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PREFEITURA MUNICIPAL DE SOROCABA

Secretaria dos Negócios Jurídicos


Divisão do Contencioso Geral

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 3.ª Vara Cível da Comarca de Sorocaba/SP.
P.A. n.º 9.959/03

PROCESSO N.º 2002.024650-0 (N. de ordem: 4.035/02)

AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO

IRINEU NARDI e s/m MARIA LUCIA FERREIRA NARDI x P. M. S.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SOROCABA, já


qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem respeitosamente a presença de
V. Exa., através de seu procurador, apresentar CONTRA RAZÕES ao recurso de
apelação interposto pelo Autor, requerendo a juntada da mesma aos autos.

Termos em que,
pede deferimento.

Sorocaba, 24 de abril de 2006.

Ruy Elias Medeiros Junior

Procurador Municipal

OAB/SP 115403

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Secretaria dos Negócios Jurídicos
Divisão do Contencioso Geral

CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO

PROCESSO N.º 2002.024650-0 (N. de ordem: 4.035/02)

AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO

APELANTES: IRINEU NARDI e s/m MARIA LUCIA FERREIRA NARDI

APELADA: PREFEITURA MUNICIPAL DE SOROCABA

Egrégio Tribunal,

Colenda Câmara,

Emérita Turma Julgadora:

Os Apelantes estão recorrendo da R. Sentença prolatada,


por entenderem que a mesma não observou as provas dos autos.

Contudo, são desprovidos de fundamentos, as razões da


Apelação ofertadas pelos Apelantes, motivo pelo qual a Municipalidade espera que o
recurso interposto seja improvido. Ademais, a R. Sentença recorrida interpretou
corretamente os fatos e a legislação aplicável, proclamando, com justiça, a
improcedência dos pleitos formulados pelos Apelantes.

Os Autores, ora apelantes, atribuindo à Municipalidade a


prática de ato ilícito, propuseram a presente ação em face da mesma com o objetivo
de receber indenização no valor a ser estabelecido por perícia judicial, acrescido de
correção monetária, juros moratórios e compensatórios, custas e despesas
processuais, e verba honorária. Para tanto, os Autores alegaram que são
proprietários dos lotes de terreno nº(s).: 02, 05 e 06, localizados no bairro da Água
Vermelha, transcritos sob nº(s).: 42.046, 42.001 e 42.005 do Segundo Cartório de
Registro de Imóveis de Sorocaba. E que, no final do ano de 1993 e início de 1994,
toda a área desses lotes foi apossada pela Municipalidade de Sorocaba para
implantação do prolongamento da Avenida Bento Jequitinhonha.

Contudo, após a produção das provas, verifica-se que as


argumentações e pretensões dos Autores não teve qualquer comprovação fática ou
jurídica que pudesse elidir a ocorrência da prescrição, como se demonstrará a
seguir.

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Após analisar os fatos confirmados nas provas


documentais e na perícia, em especial, nas observações da Assistente Técnica da
Municipalidade, que agiu com lucidez e objetividade em seus pareceres técnicos,
concluiu-se que o Sr. Perito Judicial não agiu de forma técnica ao responder os
quesitos complementares (fls. 160) da Municipalidade.

Considerando que se deva aplicar in casu, o lapso


prescricional de vinte anos para a ação expropriatória, verifica-se que ocorreu a
prescrição. Para tanto, temos como prova a planta de locação da Avenida Bento
Mascarenhas Jequitinhonha, elaborada em 29/04/80 pelo Escritório Municipal
de Planejamento, onde o traçado da referida via pública já se apresentava
como se apresenta hoje. Esse documento (juntado com a Contestação) demonstra
que o apossamento administrativo parcial ocorreu antes do ano de 1.980.

Aliás, o atual traçado da Avenida Bento Mascarenhas


Jequitinhonha já existia quando do levantamento aerofotogramétrico realizado
em 1.983 (conforme plantas elaboradas em decorrência das aerofotos).

Vejam Exas. que o Sr. Expert judicial procurou ignorar


esses documentos irrefutáveis, posto que são plantas elaboradas em decorrência
de fotografias aéreas e que preservaram a situação imobiliária no local em duas
oportunidades: ano de 1.980 e 1.983.

De maneira que, considerando-se o prazo de vinte


anos para a consumação da prescrição, ainda assim, em face desses
documentos juntados com a contestação, há de se reconhecer a ocorrência da
prescrição.

A Municipalidade discordou parcialmente do Laudo do


Sr. Perito Oficial, louvando-se para tanto, no Parecer Técnico parcialmente
discordante apresentado pela sua Assistente Técnica. Esse Parecer indica os
elementos que permitem precisar a data do apossamento vintenário.

A Assistente Técnica da Municipalidade verificou e


analisou o Processo Administrativo nº 3.018/98 mencionado na Contestação e
chegou a sua conclusão parcialmente divergente da proclamada no Laudo Pericial.
É importante ressaltar que esse processo administrativo teve origem mediante um
requerimento do Autor, dirigido à Municipalidade, pleiteiando o cancelamento de
lançamento de IPTU incidente sobre o lote nº 02 localizado à Rua Cap. Bento
Mascarenhas Jequitinhonha s/nº. Veja V.Exa. que às fls. 156 dos autos judiciais,
o Assistente técnico dos Autores fez a juntada do Carnê de IPTU do ano de
2004 do lote nº 02. Nesse carnê está expresso que a área desse terreno é de
151,00 m². Isto contraria a exordial e o Laudo do Expert.

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A Assistente Técnica da Municipalidade (Engª. Claúdia


Rogéria Aparecida Cóvos Dalla Mora) também salienta às fls. 124/125 dos autos:

“I V. ÉPOC A DO AP OSS AMEN TO:

Como o Sr. Expert não pode precisar a data do


apossamento, esta Assistente pesquisou e localizou alguns processos
administrativos, referentes a pedidos de indenizações e revisões de
lançamentos.

No processo administrativo n° 3.018/98, que trata de pedido


de revisão de lançamento e tem como requerente o próprio autor,
localizamos fotos aéreas do ano de 1976 e 1983. Dessas plantas (fotos
aéreas), colhemos o seguinte:

 No ano de 1976 a via em estudo já se encontrava aberta sobre os lotes


05 e 06 dos requerentes, ou seja, a PMS já tinha a posse sobre os
referidos lotes;
 No aerofoto de 1983, constatamos que houve um prolongamento da
referida via (Cap. Bento M. Jequitinhonha) e que atingiu entre outros,
parte do lote 02 dos requerentes.

Ainda com relação ao processo n° 3.018/98, temos às fls. 13,


a seguinte informação prestada pelo Eng° José Antonio Alves Rosa:

 Segundo o proprietário de um terreno das proximidades, a


referida rua foi aberta pelos próprios proprietários, mais
ou menos em 1980, para poderem ter acesso aos seus
lotes. ”

Ora, diante dessas provas existentes em documentos


públicos, não deve restar a menor dúvida que já havia ocorrido a prescrição argüida
em Contestação.

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De outra parte, caso rechaçada a tese da prescrição, o


que a Municipalidade não admite, mas tão somente visando resguardar eventual
correta apuração do valor da indenização, deve-se destacar que o documento de fls.
156, juntado pelo Assistente Técnico dos Autores, demonstra que a área do lote nº
02 é de apenas 151,00 m², ao contrário da afirmação existente no Laudo Pericial.

Destarte, os próprios Autores, através de seu Assistente


Técnico reconhecem que a avaliação do Sr. Perito incidiu sobre gleba maior que
aquela indicada no carnê de IPTU do ano de 2.004.

Sendo assim, se o recurso vier a ser provido, o que não


se espera, o valor de eventual indenização não poderá ser o valor total indicado pelo
Expert.

Também não se pode olvidar que o Sr. Expert avaliou os


imóveis com o preço atual de mercado. Sendo assim, são incabíveis as incidências
de juros moratórios e compensatórios sobre o montante apurado, sob pena de se
caracterizar enriquecimento sem causa, em prejuízo do patrimônio público dos
munícipes sorocabanos.

Assim, por todos os motivos ora expostos e também


reiterando a Municipalidade, todos os termos de sua Contestação, requer seja
julgado totalmente improvido o presente recurso, respondendo o Autores-
apelantes pelas custas, despesas processuais e honorários advocatícios.

Termos em que,
pede deferimento.

Sorocaba, 24 de Abril de 2006.

Ruy Elias Medeiros Junior


Procurador Municipal
OAB n.º 115403

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