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Análise do conto: A Estrela

Vergílio Ferreira – Vida e Obra

Preenche os espaços da bibliografia de Vergílio Ferreira, de acordo com a


pesquisa que efectuaste.

1916: Vergílio Ferreira nasce em _______________, uma aldeia do concelho de


Gouveia, Serra da Estrela.
1926: Entra para o _______________ do Fundão.
1936: Parte para ________________ para frequentar o curso de Filologia
Clássica, na Faculdade de Letras.
1945: Começa a leccionar no liceu de _____________, onde permanece 14 anos.
A cidade é o cenário escolhido para o romance _________________.
1959: Ingressa no Liceu Camões, em _______________, onde permanece até à
reforma.
1976: Publica Contos, onde se inclui “________________”.
1996: Morre aos 80 anos em Lisboa. O seu último livro, __________
___________________, ficou incompleto.

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Análise do conto: A Estrela

“A Estrela”
O efeito dos pronomes
1. Identifica os pronomes pessoais que estão presentes nesta frase:

“Um dia, à meia-noite, ele viu-a.”

1.1. És capaz de determinar a quem se referem?

ele pai
Pedro
estrela
-a mãe

1.2. Completa a frase com a opção correcta:


Os pronomes geralmente substituem ou representam um nome…

a) que será referido mais tarde.


b) que já foi referido

1.3. Neste caso, “Pedro” e “estrela” surgem __________ dos pronomes que
os substituem. Que efeito produzem no leitor?

a) Dúvida
b) Expectativa
c) Angústia

Nota bem: Os pronomes pessoais geralmente substituem nomes que já utilizámos antes,
mas na primeira frase do texto, referem-se a nomes que ainda não surgiram. Como
pudeste verificar, os nomes "estrela" e "Pedro" a que se referem os pronomes, vão ser
apresentados mais à frente. Desta forma, o leitor fica curioso e na expectativa para saber
a quem se referem.

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Pronomes pessoais

Subclasse de palavras que representam no discurso as três pessoas gramaticais,


indicando por isso quem fala, com quem se fala e de quem se fala.

Complemento
Indirecto
Complemento Complemento
Número Pessoa Sujeito antecedido Circunstancial
Directo sem
de
preposição
preposição
mim, migo
1ª eu me me mim
(comigo)
ti, tigo
2ª tu te te ti
Singular (contigo)
si, sigo
3ª ele, ela se, o, a lhe si, ele, ela (consigo), ele,
ela
nós, nosco
1ª nós nos nos nós
(connosco)
vós, vosco
2ª vós vos vos vós
Plural (convosco)
si, sigo
eles, si, eles,
3ª se, os, as lhes (consigo),
elas elas
eles, elas

2. Escreve três frases com os pronomes pessoais, seguindo as regras que se


seguem:

2.1. O sujeito é um pronome na 3.ª pessoa do plural:


_____________________________________________________________
2.2. O complemento directo é um pronome na 3.º pessoa do singular:
_____________________________________________________________
2.3. O complemento indirecto é um pronome na 1.ª pessoa do plural, sem
preposição:
_____________________________________________________________

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Expressões de dúvida
1. Para além do efeito de expectativa criado pelos pronomes, há também palavras
que exprimem a incerteza de Pedro. És capaz de identificá-las?

“Era bonita, no céu preto, gostava de a ter. Talvez depois a pusesse no quarto,
talvez a trouxesse ao peito. (…) Talvez a viesse a dar à mãe para enfeitar o cabelo.”

1.1. Classifica as palavras que assinalaste, seleccionando a opção correcta.

1.1.1 “Talvez”

a) Verbo
b) Advérbio
c) Adjectivo

1.1.2 “Pusesse”, “trouxesse”, “viesse”

a) Formas verbais no conjuntivo


b) Formas verbais no imperativo
c) Formas verbais no condicional

Desejo de Pedro:
“empalmar a estrela”


Dúvida
“Na realidade, não sabia bem para quê”
 
Formas verbais
Advérbio gggggbbbbbbbbbbbbb no conjuntivo
“Talvez” “pudesse”, “trouxesse”, “viesse”

2. Utiliza o advérbio de dúvida “talvez” em duas frases da tua autoria.


___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

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Valor dos modos verbais

“É a estrela mais gira do céu”.



Indicativo – Facto real

“Talvez depois a pusesse no quarto.”



Conjuntivo – Dúvida
Incerteza

“Quem teria sido o sacana que empalmou a estrela.”



Condicional – Condição
Hipótese

“É indecente fazerem pouco das pessoas.”



Infinitivo – Acção genérica
Acção abstracta

“Põe a estrela no seu lugar.”



Imperativo – Ordem
Pedido
Conselho

1. Estabelece a relação entre as frases retiradas do texto e o valor expresso pelos


modos verbais.

Se a porta estivesse fechada? Acção genérica

Mas sem tocar na porta, para não ranger. Hipótese

Com sete anos, ele estava treinado a subir às oliveiras. Facto

A mãe cuidou que seriam restos de sonho e não ligou. Dúvida

- Põe-lhe vinagre. Ata a mão com sal. Ordem

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Categorias da narrativa
Acção
Dá-se o nome de acção ao conjunto de acontecimentos que constituem uma
narrativa e que são relatados, mas há que distinguir a importância de cada um deles para
a história.

Acção principal: constituída pelo ou pelos acontecimentos principais,

Acção secundária: constituída pelo ou pelos acontecimentos menos importantes


que valorizam a acção central.

Numa narrativa, as várias acções relacionam-se entre si de diferentes maneiras:

- por encadeamento: quando as acções sucedem por ordem temporal e em que o final
de uma acção se encadeia com o início da seguinte.

- por alternância: quando as acções se desenrolam separada e alternadamente, podendo


fundir-se em determinado ponto da história.

- por encaixe, isto é, quando se introduz uma acção noutra.

Narrador
O narrador é uma entidade imaginária criada pelo autor, que tem como função
contar a história. Não deve, por isso, ser confundido com o autor, que é o responsável
pela criação da história.

Presença

Quanto à presença, o narrador pode ser não participante ou participante.

Narrador não participante: conta uma história na qual não participa – narrador
heterodiegético – narra a acção na terceira pessoa.

Ex.: ―Os automobilistas que nessa manhã de Setembro entravam em Lisboa pela
Avenida Gago Coutinho, direitos ao Areeiro, começaram por apanhar um grande susto
(…)‖

Narrador participante – conta uma história em que participa como personagem


principal – narrador autodiegético – ou uma história em que participa como
personagem secundária – narrador homodiegético. Narra a acção na 1.ª pessoa.

Ex.: ―Para lá do telefone e das calorias das trouxas de ovos, a minha mãe também
odeia palavras foleiras tipo ―tchauzinho‖, ―oi‖, ―tudo bem, fofa?‖ coisas assim.‖

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Posição
Quanto à posição, relativamente ao que conta, o narrador pode ser objectivo ou
subjectivo.

Narrador objectivo – mantém uma posição imparcial em relação aos acontecimentos,


narrando os factos com objectividade.

Ex.: ―Sexta-feira colhia flores por entre os rochedos junto da antiga gruta
quando viu um ponto branco no horizonte, para leste.‖

Narrador subjectivo – narra os acontecimentos com parcialidade, emitindo a sua


opinião, emitindo juízos de valor, tornando a narração subjectiva.

Ex.: ― (…) quando os primeiros alfanges assomavam ao lado de um autocarro da


Carris, já os briosos homens da Polícia de Intervenção corriam a bom correr até à
Cervejaria Munique, onde se refugiavam atrás do balcão(…)‖

Focalização (diz respeito ao MODO como o narrador vê os factos da história.)

Focalização omnisciente – o narrador detém um conhecimento total e ilimitado da


narrativa. Controla os acontecimentos, o tempo e as personagens.

Ex.: ―De que Alá era grande estava o chefe da tropa convencido, mas não lhe
pareceu o momento oportuno para louvaminhas, que a situação requeria antes soluções
práticas e muito tacto.‖

Focalização interna - o narrador adopta o ponto de vista de uma ou mais personagens,


daí resultando uma diminuição de conhecimento.

Ex.: ―Tão natural, tão simples e ao mesmo tempo, tão elegante, tão bem
cuidada... Foi tão carinhosa comigo, a Daniela!‖

Focalização externa - o conhecimento do narrador limita-se ao que é observável do


exterior.

Ex.: " Pelas cinco horas duma tarde invernosa de Outubro, certo viajante
entrou em Corgos, a pé, depois de árdua jornada...".

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Personagem

A personagem é uma categoria essencial da narrativa. Regra geral, a acção


desenvolve-se à volta da personagem, daí a sua importância. Podemos caracterizar a
personagem quanto ao relevo na acção e quanto à sua composição.

Relevo

Protagonista ou personagem principal – personagem que desempenha o papel de


maior importância para o desenrolar da acção.

Personagem secundária – personagem que desempenha um papel com menos relevo,


mas ainda assim é essencial para o desenvolvimento da acção.

Figurante – personagem que é, normalmente, irrelevante para o desenrolar da acção,


mas pode ser muito importante para ajudar a ilustrar um ambiente ou um espaço social
de que é representante.

Composição

Personagem plana – uma personagem sem complexidade e que não evolui para além
da sua caracterização inicial – mantém as mesmas ideias, as mesmas acções, as mesmas
palavras, as mesmas qualidades e defeitos.

Personagem modelada ou redonda – uma personagem complexa, apresentando uma


personalidade forte. A caracterização deste tipo de personagens está sempre em aberto,
pois os seus medos, os seus objectivos, as suas obsessões vão sendo revelados pouco a
pouco.

Personagem-tipo - representa um grupo profissional ou social.

Personagem colectiva - representa um grupo de indivíduos que age como se os


animasse uma só vontade.

Caracterização
Directa – caracterização feita pelo narrador, pela própria personagem ou pelas
outras personagens da história.

Indirecta - o narrador põe a personagem em acção, cabendo ao leitor, através do


seu comportamento e/ou da sua fala, traçar o seu retrato.

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Tempo
O tempo é uma das categorias da narrativa com mais relevo. Estabelece a
duração da acção e marca a sucessão cronológica dos acontecimentos.

Tempo cronológico ou tempo da história - determinado pela sucessão


cronológica dos acontecimentos narrados, ou seja, a ordem real dos acontecimentos.

A ordem real dos acontecimentos pode ser representada desta forma:

A B C D E F G
1. -------|--------|---------|---------|--------|---------|--------|--

Tempo do discurso - resulta do tratamento ou elaboração do tempo da história


pelo narrador, ou seja, é a ordem textual dos acontecimentos. O tempo do discurso
nem sempre respeita o tempo da história, ou seja, os acontecimentos nem sempre são
relatados pela ordem de sucessão. Este pode escolher narrar os acontecimentos:

- por ordem linear ;

- com alteração da ordem temporal, recorrendo à analepse (narrando


acontecimentos passados) ou à prolepse (antecipação de acontecimentos futuros);

- ao ritmo dos acontecimentos, como, por exemplo, na cena dialogada;

- a um ritmo diferente, recorrendo ao resumo ou sumário (condensação


dos acontecimentos), à elipse (omissão de acontecimentos) e à pausa (interrupção da
história para dar lugar a descrições ou divagações).

A ordem textual dos acontecimentos pode ser representada assim:

B C A D G E F
1. --------|--------|-------|--------|--------|---------|--------|-------

Tempo histórico - refere-se à época ou momento histórico em que a acção se desenrola.

Tempo psicológico - é um tempo subjectivo, vivido ou sentido pela personagem, que


flui em consonância com o seu estado de espírito.

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Espaço
O espaço de uma narrativa refere-se não só ao lugar físico onde decorre a acção,
mas também ao ambiente social e cultural onde se inserem as personagens.
Espaço físico - é o espaço real, que serve de cenário à acção, onde as personagens se
movem. Lugar ou lugares onde decorre a acção. Pode definir-se como um espaço
aberto/fechado, interior/exterior, público/privado.

Espaço social e cultural - é constituído pelo ambiente social, representado, por


excelência, pelas personagens figurantes. Meio, situação económica, cultural ou social
das personagens. Podem ser definidos grupos sociais, conjuntos de valores e crenças
desses grupos, posição que ocupam na sociedade, referência às tradições e costumes
culturais de um povo.

Espaço psicológico - espaço interior da personagem, abarcando as suas vivências, os


seus pensamentos e sentimentos.

Vergílio Ferreira

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Articulação das sequências narrativas


1. De que forma se relacionam os acontecimentos?

a) Através da progressão no espaço.


b) Através da sucessão no tempo.
c) Através de sobreposição.

1.1. Descobre a palavra que melhor define essa relação.

A A E N E N M C T O E D

As personagens de “A Estrela”
1. Procura nesta sopa de letras as 14 personagens, individuais e colectivas,
referidas no conto "A Estrela".

J E Z P Y R U J Z V P U Q Z L Y
U T V H E O L H P C I G A R R A
R V H C H D G G G Y N V X F S Q
I A V K S A R I D Y G Z Z V J G
V J Q J Y V K O X X O N N E Y E
R L R U H I D E Y J D L J L K N
J F A G E N K V F V E S B H N T
V P F T O T I M M B C C V O F E
P A I C O E R O T K E I V V X D
R N S Z S E D A D X R E F S L A
M A E R Y S I M Q M A M I F L A
D N S P P E R R Z U O P L P O L
E A I U Y I K S O L E Q H S G D
O O U Z S S G J N L Z P O V Z E
U P K P I T A P O T A G O D F I
A N T O N I O G O V E R N O E A

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O papel das personagens


1. As personagens que descobriste na sopa de letras não têm todas o mesmo
grau de importância. Agrupa-as de acordo com a sua relevância para o desenrolar da
acção.

Personagem mais Personagens com menos Personagens pouco


importante relevo, mas importantes importantes, mas que
para a acção ajudam a criar ambiente

Pedro Cigarra Pitapota Velho Filho do Sr. Governo Pingo de Cera


António Governo Gente da Aldeia Mãe Pai Raque-Traque
Roda Vinte e Seis Latoeiro Pananão

Caracterização do Pedro
1. Relaciona as frases seguintes com os adjectivos que descrevem o Pedro.

teimoso
“…estava treinado a subir às oliveiras,
quando era o tempo dos ninhos, para ver livre
os ovos ou aqueles bichos pelados, bem
feios, com o bico enorme, muito aberto.” sonhador

“…andava à solta pela serra, saltava os ágil


barrancos…”
curioso
“…jogava mesmo, quando preciso, à
porrada como um homem.” simpático

“…ela brilhava, muito quieta, como se destemido


estivesse à sua espera.”

2. Perante o desafio de alcançar a estrela, Pedro revela…


2.1. Assinala com X os nomes que melhor traduzem os sentimentos de Pedro:

Coragem Fraqueza
Alegria Remorso
Tristeza Medo

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Figuras de Estilo / Recursos Expressivos

Aliteração - recurso de estilo do nível fonológico, que consiste na repetição de


fonemas, como recurso para intensificação do ritmo, ou como efeito sonoro
significativo.

Ex.: "Galgam os gatos, guturais, gritando" - António Feijó


"Na messe, que enlourece, estremece a quermesse..." - Eugénio de Castro

Anáfora - é a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de frases


ou versos consecutivos.

Ex.: Amor é fogo que arde sem se ver,


é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer. (Camões)

Comparação - existe a comparação, quando a associação entre as palavras se processa


através de expressões comparativas como: como, tal como, tal qual, assim como ou
por verbos como parecer, assemelhar...

Ex.: O cipreste e o cedro envelheciam juntos como dois amigos num ermo (...) - Eça
de Queirós

Enumeração – figura que consiste na sucessão de várias palavras, grupos de palavras


ou frases. O objectivo é intensificar o ritmo do discurso.

Ex.: ―Não soltava um pio, um queixume, nada.‖ – José Cardoso Pires

Hipérbole - quando há exagero da realidade numa ideia expressa, de modo a acentuar


de forma dramática aquilo que se quer dizer, transmitindo uma imagem inesquecível.

Ex.: ―Rios te correrão dos olhos, se chorares!‖ - Olavo Bilac

Metáfora – figura que consiste no uso de uma palavra ou expressão (metafórica) para
descrever ou representar algo diferente do que designa normalmente, devido a uma
relação de analogia.

Ex.: ―Meu coração é um balde despejado‖ – Fernando Pessoa

Personificação - consiste na atribuição de características humanas a seres inanimados


ou animais, ou simplesmente na atribuição de características de seres vivos a coisas
inanimadas.

Ex.: ―Naquela manhã de Março, o vento norte levantou-se mal-humorado.‖ - António


Botto

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Repetição – figura que consiste na repetição de uma palavra ou de um grupo de


palavras.
Ex.: “via sempre as mesmas flores, as mesmas plantas, o mesmo lago, os mesmos
pássaros…” – Luís Carlos

Antítese - Aproximação de palavras com significados opostos. Duas ideias antagónicas


são aproximadas.

Ex.: É tão triste este meu presente estado


Que o passado por ledo estou julgando. - Camões

Sinestesia - Consiste numa associação de sensações diferentes na mesma expressão.

Ex.: —É noite: e, sob o azul morno e calado,


Concebem os jasmins e os corações. - Gomes Leal

Apóstrofe - Consiste na invocação de pessoas ausentes, coisas ou ideias.

Estamos perante uma apóstrofe, quando o emissor inicia (ou interrompe) o seu discurso,
dirigindo-se a seres imaginários, coisas ou ideias, ou mesmo pessoas, desde que
fisicamente ausentes. Em qualquer dos casos estamos perante uma situação que foge à
estrita lógica do acto comunicativo, constituindo, por isso, um recurso expressivo.
Quando o destinatário do discurso é um ser não humano, uma coisa ou ideia, a apóstrofe
é acompanhada de personificação.

Ex.: E vós, Tágides minhas, pois criado


Tendes em mi um novo engenho ardente (...) - Camões

Interrogação retórica - Pergunta que se formula para se reforçar o que se está a dizer e
não para obter uma resposta.

Ex.: "Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,


Onde esperei morrer - meus castos lençóis?" - Camilo Pessanha.

Onomatopeia - Palavras que pretendem imitar sons.

Ex.: "Aquele comboio malandro


Passa
passa sempre
com a força dele
ué ué ué
hii hii hii
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem" - António Jacinto

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1. Atenta na frase seguinte:

1.1. “…o medo vinha a correr também atrás dele.”


1.1. 1. Descobre a figura de estilo que está na frase transcrita.

Ç F P C O I R I N Ã E A O S

2. Assinala com um círculo a opção que melhor define esta figura de estilo e a
razão por que foi usada no texto.

a) Exagera o sentimento, para mostrar que Pedro era um fraco.


b) Atribui características humanas a um sentimento.
c) Reforça a ideia de que o medo puxa para trás.

O Velho e o Cigarra
Que relação existia entre Pedro e o Velho?
1. Descobre o motivo que levou o Velho a notar o roubo da estrela e, de seguida,
completa os espaços.

a) O Velho não trabalhava de dia.


b) O Velho não dormia de noite.
c) O Velho gostava de olhar as estrelas.

2. Há uma relação ____________ (distante / familiar / cúmplice) entre Pedro e o Velho.


Os dois partilhavam com entusiasmo brincadeiras e _____________ (histórias / leituras
/ músicas), e ambos gostavam de observar as _____________ (pombas / ruas / estrelas).

3. Para além do Velho, também o Cigarra reage com indignação, quando


descobre o roubo da estrela. Quem era Cigarra?

a) “Um tipo que tocava viola”


b) “Homem de leituras”
c) “Compadre do Velho”

“A cigarra e a formiga” / “A Estrela”


“A cigarra e a formiga”
de La Fontaine

A cigarra → não está presa à rotina

“A Estrela”
De Vergílio Ferreira

O Cigarra → não estão presos à rotina
O Velho

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Análise do conto: A Estrela

A cigarra e a formiga

Tendo cantado a cigarra durante o Verão,


Apavorou-se com o frio da estação.
Sem mosca ou verme para se alimentar,
Com fome, foi ter com a formiga, sua vizinha,
Pediu-lhe alguns grãos para se saciar,
Até vir a época mais quentinha!
"Eu pagarei", disse ela,
"Antes do Verão, palavra de animal,
Com juros e o capital."
A formiga não gosta de emprestar,
É um dos seus defeitos.
"O que fazia amiga cigarra no calor de
outrora?"
Perguntou-lhe com alguma esperteza.
"Noite e dia, eu cantava,
Sem querer dar-lhe desgosto."
"Cantava? Que beleza!
Pois, então, agora dance!"

La Fontaine

O espaço e a linguagem
1. Como é a aldeia de Pedro e qual a sua importância?

3. A linguagem ajuda-nos a caracterizar o espaço em que decorre a acção.


3.1. Estabelece a correspondência entre as palavras que geralmente se utilizam nos
meios rurais e o seu respectivo significado.

Malhoada faixa de terreno que coube a alguém em partilhas

Talisca bater

Arrear berro

Largar abertura estreita

Ceia brincadeira

Retoiço desatar a correr

Cuidar tramóia, traquinice

Entrudo jantar

Sorte Carnaval

Urro supor, imaginar

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Análise do conto: A Estrela

Quem conta a história de A Estrela?


Ciência do narrador
1. Distingue no excerto as acções e os pensamentos de Pedro. Sublinha a azul as
acções e a vermelho os pensamentos.

“Em todo o caso, com jeito, lá conseguiu. E assim que pôs os pés em terra,
largou para casa, mas não muito depressa. Apetecia-lhe mesmo parar de vez em quando
e olhar a estrela com uma atenção especial. Era formidável. Lembrava um pirilampo,
mas muito maior. Oh, muito maior. E de outro feitio, já se vê. A certa altura, voltou-se
para trás e olhou ao alto o sítio donde a despegara, como se para ver se realmente já lá
não estava. E não. O que lá estava agora era um buraco escuro, por sinal bem feio.
Lembrava-lhe a boca dele quando lhe caiu um dente, mas não sabia bem porquê.
Quando por fim chegou a casa, trepou à janela, que deixara aberta, e meteu-se na cama.
Esteve ainda algum tempo com a estrela na mão, mas não muito, porque já não podia
mais, arrombado de sono, de modo que guardou a estrela numa caixa e adormeceu.

O narrador sabe o que o Pedro faz e o que pensa.



Narrador omnisciente Narrador observador
↓ ↓
Omne sciente (relata apenas o que vê)
↓ ↓
todo saber

1.1. Quanto à ciência, o narrador do conto “A Estrela” é __________________.


Justifica. ______________________________________________________________
______________________________________________________________________

Presença do narrador

O narrador, quanto à presença, pode ser:

Narrador participante ou presente


o participa na acção que narra como personagem principal, utilizando a 1ª pessoa –
narrador autodiegético.
o participa na acção que narra como personagem secundária, utilizando a 1ª pessoa –
narrador homodiegético.

Narrador não participante ou ausente


o não participa na acção, conta-a na 3ª pessoa – narrador heterodiegético.

1. Quanto à presença, o narrador do conto “A Estrela” é _____________________,


porque não ____________ na história, narrando-a na ______ pessoa.

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Análise do conto: A Estrela

As expressões de emoção e sentimento

1. Sublinha no excerto a palavra que traduz admiração ou emoção.

“Lembrava um pirilampo, mas muito maior. Oh, muito maior.”

1.1. A que classe de palavras pertence?

a) preposições
b) interjeições
c) advérbios

Interjeições / locuções interjectivas


De facto, palavras como “oh”, “ah”, “uf”, “psiu”, etc. fazem parte da classe das
interjeições. As interjeições podem ter vários sentidos, de acordo com a situação em que
são produzidas. Por exemplo, ah pode traduzir surpresa, mas também cansaço. As
locuções interjectivas são expressões como “meu Deus”, “muito bem”,etc. e exprimem
também reacções emotivas. Têm uma função idêntica à da interjeição.

2. As interjeições são usadas nos textos para exprimir sentimentos ou emoções,


como pudeste concluir. Os smileys também representam sentimentos e
emoções. Por isso, escreve em cada smiley a interjeição que consideres
adequada.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 18


Análise do conto: A Estrela

A voz do narrador e a voz das personagens

1. Recorda a passagem: “Lembrava um pirilampo, mas muito maior. Oh, muito


maior”.

1.1. Quem é que realmente mostra admiração pelo brilho da estrela?

a) narrador da história
b) Pedro

2. Ao longo do conto há também palavras ou expressões que, apesar de


pertencerem ao discurso do narrador, só Pedro as poderia ter dito, por ser uma
criança e pensar e falar como uma criança. Identifica-as.

“Um dia, à meia-noite, ele viu-a. Era a estrela mais gira do céu (…).”
“E quanto às estrelas, se calhar ninguém se lembrava de que era fácil empalmá-las.”
“Via algumas estrelas, mas era tudo estrelas velhas e fora de mão.”
“E assim que pôs pé em terra, largou para casa, mas não muito depressa.”
“Suara que se fartara, apanhara frio, tivera mesmo a sua ponta de cagaço para aquela
porcaria.”
“O que é, só de dia, quando lhe bate o sol.”
“Mas nem tocava na caixa, que se o pai ou a mãe descobrissem estava cosido”.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 19


Análise do conto: A Estrela

3. As palavras do narrador não se confundem apenas com as palavras de Pedro.


Confundem-se também com as palavras das outras personagens criando a ilusão
de que são elas que estão a falar. Descobre quem fala por detrás de cada frase,
estabelecendo a correspondência correcta.

”Como o rapaz fora sempre rijo que nem um cabrito, aquilo Velho
tinha era feito alguma malhoada que lhe não correra bem.”
Mãe
“Queria era apanhá-lo com a boca na botija e mesmo
descobrir como é que ele tinha feito lume.” Sr. António
Governo
“Não era bem de lata mas de outra coisa esquisita que ele sabia.
Agora uma estrela, o que se chamasse uma estrela, toda a gente Latoeiro
via que não.”
Pai
“(…) chegou mesmo a explicar com paciência àqueles brutos que
As estrelas, evidentemente, só à noite é que era. Mesmo só à meia- Cigarra
-noite é que se podia saber o sítio daquela.”

Narrador subjectivo
As palavras do narrador e as palavras das personagens confundem-se, pelo que
podemos dizer que o narrador não é imparcial, nem objectivo. Ele assume uma postura
subjectiva, contando a história através do ponto de vista das personagens. Assim,
podemos dizer que o narrador do conto “A Estrela” é um narrador subjectivo.

Calcula-se que o hábito de ouvir e de contar histórias venha acompanhando a humanidade na sua trajectória no
espaço e no tempo. Em que momento o primeiro agrupamento humano se sentou ao redor da fogueira para ouvir as
narrativas fantásticas ou didácticas capazes de atrair a atenção e o gosto dos presentes e de deixar, no rastro de
magia em que eram envolvidas, uma lição e/ou um momento de prazer?

O que se pode afirmar é que todos os povos, em todas as épocas, cultivaram seus contos. Contos anónimos,
preservados pela tradição, mantiveram valores e costumes, ajudaram a explicar a história, iluminaram as noites dos
tempos.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 20


Análise do conto: A Estrela

A relação entre frases

1.atenta nas seguintes frases que se referem ao Pedro.

a) A igreja ficava no cimo da aldeia e a aldeia ficava no cimo de um monte.”


b) A torre era muito alta e tinha uma porta para a rua.”
c) Pedro empurrou-a um pouco e viu que estava aberta.”

1.1. Qual é a palavra que se repete nestas frases?

1.2. Qual é a função desta palavra?

a) Unir elementos essenciais dentro da frase.


b) Unir partes do discurso.
c) Unir frases.

2. Os diferentes tipos de coordenação

2.1. Identifica outras conjunções que unam frases.

“Os ferros balançavam, mas ele nem olhava lá para baixo.”


“A voz do velho esganiçava-se ou saía muito enrodilhada de custo.”
“A escada acabou, portanto Pedro subiu o resto de gatas.”
“Abriu a janela devagar e saltou para a rua.”

3. Que tipo de relação estabelecem as conjunções entre as frases?

Os ferros balançavam, mas ele nem Relação de condição-


olhava lá para baixo. consequência

A voz do velho esganiçava-se ou saía Relação de oposição


muito enrodilhada de custo. ou contraste

A escada acabou, portanto Pedro Relação de adição


subiu o resto de gatas.
Relação de
Abriu a janela devagar e saltou para a rua. alternância ou
disjunção

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 21


Análise do conto: A Estrela

Conjunções e locuções conjuncionais coordenativas

Subclasse Conjunções Locuções


e
não só ... mas também
Copulativas também
não só ... como também
(indicam adição) nem
tanto ... como
que (1)
no entanto
mas
não obstante
porém
apesar disso
Adversativas todavia
ainda assim
(indicam oposição) contudo
mesmo assim
que (2)
de outra sorte
entretanto
ao passo que
ou ... ou
ora ... ora
já ... já
Disjuntivas
ou quer ... quer
(indicam alternativa)
seja ... seja
seja ... ou
nem ... nem
Conclusivas
(ligam uma oração que logo por consequência
exprime conclusão ou pois por conseguinte
consequência a uma portanto pelo que
anterior)

As conjunções que ligam frases independentes


E Ou Mas Portanto

Conjunções coordenativas

Frases unidas por conjunções coordenativas

Orações/frases coordenadas

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 22


Análise do conto: A Estrela

4. As conjunções estabelecem relações de significado diferentes entre as orações


que unem. Como tal, podem ser classificadas de acordo com esse significado.
Completa o quadro que permite classificar as conjunções.

Conjunção Relação Classificação

E Relação de adição
Mas Relação de oposição ou contraste
Ou Relação de alternância ou disjunção
Portanto Relação de condição – consequência
Conclusiva Disjuntiva Copulativa Adversativa

Conjunções Coordenativas

A presença de determinado tipo de conjunções coordenativas permite-nos pois


distinguir orações coordenadas copulativas, coordenadas adversativas, coordenadas
disjuntivas e coordenadas conclusivas.

5. Para além das conjunções já referidas, há outras que podem estabelecer as


mesmas relações entre as frases. Agrupa as conjunções de sentido equivalente.

Copulativa Adversativa Disjuntiva Conclusiva

pois ou não só…mas também no entanto por isso nem mas e


todavia quer…quer contudo ora…ora portanto porém seja…seja
logo por conseguinte

6. Une as orações que se seguem estabelecendo as correspondências correctas.

Tramaste alguma por isso tinha uma porta para a rua.

A mãe levou a luz, e a porta rangia muito.

O silêncio era muito, ou estás para tramar?

A torre era muito alta no entanto Pedro não adormeceu.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 23


Análise do conto: A Estrela

6.1. Classifica as orações destacadas, de acordo com as conjunções que as


introduzem.

Tramaste alguma ou estás para tramar?

A torre era muito alta e tinha uma porta para a


rua.

O silêncio era muito, por isso a porta rangia


muito.

A mãe levou a luz, no entanto Pedro não


adormeceu.

Pedro chegou a casa e meteu-se logo na cama.

A estrela estava lá, mas não deitava luz


nenhuma.

Ele não chegava ainda à estrela, portanto


empoleirou-se nos ferros.
Coordenada adversativa Coordenada disjuntiva Coordenada copulativa
Coordenada conclusiva

7. Liga as frases com as conjunções ou locuções coordenativas que estudaste, sem


as repetires.

7.1. Pedro é um menino muito obediente, ____________________ teve uma atitude de


grande irresponsabilidade.

7.2. A estrela parecia chamá-lo, ___________ ele foi buscá-la.

7.3. A mãe ficou desapontada com a atitude do filho ________ o pai também não
percebeu a razão daquele comportamento.

7.4. Era preciso devolver a estrela _______ o céu ficaria menos iluminado para sempre.

7.5. O Pedro queria devolver a estrela, _____________ teve de subir a torre.

7.6. O povo ficou feliz quando viu a estrela no seu lugar, _________ também ficou
desesperado com a morte do menino.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 24


Análise do conto: A Estrela

O simbolismo da estrela

1. Procura respostas possíveis para o simbolismo da estrela, resolvendo os


exercícios.

1.1. Pedro consegue despregar uma estrela do céu. Porquê?

a) porque acredita que tudo é possível, basta sonhar.


b) Porque a estrela estava muito pertinho da torre da igreja.
c) Porque qualquer pessoa podia fazê-lo, sobretudo ele que era ágil.

1.2. A estrela só brilha à noite. Porquê?

a) porque as estrelas só brilham à noite.


b) Porque à noite os sonhos que a estrela simboliza parecem mais reais.
c) Porque de dia a luz do sol não deixa ver a luz da estrela.

1.3. A estrela só queimava as mãos das outras pessoas. Porquê?

a) porque as outras pessoas não acreditavam que lhe podiam tocar.


b) Porque aquela era a estrela de Pedro e todos temos a nossa estrela.
c) Porque a estrela brilhava com mais intensidade, quando era tocada pelas outras
pessoas.

“Uma estrela espera-te desde


toda a eternidade.

Procura-a

E vê se a não perdes depois


para durante a vida inteira,
se a caso é possível encontrá-la.

Mas a tua estrela pode não estar no céu.

Põe-na lá.”

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 25


Análise do conto: A Estrela

O desenlace do conto
O que aconteceu quando Pedro colocou a estrela no céu?

1. Determina se as frases que se seguem são verdadeiras ou falsas.

a) Pedro morreu, porque tinha cometido um crime e merecia ser castigado.


b) Provavelmente, Pedro assustou-se com o urro das pessoas da aldeia e , por isso,
escorregou e caiu.
c) O sonho de Pedro não foi compreendido nem aceite pelas pessoas da aldeia.
d) Pedro morreu, porque quis tornar o seu sonho realidade, mas os sonhos nunca se
podem realizar.
e) A morte de Pedro representa o fim de todos os sonhos.

Pedro
Pedro conseguiu concretizar um sonho, mas esse sonho não foi compreendido
pelas pessoas da aldeia e acabou por causar-lhe a morte. Pedro assemelha-se a Ícaro, o
herói da mitologia grega que para fugir do labirinto onde tinha sido preso juntamente
com o pai, construiu umas asas de penas de aves coladas com cera. Quando
experimentou as asas, voou tão alto que o sol as derreteu e o fez cair no mar. Tal como
Ícaro, Pedro foi audaz e desafiou os limites dos homens. E tal como Ícaro, acabou por
morrer.

Para além do texto


Lenda de Dédalo e de Ícaro

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 26


Análise do conto: A Estrela

Dédalo era um homem diferente dos outros. Tinha ideias fantásticas.


Quando havia um problema complicado para resolver ele pensava, pensava,
acabando por descobrir uma solução que a todos parecia única e evidente. As
pessoas, admiradas, exclamavam: - Como é que nunca ninguém se lembrou disto?
Afinal era tão simples!
Foi por isso que o rei Minos, senhor da ilha de Creta, resolveu chamá-lo para lhe
encomendar um serviço especial.
A rainha Pasifae, sua mulher, tinha-se apaixonado perdidamente por um touro.
Desse amor nasceu um pequeno monstro, que era homem da cintura para baixo e
touro da cintura para cima. Deram-lhe o nome de Minotauro.
Provavelmente o rei Minos teria gostado de o matar e esquecer o assunto;
mas não teve coragem. Vendo bem, aquele monstro era seu enteado. Que fazer?
Pareceu-lhe que o ideal seria encerrá-lo numa prisão de onde fosse impossível
escapar. Assim deixava-o ficar no reino, alimentava-o, mas não teria que suportar
a sua presença. Chamou então o famoso Dédalo e pediu-lhe que imaginasse uma
tal prisão.
Dédalo não era homem para se
encantar com soluções fáceis do género
"paredes grossas e grades nas janelas".
Concebeu um labirinto, ou seja, um mundo
de caminhos que se cruzavam e
entrecruzavam, de modo que quem lá
entrasse nunca mais saía.
O Minotauro foi encerrado no
labirinto. Mas alimentá-lo é que não era
nada fácil, posto que exigia carne humana.
Decidido a não sacrificar os súbditos aos
apetites do enteado, o rei exigiu à cidade de
Atenas um tributo pavoroso: de nove em
nove anos, tinham que enviar sete raparigas
e sete rapazes para saciar o Minotauro.
Caso falhassem, invadia e destruía a cidade
a cidade de Atenas.
De nove em nove anos os atenienses juntavam-se no porto para verem
embarcar os catorze jovens condenados à morte. Choravam de tristeza e no
mastro hasteavam uma vela preta, em sinal de luto. Certo dia, entre os rapazes
escolhidos partiu o filho do rei de Atenas, que era belo como o Sol. Chamava-se
Teseu. Teseu jurara ao pai, em grande segredo, que havia de matar o monstro
devorador de gente...
E a sorte sorriu-lhe porque, quando as vítimas desfilavam perante os
habitantes de Creta, a filha do rei, Ariadna, apaixonou-se por ele. Desesperada,
procurou Dédalo e pediu-lhe por tudo que o salvasse. Mais uma vez o arquitecto
encontrou uma solução tão simples que Ariadna não resistiu a comentar:
- Como é que nunca ninguém se lembrou disso?
De facto o instrumento que permitia fugir do labirinto não tinha nada de
misterioso. Era um simples novelo. Teseu devia atar uma ponta à entrada e ir
desenrolando o fio pelo caminho. Quando quisesse voltar para trás, já não se
perderia.
O rapaz assim fez. Seguro de que não ficaria para sempre naqueles
caminhos cruzados, foi em busca do Minotauro.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 27


Análise do conto: A Estrela

A sorte sorriu-lhe! O monstro estava a


dormir. Teseu matou-o, salvou os companheiros,
saiu do labirinto e, levando consigo Ariadna,
embarcou para Atenas.
Claro que Minos ficou furioso. Quem poderia
ter ensinado os atenienses a escapar do labirinto?
Só Dédalo, o arquitecto. Para o castigar, atirou-o lá
para dentro, juntamente com o seu filho, Ícaro.
Este, aflitíssimo, reclamou:
- E agora? Ficamos aqui enfiados nesta prisão
que teve a triste ideia de inventar?
Dédalo sorriu.
- Não. O rei decerto mandou vigiar as saídas
que dão para o mar e para a terra. Mas o ar e o céu
estão livres. Vou construir umas asas para mim e outras para ti. Escaparemos
voando.
O rapaz ficou delirante. Voar? Que
maravilha! Sem qualquer dificuldade, executaram o
plano.
Antes de partirem, o pai preveniu:
- Tem cuidado, Ícaro. Não voes alto de mais!
- Porquê?
- Porque as asas estão coladas com cera. Se
te aproximares muito do Sol, o calor derrete a cera
e as asas soltam - se.
Ele concordou e lá foram. Mas a sensação de
voar era tão estonteante que Ícaro depressa
esqueceu as recomendações e subiu... subiu...
subiu...
Tal como Dédalo previra, a cera derreteu.
Pobre Ícaro! Caiu ao mar e morreu afogado. Desgostoso o pai seguiu para outra
ilha do Mediterrâneo, a Sicília, onde foi muito bem acolhido pelo rei. Minos
perdeu - lhe o rasto mas não desistiu da vingança. Sabendo que ele não resistiria a
um desafio que pusesse à prova a sua inteligência, arranjou um estratagema para
o localizar. Anunciou que daria grande recompensa a quem conseguisse passar
um fio por dentro de um búzio. Dédalo resolveu a questão. Fez um pequeno
orifício no búzio, atou o fio a uma formiga e introduziu-a lá dentro com muito
cuidado. Depois tapou a entrada.
A formiga percorreu a espiral do interior do búzio no seu passinho
vagaroso e paciente, e saiu pelo outro lado, arrastando a linha minúscula.
Orgulhoso, o rei de Sicília anunciou que o problema fora resolvido.
Minos avançou então para lá com os seus exércitos para exigir que lhe
entregassem o malfadado arquitecto. Mas o rei da Sicília recusou. Houve guerra,
a luta foi terrível e Minos pagou cara a sede de vingança, porque morreu no
campo de batalha.
Dédalo continuou a viver na Sicília, rodeado de carinho e admiração.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 28


Análise do conto: A Estrela

“A Estrela” de Manuel Bandeira


0 poeta brasileiro Manuel Bandeira escreveu um poema que também se intitula
“A Estrela”. Vamos conhecê-lo.

Manuel Bandeira

Nasceu em 1886, no Recife, e morreu em 1968, no Rio de Janeiro, no Brasil. Foi


poeta, crítico e estudioso da História da Literatura universal e brasileira.
O poema “A Estrela”, que vais analisar, foi publicado no livro “Estrela da Vida
Inteira”, publicado em 1966, quando o poeta tinha 80 anos.

A Estrela
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!


Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância


Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda


Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Manuel Bandeira

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 29


Análise do conto: A Estrela

1. Coloca por ordem as seguintes alíneas que resumem o conteúdo do poema.

a) Pergunta do sujeito poético

b) Resposta da estrela

c) Descrição da estrela

1.1. Em quantas partes podemos dividir o poema? Preenche o quadro.

alta Descontentamento do A estrela respondeu que


fria sujeito poético face à não baixava “para dar
sozinha distância a que a estrela uma esperança / mais
luzindo se encontra triste ao fim do meu dia.”

2. Há um aspecto comum entre este poema e o conto de Vergílio Ferreira: tanto o


Pedro, como o sujeito poético querem ter uma estrela. Mas há aspectos em que
divergem. Coloca as frases nas caixas correctas.

Conto Poema

Desejo de alcançar a estrela Símbolo de esperança triste Estrela alta e fria

Símbolo de sonho e de coragem Estrela fácil de despregar Desejo que a estrela


do céu desça

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 30


Análise do conto: A Estrela

3. O Cigarra fez uns versos sobre o Pedro que ainda hoje se cantam. Completa a
canção do Cigarra com as palavras apresentadas à direita.

Viu uma estrela tão gira Junto da __________ da igreja mão


Viu uma estrela tão ________ muito ____________luzia preto
Viu uma estrela luzindo Se lhe deitasse a ________ gira
quando toda a ________dormia será que alguém descobria? gente
viva
Era uma estrela tão _________ Ouviu-a no céu _________ quieta
Era uma estrela tão viva Dizer que assim fazia coragem
Era uma estrela de verdade Para ele ganhar ___________ noite
que só à _______ luzia E provar que conseguia torre

4. Todos temos a nossa estrela! Há quem diga que todos temos uma estrela grande
e brilhante lá no Alto, no firmamento, que nos conduz e ilumina!

4.1. Escreve, então, um poema à tua estrela.

______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
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______________________________________________________________________
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______________________________________________________________________

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 31


Análise do conto: A Estrela

A notícia – revisão
Na notícia, as informações ordenam-se por ordem decrescente de importância.
Por isso, as informações mais importantes estão no início para cativar a atenção do
leitor.

Título (informativo e apelativo) – poderá ter também antetítulo e subtítulo.

LEAD - 1.º parágrafo

Quem?
O quê?
Quando?
Onde?

Corpo da Notícia – parágrafos seguintes

Como?
Porquê?
Para quê?

Características da linguagem da notícia:


Linguagem simples, clara, objectiva; vocabulário acessível; frases declarativas.

1. Pedro descobriu a sua estrela no céu. Também os cientistas descobriram uma


estrela especial. Coloca por ordem as partes que compõem a notícia dessa
descoberta.

A equipa chefiada por Stephen Eikenberry, da Universidade da Florida (EUA),


apresentou no congresso anual da Associação Americana de Astronomia, que se
realizou em Atlanta, esta semana, a descoberta da estrela mais brilhante alguma vez
detectada.

Cientistas americanos desvendam segredo da LBV1806-20

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 32


Análise do conto: A Estrela

A estrela, conhecida como LBV1806-20, tem um diâmetro 200 vezes superior ao do


Sol. É 40 milhões de vezes mais brilhante que o Sol, podendo atingir temperaturas de
33.300 graus Celsius. Segundo Eikenberry, a formação da LBV1806-20 deveu-se
provavelmente à explosão de uma supernova. A explosão terá comprimido gás e
poeiras que resultaram na formação de uma estrela gigante. Também a LBV1806-20
deverá explodir daqui a um milhão de anos, dando origem a novos planetas. “A maior
parte do material do dia-a-dia, desde o oxigénio que respiramos até ao carbono do
nosso corpo provém do coração de estrelas maciças. É onde os elementos químicos se
formam”, referiu o astrónomo, de acordo com a agência AP. Apesar de ser tão grande,
a estrela não pode ser avistada da Terra. Para além de a sua luz demorar cerca de 45
mil anos a chegar ao nosso planeta, uma cortina de poeiras localizadas entre a Terra e a
estrela bloqueiam a luz que ela emite. Por isso, a LBV1806-20 apenas pode ser
detectada por instrumentos que meçam a luz infravermelha.

DESCOBERTA ESTRELA MAIS BRILHANTE DO UNIVERSO

LBV 1806-20 comparada ao Sol.

Esta ilustração compara LBV 1806-20 com o Sol. Talvez seja a estrela mais
luminosa e de maior massa que se conhece. Os astrónomos determinaram que LBV
1806-20 tem pelo menos 150 vezes a massa do Sol e a sua luminosidade é 5 milhões de
vezes a do Sol.
University of Florida/Meghan Kennedy.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 33


Análise do conto: A Estrela

2. Estabelece as correspondências correctas.

no congresso anual da Associação


Americana de Astronomia, que se
Quem? (agente da acção) realizou em Atlanta

o quê? (o que é que A equipa chefiada por Stephen


aconteceu) Eikenberry

Quando? apresentou a descoberta da


Estrela mais brilhante alguma
Onde? Detectada

esta semana

2.1 Onde é possível encontrar estas informações?

a) no título
b) no primeiro parágrafo da notícia
c) nos dois primeiros parágrafos da notícia
d) no corpo da notícia

3.2. As informações destacadas, que foram transcritas do resto da notícia,


respondem a duas perguntas imaginárias acerca da invulgar estrela
LBV1806-20. Descobre-as.

A maior ____________?
Tem um diâmetro 200 vezes superior ao do Sol. É 40 milhões de vezes mais brilhante
que o Sol, podendo atingir temperaturas de 33.300 graus Celsius.

____________é que se formou?


a formação da LBV1806-20 deveu-se provavelmente à explosão de uma supernova. A
explosão terá comprimido gás e poeiras que resultaram na formação de uma estrela
gigante.

Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Página 34

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