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INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

CURSO DE DIREITO

Elda Ribeiro de Souza - RA: N1047J-9 1


Isabelle Herrera - RA: N823FC-71
Maria Neila de Lira Carmo - RA: N742FA-01

APS - ATIVIDADES PRÁTICAS SUPERVISIONADAS2

1
Graduandas do curso de direto.
2
2º Semestre de 2019.
Bauru – SP
Novembro 2019
1 REFORMA PREVIDENCIÁRIA

1.1 Principais Aspectos do Projeto da Reforma da Previdência e Pontos Mais Criticados.

Desde o século XX, constatou-se que o mundo experimentou mudanças demográficas


com um progressivo envelhecimento da população. Tal fenômeno afetou fortemente a
sustentabilidade das políticas de previdência, trabalho, assistência social e saúde. Em virtude
disso, desde a segunda metade do século passado os países foram fazendo reformas em seus
sistemas previdenciários, face ao processo de envelhecimento populacional que impôs aumento
progressivo das despesas.
Atualmente, o Brasil precisou passar pela mesma reforma, e assim, visando ajustar o
sistema previdenciário a nova realidade do país foi que a Câmara dos Deputados aprovou a
proposta de reforma da previdência - PEC 006/2019, de autoria do Poder Executivo que
modifica o sistema de previdência social, estabelecendo regras de transição e disposições
transitórias e dá outras providências.
Contudo, a despeito da necessidade de reformar o sistema previdenciário, a proposta
tem sido muito criticada, como expõe a seguir: a primeira crítica diz respeito à idade mínima
de 62 anos para mulheres e de 65 anos para homens, respeitado o período de transição. Um dos
argumentos desfavoráveis é o de que se estaria, com a nova regra, descumprindo o direito
fundamental à previdência.
Em relação à aposentadoria da pessoa com deficiência, a principal mudança é o
cumprimento de 35 anos de contribuição para pessoas que apresentam deficiência leve, sejam
estas do gênero masculino ou feminino.
Sendo também um dos grandes pontos polêmicos da reforma, o estabelecimento da
idade mínima para a aposentadoria especial, ou seja, para os trabalhadores que estão sujeitos
a agentes nocivos de natureza física; química e/ou biológica e que tragam prejuízo à saúde
e/ou integridade física. A aposentadoria especial, que teve o seu advento em 1960 por meio
da LOPS , garante o direito de o trabalhador se aposentar mais cedo justamente pelo fato de
que os agentes nocivos tragam um prejuízo para sua saúde, que por muitas vezes, são
irreversíveis. Assim sendo, retira-se o trabalhador do agente nocivo, mais cedo, a fim de não
trazer maiores prejuízos à sua saúde.
A aposentadoria especial é concedida ao trabalhador que completa 25 anos exposto a
agentes insalubres ou periculosos. Entretanto na proposta, esse segurado, exposto a agente
nocivo, deverá trabalhar até os 60 anos de idade, considerando isto como ir à contramão dos
princípios garantidores da dignidade da pessoa humana.
Ademais, incluiu-se ainda na proposta a retirada do reconhecimento da
periculosidade para fins de cômputo de tempo especial ou concessão da aposentadoria
especial. Desse modo, diversos trabalhadores que se expõem em condições que possam ser
letais para sua vida, não gozarão mais do benefício de se aposentar mais cedo.
Sobre a pensão por morte não seria mais garantida em valor integral, mas em 60%
acrescido de 10% por dependente, até o limite de 100%, ressalvado o caso em que o
dependente é pessoa com deficiência grave ou mental, intelectual e/ou sensorial. As pessoas
de baixa renda que não comprovem outra fonte de renda, ainda seriam garantidas uma pensão
ao menos um salário mínimo.
Há crítica também com relação ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), havendo
a elevação da idade mínima, de 65 para 70, para o acesso ao benefício assistencial destinado a
idosos e deficientes de baixa renda, mesmo que o governo tenha anunciado uma antecipação
no valor de quatrocentos reais mensais a partir dos 60 anos aos beneficiários, gerou reação
negativa.
Outro ponto muito criticado, naturalmente, diz respeito às mudanças nas regras de
aposentadoria para trabalhadores do campo (rurais) que eleva a idade mínima para mulheres de
55 para 60 anos, e do tempo de contribuição de 15 para 20 anos. Alega-se que por ser uma
atividade que demanda muito esforço físico, consequentemente, reduz a expectativa de vida das
trabalhadoras rurais, por conseguinte, tal mudança fere o princípio da isonomia que protege as
mulheres por exercerem uma dupla função e receberem menos.
Referente a alíquota de servidores também recebeu críticas, vez que, a reforma
apresentada prevê uma nova fórmula de cálculo para a contribuição previdenciária dos
servidores públicos. A regra, análoga ao modelo de Imposto de Renda, tem alíquotas que vão
de 7,5%, para o caso de recebimento de até um salário mínimo mensal, até 22%, para quem
recebe mais de R$ 39 mil, sobre o excedente em cada faixa – compondo alíquotas efetiva de
16,79%. Há, contudo, crítica a esse respeito uma vez que alíquotas muito altas para fins de
contribuição de previdência poderia caracterizar tributo com efeito de confisco, o que é vedado
pela Constituição Federal.
A proposta também afeta a imunidade das receitas de exportação, que poderão deixar
de se estender à CPRB (Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta). Conforme explica
o advogado Breno Ferreira Martins Vasconcelos, professor da Escola de Direito da FGV-SP, o
tributo substituiu, para alguns setores da economia, a contribuição previdenciária patronal que
incide à alíquota de 20% sobre a folha de pagamentos, por uma contribuição incidente sobre a
receita, em alíquotas que variam entre 1,5% e 4,5%.
A correspondência das alterações aos regimes previdenciários do serviço público nos
Estados e Municípios também é um fator questionado por alguns advogados, a despeito do
interesse de boa parte dos governadores na aprovação da PEC, tendo em vista a saúde das contas
dos entes federados. Há rompimento do pacto federativo, na medida em que a proposta objetiva
regulamentar não apenas o direito previdenciário na União, mas também nos Estados, Distrito
Federal e Municípios, inclusive determinando o aumento imediato de alíquota de contribuição
previdenciária.
A reforma também prevê que o trabalhador que já está aposentado continuará a receber
os depósitos em conta no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), mas, se for demitido
após a promulgação do texto, não terá direito à multa de 40% sobre o saldo. O texto também
acaba com os depósitos mensais (correspondentes a 8% do salário bruto) no fundo para
aposentados que seguirem na ativa com carteira assinada. As medidas atingiriam cerca de 5,2
milhões de pessoas, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística).
Diante do exposto, observa-se que certos países promoveram reformas nos seus sistemas
previdenciários conforme mudanças na expectativa de vida da população. O Brasil,
experimentando tal fenômeno, a saber, a elevada expectativa de vida da população, promoveu,
assim como outros países, mudanças no sistema previdenciário. Contudo, tais mudanças não
agradaram, e, desde o seu nascedouro enfrentaram forte resistência, seja por parte daqueles que
discordam da necessidade de reforma, seja por parte daqueles que não desejam perder alguns
benefícios ou direito adquirido. A reforma da previdência foi aprovada, resta-nos esperar e
analisar quais serão seus impactos em longo prazo.
REFERÊNCIAS

BENEDETTI, Carla. Reforma da Previdência: as possíveis mudanças e o impacto


econômico e social da PEC 6/19. Migalhas, São Paulo, 5 de jul. de 2019. Disponível em:
https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI305775,51045-
Reforma+da+Previdencia+as+possiveis+mudancas+e+o+impacto+economico+e

Juristas debatem reforma da Previdência na CCJC. Câmara do Deputados, Brasília – DF,


4 de abril de 2019. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/atividade-
legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ccjc/noticias/juristas-debatem-reforma-da-
previdencia-na-ccjc.

Proposta de Emenda à Constituição n° 6, de 2019 - Reforma da Previdência. Senado


Federal, Braspilia – DF, 2019. Disponível em:
https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/137999.

Reforma da Previdência: entenda a proposta aprovada, ponto a ponto. G1, São Paulo, 22 de
Out. de 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/10/22/reforma-da-
previdencia-entenda-ponto-a-ponto-a-proposta-aprovada-em-2o-turno-no-senado.ghtml