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DIVISÃO DE ENGENHARIA

Curso: Engenharia de Minas

Nível: 3ᵒ Ano

Turma: A, Diurno

Cadeira: Mineração Especifica

Bombeamento das águas em lavra subterrânea

Docente:

Msc. Rodrigues Mário

Tete, Setembro de 2023


Discentes:

Absalão Raul Tembe

Figo Macane

Otto Zibane

Trabalho de investigação , elaborado no âmbito da


avaliação da cadeira de Mineração Especifica,
lecionada no Instituto Superior Politécnico de Tete,
pelo decente: Msc. Rodrigues Mário

Tete, Setembro de 2023


Índice
Introdução........................................................................................................................................1

Objectivos....................................................................................................................................1

Geral.............................................................................................................................................1

Especifico.....................................................................................................................................1

Metodologia.................................................................................................................................1

Bombeamento das águas em lavra subterrânea...............................................................................2

Aquíferos.....................................................................................................................................2

Tipos de aquíferos......................................................................................................................2

Aquíferos Porosos......................................................................................................................2

Aquíferos fraturados ou fissurados..........................................................................................3

Aquíferos cársticos.....................................................................................................................3

1.1.1.1. Classificação dos aquíferos quanto a pressão.......................................................3

Impermeabilização da superfície do terreno................................................................................5

Congelamento do terreno.............................................................................................................5

Grouting.......................................................................................................................................6

Drenagem de mina.......................................................................................................................6

Rebaixamento do Nível d’água em Minerações......................................................................7

Bombas.........................................................................................................................................7

1.1.1. Classificação das bombas............................................................................................7

Bombas dinâmicas.......................................................................................................................8

Bombas volumétricas.................................................................................................................10

Bombas Dinâmicas X Volumétricas..........................................................................................11

Bombeamento............................................................................................................................12
Bombas dinâmicas.....................................................................................................................14

Instalação do sistema de bombeamento.....................................................................................14

Equipamento de bombagem.......................................................................................................15

Escolha da bomba......................................................................................................................16

Altura Manométrica do Sistema................................................................................................16

Altura Manométrica de Sucção..................................................................................................17

Altura Manométrica de Descarga..............................................................................................18

Fórmula geral da altura manométrica total................................................................................19

Actividades preliminares ao bombeamento das águas em lavra subterrânea............................19

Conclusão......................................................................................................................................20

Referências bibliográficas.............................................................................................................21
1. Introdução
O bombeamento de água em lavras subterrâneas é uma actividade essencial para garantir a
segurança, eficiência e sustentabilidade das operações de mineração. Em ambientes subterrâneos,
a água pode se infiltrar a partir do lençol freático, precipitações ou por outras fontes,
apresentando desafios significativos para as operações de mineração. Se não for adequadamente
gerenciada, a água acumulada pode comprometer a integridade estrutural das escavações, afectar
a qualidade do minério, aumentar os custos operacionais e representar riscos significativos à
segurança dos trabalhadores.

O primeiro sistema de bombeamento utilizado no mundo foi a mais de 10000 mil anos atrás, por
meio de parafuso de Arquimedes. Desde então as bombas sofrem mudanças acompanhando a
evolução da tecnologia.
A presença de água interfere nas cavas e minas subterrâneas, e é indesejável por diversos
aspectos por gerar dificuldades operacionais em todo desenvolvimento e frentes de lavra. Por
isso, são importantes os estudos hidrogeológicos nas fases inicias dos projetos e durante as
operações. O presente trabalho aborda o bombeamento das águas em minas subterrâneas.

1.1. Objectivos

1.1.1. Geral

 Descrever o processo de bombeamento das águas em minas subterrâneas

1.1.2. Especifico

 Abordar da formação de aquíferos


 Descrever as bombas e suas aplicações
 Falar de como seleccionar as bombas
 Abordar as fezes preliminares ao bombeamento das águas em minas subterrâneas
1.2. Metodologia

Na elaboração do presente trabalho utilizou-se a metodologia descritiva, esta que, consistiu na


pesquisa bibliográfica de literaturas que abordam os meios pelos quias é feito o bombeamento
das águas em minas subterrâneas.

1
2. Bombeamento das águas em lavra subterrânea
Em mineração a presença de água nas cavas e/ou minas subterrâneas é indesejável por diversos
aspectos na operação, entre eles: complicações na locomoção de equipamentos, maior custo de
desmonte, menor vida útil de pneus, atraso na produção, risco de acidentes com cabos
energizados, ambiente insalubre com muita humidade, entre outros (MDGEO, 2010).

Segundo Azedo e Filho (1998), a Hidrogeologia estuda a água subterrânea em macroescala e o


escoamento conforme características geológicas e estruturais, formas de ocorrência e de
explotação, usos, preservação e da qualidade da água. Já a Geotecnia preocupa-se com o efeito
mecânico da água, directa (subpressões, forças de percolação) ou indirectamente (alterações) nos
maciços naturais. Embora com enfoques distintos, estes dois campos se complementam e
superpõem sendo necessários a Geotecnia os conhecimentos básicos da Hidrogeologia.

O estudo hidrogeológico de uma área mineralizada antes e durante o seu processo de lavra é de
extrema importância para que se tenha desde o início a visão dos problemas e das soluções
possíveis da futura incidência do rebaixamento do nível d’ água na mineração (MDGEO, 2010).

2.1. Aquíferos

São formações geológicas constituídas por rochas capazes de armazenar e transmitir quantidades
significativas de água. São efectivamente reservatórios naturais subterrâneos que podem ser de
variados tamanhos de poucos km2 a milhares de km2, ou também, podem apresentar espessuras
de poucos metros a centenas de metros de profundidade.

2.1.1. Tipos de aquíferos

Os aquíferos podem ser: Aquíferos porosos, aquíferos fracturados e aquíferos cársticos

2.1.1.1. Aquíferos Porosos

Ocorrem nas chamadas rochas sedimentares e constituem os mais importantes aquíferos pelo
grande volume de água que armazenam e por sua ocorrência em grandes áreas (ex: areias e
cascalheiras);

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2.1.1.2. Aquíferos fraturados ou fissurados

Ocorrem nas rochas ígneas e metamórficas. A capacidade destas rochas em acumularem água
está relacionada à quantidade de fraturas existentes. A possibilidade de se ter um poço produtivo
dependerá tão somente, de o mesmo interceptar fraturas capazes de conduzir a água (ex:
quartzitos, granitos, xistos não alterados, etc.);

2.1.1.3. Aquíferos cársticos

São os aquíferos formados em rochas carbonáticas, constituem um tipo peculiar de aquífero


fracturado, onde as fracturas, devido à dissolução do carbonato pela água, podem atingir
aberturas muito grande (cavernas), criando verdadeiros rios subterrâneos (ex: calcários).

Figure 1-Classificação dos aquíferos quanto ao tipo de permeabilidade

2.1.2. Classificação dos aquíferos quanto a pressão

Os aquíferos podem também ser classificados quanto a pressão a que esta submetida a água neles
contidos. Neste contexto, existem três tipos de aquíferos:

Aquíferos livres;

3
Aquíferos confinados;
Aquífero semi- confinado.

Figure 2-classificação dos aquíferos quanto a pressão.

2.2. Técnicas de controlo das águas em minas subterrâneas

Métodos de controlo consistem na prevenção (limitação da infiltração das águas, ou do


bombeamento antes de que estas entrem na mina), ou no bombeamento da água desde a mina.

Existem diversas técnicas de controlo, mas só algumas destas são práticas e economicamente
aplicáveis para minas subterrâneas. A continuação uma breve descrição das técnicas mais
implementadas:

 Impermeabilização da superfície de terreno;


 Congelamento do terreno;
 Grouting;
 Drenagem de mina;

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2.2.1. Impermeabilização da superfície do terreno

Este método consiste na impermeabilização de fontes de águas superficiais (e.g., rios) que
descarregam água no aquífero, a qual poderia percolar em direcção à mina. Este método foi
usado com sucesso em várias minas ao redor do mundo.

Na mina Neves-Corvo no Portugal, o selamento do curso de um rio foi feito com concreto
reforçado e injecção de shotCrete nas bancas do rio (Figura 3.1), o que reduziu substancialmente
o fluxo de infiltração à mina (Carvalho et al., 1990). Outra impermeabilização com resultados
exitosos do curso de um rio que fluía ao redor de uma área impactada por subsidência foi
reportada em Konkola Mine na Zambia (Freeman, 1970). Nesta mina foram seladas as trincas
geradas por subsidência.

2.2.2. Congelamento do terreno

O princípio deste método é tornar a água do solo em uma parede de gelo, geradas pela circulação
de um fluido criogénico dentro de um sistema de tubos verticais, os quais são instalados ao redor
do objectivo, gerando, dessa forma, um muro completamente impermeável (cut-off). O
congelamento pode ser um método muito eficiente em determinadas condições hidrogeológicas,
porém, a avaliação económica é muito importante devido a que este método é muito custoso não
sendo normalmente viável sua aplicação em minas subterrâneas, mas existem muitos registros
exitosos do seu uso na impermeabilização dos shaft. A diferença de outros métodos de cut-off,
congelamento do terreno é uma técnica pouco invasiva, já que esta requer menos penetração em
comparação com os outros métodos, devido a que sua efectividade propaga-se termicamente.
Uma vez instalado este sistema de piping, o congelamento do terreno permanece activo em
quanto o sistema esteja operando, uma vez que o sistema parar, o meio subterrâneo volta a seu
estado inicial.

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2.2.3. Grouting

Embora o grouting tenha diversas aplicações, neste caso, o principal objetivo é de eliminar ou de
reduzir o fluxo das águas subterrâneas nos trabalhos de mineração subterrânea propostos ou
existentes. Seja qual for o problema de infiltração é necessário que as causas sejam estudadas
completamente antes de aplicar o método de grouting adequado.

Existem 2 fases principais na vida útil de uma mineração subterrânea, onde de alguma forma o
grouting para o controle das águas é requerida:

Desenvolvimento e comissionamento – Durante a construção do shaft ou superfícies de desvio e


desenvolvimentos preliminares da mina subterrânea para ganhar acesso ao corpo mineralizado.

Produção/operação – Quando se trata com problemas de águas subterrâneas no avanço da


produção ou na construção de novos caminhos subterrâneos.

Tipicamente esta técnica consiste em perfurações em torno de 90 mm de diâmetro, realizadas até


as profundidades estabelecidas no projecto. Em terreno seco o furo realizado é lavado e,
posteriormente, o cimento de grout é injectado e acomodado dentro deste por vibração através de
uma tubulação de alta pressão (standpipe) de diâmetro nominal 2 polegadas.

Esta técnica além de ser muito cara, gera muitas incertezas durante sua aplicação devido a que
não se conhece ao certo as formações do meio poroso a grandes profundidades e, também,
porque o monitoramento para testar a eficácia desta técnica é limitado por não proporcionar
valores realísticos das condutividades hidráulicas das zonas com e sem grout. Portanto, seu uso é
normalmente dirigido apenas para controlar o fluxo de águas na construção do shaft, onde a
barreira de grout funcionará só para um período de tempo limitado.

2.2.4. Drenagem de mina

Drenagem de mina é o método mais comummente usado para o controle das águas na mineração
subterrânea, e pode variar desde uma simples colecção de águas infiltradas na mina (por meio
das fracturas ou através do próprio meio poroso), até procedimentos mais complexos que
envolvem a instalação de poços de rebaixamento a partir da superfície do terreno, perfurações de
drenagem situada dentro da mina ou por meio de galerias de drenagem.

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A técnica de desaguamento pelo uso de poços verticais perfurados é prática comum em minas a
céu aberto, porém, este método também é empregado em minas subterrâneas sempre que a
análise económica seja viável. Uma das vantagens desta técnica é que esta é executada
normalmente à frente dos trabalhos e não causa interferências com as operações mineiras, fora de
que consegue extrair a água limpa. Dentro das desvantagens encontram-se os custos de
perfuração e bombeamento assim como as limitações em profundidades atingidas no
rebaixamento, devido a que estes sistemas dificilmente podem atingir as profundidades da mina
subterrânea. Normalmente estes métodos são usados em combinação com perfurações de
drenagem instalados no interior da mina.

2.2.5. Rebaixamento do Nível d’água em Minerações

A tarefa de rebaixamento do nível d’água antecede o início das operações de mina, é aplicado em
situações que a lavra em algum momento da operação irá interceptar o nível da água do aquífero
em, esta etapa é chamada de pré rebaixamento. O pré-rebaixamento consiste em manter secas as
regiões da mina em função do planeamento de lavra. A actividade se estende durante toda a vida
útil da mina. Dessa forma, o planeamento do rebaixamento é realizado em concordância e de
forma a atender aos planos de lavra de curto, médio e longo prazo, desde o início até a exaustão
da mina (BERTACHINI e ALMEIDA, 2003 apud ABUD, et al., 2014).

2.3. Bombas

Bombas são dispositivos que cedem parte da energia de uma fonte motora a um fluido, a fim de
transportá-lo de um ponto a outro. Esta energia pode fornecida através do aumento de
velocidade, pressão ou ambos. As fontes podem ser eixos, hastes ou até outros fluidos. Abaixo
mostraremos um esquemático com os principais tipos de bombas, e nos próximos tópicos será
explicado as principais funções e características delas. (Souza, 2014)

2.3.1. Classificação das bombas

A bomba é classificada pela sua aplicação ou pela forma com que a energia é cedida ao fluido.
Normalmente existe uma relação estreita entre a aplicação e a característica da bomba que, por
sua vez, está intimamente ligada à forma de ceder energia ao fluido. O esquema a seguir

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apresenta um quadro de classificação dos principais tipos de bombas. A classificação foi feita
pela forma como a energia é fornecida ao fluido a ser transportado.

Figure 3- Esquema de bombas dinâmicas e volumétricas

2.3.1.1. Bombas dinâmicas

Bombas dinâmicas são aquelas que a movimentação do fluido é dada por forças desenvolvidas
em sua própria massa. Existem quatro tipos: regenerativas, fluxo axial, fluxo misto e centrífugas,
onde a última é a mais utilizada. Seu princípio se dá pelo aumento de energia cinética do fluido
no propulsor, que posteriormente é convertida, em sua maior parte, em energia de pressão.
Seguem abaixo a representação de cada uma, bem como o quadro comparativo(Souza, 2014):

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Figure 4 -Bombas dinâmicas. (Souza, 2014)

Tabela 1-tabela do tipo de bomba dinamicas e sua aplicacoes. (Souza, 2014)

Bombas dinâmicas
Tipo Características Aplicação
Fluxo misto Pressão e vazão moderados Abastecimento de
reservatórios, circuitos de
água gelada e irrigação
Fluxo axial Alta vazão e baixa pressão Irrigação
Regenerativa Alta pressão-baixa vazão Água limpa, sem sólidos-
abastecimentos de pequenos
reservatórios
centrifugas Pressão e vazão altas Industrias, sistemas de
refrigeração de grande porte,
navios grandes reservatórios

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2.3.1.2. Bombas volumétricas

Bombas volumétricas, ou de deslocamento positivo, são aquelas na qual a energia transferida ao


fluido já se encontra sob a forma de pressão e é dada diretamente pela movimentação de um
componente mecânico da bomba, que obriga o líquido (por ser praticamente incompressível) a
exercer o mesmo movimento ao qual ele está animado. Existem dois tipos principais: rotativas e
alternativas. Seguem abaixo a representação de cada uma, bem como o quadro
comparativo(Souza, 2014):

Figure 5 Bombas volumétricas. (Souza, 2014)

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Tabela 2-tabela do tipo de bomba volumétrica e suas aplicações. (Souza, 2014)

Bombas volumétricas
Tipo Características Aplicação
Rotativa Alta pressão baixa vazão Apresentam uma grande gama
de utilização além do
bombeamento convencional,
como transmissão commandos
e lubrificação.
Alternativas Alta pressão baixa vazão Apresentam uma grande gama
de utilização além do
bombeamento convencional,
como prensas, alimentação de
caldeiras e controles de
precisão

2.3.1.3. Bombas Dinâmicas X Volumétricas

Fisicamente a principal diferença entre as bombas dinâmicas e as volumétricas se dá devido ao


tipo de energia transmitida ao fluido, na primeira trata-se da cinética que posteriormente é
convertida em energia de pressão, já na segunda a energia fornecida já está sob a forma de
pressão. Além disso, existem outras diferenças como:
 As bombas volumétricas podem partir com a presença de ar, nas dinâmicas a partida só
pode ocorrer com a mesma preenchida pelo fluido a ser bombeado.
 As bombas dinâmicas possuem maiores vazões, menores pressões e maior confiabilidade
comparadas às bombas volumétricas.
Vale salientar uma característica das bombas rotativas e dinâmicas em relação às bombas
alternativas, as primeiras possuem bombeamento com vazão constante, já a segunda apresenta
variações na vazão de bombeamento. (Souza, 2014)

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2.4. Bombeamento

O bombeamento de água tem por objectivo manter o nível de água em uma determinada cota que
permita a continuidade das actividades de lavra. Segundo Marília Melo, a operação do sistema de
rebaixamento de nível de água requer conhecimento pleno do sistema aquífero afectado,
parâmetros tais como‫׃‬

 Hidrodinâmicos;
 Linhas de fluxo;
 Conexões hidráulicas entre aquíferos vizinhos;
 Áreas de recarga e descarga (mapeamento detalhado da nascente);
 Rede de monitoramento piezométrico, fluviométrico e pluviométrico, avaliada e
actualizada constantemente;
 Agilidade no controle operacional da produção do sistema de rebaixamento em harmonia
com o projecto da lavra.

De acordo com António Bertachini (Geólogo e Director dos serviços de hidrogeologia), o


rebaixamento do nível de água em mineração difere do que é praticado na construção civil, o
chamado “rebaixamento do lençol freático”. “Enquanto nas obras civis se busca um
rebaixamento momentâneo e rápido para construção das estruturas, geralmente estanques; na
mineração, o rebaixamento ocorre ao longo de todo o tempo em que a lavra se desenvolve,
abaixo do nível de água.

Em geral, pratica-se o pré-rebaixamento a fim de atender o avanço da lavra. Dessa forma, o


rebaixamento se inicia um ou dois anos antes da lavra atingir o nível de água e prossegue até o
final da vida útil da mina. Paulo Pessoa alerta que o conhecimento apropriado das práticas
envolvidas, em cada uma das fases de desenvolvimento da mina (Planejamento, Implantação,
Operação e Descomissionamento), auxilia na indicação dos principais cuidados a serem
mantidos visando evitar acidentes que ponham em risco os aquíferos, tais como:

 Vazamentos de combustíveis ou de redes de esgotamento sanitário;


 Depósito de materiais perigosos;
 Disposição de resíduos, etc.

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Figure 6- Processo de bombeamento de água em lavra subterrânea

Figure 7- Bombeamento das águas em lavra subterranea

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2.4.1. Bombas dinâmicas

As bombas volumétricas, em geral, são utilizadas em sistemas de baixa vazão e grandes heads,
como estamos tratando de um sistema com vazão relativamente baixa, uma análise comparativa
com bombas volumétricas seria interessante.(Souza, 2014)

Análise pelas bombas centrífugas, pois são as mais utilizadas devido suas características:
 Admitem acoplamento direto ao motor, sem necessidade de redutores de velocidade;
 Trabalham em regime permanente;
 Admitem modificações que alteram seu ponto de operação, ampliando a faixa de vazões;
 Bom custo x benefício
 Menor necessidade de manutenção comparadas a outros tipos.

2.4.2. Instalação do sistema de bombeamento

Podemos dividir a análise de uma instalação de elevação em duas partes:

1. Instalação ou sistema elevatório;


2. Estudo do bombeamento ou bomba.

Os elementos do sistema elevatório ou instalação representam as características físicas


encontradas para o transporte da água de um nível para outro, basicamente teremos os seguintes
dados a serem levantados:

1. Desnível entre os reservatórios de sucção e de descarga ou recalque;


2. Vazão do sistema;
3. Comprimento e diâmetro da tubulação;
4. Quantidade de acessórios como curvas,
5. Joelhos, válvulas etc.

O objectivo do sistema de bombeamento é colectar a água do reservatório inferior, ou


reservatório de sucção, e transporta-la até o reservatório superior, ou reservatório de recalque. A
função da bomba é fornecer a energia ao líquido, vencendo as resistências do encanamento, seus
acessórios e o desnível entre os reservatórios.

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2.4.3. Equipamento de bombagem

O equipamento de bombagem inclui o grupo eletrobomba, em geral submersível, e os


respectivos órgãos de comando e controle.

As características hidromecânicas da bomba devem obedecer rigorosamente às especificações


resultantes do ensaio de caudal executado no final da obra, definindo-se o seu dimensionamento
com base nos seguintes aspectos:

 Caudal máximo de exploração e nível hidrodinâmico correspondente;


 Diâmetro da captação (relembra-se que conforme referido, a bomba deve permanecer
afastada das paredes da tubagem de revestimento pelo menos 1”);
 Cota de descarga da água bombeada; − Perdas de carga nas condutas de adução e
respectivos órgãos acessórios.

Atente-se que a bomba nunca deve permitir uma extracção de caudal superior ao definido pelo
ensaio. Uma bomba sobredimensionada (mais potente) provocará o envelhecimento prematuro
da captação, por exemplo, pelo arrastamento de material fino para dentro do furo causando
avarias na bomba. Por outro lado, esse material fino mobilizado pela bombagem excessiva e que
não entra para o furo, vai preencher os espaços vazios do maciço filtrante colmatando-o e
provocando a redução parcial ou mesmo total do caudal.

O equipamento de bombagem nunca deve ficar apoiado na coluna de revestimento, mas antes
num suporte simples que descarregue o peso e as vibrações desse equipamento na soleira da
caixa da captação.

A bomba submersível deve posicionar-se, com alguma margem de segurança, abaixo do nível
hidrodinâmico correspondente ao caudal máximo de exploração recomendado. A bomba deve
ainda posicionar-se acima dos tubos-ralo, mas em casos especiais, quando existem vários troços
drenantes, tal poderá não ocorrer em relação a todos eles.

O equipamento de bombagem deve incluir:

 Um dispositivo guarda-nível colocado 2 a 3 m acima da bomba, que a protege,


desligando-a quando o nível dinâmico da água no furo desce de modo imprevisto abaixo

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desse dispositivo. Preferencialmente, tal dispositivo deve posicionar-se de acordo com o
NPSH (“net position suction head”) específico da bomba, o qual define a submergência
ou altura mínima da coluna de água acima da bomba para o seu funcionamento seguro;
 Um manómetro intercalado na tubagem de condução de água para controlo da pressão de
funcionamento da bomba, ou outro dispositivo (electrónico) de controlo dessa pressão; −
Um caudalímetro para controlo dos caudais extraídos;
 Quaisquer outros dispositivos mais específicos previstos no plano de exploração.

Acresce referir que a bomba e respectivos acessórios devem ser seleccionados em função das
características físico-químicas da água.

2.4.4. Escolha da bomba

Para cada situação, dependendo do fluido a ser bombeado, da vazão de líquido necessária, altura
manométrica ou de recalque e também da pressão de saída exigida, um tipo específico de bomba
deverá ser empregado.

A utilização de uma bomba não recomendada para uma determinada aplicação pode ter várias
consequências: desde a impossibilidade de bombear o fluido de acordo com as necessidades do
sistema, até uma situação bem pior, ou seja, gerar um sistema de bombeamento de baixa
eficiência, que provocará um consumo desnecessário de energia eléctrica e consequente perda
energética.

Existe uma gama enorme de tipos de bombas e, infelizmente, não há um critério único para
definição deste quesito.

2.4.4.1. Altura Manométrica do Sistema

A altura manométrica do sistema (H) é definida como a energia que o sistema vai solicitar da
bomba para que esta consiga transferir um fluido de um ponto a outro a uma determinada vazão.
Essa energia irá variar levando-se em conta as resistências que este sistema fornece ao fluido.
Tais resistências são: a altura geométrica (h), a diferença de pressão entre os reservatórios de
descarga (Pd) e sucção (Ps) e as perdas de carga da rede (hf). (Souza, 2014)

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A altura geométrica (h) é a diferença entre os níveis dos reservatórios de descarga (Zd) e de
sucção (Zs). Essas medidas são feitas a partir da superfície do fluido, no reservatório em que se
encontram, até a linha de centro do rotor da bomba. Para obtermos a perda de carga total da rede
devemos somar as perdas de carga da sucção (hfs) e descarga (hfd).

O cálculo da altura manométrica total é feito considerando-se o quanto de energia já existe na


linha de sucção (hs) e o quanto de energia se deve ter na linha de recalque (hd). A bomba deverá
fornecer a quantidade de energia requisitada na linha de recalque menos a quantidade de energia
que existe na linha de sucção. Para essas quantidades de energia damos os nomes de altura
manométrica de sucção e altura manométrica de descarga, respectivamente. Portanto, a altura
manométrica total será dada pela diferença hd – hs. (DE MATTOS, DE FALCO, 1998)

H=hd −hs

2.4.4.2. Altura Manométrica de Sucção

A altura manométrica de sucção (hs) é definida como a quantidade de energia por unidade de
peso existente na linha de sucção. Para calcularmos, devemos aplicar o Teorema de Bernoulli,
mostrado acima, entre um ponto na superfície do fluido no reservatório de sucção e o flange da

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bomba. O termo que contabiliza a velocidade no reservatório de sucção pode ser desprezado.
Desta forma, obtemos a expressão:

Ps
h s=Z s + −hfs
γ

É importante notar que o valor de Zs pode ser positivo ou negativo, dependendo da instalação
que compõe o sistema. Analisando a expressão, podemos ver de forma clara que quanto maior a
altura do reservatório de sucção ou a pressão existente nele, maior será a quantidade de energia
na linha de sucção. (Souza, 2014)

2.4.4.3. Altura Manométrica de Descarga

A altura manométrica de descarga é definida como a quantidade de energia por unidade de peso
que se quer obter no ponto final da linha de descarga. Assim, aplicamos o Teorema de Bernoulli
da mesma forma que foi feita para a sucção. Nesse caso, aplicamos entre o flange da bomba e a
superfície do fluido do reservatório de descarga. Obtemos, então, a seguinte expressão:

Pd
h d=Z d + +hfd
γ

Da mesma forma que no cálculo da altura manométrica de sucção, Zd pode assumir valores tanto
positivos quanto negativos, dependendo apenas da instalação.
Essa expressão demonstra a quantidade de energia necessária para que o fluido consiga chegar ao
ponto requisitado atendendo as condições do processo. Quanto maior a altura geométrica, a
pressão do reservatório e a perda de carga, maior será a quantidade de energia requerida. (DE
MATTOS, DE FALCO,1998).

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2.4.4.4. Fórmula geral da altura manométrica total

A fórmula geral para a altura manométrica total. Sabendo que, H = hd – hs, temos então:

(
H= Z d +
Pd
γ )( Ps
+ hfd − Z s+ −hfs
γ )
Pd −Ps
H=Z d −Z s+ + ( hfd +hfs )
γ

Sendo,
Zd: Altura geométrica de descarga
Zs: Altura geométrica de sucção
Pd: Pressão no reservatório de descarga
Ps: Pressão no reservatório de sucção
hfd: Perda de carga na linha de descarga
hfs: Perda de carga na linha de sucção
ɣ: Peso específico do fluido

2.5. Actividades preliminares ao bombeamento das águas em lavra subterrânea

As actividades preliminares para o bombeamento das águas em lavra subterrânea podem variar

Dependendo do contexto específico. No entanto, algumas actividades comuns podem incluir:

 Identificação e mapeamento das fontes de água Subterrânea;


 Instalação de poços de bombeamento;
 Selecção e instalação de equipamentos de Bombeamento adequados;
 Implementação de sistemas de monitoramento e controle da qualidade da Água; e
 Implementação de medidas de segurança

Para garantir a eficiência e a segurança do processo de Bombeamento. E importante ressaltar que


as actividades preliminares devem ser realizadas por Profissionais qualificados e em
conformidade com as Regulamentações ambientais e de segurança Aplicáveis.

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3. Conclusão
Depois da elaboração do presente trabalho o grupo concluiu que entender a importância e as
técnicas do bombeamento de água em lavras subterrâneas é crucial para uma operação de
mineração bem-sucedida e responsável. Além disso, do ponto de vista ambiental, o manejo
inadequado da água em minas subterrâneas pode resultar em consequências negativas para os
ecossistemas locais e recursos hídricos superficiais

Para se controlar a presença de água em ambiente subterrâneo é necessário fazer um estudo


hidrogeológico, para estes estudos se faz necessária a implantação de uma rede de
monitoramento que irá fornecer dados sobre o cenário hidrogeológico da área para a gestão
hídrica.

Para contornar essa presença de água, faz-se o bombeamento das águas para diversas
finalidades, facilitando os trabalhos nas frentes de lavra, este bombeamento é possibilitado
pela utilização de bombas que facilita a retirada da água.

20
4. Referências bibliográficas
[1]. AZEVEDO, A. A.; FILHO, J. L. A. (1998). Águas Subterrâneas. In: OLIVEIRA, A.
M. D. S.; BRITO, S. N. A. Geologia de Engenharia. São Paulo: ABGE.

[2]. ABUD, M. C. et al. (2014). Operação e manutenção de poços de rebaixamento em


mina a céu aberto, um estudo de caso do Complexo Mineroquímico de Araxá-MG da
Vale Fertilizantes. XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE ÁGUAS
SUBTERRÂNEAS. Belo Horizonte: ABAS.

[3]. BERTACHINI, A. C.; ALMEIDA, D. C. (2003.) O rebaixamento do nível d'água em


mineração e obras civis. Anais: I Simpósio de Hidrogeologia do Sudeste. São Paulo:
ABAS.

[4]. DE MATTOS, E & DE FALCO,R. (1998). Bombas Industriais. Rio de Janeiro:


Interciência.

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