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Frei Luís de Sousa

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Síntese dos principais acontecimentos

O contexto em que o Romantismo surgiu em Portugal foi marcado por uma
sucessão de acontecimentos muito importantes, que explicam o facto de esta
corrente estético-literária ter chegado ao nosso país com cerca de 30 anos de

atraso.
Esses acontecimentos podem ser resumidos na seguinte linha cronológica:

Em 1807, na sequência das Invasões Francesas, a família real
portuguesa embarcou para o Brasil, deixando Portugal sob o domínio britânico.

Devido ao descontentamento geral que se fazia sentir na metrópole, em
1820 ocorreu no Porto uma Revolta militar e civil, que tinha como objectivo
expulsar os oficiais britânicos de Portugal e proclamar uma Constituição.

No entanto, em 1821, D. Miguel, que liderava um movimento
denominado Vila-Francada, restaurou o governo absolutista e aboliu a
Constituição. Em consequência, muitos liberais, como Garrett ou Herculano,
foram obrigados a emigrar.
Com a morte de D. João VI (em 1826), D. Miguel fez-se aclamar Rei segundo o
antigo regime absolutista.

Entretanto, D. Pedro, que se opunha a seu irmão D. Miguel e defendia a
causa liberal, regressou do Brasil e organizou nos Açores uma expedição
militar que desembarcou na praia do Mindelo, avançando sobre o Porto.

Assim, em Maio de 1834, na convenção de Évora-Monte, os absolutistas
renderam-se e D. Miguel partiu definitivamente para o exílio.
No entanto, em 1842, um golpe de estado encabeçado por Costa Cabral
dissolveu o governo, anulou a Constituição e restaurou a Carta. Instituiu-se um
regime ditador, o Cabralismo.

A resposta não tardou e, em 1851, um golpe de estado liderado pelo
Marechal Duque de Saldanha deu origem a um movimento que se insurgia
contra a política cabralista: a Regeneração. Saldanha foi responsável por um
percurso de progresso económico, sustentado pela doutrina económica de
Fontes Pereira de Melo - o Fontismo - que apostava sobretudo na construção
de caminhos-de-ferro.

Os românticos portugueses

Os primeiros românticos portugueses, Almeida Garrett e Alexandre
Herculano, foram exilados políticos que conviveram de perto com as novas
tendências europeias. Aliás, aquele que é considerado o poema introdutor do
Romantismo em Portugal, o poema Camões de Almeida Garrett, reflecte essa
situação de exílio, já que foi publicado em Paris, em 1825.
No entanto, só após o regresso dos exilados a Portugal se verifica
verdadeiramente o exercício de uma corrente estética diferente. Por isso,
alguns estudiosos consideram que o Romantismo só se instituiu em Portugal
em 1836, com a publicação de A Voz do Profeta de Alexandre Herculano.
O Romantismo português atingiu a fase áurea entre 1840 e 1850, com a
publicação de obras como Um Auto de Gil Vicente, O Alfageme de Santarém e
Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett ou Eurico, o Presbítero de Alexandre
Herculano.

A partir do Romantismo, assistiu-se a um considerável desenvolvimento
cultural do povo português: a cultura estendeu-se a outras classes sociais,
deixando de ser apanágio da aristocracia. Este novo público emergente
apreciava uma linguagem mais simples, clara e acessível e revelava interesse
pela paisagem, pelo pitoresco, pelo sentimentalismo.

Garrett e o Romantismo

Apesar da educação clássica de que beneficiou, Garrett sofreu fortes
influências românticas durante as suas estadas em Inglaterra e França (Lord

Byron, Walter Scott, Victor Hugo…). Foi com a publicação do poema Camões

que Garrett deu origem ao Movimento Romântico em Portugal. Este poema
tem como base a história de Camões que tal como Garrett é um expatriado que
sofre com o estado da nação. O grande projecto de Garrett era criar uma
literatura nacional, procurando aliar a literatura culta com a popular. Para a
concretização deste projecto, contribui em grande parte a restauração do
teatro. Com o Romantismo, o teatro português sofreu um impulso decisivo ao
serem criados por Garrett o Teatro Nacional e o Conservatório Real e
incentivada a ideia de criação de um reportório que reflectisse as raízes
nacionais.
O homem romântico vai explorar o que nele há de mais pessoal e íntimo.
Exaltam-se os sentidos e tudo o que é provocado pelo impulso é permitido. Há
um verdadeiro culto do “eu” interior em que o individualismo prevalece numa
reacção ao racionalismo clássico. Em termos estéticos, o entusiasmo do autor
romântico dirige-se para a paisagem agreste e virgem, na sua desordem
natural. Da mesma forma, não idealiza o ser humano na sua perfeição, mas
encara-o na sua realidade física e comportamental. O artista vê-se
impossibilitado de realizar o sonho do “eu” e cai em profunda tristeza, solidão e
frustração. A poesia fica ligada à vida cívica e torna-se acessível ao povo. Há
uma exaltação de tudo o que é nacional e popular. Há um grande interesse dos
românticos pelas origens e, por isso, retornam à Idade Média e cultivam os
seus valores. O Romantismo é igualmente marcado pela independência criativa
cultivada por Lord Byron que pretende mostrar um estilo de vida boémio e
nocturno. Esta independência reflecte-se na recusa das formas poéticas,
recorrendo ao verso livre e branco.

Valorização do “eu”

- intimismo
- Sentimentalimo
- Egocentrismo

Inovação estética

- “Locus horrendus”
- Homem na sua realidade total
- Pessimismo

Consciência histórica

- Democratização
- Nacionalismo
- Culto da Idade Média

Independência criativa

- Byronismo
- Liberdade de criação

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