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Os ContaTapetes e

Os Aventais -
Contadores de
Histórias
Pedro Rafael Neto Gomes

Agrupamento de Escolas
Serra da Gardunha – Fundão

Formação Gestão
Integrada da
CFAE Guarda-Raia
Biblioteca Escolar
do Agrupamento Formadoras: Ana Cabral

Novembro de 2010 Margarida Costa


CONTATAPETES - OS TAPETES
CONTADORES DE HISTÓRIAS

D esde sempre que muitos recursos materiais são utilizados pelos Contadores de

Histórias para auxiliar a sua narrativa e aumentar a curiosidade e a imaginação da audiência 1


perante as histórias que contam. As ilustrações, os objectos do quotidiano, a maquilhagem, os
adereços, as máscaras, os fantoches, as marionetas, as malas, os aventais, os tapetes e os
livros em si são alguns dos recursos usados. Nem todos têm a mesma função nem finalidade,
mas todos jogam a favor da dinamização da leitura, da oralidade da narrativa. Muitos dos
recursos que referi têm características relacionadas com a actividade dramática, permitindo
assim desenvolver um papel independente do livro. O que vou passar a apresentar mais
detalhadamente são os Tapetes Contadores de Histórias, directamente relacionados com a
promoção do livro.

O conceito de Tapete Contador de Histórias surgiu em França, em 1987, criado pela


Educadora Clotilde Fougeray-Hammam, com o nome de Raconte-Tapis. Estando, na altura, na
moda os tapetes para os quartos das crianças com imagens impressas de quintas ou cidades,
Clotilde tem a ideia de criar um tapete tridimensional a partir de uma história narrada num
livro da sua infância, para oferecer ao seu neto desta feita. O tapete obteve muito sucesso na
comunidade de pessoas com quem se relacionava e com quem trabalhava. Decidiu, assim,
começar a expandir a actividade. Com a parceria de seu filho, Eric Hammam, director de
teatro, desenvolveu um projecto de incentivo à leitura, os Raconte-Tapis.
Clotilde defende que o Raconte-Tapis é lúdico mas não é um jogo, que se conta mas
não é uma história e que pode ser utilizado por e para qualquer faixa etária, desde os mais
pequenos nos jardins-de-infância até à terceira idade. O Raconte-Tapis é uma ponte entre a
criança e o livro; transporta consigo um conceito pedagógico. A metodologia da utilização dos
Raconte-Tapis é interactiva entre todos os participantes, adultos e crianças, pois coloca todos
ao mesmo nível, dado que o tapete fica no chão. O mediador de leitura e as crianças devem
ficar todas sentadas à sua volta e partilhar da história apresentada.

Os Tapetes são criados em função de um determinado livro e este deve estar sempre
presente. No início da história, o mediador irá apresentar às crianças o livro e recorrerá a ele
durante a história as vezes que considerar pertinente para que as crianças estabeleçam a
relação entre a história contada através do Tapete e o livro.

Os tapetes são construídos totalmente em tecido, sem integração de qualquer outro


tipo de material, e recorrendo à diversidade de cores e de texturas. Os tecidos são escolhidos
em conformidade com os elementos que se querem construir. O tecido é um material
agradável ao tacto e qualquer criança estabelece uma boa relação “afectiva” com o mesmo.
Desde cedo, e permanentemente, que o seu contacto com os tecidos existe.

A transposição para o tapete passa inicialmente por uma análise cuidada do livro que
se pretende apresentar, sendo que existem livros que dificilmente se poderão aplicar a esta
metodologia (caso em que os cenários onde se passe a história se alteram permanentemente).
A identificação de um cenário global onde decorre toda a história é fundamental, para que
sirva de fundo ao tapete. A criação das personagens, objectos e restantes elementos que
fazem parte da narrativa deverão apresentar-se o mais fiel possível às ilustrações
apresentadas no livro, para que a criança possa estabelecer a ponte entre a história que ouve
e o livro que vê. As personagens, normalmente, estão escondidas nas diversas partes do
Tapete e apenas vão surgindo com o desenvolver da história, tal como se fosse a passagem
para a página seguinte do livro.
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Não sendo um teatro de marionetas, as personagens devem manter sempre o nível


narrativo e não passar para uma fase dramática. A importância é a narrativa contada na
história e o Livro que se quer dar a conhecer.

Após esta fase em que o mediador de leitura apresenta a história, deverá deixar
disponível o Tapete e o Livro ao grupo de crianças para que estes os explorem sozinhos. Esta
fase dependerá do nível etário do grupo: poderão recontar a história ou inventar novas
histórias com o cenário, personagens e elementos disponíveis.

Neste conceito dos Raconte-Tapis, ainda poderemos contar com os Tapetes neutros,
que, não sendo transpostos a partir de um livro específico, podem ter um determinado cenário
e diversas personagens que o Contador de Histórias, juntamente com o grupo de crianças, vai
utilizar para inventar uma história no momento. Neste caso, será de todo interessante
efectuar o percurso inverso e ir fotografando as diversas fases da história para posterior
organização em formato impresso.
Este projecto já é desenvolvido no Brasil e em Portugal pelo grupo Trimagisto.

No Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha, o Departamento do Pré-escolar


abraçou este ideia e funcionou um ateliê/formação para construir um Contapete dinamizado
pelas educadoras Alice Freire e Hélia Santos O livro escolhido para passar a tapete foi o “Todos
no Sofá”. Actualmente o Contapete encontra-se disponível na BECRE passível de ser
requisitado por qualquer Jardim-de-infância ou Escola, podendo assim circular entre os
interessados em explorar este recurso pedagógico de promoção do livro e da leitura.

Página WEB de RaconteTapis – Grupo criador 4


http://racontetapis.free.fr/
ATELIÊ DE CONSTRUÇÃO DE MATERIAIS DE
APOIO AO PNL - CONTAPETES

N o início do ano lectivo de 2008/09, em reunião do Departamento do Ensino Pré-Escolar do

Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha, surgiu a proposta de funcionamento de um ateliê


destinado à construção de materiais de animação e mediação de leitura, visando o
enriquecimento do PNL e, consequentemente, o fundo documental e material da BECRE.

Procedeu-se às inscrições, as quais obtiveram uma adesão de catorze docentes de


entre os dezanove colegas que o constituíam.

Em Fevereiro de 2008, deu-se início aos trabalhos, com a contextualização do tema, a


observação de vários materiais em PowerPoint e, por fim, a selecção da obra: “Todos no Sofá”,
de Luísa Ducla Soares e Pedro Leitão, como referência literária para a construção do respectivo
ConTapete.
O ateliê decorreu numa sala de aula do Agrupamento, durante vinte sessões
presenciais, complementadas com trabalho realizado em casa pelos docentes e alguns
familiares, sempre num clima de entusiasmo, empenho e grande espírito de equipa.

Este ateliê teve como principais objectivos:

Promover o gosto e o interesse pelo livro e pela leitura;

Promover o prazer de ler por si mesmo;

Descobrir o equilíbrio entre a literatura, a plástica, a arte da palavra e a pedagogia


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aplicada;

Diversificar situações de animação e mediação de leitura em contexto de sala de


aula;

Enriquecer o fundo documental e material da BECRE.

No dia 18/06/09, pelas 18 h., na BECRE, realizou-se a apresentação do ConTapete,


“Todos no Sofá”, na presença de um número significativo de docentes e não docentes.

Esta apresentação decorreu em duas fases: a primeira constou de um breve historial,


em PowerPoint, dos Tapetes Contadores de Histórias, desde a sua origem (Raconte-tapis) até à
sua introdução em Portugal (ConTapetes) e do funcionamento do ateliê; a segunda fase,
constou da apresentação, propriamente dita, do ConTapete, incluindo o seu manuseamento e
a leitura da obra que esteve na sua origem.

Por último, foi distribuído um Certificado de Participação no Ateliê a todos os


docentes participantes, pelo Coordenador da BECRE.

A dinamização do Ateliê esteve a cargo das educadoras Alice Freire e Hélia Santos.
OPERACIONALIZAÇÃO DOS CONTAPETES
EM CONTEXTO DE SALA DE AULA
E m termos de operacionalização dos objectivos dos Contapetes, designadamente a

diversificação de situações de animação, promoção e mediação de leitura em contexto de sala


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de aula e utilização dos recursos da BECRE, já diversos Jardins-de-Infância e escolas do 1º ciclo
do Agrupamento utilizaram o Tapete contador de Histórias, dinamizando, junto dos alunos de
4, 5 e 6 anos, a história “Todos no Sofá”, da autora Luísa Ducla Soares e o ilustrador Pedro
Leitão.

A concretização com os alunos tem sido bem sucedida, quer em termos de


motivação, quer na aplicação pedagógica, tendo em conta as áreas curriculares mais
relevantes em relação à didáctica do conto (história em causa): a linguagem oral, a
Matemática e as Ciências Naturais.
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Inicialmente as crianças ouvem a histórias contada pelo adulto, posteriormente,
como foi o caso em muitos dos jardins-de-infância, as crianças são convidadas a serem elas a
contar a história para os outros, permitindo, assim, uma maior interacção. Outras actividades
poderão ser desenvolvidas em torno da exploração das histórias. No caso de alunos de menor
idade a realização de actividades de expressão plástica associadas à história, ou até actividade
de escrita com alunos que já tenham algum domínio desta competência.

A ideia do Ateliê dos Tapetes Contadores de Histórias ConTapetes é para continuar


com a construção de outros a partir de obras seleccionadas para o efeito.
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CIRCULAÇÃO DO CONTAPETE

Numa perspectiva da gestão integrada da Biblioteca Escolar de Agrupamento, os


recursos pedagógicos existentes na biblioteca da escola sede encontram-se à disposição de
todo o Agrupamento. Tal como já foi referido anteriormente, o Contapete tem sido
requisitado pelos vários jardins-de-infância e pelas escolas do 1º ciclo do agrupamento, assim
como por outras escolas de outros agrupamentos, nomeadamente: Agrupamento de Escolas
Afonso Paiva, em Castelo Branco e Agrupamento de Escolas, em Oeiras.

Por outro lado o Contapete também tem permitido efectuar acções de sensibilização
e demonstração a outros docentes, mediadores de leitura, educadores de infância, professores
bibliotecários, entre outros. Há ainda a referir outras utilizações, que foram os casos da
apresentação do Contapete para alunos do mestrado em Arte e Educação da Universidade
Aberta, alunos da pós-graduação em Bibliotecas Escolares, em Torres Novas e no
Agrupamento de Escolas Terras do Xisto, em Silvares.

O Contapete constitui um excelente recurso pedagógico na promoção do livro e da


leitura, disponível para qualquer mediador de leitura promover e dinamizar uma sessão com
os seus alunos.
O AVENTAL PEDAGÓGICO

No passado ano lectivo construímos um Avental Contador de Histórias. Este resultou


de uma parceria entre o Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha e Escola Superior de
Educação de Castelo Branco. Para a sua concretização estiveram envolvidos o Coordenador da
BECRE e uma estagiária de animação sociocultural. Neste caso, a história foi criada pela equipa
da BECRE, tendo como base o tema da poluição dos mares, o ambiente e a reciclagem.

Este recurso encontra-se igualmente disponível para ser requisitado por qualquer 16
promotor e mediador da leitura, ou ser solicitado à equipa da BECRE para dinamizar a acção
junto dos respectivos alunos.

Sendo esta temática trabalhada nos conteúdos do 1º ciclo, existe uma estreita
articulação entre a história e os mesmos. Acrescenta-se, ainda, que os alunos são convidados a
participar na história, através de enigmas que têm que descobrir e identificar. A dinamização
da “história com avental” implica a realização de diversas actividades práticas relacionadas
com os temas abordados.

Apresentam-se diversos registos fotográficos que demonstram o quanto esta


actividade é apelativa para miúdos e graúdos!
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