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Disciplina: ECONOMIA

Elementos do Grupo:
Helton Xavier
Belquice Massinguine
Abner Foia
José
Docente:
Dr. Barros
TURMA “B”

Maio de 2003
PAPEL DAS INTERMEDIAÇÕES FINANCEIRA E
FONTES DE INVESTIMENTO PARA O
DESENVOLVIMENTO

INTRODUÇÃO
O desenvolvimento económico dos Estados tem se traduzido ou é o resultado dos
investimentos internos como os externos. Já está comprovado que todos estados
para alcançarem um desenvolvimento sustentável precisam de outros estados.

O desenvolvimento é um processo de transformação e distribuição criativa em


que surgem novas actividades económicas nos processos produtivos. Novas
instituições, novas classes sociais num processo eu que altera a posição relativa
de agentes e de grupos na economia e na sociedade. Deste modo, entende-se
desenvolvimento como sendo a mudança quantitativa e qualitativa ao nível da
esfera económica, social e tecnológica.

Mas o que é necessário para se obter ou atingir um desenvolvimento igual?

Vários são os factores que intervém neste processo, como:



 Poupança
 Crescimento

 Investimento
 Fontes de financiamento
 Intermediação financeira e outros.

Nesta nossa abordagem vamos apenas tratar da INTERMEDIAÇÃO


FINANCEIRA e as FONTES DE INVESTIMENTO. Qual é o papel
desempenhado por cada um destes factores para que se alcance um
desenvolvimento.

INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA

Tradicionalmente, o financiamento das economias era realizado, sobretudo, por


intermédio das instituições bancárias, e ainda hoje o é em larga escala. Todavia, a
actuação das instituições bancárias tem vindo a afastar-se cada vez mais da sua
função clássica de INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA-receber depósitos e
conceder créditos, ou, dito de outro modo, transformar depósitos.


Poupança diferença entre o rendimento disponível e o consumo

Investimento aplicação de fundos destinados à obtenção de um determinado
rendimento
As empresas de intermediação financeira conduziram a fortes transformações
estruturais que se traduziram, ainda que de maneira diferenciada, nos sistemas
organizacionais e nos processos de trabalho, com concomitantes
consequências ao nível da redução da margem financeira. Em face desta situação
os bancos e as seguradoras a operar desenvolveram estratégias de expansão com
grande influencia sobres os custos e competitividade (por exemplo, através do
posicionamento em novos mercados geográficos, da abertura de novas agências e
da multiplicação de produtos e serviços, alguns de carácter misto “banco-
seguros”), movimento reforçado com os processos de concentração empresarial e
de aquisição de empresas seguradoras por parte da generalidade dos grandes
grupos financeiros.

DEFINIÇÃO DA INTERMEDIAÇÃO FINACEIRA

Designa-se por INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA, a actividade desenvolvida por


instituições financeiras com o objectivo de canalizar as poupanças dos agentes
superavitários para agentes deficitários.

INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA E ESPECIALIZAÇÃO COMERCIAL

Thornsten Beck, do Banco Mundial, pesquisou a validade de se adicionar um


elemento a tal conjunto de explicações, a saber, o grau de desenvolvimento da
intermediação financeira - bancária e/ou não-bancária - nos países1. Um facto
anteriormente observado em trabalhos por ele citados é o de que, por vários
motivos, as firmas instaladas em diferentes ramos produtivos exibem graus
distintos de absorção de recursos de terceiros, com tais características setoriais
mantendo-se similares entre os países. Logo, economias que tenham maior
competência na intermediação financeira, reduzindo as margens entre captação e
aplicação e o racionamento na oferta de capital, reforçam a aquisição de
vantagens comparativas nos ramos em que for intenso esse aporte de fundos de
terceiros.

É claro que há uma questão de causalidade envolvida, presente em toda a


literatura que aponta o desenvolvimento da intermediação financeira como
requisito - e não como um resultado automático - do crescimento económico e da
acumulação de capital. É de fato mais plausível o aperfeiçoamento da
intermediação quando existe uma massa de riqueza acumulada circulando na
órbita financeira. Contudo, a evidência sugere que o início de um círculo virtuoso
entre finanças e crescimento não pode se dar sem condições mínimas de
operação eficiente da intermediação financeira.

Do ponto de vista brasileiro, constata-se o carácter crucial do aperfeiçoamento na


intermediação financeira. Apenas com a governança corporativa adequada no
lado de tomadores de recursos e, no outro, instituições e mercados financeiros

1
(“Desenvolvimento financeiro e comércio internacional: há uma ligação? Banco de
Mundo WPS 2608, Maio, 2001)”.
capazes de suplantar os problemas decorrentes da assimetria de informações
entre aplicadores e captadores será possível reduzir os atuais elevados custos do
financiamento externo às empresas, aproximando-os dos custos do
autofinanciamento. Será também relevante tanto uma reforma tributária que
diminua a cunha fiscal sobre a intermediação financeira, quanto uma reforma
judiciária que retire o actual viés pró-inadimplência empresarial no Brasil.
Conclui-se da pesquisa de Beck um canal adicional de transmissão do
aperfeiçoamento na intermediação financeira ao crescimento brasileiro.

ACTIVIDADE BANCÁRIA

O objectivo principal de um banco comercial é a intermediação de recursos


financeiros entre os demandantes de crédito e os poupadores, o que pode ser
denominado de compra e venda de dinheiro.
A intermediação resulta da aquisição de recursos ociosos de clientes poupadores
ou de outras Instituições de Crédito (recursos de terceiros) e/ou a utilização de
recursos próprios para emprestar aos clientes que necessitam de recursos para
investimentos, capital de giro, etc.
Na intermediação, podem ser distinguidos os seguintes grupos de actividades:

Passivo: aquelas destinadas à captação de depósitos à vista, depósitos a prazo,


depósitos de poupança, etc.
Activo: as encarregadas de efectuar os empréstimos, descontos, financiamentos,
etc.

Para realizar essas tarefas de forma eficiente, os bancos incorrem em custos


operacionais. Via de regra, os bancos estão estruturados em diversas unidades de
negócios, que são de denominadas de Agências ou Postos de Atendimento
Bancário (PAB), onde, normalmente, ocorre a captação, a alocação e a prestação
de serviços.
Algumas actividades são efectuadas de forma centralizadas, como o recolhimento
do depósito compulsório ao Banco Central, captação de recursos no mercado
interbancário (CDI), entre outras.

RECEITA DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

A receita operacional dos bancos possui duas fontes distintas:


Receita financeira: Refere-se aos juros contabilizados relativos aos recursos
emprestados a terceiros, ou seja, das operações de crédito.
Receita de tarifas: São as rendas auferidas pelos serviços prestados pela
organização.
CUSTO DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS:

Os custos operacionais de um banco são classificados em financeiros e


administrativos.
Custos financeiros: São os juros decorrentes da captação de recursos, ou seja, o
pagamento efectuado ao cliente poupador, referente ao período em que deixou o
dinheiro depositado no banco.
A contabilização desses custos é efectuada por espécie, facilitando a identificação
do valor pago para os recursos captados em depósito a prazo, depósito de
poupança, etc.
Custos administrativos: São os gastos incorridos nas actividades de compra e
venda de recursos e na administração dos negócios do banco, ou seja, o custo da
estrutura operacional que do suporte as actividades da empresa (pessoal
processamento de dados, comunicações, aluguel, manutenção, depreciação, etc.).
Esses custos são registrados contabilmente nas contas de despesas
administrativas da instituição segundo a sua natureza (pessoal, processamento,
etc.) e por centro de responsabilidade.
Para calcular o custo operacional de cada produto, a organização poderá optar
pelo sistema custeio ABC, Variável, absorção, etc., conforme necessidades e
objectivos da mesma.

RESULTADO DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA OU MARGEM


FINANCEIRA

A margem de intermediação financeira é obtida pela diferença entre a receita
financeira (juros auferidos) das operações de créditos e das despesas financeiras
(juros pagos) ao cliente poupador.

Assim temos:
(+) Receita financeira
(-) Despesa financeira
(=) Margem financeira

RESULTADO OPERACIONAL

A partir do resultado da intermediação financeira, (determinado no item


anterior) agregam-se as rendas operacionais não financeiras (tarifas) e deduzem-
se as despesas operacionais não financeiras (administrativas), conforme segue:

Margem Financeira
(+) Rendas de Tarifas
(-) Despesas Administrativas

Margem de intermediação Financeira diferença entre juros recebidos
(concessão de crédito) e juros pagos (depósitos) pela instituição
(=) Resultado Operacional

ASPECTOS DAS INFORMAÇÕES DE RENTABILIDADE E CUSTOS


EM BANCOS

Dentro do contexto de prestação de serviços, existem duas categorias genéricas


de “produtos” em bancos: os produtos de Intermediação Financeira, que
consiste na captação e aplicação de recursos; e os Serviços Prestados aos
Clientes, tais como o recebimento de contas, cobrança de títulos e arrecadações.

Nas instituições financeiras os ganhos basicamente advêm das Receitas


Financeiras (ou receita com intermediação financeira) decorre das operações de
crédito (activas) realizadas, e pelas Receitas de Serviços provenientes das tarifas
cobradas sobres prestação de serviços.

PRODUTOS – INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA


Na empresa industrial, o ganho por produto correspondente ao seu preço de
venda menos os seus custo totalmente variáveis, normalmente a matéria-prima.
Inicialmente deve-se definir preço e custo totalmente variável nos produtos
bancários.
Em se tratando de intermediação, a receita depende do volume e da taxa das
operações de empréstimos, enquanto os custos dependem do volume e taxas de
captação de recursos, o que gera um diferencial ou uma margem financeira.
Como o banco tem mais de uma forma de captação e mais de uma forma de
empréstimo, e eles acontecem simultaneamente, não é possível avaliar o ganho
de cada produto separadamente.
Por outro lado devemos levar em consideração que o ganho, no caso de
intermediação financeira, pode ser fortalecido através do aumento do volume
negociado e/ou do spread praticado.

Medidas de Desempenho – Produtos de Intermediação

Receita Receita Financeira

(-) Custos totalmente Custos Financeiros (e custos não financeiros que


Variáveis sejam totalmente variáveis)

= Ganho Margem Financeira


INSTITUIÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA
São instituições não monetárias que não sendo instituições de crédito ou
auxiliares de crédito, exerce alguma função de crédito ou qualquer outra
actividade que possa afectar de forma significativa o funcionamento do mercado
monetário ou financeiro.
Na categoria das instituições de intermediação financeira (IIF), existem
diferentes tipos de sociedades que podem desenvolver diferentes actividades
dentre aquelas que são permitidas às IIF em geral. Quer isto dizer que, se podem
autonomizar várias espécies de entidades atendendo ao seu objecto, todas elas
fieis a definição básica e comum das IIF.

Assim, podemos destinguir aos seguintes sociedades:


a) Sociedade de Locação Financeira (Leasing)
b) Sociedade Gestora de Fundos de Investimento
c) Sociedade Financeira para aquisição a Crédito
d) Sociedade de Factoring
e) Sociedade de Desenvolvimento Regional
f) A Lunaivest

a) SOCIEDADE DE LOCAÇÃO FINANCEIRA (Leasing)

Para melhor definir o conceito de LOCAÇÃO FINANCEIRA ou Leasing, atente no


seguinte caso prático:
O João pretende adquirir uma viatura, mas este não tendo dinheiro suficiente
para a aquisição da viatura recorre a Sociedade de Locação Financeira, com a
qual assina um contrato.
O João escolhe a viatura, a Sociedade compra-a (se é que não a possui já) e vai
alocá-la ao João por um período de tempo, mediante o pagamento de uma renda.
O contrato estabelece que o João deverá pagar uma renda constante (que tem em

conta o valor da viatura, a taxa de juro utilizada na operação e o valor residual
do bem objecto de locação), durante o período estipulado pelo locador, no final
do qual a viatura estará paga.
Nessa altura, o João poderá decidir se lhe interessa ficar coma viatura, ou,
eventualmente, trocá-la por uma outra mais moderna, ficando a pagar uma nova
renda.


Valor residual constitui o preço de compra do bem, acordado no inicio do contrato
e a pagar no termo do mesmo.
Em linhas gerais, podemos dizer: “saber financiar-se é a base do sucesso. O
negócio da renda pode modernizar o seu investimento. O segredo é
simples: escolha o bem, a locadora compra e você vai amortizando a
sua dívida”.

Concede o gozo temporário de uma coisa

Sociedade de Entidade que vai


Leasing Contrato de locação utilizar o bem
(locadora) financeira (locatário)

Paga a renda

Vendedor
(fabricante ou
distribuidor)

Desta forma podemos definir:


Leasing como sendo “o contrato pelo qual uma das partes se obriga, contra
retribuição, ao conceder a outra o gozo temporário de uma coisa, adquirida ou
construída por indicação desta e que a mesma pode comprar total ou
parcialmente, num prazo convencionado, mediante o pagamento de um preço
determinado ou determinável, nos termos do contrato”.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO LEASING

VANTAGENS:
 As rendas entre locadoras e locatário são negociáveis;
 Vantagens fiscais tanto para os locatários como para os locadores;
 Simplicidade de acesso, e a grande rapidez de resposta e
 Facilita a renovação do parque técnico, industrial, imobiliário do locatário.

DESVANTAGENS:
 A propriedade do equipamento ou imóvel mantêm-se na locadora durante o
período do contrato, o que à partida limita a possibilidade do dispor do bem
objecto da locação;
 Severas cláusulas gerais em caos de incumprimento do contrato;
 Tomam-se cada vez mais esbatidas a s diferenças com outros tipos de
financiamento e
 As taxas de juros são muitas elevadas que as dos empréstimos bancários.

b) SOCIEDADES GESTORAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTO


Conjunto de valores mobiliários pertencentes a uma pluralidade de pessoas,
singulares ou colectivas, em que cada participante será titular de quotas partes
dos valores que os integram (unidades de participação).
Os fundos têm por fim exclusivo a constituição de uma carteira diversificada de
valores mobiliários, permitindo a divisão dos riscos e a rentabilidade das
operações. Por outro lado, os fundos são organismos colectores de poupança, por
outro, constituem veiculo de investimento colectivo.
A SGFI tem por objecto exclusivo a administração, gestão e representação de um
ou mais fundos de investimento da mesma natureza.
Assim, uma SGFI pode gerir mais do que um fundo (sendo normalmente mais
conhecido o nome do fundo do que a da sociedade gestora), desde que sejam
todos mobiliários (com todos imobiliários, nos casos em que tal é permitido).
Deste modo a sociedade vai especializar-se no mercado de capitais, acções,
obrigações títulos de participação.

ACTIVIDADE
A SGFI no acto da sua administração desempenha as seguintes operações:


Valores mobiliários são produtos financeiros, emitidos em conjuntos
homogéneos, que conferem direitos idênticos aos seus titulares, negociáveis no
mercado organizado.
 Representa os participantes do fundo (em todas as circunstancias
relacionadas com suas participação);
 Selecciona os valores que constituem o fundo efectua (ou autoriza os bancos
depositários a efectuarem as respectivas operações de compra e venda);
 Emite os certificados de participação no fundo (determinando o seu
respectivo valor) e autoriza o seu reembolso, e
 Mantém em ordem a sua escrita própria e a escrita do fundo.

VANTAGENS:
As vantagens que advém do recurso a SGFI estão dispostas em três planos,
nomeadamente:
RENTABILIDADE
A gestão é assegurada por equipas tecnicamente especializadas e conhecedoras
dos mercados onde actuam.
 A dimensão das carteiras permite economia de escala
 O participante tem acesso a investimentos e a mercados que não estão ao
alcance do investidor isolado.

SEGURANÇA
 A dimensão das carteiras permite uma maior diversificação por títulos e/ou
por mercados dai resultando uma minimização do risco;
 A credibilidade e a imagem das instituições depositárias funcionam como uma
garantia para o investidor
 Transparência na gestão: o participante é informado de forma assídua dos
actos e operação do fundo.

LIQUIDEZ

 As detentoras das unidades de participação em fundos abertos podem, em
qualquer momento requerer o reembolso dos mesmos junto dos depositários.

 Os detentores de unidades de participação de fundos fechados podem, em
qualquer momento vende-loatravés da bolsa.

c) SOCIEDADES FINANCEIRAS PARA AQUISIÇAO DE CRÉDITO


Aqueles em que é possível comprar e vender em qualquer altura

Só em bolsa ou no fim da vida do fundo, é possível receber-se o produto do
investimento.
A possibilidade de se efectuarem aquisições a crédito vai facilitar o acesso ao
consumo de bens e/ou serviços, quer dos indivíduos quer das instituições.
Contudo, para não se entrar em confronto com objectivos macro-económicos,
como é o caso do reforço da poupança e a contenção da inflação, é necessário
regulamentar a actividade desta instituição.
Vejamos, então, qual é a actividade desenvolvida pelas Sociedades Financeiras
para Aquisição de Crédito (SFAC), através de um caso concreto:
A empresa Spacelaser, LDA acabou de receber uma encomenda de 30 monitores
para a mocrocirurgia a laser.
O hospital em causa tinha sublinhado, aquando do acordo de compra, que não
teria capacidade financeira para efectuar um pronto pagamento. No entanto, a
Spacelaser, LDA atravessa momentaneamente um período de dificuldades de
tesouraria e teria toda a conveniência em receber a totalidade do pagamento
duma única vez. Nestas circunstancias, a Spacelaser, Lda estabelece um contrato
com uma SFAC, de acordo com os seguintes termos:
♦ A SFAC paga imediata e totalmente a Spacelaser a dívida do hospital
♦ Este fica obrigado a pagar a SFAC a sua dívida em prestações mensais (mais
juros, evidentemente que constituem, aliás, a remuneração da SFAC;
Concluído, pode dizer-se que a SFAC concedeu financiamento para a aquisição a
crédito de um bem, beneficiando quer o fornecedor (Spacelaser); quer o
adquirente (hospital), a que, tal como lhe convinha, efectuou o seu pagamento na
modalidade a crédito.
Recorrendo a um esquema teríamos:
SFAC: instituição que tem por objecto exclusivo o financiamento ao
fornecedor ou ao adquirente, da aquisição a crédito de bens ou
serviços.
Pode financiar a aquisição a crédito de várias formas através de:
♦ Concessão de crédito directo ao fornecedor ou ao adquirente;
♦ Desconto de títulos de crédito (de letras, por exemplo) ou outras formas de
negociação destes títulos;
♦ Prestação de garantias;
♦ Antecipação de fundos, sobre créditos da SFAC.
Além do financiamento, a SFAC pode ainda realizar gestão de créditos.
VANTAGENS PARA O FORNECEDOR
♦ Realização imediata dos créditos que possui sobre os clientes;
♦ Redução do risco envolvido e implícito de concessão de crédito;
♦ Prestação de serviços conexos nomeadamente a simples gestão de créditos.
VANTAGENS PARA O ADQUIRENTE
♦ Simplicidade e rapidez de decisão;
♦ Reembolso flexível e ajustado a medida da capacidade de gerar meios;
♦ Libertação de meios que, que assim ficam disponíveis para a actividade
corrente.
SOCIEDADE DE FACTORING
As confecções Rainha, Lda uma empresa industrial têxtil e de confecções, acaba
de assinar uma importante contrato de exportação.
Em vez de seguir o processo habitual de enviar mercadoria para o estrangeiro e ir
recebendo gradualmente o seu dinheiro, a confecções Rainha, Lda optou por
outro sistema. Com efeito, celebrou um contrato com a SOCIEDADE DE
FACTORING que se encarregou de fazer a cobrança junto do cliente estrangeiro,
de cobrir o risco de transação e ainda de reembolsar a confecções Rainha, Lda
total e imediatamente, como se esta tivesse realizado uma venda a pronto
pagamento. Este é o caso concreto de transação comercial intermediado por uma
SOCIEDADE DE FACTORING e em que intervém.
♦ Um fornecedor de bens ou serviços (confecções Rainha, Lda).
♦ Um intermediário financeiro (Sociedade Factoring)
♦ Um cliente (neste caso, um comprador estrangeiro).
É exactamente a redução entre o fornecedor e o intermediário financeiro que
interessa aqui focar, pois é entre estes dois elementos que se estabelece o
contrato de Factoring.
Visualizaremos, melhor os intervenientes no Factoring e suas relações através do
seguinte esquema:
O Factoring consiste na tomada por intermédio financeiro (o factor) dos créditos
de curto prazo, que fornecedores de bens ou serviços (os aderentes) constituem
sobre os seus clientes (os devedores).
Repara que, no exemplo anteriormente citado, se as confecções Rainha, Lda
entregassem o produto e aguardasse que este lhe fosse pago gradualmente até
uma certa data limite, estaria a conceder ao seu cliente um crédito a curto prazo.
São estes créditos a curto prazo que são tomados/comprados pelas Sociedades de
Factoring.
Como actuam as estas sociedades:
♦ Prestam um serviço administrativo á empresa, uma vez que cobram do cliente
os créditos tomados e os que gerem de modo especializado (serviço).
♦ Garantem os riscos desses créditos (garantia de crédito)
♦ Pagam antecipadamente ao fornecedor os créditos tomados (financiamento)
MODALIDADES DE FACTORING

Sem a função de financiamento Com a função de financiamento

Naturality factoring Factoring total ou Conventional


Factoring

Sem a função garantia do crédito Com a função garantia do crédito

Factoring com recurso (o factor assume Factoring sem recurso (o factor assume
o risco de o cliente não lhe pagar e o risco de o cliente não lhe pagar e; não
recorre ao fornecedor/aderente) recorre ao fornecedor).

Podemos, identificar um pouco melhor algumas características de factoring:


♦ Destinatário
♦ Contrato
♦ Remuneração

DESTINATÁRIO
São normalmente as pequenas e médias empresas que não tem em princípio uma
estrutura administrativa que lhes permita agressividade na cobrança e gestão
especializada de crédito. São também empresas em rápido crescimento. Contudo,
o factoring é aplicável a qualquer empresa que tenha uma carteira de clientes
regular.

CONTRATO
O aderente assina um documento em consta o conjunto das obrigações
contratuais, nomeadamente as cláusulas de:
Exclusividade - durante esse tempo no aderente não poderá fazer contratos
com outras sociedades de factoring
Credibilidade - a totalidade de créditos de curto prazo que o aderente possui
sobre o universo de devedores previamente definido, deverá ser entregue ao
factor.
Remuneração do Factoring - o aderente pagará uma comissão de factoring,
que é negociada, dependendo de aspectos como o número de devedores e sua
qualidade, prazo médio de crédito e riscos específicos de exportação.
AS VANTAGENS DE FACTORING (aderente)

âmbito vantagens

Serviços de cobrança e gestão de • Maior racionalização dos serviços


créditos bancários administrativos
• Maior agressividade nas cobranças
Garantias dos créditos • Créditos de aderente garantidas a
100%
Apoio Financeiro • Evita variações conjunturais de
crédito bancários
• Facilita a gestão de tesouraria

e) SOCIEDADE DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL


Aso sociedades anónimas que tem por objecto:
A promoção do investimento produtivo na área da respectiva região e por
finalidade o apoio ao desenvolvimento económico e social do mesmo.
As SDR's promovem a dinamização do investimento e das relações empresariais,
tendo em vista o aproveitamento dos recursos endógenos e das potencialidades
da respectiva área geográfica de actuação em conformidade com os objectivos da
política de desenvolvimento regional.
Para atingir os seus objectivos, as SDR's:
• Realizam operações financeiras;
• Prestam serviços conexos contribuem para a realização do desenvolvimento
económico regional, em termos de melhorar a qualidade de vida das
populações e criação de emprego;
• Divulgam informações relevantes para o investimento e desenvolvimento
económico e regional.
• Promovem a obtenção de crédito a médio e longo prazo junto de instituições
de crédito

No entanto, existem actividade que lhes estão vedadas, como por exemplo:

• O exercício directo de qualquer actividade agrícola, industrial ou comercial;


• A participação no capital social, a concessão de crédito e a prestação de
garantias e quaisquer instituições de crédito.
Para além dos seus capitais próprios, os recursos das SDR’s provêm das seguintes
fontes.
Comissão de
Obrigações

Crédito na
Financiament modalidade
o concedido de conta
por corrente
instituições concedido
de crédito pela

Repare que as SDR's apresentam algumas potencialidades interessantes: por um


lado, poderão acelerar o desenvolvimento económico - social da região e por
outro lado poderão prestar apoio técnico e financeiro dos agentes económicos
locais.
A LUNAIVEST
A Lunainvest sociedade financeira Lunat, S.A.R.L. é uma sociedade anónima
que tem por objecto o exercício da intermediação financeira. Dentro das referidas
actividades de intermediação financeira, a sociedade terá por objecto o exercício
de operações activas e passivas e a prestação de serviços.
Vejamos então, em primeiro lugar, as operações activas e a prestação de serviços:
• Operações de locação financeira (Leasing)
• Constituição e gestão de fundos de investimento (mobiliários)
• Gestão económica - financeira de investimento, fundos públicos e carteiras de
títulos ou outros valores.
No quadro das operações passivos, a sociedade poderá proceder á obtenção de
crédito por razão não superior a um ano, na modalidade conta corrente
caucionada, junto das instituições de crédito nacionais, com vista ao seu
refinanciamento.
FONTES DE FINANCIAMENTO
As formas de financiamento mais utilizadas pelo micro e pequenas empresas
(MPEs) na actualidade, abrangendo o financiamento pelo sistema bancário e as
alternativas menos formais de financiamento, com destaque para o
autofinanciamento (por exemplo, o uso de recursos pessoais de sócios, parentes e
amigos, o financiamento via administração do fluxo de caixa, etc.).
Sabe-se que no geral, o sistema bancário tradicional é pouco utilizado pelas Micro
e pequenas empresas. As formas de financiamento por intermédio do sistema
bancário são hoje bem menos utilizadas do que no passado. Contribuem para isso
o elevado nível das taxas de juros que são praticados nos últimos tempos, a
burocracia e as exigências impostas pelos bancos comerciais, (P.e. a apresentação
do teste de HIV/SIDA), a aversão dos pequenos empreendedores a tomar
empréstimos e a desconfiança com relação á condução da política económica.
Como exemplo, numa recente pesquisa levada a cabo pelos SERVIÇOS DE
AOPIO ÁS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DE SAO PAULO (SEBRAE-SP) no
Brasil, concluiu que o número de MPEs tomadoras de empréstimos poderia ser
bem superior ao actual, caso houvesse uma redução nas taxas de juro hoje
praticadas e se fossem reduzidas às exigências e a burocracia para a concessão de
novos empréstimos.
Das alternativas que as MPEs dispõem para se financiar, actualmente, as que
#
mais se destacam são o pagamento de fornecedor a prazo , o uso de cheques pré-
datados e o uso de cheque especial e/ou cartão de crédito para pagar as contas da
empresa.
As três alternativas mais utilizadas actualmente têm sido utilizadas
por um número maior de empresas do que no passado. Todas as demais
alternativas de financiamento, em especial as que implicam trabalhar com taxas
de juro de mercado (p.ex. empréstimos com bancos privados) vem sendo menos
utilizadas na actualidade que no passado, havendo maior recurso às instituições
de intermediação financeiras, o que evidencia uma tentativa de fuga dessas
formas de financiamento.

OS EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS CONVENCIONAIS E AS MPEs


O pouco uso dos empréstimos bancários convencionais por parte das empresas,
pode estar associado ás dificuldades encontradas para tomar empréstimos em
nome da PESSOA JURÍDICA.
Ao solicitar um empréstimo em nome da sua empresa, o empresário tem de
atender a uma série de exigências: garantias reais (imóveis, outros bens, depósito
caução, etc), apresentação do contrato social da empresa, 2 a 3 balanços,
comprovação de facturamento, comprovação de bens da empresa e de sócios,
declaração de imposto de renda da empresa no último exercício, documentos dos

Este tipo de financiamento pode verifica-se em Moçambique, bastando para isso
observar mesmo na nossa vida diária, levamos material de construção as lojas
especializadas e pagamos ao poucos até amortização total da dívida.
sócios/dirigentes e avalistas/fiadores, fichas de cadastro da empresa e dos
sócios/dirigentes, etc.
Em função das dificuldades encontradas para tomar empréstimos como pessoas
jurídicas muitas empresas acabam tentando empréstimos através de pessoas
física em nome de sócio/parentes/amigos. Portanto, as dificuldades colocadas
pelos próprios bancos nos empréstimos a pessoas jurídicas, acabam empurrando
as poucas empresas que procuram empréstimos para os empréstimos pessoais,
sistema em que as exigências são menores.

FINANCIAMENTO VIA RECURSOS PESSOAIS


(PARENTES/SÓCIOS/AMIGOS)
Além das alternativas de financiamento citadas anteriormente, a MPEs também
utilizam recursos pessoais dos próprios empresários ou de sócios, parentes e
amigos para cobrir as despesas da empresa, ou seja, há movimentação financeira
não desprezível entra as contas correntes pessoais e o caixa da empresa. Maiores
partes destas empresas utilizam o financiamento apenas de uma forma
esporádica e emergencial, para cobrir "buracos" que surgem ao longo do ano.
Esta forma de obtenção de empréstimo, leva a um outro fenómeno, que é a forte
relação entre o caixa da empresa e as contas pessoais dos empresários, pois, há
uma "retirada" de dinheiro do caixa da empresa para pagar suas contas próprias.

FINANCIAMENTO VIA ADMINISTRAÇAO DO FLUXO DE CAIXA


Outro aspecto relevante sobre a forma como as MPEs financiam as suas
operações está na análise do seu fluxo de caixa. É preciso, por exemplo, comprar
o volume de receitas recebidas á vista e o volume dos gastos realizados á vista,
bem como os prazos a médios das operações que são feitas a prazo.
Quando o valor de receitas á vista supera o volume de despesas á vista, pode-se
dizer que a empresa tem um saldo de caixa inicial positivo e que as receitas
próprias constituem uma importante forma de financiamento das operações, ou
seja, a empresa tende a depender menos das mais fontes de financiamento.
De uma forma inversa, ou seja, quando ao valor das receitas á vista for inferior ao
volume dos gastos á vista, essa empresa tem um saldo inicial negativo tornando-
se assim mais importante a busca de outras formas de financiamento.
Assim, tomando três categorias de saldo de caixa inicial: positivo, negativo, e
nulo pode-se dizer que algumas empresas operam com saldo de caixa inicial
negativo (estas necessitam de financiamento para cobrir o volume das suas
despesa), as com saldo nulo (numa situação um pouco estável) e as com saldo de
caixa inicial (as que podem se considerar de superavitários, e/ou podem financiar
as suas próprias operações e outras empresas).
A sincronia entre os gastos e as receitas realizadas a prazo, pelas MPEs, reforça o
papel da administração do fluxo de caixa (também a longo prazo) como
mecanismo de financiamento. Um pequeno descuido na administração deste
fluxo futuro de gastos e receitas, tende a colocar as empresas numa situação
delicada em termos de financiamento das suas operações.

MOBILIZAÇAO DE POUPANÇAS
Tomando como base o nível de receitas que algumas empresas apresentam, há
que garantir uma boa poupança, pois todo financiamento só é possível quando
houver poupanças ao nível das empresas. Um outro mecanismo resulta dos
intermediários financeiros terem um papel importante na mobilização de
recursos pelos intermediários financeiros permite investimentos em maior
escala. A mobilização de poupanças permite igualmente o aproveitamento de
economias de escala nos investimentos onde estes existem (Sirri e Tufano, 1995).
Este fenómeno dá origem a um aumento da rentabilidade dos capitais investidos.
Os intermediários financeiros reduzem a duplicação de custos na recolha de
informação associada á avaliação de projectos de investimento. As relações de
longo prazo frequentemente estabelecidas entre intermediários financeiros e
empresas podem levar a reduções adicionais dos custos associados á recolha de
informação. As relações de proximidades reduzem assimetrias de informação
atenuando as restrições ao financiamento esterno e melhorando a alocação de
recursos (Sharpe, 1990).
A redução de custos de transação que este papel delegado nos intermediários
permite potenciar o desenvolvimento económico permite também uma
especialização no desempenho de actividades na economia, fenómeno este
associado ao desenvolvimento económico.

MOBILIZAÇAO DE RECURSOS E ALOCAÇAO DE RECURSOS


Um mercado de capitais desenvolvido pode substituir os intermediários
financeiros no papel de mobilização de recursos. A emissão de acções e
obrigações representam fontes alternativas de financiamento para
pequenas empresas em relação ao "tradicional" crédito bancário.
Alguns autores(Thiel, 2000), salientam o papel dos mercados de capitais no
financiamento de projectos de maior riscos. Os mercados de capitais permitem
uma redução de riscos de liquidez em projectos de longo prazo, são tipicamente
mais aptos, em especial em momentos de maior optimismo económico, a
financiar projectos em novos sectores económicos.
Thiel refere a importância dos mercados de capitais de capitais, em particular nos
EUA, durante os anos noventa no financiamento das empresas de
telecomunicações, media e tecnologia, refere ainda que há uma natural
preferência por parte destes sectores pelo financiamento no mercado de capitais.
O mercado de capitais permite também a adopção de modelos de compensação
que estabelecem uma relação entre o desempenho operacional e a remuneração
de gestores que poderá gerar uma melhoria no desempenho operacional das
empresas e, consequente, aumento da rentabilidade dos capitais investidos
(Diamond e Verrechia, 1982; Jesen e Murphy, 1990).

PRINCIPAIS CONCLUSOES
O papel das Intermediações Financeiras e as Fontes de Financiamento no
processo de desenvolvimento cingem-se num único ponto, criar condições de
várias formas para que as pessoas singulares e/ou colectivas consigam duma ou
de outra maneira realizar os seus investimentos.
Para chegarmos ao desenvolvimento por nós desejado (neste tema), temos que
procurar ver em que aspectos estes dois factores podem melhor a vida em
qualidade de um povo, pois é, temos que trabalhar com certos indicadores para
não cairmos no risco de ver um dia o crescimento e pensarmos que estamos a
desenvolver.
De uma forma resumida vamos apresentar alguns indicadores que podemos com
os quais medir o que é o tema do fundo deste nosso trabalho (desenvolvimento):
• Quando um PVD nos seus investimentos, conseguir reduzir a distancia (p.ex.
de 20 para 5 ou 7Km), de uma escola, temos um indicador de
desenvolvimento.
• Ter um enfermeiro para cerca de 100 pessoas, um hospital ou centro de saúde
a uma distancia não superior a 5Km, também temos um indicador.
• Se um telefone servir cerca de 100 ou menos pessoas
• Existência de quadros formados e bem distribuídos pelo país
• Elevado número de habitações condignas, etc.
Estes são alguns exemplos de indicadores que devemos tomar como base para ver
se realmente um país está ou não a desenvolver. Nesta nossa abordagem
tratamos mais da questão Microeconómica e não da macro, pois como é do
conhecimento, os sectores que clamam muito do financiamento e precisam de
uma intermediação financeira é o sector Macro-económico, cabendo ao
sector macro a definição de políticas com vista a garantir um bom desempenho
da sua economia.
O sector macro-económico procura mais a regular políticas como: Fiscal
monetária, regulação de procura e oferta e mais. Não tratamos muito da questão
macro-económico, como podemos depreender da informação inserida no
capítulo das Fontes de Financiamento, este sector é que deve criar condições
para reduzir as barreiras mencionadas neste capítulo, de modo a garantir uma
maior intervenção de das empresas no processo de desenvolvimento.
• Verifica-se também a fuga nos últimos tempos das MPEs das formas de
financiamento que envolvem directamente as taxas de juros de mercado (p.ex.
emréstimos bancários), por serem tão elevadas e a busca pelas alternativas
que não fazem uso directo dessas taxas (p.ex. negociação com fornecedores e
cheques pré-datados).
• Utilização de recursos pessoais para cobrir as necessidades de caixa.