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Análise Crítica das Políticas de Saúde do Brasil

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ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE-GS/PNAP

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ (UECE) UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL (UAB) SECRETARIA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE-GS/PNAP VALÉRIA ARAÚJO CAVALCANTE

ANÁLISE CRÍTICA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE DO BRASIL

A obra analise critica das politicas de saude no brasil de Valéria Araújo Cavalcante foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em valeriaaraujocavalcante.blogspot.com.

Fortaleza 2011
ANÁLISE CRÍTICA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE DO BRASIL

ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE-GS/PNAP

Valéria Araújo Cavalcante

SUS: ASPECTOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS E SOCIAIS
Atividade proposta tem como objetivo a aprovação na disciplina

“Políticas de Saúde: Fundamentos e Diretrizes do Sus” do curso de Especialização em Gestão em Saúde, ofertado através da Secretaria de Educação à Distância da Universidade Estadual do Ceará (SEAD/UAB) em parceria com o Programa Nacional de Administração Pública - PNAP para preparação de gestores públicos. Orientador: Prof.Tutor. Álvaro Fechine

Fortaleza 2011
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SUMÁRIO

1. 2.

SUS: ASPECTOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS E SOCIAIS...........................................04 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................................08 FONTES BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................................08

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1. SUS: ASPECTOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS E SOCIAIS No periodo entre 1897 a 1930 a saúde era de responsabilidade do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, especificamente da diretoria Geral de Saúde Pública. Nessa época, a assistência a saúde se resumia a ações de saneamento e combate às endemias [JUNIOR & JUNIOR, 2006]. Até o final da década de 1980, a definição de direitos sociais estava vinculada ao sistema previdenciário, cidadãos eram apenas aqueles que pertenciam a alguma categoria ocupacional reconhecida pelo Estado e que contribuíam para a Previdência. Pois, na época populista de Getúlio Vargas, a incorporação de segmentos da classe média e dos trabalhadores urbanos ao projeto político da industrialização fazia parte de sua estratégia para as políticas sociais [CARVALHO & BARBOSA, 2010]. A Previdência Social no Brasil surgiu em 1923 com o Decreto Legislativo que ficou conhecido como Lei Elói Chaves, criando as Caps - Caixas de Aposentadoria e Pensão. Estas eram organizadas pelas empresas, e ofereciam assistência médica, medicamentos, aposentadorias e pensões. No período de 1923 a 1933 foram criadas 183 Caixas de Aposentadorias e Pensão. A partir de 1933, surgiram os Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAP), entidades de grande porte abrangendo os trabalhadores agrupados por ramos de atividades. Tais institutos foram o IAPTEC ( trabalhadores em transporte e cargas), IAPC (comerciários), IAPI (industriários), IAPB (bancários), IAPM (marítimos e portuários) e IPASE (servidores públicos). O modelo inicial da assistência médica não era universal e baseava-se nos vínculos trabalhistas. Tinham direito aos benefícios somente trabalhadores com carteira assinada [ JUNIOR & JUNIOR, 2006]. Em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde. As atenções predominantes dos governos nesse período eram às ações de caráter coletivo. A partir desta década a ênfase governamental começa a se deslocar para a assistência médica individual, e a partir de 1948, durante o mandato do General Eurico Gaspar Dutra, o governo federal cria o Plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia). Sob influência do Plano Salte em 1953 é criado o Ministério da Saúde, que se dedica tanto as atividades coletivas como as de vigilência sanitária. Cresce e se desenvolve de forma paralela as instituições previdenciárias com o intuito de manter e reproduzir a força de trabalho cada vez mais urbana e fabril. Desse modo a criação das instituições previdenciárias servem como instrumento para amenizar as tensões sociais e controlar as forças de trabalho [ JUNIOR & JUNIOR, 2006].

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5 Em 1966, da fusão dos IAP originou-se o INPS – Instituto Nacional de Previdência Social que uniformizou e centralizou a previdência social. Nesta década a previdência social se firmou como principal órgão de financiamento dos serviços de saúde. Houve uma concentração das políticas de saúde com extensão da cobertura assistencial. Isso significou para a saúde previdenciária a
consolidação da tendência à contratação de produtores privados de serviços de saúde, como estratégia dominante para a expansão da oferta de serviços. Com o passar do tempo foram sendo desativados e/ou sucateados os serviços hospitalares próprios da Previdência Social, ao mesmo tempo que era ampliado o número de serviços privados credenciados e/ou conveniados. No entanto, o atendimento ambulatorial continuou como rede de serviços próprios, inclusive se e expandindo nesse período [CARVALHO & BARBOSA, 2010].

Os anos de 1980 são marcados pela redemocratização e explosão dos movimentos sociais que culminam na Constituição Federal de 1988 e construção do SUS. A reforma gerencial do estado surgiu com intuito de promover a modernização e flexibilização da gestão pública, otimização dos recursos públicos, eficiência, transparência e controle social sobre ações dos agentes públicos, adaptando a prestação de serviços à realidade do setor com foco mais nos resultados que nos processos. Dividiu-se os serviços públicos em duas categorias: exclusivos do Estado (polícia, regulação e fiscalização) e não exclusivos (saúde, pesquisa, ensino e cultura). Assim, houve uma transferência a entidades não governamentais de algumas atividades que não caberiam ao governo prover diretamente. Isso aconteceu com os serviços sociais. Regulamentado pela lei 8080/90 e 8142/90, o SUS além de ter resultado de forte densidade política e social internamente, também sofreu influência externa, em especial do modelo welfares states ( Estado Providência) [CARVALHO & BARBOSA, 2010]. O movimento sanitário foi quem levantou a bandeira do SUS e deu corpo a Reforma Sanitária Brasileira na década de oitenta, momento em que predominava a exclusão da maior parte dos cidadãos à saúde, que se constituía somente pela assistência realizada pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INAMPS), restrita aos trabalhadores que tinham carteira assinada.

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6 O movimento sanitário tinha propostas concretas, como: 1. direito de todo o cidadão à saúde, independente de ter contribuido ou não com a previdência, sendo ou não trabalhador, incluindo o trabalhador rural, não excluindo ou discriminando qualquer cidadão brasileiro do acesso à assistência pública de saúde; 2. toda a população deveria ter acesso às ações de cunho preventivo e/ou curativo e, para tal, deveriam estar integradas em um sistema único; 3. o sistema de gestão seria descentralizado, tanto administrativo, como financeiramente; 4. e haveria controle social das ações de saúde [FALEIROS, Vicente de Paula et al]. Há de se convir que devemos analisar a reforma sanitária e compreendê-la como uma parte de algo bem maior, ou seja, global para a sociedade naquele momento, que estava vislumbrando atingir a consolidação de uma etapa do capitalismo brasileiro, que era a democracia. A VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986 firma a idéia e incita a reflexão “Saúde como Direito”, assim como, o slogan “Saúde Para Todos no ano 2000”, usado pela OPAS/OMS. Intrigante é que, ao mesmo tempo que serve de sustentação à estratégia da consolidação da democracia, se remonta em pressupostos que respondem a uma política de reforma setorial, ou seja, a Reforma Sanitária, seria apenas um projeto específico, constituido de uma trajetória maior com outros projetos econômicos-sociais reformadores. O que não deixava de ser um conjunto de projetos parciais, e que de forma simplificada, orbitavam em torno de alguns eixos, como: unificação do sistema de saúde e sua hierarquização e descentralização para estados e municípios, com unidade na política de saúde; universalização do atendimento e equalização do acesso com extensão de cobertura de serviços; participação da população através – de entidades representativas na formulação, gestão, execução e avaliação das políticas e ações de saúde; racionalização e otimização dos recursos setoriais com financiamento do Estado através de um fundo único de saúde a nível federal [GALLO, Edmundo et al]. Então, o Estado, nesse instante admitia a necessidade da democracia em seu sistema, para garantir a governabilidade e viabilizar concretização do SUS, ao mesmo tempo que satisfazia e tinha o apoio do povo. Portanto, no que diz respeito à saúde, em 1988 a Constituição Federal conceituou a seguridade social com um valor social, incluindo a atenção à saúde. Foi nesse contexto que o SUS foi regulamentado pela Lei Federal 8080 em 1990 [Sec. Gestão Participativa, 2004].

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7 A descentralização, com direção única do sistema, é uma estratégia para minimizar as desigualdades regionais. Prevê não apenas a transferência, da esfera federal para as demais esferas, da responsabilidade de execução das ações, mas trata-se também de efetuar a descentralização de recursos financeiros e de poder. O controle social da saúde e a participação popular se dá, sobretudo, através dos Conselhos municipais, estaduais e nacional de Saúde e nas respectivas Conferências de Saúde. As Conferências e Conselhos seriam compostas por gestores, profissionais de saúde, usuários do sistema, e outras entidades e pessoas representativas, de forma paritária1, com função, dentre outras, de formular as diretrizes da política de saúde e de acompanhar sua execução [FIOCRUZ, 2009]. Porém, as políticas adotadas não foram suficientes para manter o que foi conquistado na CFB de 1988 em relação à seguridade social, favorecendo a visão mercantilista da saúde e previdência social. Culminando em emendas a contituição e decretos presidenciais e por fim, na extinção do Conselho Navional de Seguridade Social [Sec. Gestão Participativa, 2004]. Vale ressaltar que num país como o Brasil, com tanta desigualdade e injustiça social, em especial na distribuição de renda, com excessiva concentração dos meios de produção, e imensos contingentes populacionais vivendo de forma sub-humana, não é de se espantar essas pessoas foquem toda sua atenção na sobrevivência e não num movimento em prol do direito à saúde. Associando as condições de vida da maior parte do povo brasileiro, às políticas adotadas, não é torna difícil entender como o SUS ficou “inviável”. Durante os governos, vale lembrar, as contradições nas políticas de saúde do governo Sarney; a investida neoliberal do governo Collor e suas freqüentes reduções de recursos para a consolidação do Plano Real, do governo Itamar; os programas de ajuste macroeconômico e a reforma do aparelho do Estado, do governo Fernando Henrique; o subfinanciamento e a continuidade das políticas de ajuste macroeconômico, junto a reforma da previdência, fator também contrário ao projeto da Reforma Sanitária brasileira, no governo Lula. . Tudo isso conduzindo ao sucateamento da máquina pública, aumento da miséria e das desigualdades sociais, com forte repercussão na área da saúde [BISPO JUNIOR, José Patrício, 2009] .

1 adj. Diz-se de um organismo em que duas partes em presença são representadas em pé de igualdade. ANÁLISE CRÍTICA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE DO BRASIL

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8 Referências Bibliográficas: JÚNIOR, Ayrton Paulus; JUNIOR, Luiz Cordoni. Políticas Públicas de Saúde no Brasil. 2006. Revista espaço para a saúde, Londrina, v.8, n.1, p 13-19. Disponível em: < http://www.ccs.uel.br/espacoparasaude/v8n1/v8n1_artigo_3.pdf > . Acesso em 10 Jun 2011. CARVALHO, Antônio Ivo de; BARBOSA, Ribeiro Pedro. Políticas de Saúde: Fundamentos e Diretrizes do SUS. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC; Brasília: CAPES: UAB, 2010. 82 pág. ISBN: 978-85-7988-059-9. FALEIROS, Vicente de Paula et al. Construção do SUS. A construção do SUS: histórias da Reforma Sanitária e do Processo Participativo. 1ª Ed, 2006, Brasília-DF, 300 pág. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/construcao_do_SUS.pdf>. Acesso em: 11 Jun. 2011. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Reforma Sanitária Brasileira. Secretaria de Saúde e Defesa Civil.12p.2009.Disponívelem:<http://www.ensp.fiocruz.br/portalensp/judicializacao/pdfs/introduca o.pdf>. Acesso em: 11 Jun. 2011. Secretaria de Gestão Participativa. Política Nacional de Gestão Participativa para o SUS. Ministério da Saúde. 41 págs. 2004 . Disponível em < http://www4.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/ParticipaSUS.pdf > . Acesso em: 12 Jul. 2011. BISPO JUNIOR, José Patrício. Reforma sanitária brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 8, Aug. 2009 . Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2009000800024&lng=en&nrm=iso>. Accesso em: 13 Jul. 2011. GALLO, Edmundo et al . Reforma sanitária: uma análise de viabilidade. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 4, n. 4, Dec. 1988 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0102-311X1988000400007&lng=en&nrm=iso>. Accesso em 13 Jul. 2011. Fontes bibliogáficas: COELHO, Ricardo Rocha. Estado, Governo e Mercado. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC; Brasília: CAPES: UAB, 2009. 116 pág. ISBN: 978-85-6160881-1 CARVALHO, Antônio Ivo de; BARBOSA, Ribeiro Pedro. Políticas de Saúde: Fundamentos e Diretrizes do SUS. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC; Brasília: CAPES: UAB, 2010. 82 pág. ISBN: 978-85-7988-059-9.
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