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Resumo Patologia

• Patologia geral
A patologia é o estudo (logos) da doença (pathos). Mais especificamente, a patologia está voltada
ao estudo das alterações estruturais, bioquímicas e funcionais nas células, tecidos e órgãos que
fundamentam doença. Através do uso de técnicas moleculares, microbiológicas e morfológicas,
a patologia tenta explicar os porquês e as causas dos sinais e sintomas manifestados pelos
pacientes enquanto fornece uma base racional para a terapia e o cuidado clínico. Assim, ela
serve como ligação entre as ciências básicas e a medicina clínica e é a base científica para toda
a medicina.

• Respostas Celulares ao Estresse e aos Estímulos Nocivos


A célula normal é confinada a uma faixa razoavelmente estreita de função e estrutura por seu
estado de metabolismo, diferenciação e especialização; por limitações das células vizinhas; e pela
disponibilidade de substratos metabólicos. No entanto, ela é capaz de dar conta das demandas
fisiológicas, mantendo um estado normal chamado de homeostasia. As adaptações são respostas
estruturais e funcionais reversíveis, a estresses fisiológicos mais excessivos e a alguns estímulos
patológicos, durante os quais estados constantes novos, porém alterados, são alcançados,
permitindo que a célula sobreviva e continue a funcionar. A resposta
adaptativa pode consistir em um aumento no tamanho das células (hipertrofia) e da atividade
funcional, um aumento do número de células (hiperplasia), uma diminuição do tamanho e da
atividade metabólica das células (atrofia) ou uma mudança do fenótipo das células (metaplasia).
Quando o estresse é eliminado, a célula pode retornar a seu estado original, sem ter sofrido
qualquer consequência danosa.

A lesão celular é reversível até um certo ponto, mas se o


estímulo persistir ou for intenso o suficiente desde o início, a célula sofre lesão irreversível e,
finalmente, morte celular. Adaptação, lesão reversível e morte celular podem ser os estágios de
uma debilidade progressiva que sucede os diferentes tipos de insultos.

A morte celular: E o resultado final da lesão celular progressiva, é um dos eventos mais cruciais na
evolução da doença, em qualquer tecido ou órgão. É resultante de varias causas, incluindo
isquemia (redução do fluxo sanguíneo), infecção e toxinas. A morte celular constitui também um
processo normal e essencial na embriogênese, no desenvolvimento dos órgãos e na manutenção
da homeostasia.
Vias da morte celular.

 Apopitose , Necrose
 A privação de nutrientes induz uma resposta celular adaptativa chamada autofagia que pode
culminar em morte celular.
• Adaptações do Crescimento e Diferenciação Celulares
As adaptações são alterações reversíveis em tamanho, número, fenótipo, atividade metabólica ou
funções das células, em resposta a alterações do seu ambiente. Tais adaptações podem assumir
várias formas distintas.
HIPERTROFIA
A hipertrofia é um aumento do tamanho das células que resulta em aumento do tamanho do órgão.
O órgão hipertrofiado não possui novas células, apenas células maiores. O tamanho aumentado
das células é devido à síntese de mais componentes estruturais das células. Células capazes de
divisão podem responder ao estresse submetendo-se a ambas, hiperplasia e hipertrofia, enquanto
em células que não se dividem (p. ex., fibras miocárdicas) o aumento da massa tecidual é devido à
hipertrofia. Em muitos órgãos, hipertrofia e hiperplasia coexistem, contribuindo para o aumento do
tamanho.
A hipertrofia pode ser fisiológica ou patológica e é causada pelo aumento da demanda funcional
ou por estimulação de hormônios e fatores de crescimento. As células musculares estriadas da
musculatura esquelética e do coração possuem capacidade limitada de divisão e respondem ao
aumento da demanda metabólica sofrendo principalmente hipertrofia. O estímulo mais comum
para a hipertrofia do músculo é o aumento da carga de trabalho.
EX: O aumento do utero induzido por hormônios na gravidez que resultante principalmente de
hipertrofia das fibras musculares.

Hiperplasia : é um aumento do número de células em um órgão ou tecido, resultando geralmente


em aumento da massa de um órgão ou tecido. Embora hiperplasia e hipertrofia sejam processos
diferentes, frequentemente elas ocorrem juntas e podem ser induzidas pelos mesmos estímulos
externos. A hiperplasia ocorre se uma população celular é capaz de se dividir, aumentando,
portanto, o número de células. A hiperplasia pode ser fisiológica ou patológica.
• A maioria das formas de hiperplasia patológica é causada por excesso de hormônios ou fatores de
crescimento atuando em células-alvo
• A hiperplasia é o resultado da proliferação de células maduras induzida por fatores de crescimento
e, em alguns casos, pelo surgimento elevado de novas células a partir de células-tronco teciduais.

ATROFIA
Atrofia é a redução do tamanho de um órgão ou tecido que resulta da diminuição do tamanho e do
número de células. A atrofia pode ser fisiológica ou patológica. A atrofia fisiológica é comum
durante o desenvolvimento normal. Algumas estruturas embrionárias, como a notocorda e o
ducto tireoglosso, sofrem atrofia durante o desenvolvimento fetal. O útero diminui de tamanho
logo após o parto, e esta é uma forma de atrofia fisiológica.
• A atrofia patológica depende da causa básica e pode ser local ou generalizada. As causas comuns
de atrofia são:
Redução da carga de trabalho (atrofia de desuso), Perda da inervação (atrofia por desnervação),
Diminuição do suprimento sanguíneo, Nutrição inadequada, Perda de estimulação endócrina.

METAPLASIA
Metaplasia é uma alteração reversível na qual um tipo celular diferenciado (epitelial ou
mesenquimal) é substituído por outro tipo celular. Ela representa uma substituição adaptativa de
células sensíveis ao estresse por tipos celulares mais capazes de suportar o ambiente hostil.
• A metaplasia epitelial mais comum é a colunar para escamosa (Fig. 1-6), como ocorre no trato
respiratório em resposta à irritação crônica. Nos fumantes habituais de cigarros, as células
epiteliais normais, colunares e ciliadas da traqueia e dos brônquios, são, com frequência,
substituídas por células epiteliais escamosas estratificadas.
• A metaplasia do tipo escamoso para colunar também pode ocorrer, como no esôfago de Barrett,
no qual o epitélio escamoso do esôfago é substituído por células colunares semelhantes às
intestinais, sob influência do refluxo do ácido gástrico.

Lesão Celular e Morte Celulares


A lesão celular ocorre quando as células são estressadas tão excessivamente que não são mais
capazes de se adaptar ou quando são expostas a agentes lesivos à sua natureza ou são prejudicadas
por anomalias intrínsecas. A lesão pode progredir de um estágio reversível e culminar em morte
celular.

• Lesão celular reversível: Nos estágios iniciais ou nas formas leves de lesão, as alterações
morfológicas e funcionais são reversíveis, se o estímulo nocivo for removido. Os principais
marcos da lesão reversível são a redução da fosforilação oxidativa, com consequentes
depleção do armazenamento de energia na forma de trifosfato de adenosina (ATP) e
tumefação celular causada por alterações da concentração de íons e influxo de água. Além
disso, várias organelas intracelulares, como mitocôndrias e o citoesqueleto, podem mostrar
alterações .
• As duas características da lesão celular reversível podem ser reconhecidas com a microscopia
óptica: tumefação celular e a degeneração gordurosa. A tumefação celular surge quando as
células se tornam incapazes de manter a homeostasia iônica e líquida e é resultante da falha da
bomba de íons dependente de energia na membrana plasmática. A degeneração gordurosa
ocorre na lesão hipóxica e em várias formas de lesão metabólica ou tóxica. Ela é manifestada
pelo surgimento de vacúolos lipídicos grandes no citoplasma. É observada principalmente em
células envolvidas e dependentes do metabolismo de gordura, como os hepatócitos e as células
miocárdicas
• As alterações ultraestruturais da lesão celular reversível incluem:
1 . Alterações da membrana plasmática, como formação de bolhas, apagamento e
perda das microvilosidades
2 . Alterações mitocondriais, incluindo tumefação e o aparecimento de pequenas
densidades amorfas
3. Dilatação do retículo endoplasmático, com desprendimento dos polissomas; figuras
de mielina intracitoplasmáticas podem estar presentes
4. Alterações nucleares, com desagregação dos elementos granulares e fibrilares

Vias da morte celular.


NECROSE (principal): Quando o dano às membranas é acentuado, as enzimas lisossômicas
extravasam para o citoplasma e digerem a célula, e o conteúdo celular escapa, resultando
em necrose.
 Morfologia: A necrose de coagulação é a forma de necrose tecidual na qual a arquitetura
básica dos tecidos mortos é preservada, por pelo menos alguns dias (Fig. 1-11). Os tecidos
afetados exibem uma textura firme. Supostamente, a lesão desnatura não apenas as
proteínas estruturais, mas também as enzimas, bloqueando assim a proteólise das células
mortas; como resultado, células anucleadas e eosinofílicas persistem por dias ou semanas.
Finalmente, as células necróticas são removidas por fagocitose dos restos celulares, através
da infiltração de leucócitos e pela digestão das células mortas através da ação das enzimas
lisossômicas dos leucócitos. A isquemia causada por obstrução em um vaso que supre um
tecido pode levar à necrose de coagulação, exceto no cérebro. Uma área localizada de
necrose de coagulação é chamada de infarto.
 A necrose liquefativa: ao contrário da necrose de coagulação, é caracterizada pela digestão
das células mortas, resultando na transformação do tecido em uma massa viscosa líquida. É
observada em infecções bacterianas focais ou, ocasionalmente, nas infecções fúngicas,
porque os micróbios estimulam o acúmulo de leucócitos e a liberação de enzimas dessas
células. O material necrótico é frequentemente amarelo cremoso devido à presença de
leucócitos mortos e é chamado de pus. Por razões desconhecidas, a morte por hipoxia de
células dentro do sistema nervoso central com frequência se manifesta como necrose
liquefativa

APOPTOSE(principal): Em situações em que o DNA ou as proteínas celulares são lesados de modo


irreparável, a célula se suicida por apoptose, uma forma de morte celular caracterizada pela
dissolução nuclear, fragmentação da célula sem perda da integridade da membrana, e
rápida remoção dos restos celulares.
• Enquanto a necrose é sempre um processo patológico, a
apoptose auxilia muitas funções normais e não é, necessariamente, associada à lesão celular.
Algumas vezes a morte celular é também o resultado final da autofagia.
 A apoptose é uma via de morte celular induzida por um programa de suicídio estritamente
regulado no qual as células destinadas a morrer ativam enzimas que degradam seu próprio DNA
e as proteínas nucleares e citoplasmáticas. As células apoptóticas se quebram em fragmentos,
chamados corpos apoptóticos, que contêm porções do citoplasma e núcleo. As membranas
plasmáticas da célula apoptótica e seus corpos apoptóticos permanecem intactos, mas sua
estrutura é alterada de tal maneira que a célula e seus fragmentos tornam-se alvos “atraentes”
para os fagócitos. As células mortas e seus fragmentos são rapidamente devorados, antes que
seus conteúdos extravasem, e desse modo a morte celular por esta via não inicia uma resposta
inflamatória no hospedeiro

 A apoptose ocorre normalmente durante o desenvolvimento e por toda a vida, e é destinada


a eliminar células envelhecidas ou potencialmente perigosas e indesejáveis. É também um
evento patológico quando células doentes são lesadas de modo irreparável e sãoeliminadas.

Causas de Lesão Celular


As causas de lesão celular variam desde a violência física externa grosseira de um acidente
automobilístico a anomalias internas sutis, como uma mutação genética causando perda de uma
enzima vital que compromete a função metabólica normal. A maioria dos estímulos nocivos
pode ser agrupada nas seguintes características gerais:
Privação de Oxigênio: A hipoxia é uma deficiência de oxigênio que causa lesão celular por
reduzir a respiração oxidativa aeróbica. A hipoxia é uma causa extremamente importante e
comum de lesão e morte celulares. As causas da hipoxia incluem a redução do fluxo sanguíneo
( c ha m a da isquemia), a oxigenação inadequada do sangue devido à insuficiência
cardiorrespiratória, e a redução da capacidade de transporte de oxigênio do sangue, como na
anemia ou no envenenamento por monóxido de carbono (produzindo uma monóxi-hemoglobina
com carbono estável que bloqueia o transporte de oxigênio) ou após grave perda sanguínea.
Dependendo da gravidade do estado hipóxico, as células podem se adaptar, sofrer lesão ou
morrer. Por exemplo, se uma artéria for estreitada, o tecido suprido por esse vaso pode,
inicialmente, diminuir de tamanho (atrofia), enquanto uma hipoxia súbita e mais acentuada induz
lesão e morte celular.
Agentes Físicos. Os agentes físicos que causam lesão celular incluem traumatismos mecânicos,
extremos de temperatura (queimaduras e frio profundo), alterações bruscas da pressão
atmosférica, radiação e choque elétrico
Agentes Q uímicos e Drogas; Agentes Infecciosos; Reações Imunológicas; Defeitos Genéticos;
Desequilíbrios Nutricionais.

A inflamação aguda: é uma rápida resposta do hospedeiro que serve para levar leucócitos e
proteínas do plasma, tais como anticorpos, para os locais de infecção ou tecido injuriado. A
inflamação aguda tem três principais componentes: alterações no calibre vascular que levam
a um aumento no fluxo sanguíneo; mudanças estruturais na microvasculatura que permitem
que as proteínas do plasma e os leucócitos saiam da circulação e emigração de leucócitos da
microcirculação, seu acúmulo no foco da injúria e sua ativação para eliminar o agente agressor . As
principais manifestações locais da inflamação aguda, comparadas ao normal. (1)
Dilatação vascular e aumento no fluxo sanguíneo (causando eritema e calor); (2)
extravasamento e deposição extravascular de fluido plasmático e proteínas (edema); (3)
emigração e acúmulo de leucócitos no local da injúria.

 ESTÍMULOS PARA A INFLAMAÇÃO AGUDA


As reações inflamatórias agudas podem ser disparadas por uma variedade de estímulos: Infecções
(bacteriana, viral, fúngica, parasítica) e toxinas microbianas estão entre as causas clinicamente
importantes mais comuns da inflamação.
 REAÇÕES DOS VASOS SANGUÍNEOS NA INFLAMAÇÃO AGUDA
Na inflamação, os vasos sanguíneos passam por uma série de mudanças que são destinadas a
maximizar o movimento de proteínas plasmáticas e células circulantes para fora da circulação e
para dentro do local da infecção ou injúria. O escape de fluidos, proteínas e células sanguíneas do
sistema vascular para dentro do tecido intersticial ou cavidades corporais é conhecido como
exsudação. O exsudato é o fluido extravascular que tem uma alta concentração proteica, contém
restos celulares e tem uma alta gravidade específica.
 O edema denota um excesso de fluido no tecido intersticial ou
cavidades serosas; ele pode ser ou um exsudato ou um transudato. O pus, um exsudato purulento,
é um exsudato inflamatório rico em leucócitos (principalmente neutrófilos), restos de células
mortas e, em muitos casos, micróbios.
 Mudanças no Fluxo e no Calibre Vascular
As mudanças no fluxo e no calibre vascular se iniciam logo após a injúria e consistem no
seguinte:
A vasodilatação é uma das manifestações mais iniciais da inflamação aguda; algumas vezes
ela se segue a uma constrição transitória das arteríolas, durando poucos segundos. A
vasodilatação primeiro envolve as arteríolas e então leva à abertura de novos leitos capilares
na área. O resultado é o fluxo sanguíneo aumentado, que é a causa do calor e vermelhidão
(eritema) no local da inflamação.
 Uma marca da inflamação aguda é a permeabilidade vascular aumentada levando ao escape
de
exsudato rico em proteína para dentro do tecido extravascular, causando edema. Vários
mecanismos são responsáveis pela permeabilidade vascular aumentada:Contração das células
endoteliais resultando em espaços interendoteliais aumentados é o mecanismo mais comum de
extravasamento vascular e é elicitado por histamina,bradicinina, leucotrienos, o neuropeptídeo
substância P e muitos outros mediadores químicos.

 A jornada dos leucócitos da luz dos vasos para o tecido intersticial, chamada de
extravasamento,
pode ser dividida nos seguintes passos13:
1. Na luz: marginação, rolamento e adesão ao endotélio. O endotélio vascular no seu estado
normal não ativado não se liga às células circulantes ou impede sua passagem. Na
inflamação, o endotélio é ativado e pode se ligar aos leucócitos, como um prelúdio de sua
saída dos vasos sanguíneos.
2. Migração através do endotélio e parede do vaso.
3. Migração nos tecidos em direção aos estímulos quimiotáticos.

 Reconhecimento dos Micro-organismos e Tecidos Mortos


Uma vez que os leucócitos (neutrófilos e monócitos) tenham sido recrutados para o local da
infecção ou para a célula morta, eles têm que ser ativados para realizar suas funções. As
respostas dos leucócitos consistem em dois passos sequenciais de eventos: (1) reconhecimento
dos agentes agressores, os quais liberam sinais que (2) ativam os leucócitos para ingerir e destruir
os agentes agressores e amplificar a reação inflamatória.
Os leucócitos expressam vários receptores que reconhecem o estímulo externo e liberam os
sinais ativadores

 Fagocitose e destruição intracelular dos micróbios. A fagocitose de partículas (p. ex.,


bactérias) envolve a ligação a receptores na membrana do leucócito, englobamento e fusão
dos lisossomas com os vacúolos fagocíticos. Isto é seguido pela destruição das partículas
ingeridas dentro dos fagolisossomas pelas enzimas lisossômicas e pelas espécies reativas de
oxigênio e nitrogênio.
 Morte e Degradação. O passo final na eliminação dos agentes infecciosos e células
necróticas
são as suas morte e degradação dentro dos neutrófilos e macrófagos, que ocorrem mais
eficientemente após a ativação dos fagócitos.
 Padrões Morfológicos da Inflamação Aguda
As marcas morfológicas de todas as reações inflamatórias agudas são a dilatação de pequenos
vasos sanguíneos, lentificação do fluxo sanguíneo e acúmulo de leucócitos e fluido no tecido
extravascular (Fig. 2-17). Entretanto, padrões morfológicos característicos são frequentemente
sobrepostos nessas características gerais, dependendo da severidade da reação, de sua causa
específica e do tecido e local particular envolvidos. A importância do reconhecimento dos
padrões macro e microscópicos é que eles frequentemente fornecem indícios valiosos sobre a
causa subjacente.

 Inflamação Crônica
A inflamação crônica é a inflamação de duração prolongada (semanas a meses) em que a
inflamação, injúria tecidual e tentativas de reparo coexistem em variadas combinações. Ela pode
se seguir à inflamação aguda, como descrito anteriormente, ou pode se iniciar insidiosamente,
como uma resposta de baixo grau e latente, sem nenhuma manifestação de uma reação aguda.
Este último tipo de inflamação crônica é a causa de dano tecidual em algumas das mais comuns
e incapacitantes doenças humanas, tais como a artrite reumatoide, aterosclerose, tuberculose e
fibrose pulmonar. Ela também tem sido implicada na progressão do câncer e em doenças
puramente degenerativas, tais como a doença de Alzheimer.
 CAUSAS DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA
A inflamação crônica surge nas seguintes situações:
Infecções persistentes por micro-organismos que são difíceis de erradicar, tais como
micobactéria e certos vírus, fungos e parasitos. Esses organismos frequentemente evocam
uma reação imune chamada de hipersensibilidade tipo retardada (Cap. 6). A resposta
inflamatória algumas vezes tem um padrão específico chamado de reação granulomatosa
(discutida adiante).
Doenças inflamatórias imunomediadas. A inflamação crônica tem um papel importante no
grupo de doenças que são causadas pela ativação excessiva ou inapropriada do sistema
imune. Sob certas circunstâncias, as reações imunes se desenvolvem contra os tecidos do
próprio indivíduo, le-vando a doenças autoimunes
 CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS
Em contraste com a inflamação aguda, que é manifestada pelas mudanças vasculares, edema e
infiltração predominantemente neutrofílica, a inflamação crônica é caracterizada por:
Infiltração com células mononucleares, que incluem macrófagos, linfócitos e células
Plasmáticas
 Outros tipos celulares envolvidos na inflamação crônica incluem os linfócitos, plasmócitos,
eosinófilos e mastócitos.
 Os plasmócitos se desenvolvem a partir dos linfócitos B ativados e produzem anticorpos
direcionados ou contra antígenos persistentes estranhos ou próprios no local inflamatório ou
contra componentes teciduais alterados.
 Os eosinófilos são abundantes nas reações imunes mediadas por IgE e em infecções
Parasitárias. Por isso os eosinófilos são benéficos em controlar as infecções parasitárias, mas eles
contribuem para o dano tecidual nas reações imunes tais como alergias.
 Os mastócitos são amplamente distribuídos nos tecidos conjuntivos e participam em ambas
as reações inflamatórias, aguda e crônica. Os mastócitos também estão presentes nas reações
inflamatórias crônicas e, porque eles secretam uma pletora de citocinas, eles têm a habilidade de
promover e limitar as reações inflamatórias em diferentes situações.