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Ferida operatória,

drenos, sondas e
cateteres

Profa. Dra. Helena Megumi Sonobe


CONCEITO - FERIDA
Qualquer ruptura da pele, provocada por agente físico,
químico ou biológico, envolvendo estruturas superficiais
ou mais profundas.

(Dealey, 2001; Benbow, 2008)


PELE – ESTRUTURA
;

Epiderme: predomina queratinócito; não vascularizado;


proteção contra perda de água, lesão mecânica e química;
integridade da pele; produz de melanina;

Derme: feixes de colágeno e fibras elásticas; vascularização


sanguínea e linfática, terminações nervosas (sensibilidade
tátil, térmica e dolorosa); glândulas sudoríparas e sebáceas,
folículos pilosos;

Hipoderme ou Tecido subcutâneo: Isolante térmico;


Sustentação das camadas superiores; presença de vasos
sanguíneos, nervos, linfonodos e tecido conjuntivo frouxo
preenchido por células de gordura; dá amplitude de
movimentos (maleabilidade e elasticidade).
(Jarvis, 2002)
AVALIAÇÃO CLÍNICA

Coloração; umidade; textura e espessura; temperature;


elasticidade e mobilidade; turgor; sensibilidade; presnça
de lesões
-Alterações na oxigenação, circulação, nutrição, dano
tecidual local e hidratação
-Comprometimento neurológico, doenças crônicas,
condições ortopédicas, problemas psiquiátricos, má
oxigenação tecidual, baixo débito cardíaco e nutrição
inadequada)
-Risco para lesões cutâneas (exposição ambiente
hospitalar, procedimentos, exposição à pressão constante,
reação aos medicamentos)
-Condição das unhas e pêlos: estado geral, nutricional,
ocupação, nível de autocuidado e estado psicológico)
(Dealey, 2001; Jarvis, 2002)
FISIOLOGIA - CICATRIZAÇÃO Fase Inflamatória (3 a 4 dias)
reparo e substituição de células desvitalizadas por saúdáveis

Ferida Inflamação Fatores Intervenientes


Coágulo Hemostasia (doenças, esteróides,etc)
sangue e célula
Fibrina Local Fagocitose
edema/calor exsudato
hiperemia/dor fibroblastos

Reepitalização (72h) liberação de


(fina camada) hormônio
Avaliar reação ao fio de sutura, material do curativo, tensão na ferida
e exsudato sanguinolento
(Dealey, 2001; Benbow, 2008; Borges, 2008)
FISIOLOGIA CICATRIZAÇÃO
Fase Proliferativa - 3 a 24 dias
deposição de colágeno na linha de sutura (1cm periferida)

Novos vasos sanguíneos preenchimento da ferida


(tecido conjuntivo/granulação)
Vit B,C
fibroblastos O2, aa
Fatores
Intervenientes
• Idade/Anemia
• Deficiência Zinco EPITELIZAÇÃO
• Hipoproteinemia

Avaliar extensão da ferida, diâmetro de cerca de 4 cm, diminuição


do exsudato seroso; complicação (edema, enduração, flutuação
e coloração)

(Dealey, 2001; Benbow, 2008; Borges, 2008)


FISIOLOGIA CICATRIZAÇÃO - Fase Maturação (até mais de 1 ano)
aumento da força de tensão mudança coloração da cicatriz
Ferida Características

Reorganização e aparência tecido de


fortalecimento normal cicatrização
de colágeno

mais clara ( melanócitos)

Avaliar forças de tensão no local da cicatriz operatória

(Dealey, 2001; Benbow, 2008; Borges, 2008)


Tipos de cicatrização
Primeira intenção: as bordas da ferida são apostas ou
aproximadas. Na maioria dos casos, cada camada
incisada é aproximada e suturada.

Segunda intenção: as bordas da ferida não estão


aproximadas e existe infecção, nas grandes perdas
teciduais, após extensos desbridamentos; a
cicatrização é lenta.

Terceira intenção - ocorre após uma limpeza mais


profunda, deiscência, ressutura ou enxerto para
restabelecer as condições de cicatrização.
(Dealey, 2001; Benbow, 2008; Borges, 2008)
AVALIAÇÃO DA FERIDA (Periódica e sistematizada)

Dor (Uso de Escalas)


Classificação da ferida (tipo de ferida):
• Agudas (até 90 dias) paciente
• Crônicas (6 meses) cirúrgico
Extensão (tamanho) e leito da ferida
(viabilidade tecidual)
Adoção de sistema de classificação
AVALIAÇÃO DA FERIDA
Registro de enfermagem deve conter:
Fatores sistêmicos: condições gerais do indivíduo
Fatores locais:
Causa e Localização
Extensão (tamanho real)
Classificação padronizada por perda tecidual:
1:eritema em pele intacta;
2: perda tecidual da epiderme e/ou derme;
3: tecido subcutâneo, não atinge fáscia muscular;
4: comprometimento do tecido muscular, tendão,
cartilagem e osso)
1 e 2: superficial; 3 profunda superficial e 4 profunda
total.
Dealey, 2001;Benbow, 2008; Borges, 2008
FATORES DE RISCO DEISCÊNCIA
paciente acima de 50 anos;
presença de neoplasia;
tempo de cirurgia maior que 2h;
cirurgias contaminadas.

(Hahler, 2006; Poveda, Galvão, 2008 )


Tempo
Edema
Infecção
Dor
Segunda intenção

Terceira intenção
Ferida Cirúrgica recém suturada
Primeira intenção
Ferimento com tecido delicado de granulação em epitelização
Úlcera com presença de tecido necrótico (escara)
esfacelo

Úlcera de pressão
Analise a situação abaixo em relação à SAG e SAL

Paciente no 7o. PO de Colectomia total por doença


inflamatória intestinal; cicatriz paramediana de 12 cm
pontos expostos, com 2 pontos de deiscência cirúrgica,
com exsudação serosanguinolenta 2+/4+, iniciará NPT hoje;
recebe SGF 5% 1000ml + 20 ml Na Cl + 10 KCl de 8/8h+
GluCa 10ml; Metronidazol 8/8h; Tramadol 8/8h; Bromoprida
8/8h; Ondasentrona 8/8h; Cetoprofeno 8/8h; Dipirona 6/6h,
em jejum. SSVV: T=37,80C. SVV:P=100bpm;FR=20mpm;
PA=15X11cmHg; Glicemia=245mg/dl; diurese de 24h=
1200ml. Refere dor de intensidade 8 (escala de 0 a 10),
cansaço extremo e sonolência. Abdômen distendido 3+/4+,
apresentou 2 episódios de vômito esverdeado 2+/4+.
Analise a situação abaixo em relação à SAG e SAL

Paciente no 2o. PO de Colectomia parcial por câncer


colorretal; cicatriz paramediana de 12 cm pontos expostos
limpos e secos, sem sinais flogísticos; SGF 5% 1000ml + 20
ml Na Cl + 10 KCl de 8/8h; Metronidazol 8/8h; Tramadol 8/8h;
Bromoprida 8/8h; Ondasentrona 8/8h; Cetoprofeno 8/8h;
Dipirona 8/8h, em jejum. SSVV: T=37,50C;
P=98bpm;FR=18mpm;PA=16X10cmHg; dor 5 (escala de 0 a
10). Glicemia=160mg/dl; diurese de 24h= 800ml. Refere
indisposição e cansaço aos esforços, Abdômen globoso,
som timpânico difuso, sem eliminação de flatus.
Acesso vascular central:
objetiva nutrição
parenteral, tratamento
da dor, coleta ou
administração de
hemoderivados e alto
volume de soroterapia,
preservando a rede
venosa periférica e
reduzindo a troca de
cateteres periféricos
Punção jugular D
Punção de subclávia D
Cateter de duplo lumen
5 a 10 mL de solução salina após administração de
medicamentos/soluções; caso haja necessidade a
heparinização recomendada é de 100U/mL em adultos
Cateter totalmente implantável
DRENOS SUBCUTÂNEOS

Drenos: são dispositivos usados para a transferência


de conteúdos entre o meio interno (subcutâneo) e o
exterior
finalidade: prevenção de acúmulo de líquido após a
cirurgia ou da remoção de pus, sangue, serosidade e
outros fluidos
ações: terapêutica (abscessos) ou preventiva (em
casos de grandes descolamentos ou ressecções de
tecidos)
agente agressor: inflamação e infecção
Dreno de Penrose
Dreno de Penrose: lâmina de látex, oca, macia,
tamanhos e larguras diversos; usado na ferida
cirúrgica e na drenagem de abscesso
é preso na pele por um ponto de sutura ou mantido
com um alfinete de segurança
o dreno deve ser tracionado 1 cm por dia para as
camadas inferiores se aderirem, evitando formação de
espaço morto – cicatrização 2ª intenção
a secreção drenada é absorvida pela gaze do curativo
que deve ser trocada sempre que úmida
atenção: deslocamento precoce, irritação da pele pela
umidade da secreção
uso: em locais de difícil inserção de outros drenos
(axilas, pescoço, face)
Dreno Tubular Subcutâneo
Hemovac/Portovac
Dreno abdominal
(Hemovac/Portovac)
Dreno Tubular Subcutâneo: tubo de silicone, não colaba,
comprimento e diâmetro variáveis, para drenagens não
maiores do que 200 ml/dia. São conectados a um
sistema de drenagem fechado sanfonado que emprega
sucção constante sob baixa pressão negativa (100
ml/hg) – ex: hemovac, portovac.
o dreno tubular é fixado à pele por ponto de sutura e
exteriorizado em uma incisão específica
remoção: quando volume drenado for < 30 ml/dia (4º. -
5º. po)
complicações: obstrução, deslocamento, infecção,
necrose da pele
cuidados: controle da drenagem, controle da pressão,
curativo diário do local de inserção
cirurgias de esvaziamento ganglionar e ortopédicas
Outros tipos de drenos

Dreno Kher: para drenagem da via biliar

Dreno de Mallecot
MITOS E VERDADES NA ENFERMAGEM

Soluções (tintura de benjoim, éter, benzina,


dakin, PVPI, etc.)
Miscelânea de medicamentos ou produtos
Utilização de roda d´água
Massagem de conforto
Produto milagroso
Ferida – um aspecto do desequilíbrio
Prática pautada em conhecimento científico
TÉCNICA DE LIMPEZA

Manipulação da ferida:
Limpeza cuidadosa e rigorosa
Uso de solução fisiológica 0,9% morna em jato

Divisão celular ocorre a T= 37o C: estimula


atividade macrófagos durante granulação e
epitelização
Após a limpeza, necessita de 30 a 40 min para
recuperar sua T e 3h para atividade mitótica retornar
à velocidade normal
TÉCNICA LIMPA X ESTÉRIL
Técnica limpa:
Água corrente e gaze não estéril
Luva de procedimento
Local: domicílio

Técnica estéril:
Solução fisiológica e gaze estéril
Luvas de procedimento/cirúrgica
Local: hospital/ambulatório
(Borges, 2008; Ferreira, Andrade, 2008)
PRINCÍPIOS PARA REALIZAÇÃO DE CURATIVOS

- interação profissional-paciente
- dados sobre antecedentes alérgicos;
- informar ao paciente sobre o procedimento, sobre a
aparência e sobre a evolução da ferida;
- escolher um horário apropriado de preferência longe
das refeições;
- assegurar privacidade durante a realização do curativo;
- validade dos materiais (luvas, instrumentais, gazes);
- remoção dos curativos e adesivos com SF0,9%;
- troca de luvas do 1o. para 2o. tempo; descartar a pinça
de remoção;
-avaliar ferida e paciente;
- protocolos de prevenção e tratamento.
AVALIAÇÃO DO PACIENTE
Idade, Sexo, Patologias de base,
Co-morbidades, Nutrição, Tratamento prévio e em curso

Prevenção Equipe multidisciplinar Tratamento

Recursos disponíveis

Protocolos Protocolos
AUTOCUIDADO

(Borges, 2008)
ALTA
Irrigação do leito da ferida com seringa 20ml com
agulha de calibre – 18G (8psi libra/polegada
pressão adequada para remoção
Preenchimento do leito da
ferida

Estiramento da pele para fazer


a fixação da fita adesiva
CARACTERÍSTICAS DA COBERTURA IDEAL

Manter ambiente úmido na interface ferida/curativo:


diminuição de dor
Remover excesso de exsudação: limpeza
Permitir troca gasosa: viabilidade do tecido
Servir de isolante térmico: estimula atividade celular
Ser impermeável às bactérias, impedindo a
contaminação
Permitir remoção sem causar trauma na ferida
Coberturas
-Filme: proporciona ambiente úmido, não absorve exsudato,
transparente; não indicado para ferida infectada ou
exsudativa ou pessoas com pele oleosa.

-Ácidos graxos essenciais (ácido linoléico) - quimiotaxia de


leucócitos, angiogênese mantém meio úmido e aceleram o
processo de cicatrização

- Carvão ativado com prata – partículas de carvão


impregnado com prata que favorece a limpeza da ferida.
Pode ser usado em todas as feridas crônicas com presença
infecção ou exsudato com odor
Vantagens: diminui a carga bacteriana,reduz o exsudato e o
odor. Confortável, pode permanecer até 7 dias dependendo
da quantidade de exsudato, como cobertura secundária.

(Borges, 2008)
Coberturas
Curativos de Alginatos: são derivados principalmente de
algas. O contato com a ferida e o exsudato (rico em sódio)
formam um gel. Utilizados em feridas com grande
quantidade de exsudato. São disponíveis em películas e fitas.

- Vantagens: absorventes, podendo absorver até 20 vezes o


seu peso em exsudato; diferentes tipos de feridas; tem
propriedades hemostáticas em pequenos sangramentos;
podem ser usados em áreas de túneis e descolamentos.
- Desvantagens: ressecamento do leito da ferida, quando há
diminuição do exsudato, necessitando irrigação com SF
0.9% na sua aplicação; necessita de um curativo secundário;
pode ser de difícil na remoção; pode apresentar odor fétido
na remoção.

(Borges, 2008)
Coberturas

Placas de hidrocolóide: pectina, gelatina e


carboximetilcelulose, realiza debridamento autolítico, com
capacidade de absorção de 50%. Utilizados em feridas com
pequena e média quantidade de exsudato, quando há perda
tecidual há necessidade de preenchimento com hidrocolóide
pasta. Com diferentes espessuras.

- Vantagens: absorventes, maior durabilidade, diferentes


tipos de feridas e facilita a aplicação;
- Desvantagens: pode apresentar odor fétido com formação
de um gel achocolatado e de odor fétido.
(Borges,2008)
COMO CUIDAR?
DIMENSÃO INSTRUMENTAL:
fundamentação científica
avaliação sistematizada
desenvolvimento de critérios e protocolos
incorporação tecnológica
COMO CUIDAR?

DIMENSÃO EXPRESSIVA:
Iinteração terapêutica
registro de enfermagem
Paciente cirúrgico

“É um ser biopsicossocial, que na situação da


cirurgia defronta-se com diferentes agressores
(físicos e psicossociais) que alteram o seu
equilíbrio orgânico, emocional e comportamental,
potencializando o processo de estresse. A sua
capacidade de superação ao estresse dependerá
das suas condições fisiológicas e psicológicas
presentes no período pré-operatório e da
diminuição do número de estímulos estressores e
de suas intensidades no intra e pós-operatório”
REFERÊNCIAS
BENBOW, M. Exploring the concept of moist wound healing and its application in practice. British Journal
of Nursing (TISSUE VIABILITY SUPPLEMENT), 17 (15): S4-S16, 2008.

BIRCHALL, L.; TAYLOR, S. Surgical wound benchmark tool and best practice guidelines. British Journal of
Nursing, 12(17): 1013-23, 2003.

BORGES, E.L.et al. Feridas:como tratar. Belo Horizonte: Coopmed, 2a. ed., 2008.

DEALEY,C. Cuidando de feridas: um guia para as enfermeiras. Trad. Merle Scoss. 2ed. São Paulo:
Atheneu, 2001.

FERREIRA, AM; Andrade, D. Sítio cirúrgico: avaliação e intervenções de enfermagem no pós-operatório.


Arq Ciênc Saúde, jan-mar;13(1):27-33, 2006.

FERREIRA, AM; Andrade, D. Revisão integrativa da técnica limpa e estéril: consensos e controvérsias na
realização de curativos. Acta Paul Enferm, 21(1):117-21, 2008.

GUTIÉRREZ, MGR et al. Infecção no sítio cirúrgico: vigilância pós-alta precoce de pacientes submetidas à
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HAHLER, B. Surgical wound dehiscence. Medsurg Nursing, 15(5): 296-300.

POTTER, P.A. Semiologia em enfermagem. Trad. da 4.ed.original e revisão técnica Sônia Regina de
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TAZIMA, MFGS; VICENTE, YAMVA; MORIYA T. Capítulo II. Biologia da ferida e cicatrização., In: Simpósio:
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WOUND, OSTOMY AND CONTINENCE NURSES SOCIETY (WOCN). Clean vs. Sterile Dressing
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