivessem entrando em contato com novas palavras. Diferentemente das provas. planejando e pesquisando junto o objeto de ensino. algumas atividades. atribuindo um visto (com valor de pontuação) a ser agregada na nota final do aluno. entretanto. A maioria das atividades propostas pela professora Maria Rita foram feitas para serem apresentadas. a terceira fase modernista. O caráter da nota. e também nos seminários de apresentação sobre os períodos históricos da literatura brasileira como. Além do trabalho individual. Dom Casmurro. a professora Maria Rita também elaborou formas de trabalho coletivo. Essa metodologia foi utilizada especialmente nas apresentações dos seminários sobre os livros de literaturas.duas aulas. 8 . aliás. como a do trabalho em grupo. corrigidas e devolvidas em sala de aula. onde um grupo apresentou o pano de fundo e as obras de Vinícius de Moraes. dos seminários de apresentação dos livros de leitura obrigatórios e períodos da história da literatura brasileira. Eis a razão pela qual ela se mostrou muito aberto à constribuição das idéias e atividades propostas pelos diversos estagiários. por exemplo. além de acessarem a rede mundial de computadores. servia como uma das principais fontes de motivação para os alunos realizarem as suas tarefas. teve como intenção treinar o aluno a trabalhar com os demais colegas de classe. aliada ao medo de não obter uma boa pontuação. a professora utilizava um momento da aula para verificar se os alunos haviam feitos os exercícios. Por diversas vezes Rita encorajou os alunos a utilizarem as dependências da biblioteca da escola. a professora Maria Rita também sempre se mostrou aberto a experimentação e criação de novas formas de atividades. por exemplo.

. 9 . vindo a desenvolver a competência e a habilidade em Língua Portuguesa para “confrontar opiniões e ponto de vista sobre as diferentes manifestações da linguagem verbal”1. primeiro. o estudante analisa textos com os quais convivem fora da escola. “a situação formal da fala/escrita na sala de aula deve servir para o exercício da fala/escrita na vida social” 3. além do que. Por outro lado. Dessa forma. citada por Denise Porto Cardosos e Antonieta Emanuelle S. 13. 17 (2000) 2 PCN. Um projeto para gênero carta de leitor Tendo-se por base que os Paramêtros Curriculares Nacionais (PCNs) almejam que a Língua Portuguesa. as dificuldades na implementação do projeto. a intenção desse projeto foi a de averiguar de forma crítica. pg. consiga. 3. 2. 1 Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio. Parte II: Linguagens. dentre muitos dos seus objetivos. n. de forma específica. como se dá esse processo de ensino e aprendizagem. os limites do mero uso básico e instrumental. a capacidade dos alunos em assimilarem a proposta de sequência didática.2. É preciso ressaltar que “se na sala de aula.jul/dez 2006. 78. e quais seriam as disparidades entre a parte teórica e prática. as relações que faz entre os conteúdos disciplinares e sua vivência tornam-se mais significativas”2. e o gênero carta de leitor. pg. principalmente da língua escrita. Cartas do Leitor: Atividades para o Ensino Médio. durante o seu período de ensino e aprendizagem no ensino médio. contribuir com o ensino de gêneros textuais. pg. de forma geral. quais são os pontos fortes e fracos. pg. 3 Ibid. O gênero carta de leitor foi escolhido para trabalhar e aprimorar a capacidade de uso da função social da Língua Portuguesa. v. Códigos e suas Tecnologias. o autor desse artigo resolveu desenvolver um projeto de ensino do gênero carta de leitor para os alunos do segundo ano de ensino médio. 22. a intenção da elaboração desse projeto foi. 2002. em Interdisciplinar. como parte integrante das Linguagens. da Silva. fazer com que o aluno supere. Códigos e suas Tecnologias. no processo de ensino e aprendizagem da Lingua Portuguesa já em pleno percurso no Andronico.

A. Na era da tecnologia e da informação. assuntos.A. a alusão à matéria. E-mail: um novo gênero textual. Como um gènero que está diretamente ligado à função social da escrita. a estrutura da carta de leitor assemelha-se à carta argumentativa. O propósito comunicativo da carta do leitor pode ser também. expressões cordiais de despedida e assinatura. servir para criticar. Rio de Janeiro: Lucerna. documentação. como a carta familiar. In: MARCUSCHI. Devido à questão de espaço. É necessário que o autor deixe sempre bem claro. o destinatário do conteúdo da carta do leitor pode ser. endereçado à determinado sujeito ou instituição mencionado na notícia. publicados ou divulgados anteriormente em jornais ou revistas. manifestação. comentar. aos poucos. a carta do leitor surge como uma forma de evolução natural do desenvolvimento e modificação que o gênero discursivo carta sofreu no decorrer dos tempos. o corpo textual. agradecer e sugerir. 4 PAIVA.L. revista ou repórter. L. o gènero carta originou outras variedades de gêneros de cartas mais específicos.1 Sobre o gênero carta de leitor O gênero carta do leitor pode ser definido como um gênero textual onde o leitor expressa a sua opinião (favorável ou não) sobre textos. elogiar. dentre outros aspectos.M. além do próprio jornal.C. ou mesmo. reclamar. aos demais leitores do meio de comunicação em questão. & XAVIER. Para que as cartas dos leitores sejam publicadas.O. carta comercial. a carta de leitor. petição. Estes critérios são necessários e até obrigatórios. a maioria das revistas e jornais mencionam explicitamente que se dão o direito de editar as cartas recebidas e escolhidas para serem publicadas. Muitas vezes. reportagens ou notícias. a carta surgiu na Grécia antiga e foi utilizada para questões militares. entre outros.p. administrativas. Segundo Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva. Devido as transformações e demandas da sociedade.4 Em termos práticos.2. políticas. (Orgs. a data. V. muitas cartas de leitores tem sido enviados via e-mail ou mesmo através de um formulário de preenchimento de texto preparado pelo próprio web site do meio de comunicação em questão. e. Alguns elementos que geralmente compoem a carta de leitor são os vocativos. reportagem ou assunto a ser comentado. como algo relacionado à religião. com outros propósitos.68-90 10 . e. as revistas ou os jornais solicitam que os leitores enviem cópia das informações e dos seus documentos originais.) Hipertextos e gêneros digitais. com a intenção persuasiva. vindo posteriormente a ser uma mensagem particular. dentre tantas. geralmente. 2004. o local.

trabalhar gêneros textuais e gênero carta de leitor. que segundo José Marques de Melo.5 Assim sendo torna-se importante para os alunos que durante o seu processo de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa. são os grupos sociais que mais se beneficiam do espaço da cobertura jornalística. construir a imagem dos interlocutores.6 2. sob o aval da professora Maria Rita Cerullo. seus pontos de vista. In: Roxane Rojo (Org. 6 Ibid.2 Descrevendo o Projeto de ensino O projeto de ensino didático do gênero carta de leitor foi elaborado. O genêro carta de leitor nesse sentido lida não somente com a questão gramatical. eles tenham condições de estarem cientes a respeito da inexistência do caráter imparcial de qualquer notícia em revista ou jornal. evitando que venham futuramente a ser manipulados facilmente. para ser implementado em seis horas aula. A descrição dos conteúdos de cada hora aula ficou da seguinte forma: 1ª h/a: Nessa primeira aula. Pg. o domínio dos modos de produção e significação dos discursos da esfera jornalística. na medida em que ele se manifesta ou se posiciona perante uma determinada matéria ou reportagem jornalística. ou seja. é também uma forma de ensinar o aluno a exercer a sua cidadania plena.Quanto a importância de se lecionar o gènero carta de leitor no ensino médio. propôs-se a introdução do tema geral e específico da intervenção. para o bem estar de sua própria existência na sociedade. considerar o lugar institucional e o momento social de onde se enuncia. Semelhantemente ao gênero artigo de opinião. elaborou-se vários tipos de perguntas. Para facilitar a interação com a turma.). 217. ortográfica. além de trabalhar a competência e habilidade discursiva do aluno para além dos gêneros escolares. citado por Kátia Lomba Brakling. sendo impelidos à necessidade de compreender. ou mesmo social. Kátia Loba Brakling. mas com questões de ideologia. visando sempre fazer com que o aluno se 5 Trabalhando com Artigo de Opinião: Re-Visitando o Eu no Exercício da (Re)Significação da Palavra do Outro. São Paulo. o gênero carta de leitor abre espaço para que os alunos tratem de questões de convívio social e ética. A Prática de Linguagem em Sala de Aula – Praticando os PCNs. na medida em que os alunos tem a oportunidade de se colocarem discursivamente como autor. Empregando devidamente esta ferramenta de função social. o aluno terá a possibilidade de contrapor as idéias e pensamentos das instituições hegemônicas. juntamente com o orientador. 213-214. 11 . pode-se dizer que o gênero carta de leitor serve. pg. estabelecer o objeto do enunciado e pôr-se em uma relação valorativa diante do objeto do enunciado e dos outros discursos sobre o mesmo objeto. Educ.

familiarize e compreenda da forma mais simples possível o objeto de ensino a ser abordado.Quais são os tipos de gêneros textuais? . propôs-se em primeiro lugar fazer uma retomada da aula anterior. reclamar de alguma notícia ou assunto de revista ou jornal. Ou seja. de forma prática. o propósito da segunda aula foi o de aprofundar o conhecimento do gênero carta do leitor. ser sujeito. sugerir.O que é um gênero textual? . opinar. O objetivo final dessa interação com os alunos é transmitir o fato de que. ensinando aos alunos as características peculiares pertencentes a este gênero. o aluno tem a oportunidade de ser autor. perguntando aos alunos sobre o assunto que eles estão estudando atualmente. Algumas das questões feitas foram em classe foram: . quais são os ítens que o estagiário precisará trabalhar ou enfatizar mais. procura-se nessa aula incetivar o aluno a começar a refletir sobre a importância de desempenhar plenamente a sua cidadania.Quais são as características particulares do gênero carta de leitor? 2ª h/a: Nessa segunda aula.Qual o objetivo de aprendermos a Língua Portuguesa na escola? . agradecer.Será que durante a nossa vida.O que é uma carta de leitor? . quais são os que terão menos atenção. Para facilitar a identificação e compreensão das características do gênero carta de leitor. Antes de entrar nas características do gênero carta de leitor propriamente dito. da mesma maneira em todos os lugares e em todas as situações? . Logo após trazer à memória do aluno o conteúdo discutido na aula anterior. de se posicionar ideologicamente perante qualquer meio de comunicação ou grupo social dominante. usaremos a Língua Portuguesa. além da carta de leitor ser útil para possibilitar o aluno a comentar. elaborou-se a pergunta sobre “Qual é a importância do gènero carta de leitor?” A intenção dessa pergunta é recolher o máximo de informações por parte dos alunos e concluir de certa maneira qual é o grau de conhecimento que eles têm a respeito desse gênero. será impresso uma seção do painel do leitor do jornal A Folha de São Paulo. Pode-se perceber a partir das respostas. datada de 12 .

utilizará do tempo em sala de aula para ensinar técnicas de repetição e sequenciação que ajudam a aprimorar e dar efeito de sentido persuasivo na carta de leitor. Na medida em que estiver lecionando esses meios linguísticos.sábado. Logo após dar tempo suficiente para os alunos lerem as cartas do leitor. Para isso. a terceira aula deve ser iniciada com a retomada do conteúdo das aulas anteriores. pergunta-se para a classe quais são as diferenças entre as características da carta comercial e da carta de leitor. o ensino do gênero carta de leitor será retomada através da sistematização das características pertencentes a este gênero. A atividade a ser proposta é que os alunos leiam as cartas dos leitores. Os alunos deveriam então responder quais eram as características pecualiares pertencentes ao gênero carta de leitor. Com o intuíto de facilitar. 3ª h/a: Semelhantemente à segunda aula. (anexo 1) onde vários leitores comentaram a frase do presidente Lula que disse que se Jesus Cristo vivesse no Brasil. o estagiário proporá à turma que empregue ou utilize variados meios linguísticos para incrementar a composição da carta de leitor. teria que se aliar a Judas. quanto à forma de produção escrita dos conteúdos da carta de leitor. tanto em termos da estrutura de elaboração da escrita técnica da carta. que complementará as respostas que os alunos porventura ainda não tiverem mencionado durante a interação. Essa teoria é baseada no capítulo sete do livro Ler e Escrever de Ingodore Villaça Kock e Vanda Maria Elias. Propoem-se então dar continuidade ao ensino do gênero carta de leitor. procurando atentar-se para as características em comum presentes em cada carta. projeta-se nessa aula uma comparação entre uma carta comercial e uma carta do leitor. de perpetuar a compreensão e familiaridade com o gênero carta de leitor. intitulada Escrita e Progressão Sequecial. como forma de complementar a elaboração do conteúdo de uma carta de leitor. abrir-se á espaço para interagir e tirar as dúvidas dos alunos. o estagiário irá se direcionar a turma e perguntar “Quais são as características particular do gênero carta de leitor?” Após ouvir as variadas respostas. utilizando-se de perguntas para situar os alunos em relação ao conteúdo já ensinado até então. Logo a seguir. 13 . Logo a seguir. 24 de outubro de 2009.

penso que .4ª e 5ª h/a: Na quarta e quinta aula será apresentada a proposta da atividade de produção escrita final. penso que . penso...Todos os meus dados pessoais já foram claramente mencionados na carta? A proposta de elaboração da produção escrita final da carta do leitor constará de várias opções. “Quanto à reportagem de capa ‘Rio 2016’. todavia..Quais os adjetivos podem ser aproveitados? . Algumas dessas perguntas são: .”. afirmo. em sala de aula. sendo disponibilizado. . “Discordo quando Fulano. será realizada uma revisão geral e final de todo conteúdo e características que não devem faltar no gênero carta de leitor. etc. Antes da implementação prática da atividade.. A diversidade das opções visa meramente fazer com que o aluno tenha fácil acesso a diversas fontes de noticias. “Quanto à questão Y. discordo.A carta será endereçada para quem? Para o jornal ou a revista? Para o autor da reportagem? Para as pessoas ou os fatos mencionados pela reportagem? Para os outros leitores da revista ou jornal? .”.. Jesus teria que se aliar a Judas”. aproveitarse-á o 14 . tempo para que os alunos possam iniciar a composição de suas respectivas cartas de leitor. concordo que .”.Estou me posicionando de forma clara em relação ao assunto que irei escrever? Não se esqueça de que alguns verbos que podem usados para marcar um posicionamento são: concordo.”...Qual será o objetivo principal da minha carta? Seria tecer uma crítica? Sugestão? Opinião? Comentário? Concordância? Elogio? . Dessa forma.. creio. ..Quais os advérbios podem ser empregados? . baseadas numa “lista de checagem” que verificam se os elementos fundamentais da carta de leitor estão presentes ou não em suas composições. Ex: “Eu concordo com a reportagem X.. reportagens ou artigos publicados.Já fiz uma referência clara em relação ao nome do artigo que irei comentar? Não se esqueça! Ex: No que diz respeito ao artigo “Lula: No Brasil. A revisão geral será conduzida mediante a elaboração de diversas perguntas endereçadas aos alunos.”.Quais os tempos verbais serão mais empregados? Presente? Passado? Futuro? .. etc.

emitindo a sua opinião sobre o fato do julgamento do jornal ter inocentado a Capitu. Não deixe de verificar a seção de carta. em um jornal ou revista. 2. no calor da hora. instruiremos a classe para começar a elaborar e compor as suas cartas de leitores. Não se esqueça de que a carta tem de ser enviada. da escola possuir a tiragem de 40 exemplares do jornal Metro. sempre que houver alguma dúvida. como se diz. Pede-se que um aluno leia em voz alta e depois é discutido com a turma quais são as características do gênero carta de leitor que estão presentes nas cartas lidas no momento. por exemplo. 3. A proposta da atividade final será apresentada da seguinte forma: 1. pontuando as dificuldades e os êxitos que estes tiveram no processo de composição final. página 365 do seu livro extra-didático e envie uma carta de leitor emitindo sua opinião sobre 15 . para dar oportunidade dos alunos escreverem uma carta de leitor tendo uma dessas fontes. deverão entregar ao professor. No final da aula. ou mesmo relacionado à precisão dos comentários sobre determinado conteúdo Leia o texto da reportagem “Namíbia é limpa e não parece África. proporemos a leitura em voz alta de algumas cartas de leitor do jornal distribuído em sala de aula. Escreva uma carta de leitor à Folha de São Paulo. o assunto. sendo que aqueles que não terminaram deverão entregar na próxima aula.fato do livro extra-didático conter reportagens de jornais. porque eventualmente a sua poderá ser selecionada para publicação. Após dar oportunidade para que os alunos possam levantar algum questionamento sobre a proposta de produção escrita final. a demonstração de uma deficiência na composição estrutural da carta. sobre matérias da última semana. Selecione. Aproveite o jornal Metro que você tem em mãos e selecione uma das reportagens. Vários pontos podem ser ressaltados nessa avaliação final como. da acusação de ter traído o Bentinho. por motivo da falta de provas. uma questão gramatical. uma matéria polêmica e envie uma carta à redação manifestando a sua opinião. o professor ou estagiário. os alunos que conseguiram terminar de redigir a carta. diz Lula. Logo após a distribuição da proposta de produção final do texto escrito. sendo que as revistas. 6ª h/a: A proposta desta última aula é devolver a produção escrita das cartas de leitores aos alunos. os jornais costumam publicar cartas apenas sobre matérias do dia anterior. Com a rapidez atual das comunicações. consultando. ou levantem alguma dúvida sobre a forma de composição das cartas de leitor do jornal Metro. e dos alunos terem que ler o livro Dom Casmurro.”.

das produções escritas final feita pelos alunos. 3.das reportagens ou notícias. interação e diálogo com a turma. Isto é. Um primeiro problema que surgiu foi a falta de espaço para que todos os alunos pudessem garantir um assento em sala. 3. O clima inicial da implementação didática pode ser considerada muito boa. e as áreas que tiveram mais dificuldades. do grau de dificuldade e compreensão geral do gênero carta de leitor. procurou-se aproveitar a infra-estrutura da escola e usar o projeto multi-mídia como instrumento de ensino. A intenção dessa avaliação é mostrar as áreas e elementos teóricos que os alunos deixaram de lado e que poderão explorar no futuro. gestos profissionais e instrumentos didáticos utilizados e praticados na intervenção. de caráter primordialmente descritivo. Em termos de instrumentos didáticos. revelam muito da realidade que estes tem experimentado no processo de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa. A segunda parte. Sobre a intervenção didática A descrição da intervenção didática será divida em duas partes. Além do projetor multi-mídia. através das perguntas pré-preparadas. Essa avaliação será usada como base de ponderação para as considerações finais. bem como do relato das formas de interação e participação dos alunos na implementação prática da sequência didática. Essa avaliação também serve para perguntar aos alunos a respeito daquilo que eles acharam da atividade de intervenção como um todo. ao 16 . foram usadas também a lousa e material impresso sobre o conteúdo da matéria. constará de uma análise quantitativa e qualitativa. O objetivo dessa segunda parte é tentar pontuar as áreas e elementos teóricos que os alunos utilizaram da forma mais frequente. Alguns tiveram que sentar no chão. em relação as perguntas que havíamos preparado para a primeira aula. As respostas que os alunos deram. conseguimos estabelecer uma aproximação.1 Descrevendo as práticas de intervenção A primeira até a terceira aula foram realizadas no laborátorio de informática da escola. A primeira constará do relato das práticas de linguagem. Abre-se a oportunidade para a última interação e espaço para pronunciamento das considerações finais. Por isso.

da mesma maneira em lugares e todas as situações?” A resposta dos alunos foram rápidas e imediatas. como “um texto diferente do outro”. Um dos problemas que enfrentamos. foi a qualidade da impressão e tamanho das fontes (muito pequenas) da seçao de leitor do jornal a Folha de São Paulo (anexo 1). “O que se entende por gênero sexual?” Sendo assim. não deixando transparecer nenhuma dúvida. como exemplo. sendo que nenhum respondeu sobre a importância de se obter o conhecimento histórico de nossa língua ou a importância de dominar os modos de produção para ter melhor competência e desempenho possível no uso cotidiano. a maioria absoluta dos alunos responderam sempre enfatizando o aspecto prescritivo. apesar do próprio material oficial do governo trabalhar a Língua Portuguesa a partir dessa abordagem. procuramos então lançar outras perguntas que não estavam no planejamento da sequência didática. em termos de uso de material didático. que só veio a ajudar os alunos na visualização e compreensão do conteúdo transmitido. utlizamos o projetor multi-midia de forma intensiva. As respostas dos alunos acabaram revelando por si mesmo a razão pela qual tiveram grande dificuldade em responder a pergunta sobre o que é um gènero textual. Muitos. Algumas respostas eram bastante simplistas. gramatical. da língua (saber ler e escrever corretamente). que quase comprometeram o andamento da atividade em sala de aula. citaram que há uma clara diferença entre o uso da Língua Portuguesa em contexto de balada/festa e contexto formal de ambiente empresarial. Alguns responderam sobre o aspecto da importância de se aprender a literatura. entretanto. usaremos a Língua Portuguesa. Visando facilitar a pergunta e tentar tirar da memória do aluno uma resposta mais precisa. Durante a ministração das três primeiras aulas. de forma prática. feminino e neutro na Língua Portuguesa?”. e a partir dali fazermos a conexão com a definição do conceito de gênero textual. “O que significa falarmos em gênero masculino. já que a leitura acabou sendo muito dificultada. como. Esse era um sinal apropriado então para fazer a transição e entrar diretamente no assunto gênero textual e gênero carta de leitor. 17 . por exemplo.responder “Qual o objetivo de aprendermos a Língua Portuguesa na escola?”. A pergunta que facilitou definitivamente a compreensão dos alunos quanto a existência das diferenças de gênero textual foi “Será que durante a nossa vida.

dentre outros elementos. incetivamos o uso das figuras de linguagem. procuramos incentivar os alunos a usarem da criativade e do pratrimônio teórico linguístico adquirido nos dez anos de ensino prévio da Língua Portuguesa. diminuindo as dúvidas que poderiam surgir. entregando em outro dia. Na parte que tange a ministração das partes teóricas que poderiam incrementar a qualidade dos textos das cartas de leitores. já que começariam a elaborar em sala de aula. Procuramos sempre utilizar do apelo à memória como um gesto profissional que pudesse certificar o processo de captação da transmissão dos saberes ensinados nas aulas anteriores. reclamaram. Durante a ministração dessa parte teórica. que não sabiam como poderiam utilizar dessas técnicas e teorias em outro contexto sençao àquele que não seja o escolar. das técnicas de repetição e sequenciação. sob acompanhamento e supervisão do professor e estagiário. Da quarta até a quinta aula. que foi bem aceita pela classe. o que surpreendeu. humor. ironia. que poderiam ser usados sempre dentro do contexto de intenção persuasiva e posicionamento do autor em relação à materia publicada. Ou seja. foi o fato de que muitos alunos reclamaram que os professores anteriores não haviam lecionado ou ensinado nenhum desses elementos linguísticos que seriam relevantes agora na composição de um texto da Língua Portuguesa em contexto da vida social. a saber. acabamos propondo uma atividade de leitura e discussão dos textos impressos em pequenos grupos. Se haviam sido ensinados. o ensino dos elementos linguísticos. analogia. cuja linguagem (altamente técnica) mostrouse dificil de ser compreendida e assimilada pelos alunos. em termos de intervenção em sala de aula. sarcamo. que provavelmente haviam sido ensinados pelos professores anteriores. não tivemos maiores dificuldades no processo de ensino e aprendizagem. Por fim. facilitou muito a compreensão do produto final que eles teriam que entregar. A presença do jornal como material didático concreto que exemplificasse a produção final do gènero carta de leitor proposta aos alunos. já que as definições projetadas em sala de aula via multi-mídia eram definições de textos teóricos a nível de universidade (como de Marcuschi) (Vide anexo da apresentação do power point utilizado na intervenção – anexo 2). deve ser anotada que poderíamos simplificar a definição conceitual de tipo de texto e gênero textual que fora apresentada aos alunos.Durante a ministração sobre a análise e identificação das características particulares pertencentes ao gênero carta de leitor. O tempo dado aos alunos para elaborarem a carta de leitor foi também considerada suficiente. podendo terminar e revisar em casa. diferentemente do planejamento da sequência didática. 18 .

tanto as que fugiram totalmente da proposta de produção escrita final. Entretanto. e uso de elementos linguisticos para aprimoração da carta e acentuação de efeito de sentido persuasivo. nem todos os alunos colocaram a data e a cidade de origem. data. 9 Levaremos em conta especialmente os elementos linguísticos de repetição e sequenciação. Dezessete alunos acrescentaram de forma clara aos seus nomes. como a questão gramatical.1 Emprego estrutural Em termos do emprego dos elementos que compõem a estrutura da carta de leitor. ainda que fosse tão somente um 7 Alusão clara à matéria a ser comentada.2 Breve análise quantitativa e qualitativa da produção escrita final dos alunos Em termos de participação. ou seja. expressão cordial de abertura e despedida. quanto pela professora. todos os vinte e cinco alunos escreveram os seus nomes completos. concordo.9 3. 19 . nome completo do rementente. agradeço. Entretanto. através da elaboração de uma carta de leitor. quanto àquelas julgadas como as que mais se aproximaram do ideal teórico. Para efeito de análise descritiva qualitativa e quantitava da produção escrita final dos alunos.A última aula da intervenção. a porcentagem de participação nas aulas de intervenção pode ser considerada boa.2. identificaram-se como os remetentes de suas respectivas cartas. o emprego dos verbos/termos para posicionamento do autor8. tanto pelos alunos. Lembrando-se que a atividade final foi realizada no início do quarto bimestre e que alguns alunos desses 40 alunos haviam abandonado o curso. sendo que quatro alunos escreveram só a data e um aluno identificou só a cidade. o nome da cidade e data da composição de suas cartas. sugiro. 3. poderia ser levado em conta. discordo. 8 Penso. acabaram incentivando e reafirmando a capacidade dos alunos em dispor-se da Língua Portuguesa em uso. com o objetivo de passar o feedback das obras dos alunos também foi vista positivamente. etc. É verdade que outros aspectos. sou da opinião que. levaremos em conta se os alunos empregaram em suas cartas três aspectos teóricos importantes: a parte estrutural da carta7. procurou-se limitar aqui os itens de referência suficientemente para tecer as considerações finais. Ao selecionar algumas das produções para serem lidas e comentadas em sala de aula. É interessante notar também. 25 dos 40 alunos da turma do 2º B da professora Maria Ritha entregaram a proposta de produção escrita final. Dois alunos não escreveram nem a data e nem a cidade em suas respectivas cartas.

não fez menção nem direta nem indireta ao nome da reportagem que havia sido escolhido com seu objeto de elogio. Ou seja. escreveu o seu nome completo. o seu número de registro de identidade. comentada ou elogiada. A constatação deste tipo de dificuldade no processo de composição da carta de leitor foi mostrada aos alunos na sexta aula da sequência didática. “Prezada reportagem”. 20 . Por outro lado. “Câmeras vão filmar todos os espaços das estações do metrô”. ou seja. dezessete alunos (68%) fizeram menção da matéria a ser comentada em forma de título da carta. não no título da carta de leitor. e tão somente uma aluna (4%) encerrou a sua carta de leitor com expressões finais de despedida e agradecimento (“Grata pela atenção”).” (vede anexo 4). Ainda sobre a questão estrutural da carta do leitor. “Caros diretores e integrantes da equipe”. ou seja. etc. só uma aluna seguiu a risca as intruções teóricas ensinadas em classe e se identificou por completo. que representa menos de 5% do total de alunos que produziram a carta de leitor. A interpretação que podemos tirar dessa primeira análise é que no processo de elaboração de tarefas.. “Senhores editores e diretores”. estes alunos escreveram no cabeçário de suas cartas o título da matéria criticada. mas em meio aos parágrafos de suas composições o título da matéria ou partes das reportagens. mencionando. Duas alunas (8%) incluiram nesse parágrafo de abertura notas de agradecimento pela oportunidade de suas críticas e sugestões serem lidas. sete outros alunos preferiram fazer uma alusão à matéria a ser abordada em suas cartas de forma indireta. o nome do artigo a ser comentado e objetivo da carta que tratava-se de uma crítica (vede anexo 3). muitos alunos ainda tem dificuldade de seguir as instruções à risca. “Incêndio em Paraisópolis deixa 40 famílias sem casa”. a sua profissão.. Apesar de mencionar que “Adorei a matéria contra as drogas. procurando ensinar aos alunos para que sejam sempre o mais claro possível no endereçamento e na ancoragem das referências a serem opinadas ou comentadas. Uma aluna. como. Ainda sobre os elementos que compõem as caracteristicas particulares pertencentes ao gênero carta de leitor. por exemplo. o seu e-mail de contato. só quatro alunos (16%) iniciaram suas cartas com expressão cordial de abertura. assuntos ou assuntos abordados no meio de comunicação principal. Os termos usadas nessa saudação inicial foram termos formais como “Prezada redação do jornal”. a aluna não deixou claro aos editores qual matéria ela estava se referindo e endereçando seus comentários.exercício de simulação de produção de carta de leitor.

mais de um verbo modal ou termos auxiliares para posicionamento do autor.2 O emprego de verbos/termos para posicionamento do autor. ou seja. “gostaria de pedir”. Nesse sentido. Desses 14 alunos. A menção direta ao assunto que esses leitores fizeram em seus emails marcaram fortemente o paradigma de elaboração da carta dos alunos. Dentre os termos/verbos mais utilizados pelos alunos para marcarem o posicionamento perante as matérias comentadas foram “Penso que” (4x). a revista. “Acho que” (4x). “na minha opinião”. Para isso. “Creio que” (2x). ainda que. dos 25 alunos. Alguns outros verbos ou termos usados. Como vimos. pois as cartas de leitores atuais também podem ser enviadas aos jornais e revistas via correio eletrônico. assim como verbos ou termos que pudessem ajudar o aluno a marcar o seu posicionamento em relação ao jornal. É a influência da era da informática e tecnologia impactando os modos de produção escrita. como vimos. 14 alunos (56%) utilizaram explicitamente um dos verbos ou termos auxiliares para posicionamento de suas opiniões perante as matérias jornalísticas escolhidas para serem opinidas. ensinou-se aos alunos o emprego de verbos modais. seis alunos empregaram no mesmo texto. como exemplificado na sala de aula com os exemplos da carta de leitor da Folha de São Paulo e Veja. que mostram a variação da intenção da carta. o intuíto de ressaltar esses elementos visavam trazer o aluno para um patamar de uso linguístico que não somente pudesse refletir a sua competência e habilidade linguística. 3. ao sujeito de umas das notícias. “Acredito que”.A interpretação que se pode fazer do pequeno uso desses termos de abertura e encerramento (cerca de 20% dos alunos) é que a maioria dos alunos começam a pensar na elaboração de uma carta de leitor enviada via e-mail. ou elogiada. Essa possibilidade argumentativa é possível. “adorei” (2x). “Não gostei que” e “Sugiro”. “Concordo”. Durante o período de intervenção em sala de aula. e “agradeço”. o repórter. 21 . um dos pontos mais enfatizados no ensino do gênero carta de leitor foi a questão da importância dos autores das cartas manifestarem o seu posicionamento claro em relação à matéria escolhida para ser comentada. “Esperamos que”. criticada. um modo de exercicitar através da Língua Portuguesa sua plena cidadania. ou mesmo em relação aos demais leitores. foram “elogio”. “Discordo”.2. (in)diretamente em questões ligadas à ideologia e política. alguns ainda foram influenciados e tem na memória o formato de carta de leitor contendo expressão de abertura e encerramento. mas envolvê-lo.

Das 27 produções escritas finais. ou mesmo uma sugestão. 3. foi o emprego de elementos linguísticos visando a aprimoração do conteúdo da carta e acentuação dos efeitos de sentido persuasivo. auxiliadas pela presença e alusão ao objeto de notícia escolhida para ser criticada. Quando vamos começar a escrita [sic]: Sobre a segurança. Rio é eleito sede das Olímpiadas de 2016. saúde e da educação públicaque foi abandonada? O que adianta ser “uma cidade acolhedora” como disse o prefeito. etc. ou para o sujeito de uma das notícias. repórter. o ítem mais ausente em termos percentuais.2. com boa educação. As frases usadas por essa aluna foram: “Rio é eleito o melhor destino gay do mundo. alguma crítica velada em relação à noticia de jornal. ou agradecimento. apenas uma aluna (4% do total) empregou em sua carta os elementos linguísticos de repetição e sequenciação (vide anexo 6) exemplificados em sala de aula. se essa cidade não tem base para um crescimento adequado.Trés alunos (12%) elaboraram suas cartas sem o uso de nenhum verbo modal ou termo auxiliar para marcar um posicionamento de suas idéias e pensamentos. nem de forma direta. apenas três alunos. elogio. Não havia nesses escritos. Rio é eleito sede do Pan 2007. podemos tentar pelo menos citar três fatores responsáveis do porquê este terceiro ítem de análise ter sido o menos empregado pelos alunos em suas cartas: 1) por causa da realidade do fato da ausência de ensino e uso desses elementos línguísticos de repetição e sequênciação fora do contexto de uso dos 22 . todavia. segurança e saúde pública e etc. acabaram realizando uma produção escrita final que não pode ser caracterizada como pertencente ao gênero carta de leitor (vide anexo 5). ainda podem ser englobados dentro do gênero carta de leitor. Isso se deve ao tom de crítica constante em suas cartas. segundo a investigação do autor nas 27 cartas de leitores feitas pelos aluno.3 Uso de elementos linguisticos para aprimoração da carta e acentuação de efeito de sentido persuasivo Dos três aspectos usados para análise superficial quantitativa e qualitativa da produção escrita final da carta de leitor. nem indireta...” A partir dessa constatação percentual. O problema principal dos trabalhos desses alunos foi que o conteúdo da tentativa das cartas que eles elaboraram continham meramente uma paráfrase da reportagem original da revista ou jornal. Os alunos acabaram produzindo uma paráfrase da noticia principal e não uma opinião crítica. mas que. ou seja. De todos os 25 alunos. cerca de 12%. revista.

ou seja. indo direto ao assunto. quais os tipos principais e as suas devidas características. assim como a competência que estes têm para aprimoração dos seus textos na vida social. o gênero jornalístico. e o seu uso prático na vida cotidiana. exemplificando e associando diretamente com o contexto de composição do gênero carta de leitor. que sirva num contexto social e do cotidiano. mas a sua plena formação e cidadania. tudo isso nos leva a questionar o grau de capacidade de assimilação do ensino de elementos linguísticos (figuras de linguagem. para além dos gêneros escolares tradicionais. Em termos práticos. ironia. O ensino do gênero carta de leitor aos alunos do ensino médio poderá servir como instrumento de avaliação da capacidade de assimilação do ensino de Língua Portuguesa que 23 . na medida em que avaliamos todas as demais cartas e deparamos com o fato de que a única forma alternativa empregada pelos alunos para aprimorarem o efeito persuasivo de suas cartas foram as perguntas retóricas (só dois alunos trabalharam com esses elementos – 8%). negação. e a importância do uso desta. Preferimos concluir dessa amostra que provavelmente o ítem 2) seja a maior razão do porquê os alunos não utilizaram dos elementos linguísticos de repetição e sequênciação para aprimorarem os seus textos. de um lado. é preciso que haja uma clara introdução aos alunos a respeito das diferenças entre o ensino da Língua Portuguesa como saber prescritivo. qual sua importância. 2) pode ser devido à falta de tempo em classe para se trabalhar e enfatizar o ensino desses elementos. Considerações Finais Baseado na elaboração do projeto de ensino da sequência didática gênero carta do leitor e a sua implementação junto aos alunos do segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Andronico de Mello. podemos tecer as seguintes considerações finais: Ainda que o material didático oficial e extra-oficial nas escolas públicas paulistas estejam implementando o desejo dos PCNs de levar o ensino da Língua Portuguesa além do conhecimento e manejo básico e intrumental. etc) dos alunos. para que os alunos tenham ciência que o aprendizado da Língua Portuguesa não visa meramente o vestibular. não basta dizer aos alunos que aprenderemos hoje. Deve-se procurar esclarecer aos alunos das razões pela qual existem inúmeros gêneros textuais. sarcasmo. Entretanto. por exemplo. compondo suas cartas sem demais efeitos. 3) Os alunos preferiram trilhar o caminho mais econômico.gêneros escolares tradicionais (redação). Revela-se aqui uma forte disparidade entre o ensino da Língua Portuguesa em sala de aula.

O.A. V.L. preparando o aluno para lidar com questões ideológicas. Códigos e suas Tecnologias (2000) 24 . que vai além do conhecimento e dominio básico da gramática portuguesa. 13.. In: Roxane Rojo (Org. deve sempre andar de acordo com o nível de capacidade e competência linguística dos alunos. Parte II: Linguagens. ou seja. ética e política. v. A. pg. PAIVA. Esse ensino. os empregos do uso de elementos linguísticos para aprimoração dos seus textos. n. Referências Bibliográficas BRAKLING.) Hipertextos e gêneros digitais. & XAVIER. K. In Interdisciplinar.p.68-90 Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio. 2. revelarem as dúvidas que estes alunos tem para efetuarem uma transição do conhecimento da Língua Portuguesa de forma prescritiva. P e S. contudo. 213-214. E-mail: um novo gênero textual. Cartas do Leitor: Atividades para o Ensino Médio. da SILVA. L. A. São Paulo. na medida em que as dúvidas sobre os empregos gramaticais. Rio de Janeiro: Lucerna. (Orgs. L. Educ.). O ensino do gênero carta de leitor tem a oportunidade de trabalhar no aluno o letramento integral. CARDOSO. pg.M. para o seu uso prático na vida social e cotidiana. D.jul/dez 2006. 2004. 3.os alunos tiveram anteriormente. Trabalhando com Artigo de Opinião: Re-Visitando o Eu no Exercício da (Re)Significação da Palavra do Outro. . o uso ou não dos verbos e termos auxiliares para marcarem o posicionamento de idéias e pensamentos. de convívio. de acordo com o seu bakground e contexto social.C. In: MARCUSCHI. E. A Prática de Linguagem em Sala de Aula – Praticando os PCNs.

ANEXOS ANEXO 1 25 .

ANEXO 2 – ESTRUTURA DE TÓPICOS INICIAL DA APRESENTAÇÃO DE POWER POINT (MODIFICADA POSTERIORMENTE) 26 .

estilo e composição característica. GÊNEROS TEXTUAIS 27 . nós usaremos a língua portuguesa. p 27). Andronico de Mello GÊNEROS TEXTUAIS Qual o objetivo de aprendermos a língua portuguesa na escola? GÊNEROS TEXTUAIS Será que durante nossa vida.GÊNEROS TEXTUAIS Regência – Isaque Hattu – EE Prof. da mesma maneira em lugares e todas as situações? GÊNEROS TEXTUAIS O QUE É UM GÊNERO TEXTUAL? Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária (cotidiano) e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos. propriedades funcionais. de forma prática.” (MARCUSCHI.

Para efetivização da cidadania. descrição. injunção. no tempo e espaço. lista de compras. A oportunidade de estar na posição de autor. etc. Gênero Textual: Carta do Leitor Qual a importância de dominarmos o gênero carta do leitor? A importância do gênero carta do leitor A emissão de opinião. tempos verbais. inquerito policial. mostrando seu ponto de vista. argumentação. instrucoes de uso. sintáticos. manifestando valor. o leitor expressa opinião sobre textos publicados 28 .O gênero textual de difere dos tipos textuais. receita culinaria. tipo textual designa uma espécie de construção teórica definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais. outdoor. resenha. usando da sua capacidade linguística de letramento integral. Em geral. exposição. bate-papo virtual. relações lógicas). TIPOS DE GÊNERO TEXTUAL Telefonema Sermão carta comercial carta pessoal Romance Bilhete aula expositiva reunião de condominio. os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração. CARTA DO LEITOR SE DIFERE DA CARTA COMUM OU COMERCIAL CARTA DO LEITOR Através dessa variedade textual. cardapio.

9. CARACTERÍSTICAS DA CARTA DO LEITOR 1. passado. Espaco – local. expressão cordial de despedida assinatura (para efeito de vestibular. JESUS TERIA QUE SE ALIAR A JUDAS” CARTA DO LEITOR Exercício: Leia as seguintes cartas dos leitores e identifique as principais características desse gênero textual. 2. com intenção persuasiva.jornal ou revista. Leitor emite opiniao sobre o fato e nao a reportagem. autor-autor. o candidato deve lembrarse de não assinar). 4. 11. Expressao nominal com funcao adjetivadora. opinar. 8. agradecer. Relação sujeito-sujeito. Modalizacao epistemica. 5. perguntar. Adverbios de tempo: prospeccao ao momento do discurso. futuro. 13. CARTA DO LEITOR Afirmação principal: Lula: “NO BRASIL. 3. 12. DIRIGEM-SE PARA UM INTERLOCUTOR: A revista ou (outros leitores). Perguntas retóricas. Tempos verbais: presente. Selecao de léxico. vocativo. corpo do texto. A sua estrutura assemelha-se à da argumentativa: local e data. Explicitacao do nome do remetente. Comentário sobre outros textos (Intertextualidade). etc. Adjetivos: indices avaliativos. 7. 10. 14. elogiar. 6. Vocativos – Instaura o tu. criticar. CARTA DO LEITOR 29 . PRESENÇA DE ATOS DE FALA: solicitar.

como se diz. Telex (011) 22115. o número da cédula de identidade e o telefone do autor. b) Não deixe de verificar a seção de carta. São Paulo.VEJA. o endereço. Por motivos de espaço ou clareza. no calor da hora. Caixa Postal 14110 CEP 02909-900. as cartas poderão ser publicadas resumidamente. Só poderão ser publicadas na edição imediatamente seguinte as cartas que chegarem à redação até Quarta-feira de cada semana.As cartas para VEJA devem trazer a assinatura. porque eventualmente a sua poderá ser selecionada para publicação. sobre matérias da última semana. a) A carta tem de ser enviada. Não se esqueça de duas coisas. ANEXO 3 - 30 . PRODUÇÃO FINAL Nossa sugestão agora é que você selecione. Enviar para: Diretor de Redação. em um jornal ou revista. Fax (011) 3990-1640. uma matéria polêmica e envie uma carta à redação com sua opinião sobre ela. SP. os jornais costumam publicar cartas apenas sobre matérias do dia anterior. Com a rapidez atual das comunicações. e as revistas.

ANEXO 4 31 .

ANEXO 5 – A 32 .

ANEXO 5 – B 33 .

ANEXO 5 – C 34 .

ANEXO 6 – ANOTAÇÕES DE ALGUMAS AULAS DE OBSERVAÇÃO – 35 .

A aula foi iniciada com chamada. relativo. pedindo pra classificar adequadamente. 22/ 09 (3º B) . oblíquo.Foi elaborado um exercício de identificação dos pronomes no fragmento de um texto. possessivo. . .Cita-se as obras principais de Caeiro. 30/09 (2º B) 36 .Explicou antes disso a biografia de Fernando Pessoa . . . . .Iniciou-se a aula com chamada. Nem Sempre Igual. . trabalhou-se com a revisão da prova.Logo a seguir. a professora pediu para que o grupo que iria apresentar o seminário tomasse a frente para iniciar a apresentação. indefinido.Alberto Caeiro é apresentado como mestre dos heterônimos. demonstrativo. e os de tratamento).O objeto de ensino foi a familiarização com a linguagem do ENEM. dentre outros. interrogativo. .A professora encerra o seminário e aproveita o restante da aula para dar visto nas lições anteriores. .Logo depois.Logo a seguir o grupo discorre a respeito de Fernando Pessoa ele mesmo.18/09 (2º E) . é explicado tambpem a sua biografia particular. como o Guardador de Rebanhos.Realizou-se em classe a interação sobre a pesquisa dos pronomes e seus tipos (pessoal. . Menino Jesus.O grupo apresentou o seminário sobre Alberto Caeiro.

. enfatizando três características: a interação com o leitor.Logo a seguir passa a trabalhar com o livro didático exta-oficial.A professora pede então que os alunos abram os seus livros na pãgina 284. cada um lendo uma parte de um dos personagens da obra. . . a metalinguagem e a ironia. . a professora comenta sobre uma breve biografia de Eça de Queiróz. .A turma responde e uma discussão sadia é estabelecida em sala de aula..A professora realiza um diálogo com a turma sobre o excerto e lança algumas perguntas. 02/10 (2º D) .Depois da leitura.A professora concede espaço e tempo ao estagiário Pedro para explicar a sua proposta de intervenção. . .A professora passa a explicar as características de Machado de Assis. e para isso solicita que très alunos participem. página 264-266.A professora inicia a aula com chamada. . e pede que os alunos leiam o texto de Dom Casmurro e anote as dificuldades encontradas para interpretar o trecho.A professora realiza uma atividade de leitura do excerto da obra O Primo Basílio. sendo que a professora interpretará e lerá uma quarta personagem (Luisa). .A professora encerra a aula passando alguns exercícios para os alunos. como “Quem trai mais? O homem ou a mulher?” . 37 .A professora então passa a ler o trecho do texto do livro didático em voz alta pedindo aos alunos que atentassem para a metalinguagem.A professora inicia a aula com chamada.

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