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TEORIA E

EXERCÍCIOS

PC-RJ
Polícia Civil do Rio de Janeiro

AUXILIAR
DE NECROPSIA
Língua Portuguesa
Matemática
Noções Básicas de Biologia e
Anatomia Humana
Noções de Prova no Processo Penal
Noções de Direito Administrativo

EDITAL DE 23 DE SETEMBRO DE 2021

CONTEÚDO
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Polícia Civil do Rio de Janeiro

PC-RJ
Auxiliar de Necropsia

NV-008-ST-21
Cód.: 7908428801038
Obra

PC-RJ – Polícia Civil do Rio de Janeiro


Auxiliar de Necropsia

Autores

LÍNGUA PORTUGUESA • Ana Cátia Collares, Gabriela Coelho, Giselli Neves, Monalisa Costa e Isabella
Ramiro

MATEMÁTICA • Sérgio Mendes e Kairton Batista (Prof. Kaká)

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA • Bianca Capizzani

NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL • Rafael Oliveira

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO • Fernando Paternostro Zantedeschi e Jonatas Albino

Edição:

Setembro/2021

Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos


pela Lei nº 9.610/1998. É proibida a reprodução parcial ou total,
por qualquer meio, sem autorização prévia expressa por escrito da
editora Nova Concursos.

Essa obra é vendida sem a garantia de atualização futura. No caso Dúvidas


de atualizações voluntárias e erratas, serão disponibilizadas no site
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Retificações”, no rodapé da página, e siga as orientações. sac@novaconcursos.com.br
APRESENTAÇÃO
Um bom planejamento é determinante para a sua preparação
de sucesso na busca pela tão almejada aprovação. Por isso, pen-
sando no máximo aproveitamento de seus estudos, esse livro foi
organizado de acordo com os itens exigidos no Edital de 23 de
setembro de 2021 da PC-RJ, para o cargo de Auxiliar de Necropsia.

O conteúdo programático foi sistematizado em um sumário,


facilitando a busca pelos temas do edital, no entanto, nem sem-
pre a banca organizadora do concurso dispõe os assuntos em
uma sequência lógica. Por isso, elaboramos este livro abordan-
do todos os itens do edital e reorganizando-os quando necessá-
rio, de uma maneira didática para que você realmente consiga
aprender e otimizar os seus estudos.

Ao longo da teoria, você encontrará boxes – Importante e Dica


– com orientações, macetes e conceitos fundamentais cobra-
dos nas provas e a seção Hora de Praticar, trazendo exercícios
gabaritados da banca FGV, organizadora do certame.

A obra que você tem em suas mãos é resultado da competência


de nosso time editorial e da vasta experiência de nossos profes-
sores e autores parceiros – muitos também responsáveis pelas
aulas que você encontra em nossos Cursos Online – o que será
um diferencial na sua preparação. Nosso time faz tudo pensando
no seu sonho de ser aprovado em um concurso público. Agora é
com você!

Intensifique ainda mais a sua preparação acessando os con-


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line materiais especiais e exclusivos, selecionados e planejados de acordo com a proposta
deste livro. São conteúdos que tornam a sua preparação muito mais eficiente.

BÔNUS:

• Curso On-line.

à Língua Portuguesa - Pontuação



à Noções Básicas de Biologia e Anatomia Humana: A Célula/Citologia

à Noções de Prova no Processo Penal - Das Provas: Exame de Corpo de Delito e das

Perícias em Geral
à Noções de Direito Administrativo - Princípios da Administração Pública

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VERSO DA APOSTILA
SUMÁRIO

LINGUÁ PORTUGUESA.......................................................................................................7
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS (DECODIFICAÇÃO DOS SENTIDOS)................................................. 7

COMPREENSÃO DE TEXTOS (OBSERVAÇÃO DA ESTRUTURAÇÃO SIGNIFICATIVA DOS


TEXTOS)................................................................................................................................................. 9

ESTUDO DAS CLASSES DE PALAVRAS EM SEU EMPREGO TEXTUAL, OU SEJA,


PERCEPÇÃO DO SEU PAPEL NA CONSTRUÇÃO DOS VÁRIOS TEXTOS........................................ 10

CORREÇÃO LINGUÍSTICA E ESTRUTURAÇÃO DE FRASES, TENDO EM VISTA SUA


INTERFERÊNCIA NA SIGNIFICAÇÃO TEXTUAL............................................................................... 32

NÍVEIS DE LINGUAGEM E SUA ADEQUAÇÃO ÀS VÁRIAS SITUAÇÕES COMUNICATIVAS.......... 45

MATEMÁTICA.......................................................................................................................51
NÚMEROS NATURAIS, INTEIROS, RACIONAIS E REAIS E SUAS PROPRIEDADES: ADIÇÃO,
SUBTRAÇÃO, MULTIPLICAÇÃO, DIVISÃO........................................................................................ 51

POTENCIAÇÃO...................................................................................................................................................55

RADICIAÇÃO......................................................................................................................................................55

DIVISIBILIDADE, MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM E MÁXIMO DIVISOR COMUM.............................. 55

NÚMEROS FRACIONÁRIOS E NÚMEROS DECIMAIS, DÍZIMAS PERIÓDICAS............................... 57

MÉDIA ARITMÉTICA SIMPLES E PONDERADA................................................................................ 59

EQUAÇÕES DO 1º GRAU, SISTEMA DE EQUAÇÃO DE 1º GRAU, PROBLEMAS DO 1º GRAU....... 60

RAZÃO E PROPORÇÃO....................................................................................................................... 62

REGRA DE TRÊS: SIMPLES E COMPOSTA........................................................................................ 65

PORCENTAGEM................................................................................................................................... 68

EQUAÇÕES DO 2º GRAU..................................................................................................................... 70

MEDIDAS: TEMPO, COMPRIMENTO, MASSA, ÁREA, CAPACIDADE E CONVERSÃO DE


UNIDADES............................................................................................................................................ 71

GEOMETRIA: SÓLIDOS, POLÍGONOS, CÍRCULOS, PROPORCIONALIDADE, CONGRUÊNCIA,


SEMELHANÇA, PERÍMETRO E ÁREA DE FIGURAS PLANAS.......................................................... 72

TRIÂNGULOS: RELAÇÕES NO TRIÂNGULO RETÂNGULO............................................................... 94

PRINCÍPIOS DE CONTAGEM E NOÇÕES DE PROBABILIDADE....................................................... 98


NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA............................ 107
CITOLOGIA: ESTRUTURA DA CÉLULA, TIPOS DE CÉLULAS E REPRODUÇÃO CELULAR...........107

TECIDOS DO CORPO — TECIDOS FUNDAMENTAIS...............................................................111


EPITELIAL.........................................................................................................................................................111

MUSCULAR......................................................................................................................................................113

CONJUNTIVO...................................................................................................................................................114

NERVOSO.........................................................................................................................................................115

APARELHO DIGESTIVO.....................................................................................................................116

DIGESTÃO DOS ALIMENTOS, BOCA, ESTÔMAGO, INTESTINO DELGADO, INTESTINO GROSSO E


ENZIMAS DIGESTIVAS....................................................................................................................................116

SISTEMA CIRCULATÓRIO: AS PARTES DO SISTEMA CIRCULATÓRIO, CORAÇÃO E


CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA..............................................................................................................117

APARELHO RESPIRATÓRIO: PULMÕES E TROCA DE GASES.......................................................120

SISTEMA NERVOSO: SISTEMA NERVOSO CENTRAL E SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO......123

SISTEMA REPRODUTOR: SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO E SISTEMA


REPRODUTOR FEMININO.................................................................................................................126

NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL....................................................... 133


DA PROVA..........................................................................................................................................133

DISPOSIÇÕES GERAIS.....................................................................................................................................133

DO EXAME DE CORPO DE DELITO, DA CADEIA DE CUSTÓDIA E DAS PERÍCIAS EM GERAL......................137

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO.............................................................. 145


PRINCÍPIOS EXPRESSOS E IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.................................145

ATO ADMINISTRATIVO....................................................................................................................148
de praticar seus conhecimentos realizando os exercí-
cios de cada tópico, bem como, a seleção de exercícios
finais, selecionados especialmente para que este mate-
rial cumpra o propósito de alcançar sua aprovação.

LÍNGUA PORTUGUESA INFERÊNCIA – ESTRATÉGIAS DE INTERPRETAÇÃO

A inferência é uma relação de sentido conhecida


desde a Grécia Antiga e que embasa as teorias sobre
interpretação de texto.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
(DECODIFICAÇÃO DOS SENTIDOS) Dica
Interpretar é buscar ideias, pistas do autor do tex-
INTRODUÇÃO
to, nas linhas apresentadas.
A interpretação e a compreensão textual são aspec-
Porém, apesar de, Porém, apesar de parecer algo
tos essenciais a serem dominados por aqueles candida-
subjetivo, existem “regras” para se buscar essas
tos que buscam a aprovação em seleções e concursos
públicos. Trata-se de um assunto que abrange questões pistas.
específicas e de conteúdo geral nas provas; conhecer A primeira e mais importante delas é identificar a
e dominar estratégias que facilitem a apreensão desse orientação do pensamento do autor do texto, que fica
assunto pode ser o grande diferencial entre o quase e perceptível quando identificamos como o raciocínio
a aprovação. dele foi exposto; se de maneira mais racional, a partir
Além disso, seja a compreensão textual, seja a da análise de dados, informações com fontes confiáveis
interpretação textual, ambas guardam uma relação de ou se de maneira mais empirista; partindo dos efeitos,
proximidade com um assunto pouco explorado pelos das consequências, a fim de se identificar as causas.
cursos de português: a semântica, que incide suas rela- Por isso, é preciso compreender como podemos
ções de estudo sobre as relações de sentido que a forma interpretar um texto mediante estratégias de leitura.
linguística pode assumir. Muitos pesquisadores já se debruçaram sobre o tema,
Portanto, neste material você encontrará recursos que é intrigante e de grande profundidade acadêmica;
para solidificar seus conhecimentos em interpreta- neste material, selecionamos as estratégias mais efica-
ção e compreensão textual, associando a essas temá- zes que podem contribuir para sua aprovação em sele-
ticas as relações semânticas que permeiam o sentido ções que avaliam a competência leitora dos candidatos.
de todo amontoado de palavras, tendo em vista que, A partir disso, apresentamos estratégias de leitura
qualquer aglomeração textual é, atualmente, consi- que focam nas formas de inferência sobre um texto.
derada texto e, dessa forma, deve ter um sentido que Dessa forma, é fundamental identificar como ocorre
precisa ser reconhecido por quem o lê. o processo de inferência, que se dá por dedução ou
Assim, vamos começar nosso estudo fazendo uma por indução. Para entender melhor, veja esse exemplo:
breve diferenciação entre os termos compreensão e
interpretação textual. O marido da minha chefe parou de beber.
Para muitos, essas palavras expressam o mesmo
sentido, mas, como pretendemos deixar claro neste Observe que é possível inferir várias informações
material, ainda que existam relações de sinonímia a partir dessa frase. A primeira é que a chefe do enun-
entre palavras do nosso vocabulário, a opção do autor ciador é casada (informação comprovada pela expres-
por um termo ao invés de outro reflete um sentido são “marido”), a segunda é que o enunciador está
que deve ser interpretado no texto, uma vez que a trabalhando (informação comprovada pela expressão
interpretação realiza ligações com o texto a partir “minha chefe”) e a terceira é que o marido da chefe do
das ideias que o leitor pode concluir com a leitura. enunciador bebia (expressão comprovada pela expres-
Já a compreensão busca a análise de algo exposto no são “parou de beber”). Note que há pistas contextuais
texto, e, geralmente, é marcada por uma palavra ou uma do próprio texto que induzem o leitor a interpretar
expressão, e apresenta mais relações semânticas e sintáti- essas informações.
cas. A compreensão textual estipula aspectos linguísticos Tratando-se de interpretação textual, os processos
essencialmente relacionados à significação das palavras de inferência, sejam por dedução ou por indução, par-
e, por isso, envolve uma forte ligação com a semântica. tem de uma certeza prévia para a concepção de uma
Sabendo disso, é importante separarmos os con- interpretação, construída pelas pistas oferecidas no
teúdos que tenham mais apelo interpretativo ou texto junto da articulação com as informações acessa-
compreensivo. Neste material, você encontrará um
das pelo leitor do texto.
LÍNGUA PORTUGUESA

forte conteúdo que relaciona semântica e interpreta-


A seguir, apresentamos um fluxograma que repre-
ção, contendo questões sobre os assuntos: inferência;
senta como ocorre a relação desses processos:
figuras de linguagem; vícios de linguagem; e intertex-
tualidade. No que se refere aos estudos que focam na
compreensão e semântica, os principais tópicos são: DEDUÇÃO → CERTEZA → INTERPRETAR
semântica dos sentidos e suas relações; coerência e INFERÊNCIA
coesão; gêneros textuais (mais abordados em provas
INDUÇÃO → INTERPRETAR → CERTEZA
de concursos); tipos textuais e, ainda, as variações lin-
guísticas e suas consequências para o sentido.
Todos esses assuntos completam o estudo basilar A partir desse esquema, conseguimos visualizar
de semântica com foco em provas e concursos, sem- melhor como o processo de interpretação ocorre. Agora,
pre de olho na sua aprovação. Por isso, convidamos iremos detalhar esse processo, reconhecendo as estraté-
você a estudar com afinco e dedicação, sem esquecer gias que compõem cada maneira de inferir informações 7
de um texto. Por isso, vamos apresentar nos tópicos ocorre o processo de interpretação por dedução. Con-
seguintes como usar estratégias de cunho dedutivo, indu- forme Kleiman (2016, p. 47):
tivo e, ainda, como articular a isso o nosso conhecimento
de mundo na interpretação de textos. Ao formular hipóteses o leitor estará predizendo
A INDUÇÃO temas, e ao testá-las ele estará depreendendo o
tema; ele estará também postulando uma possí-
As estratégias de interpretação que observam vel estrutura textual; na predição ele estará ati-
métodos indutivos analisam as “pistas” que o texto vando seu conhecimento prévio, e na testagem
oferece e, posteriormente, reconhecem alguma certe-
ele estará enriquecendo, refinando, checando esse
za na interpretação. Dessa forma, é fundamental bus-
car uma ordem de eventos ou processos ocorridos no conhecimento.
texto e que variam conforme o tipo textual.
Sendo assim, no tipo textual narrativo, podemos Fique atento a essa informação, pois é uma das
identificar uma organização cronológica e espacial no primeiras estratégias de leitura para uma boa inter-
desenvolvimento das ações marcadas, por exemplo, pretação textual: formular hipóteses, a partir da
pelo uso do pretérito imperfeito; na descrição, pode-
macroestrutura textual; ou seja, antes da leitura ini-
mos organizar as ideias do texto a partir da marcação
de adjetivos e demais sintagmas nominais; na argu- cial, o leitor deve buscar identificar o gênero textual
mentação, esse encadeamento de ideias fica marcado ao qual o texto pertence, a fonte da leitura, o ano,
pelo uso de conjunções e elementos que expõem uma entre outras informações que podem vir como “aces-
ideia/ponto de vista. sórios” do texto e, então, formular hipóteses sobre a
No processo interpretativo indutivo, as ideias são
leitura que deverá se seguir. Essas são algumas estra-
organizadas a partir de uma especificação para uma
generalização. Vejamos um exemplo: tégias de interpretação em que podemos usar méto-
dos dedutivos.
Eu não sou literato, detesto com toda a paixão essa Uma outra dica importante é ler as questões da
espécie de animal. O que observei neles, no tempo
prova antes de ler o texto, pois, assim, suas hipóteses
em que estive na redação do O Globo, foi o bastan-
te para não os amar, nem os imitar. São em geral já estarão agindo conforme um objetivo mais definido.
de uma lastimável limitação de ideias, cheios de O processo de interpretação por estratégias de dedu-
fórmulas, de receitas, só capazes de colher fatos ção envolve a articulação de três tipos de conhecimento:
detalhados e impotentes para generalizar, cur-
vados aos fortes e às ideias vencedoras, e antigas,
adstritos a um infantil fetichismo do estilo e guia- z Conhecimento Linguístico;
dos por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo z Conhecimento Textual;
critério de beleza. z Conhecimento de Mundo.
(BARRETO, 2010, p. 21)
O conhecimento de mundo, por tratar-se de um
O trecho em destaque na citação do escritor Lima assunto mais abrangente, será apresentado por último.
Barreto, em sua obra “Recordações do escrivão Isaías
Veja cada um desses conhecimentos abordados detalha-
Caminha” (1917), identifica bem como o pensamento
indutivo compõe a interpretação e decodificação de damente a seguir.
um texto. Para deixar ainda mais evidente as estraté-
gias usadas para identificar essa forma de interpretar, Conhecimento Linguístico
deixamos a seguir dicas de como buscar a organiza-
ção cronológica de um texto. Esse é o conhecimento basilar para compreensão
e decodificação do texto, envolve o reconhecimento
A propriedade vocabular leva das formas linguísticas estabelecidas socialmente por
o cérebro a aproximar as pa-
PROCURE SINÔNIMOS uma comunidade linguística, ou seja, envolve o reco-
lavras que têm maior asso-
ciação com o tema do texto nhecimento das regras de uma língua.
É importante salientar que as regras de reconhe-
Os conectivos (conjunções,
preposições, pronomes) cimento sobre o funcionamento da língua não são,
ATENÇÃO AOS
são marcadores claros de necessariamente, as regras gramaticais, mas as regras
CONECTIVOS
opiniões, espaços físicos e que estabelecem, por exemplo, no caso da língua por-
localizadores textuais tuguesa, que o feminino é marcado pela desinência -a,
que a ordem de escrita respeita o sistema sujeito-ver-
A DEDUÇÃO
bo-objeto (SVO) etc.
A leitura de um texto envolve a análise de diversos Ângela Kleiman (2016) afirma que o conhecimento
aspectos que o autor pode colocar explicitamente ou de linguístico é aquele que “abrange desde o conhecimento
maneira implícita no enunciado. Em questões de concur- sobre como pronunciar português, passando pelo conhe-
so, as bancas costumam procurar nos enunciados implí-
cimento de vocabulário e regras da língua, chegando até
citos do texto, aspectos para abordar em suas provas.
No momento de ler um texto, o leitor articula seus o conhecimento sobre o uso da língua” (2016, p. 15).
conhecimentos prévios a partir de uma informação Um exemplo em que a interpretação textual é preju-
8 que julga certa, buscando uma interpretação; assim, dicada pelo conhecimento linguístico é o texto a seguir:
Como gemas para financiá-lo, nosso herói desa-
fiou valentemente todos os risos desdenhosos que
tentaram dissuadi-lo de seu plano. “Os olhos enga-
nam” disse ele, “um ovo e não uma mesa tipificam
corretamente esse planeta inexplorado.” Então as
três irmãs fortes e resolutas saíram à procura de
provas, abrindo caminho, às vezes através de imen-
sidões tranquilas, mas amiúde através de picos e
vales turbulentos (KLEIMAN, 2016, p. 24).

Agora tente responder às seguintes perguntas


sobre o texto:
Quem é o herói de que trata o texto?
Quem são as três irmãs?
Qual é o planeta inexplorado?
Certamente, você não conseguiu responder nenhu-
ma dessas questões, porém, ao descobrir o título des-
se texto, sua compreensão sobre essas perguntas será
afetada. O texto se chama “A descoberta da América
por Colombo”. Agora, volte ao texto, releia-o e busque
responder às questões; certamente você não terá mais
as mesmas dificuldades.
Ainda que o texto não tenha sido alterado, ao voltar
Fonte: https://bit.ly/3kCyWoI. Acesso em: 22/09/2020. seus olhos por uma segunda vez a ele, já sabendo do
que se trata, seu cérebro ativou um conhecimento pré-
Como é possível notar, o texto é uma peça publici- vio que é essencial para a interpretação de questões.
tária escrita em inglês, portanto, somente os leitores
proficientes nessa língua serão capazes de decodificar
e entender o que está escrito; assim, o conhecimento
linguístico torna-se crucial para a interpretação. Essa COMPREENSÃO DE TEXTOS
é uma das estratégias de interpretação em que pode- (OBSERVAÇÃO DA ESTRUTURAÇÃO
mos usar métodos dedutivos
SIGNIFICATIVA DOS TEXTOS)
Conhecimento Textual
Ideia Principal e Ideias Secundárias
Esse tipo de conhecimento atrela-se ao conheci-
Em relação à organização das ideias em um tex-
mento linguístico e se desenvolve pela experiência to, podemos seguir por duas linhas de pensamento e
leitora. Quanto maior exposição a diferentes tipos de estudo: a primeira refere-se ao produtor de um texto;
textos, melhor se dá a sua compreensão. Nesse conhe- como o emissor deve organizar suas ideias, estabele-
cimento, o leitor desenvolve sua habilidade porque cer uma hierarquia e uma conexão entre o que deseja
prepara sua leitura de acordo com o tipo de texto que emitir. A segunda diz respeito ao intérprete do texto;
está lendo. Não se lê uma bula de remédio como se lê como interpretar, compreender e responder correta-
uma receita de bolo ou um romance. Não se lê uma mente às questões de interpretação textual.
reportagem como se lê um poema. Para compreender bem um texto, é necessário
Em outras palavras, esse conhecimento relaciona- conseguir interpretar a articulação entre as ideias
-se com a habilidade de reconhecer diferentes tipos de dele. Uma leitura eficiente compreende a ideia geral
que o texto deseja transmitir, e não somente decodifi-
discursos, estruturas, tipos e gêneros textuais.
ca os signos (letras) a fim de formar palavras e frases.
Cada texto apresenta uma intenção e, por trás
Conhecimento de Mundo dela, uma ideia principal – que pode estar implícita
ou explícita – e algumas ideias secundárias, que dão
O uso dos conhecimentos prévios é fundamental suporte à ideia principal. Além disso, é necessário
para a boa interpretação textual, por isso, é sempre identificar a progressão das ideias ao longo do texto e
importante que o candidato a cargos públicos reserve como elas se conectam.
LÍNGUA PORTUGUESA

um tempo para ampliar sua biblioteca e buscar fontes


de informações fidedignas, para, dessa forma, aumen- z Ideias Principais: Apresentam o núcleo do texto,
tar seu conhecimento de mundo. a mensagem primordial que o remetente/emissor
Conforme Kleiman (2016), durante a leitura, nosso deseja transmitir. Não existe texto sem uma ideia
conhecimento de mundo que é relevante para a com- principal, ou seja, sem um núcleo que norteie todo
o restante da mensagem; o sentido e a coerência do
preensão textual é ativado; por isso, é natural ao nosso
texto dependem desse recurso para serem alcan-
cérebro associar informações, a fim de compreender
çados. A ideia principal não precisa estar explícita
o novo texto que está em processo de interpretação. no texto, e não é, necessariamente, a primeira a ser
A esse respeito, a autora propõe o seguinte exer- exposta, no entanto, é compreendida ao longo da
cício para atestarmos a importância da ativação do leitura através de recursos linguísticos e dos sinais
conhecimento de mundo em um processo de interpre- que o emissor coloca no texto. Ela concede lógica
tação. Leia o texto a seguir e faça o que se pede: ao texto e permite a construção do mesmo; 9
z Ideias Secundárias: Ao longo do discurso, o emis- z Artigos definidos: o, os; a, as;
sor utiliza recursos e argumentos para apresentar z Artigos indefinidos: um, uns; uma, umas.
a ideia principal; esses recursos são as ideias se-
cundárias. Elas são ligadas por conectores, como Os artigos podem ser combinados às preposições.
advérbios e conjunções, e seguem uma ideia ló- São as chamadas contrações. Algumas contrações
gica e sequencial ao longo do texto. Quanto mais comuns na língua são:
ideias secundárias são apresentadas, mais fácil
torna-se compreender a ideia principal e a inten- z em + a = na;
cionalidade do discurso, pois as ideias secundárias z a + o = ao;
levam o leitor à ideia principal. z a + a = à;
z de + a = da.
As ideias secundárias podem ser apresentadas
através de alguns métodos. Entre eles, temos: Dica
„ Sinônimos ou ideias sinônimas: Por meio de Toda palavra determinada por um artigo torna-
ideias ou palavras correlacionadas, é possível -se um substantivo. Ex.: o não, o porquê, o cuidar
reforçar a ideia principal; etc.
„ Antônimos: A apresentação de antônimos ou
ideias contrárias reforça no entendimento do NUMERAIS
leitor o que não é a ideia principal e no que ela
consiste; São palavras que se relacionam diretamente ao
„ Exemplificação: Por meio de exemplos, ca- substantivo, inferindo ideia de quantidade ou posi-
sos reais ou dados estatísticos, o leitor pode ção. Os numerais podem ser:
compreender melhor do que se trata a ideia
principal. z Cardinais: Indicam quantidade em si. Ex.: Dois
potes de sorvete; zero coisas a comprar; ambos os
meninos eram bons em português;
z Ordinais: Indicam a ordem de sucessão de uma
série. Ex.: Foi o segundo colocado do concurso; che-
ESTUDO DAS CLASSES DE PALAVRAS
gou em último/penúltimo/antepenúltimo lugar;
EM SEU EMPREGO TEXTUAL, OU z Multiplicativos: Indicam o número de vezes pelo
SEJA, PERCEPÇÃO DO SEU PAPEL NA qual determinada quantidade é multiplicada. Ex.:
Ele ganha o triplo no novo emprego;
CONSTRUÇÃO DOS VÁRIOS TEXTOS z Fracionários: Indicam frações, divisões ou dimi-
nuições proporcionais em quantidade. Ex.: Tomou
INTRODUÇÃO
um terço de vinho; o copo estava meio cheio; ele
recebeu metade do pagamento.
A palavra morfologia refere-se ao estudo das for-
mas; por isso, o termo é utilizado por linguistas e tam-
Podemos encontrar ainda os numerais coletivos,
bém por médicos, que estudam as formas dos órgãos
isto é, designam um conjunto, porém expressam uma
e suas funções. quantidade exata de seres/conceitos. Veja:
Analogamente, para compreender bem as funções Dúzia: conjunto de doze unidades;
de uma forma, seja ela uma palavra, seja um órgão, Novena: período de nove dias;
precisamos conhecer como essa forma se classifica e Década: período de dez anos;
como se organiza. Século: período de cem anos;
Por isso, em língua portuguesa, estudamos as Bimestre: período de dois meses.
formas das palavras na morfologia, que organiza as
classes das palavras em dez categorias. A seguir, estu- Um: numeral ou artigo?
daremos detalhadamente cada uma delas e também
veremos um “bônus” para seus estudos: as palavras A forma um pode assumir na língua a função de
denotativas, atualmente, muito cobradas por bancas artigo indefinido ou de numeral cardinal; então, como
exigentes. podemos reconhecer cada função? É preciso observar
o contexto em uso. Observe:
ARTIGOS
z Durante a votação, houve um deputado que se
Os artigos devem concordar em gênero e número posicionou contra o projeto.
com os substantivos. São, por isso, considerados deter- z Durante a votação, apenas um deputado se posi-
minantes dos substantivos. cionou contra o projeto.
Essa classe está dividida em artigos definidos e
artigos indefinidos. Os definidos funcionam como Na primeira frase, podemos substituir o termo um
determinantes objetivos, individualizando a palavra, por uma, realizando as devidas alterações sintáticas, e
já os indefinidos funcionam como determinantes o sentido será mantido, pois o que se pretende defen-
imprecisos. der é que a espécie do indivíduo que se posicionou
O artigo definido — o — e o artigo indefinido — contra o projeto é um deputado e não uma deputada,
um —variam em gênero e número, tornando-se “os, por exemplo.
a, as”, para os definidos, e “uns, uma, umas”, para os Já na segunda oração, a alteração do gênero não
10 indefinidos. Assim, temos: implicaria em mudanças no sentido, pois o que se
pretende indicar é que o projeto foi rejeitado por UM Flexão de Gênero
deputado, marcando a quantidade.
Outra forma de notarmos a diferença é ficarmos Os gêneros do substantivo são masculino e
atentos com a aparição das expressões adverbiais, o feminino.
que sempre fará com que a palavra “um” seja numeral. Porém, alguns deles admitem apenas uma forma
Ainda sobre os numerais, atente-se às dicas a seguir: para os dois gêneros. São, por isso, chamados de uni-
formes. Os substantivos uniformes podem ser:
z Sobre o numeral milhão/milhares, é importante
destacar que sua forma é masculina. Logo, a con- z Comuns-de-dois-gêneros: Designam seres huma-
cordância com palavras femininas é inaceitável nos e sua diferença é marcada pelo artigo. Ex.: O
pela gramática. pianista / a pianista; O gerente / a gerente; O clien-
te / a cliente; O líder / a líder;
Errado: As milhares de vacinas chegaram hoje. z Epicenos: Designam geralmente animais que
Correto: Os milhares de vacina chegaram hoje. apresentam distinção entre masculino e feminino,
mas a diferença é marcada pelo uso do adjetivo
z A forma 14 por extenso apresenta duas formas macho ou fêmea. Ex.: cobra macho / cobra fêmea;
aceitas pela norma gramatical: catorze e quatorze. onça macho / onça fêmea; gambá macho / gambá
fêmea; girafa macho / girafa fêmea;
SUBSTANTIVOS z Sobrecomuns: Designam seres de forma geral e
não são distinguidos por artigo ou adjetivo; o gêne-
Os substantivos classificam os seres em geral. Uma ro pode ser reconhecido apenas pelo contexto. Ex.:
característica básica dessa classe é admitir um deter- A criança; O monstro; A testemunha; O indivíduo.
minante — artigo, pronome etc. Os substantivos fle-
xionam-se em gênero, número e grau. Já os substantivos biformes designam os substan-
tivos que apresentam duas formas para os gêneros
Tipos de Substantivos masculino ou feminino. Ex.: professor/professora.
Destacamos que alguns substantivos apresentam
A classificação dos substantivos admite nove tipos formas diferentes nas terminações para designar for-
diferentes. São eles: mas diferentes no masculino e no feminino:
Ex.: Ator/atriz; Ateu/ ateia; Réu/ré.
z Simples: Formados a partir de um único radical. Outros substantivos modificam o radical para
Ex.: vento, escola; designar formas diferentes no masculino e no femini-
z Composto: Formados pelo processo de justaposi- no. Estes são chamados de substantivos heteroformes:
ção. Ex.: couve-flor, aguardente; Ex.: Pai/mãe; Boi/vaca; Genro/nora.
z Primitivo: Possibilitam a formação de um novo
substantivo. Ex.: pedra, dente; Gênero e Significação
z Derivado: Formados a partir dos derivados. Ex.:
Alguns substantivos uniformes podem aparecer
pedreiro, dentista;
com marcação de gênero diferente, ocasionando uma
z Concreto: Designam seres com independência
modificação no sentido. Veja, por exemplo:
ontológica, ou seja, um ser que existe por si, inde-
pendentemente de sua conotação espiritual ou
z A testemunha: Pessoa que presenciou um crime;
real. Ex.: Maria, gato, Deus, fada, carro;
z O testemunho: Relato de experiência, associado a
z Abstrato: Indicam estado, sentimento, ação, qua-
religiões.
lidade. Os substantivos abstratos existem apenas
em função de outros seres. A feiura, por exemplo, Algumas formas substantivas mantêm o radical e
depende de uma pessoa, um substantivo concreto a pequena alteração no gênero do artigo interfere no
a quem esteja associada. Ex.: chute, amor, cora- significado:
gem, liberalismo, feiura;
z Comum: Designam todos os seres de uma espécie. z O cabeça: chefe / a cabeça: membro o corpo;
Ex.: homem, cidade; z O moral: ânimo / a moral: costumes sociais;
z Próprio: Designam uma determinada espécie. Ex.:
LÍNGUA PORTUGUESA

z O rádio: aparelho / a rádio: estação de transmissão.


Pedro, Fortaleza;
z Coletivo: Usados no singular, designam um conjun- Além disso, algumas palavras na língua causam
to de uma mesma espécie. Ex: pinacoteca, manada. dificuldade na identificação do gênero, pois são usa-
das em contextos informais com gêneros diferentes.
É importante destacar que a classificação de um Alguns exemplos são: a alface; a cal; a derme; a libido;
substantivo depende do contexto em que ele está inse- a gênese; a omoplata / o guaraná; o formicida; o tele-
rido. Vejamos: fonema; o trema.
Judas foi um apóstolo. (Judas como nome de uma Algumas formas que não apresentam, necessaria-
pessoa = Próprio); mente, relação com o gênero, são admitidas tanto no
O amigo mostrou-se um judas (judas significando masculino quanto no feminino: O personagem / a per-
traidor = comum). sonagem; O laringe / a laringe; O xerox / a xerox. 11
Flexão de Número Variação de Grau

Os substantivos flexionam-se em número, de A flexão de grau dos substantivos exprime a varia-


maneira geral, pelo acréscimo do morfema -s. Ex.: ção de tamanho dos seres, indicando um aumento ou
Casa / casas. uma diminuição.
Porém, podem apresentar outras terminações:
males, reais, animais, projéteis etc. z Grau aumentativo: Quando o acréscimo de sufi-
Geralmente, devemos acrescentar -es ao singular xos aos substantivos indicar um aumento de
tamanho.
das formas terminadas em R ou Z, como: flor / flores;
paz / pazes. Porém, há exceções, como a palavra mal,
Ex.: bocarra, homenzarrão, gatarrão, cabeçorra,
terminada em L e que tem como plural “males”.
fogaréu, boqueirão, poetastro;
Já os substantivos terminados em AL, EL, OL, UL
fazem plural trocando-se o L final por -is. Ex.: coral / z Grau diminutivo: Exprime, ao contrário do aumen-
corais; papel / papéis; anzol / anzóis. tativo, a diminuição do tamanho/proporção do ser.
Entretanto, também há exceções. Ex.: a forma
mel apresenta duas formas de plural aceitas: meles Ex.: fontinha, lobacho, casebre, vilarejo, saleta,
e méis. pequenina, papelucho.
Geralmente, as palavras terminadas em -ão fazem
plural com o acréscimo do -s ou pelo acréscimo de -es. Dica
Ex.: capelães, capitães, escrivães.
Contudo, há substantivos que admitem até três O emprego do grau aumentativo ou diminutivo
formas de plural, como os seguintes: dos substantivos pode alterar o sentido das pala-
vras, podendo assumir um valor:
z Ermitão: ermitãos, ermitões, ermitães; Afetivo: filhinha / mãezona;
z Ancião: anciãos, anciões, anciães; Pejorativo: mulherzinha / porcalhão.
z Vilão: vilãos, vilões, vilães.
O Novo Acordo Ortográfico e o Uso de Maiúsculas
Podemos, ainda, associar às palavras paroxítonas
O novo acordo ortográfico estabelece novas regras
que terminam em -ão o acréscimo do -s. Ex.: órgão /
para o uso de substantivos próprios, exigindo o uso da
órgãos; órfão / órfãos.
inicial maiúscula.
Dessa forma, devemos usar com letra maiúscula as
Plural dos Substantivos Compostos
inicias das palavras que designam:

Os substantivos compostos são aqueles formados z Nomes, sobrenomes e apelidos de pessoas


por justaposição. O plural dessas formas obedece às reais ou imaginárias. Ex.: Gabriela, Silva, Xuxa,
seguintes regras: Cinderela;
z Nomes de cidades, países, estados, continentes
z Variam os dois elementos: etc., reais ou imaginários. Ex.: Belo Horizonte,
Ceará, Nárnia, Londres;
Substantivo + substantivo. Ex.: mestre-sala / mes- z Nomes de festividades. Ex.: Carnaval, Natal, Dia
tres -salas; das Crianças;
Substantivo + adjetivo. Ex.: guarda-noturno / guar- z Nomes de instituições e entidades. Ex.: Embai-
das -noturnos; xada do Brasil, Ministério das Relações Exteriores,
Adjetivo + substantivo. Ex.: boas-vindas; Gabinete da Vice-presidência, Organização das
Numeral + substantivo. Ex.: terça-feira / terças Nações Unidas;
-feiras. z Títulos de obras. Ex.: Memórias póstumas de Brás
Cubas. Caso a obra apresente em seu título um
z Varia apenas um elemento: nome próprio, como no exemplo dado, este tam-
bém deverá ser escrito com inicial maiúscula;
Substantivo + preposição + substantivo. Ex.: z Nomenclatura legislativa especificada. Ex.: Lei
canas-de-açúcar; de Diretrizes e Bases da Educação (LDB);
z Períodos e eventos históricos. Ex.: Revolta da
Substantivo + substantivo com função adjetiva.
Vacina, Guerra Fria, Segunda Guerra Mundial;
Ex.: navios-escola.
z Nome dos pontos cardeais e equivalentes. Ex.:
Palavra invariável + palavra invariável. Ex.:
Norte, Sul, Leste, Oeste, Nordeste, Sudeste, Oriente,
abaixo-assinados.
Ocidente. Importante: os pontos cardeais são gra-
Verbo + substantivo. Ex.: guarda-roupas. fados com maiúsculas apenas quando utilizados
Redução + substantivo. Ex.: bel-prazeres. indicando uma região. Ex.: Este ano vou conhecer
Destacamos, ainda, que os substantivos compostos o Sul (O Sul do Brasil); quando utilizados indican-
formados por do uma direção, devem ser escritos com minúscu-
verbo + advérbio las. Ex.: Correu a América de norte a sul;
verbo + substantivo plural z Siglas, símbolos ou abreviaturas. Ex.: ONU, INSS,
12 ficam invariáveis. Ex.: Os bota-fora; os saca-rolha. Unesco, Sr., S (Sul), K (Potássio).
Atente-se ao seguinte: Em palavras com hífen, Adjetivo de Relação
pode-se optar pelo uso de maiúsculas ou minúsculas.
Portanto, são aceitas as formas Vice-Presidente, Vice- No estudo dos adjetivos, é fundamental conhecer
-presidente e vice-presidente; porém, é preciso man- o aspecto morfológico designado como “adjetivo de
ter a mesma forma em todo o texto. Já nomes próprios relação”, muito cobrado por bancas de concursos.
compostos por hífen devem ser escritos com as iniciais Para identificar um adjetivo de relação, observe as
maiúsculas, como em Grã-Bretanha e Timor-Leste. seguintes características:

ADJETIVOS z Seu valor é objetivo, não podendo, portanto, apre-


sentar meios de subjetividade. Ex.: Em “Menino
Os adjetivos associam-se aos substantivos, garan- bonito”, o adjetivo não é de relação, já que é sub-
tindo a estes um significado mais preciso. Os adjetivos jetivo, pois a beleza do menino depende dos olhos
podem indicar: de quem o descreve;
z Posição posterior ao substantivo: Os adjetivos de
z Qualidade: professor chato; relação sempre são posicionados após o substanti-
z Estado: aluno triste; vo. Ex.: Casa paterna, mapa mundial.
z Aspecto, aparência: estrada esburacada. z Derivado do substantivo: Derivam-se do substan-
tivo por derivação prefixal ou sufixal. Ex.: paternal
Locuções Adjetivas — pai; mundial — mundo;
z Não admitem variação de grau: os graus com-
As locuções adjetivas apresentam o mesmo valor parativo e superlativo não são admitidos. Ex.:
dos adjetivos, indicando as mesmas características Não pode ser mapa “mundialíssimo” ou “pouco
deles. mundial”.
Elas são formadas por preposição + substantivo,
referindo-se a outro substantivo ou expressão subs- Alguns exemplos de adjetivos relativos: Presiden-
tantivada, atribuindo-lhe o mesmo valor adjetivo. te americano (não é subjetivo; posicionado após o
A seguir, colocamos diferentes locuções adjeti- substantivo; derivado de substantivo; não existe a
vas ao lado da forma adjetiva, importantes para seu forma variada em grau “americaníssimo”); platafor-
estudo: ma petrolífera; economia mundial; vinho francês;
roteiro carnavalesco.
z Voo de águia / aquilino;
z Poder de aluno / discente; Variação de Grau
z Conselho de professores / docente;
z Cor de chumbo / plúmbea; O adjetivo pode variar em dois graus: compara-
z Luz da lua / lunar; tivo ou superlativo. Cada um deles apresenta suas
z Sangue de baço / esplênico; respectivas categorias.
z Nervo do intestino / celíaco ou entérico;
z Noite de inverno / hibernal ou invernal. z Grau comparativo: Exprime a característica de
um ser, comparando-o com outro da mesma classe
É importante destacar que, mais do que “decorar” nos seguintes sentidos:
formas adjetivas e suas respectivas locuções, é fun-
damental reconhecer as principais características de „ Igualdade: Compara elementos colocando-os
uma locução adjetiva: caracterizar o substantivo e em um mesmo patamar. Igual a, como, tanto
apresentar valor de posse. quanto, tão quanto. Ex.: Somos tão complexos
Ex.: Viu o crime pela abertura da porta; quanto simplórios;
A abertura de conta pode ser realizada on-line. „ Superioridade: Compara, evidenciando um
Quando a locução adjetiva é composta pela prepo- elemento como superior ao outro. Mais do que,
sição “de”, pode ser confundida com a locução adver- melhor do que. Ex.: O amor é mais suficiente
bial. Nesse caso, para diferenciá-las, é importante do que o dinheiro;
perceber que a locução adjetiva apresenta valor de „ Inferioridade: Compara, evidenciando um ele-
posse, pois, nesse caso, o meio usado pelo sujeito para mento como inferior ao outro. Menos do que,
ver “o crime”, indicado na frase, foi pela abertura da pior do que. Ex.: Homens são menos engajados
porta. Além disso, a locução destacada está caracteri- do que mulheres.
zando o substantivo “abertura”.
Já na segunda frase, a locução destacada é adver-
z Grau superlativo: Em relação ao grau superlati-
LÍNGUA PORTUGUESA

bial, pois quem sofre a “ação” de ser aberta é a “con-


vo, é importante considerar que o valor semântico
ta”, o que indica o valor de passividade da locução,
desse grau apresenta variações, podendo indicar:
demonstrando seu caráter adverbial.
As locuções adjetivas também desempenham fun-
ção de adjetivo e modificam substantivos, pronomes, „ Característica de um ser elevada ao último
numerais e orações substantivas. grau: Superlativo absoluto, que pode ser analí-
Ex.: Amor de mãe; Café com açúcar. tico (associado ao advérbio) ou sintético (asso-
Subst. — loc. adj. / subst. — loc. adj. ciação de prefixo ou sufixo ao adjetivo).
Já as locuções adverbiais desempenham função de
advérbio. Modificam advérbios, verbos, adjetivos e Ex.: O candidato é muito humilde (Superlativo
orações adjetivas com esses valores. absoluto analítico).
Ex.: Morreu de fome; Agiu com rapidez. O candidato é humílimo (Superlativo absoluto
Verbo — loc. adv. / verbo — loc. adv. sintético); 13
„ Característica de um ser relacionada com outros indivíduos da mesma classe: Superlativo relativo,
que pode ser de superioridade (o mais) ou de inferioridade (o menos).

Ex.: O candidato é o mais humilde dos concorrentes? (Superlativo relativo de superioridade).


O candidato é o menos preparado entre os concorrentes à prefeitura (Superlativo relativo de inferioridade).
Importante! Ao compararmos duas qualidades de um mesmo ser, devemos empregar a forma analítica (mais
alta, mais magra, mais bonito etc.).
Ex.: A modelo é mais alta que magra.
Porém, se uma mesma característica referir-se a seres diferentes, empregamos a forma sintética (melhor,
pior, menor etc.).
Ex.: Nossa sala é menor que a sala da diretoria.

Formação dos Adjetivos

Os adjetivos podem ser primitivos, derivados, simples ou compostos.

z Primitivos: Adjetivos que não derivam de outras palavras. A partir deles, é possível formar novos termos. Ex.:
útil, forte, bom, triste, mau etc.;
z Derivados: São palavras que derivam de verbos ou substantivos. Ex.: bondade, lealdade, mulherengo etc.;
z Simples: Apresentam um único radical. Ex.: português, escuro, honesto etc.;
z Compostos: Formados a partir da união de dois ou mais radicais. Ex.: verde-escuro, luso-brasileiro, amarelo-
-ouro etc.

Dica

O plural dos adjetivos simples é realizado da mesma forma que o plural dos substantivos.

Plural dos Adjetivos Compostos

O plural dos adjetivos compostos segue as seguintes regras:

z Invariável:

„ Adjetivos compostos por azul-marinho, azul-celeste, azul-ferrete;


„ Locuções formadas de cor + de + substantivo, como em cor-de-rosa, cor-de-cáqui;
„ Adjetivo + substantivo, como tapetes azul-turquesa, camisas amarelo-ouro.

z Varia o último elemento:

„ Primeiro elemento é palavra invariável, como em mal-educados, recém-formados;


„ Adjetivo + adjetivo, como em lençóis verde-claros, cabelos castanho-escuros.

Adjetivos Pátrios

Os adjetivos pátrios, também conhecidos como gentílicos, designam a naturalidade ou nacionalidade de seres
e objetos.
O sufixo -ense, geralmente, designa a origem de um ser relacionada a um estado brasileiro. Ex.: amazonense,
fluminense, cearense.
Curiosidade: O adjetivo pátrio “brasileiro” é formado com o sufixo -eiro, que é costumeiramente usado para
designar profissões. O gentílico que designa nossa nacionalidade teve origem com as pessoas que comercializavam
14 o pau-brasil; esse ofício dava-lhes a alcunha de “brasileiros”, termo que passou a indicar os nascidos em nosso país.
Veja a seguir alguns dos adjetivos pátrios de nosso país:

ADVÉRBIOS

Advérbios são palavras invariáveis que modificam um verbo, adjetivo ou outro advérbio. Em alguns casos, os
advérbios também podem modificar uma frase inteira, indicando circunstância.
As gramáticas da língua portuguesa apresentam listas extensas com as funções dos advérbios; porém, decorar
as funções dos advérbios, além de desgastante, pode não ter o resultado esperado na resolução de questões de
concurso.
Dessa forma, sugerimos que você fique atento às principais funções designadas aos advérbios para, a partir
LÍNGUA PORTUGUESA

delas, conseguir interpretar a função exercida nos enunciados das questões que tratem dessa classe de palavras.
Ainda assim, julgamos pertinente apresentar algumas funções basilares exercidas pelo advérbio:

z Dúvida: Talvez, caso, porventura, quiçá etc.;


z Intensidade: Bastante, bem, mais, pouco etc.;
z Lugar: Ali, aqui, atrás, lá etc.;
z Tempo: Jamais, nunca, agora etc.;
z Modo: Assim, depressa, devagar etc.

Novamente, chamamos sua atenção para a função que o advérbio deve exercer na oração. Como dissemos,
essas palavras modificam um verbo, um adjetivo ou um outro advérbio; por isso, para identificar com mais pro-
priedade a função denotada pelos advérbios, é preciso perguntar: Como? Onde? Por quê? 15
As respostas sempre irão indicar circunstâncias adverbiais expressas por advérbios, locuções adverbiais ou
orações adverbiais.
Vejamos como podemos identificar a classificação/função adequada dos advérbios:

z O homem morreu... de fome (causa) com sua família (companhia) em casa (lugar) envergonhado (modo).
z A criança comeu... demais (intensidade) ontem (tempo) com garfo e faca (instrumento) às claras (modo).

Locuções Adverbiais

Conjunto de duas ou mais palavras que pode desempenhar a função de advérbio, alterando o sentido de um
verbo, adjetivo ou advérbio.
A maioria das locuções adverbiais é formada por uma preposição e um substantivo. Há também as que são
formadas por preposição + adjetivos ou advérbios. Veja alguns exemplos:

z Preposição + substantivo: de novo. Ex.: Você poderia me explicar de novo? (de novo = novamente);
z Preposição + adjetivo: em breve. Ex.: Em breve, o filme estará em cartaz (em breve = brevemente);
z Preposição + advérbio: por ali. Ex.: Acho que ele foi por ali.

As locuções adverbiais são bem semelhantes às locuções adjetivas. É importante saber que as locuções adver-
biais apresentam um valor passivo.
Ex.: Ameaça de colapso. Nesse exemplo, o termo em negrito é uma locução adverbial, pois o valor é de passi-
vidade, ou seja, se invertemos a ordem e inserirmos um verbo na voz passiva, a frase manterá seu sentido. Veja:
Colapso foi ameaçado. Essa frase faz sentido e apresenta valor passivo, logo, sem o verbo, a locução destaca-
da anteriormente é adverbial.
Ainda sobre esse assunto, perceba que em locuções como esta: “Característica da nação”, o termo destacado
não terá o mesmo valor passivo, pois não aceitará a inserção de um verbo com essa função:
Nação foi característica*. Essa frase quebra a estrutura gramatical da língua portuguesa, que não admite voz
passiva em termos com função de posse (caso das locuções adjetivas). Isso torna tal estrutura agramatical; por
isso, inserimos um asterisco para indicar essa característica.

Dica
Locuções adverbiais apresentam valor passivo.
Locuções adjetivas apresentam valor de posse.

Com essas dicas, esperamos que você seja capaz de diferenciar essas locuções em questões. Buscamos desen-
volver seu aprendizado para que não seja preciso gastar seu tempo decorando listas de locuções adverbiais.
Lembre-se: o sentido está no texto.

Advérbios Interrogativos

Os advérbios interrogativos são, muitas vezes, confundidos com pronomes interrogativos. Para evitar essa
confusão, devemos saber que os advérbios interrogativos introduzem uma pergunta, exprimindo ideia de tempo,
modo ou causa.
Ex.: Como foi a prova?
Quando será a prova?
Onde será realizada a prova?
Por que a prova não foi realizada?
De maneira geral, as palavras como, onde, quando e por que são advérbios interrogativos, pois não substi-
tuem nenhum nome de ser (vivo), exprimindo ideia de modo, lugar, tempo e causa.

Grau do Advérbio

Assim como os adjetivos, os advérbios podem ser flexionados nos graus comparativo e superlativo.
Vejamos as principais mudanças sofridas pelos advérbios quando flexionados em grau:

NORMAL SUPERIORIDADE INFERIORIDADE IGUALDADE


Bem Melhor (mais bem*) - Tão bem

GRAU COMPARATIVO Mal Pior (mais mal*) - Tão mal


Muito Mais - -
Pouco Menos - -
16
Obs.: As formas “mais bem” e “mais mal” são aceitas quando acompanham o particípio verbal.

ABSOLUTO ABSOLUTO
NORMAL RELATIVO
SINTÉTICO ANALÍTICO
Bem Otimamente Muito bem Inferioridade
GRAU -
SUPERLATIVO Mal Pessimamente Muito mal Superioridade
-
Muito Muitíssimo - Superioridade: o mais
Pouco Pouquíssimo - Superioridade: o menos

Advérbios e Adjetivos

O adjetivo é uma classe de palavras variável. Porém, quando se refere a um verbo, ele fica invariável, confun-
dindo-se com o advérbio.
Nesses casos, para ter certeza de qual é a classe da palavra, basta tentar colocá-la no feminino ou no plural;
caso a palavra aceite uma dessas flexões, será adjetivo.
Ex.: O homem respondeu feliz à esposa.
Os homens responderam felizes às esposas.
Como “feliz” aceitou a flexão para o plural, trata-se de um adjetivo.
Agora, acompanhe o seguinte exemplo:
Ex.: A cerveja que desce redondo.
As cervejas que descem redondo.
Nesse caso, como a palavra continua invariável, trata-se de um advérbio.

Palavras Denotativas

São termos que apresentam semelhança com os advérbios; em alguns casos, são até classificados como tal, mas
não exercem função modificadora de verbo, adjetivo ou advérbio.
Sobre as palavras denotativas, é fundamental saber identificar o sentido a elas atribuído, pois, geralmente, é
isso que as bancas de concurso cobram.

z Eis: Sentido de designação;


z Isto é, por exemplo, ou seja: Sentido de explicação;
z Ou melhor, aliás, ou antes: Sentido de ratificação;
z Somente, só, salvo, exceto: Sentido de exclusão;
z Além disso, inclusive: Sentido de inclusão.

Além dessas expressões, há, ainda, as partículas expletivas ou de realce, geralmente formadas pela forma
ser + que (é que). A principal característica dessas palavras é que elas podem ser retiradas sem causar prejuízo
sintático ou semântico à frase.
Ex.: Eu é que faço as regras / Eu faço as regras.
Outras palavras denotativas expletivas são: lá, cá, não, é porque etc.

Algumas Observações Interessantes

z O adjunto adverbial sempre deve vir posicionado após o verbo ou complemento verbal. Caso venha deslocado,
em geral, separamos por vírgulas.
Ex.: Na reunião de ontem, o pedido foi aprovado (O pedido foi aprovado na reunião de ontem);
LÍNGUA PORTUGUESA

z Em uma sequência de advérbios terminados com o sufixo -mente, apenas o último elemento recebe a termi-
nação destacada.
Ex.: A questão precisa ser pensada política e socialmente.

PRONOMES

Pronomes são palavras que representam ou acompanham um termo substantivo. Dessa forma, a função dos
pronomes é substituir ou determinar uma palavra. Eles indicam pessoas, relações de posse, indefinição, quanti-
dade, localização no tempo, no espaço e no meio textual, entre outras funções.
Os pronomes exercem papel importante na análise sintática e também na interpretação textual, pois colabo-
ram para a complementação de sentido de termos essenciais da oração, além de estruturar a organização textual,
contribuindo para a coesão e também para a coerência de um texto. 17
Pronomes Pessoais

Os pronomes pessoais designam as pessoas do discurso. Acompanhe a tabela a seguir, com mais informações
sobre eles:

PESSOAS PRONOMES DO CASO RETO PRONOMES DO CASO OBLÍQUO


1º pessoa do singular Eu Me, mim, comigo
2º pessoa do singular Tu Te, ti, contigo
Se, si, consigo
3º pessoa do singular Ele/Ela
o, a, lhe
1ª pessoa do plural Nós Nos, conosco
2º pessoa do plural Vós Vos, convosco
Se, si, consigo
3º pessoa do plural Eles/Elas
os, as, lhes

Os pronomes pessoais do caso reto costumam substituir o sujeito.


Ex.: Pedro é bonito / Ele é bonito.

Já os pronomes pessoais oblíquos costumam funcionar como complemento verbal ou adjunto.


Ex.: Eu a vi com o namorado; Maura saiu comigo.

z Os pronomes que estarão relacionados ao objeto direto são: O, a, os, as, me, te, se, nos, vos.
Ex.: Informei-o sobre todas as questões;
z Já os que se relacionam com o objeto indireto são: Lhe, lhes, (me, te, se, nos, vos – complementados por
preposição).
Ex.: Já lhe disse tudo (disse tudo a ele).

Lembre-se de que todos os pronomes pessoais são pronomes substantivos.


Além disso, é importante saber que “eu” e “tu” não podem ser regidos por preposição e que os pronomes
“ele(s)”, “ela(s)”, “nós” e “vós” podem ser retos ou oblíquos, dependendo da função que exercem.
Os pronomes oblíquos tônicos são precedidos de preposição e costumam ter função de complemento:

z 1ª pessoa: Mim, comigo (singular); nós, conosco (plural);


z 2ª pessoa: Ti, contigo (singular); vós, convosco (plural);
z 3ª pessoa: Si, consigo (singular ou plural); ele(s), ela(s).

Não devemos usar pronomes do caso reto como objeto ou complemento verbal, como em “mate ele”. Contudo,
o gramático Celso Cunha destaca que é possível usar os pronomes do caso reto como complemento verbal, desde
que antecedidos pelos vocábulos “todos”, “só”, “apenas” ou “numeral”.
Ex.: Encontrei todos eles na festa. Encontrei apenas ela na festa.
Após a preposição “entre”, em estrutura de reciprocidade, devemos usar os pronomes oblíquos tônicos.
Ex.: Entre mim e ele não há segredos.

Pronomes de Tratamento

Os pronomes de tratamento são formas que expressam uma hierarquia social institucionalizada linguistica-
mente. As formas de pronomes de tratamento apresentam algumas peculiaridades importantes:

z Vossa: Designa a pessoa a quem se fala (relativo à 2ª pessoa). Apesar disso, os verbos relacionados a esse pro-
nome devem ser flexionados na 3ª pessoa do singular.

Ex.: Vossa Excelência deve conhecer a Constituição;

z Sua: Designa a pessoa de quem se fala (relativo à 3ª pessoa).

Ex.: Sua Excelência, o presidente do Supremo Tribunal, fará um pronunciamento hoje à noite.

Os pronomes de tratamento estabelecem uma hierarquia social na linguagem, ou seja, a partir das formas
usadas, podemos reconhecer o nível de discurso e o tipo de poder instituídos pelos falantes.
Por isso, alguns pronomes de tratamento só devem ser utilizados em contextos cujos interlocutores sejam
reconhecidos socialmente por suas funções, como juízes, reis, clérigos, entre outras.
Dessa forma, apresentamos alguns pronomes de tratamento, seguidos de sua abreviatura e das funções sociais
que designam:

z Vossa Alteza (V. A.): Príncipes, duques, arquiduques e seus respectivos femininos;
z Vossa Eminência (V. Ema.): Cardeais;
z Vossa Excelência (V. Exa.): Autoridades do governo e das Forças Armadas membros do alto escalão;
18 z Vossa Majestade (V. M.): Reis, imperadores e seus respectivos femininos;
z Vossa Reverendíssima (V. Rev. Ma.): Sacerdotes; A palavra bastante frequentemente gera dúvida
z Vossa Senhoria (V. Sa.): Funcionários públicos gra- quanto a ser advérbio, adjetivo ou pronome indefini-
duados, oficiais até o posto de coronel, tratamento do. Por isso, atente-se ao seguinte:
cerimonioso a comerciantes importantes;
z Vossa Santidade (V. S.): Papa; z Bastante (advérbio): Será invariável e equivalen-
z Vossa Excelência Reverendíssima (V. Exa. Rev- te ao termo “muito”.
ma.): Bispos.
Ex.: Elas são bastante famosas.
Os exemplos apresentados fazem referência a pro-
nomes de tratamento e suas respectivas designações z Bastante (adjetivo): Será variável e equivalente
sociais conforme indica o Manual de Redação oficial ao termo “suficiente”.
da Presidência da República. Portanto, essas designa-
ções devem ser seguidas com atenção quando o gêne- Ex.: A comida e a bebida não foram bastantes para
ro textual abordado for um gênero oficial. a festa.
Ainda sobre o assunto, veja algumas observações:
z Bastante (pronome indefinido): Concorda com
z Sobre o uso das abreviaturas das formas de tra- o substantivo, indicando grande, porém incerta,
tamento é importante destacar que o plural de quantidade de algo.
algumas abreviaturas é feito com letras dobradas,
como: V. M. / VV. MM.; V. A. / VV. AA. Porém, na Ex.: Bastantes bancos aumentaram os juros.
maioria das abreviaturas terminadas com a letra
a, o plural é feito com o acréscimo do s: V. Exa. / V. Pronomes Demonstrativos
Exas.; V. Ema. / V.Emas.;
z O tratamento adequado a Juízes de Direito é Meri- Os pronomes demonstrativos indicam a posição e
apontam elementos a que se referem as pessoas do
tíssimo Juiz;
discurso (1ª, 2ª e 3ª). Essa posição pode ser designa-
z O tratamento dispensado ao Presidente da Repú-
da por eles no tempo, no espaço físico ou no espaço
blica nunca deve ser abreviado.
textual.
Pronomes Indefinidos
z 1ª pessoa: Este, estes / Esta, estas;
z 2ª pessoa: Esse, esses / Essa, essas;
Os pronomes indefinidos indicam quantidade de z 3ª pessoa: Aquele, aqueles / Aquela, aquelas;
maneira vaga e sempre devem ser utilizados na 3ª z Invariáveis: Isto, isso, aquilo.
pessoa do discurso. Os pronomes indefinidos podem
variar e podem ser invariáveis. Observe a seguinte Usamos este, esta, isto para indicar:
tabela:
z Referência ao espaço físico, indicando a proximi-
PRONOMES INDEFINIDOS1 dade de algo ao falante.
Variáveis Invariáveis
Algum, alguma, alguns, algumas Alguém Ex.: Esta caneta aqui é minha. Entreguei-lhe isto
como prova.
Nenhum, nenhuma, nenhuns, Ninguém
nenhumas z Referência ao tempo presente.
Todo, toda, todos, todas Quem
Outro, outra, outros, outras Outrem Ex.: Esta semana começarei a dieta. Neste mês,
pagarei a última prestação da casa.
Muito, muita, muitos, muitas Algo
Pouco, pouca, poucos, poucas Tudo z Referência ao espaço textual.
Certo, certa, certos, certas Nada
Ex.: Encontrei Joana e Carla no shopping; esta pro-
Vários, várias Cada curava um presente para o marido (o pronome refere-
Quanto, quanta, quantos, quantas Que -se ao último termo mencionado).
Este artigo científico pretende analisar... (o prono-
Tanto, tanta, tantos, tantas
me “este” refere-se ao próprio texto).
Qualquer, quaisquer Usamos esse, essa, isso para indicar:
LÍNGUA PORTUGUESA

Qual, quais
z Referência ao espaço físico, indicando o afasta-
Um, uma, uns, umas
mento de algo de quem fala.

As palavras certo e bastante serão pronomes Ex.: Essa sua gravata combinou muito com você.
indefinidos quando vierem antes do substantivo, e
serão adjetivos quando vierem depois. z Indicar distância que se deseja manter.
Ex.: Busco certo modelo de carro (pronome
indefinido). Ex.: Não me fale mais nisso. A população não con-
Busco o modelo de carro certo (adjetivo). fia nesses políticos.
1  Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/pronomes-indefinidos-e-interrogativos-nenhum-outro-qualquer-quem-
quanto-qual.htm>. Acesso em: 14 jul. de 2020. 19
z Referência ao tempo passado. Em alguns casos, há a omissão do antecedente do
relativo “que”.
Ex.: Nessa semana, eu estava doente. Esses dias Ex.: Não teve que dizer (não teve nada que dizer).
estive em São Paulo.
z Emprego do relativo quem: Seu antecedente deve
z Referência a algo já mencionado no texto/ na fala. ser uma pessoa ou objeto personificado.
Ex.: Fomos nós quem fizemos o bolo.
Ex.: Continuo sem entender o porquê de você ter O pronome relativo quem pode fazer referência a algo
falado sobre isso. Sinto uma energia negativa nessa subentendido: Quem cala consente (aquele que cala).
expressão utilizada.
Usamos aquele, aquela, aquilo para indicar: z Emprego do relativo quanto: Seu antecedente
deve ser um pronome indefinido ou demonstrati-
z Referência ao espaço físico, indicando afastamen- vo; pode sofrer flexões.
Ex.: Esqueci-me de tudo quanto foi me ensinado.
to de quem fala e de quem ouve.
Perdi tudo quanto poupei a vida inteira.
Ex.: Margarete, quem é aquele ali perto da porta?
z Emprego do relativo cujo: Deve ser empregado
para indicar posse e aparecer relacionando dois
z Referência a um tempo muito remoto, um passa-
termos que devem ser um possuidor e uma coisa
do muito distante.
possuída.
Ex.: A matéria cuja aula faltei foi Língua portugue-
Ex.: Naquele tempo, podíamos dormir com as por- sa — o relativo cuja está ligando aula (possuidor) à
tas abertas. Bons tempos aqueles! matéria (coisa possuída).

z Referência a um afastamento afetivo. O relativo cujo deve concordar em gênero e núme-


ro com a coisa possuída.
Ex.: Não conheço mais aquela mulher. Jamais devemos inserir um artigo após o pronome
cujo: Cujo o, cuja a
z Referência ao espaço textual, indicando o pri- Não podemos substituir cujo por outro pronome
meiro termo de uma relação expositiva. relativo.
O pronome relativo cujo pode ser preposicionado.
Ex.: Saí para lanchar com Ana e Beatriz. Esta prefe- Ex.: Esse é o vilarejo por cujos caminhos percorri.
riu beber chá; aquela, refrigerante.
Para encontrar o possuidor, faça-se a seguinte per-
Dica gunta: “de quem/do que?”
Ex.: Vi o filme cujo diretor ganhou o Óscar (Diretor
O pronome “mesmo” não pode ser usado em do que? Do filme).
função demonstrativa referencial. Veja: Vi o rapaz cujas pernas você se referiu (Pernas de
Errado: O candidato fez a prova, porém o mesmo quem? Do rapaz).
esqueceu de preencher o gabarito.
Correto: O candidato fez a prova, porém esque- z Emprego do pronome relativo onde: Empregado
ceu de preencher o gabarito. para indicar locais físicos.
Ex.: Conheci a cidade onde meu pai nasceu.
Pronomes Relativos
Em alguns casos, pode ser preposicionado, assu-
mindo as formas aonde e donde.
Uma das classes de pronomes mais complexas, os
Ex.: Irei aonde você for.
pronomes relativos têm função muito importante na
língua, refletida em assuntos de grande relevância
O relativo “onde” pode ser empregado sem
em concursos, como a análise sintática. Dessa forma,
antecedente.
é essencial conhecer adequadamente a função desses
Ex.: O carro atolou onde não havia ninguém.
elementos, a fim de saber utilizá-los corretamente.
Os pronomes relativos referem-se a um substantivo
z Emprego de o qual: O pronome relativo “o qual”
ou a um pronome substantivo mencionado anterior- e suas variações (os quais, a qual, as quais) é usa-
mente. A esse nome (substantivo ou pronome mencio- do em substituição a outros pronomes relativos,
nado anteriormente) chamamos de antecedente. sobretudo o “que”, a fim de evitar fenômenos lin-
São pronomes relativos: guísticos, como o “queísmo”.
Ex.: O Brasil tem um passado do qual (que) nin-
z Variáveis: O qual, os quais, cujo, cujos, quanto, guém se lembra.
quantos / A qual, as quais, cuja, cujas, quanta,
quantas; O pronome “o qual” pode auxiliar na compreensão
z Invariáveis: Que, quem, onde, como. textual, desfazendo estruturas ambíguas.
z Emprego do pronome relativo que: Pode ser asso-
ciado a pessoas, coisas ou objetos. Pronomes Interrogativos

Ex.: Encontrei o homem que desapareceu. O São utilizados para introduzir uma pergunta ao texto.
cachorro que estava doente morreu. A caneta que Apresentam-se de formas variáveis (Que? Quais?
20 emprestei nunca recebi de volta. Quanto? Quantos?) e invariáveis (Que? Quem?).
Ex.: O que é aquilo? Quem é ela? Qual sua idade? „ Orações interrogativas, exclamativas, opta-
Quantos anos tem seu pai? tivas (exprimem desejo).
„ Ex.: Como te iludes!
O ponto de interrogação só é usado nas interroga-
tivas diretas. Nas indiretas, aparece apenas a intenção
z Mesóclise: Pronome posicionado no meio do ver-
interrogativa, indicada por verbos como perguntar,
indagar etc. bo. Casos que atraem o pronome para mesóclise:
Ex.: Indaguei quem era ela.
„ Os pronomes devem ficar no meio dos verbos
Atenção: Os pronomes interrogativos que e quem que estejam conjugados no futuro, caso não
são pronomes substantivos, pois substituem os subs- haja nenhum motivo para uso da próclise.
tantivos, dando fluidez à leitura. Ex.: Dar-te-ei meus beijos agora... / Orgulhar-
Ex.: O tempo, que estava instável, não permitiu a -me-ei dos nossos estudantes.
realização da atividade (O tempo não permitiu a reali-
zação da atividade. O tempo estava instável).2
z Ênclise: Pronome posicionado após o verbo. Casos
Pronomes Possessivos que atraem o pronome para ênclise:

Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do „ Início de frase ou período.


discurso e indicam posse. Observe a tabela a seguir:
Ex.: Sinto-me muito honrada com esse título.
1ª pessoa Meu, minha / meus, minhas „ Imperativo afirmativo.
SINGULAR 2ª pessoa Teu, tua / teus, tuas
Ex.: Sente-se, por favor.
3ª pessoa Seu, sua / seus, suas
1ª pessoa Nosso, nossa / nossos, nossas „ Advérbio virgulado.
PLURAL 2ª pessoa Vosso, vossa / vossos, vossas Ex.: Talvez, diga-me o quanto sou importante.
3ª pessoa Seu, sua / seus, suas
Casos proibidos:
Os pronomes pessoais oblíquos (me, te, se, lhe, o,
a, nos, vos) também podem atribuir valor possessivo „ Início de frase: Me dá esse caderno! (errado) /
a uma coisa. Dá-me esse caderno! (certo).
Ex.: Apertou-lhe a mão (a sua mão). Ainda que o „ Depois de ponto e vírgula: Falou pouco; se lem-
pronome esteja ligado ao verbo pelo hífen, a relação brou de nada (errado) / Falou pouco; lembrou-
do pronome é com o objeto da posse.
-se de nada (correto).
Outras funções dos pronomes possessivos: „ Depois de particípio: Tinha lembrado-se do fato
(errado) / Tinha se lembrado do fato (correto).
z Delimitam o substantivo a que se referem;
z Concordam com o substantivo que vem depois dele; VERBOS
z Não concordam com o referente;
z O pronome possessivo que acompanha o substan- Certamente, a classe de palavras mais complexa e
tivo exerce função sintática de adjunto adnominal. importante dentre as palavras da língua portuguesa é
o verbo. A partir dos verbos, são estruturados as ações
Colocação Pronominal
e os agentes desses atos, além de ser uma importante
Estudo da posição dos pronomes na oração. classe sempre abordada nos editais de concursos; por
isso, atente-se às nossas dicas.
z Próclise: Pronome posicionado antes do verbo. Os verbos são palavras variáveis que se flexionam
Casos que atraem o pronome para próclise: em número, pessoa, modo e tempo, além da designa-
ção da voz que exprime uma ação, um estado ou um
„ Palavras negativas: Nunca, jamais, não. fato.
Ex.: Não me submeto a essas condições.
As flexões verbais são marcadas por desinências,
„ Pronomes indefinidos, demonstrativos, que podem ser:
relativos.
Ex: Foi ela que me colocou nesse papel.
LÍNGUA PORTUGUESA

z Número-pessoal: Indicando se o verbo está no


„ Conjunções subordinativas. singular ou plural, bem como em qual pessoa ver-
Ex.: Embora se apresente como um rico inves- bal foi flexionado (1ª, 2ª ou 3ª);
tidor, ele nada tem. z Modo-temporal: Indica em qual modo e tempo
„ Gerúndio, precedido da preposição em. verbais a ação foi realizada.
Ex: Em se tratando de futebol, Maradona foi
um ídolo. Iremos apresentar essas desinências a seguir.
„ Infinitivo pessoal preposicionado. Antes, porém, de abordarmos as desinências modo-
Ex.: Na esperança de sermos ouvidos, muito -temporais, precisamos explicar o que são modo e
lhe agradecemos. tempo verbais.
2  Exemplo disponível em: https://www.todamateria.com.br/pronomes-substantivos/. Acesso em: 30. jul. 2021. 21
Modos

Indica a atitude da ação/do sujeito frente a uma relação enunciada pelo verbo.

z Indicativo: O modo indicativo exprime atitude de certeza.

Ex.: Estudei muito para ser aprovado.

z Subjuntivo: O modo subjuntivo exprime atitude de dúvida, desejo ou possibilidade.

Ex.: Se eu estudasse, seria aprovado.

z Imperativo: O modo imperativo designa ordem, convite, conselho, súplica ou pedido.

Ex.: Estuda! Assim, serás aprovado.

Tempos

O tempo designa o recorte temporal em que a ação verbal foi realizada. Basicamente, podemos indicar o tem-
po dessa ação no passado, presente ou futuro. Existem, entretanto, ramificações específicas. Observe a seguir:

z Presente:

Pode expressar não apenas um fato atual, como também uma ação habitual. Ex.: Estudo todos os dias no
mesmo horário.
Uma ação passada. Ex.: Vargas assume o cargo e instala uma ditadura.
Uma ação futura. Ex.: Amanhã, estudo mais! (equivalente a estudarei).

z Passado:

„ Pretérito perfeito: Ação realizada plenamente no passado.

Ex.: Estudei até ser aprovado.

„ Pretérito imperfeito: Ação inacabada, que pode indicar uma ação frequentativa, vaga ou durativa.

Ex.: Estudava todos os dias.

„ Pretérito mais-que-perfeito: Ação anterior à outra mais antiga.

Ex.: Quando notei (passado), a água já transbordara (ação anterior) da banheira.

z Futuro:

„ Futuro do presente: indica um fato que deve ser realizado em um momento vindouro.

Ex.: Estudarei bastante ano que vem.

„ Futuro do pretérito: Expressa um fato posterior em relação a outro fato já passado.

Ex.: Estudaria muito, se tivesse me planejado.

A partir dessas informações, podemos também identificar os verbos conjugados nos tempos simples e nos
tempos compostos. Os tempos verbais simples são formados por uma única palavra, ou verbo, conjugado no
presente, passado ou futuro.
Já os tempos compostos são formados por dois verbos, um auxiliar e um principal; nesse caso, o verbo auxiliar
é o único a sofrer flexões.
Agora, vamos conhecer as desinências modo-temporais dos tempos simples e compostos, respectivamente:

Flexões Modo-temporais — Tempos Simples

TEMPO MODO INDICATIVO MODO SUBJUNTIVO


Presente * -e (1ª conjugação) e -a (2ª e 3ª conjugações)
Pretérito perfeito -ra (3ª pessoa do plural) *
Pretérito imperfeito -va (1ª conjugação) -ia (2ª e 3ª conjugações) -sse
Pretérito mais-que-perfeito -ra *
Futuro -rá e -re -r
Futuro do pretérito -ria *

22 *Nem todas as formas verbais apresentam desinências modo-temporais.


Flexões Modo-temporais — Tempos Compostos Quando cheguei, ela já tinha partido.
(Indicativo) Ele tinha aberto a janela.
Ela tinha pago a conta.
z Pretérito perfeito composto: Verbo auxiliar:
Ter (presente do indicativo) + verbo principal z Infinitivo: Forma verbal que indica a própria ação
particípio. do verbo, ou o estado, ou, ainda, o fenômeno desig-
nado. Pode ser pessoal ou impessoal:
Ex.: Tenho estudado.
„ Pessoal: O infinitivo pessoal é passível de con-
z Pretérito mais-que-perfeito composto: Verbo jugação, pois está ligado às pessoas do discurso.
auxiliar: Ter (pretérito imperfeito do indicativo) + É usado na formação de orações reduzidas. Ex.:
verbo principal no particípio. Comer eu. Comermos nós. É para aprenderem
que ele ensina.
Ex.: Tinha passado. „ Impessoal: Não é passível de flexão. É o nome
do verbo, servindo para indicar apenas a con-
z Futuro composto: Verbo auxiliar: Ter (futuro do jugação. Ex.: Estudar - 1ª conjugação; Comer - 2ª
indicativo) + verbo principal no particípio. conjugação; Partir - 3ª conjugação.

Ex.: Terei saído. O infinitivo impessoal forma locuções verbais ou


orações reduzidas.
z Futuro do pretérito composto: Verbo auxiliar: Locuções verbais: sequência de dois ou mais ver-
Ter (futuro do pretérito simples) + verbo principal bos que funcionam como um verbo.
no particípio. Ex.: Ter de + verbo principal no infinitivo: Ter de
trabalhar para pagar as contas.
Ex.: Teria estudado. Haver de + verbo principal no infinitivo: Havemos
de encontrar uma solução.
Flexões Modo-temporais — Tempos Compostos
(Subjuntivo)
Dica
z Pretérito perfeito composto: Verbo auxiliar: Não confunda locuções verbais com tempos
Ter (presente do subjuntivo) + Verbo principal compostos. O particípio formador de tempo
particípio. composto na voz ativa não se flexiona. Ex.: O
homem teria realizado sua missão.
Ex.: (que eu) Tenha estudado.
Classificação dos Verbos
z Pretérito mais-que-perfeito composto: Verbo
auxiliar: Ter (pretérito imperfeito do subjuntivo) + Os verbos são classificados quanto a sua forma
verbo principal no particípio. de conjugação e podem ser divididos em: regulares,
irregulares, anômalos, abundantes, defectivos, prono-
Ex.: (se eu) Tivesse estudado minais, reflexivos, impessoais e auxiliares, além das
formas nominais. Vamos conhecer as particularida-
z Futuro composto: Verbo auxiliar: Ter (futuro sim- des de cada um a seguir:
ples do subjuntivo) + verbo principal no particípio.
z Regulares: Os verbos regulares são os mais fáceis
Ex.: (quando eu) Tiver estudado.
de compreender, pois apresentam regularidade no
uso das desinências, ou seja, das terminações ver-
Formas Nominais do Verbo e Locuções Verbais
bais. Da mesma forma, os verbos regulares man-
têm o paradigma morfológico com o radical, que
As formas nominais do verbo são as formas no
permanece inalterado. Ex.: Verbo cantar:
infinitivo, particípio e gerúndio que eles assumem em
determinados contextos. São chamadas nominais pois
PRESENTE PRETÉRITO PERFEITO
funcionam como substantivos, adjetivo ou advérbios.
— INDICATIVO — INDICATIVO
z Gerúndio: Marcado pela terminação -ndo. Seu Eu canto Cantei
valor indica duração de uma ação e, por vezes, Tu cantas Cantaste
LÍNGUA PORTUGUESA

pode funcionar como um advérbio ou um adjetivo.


Ele/ você canta Cantou
Ex.: Olhando para seu povo, o presidente se Nós cantamos Cantamos
compadeceu. Vós cantais Cantastes
Eles/ vocês cantam Cantaram
z Particípio: Marcado pelas terminações mais
comuns -ado, -ido, podendo terminar também em
-do, -to, -go, -so, -gue. Corresponde nominalmente z Irregulares: Os verbos irregulares apresentam
ao adjetivo; pode flexionar-se, em alguns casos, em alteração no radical e nas desinências verbais.
número e gênero. Por isso, recebem esse nome, pois sua conjugação
ocorre irregularmente, seguindo um paradigma
Ex.: A Índia foi colonizada pelos ingleses. próprio para cada grupo verbal. 23
Perceba a seguir como ocorre uma sutil diferença na conjugação do verbo estar, que utilizamos como exem-
plo. Isso é importante para não confundir os verbos irregulares com os verbos anômalos. Ex.: Verbo estar:

PRESENTE PRETÉRITO PERFEITO


— INDICATIVO — INDICATIVO
Eu estou Estive
Tu estás Estiveste
Ele/ você está Esteve
Nós estamos Estivemos
Vós estais Estivestes
Eles/ vocês estão Estiveram

z Anômalos: Esses verbos apresentam profundas alterações no radical e nas desinências verbais, consideradas
anomalias morfológicas; por isso, recebem essa classificação. Um exemplo bem usual de verbo dessa categoria
é o verbo “ser”. Na língua portuguesa, apenas dois verbos são classificados dessa forma: os verbos ser e ir.

Vejamos a conjugação o verbo “ser”:

PRESENTE — INDICATIVO PRETÉRITO PERFEITO — INDICATIVO


Eu sou Fui
Tu és Foste
Ele / você é Foi
Nós somos Fomos
Vós sois Fostes
Eles / vocês são Foram

Os verbos ser e ir são irregulares, porém, apresentam uma forma específica de irregularidade que ocasiona
uma anomalia em sua conjugação. Por isso, são classificados como anômalos.

z Abundantes: São formas verbais abundantes os verbos que apresentam mais de uma forma de particípio acei-
tas pela norma culta gramatical. Geralmente, apresentam uma forma de particípio regular e outra irregular.
Vejamos alguns verbos abundantes:

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Absolver Absolvido Absolto
Abstrair Abstraído Abstrato
Aceitar Aceitado Aceito
Benzer Benzido Bento
Cobrir Cobrido Coberto
Completar Completado Completo
Confundir Confundido Confuso
Demitir Demitido Demisso
Despertar Despertado Desperto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Encher Enchido Cheio
Entregar Entregado Entregue
Morrer Morrido Morto
Expelir Expelido Expulso
Enxugar Enxugado Enxuto
Findar Findado Findo
Fritar Fritado Frito
Ganhar Ganhado Ganho

24 Gastar Gastado Gasto


INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Isentar Isentado Isento
Juntar Juntado Junto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Omitir Omitido Omisso
Pagar Pagado Pago
Prender Prendido Preso
Romper Rompido Roto
Salvar Salvado Salvo
Secar Secado Seco
Submergir Submergido Submerso
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Torcer Torcido Torto

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Aceitar Eu já tinha aceitado o convite. O convite foi aceito.
Entregar Aviso quando tiver entregado a encomenda. Está entregue!
Morrer Havia morrido há dias. Quando chegou, encontrou o animal morto.
Expelir A bala foi expelida por aquela arma. Esta é a bala expulsa.
Tinha enxugado a louça quando o programa
Enxugar A roupa está enxuta.
começou.
Findar Depois de ter findado o trabalho, descansou. Trabalho findo!
Imprimir Se tivesse imprimido tínhamos como provar. Onde está o documento impresso?
Limpar Eu tinha limpado a casa. Que casa tão limpa!
Dados importantes tinham sido omitidos por
Omitir Informações estavam omissas.
ela.
Após ter submergido os legumes, reparou no Deixe os legumes submersos por alguns
Submergir
amigo. minutos.
Suspender Nunca tinha suspendido ninguém. Você está suspenso!

z Defectivos: São verbos que não apresentam algumas pessoas conjugadas em suas formas, gerando um “defei-
to” na conjugação (por isso, o nome). Alguns exemplos de defectivos são os verbos colorir, precaver, reaver etc.

Esses verbos não são conjugados na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, bem como: aturdir,
exaurir, explodir, esculpir, extorquir, feder, fulgir, delinquir, demolir, puir, ruir, computar, colorir, carpir, banir,
brandir, bramir, soer.
Verbos que expressam onomatopeias ou fenômenos temporais também apresentam essa característica, como
latir, bramir, chover.

z Pronominais: Esses verbos apresentam um pronome oblíquo átono integrando sua forma verbal. É importan-
LÍNGUA PORTUGUESA

te lembrar que esses pronomes não apresentam função sintática. Predominantemente, os verbos pronominas
apresentam transitividade indireta, ou seja, são VTI. Ex.: Sentar-se.

PRESENTE — INDICATIVO PRETÉRITO PERFEITO — INDICATIVO


Eu me sento Sentei-me
Tu te sentas Sentaste-te
Ele/ você se senta Sentou-se
Nós nos sentamos Sentamo-nos
Vós vos sentais Sentastes-vos
Eles/ vocês se sentam Sentaram-se 25
z Reflexivos: Verbos que apresentam pronome oblí- Dica
quo átono reflexivo, funcionando sintaticamen-
te como objeto direto ou indireto. Nesses verbos, O verbo “pôr” corresponde à segunda conjuga-
o sujeito sofre e pratica a ação verbal ao mesmo ção, pois origina-se do verbo “poer”.
tempo. Ex.: Ela se veste mal. Nós nos cumprimen- O mesmo acontece com verbos que que deste
tamos friamente. derivam.
z Impessoais: Verbos que designam fenômenos da
natureza, como chover, trovejar, nevar etc. Vozes Verbais

O verbo haver, com sentido de existir ou marcan- As vozes verbais definem o papel do sujeito na
do tempo decorrido, também será impessoal. oração, demonstrando se o sujeito é o agente da ação
Ex.: Havia muitos candidatos e poucas vagas. / Há verbal ou se ele recebe a ação verbal. Dividem-se em:
dois anos, fui aprovado em concurso público.
Os verbos ser e estar também são verbos impes- z Ativa: O sujeito é o agente, praticando a ação
soais quando designam fenômeno climático ou tempo. verbal.
Ex.: Está muito quente! / Era tarde quando chegamos.
O verbo ser para indicar hora, distância ou data Ex.: O policial deteve os bandidos.
concorda com esses elementos.
O verbo fazer também poderá ser impessoal, z Passiva: O sujeito é paciente, ou seja, sofre a ação
verbal.
quando indicar tempo decorrido ou tempo climático.
Ex.: Faz anos que estudo pintura. / Aqui faz muito
Ex.: Os bandidos foram detidos pelo policial —
calor.
passiva analítica;
Os verbos impessoais não apresentam sujeito; sin-
Detiveram-se os criminosos — passiva sintética.
taticamente, classifica-se como sujeito inexistente.
O verbo ser será impessoal quando o espaço sintá-
z Reflexiva: O sujeito é agente e paciente ao mes-
tico ocupado pelo sujeito não estiver preenchido: “Já mo tempo, pois pratica e recebe a ação verbal.
é natal”. Segue o mesmo paradigma do verbo fazer,
podendo ser impessoal, também, o verbo ir: “Vai uns Ex.: Os bandidos se entregaram à polícia. / O
bons anos que não vejo Mariana”. menino se agrediu.

z Auxiliares: Os verbos auxiliares são empregados z Recíproca: O sujeito é agente e paciente ao mes-
nas formas compostas dos verbos e também nas mo tempo, porém há uma ação compartilhada
locuções verbais. Os principais verbos auxiliares entre dois indivíduos. A ação pode ser comparti-
dos tempos compostos são ter e haver. lhada entre dois ou mais indivíduos que praticam
e sofrem a ação.
Nas locuções, os verbos auxiliares determinam a
concordância verbal; porém, o verbo principal deter- Ex.: Os bandidos se olharam antes do julga-
mina a regência estabelecida na oração. mento. / Apesar do ódio mútuo, os candidatos se
Apresentam forte carga semântica que indica cumprimentaram.
modo e aspecto da oração. São importantes na forma-
ção da voz passiva analítica. A voz passiva é realizada a partir da troca de fun-
ções entre sujeito e objeto da voz ativa. Só podemos
z Formas Nominais: Na língua portuguesa, usamos transformar uma frase da voz ativa para a voz passiva
três formas nominais dos verbos: se o verbo for transitivo direto ou transitivo direto e
indireto. Logo, só há voz passiva com a presença do
„ Gerúndio: Terminação -ndo. Apresenta valor objeto direto.
durativo da ação e equivale a um advérbio ou Importante! Não confunda os verbos pronomi-
adjetivo. Ex.: Minha mãe está rezando. nais com as vozes verbais. Os verbos pronominais
„ Particípio: Terminações -ado, -ido, -do, -to, -go, que indicam sentimentos, como arrepender-se, quei-
xar-se, dignar-se, entre outros, acompanham um
-so. Apresenta valor adjetivo e pode ser classi-
pronome que faz parte integrante do seu significado,
ficado em particípio regular e irregular, sendo
diferentemente das vozes verbais, que acompanham
as formas regulares finalizadas em -ado e -ido.
o pronome “se” com função sintática própria.
A norma culta gramatical recomenda o uso do par- Outras Funções do “se”
ticípio regular com os verbos “ter” e “haver”. Já com
os verbos “ser” e “estar”, recomenda-se o uso do par- Como vimos, o “se” pode funcionar como item
ticípio irregular. essencial na voz passiva. Além dessa função, esse ele-
Ex.: Os policiais haviam expulsado os bandidos / mento também acumula outras atribuições:
Os traficantes foram expulsos pelos policiais.
z Partícula apassivadora: A voz passiva sintética
„ Infinitivo: Marca as conjugações verbais. é feita com verbos transitivos direto (TD) ou tran-
sitivos direto indireto (TDI). Nessa voz, incluímos
AR: Verbos que compõem a 1ª conjugação (Amar, o “se” junto ao verbo, por isso, o elemento “se” é
passear); designado partícula apassivadora, nesse contexto.
ER: Verbos que compõem a 2ª conjugação (Comer,
pôr); Ex.: Busca-se a felicidade (voz passiva sintética) —
26 IR: Verbos que compõem a 3ª conjugação (Partir, sair). “Se” (partícula apassivadora).
O “se” exercerá essa função apenas: Conjugação de Verbos Derivados

„ Com verbos cuja transitividade seja TD ou TDI; Verbo derivado é aquele que deriva de um ver-
„ Com verbos que concordam com o sujeito; bo primitivo; para trabalhar a conjugação desses
„ Com a voz passiva sintética. verbos, é importante ter clara a conjugação de seus
“originários”.
Atenção: Na voz passiva nunca haverá objeto dire- Atente-se à lista de verbos irregulares e de algu-
to (OD), pois ele se transforma em sujeito paciente. mas de suas derivações a seguir, pois são assuntos
relevantes em provas diversas:
z Índice de indeterminação do sujeito: O “se” fun-
cionará nessa condição quando não for possível z Pôr: Repor, propor, supor, depor, compor, expor;
identificar o sujeito explícito ou subentendido. z Ter: Manter, conter, reter, deter, obter, abster-se;
Além disso, não podemos confundir essa função z Ver: Antever, rever, prever;
do “se” com a de apassivador, já que, para ser índi- z Vir: Intervir, provir, convir, advir, sobrevir.
ce de indeterminação do sujeito, a oração precisa
estar na voz ativa. Vamos conhecer agora alguns verbos cuja conjuga-
ção apresenta paradigma derivado, auxiliando a com-
Outra importante característica do “se” como índi- preensão dessas conjugações verbais.
ce de indeterminação do sujeito é que isso ocorre em O verbo criar é conjugado da mesma forma que os
verbos transitivos indiretos, verbos intransitivos ou verbos “variar”, “copiar”, “expiar” e todos os demais
verbos de ligação. Além disso, o verbo sempre deverá que terminam em -iar. Os verbos com essa termina-
estar na 3ª pessoa do singular. ção são, predominantemente, regulares.
Ex.: Acredita-se em Deus.
PRESENTE — INDICATIVO
z Pronome reflexivo: Na função de pronome refle-
Eu Crio
xivo, a partícula “se” indicará reflexão ou reci-
procidade, auxiliando a construção dessas vozes Tu Crias
verbais, respectivamente. Nessa função, suas prin- Ele/Você Cria
cipais características são: Nós Criamos
Vós Criais
„ Sujeito recebe e pratica a ação;
„ Funcionará, sintaticamente, como objeto direto Eles/Vocês Criam
ou indireto;
„ O sujeito da frase poderá estar explícito ou Os verbos terminados em -ear, por sua vez, geral-
implícito. mente são irregulares e apresentam alguma modifi-
cação no radical ou nas desinências. Acompanhe a
Ex.: Ele se via no espelho (explícito). Deu-se um conjugação do verbo “passear”:
presente de aniversário (implícito).
PRESENTE — INDICATIVO
z Parte integrante do verbo: Nesses casos, o “se”
Eu Passeio
será parte integrante dos verbos pronominais,
acompanhando-o em todas as suas flexões. Quan- Tu Passeias
do o “se” exerce essa função, jamais terá uma fun- Ele/Você Passeia
ção sintática. Além disso, o sujeito da frase poderá Nós Passeamos
estar explícito ou implícito.
Vós Passeais
Ex.: (Ele/a) Lembrou-se da mãe, quando olhou a filha. Eles/Vocês Passeiam

z Partícula de realce: Será partícula de realce o Conjugação de Alguns Verbos


“se” que puder ser retirado do contexto sem pre-
juízo no sentido e na compreensão global do texto. Vamos agora conhecer algumas conjugações de
A partícula de realce não exerce função sintática, verbos irregulares importantes, que sempre são obje-
LÍNGUA PORTUGUESA

pois é desnecessária. to de questões em concursos.


Observe o verbo “aderir” no presente do indicativo:
Ex.: Vão-se os anéis, ficam-se os dedos.
PRESENTE — INDICATIVO
z Conjunção: O “se” será conjunção condicional Eu Adiro
quando sugerir a ideia de condição. A conjunção
Tu Aderes
“se” exerce função de conjunção integrante, ape-
nas ligando as orações, e poderá ser substituído Ele/Você Adere
pela conjunção “caso”. Nós Aderimos
Vós Aderis
Ex.: Se ele estudar, será aprovado. (Caso ele estu-
dar, será aprovado). Eles/Vocês Aderem 27
A seguir, acompanhe a conjugação do verbo “por”. “Com”
São conjugados da mesma forma os verbos dispor,
interpor, sobrepor, compor, opor, repor, transpor, z Causa: Ficar pobre com a inflação;
entrepor, supor. z Companhia: Ir ao cinema com os amigos;
z Concessão: Com mais de 80 anos, ainda tem pla-
nos para o futuro;
PRESENTE — INDICATIVO
z Instrumento: Abrir a porta com a chave;
Eu Ponho z Matéria: Vinho se faz com uva;
z Modo: Andar com elegância;
Tu Pões z Referência: Com sua irmã aconteceu diferente;
Ele/Você Põe comigo sempre é assim.
Nós Pomos
“Contra”
Vós Pondes
Eles/Vocês Põem z Oposição: Jogar contra a seleção brasileira;
z Direção: Olhar contra o sol;
z Proximidade ou contiguidade: Apertou o filho
PREPOSIÇÕES
contra o peito.
Conceito
“De”

São palavras invariáveis que ligam orações ou z Causa: Chorar de saudade;


outras palavras. As preposições apresentam funções z Assunto: Falar de religião;
importantes tanto no aspecto semântico quanto no z Matéria: Material feito de plástico;
aspecto sintático, pois complementam o sentido de z Conteúdo: Maço de cigarro;
verbos e/ou palavras cujo sentido pode ser alterado z Origem: Você descende de família humilde;
sem a presença da preposição, modificando a transiti- z Posse: Este é o carro de João;
vidade verbal e colaborando para o preenchimento de z Autoria: Esta música é de Chopin;
sentido de palavras deverbais3. z Tempo: Ela dorme de dia;
As preposições essenciais são: a, ante, até, após, z Lugar: Veio de São Paulo;
com, contra, de, desde, em, entre, para, per, peran- z Definição: Pessoa de coragem;
te, por, sem, sob, trás. z Dimensão: Sala de vinte metros quadrados;
Existem, ainda, as preposições acidentais, assim z Fim ou finalidade: Carro de passeio;
chamadas pois pertencem a outras classes grama- z Instrumento: Comer de garfo e faca;
z Meio: Viver de ilusões;
ticais, mas funcionam, ocasionalmente, como pre-
z Medida ou extensão: Régua de 30 cm;
posições. Eis algumas: afora, conforme (quando
z Modo: Olhar alguém de frente;
equivaler a “de acordo com”), consoante, durante, z Preço: Caderno de 10 reais;
exceto, salvo, segundo, senão, mediante, que, visto z Qualidade: Vender artigo de primeira;
(quando equivaler a “por causa de”). z Semelhança ou comparação: Atitudes de pessoa
Acompanhe a seguir algumas preposições e exem- corajosa.
plos de uso em diferentes situações:
“Desde”
“A”
z Distância: Dormiu desde o acampamento até aqui;
z Causa ou motivo: Acordar aos gritos das crianças; z Tempo: Desde ontem ele não aparece.
z Conformidade: Escrever ao modo clássico;
z Destino (em correlação com a preposição de): De “Em”
Santos à Bahia;
z Meio: Voltarei a andar a cavalo; z Preço: Avaliou a propriedade em milhares de
z Preço: Vendemos o armário a R$ 300,00; dólares;
z Direção: Levantar as mãos aos céus; z Meio: Pagou a dívida em cheque;
z Distância: Cair a poucos metros da namorada; z Limitação: Aquele aluno em Química nunca foi
z Exposição: Ficar ao sol por um longo tempo; bom;
z Forma ou semelhança: As crianças juntaram as
z Lugar: Ir a Santa Catarina;
mãos em concha;
z Modo: Falar aos gritos;
z Transformação ou alteração: Transformou dóla-
z Sucessão: Dia a dia;
res em reais;
z Tempo: Nasci a três de maio; z Estado ou qualidade: Foto em preto e branco;
z Proximidade: Estar à janela. z Fim: Pedir em casamento;
z Lugar: Ficou muito tempo em Sorocaba;
“Após” z Modo: Escrever em francês;
z Sucessão: De grão em grão;
z Lugar: Permaneça na fila após o décimo lugar; z Tempo: O fogo destruiu o edifício em minutos;
z Tempo: Logo após o almoço descansamos. z Especialidade: João formou-se em Engenharia.
3  Palavras deverbais são substantivos que expressam, de forma nominal e abstrata, o sentido de um verbo com o qual mantêm relação.
Exemplo: a filmagem, o pagamento, a falência etc. Geralmente, os nomes deverbais são acompanhados por preposições e, sintaticamente, o
28 termo que completa o sentido desses nomes é conhecido como complemento nominal.
“Entre” prepositivas sempre terminam em uma preposição
(há apenas uma exceção: a locução prepositiva com
z Lugar: Ele ficou entre os aprovados; sentido concessivo “não obstante”).
z Meio social: Entre as elites, este é o comportamento; Veja alguns exemplos:
z Reciprocidade: Entre mim e ele sempre houve
discórdia. z Apesar de. Ex.: Apesar de terem sumido, volta-
ram logo.
“Para” z A respeito de. Ex.: Nossa reunião foi a respeito
de finanças.
z Consequência: Você deve ser muito esperto para z Graças a. Ex.: Graças ao bom Deus, não aconteceu
não cair em armadilhas; nada grave.
z Fim ou finalidade: Chegou cedo para a conferência; z De acordo com. Ex.: De acordo com W. Hamboldt,
z Lugar: Em 2011, ele foi para Portugal; a língua é indispensável para que possamos pen-
z Proporção: As baleias estão para os peixes assim sar, mesmo que estivéssemos sempre sozinhos.
como nós estamos para as galinhas; z Por causa de. Ex.: Por causa de poucos pontos,
z Referência: Para mim, ela está mentindo; não passei no exame.
z Tempo: Para o ano irei à praia;
z Para com. Ex.: Minha mãe me ensinou ter respeito
z Destino ou direção: Olhe para frente!
para com os mais velhos.
z Por baixo de. Ex.: Por baixo do vestido, ela usa
“Perante”
um short.
z Lugar: Ele negou o crime perante o júri.
Outros exemplos de locuções prepositivas:
Abaixo de; acerca de; acima de; devido a; a despeito
“Por”
de; adiante de; defronte de; embaixo de; em frente de;
junto de; perto de; por entre; por trás de; quanto a; a
z Modo ou conformidade: Vamos escolher por
fim de; por meio de; em virtude de.
sorteio;
z Causa: Encontrar alguém por coincidência;
z Conformidade: Copiar por original;
z Favor: Lutar por seus ideais;
Importante!
z Medida: Vendia banana por quilo; Algumas locuções prepositivas apresentam
z Meio: Ir por terra; semelhanças morfológicas, mas significa-
z Modo: Saber por alto o que ocorreu; dos completamente diferentes. Observe estes
z Preço: Comprar um livro por vinte reais; exemplos4:
z Quantidade: Chocar por três vezes;
A opinião dos diretores vai ao encontro do plane-
z Substituição: Comprar gato por lebre;
jamento inicial = Concordância.
z Tempo: Viver por muitos anos.
As decisões do público foram de encontro à pro-
“Sem” posta do programa = Discordância.
Em vez de comer lanches gordurosos, coma fru-
z Ausência ou desacompanhamento: Estava sem tas = Substituição.
dinheiro. Ao invés de chegar molhado, chegou cedo =
Oposição.
“Sob”

z Tempo: Houve muito progresso no Brasil sob D. Combinações e Contrações


Pedro II;
z Lugar: Ficar sob o viaduto; As preposições podem se ligar a outras palavras de
z Modo: Saiu da reunião sob pretexto não outras classes gramaticais por meio de dois processos:
convincente. combinação e contração.
Combinação: Quando se ligam sem sofrer nenhu-
“Sobre” ma redução.
a + o = ao
z Assunto: Não gosto de falar sobre política; a + os = aos
z Direção: Ir sobre o adversário; Contração: Quando, ao se ligarem, sofrem redução.
LÍNGUA PORTUGUESA

z Lugar: Cair sobre o inimigo. Veja a lista a seguir5, que apresenta as preposições
que se contraem e suas devidas formas:
Locuções Prepositivas
z Preposição “a”:
São grupos de palavras que equivalem a uma
preposição. „ Com o artigo definido ou pronome demonstra-
Ex.: Falei sobre o tema da prova. (preposição) / tivo feminino:
Falei acerca do tema da prova. (locução prepositiva)
A locução prepositiva na segunda frase substi- a + a= à
tui perfeitamente a preposição “sobre”. As locuções a + as= às
4  Disponível em: instagram.com/academiadotexto. Acesso em: 20 nov. 2020.
5  Disponível em: <https://www.preparaenem.com/portugues/combinacao-contracao-das-preposicoes.htm>. Acesso em: 20 nov. 2020. 29
„ Com o pronome demonstrativo: z Preposição “per”:

a + aquele = àquele „ Com as formas antigas do artigo definido (lo, la):


a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela per + lo(s) = pelo, pelos
a + aquelas = àquelas per + la(s) = pela, pelas
a + aquilo = àquilo

z Preposição “de”: z Preposição “para” (pra):

„ Com artigo definido masculino e feminino: „ Com artigo definido:

de + o/os = do/dos para (pra) + o(s) = pro, pros


de + a/as = da/das para (pra) + a(s)= pra, pras
„ Com artigo indefinido:
Algumas Relações Semânticas Estabelecidas por
de + um= dum Preposições
de + uns = duns
de + uma = duma Antes de entrarmos neste assunto, vale relembrar
de + umas = dumas o que significa Semântica. Semântica é a área do
conhecimento que relaciona o significado da palavra
„ Com pronome demonstrativo: ao seu contexto.
É importante ressaltar que as preposições podem
de + este(s)= deste, destes
de + esta(s)= desta, destas apresentar valor relacional ou podem atribuir um
de + isto= disto valor nocional.
de + esse(s) = desse, desses As preposições que apresentam um valor rela-
de + essa(s)= dessa, dessas cional cumprem uma relação sintática com verbos
de + isso = disso ou substantivos, que, em alguns casos, são chamados
de + aquele(s) = daquele, daqueles deverbais, conforme já mencionamos. Essa mesma
de + aquela(s) = daquela, daquelas relação sintática pode ocorrer com adjetivos e advér-
de + aquilo= daquilo bios, os quais também apresentarão função deverbal.

„ Com o pronome pessoal: Ex.: Concordo com o advogado (preposição exigida


pela regência do verbo concordar).
de + ele(s) = dele, deles
de + ela(s) = dela, delas
Tenho medo da queda (preposição exigida pelo
„ Com o pronome indefinido: complemento nominal).
Estou desconfiado do funcionário (preposição exi-
de + outro(s)= doutro, doutros gida pelo adjetivo).
de + outra(s) = doutra, doutras Fui favorável à eleição (preposição exigida pelo
advérbio).
„ Com advérbio: Em todos esses casos, a preposição mantém uma
relação sintática com a classe de palavras a qual se
de + aqui= daqui
de + aí= daí liga, sendo, portanto, obrigatória a sua presença na
de + ali= dali sentença.
De modo oposto, as preposições cujo valor nocio-
z Preposição “em”: nal é preponderante apresentam uma modificação
no sentido da palavra à qual se liga. Elas não são
„ Com artigo definido: componentes obrigatórios na construção da senten-
ça, divergindo das preposições de valor relacional.
em + a(s)= na, nas
As preposições de valor nocional estabelecem uma
em + o(s)= no, nos
noção de posse, causa, instrumento, matéria, modo
„ Com pronome demonstrativo: etc. Vejamos algumas na tabela a seguir:

em + esse(s)= nesse, nesses VALOR NOCIONAL DAS


em + essa(s)= nessa, nessas SENTIDO
PREPOSIÇÕES
em + isso = nisso
Posse Carro de Marcelo
em + este(s) = neste, nestes
em + esta(s) = nesta, nestas Lugar O cachorro está sob a mesa
em + isto = nisto Votar em branco / Chegar
em + aquele(s) = naquele, naqueles Modo
aos gritos
em + aquela(s) = naquelas
em + aquilo = naquilo Causa Preso por agressão
Assunto Falar sobre política
„ Com pronome pessoal: Origem Descende de família simples

em + ele(s) = nele, neles Olhe para frente! / Iremos


Destino
30 em + ela(s) = nela, nelas a Paris
CONJUNÇÕES Está na hora da decolagem; deve, então,
apressar-se.
Assim como as preposições, as conjunções também
são invariáveis e também auxiliam na organização Dica
das orações, ligando termos e, em alguns casos, ora-
ções. Por manterem relação direta com a organização As conjunções “e”, “nem” não devem ser empre-
das orações nas sentenças, as conjunções podem ser gadas juntas (“e nem”). Tendo em vista que
coordenativas ou subordinativas. ambas indicam a mesma relação aditiva, o uso
concomitante acarreta em redundância.
Conjunções Coordenativas
Conjunções Subordinativas
As conjunções coordenativas são aquelas que
ligam orações coordenadas, ou seja, orações que não
fazem parte de uma outra; em alguns casos, ainda, Tal qual as conjunções coordenativas, as subor-
essas conjunções ligam núcleos de um mesmo termo dinativas estabelecem uma ligação entre as ideias
da oração. As conjunções coordenadas podem ser: apresentadas em um texto. Porém, diferentemente
daquelas, estas ligam ideias apresentadas em orações
z Aditivas: Somam informações. E, nem, bem como, subordinadas, ou seja, orações que precisam de outra
não só, mas também, não apenas, como ainda, para terem o sentido apreendido.
senão (após não só).
Ex.: Não fiz os exercícios nem revisei. z Causal: Iniciam a oração dando ideia de causa.
O gato era o preferido, não só da filha, senão de Haja vista, que, porque, pois, porquanto, visto que,
toda família. uma vez que, como (equivale a porque) etc.

z Adversativa: Colocam informações em oposição,


Ex.: Como não choveu, a represa secou.
contradição. Mas, porém, contudo, todavia, entre-
tanto, não obstante, senão (equivalente a mas).
z Consecutiva: Iniciam a oração expressando ideia
Ex.: Não tenho um filho, mas dois.
A culpa não foi a população, senão dos vereadores de consequência. Que (depois de tal, tanto, tão), de
(equivale a “mas sim”). modo que, de forma que, de sorte que etc.

Importante: A conjunção “e” pode apresentar Ex.: Estudei tanto que fiquei com dor de cabeça.
valor adversativo, principalmente quando é antecedi-
da por vírgula: Estava querendo dormir, e o barulho z Comparativa: Iniciam orações comparando ações
não deixava. e, em geral, o verbo fica subtendido. Como, que
nem, que (depois de mais, menos, melhor, pior,
z Alternativas: Ligam orações com ideias que não maior), tanto... quanto etc.
acontecem simultaneamente, que se excluem. Ou,
ou...ou, quer...quer, seja...seja, ora...ora, já...já. Ex.: Corria como um touro.
Ex.: Estude ou vá para a festa. Ela dança tanto quanto Carlos.
Seja por bem, seja por mal, vou convencê-la.
z Conformativa: Expressam a conformidade de
Importante: A palavra “senão” pode funcionar
uma ideia com a da oração principal. Conforme,
como conjunção alternativa: Saia agora, senão cha-
marei os guardas! (pode-se trocá-la por “ou”). como, segundo, de acordo com, consoante etc.

z Explicativas: Ligam orações, de forma que em Ex.: Tudo ocorreu conforme o planejado.
uma delas explica-se o que a outra afirma. Que, por- Amanhã chove, segundo informa a previsão do
que, pois, (se vier no início da oração), porquanto. tempo.
Ex.: Estude, porque a caneta é mais leve que a
enxada! z Concessiva: Iniciam uma oração com uma ideia
Viva bem, pois isso é o mais importante. contrária à da oração principal. Embora, conquan-
to, ainda que, mesmo que, em que pese, posto que
Importante: “Pois” com sentido explicativo ini- etc.
cia uma oração e justifica outra. Ex.: Volte, pois sinto
LÍNGUA PORTUGUESA

saudades. Ex.: Teve que aceitar a crítica, conquanto não


tivesse gostado.
“Pois” conclusivo fica após o verbo, deslocado
Trabalhava, por mais que a perna doesse.
entre vírgulas: Nessa instabilidade, o dólar voltará,
pois, a subir.
z Condicional: Iniciam uma oração com ideia de
z Conclusiva: Ligam duas ideias, de forma que a hipótese, condição. Se, caso, desde que, contanto
segunda conclui o que foi dito na primeira. Logo, que, a menos que, somente se etc.
portanto, então, por isso, assim, por conseguinte,
destarte, pois (deslocado na frase). Ex.: Se eu quisesse falar com você, teria respondi-
do sua mensagem.
Ex.: Estava despreparado, por isso, não fui aprovado. Posso lhe ajudar, caso necessite. 31
z Proporcional: Ideia de proporcionalidade. À pro- INTERJEIÇÕES
porção que, à medida que, quanto mais...mais,
quanto menos...menos etc. As interjeições também fazem parte do grupo de
palavras invariáveis, tal como as preposições e as
conjunções. Sua função é expressar estado de espíri-
Ex.: Quanto mais estudo, mais chances tenho de
to e emoções; por isso, apresentam forte conotação
ser aprovado.
semântica. Uma interjeição sozinha pode equivaler a
Ia aprendendo, à medida que convivia com ela.
uma frase. Ex.: Tchau!
As interjeições indicam relações de sentido diver-
z Final: Expressam ideia de finalidade. Final, para
sas. A seguir, apresentamos um quadro com os sen-
que, a fim de que etc. timentos e sensações mais expressos pelo uso de
interjeições:
Ex.: A professora dá exemplos para que você
aprenda! VALOR SEMÂNTICO INTERJEIÇÃO
Comprou um computador a fim de que pudesse Advertência Cuidado! Devagar! Calma!
trabalhar tranquilamente.
Alívio Arre! Ufa! Ah!
z Temporal: Iniciam a oração expressando ideia de Alegria/Satisfação Eba! Oba! Viva!
tempo. Quando, enquanto, assim que, até que, mal, Desejo Oh! Tomara! Oxalá!
logo que, desde que etc. Repulsa Irra! Fora! Abaixo!

Ex.: Quando viajei para Fortaleza, estive na Praia Dor/Tristeza Ai! Ui! Que pena!
do Futuro. Espanto Oh! Ah! Opa! Putz!
Mal cheguei à cidade, fui assaltado. Saudação Salve! Viva! Adeus! Tchau!
Medo Credo! Cruzes! Uh! Oh!
Importante!
É salutar lembrar que o sentido exato de cada
Os valores semânticos das conjunções não se interjeição só poderá ser apreendido diante do con-
prendem às formas morfológicas desses elemen- texto. Por isso, em questões que abordem essa classe
tos. O valor das conjunções é construído contex- de palavras, o candidato deve reler o trecho em que a
tualmente, por isso, é fundamental estar atento interjeição aparece, a fim de se certificar do sentido
expresso no texto.
aos sentidos estabelecidos no texto.
Isso acontece pois qualquer expressão exclamati-
Ex.: Se Mariana gosta de você, por que você não a
va que expresse sentimento ou emoção pode funcio-
procura? (Se = causal = já que) nar como uma interjeição. Lembre-se dos palavrões,
Por que ficar preso na cidade, quando existe tanto por exemplo, que são interjeições por excelência, mas
ar puro no campo? (Quando = causal = já que). que, dependendo do contexto, podem ter seu sentido
alterado.
Antes de concluirmos, é importante ressaltar o
Conjunções Integrantes papel das locuções interjetivas, conjunto de palavras
que funciona como uma interjeição, como: Meu Deus!
As conjunções integrantes fazem parte das orações Ora bolas! Valha-me Deus!
subordinadas; na realidade, elas apenas integram uma
oração principal à outra, subordinada. Existem apenas
dois tipos de conjunções integrantes: “que” e “se”.
CORREÇÃO LINGUÍSTICA E
z Quando é possível substituir o “que” pelo pronome
“isso”, estamos diante de uma conjunção integrante.
ESTRUTURAÇÃO DE FRASES, TENDO
EM VISTA SUA INTERFERÊNCIA NA
Ex.: Quero que a prova esteja fácil. (Quero. O quê? SIGNIFICAÇÃO TEXTUAL
Isso).
ORTOGRAFIA
z Sempre haverá conjunção integrante em orações
A ortografia é o ramo que estuda a variedade for-
substantivas e, consequentemente, em períodos
mal da escrita das palavras. Veja, por meio de algu-
compostos. mas regras, como acabar com suas dúvidas e escrever
corretamente.
Ex.: Perguntei se ele estava em casa. (Perguntei. O
quê? Isso). Emprego do X e do CH

z Nunca devemos inserir uma vírgula entre um ver- O “X” é utilizado:


bo e uma conjunção integrante.
z Após os ditongos (encontro de duas vogais).

Ex.: Sabe-se, que o Brasil é um país desigual Ex.: peixe, faixa, caixa, ameixa, queixo, baixo,
(errado). encaixe, paixão, frouxo
32 Sabe-se que o Brasil é um país desigual (certo). Exceção: recauchutar (e seus derivados) e caucho;
z Após as sílabas “en” e “me”. z O “S” tem sempre som de /z/ quando está entre
vogais. Sendo assim, palavras compostas deriva-
Ex.: enxada, enxame, enxaqueca, enxergar, enxu- das de uma palavra com “S” no início passam a ser
gar, mexerica, mexilhão, mexer, mexicano, enxovalho. escritas com “SS”, mantendo o som de /s/:
Algumas palavras formadas por prefixação (pre-
fixo “en” + radical) são escritas com “ch” (enchente, Ex.: Sala – Antessala / Sol – Girassol / Seguir
encharcar etc.). – Prosseguir.
Exceção: mecha (de cabelo);
z O “SS” é utilizado somente entre vogais:
z Em palavras de origem indígena e africana e pala-
Ex.: Passagem, pessoa, posse, possível.
vras inglesas aportuguesadas.
Emprego do C e QU
Ex.: xampu, xerife, xará, xingar, xavante;
É comum encontrarmos algumas palavras que
Outras palavras escritas com “X”: bexiga, laxativo, nos colocam na dúvida: usar C ou QU? Pois existem
caxumba, xenofobia, xícara, xarope, lixo, capixaba, palavras que podem ser escritas tanto de uma forma,
xereta, faxina, maxixe, bruxa, relaxar, roxo, graxa, como de outra. Veja:
puxar, rixa. Ex.: Catorze / quatorze; cociente / quociente; coti-
Algumas palavras com “CH”: chicória, ficha, chi- diano / quotidiano; cotizar / quotizar.
marrão, churrasco, chinelo, chicote, cachimbo, fanto- As seguintes palavras só podem ser escritas de
che, penacho, broche, salsicha, apetrecho, bochecha, uma forma:
brecha, pechincha, inchar, flecha, chute, deboche, Cinquenta, cinquentenário, cinquentão, cinquentona.
mochila, pichar, lincha, fechar, fachada, comichão,
chuchu, charque, cochicho. Emprego do K, W e Y

z Há, ainda, algumas palavras homófonas, que Símbolos e siglas


podem ser escritas das duas formas, porém têm
significados diferentes. Veja algumas: z Kg – quilograma;
z Km – quilômetro;
„ Brocha (pequeno prego); z k – potássio;
„ Broxa (pincel para caiação de paredes); z Nomes próprios e seus derivados originados de
„ Chá (planta para preparo de bebida); língua estrangeira:
„ Xá (título do antigo soberano do Irã);
„ Chalé (casa campestre de estilo suíço); Ex.: Kelly, Darwin, Wilson, darwinismo;
„ Xale (cobertura para os ombros);
z Palavras estrangeiras não adaptadas para o
„ Chácara (propriedade rural);
português:
„ Xácara (narrativa popular em versos);
„ Cheque (ordem de pagamento); Ex.: Feedback, hardware, hobby.
„ Xeque (jogada do xadrez).
Emprego do G e do J
Emprego do C, Ç, S e SS
O “G” é utilizado em:
Por possuírem o mesmo som, o uso de C, Ç, S e SS
costuma causar bastante confusão. Porém, existem z Palavras terminadas em “–io”;
algumas regrinhas que nos ajudam a saber quando
Ex.: Estágio, relógio, refúgio, presságio;
usar cada uma das letras. Veja:
z Substantivos terminados em “–em”;
z O C só é usado com valor de “s” com as vogais “e”
e “i”: Ex.: ferrugem, carruagem, passagem, viagem.

Ex.: acém, ácido, aceso, macio. O “J” é utilizado em:

z Palavras de origem indígena: Pajé, canjica,


z Com as vogais “o” e “u”, usa-se Ç:
jerimum.
LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: Açougue, açúcar, caçula. z Palavras de origem africana: Jiló, jagunço, jabá.

É importante saber:
z Em início de palavras, o Ç e o SS não são usados.
O “S” inicia palavras quando seguido de qualquer z A conjugação do verbo “viajar”, no Presente do
uma das vogais: Subjuntivo, escreve-se com j: Que eles(as) viajem.
z Verbos no infinitivo escritos com “G” antes de “e”
Ex.: Sapato, segurança, situação, solteiro, sucesso. ou “i” têm o “G” substituído por “J” em algumas fle-
xões, para manter o mesmo som:
z O “C” inicia palavras (possuindo o mesmo som de
“S”) apenas com as vogais “e” e “i”: Afligir: aflija, aflijo;
Agir: ajam, ajo;
Ex.: Cenoura, cela, cigarro, cinema. Eleger: elejam, elejo. 33
REESCRITA DE FRASES: SUBSTITUIÇÃO E Locução Verbal
DESLOCAMENTO
Em vez de usar a forma única do verbo, é possível
A reescritura é um recurso essencial às ativida- substituir o verbo por uma locução verbal e vice-versa.
des comunicativas, sendo utilizada para corrigir Ex.:
eventuais erros ortográficos por exemplo ou, ainda,
z Vou solicitar os documentos amanhã / Solicitarei
para reformular o texto, tornando-o mais claro. No
os documentos amanhã.
contexto dos concursos públicos, para responder às
questões apresentadas, é necessário identificar qual é Verbo por Substantivo e Vice-versa
a alternativa que apresenta uma reescrita que man-
tém o sentido do texto original, ou seja, sem que haja Pode-se usar um substantivo correspondente no
mudança de compreensão, baseada na intenção do lugar de um verbo ou vice-versa, desde que isso faça
emissor da mensagem. sentido dentro do contexto.
A coesão é um dos principais pontos a se observar Ex.:
na produção de um texto e, consequentemente, na
reescritura, para manter a coerência e a harmonia do z Caminhar: caminho;
texto. Conjunções, advérbios, preposições e pronomes z Resolver: resolução;
são mecanismos linguísticos que contribuem para o z Trabalhar: trabalho;
estabelecimento de relações de sentido entre as partes z Necessitar: necessidade;
de um texto. Além disso, os sinais de pontuação têm z Estudar: estudos;
papel fundamental para a produção de sentidos em z Beijar: beijo;
um texto, devendo, também, ser analisados.
Vale frisar que os trechos reescritos precisam z O trabalho enobrece o homem / Trabalhar eno-
manter a essência do texto base, ou seja, a informação brece o homem.
principal. Ainda, é importante notar os tempos ver-
bais empregados e a ordem das palavras também. Voz Verbal
Após a reescrita, as frases precisam:
É possível mudar a voz verbal sem mudar a men-
sagem do enunciado.
z Manter o significado original;
Ex.:
z Manter a coesão;
z Não expressar opinião que não esteja na frase z Eu fiz todo o trabalho / Todo o trabalho foi feito
original; por mim.
z Respeitar a sequência das ideias apresentadas no
texto original. Palavra por Locução Correspondente

Há algumas maneiras de rescrever um texto. Des- Pode-se, na reescrita, trocar uma palavra por locu-
tacaremos, aqui, o deslocamento dos enunciados e a ção que corresponda a ela, ou vice-versa.
substituição de palavras ou trechos. Ex.:

SUBSTITUIÇÃO z O amor materno é singular / O amor de mãe é


singular.
A substituição pode ser realizada por meio de
Conectivos de mesmo Valor Semântico
recursos, como sinônimos, antônimos, locução verbal,
voz verbal, conectivos, a troca de verbos por substan- Os conectivos são palavras ou expressões que
tivos e vice-versa, entre outros. têm a função de ligar termos, frases e orações em um
período. Esse papel é desempenhado, principalmente,
Sinônimos pelas preposições, conjunções e advérbios (ou locu-
ções adverbiais), recursos linguísticos responsáveis
Palavras ou expressões que possuem significados
por promover relação entre as partes de um texto.
iguais ou semelhantes.
Por meio da substituição de conectivos de mesmo
Ex.:
valor semântico, é possível modificar e reescrever um
trecho sem que haja mudança de sentido.
z O carro está com algum problema / O automóvel
apresentou defeitos.
Importante!
Antônimos
Identifique a relação de sentido que cada conec-
Palavras que possuem significados diferentes, ou tor indica, pois, ao substituir um conector por
seja, significados opostos que podem ser usados para outro que não possui relação semântica, pode
substituir a palavra anterior. ocorrer mudança no sentido do texto.
Ex.: Ao usar um conectivo para substituir outro, é
necessário que ambos estabeleçam o mesmo
z O homem estava nervoso e inquieto / O homem tipo de relação.
34 não estava calmo.
A seguir, relembraremos algumas das principais Isso se deve à mudança na ordem canônica da lín-
relações de sentido que os conectores expressam: gua portuguesa, isto é, na ordem natural em que os
elementos são apresentados em nosso idioma — sujei-
z Adição: E, também, além disso, mas também; to, verbo, complementos verbais e adjuntos adver-
z Oposição: Mas, porém, contudo, entretanto, no biais. Todas as vezes que essa ordenação de elementos
entanto; sofre alterações será preciso operar a vírgula.
z Causa: Por isso, portanto; No exemplo dado, o uso da vírgula justifica-se pelo
z Tempo: Atualmente, nos dias de hoje, na socieda- deslocamento do adjunto adverbial na semana pas-
de atual, depois, antes disso, em seguida, logo, até sada para o início do período. Portanto, vale a pena
que; frisar, novamente, a importância das regras de pon-
z Consequência: Logo, consequentemente, por con- tuação na atividade de reescritura.
sequência;
z Confirmação / Reafirmação: Ou seja, neste sen- Adjetivo
tido, nesta perspectiva, em suma, em outras pala-
vras, desta forma; Ex.: Meu novo namorado trabalha com vendas. /
z Hipótese / Probabilidade: A menos que, mesmo Meu namorado novo trabalha com vendas.
que, supondo que;
z Semelhança: Do mesmo modo, assim como, bem Na frase original, o adjetivo “novo” foi inserido
como; está antes do substantivo namorado e, na segunda
z Finalidade: Afim de, para, para que, com a finali- frase, depois dele. No entanto, é possível perceber que
dade de, com o objetivo de; não houve mudança de sentido e que a correção gra-
z Exemplificação: Por exemplo, a exemplo de, isto matical foi mantida, já que essa mudança não implica
é; necessidade de vírgula nem provoca erro gramatical.
z Ênfase: Na verdade, efetivamente, certamente, Na língua portuguesa, os adjuntos adnominais
com efeito; (artigos, adjetivos e locuções adjetivas, numerais e
z Dúvida: Talvez, porventura, provavelmente, pronomes) estabelecem relação com o núcleo do sujei-
possivelmente; to, que é sempre um substantivo, de modo que sua
z Conclusão: Portanto, logo, enfim, em suma. posição não interfere na ordem canônica do idioma,
o que justifica a ausência da vírgula no texto reescrito.
Por meio dessa pequena listagem de conectores e
das respectivas relações de sentido que estabelecem, Pronome Indefinido
buscou-se enfatizar a possibilidade de substituição de
conectivos de mesmo valor semântico durante a ativi- Ex.: Não quero que alguma situação tire nossa
dade de reescritura, sem que haja prejuízo no enten- paz. / Não quero que situação alguma tire nossa paz.
dimento final estabelecido no texto original.
Nesse caso, não houve mudança de sentido e a cor-
DESLOCAMENTO reção gramatical foi mantida, pois o deslocamento do
pronome indefinido (adjunto adnominal) não implica
Deslocamento é um recurso linguístico bastante necessidade de vírgula nem provoca erro gramatical.
utilizado na atividade de reescrita, que consiste em Por fim, vejamos o quadro a seguir sobre as dife-
mudar de posição determinados elementos de um tex- renças entre os recursos estudados:
to, sem alterar seu sentido.
Podemos citar como exemplo os períodos a seguir: DIFERENÇAS ENTRE OS RECURSOS
Deslocamento Substituição
z Faleceu, em São Paulo, o jornalista Ricardo Boechat.
Substitui determinado termo,
z O jornalista Ricardo Boechat faleceu em São Muda determinado termo de
buscando manter mantendo
Paulo. lugar, buscando manter a cor-
o mesmo sentido produzido
reção gramatical e o sentido
pelo texto original e a corre-
produzido pelo texto original
Para reescrever frases utilizando o desloca- ção gramatical
mento, é necessário observar o sentido produzido Antes
pelo texto original. Do mesmo modo, para analisar Ex.: Dessa forma, todos poderemos ir juntos ao local do evento
uma questão de reescritura, é necessário observar
Depois
qual elemento foi deslocado e se esse deslocamen- Ex.: Todos poderemos, dessa
Depois
to provocou mudança de sentido ou inadequação Ex.: Assim, todos poderemos
forma, ir juntos ao local do
gramatical. ir juntos ao local do evento
evento
Veremos, a seguir, quais os termos que podem ser
LÍNGUA PORTUGUESA

deslocados em um período.
CONCEITOS BÁSICOS DA SINTAXE
Adjunto Adverbial
Ao selecionar palavras, nós as escolhemos entre
os grandes grupos de palavras existentes na língua,
Ex.: Participei de todas as aulas da faculdade na como verbos, substantivos ou adjetivos. Esses são gru-
semana passada. / Na semana passada, participei de pos morfológicos. Ao combinar as palavras em frases,
todas as aulas da faculdade. nós construímos um painel morfológico.
As palavras normalmente recebem uma dupla
Note que o texto, ao ser reescrito, apresenta o mes- classificação: a morfológica, que está relacionada à
mo sentido do original. No entanto, a fim de preservar classe gramatical a que pertence, e a sintática, rela-
a correção gramatical, foi necessário utilizar a vírgu- cionada à função específica que assumem em deter-
la logo após o trecho deslocado. minada frase. 35
Frase No exemplo anterior a população é:

Frase é todo enunciado com sentido completo. z O elemento sobre o qual se declarou algo (implo-
Pode ser formada por apenas uma palavra ou por um rou pela compra da vacina);
conjunto de palavras. z O elemento que pratica a ação de implorar;
Ex.: Fogo!
z O termo com o qual o verbo concorda (o verbo
Silêncio!
implorar está flexionado na 3ª pessoa do singular);
“A igreja, com este calor, é fornalha...” (Graciliano
Ramos) z O termo que pode ser substituído por um pronome
do caso reto.
Oração (Ele implorou pela compra da vacina da COVID-19.)

Enunciado que se estrutura em torno de um verbo Núcleo do sujeito


(explícito, implícito ou subentendido) ou de uma locu-
ção verbal. Quanto ao sentido, a oração pode apresen- O núcleo é a palavra base do sujeito. É a principal
tá-lo completo ou incompleto. porque é a respeito dela que o predicado diz algo. O
Ex.: Você é um dos que se preocupam com a núcleo indica a palavra que realmente está exercen-
poluição. do determinada função sintática, que atua ou sofre
“A roda de samba acabou” (Chico Buarque) a ação. O núcleo do sujeito apresentará um substan-
tivo, ou uma palavra com valor de substantivo, ou
Período pronome.

Período é o enunciado constituído de uma ou mais z O sujeito simples contém apenas um núcleo.
orações. Ex.: O povo pediu providências ao governador.
Classifica-se em: Sujeito: O povo
Núcleo do sujeito: povo
� Simples: possui apenas uma oração.
Ex.: O sol surgiu radiante. z Já o sujeito composto, o núcleo será constituído
Ninguém viu o acidente. de dois ou mais termos.
� Composto: possui duas ou mais orações. As luzes e as cores são bem visíveis.
Ex.: “Amou daquela vez como se fosse a última.” Sujeito: As luzes e as cores
(Chico Buarque) Núcleo do sujeito: luzes/cores
Chegou Em Casa E Tomou Banho.
Dica
PERÍODO SIMPLES – TERMOS DA ORAÇÃO
Para determinar o sujeito da oração, colocam-se
as expressões interrogativas quem? ou o quê?
Os termos que formam o período simples são dis-
Antes do verbo.
tribuídos em: essenciais (Sujeito e Predicado), inte-
grantes (complemento verbal, complemento nominal Ex.: A população pediu uma providência ao
e agente da passiva) e acessórios (adjunto adnominal, governador.
adjunto adverbial e aposto). quem pediu uma providência ao governador?
Resposta: A população (sujeito).
Termos Essenciais da Oração Ex.: O pêndulo do relógio iria de um lado para o
outro.
São aqueles indispensáveis para a estrutura básica o que iria de um lado para o outro?
da oração. Costuma-se associar esses termos a situa- Resposta: O pêndulo do relógio (sujeito).
ções analógicas, como um almoço tradicional brasi-
leiro constituído basicamente de arroz e feijão, por Tipos de Sujeito
exemplo. São eles: Sujeito e Predicado. Veremos a
seguir cada um deles. Quanto à função na oração, o sujeito classifica-se em:

SUJEITO
Simples
É o elemento que faz ou sofre a ação determinada DETERMINADO Composto
pelo verbo.
O sujeito pode ser: Elíptico

Com verbos flexionados na 3ª


� o termo sobre o qual o restante da oração diz algo; pessoa do plural
� o elemento que pratica ou recebe a ação expressa
INDETERMINADO Com verbos acompanhados do
pelo verbo;
se (índice de indeterminação do
� o termo que pode ser substituído por um pronome
sujeito)
do caso reto;
� o termo com o qual o verbo concorda. Usado para fenômenos da
INEXISTENTE natureza ou com verbos
Ex.: A população implorou pela compra da vacina
impessoais
36 da COVID-19.
z Determinado: quando se identifica a pessoa, o PREDICADO
lugar ou o objeto na oração. Classifica-se em:
É o termo que contém o verbo e informa algo sobre
„ Simples: quando há apenas um núcleo. o sujeito. Apesar de o sujeito e o predicado serem ter-
Ex.: O [aluguel] da casa é caro. mos essenciais na oração, há casos em que a oração
Núcleo: aluguel não possui sujeito. Mas, se a oração é estruturada em
Sujeito simples: O aluguel da casa torno de um verbo e ele está contido no predicado, é
„ Composto: quando há dois núcleos ou mais. impossível existir uma oração sem sujeito.
Ex.: Os [sons] e as [cores] ficaram perfeitos.
Núcleos: sons, cores. O predicado pode ser:
Sujeito composto: Os sons e as cores
z Aquilo que se declara a respeito do sujeito:
„ Elíptico, oculto ou desinencial: quando não
Ex.: “A esposa e o amigo seguem sua marcha.”
aparece na oração, mas é possível de ser identifi-
(José de Alencar)
cado devido à flexão do verbo ao qual se refere.
Predicado: seguem sua marcha
Ex.: Vi o noticiário hoje de manhã. Sujeito: (Eu)
z Uma declaração que não se refere a nenhum sujei-
z Indeterminado: quando não é possível identificar to (oração sem sujeito):
o sujeito na oração, mas ainda sim está presente. Ex.: Chove pouco nesta época do ano.
Encontra-se na 3ª pessoa do plural ou representa- Predicado: Chove pouco nesta época do ano.
do por um índice de indeterminação do sujeito, a
partícula “se”. Para determinar o predicado, basta separar o
sujeito. Ocorrendo uma oração sem sujeito, o predica-
„ Colocando-se o verbo na 3ª pessoa do plural, do abrangerá toda a declaração. A presença do verbo
não se referindo a nenhuma palavra determi- é obrigatória, seja de forma explícita ou implícita:
nada no contexto. Ex.: “Nossos bosques têm mais vida.” (Gonçalves
Ex.: Passaram cedo por aqui, hoje. Dias)
Entende-se que alguém passou cedo. Sujeito: Nossos bosques. Predicado: têm mais vida.
„ Colocando-se verbos sem complemento direto Ex.: “Nossa vida mais amores”. (Gonçalves Dias)
(intransitivos, transitivos diretos ou de ligação) Sujeito: Nossa vida. Predicado: mais amores.
na 3ª pessoa do singular acompanhados do pro-
nome se, que atua como índice de indetermina- Classificação do Predicado
ção do sujeito.
Ex.: Não se vê com a neblina. A classificação do predicado depende do significa-
Entende-se que ninguém consegue ver nessa do e do tipo de verbo que apresenta.
condição.
z Predicado nominal: ocorre quando o núcleo sig-
Classificação do Sujeito Quanto à Voz nificativo se concentra em um nome (corresponde
a um predicativo do sujeito).
z Voz ativa (sujeito agente) O verbo deste tipo de oração é sempre de ligação.
Ex.: Cláudia corta cabelos de terça a sábado. O predicado nominal tem por núcleo um nome
Nesse caso, o termo “Cláudia” é a pessoa que exer- (substantivo, adjetivo ou pronome).
ce a ação na frase. Ex.: “Nossas flores são mais bonitas.” (Murilo
Mendes)
z Voz passiva sintética (sujeito paciente)
Predicado: são mais bonitas.
Ex.: Corta-se cabelo.
Ex.: “As estrelas estão cheias de calafrios.” (Olavo
Pode-se ler “Cabelo é cortado”, ou seja, o sujeito
Bilac)
“cabelo” sofre uma ação, diferente do exemplo do
Predicado: estão cheias de calafrios.
item anterior. O “-se” é a partícula apassivadora da
oração.
É importante não confundir:
Importante notar que não há preposição entre
o verbo e o substantivo. Se houvesse, por exemplo, z Verbo de ligação: quando não exprime uma ação,
LÍNGUA PORTUGUESA

“de” no meio da frase, o termo “cabelo” não seria mais mas um estado momentâneo ou permanente que
sujeito, seria objeto indireto, um complemento verbal. relaciona o sujeito ao restante do predicado, que é
o predicativo do sujeito.
Precisa-se de cabelo.
z Predicativo do sujeito; função exercida por subs-
Assim, “de cabelo” seria um complemento verbal,
e não um sujeito da oração. Nesse caso, o sujeito é tantivo, adjetivo, pronomes e locuções que atri-
indeterminado, marcado pelo índice de indetermina- buem uma condição ou qualidade ao sujeito.
ção “-se”. Ex.: O garoto está bastante feliz.
Verbo de ligação: está.
z Voz passiva analítica (sujeito paciente) Predicativo do sujeito: bastante feliz.
Ex.: A minha saia azul está rasgada. Ex.: Seu batom é muito forte.
O sujeito está sofrendo uma ação, e não há presen- Verbo de ligação: é.
ça da partícula -se. Predicativo do sujeito: muito forte. 37
Predicado Verbal Ex.: “Fabiano marchou desorientado.” (Olavo Bilac)
Verbo intransitivo: marchou
Ocorre quando há dois núcleos significativos: um Predicativo do sujeito: desorientado
verbo (transitivo ou intransitivo) e um nome (predi-
cativo do sujeito ou, em caso transitivo, predicativo do No segundo exemplo, o termo “desorientado” indi-
objeto). Da natureza desse verbo é que decorrem os ca um estado do termo “Fabiano”, que também é sujei-
demais termos do predicado. to. Temos mais um caso de predicativo do sujeito.
O verbo do predicado pode ser classificado em
transitivo direto, transitivo indireto, verbo transi- Ex.: “Ptolomeu achou o raciocínio exato.” (Macha-
tivo direto e indireto ou verbo intransitivo. do de Assis)
Verbo transitivo direto: achou
z Verbo transitivo direto (VTD): é o verbo que exi- Objeto direto: o raciocínio
ge um complemento não preposicionado, o objeto Predicativo do objeto: exato
direto.
Ex.: “Fazer sambas lá na vila é um brinquedo.” No terceiro exemplo, o termo “exato” caracteriza
Noel Rosa um julgamento relacionado ao termo “o raciocínio”,
Verbo Transitivo Direto: Fazer. que é o objeto direto dessa oração. Com isso, podemos
concluir que temos um caso de predicativo do obje-
Ex.: Ele trouxe os livros ontem.
to, visto que “exato” não se liga a “Ptolomeu”, que é
Verbo Transitivo Direto: trouxe.
o sujeito.
z Verbo transitivo indireto (VTI): o verbo transiti- O que é o predicativo do objeto?
vo indireto tem como necessidade o complemen- É o termo que confere uma característica, uma
to acompanhado de uma preposição para fazer qualidade, ao que se refere.
sentido. A formação do predicativo do objeto se dá por um
Ex.: Nós acreditamos em você. adjetivo ou por um substantivo.
Verbo transitivo indireto: acreditamos Ex.: Consideramos o filme proveitoso.
Preposição: em Predicativo do objeto: proveitoso
Ex.: Frida obedeceu aos seus pais. Ex.: Chamavam-lhe vitoriosa, pelas conquistas.
Verbo transitivo indireto: obedeceu Predicativo do objeto: vitoriosa
Preposição: a (a + os) Para facilitar a identificação do predicativo do
Ex.: Os professores concordaram com isso. objeto, o recomendável é desdobrar a oração, acres-
Verbo transitivo indireto: concordaram centando-lhe um verbo de ligação, cuja função especí-
Preposição: com fica é relacionar o predicativo ao nome.
O filme foi proveitoso.
z Verbo transitivo direto e indireto (VTDI): é o Ela era vitoriosa.
verbo de sentido incompleto que exige dois com- Nessas duas últimas formas, os termos seriam pre-
plementos: objeto direto (sem preposição) e objeto dicativos do sujeito, pois são precedidos de verbos de
indireto (com preposição). ligação (foi e era, respectivamente).
Ex.: “Ela contava-lhe anedotas, e pedia-lhe ou-
tras.” (Machado de Assis) TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
Verbo transitivo direto e indireto 1: contava
Objeto direto 1: anedotas São vocábulos que se agregam a determinadas
Objeto indireto 1: lhe estruturas para torná-las completas. De acordo com
Verbo transitivo direto e indireto 2: pedia a gramática da língua portuguesa, esses termos são
Objeto direto 2: outras divididos em:
Objeto indireto 2: lhe.
Complementos Verbais
z Verbo intransitivo (VI): É aquele capaz de cons-
truir sozinho o predicado, que não precisa de com-
São termos que completam o sentido de verbos
plementos verbais, sem prejudicar o sentido da
transitivos diretos e transitivos indiretos.
oração.
Ex.: Escrevia tanto que os dedos adormeciam.
z Objeto direto: revela o alvo da ação. Não é acom-
Verbo intransitivo: adormeciam.
panhado de preposição.
Ex.: Examinei o relógio de pulso.
Predicado Verbo-Nominal Gostaria de vê-lo no topo do mundo.
O técnico convocou somente os do Brasil. (os =
Ocorre quando há dois núcleos significativos: aqueles)
um verbo nocional (intransitivo ou transitivo) e um
nome (predicativo do sujeito ou, em caso de verbo Pronomes e sua relação com o objeto direto
transitivo, predicativo do objeto). Além dos pronomes oblíquos o(s), a(s) e suas
variações lo(s), la(s), no(s), na(s), “que” quase sem-
Ex.: “O homem parou atento.” (Murilo Mendes) pre exercem função de objeto direto, os pronomes
Verbo intransitivo: parou oblíquos me, te, se, nos, vos também podem exercer
Predicativo do sujeito: atento essa função sintática.
Ex.: Levou-me à sabedoria esta aula. (= “Levaram
Repare que no primeiro exemplo o termo “atento” quem? A minha pessoa”)
está caracterizando o sujeito “O homem” e, por isso, é Nunca vos tomeis como grandes personalidades.
38 considerado predicativo do sujeito. (= “Nunca tomeis quem? Vós”)
Convidaram-na para o almoço de despedida. (= verbos transitivos indiretos e diretos. Representa
“Convidaram quem? Ela”) o ser beneficiado ou o alvo de uma ação.
Depois de terem nos recebido, abriram a caixa. (= Ex.: Por favor, entregue a carta ao proprietário da
“Receberam quem? Nós”) casa 260.
Os pronomes demonstrativos o, a, os, as podem Gosto de ti, meu nobre.
ser objetos diretos. Normalmente, aparecem antes do Não troque o certo pelo duvidoso.
pronome relativo que. Vamos insistir em promover o novo romance de
Ex.: Escuta o que eu tenho a dizer. (Escuta algo: ficção.
esse algo é o objeto direto)
Observe bem a que ele mostrar. (a = pronome Objeto indireto e o uso de pronomes pessoais
feminino definido)
Pode ser representado pelos seguintes pronomes
z Objeto direto preposicionado oblíquos átonos: me, te, se, no, vos, lhe, lhes. Os pro-
nomes o, a, os, as não exercerão essa função.
Mesmo que o verbo transitivo direto não exija Ex.: Mostre-lhe onde fica o banheiro, por favor.
preposição no seu complemento, algumas palavras Todos os pronomes oblíquos tônicos (me, mim,
requerem o uso da preposição para não perder o sen- comigo, te, ti, contigo) podem funcionar como objeto
tido de “alvo” do sujeito. indireto, já que sempre ocorrem com preposição.
Além disso, há alguns casos obrigatórios e outros Ex.: Você escreveu esta carta para mim?
facultativos.
z Objeto indireto pleonástico: Ocorrência repetida
Exemplos com ocorrência obrigatória de preposição: dessa função sintática com o objetivo de enfatizar
uma mensagem.
Não entendo nem a ele nem a ti. Ex.: A ele, sem reservas, supliquei-lhe ajuda.
Respeitava-se aos mais antigos.
Ali estava o artista a quem nosso amigo idolatrava. COMPLEMENTO NOMINAL
Amavam-se um ao outro.
“Olho Gabriela como a uma criança, e não mulher Completa o sentido de substantivos, adjetivos e
feita.” (Ciro dos Anjos) advérbios. É uma função sintática regida de preposi-
ção e com objetivo de completar o sentido de nomes. A
Exemplos com ocorrência facultativa de preposição: presença de um complemento nominal nos contextos
de uso é fundamental para o esclarecimento do senti-
Eles amam a Deus, assim diziam as pessoas daque- do do nome.
le templo. Ex.: Tenho certeza de que tu serás aprovado.
A escultura atrai a todos os visitantes. Estou longe de casa e tão perto do paraíso.
Não admito que coloquem a Sua Excelência num Para melhor identificar um complemento nomi-
pedestal. nal, siga a instrução:
Ao povo ninguém engana. Nome + preposição + quem ou quê
Eu detesto mais a estes filmes do que àqueles. Como diferenciar complemento nominal de com-
No caso “Você bebeu dessa água?”, a forma “des- plemento verbal?
sa” (preposição de + pronome essa) precisa estar pre- Ex.: Naquela época, só obedecia ao meu coração.
sente para indicar parte de um todo, quando assim (complemento verbal, pois “ao meu coração” liga-se
for o contexto de uso. Logo, a pergunta é se a pessoa diretamente ao verbo “obedecia”)
bebeu uma porção da água, e não ela toda. Naquela época, a obediência ao meu coração pre-
valecia. (complemento nominal, pois “ao meu cora-
z Objeto direto pleonástico: É a dupla ocorrência ção” liga-se diretamente ao nome “obediência”).
dessa função sintática na mesma oração, a fim de
enfatizar um único significado. Agente da Passiva

Ex.: “Eu não te engano a ti”. (Carlos Drummond de É o complemento de um verbo na voz passiva ana-
Andrade) lítica. Sempre é precedido da preposição por, e, mais
raramente, da preposição de.
z Objeto direto interno: Representado por palavra Forma-se essencialmente pelos verbos auxiliares
que tem o mesmo radical do verbo ou apresenta ser, estar, viver, andar, ficar.
mesmo significado.
LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: Riu um riso aterrador. Termos Acessórios da Oração


Dormiu o sono dos justos.
Há termos que, apesar de dispensáveis na estrutu-
Como diferenciar objeto direto de sujeito? ra básica da oração, são importantes para compreen-
Já começaram os jogos da seleção. (sujeito) são do enunciado porque trazem informações novas.
Ignoraram os jogos da seleção. (objeto direto) Esses termos são chamados acessórios da oração.
O objeto direto pode ser passado para a voz passi-
va analítica e se transforma em sujeito. Adjunto Adnominal
Os jogos da seleção foram ignorados.
São termos que acompanham o substantivo,
z Objeto indireto: É complemento verbal regido de núcleo de outra função, para qualificar, quantificar,
preposição obrigatória, que se liga diretamente a especificar o elemento representado pelo substantivo. 39
Categorias morfológicas que podem funcionar z Negação: Não permitirei que permaneça aqui;
como adjunto adnominal: z Afirmação: Sairia sim naquela manhã;
z Origem: Descendia de nobres.
z Artigos
z Adjetivos
Não confunda!
z Numerais
Para conseguir distinguir adjunto adverbial de
z Pronomes
adjunto adnominal, basta saber se o termo relacio-
z Locuções adjetivas
nado ao adjunto é um verbo ou um nome, mesmo que
o sentido seja parecido.
Ex.: Aqueles dois antigos soldadinhos de chumbo
Ex.: Descendência de nobres. (O “de nobres” aqui
ficaram esquecidos no quarto.
é um adjunto adnominal)
Iam cheios de si.
Descendia de nobres. (O “de nobres” aqui é um
Estava conquistando o respeito dos seus.
O novo regulamento originou a revolta dos adjunto adverbial)
funcionários.
O doutor possuía mil lembranças de suas viagens. Aposto

z Pronomes oblíquos átonos e a função de adjunto Estruturas relacionadas a substantivos, pronomes


adnominal: os pronomes me, te, lhe, nos, vos, lhes ou orações. O aposto tem como propósito explicar,
exercem essa função sintática quando assumem identificar, esclarecer, especificar, comentar ou apon-
valor de pronomes possessivos. tar algo, alguém ou um fato.
Ex.: Puxaram-me o cabelo (Puxam meu cabelo). Ex.: Renata, filha de D. Raimunda, comprou uma
bicicleta.
z Como diferenciar adjunto adnominal de com- Aposto: filha de D. Raimunda
plemento nominal? Ex.: O escritor Machado de Assis escreveu gran-
des obras.
Quando o adjunto adnominal for representado Aposto: Machado de Assis.
por uma locução adjetiva, ele pode ser confundido
com complemento nominal. Para diferenciá-los, siga Classifica-se nas seguintes categorias:
a dica:
z Explicativo: usado para explicar o termo anterior.
„ Será adjunto adnominal: se o substantivo ao Separa-se do substantivo a que se refere por uma
qual se liga for concreto. pausa, marcada na escrita por vírgulas, travessões
Ex.: A casa da idosa desapareceu. ou dois-pontos.
Se indicar posse ou o agente daquilo que Ex.: As filhas gêmeas de Ana, que aniversariaram
expressa o substantivo abstrato. ontem, acabaram de voltar de férias.
Ex.: A preferência do grupo não foi respeitada. Jéssica uma ótima pessoa, conseguiu apoio de todos.

„ Será complemento nominal: se indicar o alvo � Enumerativo: usado para desenvolver ideias que
daquilo que expressa o substantivo. foram resumidas ou abreviadas em um termo ante-
Ex.: A preferência pelos novos alojamentos não rior. Mostra os elementos contidos em um só termo.
foi respeitada. Ex.: Víamos somente isto: vales, montanhas e
Notava-se o amor pelo seu trabalho. riachos.
Se vier ligado a um adjetivo ou a um advérbio: Apenas três coisas me tiravam do sério, a saber,
Ex.: Manteve-se firme em seus objetivos. preconceito, antipatia e arrogância.
z Recapitulativo ou resumidor: É o termo usado
Adjunto Adverbial para resumir termos anteriores. É expresso, nor-
malmente, por um pronome indefinido.
Termo representado por advérbios, locuções Ex.: Os professores, coordenadores, alunos, todos
adverbiais ou adjetivos com valor adverbial. Relacio- estavam empolgados com a feira.
na-se ao verbo ou a toda oração para indicar variadas Irei a Moçambique, Cabo Verde, Angola e Guiné-
circunstâncias. -Bissau, países africanos onde se fala português.
� Comparativo: Estabelece uma comparação implícita.
z Tempo: Quero que ele venha logo;
Ex.: Meu coração, uma nau ao vento, está sem
z Lugar: A dança alegre se espalhou na avenida; rumo.
z Modo: O dia começou alegremente;
� Circunstancial: Exprime uma característica
z Intensidade: Almoçou pouco; circunstancial.
z Causa: Ela tremia de frio; Ex.: No inverno, busquemos sair com roupas
z Companhia: Venha jantar comigo; apropriadas.
z Instrumento: Com a máquina, conseguiu lavar as � Especificativo: É o aposto que aparece junto a um
roupas; substantivo de sentido genérico, sem pausa, para
z Dúvida: Talvez ele chegue mais cedo; especificá-lo ou individualizá-lo. É constituído por
substantivos próprios.
z Finalidade: Vivia para o trabalho;
Exs.: O mês de abril.
z Meio: Viajou de avião devido à rapidez; O rio Amazonas.
40 z Assunto: Falávamos sobre o aluguel; Meu primo José.
z Aposto da oração: É um comentário sobre o Aposto: cozinheiro da família (relaciona-se ao
fato expresso pela oração, ou uma palavra que sujeito).
condensa.
Ex.: Após a notícia, ficou calado, sinal de sua PERÍODO COMPOSTO
preocupação.
O noticiário disse que amanhã fará muito calor – Observe os exemplos a seguir:
ideia que não me agrada. A apostila de Português está completa.
� Distributivo: Dispõe os elementos equitativamente. Um verbo: Uma oração = período simples
Ex.: Separe duas folhas: uma para o texto e outra Português e Matemática são disciplinas essen-
para as perguntas. ciais para ser aprovado em concursos.
Sua presença era inesperada, o que causou surpresa. Dois verbos: duas orações = período composto
O período composto é formado por duas ou mais
Dica orações. Num parágrafo, podem aparecer misturado
� O aposto pode aparecer antes do termo a que períodos simples e período compostos.
se refere, normalmente antes do sujeito.
Ex.: Maior piloto de todos os tempos, Ayrton Sen- PERÍODO SIMPLES PERÍODO COMPOSTO
na marcou uma geração.
� Segundo “o gramático” Cegalla, quando o apos- O povo levantou-se cedo
to se refere a um termo preposicionado, pode ele Era dia de eleição
para evitar aglomeração
vir igualmente preposicionado.
Ex.: De cobras, (de) morcegos, (de) bichos, de
Para não esquecer:
tudo ele tinha medo.
� O aposto pode ter núcleo adjetivo ou adverbial. Período simples é aquele formado por uma só
Ex.: Tuas pestanas eram assim: frias e curvas. oração.
(adjetivos, apostos do predicativo do sujeito) Período composto é aquele formado por duas ou
Falou comigo deste modo: calma e maliciosa- mais orações.
mente. (advérbios, aposto do adjunto adverbial Classifica-se nas seguintes categorias:
de modo).
z Por coordenação: orações coordenadas assindéticas;
z Diferença de aposto especificativo e adjunto
adnominal: Normalmente, é possível retirar a „ Orações coordenadas sindéticas: aditivas, adver-
preposição que precede o aposto. Caso seja um sativas, alternativas, conclusivas, explicativas.
adjunto, se for retirada a preposição, a estrutura
fica prejudicada. z Por subordinação:
Ex.: A cidade Fortaleza é quente.
(aposto especificativo / Fortaleza é uma cidade) „ Orações subordinadas substantivas: subjeti-
O clima de Fortaleza é quente.
vas, objetivas diretas, objetivas indiretas, com-
(adjunto adnominal / Fortaleza é um clima?)
pletivas nominais, predicativas, apositivas;
z Diferença de aposto e predicativo do sujeito: O „ Orações subordinadas adjetivas: restritivas,
aposto não pode ser um adjetivo nem ter núcleo explicativas;
adjetivo. „ Orações subordinadas adverbiais: causais,
Ex.: Muito desesperado, João perdeu o controle. comparativas, concessivas, condicionais, con-
(predicativo do sujeito; núcleo: desesperado – ad- formativas, consecutivas, finais, proporcionais,
jetivo) temporais.
Homem desesperado, João sempre perde o con-
trole. z Por coordenação e subordinação: orações for-
(aposto; núcleo: homem – substantivo) madas por períodos mistos;
z Orações reduzidas: de gerúndio e de infinitivo.
Vocativo
Período Composto por Coordenação
O vocativo é um termo que não mantém relação
sintática com outro termo dentro da oração. Não per- As orações são sintaticamente independentes. Isso
tence nem ao sujeito, nem ao predicado. É usado para significa que uma não possui relação sintática com
chamar ou interpelar a pessoa que o enunciador dese- verbos, nomes ou pronomes das demais orações no
ja se comunicar. É um termo independente, pois
período.
LÍNGUA PORTUGUESA

não faz parte da estrutura da oração.


Ex.: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
Ex.: Recepcionista, por favor, agende minha
(Fernando Pessoa)
consulta.
Ela te diz isso desde ontem, Fábio. Oração coordenada 1: Deus quer
Oração coordenada 2: o homem sonha
z Para distinguir vocativo de aposto: o vocati- Oração coordenada 3: a obra nasce
vo não se relaciona sintaticamente com nenhum Ex.: “Subi devagarinho, colei o ouvido à porta da
outro termo da oração. sala de Damasceno, mas nada ouvi.” (M. de Assis)
Ex.: Lufe, faz um almoço gostoso para as crianças. Oração coordenada assindética: Subi devagarinho
O aposto se relaciona sintaticamente com outro Oração coordenada assindética: colei o ouvido à
termo da oração. porta da sala de Damasceno
A cozinha de Lufe, cozinheiro da família, é impecável. Oração coordenada sindética: mas nada ouvi
Sujeito: a cozinha de lufe. Conjunção adversativa: mas nada 41
Orações Coordenadas Sindéticas z Orações subordinadas substantivas conectivas:
são introduzidas pelas conjunções subordinativas
As orações coordenadas podem aparecer ligadas integrantes que e se.
às outras através de um conectivo (elo), ou seja, atra- Ex.: Dizem que haverá novos aumentos de
vés de um síndeto, de uma conjunção, por isso o nome impostos.
sindética. Veremos agora cada uma delas: Não sei se poderei sair hoje à noite.

z Aditivas: exprimem ideia de sucessibilidade ou z Orações subordinadas substantivas justapos-


tas: introduzidas por advérbios ou pronomes
simultaneidade.
interrogativos (onde, como, quando, quanto,
Conjunções constitutivas: e, nem, mas, mas tam-
quem etc.)
bém, mas ainda, bem como, como também, se- Ex.: Ignora-se onde eles esconderam as joias
não também, que (= e). roubadas.
Ex.: Pedro casou-se e teve quatro filhos. Não sei quem lhe disse tamanha mentira.
Os convidados não compareceram nem explica-
ram o motivo. z Orações subordinadas substantivas reduzidas:
não são introduzidas por conectivo, e o verbo fica
z Adversativas: exprimem ideia de oposição, con- no infinitivo.
traste ou ressalva em relação ao fato anterior. Ex.: Ele afirmou desconhecer estas regras.
Conjunções constitutivas: mas, porém, todavia,
contudo, entretanto, no entanto, senão, não obs- z Orações subordinadas substantivas subjetivas:
tante, ao passo que, apesar disso, em todo caso. exercem a função de sujeito. O verbo da oração
Ex.: Ele é rico, mas não paga as dívidas. principal deve vir na voz ativa, passiva analítica
“A morte é dura, porém longe da pátria é dupla a ou sintética. Em 3ª pessoa do singular, sem se refe-
morte.” (Laurindo Rabelo) rir a nenhum termo na oração.
Ex.: Foi importante o seu regresso. (sujeito)
Foi importante que você regressasse. (sujeito ora-
z Alternativas: exprimem fatos que se alternam ou
cional) (or. sub. subst. subje.)
se excluem.
Conjunções constitutivas: (ou), (ou ... ou), (ora ... z Orações subordinadas substantivas objetivas
ora), (que ... quer), (seja ... seja), (já ... já), (talvez diretas: exercem a função de objeto direto de um
... talvez). verbo transitivo direto ou transitivo direto e indi-
Ex.: Ora responde, ora fica calado. reto da oração principal.
Você quer suco de laranja ou refrigerante? Ex.: Desejo o seu regresso. (OD)
Desejo que você regresse. (OD oracional) (or. sub.
z Conclusivas: exprimem uma conclusão lógica subst. obj. dir.)
sobre um raciocínio.
Conjunções constitutivas: logo, portanto, por con- z Orações subordinadas substantivas completi-
seguinte, pois isso, pois (o “pois” sem ser no início vas nominais: exercem a função de complemento
de frase). nominal de um substantivo, adjetivo ou advérbio
Ex.: Estou recuperada, portanto viajarei próxima da oração principal.
semana. Ex.: Tenho necessidade de seu apoio. (comple-
“Era domingo; eu nada tinha, pois, a fazer.” (Paulo mento nominal)
Tenho necessidade de que você me apoie. (com-
Mendes Campos)
plemento nominal oracional) (or. sub. subst. com-
pl. nom.)
z Explicativas: justificam uma opinião ou ordem
expressa. z Orações subordinadas substantivas predicati-
Conjunções constitutivas: que, porque, porquan- vas: funcionam como predicativos do sujeito da
to, pois. oração principal. Sempre figuram após o verbo de
Ex.: Vamos dormir, que é tarde. (o “que” equivale ligação ser.
a “pois”) Ex.: Meu desejo é a sua felicidade. (predicativo do
Vamos almoçar de novo porque ainda estamos sujeito)
com fome. Meu desejo é que você seja feliz. (predicativo do
sujeito oracional) (or. sub. subst. predic.)
PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
z Orações subordinadas substantivas apositivas:
Formado por orações sintaticamente dependentes, funcionam como aposto. Geralmente vêm depois
considerando a função sintática em relação a um ver- de dois-pontos ou entre vírgulas.
bo, nome ou pronome de outra oração. Ex.: Só quero uma coisa: a sua volta imediata. (aposto)
Só quero uma coisa: que você volte imediata-
Tipos de orações subordinadas:
mente. (aposto oracional) (or. sub. aposi.)
z Substantivas;
z Orações subordinadas adjetivas: desempenham
z Adjetivas; função de adjetivo (adjunto adnominal ou, mais
z Adverbiais. raramente, aposto explicativo). São introduzidas
por pronomes relativos (que, o qual, a qual, os
Orações Subordinadas Substantivas quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas etc.) As
orações subordinadas adjetivas classificam-se em:
42 São classificadas nas seguintes categorias: explicativas e restritivas.
z Orações subordinadas adjetivas explicativas: � Orações subordinadas adverbiais consecuti-
não limitam o termo antecedente, e sim acrescen- vas: são introduzidas por: que (precedido na ora-
tam uma explicação sobre o termo antecedente. ção anterior de termos intensivos como tão, tanto,
São consideradas termo acessório no período, tamanho etc.) de sorte que, de modo que, de forma
podendo ser suprimidas. Sempre aparecem isola- que, sem que.
das por vírgulas. Ex.: A garota rio tanto, que se engasgou.
Ex.: Minha mãe, que é apaixonada por bichos, “Achei as rosas mais belas do que nunca, e tão per-
cria trinta gatos. fumadas que me estontearam.” (Cecília Meireles)

z Orações subordinadas adjetivas restritivas: � Orações subordinadas adverbiais finais: indi-


especificam ou limitam a significação do termo cam um objetivo a ser alcançado. São introduzidas
antecedente, acrescentando-lhe um elemento por: para que, a fim de que, porque e que (= para
indispensável ao sentido. Não são isoladas por que).
vírgulas. Ex.: O pai sempre trabalhou para que os filhos
Ex.: A doença que surgiu recentemente ainda é tivessem bom estudo.
incurável.
� Orações subordinadas adverbiais proporcio-
nais: são introduzidas por: à medida que, à pro-
Dica porção que, quanto mais, quanto menos etc.
Como diferenciar as orações subordinadas adje- Ex.: Quanto mais ouço essa música, mas a
tivas restritivas das orações subordinadas adjeti- aprecio.
vas explicativas?
� Orações subordinadas adverbiais temporais:
Ele visitará o irmão que mora em Recife.
são introduzidas por: quando, enquanto, logo que,
(restritiva, pois ele tem mais de um irmão e vai
depois que, assim que, sempre que, cada vez que,
visitar apenas o que mora em Recife) agora que etc.
Ele visitará o irmão, que mora em Recife. Ex.: Assim que você sair, feche a porta, por favor.
(explicativa, pois ele tem apenas um irmão que
mora em Recife) Para separar as orações de um período composto, é
necessário atentar-se para dois elementos fundamen-
� Orações subordinadas adverbiais: exprimem tais: os verbos (ou locuções verbais) e os conectivos
uma circunstância relativa a um fato expresso em (conjunções ou pronomes relativos). Após assinalar
outra oração. Têm função de adjunto adverbial. esses elementos, deve-se contar quantas orações ele
São introduzidas por conjunções subordinativas representa, a partir da quantidade de verbos ou locu-
(exceto as integrantes) e se enquadram nos seguin- ções verbais. Ex:
tes grupos:
[“A recordação de uns simples olhos basta] – 1ª oração
[para fixar outros] – 2ª oração
� Orações subordinadas adverbiais causais: são
[que os rodeiam] – 3ª oração
introduzidas por: como, já que, uma vez que, por-
[e se deleitem com a imaginação deles]. – 4ª ora-
que, visto que etc.
ção (M. de Assis)
Ex.: Caminhamos o restante do caminho a pé por-
que ficamos sem gasolina.
Nesse período, a 2ª oração subordina-se ao verbo
basta, pertencente à 1ª (oração principal).
� Orações subordinadas adverbiais comparati- A 3ª e a 4ª são orações coordenadas entre si, porém
vas: são introduzidas por: como, assim como, tal ambas dependentes do pronome outros, da 2ª oração.
qual, como, mais etc.
Ex.: A cerveja nacional é menos concentrada (do) Orações Reduzidas
que a importada.
z Apresentam o mesmo verbo em uma das formas
� Orações subordinadas adverbiais concessivas: nominais (gerúndio, particípio e infinitivo);
indica certo obstáculo em relação ao fato expres-
so na outra oração, sem, contudo, impedi-lo. São z As que são substantivas e adverbiais: nunca são
introduzidas por: embora, ainda que, mesmo que, iniciadas por conjunções;
por mais que, se bem que etc. z As que são adjetivas: nunca podem ser iniciadas
LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: Mesmo que chova, iremos à praia amanhã. por pronomes relativos;

� Orações subordinadas adverbiais condicionais: z Podem ser reescritas (desenvolvidas) com esses
são introduzidas por: se, caso, desde que, salvo se, conectivos;
contanto que, a menos que etc. z Podem ser iniciadas por preposição ou locução
Ex.: Você terá sucesso desde que se esforce para prepositiva.
tal. Ex.: Terminada a prova, fomos ao restaurante.
O. S. Adv. reduzida de particípio: não começa com
� Orações subordinadas adverbiais conformati- conjunção
vas: são introduzidas por: como, conforme, segun- Quando terminou a prova, fomos ao restaurante.
do, consoante. (desenvolvida)
Ex.: Ele deverá agir conforme combinamos. O. S. Adv. Desenvolvida: começa com conjunção 43
Orações Reduzidas de Infinitivo Períodos Mistos

Podem ser substantivas, adjetivas ou adverbiais. São períodos que apresentam estruturas oracio-
Se o infinitivo for pessoal, irá flexionar normalmente. nais de coordenação e subordinação.
Assim, às vezes aparecem orações coordenadas
z Substantivas: dentro de um conjunto de orações que são subordina-
Ex.: É preciso trabalhar muito. (O. S. substantiva das a uma oração principal.
subjetiva reduzida de infinitivo)
Deixe o aluno pensar. (O. S. substantiva objetiva
1ª oração 2ª oração 3ª oração
direta reduzida de infinitivo)
A melhor política é ser honesto. (O. S. substantiva O homem entrou na sala e pediu que todos calassem.
predicativa reduzida de infinitivo)
Este é um difícil livro de se ler. (O. S. substantiva verbo verbo verbo
completiva nominal reduzida de infinitivo)
Temos uma missão: subir aquela escada. (O. S. 1ª oração: oração coordenada assindética.
substantiva apositiva reduzida de infinitivo) 2ª oração: oração coordenada sindética aditiva
em relação à 1ª oração e principal em relação à 3ª
z Adjetivas: oração.
Ex.: João não é homem de meter os pés pelas 3ª oração: coordenada substantiva objetiva direta
mãos. em relação à 2ª oração.
O meu manual para fazer bolos certamente vai
agradar a todos. Resumindo: período composto por coordenação e
subordinação.
z Adverbiais: As orações subordinadas são coordenadas entre si,
Ex.: Apesar de estar machucado, continua jogan- ligadas ou não por conjunção.
do bola.
Sem estudar, não passarão. z Orações subordinadas substantivas coordena-
Ele passou mal, de tanto comer doces. das entre si
Ex.: Espero que você não me culpe, que não culpe
Orações Reduzidas de Gerúndio meus pais, nem que culpe meus parentes.
Oração principal: Espero
Podem ser coordenadas aditivas, substantivas apo- Oração coordenada 1: que você não me culpe
sitivas, adjetivas, adverbiais. Oração coordenada 2: que não culpe meus pais
Oração coordenada 3: nem que culpe meus
z Coordenada aditiva: parentes.
Ex.: Pagou a conta, ficando livre dos juros.
z Substantiva apositiva:
Ex.: Não mais se vê amigo ajudando um ao outro. Importante!
(subjetiva) O segredo para classificar as orações é per-
Agora ouvimos artistas cantando no shopping.
ceber os conectivos (conjunções e pronomes
(objetiva direta)
relativos).
z Adjetiva:
Ex.: Criança pedindo esmola dói o coração.
� Orações subordinadas adjetivas coordenadas
z Adverbial: entre si
Ex.: Temendo a reação do pai, não contou a Ex.: A mulher que é compreensiva, mas que é
verdade. cautelosa, não faz tudo sozinha.
Oração subordinada adjetiva 1: que é compreensiva
Orações Reduzidas de Particípio Oração subordinada adjetiva 2: mas que é
cautelosa
Podem ser adjetivas ou adverbiais.
� Orações subordinadas adverbiais coordenadas
� Adjetiva: entre si
Ex.: A notícia divulgada pela mídia era falsa. Ex.: Não só quando estou presente, mas também
Nosso planeta, ameaçado constantemente por quando não estou, sou discriminado.
nós mesmos, ainda resiste. Oração subordinada adverbial 1: quando estou
presente
� Adverbiais:
Oração subordinada adverbial 2: quando não
Ex.: Aceitas as condições, não haveria problemas.
estou
(condicional)
Dada a notícia da herança, as brigas começaram. � Orações coordenadas ou subordinadas no mes-
(causal/temporal) mo período
Comprada a casa, a família se mudou logo. Ex.: Presume-se que as penitenciárias cumpram
(temporal) seu papel, no entanto a realidade não é assim.
Oração principal: Presume-se
O particípio concorda em gênero e número com os Oração subordinada subjetiva da principal: as
termos referentes. penitenciárias cumpram seu papel
Essas orações reduzidas adverbiais são bem fre- Oração coordenada sindética adversativa da ante-
44 quentes em provas de concurso. rior: no entanto a realidade não é assim.
z Variação diatópica ou geográfica
NÍVEIS DE LINGUAGEM E SUA
ADEQUAÇÃO ÀS VÁRIAS SITUAÇÕES A variação diatópica pode ocorrer com sons dife-
rentes. Quando isso acontece, dizemos que ocorreu
COMUNICATIVAS uma variação diatópica fonética, já que fonética sig-
nifica aquilo que diz respeito aos sons da fala. Temos
A língua não é uma, ou seja, não é indivisível;
também o exemplo das variações que ocorrem em
ela pode ser considerada um conjunto de dialetos.
diversas partes do país. Em Curitiba, PR, os jovens cha-
Alguém já disse que em país algum se fala uma língua
mam de penal o estojo escolar para guardar canetas e
só, há várias línguas dentro da língua oficial. E no Bra-
lápis; no Nordeste, é comum usarem a palavra cheiro
sil não é diferente: pode-se até afirmar que cada cida-
para representar um carinho feito em alguém. O que
dão tem a sua. A essa característica da língua damos
em outras regiões se chamaria de beijinho. Macaxei-
o nome de variação linguística. De forma sintética,
ra, no Norte e no Nordeste, é a mandioca ou o aipim.
podemos dividir de duas formas a língua “brasileira”:
Essa variação denominamos diatópica lexical, já que
padrão formal e padrão informal; cada um desses
lexical significa algo relativo ao vocabulário.
tipos apresenta suas peculiaridades e espécies deriva-
das. Vejamos:
z Variação diastrática ou sociocultural
PADRÃO FORMAL
A variação diastrática, como também ocorre com
Norma Culta a diatópica, pode ser fonética, lexical e sintática,
dependendo do que seja modificado pelo falar do indi-
A norma culta da língua portuguesa é estabelecida víduo: falar adevogado, pineu, bicicreta, é exemplo de
pelos padrões definidos conforme a classe social mais variação diastrática fonética. Usar “presunto” no
abastada, detentora de poder político e cultural. As lugar de corpo de pessoa assassinada é variação dias-
pessoas cujo padrão social lhe permite gozar de pri- trática lexical. E falar “Houveram menas percas” no
vilégios na sociedade têm o poder de ditar, inclusive, lugar de “Houve menos perdas” é variação diastráti-
as regras da língua, direcionando o que é considerado ca sintática.
permitido e aquilo que não é.
z Variação diafásica ou estilística
Norma Padrão
A variação diafásica, como ocorreu com a diató-
A norma padrão diz respeito às regras organizadas pica e com a diastrática, pode ser também fonética,
nas gramáticas, estabelecendo um conjunto de regras lexical e sintática. Dizer “veio”, com o e aberto, não
e preceitos que devem ser respeitados na utilização por morar em determinado lugar nem porque todos
da língua. Essa norma apresenta um caráter mais abs- de sua camada social usem, é usar a variação diafá-
trato, tendo em vista que também considera fatores sica fonética. Um padre, em um momento de descon-
sociais, como a norma culta. tração, brincando com alguém, dizer “presunto” para
representar o “corpo de pessoa assassinada”, usa a
Língua Formal variação diafásica lexical. E, finalmente, um advo-
gado dizer “Encontrei ele”, também em momento
A língua formal não está, diretamente, associada de descontração, no lugar de “Encontrei-o” é usar a
a padrões sociais; embora saibamos que a influência variação diafásica sintática.
social exerce grande poder na língua, a língua formal
busca formalizar em regras e padrões as suas normas
a fim de estabelecer um preceito mais concreto sobre VARIAÇÃO DIAFÁSICA
a linguagem. Mudança no som, como
veio (pronúncia com E aber-
PADRÃO INFORMAL Diafásica fonética to) e more (pronúncia com
E fechado, assemelhando-
Coloquialismo -se quase a pronúncia de i)
Ocorre em contextos de
Diz respeito a qualquer traço de linguagem (foné- informalidade, em que há
tico, lexical, morfológico, sintático ou semântico) que
Diafásica lexical mais liberdade para usar
apresenta formas informais no falar e/ou escrever.
gírias e expressões lexicais
diferentes
Oralidade
Ocorre com a alteração
LÍNGUA PORTUGUESA

A oralidade marca as maneiras informais de se Diafásica sintática dos elementos sintáticos,


comunicar. Tais formas não são reconhecidas pela ocasionando erros
norma formal, e, por isso, são chamadas de registros
orais ou coloquiais, embora nem sempre sejam reali- z Variação diacrônica
zados apenas pela linguagem oral.
Diz respeito à mudança de forma e/ou sentido
Linguagem Coloquial estabelecido em algumas palavras ao longo dos anos.
Podemos citar alguns exemplos comuns, como as
A linguagem coloquial marca formas fora do palavras Pharmácia – Farmácia; Vossa Mercê – Você.
padrão estabelecido pela gramática. Como sabemos, Além dessas, a variação diacrônica também marca a
existem alguns tipos de variação linguística; dentre presença de gírias comuns em determinadas épocas,
elas, as mais comuns em provas de concurso são: como broto, chocante, carango etc. 45
legitimidade.” (Coisas que o povo diz, Luís da Câmara
HORA DE PRATICAR! Cascudo)
“Purificado o consulente, dizia em sussurro ao ouvido
1. (FGV – 2021) A frase abaixo em que há erro no empre- do ídolo o seu desejo secreto, formulando a súplica
go ou na ausência do artigo definido é: angustiada.”

a) Não importa se o gato é preto ou branco, desde que Como o gerúndio é empregado predominantemente
ele pegue os ratos. com valor adverbial, o valor dessa forma verbal, nesse
b) As grandes ideias sempre encontram os homens que exemplo, é o de:
as procuram.
c) As ideias concordam bem mais entre si do que os a) Gerúndio temporal.
homens. b) Gerúndio condicional.
d) Todo o dia em que se trabalha é um dia perdido. c) Gerúndio concessivo.
e) A virtude premeditada é a virtude do vício. d) Gerúndio explicativo.
e) Gerúndio modal.
2. (FGV – 2019) Texto 3
5. (FGV – 2021) Segundo a norma culta, assinale a fra-
Os velhos estão sempre aconselhando os jovens a se em que o demonstrativo sublinhado está bem
guardar dinheiro. Digo que este é um mau conselho. empregado.
Não guardem um centavo; invistam em si mesmo ape-
nas. Eu nunca economizei um dólar sequer antes dos a) “Nada é gratuito nesse mundo em que vivemos.”
40 anos de idade. (Henry Ford) b) “É preciso sempre desculpar-se por ter agido bem —
Velhos e jovens no Texto 3 são originalmente adjetivos nada fere mais do que isso.”
que se encontram substantivados; o mesmo ocorre na c) “Marido e mulher amavam os hóspedes, porque sem
seguinte frase: aqueles acabavam brigando.”
d) “Isto que é estrangeiro tem sempre uma aparência
a) Os homens realmente educados são os autodidatas. aristocrática para nós.”
b) O que a escultura faz ao mármore, a instrução faz à e) “Não quero que as pessoas sejam muito gentis; isto
alma humana. me poupa do trabalho de gostar muito delas.”
c) Você é único. Se isso não é suficiente, algo se perdeu.
d) É difícil uma pessoa sentir-se confortável sem ter a 6. (FGV – 2021) Texto 3 – Machado de Assis e o fumo
própria aprovação.
e) O homem sem educação é a caricatura de si mesmo. 1. “Quando fumo, parece que aspiro a eternidade. Enlevo-
-me todo e mudo de ser. Divina invenção!”.
3. (FGV – 2019) O vocábulo “maior” se refere prioritaria- 2. “Fumar é um mau vício, mas é o meu único vício.”
mente a realidades que tenham uma extensão física; 3. “Fumar é a sentença fúnebre que nos acompanha em
nesse caso, a frase abaixo em que esse vocábulo foi toda parte.”
bem empregado é: 4. “O fumo impede as lágrimas, e ao mesmo tempo leva
ao cérebro uma espécie de nevoeiro salutar.”
a) Para maiores informações, leia o Código Penal. 5. “Depois da invenção do fumo não há solidão possível.”
b) Um dos maiores freios aos delitos não é a crueldade
das penas. As frases 3 e 4 do texto 3 mostram duas expressões
c) Não é a intensidade da pena, mas sua extensão, que adverbiais: “em toda parte” e “ao mesmo tempo”.
traz os maiores resultados. Os advérbios que equivalem semanticamente a essas
d) A maior punição de um crime não provém da lei. expressões são, respectivamente:
e) Já está lotada a maior prisão do país.
a) universalmente / simultaneamente.
4. (FGV – 2021) Texto 2 – Voz do Povo, Voz de Deus b) localizadamente / paulatinamente.
c) localmente / progressivamente.
“O vox populi, vox Dei parece referir-se à opinião públi- d) universalmente / cronologicamente.
ca, ao consenso da cidade, unânime ou em matéria e) situacionalmente / paulatinamente.
decisiva num determinado julgamento. Vale a senten-
ça ditada pela coletividade. 7. (FGV – 2019) “Perseguido pelo branco, o negro no
Creio tratar-se de outra origem, mais diretamente liga- Brasil escondeu as suas crenças nos terreiros das
da a um processo de consulta divina sendo o povo o macumbas e dos candomblés. O folclore foi a válvula
oráculo, a pítia da transmissão. pela qual ele se comunicou com a civilização branca,
Hermes, o Mercúrio de Roma, possuía em Acaia, ao impregnando-a de maneira definitiva. As suas primi-
norte do Peloponeso, um templo onde se manifestava, tivas festas cíclicas — de religião e magia, de amor,
respondendo as consultas dos devotos pela singular de guerra, de caça e de pesca... — entremostraram-se
e sugestiva fórmula das vozes anônimas. Purificado assim disfarçadas e irreconhecíveis.
o consulente, dizia em sussurro ao ouvido do ídolo o O negro aproveitou as instituições aqui encontradas e
seu desejo secreto, formulando a súplica angustiada. por elas canalizou o seu inconsciente ancestral:
Erguia-se, tapando as orelhas com as mãos, e vinha nos autos europeus e ameríndios do ciclo das janei-
até o átrio do templo, onde arredava os dedos, espe- ras, nas festas populares, na música e na dança, no
rando ouvir as primeiras palavras dos transeuntes. carnaval...”
Essas palavras eram a resposta do oráculo, a deci-
são do deus. Vox populi, vox Dei, na sua expressiva (Luís da Câmara Cascudo. Antologia do folclore brasileiro - Volume
I. São Paulo, Martins, 1956)
46
Os termos grifados no texto são conectores; o sentido respirar um instante com multas e exigências vexató-
inadequado de um desses conectores é: rias; enquanto pela sorrelfa* plantava no espírito dos
seus inquilinos um verdadeiro ódio de partido, que os
a) Pelo / agente de ação. incompatibilizava com a gente do “Cabeça-de-Gato”.
b) Nos / lugar. Aquele que não estivesse disposto a isso ia direitinho
c) Com / companhia. para a rua, “que ali se não admitiam meias medidas a
d) E / adição. tal respeito! Ah! ou bem peixe ou bem carne! Nada de
e) Por / meio. embrulho!”.

8. (FGV – 2021) Texto 1 AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço, 1890. Disponível em: http://www.
dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000015.pdf. Acesso em
27 jul. 2020.
“A instituição policial brasileira, segundo documenta-
ção existente no Museu Nacional do Rio de Janeiro,
* sorrelfa: dissimulação silenciosa para enganar ou
data de 1530, quando da chegada de Martim Afonso
iludir.
de Sousa enviado ao Brasil – Colônia por D. João III. A
Assinale a opção em que o vocábulo destacado se
pesquisa histórica revela que no dia 20 de novembro
encontra corretamente grafado segundo o sentido
de 1530, a polícia brasileira iniciava as suas ações, pro-
expresso entre parênteses.
movendo justiça e organizando os serviços de ordem
pública, como melhor entendesse nas terras conquis-
a) Num cortiço, não se pode contar muito com a descri-
tadas do Brasil. A partir de então a instituição policial
ção das pessoas. (Qualidade de quem é reservado)
brasileira passou por seguidas reformulações nos
b) O cortiço queria novos inquilinos e, por isso, não des-
anos de 1534, 1538, 1557, 1565, 1566, 1603, e, assim,
criminava ninguém. (Fazer distinção)
sucessivamente. Somente em 1808, com a chegada
c) O perfil dos inquilinos não diferia muito de um cortiço
do príncipe Dom João ao Brasil, a polícia começou a
para o outro. (Distinguir-se)
ser estruturada, comandada por um delegado e com-
d) Uma briga entre os moradores dos cortiços era emi-
posta por escrivães e agentes.”
nente. (Prestes a ocorrer)
e) Os moradores de um cortiço taxavam os do outro
Os termos sublinhados no texto 1 são conectores, ou
cortiço de serem pessoas baixas. (Pôr defeitos em
seja, ligam partes do texto; a opção abaixo em que o
alguém)
valor semântico de um desses termos não está corre-
tamente indicado é:
10. (FGV – 2021) A partir da leitura do Texto III, é correto
afirmar que
a) Segundo = conformidade.
b) Quando = tempo.
a) João Romão incitava, em seus inquilinos, a raiva pelos
c) Como = conformidade.
moradores do cortiço vizinho, levando-os a ter fre-
d) Assim = modo.
quentes confrontos corporais.
e) Com = companhia.
b) O cortiço de João Romão enfrentava problemas de
desocupação devido às consequências da febre ama-
9. (FGV – 2021) Atenção: as questões devem ser respon-
rela, que ceifou a vida de muitos de seus inquilinos.
didas a partir do Texto III.
c) A coexistência do cortiço de João Romão e do “Cabe-
ça-de-Gato”, desde que o primeiro foi inaugurado, fez
Texto III da rivalidade entre os cortiços algo famoso no bairro
todo.
À proporção que alguns locatários abandonavam a d) O aumento da população infantil no cortiço gerava
estalagem, muitos pretendentes surgiam disputando ônus para o proprietário, uma vez que crianças não
os cômodos desalugados. Delporto e Pompeo foram pagavam para morarem ali, ocupando o lugar de
varridos pela febre amarela e três outros italianos pagantes.
estiveram em risco de vida. O número dos hóspedes e) A animosidade que João Romão sentia pelo outro cor-
crescia, os casulos subdividiam-se em cubículos do tiço o fazia ameaçar com despejo os inquilinos que
tamanho de sepulturas, e as mulheres iam despejando não compartilhassem com ele desse sentimento.
crianças com uma regularidade de gado procriador.
Uma família, composta de mãe viúva e cinco filhas sol- 11. (FGV – 2019) “Nunca serei juiz. Neste grande vale onde
teiras, das quais destas a mais velha tinha trinta anos a espécie humana nasce, vive, morre, se reproduz, se
e a mais moça quinze, veio ocupar a casa que Dona cansa, e depois volta a morrer, sem saber como nem
Isabel esvaziou poucos dias depois do casamento de por quê, distingo apenas felizardos e desventurados”.
Pombinha.
LÍNGUA PORTUGUESA

Agora, na mesma rua, germinava outro cortiço ali per-


Nesse pensamento, os termos “como” e “por quê” indi-
to, o “Cabeça-de-Gato”. Figurava como seu dono um
cam, respectivamente:
português que também tinha venda, mas o legítimo
proprietário era um abastado conselheiro, homem
a) Modo e causa.
de gravata lavada, a quem não convinha, por decoro
b) Meio e explicação.
social, aparecer em semelhante gênero de especu-
c) Meio e causa.
lações. E João Romão, estalando de raiva, viu que
d) Causa e explicação.
aquela nova república da miséria prometia ir adiante
e) Modo e explicação.
e ameaçava fazer-lhe à sua perigosa concorrência.
Pôs-se logo em campo, disposto à luta, e começou
12. (FGV – 2019) Um texto de divulgação de um novo
a perseguir o rival por todos os modos, peitando fis-
romance diz o seguinte:
cais e guardas municipais, para que o não deixassem 47
“Um homem acorda gravemente ferido no meio de um 16. (FGV – 2019) “Nunca serei juiz. Neste grande vale onde
lixão. Ao que parece, tentaram matá-lo, mas ele não se a espécie humana nasce, vive, morre, se reproduz, se
recorda dos fatos que o levaram até ali. Muito menos cansa, e depois volta a morrer, sem saber como nem
de seu passado recente. Seria dado como desapare- por quê, distingo apenas felizardos e desventurados”.
cido, se houvesse alguém para sentir sua falta. Essa
dolorosa ausência imperceptível é a brecha para dar Nessa frase do escritor italiano Ugo Foscolo, a função
vazão à sua revolta com o mundo contemporâneo e do segundo período é:
começar uma nova vida. Entre seus planos: executar
criminosos intocados pela Justiça e escrever um bes- a) Contradizer o primeiro.
t-seller. Mas uma paixão verdadeira e arrebatadora b) Explicar melhor o que é dito antes de forma vaga.
coloca tudo em xeque”. c) Repetir o mesmo pensamento já dito.
d) Justificar a declaração anterior.
(Época, 14/01/2019, p. 37) e) Argumentar contra o primeiro período.

A opção abaixo que mostra uma substituição semân- 17. (FGV – 2019) Texto 1
tica corretamente realizada, a partir de segmentos do
texto, é: O trecho a seguir é a primeira pergunta de uma entre-
vista em que o entrevistador (E) questiona a física
a) “passado recente” / passado ainda não esquecido. Cássia Fernandez (CF) sobre criatividade:
b) “ausência imperceptível” / ausência desapercebida.
c) “mundo contemporâneo” / mundo em evolução. (E) – Muito se fala sobre criatividade. Mas qual a defini-
d) “nova vida” / vida recente. ção mais aceita sobre o que é ser uma pessoa criativa?
e) “criminosos intocados” / criminosos não punidos. (CF) – Existem definições gerais de criatividade, utili-
zadas pelo senso comum, mas não existe um consen-
13. (FGV – 2021) Um bar na Escócia mostrava o seguinte so no mundo acadêmico. À medida que as pesquisas
cartaz: se aprofundam, vemos que o tema é mais e mais
complexo. Contudo, não se pode abrir mão de buscar
Amanhã: cerveja grátis só para escoceses! tornar essa definição mais precisa para que as estra-
Assinale a opção que mostra o lado humorístico do tégias educacionais sejam mais efetivas.
cartaz.
Numa entrevista, às vezes o entrevistador contamina a
a) Limitar a doação aos escoceses. futura resposta do entrevistado com o seu posiciona-
b) Nunca chegar o dia da gratuidade. mento; a pergunta abaixo, de uma suposta entrevista,
c) Indicar que escoceses bebem muito. que mostra essa característica é:
d) Dar cerveja é algo impossível na Escócia.
e) Criticar outras nacionalidades por não beberem. a) O que o senhor acha da definição de criatividade de
Machado de Assis?
14. (FGV – 2021) Texto 1 – Notícia b) Que estratégias educacionais o senhor recomenda
diante da total falta de criatividade nas escolas?
“Cientistas americanos apresentaram ontem resul- c) Quais as marcas definidoras de criatividade?
tados preliminares de uma vacina contra o fumo. O d) Como a tecnologia pode ajudar na implantação de um
medicamento impede que a nicotina — componente projeto educativo valorizador da criatividade?
do tabaco que causa dependência — chegue ao cére- e) É possível desenvolver uma educação pela criativida-
bro. Em ratos vacinados, até 64% da nicotina injetada de com professores já formados?
deixou de atingir o sistema nervoso central.”
18. (FGV – 2019) Texto 4
(O Globo, 18/12/99)
Assim que toca o sinal indicando o fim das aulas, um
Um dado, que está presente no Texto 1, sobre a desco- grupo de alunos sai correndo das salas. Eles não estão
berta anunciada é: com pressa de ir embora, como seria de se esperar
após nove horas e meia de atividade escolar, mas para
a) A razão de a nicotina causar mal aos fumantes. ir ao pátio, onde vão ensaiar para a fanfarra ou treinar
b) As várias consequências do uso da nicotina no organismo. handebol.
c) A indicação do tempo gasto nas pesquisas. Em um colégio onde 30% dos alunos repetiam ou
d) A certeza de a vacina ser altamente eficiente. abandonavam os estudos, houve um receio inicial em
e) A demonstração da total eficiência da vacina nos ratos. aumentar o tempo de classe, com o período integral.
A solução surpreendeu, fez aumentar o interesse dos
15. (FGV – 2019) Um jornal carioca publicou a seguinte jovens pelos estudos e melhorou os indicadores edu-
manchete nas páginas esportivas: cacionais da unidade.

Vasco obtém empréstimo para acertar pagamentos No texto 4, o segundo período do primeiro parágrafo,
Dessa manchete deduz-se que: em relação ao período anterior, mostra:

a) Os pagamentos do Vasco estavam atrasados. a) Uma exemplificação.


b) Haviam ocorrido erros nos pagamentos de salários. b) Uma justificativa.
c) O Vasco teve dificuldades para obter empréstimo. c) Uma explicitação.
d) Os salários pagos pelo Vasco precisavam de aumento. d) Uma quebra de expectativa.
48 e) Os clubes de futebol passam por dificuldades financeiras. e) uma incoerência flagrante.
19. (FGV – 2019) ANOTAÇÕES
“Alguns fazem muitas aquisições;
outros aprendem perdendo.”

Assinale a opção que indica o recurso textual usado


nessa frase.

a) Citação de um texto alheio.


b) Alusão a um texto conhecido.
c) Oposição semântica de vocábulos.
d) Contraste temporal.
e) Emprego de ironia.

20. (FGV – 2019) “Quando o homem quer matar um tigre,


diz que é esporte; quando um tigre quer matá-lo, ele
diz que é ferocidade”.

Assinale a opção que apresenta o ditado popular que


confirma a mensagem dessa frase.

a) “Amor com amor se paga.”


b) “Olho por olho, dente por dente.”
c) “Os fins justificam os meios.”
d) “Cada macaco no seu galho.”
e) “Nem tudo que reluz é ouro.”

9 GABARITO

1 D

2 A

3 E

4 E

5 B

6 A

7 C

8 E

9 C

10 E

11 A

12 E

13 B

14 A

15 A

16 D
LÍNGUA PORTUGUESA

17 B

18 D

19 C

20 C

49
ANOTAÇÕES

50
Importante!
A soma ou subtração de dois números pares tem
resultado par.
MATEMÁTICA Ex.: 12 + 8 = 20; 12 – 8 = 4.
A soma ou subtração de dois números ímpares
tem resultado par.
Ex.: 13 + 7 = 20; 13 – 7 = 6.
A soma ou subtração de um número par com
NÚMEROS NATURAIS, INTEIROS,
outro ímpar tem resultado ímpar.
RACIONAIS E REAIS E SUAS Ex.: 14 + 5 = 19; 14 – 5 = 9.
PROPRIEDADES: ADIÇÃO, SUBTRAÇÃO, A multiplicação de números pares tem resultado
MULTIPLICAÇÃO, DIVISÃO par.
Ex.: 8 x 6 = 48.
NÚMEROS NATURAIS A multiplicação de números ímpares tem resul-
tado ímpar:
Operações e Propriedades Ex.: 3 x 7 = 21.
A multiplicação de um número par por um núme-
Os números construídos com os algarismos de 0 a ro ímpar tem resultado par:
9 são chamados de naturais. O símbolo desse conjun- Ex.: 4 x 5 = 20.
to é a letra N, e podemos escrever os seus elementos
entre chaves:
N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, Números Inteiros
17, …}
Os três pontos “as reticências” indicam que este Os números inteiros são os números naturais e
conjunto tem infinitos números naturais. seus respectivos opostos (negativos). Veja:
O zero não é um número natural propriamente Z = {..., -7, -6, -5, -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, ...}
dito, pois não é um número de “contagem natural”. O símbolo desse conjunto é a letra Z. Uma coisa
Por isso, utiliza-se o símbolo N* para designar os importante é saber que todos os números naturais
números naturais positivos, isto é, excluindo o zero. são inteiros, mas nem todos os números inteiros são
Vejam: N* = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7…} naturais. Logo, podemos representar através de dia-
gramas e afirmar que o conjunto de números naturais
Dica está contido no conjunto de números inteiros ou ain-
da que N é um subconjunto de Z. Observe:
O símbolo do conjunto dos números naturais é
a letra N e podemos ter ainda, o símbolo N*, que
representa os números naturais positivos, isto é,
excluindo o zero.

Conceitos básicos relacionados aos números


naturais: Z N

z Sucessor: é o próximo número natural.

Exemplo: o sucessor de 4 é 5, e o sucessor de 51 é


52. E o sucessor do número “n” é o número “n+1”.

z Antecessor: é o número natural anterior. Podemos destacar alguns subconjuntos de núme-


ros. Veja:
Exemplo: o antecessor de 8 é 7, e o antecessor de 77
é 76. E o antecessor do número “n” é o número “n-1”. z Números Inteiros não negativos = {4,5,6...}. Veja
que são os números naturais;
z Números consecutivos: são números em sequência. z Números Inteiros não positivos = {… -3, -2, -1, 0}.
Veja que o zero também faz parte deste conjunto,
Exemplo: 5, 6, 7 são números consecutivos, porém pois ele não é positivo nem negativo;
10, 9, 11 não são. Assim, (n-1, n e n+1) são números z Números inteiros negativos = {… -3, -2, -1}. O zero
MATEMÁTICA

consecutivos. não faz parte;


z Números inteiros positivos = {5, 6, 7...}. Novamen-
z Números naturais pares: é aquele que, ao ser divi- te, o zero não faz parte.
dido por 2, não deixa resto. Por isso o zero também
é par. Logo, todos os números que terminam em 0, Operações com Números Inteiros
2, 4, 6 ou 8 são pares.
z Números naturais ímpares: ao serem divididos por Há quatro operações básicas que podemos efetuar
2, deixam resto 1. Todos os números que terminam com estes números são: adição, subtração, multiplica-
em 1, 3, 5, 7 ou 9 são ímpares. ção e divisão. 51
z Adição: é dada pela soma de dois números. Ou Multiplicação: a multiplicação funciona como se
seja, a adição de 20 e 5 é: 20 + 5 = 25 fosse uma repetição de adições. Veja:

Veja mais alguns exemplos: A multiplicação 20 x 3 é igual à soma do número 20


Adição de 15 e 3: 15 + 3 = 18 três vezes (20 + 20 + 20), ou à soma do número 3 vinte
Adição de 55 e 30: 55 + 30 = 85 vezes (3 + 3 + 3 + ... + 3).
Algo que é muito importante e você deve lembrar
Principais propriedades da operação de adição: sempre, são as regras de sinais na multiplicação de
números.
z Propriedade comutativa: a ordem dos números
não altera a soma. SINAIS NA MULTIPLICAÇÃO

Operações Resultados
Ex.: 115 + 35 é igual a 35 + 115.
+ + +
z Propriedade associativa: quando é feita a adição
- - +
de 3 ou mais números, podemos somar 2 deles,
primeiramente, e a depois somar o outro, em qual- + - -
quer ordem, que vamos obter o mesmo resultado.
- + -
Ex.: 2 + 3 + 5 = (2 + 3) + 5 = 2 + (3 + 5) = 10
Dica
z Elemento neutro: o zero é o elemento neutro da
adição, pois qualquer número somado a zero é � A multiplicação de números de mesmo sinal
igual a ele mesmo. tem resultado positivo.
Ex.: 51 × 2 = 102; (-33) × (-3) = 99
Ex.: 27 + 0 = 27; 55 + 0 = 55. � A multiplicação de números de sinais diferen-
tes tem resultado negativo.
z Propriedade do fechamento: a soma de dois núme- Ex.: 25 × (-4) = -100; (-15) × 5 = -75
ros inteiros sempre gera outro número inteiro.
As principais propriedades da operação de
Ex.: a soma dos números inteiros 8 e 2 gera o multiplicação.
número inteiro 10 (8 + 2 = 10).
z Propriedade comutativa: A x B é igual a B x A, ou
� Subtração: subtrair dois números é o mesmo que seja, a ordem não altera o resultado.
diminuir, de um deles, o valor do outro. Ou seja,
subtrair 7 de 20 significa retirar 7 de 20, restando Ex.: 8 x 5 = 5 x 8 = 40.
13: 20 – 7 = 13.
z Propriedade associativa: (A x B) x C é igual a (C x B)
Veja mais alguns exemplos: x A, que é igual a (A x C) x B.
Subtrair 5 de 16: 16 -5 = 11
30 subtraído de 10: 30 – 10 = 20 Ex.: (3 x 4) x 2 = 3 x (4 x 2) = (3 x 2) x 4 = 24.

As principais propriedades da operação de z Elemento neutro: a unidade (1) é o elemento neu-


tro da multiplicação, pois ao multiplicar 1 por
subtração:
qualquer número, este número permanecerá
inalterado.
z Propriedade comutativa: como a ordem dos núme-
ros altera o resultado, a subtração de números não
Ex.: 15 x 1 = 15.
possui a propriedade comutativa.
z Propriedade do fechamento: a multiplicação de
Ex.: 250 – 120 = 130 e 120 – 250 = -130. números inteiros sempre gera um número inteiro.

z Propriedade associativa: não há essa propriedade Ex.: 9 x 5 = 45


na subtração.
z Elemento neutro: o zero é o elemento neutro da z Propriedade distributiva: essa propriedade é
subtração, pois, ao subtrair zero de qualquer exclusiva da multiplicação. Veja como fica: Ax(B+C)
número, este número permanecerá inalterado. = (AxB) + (AxC)

Ex.: 13 – 0 = 13. Ex.: 3x(5+7) = 3x(12) = 36


Usando a propriedade:
z Propriedade do fechamento: a subtração de dois 3x(5+7) = 3x5 + 3x7 = 15+21 = 36
números inteiros sempre gera outro número
inteiro. z Divisão: quando dividimos A por B, queremos
repartir a quantidade A em partes de mesmo
52 Ex.: 33 – 10 = 23. valor, sendo um total de B partes.
Ex.: Ao dividirmos 50 por 10, queremos dividir 50 A seguir, com questões comentadas de bancas
em 10 partes de mesmo valor. Ou seja, nesse caso tere- variadas, coloque em prática um pouco do conheci-
mos 10 partes de 5 unidades, pois se multiplicarmos 10 mento adquirido sobre esse assunto.
x 5 = 50. Ou ainda podemos somar 5 unidades 10 vezes
1. (VUNESP – 2015) Dividindo-se um determinado núme-
consecutivas, ou seja, 5+5+5+5+5+5+5+5+5+5=50. ro por 18, obtém-se quociente n e resto 15. Dividindo-
Algo que é muito importante e você deve lembrar -se o mesmo número por 17, obtém-se quociente (n +
sempre, são as regras de sinais na divisão de números. 2) e resto 1. Desse modo, é correto afirmar que n(n +
2) é igual a
SINAIS NA DIVISÃO
a) 440.
Operações Resultados b) 420.
c) 400.
+ + + d) 380.
e) 340.
- - +

+ - - Dividendo = 18 x n + 15
Dividendo = 17 x (n+2) + 1
- + - 18 x n + 15 = 17 x (n+2) + 1
18n + 15 = 17n + 34 + 1
18n – 17n = 35 – 15
Dica n = 20
Logo, n.(n+2) = 20.(20+2) = 20.22 = 440. Resposta:
� A divisão de números de mesmo sinal tem Letra A.
resultado positivo.
Ex.: 60 ÷ 3 = 20; (-45) ÷ (-15) = 3 2. (FGV – 2019) O resultado da operação 2+3×4−1 é
� A divisão de números de sinais diferentes tem a) 13.
resultado negativo. b) 15.
Ex.: 25 ÷ (-5) = -5; (-120) ÷ 5 = -24 c) 19.
d) 22.
e) 23.
Esquematizando:
Primeiro vamos fazer a multiplicação e depois as
Dividendo demais operações:
Divisor
2 + 3 × 4 − 1 = 2 + 12 − 1 = 13
30 5 Resposta: Letra A.
0 6
3. (INSTITUTO AOCP – 2018) O total de números que
Quociente estão entre o dobro de 140 e o triplo de 100 é igual a
Resto
a) 17.
Dividendo = Divisor × Quociente + Resto b) 19.
30 = 5 · 6 + 0 c) 21.
d) 23.
As principais propriedades da operação de divisão. e) 25.
Propriedade comutativa: a divisão não possui essa Dobro de 140 = 280
propriedade. Triplo de 100 = 300
Total de números entre 280 e 300:
z Propriedade associativa: a divisão não possui essa 281 até 291 = 10 números
propriedade; 291 até 299 = 9 números
z Elemento neutro: a unidade (1) é o elemento neu- 10 + 9 = 19 números.
Resposta: Letra B.
tro da divisão, pois ao dividir qualquer número
por 1, o resultado será o próprio número. 5. (INSTITUTO CONSULPLAN – 2019) Os símbolos das
operações que deverão ser inseridos nos quadrados
Ex.: 15 / 1 = 15. para que o cálculo seja verdadeiro são, respectivamen-
te: 4_3_2_1 = 10
z Propriedade do fechamento: aqui chegamos em
a) +/x/+
MATEMÁTICA

uma diferença enorme dentro das operações de b) x/–/÷


números inteiros, pois a divisão não possui essa c) +/÷/–
propriedade. Uma vez que ao dividir números d) x/+/+
inteiros podemos obter resultados fracionários ou
4 * 3 – 2/1=
decimais. 4 * 3 = 12
–2/1= –2 =
Ex.: 2 / 10 = 0,2 (não pertence ao conjunto dos 12 – 2 = 10
números inteiros). Resposta: Letra B. 53
NÚMEROS RACIONAIS z Divisão de números decimais: devemos multipli-
car ambos os números (divisor e dividendo) por
São aqueles que podem ser escritos na forma da uma potência de 10 (10, 100, 1000, 10000 etc.) de
divisão (fração) de dois números inteiros. Ou seja, modo a retirar todas as casas decimais presentes.
escritos na forma A/B (A dividido por B), onde A e B Após isso, é só efetuar a operação normalmente.
são números inteiros.
Exemplos: 7/4 e -15/9 são racionais. Veja, também, Ex.: 5,7 ÷ 1,3
que os números 87, 321 e 1221 são racionais, pois são 5,7 × 100 = 570
divididos pelo número 1. 1,3 × 100 = 130
570 ÷ 130 = 4,38
Dica
Qualquer número natural é também inteiro e todo NÚMEROS REAIS
número inteiro é também racional.
É o conjunto que envolve todos os outros conjun-
O símbolo desse conjunto é a letra Q e podemos tos, ou seja, aqui encontramos os números naturais,
representar por meio de diagramas a relação entre os inteiros e racionais envolvidos de uma única manei-
conjuntos naturais, inteiros e racionais, veja: ra. Dentro dos números reais podemos envolver todos
os outros números dentro das operações matemáti-
cas, sejam elas de adição, subtração, multiplicação ou
Q divisão.
O símbolo desse conjunto é a letra R e podemos
representar por meio de diagramas a relação entre os
conjuntos naturais, inteiros, racionais e reais. Veja
Z N
Q

Z N

Representação Fracionária e Decimal


R
Há 3 tipos de números no conjunto dos Números
Racionais:
Operações e Propriedades dos Números Reais
z Frações:
z Adição de números reais: segue a mesma lógica da
8 3 7 adição comum.
Ex.: 3 , 5 , 11 etc.
Ex.: 15,25 + 5,15 = 20,4
z Números decimais. 5 + 37,8 + 120 = 162,8
55 + 83 + 205 = 343
Ex.: 1,75
z Subtração de números reais: segue a mesma lógica
z Dízimas periódicas.
da subtração comum.
Ex.: 0,33333...
Ex.: 57,3 – 0,12 = 57,18
25 – 63 = -38
Operações e Propriedades dos Números Racionais
41 – 0,75 – 4,8 = 35,45
z Adição de números decimais: segue a mesma lógi-
ca da adição comum. z Multiplicação de números reais: aplicamos o mes-
mo procedimento da multiplicação comum.
Ex.: 15,25 + 5,15 = 20,4
Ex.: 4,6 × 1,75 = 8,05
z Subtração de números decimais: segue a mesma 3 × 55 = 165
lógica da subtração comum. 7 × 2,85 = 19,95

Ex.: 57,3 – 0,12 = 57,18 z Divisão de números reais: aplicamos o mesmo pro-
cedimento da divisão comum.
z Multiplicação de números decimais: aplicamos o
mesmo procedimento da multiplicação comum. Ex.: 5,7 ÷ 1,3 = 4,38
2,8 × 100 = 280
54 Ex.: 4,6 × 1,75 = 8,05 15 × 51 = 765
POTENCIAÇÃO Somando os algarismos: 1 + 2 + 3 + 6 = 12 (12 é
divisível por 3)
Potenciação é a operação matemática utilizada Logo, 1236 é divisível por 3.
para escrever de forma resumida números muito 1236/3 = 412
grandes, onde é feita a multiplicação de n fatores
iguais que se repetem. Divisibilidade por 4

z Exemplo I: potenciação de números naturais Um número é divisível por 4 quando os dois últi-
mos algarismos também são divisíveis por 4 ou nos
2 . 2 . 2 = 2³ = 8 números terminados em 00.
Para essa situação, temos: dois (2) é a base, três (3) Ex.: 3664 é divisível por 4, pois os dois últimos alga-
rismos, ou seja, “64” é divisível por 4.
é o expoente e o resultado da operação, oito (8), é a
Logo, 3664/4 = 916
potência.
Ex.: 1500 é divisível por 4, pois o final termina em 00.
Logo, 1500/4 = 375
z Exemplo II: potenciação de números fracionários
Divisibilidade por 5
(2/4)²= 2/4 . 2/4= 4/16
Quando uma fração é elevada a um expoente, seus Todos os números que possuem como último alga-
dois termos, numerador e denominador, são multipli- rismo os números 0 ou 5 são divisíveis por 5.
cados pela potência. Ex.: 550/5 = 110
Ex.: 1325/5 = 265
RADICIAÇÃO
Divisibilidade por 6
A radiciação calcula o número que elevado à
determinado expoente produz o resultado inverso da Todos os números que são divisíveis por 2 e por 3
potenciação. simultaneamente são divisíveis por 6.
Ex.: 366 é divisível por 2 e por 3 ao mesmo tempo,
z Exemplo I: radiciação de números naturais então também é divisível por 6.
366/6 = 61
³⎷8 = ³⎷2³ = 2
Para essa situação, temos: três (3) é o índice, oito Divisibilidade por 7
(8) é o radicando e o resultado da operação, dois (2),
é a raiz. Devemos duplicar (dobrar) o algarismo das unida-
des e subtrair o resto do número. Se o resultado dessa
z Exemplo II: radiciação de números fracionários operação for divisível por 7, então o número é divisí-
vel por 7.
⎷4/16 = 2/4, pois (2/4)² = 4/16 Ex.: 385
A radiciação também pode ser aplicada às frações, Dobra o algarismo das unidades: 5 x 2 = 10
Subtrai o resto do número: 38 – 10 = 28
de modo que o numerador e o denominador tenham
O resultado é divisível por 7? Sim, pois 28/7 = 4
suas raízes extraídas.
Logo, 385 é divisível por 7.
385/7 = 55

Divisibilidade por 8
DIVISIBILIDADE , MÍNIMO MÚLTIPLO
COMUM E MÁXIMO DIVISOR COMUM Se os três últimos algarismos forem divisíveis por
8 ou for número terminado em 000, então esse núme-
ro será divisível por 8.
Quando temos problemas que envolvem divisão,
Ex.: 2000/8 = 250
sabe-se que precisamos de uma maneira mais eficien-
Ex.: 1256 é divisível por 8, pois os três últimos alga-
te e simples para poder achar o resultado. Pensando
rismos “256” é divisível por 8, ou seja, 256/8 = 32
nisso, temos as regras de divisibilidade, ou seja, ferra- Logo, 1256/8 = 157
mentas que nos ajudam nas operações de divisão. Há
apenas duas opções em relação ao resultado: a respos- Divisibilidade por 9
ta é exata ou não. Vejamos as diversas regras:
Um número é divisível por 9 quando a soma dos
Divisibilidade por 2 seus algarismos é divisível por 9.
Ex.: 5238 é divisível por 9?
Um número é divisível por 2 quando ele é par, ou Somando os algarismos: 5 + 2 + 3 + 8 = 18 (18 é
MATEMÁTICA

seja, todos os números em que o último algarismo é 0, divisível por 9)


2, 4, 6 ou 8. Logo, 5238 é divisível por 9.
Ex.: 256 / 2 = 128 5238/9 = 582

Divisibilidade por 3 Divisibilidade por 10

Um número é divisível por 3 quando a soma dos Todos os números terminados em 0 são divisíveis
seus algarismos é divisível por 3. por 10.
Ex.: 1236 é divisível por 3? Ex.: 1130/10 = 113 55
MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM Veja um exemplo:
Na linha de montagem de uma fábrica, há duas
Os múltiplos de um número X são aqueles núme- luzes de sinalização, sendo que uma delas pisca a cada
ros que podem ser obtidos multiplicando X por outro 20 minutos e a outra pisca a cada 35 minutos. Se às
número natural. Agora observe o seguinte os múlti- 8 horas da manhã as duas luzes piscaram ao mesmo
plos dos números 4 e 6: tempo, isso irá ocorrer novamente às?
M(4) = 4,8,12,16,20,24,28,32,36,... Resolução:
M(6) = 6,12,18,24,30,36,42,... Observe “a cada 20 minutos” e “a cada 35 minu-
Quais são os múltiplos iguais (comuns) entre os tos”. Aqui temos uma ideia de repetição, pois se por
números? São eles: 12,24,36. E qual o menor deles? É exemplo se a luz que pisca a cada 20 minutos picar às
o número 12. 15h, ela irá piscar novamente depois de 20 minutos,
Sendo assim, o número 12 é o menor múltiplo ou seja, 15h20. Depois às 15h40, 16h etc.
comum entre 4 e 6, ou seja, o MMC entre 4 e 6 é igual Logo, esse é um tipo clássico de questão sobre
a 12. MMC.

Cálculo do MMC por Fatoração Simultânea Dica


Atente-se para as palavras “a cada”, “em”, “ou”
Podemos calcular o MMC entre 2 ou mais números,
nos enunciados que elas indicam uma ideia de
de maneira mais rápida, fazendo a fatoração simultâ-
repetição, ciclo e periodicidade.
nea dos dois números. Veja:
Ex.: Calcule o MMC entre 6 e 8.
Agora, pratique o conhecimento adquirido sobre
esse assunto com questões comentadas de bancas
6 – 8 2 (aqui devemos colocar o menor número primo)
variadas.
3 – 4 2 (nesse caso repetimos o nº 3, pois ele não é dividido pelo 2)
3–2 2 1. (FCC – 2015) Para um evento promovido por uma
determinada empresa, uma equipe de funcionários
3–1 3
preparou uma apresentação de slides que deveria
1 – 1 MMC = 2×2×2×3 = 24. transcorrer durante um momento de confraternização.
Tal apresentação é composta por 63 slides e cada um
Logo, o MMC (6 e 8) = 24. será projetado num telão por exatos 10 segundos. Foi
Com esse método é possível calcular o MMC entre ainda escolhida uma música de fundo, com duração de
vários números. Vamos exercitar, dessa vez com mais 4min40s para acompanhar a apresentação dos slides.
números. Ex.: Calcule o MMC entre os números 10, 12, 20. Eles planejam que a música e a apresentação dos sli-
des comecem simultaneamente e “rodem” ciclicamen-
10 – 12 – 20 2 (aqui devemos colocar o menor número primo)
te, sem intervalos, até que ambas finalizem juntas. A
fim de estudar a viabilidade desse plano, eles calcula-
5 – 6 – 10 2 (nesse caso repetimos o nº 3, pois ele não é dividido por 2) ram que a quantidade de vezes que a música teria de
5–3–5 3 tocar até que seu final coincidisse, pela primeira vez
5–1–5 5
depois do início, com final da apresentação seria

1–1–1 MMC = 2×2×3×5 = 60. a) 5.


b) 42.
Logo, o MMC (10, 12 e 20) = 60. c) 12.
d) 35.
Dica e) 9.

Passos para calcular o MMC (fatoração Slide = 630 segundos (63×10s)


simultânea): Música = 280 segundos (4x60s+40s)
1 – Montar uma coluna para os fatores primos e MMC
colunas para cada um dos números;
2 – Começar a divisão dos números pelo menor 630 280 2
fator primo (2) e só ir aumentando quando
nenhum dos números puder ser dividido. 315 140 2
315 70 2
z Se algum dos números não puder ser dividido, bas-
ta copiá-lo para a próxima linha; 315 35 5
z O objetivo é fazer com que todos os números che-
 63 7 7
guem ao valor 1;
z O MMC será a multiplicação dos fatores primos   9 1 3
utilizados.
  3 1 3
Pensando um pouco além e olhando para os tipos   1 1 2×2×2×5×7×3×3 = 2520
de questões que aparecem nas provas, devemos ter
em mente que o enunciado relacionado a MMC sem-
pre trará uma ideia de periodicidade, repetição, ciclo Logo, após 2520 segundos a música e o slide irão
de acontecimentos. terminar ao mesmo tempo.
Slide: 2520/630 = 4 voltas
56 Música: 2520/280 = 9 voltas. Resposta: Letra E.
2. (VUNESP – 2017) Um comerciante possui uma caixa
com várias canetas e irá colocá-las em pacotinhos, NÚMEROS FRACIONÁRIOS E NÚMEROS
cada um deles com o mesmo número de canetas. É DECIMAIS, DÍZIMAS PERIÓDICAS
possível colocar, em cada pacotinho, ou 6 canetas, ou
8 canetas ou 9 canetas e, em qualquer dessas opções, FRACIONÁRIOS
não restará caneta alguma na caixa.
Desse modo, o menor número de canetas que pode Conjuntos numéricos fracionários são aqueles que
haver nessa caixa é podem ser escritos na forma da divisão (fração) de dois
números inteiros. Ou seja, escritos na forma A/B (lê-se
a) 70. A dividido por B), onde A e B são números inteiros.
b) 66. Exemplos:
c) 64. 7/4 e –15/9 são racionais.
d) 72. Veja, também, que os números 87, 321 e 1.221 são
e) 68. racionais, pois são divisíveis pelo número 1.
Qualquer número natural é, também, inteiro e
MMC (6,8,9): todo número inteiro é, também, racional.
O símbolo desse conjunto é a letra Q. Pode-se
6–8–9 2 representar, através de diagramas, a relação entre os
conjuntos naturais, inteiros e racionais. Veja:
3–4–9 2
3–2–9 2
Q
3–1–9 3
1–1–3 3
1–1–1 2×2×2×3×3 = 72 canetas. Resposta: Letra D. Z N

MÁXIMO DIVISOR COMUM (MDC)

O máximo divisor comum (MDC ou M.D.C.) corres-


ponde ao maior número divisível entre dois ou mais
números inteiros. Operações com Frações
Os divisores comuns de 12 e 18 são 1, 2, 3 e 6. Den-
tre estes, o número maior é o 6. Sendo assim, o núme- Frações nada mais são do que operações de divi-
ro 6 é o máximo divisor comum entre 12 e 18, ou seja, 4
são. Podemos, por exemplo, escrever 4 ÷ 8, como 8 .
o MDC entre 12 e 18 é igual a 6.
Neste tópico, veremos todas as operações que
envolvem as frações, quais sejam: a adição, a subtra-
Cálculo do MDC por Fatoração Simultânea
ção, a multiplicação e a divisão.
Podemos calcular o MDC entre 2 ou mais núme-
Adição ou Subtração de Fração
ros fazendo a fatoração simultânea dos dois números
(aqui, é importante ressaltar que a faremos a fatora-
Para somar ou subtrair frações, é necessário ater-
ção até o momento em que o número 1 for quem divi-
-se, principalmente, aos denominadores, ou seja, à
de todos os números envolvidos ao mesmo tempo).
“base” das frações. Vejamos duas situações possíveis:
Veja:
Ex.: Calcule o MDC entre 60 e 45. z Denominadores iguais (nessa situação, basta repe-
tir as bases e operar os numeradores):
60 – 45 3 (note que 3 é o número que divide o 60 e o 45 ao mesmo tempo)

20 – 15 5 (note que 5 é o número que divide o 20 e o 15 ao mesmo tempo)


1 3 1+3 4
1 (aqui, paramos a fatoração, pois o número 1 é quem divide tudo ao
+ = =
4–3 5 5 5 5
mesmo tempo

MDC = 3×5×1 = 15. 4 2 4–2 2


– = =
3 3 3 3
Logo, o MDC (60 e 45) = 15.
Passos para calcular o MDC (fatoração simultânea): z Denominadores diferentes (nessa situação, é pre-
ciso achar o denominador comum, a fim de reali-
MATEMÁTICA

z Montar uma coluna para os fatores primos e colu- zar a operação das frações):
nas para cada um dos números;
1 3
z Começar a divisão dos números pelo número que +
3 4
divide todos os números ao mesmo tempo;
z Parar a fatoração quando o número 1 for quem Note que o número 12 é o primeiro múltiplo, ao
divide todo os números ao mesmo tempo; mesmo tempo, de 3 e 4. Cada um desses denominado-
z O MDC será a multiplicação dos fatores primos res deverá ser dividido por 12 e, depois, deve-se multi-
utilizados. plicar o resultado pelos numeradores. 57
1 3 4 ×1 3×3 4+9 13 x = d0 (parte inteira) + 0, d-1, d-2, d-3, … (parte fracionária)
+ = + = =
3 4 12 ÷ 3 12 ÷ 4 12 12
Notação:
Dica
x = d0, d-1 d-2 d-3 … ou x = (d0, d-1 d-2 d-3 ...)10
3–4 2 (aqui, dividi-se sempre pelo menor número primo possível).

3–2 2 z Exemplos:
3–1 3

1–1 MMC = 2×2×3 = 12. „ Representação finita de um número inteiro x1


= 13:
z Todo número que é dividido apenas por ele mesmo
e pelo número 1 é um número primo. Exemplos: 13 = 13 + 0,0  x1 = (13,0)10

3 (apenas pode ser dividido por 1 e 3); z Representação racional tipo fração exata x2 = ½:
13 (apenas pode ser dividido por 1 e 13).
½ = 0,5  x2 = (0,5)10
Multiplicação de Fração
z Representação racional tipo dízima periódica x3 =
Fazer a multiplicação entre frações é muito sim- 1/3:
ples: basta multiplicar os numeradores entre eles e,
em seguida, os denominadores entre eles. Veja:
1/3 = 0,333… = 0 + 0,3 + 0,03 + 0,003 + …
2 5 2×5 10 x3 = (0,333…)10
× = =
3 4 3×4 12
z Representação na reta numérica:
Perceba que não chegamos ao resultado final da 1, 4142
operação, pois é necessário, ainda, simplificar a fração ... –2 –1 0 1 2 3 ...
o máximo possível. Para realizar esse procedimento,
deve-se achar um número que divide, ao mesmo tem- –3/2 –0,5 1/2 1,5 5/2
po, o denominador e o numerador. No exemplo dado, Pi = 3,14159...

sabemos que é o número 2. Vejamos: Reta dos números reais

10 ÷ 2
=
5 DÍZIMA PERIÓDICA
12 ÷ 2 6
Dízima periódica é um número que, quando escri-
Assim, chegamos no resultado final, pois não há to no sistema decimal, apresenta uma série infinita
mais como simplificar. de algarismos decimais que, a partir de certo algaris-
mo, se repetem em grupos de um ou mais algarismos,
Divisão de Fração ordenados sempre na mesma disposição, chamados
de período.
Para dividir frações, basta repetir a primeira fra-
ção e multiplicá-la pelo inverso da segunda fração.
Dízima Periódica Simples
Depois, realiza-se a multiplicação normalmente, da
mesma forma que aprendemos. Veja:
Numa dízima periódica simples, o período aparece
3 5 3 2 3×2 6 6÷2 3 imediatamente após a vírgula[1] (a parte decimal do
÷ = × = = = =
4 2 4 5 4×5 20 20 ÷ 2 10 número), pois não há anteperíodo, podendo ou não
ter uma parte inteira não nula.
Pode-se simplificar frações, dividindo o numera- Exemplos:
dor e o denominador pelo mesmo número. 0,333333… - "3" é o período.
0,420420420420… - "420" é o período.
DECIMAIS 0,43434343… - "43" é o período.
0,2548254825482548... - "2548" é o período.
Os números decimais podem ser fracionados em 5,292929... - "29" é o período.
somas, veja:
Dízima Periódica Composta
2,456... = 2 + 0,4 + 0,05 + 0,006 + ...
Na dízima periódica composta, pode haver uma
Uma representação decimal de um número real
parte inteira e há um ou mais algarismos entre a
não negativo x é a soma da forma:
vírgula e o período, que não entram na composição
d0 = d-110-1 + ... + d-n10-n + ... = x do período[1]. Esse conjunto de algarismos que apa-
recem na parte decimal sem participar do período é
Sendo d0 um número inteiro não negativo e d-n um chamado de anteperíodo.
número pertencente ao conjunto (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, Exemplos:
9), onde n = 1, 2, … . 0,5666… - "5" é o anteperíodo.
58 Por construção: 0,28666666… - "28" é o anteperíodo.
MÉDIA ARITMÉTICA SIMPLES E 0 0 0 1 1 1 1
PONDERADA 1 1 1 1 1 1 1

MÉDIA ARITMÉTICA 1 2 2 2 2 2 2

A mais usada das três medidas de posição mencio- 3 3 3 4 5 5 6


nadas, por ser a mais comum e compreensível delas,
bem como pela relativa simplicidade do seu cálculo, 6 6
além de prestar-se bem ao tratamento algébrico.
A média aritmética ou simplesmente média de um
conjunto de n observações, é definida como:
n 30
n
Ʃxi
i=1
Ʃxi
i=1
1,87 + ... + 1,78
x= = = = 1,720m ;
Ʃ xi
x=
i=1
n 30 30
n
n 30
Ʃxi
i=1
Ʃxi
i=1
5 + ... + 2
Onde n é o número de valores observados ou tama- x= = = = 2, 2 irmãos .
nho amostral e:
n 30 30

n O valor encontrado (x = 2,2 irmãos) não é um resul-


Ʃ xi = x1 + x2 + ⋯ + xn (soma dos valores observados). tado possível (nesse caso poderiam ser 2 irmãos, 3
i=1 irmãos, mas não 2,2 irmãos). No entanto, esse valor
representa a média geral ou o todo, e permite inter-
Usa-se para denotar uma medida de média amos- pretar que a tendência geral foi de pouco mais de dois
tral o x, que também é conhecido como um estimador irmãos por aluno.
da média. Já a notação para média populacional é a
letra grega, que representa o parâmetro média popu- MÉDIA ARITMÉTICA PONDERADA
lacional. Então, percebam que falando de amostras
dizemos estimativas e para população são parâme- A média ponderada é muito parecida com a média
tros. Para a população teríamos: simples, mas nela são colocados pesos diferentes para
alguns dados. Essa média é muito utilizada em provas.
n Vamos pensar no mesmo exemplo da média sim-
Ʃxi
µ= i=1 =
x1 + x2 + ... + xN ples. Supondo que, na faculdade, teremos 4 provas
de Estatística, mas a prova 3 tem peso 2 e a prova 4
tem peso 3. Para calcular a média ponderada temos
N N que somar todas as notas, mas, as notas que têm pesos
devem ser somadas conforme seu peso, ou seja, se
for peso 2 temos que multiplicar essa nota por 2, se
Em que µ é a média populacional, Ʃxi é a soma de
for peso 3 temos que multiplicar essa nota por 3. E na
todos os elementos da população e N é o número de
elementos na população. quantidade temos que considerar o peso também.
Supondo que as notas tenham sido na ordem: 6,0;
Para os dados da Tabela 1 e 2 podemos calcular a 7,0; 5,0 (peso 2); 8,0 (peso 3). Nesse caso, a quantidade
média das variáveis altura e número de irmãos: de notas que vamos considerar deve ser 7, pois as pro-
vas 1 e 2 têm peso 1, a prova 3 é peso 2, e a prova 4 é
Tabela 1. Rol das alturas dos alunos da disciplina peso 3. Portanto: 1 + 1 + 2 + 3 = 7.
de Estatística e Probabilidade do curso de Matemática
da Universidade Federal de Uberlândia no semestre Soma
01 do ano de 2002. Média =
Quantidade
1,51 1,53 1,56 1,62 1,63 1,64 1,65
6 + 7+ 2 · 5 + 8 · 3
1,67 1,67 1,67 1,68 1,70 1,70 1,72 Média =
7
MATEMÁTICA

1,72 1,73 1,73 1,75 1,75 1,75 1,76


1,78 1,78 1,78 1,80 1,83 1,87 1,87 6 + 7 + 10 + 24
Média =
1,88 1,88 7

Tabela 2. Rol do número de irmãos dos alunos da 47


disciplina de Estatística e Probabilidade do curso de Média =
7
Matemática da Universidade Federal de Uberlândia
no semestre 01 do ano de 2002. Média = 6,71 59
Vamos aplicar no nosso exemplo:
EQUAÇÕES DO 1º GRAU, SISTEMA DE Isolando “x” na primeira equação
EQUAÇÃO DE 1º GRAU, PROBLEMAS x = 10 – y
Substituindo “x” na segunda equação por “10-y”
DO 1º GRAU 4(10-y) – y = 5 (faz uma distributiva)
40 – 4y – y = 5
A forma geral de uma equação do primeiro grau -5y = 5 – 40
é: ax + b = 0. -5y = -35 (multiplica por -1)
O termo “a” é o coeficiente de “x” e o termo “b” é 5y = 35
chamado de termo independente. y=7
Para resolver uma equação do 1°, devemos isolar Logo, voltando na primeira equação, acharemos o
todas as partes que possuem incógnitas de um lado valor de “x”
igual e do outro os termos independentes. Veja um x = 10 – y
exemplo: x = 10 – 7
x=3
10x = 5x + 20 Assim, x = 3 e y = 7.
(vamos achar o valor de “x”)
Dica
10x – 5x = 20 Método da substituição
(passamos o “5x” para o outro lado da igual 1 - Isolar uma das variáveis em uma das
com o sinal trocado) equações;
2 - Substituir esta variável na outra equação pela
expressão achada no item anterior.
5x = 20
Há um outro método para resolver um sistema
x = 20 / 5 (isolamos o “x” transferindo o seu coe- de equação do 1° grau, que é o método da adição (ou
ficiente “5” dividindo) soma) de equações. Veja:

x = 4. „ Multiplicar uma das equações por um número


que seja mais conveniente para eliminar uma
O valor de x que torna a igualdade correta é cha- variável;
mado de “raiz da equação”. Uma equação de primeiro „ Somar as duas equações, de forma a ficar ape-
grau sempre tem apenas 1 raiz. Veja que se substituir- nas com uma variável.
mos o valor encontrado de “x” na equação ela ficará
igual a zero em ambos os lados. Observe: Veja o exemplo a seguir:

*
Para x = 4 x + y = 10
10x = 5x + 20
10 . 4 = 5 . 4 + 20 4x - y = 5
40 = 40
40 – 40 = 0 Nesse exemplo, não vamos precisar fazer uma
multiplicação, pois já temos a condição necessária
para eliminarmos o “y” da equação. Então, devemos
SISTEMAS DE EQUAÇÕES DE PRIMEIRO GRAU
fazer apenas a soma das equações. Veja:
(SISTEMAS LINEARES)

*
Em alguns casos, pode ser que tenhamos mais de x + y = 10
uma incógnita. Imagine que um exercício diga que: x
4x - y = 5
+ y = 10.
Perceba que há infinitas possibilidades de x e y 5x = 15
que tornam essa igualdade verdadeira: 2 e 8, 5 e 5, x=3
15 e -10, etc. Por esse motivo, faz-se necessário obter
mais uma equação envolvendo as duas incógnitas Substituindo o valor de “x” na primeira equação
para poder chegar nos seus valores exatos. Veja o achamos o valor de “y”:
exemplo abaixo:
x + y = 10

*
x + y = 10 3 + y = 10
y = 10 – 3
4x - y = 5 y=7
A principal forma de resolver esse sistema é usan-
Veja um outro exemplo que vamos precisar
do o método da substituição. Este método é muito sim-
multiplicar:
ples, e consiste basicamente em duas etapas:

*
„ Isolar uma das variáveis em uma das equações; x + y = 10
„ Substituir esta variável na outra equação pela
60 expressão achada no item anterior. x - 2y = 4
Multiplicando por -1 a primeira equação, temos: a) 42.
b) 36.

(
- x - y = - 10 c) 30.
d) 27.
x - 2y = 4
e) 24.
Fazendo a soma:
Me = 2.Mo
Após dar 5 balas = Me – 5 e Mo – 5. Agora, as de
(
- x - y = - 10
menta são o triplo das de morango:
x - 2y = 4 Me – 5 = 3.(Mo – 5)
-3y = -6 Me – 5 = 3.Mo – 15
y = -6 / -3 Me = 3.Mo – 10
y= 2 Na segunda equação, podemos substituir Me por
2.Mo.
Substituindo o valor de “y” na primeira equação 2.Mo = 3.Mo – 10
achamos o valor de “x”: 10 = 3.Mo – 2.Mo
10 = Mo
x + y = 10 O valor de Me é:
x + 2 = 10 Me = 2.Mo
x = 10 – 2 Me = 2.10
x=8 Me = 20
Total: 10 + 20 = 30 balas. Resposta: Letra C.
Por fim, coloque em prática o conhecimento adqui-
rido sobre esse assunto com questões comentadas de (CESPE-CEBRASPE – 2013) Considere que em um
bancas variadas. escritório de patentes, a quantidade mensal de pedi-
dos de patentes solicitadas para produtos da indústria
1. (VUNESP – 2018) Em um concurso somente para os alimentícia tenha sido igual à soma dos pedidos de
cargos A e B, cada candidato poderia fazer inscrição patentes mensais solicitadas para produtos de outra
para um desses cargos. Sabendo que o número de natureza. Considere, ainda, que, em um mês, além
candidatos inscritos para o cargo A era 3000 unidades dos produtos da indústria alimentícia, tenham sido
menor que o número de candidatos inscritos para o requeridos pedidos de patentes de mais dois tipos de
cargo B, e que a razão entre os respectivos números, produtos, X e Y, com quantidades dadas por x e y, res-
nessa ordem, era igual a 0,4, então é verdade que o pectivamente. Supondo que T seja a quantidade total
número de candidatos inscritos para o cargo B corres- de pedidos de patentes requeridos nesse escritório, no
pondeu, do total de candidatos inscritos, a referido mês, julgue os itens seguintes.

a) 3/7. 3. Se T = 128, então as quantidades x e y são tais que x +


b) 5/9. y = 64, com 0 ≤ x ≤ 64.
c) 4/7.
d) 2/3. ( ) CERTO  ( ) ERRADO
e) 5/7.
Se T = 128, então as quantidades x e y são tais que x
A = B – 3000 + y = 64, com 0 ≤ x ≤ 64.
A/B = 0,4 Seja “a” a quantidade de pedidos de patentes da
A = 0,4B indústria alimentícia. Foi dito que este total é igual
Substituindo essa última equação na primeira, à soma dos demais pedidos, que são x e y, ou seja,
temos: a=x+y
0,4B = B – 3000 O total de pedidos é:
3000 = B – 0,4B T = a + x + y = a + a = 2a
3000 = 0,6B Como T = 128, temos
B = 3000/0,6 128 = 2a
B = 5000 a = 64
Lembrando que A = 0,4B, podemos obter o valor de Resposta: Certo
A:
A = 0,4 x 5000 4. Se, em determinado mês, a quantidade de pedidos
A = 2000 de patentes do produto X foi igual ao dobro da quan-
Total tidade de pedidos de patentes do produto Y, então a
A + B = 5000 + 2000 = 7000 quantidade de pedidos de patentes de produtos da
O número de inscritos para o cargo B, em relação indústria alimentícia foi o quádruplo da quantidade de
ao total, será:
MATEMÁTICA

pedidos de patentes de Y.
5000/7000 = 5/7.
Resposta: Letra E. ( ) CERTO  ( ) ERRADO

2. (FGV – 2017) O número de balas de menta que Júlia tinha Se, em determinado mês, a quantidade de pedidos de
era o dobro do número de balas de morango. Após dar 5 patentes do produto X foi igual ao dobro da quanti-
balas de cada um desses dois sabores para sua irmã, ago- dade de pedidos de patentes do produto Y, então a
ra o número de balas de menta que Júlia tem é o triplo do quantidade de pedidos de patentes de produtos da
número de balas de morango. O número total de balas indústria alimentícia foi o quádruplo da quantidade
que Júlia tinha inicialmente era: de pedidos de patentes de Y. 61
Sendo x o dobro de y, ou seja, x =2y, temos que: Lembre-se de que a maioria dos problemas envol-
a=x+y vendo esse tema são resolvidos utilizando essa pro-
a = 2y + y priedade fundamental. Porém, algumas questões
a=3 acabam sendo um pouco mais complexas e pode ser
Assim, as patentes da indústria alimentícia (“a”) útil conhecer algumas propriedades para facilitar.
são o triplo das patentes de Y. Resposta: Errado Vamos a elas.

5. Se T = 128 e a quantidade x foi 18 unidades a mais do Propriedade das Proporções


que a quantidade y, então a quantidade y foi superior a
25. z Somas Externas
a c a+c
= =
b d b+d
( ) CERTO  ( ) ERRADO

Se T = 128 e a quantidade x foi 18 unidades a mais do Vamos entender um pouco melhor resolvendo um
questão-exemplo:
que a quantidade y, então a quantidade y foi supe-
Suponha que uma fábrica vai distribuir um prê-
rior a 25.
mio de R$10.000 para seus dois empregados (Carlos
Se T = 128, temos que x + y = 64. Foi dito ainda que:
e Diego). Esse prêmio vai ser dividido de forma pro-
x = y + 18
porcional ao tempo de serviço deles na fábrica. Carlos
Substituindo x por y + 18, temos: está há 3 anos na fábrica e Diego está há 2 anos na
x + y = 64 fábrica. Quanto cada um vai receber?
(y + 18) + y = 64 Resolução:
y = 23 unidades. Primeiro, devemos montar a proporção. Sejam C
Resposta: Errado. a quantia que Carlos vai receber e D a quantia que
Diego vai receber, temos:
C D
=
3 2
RAZÃO E PROPORÇÃO
Utilizando a propriedade das somas externas:
RAZÃO E PROPORÇÃO COM APLICAÇÕES
C D C+D
=
A razão entre duas grandezas é igual a divisão 3 2 = 3+2
entre elas, veja:
Perceba que C + D = 10.000 (as partes somadas),
2 então podemos substituir na proporção:
C D C+D 10.000
5 = = = 2.000
3 2 3+2 = 5
Ou podemos representar por 2 ÷ 5 (Lê-se 2 está
para 5). Aqui cabe uma observação importante!
Já a proporção é a igualdade entre razões, veja: Esse valor 2.000, que chamamos de “Constante de
Proporcionalidade”, é que nos mostra o valor real das
2 4 partes dentro da proporção. Veja:
= C
3 6 = 2.000
3
Ou podemos representar por 2 ÷ 3 = 4 ÷ 6 (Lê-se 2 C = 2000 x 3
está para 3 assim como 4 está para 6). C = 6.000 (esse é o valor de Carlos)
Os problemas mais comuns que envolvem razão e D
proporção é quando se aplica uma variável qualquer = 2.000
2
dentro da proporcionalidade e se deseja saber o valor
dela. Veja o exemplo: D = 2.000 x 2
D = 4.000 (esse é o valor de Diego)
2 x
= ou 2 ÷ 3 = x ÷ 6
3 6 Assim, Carlos vai receber R$6.000 e Diego vai rece-
ber R$4.000.
Para resolvermos esse tipo de problema devemos
usar a Propriedade Fundamental da razão e propor- z Somas Internas
ção: produto dos meios pelos extremos. a c a+b c+d
= = =
Meio: 3 e x b d b d
Extremos: 2 e 6
Logo, devemos fazer a multiplicação entre eles É possível, ainda, trocar o numerador pelo deno-
numa igualdade. Observe: minador ao efetuar essa soma interna, desde que
o mesmo procedimento seja feito do outro lado da
3·X=2.6 proporção.
3X = 12
X = 12/3 a
=
c
=
a+b
=
c+d
62 X=4 b d a c
Vejamos um exemplo: Logo,

x 2 2A
= = 1.000
14 - x 5 4
2A = 4 x 1.000
x + 14 - x 2+5 2A = 4.000
= A = 2.000
x 2

14 7 Fazendo a mesma resolução em B:


=
x 2 3B
= 1.000
9
7 . x = 2 · 14 3B = 9 x 1.000
3B = 9.000
x=
14 · 2
=4 B = 3.000
7
Sendo assim, os funcionários com 2 anos de casa
Portanto, encontramos que x = 4. receberão R$2.000 de bônus. Já os funcionários com 3
anos de casa receberão R$3.000 de bônus.
O total pago pela empresa será:
Importante! Total = 2.2000 + 3.3000 = 4000 + 9000 = 13000
Bom! Agora vamos estudar um tipo de problema
Vale lembrar que essa propriedade também ser- que aparece frequentemente em provas de concursos
ve para subtrações internas. envolvendo razão e proporção.

REGRA DA SOCIEDADE
z Soma com Produto por Escalar:
Diretamente Proporcional
a c a + 2b c + 2d
= = =
b d b d
Um dos tópicos mais comuns em questões de pro-
va é “dividir uma determinada quantia em partes
Vejamos um exemplo para melhor entendimento: proporcionais a determinados números. Vejamos um
Uma empresa vai dividir o prêmio de R$13.000 exemplo para entendermos melhor como esse assun-
proporcionalmente ao número de anos trabalhados. to é cobrado:
São dois funcionários que trabalham há 2 anos na Exemplo:
empresa e três funcionários que trabalham há 3 anos. A quantia de 900 mil reais deve ser dividida em
Resolução: partes proporcionais aos números 4, 5 e 6. A menor
Seja A o prêmio dos funcionários com 2 anos e B dessas partes corresponde a:
o prêmio dos funcionários com 3 anos de empresa, Primeiro vamos chamar de X, Y e Z as partes propor-
temos: cionais, respectivamente a 4, 5 e 6. Sendo assim, X é pro-
A B porcional a 4, Y é proporcional a 5 e Z é proporcional a
=
2 3 6, ou seja, podemos representar na forma de razão. Veja:

Porém, como são 2 funcionários na categoria A e 3 X Y Z


= = = constante de proporcionalidade.
funcionários na categoria B, podemos escrever que a 4 5 6
soma total dos prêmios é igual a R$13.000.
Usando uma das propriedades da proporção,
2A + 3B = 13.000 somas externas, temos:

X+Y+Z 900.000
Agora multiplicando em cima e embaixo de um = 60.00
4+5+6 15 0
lado por 2 e do outro lado por 3, temos:

2A 3B A menor dessas partes é aquela que é proporcional


4
=
9 a 4, logo:

X
Aplicando a propriedade das somas externas, = 60.000
4
podemos escrever o seguinte: X = 60.000 x 4
MATEMÁTICA

X = 240.000
2A 3B 2A + 3B
= =
4 9 4+9 Inversamente Proporcional

Substituindo o valor da equação 2A + 3B na pro- É um tipo de questão menos recorrente, mas não
porção, temos: menos importante. Consiste em distribuir uma quan-
tia X a três pessoas, de modo que cada uma receba um
2A 3B 2A + 3B quinhão inversamente proporcional a três números.
= = = 13.000 = 1.000
4 9 4+9 13 Vejamos um exemplo: 63
Exemplo: M 5
=
Suponha que queiramos dividir 740 mil em partes T 8
inversamente proporcionais a 4, 5 e 6.
Vamos chamar de X as quantias que devem ser dis- A turma tem 120 alunos, então: T = 120
tribuídas inversamente proporcionais a 4, 5 e 6, res- Fazendo os cálculos:
pectivamente. Devemos somar as razões e igualar ao
total que dever ser distribuído para facilitar o nosso M 5
=
cálculo, veja: T 8

X X X M 5
+ + = 740.000 =
4 5 6 120 8

Agora vamos precisar tirar o M.M.C (mínimo múl- 8 x M = 5 x 120


tiplo comum) entre os denominadores para resolver- 8M = 600
mos a fração.
600
M=
4–5–6|2 8
2–5–3|2
1–5–3|3 M = 75
1–5–1|5 A quantidade de homens da sala:
1 – 1 – 1 | 2 x 2 x 3 x 5 = 60 120 - 75 = 45 homens. Resposta: Letra B.

Assim, dividindo o M. M. C. pelo denominador e 2. (VUNESP – 2020) Em um grupo com somente pessoas
multiplicando o resultado pelo numerador temos: com idades de 20 e 21 anos, a razão entre o número
de pessoas com 20 anos e o número de pessoas com
15x 12x 10x 21 anos, atualmente, é 4/5. No próximo mês, duas pes-
+ + = 740.000
60 60 60 soas com 20 anos farão aniversário, assim como uma
pessoa com 21 anos, e a razão em questão passará a
37x ser de 5/8. O número total de pessoas nesse grupo é
= 740.000
60
a) 30.
X = 1.200.000 b) 29.
c) 28.
Agora basta substituir o valor de X nas razões para d) 27.
achar cada parte da divisão inversa. e) 26.

x 1.200.000 A razão entre o número de pessoas com 20 anos e o


= = 300.000 número de pessoas com 21 anos, atualmente, é 4/5.
4 4
x 1.200.000 120 4x
= = 240.000 = total de 9x
5 5 121 5x
x
=
1.200.000
= 200.000 No próximo mês, duas pessoas com 20 anos farão
6 6 aniversário, assim como uma pessoa com 21 anos, e
a razão em questão passará a ser de 5/8.
Logo, as partes dividas inversamente proporcio-
nais aos números 4, 5 e 6 são, respectivamente 300K, 120 4x - 2 5
= =
240K e 200K. 121 +
5x 2 1 - 8

Agora, pratique com questões comentadas o conhe- 4x - 2 5


cimento adquirido sobre esse assunto. =
5x + 1 8

1. (FAEPESUL - 2016) Em uma turma de graduação em 8 (4x - 2) = 5 (5x + 1)


Matemática Licenciatura, de forma fictícia, temos 32x – 16 = 25x + 5
que a razão entre o número de mulheres e o número 7x = 21
total de alunos é de 5/8. Determine a quantidade de x=3
homens desta sala, sabendo que esta turma tem 120 Para sabermos o total de pessoas, basta substituir o
alunos. valor de X na primeira equação:
9x = 9 x 3 = 27 é o número total de pessoas nesse
a) 43 homens. grupo. Resposta: Letra D.
b) 45 homens.
c) 44 homens. 3. (IBADE - 2018) Três agentes penitenciários de um
d) 46 homens. país qualquer, Darlan, Arley e Wanderson, recebem
e) 47 homens. juntos, por dia, R$ 721,00. Arley recebe R$ 36,00 mais
que o Darlan, Wanderson recebe R$ 44,00 menos que
A razão entre o número de mulheres e o número o Arley. Assinale a alternativa que representa a diária
64 total de alunos é de 5/8: de cada um, em ordem crescente de valores.
a) R$ 249,00, R$ 213,00 e R$ 169,00. 5. (IESES - 2019) Uma escola possui 396 alunos matricu-
b) R$ 169,00, R$ 213,00 e R$ 249,00. lados. Se a razão entre meninos e meninas foi de 5/7,
c) R$ 145,00, R$ 228,00 e R$ 348,00. determine o número de meninos matriculados.
d) R$ 223,00, R$ 231,00 e R$ 267,00
e) R$ 267,00, R$ 231,00 e R$ 223,00. a) 183.
b) 225.
D + A + W = 721 c) 165.
A = D + 36 d) 154.
W = A - 44
Substituímos Arley em Wanderson: Total de alunos = 396
W= A - 44 Meninos = H
W= 36+D-44 Meninas = M
W= D-8
Substituímos na fórmula principal: Razão: H + 5x
D + A + W = 721 M 7x
D + 36 + D + D – 8 = 721
3D + 28 = 721 Agora vamos somar 5x com 7x = 12x
3D = 721 - 28 12x é igual ao total que é 396
D = 693/3 12x = 396
D = 231 x = 33
Substituímos o valor de D nas outras: Portanto o número de meninos será:
A = D + 36 Meninos = 5X = 5 x 33 = 165. Resposta: Letra C.
A= 231+36= 267
W = A - 44
W= 267-44
W= 223 REGRA DE TRÊS: SIMPLES E
Logo, os valores em ordem crescente que Wander-
son, Darlan, Arley recebem são, respectivamente, COMPOSTA
R$ 223,00, R$ 231,00 e R$ 267,00. Resposta: Letra D.
Regra de Três Simples
4. (CESPE-CEBRASPE – 2018) A respeito de razões, pro-
porções e inequações, julgue o item seguinte. A Regra de Três Simples envolve apenas duas
Situação hipotética: Vanda, Sandra e Maura receberam grandezas. São elas:
R$ 7.900 do gerente do departamento onde trabalham,
para ser divido entre elas, de forma inversamente pro- z Grandeza Dependente: é aquela cujo valor se dese-
porcional a 1/6, 2/9 e 3/8, respectivamente. ja calcular a partir da grandeza explicativa;
Assertiva: Nessa situação, Sandra deverá receber z Grandeza Explicativa ou Independente é aque-
menos de R$ 2.500. la utilizada para calcular a variação da grandeza
dependente.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
Existem dois tipos principais de proporcionalida-
6x
+
9x
+
8x
= 7.900 des que aparecem frequentemente em provas de con-
1 2 3 cursos públicos. Veja abaixo:

Tirando o MMC entre 1, 2 e 3 vamos achar 6. Temos: z Grandezas Diretamente Proporcionais: o aumento
de uma grandeza implica o aumento da outra;
36x
+
27x
+
16x
= 7.900 z Grandezas Inversamente Proporcionais: o aumen-
6 6 6 to de uma grandeza implica a redução da outra;

79x
= 7.900w Vamos esquematizar para sabermos quando será
6 direta ou inversamente proporcionais:

x = 600
DIRETAMENTE + / + OU - / -
Sendo assim, Sandra está inversamente proporcio- PROPORCIONAL
nal a:

9x Aqui as grandezas aumentam ou diminuem juntas


(sinais iguais)
MATEMÁTICA

Basta substituirmos o valor de X na proporção. PROPORCIONAL + / - OU - / +

9x 9 x 600
= = 2.700
2 2 Aqui uma grandeza aumenta e a outra diminui
(sinais diferentes)
(valor que Sandra irá receber é MAIOR que 2.500). Agora vamos esquematizar a maneira que iremos
Resposta: Errado. resolver os diversos problemas: 65
Regra de Três Composta
DIRETAMENTE MULTIPLICA CRUZADO
PROPORCIONAL
A Regra de Três Composta envolve mais de duas
variáveis. As análises sobre se as grandezas são direta-
INVERSAMENTE MULTIPLICA NA HORIZONTAL
PROPORCIONAL mente e inversamente proporcionais devem ser feitas
cautelosamente levando em conta alguns princípios:

Vejamos alguns exemplos para fixarmos um pouco z As análises devem sempre partir da variável
mais como isso tudo funciona: dependente em relação às outras variáveis;
z As análises devem ser feitas individualmente. Ou
z Um muro de 12 metros foi construído utilizando 2 seja, deve-se comparar as grandezas duas a duas,
160 tijolos. Caso queira construir um muro de 30 mantendo as demais constantes.
metros nas mesmas condições do anterior, quan- z A variável dependente fica isolada em um dos
tos tijolos serão necessários? lados da proporção.

Primeiro vamos montar a relação entre as gran- Vamos analisar alguns exemplos e ver na prática
dezas e depois identificar se é direta ou inversamente como isso tudo funciona:
proporcional.
z Se 6 impressoras iguais produzem 1000 panfletos
12 m -------- 2 160 (tijolos) em 40 minutos, em quanto tempo 3 dessas impres-
30 m -------- X (tijolos) soras produziriam 2000 desses panfletos?

Veja que de 12m para 30m tivemos um aumento (+) Da mesma forma que na regra de três simples,
e que para fazermos um muro maior vamos precisar vamos montar a relação entre as grandezas e analisar
de mais tijolos, ou seja, também deverá ser aumentado cada uma delas isoladamente duas a duas.
(+). Logo, as grandezas são diretamente proporcionais
e vamos resolver multiplicando cruzado. Observe: 6 (imp.) -------- 1000 (panf.) -------- 40 (min)
3 (imp.) -------- 2000 (panf.) -------- X (min)
12 m -------- 2 160 (tijolos)
Vamos escrever a proporcionalidade isolando a
parte dependente de um lado e igualando às razões da
30 m -------- X (tijolos)
seguinte forma – se for direta vamos manter a razão,
12 · X = 30 . 2160 agora se for inversa vamos inverter a razão. Observe:
12X = 64800
X = 5400 tijolos 40 ? ?
= #
X ? ?
Assim, comprovamos que realmente são necessá-
rios mais tijolos. Analisando isoladamente duas a duas:
6 (imp.) -------- 40 (min)
z Uma equipe de 5 professores gastou 12 dias para
3 (imp.) ---- ---- X (min)
corrigir as provas de um vestibular. Considerando
a mesma proporção, quantos dias levarão 30 pro- Perceba que de 6 impressoras para 3 impressoras
fessores para corrigir as provas? o valor diminui ( - ) e que o tempo irá aumentar ( + ),
pois agora teremos menos impressoras para realizar
Do mesmo jeito que no exemplo anterior, vamos a tarefa. Logo, as grandezas são inversas e devemos
montar a relação e analisar: inverter a razão.

40 3 ?
5 (prof.) --------- 12 (dias) = #
X 6 ?
30 (prof.) -------- X (dias)

Veja que de 5 (prof.) para 30 (prof.) tivemos um Analisando isoladamente duas a duas:
aumento (+), mas como agora estamos com uma equi- 1000 (panf.) -------- 40 (min)
pe maior o trabalho será realizado mais rapidamente. 2000 (panf.) ------ -- X (min)
Logo, a quantidade de dias deverá diminuir (-). Des-
Perceba que de 1000 panfletos para 1200 panfle-
sa forma, as grandezas são inversamente proporcio-
tos o valor aumenta ( + ) e que o tempo também irá
nais e vamos resolver multiplicando na horizontal. aumentar ( + ). Logo, as grandezas são diretas e deve-
Observe: mos manter a razão.

5 (prof.) 12 (dias) 40 3 1000


= #
30 (prof.) X (dias) X 6 2000
30 . X = 5 . 12
30X = 60 Agora basta resolver a proporção para acharmos
X=2 o valor de X.

A equipe de 30 professores levará apenas 2 dias 40 3000


=
66 para corrigir as provas. X 12000
3X = 40 x 12 eles e seus dois filhos consumissem durante os 30
3X = 480 dias do mês. No dia 7 desse mês, um casal de amigos
X = 160 chegou de surpresa para passar o restante do mês
com a família.
As três impressoras produziriam 2000 panfletos em Nessa situação, se cada uma dessas seis pessoas
160 minutos, que correspondem há 2 horas e 40 minutos. consumir diariamente a mesma quantidade de ali-
Para fixarmos mais ainda nosso conhecimento, mentos, os alimentos comprados pelo casal acabarão
vamos analisar mais um exemplo. antes do dia 20 do mesmo mês.
Exemplo 2:Um texto ocupa 6 páginas de 45 linhas
cada uma, com 80 letras (ou espaços) em cada linha. ( ) CERTO  ( ) ERRADO
Para torná-lo mais legível, diminui-se para 30 o núme-
ro de linhas por página e para 40 o número de letras 4 Pessoas ------- 24 Dias
(ou espaços) por linha. Considerando as novas condi- 6 Pessoas ------- x Dias
ções, determine o número de páginas ocupadas. Temos grandezas inversas, então é só multiplicar
Já aprendemos o passo a passo no exemplo ante- na horizontal:
rior. Aqui vamos resolver de maneira mais rápida. 6x = 4 . 24
6x = 96
6 (pág.) -------- 45 (linhas) -------- 80 (letras) x = 96/6
X (pág.) -------- 30 (linhas) -------- 40 (letras) x = 16
6 ? ? Como já haviam comido por 6 dias é só somar:
= # 6 dias (consumidos por 4) + 16 dias (consumidos por
X ? ?
6) = 22 dias (a comida acabará no dia 22 de abril).
Resposta: Errado.
Analisando isoladamente duas a duas:
2. (CESPE-CEBRASPE – 2018) O motorista de uma
6 (pág.) -------- 45 (linhas) empresa transportadora de produtos hospitalares
X (pág.) -- ----- 30 (linhas) deve viajar de São Paulo a Brasília para uma entrega
de mercadorias. Sabendo que irá percorrer aproxima-
Perceba que de 45 linhas para 30 linhas o valor damente 1.100 km, ele estimou, para controlar as des-
diminui ( - ) e que o número de páginas irá aumentar pesas com a viagem, o consumo de gasolina do seu
( + ). Logo, as grandezas são inversas e devemos inver- veículo em 10 km/L. Para efeito de cálculos, conside-
ter a razão. rou que esse consumo é constante.
Considerando essas informações, julgue o item que
6 30 ?
= # segue.
X 45 ? Nessa viagem, o veículo consumirá 110.000 dm3 de
gasolina.
Analisando isoladamente duas a duas:
( ) CERTO  ( ) ERRADO
6 (pág.) -------- 80 (letras)
X (pág.) ------- 40 (letras) Com 1 litro ele faz 10 km
Sabendo que 1 L é igual a 1dm³, então podemos
Veja que de 80 letras para 40 letras o valor diminui dizer que com 1dm³ ele faz 10km
( - ) e que o número de páginas irá aumentar ( + ). Logo, Portanto,
as grandezas são inversas e devemos inverter a razão. 10 km -------- 1dc³
6 30 40 1.100 km --------- x
= #
X 45 80 10x = 1.000
x = 110dm³ (a gasolina que será consumida).
6 2 1 Resposta: Errado.
= #
X 3 2
6 2 3. (VUNESP - 2020) Uma pessoa comprou determinada
= quantidade de guardanapos de papel. Se ela utilizar 2
X 6
guardanapos por dia, a quantidade comprada irá durar
2X = 36 15 dias a mais do que duraria se ela utilizasse 3 guar-
X = 18 danapos por dia. O número de guardanapos compra-
dos foi
O número de páginas a serem ocupadas pelo texto
respeitando as novas condições é igual a 18. a) 60.
b) 70.
A seguir, questões comentadas de bancas variadas c) 80.
MATEMÁTICA

para que você possa por em prática o conhecimento d) 90.


adquirido. e) 100.

1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) No item seguinte apre- x = dias


senta uma situação hipotética, seguida de uma asser- 3 guardanapos por dia -------- x
tiva a ser julgada, a respeito de proporcionalidade, 2 guardanapos por dia -------- x+15
porcentagens e descontos. São valores inversamente proporcionais, quanto
No primeiro dia de abril, o casal Marcos e Paula com- mais guardanapos por dia, menos dias durarão.
prou alimentos em quantidades suficientes para que Assim, multiplicamos na horizontal: 67
3x = 2 . (x+15) 30 3
3x = 30+2x 30% = = (forma de fração simplificada)
100 10
3x-2x = 30
x = 30 Sendo assim, a razão 30% pode ser escrita de
Podemos substituir em qualquer uma das duas várias maneiras:
situações:
3 guardanapos x 30 dias= 90 30 3
2 guardanapos x 45(30+15) dias = 90 . Resposta: 30% = = 0,3 =
100 10
Letra D.
Também é possível fazer a conversão inversa, isto
4. (FUNDATEC - 2017) Cinco mecânicos levaram 27 é, transformar um número qualquer em porcentual.
minutos para consertar um caminhão. Supondo que Para isso, basta multiplicar por 100. Veja:
fossem três mecânicos, com a mesma capacidade e
ritmo de trabalho para realizar o mesmo serviço, quan-
25 x 100 = 2500%
tos minutos levariam para concluir o conserto desse
0,35 x 100 = 35%
mesmo caminhão?
0,586 x 100 = 58,6%
a) 20 minutos.
Número Relativo
b) 35 minutos.
c) 45 minutos.
A porcentagem traz uma relação entre uma parte e
d) 50 minutos.
um todo. Quando dizemos 10% de 1000, o 1000 corres-
e) 55 minutos.
ponde ao todo. Já o 10% corresponde à fração do todo
que estamos especificando. Para descobrir a quanto
Mecânicos ------ Minutos
isso corresponde, basta multiplicar 10% por 1000.
5 ---------------- 27
3 ---------------- x
10 x 1000 = 100
Quanto menos mecânicos, mais minutos eles gas- 10% de 1000 =
100
tarão para finalizar o trabalho, logo a grande-
za é inversamente proporcional. Multiplica na
horizontal: Dessa maneira, 1000 é todo, enquanto que 100 é a
3x = 27.5 parte que corresponde a 10% de 1000.
3x = 135
x = 135/3 Dica
x = 45 minutos. Resposta: Letra C.
Quando o todo variar, a porcentagem também
varia!
5. (IESES - 2019) Cinco pedreiros construíram uma casa em
28 dias. Se o número de pedreiros fosse aumentado para
Veja um exemplo:
sete, em quantos dias essa mesma casa ficaria pronta?
Roberto assistiu 2 aulas de Matemática Financeira.
Sabendo que o curso que ele comprou possui um total
a) 18 dias.
de 8 aulas, qual é o percentual de aulas já assistidas
b) 16 dias.
por Roberto?
c) 20 dias.
O todo de aulas é 8. Para descobrir o percentual,
d) 22 dias.
devemos dividir a parte pelo todo e obter uma fração.
5 (pedreiros) ---------- 28 (dias)
2 1
7 (pedreiros) ------------- X (dias) =
8 4
Perceba que as grandezas são inversamente propor-
cionais, então basta multiplicar na horizontal.
5 . 28=7 . X Precisamos transformar em porcentagem, ou seja,
7X = 140 vamos multiplicar a fração por 100:
X = 140/7
1 x 100 = 25%
X = 20 dias . Resposta: Letra C.
4

Soma e Subtração de Porcentagem

PORCENTAGEM As operações de soma e subtração de porcentagem


são as mais comuns. É o que acontece quando se diz
A porcentagem é uma medida de razão com base que um número excede, reduziu, é inferior ou é supe-
100. Ou seja, corresponde a uma fração cujo denomi- rior ao outro em tantos por cento. A grandeza inicial
nador é 100. Vamos observar alguns exemplos e notar corresponderá sempre a 100%. Então, basta somar ou
como podemos representar um número porcentual. subtrair o percentual fornecido dos 100% e multipli-
car pelo valor da grandeza.
30% =
30
(forma de fração) Exemplo 1:
100 Paulinho comprou um curso de 200 horas-aula.
Porém, com a publicação do edital, a escola precisou
30% =
30
= 0,3 (forma decimal) aumentar a carga horária em 15%. Qual o total de
68 100 horas-aula do curso ao final?
Inicialmente, o curso de Paulinho tinha um total plenária estavam presentes somente 20% das deputa-
de 200 horas-aula que correspondiam a 100%. Com o das e 10% dos deputados, perfazendo-se um total de 7
aumento porcentual, o novo curso passou a ter 100% + parlamentares presentes à sessão.
15% das aulas inicialmente previstas. Portanto, o total Infere-se da situação apresentada que, nessa assem-
de horas-aula do curso será: bleia legislativa, havia
(1 + 0,15) x 200 = 1,15 x 200 = 230 horas-aula
a) 10 deputadas.
Dica b) 14 deputadas.
A avaliação do crescimento ou da redução per- c) 15 deputadas.
centual deve ser feita sempre em relação ao d) 20 deputadas.
valor inicial da grandeza. e) 25 deputadas.
-
Variação percentual = Final Inicial 50 parlamentares
Inicial
Deputadas = X
Veja mais um exemplo para podermos fixar melhor. Deputados = 50-X
Exemplo 2: Compareceram 20% x e 10% (50-x), totalizando 7
Juliano percebeu que ele ainda não assistiu a 200 parlamentares. Não sabemos a quantidade exata de
aulas do seu curso. Ele deseja reduzir o número de cada sexo. Vamos montar uma equação e achar o
aulas não assistidas a 180. É correto afirmar que, se
valor de X.
Juliano chegar às 180 aulas almejadas, o número terá
20% x + 10% (50-x) = 7
caído 20%?
20/100 . x + 10/100 . (50-x) = 7
A variação percentual de uma grandeza corres-
2/10 . x + 1/10 . (50-x) = 7
ponde ao índice:
2x/10 + 50 - x/10 = 7 (faz o MMC)
Final - Inicial 180 - 200 2x + 50 - x = 70
Variação percentual = = = 2x - x = 70 - 50
Inicial 200
x = 20 deputadas fazem parte da Assembleia Legis-
20 lativa. Resposta: Letra D.
– = - 0,10
200
3. (VUNESP - 2016) Um concurso recebeu 1500 ins-
Como o resultado foi negativo, podemos afirmar crições, porém 12% dos inscritos faltaram no dia da
que houve uma redução percentual de 10% nas aulas prova. Dos candidatos que fizeram a prova, 45% eram
ainda não assistidas por Juliano. O enunciado está mulheres. Em relação ao número total de inscritos, o
errado ao afirmar que essa redução foi de 20%. número de homens que fizeram a prova corresponde a
uma porcentagem de
Coloque, a seguir, em prática o conhecimento
adquirido sobre esse assunto com questões comenta- a) 45,2%.
das de bancas variadas. b) 46,5%.
c) 47,8%.
1. (CESPE-CEBRASPE – 2020) Em determinada loja, d) 48,4%.
uma bicicleta é vendida por R$ 1.720 à vista ou em e) 49,3%.
duas vezes, com uma entrada de R$ 920 e uma par-
cela de R$ 920 com vencimento para o mês seguinte. Veja que se 12% faltaram, então 88% fizeram a
Caso queira antecipar o crédito correspondente ao prova.
valor da parcela, a lojista paga para a financeira uma Pessoas presentes (88%) e dessas 45% eram mulhe-
taxa de antecipação correspondente a 5% do valor da res e 55% eram homens. Portanto, basta multiplicar
parcela. o percentual dos homens pelo total:
Com base nessas informações, julgue o item a seguir. 55% de 88% das pessoas que fizeram a prova; ou
Na compra a prazo, o custo efetivo da operação de finan-
0,55 x 0,88 = 0,484.
ciamento pago pelo cliente será inferior a 14% ao mês.
Transformando em porcentagem
0,484 x 100 = 48,4%. Resposta: Letra D.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
4. (FCC - 2018) Em uma pesquisa 60% dos entrevistados
Valor da bicicleta =1720,00
preferem suco de graviola e 50% suco de açaí. Se 15%
Parcelado = 920,00 (entrada) + 920,00 (parcela)
Na compra a prazo, o agente vai pagar 920,00 dos entrevistados gostam dos dois sabores, então,
(entrada), logo vai sobrar (1720-920 = 800,00) a porcentagem de entrevistados que não gostam de
No próximo mês é preciso pagar 920,00 ou seja nenhum dos dois é de
MATEMÁTICA

800,00 + 120,00 de juros. Agora é pegar 120,00


(juros) e dividir por 800,00 resultado: a) 80%.
120,00/800,00 = 0,15% ao mês. b) 61%.
A questão diz que seria inferior a 0,14%, ou seja, c) 20%.
está errada. Resposta: Errado. d) 10%.
e) 5%.
2. (CESPE-CEBRASPE - 2019) Na assembleia legislati-
va de um estado da Federação, há 50 parlamentares, Vamos dispor as informações em forma de conjun-
entre homens e mulheres. Em determinada sessão tos para facilitar nossa resolução: 69
Graviola Açai Veja o sinal ± presente na expressão acima. É ele
que permitirá obtermos dois valores para as raízes,
um valor utilizando o sinal positivo (+) e outro valor
utilizando o sinal negativo (-).
60% – 15% = 15% 50% – 15% = Vamos aplicar isso em um exemplo:
Calcular as raízes da equação x2 - 3x + 2 = 0.
45% 35%
Identificando os valores de a, b e c.
Nenhum = X
a=1
b = -3
Vamos somar todos os valores e igualar ao total que
c=2
é 100%: 45% + 15% + 35% + X = 100%
95% + X = 100%
X = 5%. Resposta: Letra E. Substituindo na fórmula:

2
5. (FUNCAB - 2015) Adriana e Leonardo investiram R$ -b ! b - 4ac
x=
20.000,00, sendo o 3/5 desse valor em uma aplicação 2a
que gerou lucro mensal de 4% ao mês durante dez
meses. O restante foi investido em uma aplicação,
que gerou um prejuízo mensal de 5% ao mês, durante -(-3) ± √(-3)2 - 4 × 1 × 2
o mesmo período. Ambas as aplicações foram feitas x=
no sistema de juros simples. 2×1
Pode-se concluir que, no final desses dez meses, eles
tiveram:
3! 9-8
x=
a) prejuízo de R$2.800,00. 2
b) lucro de R$3.200,00.
c) lucro de R$2.800,00. x= 3!1
2
d) prejuízo de R$6.000,00
e) lucro de R$5.000,00. 3+1
x1 = =2
2
3/5 de 20.000,00 = 12.000,00
12.000,00 · 4% = 480,00 3-1
x2 = =1
480 · 10 (meses) = 4.800 (juros) 2
O que sobrou 20.000,00 - 12.000,00 = 8.000,00. Apli-
cação que foi investida e gerou prejuízo de 5% ao Na fórmula de Báskara, podemos usar um discrimi-
mês, durante 10 meses:
nante que é representado por “Δ”. Seu valor é igual a:
8.000,00 · 5% = 400,00
400 · 10 meses= 4.000
Portanto 20.000,00 + 4.800(juros) = 24,800,00 - Δ = b2 - 4ac
4.000= 20.800,00 /10 meses= 2.080,00 lucros.
Resposta: Letra C. Assim, podemos escrever a fórmula de Báskara:

-b ! D
x=
2a
EQUAÇÕES DO 2º GRAU O discriminante fornece importantes informações
de uma equação do 2ª grau:
Equações do segundo grau são equações nas quais
o maior expoente de x é igual a 2.
Se Δ > 0 → A equação possui duas raízes reais e
Sua forma geral é expressa por: ax2 + bx + c = 0.
distintas
Onde a, b e c são os coeficientes da equação.
Se Δ = 0 → A equação possui duas raízes reais e
idênticas
„ a é sempre o coeficiente do termo em x²;
Se Δ < 0 → A equação não possui raízes reais
„ b é sempre o coeficiente do termo em x;
„ c é sempre o coeficiente ou termo independente.
Soma e Produto das Raízes
As equações de segundo grau têm 2 raízes, isto
Em uma equação ax2 + bx + c = 0, temos:
é, existem 2 valores de x que tornam a igualdade
verdadeira.
z a soma das raízes é dada por –𝑏/a;
Cálculo das Raízes da Equação z o produto das raízes é dado por 𝑐 / a

Vamos achar as raízes por meio da fórmula de Calcular as raízes da equação x2 - 3x + 2 = 0.


Báskara. Basta identificar os coeficientes a, b e c e Soma: –𝑏/a = -(-3) / 1 = 3
colocá-los na seguinte expressão: Produto: 𝑐/a = 2 / 1 = 2
Quais são os dois números que somados resultam
2 “3” e multiplicados, “2”?
-b ! b - 4ac
x= Soma: 3 = (2 + 1)
70 2a Produto 2 = (2 ×1)
Logo, 2 e 1 são as raízes dessa equação. Exatamen-
te igual achamos usando a fórmula de Báskara. MEDIDAS: TEMPO, COMPRIMENTO,
MASSA, ÁREA, CAPACIDADE E
A seguir, com questões comentadas, pratique um
pouco do conhecimento adquirido sobre o assunto
CONVERSÃO DE UNIDADES
com questões comentadas de bancas variadas.
MEDIDAS DE TEMPO

1. (FUNDATEC – 2011) Qual deve ser o valor de m para Medindo intervalos de tempos temos (hora – minu-
que a equação x2 + 6x + m = 0 tenha raízes reais iguais? to – segundo) que são os mais conhecidos. Veja como
se faz a relação nessa unidade:
a) 3. Para transformar de uma unidade maior para a
b) 9. unidade menor, multiplica-se por 60. Veja:
c) 6.
d) -9. 1 hora = 60 minutos
e) -3 4 h = 4 x 60 = 240 minutos

Para que a equação do segundo grau tenha raízes Para transformar de uma unidade menor para a
iguais, é preciso que o delta (discriminante) seja unidade maior, divide-se por 60. Veja:
igual a zero. Isto é, Δ = b2 - 4ac.
0 = 62 – 4.1.m 20 minutos = 20 / 60 = 2/6 = 1/3 da hora ou 1/3h.
0 = 36 – 4m
4m = 36 Para medir ângulos, a unidade básica é o grau.
Temos, então, as seguintes relações:
m = 9. Resposta: Letra B.
1 grau equivale a 60 minutos (1º = 60’)
2. (CONSULPLAN – 2016) Julgue a afirmativa:
1 minuto equivale a 60 segundos (1’ = 60”)
A soma das raízes da equação x2 - 5x + 6 = 0 é um
número ímpar. Aqui vale fazer uma observação: os minutos e os
segundos dos ângulos não são os mesmos do sistema
( ) CERTO  ( ) ERRADO (hora – minuto – segundo). Os nomes são semelhantes,
mas os símbolos que os indicam são diferentes, veja:
A soma das raízes é: 1h32min24s é um intervalo de tempo ou um ins-
S = -b / a tante do dia.
S = -(-5) / 1 = 5. Resposta: Certo. 1º 32’ 24” é a medida de um ângulo.

3. (IBFC – 2018) José perguntou ao seu avô Pedro, que MEDIDAS DE COMPRIMENTO
é professor de matemática, com que idade ele se for-
mou na faculdade. Pedro disse ao neto que sua idade A unidade principal tomada como referência é o
era o produto entre as raízes da equação x² -10x + 21 = metro. Além dele, temos outras seis unidades dife-
0. Nessas condições, assinale a alternativa que apre- rentes que servem para medir dimensões maiores ou
senta a idade que Pedro se formou na faculdade: menores. A conversão de unidades de comprimento
segue potências de 10. Veja o esquema a seguir:
a) 18.
b) 21. Km hm dam m dm cm mm
(quilômetro) (hectômetro) (decâmetro) (metro) (decímetro) (centímetro) (mlímetro)
c) 24.
d) 27.
×10 ×10 ×10 ×10 ×10 ×10
Achando as raízes da equação:
x² -10x + 21 = 0 Km hm dam m dm cm mm

-(-10) ± √(-10)2 - 4 × 1 × 21
x= :10 :10 :10 :10 :10 :10
2×1
x= Exemplo: Converter 5,3 metros para centímetros:
10 ! 100 - 84 Para sair do metro e chegar no centímetro deve-
2 mos multiplicar por 100 (10x10), pois “andamos” duas
casas até chegar em centímetro. Logo,
MATEMÁTICA

x=
10 ! 16 5,3m = 5,3 x 100 = 530 cm.
2
10 + 4 MEDIDAS DE ÁREA (SUPERFÍCIE)
x1 = + =7
2
A unidade principal tomada como referência é o
10 - 4
x2 = - =7 metro quadrado. Além dele, temos outras seis unidades
2
diferentes que servem para medir dimensões maiores
O produto das raízes é igual a 7 × 3 = 21 anos. ou menores. A conversão de unidades de superfície
Resposta: Letra B. segue potências de 100. Veja o esquema a seguir 71
Km2 hm2 dam2 m2 dm2 cm2 mm2
(quilômetro
quadrado)
(hectômetro
quadrado)
(decâmetro
quadrado)
(metro (decímetro (centímetro
quadrado) quadrado) quadrado)
(mlímetro
quadrado)
GEOMETRIA: SÓLIDOS, POLÍGONOS,
CÍRCULOS, PROPORCIONALIDADE,
×100 ×100 ×100 ×100 ×100 ×100 CONGRUÊNCIA, SEMELHANÇA,
PERÍMETRO E ÁREA DE FIGURAS
Km2 hm2 dam2 m2 dm2 cm2 mm2 PLANAS

:100 :100 GEOMETRIA PLANA


:100 :100 :100 :100
A Geometria Plana (ou Geometria Euclidiana) deve
Exemplo: Converter 5,3 m2 para cm2: ser vista como um dos principais ramos da Matemática.
Para sair do metro quadrado e chegar no cen- Sua origem remonta a Euclides de Alexan-
tímetro quadrado devemos multiplicar por 10000 dria (360 a.C. – 295 a.C.), que foi um matemático da
(100x100), pois “andamos” duas casas até chegar em antiguidade.
centímetro quadrado. Logo,
5,3m2 = 5,3 x 10000 = 53000 cm2. ÂNGULOS

MEDIDAS DE VOLUME (CAPACIDADE) Definições, Elementos e Propriedades

A unidade principal tomada como referência é o z Definição de Ângulo


metro cúbico. Além dele, temos outras seis unidades
diferentes que servem para medir dimensões maiores Definimos ângulo como a união de duas semirre-
ou menores. A conversão de unidades de superfície tas de mesma origem e não colineares (que não per-
segue potências de 1000. Veja o esquema a seguir: tencem a uma mesma reta). Veja a figura adiante:

Km3 hm3 dam3 m3 dm3 cm3 mm3


(quilômetro (hectômetro (decâmetro (metro (decímetro (centímetro (mlímetro
cúbico) cúbico) cúbico) cúbico) cúbico) cúbico) cúbico) A
×1.000 ×1.000 ×1.000 ×1.000 ×1.000 ×1.000

Km3 hm3 dam3 m3 dm3 cm3 mm3

:1.000 :1.000 :1.000 :1.000 :1.000 :1.000 O

Exemplo: Converter 5,3 m3 para cm3:


Para sair do metro cúbico e chegar no centímetro
cúbico devemos multiplicar por 1000000 (1000x1000), B
pois “andamos” duas casas até chegar em centímetro
cúbico. Logo, 5,3m3 = 5,3 x 1000000 = 5300000 cm3. Definição de Ângulo
Veja, agora, algumas relações interessantes e que
você precisa ter em mente para resolver diversas Observação 1: O é chamado de Vértice do ângulo
questões. e OA e OB são chamados de lados.
Observação 2: Na figura acima o ângulo é indica-
do por AOB ou BOA.
UNIDADE RELAÇÃO DE UNIDADE
z Ponto Interior de um Ângulo
1 quilograma (kg) 1000 gramas (g)

1 tonelada (t) 1000 quilogramas (kg) Seja um ângulo e um ponto P qualquer, dizemos
que P será um Ponto Interior ao Ângulo, quando
1 litro (l) 1 decímetro cúbico (dm3) uma reta qualquer que passa por P intercepta os lados
do ângulo em dois pontos distintos A e B, de modo que
1 mililitro (ml) 1centímetro cúbico (cm3) o ponto P seja obrigatoriamente um ponto entre A e B.
1 hectare (ha) 1 hectômetro quadrado (hm2)

1 hectare (ha) 10000 metros quadrados (m2)

72
„ Ângulos adjacentes: dois ângulos serão cha-
mados de Adjacentes quando forem consecu-
tivos e não tiverem pontos internos em comum.

A
P
O

B
B
O

Representação de um Ponto no Interior de um Ângulo

Observação: Na figura acima, o ponto P é um pon- C


to interior ao AOB
Ângulos Adjacentes
z Setor Angular
Observação: os ângulos AÔB e BÔC são adjacentes.
Denominamos Setor Angular a reunião dos pontos
pertencentes ao ângulo e dos seus pontos interiores. „ Ângulos Opostos pelo Vértice: dois ângu-
los serão chamados de Opostos pelo Vértice
quando os lados de um deles forem semirretas
A opostas aos lados do outro.

O
F

H
B

Setor Angular O

Observação: A figura acima mostra o Setor Angu- I G


lar do AOB

z Classificação dos Ângulos

Vejamos de que maneira os ângulos podem ser Ângulos Opostos pelo Vértice
classificados.
Observação: o par de ângulos FÔG e HÔI são opos-
„ Ângulos Consecutivos: dois ângulos serão tos pelo vértice.
chamados de Consecutivos quando tiverem o
mesmo vértice e um lado em comum. „ Ângulo Reto: um ângulo será chamado de Reto
quando sua medida for igual a 90º.

A
B
MATEMÁTICA

Dois Ângulos Consecutivos


O B
Observação: os pares de ângulos AÔB e BÔC; AÔC
e AÔB; AÔC e BÔC são consecutivos. Ângulo Reto 73
Observação: AÔB é um ângulo reto. A
„ Ângulo Agudo: um ângulo será chamado de
Agudo quando sua medida for menor que 90º.

C O B

Ângulos Suplementares

Observação: os ângulos AÔC e AÔB são suplementares.


O
B
Bissetriz de um Ângulo
Ângulo Agudo
Sejam os ângulos AÔB e BÔC, de vértice comum e
Observação: AÔB é um ângulo agudo. lado OB, também comum, conforme a figura abaixo.
A semirreta OC divide o ângulo AÔB em duas partes
„ Ângulo Obtuso: um ângulo será chamado de congruentes, ou seja, iguais. Essa semirreta é denomi-
Obtuso quando sua medida for maior que 90º nada bissetriz do ângulo AÔB.
Portanto, a Bissetriz de um Ângulo é uma semir-
e, ao mesmo tempo, menor que 180°.
reta que tem origem no vértice e divide o ângulo em
duas partes iguais.

A
A

C
Bissetriz
O
O B

Ângulo Obtuso

Observação: AÔB é um ângulo obtuso. B

„ Ângulos Complementares: dois ângulos serão Bissetriz de um Ângulo


complementares quando a soma de suas
CIRCUNFERÊNCIAS, CÍRCULOS E SEUS ELEMENTOS
medidas for igual a 90°. Dizemos que um ângu-
lo é o complemento do outro. Ângulos na Circunferência

Vejamos abaixo as definições importantes acerca


de ângulos na circunferência.

z Circunferência: definimos circunferência como


I M o conjunto de todos os pontos de um plano, de
modo que a distância a um ponto fixo é uma cons-
tante positiva. A figura a seguir representa uma
circunferência λ, em que C é o centro (ponto fixo),
PC é um raio, com PC = r (constante positiva).

O H

r
Ângulos Complementares
C
Observação: os ângulos IÔM e MÔH são comple-
mentares.

„ Ângulos Suplementares: dois ângulos serão


suplementares quando a soma de suas medi-
das for igual a 180°. Dizemos que um ângulo é o
74 suplemento do outro. Circunferência λ
Círculo: definimos círculo como o conjunto de todos F
os pontos de um plano cuja distância a um ponto fixo é
menor ou igual a uma constante positiva.

P r
A
r
C C

Círculo
Posições de alguns pontos em relação à Circunferência λ

z Elementos de uma Circunferência: na figura abai-


Observação: na figura acima, F é um ponto exter-
xo temos uma circunferência de centro C e raio r.
no à circunferência; A é um ponto que pertence à cir-

N cunferência; e D é um ponto interno à circunferência.

z Medidas de um Ângulo pela Circunferência:


B
para medir o Arco (uma espécie de “pedaço” da
r circunferência), primeiramente a dividimos em
360 “partes” e denominamos 1 Grau ( º ) a cada
r C
“parte” obtida.

A Fazer a medição do arco em graus é determinar a


D E quantidade de partes compreendida neste arco. Veja
a figura adiante:
M

Elementos de uma Circunferência


A
AC = raio
AB = diâmetro
S
DME = arco
O
ANB = semicircunferência
AC = r e AB = 2r
B

z Posições de um Ponto em Relação a uma Circun-


MATEMÁTICA

ferência: sejam um ponto P e uma circunferência


de centro C e raio r, sendo d a distância de P ao
centro C, temos: Arco S representado em uma Circunferência

„ O ponto P é interno à circunferência: d < r A Medida de um Ângulo é a medida do menor

„ O ponto P é externo à circunferência: d > r arco determinado pelo ângulo em uma circunferência
„ O ponto P pertence à circunferência: d = r com o centro em seu vértice. 75
z Ângulo Inscrito: chamamos de ângulo inscrito
aquele que tem vértice na circunferência e lados
A secantes à mesma. O arco da circunferência com pon-
tos internos ao ângulo é o seu arco correspondente.

Veja a figura abaixo:

O
A

Q
O
P
Ângulo em uma Circunferência

A medida do ângulo AOB é a medida do arco AB assi-


B
nalado na figura acima. Indicamos esta situação por:

m (AOB) = AÔB

z Ângulo Central: definimos um ângulo central


como sendo aquele cujo vértice coincide com o Ângulo Inscrito em uma Circunferência
centro da circunferência. O arco de uma circunfe-
rência com pontos internos ao ângulo é o seu Arco Observação 1: O ângulo APB ̂ é inscrito na
Correspondente. circunferência.
Observação 2: AQB é o arco correspondente do ângu-
Veja a figura: ̂ .
lo APB

z Ângulo de Vértice Externo: denominamos de ângu-


lo de vértice externo, ao ângulo que tem o vértice no
A
exterior da circunferência e seus lados secantes a ela.

Vejamos abaixo:

O
P A

B D N
M O
P
C
B
Ângulo Central em uma Circunferência

Observação 1: O ângulo AÔB (α) é o Ângulo Central.


Observação 2: APB é o arco correspondente do ângu-
lo AÔB. Ângulo de Vértice Externo em relação à Circunferência
A medida de um ângulo central é igual à medida de
seu arco correspondente AÔB = m (AB) = α. Observação 1: APB é de vértice externo.
Veja a representação desta igualdade abaixo: Observação 2: ANB e CMD são os arcos correspon-
^ .
dentes do ângulo APB

PARALELISMO
A Retas Paralelas

Duas retas serão chamadas de paralelas se, e somen-


te se, elas forem coincidentes (iguais) ou se forem copla-
nares (pertencerem ao mesmo plano e não possuírem
O nenhum ponto em comum).
r s

B r
s

76 Ângulo e Arco Correspondente em uma Circunferência Retas Paralelas r e s


Observação 1: β é um plano que contém as retas r e s. Observação: Se α = β, então r//s
Observação 2: r ⸦ β, s ⸦ β e r ∩ s = ø
Dadas duas retas r e s paralelas (ou não paralelas) e Postulado de Euclides
uma reta t concorrente com r e s, temos:
O postulado de Euclides afirma o seguinte:
t
z Por um ponto passa uma única reta paralela a
uma reta dada;
a z Se duas retas paralelas distintas interceptam uma
b
transversal, então os ângulos alternos, ou ângulos
correspondentes, são congruentes.
d r
PERPENDICULARIDADE
c

e Retas Perpendiculares
f

Duas retas serão chamadas de Perpendiculares


s
h se, e somente se, forem concorrentes e formarem dois
g ângulos retos suplementares, ou seja, cada um dos
ângulos medindo 90°.

r
Retas Paralelas r e s cortadas pela Transversal t

Observação 1: A reta t será chamada de transversal


de r e s
Observação 2: Os ângulos formados pela figura aci-
ma são denominados de:

Alternos: â e ĝ, b̂ e ĥ, ĉ e ê, d̂ e f ̂


O s
Correspondentes: â e ê, b̂ e f,̂ ĉ e ĝ, d̂ e ĥ

Colaterais: â e ĥ, b̂ e ĝ, ĉ e f,̂ d̂ e ê

Retas r e s perpendiculares entre si


Existência da Paralela

Se duas retas distintas e coplanares e uma trans- Mediatriz de um Segmento


versal determinarem ângulos alternos, ou ângulos
correspondentes congruentes, podemos concluir Denominamos Mediatriz de um segmento a reta
então que essas duas retas são paralelas. perpendicular (m) ao segmento (AB) que passa pelo
seu ponto médio (M), ou seja, a mediatriz divide o seg-
mento em duas partes iguais.
t

r
MATEMÁTICA

A B
M
s

Existência da Paralela Mediatriz de um segmento AB qualquer 77


TRIÂNGULOS A

Ângulo Externo

Em todo triângulo, qualquer um de seus ângulos


externos é igual à soma dos dois ângulos internos não
adjacentes a ele. Na figura abaixo, representamos um
destes ângulos externos:
A
B C
H

Altura de um Triângulo ABC


e
Observação: No triângulo acima, a altura é dada
B pelo segmento AH
C

Ângulo Externo a um Triângulo ABC POLÍGONOS

Observação: conforme mencionado acima, o ângu-


Polígonos e seus Elementos
lo externo a um triângulo é dado pela soma dos ângu-
los internos ao triângulo e que não são adjacentes a e
(Teorema do Ângulo Externo). Neste caso, temos: Vamos considerar n · (n ≥ 3) pontos ordenados A1,
A2, ..., An. Consideremos também os n segmentos con-
A
secutivos determinados por estes pontos (A1A2, A2A3,
..., AnA1), de modo que não existam dois segmentos
consecutivos colineares. Definimos Polígono como a
e reunião dos pontos dos n segmentos considerados.
Vejamos alguns exemplos:
B
C A
Ângulo Externo e soma de ângulos internos do Triângulo ABC D

Observação: No caso acima, temos ê = Â + B̂

Soma dos Ângulos Internos de um Triângulo


C
Em virtude do Teorema do Ângulo Externo, pode- B
mos demonstrar facilmente que a soma dos ângulos
internos de qualquer triângulo será igual a 180°. K
A I

C G
B
F
Soma dos ângulos internos de um Triângulo ABC
H
Observação: a Soma dos Ângulos Internos de um
triângulo é dada por: Â + B̂ + Ĉ = 180°. L M
Q O
Altura de um Triângulo

A altura de um triângulo é dada pelo segmento de


reta perpendicular à reta suporte de um dos lados do
R P N
triângulo (no caso abaixo, a reta suporte é dada pelo seg-
mento BC), com extremidade nessa reta e no vértice opos-
78 to (na figura é dada pelo vértice A) ao lado considerado. Polígonos
Região Poligonal

A região poligonal é a reunião do polígono com o G


seu interior.
I

G
H
F
A
F

D B J
E

Polígono Côncavo

Observação 2: em um polígono côncavo, a região


poligonal é côncava.
C
Nomenclatura dos Polígonos
Região Poligonal
Nomeamos os Polígonos de acordo com o número
Polígono Côncavo e Polígono Convexo n de lados:

z 1° caso: 3� n � 9
Um polígono é convexo se, e somente se, qualquer n = 3 – Triângulo
reta suporte, de um lado do polígono, deixar todos os n = 4 – Quadrilátero
outros lados em um mesmo semi-plano dos dois que n = 5 – Pentágono
n = 6 – Hexágono
ela determina. n = 7 – Heptágono
n = 8 – Octógono
n = 9 – Eneágono

z 2º caso: n é múltiplo de 10
B
n = 10 – Decágono
n = 20 – Icoságono
n = 30 – Tricágono
n = 40 – Quadricágono
A n = 50 – Pentacágono
n = 60 – Hexacágono

C z 3° caso: n > 10 e n não é múltiplo de 10

n = 11 – Unodecágono
n = 17 – Heptdecágono
n = 26 – Hexaicoságono
n = 35 – Pentatricágono

Número de Diagonais de um Polígono Convexo


E

D O Número de Diagonais em um Polígono Convexo


é dado pela expressão:

n (n – 3)
MATEMÁTICA

d=
2
Polígono Convexo
Ângulos Internos de um Polígono Convexo
Observação: em um polígono convexo, a região
A soma dos ângulos internos de um polígono con-
poligonal é convexa.
vexo é dada pela expressão:
Por definição, um polígono que não é convexo é
côncavo Si = (n – 2) · 180º 79
Ângulos Externos de um Polígono Convexo A1
B1
z
A soma dos ângulos externos de um polígono con-
vexo é dada pela expressão: C1
W
Se = 360º D1
V
Perímetro de Polígonos
S
Quando nos referimos ao Perímetro de um Polí- T U
gono, estamos na prática indicando que nosso interes-
se diz respeito à soma dos lados deste. Portanto, para Polígonos Regulares
calcular o Perímetro de um Polígono qualquer, basta
somar os lados. QUADRILÁTEROS NOTÁVEIS

POLÍGONOS REGULARES Trapézio: um quadrilátero é um Trapézio se, e


somente se, tiver dois lados paralelos.
Um Polígono é denominado de regular quando pos-
sui todos os seus lados e ângulos internos congruentes.
Seguem alguns exemplos de Polígonos Regulares:

A B

Trapézio com vértices ABCD

Observação 1: o lado AB é chamado de base maior.


Observação 2: o lado CD é chamado de base menor.

Classificação dos Trapézios

z Trapézio Isósceles: os lados não paralelos são


L congruentes.
K

H
J

Q
P
Figura 55. Trapézio Isósceles
R

M
N

80
z Trapézio Escaleno: os lados não paralelos não são Todo Quadrilátero convexo em que as diago-
congruentes. nais se interceptam nos respectivos pontos médios é
Paralelogramo.
D C Losango: um quadrilátero é um Losango se, e
somente se, possuir os quatro lados congruentes.
B

A B

Trapézio Escaleno

z Trapézio Retângulo: quando existem dois ângu-


los internos retos. A C

Trapézio Retângulo Losango

Observação: AB = BC = CD = DA
Paralelogramo: um quadrilátero é Paralelogra-
mo se, e somente se, possuir os lados opostos paralelos. Propriedades dos Losangos
D C z Todo Losango tem as diagonais perpendiculares;
z Todo Paralelogramo que tem as diagonais perpen-
diculares é Losango;
z Todo Losango tem as diagonais nas bissetrizes
dos ângulos internos;
z Todo Paralelogramo que tem as diagonais nas bis-
setrizes dos ângulos internos é Losango.

A B Retângulo: um quadrilátero é um Retângulo


se, e somente se, possuir os quatro ângulos internos
Paralelogramo congruentes.
B
Observação: AB // CD e AD // BC

Propriedades dos Paralelogramos

z Em todo Paralelogramo os ângulos opostos são


congruentes;
z Todo Quadrilátero convexo que possui ângulos
MATEMÁTICA

opostos congruentes é Paralelogramo;


z Todo Retângulo é Paralelogramo;
z Em todo Paralelogramo os lados opostos são con-
gruentes;
z Todo Quadrilátero convexo que possui os lados D
opostos congruentes é Paralelogramo; Retângulo
z Todo Losango é Paralelogramo;
z Em todo Paralelogramo as diagonais se intercep- Observação 1: AB = CD e BC = AD
tam nos respectivos pontos médios; Observação 2: Â = B̂ = Ĉ = D̂ = 90° 81
Propriedades dos Retângulos B C

z Todo Retângulo tem as diagonais congruentes;


z Todo Paralelogramo que tem diagonais congruen-
tes é um Retângulo.
h
Quadrado: um quadrilátero é um Quadrado se, e
somente se, possuir os quatro ângulos internos con-
gruentes e os quatro lados congruentes.

B
b D

Área de um Retângulo

Observação: A área é dada por A = b · h

Área de um Paralelogramo

Á área de um Paralelogramo é dada pelo produto


de uma base, ou seja, um lado, pela altura relativa.

D D

Quadrado

Observação 1: AB = BC = CD = AD
Observação 2: Â = B̂ = Ĉ = D̂ = 90° h

Propriedades dos Quadrados


B
z Todo Quadrado é Retângulo;
z Todo Quadrado é Losango.
b
ÁREAS DE FIGURAS PLANAS Área de um Paralelogramo

Área de um Quadrado Observação: A área é dada por A = b · h

A área de um Quadrado é dada pelo lado (L) ao Área de um Triângulo


quadrado.
Temos duas situações no caso do cálculo da área
B L C do Triângulo.
A área de um Triângulo qualquer é dada pelo pro-
duto da base pela altura, dividido por dois.

L D
B
Área de um Quadrado H

Observação: A área é dada por A = L2 b

Área de um Triângulo
Área de um Retângulo
Observação: A área é dada por:
A área de um Retângulo é dada pelo produto das
suas dimensões, comprimento vezes largura, ou seja, b·h
A=
82 base vezes a altura. 2
A área de um Triângulo Retângulo também é dada Área de um Trapézio
pelo produto da base pela altura, dividido por dois.
Temos duas situações no caso do cálculo da área do
B Trapézio.
A área de um Trapézio Isósceles é dada pela soma
das bases (maior e menor) multiplicada pela altura, divi-
dido por dois:
b

h D

b
B
Área de um Triângulo Retângulo

Observação: A área é dada por: B

Área de um Trapézio Isósceles


b·h
A= 2 Observação: A área é dada por:
Área de um Losango (b + B) · h
A= 2
Á área de um Losango é dada pelo semiproduto
A área de um Trapézio Retângulo também é dada
das diagonais.
pela soma das bases (maior e menor) multiplicada pela
B altura, dividido por dois:
D

B
b
D
Área de um Trapézio Retângulo

Observação: A área é dada por:

(b + B) · h
A= 2
Área do Círculo

Á área do Círculo é dada pelo produto de π pelo


raio ao quadrado.
D

Área de um Losango P

r
MATEMÁTICA

Observação 1: D é a diagonal maior e d é a diago-


nal menor.
Observação 2: a área é dada por:

D·d Área de um Círculo


A= 2
Observação: A área é dada por A = π · r2 83
Área do Setor Circular A
e=1
E
Á área do Círculo é dada pelo produto do raio r
pelo arco L. α = 121.86°
Ϛ = 118.08°

d = 3,16 a = 6.66

D ɛ = 136.09°

Υ = 69,17° B
L
O
c = 4.17
r
δ = 94.8° b = 5.98
B
C

C'
Área de um Setor Circular

b' = 5.98 α1 = 121.86°


Observação: A área é dada por A = L · r
c' = 4.17
FÓRMULA DE HERON (HIERÃO)
B' Υ1 = 69,17°
A área um triângulo de lados com medidas a, b e c D'
e semiperímetro p será dada por: ɛ1 = 136.09°

A = √ p · (p – a) · (p – b) · (p – c)
d' = 3,16

a' = 6.66 Ϛ1 = 118.08°

β1 = 94.8°
E'
e' = 2
A'
c
Congruência entre duas figuras planas (Pentágonos)

F
B
a g = 3.03
Ɵ = 98.82°

Triângulo ABC h = 4.6


K = 50.63°
H
Observação: o Semiperímetro é dado por p = a + b + c
l = 30.55°
CONGRUÊNCIA DE FIGURAS PLANAS f = 5.88
G
Ao considerarmos a congruência entre figuras
planas, dois elementos devem ser observados: os J l = 4.6°
η = 98.82
lados e os ângulos correspondentes. Casos estes dois K
elementos apresentem mesma medida, constataremos λ = 30.55°

que as respectivas figuras planas são congruentes.


Vejamos algumas figuras planas relacionadas k = 3.03°
abaixo (observe a igualdade existente entre lados e j = 5.88
ângulos):
μ = 50.63°
L

Congruência entre duas figuras planas (Triângulos)

84
Q RAZÃO ENTRE ÁREAS
2.29
Razão entre Áreas de dois Triângulos Semelhantes
2.29 v = 120° P
σ = 120°
A razão entre as áreas de dois triângulos seme-
R u = 120° lhantes é igual ao quadrado da razão de semelhança.
2.29

2.29 p = 120° O

ξ = 120°
M o = 120° 2.29

2.29
N
Q1 B
2.29
2.29 A’
v1 = 120° P1
σ1 = 120°

R1
u1 = 120° 2.29

2.29 p1 = 120° O1 C’ B’
ξ1 = 120°
M1 Dois Triângulos Semelhantes
o1 = 120°
2.29
2.29 Observação 1: área do Triângulo ABC: A1
N1
Observação 2: área do Triângulo A’ B’ C’: A2

Congruência entre duas figuras planas (Hexágonos)


Observação 3: razão de Semelhança: k
Observação 4: razão entre as áreas dos Triângulos
S ABC e A’ B’ C’:
v = 1.67
ϕ = 114.29° A1
V A2
= k2
η1 = 80.03°

s = 3.11
Razão entre Áreas de dois Polígonos Semelhantes

u = 1,95
A Razão entre as Áreas de dois Polígonos seme-
ω = 119.21°
Ψ = 46.47° lhantes é igual ao quadrado da razão de semelhança.
T
U t = 2.77

E
S'

v' = 1.67
θ1 = 114.29°
s' = 3.11

μ1 = 80.03° V'
MATEMÁTICA

D
B
T' K1 = 46.47°

λ1 = 119.21°
u' = 1,95

t' = 2.77
U'

Congruência entre duas figuras planas (Quadriláteros) 85


C’ G

B’
C’

C’ E
A’
Quadrado inscrito em uma Circunferência
Dois Polígonos Semelhantes
K
L
Observação 1: Área do Polígono ABCDE: A1
Observação 2: Área do Polígono A’ B’ C’ D’ E’: A2
Observação 3: Razão de Semelhança: k
Observação 4: Razão entre as áreas dos Polígonos
ABCDE e A’ B’ C’ D’ E’:

A1
A2
= k2
J

POLÍGONOS INSCRITOS (INSCRIÇÃO) E H


CIRCUNSCRITOS (CIRCUNSCRIÇÃO)

Abaixo seguem representados vários Polígonos


inscritos em uma circunferência.
I

Pentágono inscrito em uma Circunferência

B M

Triângulo Equilátero inscrito em uma Circunferência


N

Hexágono inscrito em uma Circunferência

86
Abaixo seguem representados vários Polígonos Q
circunscritos em uma Circunferência.

C P

R
A

N
Hexágono circunscrito em uma Circunferência
B
GEOMETRIA ESPACIAL
Triângulo Equilátero circunscrito em uma Circunferência
Poliedros
G
São figuras espaciais formadas por diversas faces,
cada uma delas sendo um polígono regular que estu-
F damos anteriormente. Vamos conhecer os principais
poliedros, destacando alguns pontos importantes,
como área e volumes:

Paralelepípedo reto-retângulo e Cubo

c a

b
a a
D

O cubo é um caso particular do paralelepípedo re-


E to-retângulo, ou seja, basta que igualemos os valores
de a = b = c.
Quadrado circunscrito em uma Circunferência Para calcular o volume de um paralelepípedo reto-
-retângulo, devemos multiplicar suas três dimensões.
Veja:
V=a×b×c
K
L No caso do cubo, o volume fica:

V = a × a × = a3

Dica
As faces do paralelepípedo são retangulares,
enquanto as faces do cubo são todas quadra-
das. A área total do cubo é a soma das 6 faces
J quadradas. Ou seja,
MATEMÁTICA

H
AT = 6a2

Agora no paralelepípedo reto-retângulo temos 2


retângulos de lados (a, b), dois retângulos de lados (b,
c) e dois retângulos de lados (b, c). Portanto, a área
I total de um paralelepípedo é:

Pentágono circunscrito em uma Circunferência AT = 2ab + 2ac + 2bc 87


PRISMAS A área do prisma é dividida entre as áreas laterais
e as áreas das bases. Assim, a área lateral de um pris-
Conceito, Elementos, Classificação, Áreas e Volumes ma é dada pela soma das áreas laterais de cada para-
e Troncos lelogramo formado pelas arestas das bases. Já a área
total é a soma da área lateral com as áreas das bases.
Considerando um polígono convexo de n lados em
um plano e um segmento de reta entre dois planos
paralelos, chamamos de prisma a reunião de todos Importante!
segmentos congruentes e paralelos ao segmento de
reta e que passam pelos n pontos da região poligonal Para calcular a área da base de um prisma deve-
conhecida, como podemos observar na Figura 46. -se levar em conta o formato que cada prisma
vai ter. Por exemplo: se for prisma triangular, cal-
cula-se a área da base com a área do triângulo.

Para um prisma reto, as bases podem ser, por


exemplo, um triângulo ou um quadrado (parale-
logramo), ou seja, a área da base será a área de um
triângulo, que é a metade da base x altura, ou de um
paralelogramo, cuja área é base x altura. Então, seja
base (b) e altura da base (m), o cálculo da área da base,
área lateral e área total, sendo h a altura do prisma, é:

Exemplos de Prismas, respectivamente: triangular, quadrangular e


pentagonal.  b · m → triângulo b
 2f ( x )
= ax + b > 0 → x > − ;
O prisma possui alguns elementos: duas bases con- a
gruentes (nos planos paralelos), com n faces laterais (n AB = → paralelogramo (retângulo, quadrado)
+ 2 no total, somando-se as bases) e n arestas laterais; b·m
 f ( x=) outros b
3n arestas totais; 3n diedros; 2n vértices e 2n triedros; ax + b < 0 → x < − ;
e também, altura (h) que é a distância entre os planos  a
das bases.
AL = n · b · h → n paralelogramos
Os prismas são classificados em: prisma reto, pris-
AT = AL + 2AB
ma oblíquo e prisma regular. O prisma reto é aquele
cujas arestas laterais são perpendiculares aos planos
das bases. Já o prisma oblíquo é aquele cujas arestas No caso de um prisma regular de base de n lados,
são oblíquas aos planos das bases. Por fim, o prisma temos então que a área da base é formada por n triân-
regular é aquele cujas bases são polígonos regulares. gulos de aresta base (b) e altura da base (m), e os para-
lelogramos laterais tem base (b) e altura (h), então a
Base Base área da base será:

b·m (n · b) m
AB = n · =
2 2
AL = n · b · h → n paralelogramos

Base (n · b) m
Base AT = AL + 2AB = n · b · h + 2 = (n · b) (h + m)
2
(a)
Conhecendo os cálculos das áreas do prisma, para
achar o volume do prisma reto ou regular, basta fazer
o produto da área da base pela altura (h) do prisma:

V = AB · h

Para o prisma oblíquo o volume vai depender tam-


bém do ângulo (α) entre a aresta lateral (a) e a altura
(h):

V = a · AB · cos α

Seja então um prisma oblíquo com base quadrada,


com aresta da base igual a 3 e aresta lateral igual a 5,
sabe-se que o ângulo exterior formado entre a aresta
(b) lateral e a aresta da base é de 60 graus, como podemos
observar na Figura 48. Quais são a área total e o volu-
88 Exemplos de Prismas: (a) reto e oblíquo e (b) regular. me desse prisma?
PIRÂMIDE

Conceito, Elementos, Classificação, Áreas e Volumes


e Troncos

Seja um polígono convexo em um plano α e um


ponto V fora desse plano, chamamos de pirâmide a
reunião dos segmentos com uma extremidade em V e
Prisma oblíquo com arestas 3 e 5 e ângulo de 60 graus.
a outra nos pontos do polígono (Figura 49).

Ex.: Sejam seus elementos: aresta lateral (a) 5 cm,


aresta da base (b) 3 cm, altura da base (m) também 3
cm pois a base é um quadrado, e altura do prisma (h):

a = 5cm; b = 3cm; m = 3cm; h = ?

Do prisma, tiramos o triângulo retângulo entre a


altura e a aresta lateral, onde a soma dos ângulos é: Exemplos de Pirâmides, respectivamente, triangular, quadrangular,
pentagonal e hexagonal.
α + 60º + 90º = 180º → α = 30º
Uma pirâmide possui uma base formada por um
h √3 polígono de n lados e n faces laterais (formadas por
cos(α) = cos(30º) = → h = 5 · cos(30º) = 5 · cm
5 2 triângulos). Ao todo então são n+1 faces, n arestas late-
rais, 2n arestas, 2n diedros, n+1 vértices, n+1 ângulos
AB = b · m = 3 · 3 = 9cm 2 poliédricos e n triedros. A altura (h) da pirâmide é a
distância entre o vértice e o plano da base.
5√3 As pirâmides são classificadas em: regulares ou oblí-
AL = n · b · h = 4 · 3 · = 30√3cm2 quas. A regular tem a projeção do vértice no centro da
2
base, já a oblíqua a projeção não fica no centro. Na pirâ-
AT = AL + 2AB = 30√3 + 18 = 6 · (3 + 5√3)cm2 mide regular, temos ainda que as arestas laterais são
congruentes e as faces laterais são triângulos isósceles
congruentes. À altura da face lateral de uma pirâmide
√3 45√3
V = a · AB · cos(30º) = 5 · 9 · = cm3 regular, dá-se o nome de apótema. O apótema da base
2 2 é a distância entre a projeção do vértice e o centro da
base, até o apótema.
A área lateral de uma pirâmide regular é a soma
das áreas das faces laterais. A área total é a soma da
área da base com a área lateral. Para uma pirâmide
regular, as bases podem ser por exemplo um triângu-
lo, um quadrado, ou seja, a área da base será a área
de um triângulo que é a metade da base x altura e
nos paralelogramos a área é base x altura. Então seja
a aresta da base (b), o apótema da pirâmide (m) e o
apótema da base (m’) os cálculos da área da base, área
O tronco do prisma é um sólido formado pelo corte lateral e área total são:
ou uma secção transversal no plano paralelo à base
do prisma. Esse conjunto de pontos que fica entre a
b · m' (n · b) m'
secção transversal e a base do prisma é o tronco do AB = n · =
prisma. 2 2
MATEMÁTICA

Dica n·b·m
AL = → n triângulos
Como o prisma tem base e topo com o mesmo 2
polígono então a secção transversal vai definir o
n·b·m (n · b) m' (n · b) (m + m')
tamanho do corte nas arestas ou faces laterais, AT = AL + AB = + =
assim as áreas e volumes serão menores, mas 2 2 2
com as mesmas fórmulas de cálculos. m =h +m
2 2 ’2
89
A∆maior B3 H3 A3
= = =
A∆menor b3 h3 a3

Ex.: Seja uma pirâmide quadrangular de bases nos


planos ABCD e EFGH paralelas. Se os segmentos VF=3
e VB=5 e a área de EFGH igual a 18, qual seria a área
da base ABCD?

AEFGH = 18; VF = 3; VB = 5;
ABmaior A2 AABCD VB2
= → =
ABmenor a2 AEFGH VF2

AABCD 52 AABCD 25 25 · 18
Conhecendo os cálculos das áreas da pirâmide, = → = → AABCD =
para achar o volume da pirâmide regular, basta fazer 18 32 18 9 9
o produto de um terço da área da base pela altura (h)
da pirâmide: 450
AABCD = = 50
9
1 n · b · m' · h
V= · AB · h =
3 6

O tronco da pirâmide é um sólido formado pelo


corte ou uma secção transversal no plano paralelo à
base da pirâmide. Esse conjunto de pontos que fica
entre a secção transversal e a base da pirâmide é o
tronco da pirâmide.

CILINDRO

Conceito, Elementos, Classificação, Áreas e Volumes


e Troncos

Seja um círculo de centro O e raio r em um plano α


e um segmento de reta não paralelo e não contido no
plano α, chamamos de cilindro a reunião dos segmen-
tos congruentes e paralelos ao segmento de reta com
Tronco de pirâmide.
uma extremidade nos pontos do círculo e a outra na
sua secção circular paralela e distinta, como pode ser
A área do tronco da pirâmide é encontrada soman- verificado na Figura 50.
do a área da base maior, área da base menor e a área
lateral. O volume é feito subtraindo do volume total
da pirâmide o volume da pirâmide menor que foi for-
mada pela secção transversal, ou seja, o volume da
pirâmide de base maior menos o volume da pirâmide
de base menor, sendo AB, área da base maior e Ab área
da base menor:

V=V =VVmaior −– V
(H– −h)h
(H )
 b·A⋅ +AABbA AA A A
) h − H ( = V − V =V
A⋅b 
menor=
Vmenor =   B ++ ⋅
√A B ·BA⋅ ++bBA+
b  3 ronem roiam
33
maior B b
h

Da relação de semelhança de triângulos podem-se


fazer algumas relações:

H B A
= =
h b a r

ABmaior ALmaior ATmaior B2 H2 A2


= = = = =
90 ABmenor ALmenor ATmenor b 2
h2
a2 Exemplo de Cilindro.
Um cilindro possui duas bases formadas por uma
circunferência de raio r em planos paralelos e gera-
trizes formadas por segmentos com uma extremida- r
de em um ponto da circunferência de centro O e raio
r, e a outra extremidade no ponto da circunferência E
no plano paralelo acima da base, também de raio r. A
altura do cilindro é a distância h entre os planos das g1
bases.
r
O cilindro é classificado em cilindro oblíquo e Secção
cilindro reto. No primeiro, as geratrizes são oblíquas Circular
aos planos das bases, já no segundo, as geratrizes são Reta
E
perpendiculares aos planos das bases.
g 2

Importante!
O cilindro reto também é chamado de cilindro de
revolução, pois ele é gerado a partir da rotação
Tronco de cilindro reto e oblíquo.
de um retângulo em torno de um eixo que con-
tém um dos seus lados. g1 + g 2g1 + g2
E= , cilindro reto
E2= , cilindro reto
2
Secção meridiana de um cilindro é a interseção do AL = 2 ⋅ π ⋅ rA⋅ E= 2 · π · r · E
cilindro com um plano que contém as bases. Assim a L

secção meridiana de um cilindro reto é um retângulo, π ⋅ r 2 ⋅ ( g1 + g 2 )


de altura h e base 2r, e a de um cilindro oblíquo é um
Vtronco= =ππ⋅ ·rr22 ⋅· E
Vtronco
cilindro
E → V
reto
cilindro reto
Vtronco =
2
tronco

paralelogramo. Quando essa secção meridiana é um π · r2 · (g1 + g2)


quadrado, dizemos que o cilindro é equilátero (h = 2r =
ou geratriz = 2r). 2
Como a superfície lateral de um cilindro reto é
equivalente a um retângulo de altura h e base sendo Dica
o comprimento da circunferência 2πr. A área total é a
soma da área lateral com as áreas das duas bases, sen- Um corte transversal paralelo à base do cilindro,
do área da base igual à área da circunferência (πr2): não forma um tronco de cilindro, pois o novo
sólido continua sendo um cilindro com altura ou
AB = π · r2 geratriz menor.
AL = 2 · π · r · h g1 + g2
E=
AT = AL + 2AB = 2 · π · r · h + 2 · π · r2 = 2 · π · r(h+r) , cilindro reto
O volume do cilindro oblíquo de raio g/2 e geratriz
2
g, Figura 52, é dado por:
O volume do cilindro é o produto da área AL =
da 2 ⋅π
base ⋅r ⋅E
pela medida da altura: h 2 h
retosen ( 60º ) = π ⋅ rh ⋅ ( g1 + g 2 ) = ) º06 ( nes →
Figura 52
V = π ⋅ r ⋅ 
E →Figura→
2
cilindro 52
Vsen =
(60º) =
25aru
V = AB · h = π · r2 · h
tronco tronco g g 2 g
3
√3 3
O tronco do cilindro é formado pelo plano que h=hg=⋅gsen· sen( 60º )=
(60º) =gg ·⋅ = ⋅ g ) º06 ( nes ⋅
intersecta o cilindro obliquamente em todas as gera- 22 2
trizes, ou seja, um corte oblíquo, formando assim 2 2
3  gg 
2
3√3
Vcilindro =bAb · h = π · r · h = π ·   ⋅ ⋅π·gg=⋅·h ⋅ r ⋅ π = h ⋅ bA =
π 2⋅ h ⋅=gπ
2 2
um tronco de cilindro com duas geratrizes, maior e Vcilindro = A ⋅ h = ⋅ r ⋅ ⋅ or
menor, o eixo e uma elipse na região do corte. 2 22
 2  2 2

g 2 g2 3 √33 33 √33 3 2
g
a Vcilindro = π ⋅ ⋅ g ⋅ · g ·=
Vcilindro = π · 4
⋅πg⋅= ⋅gπ⋅ ·
=g3 · π ⋅ g ⋅ ⋅ π = or
b 4 2 82 88 2 4
MATEMÁTICA

g1 g2
E E

Cilindro raio g/2 e geratriz g. 91


CONE cone. Esse conjunto de pontos que fica entre a secção
transversal e a base do cone é o tronco do cone.
Conceito, Elementos, Classificação, Áreas e Volumes
e Troncos V

Seja um círculo de centro O e raio r em um plano


α e um ponto V fora do plano α, chamamos de cone a
reunião dos segmentos de reta com uma extremidade
g
em V e a outra nos pontos do círculo, como veremos
na Figura 53. h B

A¹ r B¹ H

A¹ r B¹

G
Exemplo de Cone.
H-h
Um cone possui uma base formada por uma circun-
ferência de raio r, geratrizes (g) formadas por segmen-
tos com uma extremidade em um ponto V e a outra nos
pontos da circunferência da base. A altura do cone é a
distância h entre o vértice e o plano da base. R B
O cone é classificado em: cone oblíquo e cone reto. A
No primeiro, a reta VO é oblíqua ao plano da base, já O
no segundo, a reta VO é perpendicular ao plano da
base. A geratriz de um cone reto também é chamada
de apótema do cone. Tronco de cone.

A área do tronco do cone é encontrada somando


Importante! a área da base maior, área da base menor e a área
O cone reto também é chamado de cone de revo- lateral. O volume é feito subtraindo do volume total
do cone e o volume do cone menor que foi formado
lução, pois ele é gerado a partir da rotação de
pela secção transversal, ou seja, o volume do cone de
um triângulo retângulo em torno de um eixo que base maior menos o volume do cone de base menor:
contém um dos seus catetos.
π · (H – h)
VTronco = Vmaior – Vmenor = · [R2 + R · r + r2]
Secção meridiana de um cone é a interseção do cone 3
com um plano que contém a reta VO, assim, a secção
meridiana de um cone reto é um triângulo isósceles, Sendo AB, área da base maior e Ab área da base
de altura h, com os lados iguais à geratriz e a base 2r. menor, R o raio da base maior, r o raio da base menor
Quando essa secção meridiana é um triângulo equiláte- e G a geratriz do tronco do cone, temos:
ro dizemos que o cone é equilátero (h = r√3 ou g = 2r).
Como a superfície lateral de um cone reto é equi-
AL = π · (R + r) · G
valente a um setor circular de raio g e comprimento
AT = AL + AB + Ab = π · [R · (G + R) + r · (G + r)]
do arco 2πr, a área total é a soma da área lateral com
a área da base, sendo a área da base igual à área da
circunferência (πr2): Da semelhança entre o cone original (cone maior)
com o cone da secção transversal (cone menor) temos
AB = π · r2 as mesmas relações que já tínhamos notado para o
AL = π · r · g caso da pirâmide:
AT = AL + AB = π · r · g + π · r2 = π · r (g+r)
R H
O volume do cone é um terço do produto da área =
da base pela medida da altura: r h

ABmaior ALmaior ATmaior R2 H2


1 1 = = = =
V= · AB · h = · π · r2 · h ABmenor ALmenor ATmenor r2 h2
3 3

A∆maior R3 H3
O tronco do cone é um sólido formado pelo corte = =
92 ou uma secção transversal no plano paralelo à base do A∆menor r3 h3
Ex.: Num tronco de cone, os perímetros das bases são ESFERA
16π cm e 8π cm e a geratriz G = 5cm, Figura 55, os valores
da altura, da área lateral e do volume do tronco são: Conceito, Elementos, Classificação, Áreas e Volumes

PB = 16π = 2π R → R = 8cm; Considerando-se um ponto O e um segmento de


Pb = 8π = 2πr → r = 4cm; medida r, chama-se esfera de centro O e raio r o con-
G = 5cm; junto dos pontos P do espaço, tais que a distância do
R H 8 H segmento OP seja menor ou igual a r.
= → = → H = 2h; A esfera possui alguns elementos: o eixo, uma reta
r h 4 h que passa pelo centro da esfera; os polos que são as
k = (H – h) = 2h – h = h; interseções da superfície da esfera com o eixo; equa-
dor, uma secção perpendicular ao eixo passando pelo
∆ABC
h2 + r2 = G2 → h2 = 25 – 16 = 9 centro da superfície; paralelo, uma seção perpendi-
h = 3cm; cular ao eixo e paralela ao equador e o meridiano,
H = 2h = 6cm; uma seção cujo plano passa pelo eixo, como pode ser
AL = π(R+r) G = π(8 + 4) 5 = 60πcm2; observado na Figura 56. Distância polar é a distância
de um ponto do paralelo ao polo.
π · (H – h)
VTronco = · [R2 + R · r + r2]
3

π · (3)
= · [82 + 8 · 4 + 42] = 112πcm3
3

R=4

A
O1

G=5
(H-h=k)

Esfera e seus elementos, polo, equador, paralelo e meridiano.

C A área da superfície da esfera de raio r é igual a


O 4πr e o volume é quatro terços de πr3. O fuso esférico
é a interseção da superfície da esfera com um setor
diedral cuja aresta contém um diâmetro dessa super-
fície esférica, como podemos observar na Figura 57. A
área do fuso é 2r2α. Já a cunha esférica é dada por esta
R=8 mesma região do fuso esférico e vai até a região do
centro da esfera, ou seja, até o raio no eixo, formando
(a) um volume que pode ser calculado com 2r3α/3.0

O1 r=4 A

k=(H-h)=h G=5
h
Exemplo de Fuso e Cunha esférica, respectivamente, da esquerda
para direita.
R-r=4
r=4
MATEMÁTICA

C Assim, resumindo, temos as seguintes fórmulas


O B para esferas:

R=8 AEsfera = 4 · π · r2;


VEsfera = π · r3;
(b) AFuso = 2 · r2 · α;
Tronco do Cone de geratriz G = 5, R = 8, r = 4 e h = 3 (a) e triângulos 2 · r3 · α
retângulos formados dentro do tronco a partir da altura do tronco, VCunha =
raios e geratriz (b). 3 93
Ex.: Seja uma superfície esférica com o comprimen- A’
to da circunferência do círculo máximo igual a 26π cm,
qual seria a área dessa superfície e qual o volume?
O comprimento do círculo é: 2πr = 26π → r = 13cm;

AEsfera = 4πr2 = 4π(13)2 = 676πcm2;


VEsfera = πr3 = π(13)3 = 2197πcm3;
C’ B’

Dois Triângulos Semelhantes pelo caso AA


TRIÂNGULOS: RELAÇÕES NO
z Caso LAL (Lado-Ângulo-Lado): Se dois triângulos
TRIÂNGULO RETÂNGULO
possuem dois pares de lados proporcionais e os
Dois triângulos serão denominados de semelhan- ângulos compreendidos entre eles são congruen-
tes se, e somente se, for possível estabelecer uma cor- tes, então esses dois triângulos são semelhantes.
respondência entre seus vértices de modo que:
A
z Os ângulos correspondentes sejam congruentes;
z Os lados homólogos sejam proporcionais.
A

C B

C B A’

A’

C’ B’
C’ B’

Dois Triângulos Semelhantes Dois Triângulos Semelhantes pelo caso LAL

z Caso LLL (Lado-Lado-Lado): se dois triângulos


 = Â’ , B̂ = B̂ ’ , Ĉ = Ĉ ’ e têm os três lados correspondentes proporcionais,
AB AC BC ⇔ ΔABC ~ ΔA’ B’ C’ então esses dois triângulos são semelhantes.
= = =k
A’ B’ A’ C’ B’ C’
A

Observação: a constante k é chamada de Razão


de Semelhança.

Casos de Semelhança

Abaixo apresentamos cada um dos casos de seme-


lhança entre triângulos:

z Caso AA (Ângulo-Ângulo): Se dois triângulos pos- C B


suem dois ângulos ordenadamente congruentes,
então eles são semelhantes. A’

C’ B’

94 C B Dois Triângulos Semelhantes pelo caso LLL


PONTOS NOTÁVEIS NO TRIÂNGULO z Circuncentro: para definir o circuncentro de um
triângulo, precisamos entender a definição de
Apresentamos abaixo os pontos notáveis (B.I.C.O.) mediatriz primeiramente. A mediatriz de um seg-
de um triângulo: mento de reta é a reta perpendicular a esse seg-
mento pelo seu ponto médio. Logo, o circuncentro
z Baricentro: para definir o baricentro de um triân- de um triângulo é o ponto de encontro das três
gulo temos que definir primeiro o que é a mediana mediatrizes deste triângulo.
de um triângulo. A mediana é o segmento que une
um vértice ao ponto médio do lado oposto. Logo,
o baricentro será o ponto de encontro das três A
medianas do triângulo. m1
m2
A
m3 D
F

F D C
G
C B
E

C B Mediatrizes e Circuncentro de um Triângulo ABC


E

Medianas e Baricentro de um Triângulo ABC


Observação 1: mediatrizes do triângulo ABC: m1,
m2 e m3
Observação 1: medianas do triângulo ABC: AE, BF Observação 2: pontos médios dos lados do triân-
e CD gulo ABC: D, E e F
Observação 2: pontos médios dos lados do triân- Observação 3: circuncentro do ΔABC : C
gulo ABC: D, E e F Observação 4: uma observação importante é que
Observação 3: Baricentro do ΔABC : G o circuncentro de um triângulo é o centro da circunfe-
rência nele circunscrita.
z Incentro: para definir o incentro de um triângu-
lo, vamos relembrar o conceito de bissetriz de um z Ortocentro: Para definir ortocentro precisamos pri-
ângulo. A bissetriz de um ângulo é a semirreta meiro entender que a altura de um triângulo é o seg-
com pontos internos ao ângulo e que determina mento da perpendicular traçada de um vértice à reta
com seus lados dois ângulos adjacentes congruen- suporte do lado oposto e que possui extremidades
tes. A bissetriz interna de um triângulo é o seg- nesse vértice e no ponto de encontro com essa reta
mento da bissetriz de um ângulo interno que tem suporte. Logo, o ortocentro é o ponto de encontro
extremidades no vértice desse ângulo e no ponto das retas suportes das três alturas de um triângulo.
de encontro com o lado oposto. Logo, o incentro é
o ponto de encontro das bissetrizes internas deste A
triângulo. F D

A O

D
F
I

C B
E

Alturas e Ortocentro de um Triângulo ABC


C B
E
MATEMÁTICA

Observação 1: alturas do triângulo ABC: AE, BF e


Bissetrizes Internas e Incentro de um Triângulo ABC CD
Observação 2: ortocentro do ΔABC : O
Observação 1: Bissetrizes Internas do triângulo
ABC: AE, BF e CD TRIÂNGULOS RETÂNGULOS
Observação 2: Incentro do ΔABC: I
Observação 3: uma observação importante é que Um triângulo recebe o nome de triângulo retân-
o incentro de um triângulo é o centro da circunferên- gulo se possuir um dos seus ângulos internos iguais a
cia nele inscrita. 90°. Observe na figura abaixo: 95
B Em relação ao triangulo retângulo acima, temos:

z BC é a hipotenusa;
z AB e AC são os catetos;
z AH é a altura relativa à hipotenusa;
z BH e CH são, respectivamente, as projeções dos
catetos AB e AC sobre a hipotenusa BC

No triângulo retângulo ABC da figura, sendo BC =


a, AC = b, AB = c, AH = h, BH = m e CH = n, então valem
as seguintes relações:

b2 = a · n
c2 = a · m
a2 = b2 + c2
A C
h2 = m · n
b·c=a·h
Triângulo ABC Retângulo no Vértice A
RELAÇÕES MÉTRICAS EM UM TRIÂNGULO
TEOREMA DE PITÁGORAS QUALQUER

O Teorema de Pitágoras diz que em todo triângu- z Lei dos Senos: em todo triângulo, as medidas dos
lo retângulo, o quadrado da medida da hipotenusa é lados são proporcionais aos senos dos ângulos opos-
igual a soma dos quadrados das medidas dos catetos. tos e a razão de proporcionalidade é a medida do diâ-
metro da circunferência circunscrita ao triângulo.
B
Consideremos o triângulo ABC, inscrito na circun-
ferência de raio R:

A
a
b
c
C
c

R
A C a
b

Triângulo Retângulo ABC

Observação 1: a medida dos lados BC, AC e AB são B


dados respectivamente por a, b e c.
Observação 2: o lado a é chamado de hipotenusa Triângulo ABC inscrito em uma Circunferência de Raio R
e os lados b e c de catetos.
Observação 3: pelo teorema de Pitágoras temos Verifica-se pela Lei dos Senos que:
a seguinte relação entre os lados do triângulo retân-
gulo: a2 = b2 + c2 a b c
= = = 2R
RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO sen A sen B sen C

Considere um Triângulo Retângulo ABC, com hipo- z Lei dos Cossenos: em todo triângulo, o quadrado
tenusa BC e altura AH. da medida de um lado é igual à soma dos quadra-
dos das medidas dos outros lados, menos o dobro
A do produto dessas medidas pelo cosseno do ângulo
que eles formam.
A
b c
h

b c

n m
CB
H
a C B
a

96 Triângulo Retângulo ABC com Hipotenusa BC e Altura AH Triângulo ABC qualquer


Seja um triângulo qualquer ABC, conforme a figu- Pelo Teorema de Tales, temos as seguintes igualdades:
ra 44.
Neste caso, verifica-se que:
AB AC AD BC BD CD
a2 = b2 + c2 – 2 · b · c · cos  = = = = =
A’B’ A’C’ A’D’ B’C’ B’D’ C’D’
b2 = a2 + c2 – 2 · a · c · cos B̂
TEOREMA DA BISSETRIZ INTERNA E EXTERNA DE
c2 = a2 + b2 – 2 · a · b · cos Ĉ UM TRIÂNGULO

O teorema da bissetriz interna de um triângu-


FEIXE DE RETAS PARALELAS E TRANSVERSAIS lo nos diz que em qualquer triângulo, uma bissetriz
interna, ou seja, bissetriz de um ângulo interno ao
A transversal de um conjunto de retas todas para- triângulo, sempre divide o lado oposto em segmentos
lelas é uma reta do plano das paralelas que é concor- proporcionais aos lados adjacentes.
rente com todas as retas deste conjunto. Seja AD a bissetriz do ângulo BAC no triângulo
Os pontos correspondentes de duas transversais ABC, com AB = c, AC = b e BD = m e DC = n
são pontos destas transversais que estão numa mes-
A
ma reta do conjunto de paralelas.
Os segmentos correspondentes de duas transver-
sais são segmentos que possuem por extremidades os
pontos correspondentes.

t1 t2

A A’
C B
B B’

Teorema da Bissetriz Interna


C C’

D D’
Pelo Teorema da Bissetriz Interna, temos a seguin-
te igualdade:

AC AB
=
Feixe de Retas Paralelas cortadas por Transversais CD BD

Observação 1: as transversais são indicadas por t1 e t2 Observação 1: AD é a bissetriz do ângulo BÂC


Observação 2: os pontos correspondentes são no triângulo ABC, ou seja, divide o ângulo  em dois
indicados por A e A’, B e B’, C e C’, D e D’. ângulos congruentes.
Observação 3: os segmentos correspondentes são Observação 2: utilizando as medidas dos lados da
indicados por AB e A’ B’, BD e B’ D’. figura 51, temos:
TEOREMA DE TALES
b c
O Teorema de Tales diz que se duas retas são =
transversais de um conjunto de retas paralelas, então, n m
a razão entre dois segmentos quaisquer de uma
delas é igual à razão entre os segmentos corres-
O teorema da bissetriz externa de um triângulo nos
pondentes da outra.
diz que em qualquer triângulo, uma bissetriz externa, ou
seja, bissetriz de um ângulo externo ao triângulo, inter-
cepta a reta que contém o lado oposto externamente em
t1 t2 segmentos proporcionais aos lados adjacentes.
Seja AD a bissetriz do ângulo externo ao triângulo
ABC no vértice A, com AB = c, AC = b e BD = x e DC = y
A A’
A
B B’
MATEMÁTICA

C C’

D D’ C
a B x

y
Feixe de Retas Paralelas, Transversais e Teorema de Tales Teorema da Bissetriz Externa 97
Pelo teorema da bissetriz externa, temos a seguin- Suponha que em três cidades, Brasília, Belo Hori-
te igualdade: zonte e Rio de Janeiro, existam quatro rodovias que
ligam Brasília a Belo Horizonte e outras cinco rodo-
vias que ligam Belo Horizonte ao Rio de Janeiro.
AC AB
= Usando o princípio multiplicativo podemos saber de
CD BD quantas formas diferentes podemos chegar ao Rio de
Janeiro, saindo de Brasília e passando por Belo Hori-
Observação 1: AD é a bissetriz do ângulo exter- zonte. Usando a ideia dos conjuntos A e B anteriores
no ao triângulo ABC no vértice A, ou seja, divide este
temos o conjunto A ligando Brasília a Belo Horizonte e
ângulo externo em dois ângulos congruentes.
o conjunto B ligando Belo Horizonte ao Rio de Janeiro:
Observação 2: utilizando as medidas dos lados da
figura 52, temos:
A = {a₁, a₂, a₃, a₄} e B = {b₁, b₂, b₃, b₄, b₅}
b c (a1, b1), ⋯ ,(a1, b5) → 5 pares
=
y x (a2, b1), ⋯ ,(a2, b5) → 5 pares
4 linhas ∙


PRINCÍPIOS DE CONTAGEM E NOÇÕES
(a4, b1), ⋯ ,(a4, b5) → 5 pares
DE PROBABILIDADE
5 + 5 + ⋯ + 5 = 4 ∙ 5 = 20
PRINCÍPIO MULTIPLICATIVO E ADITIVO DA
CONTAGEM Assim, são 20 formas diferentes de chegar ao Rio
O princípio multiplicativo, também conhecido de Janeiro, saindo de Brasília e passando por Belo
como o princípio fundamental da contagem, é defi- Horizonte.
nido em duas situações diferentes, sendo a primeira Generalizando o princípio multiplicativo para
quando se deseja fazer a contagem da combinação qualquer quantidade de conjuntos temos:
de elementos entre dois ou mais conjuntos, ou seja,
cruzamento todos com todos. A segunda é quando se
A = {a₁, a₂, ⋯, an₁} n(A) = n₁
quer contar elementos dessas combinações, mas res-
tringindo elementos a serem combinados. B = {b₁, b₂, ⋯, bn₂} n(B) = n₂
Na primeira situação podemos inicialmente traba-
lhar com dois conjuntos A e B, sendo, A = {a₁,a₂, ⋯, am} ∙

com m elementos e B = {b1, b2, ⋯, bn}com n elementos. ∙
Com isso, podemos formar da combinação de A com B
uma quantidade m ∙ n (princípio multiplicativo) de Z = {z₁, z₂, ⋯, zn } n(Z) = nr
pares ordenados (ai, bj) com ai ∈ A e bj ∈ B. Podemos
r

visualizar melhor descrevendo tal combinação em


Então a quantidade de r-uplas, ou sequência de r
forma de diagrama de árvore:
elementos, do tipo (ai, bj, ⋯, zp), onde ai ∈ A, bj ∈ B, ..., zp,
∈ Z é n1 ∙ n2 ∙ ... ∙ nr (princípio multiplicativo).
Agora para a segunda situação podemos inicial-
mente trabalhar com um conjunto A, A = {a1, a2, ⋯, am}
com m elementos. Com isso, podemos formar da com-
binação de A com A tais que, ai ∈ A e aj ∈ A, sendo ai ≠
aj (i ≠j) a quantidade m ∙ (m – 1) (princípio multiplica-
tivo, com restrição de elementos no par ordenado)
de pares ordenados (ai, aj) com ai ∈ A e aj ∈ A. Podemos
visualizar melhor descrevendo tal combinação em
forma de diagrama de árvore:

(a1, b1), ⋯ ,(a1, bn) → n pares


(a2, b1), ⋯ ,(a2, bn) → n pares


m linhas ∙

(am, b1), ⋯ ,(am, bn)


n pares

98 n+n+⋯+n=m∙n
desses conjuntos de interesse. Por exemplo, qual a
(a1, a2), ⋯ ,(a1, am) → m – 1 pares quantidade de números inteiros positivos abaixo de
(a2, a1), ⋯ ,(a2, am) → m – 1 pares 1000, formado pelos dígitos {1, 2, 3}. Note que não foi
informada a quantidade de algarismos que devem ter
∙ esses números inteiros, assim eles podem ser conjun-
m linhas ∙ to de números de 1 algarismo ou números de 2 alga-

rismos ou ainda número de 3 algarismos. Não entram
números de 4 algarismos pois eles devem estar abaixo
(am, a1), ⋯ ,(am, am–1) → m – 1 pares de 1000. Para resolver esse problema, iremos utili-
(m – 1)+(m – 1)+ ⋯ +(m – 1) = m ∙ (m – 1) zar primeiro o princípio multiplicativo e logo após o
princípio da adição, onde somaremos os resultados de
cada um dos possíveis conjuntos de números em rela-
Voltando ao exemplo do início da seção temos ção ao seus algarismos. Onde temos OU entenda como
o conjunto B, com a lei de formação sendo, um con- SOMA (princípio aditivo), assim temos:
junto finito de números de três algarismos distintos
formado pelos dígitos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8. Para nume- 1algarismo: três possíveis: 1,2,3;
rar todos elementos de B, n(B)=?, B={123, 124, 125, ...,
876}, por ser muito grande esse conjunto é necessário 2algarismo: 3 ∙ 3 =9 possíveis (princípio multiplicativo);
utilizar uma técnica de contagem. Aqui podemos usar 3algarismos: 3 ∙ 3 ∙ 3=27 possíveis(princípio multiplicativo);
o princípio da multiplicação, com o caso de restrição,
onde para serem elementos distintos, o que aparecer A união:3+9+27=39 casos (princípio aditivo)
no primeiro algarismo não pode aparecer no segundo,
PROBABILIDADE
nem no terceiro, ou seja, o número 111 não é elemen-
to de B:
As origens da probabilidade remetem ao século
XVI e suas aplicações se limitavam a jogos de azar.
A = {a₁, a₂, a₃, a₄, a₅, a₆, a₇, a₈} = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8} Hoje, a utilização das probabilidades ultrapassou o
→ B = {123, 124, 125, ⋯, 876} âmbito dos jogos. O governo e as empresas incorpo-
raram a teoria das probabilidades em seus processos
(a1, a2, a3), ⋯ ,(a1, a7, a8) → 7 ∙ 6pares (prin- diários de deliberações.
cípio multiplicativo) O estudo das probabilidades indica que existe um
(a2, a1, a3), ⋯ ,(a2, a7, a8) → 7 ∙ 6pares elemento de acaso, ou de incerteza, quanto à ocor-
rência ou não de um evento futuro. Assim, em muitos
8 linhas ∙ casos é impossível afirmar por antecipação o que irá
∙ ocorrer, mas por meio de dados históricos e da expe-
∙ riência, é possível dizer o quão provável é a ocorrên-
cia de um determinado evento. Alguns exemplos de
(a8, a1, a2), ⋯ ,(a8, a7, a6) → 7 ∙ 6pares aplicação nos negócios ou no governo são a previsão
7 ∙ 6+7 ∙ 6+ ⋯ +7 ∙ 6=8 ∙ 7 ∙ 6 = 336 da procura de um novo produto, o cálculo dos custos
de produção, a compra de apólices de seguro, o prepa-
Assim, são 336 números distintos formados por ro de um orçamento, a avaliação do impacto da redu-
três algarismos distintos com os dígitos de 1 a 8. ção de impostos sobre a inflação. Tudo isso contém
Generalizando então o princípio multiplicativo, algum elemento de acaso.
com restrição para elementos distintos, para qualquer As probabilidades são úteis no desenvolvimento de
quantidade de elementos temos: estratégias, como por exemplo, se as chances de lucro
são boas, os investidores sentem-se mais inclinados
a aplicar seu dinheiro, uma empresa pode negociar
Se A = {a₁, a₂, ⋯, am}, n(A) = m seriamente com um sindicato quando há forte amea-
ça de greve ou pode investir em um novo equipamen-
com sequências do tipo: (ai,al, ⋯,aj, ⋯,ak)
to, se há boa chance de recuperar o dinheiro.
r elementos
As probabilidades são utilizadas para exprimir a
chance de ocorrência de determinado evento e assim
modelando o acaso.

a quantidade de sequência é: m ∙ (m – 1) ∙ (m – 2) ∙ ... ∙ PROBABILIDADES E ESPAÇO AMOSTRAL


[m – (r –1)]
Para iniciarmos a teoria de probabilidade e termos
Então a quantidade de r-uplas, ou sequência de r condições de entender como calcular a probabilidade
elementos, formados com elementos distintos dois a de evento de interesse é importante sabermos alguns
MATEMÁTICA

dois, é m ∙ (m – 1) ∙ ... ∙ [m – (r – 1)] (princípio multipli- conceitos básicos.


cativo), onde a1 ∈ A ∀i ∈ {1, 2, ⋯, m} e a1 ≠ ap para i ≠ p. O primeiro deles é o conceito de experimento
Até o momento vimos técnicas de contagem envol- aleatório. Este representa a realização de uma expe-
vendo o princípio multiplicativo, já o princípio adi- riência ou experimento que gera resultados incertos.
tivo é empregado em situações em que se deseja a Assim, denominamos de experimento aleatório todo
união entre conjuntos de resultados possíveis, onde fenômeno ou ação que geralmente pode ser repetido
em cada um deles a contagem será feita utilizando o indefinidamente sob mesmas condições e cujo resul-
princípio da multiplicação e pôr fim a soma deles dará tado é aleatório ou incerto. Por exemplo, quando lan-
o resultado final do número de elementos da união çamos uma moeda, uma única vez, estamos gerando 99
um experimento aleatório, cujos possíveis resultados Para exemplificar essa definição frequentista, se
são conhecidos, cara ou coroa, mas até que a moeda tomarmos uma moeda honesta e realizarmos o experi-
pare de girar o seu resultado final ainda é incerto. mento de lançar essa moeda, qual seria a probabilida-
Outro conceito importante é o de espaço amos- de de sair cara? Todos irão responder intuitivamente
tral. Em um experimento aleatório gerado, sabemos que é 50%. Isto é intuitivo devido à lei dos grandes
quais resultados possíveis de acontecer, e a todos números. Mas, pela definição frequentista faríamos o
esses resultados de um experimento aleatório damos lançamento dessa moeda, por exemplo, 1000 vezes, e
o nome de espaço amostral e denotamos ele com uma plotaríamos em um gráfico o número de lançamen-
letra grega (Ω). Assim, no lançamento de um dado de tos versus a frequência relativa de caras (número de
seis faces, o espaço amostral é Ω = {1, 2, 3, 4, 5, 6}. Já caras/números de lançamentos).
no lançamento de uma moeda, o espaço amostral é Note que (Figura 1), quanto maior o n (número de
definido como sendo Ω = {cara, coroa}. Na linha de lançamentos) mais a frequência relativa tende a se
produção de uma indústria faz-se a inspeção dos equi- estabilizar em 50%, que seria a resposta da probabi-
pamentos construídos, contando o número de defei- lidade de sair cara, feita anteriormente e respondida
tos, seu espaço amostral é Ω = {0, 1, 2, 3, ...}. intuitivamente. Ou seja, a probabilidade do evento A
Aos subconjuntos do espaço amostral temos possí- ocorrer na definição frequentista é:
veis combinações de interesse em cálculos de probabi-
lidade. Essas possíveis combinações ou subconjuntos
do espaço amostral no qual interessamos saber suas m
P(A) = lim 𝑓rA = lim
probabilidades, damos o nome de evento. Logo, obter n→∞ n→∞ n
um número par na face superior de um dado de seis
faces, A = {2, 4, 6}, é um evento de interesse dentro
do espaço amostral Ω = {1, 2, 3, 4, 5, 6}, encontrado Sendo m o número de eventos favoráveis e n o
a partir da realização de um experimento aleatório, número de resultados possíveis.
que foi o lançamento do dado. Neste mesmo contexto,
por exemplo, se temos interesse em obter um número
menor que 7, tem-se então o evento B = {1, 2, 3, 4, 5, 6}
que é igual ao espaço amostral Ω. A este tipo de even-
to damos o nome de evento certo. Já quando quere-
mos obter um número negativo no lançamento de um
dado de seis faces, temos que esse evento não contém
elementos, C={ }, ou seja, evento vazio Φ, a este tipo
de evento damos o nome de evento impossível.
Sendo dois eventos A e B, se a ocorrência de um
deles, implicar necessariamente na não ocorrência
do outro, ou seja, se esses eventos (conjuntos) forem
disjuntos (sem intersecção, (A ⌒ B = ∅), dizemos que
esses eventos A e B são mutuamente exclusivos.

Importante!
Simulação do lançamento de uma moeda honesta 1000 vezes em
Experimento aleatório ou processo aleatório é
relação a suas respectivas frequências relativas.
qualquer fenômeno que gere resultados incertos
ou casuais, podendo ser repetido indefinidamen-
Já na definição clássica, definido o processo alea-
te sob as mesmas condições. Inicialmente não tório e seu espaço amostral, temos a relação entre o
se conhece seus resultados, mas pode-se des- número de eventos favoráveis e o número de resul-
crever todos possíveis. tados possíveis. Assim, a probabilidade do evento de
interesse é definida como o número de eventos (pon-
PROBABILIDADE EM ESPAÇOS AMOSTRAIS tos ou elementos) favoráveis divididos pelo número
EQUIPROVÁVEIS de elementos do espaço amostral:

Seja um processo aleatório, com um espaço amos- n(A)


tral definido e conhecido todos seus eventos ou resulta- P(A) =
dos possíveis, podemos definir a probabilidade de um n(Ω)
evento de interesse de duas formas: definição frequen-
tista e definição clássica. Em que n(A) é o número de eventos ou resultados
De acordo com a definição frequentista, se um favoráveis, e n(Ω) é o número de eventos ou resulta-
evento de probabilidade p for observado repetidamen- dos do espaço amostral.
te ao longo de realizações independentes, a relação da Assim, qual seria a probabilidade de se retirar
frequência observada desse evento ao número total uma carta de ouros de um baralho honesto? Fazemos
das repetições converge para p enquanto o número das isso usando a definição clássica de probabilidade, se
repetições se torna arbitrariamente grande. Dizendo um baralho honesto tem 13 cartas do naipe ouros
com outras palavras e colocando no contexto da cons- (evento A) e o total de cartas do baralho é 52 (espaço
trução de histogramas, pode-se entender que quando n amostral), então a chance de uma carta de ouros ser
100 → ∞, as frequências das classes tendem a se estabilizar. tirada ao acaso é:
Teorema 3 (Teorema da soma): Se A e B são dois
n(A) 13 1
P(A) = = = ou 25% eventos do espaço amostral Ω a probabilidade que
n(Ω) 52 4 ocorra A ou B é:

P(A ∪ B) = P(A) + P(B) – P(A ∩ B)


PROPRIEDADES DAS PROBABILIDADES
Prova: (A ∪ B) = (A – B) ∪ B e (A – B) ∩ B = ∅
Axiomas de Probabilidade
R . Ad. 4
Axioma 1: A probabilidade de um certo evento P(A ∪ B) = P[(A – B) ∪ B] = P(A – B) + P(B) =
ocorrer corresponde a um número não negativo. 4
= P(A) – P(A∩B) + P(B) = P(A) + P(B) – P(A∩B)
P(A) ≥ 0
Corolário: Se dois eventos A e B são mutuamente
Axioma 2: A probabilidade de ocorrer todo o espa- exclusivos (disjuntos), isto é, A ∩ B = Փ, assim P(A ∩ B)
ço amostral é igual a um. = 0, então: P(A ∪ B) = P(A) + P(B).
Teorema 4: Se A e B são dois eventos do espaço
P(Ω) = 1 amostral Ω e se A ⊆ B, então a probabilidade P(A) ≤ P(B).
Prova: B = A ∪ (B – A) e A ∩ (B – A) = ∅
Baseado no Axioma 1 e no Axioma 2 segue-se que
0 ≤P(A) ≤ 1.
P(B) = P(A ∪ (B – A)) = P(A) + P(B – A)
P(B) ≥ P(A)
Teoremas

Teorema 1: A probabilidade de um evento impos- Teorema 5: Se A e B são dois eventos do espaço amos-
sível ocorrer é P(Փ) = 0. tral Ω, então a probabilidade P(A – B) = P(A) – P(A ∩ B).
Prova: A = (A – B) ∪ (A ∩ B) e (A – B) ∩ (A ∩ B) = ∅
Demonstração:
R . Ad .

Seja Ω o espaço amostral de um processo aleatório. P(A) = P[(A – B)∪(A ∩ B)] = P(A – B) + P(A ∩ B)
Sabe-se que Ω = Ω + Փ, então aplicando a função pro- P(A – B) = P(A) – P(A ∩ B)
babilidade de ambos os lados se têm:
Para eventos independentes alguns desses teore-
Ω=Ω+Փ mas, axiomas ou corolário anteriores viram a regra
P(Ω) = P(Ω) + P(Փ) do “E” e regra do “OU”. Na regra do “e” a probabili-
1 = 1 + P(Փ) dade de ocorrência entre dois eventos A e B simulta-
P(Փ) = 0 neamente é P(A e B) = P(A) × P(B) = P(A ∩ B) . E a regra
do “ou” a probabilidade de ocorrer o evento A ou o
Outra forma de prova:
evento B é P(A ou B) = P(A) + P(B) = P(A ∪ B), assim “e”
Prova: A ⊆ Ω e A ∩ ∅ = ∅ e A ∪ ∅ = A
→ × e “ou” → +.
P(A) = P(A ∪ ∅) = P(A) + P(∅)
P(∅) = P(A) – P(A) = 0 PROBABILIDADE CONDICIONAL

Teorema 2 (Probabilidade do complemento): Nem sempre estamos falando de espaço amostral


Seja Ω o espaço amostral. Então, a probabilidade de em que os eventos são independentes, logo para tra-
um evento A não ocorrer é: balharmos em situações em que um evento interfe-
re na probabilidade de ocorrência de outro evento,
P(AC) = 1 – P(A) usamos a teoria de probabilidade condicional. Assim,
pelo teorema da probabilidade condicional temos que
Demonstração: a probabilidade do evento A em relação ao evento B
Sabe-se que AC = Ω – A, então aplicando a função é dada por:
probabilidade de ambos os lados se têm:

AC = Ω – A P(A ∩ B)
P(A | B) = , P(B) > 0
P(AC) = P(Ω) – P(A) P(B)
MATEMÁTICA

P(AC) = 1 – P(A)
Caso esteja-se interessado na probabilidade con-
Outra forma de prova: dicional do evento B em relação ao evento A então
tem-se:
Se A ∩ AC = ∅ e A ∪ AC = Ω: P(AC) = 1 – P(A):

R·Ad ii P(A ∩ B)
P(A ∪ AC) = P(A) + P(AC) = P(Ω) = 1 P(B | A) = , P(A) > 0
P(AC) = 1 – P(A) P(A) 101
Se os eventos são independentes, então a probabi- independência entre esses eventos e aplicar os teore-
lidade do evento A acontecer, sabendo que o evento B mas e axiomas vistos anteriormente.
já ocorreu, não altera e tem-se então: P(A | B) = P(A). Por exemplo, se temos um experimento aleatório
Daí, temos que a independência entre dois eventos formado pelo espaço amostral de moedas dentro de
pode ser verificada a partir da igualdade: P(A ∩ B) = uma bolsa feminina, sendo que dentro dessa bolsa
P(A) × P(B). A prova é feita simplesmente substituindo existam duas moedas de 1centavo, três moedas de
P(A) no teorema da probabilidade condicional. 10centavos e quatro moedas de 1real. Se duas moe-
Supondo um experimento aleatório de um lança- das são retiradas aleatoriamente dessa bolsa, qual
mento de um dado de seis faces, qual seria a probabi- seria, por exemplo, a probabilidade de ambas moedas
lidade da face superior do dado ser maior ou igual a 4 serem de 1centavo, fazendo as retiradas com reposi-
sabendo que ela é par? No lançamento de um dado, o ção? O espaço amostral de cada retirada é dado por Ω
espaço amostral é Ω = {1, 2, 3, 4, 5, 6}, vamos definir o = {1c, 1c, 10c, 10c, 10c, 1R, 1R, 1R, 1R}, assim em cada
evento A como sendo face superior par, e o evento B retirada temos que o espaço amostral tem 9 resulta-
face superior maior ou igual a 4. Então, A = {2, 4, 6) e B dos possíveis. Para retirar moedas com reposição,
= {4, 5, 6}, qual a P(B | A) = ? fazemos retirada da primeira moeda, calculando-se a
probabilidade de ocorrência de interesse e após isso,
ela retorna à bolsa para poder participar da segunda
P(A ∩ B)
P(B | A) = , P(A) > 0 retirada, assim da primeira retirada para a segunda o
P(A) espaço amostral não se altera.
Logo, para calcular a probabilidade de duas moe-
das retiradas e as duas serem simultaneamente de
1centavo (1c), temos que lembrar do conceito de even-
tos independentes, em que a primeira retirada não
interfere no resultado da segunda, assim podemos
usar a regra do “e”, em que ocorrendo as duas retira-
das sucessivamente seria o mesmo que a intersecção
entre os eventos na primeira e na segunda retirada,
logo temos:
Agora, vamos determinar P(A), P(B) e P(A ∩ B):

2 2 4
n ( A) 3 1 3 
( A)== n(A)
P P(A) = = 
1 P(1ce1c) = P(1c ∩ 1c) = × =
n (Ω ) 6 = 26
n(Ω)
=
2 
9 9 81

n(B ) = 3 = 13
n(B)

1  P ( A ∩Aonde
B ) em1 3cada1 retirada
2 2 o numerador é a quanti-
( B ) ==
P P(B) = = ⇒ P ( |BA)
⇒ P(B | A=) = dade de resultados
= = favoráveis
⋅ = para o evento moeda de
n (Ω ) 6 26
n(Ω) 2  P1 (centavo
A) e1o 2denominador
3 1 3 é a quantidade de resulta-
A ∩ B )2 2 11 
n(A n∩(B) dos possíveis ou espaço amostral. Em cada retirada,
P∩
P(A ( AB)∩= B ) = = == =  perceba que da primeira para segunda retirada os
n(Ω)n ( Ω ) 6 6 33  valores não mudaram, pois como o cálculo está sendo
feito para amostragem com reposição, significa que a
P(A ∩ B) 1/3 1 2 2 primeira retirada volta para a bolsa e o espaço amos-
= = · = tral para a segunda retirada continua o mesmo, ou
P(A) 1/2 3 1 3
seja, não se altera.
Portanto, a probabilidade de que a face superior Agora se pensarmos nesse mesmo experimento
do dado seja maior ou igual a 4 sabendo que ela é par aleatório e no mesmo cálculo de probabilidade, mas
é de 2/3. agora com uma amostragem sem reposição, ou seja,
retira-se a primeira moeda, calcula-se a probabilida-
PROBABILIDADE DE DOIS EVENTOS SUCESSIVOS E de da primeira retirada, e esta não retorna à bolsa,
EXPERIMENTOS BINOMIAIS logo, o espaço amostral irá alterar, sendo menor que o
inicial. Assim, para a probabilidade de ambas moedas
Probabilidade de Dois Eventos Sucessivos serem de 1centavo temos:

Além da possibilidade de cálculo de probabilidade 2 1 4


em eventos únicos ou que ocorrem em apenas uma P(1ce1c) = P(1c ∩ 1c) = × =
realização, pode-se ter também algumas situações em 9 8 36
que os eventos de interesse vão ser realizados de for-
mas sucessivas ou repetidas em duas ou mais vezes. Observe agora, que o número de eventos favorá-
Um exemplo seria um experimento aleatório rea- veis e o número de eventos possíveis para a segunda
lizado com seu respectivo espaço amostral, mas o retirada foi menor pois a primeira moeda retirada não
interesse será buscar nesse espaço amostral um even- voltou para participar da segunda. Então, se a primei-
to em determinado momento e outro logo posterior, ra moeda retirada foi de 1 centavo, e tínhamos duas
podendo essa busca ser realizada em forma de amos- na bolsa, ela não é mais provável na segunda retirada.
tragem com ou sem reposição. Assim, para realizar Assim, tanto o espaço amostral ficou com uma moe-
esse tipo de cálculo de probabilidade para eventos da a menos como também o segundo evento, pois já
102 sucessivos precisamos levar em conta a relação de havia saído no primeiro.
Experimentos Binomiais
HORA DE PRATICAR!
Quando iniciamos o estudo de probabilidade,
resolvemos problemas do tipo: dois times de futebol, 1. (FGV – 2018) Pedro e Paulo possuem, respectivamen-
A e B, jogam entre si 4 vezes. Se a probabilidade do te, R$ 2.546,00 e R$ 3.748,00. Para que fiquem com
time A ganhar um jogo é de 1/3, qual seria a probabi- exatamente a mesma quantia, Paulo deve dar a Pedro:
lidade de o time A ganhar 2 jogos? Então a probabili-
dade do time A não ganhar um jogo é 2/3, ou seja, a a) R$ 3.147,00.
probabilidade do time B ganhar. Se os times jogam 4 b) R$ 1.202,00.
vezes e o time A ganha 2 delas, colocando as possibili- c) R$ 1.198,00.
dades de ordem nesses resultados, sendo A indicando d) R$ 894,00.
time A ganhador e B time B ganhador temos: A, A, B, B e) R$ 601,00.
ou A, B, B, A ou A, B, A, B ou B, B, A, A. Logo, calculando
as probabilidades usando as regras do “e” e do “ou”, a 2. (FGV – 2018) Atenção: tomando por base a tabela,
probabilidade de A ganhar 2 jogos é: responda à questão a seguir.

P(2A) = P(A ∩ A ∩ B ∩ B) + P(A ∩ B ∩ B ∩ A) + P(A ∩ B Consumo de um produto ao longo de 4 meses


∩ A ∩ B) + P(B ∩ B ∩ A ∩ A)

MÊS CONSUMO PESOS ME TE P


1 1 2 2 1 2 2 1 1 2 1 2
P(2A) = · · · + · · · + · · · + 1 100 0,1 ... 20 100
3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3

2 2 1 1 2 1 2 1 2 1 1 2 2 120 0,2 ... ... ...


· · · + · · · + · · ·
(B
P∩+ )BA∩
∩AB( P
∩ +B ∩3A
P)(2
B ∩3)=(B
P 3∩ 3
+PP)(A
(2
B
A∩ ∩)=A3B
A A( PP3 (A
∩ BA=3)∩A
∩A 3A
2B (()PP
+P
∩ 3B= A32B
()∩ ∩()P3∩
B+ P (3BA∩
∩AB) ∩
+PB(∩
A∩A3)B+ ∩
P (AA∩
∩ BB) ∩+PA(∩ ∩)B+ ∩
B0,3
B P (AB...∩
∩AB) ∩...A ∩ A)...
132
12 21 2 12 1 2 1 2 11 12 12 21 212 12 21 21 11 2 1 2 1 21 2 12 21 12 2 11 21 1 2 12 21 1 2 2 1 1 2
⋅⋅ ⋅ ⋅+ +⋅ ⋅ P (2⋅ A⋅+) =+⋅ P⋅(2 ⋅ A ⋅ ⋅) ⋅=⋅+ +⋅=⋅ )⋅A⋅ 2⋅(⋅P + ⋅ = )+A
⋅ 2⋅( P ⋅ ⋅+ +⋅ ⋅ ⋅⋅ + ⋅ 4+⋅ .⋅ .⋅ 156
.+ . +. .. .0,4. + . .... . ... ...
1 1 2 2
3 3 3 33 3 3 3 33 33 33 33 3333 33 33 33 33 3 3 3 33 3 3 3 33 3 33 33 3 3 33 33 3 3 3 3 3 3
P(2A) = 6 · · · ·
2 21 11 122 221 311 132 32 3 5 170 ... ... ... ...
P (2 A) = 6⋅P⋅(2 ⋅ ⋅A⋅) ⋅=⋅ 6⋅⋅ ⋅=⋅ )⋅A⋅2⋅ (⋅P6⋅ = )A 2( P
3 3 3 33 333 333 33 3 3 3
2 2 22 2 22 2 2 2
2 −4 2 2 −4 2 2   111  2 2  121   2  2 2 4− 2 4 –22 Dados:
) q(. ) p ( P
) qC
= (2(.A))p==
2 , 4P(2A)(626P (2
⋅ A) =
·,4⋅C
= ⋅⋅6·⋅⋅ )A=
2C(⋅⋅P
= 6=(Cp4,))A
4,2 =.(2Cq( P
(p) ( p ) .(q ) 4− 2
)· (q)
4,2
 3   333  3 3  333   3  2

z Me é a média exponencial;
P (2 A) = 29, P (2 %6226
A )=
% ,9229, =% 62
)A262,(9P2 = )A 2( P
% z Te é a tendência exponencial;
P(2A) = 29,62%
z P é a previsão de consumo no mês.
Com probabilidade de A ganhar sendo p e probabi-
Considerando os métodos da média simples e da
lidade de A perder sendo q.
média ponderada, as previsões de consumo no mês 5
Uma grande quantidade de problemas que envol-
seriam, respectivamente, de:
vem cálculo de probabilidades pode apresentar exa-
tamente as mesmas características do problema
a) 127 e 127.
descrito, o que leva à construção de um modelo esta-
b) 127 e 136.
tístico teórico, conhecido também como distribuição
c) 127 e 142.
Binomial.
d) 136 e 127.
Esse tipo de problema então pode ser resolvido
e) 136 e 142.
diretamente pelo experimento Binomial ou distri-
buição Binomial, onde determina-se a probabilidade
de se obterem k sucessos em n tentativas. Para isso, 3. (FGV – 2019) A partir dos axiomas da Teoria das Pro-
temos a função de probabilidade dada por: babilidades, algumas proposições podem ser estabe-
lecidas, para quaisquer eventos não vazios, dentre as
quais estão:
P(X = k) = Ckn· pk · qn – k,
a) P(A ∪ B) ≤ P(A) + P(B) − P(A) · P(B)
Em que P(X = k) é a probabilidade de que o evento
b) Se A ⊂ Bentão P(A) · P(B) < P(A) · P(B)
aconteça k vezes em n tentativas, p é a probabilidade
c) Se P(A) · P(A) = 0, 25 então P(A) ≠ P(A)
de um sucesso, q é a probabilidade de fracasso (q=1 –
d) P(A ∩ B) = P(A) · P(B) => P(A ∩ B) = P(A) · P(B)
p) e a combinação de resultados possíveis no espaço
e) Se A ⊂ Be A ≠ B então P(B) > P(A)
amostral igual a:
MATEMÁTICA

4. (FGV – 2019) Uma análise sobre o perfil da popula-


n! ção que é atendida pela Defensoria Pública revelou
Cn, k = um quadro de ampla diversidade. Foram consideradas
k! (n – k)! apenas duas características, nomeadamente homens
(H) vs mulheres (M) e evangélicos (E) vs católicos
(C), sendo as demais orientações religiosas, incluin-
do o ateísmo, pouco significativas do ponto de vista
estatístico. 103
A partir daí foram relacionadas as seguintes informações: 10. (FGV – 2021) Assinale a opção que mostra o maior
dos números abaixo.
P(H) = 0, 41, P(E ∩ M) = 0, 23eP(C) = 0, 60
a) 0,559.
De acordo com os dados acima, é possível afirmar b) 0,568.
que, entre os católicos, os homens representam: c) 0,74.
d) 0,2021.
a) 25%. e) 0,57.
b) 32%.
c) 40%. 11. (FGV – 2019) Se a soma das frações 1/4 + 2/5 é igual
d) 60%. a n/100, o valor de n é:
e) 75%.
a) 55.
5. (FGV – 2018) Dois eventos A e B têm probabilidades b) 65.
iguais a 70% e 80%. c) 75.
Os valores mínimo e máximo da probabilidade da d) 85.
interseção de A e B são: e) 95.

a) 20% e 50%. 12. (FGV – 2021) Gabriel entra em uma lanchonete com
b) 20% e 70%. R$ 80,00 para comprar sanduíches e sucos. Cada
c) 50% e 70%. sanduíche custa R$ 13,50 e cada suco custa R$ 5,60.
d) 0% e 70%. Gabriel compra a maior quantidade possível de san-
e) 30% e 50%. duíches com os R$ 80,00 e, com o que sobra, compra
a maior quantidade de sucos possível. Ao final, Gabriel
6. (FGV – 2019) Dizemos que um número de 5 algaris- ficou com:
mos é “soteronês” se a soma de seus algarismos é 18,
os 5 algarismos são diferentes e o número é ímpar. a) R$ 2,40.
b) R$ 2,20.
Assinale a opção que mostra um número “soteronês”. c) R$ 1,30.
d) R$ 1,20.
a) 23456. e) R$ 0,70.
b) 12456.
c) 65421. 13. (FGV – 2018) André, Beatriz, Carlos e Doris fazem as
d) 65321. seguintes afirmações sobre a distância entre a empre-
e) 54623. sa em que trabalham e o shopping mais próximo:

7. (FGV – 2019) Em uma rodovia em linha reta, uma árvo- André: é de, no mínimo, 6 km.
re foi plantada a 15 metros de um ponto de ônibus. Beatriz: é de, no máximo, 3 km.
Depois, a cada 10 metros, a partir dessa primeira árvo- Carlos: não passa de 5 km.
re, no sentido em que se afasta do ponto de ônibus, Doris: não chega a 4 km.
foram sendo plantadas outras árvores.
Sabe-se que todos eles erraram em suas estimativas.
A distância da sexta árvore ao ponto de ônibus é Sendo d a distância, em quilômetros, entre a empresa
e o shopping mais próximo, tem-se que
a) 75 m.
b) 65 m. a) d < 3.
c) 55 m. b) 3 < d < 4.
d) 50 m. c) 4 < d < 5.
e) 45 m. d) 5 < d < 6.
e) d > 6.
8. (FGV – 2021) O número de cinco algarismos 2021U é
divisível por 9. O resto da divisão desse número por 7 é: 14. (FGV – 2021) Joana pagou uma conta vencida, com
juros de 5%, no valor total (juros incluídos) de R$
a) 1. 382,20. Se Joana tivesse pagado a conta até o venci-
b) 2. mento, teria economizado:
c) 3.
d) 4. a) R$ 18,20.
e) 5. b) R$ 19,11.
c) R$ 20,32.
9. (FGV – 2021) A quantidade de números ímpares de d) R$ 20,60.
2021 até 2051 é: e) R$ 21,22.

a) 31. 15. (FGV – 2018) Laura pagou R$ 11,20 por 350g de pre-
b) 30. sunto. No mesmo estabelecimento, Regina comprou
c) 17. 600g do mesmo presunto. O valor pago por Regina foi:
d) 16.
e) 15. a) R$ 20,70.
104
b) R$ 19,80. É correto concluir que:
c) R$ 19,20.
d) R$ 18,30. a) Pedro percorreu 12 m a mais que Paulo.
e) R$ 18,10. b) Pedro percorreu 12 m a menos que Paulo.
c) Pedro percorreu 4 m a mais que Paulo.
16. (FGV – 2019) Sabe-se que 3 recenseadores, com a d) Pedro percorreu 4 m a menos que Paulo.
mesma capacidade de trabalho, entrevistam 360 pes- e) Pedro e Paulo percorreram distâncias iguais.
soas em 8 dias. O número de dias que 2 desses recen-
seadores levarão para entrevistar 510 pessoas é: 20. (FGV – 2019) A figura a seguir mostra dois polígonos
regulares iguais, com um vértice em comum e apoia-
a) 14. dos em uma mesma reta.
b) 15.
c) 16.
d) 17.
e) 18.

17. (FGV – 2019) Em uma escola, uma bebida para o lan-


che das crianças é feita diluindo-se 2 colheres de sopa
de achocolatado em pó em um copo com 150ml de
Sabe-se que a soma dos ângulos internos de um polí-
leite.
gono de n lados é dada por S = 180º (n – 2).
Em uma jarra contendo 2,7 litros de leite, o número de
A medida do ângulo assinalado com a letra α é
colheres de sopa de achocolatado que se deve acres-
centar é
a) 32º.
b) 36º.
a) 18.
c) 40º.
b) 24.
d) 48º.
c) 30.
e) 72º.
d) 36.
e) 42.
9 GABARITO
18. (FGV – 2018) A figura abaixo é formada por três triângu-
los e, dentro de cada um deles, há um número escondido.
1 E

2 B

3 D
A seguir, o número que está abaixo de cada figura 4 C
representa a soma dos números escondidos nos triân-
gulos sombreados. O número que está escondido no 5 C
triângulo do meio é: 6 C

7 B

8 E

9 D
a) 7.
b) 9. 10 C
c) 12.
11 B
d) 15.
e) 19. 12 C

19. (FGV – 2021) A figura a seguir mostra a quadra retan- 13 D


gular ABCD de um quartel, com 30 m de comprimento
14 A
e 21 m de largura, dividida em quadrados iguais.
15 C

16 D

17 D
MATEMÁTICA

18 B

19 A

20 B
Dois soldados, Pedro e Paulo, caminharam de A até C
por caminhos diferentes: Pedro percorreu os lados AB
e BC, e Paulo percorreu os segmentos AP, PQ e QC.

105
ANOTAÇÕES

106
NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA

CITOLOGIA: ESTRUTURA DA CÉLULA, TIPOS DE CÉLULAS E REPRODUÇÃO CELULAR


Dentro da ampla área da Biologia, o estudo das células é denominado Citologia. Acompanhe a seguir detalha-
damente os pontos que fazem parte desse estudo.

A MENOR UNIDADE DOS SERES VIVOS

A célula é descrita como a menor unidade funcional e estrutural formadora dos seres vivos. É constituída por,
pelo menos, três estruturas: membrana plasmática, citoplasma e material genético.
Podem apresentar organelas, que são como pequenos órgãos, com formas e funções diferentes, que se unem
para realizar atividades essenciais ao metabolismo e à sobrevivência da célula. Têm tamanho microscópico.

DIVERSIDADE E ORGANIZAÇÃO DAS CÉLULAS

Considerando sua constituição e estrutura, as células são classificadas em dois tipos básicos: procariontes e
eucariontes, além de apresentarem diferentes formas e funções em um organismo. Observe as particularidades
de cada tipo a seguir.

Células Procariontes

São células que apresentam o material genético disperso no citoplasma, ou seja, não possuem núcleo envol-
vido por membrana nuclear. São encontradas no Reino Monera (Archaea e Bactéria). Exemplos: bactérias e
cianobactérias.

Mesossomo
Nucleótido
(DNA)
Citoplasma Flagelo

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


Parede celular
Ribossomos
Cápsula
Plasmídeo Fímbrias

Membrana plasmática

z Estruturas que Constituem esse Tipo Celular e suas Funções:

ESTRUTURA CELULAR FUNÇÃO DESEMPENHADA


Delimita a célula ao separar os meios interno e externo; regula o transporte de substâncias que
Membrana plasmática
entram e saem através da permeabilidade seletiva
Composto por citosol ou hialoplasma (parte líquida) e partículas sólidas, como os ribossomos.
Citoplasma
Mantêm movimentos constantes de seu material
Material genético (DNA) disperso no citoplasma, ou seja, aquele que não é envolvido por mem-
Nucleoide
brana nuclear
Camada de muco composta principalmente por polissacarídeos; proteção contra o ressecamen-
Cápsula to, protege contra o ataque de anticorpos dos organismos infectados e pode ajudar em proces-
sos de adesão a outras células
Proteção e sustentação da célula, permitindo uma forma específica. Externa à membrana plas-
Parede celular
mática. É impermeável e constituída por peptideoglicano (exceção: Archaea)
Estruturas locomotoras Permitem movimentação. Exemplos: flagelos
107
ESTRUTURA CELULAR FUNÇÃO DESEMPENHADA
Estruturas semelhantes a fios de cabelo, permitem adesão a células animais ou até mesmo du-
Pili e fímbrias
rante a troca de material genético entre bactérias
Ribossomos Síntese de proteínas
Plasmídeos DNA circular
Mesossomo Invaginação da membrana plasmática. Associado a processos respiratórios em bactérias

Células Eucariontes

As células eucariontes são aquelas que possuem um núcleo verdadeiro, ou seja, o material genético dessas
células é envolto por uma membrana nuclear, denominada carioteca. Normalmente, são maiores do que as pro-
cariontes. Possuem estruturas membranosas em seu interior, as chamadas organelas.
São classificadas em dois tipos: animal e vegetal. São encontradas em todos os grupos, com exceção do Reino
Monera (único grupo procarionte).

� Célula Eucarionte Animal

Lísossomo Ribossomo
Membrana Plasmática
Aparelho de
Golgi
Citoplasma

Retículo
Endoplasmático
Rugoso
Peroxissomo
Centríolo
Núcleo

Retículo
Endoplasmático Liso

z Célula Eucarionte Vegetal

Membrana Plasmática Parede Celular


Ribossomo Citoplasma
Aparelho de
Golgi Vacúolo
Cloroplasto

Mitocôndria

Peroxissomo

Retículo
Endoplasmático Núcleo

COMPONENTES CITOPLASMÁTICOS

COMPONENTES COMUNS A TODAS AS CÉLULAS (PROCARIONTES E EUCARIONTES)


Delimita a célula ao separar os meios interno e externo. Regula o transporte de substân-
Membrana Plasmática cias que entram e saem através da permeabilidade seletiva. Constituição lipoproteica (ver
com detalhes no tópico “Membrana plasmática”, mais adiante)
Sequências de nucleotídeos (DNA). Envolvido pela carioteca. Define as características
Material genético
que serão expressas (o fenótipo do organismo)
Citosol (parte líquida) + organelas (parte sólida). Apresenta constante movimento de seus
Citoplasma
componentes
Síntese de proteínas. Encontram-se livres no citoplasma ou aderidos ao Retículo En-
Ribossomos doplasmático Rugoso. Também podem ser encontrados no interior de mitocôndrias e
108 cloroplastos
COMPONENTES EXCLUSIVOS DE CÉLULAS EUCARIONTES
Carioteca (membrana nuclear) Individualiza o DNA
Apresentam membrana dupla, DNA próprio (DNA mitocondrial) e são divididas
em três regiões (matriz mitocondrial, cristas mitocondriais e espaço intermem-
Mitocôndrias
branas). Atuam na respiração celular (metabolismo celular, produção de ener-
gia para a célula) — produção de ATP
Conjunto de bolsas membranosas achatadas e empilhadas (cisternas), as quais
formam e liberam pequenas vesículas. Tem como função a secreção celular.
Sistema Golgiense Processa, empacota e envia substâncias que vieram do retículo endoplasmá-
tico para fora das células, através de vesículas. Pode também produzir alguns
polissacarídeos da parede celular de plantas
Peroxissomos Desintoxicação. Degradam H2O2. Protegem contra o estresse oxidativo
Conjunto de membranas que se ramifica, formando tubos e bolsas achatadas.
Pode ser considerado uma continuação da membrana nuclear. Divide-se em
dois tipos:
� Liso: Não possui ribossomos aderidos em sua membrana. Realiza síntese de
lipídeos (gorduras) e esteroides, hidrólise de glicogênio em células animais e
atua na modificação química de drogas e pesticidas. Normalmente é encontra-
Retículo Endoplasmático
do em grande quantidade em células do fígado
� Rugoso: Apresenta ribossomos aderidos. Síntese de proteínas que serão
excretadas, enviadas para fora da célula. Presente em grande quantidade em
células que secretam grande quantidade de moléculas proteicas. Exemplo:
glândulas que secretam enzimas digestivas e células de defesa que secretam
anticorpos, visto que enzimas e anticorpos são substâncias proteicas

COMPONENTES EXCLUSIVOS DE CÉLULA ANIMAL


Organela Função desempenhada na célula
Importantes em processos de divisão celular (mitose e meiose). Também formam o citoesquele-
Centríolos to celular, ajudando a dar uma forma para a célula, da mesma maneira que um esqueleto ósseo
em um organismo
São formados pelo Complexo Golgiense. Têm função de digestão intracelular (fagocitose e pino-
Lisossomos citose). Possuem enzimas digestivas em seu interior, as hidrolases ácidas, peptidases, proteases,
lipases etc. Encontrados de forma concentrada no acrossomo do espermatozoide, por exemplo

COMPONENTES EXCLUSIVOS DE CÉLULA VEGETAL


Parede celular Sustentação. Dá formato à célula, como um esqueleto. Constituída de celulose
Apresentam membrana dupla e DNA próprio. Dividido em estroma e tilacóides. Realizam fo-
Cloroplasto tossíntese, processo que possibilita transformar energia luminosa (solar) em química (açúcar

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


— glicose)
Armazenamento de água. Em alguns casos, pode conter enzimas digestivas, atuando em fun-
Vacúolo
ção similar a dos lisossomos (presentes em células animais)

Importante! Existe uma teoria denominada teoria da endossimbiose, que consiste na hipótese de que mito-
côndrias e cloroplastos se originaram a partir de uma célula procarionte. Dessa forma, ambos foram fagocitados,
de maneira independente, por uma célula eucarionte e passaram a viver em simbiose desde então. As provas
dessa teoria baseiam-se no fato de que essas duas organelas apresentam membrana dupla e DNA próprio.

MEMBRANA PLASMÁTICA

A membrana celular é constituída por carboidratos, lipídeos e proteínas. Sua organização é estabelecida de
acordo com o modelo mosaico fluido, ou seja, apresenta uma bicamada lipídica (fosfolipídios) que permite a
movimentação de estruturas conectadas a ela. Esses lipídeos mantêm a integridade e estabilização da membrana.
Proteínas associadas à membrana plasmática permitem a passagem de substâncias através da membrana e
podem atuar no reconhecimento de sinais químicos vindos do meio externo. Carboidratos podem ser encontrados
apenas na parte externa da membrana plasmática e têm a importante missão de reconhecimento de patógenos,
por exemplo.
Ademais, a membrana celular apresenta permeabilidade seletiva, ou seja, seleciona moléculas que podem
entrar e sair da célula.
É importante compreender também os tipos de transporte realizados através da membrana. Eles podem ser
classificados como passivos ou ativos.

109
No transporte passivo, consideramos que não z Microfilamentos: Organizam-se em filamentos
ocorre gasto de energia, ou seja, a passagem de subs- individuais ou em forma de malhas (redes de fila-
tâncias é a favor do gradiente de concentração (do mentos), constituídos por actina. São responsáveis
lado onde a substância está mais concentrada para o pela locomoção celular ou de partes específicas da
lado em que ela está menos concentrada). célula e pela forma apresentada por ela. Atuam na
Além disso, o transporte passivo é subdividido em contração muscular, situação em que a actina se
dois tipos: osmose e difusão. Na osmose, temos a associa à miosina. Também participam de proces-
passagem de solventes através da membrana, sendo a sos de locomoção por pseudópodes e do estrangu-
água o solvente universal. Já na difusão temos a pas- lamento na telófase da divisão celular, em que a
sagem de solutos. Quando esses solutos atravessam célula se divide em duas novas células;
diretamente a membrana, ou mesmo através de poros z Filamentos intermediários: Apresentam estrutu-
presentes na membrana, dizemos que é um caso de ra em formato de cabo. Constituídos por queratina,
difusão simples. Entretanto, se os solutos atravessa- são importantes para manter a estabilização da
rem a membrana com a ajuda de proteínas, teremos célula e em casos de resistência à tensão. Esses fila-
um caso de difusão facilitada. mentos são os responsáveis por manter o núcleo
E quando o transporte não for a favor do gradien- e as organelas em posições específicas dento da
te de concentração? Quando a substância atravessa célula. Podem ser encontrados, por exemplo, nas
a membrana, indo de onde está menos concentrada microvilosidades intestinais, na lâmina nuclear e
para onde ela está mais concentrada, dizemos que o em conexões entre o tipo desmossomos.
transporte ocorre contra o gradiente de concentra-
ção. Nesse caso, o transporte é classificado como um Agora que conhecemos os tipos celulares que
transporte ativo, pois precisa haver gasto de ener- existem (células procariontes e eucariontes) e as
gia para a atravessar a membrana. Como principal estruturas que compõem cada um deles (membrana
exemplo, temos a bomba de sódio e potássio (Na+/ plasmática, núcleo, material genético e organelas),
K+). podemos seguir para outras atividades importantes
Agora que entendemos bem como funciona a realizadas por essas unidades tão fundamentais ao
membrana plasmática das células, podemos seguir bom funcionamento do nosso organismo.
para o núcleo celular, região de extrema importância As células são capazes de crescer e se reproduzir,
no controle das atividades celulares. assim como nós. Essa reprodução favorece a multipli-
cação celular, conhecida como divisão celular.
NÚCLEO
REPRODUÇÃO CELULAR
É considerado a maior organela de células euca-
riontes. É a região que controla as atividades celula- As reproduções, ou divisões, celulares podem ser
res, e também é onde ocorre o processo de replicação do tipo mitose e do tipo meiose.
do DNA. Dentro do núcleo, encontra-se o nucléolo, É importante saber que, na mitose, uma célula
local onde são formados os ribossomos. É constituído gera duas idênticas a ela, enquanto, na meiose, uma
por membrana dupla e apresenta poros que permi- célula (“2n”) gera quatro células com a metade do
tem trocas entre núcleo e citoplasma. Entretanto, para material genético da célula inicial/célula mãe (quatro
ultrapassar os limites do núcleo é necessário possuir células “n”).
uma sequência de aminoácidos específica, denomina- Além disso, a meiose ocorre apenas em processos
da sequência sinal.
de formação de gametas (espermatozoide em homens
Dentro do núcleo, podemos encontrar a molécula
e ovócitos II nas mulheres), sendo a mitose o proces-
de DNA associada a proteínas histonas, formando a
so responsável pela divisão em qualquer outro tipo
cromatina. Assim como a célula tem o citoplasma, o
celular.
núcleo é preenchido por nucleoplasma.
No núcleo, ocorrem os processos de transcrição
e de tradução da molécula de DNA. Após, o RNA for- Dica
mado é capaz de passar pelos poros e migra para o Células humanas têm 2n=46 cromossomos, ou
citoplasma, levando a informação necessária para a
seja, 23 pares de cromossomos da mãe unidos
produção de proteínas, através da tradução.
a 23 pares de cromossomos do pai. Caso uma
dessas células realize mitose, essa célula origi-
CITOESQUELETO E MOVIMENTO CELULAR
nará duas células 2n com 46 cromossomos. Se
O citoesqueleto consiste em um conjunto de fibras essa mesma célula realizar meiose, ela originará
com funções associadas a sustentação, forma, movi- quatro células n, com 23 cromossomos. Entre-
mento e posicionamento da célula. Está presente tanto, e se essa célula inicial for “n”? Então, ela
apenas em células eucariontes animais. Encontra-se originará 2 células n, em processos de mitose, e
dividido em três partes: não terá a possibilidade de realizar meiose, afi-
nal, como formaria células “n/2”?
z Microtúbulos: Cilindros ocos e sem ramificação
constituídos por moléculas de tubulina, que se ori- Tanto a mitose quanto a meiose seguem um ciclo
ginam a partir de uma região denominada centro celular que contém uma fase de interfase constituída
organizador de microtúbulos. Podem formar um por G1, S e G2.
esqueleto rígido em algumas células e auxiliam os Em G0, a célula mantém-se em quiescência celular
movimentos de proteínas motoras entre diferentes (sem proliferação). Podemos considerar que, em G1,
estruturas dentro das células. Em células vegetais, ela basicamente aumenta seu volume; em S, duplica
participam da organização da parede celular (de o DNA, e, em G2, confere enzimas necessárias para a
celulose). Já em células animais, eles se associam a divisão celular. Se estiver tudo “ok”, ela inicia o pro-
110 estruturas locomotoras, como cílios e flagelos; cesso de divisão.
Então, vamos entender as etapas de cada um dos Dica
processos de divisão celular?
Na fase II da meiose, o processo é similar ao que
Mitose ocorre na mitose.

Apresenta quatro fases: Prófase, Metáfase, Anáfa-


se e Telófase. TECIDOS DO CORPO — TECIDOS
FUNDAMENTAIS
EPITELIAL

É um tecido avascular, isto é, não apresenta vasos


sanguíneos, é formado por células justapostas (uni-
Interfase Prófase Metáfase das umas às outras), com pouca matriz extracelular,
visto que as células se organizam muito próximas
umas das outras. Tem alta capacidade de regeneração
e renovação e é nutrido e oxigenado pela lâmina basal
através de difusão.
São funções do tecido epitelial:

z O revestimento dos corpos;


z A secreção de substâncias;
z A proteção física, funcionando como uma barrei-
Anáfase Telófase Células filhas ra, a fim de garantir a proteção contra antígenos;
z A proteção mecânica, prevenindo a perda de água;
z A capacidade de formar glândulas.
z Prófase: Desaparecimento da carioteca e do nu-
cléolo;
Possui, ainda, uma superfície apical e outra basal.
z Metáfase: Cromossomos migram para a região
Pode apresentar determinadas especializações que
equatorial da célula;
permitem adesão e comunicação entre as células, cha-
z Anáfase: Separação das cromátides irmãs; madas de junções intercelulares. Também pode con-
z Telófase: Reaparecimento da carioteca e do nu- ter certas especializações, como as microvilosidades,
cléolo, e citocinese. que aumentam a superfície de contato para absorção,
ou os cílios e os flagelos, capazes de facilitar a movi-
Meiose mentação de partículas.
Os tecidos são classificados em dois tipos: epitelial
Divide-se em Meiose I (Prófase I, Metáfase I, Aná- glandular e epitelial de revestimento, como vere-
fase I e Telófase I) e Meiose II (Prófase II, Metáfase II, mos a seguir:
Anáfase II e Telófase II). Na figura a seguir, é possível
observar toda a fase I da meiose. A fase II não foi adi- Tecido Epitelial Glandular
cionada à figura pelo fato de ser igual a uma mitose,
com relação à sequência de eventos desencadeados. É o tecido responsável pela secreção de substâncias.

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


As glândulas formadas por ele podem ser de três tipos:
Prófase l Metáfase l Anáfase l Telófase l
z Endócrinas: Não apresentam ductos e lançam
substâncias diretamente no sangue. Ex.: hipófise;
z Exócrinas: Apresentam ductos e lançam substân-
cias em cavidades ou na superfície corporal. Ex.:
glândulas mamárias e sudoríparas;
z Mistas: Apresentam uma parte endócrina e outra
exócrina, cumprindo com as duas funções. Ex.:
z Prófase I: Desaparecimento da carioteca e do pâncreas.
nucléolo. Início da migração dos centríolos para
lados opostos da célula. Possibilidade de ocorrer
crossing-over ou permutação (troca de pedaços
entre cromossomos homólogos);
z Metáfase I: Cromossomos migram aos pares para
o centro da célula (região equatorial);
z Anáfase I: Separação dos cromossomos homólogos;
z Telófase I: Citocinese.
z Prófase II: Ocorre o desaparecimento da carioteca
e do nucléolo;
z Metáfase II: Cromossomos migram para a região Glândula Glândula
equatorial da célula; Endócrina Exócrina
z Anáfase II: Separação das cromátides irmãs;
z Telófase II: Reaparecimento da carioteca e do
nucléolo, e citocinese. 111
Tecido Epitelial de Revestimento

Sua função é a de revestir o corpo e as superfícies dos órgãos, além de fornecer proteção, absorver substâncias
e permitir a percepção de estímulos. Essas são funções específicas do epitélio de revestimento.
Pode ser classificado de duas formas, de acordo com o número ou com o formato de células.
Considerando o número de células que forma cada camada:

z Epitélio Simples: Apenas uma camada de células;


z Epitélio Estratificado: Mais de uma camada de células;
z Epitélio Pseudoestratificado: Apenas uma camada de células, aparentando ter mais.

É importante ressaltar que esses tecidos podem apresentar subdivisões. Por exemplo, o epitélio simples pode
ser cúbico ou prismático, epitélio estratificado pavimentoso, de transição ou prismático. Esses conceitos ficarão
mais claros na tabela de exemplos interessantes, apresentada mais à frente.

Epitélio simples Apenas uma camada de células

Epitélio estratificado Mais de uma camada de células

Epitélio pseudoestratificado Apenas uma camada de células, aparentando ter mais.

Considerando o formato das células:

z Epitélio Escamoso: Células achatadas;


z Epitélio Cúbico: Células em formato de cubo;
z Epitélio Colunar: Células alongadas;
z Epitélio colunar ciliado: Células alongadas e que apresentam cílios.

Epitélio Escamoso Epitélio Cúbico

Epitélio Colunar Epitélio Colunar


ciliado

Importante!
Existe, também, um epitélio que é classificado como de transição. Ele é um tipo especial de epitélio. Suas
células apresentam formato variável conforme a distensão do órgão que elas formam. Como exemplo, temos
as células encontradas em grande quantidade no tecido da bexiga urinária, as quais têm aparência globosa
quando a bexiga está vazia e formato achatado quando ela está cheia.

EXEMPLOS INTERESSANTES

Tipo de Epitélio Locais de Ocorrência

Epitélio Escamoso Alvéolos pulmonares e em endotélios (revestimento


(ou Simples Pavimentoso) interno de vasos sanguíneos e linfáticos)
112
EXEMPLOS INTERESSANTES

Epitélio Simples Cúbico Túbulos renais

Epitélio Simples Prismático Estômago

Epitélio Pseudoestratificado Fossas nasais, traqueia e brônquios

Epitélio Estratificado Pavimentoso Pele, boca e esôfago

Epitélio Estratificado de transição Bexiga urinária

Epitélio Estratificado prismático Uretra

Pele

É o maior órgão do corpo humano. Tem função protetora do organismo como um todo e, também, de órgãos
internos.
Ela é composta por três camadas de tecidos:

z Epiderme: Camada visível, formada por células mortas ou que estão para morrer. É a camada mais externa
da pele;
z Derme: Localizada logo abaixo da epiderme. É onde se encontram as raízes dos pelos, as terminações nervo-
sas, os vasos sanguíneos e o colágeno;
z Hipoderme (ou Tecido Subcutâneo): Camada mais interna da pele. É onde ficam as gorduras, as veias e os
músculos. É composto por células repletas de gordura, participando diretamente do processo de isolamento
térmico.

Papilas Poro Pelo


Dermicas
Epiderme

Derme
Glândula sebácea

Glândula
sudorípara
Hipoderme

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


Anexos Epidérmicos

Correspondem aos pelos (proteção e controle da temperatura corporal), às unhas (proteção) e a algumas glân-
dulas exócrinas, como, por exemplo, as glândulas sebáceas (lubrificação da pele).

Mucosa

Caracterizada como um tecido epitelial que reveste o corpo internamente — isto é, reveste órgãos e superfícies
internas.
As mucosas são formadas por epitélio acoplado a tecido conjuntivo, formando uma camada responsável por
revestir cavidades úmidas do organismo. O tecido conjuntivo, aqui, recebe o nome de lâmina própria. Como
exemplos, temos a mucosa da boca, do estômago, do intestino, do nariz, do pulmão, do útero, entre outras.

MUSCULAR

Musculatura Estriada e Lisa

O tecido muscular é responsável por grande parte da movimentação do corpo. É constituído por fibras mus-
culares (miócitos), as quais apresentam citoplasma rico em células proteicas, o que permite a realização de
contrações.
É, também, composto por fibras proteicas dos tipos actina (formadora dos filamentos finos) e miosina (forma-
dora dos filamentos espessos).
É um tecido associado ao tecido conjuntivo de matriz extracelular, constituída por lâmina basal e fibras
reticulares.
O tecido muscular encontra-se dividido em três tipos básicos: 113
Músculo estriado esquelético

Músculo liso

Músculo estriado cardíaco

z Muscular Liso: Formado por células fusiformes que apresentam núcleos centrais. Sua aparência não é estria-
da, por isso, é denominada “lisa”. Apresenta contrações lentas e involuntárias e, portanto, está associada
à movimentação involuntária do organismo. Pode ser encontrada na bexiga, no útero, no trato digestório e
nas artérias, por exemplo. São revestidas por lâmina basal. São capazes de se dividir em indivíduos adultos,
atuando em situações de aumento dos órgãos ou reparo tecidual. Em gestantes, ocorre um aumento numérico
e volumétrico dessas células;
z Muscular Estriado Esquelético: Formado por células alongadas e com vários núcleos (multinucleadas). Os
núcleos ocupam a região mais periférica das células. Tem, como função, a contração voluntária do organismo.
Devido à conexão com os ossos, está associado à locomoção. Suas fibras musculares são constituídas por mio-
fibrilas, que consistem em um conjunto de sarcômeros (responsáveis pela contração muscular). Essas células
não se multiplicam em indivíduos adultos, mas podem sofrer hipertrofia como consequência de exercício
físico.

Fibra muscular

Miofibrila

Sarcômero

z Muscular Estriado Cardíaco: Forma o tecido cardíaco, sendo de grande importância para a contração do
coração. A diferença em relação ao músculo estriado esquelético é que, aqui, os núcleos são em número de um
ou dois e ocupam posição central nas células. Apresenta fibras constituídas por bainha de tecido conjuntivo,
rica em capilares sanguíneos. Possui discos intercalares (conhecidos como linhas transversais), com especiali-
zações de membrana — zonas de adesão, desmossomos e junções comunicantes que permitem a ocorrência de
conexão elétrica entre as células desse tecido. As contrações são involuntárias, rápidas e contínuas.

Importante: Células musculares apresentam nomes especiais para algumas estruturas: sua membrana plas-
mática é denominada sarcolema. Seu citoplasma é conhecido como sarcoplasma, e o Retículo Endoplasmático
recebe o nome de Retículo Sarcoplasmático.

CONJUNTIVO

O Tecido Conjuntivo é responsável por nutrir, dar sustentação e preencher espaços entre os tecidos. Sua com-
posição inclui grande quantidade de células, a matriz extracelular e as fibras. O que define cada um dos tipos de
tecido conjuntivo é a composição da matriz e o conjunto celular que o compõe.
Os diferentes tipos de tecido conjuntivo possuem células também específicas, além de uma matriz extracelular
114 constituída por diferentes moléculas e fibras, o que determina a função desenvolvida.
A matriz extracelular pode ser: Tecido Conjuntivo Ósseo

z Gelatinosa (tecido conjuntivo frouxo e denso); Apresenta grande quantidade de matriz extrace-
z Líquida (tecido sanguíneo); lular rica em fibras colágenas, glicoproteínas e pro-
z Flexível (tecido cartilaginoso); teoglicanos. A matriz é calcificada por deposição de
z Rígida (tecido ósseo). cristais de cálcio sobre as fibras, o que torna esse teci-
do mais rígido do que os outros tecidos.
Dessa forma, o tecido conjuntivo encontra-se divi- As células específicas desse tecido são os osteóci-
dido em tecido conjuntivo propriamente dito e em tos (células ósseas maduras) e os osteoblastos (célu-
tecidos conjuntivos de propriedades especiais (adipo- las ósseas jovens).
so, cartilaginoso, ósseo e sanguíneo).
Tecido Conjuntivo Hematopoiético
Propriedades relacionadas ao Tecido Conjuntivo:
Apresenta matriz extracelular líquida que rece-
z Preenchimento de espaços entre tecidos;
be o nome de plasma, local onde são encontradas as
z Nutrição de tecidos avasculares;
células sanguíneas (glóbulos vermelhos, ou hemá-
z Reserva energética em adipócitos; cias, associados ao transporte de gases respiratórios;
z Produção de células sanguíneas na medula óssea, glóbulos brancos, ou leucócitos, associados à defesa
algumas, inclusive, que atuam na defesa do orga- do organismo; e plaquetas, ou fragmentos celulares,
nismo (glóbulos brancos). associadas ao processo de coagulação sanguínea).
Esse tecido tem, como função, a formação de célu-
Tecido Conjuntivo Propriamente Dito las sanguíneas e de componentes do sangue. É encon-
trado na medula óssea e dentro de alguns ossos longos
Tem, como função, unir tecidos, preenchendo e do corpo, como, por exemplo, nas extremidades do
sustentando os tecidos e estruturas ao redor. Apresen- fêmur e do úmero.
ta grande quantidade de matriz extracelular, além de
fibras proteicas dos tipos colágena, elástica e reticular. NERVOSO
É subdividido em tecido conjuntivo denso e frou-
xo. Veremos, a seguir, as propriedades de cada um É o tecido responsável pela comunicação entre os
deles. órgãos do indivíduo e o meio externo. Essa comunica-
ção é do tipo elétrica, ocorre de forma rápida e é reali-
z Tecido Conjuntivo Denso zada através de sinapses químicas entre os neurônios.
Neurônios são as células mais representativas des-
Matriz extracelular abundante e com predominân- se tecido. Atuam juntamente com células da glia. Eles
cia de fibras colágenas. Fibroblastos estão presentes. É são a base para que as mensagens sejam recebidas,
encontrado em epitélio e em tendões. É associado à processadas e para que as respostas sejam geradas.
Transmitem informações através de neurotransmis-
resistência em casos de pressão mecânica.
sores e impulsos elétricos.
z Tecido Conjuntivo Frouxo
Neurônio
Matriz extracelular em pequena quantidade, rico

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


em células e pobre em fibras. São encontradas células
do tipo fibroblastos e macrófagos, além de células tran- Corpo celular
sitórias, como os linfócitos, neutrófilos e eosinófilos.
Devido à baixa quantidade de fibras, é um tecido
bastante elástico. É muito importante na nutrição dos
tecidos, podendo ser encontrado em todo o corpo.
Axônio
Dendrito
Tecido Conjuntivo Adiposo

Apresenta pouca matriz extracelular e grande


quantidade de fibras reticulares e de adipócitos (célu-
las de gordura). É um tecido que tem, como função, a Bainha de mielina
reserva energética e proteção contra o frio (isolamen-
to térmico) e contra impactos mecânicos. Pode ser
encontrado, por exemplo, na camada abaixo da pele.

Tecido Conjuntivo Cartilaginoso


Os dendritos são prolongamentos do corpo celular
Rico em matriz extracelular, em fibras colágenas e que se ramificam. É no corpo celular que se encon-
glicosaminoglicanos associados às proteínas. As célu- tram as organelas. O dendrito é um prolongamento do
las características desse tecido são os condrócitos. corpo celular envolvido por macroglias (oligodendró-
Apesar de ser um tecido flexível, tem, como função, a citos e células de Schwann).
sustentação de partes do corpo. Pode ser encontrado,
por exemplo, no nariz e nas orelhas. z Possíveis Classificações dos Neurônios: 115
„ De acordo com a forma: Neurônios Multipola-
res, Bipolares e Unipolares; APARELHO DIGESTIVO
„ Considerando a função: Neurônios Sensitivos,
Motores e Integradores. DIGESTÃO DOS ALIMENTOS, BOCA, ESTÔMAGO,
INTESTINO DELGADO, INTESTINO GROSSO E
ENZIMAS DIGESTIVAS
Importante!
O Sistema Digestório tem como função processar
A informação que passa pelos neurônios segue os alimentos ingeridos de forma que seja possível
sempre um sentido único: aproveitar os nutrientes necessário para o organismo
Dendrito → Corpo Celular → Axônio e eliminar o que não for utilizado.
Na figura a seguir, é possível identificar a locali-
zação dos órgãos que compõem o Sistema Digestório
Células da Glia humano:

Conhecidas também como neuroglias, ajudam na Boca


regulação das sinapses e na transmissão dos impulsos
Figado
nervosos, desenvolvendo a função de proteger, dar Esôfago
suporte e nutrir o Sistema Nervoso. Podemos conside-
Estômago
rar que elas apresentam maior número quando com-
paradas aos neurônios.
Na figura a seguir, podemos observar os tipos de
Intestino
células caracterizadas como células da glia. grosso Pâncreas

Oligodendrócitos Micróglia

Intestino
delgado Reto

Os órgãos do Sistema Digestório possibilitam


Células ependimárias a ingestão e a digestão do alimento, a absorção dos
Astrócitos nutrientes e a eliminação do que for desnecessário
para o corpo. Sendo assim, é importante saber o papel
desempenhado por cada um dos órgãos digestórios.

Órgãos Digestórios

Células de Schwann z Boca

Local no qual se inicia a digestão. Na boca, a


As células da glia são classificadas em dois tipos: digestão ocorre de duas formas: mecânica e quími-
ca. Na digestão mecânica, temos a ação dos dentes,
z Microglias: Aquelas que agem de maneira similar garantindo que o alimento seja rasgado, amassado e
triturado. Já na digestão química, o alimento sofre a
aos macrófagos, protegendo o Sistema Nervoso.
ação da saliva secretada pelas glândulas salivares. A
Podem ser encontradas em situações de inflama-
enzima salivar que age na boca é a ptialina, ou amila-
ção e de reparação do Sistema Nervoso Central; se salivar. Apresenta bom desempenho em PH neutro
z Macroglias: Dividem-se em subtipos que atuam (PH da boca = 7.0). Essa enzima promove a quebra do
com funções específicas na transmissão dos impul- amido, um carboidrato. A língua também tem papel
sos nervosos: importante na digestão (ajuda a misturar o alimento
e a saliva) e também na deglutição (auxilia a engolir o
„ Astrócitos: Células com formato estrelado, alimento, que seguirá rumo à faringe).
encontradas nas substâncias branca e cinzenta;
z Faringe
„ Oligodendrócitos: Responsáveis pela produ-
ção da bainha de mielina, atuando como iso- É um músculo membranáceo que apresenta
lante térmico para o Sistema Nervoso Central; forma cônica que lembra muito um funil, sendo
„ Ependimócitos: Revestem os ventrículos do comum aos sistemas Digestório e Respiratório. No
cérebro e o canal central da medula espinhal; Sistema Digestório, o alimento seguirá da faringe em
quando ciliados, facilitam a movimentação do direção ao esôfago, enquanto, no respiratório, segue
líquido cefalorraquidiano; em direção à laringe. É um canal de passagem para o
„ Células de Schwann: Função similar a dos oli- alimento que segue da boca para o esôfago.
godentrócitos, porém, envolvem apenas um
z Esôfago
axônio do Sistema Nervoso periférico.
Órgão tubular e musculoso, com cerca de 25 cen-
116 tímetros, localizado entre a faringe e o estômago. O
esôfago é o primeiro local onde ocorrem movimen- Importante!
tos peristálticos, ou seja, contrações do músculo
liso que empurram o alimento pelo tubo, até que ele A bile, substância liberada no duodeno para a
chegue no estômago. Situa-se na região de trás da tra- emulsificação de gorduras, é produzida pelo fíga-
queia e da artéria aorta. Tem início nas proximidades do, e não pela vesícula biliar, como muitos pen-
da 6ª vértebra cervical e termina nas proximidades da sam. A vesícula biliar apenas armazena e libera
11ª vértebra torácica. a bile.

z Estômago O jejuno e o íleo são ricos em superfícies especia-


lizadas na absorção: apresentam aumento da superfí-
Órgão localizado logo abaixo do diafragma. cie de contato, o que potencializa a sua função. Essas
Apresenta musculatura que permite dilatação con- especializações de membrana são chamadas de
forme a quantidade de alimento ou líquido digeri- vilosidades (dobras no revestimento do intestino) ou
do. É no estômago que o bolo alimentar sofre a ação microvilosidades (projeções nas células epiteliais da
do suco gástrico, transformando-se em quimo. Tem vilosidade). Por esse motivo, é principalmente no jeju-
início a digestão de proteínas, por ação da enzima no e no íleo que ocorre a absorção de nutrientes.
pepsina. O ácido clorídrico liberado é o responsável z Intestino Grosso
por ativar a pepsina (transformação de pepsinogênio
em pepsina) e por manter o PH ácido. É importante Tem cerca de 1,5 m de comprimento. Caracteriza-
lembrar que as enzimas estomacais têm melhor ação do como a região responsável pela absorção de água
quando em PH ácido (PH do estômago = 2.0). Apesar e pela formação da massa fecal. É formado por três
de parecer arriscado termos “ácido” dentro do nosso partes: ceco, cólon e reto. No ceco, encontramos o
corpo, as células do estômago ficam liberando muco, apêndice, órgão não vital que serve de reserva de bac-
e esse muco protege a parede estomacal do contato térias para a digestão, função essa que já foi impor-
com o ácido, mantendo o órgão realizando sua função tante, porém, nos dias atuais, é facilmente suprida de
de digestão. outras maneiras. Além disso, o apêndice pode infla-
Anatomicamente, encontra-se dividido em fundo, mar, causando apendicite. O cólon encontra-se divi-
dido também em três partes: cólon ascendente, cólon
corpo e região pilórica. O fundo é representado pelo
transverso e cólon descendente. Já o reto, ou canal
espaço vazio que normalmente se enche de ar; o cor-
anal, é uma estrutura que se abre para o exterior
po apresenta faces anterior e posterior (ou ventral e
no ânus, por onde as fezes são eliminadas. Apresen-
dorsal), e a região pilórica é a região mais próxima do
ta uma microbiota intestinal de grande importância
intestino delgado. para o bom funcionamento do organismo.
z Intestino Delgado

É considerado a parte mais longa do Sistema


Digestório, apresentando aproximadamente 6m de SISTEMA CIRCULATÓRIO: AS
comprimento, podendo alcançar entre 7 e 9 metros. PARTES DO SISTEMA CIRCULATÓRIO,
Divide-se em três partes: duodeno, jejuno e íleo CORAÇÃO E CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA
(alguns se referem a essa parte como jejuno-íleo).

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


É aqui que ocorre a maior parte da digestão, que tem O Sistema Circulatório é conhecido também como
início a digestão de lipídeos e que os nutrientes são Sistema Cardiovascular, visto que é composto pelo
finalmente absorvidos. coração (bomba muscular), pelos vasos sanguíneos e
O duodeno é a menor parte do intestino delgado, pelo sangue (tecido líquido). Sua função é, basicamen-
com cerca de 25 centímetros de comprimento. É uma te, garantir que todas as células receberão nutrientes
região do intestino em que o suco pancreático age e oxigênio, os quais são transportados pelo sangue.
sobre o quimo que vem do estômago. Também é nes- Então, o coração é responsável pelo bombeamento de
sa parte do intestino que age a bile, uma substância sangue e os vasos sanguíneos, pelo transporte do san-
produzida pelo fígado e que é armazenada e liberada gue por todo o corpo.
pela vesícula biliar, e o suco entérico, uma secreção
produzida pelo próprio duodeno. Coração
A bile tem como função a quebra de moléculas de
O coração de mamíferos, incluindo o de huma-
gordura (emulsificação de lipídeos), ao passo que o
nos, é formado por quatro câmaras: dois átrios e dois
suco entérico é rico em enzimas capazes de quebrar
ventrículos. O lado direito do coração é formado pelo
nucleotídeos e aminoácidos.
átrio direito e pelo ventrículo direito, enquanto o
É também nessa região que o pâncreas libera suco
lado esquerdo é formado pelo átrio esquerdo e pelo
pancreático, que é rico em bicarbonato, tripsina e qui- ventrículo esquerdo. Em meio a essas câmaras, pode-
motripsina. A presença de bicarbonato é de extrema mos encontrar também válvulas, ou seja, estruturas
importância nesse momento, pois ele age neutrali- que de certa forma controlam a passagem de sangue,
zando a acidez do quimo que veio do estômago. Isso é impedindo o retorno dele.
necessário porque a parede do intestino, diferente do Podemos dizer que os átrios são responsáveis
estômago, não apresenta células produtoras de muco pela chegada de sangue ao coração, e os ventrículos,
para a proteção da parede. pela saída de sangue e bombeamento para o corpo.
Além disso, é importante saber que o lado esquerdo 117
do corpo é preenchido com sangue rico em oxigênio, enquanto o lado direito é preenchido com sangue rico em
gás carbônico.
Já as valvas do coração, também conhecidas como válvulas, podem ser classificadas em atrioventriculares
ou semilunares. As atrioventriculares encontram-se localizadas entre o átrio e o ventrículo, tanto do lado direito
quanto do lado esquerdo do coração. Já as semilunares controlam a passagem de sangue para os pulmões e para
a artéria aorta. As valvas atrioventriculares são subdivididas em tricúspide (entre o átrio direito e o ventrículo
direito) e bicúspide ou mitral (entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo). Assim como as semilunares, são
subdivididas em aórtica e pulmonar: a aórtica, na saída para a aorta, e a pulmonar, na saída para o pulmão.
Além disso, o coração apresenta três camadas: o endocárdio (mais interna), o miocárdio (camada média,
composta por musculatura estriada cardíaca e, por isso, a principal responsável pelo bombeamento sanguíneo) e
o epicárdio (mais externa — na qual pode ocorrer o acúmulo de tecido adiposo).
A seguir, temos uma figura representativa da anatomia do coração humano. Observe a imagem, unindo a par-
te visual aos conhecimentos que foram expostos até aqui.

Artéria carótica
comum
Artéria subciávia
Tronco Braquiocefálico
Aorca
Veia cava superior
Artérias
Artérias pulmonares pulmonares
Veias pulmonares
Veias pulmonares
Átrio esquerdo
Átrio direito Valva semilunar
Valva
Valva atrioventricular
atrioventricular Ventrículo
esquerdo
Corda cardíaca
Septo
Ventrículo direto

Veia cava
inferior

O batimento do coração apresenta sincronia com os movimentos de sístole e diástole, que são movimentos de
contração e relaxamento do órgão, respectivamente. Durante cada contração, ocorre o bombeamento do sangue,
e, a cada relaxamento, o coração é novamente preenchido pelo sangue.

Importante!
Existe uma região responsável por originar os batimentos cardíacos: é o chamado nó sinoatrial. Por defini-
ção, é uma região de aglomeração celular capaz de produzir impulsos elétricos.

Vasos Sanguíneos

Como já citado, os vasos sanguíneos são responsáveis por transportar o sangue pelo corpo, levando oxigênio e
glicose a todas as células. Compõem um grande sistema formado por tubos fechados, por onde o sangue circula.
Em geral, podemos dizer que existem três tipos de vasos sanguíneos: as artérias, as veias e os capilares.

z Artérias: Definidas como vasos que partem do coração, levando o sangue para os órgãos e os tecidos do corpo.
O sangue presente no interior desses vasos apresenta alta pressão. Quando as artérias se ramificam, passam
a se chamar arteríolas;
z Capilares: Vasos muito delgados que realizam a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos do corpo;
z Veias: Vasos que levam o sangue de volta ao coração. O sangue presente no interior desses vasos apresenta
baixa pressão, diferente do que ocorre nas artérias. Uma característica específica desses vasos é a presença de
válvulas que impedem o refluxo sanguíneo.

118
Agora, observe as figuras a seguir, que trazem uma ótima representação das principais artérias e veias do
corpo humano:

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA

119
A esta altura, já sabemos quem são as estruturas Já as plaquetas são, na verdade, fragmentos de
envolvidas no transporte de sangue. Sendo assim, células que têm extrema importância durante a for-
vamos usar o que já aprendemos para aprofundar- mação da rede de proteção contra hemorragias, ou
mos os estudos em circulação sanguínea? seja, durante o processo de coagulação sanguínea.
A circulação do sangue em mamíferos é do tipo Você já consegue visualizar como o sangue age em
dupla, ou seja, apresenta duas formas: pode acontecer nosso organismo?
na forma de grande ou pequena circulação: O sangue alcança vários órgãos e tecidos do corpo.
Nos capilares, ocorrem as trocas gasosas, que é quan-
z A pequena circulação (ou circulação pulmonar) do, enfim, o oxigênio presente no sangue é passado
envolve: coração → pulmão → coração; para os tecidos e o gás carbônico produzido na respi-
z A grande circulação (ou circulação sistêmica) ração celular é deixado para o sangue.
envolve: coração → corpo (tecidos) → coração. Os capilares reúnem-se, formando vênulas, que
formam as veias, as quais levam esse sangue pobre
Para entender ambas com maiores detalhes, em oxigênio e rico em gás carbônico de volta para o
vamos descrever os processos enquanto observamos coração. O sangue é transportado até o coração por
a imagem a seguir. meio da veia cava e entra pelo átrio direito.
Esse sangue, agora rico em gás carbônico e pobre
Pulmão em oxigênio, é enviado para o ventrículo direito e de
Artéria Pulmonar
lá é bombeado para os pulmões por meio das artérias
pulmonares. Lá, passa novamente pelo processo de
Veias Pulmonares hematose e todo o processo é reiniciado. Esse é um
Veia Cava
dos motivos dele ser tão importante para nós.

Artéria Aorta

Átrio Esquerdo APARELHO RESPIRATÓRIO: PULMÕES


Átrito Direto
Ventrículo E TROCA DE GASES
Esquerdo

O Sistema Respiratório tem, como principal res-


Ventrículo
Direto ponsabilidade, garantir que o organismo seja capaz
de captar o gás oxigênio do ambiente e liberar o gás
Corpo carbônico para o ambiente. Esse sistema permite a
ocorrência da olfação (percepção de odores presentes
no ambiente) e da fala, devido à presença de pregas
vocais na laringe (estrutura constituinte do Sistema
Lembre-se de que nos pulmões ocorre o processo Respiratório). É por meio da vibração dessa estrutura
de hematose (ou troca gasosa): o sangue, até então que ocorre a geração do som que liberamos ao falar.
rico em gás carbônico, recebe oxigênio provenien- Já que começamos a citar estruturas que compõem
te da respiração pulmonar. O sangue, agora rico em esse sistema, vamos descrever os órgãos envolvidos
oxigênio, retorna ao coração por meio das veias pul- no processo respiratório.
monares, chegando a esse órgão pelo átrio esquerdo. Órgãos do Sistema Respiratório (já em ordem de
Ele segue do átrio para o ventrículo esquerdo. Então, passagem do ar):
o sangue é bombeado para o corpo, saindo do coração Fossas nasais → Faringe → Laringe → Traqueia →
pela artéria aorta. Brônquios → Bronquíolos → Alvéolos → Pulmões
Outras estruturas que auxiliam os processos respi-
SANGUE ratórios são: caixa torácica, diafragma e bulbo.
Observe as estruturas no esquema a seguir:
Você sabia que o sangue é composto por plasma e
elementos celulares (células + fragmentos celulares)?
O que isso significa? Já vamos entender!
O plasma representa cerca de 55% do sangue, sen-
do composto por íons, proteínas, vitaminas, glicose,
gases respiratórios, anticorpos e resíduos do proces- Nariz
so metabólico. A parte celular do sangue representa
45% do tecido, sendo composta por células (os glóbu-
los vermelhos e os glóbulos brancos) e por fragmentos Laringe
celulares (as plaquetas).
Traquéia
Os glóbulos vermelhos são também conhecidos
como hemácias ou eritrócitos. Apresentam formato Pleura Pulmões
de disco bicôncavo e não possuem núcleo, ou seja, Brônquios Lobo superior
são células anucleadas. Possuem hemoglobina em sua
composição, o que permite o transporte dos gases res-
piratórios pelo corpo. Alvéolos Bronquiolos
Os glóbulos brancos, também conhecidos como Lobo médio
leucócitos, são responsáveis pela defesa do organismo
Lobo inferior
e têm como representantes os monócitos, basófilos,
neutrófilos, eosinófilos e acidófilos.
120
Compreendendo e guardando a ordem sequencial é nessa região que ocorre a hematose, nos alvéo-
de passagem do ar e as estruturas que fazem par- los pulmonares. A troca gasosa ocorre por difusão,
te desse processo, ficará mais fácil observarmos as ou seja, os gases passam da região onde se encon-
características de cada uma delas a seguir. tram mais concentrados para aquela em que estão
menos concentrados;
z Fossas Nasais: Local de entrada do ar presente
no ambiente. Na parte interna das fossas nasais, Dica
podemos encontrar muco e, também, cílios, res-
ponsáveis pela proteção e umidificação da estru- A hematose foi comentada anteriormente no
tura. Algumas funções associadas às fossas nasais tópico “Sistema Circulatório”.
são as de aquecer, umedecer e filtrar o ar que por
ali passa. Além disso, as fossas nasais apresentam z Pulmões: Órgão revestido por uma membrana
receptores para a olfação; chamada pleura. Abrange a parte constituída por
z Faringe: Estrutura comum aos sistemas respirató- brônquios, bronquíolos e alvéolos, envolvendo
rio e digestório. A parte voltada à respiração é cha- todas essas estruturas.
mada nasofaringe, enquanto a parte voltada para
a digestão é denominada orofaringe. Na parte final Podemos considerar que o Sistema Respiratório
da faringe e inicial da laringe, existe uma estrutu- é dividido em duas regiões, de acordo com as fun-
ra chamada de glote (ou epiglote). Essa estrutura ções desempenhadas por determinados órgãos. Essas
funciona como uma tampa que, numa hora, fecha regiões são chamadas de parte condutora e parte
a passagem de ar através da laringe e, noutra hora, respiratória.
fecha a passagem de alimento através do esôfago. A parte condutora é composta por fossas nasais,
É por esse motivo que não conseguimos respirar e faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e
engolir ao mesmo tempo; bronquíolos terminais.
Já a parte respiratória é composta pelos bron-
quíolos respiratórios, ductos alveolares e alvéolos. A
Importante! parte respiratória é responsável pelas trocas gasosas
de fato. Ou seja, o oxigênio é retirado do meio externo
Quando um indivíduo engasga, significa que pas- e disponibilizado para o sangue, enquanto o gás car-
sou saliva ou alimento para o canal da laringe. bônico entra no Sistema Respiratório para realizar o
Por isso, surge a tosse, como tentativa de expul- caminho inverso ao do oxigênio e ser eliminado para
sar a substância através da pressão de ar libera- o meio.
da pelos pulmões. Existe uma ligação direta entre o bulbo raquidia-
no, centro de comando da respiração, localizado na
região encefálica, e o Sistema Respiratório. Quando
z Laringe: Tubo responsável pela conexão entre a o bulbo percebe alterações no PH sanguíneo (casos
faringe e a laringe. É nessa região que encontra- em que o CO2 reage com a H2O, formando H2CO3), ele
mos, efetivamente, a epiglote. Também encontra- ativa respostas nervosas que levam ao aumento da
mos as pregas vocais, que permitem a produção de intensidade e da taxa de frequência respiratória. Esse
som durante a nossa fala. O som da nossa voz é é apenas mais um caso de interação entre os diferen-
produzido de acordo com a vibração dessas pregas; tes sistemas estudados neste material, comprovando
z Traqueia: Consiste em um tubo formado por teci- o fato de que eles são interdependentes e agem em
do cartilaginoso. Costumamos dizer que a traqueia conjunto para a manutenção da homeostase corporal.

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


apresenta anéis cartilaginosos que podem ser sen- Devemos considerar, também, que a respiração só
tidos ao tocar a região do pescoço. É a partir de é possível devido à ocorrência dos processos de inspi-
ramificações da traqueia que se formam os brôn- ração e de expiração. Ambos os processos possibilitam
quios, um para o lado direito e outro para o lado a alteração da pressão no interior dos pulmões. Se a
esquerdo do corpo; pressão interna se torna menor que a externa, o ar
z Brônquios: Como comentado, são estruturas que entra. Quando ela se torna maior, o ar sai.
partem de ramificações da traqueia. São classifica- A tabela apresentada a seguir resume bem o
dos em brônquios primários e secundários. Sendo que ocorre durante os processos de inspiração e de
mais específicos, podemos dizer que os brônquios expiração:
primários se ramificam em 3 brônquios associados
ao pulmão direito e em 2 brônquios associados ao INSPIRAÇÃO EXPIRAÇÃO
pulmão esquerdo. Já os brônquios secundários ori-
ginam os bronquíolos; O ar entra O ar sai
z Bronquíolos: Possuem diâmetro em torno de 1 Contração do diafragma e Relaxamento do dia-
mm e não possuem cartilagem. Eles também se dos músculos intercostais fragma e dos músculos
ramificam, formando os bronquíolos chamados de intercostais
bronquíolos terminais, e, posteriormente, os bron-
Expansão da caixa Redução da caixa torácica
quíolos denominados bronquíolos respiratórios,
torácica
que apresentam os alvéolos em suas extremidades;
z Alvéolos pulmonares: Localizam-se na parte Diminuição da pressão Aumento da pressão
final dos ductos alveolares. Geralmente, são orga- interna interna
nizados em porções chamadas de sacos alveolares.
São constituídos por uma membrana bem fininha,
que permite a ocorrência de trocas gasosas com os
vasos sanguíneos. O mais importante é saber que
121
Parede Torácica

Você imagina o que pode ser uma parede torácica? Ela é uma ligação existente entre estruturas que formam
um tipo de gaiola de proteção, flexível, porém com força suficiente para manter seu interior em bom funciona-
mento. Ali, podemos encontrar uma estrutura esquelética unida a músculos, nervos e artérias.
No tórax, está o esqueleto torácico, com uma abertura na face superior e outra na porção inferior. É com-
posto por esterno, costelas (12 pares), vértebras torácicas (12) e articulações, como os discos intervertebrais, por
exemplo.
Podemos observar na figura a seguir que essa parede envolve um espaço, o qual é preenchido por várias estru-
turas corporais anatômicas.

Articulação
esternoclavicular Incisura jugular

Manúbrio do Face articular


esterno clavicular

Ângulo do esterno Articulação


esternocostal

Corpo do esterno Apêndice xifóide

Mediastino

Encontra-se localizado na linha média do corpo, dentro da parede torácica, em um espaço entre as cavidades
pleurais, ou seja, entre os dois sacos pleurais. Anatomicamente, é dividido em mediastino superior e inferior,
tomando como referência os vasos da região basal do coração.

Parede torácica

Mediastino

O mediastino superior está localizado acima do nível do pericárdio, tendo na região anterior o timo, e, em sua
região posterior, a veia cava superior, o arco aórtico, a traqueia e o esôfago, por exemplo.
Já o mediastino inferior apresenta três sub-regiões: anterior, médio e posterior. Na anterior, temos o timo; na
média, temos o coração, o pericárdio, o nervo frênico, grandes artérias e alguns dos principais brônquios; final-
mente, na região posterior, temos o ducto torácico, a artéria torácica e o esôfago.

Pulmões

Os pulmões são dois órgãos esponjosos alojados dentro da caixa torácica. Eles são divididos internamente
em regiões denominadas lobos. O pulmão direito é maior do que o esquerdo e apresenta três lobos, enquanto o
122 esquerdo tem apenas dois lobos.
Além disso, os pulmões são revestidos por uma fina membrana, a pleura, responsável pela proteção do órgão
e por ajudar no deslizamento entre tecidos que ocorre a cada respiração, durante as contrações e expansões dos
pulmões. Tudo isso permite que o órgão tenha ótima capacidade elástica e de complacência em seu estado normal.
Observe a figura a seguir, que ilustra muito bem a anatomia do pulmão:

Ápice Margem anterior Ápice

Fissura
Fissura obliqua Lobo superior
horizontal
Lobo
Fissura
Lobo obliqua
superior
superior
Lobo Fissura Fissura
superior horizontal obliqua
Lobo
Lobo Lobo
Incisura inferior
médio médio
cardíaca
Lobo Lobo Incisura
inferior Lobo
inferior inferior cardíaca
Margem inferior
Fissura Língula
obliqua
PULMÃO DIREITO PULMÃO ESQUERDO
A. Vista anterior B. Vistas laterias

Nervo vago direito Traqueia


Ápice do pulmão esquerdo
N. vago esquerdo

Lobo superior do N. frênico


pulmão direito
Origem do N. laríngeo
recorrente esquerdo

Face costal do Lobo superior do


pulmão direito pulmão esquerdo
Raiz do pulmão

Fissura Lâmina parietal do


horizontal pericárdio seroso

Lobo médio do Pericárdio fibroso


pulmão direito
Face mediastinal
Fissura obliqua do pulmão

Fissura oblíqua
Lobo inferior do
pulmão direito Lobo inferior do
pulmão esquerdo

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


Parte costal da
pleura parietal Recesso
costodiafragmático
Diafragma

C. Vista anterior

SISTEMA NERVOSO: SISTEMA NERVOSO CENTRAL E SISTEMA NERVOSO


PERIFÉRICO
O Sistema Nervoso é um sistema responsável pela comunicação dentro de um organismo e pela manutenção
da homeostase (equilíbrio). Porém, neste caso, a comunicação é do tipo elétrica, uma comunicação muito mais
rápida do que a endócrina. Sua principal função é processar e armazenar informações, tanto de origem interna
quanto de origem externa ao corpo do indivíduo, elaborando respostas adaptativas frente a cada situação vivida.
A principal célula desse sistema é o neurônio e, de forma geral, o Sistema Nervoso encontra-se dividido em
duas partes importantes: o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Periférico (SNP). Adiante, com-
preenderemos cada uma delas.
O SNC é composto pelo encéfalo e pela medula espinhal. Já o SNP é composto por nervos, gânglios nervosos
e terminações nervosas. Os nervos que têm origem no tronco encefálico recebem o nome de nervos cranianos, e
aqueles que se originam a partir da medula são denominados nervos raquidianos (ou nervos espinhais).

123
Vejamos, de forma esquemática, os componentes z Medula Espinhal
do SNC e do SNP:
É um cordão cilíndrico que parte da base do encé-
SISTEMA NERVOSO SISTEMA NERVOSO PERI- falo, percorre toda a coluna vertebral e se aloja dentro
CENTRAL (SNC) FÉRICO (SNP) das perfurações das vértebras. Da Medula Espinhal,
Encéfalo partem 31 pares de nervos raquidianos.
� Cérebro Tem como funções: receber as informações de diver-
� Cerebelo sas partes do corpo e enviá-las para o encéfalo, e vice-ver-
Nervos cranianos (12 pares) sa, além de ser responsável pelos atos reflexos (reflexo
� Tronco Encefálico
Nervos raquidianos (31 pares) medular).
� Mesencéfalo
Terminações nervosas
� Ponte
� Bulbo
Medula

SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)

z Encéfalo
SUBSTÂNCIA
Constitui cerca de 90% da massa encefálica. Sua BRANCA
superfície é bastante pregueada (aumento da superfí-
cie). É dividido em dois hemisférios (esquerdo e direi- CANAL MEDULAR
to) e em duas partes: SUBSTÂNCIA CINZENTA

„ Córtex (externo): Substância cinzenta (corpos Atente-se para não confundir Medula Espinhal
neuronais); e Medula Óssea. A Medula Espinhal é encontrada
„ Região interna: Substância branca (dendritos dentro das vértebras da coluna vertebral. Já a Medu-
e axônios). la Óssea é encontrada no interior dos ossos longos e
esponjosos, desempenhando funções do tecido hema-
Principais estruturas que ocupam o cérebro e suas topoiético, como a produção de células sanguíneas.
funções:
Dica
Corpo caloso Cortex cerebral Ossos do crânio
Cérebro No encéfalo, a substância cinzenta é mais exter-
Meninges
na, enquanto a branca é mais interna.
Epífise Na medula, é o contrário: a substância cinzenta é
Lobo mais interna e a branca, mais externa.
frontal
Lobo z Ato Reflexo
occipital
Tálamo
Hipotálamo Ocorre em situações de risco ou emergência. Nesses
casos, a medula espinhal elabora respostas rápidas, sem
Hipófise Cerebelo
Mesencéfalo
a interferência do encéfalo. Exemplo: resposta patelar.
Ponte O mecanismo de resposta envolve apenas um
Bulbo Medula espinhal
neurônio sensitivo (aferente), a medula e um neurô-
nio motor (eferente). Por esse motivo, a resposta ao
z Tálamo: Reorganização dos estímulos nervosos e estímulo é mais rápida.
percepção sensorial (consciência);
z Hipotálamo: Regulador da homeostase corpo- z Meninges
ral, controle da temperatura e do apetite, balanço
hídrico e controle da hipófise e de outras glândulas; Tanto o encéfalo quanto a medula são protegidos
z Cerebelo: Responsável pelo equilíbrio do cor- por membranas denominadas meninges. Elas são des-
po, pelo tônus e vigor muscular, pela orientação critas como um conjunto de membranas que reveste e
espacial e pela coordenação dos movimentos. A protege o Sistema Nervoso Central (SNC).
ingestão de álcool afeta o cerebelo, prejudicando Essas membranas são classificadas como: dura-
a coordenação dos movimentos. É por esse motivo -máter (mais externa), aracnoide (intermediária) e
que uma pessoa bêbada fica tonta, com dificulda- pia-máter (mais interna). Além disso, é importante
des em manter o equilíbrio do corpo; lembrar que o espaço entre elas é preenchido por
z Tronco Encefálico: líquido cefalorraquidiano (ou líquor).
Vale notar que a meningite é uma infecção menin-
„ Mesencéfalo: Recepção e coordenação da con- gocócica causada por bactérias que se alojam no inte-
tração muscular e postura corporal; rior dessas membranas, podendo gerar inflamação ou
„ Ponte: Manutenção da postura corporal, equilí- até infecção generalizada.
brio do corpo e tônus muscular;
Sistema Nervoso Periférico (SNP)
„ Bulbo: Controle dos batimentos cardíacos, con-
trole dos movimentos respiratórios e controle z Nervos
da deglutição (engolir).
São fios finos formados por vários axônios de neurô-
nios envolvidos por tecido conjuntivo que transmitem
mensagens de várias partes do corpo para o Sistema
Nervoso Central ou destes para as regiões corporais.
124
Observe a seguir a classificação dos nervos, que pode ser feita quanto ao tipo de neurônio e quanto à posição
anatômica.
Quanto ao tipo de neurônio:

„ Sensitivos ou aferentes (contêm apenas neurônios sensoriais);


„ Motores ou eferentes (contêm apenas neurônios motores);
„ Mistos (contêm neurônios sensitivos e motores).

Quanto à posição anatômica:

„ Cranianos (ligados ao encéfalo): 12 pares;

I. OLFATIVO

II. ÓPTICO

III. Oculomotor

IV. TROCLEAR

V. TRIGÊMEO

VI. ABDUCENTE
VII. FACIAL
VIII. VESTÍBULO-COCLEAR
IX. GLOSSOFARÍNGEO
X. VAGO
XI. ESPINHAL ACESSÓRIO

XII. HIPOGLOSSO

TIPO DE
NERVO FUNÇÃO
NEURÔNIO

Olfativo Sensitivo Condução dos impulsos olfativos

Óptico Sensitivo Percepção através da visão, condução dos impulsos visuais

Oculomotor Motor Movimentação ocular e das pálpebras; controle da abertura da pupila

Troclear Motor Movimentação ocular

Parte sensitiva: Permite percepções da pele, da face e do couro cabeludo


Trigêmeo Misto Parte motora: Controla a movimentação de músculos associados à mandíbula

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


e à mastigação

Abducente Motor Movimentação ocular

Movimentação da face (permite expressão facial); percepção da gustação na


Facial Misto
parte anterior da língua

Auditivo ou Percepção da audição e do equilíbrio


Sensitivo
Vestíbulo-coclear

Percepção da gustação na parte anterior da língua; controle de glândulas


Glossofaríngeo Misto salivares (inervação da glândula parótida); movimentação dos músculos da
faringe e da laringe

Vago Misto Associado à inervação das vísceras

Espinhal acessório Motor Relacionado com a inervação dos músculos esqueléticos e com a
movimentação

Hipoglosso Motor Movimentação da língua da faringe e da laringe

„ Raquidianos ou espinhais (ligados à medula): 31 pares.

São nervos mistos que apresentam ramificações ao longo da medula. São os responsáveis pela inervação da
cabeça, do tronco e dos membros superiores. Esses 31 pares encontram-se divididos em 8 de nervos cervicais, 12
de nervos torácicos, 5 de nervos lombares, 5 de nervos sacrais e 1 de nervo coccígeo. Para facilitar o entendimen-
to, observe a figura a seguir. 125
as pupilas se dilatarão, a saliva será inibida, deixan-
do a boca seca, os batimentos cardíacos aumentarão,
a bexiga relaxará, adrenalina e noradrenalina serão
liberadas, entre outras consequências. Já o parassim-
pático, nessa situação, agirá tentando equilibrar o
organismo após a situação de estresse. Assim, atuará
contraindo as pupilas, estimulando a salivação, dimi-
nuindo a frequência dos batimentos cardíacos, con-
traindo a bexiga, levando à liberação de acetilcolina.

SISTEMA REPRODUTOR: SISTEMA


REPRODUTOR MASCULINO E SISTEMA
REPRODUTOR FEMININO
Ao falarmos em Sistema Reprodutor, a primeira
coisa que devemos mencionar é a diferença anatô-
Para nos aprofundarmos no assunto, observe a
mica e fisiológica apresentada por homens e mulhe-
seguir alguns conceitos e suas definições.
res. Afinal, esse sistema é responsável por garantir a
reprodução e, por isso, encontramos nele as estrutu-
z Gânglios Nervosos: Caracterizados como um aglo-
ras responsáveis pela produção dos gametas.
merado de corpos celulares de neurônios encon-
Essas estruturas que formam os gametas são cha-
trados fora do Sistema Nervoso Central;
madas de gônadas. A gônada masculina são os tes-
z Terminações Nervosas: Responsáveis por captar
tículos, enquanto a feminina são os ovários. Essas
estímulos do meio interno ou externo e levá-los
estruturas são bem diferentes, como podemos ver na
para o Sistema Nervoso Central. As terminações
figura a seguir:
nervosas são as receptoras para dor, tato, frio,
pressão, calor, paladar etc.;
z Sistema Nervoso Periférico Voluntário: Forma- Tuba uterina Útero Fundo Tuba uterina
do por nervos motores que conduzem impulsos
do Sistema Nervoso Central (SNC) à musculatura
estriada esquelética. É responsável por determi-
nar ações conscientes: andar, falar, abraçar, cor-
rer etc.;
z Sistema Nervoso Periférico Involuntário: Cons- Ovário Endométrio
tituído por nervos motores que conduzem impul- Fímbria
Miométrio
sos do Sistema Nervoso Central à musculatura lisa
de órgãos viscerais, músculos cardíacos e glân- Vagina
dulas. É responsável por realizar o controle da Colo do útero
digestão e dos sistemas cardiovascular, excretor e
endócrino.

Os nervos do SNP autônomo possuem dois tipos de


neurônios:
Ducto Bexiga
„ Pré-ganglionares (corpo celular dentro do Deferente
SNC); Vesicula
„ Pós-ganglionares (corpo celular dentro do Seminal
gânglio).
Próstrata

Além disso, o Sistema Nervoso Periférico Involun-


tário encontra-se dividido em duas partes: Simpático
Uretra
e Parassimpático. Vejamos:

„ Sistema Nervoso Simpático: Prepara o orga- Epidídimo


nismo para situações de estresse (instinto de
fuga ou luta);

z Sistema Nervoso Parassimpático: Responsável Testículo


por estimular atividades relaxantes (repouso).
Acompanhe a seguir em detalhes as características
Eles desenvolvem ações antagônicas no organis-
dos sistemas reprodutores masculino e feminino.
mo. Vamos exemplificar os dois Sistemas utilizando
uma mesma situação: resposta corporal perante um
assalto. Nesse caso, o Sistema Simpático agirá, prepa-
rando o organismo para lutar ou para fugir, ou seja,
126
Sistema Reprodutor Masculino Já como órgãos internos, as mulheres pos-
suem ovários, tuba uterina, útero e vagina.
O Sistema Reprodutor masculino é responsável
pela produção dos espermatozoides (tarefa especi- z Ovários: Descritos como gônadas femininas. Local
ficamente dos testículos). Antes, porém, precisamos onde são produzidos os ovócitos. É nos ovários
analisar outras estruturas que compõem este sistema, também que são produzidos os hormônios femi-
que se dividirão em externas e internas. ninos (estrogênio e progesterona). Cada mulher
As estruturas externas (visíveis na parte externa) apresenta dois ovários;
são o pênis e o saco escrotal. O pênis é o órgão associa- z Tuba Uterina: Dois tubos que se estendem dos
do à cópula (relação sexual). Durante a excitação, os ovários até o útero. Antigamente, eram chamados
corpos cavernosos são preenchidos com sangue, o que de “trompas de falópio”;
possibilita a ereção. Já o saco escrotal é a região na z Útero: Órgão muscular com formato de pera, no
qual se encontram os testículos. Ela apresenta tempe- qual o zigoto se instala e o bebê se desenvolve;
ratura um pouco mais baixa que o restante do corpo, z Vagina: Local onde o pênis se insere na hora da
o que ajuda a proteger os espermatozoides formados. cópula; é também o canal pelo qual o bebê sai na
Já as estruturas internas constituem-se em testículo, hora do parto.
epidídimo, canal deferente, canal ejaculatório e uretra.

z Testículo: Como mencionado, é a gônada mascu-


lina, na qual são formados os espermatozoides e HORA DE PRATICAR!
também onde é produzida a testosterona (hor-
mônio masculino). Esses gametas são produzidos 1. (FGV – 2016) A partir da observação de um trecho
mais precisamente em túbulos enrolados, conheci- de uma delgada fatia de cortiça vista ao microscópio
dos como túbulos seminíferos. Cada homem pos- óptico, um aluno de uma escola de ensino médio do
sui dois testículos; Município de São Paulo fez o desenho a seguir.
z Epidídimo: Localizado acima dos testículos, é
onde os espermatozoides completam sua matura-
ção e adquirem mobilidade;
z Ducto Deferente e Ejaculatório: Canal que parte
de cada epidídimo e encontra-se com o ducto da
vesícula seminal, formando os ductos ejaculató-
rios, os quais se abrem na uretra;
z Uretra: Estrutura comum ao sistema excretor e
reprodutor, o que significa que pela uretra saem o
sêmen e a urina. Percorre todo o pênis.
O professor abriu uma discussão com seus alunos
Além disso, os homens possuem glândulas ane- sobre o significado do que está indicado no desenho.
xas ao Sistema Reprodutor que atuam auxiliando na A turma deve chegar à conclusão de que 1 e 2 repre-
reprodução. Essas glândulas também são classificadas sentam, respectivamente:
como estruturas internas do organismo, e recebem o
nome de glândulas acessórias. São elas: vesícula a) Membrana celular e núcleo.
seminal, próstata e glândula bulbouretral. b) Membrana celular e bolha de ar.
c) Parede celular e núcleo.

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


z Vesículas Seminais: Associadas à formação do d) Parede celular e bolha de ar.
sêmen, produzem uma secreção composta por fru- e) Parede celular e vacúolo.
tose, o que garante energia para os espermatozoides;
z Próstata: Produz a substância que serve de 2. (FGV – 2016) O estudo da permeabilidade de duas subs-
nutriente para os espermatozoides; tâncias (1 e 2) através da membrana celular de uma célu-
z Glândulas Bulbouretrais: Produzem uma secre- la animal estão representadas nos gráficos a seguir.
ção que limpa a uretra antes da ejaculação.

Sistema Reprodutor Feminino

O Sistema Reprodutor Feminino também é com-


posto por estruturas externas e internas.
A estrutura externa resume-se na vulva, que é
constituída pelos grandes lábios, pequenos lábios
(protegem a entrada da vagina e da uretra) e pelo cli-
tóris. Assim como o pênis, o clitóris é formado por teci-
do erétil e, da mesma forma, recebe sangue durante a
excitação sexual. Por esse motivo, é considerado um
dos pontos mais sensíveis no corpo da mulher. Isso faz
todo o sentido quando pensamos em Embriologia, que
mostra que o pênis é como um clitóris desenvolvido.
Por isso, há semelhança funcional entre eles. E – Concentração no exterior | I – Concentração no interior

127
Assinale:

a) Se apenas a afirmativa I estiver correta.


b) Se apenas a afirmativa II estiver correta.
c) Se apenas a afirmativa III estiver correta.
d) Se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
e) Se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.

4. (FGV – 2012) Para saber a pressão osmótica do san-


gue, coloca-se uma gota de sangue em soluções com
diferentes concentrações de água e sal e após algum
tempo, observa-se o comportamento das hemácias.

E – Concentração no exterior | I – Concentração no interior


A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

Considerando que, no instante t, foi acrescentada uma a) Caso as hemácias fiquem murchas, a solução é
substância capaz de inibir a cadeia respiratória, é cor- hipotônica.
reto afirmar que, antes da aplicação do inibidor: b) Caso as hemácias fiquem murchas, a solução é
hipertônica.
c) Caso as hemácias fiquem inchadas, a solução é
a) Ambas as substâncias são transportadas ativamente
hipertônica.
através da membrana.
d) Caso as hemácias fiquem ligeiramente inchadas, a
b) Ambas as substâncias são transportadas passiva-
solução é isotônica.
mente através da membrana.
e) Caso as hemácias fiquem rompidas, a solução é
c) A substância 1 é transportada ativamente e a 2
hipertônica.
passivamente.
d) A substância 1 é transportada passivamente e a 2
ativamente. 5. (FGV – 2013) Metaforicamente falando, se uma célu-
e) Os dados dos gráficos não permitem distinguir trans- la eucariótica fosse representada como um castelo,
porte ativo de passivo. suas proteínas seriam:

3. (FGV – 2016) Células animais retiradas de um mesmo a) As paredes e muros, pois as proteínas constituem a
local foram colocadas em soluções de diferentes con- maioria das membranas celulares.
centrações de oxigênio, de modo que todos os demais b) As carruagens e carroças, pois as proteínas são
fatores se mantivessem constantes. Em seguida, foi necessárias apenas para o transporte.
medido o fluxo de absorção do íon potássio (K+) atra- c) As lareiras e fornos, pois as proteínas são a maior fon-
vés da membrana das células observadas. te de energia química da célula.
d) A biblioteca, porque as proteínas armazenam toda a
informação do indivíduo e funcionam como moldes de
Os resultados estão na tabela a seguir.
informações que são passadas a futuras gerações.
e) As pessoas, pois as proteínas orquestram, controlam
CONCENTRAÇÃO DE O2 TAXA DE ABSORÇÃO e executam uma série de eventos como sinalização,
(%) DE K+ (UNID/MIN) morte, formato, manutenção, proteção etc.

0 2 6. (FGV – 2016) O professor de Biologia mostrou aos


alunos as figuras a seguir, que representam duas mito-
1 24 côndrias (1 e 2) de modo simplificado e, aproximada-
mente, na mesma escala.
2 42

3 58

4 65

5 65

Com relação aos dados fornecidos pela tabela, analise Ele informou aos alunos que uma delas correspondia
as afirmativas a seguir. à mitocôndria de células da pele e a outra, à de células
de um músculo estriado.
I. A absorção de K+ é sempre feita por transporte ativo, Após diversas discussões intermediadas pelo profes-
em qualquer concentração de O2. sor, os alunos concluíram que a mitocôndria prove-
II. A partir de 4% de O2, a absorção de K+ parou. niente das células musculares correspondia:
III. A célula não consegue absorver mais que 65 unidades
de K+/minuto. a) À figura 1, uma vez que, sendo menor e com mais cris-
tas, apresenta maior absorção de glicose e oxigênio.
b) À figura 1, uma vez que, tendo mais cristas, apresenta
maior produção de ATP.
128
c) À figura 1, uma vez que, sendo menor e com mais cris- 9. (FGV – 2019) Assinale a opção que indica as estrutu-
tas, apresenta maior superfície de contato com a acti- ras que impedem o refluxo de sangue para os ventrícu-
na e a miosina. los do coração.
d) À figura 2, uma vez que, sendo maior e com menos
cristas, pode produzir maior quantidade de ATP. a) As válvulas das veias cavas.
e) À figura 2, uma vez que, sendo maior e com mais cris- b) O septo que separa os átrios.
tas, consome menos energia para produzir ATP. c) As valvas atrioventriculares.
d) As valvas semilunares.
7. (FGV – 2012) A decomposição dos tecidos cadavéri- e) O septo que separa os ventrículos.
cos se dá, inicialmente, devido:
10. (FGV – 2016) A figura a seguir representa um cora-
a) À ação de bactérias existentes nas partes mais inter- ção humano no qual as veias cavas foram represen-
nas do organismo. tadas como um único vaso, assim como as veias
b) À ação de larvas depositadas por insetos atraídos por pulmonares.
odores provenientes do cadáver.
c) À ação de decomposição feita por fungos e bactérias
depositados por insetos.
d) Às secreções feitas pelos golgiossomos das células
de glândulas endócrinas.
e) À ruptura da membrana de lisossomos e liberação de
enzimas digestivas.

8. (FGV – 2016) Para que os alunos verificassem se


os insetos respiram, o professor dispunha de quatro
tubos de ensaio organizados, como o do esquema a
seguir.

Considerando as regiões indicadas por algarismos,


assinale a afirmativa correta.

a) O sangue chega ao coração através de 2 e 3.


b) O sangue em 1 é arterial e em 4 é venoso.
c) O sangue em 5 é venoso e em 8 é arterial.
d) O sangue é venoso em 5 e 7.
e) 1 representa veia e 4 representa artéria.

11. (FGV – 2013) O gráfico a seguir mostra a variação da


pressão sanguínea e da velocidade do sangue ao lon-
O professor dispunha, ainda, de dois indicadores: solu- go do sistema circulatório humano, cujas regiões, em
ção de bromotimol esverdeada (fica amarelada em relação ao coração, estão representadas no eixo das
meio ácido e azulada em meio alcalino) e água de cal abscissas.
incolor (fica esbranquiçada ao contato com CO2).

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


Foram feitos quatro tipos de montagens, como mos-
trado na tabela a seguir:

TUBOS INSETOS INDICADOR

1 Sim Bromotimol 2mL

2 Não Bromotimol 2mL

3 Sim Água de cal 2mL

4 Não Água de cal 2mL

O experimento capaz de mostrar, com segurança, se


os insetos respiram ou não, deveria usar: As curvas 1, 2 e 3 correspondem, respectivamente,

a) O tubo 3, apenas. a) À pressão sistólica, à pressão diastólica e à velocida-


b) Os tubos 3 e 4, apenas. de do sangue.
c) Os tubos 1 e 3, apenas. b) À pressão diastólica, à pressão sistólica e à velocida-
d) Os tubos 1, 3 e 4, apenas. de do sangue
e) Os tubos 1, 2, 3 e 4. c) À pressão sistólica, à velocidade do sangue e à pres-
são diastólica
d) À velocidade do sangue, à pressão sistólica e à pres-
são diastólica.
129
e) À velocidade do sangue, à pressão diastólica e à pres- d) Nas propostas II e III, apenas.
são sistólica. e) Nas três propostas.

12. (FGV – 2012) “Os primeiros médicos gregos come- 15. (FGV – 2019) Uma professora estava iniciando o estu-
teram um erro, ao considerar as veias como os úni- do dos vertebrados com seus alunos. Para isso, per-
cos vasos sanguíneos. O fato de as artérias estarem guntou se eles sabiam a característica que determina
vazias nos cadáveres levou os a pensar que se tratava que animais pertencem ou não a este grupo.
de vasos condutores de ar (em grego, a palavra “arté-
ria” significa “conduto de ar”)”. Um aluno levantou a mão e respondeu, corretamente,
que era a presença de:
(Isaac Asimov – Breve História da Biologia.)
a) Esqueleto.
O relato acima se deve ao fato de as artérias: b) Ossos.
c) Glândulas mamárias.
a) Seguirem o sentido dos tecidos para o coração. d) Coluna vertebral.
b) Apresentarem válvulas internas que impedem o retor- e) Postura ereta.
no do sangue.
c) Apresentarem paredes elásticas que ajudam a bom- 16. (FGV – 2016) A microfotografia a seguir representa
bear o sangue. uma seção de um músculo estriado, seguida de um
d) Estarem ligadas a extensa rede de capilares. esquema indicativo das seções visíveis na foto.
e) Conduzirem o sangue dos pulmões ao coração.

13. (FGV – 2016) A digestão é um processo complexo que


se inicia na boca e continua ao longo de praticamente
todo o tubo digestório. Com relação às ações diges-
tivas que ocorrem na boca, analise as afirmativas a
seguir.

I. Os dentes partem moléculas alimentícias, transfor-


mando-as em moléculas menores.
II. A saliva transforma moléculas de amido em açúcares
menores.
III. A saliva inicia a digestão de proteínas a ser continua-
da em outras regiões do tubo digestório.

Está correto o que se afirma em


Durante a contração do muscular, é correto afirmar
a) I, apenas. que:
b) II, apenas.
c) III, apenas. a) As duas linhas Z se aproximam e a banda H desapa-
d) I e II, apenas. rece, devido ao deslizamento das moléculas de actina
e) II e III, apenas. entre as de miosina.
b) As duas linhas Z se aproximam, ao mesmo tempo que
14. (FGV – 2016) Para demonstrar a digestão do amido a banda A encolhe.
pela saliva, o professor sugeriu um experimento com c) As moléculas de actina (banda I) encolhem, forçando
dois tubos de ensaio preparados com o seguinte a aproximação das duas linhas Z.
conteúdo: d) As moléculas de actina se ligam às de miosina e
ambas encolhem, aproximando as duas linhas Z, até
Tubo 1: 2 mL de solução de amido e 2 mL de saliva. o desaparecimento da banda H.
Tubo 2: 2 mL de solução de amido. e) A linha M atrai as moléculas de actina fazendo a ban-
da H desaparecer, reduzindo o espaço entre as duas
Após 10 minutos, uma gota de iodo diluído foi adicio- linhas Z.
nada a cada tubo. Depois de muita discussão, a tur-
ma chegou à conclusão de que o experimento estava 17. (FGV – 2016) A oferta de contraceptivos facilitou o
incompleto e que, para melhorá-lo, seria necessário: controle da natalidade e a proteção contra doenças
sexualmente transmissíveis (DST).
I. Substituir o tubo 2 por outro igual, porém com mais 2 Com relação aos tipos de contraceptivos que dificul-
mL de água. tam a transmissão de doenças sexualmente transmis-
II. Acrescentar um tubo 3, contendo 4 mL de água. síveis, assinale a afirmativa correta.
III. Acrescentar um tubo 4, com 2 mL de saliva mais 2 mL
de água. a) Os preservativos masculinos que oferecem proteção
contra vírus e bactérias.
Para resultados mais seguros seria necessário modifi- b) O dispositivo intrauterino (DIU) que reduz significativa-
car o experimento conforme indicado mente a instalação de agentes infecciosos.
c) Os géis vaginais com espermicidas que defendem as
a) Na proposta I, apenas. paredes mucosas contra a instalação de vírus.
b) Nas propostas I e II, apenas. d) As pílulas anticoncepcionais que modificam a compo-
130 c) Nas propostas I e III, apenas. sição dos fluidos vaginais, impedindo a contaminação.
e) A pílula do dia seguinte que é capaz de destruir qual- a) Apenas um saco plástico com ar expirado.
quer tipo de agente infeccioso. b) Apenas dois sacos plásticos: um com ar expirado e
outro com gás carbônico.
18. (FGV – 2019) Observe a imagem: c) Três sacos plásticos: um com ar expirado, outro com
ar ambiente e outro com gás carbônico.
d) Apenas um saco plástico com ar ambiente.
e) Apenas dois sacos plásticos: um com ar expirado e
outro com ar ambiente.

9 GABARITO

1 D

2 D

3 C

Assinale a opção que indica o número de um músculo 4 B


com importante papel na respiração. 5 E
a) 1, que atua em conjunto com a traqueia. 6 B
b) 2, que atua em conjunto com os intercostais.
c) 3, que atua em conjunto com o diafragma. 7 E
d) 4, que atua em conjunto com o diafragma. 8 B
e) 5, que atua em conjunto com os intercostais.
9 D
19. (FGV – 2016) Observe a figura a seguir, que representa
parte do corpo humano. 10 C

11 A

12 C

13 B

14 E

15 D

16 A

17 A

18 E

19 E

NOÇÕES BÁSICAS DE BIOLOGIA E ANATOMIA HUMANA


20 C
Os movimentos respiratórios da inspiração dependem
de diversos eventos.

Assinale a opção que indica um desses eventos. ANOTAÇÕES


a) O relaxamento dos músculos da parede do estômago.
b) O relaxamento dos músculos da parede do pulmão.
c) O relaxamento do diafragma.
d) A contração dos músculos da parede do fígado.
e) A contração do diafragma.

20. (FGV – 2016) Em uma aula de Ciências, um aluno


fez o seguinte questionamento: Todos falam que o ar
expirado tem mais gás carbônico que o inspirado, mas
como podemos ter certeza?
O professor explicou que, agitando água de cal incolor
no ar contido no interior de sacos plásticos, é possível
demonstrar a presença de gás carbônico.
Considerando a utilização de sacos plásticos do mes-
mo tamanho, com 5 mL de água de cal incolor, assina-
le a opção que indica o melhor experimento capaz de
permitir que os alunos verificassem se o ar expirado
contém mais ou menos gás carbônico que o inspirado.
131
ANOTAÇÕES

132
z Comunhão dos meios de prova: Significa não
apenas que as partes e o juiz podem levar provas
aos autos, como também que a prova, uma vez
autuada, aproveita a todos.
z Provas do inquérito: As provas do inquérito
NOÇÕES DE PROVA NO valem para o convencimento, desde que repetidas
em juízo e se encontrem em harmonia com as cole-
PROCESSO PENAL tadas durante a instrução processual. Podem ser
úteis tanto à acusação quanto também à defesa. Se
confirmadas pela instrução processual, favorecem
à acusação. Já se em contradição e desarmonia,
contribuem para a declaração de inocência.
DA PROVA
Perícias e documentos produzidos na fase inqui-
DISPOSIÇÕES GERAIS sitorial são revestidos de eficácia probatória sem a
necessidade de serem repetidos no curso da ação
No processo, através das provas, é possível compro- penal por se sujeitarem ao contraditório diferido. Fon-
var a existência da verdade de um fato, que influencia te: Jurisprudência em teses (STJ). Fonte: Jurisprudên-
diretamente no momento de convencer o julgador. cia em teses (STJ).
Serão discutidos os possíveis meios de provas e
como o julgador avaliará cada uma, observando os Art. 155 Parágrafo único: Somente quanto ao esta-
tipos de valoração dessas provas. do das pessoas serão observadas as restrições esta-
Serão abordados os principais princípios que belecidas na lei civil
estão diretamente ligados às provas apresentadas no
processo penal, buscando demonstrar a importância z Liberdade probatória: A liberdade probatória
delas para identificação da verdade e da justiça que é não é absoluta. Sofre limites quanto ao estado
o principal objetivo do processo. das pessoas em que vale a lei civil. As provas não
podem ser obtidas por meios ilícitos.
DAS PROVAS NO PROCESSO PENAL
Art. 156 A prova da alegação incumbirá a quem a
A prova é o ato que busca comprovar a veracidade fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
dos fatos, e também, reconstruir um fato passado afim I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal,
de instruir o julgador. Dessa forma, será comprovada a produção antecipada de provas consideradas
a autenticidade dos fatos. urgentes e relevantes, observando a necessidade,
O autor Lopes Jr. (2017, p. 344) informa que o pro- adequação e proporcionalidade da medida;
cesso penal e a prova integram os modos de constru- II – determinar, no curso da instrução, ou antes de
ção do convencimento do julgador que influenciará proferir sentença, a realização de diligências para
na sua convicção e legitimará a sentença. dirimir dúvida sobre ponto relevante
A prova geralmente é produzida na fase judicial,
pois permite a manifestação da outra parte, respei- Ônus da Prova e In Dubio Pro Reo
tando assim, o princípio do contraditório e da ampla
defesa, direito de ser julgado de acordo com as provas Inicialmente, cabe ressaltar que os certames públi-
produzidas, em contraditório e diante de um juiz com- cos usualmente se atrelam à literalidade da Lei, sendo
petente, com todas as garantias.
assim, é indiscutível que o candidato tenha o conheci-
O art. 155, do Código de Processo Penal, preceitua
mento do art. 156 do Código de Processo Penal. Ade-
no mesmo sentido, informando que o juiz formará sua
convicção pelas provas produzidas em contraditório mais, para elucidar os conceitos por trás do artigo, é
judicial, não podendo fundamentar exclusivamente necessário que seja estabelecido os conceitos de ônus
nos elementos da investigação. Isso porque as provas da prova e in dubio pro reo.

NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL


produzidas nessa fase não possibilitaram o contra-
ditório da outra parte, assim, poderão ser utilizadas z Ônus da prova é do Ministério Público (MP): O
aquelas provas cautelares, as que não são repetíveis MP, ao oferecer a peça inicial acusatória, descreve
e as antecipadas. um fato típico, imputando a autoria ao denuncia-
Os atos de investigação são realizados na inves- do, e pede sua condenação a uma pena. Ao reque-
tigação preliminar, no qual há uma hipótese para rer a aplicação da pena, está alegando na denúncia
formação de um juízo de probabilidade, e não de con- a prática de um crime (fato típico, antijurídico e
vicção, de como são designadas as provas. culpável), ou seja, está a alegar a presença da tipi-
cidade e a ausência de qualquer causa excludente
Art. 155 O juiz formará sua convicção pela livre de antijuridicidade e de culpabilidade. Por conse-
apreciação da prova produzida em contraditório quência, o ônus de provar prática de delito é do
judicial, não podendo fundamentar sua decisão MP. Ele deve, no curso da ação penal, demonstrar
exclusivamente nos elementos informativos colhi-
não apenas a autoria e a tipicidade, deve provar
dos na investigação, ressalvadas as provas caute-
lares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada também a inocorrência de causas excludentes da
pela Lei nº 11.690, de 2008) antijuridicidade e da culpabilidade.

z Objeto da prova: Não é apenas a hipótese delitiva O acusado não tem obrigação de comprovar
contida na denúncia que é objeto da prova, mas o que quer que seja, embora possa e deva contri-
toda tese relevante para a aplicação da lei penal, buir para a demonstração de sua inocência. Esse é o
que surgir no curso do processo, e suas circunstân- real significado da norma esculpida no caput dessa
cias, sejam elas favorável à defesa ou à acusação. disposição. 133
Ao imputar a prática de delito de homicídio, por Conceito de Prova Ilícita
exemplo, é asseverado na denúncia, embora implicita-
mente, que o fato não foi praticado em legítima defesa. A prova ilícita é aquela produzida com violação de
Caso ela venha a ser confirmada como tese de defe- normas constitucionais ou legais. Nem sempre, mas
sa, caberá à acusação comprovar sua inocorrência. normalmente é produzida em violação de normas
A defesa pode e deve contribuir para essa prova, mas penais. Aliás, pode se dizer que essa é uma caracte-
não tem o ônus. Percebe-se que o réu é inocente. Possui rística da prova ilícita, normalmente ela constitui
assim, uma situação jurídica de inocência. crime. A interceptação de comunicações telefônicas,
de informática ou telemática constitui crime tipifi-
z In dubio pro reo: Como frisado anteriormente, o cado no artigo 10 da Lei nº 9.296, de 1996. Os delitos
réu é inocente a inocência do réu não precisa ser de violação de correspondência, telegráfica e radioe-
construída, mas, ao contrário, desconstituída pelo létrica encontram-se previstos no artigo 151 do CP. A
MP. Essa interpretação é consequência da significa- obtenção de depoimento mediante coação configura
ção do processo como garantia do indivíduo, da pre- delito de abuso de autoridade. A violação de domicílio
sunção de inocência, do princípio in dubio pro reo. constitui crime do artigo 250 do CP. A violação de sigi-
A dúvida sempre favorecerá o acusado, no que diz lo bancário está prevista na Lei Complementar nº 105,
respeito à prática da hipótese delitiva. Em delito de de 2001. Como dissemos, embora comumente a pro-
homicídio, se o acusado alegar, sem provar, legítima va ilícita seja delito (o que já em muito contribui para
defesa, compete ao MP demonstrar que a conduta do diferenciá-la da nulidade), nem sempre o é. Damos
réu não se deu sob o manto dessa excludente de anti- exemplo de prova ilícita que não constitui delito: a
juridicidade. Restando a dúvida quanto a ter ou não gravação ambiental em alguns casos.
o acusado agido em legítima defesa, a decisão há de Perceba que o § 1º do art. 157, dita duas exceções
ser a de absolvição, pois que sua situação jurídica de quanto a possibilidade de se utilizar a prova derivada
inocência não foi eficazmente desconstituída. das ilícitas, sendo: quando a prova derivada não pos-
suir nexo de causalidade com a prova ilícita, quando
Art. 157 São inadmissíveis, devendo ser desen- a prova derivada puder ser obtida de forma indepen-
tranhadas do processo, as provas ilícitas, assim dente da ilícita.
entendidas as obtidas em violação a normas
constitucionais ou legais. Art. 158 Quando a infração deixar vestígios, será
§ 1º São também inadmissíveis as provas deriva- indispensável o exame de corpo de delito, dire-
das das ilícitas, salvo quando não evidencia- to ou indireto, não podendo supri-lo a confis-
do o nexo de causalidade entre umas e outras, são do acusado. (Redação dada pela Lei nº 11.690,
ou quando as derivadas puderem ser obtidas de 2008).
por uma fonte independente das primeiras. Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que exame de corpo de delito quando se tratar de crime
por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, que envolva:(Incluído dada pela Lei nº 13.721, de 2018
próprios da investigação ou instrução criminal, seria I – violência doméstica e familiar contra mulher;
capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (Incluído dada pela Lei nº 13.721, de 2018)
§ 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova II – violência contra criança, adolescente, idoso ou
declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão pessoa com deficiência. (Incluído dada pela Lei nº
judicial, facultado às partes acompanhar o incidente. 13.721, de 2018)
§ 4º (VETADO)
§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova decla-
Trata-se de um tema muito cobrado em provas,
rada inadmissível não poderá proferir a sentença ou
acórdão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) portanto muita atenção! O caput do art. 158 dita que,
quando a infração deixar vestígios é indispensável o
exame de corpo de delito seja direto ou indireto. A
Garantia e Fundamento Constitucionais
confissão não é capaz de suprir a falta do exame de
corpo delito. Lembre-se: sempre que a infração deixar
z Garantia constitucional: É a seguinte redação do vestígios será necessário o exame de corpo de delito.
inciso LVI, artigo 5º, da CF: “São inadmissíveis, no O exame de corpo de delito terá prioridade na sua
processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. realização, quando se tratar de: violência doméstica
z Fundamento constitucional: O fundamento da e familiar contra a mulher; violência contra criança,
proibição da prova ilícita está ancorado no artigo adolescente, idoso ou pessoa com deficiência.
5º, inciso X, da CF: “São invioláveis a intimidade, a Para compreender um pouco mais, veja as defini-
vida privada, a honra e a imagem das pessoas (…)” ções a seguir:

z Infração que deixa vestígios: Algumas infrações


Importante! penais deixam vestígios (lesões corporais, por
Jurisprudência exemplo). Outras, não (calúnia feita oralmente e
Ministro Joel Ilan Pacionrnik, flagrante e pro- não registrada por nenhum método de gravação).
Quando ela deixa vestígios, o exame de corpo de
va ilícita: Trata-se de decisão valiosa, contendo
delito, direto ou indireto, é indispensável, sendo
diversas lições a propósito de prova. Da ementa, que a confissão do acusado não supre a falta. O
lê-se que “o Tribunal de origem considerou que, exame do corpo de delito é uma perícia. Podem ser
embora nada de ilícito houvesse sido encontra- realizadas outras perícias durante o inquérito ou
do em poder do acusado, a prova da traficância no curso do processo. Mas o exame do corpo de
foi obtida em flagrante violação ao direito cons- delito é obrigatório, pois que objetiva comprovar a
titucional à não autoincriminação, uma vez que materialidade do delito. Tamanha sua importância
aquele foi compelido a reproduzir, contra si, con- que sua falta importa nulidade do processo (inciso
versa travada com terceira pessoa pelo sistema III, letra “b”, art. 564).
viva-voz do celular, que conduziu os policiais à z Vestígios: Vestígios têm por sinônimos pegadas, pis-
sua residência e culminou com a arrecadação de tas, rastros, restos, indícios, sinais. Dizem respeito
todo material estupefaciente em questão” (Joel principalmente à materialidade. Mas não só a ela.
134 Ilan Pacionrnik – STJ – REsp 1630097). Tendo relação com o fato investigado, é vestígio.
z Finalidade do exame do corpo de delito: A prin- VII – recebimento: ato formal de transferência da
cipal finalidade do exame do corpo de delito é a de posse do vestígio, que deve ser documentado com,
provar a ocorrência do fato tido por delituoso. no mínimo, informações referentes ao número de
z Obrigações da autoridade policial: Dispõe os procedimento e unidade de polícia judiciária rela-
incisos I, II e VII, do art. 6°, que “logo que tiver cionada, local de origem, nome de quem transpor-
conhecimento da prática da infração penal, a tou o vestígio, código de rastreamento, natureza
autoridade policial deverá dirigir-se ao local, pro- do exame, tipo do vestígio, protocolo, assinatura e
videnciando para que não se alterem o estado e identificação de quem o recebeu; (Incluído pela Lei
conservação das coisas, até a chegada dos peri- nº 13.964, de 2019) (Vigência)
tos criminais; – apreender os objetos que tiverem VIII – processamento: exame pericial em si, mani-
relação com o fato, após liberados pelos peritos cri- pulação do vestígio de acordo com a metodologia
minais; – determinar, se for caso, que se proceda adequada às suas características biológicas, físicas e
a exame de corpo de delito e a quaisquer outras químicas, a fim de se obter o resultado desejado, que
deverá ser formalizado em laudo produzido por peri-
perícias”
to; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
IX – armazenamento: procedimento referente à
Cadeia de custódia guarda, em condições adequadas, do material a ser
processado, guardado para realização de contrape-
Art. 158-A Considera-se cadeia de custódia o con- rícia, descartado ou transportado, com vinculação
junto de todos os procedimentos utilizados para ao número do laudo correspondente; (Incluído pela
manter e documentar a história cronológica do ves- Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
tígio coletado em locais ou em vítimas de crimes,
X – descarte: procedimento referente à liberação
para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu
do vestígio, respeitando a legislação vigente e,
reconhecimento até o descarte.
quando pertinente, mediante autorização judicial.
§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a pre-
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
servação do local de crime ou com procedimentos
Art. 158-C A coleta dos vestígios deverá ser realiza-
policiais ou periciais nos quais seja detectada a exis-
tência de vestígio. (Incluído pela Lei nº 13.964, de da preferencialmente por perito oficial, que dará o
2019) (Vigência) encaminhamento necessário para a central de cus-
§ 2º O agente público que reconhecer um elemen- tódia, mesmo quando for necessária a realização
to como de potencial interesse para a produção da de exames complementares. (Incluído pela Lei nº
prova pericial fica responsável por sua preservação. 13.964, de 2019)
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) § 1º Todos vestígios coletados no decurso do inqué-
§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível rito ou processo devem ser tratados como descrito
ou latente, constatado ou recolhido, que se relacio- nesta Lei, ficando órgão central de perícia oficial
na à infração penal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de de natureza criminal responsável por detalhar a
2019) (Vigência) forma do seu cumprimento. (Incluído pela Lei nº
158-B A cadeia de custódia compreende o rastrea- 13.964, de 2019)
mento do vestígio nas seguintes etapas: (Incluído § 2º É proibida a entrada em locais isolados bem
pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) como a remoção de quaisquer vestígios de locais de
I – reconhecimento: ato de distinguir um elemen- crime antes da liberação por parte do perito respon-
to como de potencial interesse para a produção sável, sendo tipificada como fraude processual a sua
da prova pericial; (Incluído pela Lei nº 13.964, de realização. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
2019) (Vigência) Art. 158-D O recipiente para acondicionamento do
II – isolamento: ato de evitar que se altere o esta- vestígio será determinado pela natureza do mate-
do das coisas, devendo isolar e preservar o ambien- rial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
te imediato, mediato e relacionado aos vestígios § 1º Todos os recipientes deverão ser selados com
e local de crime; (Incluído pela Lei nº 13.964, de lacres, com numeração individualizada, de forma
2019) (Vigência) a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do ves-
III – fixação: descrição detalhada do vestígio con- tígio durante o transporte. (Incluído pela Lei nº
forme se encontra no local de crime ou no corpo de 13.964, de 2019)
delito, e a sua posição na área de exames, poden- § 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio,

NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL


do ser ilustrada por fotografias, filmagens ou cro- preservar suas características, impedir contamina-
qui, sendo indispensável a sua descrição no laudo ção e vazamento, ter grau de resistência adequado
pericial produzido pelo perito responsável pelo e espaço para registro de informações sobre seu
atendimento; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
conteúdo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
(Vigência)
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que
IV – coleta: ato de recolher o vestígio que será sub-
vai proceder à análise e, motivadamente, por pessoa
metido à análise pericial, respeitando suas caracte-
autorizada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
rísticas e natureza; (Incluído pela Lei nº 13.964, de
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer
2019) (Vigência)
V – acondicionamento: procedimento por meio constar na ficha de acompanhamento de vestígio o
do qual cada vestígio coletado é embalado de forma nome e a matrícula do responsável, a data, o local,
individualizada, de acordo com suas características a finalidade, bem como as informações referen-
físicas, químicas e biológicas, para posterior aná- tes ao novo lacre utilizado. (Incluído pela Lei nº
lise, com anotação da data, hora e nome de quem 13.964, de 2019)
realizou a coleta e o acondicionamento; (Incluído § 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no
pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) interior do novo recipiente. (Incluído pela Lei nº
VI – transporte: ato de transferir o vestígio de um 13.964, de 2019)
local para o outro, utilizando as condições ade- Art. 158-E Todos os Institutos de Criminalística
quadas (embalagens, veículos, temperatura, entre deverão ter uma central de custódia destinada à
outras), de modo a garantir a manutenção de suas guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve
características originais, bem como o controle de ser vinculada diretamente ao órgão central de perí-
sua posse; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) cia oficial de natureza criminal. (Incluído pela Lei
(Vigência) nº 13.964, de 2019) 135
§ 1º Toda central de custódia deve possuir os ser- z Consequências da quebra da cadeia da prova:
viços de protocolo, com local para conferência, Presente a quebra da cadeia da prova, qual a con-
recepção, devolução de materiais e documentos, sequência? Depende. A primeira consequência
possibilitando a seleção, a classificação e a distri-
buição de materiais, devendo ser um espaço seguro
é a perda do valor probatório do acervo indiciá-
e apresentar condições ambientais que não interfi- rio. Perda de valor probatório não significa que
ram nas características do vestígio. (Incluído pela a prova valha nada. Significa apenas redução do
Lei nº 13.964, de 2019) valor da prova. Essa redução vai de zero a dez.
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de ves- Depende das circunstâncias do caso concreto. A
tígio deverão ser protocoladas, consignando-se infor- segunda, mais drástica, é quando há indícios sufi-
mações sobre a ocorrência no inquérito que a eles se
cientes (materiais ou imateriais e por dedução ou
relacionam. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestí- indução) autorizadores do convencimento de que
gio armazenado deverão ser identificadas e deverão foi feito uso de meios ilícitos para a obtenção de
ser registradas a data e a hora do acesso. (Incluído provas. Neste caso, a consequência é reconhecer a
pela Lei nº 13.964, de 2019) nulidade de todas as provas resultantes da prova
§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio arma- faltante (da prova ilícita). Feito isso, restará o exa-
zenado, todas as ações deverão ser registradas,
me se o que sobrou da investigação ainda configu-
consignando-se a identificação do responsável pela
tramitação, a destinação, a data e horário da ação. ra, ou não, justa causa para a ação. Abatida a justa
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) causa, a ação, se proposta, deve ser extinta.
Art. 158-F Após a realização da perícia, o material deve-
rá ser devolvido à central de custódia, devendo nela per- Art. 159 O exame de corpo de delito e outras perí-
manecer. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) cias serão realizados por perito oficial, por-
Parágrafo único. Caso a central de custódia não pos- tador de diploma de curso superior. (Redação
sua espaço ou condições de armazenar determinado dada pela Lei nº 11.690, de 2008).
material, deverá a autoridade policial ou judiciária
§ 1o Na falta de perito oficial, o exame será reali-
determinar as condições de depósito do referido
zado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras
material em local diverso, mediante requerimento
do diretor do órgão central de perícia oficial de natu- de diploma de curso superior preferencial-
reza criminal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) mente na área específica, dentre as que tive-
rem habilitação técnica relacionada com a
CADEIA DE CUSTÓDIA DA PROVA, SUA QUEBRA E natureza do exame. (Redação dada pela Lei nº
CONSEQUÊNCIA 11.690, de 2008)
§ 2o Os peritos não oficiais prestarão o compro-
z A cadeia de custódia da prova: Cadeia de custó- misso de bem e fielmente desempenhar o encar-
dia da prova é a lógica da sucessão de obtenção go. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
das provas e indícios do delito e sua autoria. É o § 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao
encadeamento das provas, desde as primeiras assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante
até as últimas. Se, examinando as provas de uma e ao acusado a formulação de quesitos e indica-
investigação, não é possível reconhecer o que deu ção de assistente técnico. (Incluído pela Lei nº
origem a que, ou seja, não é possível entender qual 11.690, de 2008).
a sucessão lógica de colheita de provas que con- § 4o O assistente técnico atuará a partir de
duziu à solução do delito, há quebra da cadeia de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos
custódia. A investigação, com essa ruptura lógica, exames e elaboração do laudo pelos peritos
perde sua confiabilidade. oficiais, sendo as partes intimadas desta deci-
z Cadeia de custódia de vestígios: Vestígio, do latim, são. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
vestigium, significa planta do pé, pegada. São as § 5o Durante o curso do processo judicial, é permi-
marcas ou registros do ato que permanecem para tido às partes, quanto à perícia: (Incluído pela Lei
o futuro. Documentos, objetos, instrumentos, cor- nº 11.690, de 2008).
po do delito, fotografias, filmagens, gravações de I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem
áudio, material biológico, tudo isso pode constituir a prova ou para responderem a quesitos, desde que
vestígios de delito. O art. 158-A não trata da cadeia o mandado de intimação e os quesitos ou questões
de prova, apenas regula parte dela, a cadeia dos a serem esclarecidas sejam encaminhados com
vestígios materiais. Considera-se cadeia de custódia antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo
(o dispositivo não se utiliza da expressão cadeia de apresentar as respostas em laudo complementar;
prova, pois cadeia de prova é mais do que cadeia de (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008).
custódia) o conjunto de todos os procedimentos utili-
II – indicar assistentes técnicos que poderão apre-
zados para manter e documentar a história cronoló-
sentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou
gica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de
ser inquiridos em audiência. (Incluído pela Lei nº
crimes. Define, no parágrafo 3º, vestígio como todo
11.690, de 2008).
objeto ou material bruto, visível ou latente, constata-
do ou recolhido. Assim, a cadeia de custódia tratada § 6o Havendo requerimento das partes, o material
no presente dispositivo é espécie da qual é gênero a probatório que serviu de base à perícia será dispo-
cadeia de prova. O dispositivo e os demais sucessivos nibilizado no ambiente do órgão oficial, que man-
regulam, basicamente, a coleta e o armazenamento terá sempre sua guarda, e na presença de perito
dos vestígios. A cadeia de prova diz respeito a todos oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for
os indícios e provas, inclusive os vestígios. O teste- impossível a sua conservação.(Incluído pela Lei nº
munho, o reconhecimento, a confissão, as medidas 11.690, de 2008).
invasivas e de interceptação, a infiltração de policial, § 7o Tratando-se de perícia complexa que abranja
o conteúdo da interceptação, os documentos, as perí- mais de uma área de conhecimento especializado,
cias, entre outros atos e fatos, fazem parte da cadeia poder-se-á designar a atuação de mais de um
de prova. A cadeia é a sequência, o encadeamento perito oficial, e a parte indicar mais de um
136 dessas provas e indícios. assistente técnico.
Tratando-se de perícia complexa,
Um perito oficial, portador de
pode designar mais de um perito
diploma de curso superior
oficial para atuar

Exame de corpo de delito e Curso superior preferencialmente


outras perícias na área específica

Peritos não oficiais:


Curso superior preferencialmente
2 pessoas inidôneas, portadora de na área específica
diploma de curso superior

Prestarão compromisso de bem e


fielmente desempenhar o encargo

Formalidades do Exame

z Perito oficial: É aquele investido no cargo por força de Lei e não por simples nomeação do juiz.
z Revogação parcial da Súmula 361 do STF: Diz referida Súmula que no processo penal, é nulo o exame rea-
lizado por um só perito, considerando-se impedido o que tiver funcionado anteriormente na diligência de
apreensão (vide jurisprudência posterior à publicação da Súmula). Essa Súmula só tem validade, em prin-
cípio, para a perícia não oficial, pois que, atualmente, a perícia oficial é realizada por um só perito.
z Perícia inoficial e lavratura do auto pelo escrivão: No caso do § 1º do art. 159, o escrivão lavrará o auto
respectivo, que será assinado pelos peritos e, se presente ao exame, também pela autoridade. O laudo, que
poderá ser datilografado, será subscrito e rubricado em suas folhas por ambos os peritos (artigo 179, pará-
grafo único).
z Suspeição dos peritos: Ver nossas anotações ao artigo 280.
z Falta de compromisso: Constitui mera irregularidade, segundo jurisprudência majoritária.

Importante!
Jurisprudência
Competência do chefe do Poder Executivo para a iniciativa de legislar sobre o funcionamento de órgão admi-
nistrativo de perícia: Compete ao chefe do Poder Executivo a iniciativa para legislar sobre o funcionamento de
órgão administrativo de perícia (ADI 2.616/PR, rel. minº Dias Toffoli, julgado em 19-11-2014, acórdão publica-
do no DJE de 10-2-2015 – Informativo 768, Plenário).
É desnecessária a realização de perícia para a identificação de voz captada nas interceptações telefônicas,
salvo quando houver dúvida plausível que justifique a medida. Fonte: Jurisprudência em teses (STJ).

DO EXAME DE CORPO DE DELITO, DA CADEIA DE CUSTÓDIA E DAS PERÍCIAS EM GERAL

Art. 160 Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responde- NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL
rão aos quesitos formulados. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser prorrogado,
em casos excepcionais, a requerimento dos peritos. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)

Quanto aos quesitos mencionados nesse artigo: Diz o art. 176 que “a autoridade e as partes poderão formular
quesitos até o ato da diligência”.

MOMENTO DA REALIZAÇÃO DO EXAME

Art. 161 O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora.

z Qualquer dia: Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deve determi-
nar, se a infração for das que deixa vestígios, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras
perícias (inciso VII, art. 6º). O exame pode ser feito em qualquer dia, inclusive nos feriados, sábados e domin-
gos, antes que desapareçam os vestígios.
z Crimes contra a propriedade imaterial: No delito contra a propriedade imaterial, “no caso de haver o crime
deixado vestígio, a queixa ou a denúncia não será recebida se não for instruída com o exame pericial dos obje-
tos que constituam o corpo de delito”. 137
Autópsia e Óbito Cadáver, Fotografias e Desenhos

Art. 162 A autópsia será feita pelo menos seis Art. 165 Para representar as lesões encontradas no
horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evi- cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao
dência dos sinais de morte, julgarem que possa ser laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou
feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. desenhos, devidamente rubricados.
Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, bas-
tará o simples exame externo do cadáver, quando z Documentos que acompanham o exame: Os
não houver infração penal que apurar, ou quando documentos relacionados no dispositivo devem
as lesões externas permitirem precisar a causa da
ser juntados ao exame, e também todos os demais
morte e não houver necessidade de exame inter-
que possam colaborar para o correto esclareci-
no para a verificação de alguma circunstância
relevante. mento dos fatos.

z Seis horas depois do óbito: A espera leva em A Identidade do Cadáver


consideração os casos de morte aparente. Exce-
ção: caso os peritos evidenciem que pelos sinais Art. 166 Havendo dúvida sobre a identidade do
de morte a autópsia possa ser realizada antes do cadáver exumado, proceder-se-á ao reconhecimen-
to pelo Instituto de Identificação e Estatística ou
prazo de seis horas, esta poderá ser realizada e os
repartição congênere ou pela inquirição de teste-
peritos deverão declarar tal fato nos autos.
munhas, lavrando-se auto de reconhecimento e de
z Morte violenta: No caso de não haver infração
identidade, no qual se descreverá o cadáver, com
penal que apurar nos casos de morte violenta ou
todos os sinais e indicações.
quando as lesões externas permitirem identificar
Parágrafo único. Em qualquer caso, serão arre-
a causa da morte, bastará o simples exame externo
cadados e autenticados todos os objetos encontra-
do cadáver.
dos, que possam ser úteis para a identificação do
cadáver.
Exumação
z Dúvida quanto à identidade do cadáver: Para
Art. 163 Em caso de exumação para exame cadavé-
a correta identificação do cadáver, os peritos
rico, a autoridade providenciará para que, em dia e
hora previamente marcados, se realize a diligência,
poderão recorrer também às impressões digitais,
da qual se lavrará auto circunstanciado. fotografias, exame de DNA, fichas dentárias, reco-
nhecimento por parentes. É lavrado um auto de
z Exumação: É a retirada do cadáver da sepultura reconhecimento.
para fins de exames complementares quando res-
tarem dúvidas que precisam ser esclarecidas, mui- Art. 167 Não sendo possível o exame de corpo de
tas vezes relacionadas com a identidade. Podem delito, por haverem desaparecido os vestígios, a
ser realizadas comparações de DNA, de arcada prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
dentária, radiografias e outros exames.
z Inumar ou exumar cadáver, com infração das z Desídia da polícia: Se o desaparecimento dos vestí-
disposições legais: Constitui contravenção penal gios se verificou por culpa da polícia, a prova teste-
(art. 67 do Decreto-Lei 3.688, de 1941). munhal é imprestável para suprir a falta do exame.
z Prova testemunhal convincente: A prova teste-
CADÁVER E O LOCAL DO CRIME munhal há de ser convincente, uniforme, categó-
rica, cabal, pois que sua finalidade é comprovar a
Art. 164 Os cadáveres serão sempre fotografados materialidade do delito.
na posição em que forem encontrados, bem como,
na medida do possível, todas as lesões externas Lesões Corporais e Exame Complementar
e vestígios deixados no local do crime. (Redação
dada pela Lei nº 8.862, de 28, de março de 1994). Art. 168 Em caso de lesões corporais, se o primeiro
exame pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á
z Obrigação da autoridade policial: “Logo que a exame complementar por determinação da auto-
tiver conhecimento da prática da infração penal, a ridade policial ou judiciária, de ofício, ou a reque-
autoridade policial deverá: rimento do Ministério Público, do ofendido ou do
acusado, ou de seu defensor.
Art. 6º [...] § 1o No exame complementar, os peritos terão pre-
I – dirigir-se ao local, providenciando para que não sente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a
se alterem o estado e conservação das coisas, até a deficiência ou retificá-lo.
chegada dos peritos criminais. § 2o Se o exame tiver por fim precisar a classifica-
ção do delito no art. 129, § 1o, I, do Código Penal,
z Justificativa: A posição do cadáver, a localização deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias,
das lesões externas e todos os vestígios deixados contado da data do crime.
no ambiente (sangue, armas) podem colaborar § 3o A falta de exame complementar poderá ser
para o correto esclarecimento do fato e de suas cir- suprida pela prova testemunhal.
cunstâncias. Dessa maneira, essa diligência pode
colaborar fornecendo provas ou indícios para z Exame incompleto ou deficiente: Recorre-se a
determinar se houve homicídio, acidente, suicídio, exame complementar para suprir deficiências do
138 ou mesmo ação em legítima defesa. primeiro.
z Incapacidade para as ocupações habituais por z Tóxicos: No caso de substância entorpecente,
mais de trinta dias: Nos termos do inciso I, pará- devem ser guardadas amostras.
grafo 1º do art. 129, do Código Penal, se as lesões z Prazo: A lei não estabelece um prazo definido para
resultarem em “incapacidade para as ocupações que sejam guardados os materiais. É razoável que
habituais por mais de trinta dias”, deverá ser feito sejam guardados até a extinção da punibilidade,
obrigatoriamente exame complementar que ateste tendo em vista a possibilidade do interesse no
o fato. ingresso com ação de revisão criminal.
z Outros casos de necessidade de exame comple- z Microfilmagem: A Lei nº 5.433, de 1968, regula-
mentar: O parágrafo 2º do presente dispositivo só menta a microfilmagem de documentos.
faz referência ao exame no caso de incapacidade z Água e alimentos: O dispositivo em exame deve
para as ocupações habituais por mais de trinta ser aplicado, entre outros delitos, nos de envene-
dias. Para comprovar outras circunstâncias distin- namento de água potável, sua poluição (artigos
tas, constantes do art. 129 do CP, é indispensável 270 e 271 do CP) e no delito de falsificação, cor-
o exame complementar. São exemplos os casos do rupção, adulteração ou alteração de substância ou
perigo de vida (vide parágrafos do art. 129 do CP),
produtos alimentícios (artigo 272 do CP).
da debilidade permanente de membro, sentido ou
z Direção sob efeito de drogas: Também deve ser
função, da incapacidade permanente para o tra-
aplicado o dispositivo no caso de direção de veí-
balho, da enfermidade incurável, da inutilização
culo automotor sob a influência de álcool ou outra
de membro, sentido ou função e da deformidade
permanente. substância psicoativa que determine dependência
z Suprimento pela prova testemunhal: A falta de (art. 277 da Lei nº 9.503, de 1997)
exame complementar pode ser suprida pela prova
testemunhal. CRIMES COM DESTRUIÇÃO OU ROMPIMENTO DE
OBSTÁCULO
Não Alteração do Estado das Coisas no Local
Art. 171 Nos crimes cometidos com destruição ou
Art. 169 Para o efeito de exame do local onde rompimento de obstáculo a subtração da coisa, ou
houver sido praticada a infração, a autorida- por meio de escalada, os peritos, além de descre-
de providenciará imediatamente para que não ver os vestígios, indicarão com que instrumen-
se altere o estado das coisas até a chegada dos tos, por que meios e em que época presumem
peritos, que poderão instruir seus laudos com ter sido o fato praticado.
fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos.
Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, z Furto qualificado e delito de dano: O dispositivo
as alterações do estado das coisas e discutirão, no refere-se ao furto qualificado (incisos I e II do CP,
relatório, as consequências dessas alterações na parágrafo 4º, artigo 155): “Subtrair, para si ou para
dinâmica dos fatos. outrem, coisa alheia móvel: (…)

z O estado das coisas: O estado das coisas não pode § 4º – A pena é de reclusão de dois a oito anos, e
ser alterado até a chegada dos peritos, sob pena multa, se o crime é cometido:
de prejudicar o exame pericial. Caso tenha havido I – com destruição ou rompimento de obstáculo à
alteração do estado das coisas, o perito registrará subtração da coisa;
no laudo tal fato e relatará as consequências des- II – com abuso de confiança, ou mediante fraude,
sas alterações para a elucidação dos fatos. escalada ou destreza”.
z Obrigação da autoridade policial: De acordo com
o parágrafo 1º do art. 6º, “logo que tiver conheci-
z E ao delito de dano (artigo 163 do CP): “Destruir,
mento da prática da infração penal, a autoridade
policial deverá dirigir-se ao local, providenciando inutilizar ou deteriorar coisa alheia: Pena – deten-
para que não se alterem o estado e conservação ção, de um a seis meses, ou multa”.
das coisas, até a chegada dos peritos criminais”. z Indispensabilidade do exame de corpo de deli-
z Acidente de trânsito: Segundo a Lei nº 5.970, de to: Nesses delitos, o exame de corpo de delito é

NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL


1973, em seu art. 1º, parágrafo único, “em caso de indispensável, salvo se houverem desaparecido
acidente de trânsito, a autoridade ou agente poli- os vestígios, hipótese em que a prova testemunhal
cial que primeiro tomar conhecimento do fato poderá suprir a falta.
poderá autorizar, independentemente de exa-
me do local, a imediata remoção das pessoas que Avaliação de Coisas Destruídas ou que Constituam
tenham sofrido lesão, bem como dos veículos nele Produto do Crime
envolvidos, se estiverem no leito da via pública
e prejudicarem o tráfego. Parágrafo único. Para Art. 172 Proceder-se-á, quando necessário, à ava-
autorizar a remoção, a autoridade ou agente poli- liação de coisas destruídas, deterioradas ou que
cial lavrará boletim da ocorrência, nele consig- constituam produto do crime.
nado o fato, as testemunhas que o presenciaram Parágrafo único. Se impossível a avaliação direta,
e todas as demais circunstâncias necessárias ao os peritos procederão à avaliação por meio dos ele-
esclarecimento da verdade”. mentos existentes nos autos e dos que resultarem
de diligências.
Obrigação de Guarda de Material
z Indenização: Essa avaliação é necessária não ape-
Art. 170 Nas perícias de laboratório, os peritos
guardarão material suficiente para a eventualidade nas para a dosagem da pena, como também para
de nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos que se possa na sentença fixar o valor mínimo
serão ilustrados com provas fotográficas, ou micro- para a reparação dos danos causados pela infração
fotográficas, desenhos ou esquemas. (artigo 387, inciso IV). 139
z Dano qualificado: Necessária também se faz a z Finalidade da disposição: O artigo 174 tem por
avaliação para a caracterização do delito de dano objetivo regulamentar como determinar a autoria
qualificado (artigo 163, parágrafo único, inciso de escritos.
IV do CP): “Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa
alheia (…) Dano qualificado. Parágrafo único – Se INSTRUMENTOS DO CRIME
o crime é cometido: (…) IV – por motivo egoístico
ou com prejuízo considerável para a vítima: Pena – Art. 175 Serão sujeitos a exame os instrumentos
detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da empregados para a prática da infração, a fim de se
pena correspondente à violência”. lhes verificar a natureza e a eficiência.
z A avaliação é necessária para a reparação do
dano: Para proceder à reparação, necessária se faz z Obrigação da autoridade policial: Art. 6º do
a avaliação das coisas destruídas ou deterioradas. CPP: “Logo que tiver conhecimento da prática da
Há vários estímulos à reparação do dano na legis- infração penal, a autoridade policial deverá: (…) II
lação, como: redução da pena, atenuação da pena, – apreender os objetos que tiverem relação com o
livramento condicional, reabilitação etc. fato, após liberados pelos peritos criminais”.
z Crimes contra o patrimônio e a avaliação: A ava- z Eficiência dos instrumentos do crime: Os instru-
liação revela-se importante também para esclare- mentos do crime devem ser periciados objetivando
determinar se são eficientes. Eficientes, ou seja, se
cer algumas circunstâncias relativas aos delitos
funcionam realmente. Se não funcionarem, pode-
contra o patrimônio. Segundo o artigo 170 do CP,
rá incidir o artigo 17 do CP, segundo o qual não se
nos delitos de apropriação indébita, se é de peque-
pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta
no valor a coisa indevidamente apropriada, o juiz
do meio ou por absoluta impropriedade do objeto,
pode reduzir a pena, ou aplicar somente a multa.
é impossível consumar-se o crime.
O mesmo vale para o estelionato (artigo 171, pará-
grafo 1º do CP), para a receptação (artigo 180, pará-
Quesitos pela Autoridade e Partes
grafo 5º do CP), e para a fraude no comércio (artigo
175, parágrafo 2º do CP).
Art. 176 A autoridade e as partes poderão formular
quesitos até o ato da diligência.
INCÊNDIO
EXAME SOLICITADO POR PRECATÓRIA
Art. 173 No caso de incêndio, os peritos verificarão
a causa e o lugar em que houver começado, o Art. 177 No exame por precatória, a nomeação
perigo que dele tiver resultado para a vida ou para dos peritos far-se-á no juízo deprecado. Haven-
o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu do, porém, no caso de ação privada, acordo das
valor e as demais circunstâncias que interessarem partes, esta nomeação poderá ser feita pelo juiz
à elucidação do fato. deprecante.
Parágrafo único. Os quesitos do juiz e das partes
z Delito de incêndio: Encontra-se tipificado no arti- serão transcritos na precatória.
go 250 do CP: “Causar incêndio, expondo a perigo a
vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem: z Não intervenção das partes na escolha do peri-
Pena – reclusão, de três a seis anos, e multa”. to: Na ação privada, havendo acordo das partes,
z Finalidade do exame: Entre outras finalidades, a nomeação pode ser feita pelo juiz deprecante.
o exame busca determinar se o incêndio ocorreu Todavia, as partes não intervirão na nomeação do
com dolo, culpa ou se foi acidente, examinando perito (artigo 276). As partes apresentam os quesi-
onde o mesmo tenha começado, a extensão do seu tos perante o juiz deprecante.
dano, valor e demais circunstâncias.
Requisição do Exame à Repartição
RECONHECIMENTO DE ESCRITOS
Art. 178 No caso do artigo 159, o exame será requi-
Art. 174 No exame para o reconhecimento de sitado pela autoridade ao diretor da repartição,
escritos, por comparação de letra, observar-se-á o juntando-se ao processo o laudo assinado pelos
seguinte: peritos.
I – a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o
escrito será intimada para o ato, se for encontrada. z Perito oficial: Em se tratando de exame realiza-
II – para a comparação, poderão servir quaisquer do por perito oficial, será requisitado ao diretor da
documentos que a dita pessoa reconhecer ou já repartição onde trabalhar o perito.
tiverem sido judicialmente reconhecidos como de z Repartições: Nos Estados existem órgãos, normal-
seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver mente vinculados à Secretaria de Segurança Públi-
dúvida; ca, encarregados da realização das perícias.
III – a autoridade, quando necessário, requisitará,
para o exame, os documentos que existirem em arqui- Perícia Não Oficial
vos ou estabelecimentos públicos, ou nestes realiza-
rá a diligência, se daí não puderem ser retirados; Art. 179 No caso do § 1º do artigo 159, o escri-
IV – quando não houver escritos para a compara- vão lavrará o auto respectivo, que será assinado
ção ou forem insuficientes os exibidos, a autoridade pelos peritos e, se presente ao exame, também pela
mandará que a pessoa escreva o que lhe for ditado. autoridade.
Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, Parágrafo único. No caso do artigo 160, parágrafo
esta última diligência poderá ser feita por precató- único, o laudo, que poderá ser datilografado, será
ria, em que se consignarão as palavras que a pes- subscrito e rubricado em suas folhas por todos os
140 soa será intimada a escrever. peritos.
Para complementar o estudo, é necessário retomar z Sistema de avaliação da prova pericial: São dois
o disposto no § 1º do art. 159. Vejamos: os sistemas de avaliação da prova pericial, o vin-
culatório e o liberatório. Adotamos o liberatório
Art. 159 [...] com fundamentação por influência do sistema da
§ 1º Na falta de perito oficial, o exame será reali- livre convicção motivada, que foi o método adota-
zado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de do para a avaliação das provas.
diploma de curso superior preferencialmente na
z Fundamentação da decisão: A decisão que acei-
área específica, dentre as que tiverem habilitação
tar ou rejeitar o laudo, no todo ou em parte, deverá
técnica relacionada com a natureza do exame.
ser fundamentada (artigo 155).
z Perícia não oficial: Na hipótese prevista no § 1º z Jurados: Assim como no caso do juiz, não estão
do art. 159, a perícia será lavrada e autuada pelo vinculados às conclusões do laudo, com a diferen-
escrivão. Se os próprios peritos não oficiais redigi- ça de que não precisam fundamentar sua decisão
rem o exame e assinarem, tal circunstância cons- (sistema da íntima convicção).
titui mera irregularidade. O perito oficial produz
laudo pericial, os inoficiais um auto de perícia.
Auto de perícia porque é autuado pelo escrivão. Importante!
Se receber os exames por escrito e assinados pelos
Jurisprudência
peritos inoficiais, o escrivão lançará um “auto de
Legalidade da manutenção de medida socioe-
juntada aos autos” dos exames periciais.
ducativa de internação mesmo havendo
Divergência Entre os Peritos parecer favorável: Não configura manifesta ile-
galidade ou teratologia a manutenção de medi-
Art. 180 Se houver divergência entre os peritos, da socioeducativa de internação imposta ao
serão consignadas no auto do exame as decla- recorrente, ainda que exista parecer favorável
rações e respostas de um e de outro, ou cada um da equipe interdisciplinar (RHC 126.205, rel. min.
redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade Rosa Weber, julgamento em 24-3-2015, acórdão
nomeará um terceiro; se este divergir de ambos, a
publicado no DJE de 15-4-2015 – Informativo
autoridade poderá mandar proceder a novo exame
por outros peritos. 779, Primeira Turma).

z Ampla liberdade do juiz: Esse dispositivo é apli-


INICIATIVA DO OFENDIDO
cável apenas à perícia não oficial, pois, na oficial,
funciona, em princípio, apenas um perito. Na ofi-
Art. 183 Nos crimes em que não couber ação públi-
cial, quando opera mais de um perito, normalmen-
ca, observar-se-á o disposto no artigo 19.
te é para tratar de assuntos distintos, razão pela
[…]
qual é difícil acontecer de divergirem. Na inoficial, Art. 19 Nos crimes em que não couber ação públi-
no caso de divergência, o magistrado pode nomear ca, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo
um terceiro perito, mas não é obrigado a fazer competente, onde aguardarão a iniciativa do ofen-
isso, pois, segundo o artigo 182, o juiz não ficará dido ou de seu representante legal, ou serão entre-
adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, gues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.
no todo ou em parte. Mesmo havendo um perito
que faça o desempate, o juiz pode optar por qual- Logo, a perícia acompanha o destino do inquérito,
quer uma das versões, ou nenhuma delas. sendo a ele juntada.

Inobservância de Formalidades no Exame e DESNECESSIDADE DE PERÍCIA


Providências
Art. 184 Salvo o caso de exame de corpo de delito,
Art. 181 No caso de inobservância de formalidades, o juiz ou a autoridade policial negará a perí-

NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL


ou no caso de omissões, obscuridades ou contradi-
cia requerida pelas partes, quando não for
ções, a autoridade judiciária mandará suprir a for-
necessária ao esclarecimento da verdade.
malidade, complementar ou esclarecer o laudo.
z Dispensabilidade da perícia: Ao contrário do que
z Nulidade: Se o laudo pericial não observar forma-
se verifica com exame de corpo de delito, outras
lidades essenciais, ou contiver omissões, obscuri-
perícias requeridas ao juiz, ou à autoridade poli-
dades ou contradições, o juiz determinará que a
formalidade seja corrigida, complementado ou cial, poderão ser negadas quando desnecessárias
esclarecido o laudo. Essa determinação é dirigida ao esclarecimento da verdade dos fatos. Se neces-
ao perito, ou peritos. E a ordem pode ser emanada sárias e negadas, poderá resultar em nulidade, por
tanto de parte do juiz como também da autorida- cerceamento do direito à produção de prova da
de policial. Pode, ou deve, dependendo do caso, acusação ou da defesa.
ser feita sob a forma de novos quesitos, tendo por
objeto tópicos que ficaram contraditórios, obscu- BIBLIOGRAFIA
ros ou omissos.
Aury Lopes Jr e Alexandre Morais da Rosa: Con-
NÃO VINCULAÇÃO DO JUÍZ taminação (in)consciente do julgador e a exclusão
física do inquérito. Conjur
Art. 182 O juiz não ficará adstrito ao laudo, Gustavo Badaró: Direito à prova e os limites lógi-
podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em cos de sua admissão: os conceitos de pertinência e
parte. relevância. Badaroadvogados. 141
Jorge Emanuel Mendes Valente Dias: Considera- c) Não poderá ser imputada ao réu, pois depende de exa-
ções sobre a Prova e Contraditório na Fase de Instru- me pericial realizado por dois peritos oficiais, não o
ção no Processo Penal.Universidade Portucalense. suprindo o exame indireto.
Luciano André da Silveira e Silva: O agente infil- d) Poderá ser imputada ao réu, pois se trata de crime tran-
trado. Estudo comparado da legislação da Alema- seunte, que dispensa a realização de prova pericial.
nha, Brasil e Portugal. Universidade de Coimbra. e) Poderá ser imputada ao réu, pois, caso os vestígios
Henrique Hoffmann Monteiro de Castro: Lei tenham desaparecido, a confissão poderá suprir a fal-
13.441/17 instituiu a infiltração policial virtual. ta de exame pericial, direto ou indireto.
Conjur.
A Arte da Perícia Digital. Entrevista do Diretor da 3. (FGV – 2018) O Código de Processo Penal, em seus
Data Security ao Programa Olhar Digital. artigos 158 e seguintes, disciplina, dentro do título “Da
Rodrigo Alves Carvalho: Metodologia para inter- Prova”, o tema “Do Exame de Corpo de Delito e das
ceptação de dados cifrados aplicados em investiga- Perícias em Geral”. Sobre o tema, analise as afirmati-
ções criminais. Universidade de Brasília. vas a seguir.
MEDEIROS, Flavio Meirelles. Código de Processo
Penal Comentado. I. Quando a infração deixar vestígios, é indispensável a
realização de exame de corpo de delito, direto ou indi-
reto, podendo supri-lo a confissão do acusado.
II. O exame de corpo de delito e outras perícias devem
HORA DE PRATICAR! ser realizados por dois peritos oficiais ou, em sua falta,
três pessoas idôneas portadoras de diploma de curso
1. (FGV – 2021) De acordo com a doutrina, em que pese superior.
prevaleça no direito processual penal brasileiro o sis- III. Assim como as partes, o assistente de acusação
tema acusatório, algumas características típicas do poderá formular quesitos e indicar assistente técnico
sistema inquisitório ainda são encontradas disciplina- para acompanhar a perícia.
das no Código de Processo Penal, em especial sobre
o tema prova. Com base nas previsões do Código de Processo Penal,
está correto o que se afirma em:
Em relação a tais aspectos, acerca do exame de corpo
de delito, é correto afirmar que: a) Somente I.
b) Somente III.
a) O laudo deverá ser produzido por dois peritos oficiais c) Somente I e II.
ou, caso não disponíveis, três pessoas idôneas com d) Somente I e III.
curso superior, de preferência na área relacionada. e) I, II e III.
b) A sua realização poderá ser suprida pela confissão do
acusado, ainda que o crime deixe vestígio. 4. (FGV – 2018) Em determinada data, Glaucia ingres-
c) A prova testemunhal poderá suprir a falta do exame, sou em estabelecimento comercial, após arrombar a
caso este não seja possível por haverem desaparecido fechadura da porta, para subtrair diversos bens. Des-
os vestígios. cobertos os fatos, foi denunciada pelo crime de furto
d) O laudo deve ser produzido por perito isento, não qualificado pelo rompimento de obstáculo.
admitindo a formulação de quesitos pelas partes.
e) O juiz, diante da natureza de prova pericial, ficará ads- Considerando que a infração deixou vestígios, o reco-
trito ao laudo, não podendo rejeitá-lo. nhecimento da qualificadora:

2. (FGV – 2021) No dia 03/03/2020, a residência de Hugo a) Poderia ser obtido a partir da produção de provas de
foi furtada e de seu interior foi subtraída uma televi- qualquer natureza, tendo em vista que adotado pelo
são. Para ingressar no local e praticar o crime, José Direito Processual Penal brasileiro o princípio do livre
arrombou a porta de entrada da residência enquanto convencimento motivado.
essa estava vazia. b) Dependeria de laudo pericial direto e, ainda que tives-
O vizinho de Hugo presenciou os fatos e descreveu as sem desaparecidos os vestígios, o exame indireto não
características de José para a polícia, sendo esse deti- seria suficiente.
do ainda na posse do bem subtraído. c) Exigiria exame de corpo de delito, que poderia ser dire-
O autor foi denunciado pelo crime de furto qualificado to ou indireto, ainda que realizado por um perito, mas
pelo rompimento de obstáculo. Nem a vítima nem o a confissão não seria suficiente.
vizinho foram ouvidos em juízo e os policiais afirma- d) Dependeria de realização de exame pericial, que pode-
ram em sede judicial que encontraram o acusado na ria, porém, ser suprido pela confissão do réu.
posse da TV furtada. O réu, por sua vez, confessou o e) Exigiria realização de exame pericial, exame esse que
crime e a forma como entrou na residência, apesar de deveria ser realizado por dois peritos oficiais.
não ter sido realizado exame pericial no local.
5. (FGV – 2012) Caio, integrante de uma central sindical,
Quanto à imputação a José da qualificadora do rompi- é denunciado pelo Ministério Público do Distrito Fede-
mento de obstáculo, assinale a afirmativa correta. ral e Territórios perante o juízo singular sob a acusa-
ção da prática do crime de lesão corporal de natureza
a) Poderá ser imputada ao réu, pois houve exame pericial grave, já que, de acordo com a inicial, teria agredido
indireto. Tício, Senador da República, durante um discurso pro-
b) Não poderá ser imputada ao réu, diante da ausência ferido pelo parlamentar. No curso do processo, a defe-
de exame pericial de local, que poderia ser realizado sa de Caio pleiteia a absolvição de seu cliente, uma
por um perito oficial. vez que, embora tenha ele confessado a agressão,
142
não teria vindo aos autos o exame de corpo de delito e
nenhuma testemunha teria deposto em juízo.
ANOTAÇÕES
A esse respeito, é correto afirmar que o magistrado deverá:

a) Absolver Caio, uma vez que o crime de lesão corporal


grave deixa vestígios e a prova da materialidade há de
ser feita pelo exame de corpo de delito, direto ou indi-
reto, não podendo a confissão do acusado suprir‐lhe a
falta.
b) Condenar Caio pela prática do crime de lesão corporal
de natureza grave, uma vez que a confissão do acusa-
do é elemento de prova suficiente para atestar a mate-
rialidade do delito.
c) Condenar Caio pela prática do crime de lesão corporal
leve, uma vez que, ausente o exame de corpo de delito,
não há como se determinar a gravidade da lesão con-
fessada por Caio, de modo que deve o juiz aplicar a
solução mais benéfica ao réu confesso.
d) Converter o julgamento em diligência, de modo a
determinar a acareação entre o acusado e a vítima.
e) Declinar da competência em favor do Superior Tribu-
nal de Justiça, uma vez que a vítima tem foro por prer-
rogativa de função.

6. (FGV – 2010) Relativamente ao tema prova, analise as


afirmativas a seguir:

I. Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame


pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á a exame
complementar por determinação da autoridade poli-
cial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Minis-
tério Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu
defensor.
II. No exame para o reconhecimento de escritos, por
comparação de letra, quando não houver escritos para
a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a
autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe
for ditado, não podendo o indiciado recusar-se sob
pena de crime de desobediência.
III. O juiz ficará adstrito ao laudo, não podendo aceitá-lo
ou rejeitá-lo apenas em parte.

Assinale:

a) Se somente a afirmativa I estiver correta.


b) Se somente a afirmativa II estiver correta.
c) Se somente a afirmativa III estiver correta.

NOÇÕES DE PROVA NO PROCESSO PENAL


d) Se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) Se todas as afirmativas estiverem corretas.

9 GABARITO

1 C

2 B

3 B

4 C

5 A

6 A

143
ANOTAÇÕES

144
O primeiro deles seria um desentendimento seu
com seu vizinho em uma eventual construção irregu-
lar, que extrapola o direito de um e invade o direito
do outro.
Num segundo momento, imagine que você foi fla-
NOÇÕES DE DIREITO grado por uma viatura policial ao avançar um sinal
vermelho em alta velocidade.
ADMINISTRATIVO Veja que, em que pese caber discussões de defesa
de direitos em ambos os exemplos, as normas apli-
cáveis aos casos não são as mesmas. No primeiro
exemplo há uma clara igualdade, o que não ocorre no
segundo momento.
PRINCÍPIOS EXPRESSOS E IMPLÍCITOS Para começar a entender o regime jurídico-admi-
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA nistrativo, ou seja, o regime jurídico ao qual se sub-
mete a Administração Pública quando da sua atuação,
NOÇÃO GERAL DE PRINCÍPIO deveremos entender dois princípios, chamados pela
doutrina em Direito Administrativo de supra prin-
Os princípios são a base de um ordenamento jurí- cípios ou princípios implícitos da Administração
Pública:
dico, anteriores até mesmo à existência das normas,
pois influenciam no próprio processo legislativo.
z Supremacia do interesse público;
Podem constar expressamente ou não, tendo como
z Indisponibilidade do interesse público.
característica terem enunciados genéricos, para apli-
cação num máximo possível de situações.
Com base na supremacia do interesse público serão
Os princípios possuem alto nível de abstração,
criadas prerrogativas para proteger o interesse públi-
outra característica que irá permitir a sua aplicabili-
co diante do interesse particular. Exemplo: presunção
dade a um grande número de situações.
de veracidade e legitimidade dos atos administrativos.
Também poderão ser utilizados para análise da Já a indisponibilidade do interesse público irá im-
validade de normas constantes do ordenamento jurí- por restrições ao uso da coisa pública, também com
dico, assim como a sua correta interpretação. intuito de proteção: inalienabilidade condicionada
Não há hierarquia na aplicação dos princípios. dos bens públicos.
Eles devem ser interpretados de forma harmônica. No Importante ressaltar que a Administração Pública
entanto, isso não impede que um ou outro esteja mais nem sempre estará atuando sob este regime jurídi-
presente quando da análise de uma situação concre- co-administrativo, apesar de esta ser a regra. Have-
ta. Nesse ponto, não falaremos de hierarquia, mas da rá situações em que a Administração Pública estará
mera aplicabilidade do princípio à situação concreta atuando de igual para igual com o particular, sujeita
trazida à análise. a um regime de direito privado. Portanto, dito isso,
Vamos enumerar as características dos princípios vamos organizar essa parte do raciocínio.
colocadas até então:
z Regime jurídico de direito público: conceito restri-
z Generalidade; to (regime jurídico-administrativo);
z Abstração; z Regime jurídico de direito privado.
z Ausência de hierarquia entre si;
z Interpretação e validação de regras. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS COM PREVISÃO
CONSTITUCIONAL
Vejamos agora sobre as regras. Elas serão menos
genéricas e abstratas. Ainda que aplicáveis eventual- Vamos começar a conhecer cada um dos princí-
mente a várias situações correlatas, elas já procuram pios. Conheceremos os princípios expressos da Cons-
tituição Federal. É importante que você saiba que há
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
se aproximar da realidade dos fatos, apresentando
comandos mais claros e concretos. princípios expressos em várias outras normas que não
No Brasil temos alguns critérios que podem ser uti- são a CF, de 1988. Conheceremos aqui apenas os cons-
lizados para a solução do conflito entre regras: tantes do caput do art. 37. Vejamos a sua literalidade.

z Hierárquico: prevalece a de maior hierarquia. Ex.: Art. 37 A administração pública direta e indireta
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
CF/88 sobre qualquer norma interna;
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
z Cronológico: prevalecerá a lei mais nova sobre o aos princípios de legalidade, impessoalidade,
tema; moralidade, publicidade e eficiência e, também,
z Especialidade: prevalecerá a lei mais específica ao seguinte:
sobre o tema.
Veja que a aplicabilidade do caput é bastante am-
REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO pla: todos os poderes, todas as esferas, administração
direta e indireta.
O regime jurídico pode ser definido como conjunto Você deve decorar esses princípios, fazendo uso do
de normas que irá orientar uma determinada relação famoso LIMPE, que traz a inicial de cada um dos prin-
jurídica. Vejamos dois exemplos para que, desde já, cípios constantes do caput.
seja possível ter em mente que esse conjunto de nor-
mas poderá variar de acordo com a situação. 145
Legalidade conteúdo moral que muitas vezes não consta expres-
sa e claramente do texto legal, mas deve ser aplicado
O princípio da legalidade tem sua origem no pelo agente público quando da sua atuação.
próprio estado de Direito. Vejamos o art. 1º, da Importante citar que a moralidade se aplica tanto
Constituição. ao agente público, quanto ao particular que defende
seu interesse diante da Administração Pública.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada Há na Constituição outro mandamento que expõe
pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e a importância do princípio da moralidade, constante
do Distrito Federal, constitui-se em Estado Demo- do art. 5º. Vejamos.
crático de Direito e tem como fundamentos:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção
Em um Estado de Direito, a vida das pessoas, assim de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei-
como também do Estado, será pautada no que cons- ros e aos estrangeiros residentes no País a inviola-
tar da lei. No entanto, a interpretação do princípio da bilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,
legalidade terá abordagens diferentes quando olhar- à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
mos para o particular ou para o agente público. (...)
Vejamos a legalidade aplicável ao particular, cons- LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para
tante do art. 5º, da Carta Magna. propor ação popular que vise a anular ato lesi-
vo ao patrimônio público ou de entidade de que o
Art. 5º (...) Estado participe, à moralidade administrativa, ao
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
fazer alguma coisa senão em virtude de lei; ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de
custas judiciais e do ônus da sucumbência;
Veja que o mandamento para o particular é per-
missivo. Ele poderá fazer tudo que não estiver proibi- Publicidade
do em lei. Será obrigado a algo apenas quando da lei
constar. A importância do princípio da publicidade está na
Essa não é a interpretação do princípio da lega- própria existência e exercício da democracia. Como
lidade para o agente público. Aqui já cabe falar em poderiam os cidadãos fiscalizar a atuação do Estado e
legalidade administrativa. Ao agente público será per- seus governantes sem saber o que está acontecendo?
mitido tudo que a lei autorizar ou mandar. Ou seja, a A publicidade trará a transparência necessária para
relação é oposta. Não é um mandamento permissivo, que os administrados possam exercer a democracia.
mas restritivo. No entanto, devemos saber que tal princípio não
tem aplicação absoluta. Há situações em que o sigilo,
Impessoalidade a título de exceção, deverá prevalecer.
É o caso, por exemplo, de operações sigilosas de
O princípio da impessoalidade, também conheci- investigações de ilícitos ou mesmo inquéritos cuja
do como princípio da finalidade, tem como objetivo publicidade possa ofender a privacidade de uma
maximizar os resultados da Administração Pública eventual vítima.
para a sociedade como um todo. Ele irá impedir, por Há, por outro lado, atos que devem ser publicados
meio de cada uma de suas facetas, o direcionamento para que gerem efeitos, pois como poderiam ser os
da atuação do Estado tanto para o interesse de um par- particulares cobrados a respeito de determinado ato
ticular ou um grupo específico de particulares, como ou norma do qual não tiveram a devida ciência?
para o próprio interesse do agente público tomador Nesse raciocínio, temos três tipos de atos conforme
de decisão. a necessidade ou não da sua publicidade.
A partir disso temos algumas leituras possíveis
para o princípio. Uma delas é a aplicação do princípio z Atos sigilosos: não podem ser publicados;
da impessoalidade por meio da ausência de qualquer z Atos internos: não precisam ser publicados, pois
tipo de promoção pessoal do agente público cometen- não causam impacto nos administrados;
te, buscando apenas o interesse público. z Atos externos: precisam ser publicados para ciên-
Outra leitura possível passará pelo tratamento iso-
cia dos interessados.
nômico dos administrados. A isonomia permite o tra-
tamento diferenciado de acordo com diferenças entre
Há ainda a possibilidade de obtenção de informa-
os administrados. É o que você vê na reserva de vagas
ções por parte dos administrados, trazida no art. 5º,
para idosos, por exemplo.
da CF, de 1988:
Portanto, temos dois tipos de isonomia, a saber:
Art. 5º [...]
z Isonomia horizontal: pessoas em situações seme-
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos
lhantes devem ser tratadas da mesma forma;
públicos informações de seu interesse particular,
z Isonomia vertical: pessoas em situações diferentes ou de interesse coletivo ou geral, que serão presta-
podem ter tratamentos distintos. das no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível
Moralidade à segurança da sociedade e do Estado;
XXXIV - são a todos assegurados, independente-
A moralidade administrativa estará intimamente mente do pagamento de taxas:
ligada ao conceito de certo e errado, honesto e deso- b) a obtenção de certidões em repartições públicas,
nesto, extrapolando a letra fria da lei. No entanto, não para defesa de direitos e esclarecimento de situa-
146 para desobedecê-la, mas para complementar com um ções de interesse pessoal;
Eficiência Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade

O princípio da eficiência foi introduzido no caput Não há unanimidade na doutrina na forma como
do art. 37, da CF, de 1988, por meio da Emenda Cons- se correlacionam esses dois princípios. No entanto,
titucional de 1998, tendo como objetivo, juntamente passaremos aqui a leitura que nos parece mais fre-
com a mudança de outros dispositivos, aumentar a quente em provas.
eficiência do Estado brasileiro. Entenderemos a proporcionalidade como um sub-
A atuação da Administração Pública dentro desse princípio da razoabilidade. A proporcionalidade é
contexto, tentando se aproximar do conceito de admi- fácil de ser entendida quando falamos da duração de
nistração gerencial, deverá buscar a maximização das um processo judicial ou administrativo. Aliás, direito
receitas do Estado, economicidade do gasto público, constante do art. 5º, da CF, de 1988:
corte de gastos desnecessários etc.
Art. 5º [...]
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administra-
PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO
tivo, são assegurados a razoável duração do pro-
PÚBLICA
cesso e os meios que garantam a celeridade de sua
tramitação.
O princípio implícito ao ordenamento jurídico é
aquele que não está escrito em norma alguma, mas Já para entender a proporcionalidade eu vou
se pode depreender do conjunto das normas deste pedir que você imagine um outro cenário. Imagine
ordenamento. Em Direito Administrativo, a doutrina uma multidão de manifestantes que possuem alguns
nos trará inúmeros princípios. Uns são, naturalmen- objetos que podem causar danos ou ferimentos, mas
te, mais citados e importantes, e serão observados a sabe-se que não possuem arma de fogo. Caso haja
seguir. necessidade de conter os manifestantes, seria razoá-
vel por parte do policiamento o uso de armamentos
Princípio da Autotutela não letais.
No entanto, dentro dessa escolha correta o agente
Segundo o princípio da autotutela, a Administra- público deverá medir o correto uso desse meio. Não
ção Pública poderá rever seus atos, podendo revogá- poderá usar indiscriminadamente o material, uma
-los ou anulá-los conforme o caso. vez que ele é adequado. O uso desproporcional de
Esse direito não é irrestrito, encontrando limite no um material adequado àquela situação poderá trazer
art. 54, da Lei n° 9.784, de 1999, Processo Administra- problemas aos administrados.
tivo Federal.
Princípio da Continuidade do Serviço Público
Art. 54 O direito da Administração de anular os
atos administrativos de que decorram efeitos favo- Os serviços públicos garantem serviços essenciais
ráveis para os destinatários decai em cinco anos, à população, por isso não podem, como regra, serem
contados da data em que foram praticados, salvo interrompidos, mas fornecidos permanentemente.
comprovada má-fé. Tal importância traz impacto inclusive no direito
de greve de servidores públicos.
Os efeitos causados por essa revisão podem variar.
Caso seja uma anulação, pois era viciado o ato admi- Art. 37 [...]
nistrativo, os efeitos serão, em regra, retroativos. VII - o direito de greve será exercido nos termos e
No caso de se tratar de revogação, que é quando nos limites definidos em lei específica;
o ato não é viciado, mas se tornou inconveniente, os
efeitos não serão retroativos. A Lei 8.987, de 1995, que trata de concessão de ser-
Por fim, a revisão pode resultar em manutenção viços públicos, traz a mitigação da exceção do contrato
do ato anteriormente praticado, sendo mero exercício não cumprido (exceptio non adimpleti contractus). Um

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO


da autotutela e poder hierárquico da estrutura admi- concessionário que tenha perante si uma Administra-
ção Pública inadimplente só poderá romper o contra-
nistrativa em questão.
to depois da apreciação da Justiça, diferentemente do
que permite a lei entre particulares.
Princípio da Veracidade e da Legitimidade
Dica
Visto também em atos administrativos, o princípio
da veracidade e da legitimidade informam que a atua- Exceptio non adimpleti contractus: princípio
ção da Administração Pública estará conforme a lei e decorrente do estudo de contratos em Direito
conforme a verdade dos fatos. Civil que permite a uma parte contratante não
Trata-se de presunções relativas, ou seja, o par- cumprir seu contrato diante da inadimplência do
ticular que se julgar prejudicado poderá se insurgir outro contratante.
contra os atos da Administração Pública. No entanto,
tais presunções têm como consequência a inversão Segundo o mesmo diploma normativo, teremos
do ônus da prova, devendo o particular provar que a duas situações em que não restará caracterizada a
Administração Pública está errada, seja em processo descontinuidade dos serviços:
administrativo ou judicial.
z Interrupções ocasionadas por situações de
emergência; 147
z Interrupções após aviso prévio por razões técnicas a) competência;
ou segurança das instalações; b) objeto;
z Interrupção após aviso prévio por inadimplemen- c) forma;
to do usuário. d) motivo;
e) finalidade.
Princípio da Segurança Jurídica
Competência
O princípio da segurança jurídica tem como obje-
tivo conferir estabilidade às relações jurídicas. Por Competência diz respeito à capacidade do agente
meio dele busca-se proteger: público para o exercício dos atos administrativos. É
requisito de validade, haja vista que, no Direito Admi-
z Direito adquirido; nistrativo, a lei é que estabelece as competências atri-
z Coisa julgada; buídas a seus agentes para o desempenho de suas
z Ato jurídico perfeito.
funções. Quando o agente atua fora dos limites da lei,
diz-se que cometeu ato nulo por excesso de poder. É,
Tal princípio do Processo Administrativo Federal,
por isso, sempre um ato vinculado.
em que há vedação expressa à aplicação retroativa
A competência possui certas características pró-
de nova interpretação de norma, privilegia a estabi-
lidade das relações e situações jurídicas previamente prias, a saber: obrigatória, intransferível, irrenun-
estabelecidas. ciável, imodificável, imprescritível e improrrogável.
Veremos de modo mais específico cada uma delas a
seguir:

z Obrigatória, porque representa um dever do agen-


ATO ADMINISTRATIVO
te público;
CONCEITO DE ATO ADMINISTRATIVO z Intransferível significa que, de modo geral, a com-
petência é um quesito personalíssimo, não pode
Para o Direito, os atos são aqueles capazes de moti- ser transferido para terceiros;
var efeitos jurídicos. Logo, assim como as pessoas na z Irrenunciável, porque o agente público não pode
vida privada, a Administração Pública também prati- abrir mão de sua competência;
ca atos, os quais possuem potencial de produzir efei- z Imodificável significa que a competência, uma vez
tos jurídicos diversos. estabelecida, não pode sofrer alterações posteriores;
Para Hely Lopes Meirelles, atos administrativos z Imprescritível, porque a competência perdura ao
são as manifestações de vontade da Administração longo do tempo, ela não caduca;
Pública que objetivam adquirir, resguardar, transfe- z Improrrogável significa dizer que se é competente
rir, modificar, extinguir e declarar direitos ou impor hoje, continuará sendo sempre, exceto por previ-
obrigações aos particulares ou a si própria. Isso signi- são legal expressa em sentido contrário.
fica que a Administração, antes mesmo de iniciar sua
atuação, deve expedir uma declaração que exprime a No entanto, essas características não vedam a pos-
sua vontade de realizar o referido ato.
sibilidade de delegação, quando prevista em lei. Por
Importante frisar o caráter infralegal dos atos
isso, pode-se dizer também que a delegabilidade é
administrativos, pois imprescindível é a submissão da
outra característica da competência. Porém, atente-se
Administração Pública, seus agentes e órgãos à sobe-
rania popular. ao disposto no art. 13, da Lei n° 9.784, de 1999.

Não podem ser objeto de delegação:


Importante!
I - a edição de atos de caráter normativo;
É imprescindível, assim, que o ato administrativo II - a decisão de recursos administrativos;
esteja previsto em lei, sendo que seu conteúdo III - as matérias de competência exclusiva do órgão
não pode ser contrário a ela (contra legem), mas ou autoridade. Alguns atos, então, não podem ser
deve complementá-la, apresentando, então, uma delegados a outras autoridades, principalmente se
conformidade (secundum legem). tais atos são de competência exclusiva do agente
público.

REQUISITOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS


Objeto
Os requisitos ou elementos dos atos administrati-
Objeto é o conteúdo do ato, ou o resultado que
vos são assuntos com imensa divergência doutrinária.
pretende ser almejado pela prática do ato adminis-
A maioria dos concursos públicos ainda adota a con-
cepção mais clássica dos requisitos dos atos adminis- trativo. Todo ato administrativo tem por objeto a
trativos e, por isso, daremos maior destaque a ela. criação, modificação ou comprovação de situações
De modo geral, a corrente clássica, defendida por jurídicas concernentes a pessoas, bens, ou atividades
autores como Hely Lopes Meirelles, tende a dispor cin- sujeitas ao exercício do Poder Público. É por meio dele
co requisitos dos atos administrativos para a sua for- que a Administração exerce seu poder, concede um
mação, utilizando, como inspiração, o preceito legal benefício, aplica uma sanção, declara sua vontade,
148 disposto no art. 2º, da Lei n° 4.717, de 1965. São eles: estabelece um direito do administrado etc.
O objeto pode não estar previsto expressamente Além dessa concepção clássica, há também uma
na legislação, cabendo ao agente competente a opção classificação mais moderna dos requisitos dos atos
que seja mais oportuna e conveniente ao interesse administrativos, elaborada por autores como Celso
público. A definição de objeto do ato administrativo Antônio Bandeira de Mello. Por ser pouco utilizada
trata-se, por isso, de ato discricionário. em concursos públicos, observaremos apenas os pon-
tos essenciais e didáticos da referida classificação.
Forma Para essa concepção moderna, são requisitos dos
atos administrativos:
A forma é o modo por meio do qual se exterioriza
o ato administrativo, é seu revestimento. O desrespei- z Sujeito;
to à forma do ato acarreta na sua nulidade. Trata-se z Motivo;
de ato vinculado, quando exigida por Lei, e discricio- z Requisitos procedimentais;
nário quando a sua escolha couber ao próprio agente z Finalidade;
público. z Causa;
Em regra, os atos administrativos são sempre exte- z Formalização.
riorizados por escrito, mas podem também ser orais,
gestuais, ou até mesmo expedidos por máquinas. O Sujeito, requisitos procedimentais e causa são os
art. 22, da Lei n° 9.784, de 1999, determina que “os requisitos vinculados, enquanto o motivo, a finalida-
atos do processo administrativo não dependem de for- de e a formalização são requisitos discricionários.
ma determinada senão quando a lei expressamente a
exigir”. ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS

Motivo Atributos são as características dos atos adminis-


trativos, que os distinguem dos demais atos jurídicos,
O motivo é a circunstância de fato ou de direito que pois estão submetidos ao regime jurídico administra-
determina ou autoriza a prática do ato, isto é, a situa- tivo. Essas características traduzem em prerrogativas
ção fática que justifica a realização do ato. Situação concedidas à Administração Pública para que ela pos-
de fato é o conjunto de circunstâncias que motivam sa atender de maneira adequada as necessidades da
a realização do ato; questões de direito é a previsão população.
legal que leva à realização do ato. A doutrina moderna faz referência a cinco atribu-
O motivo pode ser tanto requisito vinculado como tos distintos:
discricionário, dependendo do comando legal impos-
to aos agentes. Assim, o motivo será vinculado quando z Presunção de legitimidade e veracidade;
a lei expressamente obrigar o agente a agir de um cer- z Imperatividade;
to modo, como na hipótese de lançamento tributário z Exigibilidade;
(o fiscal da Receita não tem direito de escolha, se deve z Auto executoriedade;
ou não fazer o lançamento). z Tipicidade.
Situação diversa é a do pedido de demissão de ser-
vidor público no caso de incontinência pública (inciso Veremos cada um desses atributos de modo mais
V, do art.