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Filosofia Cristã - Prolegômenos

“[Paulo] afirma que Cristo é a sabedoria de Deus e que só os cristãos podem alcançar
verdadeira sabedoria (1Co 1-2).” (p. 17)
“Pois em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo conhecimento” (1
Co 1:5)
“Ao contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus
preordenou antes da origem das eras, para a nossa glória.” (1 Co 2:7)
Filosofia = amor pela sabedoria.
Mas a sabedoria que devemos buscar é a sabedoria de Deus, a sabedoria que o Espírito
Santos nos revela (“Deus, todavia, o revelou a nós por intermédio do Espírito! Porquanto
o Espírito a tudo investiga, até mesmo as profundezas de Deus.” - 1 Co 2:10)
É a nossa mudança de mente (metanoia) que transforma a nossa concepção acerca de
Cristo e seu Senhorio!
“Afirmar Jesus como Senhor da filosofia é uma posição radicalmente contracultural.”
(p. 17) - Paulo fala que o Evangelho (“Cristo crucificado”) é loucura para os gentios (1
Co 1:23), mais especificamente os gregos. Os gregos constituíam uma “elite” cultural e
intelectual da época. Atualmente, não diferente daquela época, apresentar Jesus como
“Senhor da filosofia” soa como absurdo e loucura, porque o humanismo, o materialismo
e outras vertentes de pensamento antropocêntricas exigem a “morte” ou a “expulsão de
Deus” da filosofia, da ciência, da vida pública. E mais à frente, Paulo fala que “a loucura
de Deus é mais sábia que a sabedoria humana” (1 Co 1:25a). Mas na verdade, não é que
não haja lugar para Deus na filosofia e na ciência como um todo. Marcos Eberlin falou
muito no Simpósio sobre Design Inteligente, rebatendo o argumento que a TDI é
pseudociência, que a TDI está amparada e baseada na boa ciência, na boa filosofia e na
boa teologia.
Segundo Naugle, os prolegômenos são de extrema importância para o desenvolvimento
da filosofia cristã. Eles consistem nos pressupostos, nos princípios que nortearão o
pensamento filosófico.
Em seguida, ele aborda o fato de tentarmos produzir filosofia cristã, a partir de
pressupostos filosóficos não-cristãos e como isso pode prejudicar a nossa compreensão
acerca da realidade. Se queremos desenvolver uma filosofia verdadeiramente cristã, as
nossas bases devem estar alicerçadas nas verdades bíblicas.
“Os prolegômenos devem ser naturais ao material por eles indicado, como um guia
nativo apontando os destaques de sua terra natal aos visitantes. Vamos chamá-los de
‘prolegômenos para a glória de Deus’.” (p.19)
“Se formos criaturas que vivem naturalmente de modo baseado na fé, dado por Deus,
isso significará, pelo menos, duas coisas. Primeiro, não se pode dividir o mundo entre
crentes e descrentes, pois todos têm fé e todo o mundo crê. De fato, os objetos da fé
diferem, e ainda podemos dividir a raça humana entre os que possuem e não possuem fé
salvífica. A própria fé salvífica, entretanto, é mais bem entendida como uma função
graciosamente redirecionada da natureza baseada na fé que todos possuímos.
Segundo, à luz disso, não se pode dizer que os filósofos religiosos têm fé e irreligiosos
não. Ou que os primeiros são tendenciosos por causa da fé, e os últimos, não. Ou que os
filósofos religiosos são indivíduos fundamentados na fé lidando com valores subjetivos,
enquanto os filósofos irreligiosos são científicos e preocupam-se com fatos objetivos e
racionais.” (p. 19-20)
Em seguida, autor argumenta que não a neutralidade religiosa é um mito.
“O secularismo não eliminou a religião, apenas a realocou, em especial na direção das
diversas formas de adoração contemporânea. Assim, como Roy Clouser demonstrou, isso
significa que a neutralidade religiosa na academia e formação de teorias, incluindo-se a
filosofia, é apenas um mito. O pensamento é uma função da religião.” (p. 20)
Fala-se também no mito da neutralidade científica, presente no pensamento de Herman
Dooyeweerd.
Essa neutralidade não existe na realidade porque qualquer pessoa que produza
conhecimento filosófico ou científico o faz influenciado por sua cosmovisão, seja ela qual
for. Todo ser humano possui uma cosmovisão, esteja ele consciente disso ou não. Desta
forma, quando produzirmos conhecimento filosófico, nossa base deve ser o Deus
trinitário que se revelou, e continua se revelando, através de Sua Palavra (revelação
verbal).
Princípios básicos dos prolegômenos cristãos:
1. Criação;
2. A graça restaura a natureza (GRN);
3. Distinção entre estrutura e direção e o conceito relacionado de antítese;
4. Graça comum;
5. A erudição cristã é primariamente hebraica em vez de helênica ou outra coisa.

“O cristianismo, em outras palavras, significa a restauração do mundo devastado pelo


pecado.” (p. 21)
“[...] se a graça restaura a natureza, ou a salvação renova a cultura, e a filosofia é parte
da cultura ou da natureza, então salvação e graça restauram a filosofia. Em outras
palavras, Cristo restaura a filosofia. A fé salvífica capacita os filósofos cristãos a
procurar compreensão filosófica nele.” (p. 21)

“Como consequência, temos prolegômenos biblicamente estabelecidos para a filosofia


cristã se priorizarmos as disposições da mente hebraica acima da grega, se mantivermos
a ideia de graça comum, se lembrarmos que a graça restaura a natureza, se
reconhecermos a diferença entre a boa estrutura da criação e suas possíveis direções
antitéticas, se recordarmos a distinção ontológica entre o Criador e a criação, se
basearmos a filosofia cristã no teísmo trinitário canônico, e se relembrarmos que a fé é
o componente estrutural universal da natureza humana. Em todo caso, a filosofia cristã
tem uma natureza teológica, “sob constante controle da exposição bíblica da fé”.
Filósofos cristãos precisarão de coragem para serem contraculturais. Com frequência,
estes prolegômenos contrastam de forma crítica, corretiva e criativa com as abordagens
atuais. (p.23)