Você está na página 1de 55

DOENÇAS CROMOSSÔMICAS

Autora: Irene da Silva Coelho Agronomia/98


e-mail: irenecs@yahoo.com

O trabalho trata de doenças cromossômicas tais como: síndrome do miado de gato; síndrome de
deleção e duplicação do cromossomo 3; síndrome de Down; trissomia do 18; trissomia do 13;
síndrome de Klinefelter; síndrome 47,xyy; síndrome do x(47,xxx); síndrome de Turner.

1. DOENÇAS CROMOSSÔMICAS
Deficiências cromossômicas são em geral letais, mesmo em
heterozigose, levando a perda zigótica, natimortalidade e mortes infantis.
Contudo, algumas crianças com pequenas deficiências cromossômicas
sobrevivem o tempo suficiente para permitir a observação de alguns
fenótipos anormais que elas expressam.
As anormalidades dos cromossomos podem ser numéricas ou
estruturais e envolver um ou mais autossomos, cromossomos sexuais, ou
ambos.

2. ALTERAÇÕES NA ESTRUTURA CROMOSSÔMICA


Quatro tipos de anormalidade da estrutura cromossômica são as
deleções, as duplicações, as inversões e as translocações. As deleções
representam seções faltantes nos cromossomos. Se a região removida for
essencial à existência, uma deleção homozigota será letal. As deleções
heteroziotas podem ser letais ou não, e podem expressar genes recessivos
descobertos pela deleção.
As duplicações podem causar um desequilíbrio no material
genético, produzindo com isso um efeito fenotípico no organismo. Contudo,
há boa evidência em diversas espécies, incluindo a humana, de que as
duplicações podem levar a uma variedade aumentada de funções gênicas.
Em outras palavras, as dupicações podem se uma fonte de material novo
para evolução.
Uma inversão é causada por um giro de 180o de uma porção de
um cromossomo. No estado homozigoto, as inversões podem causar poucos
problemas para um organismo, a menos que a heterocromatina esteja
envolvida e que assim seja exibido um efeito de posição. Por outro lado, os
heterozigotos de inversão freqüentemente têm dificuldades de pareamento
na meiose, podendo resultar uma alça de inversão. O crossing-over dentro
da alça resulta em produtos inviáveis. Os produtos de crossing-over serão
diferentes para inversões pericêntricas (que abrangemo centrômero) e
parecêntricas (que não abrangem o centrômero).
Uma translocação implica a relocação de um segmento
cromossômico em outra posição no genoma. No estado heterozigoto, as
translocações geram produtos meióticos com duplicação e deleção, que
podem levar a zigotos não balanceados. Novas ligações gênicas podem ser
produzidas por translocações. Tanto os heterozigotos de translocação quanto
os de inversão podem ter fertilidade reduzida.
Síndrome do miado do gato e síndrome de deleção e duplicação
do cromossomo 3 são exemplos de doenças que estão associados à
alterações na estrutura dos cromossomos.

3. SÍNDROME CRI-DU-CHAT (SÍNDROME DO MIADO DE GATO)


A Síndrome do miado de gato, na qual há uma deleção do braço
curto do cromossomo 5, recebeu essa denominação porque o choro do
lactente afetado assemelha-se ao miado de um gato. É responsável por 1%
dos pacientes com retardamento mental institucionalizados. A aparência
facial é distintiva, com microcefalia, hipertelorismo, inclinação
antimongolóide das fissuras palpebrais, pregas epicânticas, orelhas de
implatação baixa, às vezes com apêndices pré-auriculares, e micrognatia.
A maioria dos casos da síndrome do miado de gato é esporádica,
mas 10 a 15% dos pacientes são filhos de portadores de translocação.
Os pontos de quebra e a extensão do segmento deletado do
cromossomo 5p variam nos pacientes, mas a região crítica, ausente em todos
os pacientes com o fenótipo, foi identificada como a banda cromossômica
5p15.
Figura 1. Criança com síndrome cri-du-chat.

4. SÍNDROME DE DELEÇÃO E DUPLICAÇÃO DO


CROMOSSOMO 3
Fenotipicamente, esta síndrome inclui um grupo de sintomas
mórbidos: natimortos, mortes neonatais e abortos espontâneos. Na sua
maioria, as gravidezes são perdidas , mas há crianças que sobreviveram e
tornaram-se probandos da investigação.
A mal formação da criança viva inclui uma forma de cabeça torta;
sobrancelhas baixas; cílios grandes; lanugo persistente; veias dilatadas no
couro cabeludo; hipertelorismo; fendas palpebrais oblíquas; um nariz muito
curto com uma base larga rebaixada e narinas antevertidas; maxila protusa;
lábio superior fino; micrognatia; implantação baixa das orelhas; pescoço
curto e alado. Ocorrem freqüentemente manchas marrom, glaucoma
congênito, córneas opacas, palato fendido e lábio leporino. A criança tem
dificuldade de sugar e engolir.
Os cariótipos de bandeamento por quinacrina e por giemsa de um
dos pais de uma criança afetada revelaram uma inversão inv(3)(p25p21).

Figura 2. Criança de seis anos de idade com síndrome de deleção e


duplicação no cromossomo 3.

5. VARIAÇÕES NO NÚMERO DE CROMOSSOMOS


As alterações numéricas dos cromosssomos podem abranger
conjuntos cromossômicos inteiros, resultando em euploidia anormal, ou
partes dos conjuntos, resultando em aneuploidia.
Os euplóides anormais mais comuns são poliplóides, por exemplo,
os triplóides (3x) e os tetraplóides (4x). Os números ímpares de conjuntos
levam à esterilidade, em conseqüência dos cromossomos não pareados na
meiose, enquanto os números pares podem produzir proporções de
segregação padronizadas (embora anormais). Os alopoliplóides (poliplóides
formados por conjuntos combinados de diferentes espécies) podem ser
criados pelo cruzamento de duas espécies aparentadas, seguido de
duplicação dos cromosssomos da prole com o uso da colchicina, ou por
fusão de células somáticas. Estas técnicas têm importantes aplicações em
vegetais de plantio, pois os alopoliplóides são efetivamente espécies novas.
Os aneuplóides também têm sido importantes na engenharia de
genótipos específicos de plantio, embora a aneuploidia, por si mesma,
geralmente resulte num genótipo desequilibrado, com um fenótipo anormal.
Os exemplos de aneuplóides incluem conjuntos cromossômicos
monosssômicos (2n-1) e trisssômicos (2n+1).
Sem dúvida, o tipo mais comum de anormalidade cromossômica
clinicamente significativa é a aneuploidia, um número anormal de
cromossomos devido a um exemplar extra ou inexistente, que sempre está
associada a mau desenvolvimento físico ou mental, ou ambos.
Os principais distúrbios numéricos são três trissomias
autossômicas (do 21, do 18 e do 13) e quatro tipo de aneuploidia dos
cromossomos sexuais : Síndrome de Turner (geralmente 45,X); Síndrome de
Klinefelter (47,XXY); 47,XYY e 47, XXX.

6. SÍNDROME DE DOWN
A Síndrome de Down, ou trissomia do 21, é sem dúvida o
distúrbio cromossômico mais comum e mais bem conhecido e a causa
genética mais encontrada de retardamento mental moderado. Langdon
Down descreveu a síndrome clínica pela primeira vez em 1866, mas sua
causa permaneceu um mistério durante quase um século. Em 1959, Lejeune
e colegas, além de vários outros grupos, confirmaram que a maioria das
crianças com a síndrome de Down tem 47 cromossomos e que o membro
extra é um cromossomo acrocêntrico pequeno, desde então designado
cromossomo 21.
A síndrome de Down geralmente pode ser diagnosticada ano
nascimento ou logo depois por suas características dismórficas, que variam
entre os pacientes mas, apesar disso, produzem um fenótipo distintivo.
Hipotonia pode ser a primeira anormalidade observada no recém-nascido.
Além das características dismórficas já mencionadas, os pacientes
apresentam baixa estatura e branquicefalia, com um occipúcio achatado. O
pescoço é curto, com pele redundante na nuca. A ponte nasal é plana, as
orelhas são de implantação baixa e têm uma aparência dobrada típica, os
olhos exibem manchas de Brushfield ao redor da margem da íris e a boca é
aberta, muitas vezes mostrando a língua sulcada e saliente. As mãos são
curtas e largas, freqüentemente com uma única prega palmar transversa e
quintos dedos defletidos, ou clinodactilia. Os pés mostram um amplo espaço
entre o primeiro e segundo dedos, com um sulco estendendo-se
proximalmente na face plantar. Os dermatóglifos (padrões das cristas
dérmicas) são altamente típicos.
A maior causa de preocupação na síndrome de Down é o
retardamento mental. Embora no início da lactância o bebê não pareça ter
atraso do desenvolvimento, ele é geralmente óbvio até o final do primeiro
ano. O quociente de inteligência costuma estar entre 25 a 50 quando a
criança tem idade suficiente para fazer o teste. Entretanto, muitas crianças
com a síndrome de Down tornaram-se pessoas felizes e mesmo
autoconfiantes a despeito de suas limitações.

Figura 3. Características faciais de uma criança com síndrome de Down,.

7. TRISSOMIA DO 18
A incidência desta afecção em nativivos é de aproximadamente 1
em 8.000. A incidência na concepção é bem mais alta, mas apenas 95% dos
conceptos com trissomia do 18 são abortados espontaneamente. A sobrevida
pós-natal também é baixa; a sobrevida durante mais do que alguns meses é
rara, mas relataram-se crianças afetadas com 15 anos de idade ou mais.
Oitenta por cento dos pacientes são do sexo feminino, talvez por causa de
sobrevida preferencial. A exemplo da maioria das outras trissomias, a idade
materna avançada é um fator.
As manifestações da trissomia 18 sempre que incluem
retardamento mental e atraso do crescimento e, muitas vezes, malformação
intensa do coração. Hipertonia é um achado típico. A cabeça possui um
occipúcio proeminente e a mandíbula é recuada. As orelhas são de
implantação baixa e malformadas. O esterno é curto. Os punhos são
cerrados de modo típico, o segundo e quinto dedos sobrepondo-se ao
terceiro e quarto. Os pés têm as plantas arqueadas, com calcâneos
proeminentes. Os padrões dérmicos são distintivos, com pregas únicas nas
palmas e padrões de arcos na maioria ou em todos os dedos. As unhas
costumam ser hipoplásticas.
O fenótipo da trissomia do 18, assim como o da trissomia do 21,
pode advir de vários cariótipos raros além da trissomia completa. Pode
haver uma translocação envolvendo todo ou a maior parte do cromossomo
18, capaz de ser original ou herdada de um genitor portador balanceado. A
trissomia também pode estar presente na forma de mosaico, com uma
expressão variável mas geralmente mais leve. Ainda não se identificou a
“região crítica” da trissomia do 18, mas a trissomia parcial de todo o braço
longo produz o fenótipo típico da trissomia do 18.

Figura 4. Características faciais associadas com a trissomia do 18.


8. TRISSOMIA DO 13
Sua incidência é de 1 em 25.000 nascimentos. A trissomia do 13 é
clinicamente grave e letal em quase todos os casos até os seis meses de
idade. Metade dos indivíduos afetados morre no primeiro mês. Assim como
a maioria das outras trissomias, associa-se à idade materna avançada. O
cromossomo extra geralmente provém de não-disjunção na meiose I materna
(HASSOLD et al., 1987). Cerca de 20% dos casos resultam de uma
translocação não balanceada. O risco de recorrência é baixo; mesmo quando
um genitor de um paciente com translocação é portador de translocação, o
risco empírico de que um filho nativivo subseqüente tenha a síndrome é
inferior a 2%.
O fenótipo da trissomia do 13 inclui malformações intensas do
sistema nervoso central com arrinencefalia e holoprosencenfalia. Atraso do
crescimento e retardamento mental acentuado estão presentes. A fronte é
oblíqua, há hipertelorismo ocular e pode haver microftalmia, coloboma da
íris, ou mesmo ausência dos olhos. As orelhas são malformadas. Com
freqüência encontram-se fendas labial e palatina. As mãos e pés podem
mostrar quinto dedo sobrepondo-se ao terceiro e quarto, como na trissomia
do 18. Os pés têm as plantas arqueadas. As palmas muitas vezes apresentam
pregas simiescas. Em geral há defeitos cardíacos congênicos específicos e
defeitos urogenitais, incluindo criptorquidia nos meninos, útero bicornado e
ovários hipoplásticos nas meninas, e rins policísticos. Desta constelação de
defeitos, os mais distintivos a primeira vista são a fácies com fendas labial e
palatina e anormalidade oculares, a polidactilia, os punhos cerrados e as
plantas arqueadas.

Figura 5. Características faciais associadas com a trissomia do 13.


9. SÍNDROME 47,XYY
Apesar da constituição cromossômica 47,XYY não estar associada
a nenhum fenótipo obviamente anormal, ela despertou grande interesse
médico e científico após observar-se que a proporção de homens XYY era
bem maior entre os detentos de uma prisão de segurança máxima, sobretudo
entre os mais altos, do que na população em geral (JACOBS et al., 1968).
Cerca de 3% dos homens em penitenciárias e hospitais de doentes mentais
possuem cariótipo 47,XYY; no grupo com altura acima de 1,80 m, a
incidência é bem maior (mais de 20%). Dentre os meninos nativivos, a
freqüência do cariótipo 47,XYY é de cerca de 1 em 1.000.
A origem do erro que leva ao cariótipo XYY deve ser a não-
disjunção paterna na meiose II, produzindo espermatozóides YY. As variates
XXYY e XXXYY menos comuns, que compartilham as manifestações das
síndromes XYY e de Klinefelter, provavelmente também se originam do pai,
numa seqüência de eventos não-disjuncionais nas meiose I e II.
Os meninos XYY identificados em programas de triagem neonatal
sem vício de averiguação são altos e têm um risco aumentado de problemas
do comportamento, em comparação com meninos cromossomicamente
normais. Possuem inteligência normal e não são dismórficos. A fertilidade é
regular e parece não haver nenhum risco aumentado de que um homem
47,XYY tenha um filho com cromossomos anormais.
Muitos pais de crianças identificadas, antes ou após o nascimento,
com XYY, tornam-se extremamente preocupados com as implicações
comportamentais. Alguns médicos acreditam que a informação deve ser
omitida quando a identificação e feita após o nascimento. A incapacidade de
avaliar o prognóstico em cada caso torna a identificação de um feto XYY
um dos problemas de informação mais sérios enfrentados em programas de
diagnóstico pré-natal.

10. SÍNDROME DE KLINEFELTER ( 47,XXY)


Os paciente com Síndrome de Klinefelter são altos e magros, com
membros inferiores relativamente longos. Parecem fisicamente normais até
a puberdade, quando os sinais de hipogonadismo se tornam óbvios. Os
testículos permanecem pequenos e os caracteres sexuais secundários
continuam subdesenvolvidos. Os pacientes Klinefelter quase sempre são
inférteis.
A incidência é de cerca de 1 em 1.000 meninos nativivos e 1 em
300 abortos espontâneos. Embora o fenótipo pareça benigno em comparação
com o das trissomias autossômicas, metade das concepções 47, XXY perde-
se antes do nascimento.
Cerca de 15% dos pacientes Klinefelter têm cariótipos em
mosaico. Como grupo, esses pacientes mosaicos apresentam fenótipos
variáveis; alguns têm desenvolvimento testicular normal. O cariótipo em
mosaico mais comum é 46, XY/47,XXY, provavelmente em conseqüência
da perda de um cromossomo X num concepto XXY durante uma divisão
pós-zigótica inicial. Conforme o previsto pelo achado de que os pacientes
Klinefelter 47, XXY têm corpúsculo de Barr, um dos dois cromossomos X é
inativado.
Numa pesquisa citogenética e molecular combinada da origem
parental e do estágio meiótico do erro não-disjuncional responsável pela
síndrome, verificou-se que metade dos casos resulta de erros na meiose I
paterna, um terço de erros na meiose I materna e os demais de erros na
meiose II ou de um erro mitótico pós-zigótico levando a mosaico. A idade
da mãe é elevada nos casos associados a erros na meiose I materna, mas não
nos outros casos (JACOBS et al., 1988).
Embora haja ampla variação fenotípica entre os pacientes com
esta e outras aneuploidias dos cromossomos sexuais, exatamente como na
população em geral, identificaram-se algumas diferenças fenotípicas
constantes entre os pacientes com a síndrome de Klinefelter e homens
cromossomicamente normais. Seus escores em certos testes de desempenho
de inteligência é pouco, mas significadamente reduzido. Dois terços dos
pacientes apresentam apresentam problemas educacionais, especialmente
dislexia, enquanto menos de um quarto das pessoas normais tem dificuldade
de aprendizado. A puberdade ocorre na idade normal, mas o tamanho
testicular permanece bem baixo da média.
Existem diversas variantes da síndrome de Klinefelter, com outro
cariótipo que não 47, XXY, incluindo 48, XXYY, 48, XXXY e 49, XXXXY.
Como regra, os cromossomos adicionais causam um cariótipo
correspondentemente mais anormal, com maior grau de dimorfismo,
desenvolvimento sexual mais deficiente e debilitação mental mais intensa.
Uma observação inesperada nos pacientes 49, XXXXY (e seus equivalentes
femininos, com cariótipos 49, XXXXX) é ser o fenótipo semelhante, em
muitos aspectos ao da síndrome de Down. Esta observação depões contra o
conceito amplamente difundido de que o fenótipo da síndrome de Down
depende estritamente da dosagem tripla dos genes no cromossomo 21 e, em
seu lugar, sugere um atraso mais geral no desenvolvimento relacionado a um

desequilíbrio cromossômico.

Figura 6. Fenótipo de um homem com a síndrome de Klinefelter.

11. TRISSOMIA DO X (47,XXX)


A trissomia do X e as síndromes mais raras de tetrassomias do X
(48,XXXX) e pentassomia do X (49,XXXXX) são os equivalentes na
mulher da síndrome de Klinefelter masculina. As mulheres com trissomia do
X, embora de estatura geralmente acima da média, não são fenotipicamente
anormais. Algumas são identificadas em clínicas de infertilidade e outras em
instituições para retardados mentais, mas provavelmente muitas
permanecem sem diagnóstico. Os estudos de acompanhamento mostraram
que as mulheres XXX sofrem as alterações da puberdade numa idade
apropriada, mas há relatos de puberdade precoce em certas pacientes.
Algumas deram à luz crianças, e estas são praticamente todas
cromossomicamente normais. Há déficit significativo do desempenho em
testes de QI, e cerca de 70% dos pacientes têm problemas do aprendizado
graves.
A síndrome de tetrassomia do X está associada a atraso mais grave
do desenvolvimento físico e mental, e a síndrome de pentassomia do X,
assim como o XXXXY, geralmente inclui grande retardo do
desenvolvimento com múltiplos defeitos físicos que lembram a síndrome de
Down.

12. SÍNDROME DE TURNER (45,X E VARIANTES)


Ao contrário dos pacientes com aneuploidias dos cromossomos
sexuais, as meninas com síndrome de Turner freqüentemente são
identificadas ao nascimento ou antes da puberdade por suas carcterísitcas
fenotípicas distintivas. A síndrome de Turner é bem menos comum do que as
outras aneuploidias dos cromossomos sexuais. A incidência do fenótipo da
síndrome é de cerca de 1 em 5.000 menina nativivas.
A constituição cromossômica mais constante é 45,X sem um
segundo cromossomo sexual X ou Y. Contudo, 50% dos casos possuem
outros cariótipos. Um quarto dos casos envolve cariótipos em mosaico, nos
quais apenas uma parte das células é 45,X.
A constituição cromossômica é clinicamente significativa; por
exemplo. As pacientes com isoXq são semelhantes às clássicas pacientes
45,X, enquanto as pacientes com uma deleção de Xp têm baixa estatura e
malformações congênitas, e aquelas com deleção de Xq freqüentemente
apresentam apenas disfunção gonodal.
As anormalidades típicas da síndrome de Turner abrangem baixa
estatura, disgenesia gonodal, fácies incomum típica, pescoço alado, linha
posterior de implantação dos cabelos baixa, tórax largo com mamilos
amplamente espaçados e uma freqüência elevada de anormalias renais e
cardiovasculares. Ao nascimento, os bebês com esta síndrome têm, muitas
vezes, edema do dorso do pé, um sinal diagnóstico útil. Muitas pacientes
apresentam coarctação da aorta. Linfedema pode estar presente na vida fetal,
causando higroma cístico, que é a causa do pescoço alado observado após o
nascimento. A inteligência costuma ser média ou acima da média. Contudo,
muitas pacientes exibem deficiência de percepção espacial, organização
motora perceptiva, ou execução motora refinada. Em conseqüência, o QI
não-verbal é bem mais baixo que o QI verbal.
Esta anormalidade é responsável por 18% dos abortos espontâneos
cromossomicamente anormais e está presente numa proporção estimada em
1,5% dos conceptos. O único X geralmente é de origem materna; em outras
palavras, o erro meiótico costuma ser paterno. Desconhece-se o motivo da
freqüência extraordinariamente alta de não-disjunção do cromosssomo X ou
Y na meiose paterna. Ademais, não está claro por que o cariótipo 45,X, tão
letal in útero, parece ser completamente compatível com a sobrevida pós-
natal.
Na idade adulta, muitas pacientes com a síndrome de Turner se
aflingem por sua infertiidade e baixa estatura. Embora a terapia com
estrogênios possa levar ao desenvolvimento dos órgãos genitais internos e
externos, caracteres sexuais secundários e menstruações, não corrige a
infertilidade, que é uma característica quase constante, resultado da atresia
das células germinativas iniciais. Atualmente se estuda o possível valor de
baixas doses de estrongênio, androgênio e hormônio de crescimento na

terapia da baixa estatura na síndrome de Turner.


Embora a grande maioria das pacientes 45,X seja mulheres
fenotípicas, muito raramente encontra-se um conjunto de cromossomos
45,X num homem fenotípico que tem testículos mas é estéril. Os homens
45,X podem ter iniciado a vida como mosaicos 45,X/46,XY, nos quais a
linhagem XY se perdeu, pelo menos no tecido estudado, ou podem ter uma
translocação Y; autossomo não reconhecido enovolvendo o lócus do FDT.
Há também alguns casos raros de mulheres 46,XY com estigmas da
síndrome de Turner. Em todos estes casos, uma parte do cromossomo Y está
deletada (LEVILLIERS et al; FISHER et al., 1990).

Figura 7. Fenótipo de uma mulher com a síndrome de Turner.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GARDNER, E.J. & SNUSTAD, D.P. Genética. Trad. de J.F.P. Arena et al.
7. ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1987. 497p.
STANSFIELD, W.D. Genética. Trad. de T.R.S. Jabardo. 2. ed. São Paulo,
McGraw-Hill, 1985. 514p.
SUZUKI, D.T.; GRIFFITHS, A.J.F.; MILLER, J.H.; LEWONTIN, R.C.
Introdução à genética. Trad. de J.P. de Campos e P.A. Motta. 4. ed. Rio
de Janeiro, Guanabara Koogan, 1992. 633p.
THOMPSON, M.W.; McINNES, R.R.; WILLARD, H.F. Genética médica.
Trad. de M.M. de Vasconcelos. 5. ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan,
1993. 339p.

http://www.ufv.br/dbg/BIO240/DC14.htm

Perturbações Genéticas
Doenças com base em anomalias cromossómicas

• Home

• Apresentação

• Tipos de mutações

• Instituições de Apoio

• Despiste e Casos Reais

• Albinismo

• Distrofia Muscular

• Leucemia

• Hemofília

• Síndrome Cri-Du-Chat

• Síndrome de Down

• Síndrome de Edwards

• Síndrome de Jacobs

• Síndrome de Klinefelter

• Síndrome de Marfan
• Síndrome Wiskott-Aldrich

• Trissomia do X

• Quimera

Síndrome Cri-Du-Chat

A Síndrome de Cri-du-Chat (CDC) é uma anormalidade cromossomática


que resulta em dificuldades na aprendizagem. Foi descoberta por Jerôme
Lejeune, um geneticista francês, em 1963. É uma condição genética
relativamente rara com uma incidência calculada de 1:50000 nascimentos e
que é o resultado do “apagamento” de uma porção significante do material
genético do braço curto de um dos pares do cromossoma cinco.
Ocasionalmente um segundo cromossoma é envolvido. O nome da
síndrome veio com o característico choro dos recém-nascidos que muito faz
lembrar um miado de um gatinho.

Origem


Todos nós temos 46 cromossomas nas nossas células, 23 da nossa mãe
e 23 do nosso pai. Podem ocorrer erros quando as células estiverem a dividir-
se e os cromossomas podem-se quebrar e/ou prender no lugar errado.
Estes erros são extremamente comuns, são uma parte normal da
natureza que permite para umas espécies mudar e evoluir. A maioria das falhas
são causadas por erros cromossomais que não são compatíveis com a vida.
Na CDC (Cri-Du-Chat) a região crítica do cromossoma que contém genes que
são responsáveis pelas características principais da síndrome, parece ser
localizada na faixa 5p 15.2. O gene que causa o choro, parece estar localizado
na faixa 15.3. Na maioria dos casos o apagamento é espontâneo e nenhuma
causa específica pode ser identificada, porém, pode ser o resultado de um
problema com o cromossoma número 5 em qualquer um dos pais, em alguns
casos. Nestes casos, podem ser afectadas também as crianças subsequentes
e é, então, importante que os pais de crianças com CDC recebam um conselho
genético.
É possível descobrir a síndrome com amniocentese ou CVS (Chorionic
Villus Sampling) no primeiro trimestre da gravidez. Esta doença não é culpa do
pai como muitas vezes é mencionado, e a maioria dos casos vem
inesperadamente, só são herdados, aproximadamente, 20% de casos devido a
uma translocação equilibrada (material de um cromossoma foi prendido a
outro) nos cromossomas de um dos pais.
Pessoas com translocação equilibrada são perfeitamente normais, como
nenhum material genético está perdido, assim eles provavelmente não saberão
que eles são os portadores, até que eles tenham uma criança afectada, a
menos que haja uma história de CDC na família.

 Características
Importante ressaltar que nem todos os indivíduos com CDC terão estas
características.

·Bebés
Alto e longo choro ao nascer

Choro de gato

Baixo peso ao nascer

Cabeça pequena (microcefalia)

Rosto redondo (rosto de lua)

Olhos amplamente espaçados

Baixa ponte nasal

Desenvolvimento atrasado

· Crianças e Adultos
De baixa estatura e magro
Hipotonia (tônus muscular deficiente)

Queixo pequeno

Mandíbula pequena (micrognastia)

Retardamento mental

Uma única linha na palma da mão (prega de símio)

Sindactilia nas mãos e pés

Pregas magras logo à frente das orelhas

Orelhas inseridas abaixo da linha do nariz (pode ser malformação)

Hipertelorismo

Dobras de pele em cima da pálpebra superior (epicanto)

Dificuldade com chupar, tragar e apresentam refluxo gástrico

Dentes projectados para A frente, porém de tamanho normal

Dedos longos

Têm ainda problemas físicos secundários, como moderados prejuízos


visuais, perda parcial da audição, lábio leporino e anormalidades de esqueleto,
como escolioses, deslocamento de quadris e hérnias. Constipação crónica é
muito comum ao longo da vida e muitas crianças têm, com frequência,
infecções no ouvido e respiratória. Algumas crianças apresentam ainda
anormalidades internas, como problemas no coração, ausência ou má
formação de rins, paladar afectado e músculos abdominais separados e
epicanto. Ao contrário do que antigas literaturas médicas trazem, crianças com
CDC podem viver por vários anos. As pessoas com a síndrome envelhecem
precocemente. A pessoa mais velha, com a síndrome, de que se tem notícia
está nos seus oitenta anos de idade.

 Maiores dificuldades

Todas as crianças com CDC têm um certo grau de dificuldade na


aprendizagem, que vai de um grau médio ao severo, pela sua inaptidão
intelectual. Começam a andar tardiamente, normalmente entre 2 e 6 anos de
idade, e entretanto, são desajeitadas. Graças aos problemas em chupar,
engolir e de refluxo gástrico, os bebés têm dificuldades em se alimentarem,
alguns comem tão pouco, que é preciso alimentá-los com tubos que levam o
alimento até o estômago. As crianças mais velhas podem ter dificuldade para
mastigar, assim sendo todos os alimentos deverão ser preparados a uma certa
consistência. Alguns começam a falar com um atraso grande e outros nunca
serão capazes. Porém eles têm um bom entendimento e percepção das
palavras, e irão comunicar-se do seu próprio jeito, usando a linguagem dos
sinais, escrevendo ou usando um dispositivo de comunicação electrónico.
 Tratamento

A anormalidade cromossómica não tem cura até ao momento (mas


quem sabe em 100 anos?), assim, o tratamento só pode ajudar as crianças a
desenvolverem-se o melhor possível. A intervenção dos fonoaudiólogos,
fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, quando contínuas e não tardias, é
de grande necessidade e ajuda.
Dependendo onde a pessoa com síndrome mora e os recursos que
possui, há creches especiais ou programas de intervenção em casa, na maioria
das regiões (tratando-se do mundo como um todo).
Perturbações
Genéticas
Doenças com base em anomalias cromossómicas

• Home

• Apresentação

• Tipos de mutações

• Instituições de Apoio

• Despiste e Casos Reais

• Albinismo

• Distrofia Muscular

• Leucemia

• Hemofília

• Síndrome Cri-Du-Chat

• Síndrome de Down

• Síndrome de Edwards

• Síndrome de Jacobs

• Síndrome de Klinefelter

• Síndrome de Marfan

• Síndrome Wiskott-Aldrich

• Trissomia do X

• Quimera

Síndrome de Down

Síndrome de Down ou trissomia do cromossoma 21 é um distúrbio


genético causado pela presença de um cromossoma 21 extra, total ou
parcialmente. Recebe o nome em homenagem a John Langdon Down, médico
britânico que descreveu a doença em 1866. A síndrome é caracterizada por
uma combinação de diferenças maiores e menores na estrutura corporal.
Geralmente a síndrome de Down está associada a algumas dificuldades de
habilidade cognitiva e desenvolvimento físico, assim como de aparência facial.
A síndrome de Down é geralmente identificada no nascimento.
Portadores de síndrome de Down podem ter uma habilidade cognitiva
abaixo da média, geralmente variando de retardo mental leve a moderado. Um
pequeno número de afectados possui retardo mental profundo. A incidência da
síndrome de Down é estimada em 1 a cada 800 ou 1000 nascimentos.

Muitas das características comuns da síndrome de Down também estão


presentes em pessoas com um padrão cromossómico normal. Elas incluem a
prega palmar transversa (uma única prega, ao invés de duas), olhos com
formas diferenciadas devido às pregas nas pálpebras, membros pequenos,
tónus muscular pobre e língua protrusa. Os afectados pela síndrome de Down
possuem maior risco de sofrer defeitos cardíacos congénitos, doença do
refluxo gastroesofágico, otites recorrentes, apnéia de sono obstrutiva e
disfunções da glândula tireóide.

 Características

Indivíduos com síndrome de Down podem ter algumas ou todas as


seguintes características físicas: fissuras palpebrais oblíquas, hipotonia
muscular, a flat nasal bridge, uma prega palmar transversal única (também
conhecida como prega simiesca), uma língua protrusa (devido à pequena
cavidade oral), pescoço curto, pontos brancos nas íris conhecidos como
manchas de Brushfield, flexibilidade excessiva nas articulações, defeitos
cardíacos congénitos, espaço excessivo entre o hálux e o segundo dedo do pé.

As crianças com síndrome de Down encontram-se em desvantagem em


níveis variáveis face a crianças sem o síndrome, já que a maioria dos
indivíduos com síndrome de Down possuem retardo mental de leve (QI 50-70)
a moderado (QI 35-50), com os níveis do QI de crianças que possuem
síndrome de Down do tipo mosaico, tipicamente 10-30 pontos maiores. Além
disso, indivíduos com síndrome de Down podem ter sérias anomalias
afectando qualquer sistema corporal.

Outra característica frequente é a microcefalia, um reduzido peso e


tamanho do cérebro. O progresso na aprendizagem é também tipicamente
afectado por doenças e deficiências motoras, como doenças infecciosas
recorrentes, problemas no coração, problemas na visão (miopia, astigmatismo
ou estrabismo) e na audição.

 Causas e genética

A síndrome de Down poderá ter quatro origens possíveis. Das doenças


congénitas que afectam a capacidade intelectual, a síndrome de Down é o
mais prevalecente e melhor estudado. Esta síndrome engloba várias alterações
genéticas das quais a trissomia do cromossoma 21 é o mais frequente (95%
dos casos). A trissomia 21 é a presença duma terceira cópia do cromossoma
21 nas células dos indivíduos afectados. Outras desordens desta síndrome
incluem a duplicação do mesmo conjunto de genes (p.e., translações do
cromossoma 21). Dependendo da efectiva etiologia, a dificuldade na
aprendizagem pode variar de mediana para grave.

Os efeitos da cópia extra variam muito de indivíduo para indivíduo,


dependendo da extensão da cópia extra, do background genético, de factores
ambientais, e de probabilidades. A síndrome de Down pode ocorrer em todas
as populações humanas, e efeitos análogos foram encontrados em outras
espécies como chimpanzés e ratos.
 Saúde

 3% destas crianças têm cataratas congénitas importantes que


devem ser extraídas precocemente. Também são mais frequentes os
glaucomas.
 A hipotonia é muito frequente no recém-nascido, o que pode interferir
com a alimentação ao peito. Normalmente a alimentação demora
mais tempo e apresenta mais problemas devidos à protrusão da
língua. A obstipação é mais frequente devido à hipotonia da
musculatura intestinal.
 O hipotireoidismo congénito é mais frequente nas crianças com
trissomia 21.
 A laxidão das articulações e a hipotonia combinadas podem
aumentar a incidência de luxação congénita da anca embora esta
alteração seja rara.
 As convulsões são mais frequentes, com incidência de 10%.
 A imunidade celular está diminuída, pelo que são mais frequentes
determinadas infecções, como as respiratórias. Habitualmente têm
hipertrofia dos adenóides e das amígdalas. Há uma maior incidência
de leucemias.
 São muito frequentes as alterações auditivas nestas crianças devido
a otites serosas crónicas e os defeitos da condução neurosensorial.
 Há uma grande controvérsia sobre a instabilidade atlantoaxial.
Radiologicamente, 15% ou mais dos casos apresentam evidência
deste facto, mas há muito poucas crianças com problemas
neurológicos associados.
 Há um atraso no crescimento com tendência para a obesidade.
 Os dentes tendem a ser pequenos e espaçados irregularmente.
 Tratamento

Vários aspectos podem contribuir para um aumento do desenvolvimento


da criança com síndrome de Down: intervenção precoce na aprendizagem,
monitorização de problemas comuns como a tiróide, tratamento medicinal
sempre que relevante, um ambiente familiar estável e condutor, práticas
vocacionais, são alguns exemplos. Por um lado, a síndrome de Down salienta
as limitações genéticas e no pouco que se pode fazer para as sobrepor; por
outro, também salienta que a educação pode produzir excelentes resultados
independentemente do início. Assim, o empenho individual dos pais,
professores e terapeutas com estas crianças pode produzir resultados positivos
inesperados.

As crianças com Síndrome de Down frequentemente apresentam


redução do tónus dos órgãos fonoarticulatórios e, consequentemente, falta de
controlo motor para articulação dos sons da fala, além de um atraso no
desenvolvimento da linguagem. O fonoaudiólogo será o terapeuta responsável
por adequar os órgãos responsáveis pela articulação dos sons da fala além de
contribuir no desenvolvimento da linguagem.

Os cuidados com a criança com S.D. não variam muito dos que se dão
às crianças. Os pais devem estar atentos a tudo o que a criança comece a
fazer sozinha, espontaneamente e devem estimular os seus esforços. Devem
ajudar a criança a crescer, evitando que ela se torne dependente; quanto mais
a criança aprender a cuidar de si mesma, melhores condições terá para
enfrentar o futuro. A criança com S.D. precisa participar na vida da família como
as outras crianças. Deve ser tratada como as outras, com carinho, respeito e
naturalidade. A pessoa com S.D. quando adolescente e adulta tem uma vida
semi-independente. Embora possa não atingir níveis avançados de
escolaridade pode trabalhar em diversas outras funções, de acordo com seu
nível intelectual. Ela pode praticar desportos, viajar, frequentar festas, etc.

Perturbações
Genéticas
Doenças com base em anomalias cromossómicas

• Home

• Apresentação

• Tipos de mutações

• Instituições de Apoio

• Despiste e Casos Reais

• Albinismo

• Distrofia Muscular

• Leucemia

• Hemofília

• Síndrome Cri-Du-Chat

• Síndrome de Down

• Síndrome de Edwards

• Síndrome de Jacobs

• Síndrome de Klinefelter

• Síndrome de Marfan

• Síndrome Wiskott-Aldrich

• Trissomia do X

• Quimera
Síndrome de Edwards

A síndrome de Edwards ou trissomia 18, é uma doença genética


resultante de trissomia regular sem mosaicismo do cromossoma 18.

As características principais da doença são: atraso mental, atraso do


crescimento e, por vezes, malformação grave do coração. O crânio é
excessivamente alongado na região occipital e o pavilhão das orelhas
apresenta poucos sulcos. A boca é pequena e o pescoço normalmente muito
curto. Há uma grande distância intermamilar e os genitais externos são
anómalos. O dedo indicador é maior que os outros e flexionado sobre o dedo
médio. Os pés têm as plantas arqueadas e as unhas costumam ser
hipoplásticas. Esta sintomatologia tem uma incidência de 1/8000 recém-
nascidos, a maioria dos casos do sexo feminino, mas calcula-se que 95% dos
casos de trissomia 18 resultem em abortos espontâneos durante a gravidez.

Um dos factores de risco é idade avançada da mãe. A esperança de vida


para as crianças com síndrome de Edwards é baixa, mas já foram registados
casos de adolescentes com 15 anos portadores da síndrome. Todas as
mulheres, independentemente da idade, correm o risco do seu feto possuir
anormalidades cromossómicas. A maioria dos pacientes com a trissomia do
cromossoma 18 apresenta trissomia regular sem mosaicismo, isto é, cariótipo
47, XX ou XY, +18. Entre os restantes, cerca de metade é constituído por casos
de mosaicismo e outro tanto por situações mais complexas, como aneuploidias
duplas, translocações. Cerca de 80% dos casos são devidos a uma
translocação envolvendo todo, ou quase todo, o cromossoma 18, o qual pode
ser herdado ou adquirido de novo a partir de um progenitor transportador.
Estudos recentes demonstram que, na maior parte dos casos (85%), o erro
ocorre na disjunção cromossómica da meiose materna, e somente 15% da
meiose paterna.

O primeiro caso de trissomia 18 foi descrito por Edwards, no ano de


1960, daí o nome Síndrome de Edwards. Cerca de 30% dos portadores da
Síndrome de Edwards demonstram algum comprometimento do sistema
nervoso central, sendo os mais frequentes: alteração do padrão dos giros
cerebrais, alterações morfológicas cerebrais, mielomeningoceli, anomalias do
corpo caloso e hidrocefalia. Os pacientes apresentam, normalmente, atrofia
cerebral de graus variados, demonstrada na tomografia axial computadorizada
de crânio.

 Características

Esta doença genética pode ser diagnosticada ao nascimento, ou mesmo


algum tempo depois, a partir de certos aspectos dismórficos (por se tratar de
uma síndrome extremamente complexa, as más formações descritas na
literatura são diversas, seguramente mais de 150), os quais podem variar
ligeiramente, mas que constituem um quadro sintomático anatómico comum:

• Hipertonia (característica típica);


• Estatura baixa;
• Cabeça pequena, alongada e estreita;
• Zona occipital muito saliente;
• Pescoço curto;
• Orelhas baixas e mal formadas;
• Defeitos oculares;
• Palato alto e estreito, por vezes fendido;
• Lábio leporino;
• Maxilares recuados;
• Esterno curto;
• Mão cerrada segundo uma forma característica (2º e 5º dedos
sobrepostos, respectivamente, aos 3º e 4º dedos);
• Pés virados para fora e com calcanhar saliente;
• Rugas presentes na palma da mão e do pé, ficando arqueadas nos
dedos;
• Unhas geralmente hipoplásticas;
• Acentuada má formação cardíaca;
• Anomalias renais (rim em ferradura)
• Anomalias do aparelho reprodutor;

Perturbações
Genéticas
Doenças com base em anomalias cromossómicas

• Home

• Apresentação

• Tipos de mutações

• Instituições de Apoio

• Despiste e Casos Reais

• Albinismo

• Distrofia Muscular

• Leucemia

• Hemofília
• Síndrome Cri-Du-Chat

• Síndrome de Down

• Síndrome de Edwards

• Síndrome de Jacobs

• Síndrome de Klinefelter

• Síndrome de Marfan

• Síndrome Wiskott-Aldrich

• Trissomia do X

• Quimera

Síndrome de Jacobs

Apesar da constituição cromossómica 47,XYY não estar associada a


nenhum fenótipo obviamente anormal, ela despertou grande interesse médico
e científico após observar-se que a proporção de homens XYY era bem maior
entre os detidos de uma prisão de segurança máxima, sobretudo entre os mais
altos, do que na população em geral. Cerca de 3% dos homens em
penitenciárias e hospitais de doentes mentais possuem cariótipo 47,XYY; no
grupo com altura acima de 1,80 m, a incidência é bem maior (mais de 20%).
Entre os recém-nascidos, a frequência do cariótipo 47,XYY é de cerca de 1 em
1.000.

A origem do erro que leva ao cariótipo XYY deve ser a não-disjunção


paterna na meiose II, produzindo espermatozóides YY. As variantes XXYY e
XXXYY menos comuns, que compartilham as manifestações das síndromes
XYY e de Klinefelter, provavelmente também se originam do pai, numa
sequência de eventos não-disjuncionais nas meiose I e II.

Os meninos XYY identificados em programas de triagem neonatal sem


vício de averiguação, são altos e têm um risco aumentado de problemas do
comportamento, em comparação com meninos cromossomicamente normais.
Possuem inteligência normal e não são dismórficos. A fertilidade é regular e
parece não haver nenhum risco aumentado de que um homem 47,XYY tenha
um filho com cromossomas anormais.

Muitos pais de crianças identificadas, antes ou após o nascimento, com


XYY, tornam-se extremamente preocupados com as implicações
comportamentais. Alguns médicos acreditam que a informação deve ser
omitida quando a identificação é feita após o nascimento. A incapacidade de
avaliar o prognóstico em cada caso torna a identificação de um feto XYY um
dos problemas de informação mais sérios enfrentados em programas de
diagnóstico pré-natal.

 Características

Apresentam altura média de 1,80m; QI (Coeficiente de Inteligência) de


80-118; grande número de acne facial durante a adolescência; anomalias nos
genitais; distúrbios motores e na fala; taxa de testosterona aumentada, o que
pode ser um factor contribuinte para a inclinação anti-social e aumento de
agressividade; imaturidade no desenvolvimento emocional e menor inteligência
verbal, factos que podem dificultar o seu relacionamento interpessoal;
ocorrência de 0,69:1000.
{ParagraphsSidebar}

© 2008

Create a free website at Webs.com


Perturbações
Genéticas
Doenças com base em anomalias cromossómicas

• Home

• Apresentação

• Tipos de mutações

• Instituições de Apoio

• Despiste e Casos Reais

• Albinismo

• Distrofia Muscular

• Leucemia

• Hemofília

• Síndrome Cri-Du-Chat

• Síndrome de Down

• Síndrome de Edwards

• Síndrome de Jacobs

• Síndrome de Klinefelter

• Síndrome de Marfan

• Síndrome Wiskott-Aldrich

• Trissomia do X

• Quimera

Síndrome de Klinefelter

A Síndrome de Klinefelter foi descrita pela primeira vez por Harry


Klinefelter, e é a causa mais frequente de hipogonadismo e infertilidade em
indivíduos do sexo masculino. As vítimas da Síndrome de Klinefelter, pessoas
do sexo masculino, têm um cromossoma X adicional (47,XXY), estatura
elevada, algum desenvolvimento do tecido mamário e testículos pequenos.
 Evolução e Crescimento

É de esperar que indivíduos com a síndrome de Klinefelter tenham uma


esperança média de vida normal, no entanto há a referir um aumento
considerável de acidentes vasculares cerebrais (6 vezes superior à população
geral), assim como na incidência do cancro (1,6%). O atraso da linguagem
(51%), o atraso motor (27%) e problemas escolares (44%) complicam o
desenvolvimento destas crianças e em alguns estudos estão descritos
comportamentos anti-socias e psiquiátricos. Outros apontam para uma boa
adaptação social e no trabalho.

Outra complicação é o défice auditivo, no entanto não está descrito um


aumento da frequência de infecções respiratórias na infância, ao contrário das
doenças auto-imunes (diabetes mellitus; doenças do colagéneo)

 Tratamento e Prevenção

Esta síndrome raramente é diagnosticada no recém-nascido face à


ausência de sinais específicos. O diagnóstico precoce permite a intervenção
antecipada, seja ela psicológica ou farmacológica. O rastreio de problemas
visuais e auditivos, assim como a avaliação do desenvolvimento, devem ser
realizados periodicamente. As anomalias constatadas devem ser seguidas em
consultas de especialidade.
Muitas vezes detecta-se a anormalia apenas quando problemas
comportamentais, desenvolvimento anormal na puberdade ou infertilidade
aparecem. A puberdade apresenta problemas particulares secundários aos
problemas genitais já referidos. Para uma melhor resposta, o tratamento com
testosterona deve ser iniciado pelos 11-12 anos de idade. Está demonstrada a
sua eficácia numa percentagem importante de doentes, tanto em aspectos
psicossociais como físicos. Por estes motivos estas crianças e adultos jovens
devem ser acompanhados numa consulta de endocrinologia.

Esta anomalia genética está associada à idade materna avançada.


Num casal com um filho com a síndrome de Klinefelter, o risco de recorrência é
igual ou inferior a 1%. O estudo familiar é habitualmente desnecessário, salvo
em raras situações. Nem sempre a infertilidade é a regra. Caso se encontrem
indivíduos férteis, deve ser oferecido o diagnóstico pré-natal a fim de excluir
alterações cromossómicas, uma vez que existe um risco acrescido das
mesmas.

Perturbações
Genéticas
Doenças com base em anomalias cromossómicas

• Home

• Apresentação

• Tipos de mutações

• Instituições de Apoio

• Despiste e Casos Reais

• Albinismo
• Distrofia Muscular

• Leucemia

• Hemofília

• Síndrome Cri-Du-Chat

• Síndrome de Down

• Síndrome de Edwards

• Síndrome de Jacobs

• Síndrome de Klinefelter

• Síndrome de Marfan

• Síndrome Wiskott-Aldrich

• Trissomia do X

• Quimera

Trissomia do X

A Trissomia do X (47, XXX) ou Síndrome do Triplo X, só ocorre em


mulheres, sendo elas reconhecidas assim, como Super Fêmeas. As
portadoras dessa doença genética são fenotipicamente normais, não
apresentando assim, nenhuma diferença ou aberração na sua aparência física.

Como sugere o nome, a anomalia confere ao portador, um ou mais


cromossomas X extra. Existem três tipos principais de ocorrência desta
anomalia:

• 47,XXX. é a mais comum (1:1000-2000);

• 48;XXX, possuem um retardamento mental mais acentuado;

• 49,XXXXX, possuem as mesmas características dos triplo e tetra X.


Porém como são penta X, possuem um retardamento mental mais acentuado,
pois quanto maior o numero de X maior será o retardamento mental.

Nas células 47, XXX, dois dos cromossomas X são inactivados e de


replicação tardia. Quase todos os casos resultam de erros na meiose materna.

A trissomia do X e as síndromes mais raras de tetrassomias do X


(48,XXXX) e pentassomia do X (49,XXXXX) são os equivalentes na mulher da
síndrome de Klinefelter masculina.
Os estudos de acompanhamento mostraram que as mulheres XXX
sofrem as alterações da puberdade numa idade apropriada, mas há relatos de
puberdade precoce em certas pacientes. Algumas deram à luz crianças, e
estas são praticamente todas cromossomicamente normais. Há défice
significativo do desempenho em testes de QI, e cerca de 70% dos pacientes
têm problemas do aprendizado graves.

A síndrome de tetrassomia do X está associada a atraso mais grave do


desenvolvimento físico e mental, e a síndrome de pentassomia do X, assim
como o XXXXY, geralmente inclui grande retardo do desenvolvimento com
múltiplos defeitos físicos que lembram a síndrome de Down.

 Características

As mulheres com trissomia do X, embora de estatura geralmente acima


da média, não são fenotipicamente anormais. Apresentam genitais e seios
subdesenvolvidos; certo retardamento mental (algumas são normais, outras
retardadas e ou anomalias de carácter sexual secundário); são férteis.

{ParagraphsSidebar}

© 2008
Create a free website at Webs.com

Escola Secundária/3 de Carregal do Sal Disciplina: Área de projecto Ano


lectivo: 2006/2007
Luís Pais nº10 12ºA Isabel Figueiredo nº8 12ºA 2
Introdução Existem certas doenças que não são do conhecimento da população em
geral. Algumas dessas doenças são denominadas de cromossomopatias. Este
desconhecimento por parte da população foi a principal razão para a escolha deste tema. O
que completou a nossa escolha foi o nosso interesse por este tipo de patologias. Estas
patologias estão associadas a modificações nos cromossomas. A estas alterações vão ser
atribuídos nomes como: Síndroma de Down, Síndroma de Klinefelter, Síndroma de Patau,
Síndroma de Edwards e Síndroma de Turner, cujas designações, pertencem ao cientista que
o descobriu. As Síndromas de Turner e de Klinefelter podem-se classificar em
heterocromossómicas, isto é, a mutação esta ligada ao par 23 (cromossomas sexuais – X ou
Y), enquanto os Síndromas de Down, de Edwards e de Patau podem-se designar como
autossómicas, isto é, a alteração está ligada aos cromossomas entre o par 1 e o par 22.
Dentro destas cromossomopatias iremos estudar diferentes aspectos: causas, características
físicas e psicológicas, métodos de rastreio, possíveis tratamentos e dar alguns conselhos.
Um dos objectivos deste trabalho é preencher a lacuna que existe na sociedade sobre este
tema e mostrar que pode ser encarado sob uma perspectiva científica. Para ser possível a
realização deste trabalho foi necessário fazer pesquisa de informação e a Internet foi o
nosso primeiro recurso. Mas como estávamos em dúvida quanto à veracidade e à
quantidade/qualidade da informação recolhida, decidimos contactar a Dr.ª Carolina Veloso,
que exerce clínica geral no Centro de Saúde de Carregal do Sal, e pedir apoio para, em
conjunto, tratamos essa mesma informação. Após a análise da informação, deparamo-nos
com a situação de que a informação fazia referência às doenças, mas a incidência destas não
se referia a Portugal. Como o trabalho era para apresentar a pessoas de origem portuguesa,
decidimos pôr de lado esta e, por a recomendação da Dr.ª Carolina Veloso, encaminhámos a
nossa investigação para livros. Um dos livros, o mais importante e cedido pela Dr.ª
Carolina, de seu título “Manual de Genética Médica” e tendo como autor o Dr. Fernando J.
Regateiro serviu como base para o nosso trabalho.
Devido a já termos algum contacto com este tipo de doenças, os resultados obtidos não
foram uma total novidade. Sendo assim, viemos confirmar o que já 3
sabíamos e ainda completar esse conhecimento com informação extra que veio
clarificar/desvendar os restantes mistérios sobre as cromossomopatias. Com o
esclarecimento desses restantes assuntos, pudemos elaborar um trabalho de carácter oral e
outro de carácter escrito que iriam servir como forma de esclarecer e alertas as pessoas para
estes tipos de patologias. 4
Breve Introdução
O ser humano possui 23 pares de cromossomas, ou seja, 46 cromossomas. No entanto,
durante a meiose pode ocorrer uma não-disjunção dos cromossomas homólogos, tanto na
primeira divisão como na segunda divisão da meiose. Dos dois casos podem resultar células
com excesso ou com défice de cromossomas. Em caso de excesso estamos perante uma
trissomia, em caso de défice estamos perante uma monossomia. As cromossomopatias
dizem respeito a fenótipos patológicos determinados por alterações cromossómicas
numéricas ou estruturais. Estão normalmente associadas a malformações congénitas
múltiplas e a atraso mental. Estas cromossomopatias dividem-se em dois grupos, em
autossómicas, quando ocorrem nos cromossomas dos pares 1 a 22 e em
heterocromossómicas, quando dizem respeito a alterações do cromossoma X ou Y, ou seja,
nos cromossomas sexuais. Grande parte dos embriões (cerca de 38%) que resultam de
gâmetas com anomalias cromossómicas abortam espontaneamente, outros sobrevivem mas
vão ser doentes. As alterações cromossómicas numéricas mais comuns em recém nascidos
são a trissomia 21, também chamada Síndroma de Down, a trissomia 18 ou Síndroma de
Edwards, e por fim, a trissomia 13, também denominada Síndroma de Patau. Quanto às
cromossomopatias heterocromossómicas, as mais comuns são a monossomia XO ou
Síndroma de Turner e a trissomia XXY ou também chamada Síndroma de Klinefelter. Estas
anomalias resultam da não-disjunção dos cromossomas homólogos na 1ª ou na 2ª divisão
mitotica. O sufixo –somia utiliza-se para indicar a alteração numérica do respectivo
cromossoma.
Fig.2 – Imagem onde se vê a não-disjunção na meiose II.
Fig.1 – Imagem onde se vê a não-disjunção na meiose I. 5
Síndroma de Patau Introdução A trissomia 13 tem uma incidência de 1/10.000
recém-nascidos. Tem este nome devido à existência de três cromossomas no par 13. A taxa
de mortalidade no período intra-uterino é muito elevada, e, dos fetos que passam essa fase,
só 3% destes sobrevivem e sendo muito raro o desenvolvimento até à idade adulta. Com
uma ecografia fetal cuidadosa pode-se verificar anomalias em algumas partes do corpo,
como o cérebro, a face, os membros, cardiopatias congénitas e malformações renais.
Causas Em aproximadamente ¾ dos casos há trissomia livre, isto é, verifica-se a existência
de um cromossoma supranumerário no mesmo par, o qual e tem a sua origem numa não-
disjunção meiótica, maioritariamente na mãe (cerca de 90% dos casos). Metade dos casos
de translocação resulta de mutação “de novo” e a outra metade é herdada, na maioria das
vezes da mãe. Características Os doentes com esta cromossomopatia possuem aspectos
fenotípicos mais característicos como polidactilia pós-axial (dos dedos das mãos ou dos
pés) em conjunto com microcefalia, anomalias oculares, lábio leporino em 2/3 dos casos.
Fazem parte deste grupo ainda as anomalias cardíacas e/ou renais e fenda esfenopalatina.
Estando em cerca de 66% dos casos, a malformação mais grave da trissomia 13 é a
holoprosencefalia1. Esta pode dar origem a um cérebro alobar (sem separação dos
hemisférios cerebrais e com um único ventrículo), hemilobar ou lobar. Dentro desta a
1A holoprosencefalia consiste numa falha da segmentação do cérebro embrionário anterior na linha
média (sagital) que afecta a formação dos hemisférios cerebrais, da segmentação transversal, afectando a
formação do telecéfalo e do diencéfalo e da segmentação horizontal com perturbação da formação dos
bolbos ópticos e olfactivos. 6
manifestação mais grave é a ciclopia, enquanto a menos grave tem como base a presença de
um único dente incisivo superior e um discreto hipertelorismo. Outras malformações são o
alargamento da sutura sagital e das fontanelas, as orelhas malformadas de implatação baixa
e com apêndices auriculares, a displasia retiniana, hipoplasia do cerebelo, agenesia do corpo
caloso, arrinencefalia (ausência dos tractos e dos bolbos olfactivos) e hidrocefalia. Como
características frequentes, temos a cegueira, a surdez, dificuldades na alimentação e ainda
convulsões epiléticas. A riptorquidia aparece normalmente em indivíduos do sexo
masculino; as malformações cardíacas surgem em cerca de 80% dos casos; na pele, são
frequentes os hemangiomas sobretudo na fronte e os defeitos do couro cabeludo na região
parieto-occipipal; característica comum em algumas destas doenças é a prega palmar única.
Aconselhamento Para uma mulher jovem com trissomia 13 livre, o risco de recorrência é
de cerca de 1%, sendo que às mulheres com idade mais avançada deverá ser adicionado ao
risco de 1% o risco decorrente da idade materna e é aconselhável fazer um estudo
citogenético pré-natal. No caso de um dos progenitores ser portador de uma translocação, o
risco de recorrência a indicar é também de 1%. 7
Síndroma de Edwards Introdução A trissomia 18 está ligada ao par n.º 18 e
onde há a existência de três cromossomas em vez do normal, que são dois, e tem uma
ocorrência de 1 em cada 8000 recém-nascidos. No entanto, este valor representa apenas 5%
dos fetos com trissomia 18, já que cerca de 95% dos fetos abortam espontaneamente.
Durante a primeira semana de vida metade dos recém-nascidos morre devido à gravidade, à
multiplicidade das malformações e à incapacidade para se desenvolverem. A sobrevivência
é rara para além do ano de idade, mas aqueles que sobrevivem para além de um ano de
idade, numa percentagem de 5% a 10%, correspondem a crianças com atraso mental grave e
com incapacidade para andar sem apoios. A frequência desta síndroma é três vezes maior
em recém-nascidos do sexo feminino, comparativamente com os do sexo masculino (3:1).
Causas A trissomia 18 é causada, na grande maioria dos casos, pela presença de um
cromossoma 18 supranumerário, originado maioritariamente por não-disjunção meiótica. A
idade materna avançada está associada a maior incidência desta trissomia na descendência.
Fig.3 – Cariótipo da Síndroma de Edwards 8
Características Durante a gravidez, quando se desenvolve um feto portador do Síndroma
de Edwards, é frequente detectar-se a placenta pequena e, por vezes, uma artéria umbilical
única. Há geralmente atraso de crescimento intra-uterino, movimentos fetais hipocinéticos e
podem ser identificadas malformações no feto. Os recém-nascidos evidenciam atraso de
crescimento e hipertonia após o período neonatal. A resposta a estímulos sonoros é fraca e o
choro é igualmente fraco. Podem apresentar episódios de apneia. Devido à capacidade de
sucção ser fraca deve-se recorrer a uma sonda nasogástrica para proceder à alimentação. A
pele é redundante, o occipital é proeminente, a sutura metópica está aberta e há
dolicocefalia (redução do diâmetro bipareatal). As orelhas são malformadas e de
implantação baixa, as fendas palpebrais curtas, têm micrognatia, boca pequena com lábio
superior curto, palato muito arqueado e podem ocorrer quistos bilaterais do plexo coróideu.
O pescoço é fino e o esterno é curto e com um reduzido número de pontos de ossificação, as
costelas e as clavículas são hipoplásicas, por vezes com fragmentação. Na parede
abdominal podem-se observar eventrações ou hérnias inguinais ou umbilicais e diastasi
recti devido a defeitos de musculatura. A nível dos órgãos genitais observa-se criptorquidia
no sexo masculino e hipertrofia do clitóris e dos grandes lábios no sexo feminino. Os
ovários são hipoplásicos. As malformações orgânicas são múltiplas, salientando-se
cardiopatias congénitas (sobretudo septais) e as malformações gastrintestinais (má rotação
do cólon, pâncreas ectópico), mas também a segmentação anormal dos pulmões, o rim
ectópico e o rim em ferradura. Aconselhamento
Nos casos de trissomia livre, o risco de recorrência para futuras gravidezes é de cerca de 1%
e não é necessário realizar estudo citogenético nos progenitores. Nos casos em que é
encontrada uma translocação no recém-nascido, é necessário realizar o estudo citogenético
nos pais, para despistar a eventual presença de uma translocação 9
equilibrada num dos progenitores. A presença de translocação equilibrada implica um
elevado risco de recorrência para futuros descendentes do portador da translocação. 10
Síndroma de Turner Introdução A Síndroma de Turner é uma doença que afecta
somente indivíduos do sexo feminino, com uma prevalência de cerca de 1/2500 recém-
nascidos do sexo feminino. Os embriões e os fetos com este cariótipo têm uma viabilidade
muito reduzida devido ao aborto espontâneo. Calcula-se que menos de 1% sobrevivam até
ao parto. Causas Como já foi referido anteriormente, esta patologia está ligada ao par de
cromossomas sexuais, o par 23. Nesse mesmo par, como o nome o sugere, deveriam existir
dois cromossomas, mas, devido a não-disjunção, cerca de 80% por parte paterna e cerca de
20% por parte materna, este par normalmente possui somente um cromossoma. Existe uma
grande diferença de percentagens entre a parte materna e paterna porque quando a não-
disjunção ocorre por parte materna na maioria dos casos ocorre aborto espontâneo. Devido
a este fenómeno, esta doença tem como nome monossomia X devido a estar presente só um
cromossoma e está presente em cerca de 55% dos casos. Ao contrário do que acontece com
as outras patologias, a idade materna não está relacionada com o risco de ocorrência da
doença e também a probabilidade de recorrência da doença é muito reduzida.
Fig.4 – Cariótipo da Síndrome de Turner 11
Características Logo quando nasce, o feto demonstra algumas características físicas que
indiciam o aparecimento da doença, como o pescoço curto, implantação baixa do cabelo,
orelhas também de implantação baixa, “pterigium coli” (pele redundante a sugerir “asas”,
no ângulo do pescoço com os ombros) e linfedema das mãos, dos pés e dos dedos dos pés, o
que leva a hipoplasia das unhas. O linfema vai desaparecer durante primeiros anos de vida.
Com o avançar da idade, regista-se um atraso no crescimento e ausência do “pulo de
crescimento” na adolescência, o que vai originar uma baixa estatura e membros inferiores
curtos, atingindo assim uma altura média de 140 a 150 centímetros. Em cerca de 50% dos
casos estão presentes características como o cubitus valgus (antebraço mais inclinado para
fora do que o braço), o “tórax em escudo” e um afastamento dos mamilos maior do que se
esperava. Nesta patologia ainda podem ocorrer algumas anomalias viscerais graves, como a
coarctação da aorta em 10% dos casos, duplicação ureteral e o rim em ferradura. Em cerca
de 27% dos casos está presente a hipertensão arterial, com uma maior incidência de otite
média, tiroidite autoimune, doença de Crohn, hemorragias gastrintestinais e diabetes
mellitus na idade adulta. Apesar de suceder um atraso da fala e dificuldades de
aprendizagem, o grau de inteligência está dentro dos limites normais. Quando o
cromossoma X existente é de origem materna, o comportamento social é frequentemente
afectado, porém o comportamento social é muito parecido ao de uma mulher normal
quando este é de origem paterna. Outras características desta doença são a esterilidade, a
falta de desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários.
O que é uma constante é a disgenesia gonadal, que se representa na presença de “gónadas
em fita” reduzidas a tecido conjuntivo sem folículos ováricos, correspondente à
degenerescência dos folículos primordiais durante o período pré-natal e perinatal. Sem estes
folículos ováricos e consequente ausência de produção de estrogéneos e progesterona na
idade em que normalmente ocorre a puberdade, explicam algumas manifestações como a
amenorreia primária, a esterelidade e a ausência de 12
desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários (infantilismo sexual) presentes num
fenótipo feminino.
Tratamento Não há nada que se possa fazer para corrigir esta anomalia cromossómica, mas
é possível implementar um tratamento para atenuar as suas consequências. É importante que
exista um diagnóstico clínico precoce e uma caracterização citogenética para poder
desencadear o tratamento adequado. Assim, pode-se recorrer à administração de preparados
hormonais na puberdade como hormonas de crescimento para que um individuo cresça
mais, e para favorecer o desenvolvimento dos seios e dos caracteres sexuais secundários
femininos administra-se uma combinação de estrogénios e progesterona. Nos casos em que
existam pregas epicânticas ou outras anomalias físicas proeminentes, deverá ser considerada
a realização de cirurgia plástica antes da idade escolar para uma melhor cicatrização.
Existem exames que terão de ser feitos periodicamente, como exemplo temos o
ecocardiograma que se deve realizar de três em três anos, dado o risco de desenvolvimento
de coarctação da aorta.
Fig.5 – Imagem de um indivíduo com Síndroma de Turner 13
Síndroma de Klinefelter Introdução O Síndroma de Klinefelter está ligado ao
par 23 (cromossomas sexuais) e em cerca de 85% dos casos é representado por uma
trissomia 47,XXY. Tem uma prevalência aproximada de 1/600 recém-nascidos do sexo
masculino. Causas Resulta da presença de um cromossoma X supranumerário num
indivíduo com fenótipo masculino, devido a uma não-disjunção num dos progenitores (estes
têm proporções iguais). Apesar de não ser tão aparente como outras trissomias existe uma
relação entre a idade materna e a percentagem do risco para o surgimento desta doença.
Características
Fig.6 – Cariótipo da Síndroma de Klinefelter
Para o diagnóstico da síndroma de Klinefelter existem aspectos clínicos como
hipogonadismo, a microorquidia, a esterilidade por azoospermia, a ginecomastia (30% 14
dos casos), a aparência eunucóide e a elevação dos valores séricos das gonadotrofinas FSH
e LH e marcada redução dos níveis de testosterona. Como muitos destes parâmetros não
estão presentes, a muitos indivíduos com a doença, esta não lhes foi diagnosticada. Ao
nascer, os testículos apresentam um tamanho e uma consistência normal. Na fase adulta,
estes ficam com um comprimento de 1 a 2 centímetros, contrariamente aos 3,5 a 4,5
centímetros dos indivíduos normais. Dentro do sistema reprodutor masculino, alguns
túbulos podem apresentar uma ligeira diminuição do diâmetro e um número elevado de
células de Sertoli e outros podem-se apresentar completamente hialinizados. Para além dos
factos já referidos, pode-se incluir também a elevada estatura sobretudo devido ao
comprimento dos membros inferiores. Não existe atraso mental. Existe uma maior
susceptibilidade para problemas comportamentais em condição de “stress” e para a
depressão. Na generalidade dos casos, há esterilidade embora possa haver erecções, coito e
ejaculação. Com esta doença há um risco acrescido para o cancro da mama nos indivíduos
adultos e para tumores de células germinativas, bem como para osteoporose e doenças
autoimunes. Tratamento Os doentes com síndroma de Klinefelter, no início da puberdade,
necessitam de acompanhamento médico para que se lhes possa ser explicado/esclarecido a
sua condição e as consequências que este tipo de patologia acarreta. Juntamente com este
acompanhamento, é necessário administrarem-se suplementos de testosterona para melhorar
significativamente os problemas comportamentais, de auto-imagem e do líbido. Devido a
uma possível hipertrofia da próstata, como efeito secundário da administração de
testosterona, é recomendado que estes façam a vigilância clínica desse órgão a partir dos 30
anos. O atraso na fala e os problemas de linguagem de aprendizagem podem exigir cuidados
médicos e educativos suplementares. 15
Síndroma de Down Introdução
Conhecida por Síndrome de Down, a Trissomia do 21 ocorre quando há um excesso de
material genético no portador da síndroma, mais exactamente esse portador apresenta no
seu cariótipo um cromossoma 21 a mais. Sendo assim, várias relações essenciais ao bom
desempenho do sistema do organismo não se fazem de forma apropriada. Estima-se que a
cada 660 recém-nascidos, 1 possua a Síndroma de Down. Causas A Síndroma de Down é
causada pela alteração de um dos pares de cromossomas da célula humana, o par 21. Esse
par passa a ter um cromossoma a mais. Logo, em cada célula da pessoa com Síndrome de
Down, existem 47 cromossomas. A principal forma de ocorrer a Síndrome de Down é a
não-disjunção dos cromossomas durante uma das meioses. Um factor que influência o risco
de ocorrência desta doença é a idade materna.
Fig.7 – Gráfico que relaciona a idade materna e o risco de incidência da síndroma de Down 16
Características Para os indivíduos com síndroma de Down, as características podem-se
dividir em dois grupos; as carcterísticas psicológicas e características físicas. Nas
características psicológicas, temos o atraso mental (QI médio de um adulto é de 24,
enquanto o de um adulto normal é de 100), dificuldade de comunicação (dificuldade na
articulação de palavras). Estes indivíduos são sossegados e amigáveis, raramente choram,
gostam de música e quase todos os doentes a partir dos 40 anos desenvolvem manifestações
da doença de Alzheimer. Nas características físicas estão presentes anomalias como um
crescimento lento, baixa estatura, maturação óssea retardada, músculos um pouco flácidos,
pés curtos, cardiopatia congénita/ atrésia duodenal, cerca de 35% dos casos têm defeito no
coração e voz gutural (sons emitidos pela garganta). Podemos destacar também a cara larga
com perfil achatado, cabeça pequena, oval e arredondada, orelhas pequenas, fendas
palpebrais oblíquas, nariz pequeno e achatado, a boca apresenta-se aberta. Como de pode
verificar pela figura 9, as mãos são curtas e grossas, os dedos curtos e possuem uma prega
palmar única e unilateral.
Fig.9 – Ilustra uma mão de uma pessoa com síndroma de Down
Fig.8 – Imagem a corpo inteiro de um indivíduo com síndroma de Down 17
Métodos de Rastreio Existem alguns métodos de rastreio deste tipo de doenças. mas os
principais são a Amniocentese, que consiste na recolha do líquido amniótico durante o
período fetal destinado para análise; a biopsia das vilosidades, que tem como base a recolha
de um fragmento de tecido vivo para exame microscópico ou análise bioquímica; as
moléculas presentes no soro materno, que se resume a verificar se existem variações nos
níveis de certas moléculas, pois no caso da síndroma de Down há o aumento da Inibina A e
do B-hCG enquanto há diminuição do Estriol e da a-Fetoproteina. Tratamentos Até ao
momento, como acontece com as outras patologias, não existe cura. Mas existem cirurgias
que se podem fazer para atenuar os efeitos físicos que acarreta esta doença (normalmente ao
coração). Aconselhamento O casal deverá ser esclarecido sobre os mecanismos subjacentes
ao desenvolvimento da síndroma de Down, os aspectos fenotípicos, o risco de incidência
para diversas idades maternas, os métodos de rastreio e de diagnóstico disponíveis e os
riscos inerentes à sua prática. 18
Conclusão Com a realização deste trabalho concluímos que as pessoas ao conhecerem
as causas destas doenças podem tentar evitá-las. No entanto, não podemos inibir totalmente
o seu aparecimento. Porque não se consegue evitar a não-disjunção dos cromossomas
homólogos. Os casais podem tentar não ter filhos a partir dos 35 anos, porque o risco de
nascer um bebé com sindroma de Down aumenta bruscamente com a idade materna. Por
isto, achamos importante dar a conhecer as causas destas doenças para acautelar a
população. Concluindo, as doenças cromossómicas são detectáveis através de métodos de
rastreios, tais como a amniocentese, a biopsia das vilosidades e ainda pelo soro materno. A
amniocentese consiste na colheita do líquido amniótico destinado a análise, a biopsia das
vilosidades consta da recolha de um fragmento de tecido disposto a um exame microscópico
ou a uma análise bioquímica, por fim, a observação das moléculas do soro materno. Todas
estas análises permitem a detecção de doenças no feto, considerando-se assim estes métodos
de elevada importância. As doenças tratadas neste trabalho tiveram como origem a não-
disjunção dos cromossomas homólogos e a idade materna avançada. As cromossomopatias
dividem-se em dois grupos, em autossómicas quando ocorrem nos cromossomas dos pares
um ao vigésimo segundo e em heterocromossómicas quando dizem respeito a alterações dos
cromossomas sexuais. Exemplos de doenças autossómicas são a síndroma de Down,
síndroma de Edwards e a síndroma de Patau, sendo estas trissomias. Doenças
heterocromossómicas têm como exemplo a síndroma de Klinefelter e a síndroma de Turner,
sendo esta última caracterizada como uma monossomia. O nome destas doenças deve-se ao
seu descobridor. Estas anomalias convergem em alguns pontos, por exemplo nas
características das pessoas que contraem estas doenças como o atraso mental e em aspectos
físicas e psicológicos. Contudo, para além destas doenças existem ainda muitas outras que
se podem estudar, basta ter um pouco de vontade. Bastou-nos um pouco de curiosidade e
conseguimos aprender um pouco mais.
Pretendíamos sobretudo a realização de um trabalho sobre as doenças que nós consideramos
com mais interesse. Podemos dizer que tivemos um longo trabalho pela 19
frente, não estando por isso arrependidos, pelo contrário, foi uma boa aposta. Não só no
sentido de completarmos o nosso saber mas também o conhecimento que podemos dar à
população alertando-a para as causas destas doenças. 20
Bibliografia
Regateiro, Fernando, Manual de Genética Médica. Imprensa da Universidade, Coimbra,
2003.
Mascarenhos, Sandra, Enciclopédia de Saúde. Mariana Editores.
L., Manuila, et alli, Dicionário médico. Masson, 1ª Edição, Lisboa, Maio 2000. Vol. 1/2.

Sítios da Internet
http://www.chc.min-saude.pt/hp/genetica/down.htm, em março de 2007
http://www.manualmerck.net/?url=/artigos/%3Fid%3D280%26cn%3D1486, em março
de 2007
http://www.mni.pt/guia/index.php?file=guia-artigo&cod=75&, em março de 2007
21
ÍNDICE
INTRODUÇÃO 2
BREVE INTRODUÇÃO 4
SÍNDROMA DE PATAU 5
SÍNDROMA DE EDWARDS 7
SÍNDROMA DE TURNER 10
SÍNDROMA DE KLINEFELTER 13
SÍNDROMA DE DOWN 15
CONCLUSÃO 18
BIBLIOGRAFIA 20