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CENTRO UNIVERSITÁRIO SANTO AGOSTINHO – UNIFSA

PRÓ-REITORIA DE ENSINO
CORDENAÇÃO DO CURSO DE PSICOLOGIA

O BEHAVIORISMO EM DISCUSSÃO

Ianara Evangelista
Leucivane Silva
Luciana Gomes
Luiza Mendes
Mara Reis
Raisa Costa
Halinne Silva

TERESINA (PI), ABRIL DE 2019


O BEHAVIORISMO EM DISCUSSÃO

Trabalho apresentado referente a 2ª Avaliação


de Aprendizagem, da disciplina “História da
Psicologia”, do Curso de Psicologia, do Centro
Universitário Santo Agostinho (UNIFSA).
Disciplina ministrada pela Profª Ms. Juliana
Gomes da Silva Soares.

TERESINA (PI), ABRIL DE 2019


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3
1. BEHAVIORISMO: O ESTUDO DO COMPORTAMENTO..................................... 3
2. COMPORTAMENTO RESPONDENTE ................................................................ 4
3. COMPORTAMENTO OPERANTE ....................................................................... 5
4. REFORÇAMENTO NEGATIVO: ESQUIVA E FUGA ............................................ 6
5. CONTROLE DE ESTÍMULOS .............................................................................. 7
CONCLUSÃO.............................................................................................................. 8
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 8
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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo fazer uma breve apresentação sobre a
escola Behaviorista, dando destaque aos seus principais pesquisadores, bem como
às contribuições que cada um trouxe para a psicologia. Em razão disso, o
comportamento, tido como objeto de estudo da psicologia segundo os behavioristas,
será abordado levando em conta os estímulos recebidos do meio e as consequências
das ações.

1. BEHAVIORISMO: O ESTUDO DO COMPORTAMENTO

O behaviorismo, que tem seu fundador na figura de John B. Watson (1878-


1958), ganha esse título após a publicação, em 1913, do artigo “A psicologia como o
behaviorista a vê”1. Neste artigo, Watson (2008) demonstra sua preocupação com o
método experimental e, ao mesmo tempo, apresenta uma proposta de psicologia
científica.

A psicologia como o behaviorista a vê é um ramo experimental


puramente objetivo das ciências naturais. Seu objetivo teórico é a
previsão e o controle do comportamento. A introspecção não constitui
parte essencial de seus métodos, nem o valor científico de seus dados
depende da facilidade com que eles podem ser interpretados em
termos de consciência. O behaviorista, em seus esforços para
conseguir um esquema unitário da resposta animal, não reconhece
linha divisória entre homens e animais. O comportamento do homem,
com todo o seu refinamento e complexidade, constitui apenas uma
parte do esquema total de investigação do behaviorista (WATSON,
2008, p. 289).

Em oposição às escolas psicológicas até então existentes, a corrente fundada


por Watson evidencia como objeto da psicologia o comportamento humano (um objeto
mensurável, observável e cujos experimentos podem ser reproduzidos em diferentes
situações e com diferentes sujeitos), permitindo, assim, um definitivo rompimento da
Psicologia com a filosofia enquanto ciência.
O termo behavior, que vem do inglês e significa comportamento, teve seu
sentido modificado por Watson, que não o aprecia apenas enquanto ações isoladas

1 O título original é “Psychology as the behaviorist views it” e foi publicado em Psychological Review
(1913),
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de um indivíduo, mas, sobretudo, como resultado de uma interação entre o indivíduo


(suas respostas) e o meio ambiente (as estimulações).
Entre os sucessores de Watson, B. F. Skinner (1904-1990) ganhou relevância
ao defender o Behaviorismo Radical, que estuda o comportamento por meio de uma
análise experimental do mesmo.
Skinner defendia e praticava um sistema empírico para condução de pesquisas:
estabelecendo relações entre as condições de estímulos controladas pelo
pesquisador e as respostas subsequentes do organismo, sem se ater ao que ocorria
dentro desse, o que levou sua abordagem a ser intitulada de “abordagem do
organismo vazio”.
Cumpre ressaltar que o behaviorismo radical não era uma negação da
existência de processos internos, apenas defendia que o organismo humano era
controlado e operado pelas forças do ambiente, ou seja, pelo mundo exterior e não
por condições mentais ou fisiológicas internas.

2. COMPORTAMENTO RESPONDENTE

O pilar do conhecimento construído pela corrente skinneriana está no estudo


do comportamento operante e, para tanto, perpassa pela compreensão do
comportamento reflexo ou respondente.
O comportamento respondente, também conhecido como reflexo, refere-se às
respostas produzidas diante de estímulos antecedentes do meio ambiente, de forma
incondicionada, sem que precisem ser aprendidas ou ensinadas.
Cabe ressaltar que embora o comportamento respondente não seja ensinado,
é possível que diante de um pareamento temporal de estímulos eliciadores com
estímulos não eliciadores, em certas condições, o organismo passe a responder a
estímulos que antes não respondia, sendo, tal situação, entendida como
condicionamento respondente.
Uma vez compreendida essa unidade básica de análise (o comportamento
respondente), Skinner desenvolveu seu trabalho partindo para a observação de outro
tipo de interação entre indivíduo (resposta) e meio (estímulo): o comportamento
operante, consistente em ações de um organismo que possuem influência, direta ou
indiretamente, sobre o mundo ao redor.
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Os analistas experimentais do comportamento, dentre eles, Skinner fizeram


uso de animais para verificar como as variações no ambiente interferiam em seus
comportamentos e, a partir disso, fizeram afirmações que designaram de “leis
comportamentais”.

[...] Colocava-se um rato privado de comida na caixa, ficando livre para


explorar o ambiente. No curso dessa exploração, o rato pressionava
uma alavanca ou uma barra, ativando um mecanismo que liberava
uma bolinha de ração em uma bandeja. Depois de conseguir algumas
bolinhas (os reforços), o condicionamento geralmente se estabelecia
com rapidez. Observe que o comportamento do rato (pressionando a
alavanca) atuou sobre o ambiente e, assim, serviu como instrumento
para obtenção de alimento. A variável dependente é simples e direta:
a taxa de resposta. (SCHULTZ, 2015, p. 244)

3. COMPORTAMENTO OPERANTE

O comportamento operante, ao contrário do respondente, pode ser aprendido


e o que favorece essa aprendizagem é a relação entre a ação do organismo sobre o
meio (resposta) e o efeito resultante dessa ação (consequência), ou seja, a relação
fundamental da aprendizagem é a interação sujeito-ambiente, uma vez que o
indivíduo age sobre o mundo de acordo com as consequências criadas por suas
ações.
As consequências de uma ação podem alterar a probabilidade de futura
ocorrência da mesma. A essa alteração de probabilidade dá-se o nome de reforço,
ainda que esta probabilidade seja alterada para menos.

Quando um comportamento tem um tipo de consequência chamada


reforço, há maior probabilidade dele ocorrer novamente. Um
reforçador positivo fortalece qualquer comportamento que o produza:
um copo d’água é positivamente reforçador quando temos sede e, se
então enchemos e bebemos um copo d’água, é mais provável que
voltemos a fazê-lo em ocasiões semelhantes. Um reforçador negativo
revigora qualquer comportamento que o reduza ou o faça cessar:
quando tiramos um sapato que está apertado a redução do aperto é
negativamente reforçadora e aumenta a probabilidade de que ajamos
assim quando um sapato estiver apertado (SKINNER, 1982, p. 43).

Intitula-se de reforço positivo qualquer consequência que aumente a


probabilidade da ação do sujeito (resposta) se repetir. Por outro lado, chama-se de
reforço negativo todo evento que aumenta as chances do sujeito adotar ações que o
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remova ou atenue. O reforçamento positivo oferece algo ao indivíduo, enquanto o


negativo permite a redução de alguma consequência indesejada.

[...] Skinner derivou sua lei da aquisição, que afirma que a força de um
comportamento operante aumenta quando ele é seguido pela
apresentação de um estímulo reforçador. Embora a prática seja
importante para estabelecer uma alta taxa de pressão à barra, a
variável-chave é o reforço. A prática em si não aumenta a taxa de
respostas; ela apenas proporciona a oportunidade de ocorrência do
reforço adicional. (SCHULTZ, 2015, p. 245)

A força reforçadora só pode ser definida em função do comportamento do


indivíduo (fazendo a sua probabilidade de ocorrência aumentar ou reduzir), por isso,
inicialmente, nenhum evento pode ser tido como reforçador. Apesar disso, existem os
chamados reforços primários (aqueles que tendem a ser reforçadores para toda uma
espécie) e secundários (adquirem a função de reforço quando pareados
temporalmente com os reforços primários).

4. REFORÇAMENTO NEGATIVO: ESQUIVA E FUGA

No que tange ao reforçamento negativo, ganham destaque os processos de


esquiva e de fuga, que evitam ou reduzem os estímulos negativos por meio de
processos diferentes.
A esquiva se trata da adoção, diante de um primeiro estímulo negativo, de um
comportamento que evite ou reduza as consequências de um segundo estímulo
negativo.

Quando os estímulos ocorrem nessa ordem, o primeiro torna-se um


reforçador negativo condicionado (aprendido) e a ação que o reduz é
reforçada pelo condicionamento operante. As ocorrências passadas
de reforçadores negativos condicionados são responsáveis pela
probabilidade da resposta de esquiva. No processo de esquiva, após
o estímulo condicionado, o indivíduo apresenta um comportamento
que é reforçado pela necessidade de reduzir ou evitar o segundo
estímulo, que também é aversivo. (BOCK, 2018, p. 51)

A fuga, em muito se assemelha ao processo de esquiva, no entanto, o estímulo


negativo só é evitado depois que já está em andamento.
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No caso da esquiva, há um estímulo condicionado que antecede o


estímulo incondicionado que, quando apresentado, será evitado pelo
comportamento de fuga. Neste segundo caso, não se evita o estímulo
aversivo, mas se foge dele depois de iniciado. (BOCK, 2018, p. 52)

Além desses processos, a análise experimental do comportamento formulou


alguns outros, como, por exemplo, a extinção e a punição. A extinção se trata da
retirada abrupta de um reforço, fazendo com que a ação do indivíduo sobre o meio
(resposta) seja reduzida ou até mesmo extinta. Por sua vez, a punição consiste na
apresentação de um estímulo negativo ou remoção de um reforçador positivo.
Atualmente, compreende-se que para promover uma mudança de
comportamento, mostra-se mais eficiente o reforçamento positivo do comportamento
que se deseja do que a punição dos comportamentos indesejáveis, isso porque a
punição não altera as motivações que levaram a realização dos comportamentos tidos
como ruins, assim, caso não seja extremamente intensa, a supressão do
comportamento punido será apenas temporária.

De acordo com Skinner, as pessoas não devem ser punidas por não
se comportarem da forma desejada. Ao contrário, devem ser
reforçadas ou recompensadas quando mudarem o comportamento na
direção positiva. A posição de Skinner de que o reforço positivo é mais
eficaz do que a punição para alterar o comportamento é comprovada
por várias pesquisas com animais e seres humanos. (SCHULTZ,
2015, p. 249)

Skinner defendia que o papel da psicologia enquanto ciência era estabelecer


relações funcionais entre os estímulos controlados pelo pesquisador e as respostas
subsequentes do organismo. Embora atualmente já se compreenda que os estímulos
do meio não determinam as respostas do organismo, é inegável que eles exercem
algum tipo de influência.

5. CONTROLE DE ESTÍMULOS

Diz-se que o comportamento está sob o controle de estímulos quando a


resposta (atuação do indivíduo sobre o meio) é alterada, em sua forma ou frequência,
diante de estímulos diferentes.
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A discriminação de estímulos pode ser observada quando na presença de um


estímulo a resposta se mantém, mas, na presença de outro estímulo, essa resposta
sofre um certo grau de extinção.
Ainda no tocante aos estímulos, entende-se que houve a sua generalização
quando estímulos percebidos como semelhantes (diferentes, mas com aspectos
comuns) são respondidos de forma semelhante.
Embora a escola behaviorista tenha sofrido críticas, seus estudos deixam
contribuições até os dias atuais, através, por exemplo, de mudanças na forma de
educar e de treinamentos em empresas, pois a análise experimental do
comportamento permite a sua descrição e modificação.

CONCLUSÃO

A escola behaviorista trouxe como objeto da psicologia o comportamento,


contribuindo, desse modo, para que a psicologia alcançasse o status de ciência e
rompesse com a tradição filosófica, uma vez que se trata de um objeto observável,
mensurável, e cujos experimentos podem ser reproduzidos em diferentes condições
e com diferentes sujeitos.
O comportamento, segundo essa corrente, é uma função de certas variáveis
do meio, o que leva os behavioristas a estudarem institutos como estímulo, resposta
e consequência, bem como a formular leis comportamentais, como, por exemplo, a lei
da aquisição.
Por fim, embora o behaviorismo tenha recebido intensas críticas, a sua
contribuição para psicologia moderna se torna evidente por meio da aplicação de seus
métodos de reforço em diversos campos, como na educação e na publicidade.

REFERÊNCIAS

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. O
Behaviorismo. In: Psicologias uma introdução ao estudo de psicologia. 2018.

SCHULTZ, Duane P.; SCHULTZ, Sydney Ellen. História da psicologia moderna.


2015.
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SKINNER, B. F. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix/EDUSP, 1982.

WATSON, John B. Clássico traduzido: a psicologia como o behaviorista a vê.


Artigo originalmente publicado em Psychological Review, 20 (2), 158-177. Artigo em
domínio público. Temas em Psicologias, Ribeirão Preto, Vol. 16, N. 2, p. 289-301,
2008.