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Índice

Introdução..............................................................................................................................3

Objectivos do Trabalho..........................................................................................................3

Metodologias..........................................................................................................................3

Fundamentação Teórica.........................................................................................................4

Moçambique (Pós-Independência) Anterior a 1987..............................................................4

O Plano Prospectivo Indicativo (PPI)....................................................................................4

Factores da Ineficiência do PPI..............................................................................................5

Contexto Nacional..................................................................................................................5

Contexto Regional..................................................................................................................5

Conjuntura Mundial...............................................................................................................6

O Programa de Reabilitação Económica (PRE).....................................................................6

Os Programas de Reajustamento Estrutural...........................................................................7

O PRE de 1987.......................................................................................................................7

Impacto do PRE na Sociedade Moçambicana.......................................................................9

Conceptualização: Crescimento e Desenvolvimento...........................................................10

Conclusão.............................................................................................................................12

Bibliografia..........................................................................................................................13
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1. INTRODUÇÃO

O estudo sobre o Programa de Reabilitação Económica demonstra que este


programa ou ainda estratégia foi implementada para fazer face aos problemas que
atingiram de forma negativa o percurso do Plano Prospectivo Indicativo, no contexto de
erguer uma economia com vista ao desenvolvimento, mas baseada nas potencialidades
nacionais. A sua implementação foi precedida pela necessidade de mudança de ideologia
política socialista, caracterizada pela centralização, para a ideologia capitalista,
caracterizada pela descentralização e pelo domínio do livre mercado, (FRANCISCO et al.,
2016).

Entretanto, o PRE teve resultados importantes na sociedade moçambicana, pelo


que inverteu a tendência do declínio económico e aumentou o fluxo de ajuda alimentar e
cooperação internacional. Contudo, no meio desses resultados positivos, foram também
notáveis em grande escala resultados negativos.

1.1. OBJECTIVOS DO TRABALHO

Objectivo Geral

 Realizar uma pesquisa investigativa sobre Programa de Reabilitação Económica e


Suas Implicações.

Objectivos Específicos

 Abordar os Caminhos Analíticos e Metodológicos do Programa;


 Falar da Conceitualização do Crescimento e do Desenvolvimento;
 Abordar todos os aspectos inerentes ao assunto acima citado.
1.2. METODOLOGIAS

Segundo LAKATOS & MARCONI (2006), sobre a pesquisa científica, é um


procedimento sistemático, que são baseados em pensamentos lógicos que faz com que
encontra-se soluções para tais problemas expostos pela pesquisa, tem como caminho
conhecer a realidade e descobrir verdades parciais.

Neste estudo, utilizou-se a pesquisa bibliográfica para a partir de matérias


publicadas sobre o tema, consulta de livros, artigos, podendo assim alcançar os objectivos
descritos.
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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Nesta secção, será fornecida a fundamentação teórica que embaçará todo o assunto
desse estudo, que dará suporte e irá justificar a proposta desse estudo, além de definir, com
mais precisão, os objectivos de sua pesquisa, evitando a repetição, na íntegra, de estudos
anteriores, já bem estabelecidos pela comunidade científica, (FONTELLES et al., 2009).

Segundo VERGARA (2004), a fundamentação teórica objectiva apresentar diversos


estudos sobre o tema ou problema, já realizados por outros autores. Para tal, é feita uma
revisão na literatura tanto no acervo de teorias quanto em trabalhos realizados que as
tomam como referência. Logo, será apresentado neste capítulo todo o material
bibliográfico que dará ênfase ao assunto escolhido, de modo a apresentá-lo teoricamente
com base nos estudos existentes a fim de clarificar e tornar mais conhecido esse tema.

2.1. MOÇAMBIQUE (PÓS-INDEPENDÊNCIA) ANTERIOR A 1987

A luta armada contra a dominação portuguesa desencadeada a 25 de Setembro de


1964 desembocaria na transferência dos poderes (político, social e económico) das mãos
dos Portugueses para as dos Moçambicanos, a 07/09/1974. Portanto, após a tomada do
poder pela FRELIMO, um novo conjunto de projectos teve-se que levar a cabo para fazer
face aos desafios que colocavam-se ao governo nessa fase. Deste modo, pretende-se neste
capítulo, entender de forma sintética os projectos de elevada importância que a FRELIMO
encetou no sentido do desenvolvimento do novo Estado sob sua responsabilidade e não
mais, na responsabilidade dos Portugueses.

2.1.1. O PLANO PROSPECTIVO INDICATIVO (PPI)

O PPI é um instrumento na base do qual o Estado moçambicano pretendia


organizar os seus recursos para o desenvolvimento do potencial agrário e industrial, para a
elevação progressiva do nível de vida do povo e o reforço da capacidade defensiva de uma
pátria socialista, (PPI, 1977: 4).

O Sistema político vigente na altura influenciou sobremaneira as decisões políticas


pois, ao conceber este Plano por 10 anos (1980-1990), procurava encontrar instrumentos
que poderiam reconstruir o desenvolvimento e a economia do país assolada pela guerra
civil entre 1977-1992, (MOSCA, 2005).
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O PPI revelava a partir das acções interventivas que, para o alcance do objectivo
traçado como primordial, seria necessário realizar investimentos de elevada importância.
Contudo, algumas das fraquezas desse programa consistiram da falta de recursos
financeiros internos para a realização desses investimentos, sendo demasiado dependente
de recursos externos, com uma orientação comercial e económica centralizada no mercado
interno, uma gestão macroeconómica desequilibrada e excessivamente centralizada com
uma articulação não efectiva com o sector agrário, (MEQUE, 2013: 35).

2.2. FACTORES DA INEFICIÊNCIA DO PPI

Muito cedo, em menos de três anos (1980-1983), um conjunto de factores revelou


evidente a impossibilidade da concretização dos objectivos que norteavam o PPI. Em 1981,
os serviços da dívida e as taxas de juro sofreram uma alteração no que diz respeito aos
empréstimos contraídos a juros móveis. Desta forma, o país encontrava-se em dificuldades
para a amortização da dívida e as reservas de divisas disponíveis eram insuficientes,
havendo, então, necessidade cada vez mais crescente em contrair mais empréstimos, que
devia-se a factores de ordem Nacional, Regional e Mundial, (MEQUE, 2013: 36).

2.3. CONTEXTO NACIONAL

Guerra Civil - A sua generalização por quase todo país, alcançou zonas de grande
importância económica a Sul do Save (o Vale do Limpopo e as vias de acesso a Maputo
começaram a ser persistentemente atacadas) e a Norte do Save, ocupou-se com tamanha
facilidade o Vale do Zambeze, (MALOA, 2016: 131);

Catástrofes Naturais - As cheias e a seca atingiram o auge nos princípios da


década de 1980, tendo influenciado para a generalização da fome e da desagregação da
economia rural, (NEWITT, 1997: 484).

2.4. CONTEXTO REGIONAL

Política de Desestabilização de África do Sul - Que, tendo adoptado a estratégia


da CONSAS, contra a SADCC, onde a primeira pretendia perpetuar a dependência
regional em relação a África do Sul. Assim, no âmbito mais abrangente da estratégia da
CONSAS, o sistema ferro-portuário moçambicano que, representava-se como instrumento
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estratégico da SADCC, tornou-se alvo de dois processos Sul-Africanos (a desestabilização


militar e a desestabilização económica), (LUCAS, s/d.: 6).

3. CONJUNTURA MUNDIAL

Guerra Fria - Assolou de forma negativa a proficiência do PPI. Este fenómeno


deveu-se ao excesso de confiança dos apoios dos países socialistas e nórdicos a
Moçambique. Ora, essa confiança traduziu-se na dependência directa de concessão de
apoios financeiros e de mão-de-obra especializada estrangeira, sobretudo oriundos de
países socialistas, (MALOA, 2016: 133);

Crise Mundial da década de 1970 - Fez-se sentir em Moçambique através dos


níveis de inflação registados a nível mundial, (GENTIL, 1998: 366).

Destarte, a estrutura de importação de Moçambique nessa altura expressava


claramente a forte dependência da economia nacional relativamente à importação do crude
e seus derivados, matérias-primas, de peças e de sobressalentes para aumentar o ritmo do
crescimento da produção, (WUYTS, 1991).

3.1. O PROGRAMA DE REABILITAÇÃO ECONÓMICA (PRE)

Moçambique iniciou o seu Programa de Ajustamento Estrutural (Programa de


Reabilitação Econômica) em 1987. Este programa passou por muitas fases, tendo sido
aplicado em tempos de guerra, batizado pelo nome de Programa de Reabilitação
Econômica e Social (PRES) e submetido à evolução conceptual destes programas
ocorridos ao longo deste período. Por consequência da:

“Nova orientação das Instituições Financeiras Internacionais, no sentido de (re)considerar


os Programas de Ajustamento Estrutural como programas de redução da pobreza e, dada
a performance muito negativa do ajustamento estrutural em Moçambique neste aspecto, o
governo, então decidiu que nem havia ajustamento estrutural no país”, (IMF, 2000: 5
apud OPPENHEIMER, 1996: 123).

Se é verdade que o PRE logrou reverter a “tendência de regressão do Produto


Interno Bruto (PIB) per-capita, e isto em particular a partir do fim da guerra em 1992,
também é verdade que este crescimento não quebrou a tendência sustentada de redução de
consumo privado per-capita”, (OPPENHEIMER, 1996: 124).
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3.2. OS PROGRAMAS DE REAJUSTAMENTO ESTRUTURAL

Falar de Reajustamento Estrutural é referir-se a uma expressão surgida nos anos de


1980, que associa-se ao conjunto de prescrições da política económica instituída pelas
instituições de Bretton Woods. Ora, encontra seu enquadramento nas políticas de grandes
instituições económicas surgidas no contexto de desempenhar papel preponderante na
economia do mundo – Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI),
(ALVES, 2002: 17).

Os Programas de Reajustamento Estrutural reconhecem-se como conjunto de


medidas económicas que assentam-se em pressupostos que as grandes instituições
internacionais da Bretton Woods (especialmente o Banco Mundial e o Fundo Monetário
Internacional) apontam como necessários para a remissão possível da crise. Assim, o
Reajustamento Estrutural será a implementação das políticas económicas que essas
instituições apresentam como necessárias para a resolução de desequilíbrios
macroeconómicos e a rectificação de políticas não adequadas que impulsionam o
desempenho das economias dos países em via de desenvolvimento, (MEQUE, 2013: 45).

O Reajustamento Estrutural é na perspectiva de IBHAWOH (1999: 158), apoiando-


se no estudo do Banco Mundial, um processo a partir do qual procura-se colocar a
economia de uma nação em uma posição estratégica, para o alcance de um crescimento
sustentável, quando esta arrosta-se com uma crise macroeconómica que caracteriza-se por
balanças internas e externas insustentáveis.

3.3. O PRE DE 1987

A partir do momento em que Moçambique foi aceite como membro do FMI e do


BM, em 1984, começaram-se as reformas neoliberais que seriam introduzidas em 1987
com o Programa de Reabilitação Económica, este que surge no contexto do Programa de
Reajustamento Estrutural inspirado nas decisões do Congresso de Washington. Essas
reformas tinham em vista a substituição do modelo Socialista de desenvolvimento pelo
modelo Capitalista, (MATSINHE, 2011: 34).

PRE tinha como seu principal objectivo reestabelecer os equilíbrios


macroeconómicos e restaurar um ambiente que destinasse-se ao desenvolvimento
económico, na perspectiva de reverter a situação de tendência negativa que até então
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registava-se e a consequente degradação social sem perspectiva de nenhuma melhoria


(GOBE, 1994: 4). Na mesma perspectiva, MALENDZA (2006: 10), aponta como
principais objectivos do PRE os seguintes:

 Reverter o declínio da produção;

 Assegurar às populações as receitas mínimas e um nível de consumo


mínimo;

 Restaurar o balanço macroeconómico através da diminuição do deficit


orçamental;

 Reforçar a balança de transacções correntes e a balança de pagamentos.

Tendo em conta que o PRE tinha em vista o reparo aos erros do PPI e recuperar os
índices de produção e de exportação registados em 1981, este programa destacava como
haverem sido principais erros da estratégia do PPI a má gestão macroeconómica, a
distorção da estrutura dos preços relativos em desfavor da agricultura e das exportações, e
o desincentivo à operação do sector privado nacional e estrangeiro. Deste modo, o
argumento que apresentava-se era que a má gestão macroeconómica do período do PPI,
havia conduzido a economia nacional à um estado de grave desequilíbrio financeiro e
estrutural, assim sendo, somente um forte compromisso do governo em reverter as políticas
do passado e introduzir correcções fiscais e monetárias duras seria possível restaurar a
saúde da economia e a credibilidade internacional do país, (CASTEL-BRANCO, 1995:
600).

O PRE passou mais tarde ao PRES (1990), devido a necessidade de focalizar mais a
dimensão humana, uma vez que com tal política o fosso entre ricos e pobres aumentava
progressivamente, trazendo impactos significativos nas estruturas da sociedade. A inflação
atingiu, em 1989, níveis insustentáveis para o poder de compra do cidadão comum, o PRE,
contrariamente ao que motivou a sua adopção criou um impacto social negativo,
(NYAKADA, 2008: 83).

Com a transformação do PRE em PRES (Programa de Reabilitação Económica e


Social), verificaram-se alguns resultados satisfatórios, visto que os recursos destinados aos
sectores sociais foram crescendo, passando, então, a representar 23% dos doadores que
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reflectiram um crescimento de 11% comparativamente ao período de 1987-89, (MOSCA &


OPPENHEIMER, 2005, appud DAUCE, 2013: 54).

3.4. IMPACTO DO PRE NA SOCIEDADE MOÇAMBICANA

Em uma visão tão ampla, depreende-se que o PRE visava essencialmente melhorar
a vida da população das zonas rurais que, inegavelmente estava degradada, devido as
políticas não adequadas a realidade, tal como é o caso das aldeias comunais e das
machambas estatais, visto que a população rural havia sido atingida de forma severa pela
guerra civil, pelas catástrofes naturais sucessiva, cujos efeitos traduziam-se em fome
crónica e degradação das condições de vida e assim, as dificuldades de alimentação eram
enormes, (MEQUE, 2013: 46).

Na visão de MATSINHE (2011: 46), o Programa de Reabilitação Económica


provocou para a sociedade moçambicana, mais desgraças do que benefícios. Contudo, dos
benefícios notáveis, refere-se que o PRE:

 Inverteu a tendência do declínio económico;

 Aumentou o fluxo de ajuda alimentar e cooperação internacional, reduzindo as


consequências da fome, a incapacidade por endividamento do país e amorteceu
o colapso do sector externo;

 Os mercados e as lojas começaram a ter bens para a venda e muitos produtos


que, até então existiam no mercado paralelo, passaram a ser vendidos;

 O PRE juntamente com outras medidas políticas e diplomáticas facilitaram o


isolamento da RSA e da RENAMO, o que abriu caminho para a paz em
Moçambique e na região.

Entretanto, o lado negativo parece ter sido maior do que o positivo pelo que refere-
se que, com a implementação do PRE em 1987, verificou-se que o poder de compra e de
consumo diminuíram por causa do agravamento dos termos de trocas e da diminuição de
oportunidades de emprego. O aumento das quantidades registado durante os primeiros anos
do PRE (1987- 89) dependeu mais do facto de os camponeses venderem maiores
quantidades do que anteriormente graças ao processo de liberalização do mercado e não
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pelo aumento da produção real para a venda ter aumentado, (ABRAHAMSSON &
NILSSON, 1994: 229).

O corte drástico das verbas destinadas a saúde e educação exigidas pelos programas
do FMI levou ao rebaixamento dos empregos para trabalhadores com baixo nível de
alfabetização. Assim, as famílias cujos chefes haviam perdido emprego ficaram
incapacitadas de arcar com as despesas de tratamentos hospitalares, (ABRAHAMSSON,
2001: 220).

Assistiu-se também, após a implementação do PRE, a redução das taxas de


inscrições para o ensino primário (entre 1989-94, o número de matriculados nas escolas
primarias decresceu de 86% para 60% da população estudantil), pelo que os pais preferiam
tirar os filhos da escola (por falta de dinheiro para pagar as matriculas e os livros
escolares), aumentando-se assim a quantidade de mendigos. Por conta dessa realidade,
assume-se que o PRE atingiu as populações mais pobres com tamanha dureza
(MATSINHE, 2011: 47).

4. CONCEPTUALIZAÇÃO: CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

Os estudiosos do crescimento e do desenvolvimento económico reconhecem a


íntima ligação entre estes dois conceitos, mas razões tanto epistemológicas como
metodológicas justificam que se identifique o objecto e o âmbito de cada um deles.

Não obstante a vasta gama de abordagens teóricas e metodológicas que inspiram


uma grande diversidade de definições de crescimento e desenvolvimento económico,
existem pelo menos três correntes mais proeminentes. Uma, de inspiração principalmente
positivista, considera o crescimento como sinónimo de desenvolvimento e inclui uma vasta
literatura, desde artigos académicos e de investigação, (BECKER, 1992; BLAUG, 1994;
BRESSER-PEREIRA, 2011A, 2011B; BRESSER- PEREIRA & GALA, 2008;
FRIEDMAN, 1957; KOHN, 2009; LUCAS, 1988; TODARO, 2000) até manuais de ensino
convencional, (DINIZ, 2006; FIGUEIREDO et al., 2005).

Um sinónimo que pressupõe fusão, conjugação ou amálgama entre os dois


conceitos, mas, em termos operacionais, enquanto o crescimento económico é geralmente
considerado quantitativo, o desenvolvimento económico é considerado qualitativo. Ou
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seja, é uma distinção metodológica artificial e simplista, como é testemunhado do manual


de FIGUEIREDO et al. (2005: 22).

A Segunda corrente, de inspiração empirista, afirma-se mais voltada para a


realidade empírica do que para a teoria, porque assume que o conhecimento é «extraído»
da experiência sensorial, (BELLO, 1995; DEUTSCH, 2013: 15-16, 53; EASTERLY &
EASTERLY, 2002). Por exemplo, SOUZA (1999), reconhece que não existe uma
definição universalmente aceite de desenvolvimento. Classifica as principais correntes
entre teórica e empírica, em que a primeira considera o crescimento como sinónimo de
desenvolvimento. «Já a segunda corrente», adianta SOUZA, “voltada para a realidade
empírica, entende que o crescimento é a condição indispensável para o desenvolvimento,
mas não é condição suficiente”.

A terceira corrente afirma-se como realista e falibilíssima, no sentido de que o


universo físico externo existe objectivamente e nos afecta por meio dos nossos sentidos e
que os seres humanos podem estar errados sobre as suas crenças, expectativas ou a sua
compreensão do mundo, (BARBIERI, 2013A, 2013; CALDWELL, 2003; DEUTSCH,
2013: 54; POWELL, 2001; SOROS, 2009: 35-100).

Sobre o conceito de crescimento económico, considera-se a definição proposta por


SIMON KUZNETS, na sua intervenção por ocasião da recepção do Prémio Nobel em
Economia, actual, aplicável e representativa do objecto de estudo da economia:

“O crescimento económico de um país pode ser definido como aumento a longo prazo da
capacidade de oferecer à população bens económicos cada vez mais diversificados,
baseando-se esta capacidade crescente numa tecnologia avançada e nos ajustamentos
institucionais e ideológicos que esta exige”, (KUZNETS, 1971).

Segundo KUZNETS, qualquer um dos três componentes mencionados na definição


é importante, nomeadamente a dinâmica de longo prazo na dimensão temporal; a
conjugação da grandeza e diversificação dos resultados do processo produtivo, na relação
quantidade-qualidade; as condições de viabilização do processo, através da conjugação do
progresso tecnológico e dos ajustamentos institucionais e ideológicos.

Quanto ao desenvolvimento económico, definimo-lo como o processo histórico de


aumento da renda por habitante e da melhoria dos padrões de vida da população,
decorrente da crescente utilização dos excedentes gerados pela acumulação de capital e
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pelo progresso tecnológico na sociedade em geral; ou seja, pelo processo de aumento da


capacidade produtiva, em conformidade com o progresso tecnológico e os ajustamentos
institucionais e ideológicos que acontecem no país, conforme a definição de crescimento
económico de KUZNETS, atrás citada.

5. CONCLUSÃO

À luz dos assuntos tratados pôde-se entender que o contexto do surgimento do


Programa de reabilitação Económica enquadra-se em um conjunto de factores de diversas
ordens (nacional, regional e mundial), estes que, por sua vez, determinaram para o
insucesso do Plano Prospectivo Indicativo, elaborado três anos após o alcance da
independência na perspectiva de responder aos diferentes desafios no âmbito do
desenvolvimento nacional em todos níveis (social, económico, político e cultural).

Assim, foi o insucesso do PPI que propôs ao governo moçambicano uma nova
estratégia de intervenção em resposta ao processo do desenvolvimento nacional e, por
conseguinte, a aplicação da nova estratégia (a PRE), resultou também na mudança da
ideologia de que o Estado Moçambicano propusera-se a seguir após o alcance da
independência, isto é, do Socialismo mudou-se para o Capitalismo.

Entretanto, é verdade que o PRE trouxe impactos positivos, mas estes não soaram
mais do que os negativos, pois as diferentes medidas que as instituições internacionais
aplicaram, reduziram consideravelmente a capacidade social de produção. Este facto
assistiu-se, por exemplo no sector alimentar, a ajuda que os doadores concediam à
Moçambique, reduzia drasticamente a capacidade de produção que seria possível se os
mesmos doadores optassem em ajudar em políticas produtivas e ainda em equipamentos
suficientemente necessários para o efeito, e não como o faziam.
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6. BIBLIOGRAFIA

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