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Rodada #3

Direito Civil
Professora Elisa Pinheiro

Assuntos da Rodada

Direito Civil

Princípios do Direito Civil. Lei de introdução às normas do Direito Brasileiro (Decreto-

Lei nº 4.657/1942). Pessoas (Naturais e Jurídicas). Bens (classificação segundo o Código

Civil). Fatos Jurídicos (1ª parte): Negócios jurídicos. Atos jurídicos lícitos. Atos

ilícitos. Prescrição e Decadência. Prova. Modalidades das Obrigações: Obrigações de

Dar, de Fazer e de não Fazer. Adimplemento e extinção das obrigações. Pagamento.

Inadimplemento das obrigações. Contratos: disposições gerais. Várias espécies de

contrato: Compra e Venda. Depósito. Mandato. Fiança. Responsabilidade Civil. Posse e

Propriedade.
DIREITO CIVIL

a. Teoria em Tópicos

MENSAGEM:

Olá!

Antes de começarmos essa aula, anote 3 motivos pelos quais você quer tomar

posse no TRF 2. Em seguida, no mesmo papel, escreva: EU SOU FUNCIONÁRIO DO TRF

2.

Deixe esse papel em algum lugar visível. Quando bater alguma distração, pense

no motivo que te leva a estudar e volte para o seu foco.

A gente só consegue algo na vida quando a nossa motivação é muito forte.

Essa estrada dos concursos tem a mesma distância para todos. Uns vão

caminhando, outros correndo e outros voando. Tudo depende da sua escolha

estratégica e do seu esforço, os quais são frutos da sua motivação.

Por isso, comece essa aula pensando naquilo que você mais deseja. O concurso

é só o caminho. Nós estamos aqui para te apoiar nessa estrada e faremos de tudo

para que o seu sucesso venha no TRF 2.

Nessa aula, vamos adotar uma linguagem simples e didática para que você

assimile bem o conteúdo. A primeira parte é mais doutrinária, mas está no seu edital

e serve para o encaminhamento da segunda etapa da aula, que é a principal. Prestem

muita atenção aos lembretes. Foram temas já cobrados.

Ótimos estudos! Juntos, rumo à posse!

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1. Fato jurídico.

O fato comum consiste no acontecimento sem repercussão na esfera do Direito.

Já o fato jurídico consiste no acontecimento COM repercussão na esfera do

Direito.

Em outras palavras, o fato jurídico é toda ação humana ou fato da natureza apto

a ensejar a aquisição, o resguardo, a modificação, a transmissão ou a extinção de

direitos.

O fato jurídico, em sentido amplo, é todo acontecimento com repercussão no

mundo jurídico, ainda que seja ilícito!

2. Classificação dos fatos jurídicos.

Os fatos jurídicos podem ser classificados em:

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3. Fatos naturais ou fatos jurídicos stricto sensu.

O fato natural ou fato jurídico stricto sensu é aquele fato com repercussão na

esfera do Direito proveniente de acontecimento da natureza, sem qualquer

intervenção da ação humana.

Os fatos naturais ou fatos jurídicos stricto sensu podem ser classificados em:

a) Fatos naturais ordinários: são aqueles fatos naturais esperados, como o

nascimento, a morte.

b) Fatos naturais extraordinários: são aqueles fatos naturais inesperados, como

um terremoto. Assim, um terremoto, por si só, nem sempre importará ao

mundo jurídico. Mas imaginem se acontece um terremoto em São Paulo e 100

prédios desabam. É claro que isso irá repercutir no Direito. Pense no campo das

obrigações, na quantidade de pagamentos de seguros.

4. Atos jurídicos ou fatos humanos ou fatos jurídicos lato sensu ou ato jurídico

O ato jurídico (fato humano ou fato jurídico lato sensu) é aquele fato com

repercussão na esfera do Direito, proveniente da ação humana, independentemente

da vontade do seu agente.

Em outras palavras, o ato jurídico (fato humano ou fato jurídico lato sensu) é

toda ação humana apta a ensejar a aquisição, o resguardo, a modificação, a

transmissão ou a extinção de direitos, independentemente da vontade do seu agente.

5. Atos lícitos.

O ato lícito é o ato decorrente da vontade humana, realizado em consonância

com as normas legais e que tem o condão de produzir efeitos jurídicos.

O ato lícito é dividido em três espécies, quais sejam:

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a) Ato jurídico em sentido estrito;

b) Negócio jurídico; e

c) Ato-fato jurídico.

5.1. Ato jurídico em sentido estrito ou ato jurídico meramente lícito.

O ato jurídico em sentido estrito ou ato jurídico meramente lícito é o ato

decorrente da vontade humana que se submete a uma norma legal.

O ato jurídico em sentido estrito ou ato jurídico meramente lícito pode ser

subdividido em:

a) Atos materiais ou reais: Os atos materiais são unilaterais (porque possuem

apenas uma manifestação de vontade) e potestativos (visto que influenciam na

esfera jurídica alheia sem que essa outra pessoa possa evitar isso). Por exemplo:

Reconhecimento de um filho.

b) Participações: As participações são aqueles atos direcionados a um destinatário

com o fito de efetuar uma simples comunicação. Por exemplo: Intimação.

5.2. Negócio jurídico.

O negócio jurídico consiste no ato lícito formado pela comunhão de vontades

para produzir efeitos jurídicos, os quais são assegurados por lei. Podemos citar, por

exemplo, o contrato.

O negócio jurídico é “toda ação humana de autonomia privada, com a qual os

particulares regulam por si os próprios interesses, havendo uma composição de

vontades, cujo conteúdo deve ser lícito. Constituiu um ato destinado à produção de

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efeitos jurídicos desejados pelos envolvidos e tutelados pela norma jurídica” (TARTUCE,

Flávio. Direito Civil. 7ª ed. Método, 2011).

Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme:

a) A boa-fé; e

b) Os usos do lugar de sua celebração.

5.3. Ato-fato jurídico.

O ato-fato jurídico é uma espécie de ato lícito marcado pela peculiaridade de

considerar somente a consequência do ato efetuado, independentemente do

conteúdo da vontade do agente.

São espécies de atos-fatos jurídicos:

a) Atos-fatos jurídicos materiais ou reais: Não confunda os atos-fatos jurídicos

materiais ou reais com os atos materiais ou reais (espécies do ato jurídico em

sentido estrito ou ato jurídico meramente lícito). Ok?

O ato-fato jurídico material ou real é marcado por um ato que gera um fato, o

qual é relevante do ponto de vista jurídico. Por exemplo: você tem uma chácara

e está cavando para fazer uma horta de verduras. Quando você cava, algo

brilhante aparece no chão. Você acabou de encontrar um diamante vermelho.

A sua intenção era plantar alface, não era descobrir uma pedra preciosa. Mas

esse ato-fato é relevante juridicamente porque aquele diamante é seu. Agora,

ele faz parte da sua propriedade.

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b) Atos-fatos jurídicos indenizativos: O ato-fato jurídico indenizativo é marcado

por um ato humano que está em consonância com as normas legais, mas que

gera um fato que é indenizável. Isso acontece, por exemplo, quando para

remover um perigo iminente, permite-se a deterioração ou destruição da coisa

alheia, ou a lesão a pessoa. Mas se a pessoa lesada, ou se o dono da coisa não

forem os culpados do perigo, caberá o direito à indenização do prejuízo que eles

sofreram. Se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, contra este o autor do dano

terá ação regressiva para receber a importância que tiver ressarcido ao lesado.

Inteligência do art. 188, II c/c os arts. 929 e 930 do CC.

c) Atos-fatos jurídicos caducificantes ou extintivos: O ato-jurídico caducificante

é aquele marcado por um fato gerado por um ato e que tem o condão de

extinguir o direito, e por consequência, a pretensão da exigibilidade desse

direito. São exemplos: A decadência e a prescrição. Vamos falar sobre prescrição

e decadência em aula oportuna, Ok?

6. Ato ilícito.

O ato ilícito é uma espécie do gênero ato jurídico (fato humano ou fato jurídico

lato sensu).

Conforme Silvio Salvo Venosa: “os atos ilícitos, que promanam direta ou

indiretamente da vontade, são os que ocasionam efeitos jurídicos, mas contrários, lato

sensu, ao ordenamento. No campo civil, importa conhecer os atos contrários ao

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Direito, à medida que ocasionam dano a outrem.” (VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito

Civil: Parte Geral: Fatos, atos e negócios jurídicos. 8.ed. São Paulo: Atlas, 2008).

Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar

direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Destaca-se que o ato ilícito civil pode ser norteado pelo dolo ou pela culpa.

Neste sentido, o ato ilícito doloso é aquele que ocorre quando o agente teve a

intenção de produzir o resultado danoso, através de uma ação ou de uma omissão.

Por exemplo: João tomou um “fora” de Maria que era a sua noiva. Por vingança, ele

apanha o celular dela e o joga pela janela do apartamento. No caso, ele queria destruir

o celular. Esse era o desejo dele. Portanto, João cometeu um ato ilícito doloso e terá

que indenizar a Maria.

Por sua vez, o ato ilícito culposo ocorre por força de uma conduta negligente,

imprudente ou imperita, praticada pelo agente.

A negligência consiste na falta de cuidado na prática de um ato. Por exemplo:

Uma escola está fazendo uma reforma e não isola a área. Uma criança entra no local,

cai em um buraco e quebra o braço. Nesse caso, ocorreu um ato ilícito culposo por

negligência. Foi falta de diligência da empresa que estava reformando a escola de não

ter isolado aquele espaço.

Já a imprudência ocorre pelo excesso de confiança, pela precipitação nos atos. O

imprudente age, com a consciência do risco, mas espera que ele não aconteça. O

exemplo clássico é aquele motorista que pensa que está no filme “Velozes e Furiosos”

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e atravessa o sinal vermelho e bate no carro da sua tia. Nesse caso, ocorreu um ato

ilícito culposo por imprudência e a sua tia deve ser indenizada.

A imperícia ocorre quando a pessoa atua sem ter a devida habilitação técnica.

Por exemplo: O seu vizinho leva o Scooby no pet shop e o dono do lugar (mentindo que

é um veterinário) aplica uma injeção e mata o cachorrinho. Nessa situação, ocorreu um

ato ilícito culposo por imperícia e o seu vizinho deverá ser indenizado.

Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede

manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou

pelos bons costumes.

Entretanto, não são enquadrados como atos ilícitos:

a) Os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito

reconhecido; e

b) A deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de

remover perigo iminente. Nesse caso, o ato será legítimo somente quando

as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os

limites do indispensável para a remoção do perigo.

7. Elementos constitutivos do negócio jurídico.

O tema “negócio jurídico”, que já conceituamos, é muito recorrente nas provas.

Por isso, faremos um estudo mais aprofundado sobre esse assunto. Ok?

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Os elementos constitutivos do negócio jurídico são:

a) Essenciais;

b) Naturais; e

c) Acidentais.

7.1. Elementos essenciais do negócio jurídico.

Os elementos essenciais do negócio jurídico são divididos em:

a) Gerais:

i. Capacidade do agente;

ii. Objeto; e

iii. Consentimento.

b) Especiais:

i. Forma.

7.1.1. Capacidade do agente.

A capacidade do agente é um elemento essencial geral do negócio jurídico. O

agente deve ser capaz (maior de 18 anos ou emancipado).

Assim, no caso da incapacidade absoluta, o absolutamente incapaz deverá ser

representado para efetuar um negócio jurídico. Caso não haja essa representação, o

negócio jurídico será NULO.

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No caso de incapacidade relativa, o relativamente incapaz deverá ser assistido

para efetuar um negócio jurídico. Caso não haja essa assistência, o negócio jurídico

será ANULÁVEL.

7.1.2. Objeto.

O objeto do negócio jurídico deverá ser lícito, possível, determinado ou

determinável. Em caso de defeito no objeto, o ato será NULO.

7.1.3. Consentimento.

O consentimento consiste na manifestação de vontade do agente que celebrará

o negócio jurídico.

Vamos analisar os defeitos em relação ao consentimento com mais detalhes em

instantes.

Por enquanto, é importante que você saiba que em relação ao consentimento,

nós podemos ter três espécies de defeitos:

a) Ausência de consentimento: o ato será nulo, conforme corrente doutrinária

majoritária. Porém existe uma corrente minoritária que diz que no caso de

ausência de consentimento, o ato será inexistente. Regra geral, isso é questão

de tema de prova discursiva. Mas temos que falar para fechar todo o seu edital.

Não se preocupe com essa divergência. Não encontrei testes sobre esse

assunto. Se cair, siga a corrente majoritária que diz que o ato é nulo.

b) Vícios de consentimento: erro ou ignorância, dolo, coação, lesão e estado de

perigo.

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c) Vícios sociais: fraude contra credores e simulação.

7.1.4. Forma.

Finalmente, ainda temos que estudar sobre a forma que é o elemento essencial

especial do negócio jurídico. A regra é que seja adotada a forma prescrita ou não

defesa (não proibida) em lei.

A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão

quando a lei expressamente a exigir.

Assim, em alguns casos, a escritura pública será necessária para dar validade

formal ao negócio jurídico. São exemplos: A constituição, a transferência, a

modificação ou a renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta

vezes o salário mínimo vigente no país.

O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem

e não for necessária a declaração de vontade expressa.

7.2. Elementos naturais do negócio jurídico.

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Os elementos naturais do negócio jurídico consistem nos efeitos esperados do

negócio jurídico, sem que seja necessária a explicitação de cada um desses efeitos,

uma vez que a norma jurídica já os determina.

Por exemplo: Em um contrato de compra e venda de veículo, os elementos

naturais são a obrigação do comprador de pagar o preço, bem como a obrigação do

vendedor de entregar o automóvel.

7.3. Elementos acidentais do negócio jurídico.

Os elementos acidentais do negócio jurídico consistem naquelas cláusulas que

são acrescentadas ao negócio jurídico para modificar uma ou algumas de suas

consequências naturais.

São os elementos acidentais:

a) A condição,;

b) O termo; e

c) O encargo.

7.3.1. Condição.

A condição consiste naquela cláusula acessória que, deriva exclusivamente da

vontade das partes, e que subordina o efeito do ato jurídico a um evento futuro e

incerto.

Por exemplo: eu vou dar uma viagem para você para Las Vegas, se eu ganhar na

loteria.

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Perceba que a condição afeta a produção de efeitos do negócio jurídico, mas

não a sua existência, visto que as nossas vontades foram legítimas.

Assim, os requisitos para a configuração da condição são:

a) A concordância voluntária dos agentes do negócio jurídico;

b) O evento futuro do qual o negócio jurídico depende; e

c) A incerteza do acontecimento, uma vez que este poderá ocorrer ou não.

7.3.1.1. Classificação da condição.

 Condição suspensiva.

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A condição suspensiva é aquela que faz com que a eficácia do ato permaneça

suspensa até a realização do evento futuro e incerto.

Por exemplo: eu vou te dar um carro, se você passar no concurso; enquanto

você não for aprovado, eu não preciso entregar o bem, pois a condição suspende a

doação.

Dessa forma, uma vez pendente a condição, não há que se falar em direito

adquirido, mas sim na mera expectativa de um direito.

 Condição resolutiva.

Na condição resolutiva, a eficácia do negócio jurídico se opera desde logo, mas

se resolve (se extingue) com a ocorrência de um evento futuro e incerto.

Por exemplo: Eu te dou uma mesada enquanto você estudar; se você parar de

estudar, você perde este dinheiro. Logo, o direito que você tinha em relação a esta

mesada se resolve (ou se extingue).

 Condição causal.

A condição causal é aquela que depende de um fato alheio à vontade das

partes. Isto é, depende de um acontecimento fortuito. Por exemplo: Eu vou te dar um

livro se fizer sol amanhã.

 Condição potestativa.

A condição potestativa depende da vontade de uma das partes. Subdivide-se

em:

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a) Puramente postestativa; e

b) Meramente potestativa.

 Condição puramente potestativa.

A condição puramente potestativa depende da vontade absoluta de uma das

partes, segundo um critério exclusivo de sua conveniência. Por exemplo: Eu vou te dar

um carro se eu quiser.

A condição puramente potestativa é proibida pelo nosso ordenamento jurídico,

conforme a inteligência do art. 122 do Código Civil.

 Condição meramente potestativa.

A condição meramente potestativa depende do arbítrio de uma das partes e de

algum um fator externo. Por exemplo: eu vou te dar um carro se eu viajar para a

Argentina.

Repare que, no caso, o fato de você ganhar o carro não depende só da minha

vontade, mas também de um fator externo porque eu preciso de tempo e de dinheiro

para viajar para a Argentina.

Portanto, a condição meramente potestativa é admitida pelo nosso

ordenamento jurídico.

 Condição física e juridicamente possível.

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A condição física e juridicamente possível é aquela que pode ser realizada em

conformidade com as leis da natureza e com as normas jurídicas.

 Condição física e juridicamente impossível.

A condição física e juridicamente impossível é aquela que não pode ser

realizada, uma vez que é contrária à natureza (por exemplo: eu vou te dar uma casa se

você caçar um dinossauro vivo) ou à ordem legal.

 Condição lícita.

A condição lícita é aquela que não é contrária à lei, à moral e aos bons costumes.

 Condição ilícita.

A condição ilícita é aquela repelida pela norma jurídica, pela ordem pública, pela

moral e pelos bons costumes.

Por exemplo: Eu vou te dar um avião se você mudar de religião.

7.3.2. Termo.

O termo consiste na cláusula que subordina os efeitos do negócio jurídico a um

acontecimento futuro e certo.

O termo pode ser dividido em:

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 Termo inicial ou suspensivo (dies a quo).

O termo inicial ou suspensivo (dies a quo) é aquele que fixa o momento em que

a eficácia do negócio jurídico deve ter o seu inicio, protelando, assim, o exercício do

direito. Por exemplo: Eu vou te dar uma viagem para Paris no Natal de 2018.

A condição suspensiva suspende a aquisição e o exercício do direito, enquanto

o termo inicial suspende o exercício, mas não suspende a aquisição do direito.

 Termo final ou resolutivo (dies ad quem).

O termo final ou resolutivo (dies ad quem) é aquele que determina a data da

cessação dos efeitos do negócio jurídico; extinguindo, portanto, as obrigações

provenientes dele.

Por exemplo: Uma cláusula que diga que a locação da casa de Maria acabará no

prazo de 60 meses.

 Termo certo.

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O termo certo é aquele fixado em uma data determinada do calendário. Por

exemplo: A locação da casa de João terá início no dia 28 de dezembro de 2016.

 Termo incerto.

O termo incerto é aquele que se refere a um acontecimento futuro, mas com

uma data incerta.

Por exemplo: Eu vou te dar uma guitarra quando aquele famoso cantor, Fulano

de Tal, morrer. A morte é um evento futuro e certo, mas a data é incerta.

7.3.3. Encargo.

A lição de Carlos Roberto Gonçalves, sobre o tema, é brilhante e didática.

Vejamos as suas palavras: “Trata-se de cláusula acessória às liberalidades (doações,

testamentos), pela qual se impõe uma obrigação ao beneficiário. É admissível,

também, em declarações unilaterais da vontade, como na promessa de recompensa.

Não pode ser aposta em negócio a título oneroso, pois equivaleria a uma

contraprestação. O encargo é muito comum nas doações feitas ao município, em geral

com a obrigação de construir um hospital, escola, creche ou algum outro

melhoramento público; e nos testamentos, em que se deixa a herança a alguém, com

a obrigação de cuidar de determinada pessoa ou de animais de estimação. Em regra, é

identificada pelas expressões "para que", "a fim de que", "com a obrigação de".”

(GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro, volume 1: parte geral —. 10. ed. —

São Paulo : Saraiva, 2012).

8. Diferenças entre condição suspensiva, termo e encargo.

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CONDIÇÃO TERMO ENCARGO


SUSPENSIVA
Evento futuro e incerto. Evento futuro e certo. Impõe um ônus.
Enquanto não for Adquire-se o direito, Não suspende a aquisição, nem o
verificada a condição, mas o seu exercício é exercício do direito.
não se adquire o protelado.
direito a que o ato visa.
Pode ser aplicada a Pode ser aplicada a Aplica-se a atos de liberalidade
quaisquer atos. quaisquer atos. como a doação e a herança.

9. Defeitos do negócio jurídico.

9.1. Conceitos e generalidades.

Os defeitos são todos os vícios que contaminam o negócio jurídico, tornando-o

passível de anulação.

Os defeitos podem ser:

a) Graves: quando vicia o ato de forma definitiva; ou

b) Leves: quando o ato pode ser remediado pelos interessados.

Dentre os defeitos, nós temos:

a) Os vícios de consentimento:

i. Erro ou ignorância;

ii. Dolo;

iii. Coação;

iv. Lesão; e

v. Estado de perigo.

b) Os vícios sociais:

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i. Fraude contra credores; e

ii. Simulação.

Nos vícios de consentimento, os fatores exteriores geram uma distorção da

vontade do agente, salvo no caso do erro.

Já nos vícios sociais, o consentimento declarado coincide com a vontade real e o

defeito ocorre porque o agente quer algo que está em confronto com a lei e com os

princípios jurídicos, conforme se dá com a fraude contra credores e com a simulação.

É anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado

de perigo, lesão ou fraude contra credores.

É nulo o negócio jurídico por vício resultante de simulação, mas subsistirá o

que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

9.2. Erro ou Ignorância.

Em relação aos efeitos, o Código Civil equipara o erro à ignorância. No entanto, a

doutrina os distingue. Assim:

a) O erro consiste na falsa noção que se tem de um objeto ou de uma pessoa; e

b) Já a ignorância consiste no completo desconhecimento acerca do objeto ou da

pessoa.

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O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão

determinante.

O erro pode ser:

a) Essencial (substancial); ou

b) Acidental.

O erro é substancial quando:

a) Interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma

das qualidades a ele essenciais;

b) Concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a

declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; e

c) Sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único

ou principal do negócio jurídico

Desse modo, o negócio jurídico pelo erro, será anulável; sendo que o prazo

decadencial para a sua arguição será de 4 (quatro) anos.

Por seu turno, o erro acidental é aquele que diz respeito às qualidades

secundárias ou acessórias da pessoa ou do objeto. Assim, o ato continua válido,

produzindo os seus efeitos, porque o defeito não incide sobre a declaração de

vontade.

9.3. Dolo.

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O dolo consiste naquele artifício malicioso utilizado para enganar a outra parte

do negócio jurídico.

O dolo civil produz a anulabilidade do ato, apenas quando for a causa deste.

Assim, se o dolo recair sobre os aspectos essenciais ou substanciais, o ato será

anulável. Nesse caso, o prazo decadencial para a sua arguição será de 4 (quatro) anos.

Mas se o dolo recair sobre aspectos acidentais ou secundários, o ato será válido,

porém só obrigará a satisfação de perdas e danos.

Ressalta-se que se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode

alegá-lo para anular o negócio jurídico, ou reclamar indenização.

Ademais, são modalidades de dolo:

a) O dolo principal (essencial ou substancial); e

b) O dolo acidental.

O dolo principal (essencial ou substancial) é aquele que incide sobre os aspectos

essenciais do negócio. Ou seja, o dolo principal (essencial ou substancial) recai sobre a

causa do negócio jurídico, sem a qual ele não teria sido concluído.

O dolo acidental é aquele que tem o condão de induzir a vítima a realizar o

negócio, porém em condições mais onerosas; não afetando, portanto, a sua

declaração de vontade. Assim, o negócio não será anulado, mas existirá a obrigação de

indenização por perdas e danos.

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O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental

quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo.

9.4. Coação.

A coação consiste na pressão física ou moral exercida contra alguém para

obrigá-lo a praticar ou deixar de praticar determinado ato.

A coação poderá ser:

a) Física; ou

b) Moral.

A coação física (vis absoluta) consiste no constrangimento corporal que retira

toda a liberdade no consentimento do agente, acarretando a nulidade do ato. Aqui o

ato será nulo.

Já a coação moral (vis compulsiva) consiste na pressão psicológica sobre a

vontade, mas sem impedir o consentimento do agente, pois é conservada uma relativa

liberdade. Aqui o ato será anulável.

Ademais, há de se ressaltar (e muita atenção porque isso é importante) que a

coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente

fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos

seus bens.

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Ainda, o prazo decadencial para a arguição da coação será de 04 (quatro) anos,

contados do dia em que cessá-la.

Por fim, são hipóteses de exclusão da coação:

a) Ameaça do exercício regular de um direito; e

b) Simples temor reverencial.

9.5. Estado de perigo.

O estado de perigo ocorre quando alguém, premido da necessidade de salvar a

si, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume uma

obrigação excessivamente onerosa, conforme o art. 156 do CC.

Caso a pessoa que estiver correndo perigo não seja pertencente à família do

contratante, o Juiz decidirá conforme as circunstâncias de cada caso. Neste sentido,

realizado um negócio jurídico sob um estado de perigo, a sanção será a sua anulação e

o prazo será decadencial de 04 (quatro) anos.

9.6. Lesão.

A lesão é aquela que se dá quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou

por inexperiência, se obriga a uma prestação manifestamente desproporcional ao

valor da prestação oposta, conforme o art. 157 do CC.

Em caso de lesão, a sanção será a anulação do ato e o prazo será decadencial de

04 (quatro) anos.

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Em caso de negócio jurídico maculado pelo vício da lesão, não será decretada a

anulação do pacto, se a parte favorecida concordar com a redução do prestação que

foi considerada desproporcional.

9.7. Fraude contra credores.

A fraude contra credores é um vício social do negócio jurídico. Assim, trata-se de

uma prática maliciosa feita pelo devedor por meio de atos que desfalcam seu

patrimônio, com a finalidade de protegê-lo de uma execução por dívidas. Exemplo

clássico: doações de bens para parentes.

Portanto, não é a vontade que se encontra viciada, pois o vício reside na

finalidade ilícita do ato.

Neste sentido, ps elementos da fraude contra credores são:

a) O elemento objetivo da fraude contra credores (eventus damni): significa que

o devedor se tornou insolvente por força de determinados atos. Assim, o credor

deve provar que através da prática de determinado ato (como a doação de

bens), o devedor se tornou insolvente ou que ele já praticou aquele ato em

estado de insolvência, não tendo mais condições de honrar as suas dívidas.

b) O elemento subjetivo da fraude contra credores (consilium fraudis): consiste

no conluio fraudulento entre o devedor e aquele terceiro que adquiriu o bem.

Deixa-se em negrito que conforme o art. 159 do Código Civil existem duas

situações onde há presunção relativa da má-fé do terceiro adquirente:

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a) Quando for notória a insolvência do devedor; e

b) Quando o terceiro adquirente tinha motivos para conhecer a má situação

financeira do devedor.

Desse modo, os negócios de transmissão gratuita de bens ou de remissão de

dívida (perdão de dívida), praticados pelo devedor já insolvente ou com a finalidade de

ser reduzido à insolvência, poderão ser anulados pelos credores, uma vez que esses

negócios são lesivos aos seus direitos.

Para tanto, será utilizada uma ação própria, conhecida como pauliana ou

revocatória, a qual deverá ser proposta pelo credor (que já o era ao tempo da

alienação fraudulenta) contra o devedor.

A arguição da fraude contra credores deverá obedecer o prazo decadencial de

04 (quatro) anos.

9.8. Simulação

A simulação consiste no desacordo intencional entre a vontade real e a

declaração de consentimento dos agentes. O exemplo clássico: É a celebração do

contrato de compra e venda de imóvel feito para mascarar uma doação do cônjuge

adúltero para o seu amante.

O Código Civil afirma que haverá simulação nos negócios jurídicos quando:

a) Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às

quais realmente se conferem, ou transmitem;

b) Contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; e

c) Os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.

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DIREITO CIVIL

O negócio jurídico simulado será nulo, mas subsistirá o que se dissimulou, se for

válido na substância e na forma. Mas, os direitos de terceiros de boa-fé ficam

resguardados em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.

10. Existência, validade e eficácia do negócio jurídico:

O negócio jurídico passa por três planos:

a) Existência;

b) Validade; e

c) Eficácia.

No primeiro plano (existência), verifica-se a existência ou não do negócio

jurídico. Caso seja inexistente, ele não seguirá para os planos seguintes. Se for

existente, cabe a apreciação quanto à validade.

No segundo plano (validade), verificamos se o negócio jurídico é válido ou

inválido. Se for inválido, poderá ser nulo ou anulável. Nesse ponto, o negócio não

seguirá para o plano da eficácia, ressalvada uma ou outra exceção de lei. Se for

considerado válido, o negócio jurídico, finalmente, alcançará o plano da eficácia.

No terceiro plano (eficácia), temos que verificar se os negócios jurídicos

produzem os seus efeitos jurídicos. Desse modo, os negócios jurídicos válidos se não

estiverem sujeito à incidência de uma cláusula suspensiva, serão eficazes a partir de

sua conclusão.

28
DIREITO CIVIL

Por fim, há de se ressaltar que os efeitos jurídicos produzidos pelos negócios

jurídicos são os de criação, modificação, conservação ou extinção de relação jurídica.

11. Inexistência do negócio jurídico.

O negócio jurídico será inexistente quando restar caracterizada a ausência de

um daqueles elementos essenciais.

Aqui, não se trata de vício, defeito ou imperfeição, mas sim, da falta dos

elementos essenciais do negócio jurídico. Por exemplo: Ocorrerá inexistência quando

faltar o objeto do negócio.

12. Invalidade do negócio jurídico.

12.1. Conceitos e generalidades.

A invalidade é um conceito genérico que abarca tanto a nulidade, como a

anulabilidade.

A nulidade é a sanção imposta pela lei que determina a privação de efeitos

jurídicos do negócio jurídico, praticado em afronta aos ditames legais.

São espécies de nulidade:

a) Nulidade absoluta; e

b) Nulidade relativa.

12.2. Nulidade absoluta:

29
DIREITO CIVIL

O negócio jurídico será nulo e, portanto, não produzirá qualquer efeito, por

ofender gravemente os princípios de ordem pública. Ademais, o seu efeito será “ex

tunc” (retroativo).

12.3. Nulidade relativa:

Na nulidade relativa, o negócio jurídico será anulável. Dessa forma, enquanto

não for declarado como anulável pelo Juiz, os seus efeitos serão produzidos

normalmente. No caso, incidirá o efeito “ex nunc” (não retroage).

Como exemplo, temos o inciso II do art. 533 do CC que assevera: “é anulável a

troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos

outros descendentes e do cônjuge do alienante”.

13. Diferença entre nulidade absoluta e relativa.

30
DIREITO CIVIL

Ato Nulo Ato Anulável

(nulidade absoluta) (nulidade relativa ou anulabilidade)

O ato nulo atinge o interesse da O ato anulável atinge o interesse do

coletividade (matéria de ordem pública). prejudicado (matéria de ordem privada).

A nulidade pode ser arguida por qualquer A anulabilidade somente pode ser

das partes e pelo Ministério Público. alegada pelo prejudicado.

O vício não pode ser sanado pela O vício pode ser sanado pela confirmação

confirmação, nem convalesce pelo (expressa) ou pelo decurso do tempo

decurso do tempo. (tácita).

A nulidade não pode ser suprida pelo Juiz, O Juiz não pode reconhecê-la de ofício,

mas ele pode reconhecê-la de ofício. mas se a anulabilidade for alegada, ele

pode saná-la.

Efeito “extunc”. Ou seja, a declaração de Efeito “ex nunc”. Ou seja, a declaração de

nulidade retroage até aquela data do ato anulabilidade não retroage. Os efeitos são

maculado pelo vício. produzidos somente a partir da data da

anulação.

14. Conservação dos negócios jurídicos.

14. Conceitos e generalidades.

O princípio da conservação dos negócios jurídicos fundamenta-se no

mandamento da sua função social.

Nós sabemos que os negócios jurídicos criam e permitem a circulação de

riquezas e isso estimula o desenvolvimento econômico e social da comunidade.

31
DIREITO CIVIL

Assim, nós temos:

a) Conversão dos negócios jurídicos;

b) Confirmação dos negócios jurídicos;

c) Convalidação do negócio jurídico.

14.2. Conversão dos negócios jurídicos.

A conversão consiste no aproveitamento de negócio jurídico nulo. Assim, caso o

negócio jurídico nulo contenha os requisitos de outro negócio, este subsistirá quando

a finalidade (que as partes queriam) permitir supor que elas teriam aceitado esse

segundo negócio, casos tivessem previsto a nulidade.

Em outras palavras, o negócio jurídico não pode prevalecer da forma como

desejada pelas partes, porque ele é nulo.

Mas, uma vez que, os seus elementos são idôneos para caracterizar outro

negócio, é possível a sua transformação, a sua conversão em outro negócio jurídico,

desde que não haja uma proibição expressa.

14.3. Confirmação dos negócios jurídicos.

O negócio jurídico anulável poderá ser objeto de confirmação, ressalvado o

direito de terceiro.

32
DIREITO CIVIL

Destaca-se que é escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi

cumprido em parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.

Por fim, o ato de confirmação deverá conter a substância do negócio jurídico

celebrado entre as partes e a vontade expressa de mantê-lo.

14.4. Convalidação do negócio jurídico.

Quando a anulabilidade de um negócio jurídico resultar da falta de autorização

de um terceiro, será possível a sua convalidação.

Assim, o negócio jurídico será convalidado se o terceiro der a validade

posteriormente. Trata-se, portanto, de uma convalidação posterior ao negócio

anulável.

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DIREITO CIVIL

b. Revisão 1 (questões)

1. 2010 – CONSULPLAN - Prefeitura de Santa Maria Madalena – RJ = Advogado

Sobre os Negócios Jurídicos, marque a alternativa INCORRETA:

a) O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e

não for necessária a declaração de vontade expressa.

b) Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar

de sua celebração.

c) O termo inicial suspende o exercício e a aquisição do direito.

d) A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão

quando a lei expressamente a exigir.

e) O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.

2. 2016 – FCC - DPE-BA - Defensor Público

Hugo, ao descobrir que sua filha precisava de uma cirurgia de urgência, emite ao

hospital, por exigência deste, um cheque no valor de cem mil reais. Após a

realização do procedimento, Hugo descobriu que o valor comumente cobrado para

a mesma cirurgia é de sete mil reais. Agora, está sendo cobrado pelo cheque

emitido e, não tendo a mínima condição de arcar com o pagamento da cártula,

procura a Defensoria Pública de sua cidade. Diante desta situação, é possível

buscar judicialmente a anulação do negócio com a alegação de vício do

consentimento chamado de

a) coação.

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DIREITO CIVIL

b) erro substancial.

c) lesão.

d) estado de perigo.

e) dolo.

3. 2016 – FCC - PGE-MT - Procurador do Estado

Pedro adquiriu de João veículo que, segundo afirmou o vendedor, a fim de induzir

o comprador em erro, seria do tipo “flex”, podendo ser abastecido com gasolina ou

com álcool. Mas Pedro não fazia questão desta qualidade, e teria realizado o

negócio ainda que o veículo não fosse bicombustível. No entanto, em razão do que

havia afirmado João, Pedro acabou por abastecer o veículo com combustível

inapropriado, o que causou avaria no motor. O negócio jurídico

a) é anulável e obriga às perdas e danos, em razão do vício denominado dolo, não

importando tratar-se de dolo acidental.

b) é nulo, em razão de vício denominado dolo.

c) é nulo, em razão de vício denominado lesão.

d) é anulável, em razão do vício denominado dolo, mas não obriga às perdas e danos,

por tratar-se de dolo acidental.

e) não é passível de anulação, pois o dolo acidental só obriga às perdas e danos.

4. 2010 – CONSULPLAN - Prefeitura de Itabaiana – SE - Advogado

Sobre os defeitos do negócio jurídico, marque a alternativa INCORRETA:

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DIREITO CIVIL

a) Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o

simples temor reverencial.

b) Configura-se estado de perigo quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou

por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da

prestação oposta.

c) São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.

d) Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o

negócio, ou reclamar indenização.

e) O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão

determinante.

5.2016 – FCC - Prefeitura de Campinas – SP - Procurador

Antevendo que se divorciaria de Márcia, Marcos transferiu parte de seu patrimônio

a Cíntia, de maneira graciosa, declarando, no entanto, ter realizado uma compra e

venda. Tal ato é

a) nulo, em razão de simulação, sujeitando-se a prazo decadencial de 4 anos.

b) nulo, em razão de simulação, não convalescendo com o decurso do tempo.

c) anulável, em razão de fraude contra credores, sujeitando-se a prazo decadencial de

4 anos.

d) anulável, em razão de simulação, sujeitando-se a prazo prescricional de 4 anos.

e) nulo, em razão de fraude contra credores, não convalescendo com o decurso do

tempo.

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DIREITO CIVIL

6.2016 – FCC - TRT - 14ª Região (RO e AC) - Analista Judiciário - Área Judiciária

Sobre a invalidade do negócio jurídico, considere:

I. É de cinco anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio

jurídico no caso de coação contado do dia em que ela cessa.

II. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido

for na substância e na forma.

III. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.

IV. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte

pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e III.

b) II e III.

c) III e IV.

d) II, III e IV.

e) I e IV.

7.2015 – FCC - TCM-GO - Procurador do Ministério Público de Contas

O negócio jurídico simulado é

a) válido se posteriormente ratificado pelas partes interessadas.

b) nulo, sendo igualmente nulo o negócio dissimulado, pelo vício de origem.

c) nulo, mas é válido o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

37
DIREITO CIVIL

d) anulável, mas válido o que se procurou dissimular, se válido for na essência e na

forma.

e) ineficaz, por não ter potencial para gerar quaisquer consequências jurídicas.

8. 2016 – FCC - Prefeitura de Teresina – PI - Técnico de Nível Superior - Analista

Administrativo

O dolo civil produz a

a) anulabilidade do ato, apenas quando for a causa deste.

b) nulidade do ato, em quaisquer circunstâncias.

c) nulidade do ato, quando for a causa deste.

d) anulabilidade do ato, em quaisquer circunstâncias.

e) inexistência do ato, desde que seja sua causa.

9.2015 – FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário - Área Judiciária

Pedro comprou, por valor inferior ao de mercado, rara e valiosa coleção de selos

pertencente a Lucas, que tinha 14 anos e não foi representado quandoda

celebração do negócio. Passados alguns meses e não entregue o bem, Pedro

procurou Lucas oferecendo-lhe suplementação do preço, a fim de que as partes

ratificassem o ato. A pretendida ratificação

a) não poderá ocorrer, salvo se Lucas for assistido quando da confirmação.

b) poderá ocorrer, pois os negócios anuláveis podem ser confirmados pela vontade

das partes.

38
DIREITO CIVIL

c) deverá ocorrer, em prestígio ao princípio da conservação dos contratos.

d) não poderá ocorrer, porque o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação.

e) poderá ocorrer apenas pelo juiz, depois da intervenção do Ministério Público.

10.2015 – FCC – MANAUSPREV - Procurador Autárquico

O negócio jurídico praticado sob coação

a) é nulo, não se convalidando com o decurso do tempo nem podendo ser confirmado

pela vontade das partes.

b) equipara-se aos praticados sob temor reverencial.

c) é nulo, podendo ser invalidado, a pedido da parte prejudicada, no prazo decadencial

de 4 anos, contado da celebração do negócio.

d) deve ser interpretado tendo em conta o que, na mesma circunstância, teria feito o

homem médio.

e) é anulável, convalidando-se com o decurso do tempo e podendo ser confirmado

pela vontade das partes.

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DIREITO CIVIL

c. Revisão 2 (questões)

11. 2015 – FCC - SEFAZ-PI - Auditor Fiscal da Fazenda Estadual

Tício, diretor de uma construtora, celebrou com Mévio, funcionário público,

contrato por meio do qual este lhe garantiria privilégios em licitações públicas em

troca de pagamento mensal de R$ 5.000,00. Trata-se de negócio

a) nulo, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Ministério

Público, porém não de ofício, e não convalescendo pelo decurso do tempo.

b) nulo, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do tempo.

c) anulável, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do

tempo.

d) válido, por atender aos usos e costumes.

e) anulável, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Ministério

Público, porém não de ofício, e convalescendo com o decurso do tempo.

12. 2014 –FCC - DPE-PB - Defensor Público

Sob premente necessidade financeira, João vende a Luís imóvel por um terço do

valor de mercado. Tal negócio é

a) nulo, pelo vício denominado coação, não podendo ser convalidado pela vontade das

partes.

b) nulo, pelo vício denominado estado de perigo, não podendo ser convalidado pela

vontade das partes.

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DIREITO CIVIL

c) anulável, pelo vício denominado lesão, podendo ser convalidado pela vontade das

partes.

d) anulável, pelo vício denominado estado de perigo, podendo ser convalidado pela

vontade das partes.

e) anulável, pelo vício denominado lesão, não podendo ser convalidado pela vontade

das partes.

13.2011 – FCC - TCE-PR - Analista de Controle

A condição suspensiva

a) suspende a aquisição e o exercício do direito, enquanto o termo inicial suspende o

exercício, mas não suspende a aquisição do direito.

b) refere-se a evento futuro e certo, enquanto o termo inicial a evento futuro e incerto.

c) suspende o exercício mas não a aquisição do direito, enquanto o termo inicial

suspende a aquisição e o exercício do direito.

d) e o termo inicial referem-se a evento futuro e incerto, mas enquanto aquela

suspende a aquisição e o exercício do direito, este apenas lhe suspende o exercício.

e) e o termo inicial referem-se a evento futuro e certo, mas enquanto este suspende a

aquisição e o exercício de direito, aquela apenas lhe suspende o exercício.

14.2010 – FCC - TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária - Execução de

Mandados

41
DIREITO CIVIL

Considere as seguintes assertivas a respeito da Condição, do Termo e do Encargo:

I. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das

partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e certo.

II. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio

jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele

estabelecido.

III. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.

IV. Em regra, o encargo suspende a aquisição e o exercício do direito.

De acordo com o Código Civil, está correto o que consta APENAS em

a) II e III.

b) II e IV.

c) I e III.

d) I, II e III.

e) II, III e IV.

15. 2010 – FCC - PGM - TERESINA – PI - Procurador Municipal

O negócio jurídico realizado por pessoa absolutamente incapaz

a) gera a ineficácia perante terceiros, podendo ser sanado apenas entre seus

partícipes.

b) gera nulidade absoluta, portanto sem possibilidade de convalidação.

c) gera anulabilidade, ou nulidade relativa, podendo ser convalidado.

42
DIREITO CIVIL

d) implica a inexistência desse ato, que não terá quaisquer consequências jurídicas.

e) implica mera irregularidade, se posteriormente ratificado por seu representante

legal.

16.2013 – FCC - MPE-AM - Agente Técnico - Jurídico

Negócio jurídico praticado sob coação

a) é nulo, não convalescendo com o tempo nem podendo ser confirmado pelas partes.

b) é anulável, no prazo decadencial de 4 anos, podendo ser confirmado pelas partes,

salvo direito de terceiros.

c) é anulável, no prazo prescricional de 3 anos, podendo ser confirmado pelas partes

independentemente do direito de terceiros.

d) pode ser declarado nulo desde que o prejudicado ajuíze ação no prazo prescricional

de 10 anos.

e) é anulável, não convalescendo pelo decurso do tempo nem podendo ser confirmado

pelas partes.

17.2009 – FCC - TCE-GO - Analista de Controle Externo - Direito

É nulo o negócio jurídico por vício resultante de

a) fraude contra credores.

b) lesão.

c) simulação.

43
DIREITO CIVIL

d) estado de perigo.

e) erro.

18. 2009 – FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário - Área Judiciária -

Execução de Mandados

A respeito dos defeitos dos negócios jurídicos, considere:

I. Alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de

grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente

onerosa.

II. Alguém, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a pr estação

manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.

Estas situações caracterizam as hipóteses de anulabilidade dos negócios jurídicos

denominadas, respectivamente, de

a) lesão e erro.

b) estado de perigo e lesão.

c) erro e lesão.

d) lesão e estado de perigo.

e) estado de perigo e erro.

19.2014 – FCC - TCE-PI - Assessor Jurídico

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DIREITO CIVIL

Igor, que passa férias com seu filho Nicolas em Teresina, devidamente habilitado,

pilota um barco pelo Rio Parnaíba, quando é surpreendido pelo “jetski” de Romeu -

por este mesmo pilotado, de modo imprudente - o que causa a Igor e a Nicolas

perigo iminente. Para que estes não se machuquem gravemente, Igor colide seu

barco numa embarcação de pesca, de propriedade de Arlindo, tendo de ressarci -lo.

A conduta de Igor, nas circunstâncias, foi

a) lícita, porque praticada em legítima defesa de outrem.

b) ilícita, porque praticada com abuso do direito.

c) lícita, uma vez que agiu de modo a afastar perigo iminente, podendo propor ação de

regresso contra o causador do perigo, no caso Romeu.

d) lícita, porque não houve ação ou omissão, culpa ou nexo de causalidade entre o ato

de Igor e o dano causado a Arlindo.

e) ilícita, porque praticada sem o devido dever de cautela.

20. 2005 – FCC - TRE-RN - Técnico Judiciário - Área Administrativa

Para a configuração de ato ilícito, é imprescindível que haja fato lesivo, causado

a) por ação ou omissão voluntária e culposa do agente; ocorrência de um dano

patrimonial ou moral, independentemente de nexo de causalidade entre o dano e o

comportamento.

b) somente por ação do agente; ocorrência de um dano patrimonial ou moral e nexo

de causalidade entre o dano e o comportamento.

45
DIREITO CIVIL

c) por ação ou omissão voluntária e culposa do agente ou da vítima; ocorrência de um

dano exclusivamente material e nexo de causalidade entre o dano e o

comportamento.

d) por ação ou omissão voluntária e culposa do agente; ocorrência de um dano

patrimonial ou moral e nexo de causalidade entre o dano e o comportamento.

e) somente por omissão voluntária e culposa do agente; ocorrência de um dano

patrimonial ou moral e nexo de causalidade entre o dano e o comportamento.

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DIREITO CIVIL

d. Revisão 3 (mapa mental)

47
DIREITO CIVIL

48
DIREITO CIVIL

e. Normas (apenas o que mais cai)

Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:

I - agente capaz;

II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

III - forma prescrita ou não defesa em lei.

Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada

pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se,

neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se

for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.

Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma

especial, senão quando a lei expressamente a exigir.

Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à

validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou

renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário

mínimo vigente no País.

Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem

instrumento público, este é da substância do ato.

Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja

feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário

tinha conhecimento.

49
DIREITO CIVIL

Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o

autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.

Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas

consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.

Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e

os usos do lugar de sua celebração.

Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se

estritamente.

Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de

vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de

diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.

Art. 139. O erro é substancial quando:

I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a

alguma das qualidades a ele essenciais;

II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se

refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;

III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo

único ou principal do negócio jurídico.

Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso

como razão determinante.

Art. 141. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável

nos mesmos casos em que o é a declaração direta.

50
DIREITO CIVIL

Art. 142. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a

declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas

circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada.

Art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de

vontade.

Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a

pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na

conformidade da vontade real do manifestante.

Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua

causa.

Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é

acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo.

Art. 147. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das

partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui

omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado.

Art. 148. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro,

se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso

contrário, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as

perdas e danos da parte a quem ludibriou.

Art. 149. O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o

representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve; se,

porém, o dolo for do representante convencional, o representado responderá

solidariamente com ele por perdas e danos.

51
DIREITO CIVIL

Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo

para anular o negócio, ou reclamar indenização.

Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que

incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua

família, ou aos seus bens.

Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do

paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.

Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a

condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que

possam influir na gravidade dela.

Art. 153. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um

direito, nem o simples temor reverencial.

Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela

tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá

solidariamente com aquele por perdas e danos.

Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem

que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da

coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto.

Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da

necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela

outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.

Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do

declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias.

52
DIREITO CIVIL

Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou

por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da

prestação oposta.

§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes

ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico.

§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento

suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:

I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;

II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;

III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;

IV - não revestir a forma prescrita em lei;

V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua

validade;

VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;

VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar

sanção.

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se

dissimulou, se válido for na substância e na forma.

§ 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:

I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas

às quais realmente se conferem, ou transmitem;

53
DIREITO CIVIL

II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;

III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.

§ 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes

do negócio jurídico simulado.

Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por

qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.

Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando

conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe

sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes.

Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem

convalesce pelo decurso do tempo.

Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro,

subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam

querido, se houvessem previsto a nulidade.

Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o

negócio jurídico:

I - por incapacidade relativa do agente;

II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou

fraude contra credores.

Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito

de terceiro.

Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio

celebrado e a vontade expressa de mantê-lo.

54
DIREITO CIVIL

Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi

cumprido em parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.

Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio

anulável, nos termos dos arts. 172 a 174, importa a extinção de todas as ações, ou

exceções, de que contra ele dispusesse o devedor.

Art. 176. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de

terceiro, será validado se este a der posteriormente.

Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem

se pronuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente

aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação

do negócio jurídico, contado:

I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;

II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do

dia em que se realizou o negócio jurídico;

III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.

Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem

estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data

da conclusão do ato.

Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se

de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido

pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior.

Art. 181. Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou

a um incapaz, se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga.

55
DIREITO CIVIL

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou

imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,

comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,

excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela

boa-fé ou pelos bons costumes.

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito

reconhecido;

II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de

remover perigo iminente.

Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as

circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do

indispensável para a remoção do perigo.

56
DIREITO CIVIL

f. Gabarito

1 2 3 4 5

C D E B B

6 7 8 9 10

D C A D E

11 12 13 14 15

B C A A B

16 17 18 19 20

B C B C D

57
DIREITO CIVIL

g. Breves comentários às questões

1. 2010 – CONSULPLAN - Prefeitura de Santa Maria Madalena – RJ = Advogado

Sobre os Negócios Jurídicos, marque a alternativa INCORRETA:

a) O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e

não for necessária a declaração de vontade expressa.

Item correto, conforme o art. 111 do CC.

b) Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar

de sua celebração.

Item correto, conforme o art. 113 do CC.

c) O termo inicial suspende o exercício e a aquisição do direito.

Item incorreto, pois “o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito”,

conforme o art. 131 do CC.

d) A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão

quando a lei expressamente a exigir.

Item correto, conforme o art. 107 do CC.

e) O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.

Item correto, conforme o art. 172 do CC.

Resposta: C

2. 2016 – FCC - DPE-BA - Defensor Público

58
DIREITO CIVIL

Hugo, ao descobrir que sua filha precisava de uma cirurgia de urgência, emite ao

hospital, por exigência deste, um cheque no valor de cem mil reais. Após a

realização do procedimento, Hugo descobriu que o valor comumente cobrado para

a mesma cirurgia é de sete mil reais. Agora, está sendo cobrado pelo cheque

emitido e, não tendo a mínima condição de arcar com o pagamento da cártula,

procura a Defensoria Pública de sua cidade. Diante desta situação, é possível

buscar judicialmente a anulação do negócio com a alegação de vício do

consentimento chamado de

a) coação.

Item errado, conforme o art. 151 do CC. Uma vez que, “a coação, para viciar a declaração

da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e

considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens”.

b) erro substancial.

Item errado, conforme o art. 139 do CC. Assim, “o erro é substancial quando: interessa à

natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele

essenciais;concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a

declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;sendo de direito

e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio

jurídico”.

c) lesão.

Item errado, conforme o art. 157 do CC, Assim, “ocorre a lesão quando uma pessoa, sob

premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente

desproporcional ao valor da prestação oposta”.

d) estado de perigo.

59
DIREITO CIVIL

Item correto, conforme o art. 156 do CC. Assim, “configura-se o estado de perigo quando

alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano

conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa”.

e) dolo.

Item errado, pois o dolo consiste naquele artifício malicioso utilizado para enganar a outra

parte do negócio jurídico.

Resposta: D

3. 2016 – FCC - PGE-MT - Procurador do Estado

Pedro adquiriu de João veículo que, segundo afirmou o vendedor, a fim de induzir

o comprador em erro, seria do tipo “flex”, podendo ser abastecido com gasolina ou

com álcool. Mas Pedro não fazia questão desta qualidade, e teria realizado o

negócio ainda que o veículo não fosse bicombustível. No entanto, em razão do que

havia afirmado João, Pedro acabou por abastecer o veículo com combustível

inapropriado, o que causou avaria no motor. O negócio jurídico

a) é anulável e obriga às perdas e danos, em razão do vício denominado dolo, não

importando tratar-se de dolo acidental.

b) é nulo, em razão de vício denominado dolo.

c) é nulo, em razão de vício denominado lesão.

d) é anulável, em razão do vício denominado dolo, mas não obriga às perdas e danos,

por tratar-se de dolo acidental.

e) não é passível de anulação, pois o dolo acidental só obriga às perdas e danos.

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DIREITO CIVIL

E – Item correto, conforme o art. 146 do CC. Assim, “o dolo acidental só obriga à satisfação

das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora

por outro modo”.

Resposta: E

4. 2010 – CONSULPLAN - Prefeitura de Itabaiana – SE - Advogado

Sobre os defeitos do negócio jurídico, marque a alternativa INCORRETA:

a) Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o

simples temor reverencial.

Item correto, conforme o art. 153 do CC.

b) Configura-se estado de perigo quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou

por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da

prestação oposta.

Item errado, conforme os arts. 156 e 157 do CC. Assim, “configura-se o estado de perigo

quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave

dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa”. Por sua vez,

“ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se

obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta”.

c) São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.

Item correto, conforme o art. 145 do CC.

d) Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o

negócio, ou reclamar indenização.

Item correto, conforme o art. 150 do CC.

61
DIREITO CIVIL

e) O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão

determinante.

Item correto, conforme o art. 140 do CC.

Resposta: B

5.2016 – FCC - Prefeitura de Campinas – SP - Procurador

Antevendo que se divorciaria de Márcia, Marcos transferiu parte de seu patrimônio

a Cíntia, de maneira graciosa, declarando, no entanto, ter realizado uma compra e

venda. Tal ato é

a) nulo, em razão de simulação, sujeitando-se a prazo decadencial de 4 anos.

b) nulo, em razão de simulação, não convalescendo com o decurso do tempo.

c) anulável, em razão de fraude contra credores, sujeitando-se a prazo decadencial de

4 anos.

d) anulável, em razão de simulação, sujeitando-se a prazo prescricional de 4 anos.

e) nulo, em razão de fraude contra credores, não convalescendo com o decurso do

tempo.

B – Item correto, conforme o art. 167 c/c o art. 169, ambos do CC. Assim, “é nulo o negócio

jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na

forma”. Nessa esteira, “o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem

convalesce pelo decurso do tempo”.

Resposta: B

62
DIREITO CIVIL

6.2016 – FCC - TRT - 14ª Região (RO e AC) - Analista Judiciário - Área Judiciária

Sobre a invalidade do negócio jurídico, considere:

I. É de cinco anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio

jurídico no caso de coação contado do dia em que ela cessa.

Item errado, pois o prazo é de 4 (quatro) anos, conforme o art. 178 do CC. Assim, “é

de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico,

contado: I - No caso de coação, do dia em que ela cessar.”

II. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válid o

for na substância e na forma.

Item correto, conforme o art. 167 do CC.

III. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.

Item correto, conforme o art. 172, CC.

IV. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte

pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.

Item correto, conforme o art. 174, CC.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e III.

b) II e III.

c) III e IV.

d) II, III e IV.

e) I e IV.

63
DIREITO CIVIL

Resposta: D

7.2015 – FCC - TCM-GO - Procurador do Ministério Público de Contas

O negócio jurídico simulado é

a) válido se posteriormente ratificado pelas partes interessadas.

b) nulo, sendo igualmente nulo o negócio dissimulado, pelo vício de origem.

c) nulo, mas é válido o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

d) anulável, mas válido o que se procurou dissimular, se válido for na essência e na

forma.

e) ineficaz, por não ter potencial para gerar quaisquer consequências jurídicas.

C – Item correto, conforme o art. 167, CC. Assim, “é nulo o negócio jurídico simulado, mas

subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”.

Resposta: C

8. 2016 – FCC - Prefeitura de Teresina – PI - Técnico de Nível Superior - Analista

Administrativo

O dolo civil produz a

a) anulabilidade do ato, apenas quando for a causa deste.

b) nulidade do ato, em quaisquer circunstâncias.

c) nulidade do ato, quando for a causa deste.

d) anulabilidade do ato, em quaisquer circunstâncias.

64
DIREITO CIVIL

e) inexistência do ato, desde que seja sua causa.

A – Item correto, conforme o art. 145 do CC. Assim, “são os negócios jurídicos anuláveis por

dolo, quando este for a sua causa.”

Resposta: A

9.2015 – FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário - Área Judiciária

Pedro comprou, por valor inferior ao de mercado, rara e valiosa coleção de selos

pertencente a Lucas, que tinha 14 anos e não foi representado quandoda

celebração do negócio. Passados alguns meses e não entregue o bem, Pedro

procurou Lucas oferecendo-lhe suplementação do preço, a fim de que as partes

ratificassem o ato. A pretendida ratificação

a) não poderá ocorrer, salvo se Lucas for assistido quando da confirmação.

b) poderá ocorrer, pois os negócios anuláveis podem ser confirmados pela vontade

das partes.

c) deverá ocorrer, em prestígio ao princípio da conservação dos contratos.

d) não poderá ocorrer, porque o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação.

e) poderá ocorrer apenas pelo juiz, depois da intervenção do Ministério Público.

D – Item correto, conforme o art. 166, I, c/c o art. 169, ambos do CC. Assim, “é nulo o

negócio jurídico quando celebrado por pessoa absolutamente incapaz.” No caso, o Lucas

tinha apenas 14 anos quando celebrou o negócio. Portanto, ele era absolutamente incapaz

e o negócio jurídico é nulo. Nessa esteira, “o negócio jurídico nulo não é suscetível de

confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo”.

Resposta: D

65
DIREITO CIVIL

10.2015 – FCC – MANAUSPREV - Procurador Autárquico

O negócio jurídico praticado sob coação

a) é nulo, não se convalidando com o decurso do tempo nem podendo ser confirmado

pela vontade das partes.

b) equipara-se aos praticados sob temor reverencial.

c) é nulo, podendo ser invalidado, a pedido da parte prejudicada, no prazo decadencial

de 4 anos, contado da celebração do negócio.

d) deve ser interpretado tendo em conta o que, na mesma circunstância, teria feito o

homem médio.

e) é anulável, convalidando-se com o decurso do tempo e podendo ser confirmado

pela vontade das partes.

E – Item correto, conforme os arts. 171 e 172 do CC. Assim, “é anulável o negócio jurídico

por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra

credores”. Nessa linha, “o negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito

de terceiro”.

Resposta: E

11. 2015 – FCC - SEFAZ-PI - Auditor Fiscal da Fazenda Estadual

Tício, diretor de uma construtora, celebrou com Mévio, funcionário público,

contrato por meio do qual este lhe garantiria privilégios em licitações públicas em

troca de pagamento mensal de R$ 5.000,00. Trata-se de negócio

a) nulo, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Ministério

Público, porém não de ofício, e não convalescendo pelo decurso do tempo.

66
DIREITO CIVIL

b) nulo, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do tempo.

c) anulável, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do

tempo.

d) válido, por atender aos usos e costumes.

e) anulável, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Ministério

Público, porém não de ofício, e convalescendo com o decurso do tempo.

B – Item correto, pois o objeto do negócio jurídico era ilícito (contrato por meio do qual

este lhe garantiria privilégios em licitações públicas) e, portanto, nulo. Pelo fato de ser

nulo, o negócio jurídico não convalesceu pelo decurso do tempo e foi invalidado de

ofício pelo juiz. Inteligência dos arts. 166, II; 168, parágrafo único, e 169, do CC.

Resposta: B

12. 2014 –FCC - DPE-PB - Defensor Público

Sob premente necessidade financeira, João vende a Luís imóvel por um terço do

valor de mercado. Tal negócio é

a) nulo, pelo vício denominado coação, não podendo ser convalidado pela vontade das

partes.

b) nulo, pelo vício denominado estado de perigo, não podendo ser convalidado pela

vontade das partes.

c) anulável, pelo vício denominado lesão, podendo ser convalidado pela vontade das

partes.

d) anulável, pelo vício denominado estado de perigo, podendo ser convalidado pela

vontade das partes.

67
DIREITO CIVIL

e) anulável, pelo vício denominado lesão, não podendo ser convalidado pela vontade

das partes.

C – Item correto, pois o negócio jurídico maculado pelo vício da lesão é anulável e pode ser

convalidado. No caso, essa convalidação poderia se dar com a adequação do valor do

imóvel àquele praticado pelo mercado e com a anuência das partes aos novos ditames.

Inteligência dos arts. 157, § 2º e 171, II, do CC.

Resposta: C

13.2011 – FCC - TCE-PR - Analista de Controle

A condição suspensiva

a) suspende a aquisição e o exercício do direito, enquanto o termo inicial suspende o

exercício, mas não suspende a aquisição do direito.

b) refere-se a evento futuro e certo, enquanto o termo inicial a evento futuro e incerto.

c) suspende o exercício mas não a aquisição do direito, enquanto o termo inicial

suspende a aquisição e o exercício do direito.

d) e o termo inicial referem-se a evento futuro e incerto, mas enquanto aquela

suspende a aquisição e o exercício do direito, este apenas lhe suspende o exercício.

e) e o termo inicial referem-se a evento futuro e certo, mas enquanto este suspende a

aquisição e o exercício de direito, aquela apenas lhe suspende o exercício.

A – Item correto, conforme o art. 121 c/c o art. 135 do CC.

Resposta: A

68
DIREITO CIVIL

14.2010 – FCC - TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária - Execução de

Mandados

Considere as seguintes assertivas a respeito da Condição, do Termo e do Encargo:

I. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das

partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e certo.

Item errado, conforme o art. 121 do CC. Assim, “considera-se condição a cláusula

que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio

jurídico a evento futuro e INCERTO”.

II. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio

jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele

estabelecido.

Item correto, conforme o art. 127 do CC.

III. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.

Item correto, conforme o art. 131 do CC.

IV. Em regra, o encargo suspende a aquisição e o exercício do direito.

Item errado, pois “o encargo NÃO suspende a aquisição, nem o exercício do direito, salvo

quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição

suspensiva”, conforme o art. 136 do CC.

De acordo com o Código Civil, está correto o que consta APENAS em

a) II e III.

b) II e IV.

c) I e III.

d) I, II e III.

69
DIREITO CIVIL

e) II, III e IV.

Resposta: A

15. 2010 – FCC - PGM - TERESINA – PI - Procurador Municipal

O negócio jurídico realizado por pessoa absolutamente incapaz

a) gera a ineficácia perante terceiros, podendo ser sanado apenas entre seus

partícipes.

b) gera nulidade absoluta, portanto sem possibilidade de convalidação.

c) gera anulabilidade, ou nulidade relativa, podendo ser convalidado.

d) implica a inexistência desse ato, que não terá quaisquer consequências jurídicas.

e) implica mera irregularidade, se posteriormente ratificado por seu representante

legal.

B – Item correto, conforme o art. 166, I, c/c o art. 169, ambos do CC.

Resposta: B

16.2013 – FCC - MPE-AM - Agente Técnico - Jurídico

Negócio jurídico praticado sob coação

a) é nulo, não convalescendo com o tempo nem podendo ser confirmado pelas partes.

b) é anulável, no prazo decadencial de 4 anos, podendo ser confirmado pelas partes,

salvo direito de terceiros.

70
DIREITO CIVIL

c) é anulável, no prazo prescricional de 3 anos, podendo ser confirmado pelas partes

independentemente do direito de terceiros.

d) pode ser declarado nulo desde que o prejudicado ajuíze ação no prazo prescricional

de 10 anos.

e) é anulável, não convalescendo pelo decurso do tempo nem podendo ser confirmado

pelas partes.

B – Item correto, conforme os arts. 171, II; 172; e 178, I, todos do CC.

Resposta: B

17.2009 – FCC - TCE-GO - Analista de Controle Externo - Direito

É nulo o negócio jurídico por vício resultante de

a) fraude contra credores.

b) lesão.

c) simulação.

d) estado de perigo.

e) erro.

C – Item correto, pois os negócios jurídicos decorrentes dos vícios de fraude contra

credores, de lesão, de estado de perigo e de erro são anuláveis, nos termos art. 171, II,

do CC. Somente o negócio jurídico resultante do vício de simulação é nulo, conforme o

art. 167 do CC.

Resposta: C

71
DIREITO CIVIL

18. 2009 – FCC - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário - Área Judiciária -

Execução de Mandados

A respeito dos defeitos dos negócios jurídicos, considere:

I. Alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de

grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente

onerosa.

II. Alguém, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação

manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.

Estas situações caracterizam as hipóteses de anulabilidade dos negócios jurídicos

denominadas, respectivamente, de

a) lesão e erro.

b) estado de perigo e lesão.

c) erro e lesão.

d) lesão e estado de perigo.

e) estado de perigo e erro.

B – Item correto, pois o estado de perigo se dá “quando alguém, premido da necessidade de

salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume

obrigação excessivamente onerosa”, conforme o art. 156 do CC. E a lesão ocorre “quando

uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação

manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta”, conforme o art. 156 do CC.

Resposta: B

72
DIREITO CIVIL

19.2014 – FCC - TCE-PI - Assessor Jurídico

Igor, que passa férias com seu filho Nicolas em Teresina, devidamente habilitado,

pilota um barco pelo Rio Parnaíba, quando é surpreendido pelo “jetski” de Romeu -

por este mesmo pilotado, de modo imprudente - o que causa a Igor e a Nicolas

perigo iminente. Para que estes não se machuquem gravemente, Igor colide seu

barco numa embarcação de pesca, de propriedade de Arlindo, tendo de ressarci -lo.

A conduta de Igor, nas circunstâncias, foi

a) lícita, porque praticada em legítima defesa de outrem.

b) ilícita, porque praticada com abuso do direito.

c) lícita, uma vez que agiu de modo a afastar perigo iminente, podendo propor ação de

regresso contra o causador do perigo, no caso Romeu.

d) lícita, porque não houve ação ou omissão, culpa ou nexo de causalidade entre o ato

de Igor e o dano causado a Arlindo.

e) ilícita, porque praticada sem o devido dever de cautela.

Item correto, conforme os arts. 188, II e 930, ambos do CC.

Resposta: C

20. 2005 – FCC - TRE-RN - Técnico Judiciário - Área Administrativa

Para a configuração de ato ilícito, é imprescindível que haja fato lesivo, causado

a) por ação ou omissão voluntária e culposa do agente; ocorrência de um dano

patrimonial ou moral, independentemente de nexo de causalidade entre o dano e o

comportamento.

73
DIREITO CIVIL

b) somente por ação do agente; ocorrência de um dano patrimonial ou moral e nexo

de causalidade entre o dano e o comportamento.

c) por ação ou omissão voluntária e culposa do agente ou da vítima; ocorrência de um

dano exclusivamente material e nexo de causalidade entre o dano e o

comportamento.

d) por ação ou omissão voluntária e culposa do agente; ocorrência de um dano

patrimonial ou moral e nexo de causalidade entre o dano e o comportamento.

e) somente por omissão voluntária e culposa do agente; ocorrência de um dano

patrimonial ou moral e nexo de causalidade entre o dano e o comportamento.

D – Item correto, conforme o art. 186 do CC.

Resposta: D

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