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Procura-se: um Líder

Autor: Anderson Zonato

Recentemente, fiz um curso com o Prof. Dr. Mário Sérgio Cortella


que tratava de liderança. Com base nos seus ensinamentos, quero
fazer um paralelo com a minha profissão, afinal estou sempre a
procura de bons líderes e em busca de ser um líder melhor.

Mas o que é preciso para ser líder? Vou expor o que aprendi com o
curso e com a minha experiência.

Liderar é um dom, a pessoa nasce com isso


Não! Essa é a desculpa mais comum dos preguiçosos. O dom é um
gigantesco menosprezo com todo trabalho que a pessoa teve para
estudar, praticar e desenvolver uma habilidade.

O humorista e especialista em criatividade Murilo Gun criou até um


bordão que usa até hoje quando foi abordado por um fã dizendo que
ele tinha “o dom do humor”. Em resposta, ele disse com seu sotaque
de Recife: Isso não é dom, é hardwork, papai! Todos os livros
lidos sobre o assunto, todas as horas de prática e toda a experiência em
frente ao público foi diminuída pelo dom: uma qualidade divina que
independe de qualquer esforço.

Cortella explica que a liderança é uma virtude, algo que pode ser
desenvolvido e trabalhado. Existem capacidades genéticas que podem
até ajudar na liderança, mas não qualificam o indivíduo como um líder
nato.

Mas o que é liderar?


Segundo o Prof. Cortella , liderar é ser capaz de inspirar, motivar e
animar ideias, pessoas e projetos.
O líder deve encher de fôlego e estimular (inspirar), deve movimentar
e dar propósito (motivar) e deve dar vitalidade e impulsionar (animar).
Sendo assim, é fácil perceber que nem todo chefe é líder e que nem
todo líder é chefe.

Liderança é uma atitude, chefia é um cargo


A um chefe, obedecemos. A um líder, seguimos, admiramos,
procuramos.

Tem que ter experiência


É importante que o líder possua experiência, mas mais importante é
saber o que significa “ter experiência”.

Muitas pessoas vinculam experiência a tempo. Essa é uma visão


equivocada. Experiência não está relacionada à duração de tempo
numa atividade, mas sim à intensidade da práticanesta atividade.

Experiência é importante, mas sem algumas competências o líder não


está completo.

Competências do líder
É nesse ponto que encontrei mais relação com o ambiente de
marketing. Vamos às competências necessárias para o líder:

Abrir a mente

Num mundo que muda de maneira veloz e constante, é fundamental


ter a mente aberta para acompanhar essas mudanças. Além disso, é
necessário trazer conhecimentos de fora do seu campo de atuação e
agregar ideias divergentes para aumentar o repertório de soluções.

O líder de marketing, mais do que nunca, deve estar atento ao que não
está habituado, deve conduzir uma equipe multidisciplinar que
tenha diversidade na reflexão e unidade na ação. Essa é a melhor
forma de gerar ideias e executar planos.

Elevar a equipe

Quando um líder cresce, sua equipe cresce junto. Não há melhor meio
de manter uma equipe motivada.

O líder tem o poder de servir a equipe. Se esse poder, ao invés de


servir a sua equipe, serve a si próprio é um poder que não serve. Quem
se utiliza desse artifício é o oportunista, de perfil muito diferente do
líder.

Oportunista não é aquele que aproveita a oportunidade, é aquele que


usa as pessoas para seu próprio interesse. E ninguém gosta de se sentir
“usado” por outra pessoa.

É impossível fazer marketing sozinho (acredite, estou passando por


isso). É por isso que a equipe de trabalho deve ser valorizada, todos os
méritos devem ser creditados e todos devem ser reconhecidos.
Reconhecimento é mais que parabenização. Reconhecimento é
promover conquistas pessoais, profissionais e financeiras. Isso reflete
em profissionais realizados, mais produtivos e focados no sucesso da
organização.

O líder não pode ser egoísta. Como o especialista em direito do


consumidor Ralph Nader disse:

O verdadeiro líder não forma seguidores,


forma novos líderes

Inovar a obra

Um líder não se conforma em deixar as coisas como estão. Ele sempre


está em busca de melhorias, de inovação.

Inovação não se resume em criar o inédito. Inovação, acima de tudo, é


pegar o que existe e reunir numa nova configuração, dando um novo
significado que tenha valor para sociedade ou, no mínimo, para um
grupo de pessoas.
Recrear o espírito

É recrear mesmo! Recrear de recreio, lembra?

Essa é a competência que mais estimo quando trabalho com


marketing. O trabalho de marketing exige uma dose racional de
cálculos e fórmulas (especialmente na fase de levantamento de dados
e monitoramento) e uma boa porção de abstração (a minha parte
favorita) que envolve estratégias, posicionamento, campanhas, design,
atendimento ao cliente, entre outras atividades. Especialmente para
essas atividades que necessitam um grau maior de abstração, o
ambiente de trabalho influencia diretamente nos resultados. É aí que
entra em ação essa competência no papel do líder.

Recrear o espírito significa elevar o astral do seu time, mantendo um


ambiente leve, agradável e alegre. Muita gente que conheço entende
que alegria não combina com seriedade. Não poderiam estar mais
enganados!

Seriedade não é sinônimo de rispidez,


seriedade é sinônimo de compromisso
Para ser sério, não é necessário ser triste, ríspido, severo ou sisudo.
Para ser sério, é necessário ser comprometido com o trabalho. A
alegria nos faz inclusive querer continuar exercendo o nosso trabalho.
Dizem até que se você faz o que gosta com alegria, você nunca vai
trabalhar.

Gostaria de compartilhar com vocês uma experiência que tive numa


empresa. O departamento em que trabalhava não era reconhecido pela
empresa, então criamos um blog interno para divulgar as ações e a
equipe do departamento. Para criar empatia com os demais
colaboradores, solicitei que os membros da equipe sorrissem nas fotos
que estariam no site. Qual foi a minha surpresa quando tive resistência
de algumas pessoas, justamente por “se tratar de uma foto
profissional, séria”. Gente, não levem a seriedade ao pé da letra.

Cortella ainda fala de permitir a celebração quando se atinge um


objetivo. Empresas com o mindset mais atual, como a Natura, têm a
comemoração como pilar no seu conjunto de valores. Quando
site Rede Natura ganhou o Prêmio Ebit 2018 de melhor loja virtual, a
equipe fez um desfile da equipe por todos os departamentos, com o
pessoal cantando e pulando. Quando falo da equipe, incluo gerentes
que puxavam o bloco e diretores que registravam o momento. Entendo
que há quem ache isso um exagero, mas a equipe está satisfeita e
produzindo resultados.

A tradicional empresa japonesa Ajinomoto também festeja suas


conquistas. Sempre que ganha o Prêmio Consumidor Moderno, a
empresa leva a equipe de Atendimento ao Consumidor para
um Happy Hour com tudo pago. É outra forma de celebrar.

Empreender o futuro

Essa é a competência da proatividade. Mais uma vez, essa é uma


palavra que as pessoas insistem em trocar o significado.

Proatividade, especialmente nas entrevistas de emprego, costuma ser


uma competência ligada a ter iniciativa. Não é nada disso!

Proatividade é o comportamento de antecipação e de


responsabilização pelas próprias escolhas e ações frente às situações
impostas pelo meio, ou seja, é conseguir entender o cenário atual e
futuro e tomar ações preventivas e conscientes, sempre considerando o
impacto que elas terão lá na frente.

Um líder precisa ser proativo, não reativo. Ser reativo é tomar


decisões conforme as coisas se apresentam no presente, sem
considerar a repercussão que elas terão.

Para ser proativo é necessário ter um mínimo de planejamento e


pensamento estratégico.

Agora que vocês viram o que é necessário para ser um líder, vocês
conseguem dizer se existe algum no seu círculo profissional? Se
alguém achar, me avise!