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DEFINIÇÃO

Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) na experiência do adulto. Ciclo de Aprendizagem


Vivencial (CAV). Metodologia AuCoPre no processo de ensino-aprendizagem online de adultos.

PROPÓSITO
Abordar adequadamente temas da andragogia por meio da identificação das metodologias ativas
aplicadas ao ensino e à aprendizagem de adultos, reconhecendo seus diferenciais de finalidade de
aprendizagem e contextos de aplicação.

OBJETIVOS

MÓDULO 1
Identificar a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) como metodologia ativa para adultos

MÓDULO 2

Descrever o Ciclo de Aprendizagem Vivencial (CAV)

MÓDULO 3

Reconhecer a Metodologia AuCoPre como recurso no ensino online


INTRODUÇÃO

VOCÊ JÁ PERCEBEU QUE A MANEIRA DE VER O


MUNDO E A COMPREENSÃO DO QUE ACONTECE
EM NOSSA VIDA MUDAM À MEDIDA QUE OS ANOS
PASSAM?

Isso também acontece com a nossa experiência de estudar e de aprender. Se for verdade que as
pessoas aprendem de forma diferente e em ritmos distintos, essa característica é ainda mais notável
no adulto. Por isso, quem está envolvido com ensino-aprendizagem de adultos deve conhecer
metodologias que trabalhem positivamente os diferenciais de aprendizagem desse público-alvo.

Neste tema, você será apresentado a algumas metodologias que contribuem para o protagonismo do
aluno adulto em seus estudos. Essas metodologias são denominadas metodologias ativas, isto é,
estão centradas nos alunos e favorecem a maior participação deles no processo de aprendizagem,
em vez de vivenciar uma experiência passiva de aprendizado.

As metodologias ativas partem da compreensão de como o adulto aprende, valorizando sua


condição individual, sua autonomia, curiosidade, seu senso de responsabilidade e sua criatividade.

PODEMOS APRENDER COM OS


PROBLEMAS?

QUANTAS VEZES VOCÊ FALOU OU OUVIU A


PALAVRA PROBLEMA NA SUA VIDA?

Esse é um termo comum e tem sido empregado em diferentes contextos.

Você pode ter um problema na sua vida: seu carro pode apresentar defeito no motor, sua experiência
em resolver problemas nas aulas de Matemática pode ter sido mal sucedida.
Em todas essas situações, a palavra problema aponta para algo que precisa ser superado, resolvido
ou trabalhado.

Embora, em alguns casos, a palavra possa estar carregada de um sentido negativo, queremos
destacar problema como uma função desafiadora, como uma meta a ser atingida, um obstáculo a ser
superado.

Assim, é a partir de um tema desafiador, de algo a ser transposto, que você deve entender o
problema como elemento importante de uma metodologia de aprendizagem. Isso mesmo, podemos
ensinar e aprender por meio de problemas.
METODOLOGIA

Metodologia vem do grego methodos (meta: finalidade + hodos: caminho) combinado com logia
(conhecimento), ou seja, corresponde à aplicação de um caminho para atingir determinada
meta, que pode ser a construção de algum conhecimento, respaldando-se de uma visão de
mundo, de um ou vários princípios teóricos.

A metodologia poderia também ser entendida como o estudo da base teórica dos métodos.

 ATENÇÃO

A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) é uma das metodologias ativas que resgata a
importância de aprender construindo uma solução.

A construção de soluções é fundamental para essa metodologia, pois corresponde a um processo


que implica pesquisas, refinamento de informações, tomadas de decisão, reflexão e proposta ou
elaboração de solução. Podemos adiantar um importante benefício dessa metodologia, pois ela
reflete os esforços e o envolvimento que o adulto tem no seu cotidiano ao usar as experiências e o
conhecimento na busca de solução de problemas voltados ao âmbito educacional.

ASSIM, NO CONTEXTO EDUCACIONAL, A


APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS PODE
AMPLIAR O INTERESSE DO ALUNO E SUA MOTIVAÇÃO,
FAVORECER SUA AUTONOMIA E ESTIMULAR A
AUTOAPRENDIZAGEM E A CRIATIVIDADE (MARTINS,
2002).

APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS


(ABP)
A metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), do inglês Problem-Based
Learning (PBL), surgiu na década de 1960 a partir do trabalho de um grupo de professores de
Medicina da McMaster University, no Canadá. Esses professores buscavam expor os alunos a uma
situação-problema a fim de que eles utilizassem diferentes recursos para superar um obstáculo e
realizar a aprendizagem, estabelecendo, assim, uma relação entre prática e teoria.

Já faz algum tempo que a ABP foi além dos cursos de Medicina e passou a atuar em diferentes
áreas de conhecimento.

Na experiência do adulto, essa metodologia se


mostra relevante, pois permite valorizar
características do perfil desse aprendiz.

Para que a aprendizagem do adulto ocorra, ela


precisa ser transformacional, “exigindo do
professor compreensão de novos significados,
relacionando-os às experiências prévias e às
vivências dos alunos, permitindo a formulação de
problemas que estimulem, desafiem e incentivem
novas aprendizagens”.

Fonte: Shutterstock

A aprendizagem baseada em problemas pode favorecer essa situação ao ajudar o aluno adulto no
aprendizado do conteúdo teórico, ao desenvolver sua capacidade de resolver problemas e ao
envolver o aluno ativamente no aprendizado (PEREIRA, 1998, apud BOROCHOVICIUS; TORTELLA,
2014, p. 266).

A ABP é inspirada nos princípios das teorias de perspectiva construtivista e cognitiva. Ela deve
ser considerada uma forma de aprendizagem baseada na colaboração, construção e
contextualização do conhecimento.

TEORIAS DE PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA E


COGNITIVA
Essas teorias abordam o conhecimento e o aprendizado a partir da interação entre o sujeito e o
objeto (mundo ou realidade) por meio de um processo permanente de construção e
reconstrução que resulta no conhecimento. Assim, as pessoas aprendem explorando
ativamente o mundo que as rodeia, recebendo a avaliação de suas ações e formulando
conclusões. O ambiente social e o diálogo com colegas e professores também contribuem para
o desenvolvimento de uma compreensão compartilhada das tarefas ou atividades de
aprendizagem (FILATRO, 2009).

NO QUE CONSISTE O ATO DE APLICAR UMA


METODOLOGIA ATIVA, EM QUE O ALUNO
SOLUCIONA PROBLEMAS?

Para responder a esse questionamento, em primeiro lugar, deve-se acreditar na capacidade positiva
do aluno em se desafiar a resolver problemas.

Esses desafios, em termos andragógicos, são valorizados pelo aluno adulto na medida em que ele
enxerga alguma finalidade na resolução de determinado problema, que poderá auxiliá-lo, de modo
prático, no seu mundo profissional. Seu esforço de resolução tem a ver com o reconhecimento de
sua aplicação na realidade.


Sob tal perspectiva, entende-se que a linha metodológica tem de usar elementos que já fazem parte
do universo desse aluno para que ele não encontre dificuldade de perceber o seu propósito. Por
exemplo, é importante mencionar estudos de casos de sucesso e de insucesso, bem como dar
exemplos claros e objetivos para que o aluno adulto possa acompanhar.

Fonte: Shutterstock
Essa metodologia pode ser descrita, então, por meio das seguintes características (BRIDGES, 1992,
p. 5-6 apud BOROCHOVICIUS; TORTELLA, 2014):

1. O problema é o ponto de partida da aprendizagem, ou seja, é um estímulo que não encontra no


aluno uma resposta pronta ou imediata.

2. O problema deve preparar os alunos, como futuros profissionais, para os desafios do mercado.

3. O conhecimento para a formação profissional é organizado em torno de problemas, em vez de


disciplinas ou aulas tradicionais.

4. Os alunos, individual e coletivamente, assumem responsabilidade pelas suas próprias instruções e


aprendizagens.

5. O aprendizado ocorre preferencialmente dentro do contexto de pequenos grupos, e não por meio
de exposições orais para toda a turma.

ESSA DESCRIÇÃO DA METODOLOGIA É TAMBÉM


UM CONJUNTO DE AÇÕES QUE PODE CONTRIBUIR
PARA BONS RESULTADOS NO TRABALHO COM A
METODOLOGIA DA APRENDIZAGEM BASEADA EM
PROBLEMAS.

TRABALHANDO A ABP SOB O FOCO DO


ALUNO
Para trabalhar com a metodologia ABP, é recomendável que o aluno tenha algum domínio prévio em
termos de aprendizagem, como organização e capacidade para reconhecer os recursos e
desenvolver diferentes e novas habilidades. Essas habilidades e os domínios podem ser de ordem
cognitiva ou relacionados à comunicação interpessoal, ao engajamento e ao envolvimento nas
atividades propostas.

Confira alguns exemplos dessas habilidades:

Ter foco para definir o problema a ser


solucionado.

Entender a sua finalidade de aplicação após


chegar à chave de solução.

Desenvolver técnicas para pesquisar e estar


imbuído do espírito investigativo.

Buscar e selecionar informações.

Saber citar as fontes utilizadas.

Fonte: Shutterstock
Trabalhar bem em coautoria.

Construir sua própria abordagem de solução


de problemas.

Saber usar mecanismos de comunicação de


forma colaborativa.

Saber discutir conceitos com os demais


participantes.

Ter clareza para apresentar a solução.

Enxergar os limites da solução alcançada.

SE O ALUNO FOR BEM ORIENTADO NO


DESENVOLVIMENTO DESSAS HABILIDADES, USANDO A
METODOLOGIA DE ABP, ELE TERÁ MAIS
POSSIBILIDADES DE RESOLVER ADEQUADAMENTE OS
PROBLEMAS DA VIDA REAL OU DA FUTURA ATIVIDADE
PROFISSIONAL (DELISLE, 1997).

TRABALHANDO A ABP SOB O FOCO DO


PROFESSOR/FACILITADOR
Existem alguns procedimentos que podem ser sugeridos ao professor que aplica a metodologia ABP.
Entre eles, destacam-se:

Favorecer sempre o trabalho de participação


e de colaboração do aluno nos grupos.

Discutir com os alunos as temáticas que


mais fazem sentido eles aprenderem ou
aprofundarem seus conhecimentos.

Apresentar um tópico para discussão e pedir


embasamento de pesquisa para a
formulação de bons argumentos e boas
referências.

Trabalhar tarefas que são desempenhadas


individualmente e também em pequenos
Fonte: Shutterstock
grupos, garantindo que todos possam
acompanhá-las.

Trabalhar problemas reais ou simulados;


neste último caso, o mais próximo possível
da realidade.
Dar espaço para o exercício de soluções
criativas.

Valorizar a experiência e o conhecimento


prévio na relação com o novo conhecimento
pesquisado.

Indicar formas de como pesquisar.

A APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS, DESSE


MODO, CARACTERIZA-SE COMO A CONSTRUÇÃO DE
SOLUÇÃO DE PROBLEMAS A PARTIR DE
QUESTIONAMENTOS DOS ALUNOS, QUE BUSCAM
CONHECER DIVERSOS CENÁRIOS E ALTERNATIVAS
PARA DAR SUBSÍDIO À FORMULAÇÃO DE UMA OU MAIS
SOLUÇÕES (FILATRO ET AL., 2019).

O RESULTADO, NO ENTANTO, NÃO PODE SER PREVISTO,


POIS EXISTE UMA COMBINAÇÃO DE COMPETÊNCIAS,
ALIADAS AO IMPULSO EMPREENDEDOR DOS ALUNOS E
A UMA DOSE DE CRIATIVIDADE.

CRIATIVIDADE PARA A METODOLOGIA ABP


A criatividade é, indiscutivelmente, uma estratégia necessária para a metodologia ABP. Essa
característica se mostra relevante para o aprendizado quando, por exemplo, pensa-se na demanda
do mercado de trabalho por profissionais criativos que elaborem soluções para velhos e novos
problemas. Esses profissionais devem saber analisar e selecionar os melhores recursos, ao mesmo
tempo em que podem dar mais agilidade ao processo de solução de problemas.

FILATRO ET AL. (2019) DESTACAM O CONCEITO DE


METODOLOGIAS CRI(ATIVAS), ENGLOBANDO A
CRI(ATIVIDADE) NO CONTEXTO ANDRAGÓGICO DE
ENSINO E APRENDIZAGEM.

Tal conceito, segundo esses autores, já é bastante disseminado no ambiente corporativo e


fundamentado em três princípios básicos:

PROTAGONISMO DO ALUNO:

entendido como foco das ações educativas.


COLABORAÇÃO:

com ênfase na abordagem da aprendizagem social e na participação em comunidades e grupos.

AÇÃO-REFLEXÃO:
processo que transforma a experiência individual em conhecimento que se relaciona com uma
experiência prática.

No ambiente educacional, a valorização da criatividade deve estar relacionada à busca de algo novo
na construção do saber, já que se pretende transformar o potencial criativo dos alunos.

Por isso, é preciso um esforço para romper com o conformismo, a passividade e a estereotipia que,
muitas vezes, impedem no meio escolar as...

[...] CONDIÇÕES QUE FAVORECEM A MANIFESTAÇÃO DA


CRIATIVIDADE, COMO A INTUIÇÃO, A ABERTURA AOS
SENTIMENTOS E ÀS EMOÇÕES”

MARTINS, 2002, p. 75

 ATENÇÃO

A criatividade, assim, será importante para que professores e alunos planejem, elaborem e apliquem
atividades a partir da metodologia ABP. A Aprendizagem Baseada em Problemas poderá, dessa
forma, ser um fator de motivação para os alunos adultos, levando-os a se sentirem participantes
ativos de seu próprio processo de aprendizagem.

No vídeo a seguir, a Professora Marilene Garcia aborda os assuntos até aqui trabalhados,
exemplificando-os.
VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. A APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS (ABP) PODE SER


IDENTIFICADA COMO UMA METODOLOGIA ATIVA RECOMENDÁVEL PARA
ADULTOS PORQUE:

A) Permite valorizar características do perfil desse aprendiz.

B) Não relaciona o aprendizado às experiências prévias e às vivências do aluno.

C) O aluno adulto aprende melhor quando não precisa compreender novos significados.

D) O aprendizado teórico não precisa ser realizado por meio da colaboração, construção e
contextualização do conhecimento.

2. A PALAVRA PROBLEMA, NO SENSO COMUM, NORMALMENTE É


CARREGADA DE UM SIGNIFICADO NEGATIVO. NA METODOLOGIA ABP,
PODE-SE ENTENDER O “PROBLEMA” A PARTIR DE OUTRA IDEIA. ASSINALE
A ALTERNATIVA QUE APRESENTA ESSA IDEIA OU ESSE SENTIDO PARA O
TERMO PROBLEMA.

A) A possibilidade de desenvolver novos obstáculos para a aprendizagem adulta.

B) A aplicação de um método que tem como pressuposto apresentar dificuldades para o raciocínio
de quem aprende.

C) A transformação da visão do problema em um desafio que pode ser vencido e a indicação de uma
solução.

D) Transformar o problema em algo prazeroso, sem precisar refletir sobre as dificuldades.

GABARITO

1. A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) pode ser identificada como uma


metodologia ativa recomendável para adultos porque:

A alternativa "A " está correta.


A metodologia ABP está relacionada ao perfil do aluno adulto porque valoriza suas experiências, seu
conhecimento prévio e sua necessidade de aprender a teoria por meio de práticas colaborativas e
que contextualizem o conhecimento, tornando o que se aprende mais próximo das situações reais
em que os problemas devem ser enfrentados e resolvidos.

2. A palavra problema, no senso comum, normalmente é carregada de um significado


negativo. Na metodologia ABP, pode-se entender o “problema” a partir de outra ideia. Assinale
a alternativa que apresenta essa ideia ou esse sentido para o termo problema.

A alternativa "C " está correta.

A transformação da visão do problema em um desafio pode ocorrer por meio da busca de uma
solução pautada em diferentes capacidades e recursos.

CICLO DE APRENDIZAGEM VIVENCIAL (CAV)

O CICLO DE APRENDIZAGEM VIVENCIAL (CAV)


PODE SER DESCRITO COMO UMA METODOLOGIA
DE ENSINO QUE ENTENDE A APRENDIZAGEM
COMO A CAPACIDADE DE O ALUNO ADULTO
TRANSFERIR AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES
CONQUISTADAS AO FINAL DO CICLO PARA
SITUAÇÕES IMEDIATAS. O CAV FOI PROPOSTO
PELO PROFESSOR E PESQUISADOR DAVID KOLB
EM SUA TEORIA DA APRENDIZAGEM
EXPERIENCIAL.

As experiências individuais e colaborativas pelas quais os aprendizes passam são consideradas


parte muito relevante do ciclo de aprendizagem vivencial. No entanto, somente vivenciar
experiências individuais e colaborativas não chega a ser suficiente, pois o aluno precisa saber fazer
as transferências para práticas, propostas ou soluções.

DAVID KOLB

Psicólogo e teórico norte-americano com doutorado em Educação pela Universidade de


Harvard. Kolb é um estudioso dos estilos de aprendizagem, da educação corporativa e
profissional.

O conceito de aprendizagem experiencial também


pode ser entendido como “aprender fazendo”,
uma metodologia de ensino que foi proposta
inicialmente pelo educador e filósofo John Dewey
(FILATRO et al., 2019).

Fonte: Wikipédia

JOHN DEWEY (1859-1952)


Filósofo norte-americano, professor nas universidades de Michigan, Minnesota, Chicago e de
Columbia. As ideias de John Dewey inspiraram, no Brasil, o surgimento do movimento Escola
Nova, liderado pelo educador Anísio Teixeira.

A aprendizagem experiencial ou o “aprender fazendo” abrange cinco condições essenciais (FILATRO


et al., 2019):

Fonte: Shutterstock

Quando se pensa em um ciclo, a partir do que


Kolb (1984) propôs no CAV, logo se imagina um
percurso educacional que atende a alguma
demanda de aprendizagem. O ciclo deve envolver
um diferencial, uma vivência ou uma
experimentação, o que pode ser chamado de
“sentir na pele” uma situação. Depois disso, é
preciso fazer uma reflexão, considerando o que se
depreendeu da vivência, analisar os prós e
contras, a fim de encontrar alguma proposta de
realização de algo que seja condizente com a
Fonte: Wikipédia
realidade do aprendiz.

Entenda isso melhor, na imagem a seguir:


Fonte: : Potencialize – desenvolvimento de
pessoas/Shutterstock

Esse ciclo deve ser percorrido em diferentes fases. Nesse caso, o aprendiz interage com um grupo
de participantes, que é estimulado por um professor ou facilitador.

Com a aplicação do CAV, há a expectativa da aquisição de um domínio, que pode ser uma
capacidade ou uma competência a ser expandida no contexto de vida e de trabalho real do aprendiz.

 EXEMPLO

Pode-se levar o aprendiz a entender, por meio da vivência, os danos que o mau uso de ferramentas
de comunicação pode causar, provocando desinformação, descrença nos membros das equipes,
retrabalho, confusão etc.

Fonte: Shutterstock
A partir dessa vivência, com a reflexão e sensibilização do aprendiz adulto, verificando a sua
realidade, o aluno pode traçar um plano de comunicação ou de um treinamento mais adequado às
necessidades do ambiente de sua empresa ou de um ambiente de trabalho hipotético. Assim, é
possível estabelecer protocolos de interação na comunicação em grupos virtuais, como estabelecer
objetivos de comunicação e lidar com questões de ética.

O ciclo envolve a ideia de que algo é percorrido, com início, desenvolvimento e conclusão. Além
disso, em cada uma dessas fases, são oferecidos subsídios para avançar a outra fase. Esse ciclo,
então, parte da vivência ou de uma experiência, possibilitando qualificar o aprendiz para as próximas
fases. Isso pressupõe uma ordem necessária, que leva a um ponto de desfecho.

Assim, passando por essas fases, espera-se que o aprendiz esteja mais bem preparado em função
do que conseguiu aprender para poder aplicar o conhecimento à sua realidade.

FUNDAMENTO DO CICLO DE APRENDIZAGEM


VIVENCIAL (CAV)
O ciclo de aprendizagem vivencial de Kolb (1984) parte de duas importantes dimensões:

Compreensão da realidade – aquilo que se dispõe a sentir e pensar.

Transformação da realidade – aquilo que se dispõe a observar e fazer.

Para que este ciclo entre em movimento, é importante pautar-se em alguns fundamentos que
estruturam a sua dinâmica. Assim, o CAV envolve fundamentalmente a aquisição de quatro
capacidades:
EXPERIÊNCIA CONCRETA

(EC) – fase de sentir

Este estilo de aprendizagem é próprio de pessoas que gostam de enfrentar situações reais a partir
de diferentes pontos de vista. Elas demonstram interesse genuíno pelas outras pessoas e são
também bastante emocionais.

OBSERVAÇÃO REFLEXIVA

(OR) – fase de observar

Envolve observação e reflexão sobre a experiência concreta pela qual se passou na fase anterior e a
realização de um relato.

Fonte: Shutterstock

CONCEPÇÃO ABSTRATA

(CA) – fase de pensar


Envolve a construção de uma formulação abstrata, um pensamento sobre o que passou, usando a
lógica, a razão e criação de uma concepção abstrata.

EXPERIMENTAÇÃO ATIVA

(EA) – fase de experimentar

Envolve a construção de uma proposta de aplicação, de modo a reunir o que se aprendeu na


vivência, na reflexão e na organização do relato, incorporando as opiniões dos demais participantes.

PROPOSTA DE APLICAÇÃO

Tal proposta pode vir em diferentes formatos, tais como: treinamentos, desenvolvimento de
diretrizes, planos de metas e de melhorias, implantação de novas formas de gestão, aquisição
de novos equipamentos para alterar o processo de produção, alteração de layout, entre outros
formatos.

 ATENÇÃO

Essas capacidades permeiam o CAV de forma que o aprendiz, passando por cada uma dessas
fases, vai se preparando, subindo e conquistando uma nova condição, na qual também é testado. É
importante salientar o trajeto de melhoria da condição inicial para a final, bem como o fortalecimento
da autoestima.

Segundo Kolb (1984), tratando-se de processo dinâmico relacionado à vivência, à experiência e à


integração de conceitos para o alcance da aprendizagem, o ciclo pode ser descrito na forma de uma
espiral.

Existem também quatro estilos de aprendizagem que podem ser levados em conta ao operar as
fases do CAV, conforme você pode conferir a seguir.

DIVERGENTES
Este estilo de aprendizagem é próprio de pessoas que gostam de enfrentar situações reais a partir
de diferentes pontos de vista. Elas demonstram interesse genuíno pelas outras pessoas e são
também bastante emocionais.

CONVERGENTES

Este estilo de aprendizagem é predominante em pessoas que têm inclinações por realizar tarefas
mais técnicas, gostam de aplicações práticas das ideias, ao mesmo tempo em que precisam ser
desafiadas a tomar decisões.

Fonte: Shutterstock

ASSIMILADORES

Este estilo de aprendizagem é decorrente de pessoas com capacidades para a organização de


ideias, reunião de fatos e informações, com uso de uma coerência baseada na lógica e no
pensamento abstrato. Seria um estilo contrário ao dos convergentes.
ACOMODADORES

Este estilo de aprendizagem é próprio de pessoas que gostam de novos desafios, experiências
práticas, que não fogem de correr riscos e são inclinadas naturalmente a encarar mudanças de vida.
Elas não se importam muito com dados lógicos ou provenientes de uma análise técnica.

Estilos de aprendizagem operantes no CAV. Adaptado de Kolb (1984) e Filatro et al. (2019).

NATURALMENTE, AO PENSAR NA POSSIBILIDADE


DE CONDUZIR UMA APRENDIZAGEM MAIS
PROFUNDA, SEGUNDO ESSAS ORIENTAÇÕES DE
KOLB, DEVE-SE ENTENDER QUE OS ESTILOS DE
APRENDIZAGEM SÃO TRATADOS DE FORMA
EQUILIBRADA, NÃO PRIVILEGIANDO QUALQUER
UM DELES.

APLICAÇÃO DO CAV EM AMBIENTE DE SALA


DE AULA
A aplicação do CAV em sala de aula consiste em uma série de preparações que poderão ordenar
diferentes ações. Uma sugestão é seguir esses quatro passos:

O QUE IREMOS FAZER?

Quais são os recursos necessários?


Quais capacidades os aprendizes deverão demonstrar ao final dessa fase?

Como fazer a autoavaliação?

Confira em seguida as quatro fases do CAV e, em cada uma delas, os quatro passos ou ações.

FASE 1 - EXPERIÊNCIA CONCRETA (EC) – VIVÊNCIA


I. O que iremos fazer?

Realizar uma atividade que tem a aplicação de uma vivência em seu pressuposto, algo que se possa
experimentar. Ela poderá ser o resultado de uma cultura maker: fabricar alguma coisa, participar de
uma dinâmica, participar de um jogo, fazer uma dramatização.

II. Quais são os recursos necessários?

Isso depende da atividade escolhida, que demandará um tipo de recurso (cartolinas e lápis coloridos
para escrever ideias ou resultados; um aplicativo específico; uso de mobile etc.).

III. Quais capacidades os aprendizes deverão demonstrar ao final dessa fase?

Capacidade de vivenciar situações diversificadas, fazer comparações, ser levado a fazer


descobertas, dar uma solução a um problema comum, negociar uma solução.

IV. Como fazer a autoavaliação?

Perguntar ao grupo os sentimentos, os achados, como se viu ao realizar a vivência, o que poderia
melhorar o desempenho de cada um e do grupo. Isso pode ser realizado em duplas, em trios ou em
grupos maiores.

FASE 2 - OBSERVAÇÃO REFLEXIVA (OR) – RELATO


I. O que iremos fazer?

Como resultado da observação reflexiva, sugere-se fazer um relato, que tem o objetivo de
compartilhar as impressões levantadas na vivência da fase anterior.

II. Quais são os recursos necessários?

Para fazer os relatos, no decorrer da dinâmica, deve ser dado espaço para escrever ou falar
livremente sobre o que foi vivenciado anteriormente. O aluno pode utilizar dispositivos móveis, ou
mesmo papel e caneta. O importante é que ele se sinta em um ambiente favorável e acolhedor para
expressar o que sente e ter a audiência dos demais participantes, entendendo que uma atmosfera de
troca é importante para todos.

III. Quais capacidades os aprendizes deverão demonstrar ao final dessa fase?


Nesse caso, eles deverão trabalhar a memória, com o resgate das situações vivenciadas, ter
pensamento crítico, associado a trabalhar coerentemente as ideias, saber o início, meio e fim do
relato. Deve-se também trabalhar a autoconfiança para se expressar em público.

IV. Como fazer a autoavaliação?

Solicitar que alguns membros do grupo, espontaneamente, exponham o que acharam dessa fase. É
importante a troca de informações.

FASE 3 - CONCEPÇÃO ABSTRATA (CA) – PENSAMENTO/


REFLEXÃO
I. O que iremos fazer?

Depois do relato, que traz dados concretos sobre a evolução da dinâmica, agora é necessário fazer
uma reflexão, entendendo como isso se torna conhecimento a partir da prática.

II. Quais são os recursos necessários?

Os aprendizes poderão usar os recursos da fase anterior. No entanto, deverão aproveitar o tempo
para relacionar as informações, raciocinar, entender as lógicas, a fim de que produzam
conhecimentos.

III. Quais capacidades os aprendizes deverão demonstrar ao final dessa fase?

Capacidade de trabalhar o pensamento lógico, refinar informações, formar conceitos abstratos e


fazer generalizações.

IV. Como fazer a autoavaliação?

Perguntar ao grupo sobre os sentimentos e as sensações experimentadas para produzir esse tipo de
conhecimento. Os alunos também podem expressar suas sugestões de melhoria, o que poderia ser
corrigido, por exemplo.

FASE 4 - EXPERIMENTAÇÃO ATIVA (EA) – EXPERIÊNCIA


I. O que iremos fazer?

Os aprendizes serão orientados a fazer uma aplicação prática do que foi aprendido em todas essas
fases.

II. Quais são os recursos necessários?

Dar elementos para os aprendizes fazerem planejamento, levantar o que foi trabalhado
anteriormente e estruturar um plano de aplicação à realidade.

III. Quais capacidades os aprendizes deverão demonstrar ao final dessa fase?

Capacidade de fazer planejamentos, usar criatividade, ter clareza sobre os objetivos, a fim de
viabilizar a aplicação dos conceitos na sua própria realidade. Os alunos usarão a capacidade de
levantar dados, entender processos, tomar decisões para buscar solução de problemas. Devem ter
conhecimentos sobre como formatar uma proposta, fazer uma planilha, como comunicar o plano aos
envolvidos, como acompanhar, validar e avaliar os resultados.

IV. Como fazer a autoavaliação?

Perguntar ao grupo as estratégias utilizadas para fazer a aplicação dos conhecimentos conquistados
ao longo do CAV. Aqui, a opinião dos participantes deverá focar na troca de informações sobre o
plano de aplicação na realidade. O pensamento crítico deve ser incentivado.

É IMPORTANTE COMPREENDER QUE O CAV TRABALHA


COM UMA LINHA DE VERBOS QUE AUXILIAM A
REALIZAÇÃO DE CADA UMA DAS FASES.

Confira a tabela a seguir para que esses verbos fiquem bastante reforçados:

FASES VERBOS PARA ATUAÇÃO NO CAV

Fase I – Experiência
Sentir – a partir da imersão nas vivências propostas.
Concreta

Fase II – Observação
Observar – a partir de diferentes perspectivas de observação.
Reflexiva

Fase III – Conceituação Pensar – encontrar uma forma de como integrar a vivência
Abstrata com a realidade.

Fase IV – Fazer – usar conhecimento de conceitos / pesquisas para a


Experimentação Ativa solução prática.

Fases do CAV e verbos. Baseado em Filatro et al. (2019).

 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal


No vídeo a seguir, as professoras Marilene Garcia e Marta Amaral compartilham experiências de
metodologias ativas nos moldes do CAV.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE DESCREVE ADEQUADAMENTE O CICLO


DE APRENDIZAGEM VIVENCIAL (CAV).

A) O CAV é uma metodologia de ensino centrada nos diferentes ciclos de vida do aluno e, como em
cada ciclo, o professor deve escolher abordar os conteúdos.

B) No CAV, os diferentes ciclos de aprendizagem preparam o aluno para melhor se adaptar à


realidade escolar, constituindo-se em fases nas quais o sentir, o observar, o pensar e o experimentar
não interferem na autoestima do aluno.

C) O CAV consiste em fases de compreensão e transformação da realidade do aluno


independentemente de atividades de avaliação e de autoavaliação.

D) A compreensão e a transformação da realidade são importantes no CAV, uma metodologia de


ensino que envolve a experiência concreta (sentir), a observação reflexiva (observar), a concepção
abstrata (pensar) e a experimentação ativa (experimentar).

2. ENTRE OS QUATRO ESTILOS DE APRENDIZAGEM DO CAV,


ENCONTRAMOS O ESTILO DOS “ACOMODADORES”. MARQUE A
ALTERNATIVA QUE DESCREVE ADEQUADAMENTE ESSE ESTILO DE
APRENDIZAGEM:
A) Os aprendizes com o perfil de acomodadores gostam de enfrentar desafios, correr riscos e
também podem se adaptar mais facilmente a mudanças.

B) Os aprendizes com o perfil de acomodadores gostam de discutir, sob diferentes pontos de vista,
uma solução e são bastante assertivos.

C) Os aprendizes com o perfil de acomodadores gostam de trabalhar com o raciocínio lógico e


buscam uma coerência para aquilo que estudam.

D) Os aprendizes com o perfil de acomodadores gostam de tarefas que tenham algum diferencial
mais técnico.

GABARITO

1. Assinale a alternativa que descreve adequadamente o Ciclo de Aprendizagem Vivencial


(CAV).

A alternativa "D " está correta.

O Ciclo de Aprendizagem Vivencial (CAV) implica em um trabalho de sentir, pensar, observar e atuar
a partir da realidade, levando o aluno a compreender e transformar a realidade. Assim, para que o
ciclo de aprendizagem aconteça, é preciso a aquisição ou o desenvolvimento de fases como a da
experiência concreta, da observação reflexiva, da concepção abstrata e da experimentação ativa.

2. Entre os quatro estilos de aprendizagem do CAV, encontramos o estilo dos


“acomodadores”. Marque a alternativa que descreve adequadamente esse estilo de
aprendizagem:

A alternativa "A " está correta.

Os aprendizes com o perfil de acomodadores têm a inclinação para enfrentar desafios, gostam de
correr riscos e, ao mesmo tempo, não temem imprevistos nem mudanças. As demais estão erradas.
A letra B apresenta o estilo dos divergentes. A opção C descreve os assimiladores. Já a alternativa D
traz o estilo dos convergentes.
METODOLOGIA AUCOPRE
A metodologia AuCoPre é formada por três elementos principais:

AU

(autoria)

CO

(colaboração)

PRE

(presença)

Essa metodologia foi desenvolvida pela


educadora e professora Marta Amaral Montes, a
partir de pesquisa realizada na Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Originalmente,
a metodologia AuCoPre foi proposta para
estudantes de Ensino Superior em cursos online,
integrando as categorias da autoria do estudante,
da colaboração do grupo e da presença social do
aluno em atividades do Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA) (MONTES, 2017).

Fonte: Marta Amaral Montes

Assim, tal metodologia é trabalhada considerando um aluno que se envolve em atividades


educacionais de EaD – em ambientes digitais – a partir de suas capacidades já instauradas,
decorrentes da experiência profissional, de vida e com outras formas de aprendizagens, como
também ampliando tais capacidades de domínio.

O aluno, nesse contexto de aprendizagem online, apresenta-se como um sujeito que transita num
ambiente virtual com ferramentas, como os fóruns para a exposição de opiniões, a realização de
debate, o uso de argumentações, caracterizando uma aprendizagem ativa.

CONTEXTUALIZANDO A METODOLOGIA AUCOPRE


A convivência com o excesso de informação é desafiadora, pois nos impõe a necessidade de
avaliação, de escolha e de atualização constante. Vivemos num contexto de informações
desorganizadas, fragmentadas, o que não torna fácil a tarefa de selecionar o que é relevante e
articular a nova informação com aquilo que já se domina.

ESSES SÃO SINAIS DE UM TEMPO QUE DESTITUI


VERDADES A TODA HORA E NOS
SOBRECARREGA DE NOVAS
RESPONSABILIDADES: COMO ENCARAR
MUDANÇAS CONTÍNUAS, FILTRAR O QUE É
PERTINENTE E FORMAR PESSOAS PARA O
FUTURO PROFISSIONAL COM O CONHECIMENTO E
OS MÉTODOS QUE NOS TROUXERAM ATÉ ESTE
MOMENTO. O FUTURO TORNOU-SE MUITO
INCERTO PARA SE ENCAIXAR NAS FORMAS
TRADICIONAIS DE ENSINO.

Por isso, são necessárias metodologias que respondam a esse desafio. Nesse sentido, a AuCoPre
pode ser uma das propostas, pois reconhece dois elementos que contribuem para a formação a
partir de uma aprendizagem mais ativa:


Preparar profissionais ativos, mas, ao mesmo tempo, reflexivos, criativos e críticos.


Explorar as experiências desses aprendizes adultos em suas novas demandas de estudos e
de atualização profissional.

O mundo do trabalho deve ser considerado. É necessário refletir sobre as mudanças no ambiente de
trabalho, levando em conta a realidade do passado, integrando esse conhecimento ao presente e
projetando o futuro.

No quadro a seguir, você confere uma síntese dessas mudanças no ambiente do trabalho.

PASSADO PRESENTE/FUTURO

Falta de informação Excesso de informação

Funções do trabalho mais


Funções de trabalho desconhecidas e imprevisíveis
estáveis e previsíveis

Qualidades relevantes:
Qualidades relevantes: criatividade, criticidade; tomada de
disciplina; obediência;
decisão
diligência

Execução do trabalho em Execução do trabalho em um local diversificado – a qualquer


um local fixo hora e em qualquer espaço, desde que mediado por
tecnologias

Primeiro ter uma formação


Aprender enquanto trabalha
e depois iniciar o trabalho

Processos educacionais
Processos educacionais ao longo da vida, absorvendo as
concluídos, com conteúdos
mudanças e novas demandas
estáveis

Projeções de mudanças no ambiente de trabalho. Adaptado de Filatro et al. (2019)

 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal

Esses movimentos ou essas tendências no mundo do trabalho ao longo do tempo devem ser
considerados no desenvolvimento e na utilização de metodologias de ensino e aprendizagem a fim
de garantir uma experiência educacional relevante para os alunos adultos.

Por isso, os processos educacionais devem abranger as habilidades e as capacidades emergentes,


além de preparar os aprendizes para demandas que ainda não são conhecidas no presente.

Um caminho para essa formação pertinente aos desafios do mundo do trabalho é o desenvolvimento
e uso de metodologias que tenham como inspiração teórica a integração entre reflexão e ação, teoria
e prática.

METODOLOGIA AUCOPRE

Ao destacar a autoria do aluno, a colaboração entre seus colegas e a presença ativa num ambiente
de aprendizado, essa metodologia

torna-se relevante para a formação de profissionais que vão atuar num contexto profissional que
exige habilidades como comunicação, trabalho em equipe, iniciativa, espírito crítico e criatividade.

METODOLOGIA AUCOPRE NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


No contexto da Educação a Distância, a metodologia AuCoPre está estreitamente relacionada ao
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), às suas ferramentas e funcionalidades.
Entre os recursos do AVA, a ferramenta do fórum permite melhor exemplificação do uso da
metodologia AuCoPre, pois possibilita a participação individual e coletiva dos alunos que atuam em
coautoria, por meio da colaboração na construção dos textos, em torno da discussão de um tema e
da presença ativa nessa discussão (MONTES, 2017).

O fórum é capaz de criar laços sociais, tornando-se importante ferramenta para as interações e a
construção de um conjunto de recursos compartilhados por um grupo virtual a partir da reciprocidade
dos membros desse grupo, o que configura um capital social (RECUERO, 2009, apud MONTES,
2017).

Os recursos baseados na reciprocidade e na confiança, dos quais desfrutam os membros do grupo


virtual, podem ser classificados da seguinte forma: (MONTES, 2017)

RELACIONAIS
Referem-se aos laços sociais que se pode criar no ambiente virtual.

NORMATIVOS
Sustentam-se pelas normas e regras estabelecidas para o ambiente, a partir de valores morais a
serem trabalhados no grupo.

COGNITIVOS
Relacionam-se aos conhecimentos produzidos e compartilhados socialmente.

DE CONFIANÇA
Refere-se à confiança no comportamento dos membros do grupo, permitindo que o aluno perceba o
ambiente como confiável e possa se expressar ou se expor.

INSTITUCIONAIS
Correspondem às instituições ou à estrutura formal ou mesmo informal de veiculação de um curso ou
atividades de aprendizagem.

Para participar do fórum na metodologia AuCoPre,


o aluno deve realizar as seguintes tarefas:

Pensar;

Se expor;

Registrar as ideias;
Julgar;

Integrar assuntos;

Filtrar informações;

Decidir sintetizar;

Tirar suas próprias conclusões;

Identificar suas posições;

Ser coautor;

Fonte: Shutterstock
Colaborar e

Alinhar valores como ética, respeito e


responsabilidade (MONTES, 2017).

O fórum, sendo uma ferramenta assíncrona, em que a interação se dá em tempos diferentes, e não
simultaneamente, apresenta características apropriadas para o uso da metodologia AuCoPre:

 Clique em cada item para ver suas características.

CARACTERÍSTICAS 1
Apresenta uma orientação do professor ou tutor para a participação do aluno nas discussões e
interações.

CARACTERÍSTICAS 2
Procura motivar os participantes por meio de temas ou tarefas que despertem o interesse e
produzam engajamento.

CARACTERÍSTICAS 3
Oferece espaço para a expressão de resultados de pesquisas autônomas e colaborativas entre os
demais participantes.
CARACTERÍSTICAS 4
Permite a aprendizagem responsiva, ou seja, aquela que depende de engajamentos para que haja o
retorno participativo dos alunos.

CARACTERÍSTICAS 5
Parte de uma abordagem de aprendizagem intersubjetiva, em que os sujeitos da aprendizagem
interagem por meio da colaboração na reflexão sobre questões comuns.

CARACTERÍSTICAS 6
Demanda dos aprendizes capacidades para expor opiniões, pesquisar e se expressar de forma
assertiva.

AUTORIA, COLABORAÇÃO E PRESENÇA


Agora, vamos analisar como a autoria, a colaboração e a presença são atuações que se evidenciam
nos fóruns, viabilizando uma metodologia ativa e mais coerente para alcançar resultados na
aprendizagem de alunos adultos.

AUTORIA

Representa a assinatura do aluno, seu modo de se apresentar e a identificação da sua personalidade


como aluno online. Ela também revela sua marca individual e a qual grupo pertence. Como não há
presença física no ambiente online, a autoria é uma forma de demarcar quem é esse sujeito
aprendiz, principalmente pela maneira como ele atua nas interações.

COLABORAÇÃO

Impulsiona a autoria, ou as coautorias, podendo ter sua origem em uma estrutura de atividades
produzida em pares, em trios ou em grupos maiores. Ela é a contrapartida do aluno a uma questão
desencadeada pelo professor/tutor do curso.

Se o aluno não identificar um elemento motivador que impulsione a colaboração, que gere
engajamento, ele pode ficar desestimulado e se recusar a colaborar com a proposta no fórum,
tornando esse recurso irrelevante para sua aprendizagem (MONTES, 2017). Por isso, é importante
reconhecer que a participação no fórum é uma forma de expressão que indica o grau de
envolvimento do aluno no curso e em suas atividades.

PRESENÇA

Em um curso EaD, ocorre de modo virtual, por meio da interação em atividades, como o fórum. No
planejamento de um curso online, o cuidado com a forma de organizar e apresentar as atividades,
por meio de um eficaz e criativo trabalho de design instrucional, deve favorecer a participação dos
alunos. A presença ativa do aluno, que se dá pelas diferentes formas de interação, deve ser
caracterizada pela autoconfiança do aprendiz e pela orientação encorajadora do professor ou tutor.

O tutor deve atuar como agente das colaborações, reforçando o senso de comunidade de
aprendizagem e evitando a omissão ou a evasão do aluno.

No contexto da aprendizagem em ambientes virtuais, podemos identificar, pelo menos, duas formas
de interação:


MÚTUA

A interação mútua é aquela que dá mais liberdade para o aluno interagir de forma criativa e
colaborativa com todos os participantes, afetando o grupo de forma mais desafiadora. Nesse caso,
temos o que se pode denominar de modelo interacional “de todos para todos”, no qual os
participantes, a relação e o contexto são valorizados.


REATIVA

A interação reativa é, na verdade, uma relação limitadora da própria interação, pois é baseada em
atividades e roteiros fechados que valorizam apenas o contexto, sem incluir os participantes e a
relação (PRIMO, 2003, apud MONTES, 2017).

Para que a presença social do aluno seja de qualidade e contribua para a construção coletiva do
conhecimento, é necessário que o fórum e as demais atividades desenvolvidas nos ambientes
virtuais de aprendizagem não se limitem a temáticas pouco provocativas e com propostas que não
facilitem a interação entre os participantes.

 EXEMPLO

O fórum, por exemplo, não é uma ferramenta para simples exibição de uma pergunta que os
participantes, de forma individual e isolada, respondem com textos copiados de uma fonte qualquer,
muitas vezes configurando plágio, ou por meio de respostas que não demandam reflexão e debate.

ASSIM, A METODOLOGIA AUCOPRE DEVE SER


ENTENDIDA COMO UM RECURSO PARA
PROMOVER A APRENDIZAGEM DE ADULTOS POR
MEIO DAS FUNCIONALIDADES E POSSIBILIDADES
DOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM,
GARANTINDO A PARTICIPAÇÃO AUTORAL DOS
ALUNOS, A CONSTRUÇÃO COLABORATIVA DO
CONHECIMENTO E A PRESENÇA ATIVA NA
COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM, TUDO ISSO
GRAÇAS AO USO CRIATIVO, ÉTICO E CRÍTICO DAS
FERRAMENTAS DE INTERAÇÃO.
No vídeo a seguir, a Professora Marta Amaral Montes comenta sobre o desenvolvimento da teoria
AuCoPre.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. A METODOLOGIA AUCOPRE DEVE SER RECONHECIDA COMO UM


RECURSO NA EDUCAÇÃO ONLINE DE ADULTOS PORQUE:

A) Incentiva o uso de novas tecnologias na participação isolada do aluno em ambientes virtuais.

B) Possibilita a participação individual e coletiva dos alunos, que atuam com coautoria, por meio da
colaboração na construção dos textos em torno da discussão de um tema e da presença ativa nessa
discussão em fóruns, por exemplo.

C) Estabelece vínculos entre o tutor e o aluno para que este possa resolver problemas de listas de
exercícios e responder a questionários presentes no material didático, por exemplo.

D) Favorece a atuação do aluno a partir do envio de dúvidas e perguntas ao tutor, usando serviço ou
canal de mensagens virtuais, por exemplo.

2. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE APRESENTA UMA AFIRMAÇÃO


PERTINENTE À ADEQUAÇÃO DA METODOLOGIA AUCOPRE À PREPARAÇÃO
DO ADULTO PARA O AMBIENTE DE TRABALHO.

A) AuCoPre é uma metodologia centrada na relação entre teoria e reflexão, pois o ambiente de
trabalho exige cada vez mais profissionais com sólida formação teórica.
B) A metodologia AuCoPre é adequada à formação para o ambiente profissional, pois é inspirada na
integração entre escola e trabalho por meio da realização de estágios e atividades práticas em
simuladores virtuais.

C) As habilidades valorizadas pelo mundo do trabalho, como capacidade de trabalho em equipe e


comunicação, estão presentes na metodologia AuCoPre apenas quando alunos e tutores utilizam
ferramentas síncronas, como o chat e as videoconferências.

D) A metodologia AuCoPre promove a autoria do aluno, a colaboração entre seus colegas e a


presença ativa num ambiente de aprendizado, o que favorece habilidades como comunicação,
trabalho em equipe, iniciativa, espírito crítico e criatividade.

GABARITO

1. A metodologia AuCoPre deve ser reconhecida como um recurso na educação online de


adultos porque:

A alternativa "B " está correta.

A metodologia AuCoPre pode ser exemplificada na educação de adultos por meio do uso do fórum
online, pois essa ferramenta permite que o aluno tenha uma atuação individual e coletiva na qual
manifesta sua autoria, participa colaborativamente da construção de textos e do próprio
conhecimento, além de experimentar uma convivência social no grupo de discussão.

2. Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação pertinente à adequação da metodologia


AuCoPre à preparação do adulto para o ambiente de trabalho.

A alternativa "D " está correta.

A metodologia AuCoPre ajuda o aluno adulto a se preparar para o ambiente profissional e a


desenvolver habilidades valorizadas pelo mercado de trabalho por meio de atividades em que o
aluno atua como autor, colabora com seus colegas e se torna ativamente presente no grupo social do
ambiente de aprendizado virtual.

CONCLUSÃO

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste tema, você aprendeu que as metodologias ativas são a abordagem de ensino mais adequada
para alunos adultos, pois valorizam a autonomia, a experiência e o conhecimento prévio dos alunos,
além de atenderem à necessidade de preparação para o ambiente de trabalho.

Essas metodologias são inspiradas em pressupostos teóricos que destacam a integração entre
reflexão e ação, a teoria e a prática, além de estarem baseadas em atitudes responsáveis,
adequadas e orientadas por professores/tutores, a fim de que a relação com os alunos e a interação
entre os próprios estudantes promovam novas e desafiadoras condições de aprendizagem.

Tudo isso demanda do professor, facilitador ou tutor um esforço criativo e crítico para se reinventar
no tratamento dos recursos didáticos e das ferramentas digitais em ambientes presenciais e virtuais,
atentando para a promoção de diferentes estilos de aprendizagem e enfatizando a criação de
comunidades de engajamento e de colaboração.

AVALIAÇÃO DO TEMA:

REFERÊNCIAS
BOROCHOVICIUS, E.; TORTELLA, J. C. B. Aprendizagem baseada em problemas: um método de
ensino-aprendizagem e suas práticas educativas. In: Ensaio: avaliação, políticas públicas
educacionais. Rio de Janeiro, v.22, n. 83, p. 263-294, abr./jun. 2014.

DELISLE, R. How to use problem-based learning in the classroom. Virginia: Association for
Supervision & Curriculum Deve, 1997.

FILATRO, A. As teorias pedagógicas fundamentais em EaD. In: LITTO, F. M; FORMIGA, M. M.


Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

FILATRO, A. et al. DI 4.0: inovação na educação corporativa. São Paulo: Saraiva, 2019.
KOLB, D. A. Experimental learning: experience as the source of learning and development.
Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1984.

MARTINS, J. G. Aprendizagem baseada em problemas aplicada a um ambiente virtual de


aprendizagem. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2002.

MONTES, M. T. A. AuCoPre: uma metodologia para o trabalho didático nos fóruns de discussão.
Curitiba: Appris, 2017.

EXPLORE+

Leia sobre a metodologia ABP e conheça orientações para sua aplicação no artigo
Aprendizado baseado em problemas, dos professores Marcos Borges, Silvana Chachá,
Silvana Quintana, Luiz Carlos C. Freitas e Maria Rodrigues.

Você pode aprender mais sobre metodologias ativas no contexto da andragogia com a leitura
do artigo Metodologia ativa de aprendizagem para o ensino em administração: relatos da
experiência como o peer instruction em uma instituição de Ensino Superior, de Alexandre
Godói e Jeferson Ferreira.

No artigo O processo autoral discente utilizado como estratégia ético-didática na


educação a distância, de Marta Montes e Jadir dos Montes, você encontrará mais explicações
sobre a metodologia AuCoPre.

CONTEUDISTA

Marilene Santana dos Santos Garcia

 CURRÍCULO LATTES

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