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DIREITO MILITAR

Ementa
A disciplina Direito militar visa a capacitação dos policiais militares do Estado
de Goiás e será coordenado pelo Comando da Academia de Polícia Militar do
Estado de Goiás. É uma disciplina de aperfeiçoamento profissional com carga
horária de 30h.

Contextualização

A implementação de disciplinas que visam o aprimoramento técnico


profissional dos policiais militares do Estado de Goiás, conforme as matrizes
curriculares de cursos e a NPCE, indicam a necessidade de profissionais
qualificados e bem preparados. Em resposta à essa demanda de formação,
utilização de tecnologias educacionais e formação na modalidade a distância,
faz-se necessária uma melhor capacitação dos policiais militares do Estado de
Goiás, no cumprimento de sua missão institucional, com o aprimoramento de
habilidades específicas no desenvolvimento da atividade policial.

I – Objetivos gerais da disciplina

Criar condições para que o discente possa:


Ampliar conhecimentos para:
 diferenciar o crime militar da competência da Justiça Militar Federal, da
Justiça Militar Estadual, bem como da Justiça Comum, tanto Federal
como Estadual, através do estudo do Código Penal Militar, das
Constituições Federal e Estadual e legislação pertinente;
 dentificar os delitos militares em tempo de paz e em tempo de guerra;
 compreender as normas legais que regem o processo penal militar.
Desenvolver e exercitar habilidades para:
 reconhecer no exercício de suas funções o cometimento dos crimes
militares tipificados no Código Penal Militar.
Fortalecer atitudes para:
 pautar sua conduta militar dentro dos padrões da ética e da legalidade.

Conteúdos:
MÓDULO I – PARTE GERAL DO CÓDIGO PENAL MILITAR
 Aula 1. Introdução;
 Aula 2. Da Aplicação da Lei Penal Militar;
 Aula 3. Dos crimes propriamente e impropriamente militares;
 Aula 4. Dos crimes militares em tempo de paz – art. 9° do CPM;
 Aula 5. Da competência do tribunal do júri em relação ao CPM;
 Aula 6. Conceitos e Penas.

MÓDULO II – DA PARTE ESPECIAL DO CPM


 Aula 1. Dos Crimes Contra a Autoridade ou Disciplina Militar, da
Aliciação e do Incitamento.
 Aula 2. Da violência Contra Superior ou Militar de Serviço, do
Desrespeito a Superior e a Simbologia Nacional ou a Farda e da
Insubordinação.
 Aula 3. Da Resistência, da Deserção, do Abandono de Posto e de Outros
Crimes em Serviço.
 Aula 4. Do homicídio, dos crimes contra a Administração Militar, do
Peculato, da Concussão, da Corrupção e dos crimes contra o dever
funcional
MÓDULO III – DO INQUÉRITO POLICIAL MILITAR
 Aula 1. Conceito de IPM.
 Aula 2. Características do IPM.
 Aula 3. Conclusão do IPM.

MÓDULO IV – DA COMPOSIÇÃO DA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL


 Aula 1. Introdução.
 Aula 2. Conselhos de Justiça.
 Aula 3. Da Justiça Militar Estadual e sua competência.
 Aula 4. Do julgamento na Auditoria Militar Estadual.
 Aula 5. Da sentença e dosimetria da pena.

MÓDULO V – DA SINDICÂNCIA E PROCESSO ADMINISTRATIVO


DISCIPLINAR
 Aula 1. Da Sindicância.
 Aula 2. Diferença entre Sindicância e Inquérito Policial Militar
 Aula 3. Princípios constitucionais e administrativos aplicáveis no Código
de Ética e Disciplina dos Militares de Goiás.
 Aula 4. Do Processo Administrativo Disciplinar.
 Aula 5. Modalidades de PAD
 Aula 6. Das Sanções Disciplinares
MÓDULO I – PARTE GERAL DO CÓDIGO PENAL MILITAR

AULA 1 – INTRODUÇÃO
O Direito Militar é um ilustre desconhecido da maioria dos doutrinadores
e operadores da Ciência Jurídica. Como se sabe, poucas são as instituições
de Ensino Superior que possuem em sua grade curricular a referida disciplina
e, mesmo assim, em muitas delas, apenas e tão somente como disciplina
optativa. Esse esquecimento vem relegando, propositadamente, a segundo
plano, o engrandecimento desse ramo especializado do Direito, chegando ao
ponto de completa discrepância entre muitos de seus preceitos com aqueles
estabelecidos pelo Direito Penal e Processual Penal Comum, uma vez que
estes têm sido, continuamente, objeto de reforma de seus institutos e
procedimentos, ao passo que o Direito Militar é proscrito deliberadamente
dessa necessária atualização.

Conceito
Dentre algumas linhas doutrinárias, podemos citar, para fins de melhor
compreensão, o que ensina Jorge Alberto Romeiro (1.994, p.01), onde afirma
que o Direito Penal Militar “consiste no conjunto de normas que definem os
crimes contra a ordem jurídica militar, cominando-lhes penas, impondo
medidas de segurança e estabelecendo as causas condicionantes,
excludentes e modificativas da punibilidade”.
Podemos afirmar em linhas gerais que o Direito Penal Militar protege um
bem jurídico especial, que é a regularidade das Instituições Militares, no que
concerne à hierarquia e a disciplina, cuja quebra acarretaria sua
desestabilização e a desregularidade de suas missões constitucionais
peculiares. Grifo nosso.
Caráter especial do Direito Militar
O Direito Militar é um direito especial, porque a maioria de suas normas,
diversamente das de direito penal comum, destinadas a todos os cidadãos, se
aplicam exclusivamente aos militares, que tem especiais deveres para com o
Estado, indispensáveis à sua defesa armada e à existência de suas
instituições militares. Esse caráter especial, ainda, advém de a Constituição
federal atribuir com exclusividade aos órgãos da Justiça castrense (art.
122/CF/88) o processo e o julgamento dos crimes militares definidos em lei.

Da condição de Militar
A Constituição Federal de 1988 inicialmente inseriu o militar na categoria
de servidor público, todavia com o advento da Emenda Constitucional n° 18
de 05.02.1998, o legislador passou a tratar o militar como uma categoria
própria, e não mais como uma espécie de servidor público. Dentro desse
contexto, a Carta Magna passou a distinguir os militares estaduais dos
federais. Desta feita, os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos
Territórios, ficaram regulados pelo art. 42 e parágrafos seguintes da CF/88. Já
os militares federais integrantes das Forças Armadas, estão disciplinados pelo
§3° do art. 142 da CF/88.

Art. 42/CF: Os membros das Polícias Militares e


Corpos de Bombeiros Militares, instituições
organizadas com base na hierarquia e disciplina,
são militares dos Estados, do Distrito Federal e
dos Territórios. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n° 18 de 1998).
AULA 2 – DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL MILITAR

Inicialmente, vejamos alguns princípios previstos na Constituição


Federal e Código Penal Militar atinentes à aplicação da lei penal militar.
Princípio da Legalidade
Art. 1°. Não há crime sem lei anterior que o defina,
nem pena sem prévia cominação legal.
O princípio da legalidade ou da reserva legal está previsto na Constituição
Federal, art. 5°, XXXIX.
Conceito: nenhum fato pode ser considerado crime e nenhuma pena pode ser
aplicada sem que antes da ocorrência desse fato exista uma lei definindo-o
como crime e cominando-lhe a sanção correspondente.

Lei supressiva de incriminação


Art. 2°. Ninguém pode ser punido por fato que lei
posterior deixa de considerar crime, cessando, em
virtude dela, a própria vigência de sentença
condenatória irrecorrível, salvo quanto aos efeitos
de natureza civil.
É o instituto denominado de abolitio criminis, a ocorrer quando a nova lei
penal militar não mais considerar o fato um ilícito penal. Com a abolitio criminis,
cessam os efeitos penais, tanto o efeito principal, ou seja, a consequência
direta e imediata da sentença condenatória, que é o cumprimento da sanção
penal, como os efeitos penais secundários, a exemplo da reincidência, os
antecedentes criminais com o lançamento do nome no rol dos culpados.

Estudemos agora a aplicação da lei penal militar no tempo e espaço,


verificando suas regras e formas de aplicação da lei em diversas situações.
Tempo do crime
Art. 5°. Considera-se praticado o crime no
momento da ação ou omissão, ainda que outro
seja o do resultado.

Teoria da Atividade
O legislador brasileiro, a fim de fazer cessar as discussões sobre as
vantagens e as desvantagens de outras teorias (teoria do resultado e teoria da
ubiquidade ou mista) optou por adotar no ordenamento jurídico brasileiro a
Teoria da Atividade, na qual considera-se o tempo do crime aquele em que o
agente desenvolveu a conduta (ação ou omissão), ainda que outro seja o
momento do resultado. Exemplo: O Militar efetua disparos contra a vítima ou
atropela o ofendido (no homicídio doloso ou culposo), ou ilude o ofendido, com
a manobra fraudulenta, para obter vantagem ilícita (no estelionato), ou deixa
de prestar socorro ao ferido (omissão de socorro), pouco importando a ocasião
em que o sujeito passivo (vítima) venha a morrer, ou o agente obtenha a
vantagem indevida.
Esta teoria foi adotada pelo CPM a fim de evitar a incongruência de o
fato ser considerado crime em decorrência da lei vigente na época do
resultado, quando não o era no momento da ação ou omissão.

Lugar do crime

Art. 6°. Considera-se praticado o fato, no lugar em


que se desenvolveu a atividade criminosa, no todo
ou em parte, e ainda que sob forma de
participação, bem como onde se produziu ou
deveria se produzir o resultado. Nos crimes
omissivos, o fato considera-se praticado no lugar
em que deveria realizar-se a ação omitida.

Teoria da Ubiquidade

Quanto ao lugar do crime, em que pese o Código Penal comum adotar


apenas a Teoria da Ubiquidade, por entender que o lugar do crime é aquele
em que ocorreram tanto a ação quanto a omissão, ao tratar do locus commissi
delicti (local da comissão do delito), o Código Penal Militar adotou um sistema
misto que engloba a Teoria da Atividade e a Teoria da Ubiquidade, em que
nesta é tido como lugar do crime aquele em que se iniciou sua execução, como
aquele em que ocorreu o resultado em relação aos crimes comissivos. Em
relação aos crimes omissivos, o CPM adotou a Teoria da Atividade, já que
considera praticado o fato no lugar em que deveria realizar-se a ação omitida.
Vê-se aqui que o CPM então adota um sistema misto que engloba a teoria da
atividade e a teoria da ubiquidade.

Quanto à conduta, o crime pode ser classificado em:

 Crime comissivo: o crime comissivo é cometido intencionalmente e em


situação de perfeito juízo. Exige uma atividade concreta do agente, uma
ação, isto é, o agente faz o que a norma proíbe. O homicídio é um
exemplo clássico, tendo em vista que em regra você mata alguém
porque pratica algum comportamento que lesiona outrem de maneira a
causar-lhe a morte.
 Crime Omissivo: crimes omissivos são aqueles praticados por meio de
omissão do agente, ou seja, pela abstenção de comportamento.
Conceito de Crime Militar
Este conceito não é pacífico na doutrina e na jurisprudência, nem
tampouco tem definição na legislação castrense (Código Penal Militar/Código
de Processo Penal Militar) e Constituição Federal, contudo, fazendo-se a
leitura do inciso LXI do artigo 5°, artigo 124 e § 4° do artigo 125, todos da
Constituição Federal de 1988, podemos afirmar que Crimes Militares são
aqueles definidos em lei.
O legislador penal brasileiro adotou o critério legal para definir crime
militar, isto é, apenas enumerou taxativamente as diversas situações que
definem esse delito. Ou seja, um fato só poderá ser considerado crime militar
se estiver previsto no Código Penal Militar (CPM).
Levando-se em consideração tais esclarecimentos e para uma melhor
compreensão do tema abordado, optamos por citar o conceito de crime militar
na lição de Jorge César de Assis (2010:44).
“Crime Militar é toda violação acentuada do dever
militar e aos valores das instituições militares.
Distingue-se da transgressão disciplinar porque
esta é a mesma violação, porém na sua
manifestação elementar e simples. A relação entre
crime militar e transgressão disciplinar é a mesma
que existe entre crime e contravenção penal”.
AULA 3 – DOS CRIMES PROPRIAMENTE E IMPROPRIAMENTE
MILITARES

Crimes Propriamente Militares


Os delitos propriamente militares nunca podem ser crimes comuns.
Assim, o crime propriamente militar é o que só por militares pode ser praticado,
isto é, aquele que constitui uma infração específica e funcional da profissão de
“soldado”.
São exemplos de crimes propriamente militares a covardia, o motim, a revolta,
a violência contra superior, o desrespeito a superior, etc. Nunca haverá
previsão de tais fatos no Código Penal Comum ou em qualquer outra lei de
caráter penal, daí dizer que são crimes propriamente militares.

Crimes Impropriamente Militares


O crime impropriamente militar, é, por sua vez, aquele que, pela
condição militar do culpado, ou pela espécie militar do fato, ou pela natureza
militar do lugar, ou, finalmente, pela anormalidade do tempo em que é
praticado, acarreta dano à segurança ou à economia, ao serviço ou à disciplina
das instituições militares. O crime impropriamente militar é, em linhas gerais,
aquele crime comum cujas circunstâncias alheias ao elemento constitutivo do
fato delituoso o transformam em crime militar transportando-o para o CPM.

Desta forma, podemos dizer que o fato definido como crime


impropriamente militar também está previsto no Código Penal Comum. Em
suma, é aquela infração penal prevista no CPM, cuja prática é possível a
qualquer cidadão, seja ele civil ou militar.
Com as modificações recentes da Lei nº 13.491/17 que alteraram a
redação do art. 9 do Código Penal Militar (CPM), os crimes previstos na
legislação penal comum que forem considerados crimes militares devido às
circunstâncias de sua execução serão considerados “crimes impropriamente
militares”. Tais modificações legislativas serão vistas mais à frente.

Exemplo: Dois civis estão brigando em um parque e, de repente, um desfere


um soco no outro. Trata-se de um crime de lesão corporal leve, previsto no
artigo 129 do Código Penal Comum. Caso esse crime tenha sido praticado
dentro do quartel, por militar em situação de atividade contra civil ou militar,
será considerado crime militar, pois também está previsto no Código Penal
Militar (art. 209).

Competência para julgamento dos crimes militares em âmbito estadual


Com exceção dos crimes dolosos contra a vida que serão vistos mais à frente,
é bom lembrar que se o crime militar é cometido por membros da PM ou BM,
o julgamento será de competência da Justiça Militar Estadual da seguinte
forma:
A) Se a vítima for civil: competência do Juiz de Direito do juízo militar de
forma singular;
B) Se a vítima for militar: competência do conselho de justiça.

Mais adiante iremos abordar com mais profundidade o assunto acerca


da Justiça Militar Estadual.

Distinção entre Crime Militar e Transgressão Disciplinar


As Forças Armadas (Marinha do Brasil, Exército e Aeronáutica) e as
Forças Auxiliares (PM e BM), dispõem de normas complementares contidas
nos Regulamentos Disciplinares, que permitem às autoridades militares
aplicarem sanções disciplinares a seus subordinados por fatos de menor
gravidade, mas que visam a assegurar a hierarquia e a disciplina militares.
Transgressão Disciplinar é, assim, “toda ação ou omissão contrária ao
dever militar, devidamente prevista em regulamento próprio”. Na PMGO, o
regulamento disciplinar previsto é o CEDIME (Código de Ética e Disciplina dos
Militares do Estado de Goiás – Lei Estadual nº 19.969/18).
O Crime Militar é a ofensa mais grave a esse mesmo dever. Desta forma,
a conduta violadora do dever militar em sua essência é a mesma e somente o
caso concreto poderá determinar se houve mera transgressão disciplinar ou
um crime militar. É bom lembrar que para uma conduta ser considerada crime
militar, esta deve estar prevista nas situações previstas no Código Penal Militar
(Decreto Lei n° 1001/69).

AULA 4 – DOS CRIMES MILITARES EM TEMPO DE PAZ

Crimes militares em tempo de paz


Art. 9°. Consideram-se crimes militares, em tempo
de paz:
I – os crimes de que trata este Código, quando
definidos de modo diverso na lei penal comum, ou
nela não previstos, qualquer que seja o agente,
salvo disposição especial.
Do art. 9º, inciso I do CPM
Neste inciso o sujeito ativo pode ser tanto um militar quanto um civil.
Esse inciso trata dos crimes militares definidos de modo diverso na lei penal
comum ou nela não previstos.
Exemplo: art. 149 do CPM (motim), art. 160 (desrespeito a superior diante de
outro militar), art. 172 (uso indevido de uniforme), art. 302 (ingresso
clandestino).
Em relação a esses delitos, para que seja feito o juízo de tipicidade, não
é necessário fazer menção ao art. 9° do CPM. Esses crimes só estão previstos
no CPM ou estão de maneira diversa no Código Penal Comum.

Do art. 9º, inciso II do CPM


Aqui está, sem sombra de dúvidas, a principal alteração legislativa
trazida pela Lei nº 13.491/17 que ampliou enormemente a competência da
Justiça Militar para o processo e julgamento de crimes praticados por militares,
ainda que praticado contra vítima civil, e, ainda que o crime esteja tipificado
fora do Código Penal Militar.
Vejamos a mudança na redação legal de tal inciso.
REDAÇÃO ANTIGA
Art. 9º, inc. II do CPM: os crimes previstos neste
Código, embora também o sejam com igual
definição na lei penal comum, quando praticados:
REDAÇÃO NOVA
II – os crimes previstos neste Código e os previstos
na legislação penal, quando praticados:
(Redação dada pela Lei nº 13.491, de 2017)
De acordo com a nova redação do inciso II, todo e qualquer crime
praticado por militar em serviço ou no exercício da função (conforme descrição
das alíneas “a” a “e” do art. 9, inc. II) será julgado pela Justiça Castrense, ainda
que a conduta criminosa não esteja tipificada no Código Penal Militar, exceto
na hipótese do § 1º (crimes dolosos contra a vida de civil praticado por militar
estadual).
Dessa forma, cabe agora à Justiça Militar julgar todos os crimes
praticados por militar em serviço ou no exercício da função. Como rol
exemplificativo, podemos citar os seguintes crimes:
 Crimes de abuso de autoridade (Lei 4.898/65)
 Crimes de tortura (Lei 9.455/97)
 Crimes de improbidade administrativa (Lei nº 8.429/92)
 Crimes de trânsito (Lei nº 9503/97)
 Crimes comuns previstos no Código Penal Brasileiro (Dec. Lei nº
2.848/40), à exceção dos crimes dolosos contra a vida praticados por
militar estadual contra civil (art. 9º, §§ 1º e 2º do CPM).

Vê-se então que houve uma ampliação considerável da competência da


Justiça Militar, necessitando esta de maior estrutura logística para receber
toda essa nova demanda.
Apesar dos tribunais superiores não terem se pronunciado ainda sobre o tema,
entende-se que várias súmulas que transferiam a competência de julgamento
de crimes praticados por militares contra civil para a justiça comum foram
tacitamente revogadas.
Podemos citar:
 Súmula 172 do STJ (crimes de abuso de autoridade);
 Súmula 06 do STJ (casos de acidente de trânsito de viatura envolvendo
vítima civil);
 Súmula 75 do STJ (crime de promoção ou facilitação de fuga de preso
de estabelecimento penal).

Do art. 9º, inciso II, alínea “a” do CPM


II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal,
quando praticados: (Redação dada pela Lei nº 13.491, de 2017)
a) Por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na
mesma situação ou assemelhado;
A Lei Estadual n° 8.033 de 02 de dezembro de 1975, define em seu art. 3°,
§1°, I, o que é Policial Militar na ativa (situação de atividade):
I – na ativa:
a) os Policiais Militares de carreira;
b) os incluídos na Polícia Militar voluntariamente
durante os prazos a que se obrigarem a servir;
c) os componentes da reserva remunerada
quando convocados, e
d) os alunos de órgãos de formação de Policiais
Militares da ativa.

Para a doutrina, se os militares estão de folga, mesmo assim,


normalmente estaremos diante de um crime militar. Afinal de contas, mesmo
estando de folga os militares são considerados da ATIVA (STJ 85607; STF RE
122706; HC 86867).
No entanto, esta regra não é absoluta, carecendo de uma análise prévia
de cada caso concreto para se verificar se serão crimes comuns ou militares.
Segundo alguns julgados de tribunais superiores, estaremos diante de um
crime comum quando, mesmo se tratando de crime cometido por militar contra
militar da ativa, um militar não sabia da condição de militar do outro ou, se
sabia, sua conduta não teve a intenção de afrontar a hierarquia e a disciplina,
princípios basilares do militarismo. (STF - HC 102380 RJ; STM - Apelfo 49944
DF 2005.01.049944-0

Do art. 9º, inciso II, alínea “b” do CPM


II – os crimes previstos neste Código e os previstos
na legislação penal, quando praticados:
b) por militar em situação de atividade ou
assemelhado, em lugar sujeito a administração
militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou
assemelhado, ou civil;

O art. 3º, §1º, inc. II da Lei Estadual nº 8033/75 (CITAÇÃO) define o que
é Policial Militar na inatividade (Reserva remunerada ou reformado):

II – na inatividade:
a) na reserva remunerada, quando pertencem à
reserva da Corporação e percebem remuneração
do Estado, porém sujeitos, ainda, à prestação de
serviço na ativa, mediante convocação:
b) reformados, quando, tendo passado por uma
das situações anteriores, estão dispensados,
definitivamente, da prestação de serviço na ativa,
mas continuam a perceber remuneração do
Estado.

Trata-se de um crime militar praticado por militar da ativa contra civil,


militar da reserva e também o militar reformado em lugar sujeito à
administração militar.
Quanto ao civil vítima desse delito, a jurisprudência entende que
somente a pessoa física pode ser considerada como tal, excluída, portanto, a
pessoa jurídica (STJ Resp 705514).
Lugar sujeito à administração militar é o local que pertence ao patrimônio
das forças armadas, da polícia militar ou do corpo de bombeiros, ou que se
encontre sob a administração dessas instituições militares, podendo ser
imóvel ou móvel.

Do art. 9º, inciso II, alínea “c” do CPM

II – os crimes previstos neste Código e os previstos


na legislação penal, quando praticados:
c) por militar em serviço ou atuando em razão da
função, em comissão de natureza militar, ou em
formatura, ainda que fora do lugar sujeito à
administração militar contra militar da reserva, ou
reformado, ou civil;

O militar que pratica esse delito deve estar EM SERVIÇO. Deve-se


analisar também o NEXO FUNCIONAL na prática delituosa.
Exemplo: O crime previsto no art. 195 do CPM (abandono de posto).
Art. 195. Abandonar, sem ordem superior, o posto
ou lugar de serviço que lhe tenha sido designado,
ou o serviço que lhe cumpria, antes de termina-lo:
Pena – detenção, de 03 (três) meses a 01 (um)
ano.

Trata-se de crime militar. O problema é quando o crime está tipificado no


CPM e no CP, ex. roubo. Neste caso o militar abandona o serviço, tira a farda,
comete o roubo e depois retorna para o posto de serviço. Deve-se analisar o
nexo funcional; o crime de abandono de posto será julgado na Justiça Militar
e o delito de roubo, que não guarda nexo funcional, pela justiça Comum,
havendo a separação de processos (STJ CC 100545 e Súmula 90 do STJ).
Do art. 9º, inciso II, alínea “d” do COM

II – os crimes previstos neste Código e os previstos


na legislação penal, quando praticados:
d) por militar, durante o período de manobras ou
exercício, contra militar da reserva, ou reformado,
ou assemelhado, ou civil;

Manobras: operação destinada a colocar tropas, navios, aviões ou fogos,


combinando os seus efeitos no tempo e no espaço, em situação de assegurar,
com o mínimo esforço e a máxima segurança, o cumprimento da missão
recebida. Manobra significa qualquer movimentação da unidade militar
destinada ao treinamento.
Exercício: destinado ao preparo físico ou treinamento do militar.

Do art. 9º, inciso II, alínea “e” do CPM


II – os crimes previstos neste Código e os previstos
na legislação penal, quando praticados:
e) por militar em situação de atividade, ou
assemelhado, contra o patrimônio sob a
administração militar, ou a ordem administrativa
militar;

Patrimônio sob a administração militar: não é necessário que o bem


pertença ao patrimônio militar, sendo suficiente que esteja legalmente sob
essa administração, como por exemplo, veículos cedidos para determinados
fins (STF RHC 96814).
Ordem administrativa militar: compreende as infrações que atingem a
organização, a existência, a finalidade e o próprio prestígio moral das forças
armadas.

De todo o inciso II do art. 9° do COM

Militar da ativa: essa condição inicia-se com a incorporação ou posse e deixa


de existir com a passagem do militar para a inatividade. Portanto, é
considerado militar da ativa aquele militar que está em férias, licença, etc.
A alínea “c” necessita que o militar esteja em serviço, diferentemente da alínea
“a” que exige somente militar da ativa.

Assemelhado
A figura do assemelhado já NÃO EXISTE MAIS, há mais de 60 anos.
Este dispositivo é letra morta no atual Código Penal Militar.
O conceito de “assemelhado” está estipulado no artigo 21 do CPM e tal
figura era um funcionário civil que ficava sujeito aos preceitos militares de
hierarquia e disciplina, e ainda aos regulamentos disciplinares da Força Militar
a qual pertencia. Com o passar dos anos a figura do assemelhado foi extinta
das corporações militares e a expressão perdeu o seu significado.
A Lei 8.457/92, de 04 de setembro de 1992, que organizou a Justiça Militar da
União e regulou o funcionamento de seus serviços auxiliares, dispõe em seu
art. 84, que “os funcionários dos Serviços Auxiliares da Justiça Militar estão
sujeitos ao regime disciplinar estabelecido no Regime Jurídico Único dos
Servidores Civis da União, observadas as disciplinas desta lei”.

Do art. 9º, inciso III, alínea “a” do CPM


III – os crimes praticados por militar da reserva, ou
reformado, ou por civil, contra as instituições
militares, considerando-se como tais não só as
compreendidas no inciso I, como as do inciso II,
nos seguintes casos:
a) contra o patrimônio sob a administração
militar, ou contra a ordem administrativa militar;
Do art. 9º, inciso III, alínea “b” do CPM
III – os crimes praticados por militar da reserva, ou
reformado, ou por civil, contra as instituições
militares, considerando-se como tais não só as
compreendidas no inciso I, como as do inciso II,
nos seguintes casos:
b) em lugar sujeito à administração militar contra
militar em situação de atividade ou assemelhado,
ou contra funcionário de Ministério Militar ou da
Justiça Militar, no exercício de função inerente ao
seu cargo;

Do art. 9º, inciso III, alínea “c” do CPM


III – os crimes praticados por militar da reserva, ou
reformado, ou por civil, contra as instituições
militares, considerando-se como tais não só as
compreendidas no inciso I, como as do inciso II,
nos seguintes casos:
c) contra militar em formatura, ou durante o
período de prontidão, vigilância, observação,
exploração, exercício, acampamento,
acantonamento ou manobras;

Do art. 9º, inciso III, alínea “d” do CPM


III – os crimes praticados por militar da reserva, ou
reformado, ou por civil, contra as instituições
militares, considerando-se como tais não só as
compreendidas no inciso I, como as do inciso II,
nos seguintes casos:
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração
militar, contra militar em função de natureza militar,
ou no desempenho de serviço de vigilância,
garantia e preservação da ordem pública,
administrativa ou judiciária, quando legalmente
requisitado para aquele fim, ou em obediência a
determinação legal de superior.
De todo o inciso III do art. 9° do CPM
O inciso III tem como sujeito ativo o militar reformado, o militar da reserva
e o civil.
O civil não pode ser processado na Justiça Militar Estadual já que esse
inciso tem aplicação restrita na Justiça Militar da União (Súmula 53 – STJ).
Súmula 53 do STJ: Compete à Justiça Comum
Estadual processar e julgar civil acusado de
prática de crime contra instituições militares
estaduais.
AULA 5 – DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI EM RELAÇÃO AO
CPM

Do art. 9º, §1º do CPM (Tribunal do Júri ao militar estadual)


Art. 9º, §1º Os crimes de que trata este artigo,
quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares contra civil, serão da competência do
Tribunal do Júri.

Art. 125, § 4° da CF/88: Compete à Justiça Militar


Estadual processar e julgar os militares dos
Estados, nos crimes militares definidos em lei e as
ações judiciais contra atos disciplinares militares,
ressalvada a competência do júri quando a vítima
for civil, cabendo ao tribunal competente decidir
sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e
da graduação das praças.

Comentários ao art. 9º, §2º do CPM (Tribunal do Júri ao militar federal)


Art. 9º, § 2º Os crimes de que trata este artigo,
quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares das Forças Armadas contra civil, serão da
competência da Justiça Militar da União, se
praticados no contexto:
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem
estabelecidas pelo Presidente da República ou
pelo Ministro de Estado da Defesa;
II – de ação que envolva a segurança de instituição
militar ou de missão militar, mesmo que não
beligerante; ou
III – de atividade de natureza militar, de operação
de paz, de garantia da lei e da ordem ou de
atribuição subsidiária, realizadas em conformidade
com o disposto no art. 142 da Constituição Federal
e na forma dos seguintes diplomas legais:
a) Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986 -
Código Brasileiro de Aeronáutica;
b) Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999
(normas gerais para a organização, o preparo e o
emprego das Forças Armadas);
c) Decreto-Lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969
- Código de Processo Penal Militar; e
d) Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código
Eleitoral.
Crimes dolosos contra a vida praticados por militar
contra civil

Com a modificação recente da Lei nº 13.491/17, não podemos


determinar a competência para o julgamento de um crime doloso contra a vida
praticado por militar contra civil sem antes perguntar se este militar é estadual
(PM/BM) ou federal (Forças Armadas).
Se o militar for estadual, este continuará sendo julgado pela Justiça
Comum (Tribunal do Júri) nos crimes dolosos praticados contra a vida de civil,
observando-se a regra do Art. 125, §4º da CF/88 e a Lei 9299/96.
Agora se o militar for federal, tal lei (13.491/17) trouxe uma ampliação da
competência de julgamento da Justiça Militar Federal, de forma que se o militar
das Forças Armadas (Exército, Marinha ou Aeronáutica) cometer um crime
doloso contra a vida de civil em uma das hipóteses do §2º do art. 9º do Código
Penal Militar, será competente para o julgamento não mais o Tribunal do Júri
(Justiça Comum), mas sim a Justiça Militar.
Observe que tais hipóteses são bastante amplas e o que era exceção se
tornou basicamente a regra, tendo em vista que em grande parte das situações
de emprego das Forças Armadas, estes estarão em uma das hipóteses do art.
9, §2º do CPM.
Caso o militar federal cometa um crime doloso contra a vida de civil fora
das hipóteses do art. 9º, §2º do CPM, estaremos diante da competência da
justiça comum (Tribunal do Júri).

AULA 6 – CONCEITOS E PENAS

Equiparação a militar da ativa


Art. 12. O militar da reserva ou reformado,
empregado na administração militar, equipara-se
ao militar em situação de atividade, para efeito da
aplicação da lei penal militar.

Militar da reserva ou reformado


Art. 13. O militar da reserva, ou reformado,
conserva as responsabilidades e prerrogativas do
posto ou graduação, para o efeito da aplicação da
lei penal militar, quando pratica ou contra ele é
praticado crime militar.
Equiparação a comandante
Art. 23. Equipara-se ao comandante, para o efeito
da aplicação da lei penal militar, toda autoridade
com função de direção.

Conceito de superior
Art. 24. O militar que, em virtude da função, exerce
autoridade sobre outro de igual posto ou
graduação, considera-se superior, para efeito da
aplicação da lei penal militar.

Elementos não constitutivos do crime


Art. 47. Deixam de ser elementos constitutivos do
crime:
I – a qualidade de superior ou a de inferior, quando
não conhecida do agente;
II – a qualidade de superior ou a de inferior, a de
oficial de dia, de serviço ou de quarto, ou a de
sentinela, vigia ou plantão, quando a ação é
praticada em repulsa a agressão.

Exemplo: Em uma festa de casamento, encontravam-se um cabo e um


soldado, ambos a paisana, quando num dado momento, estes se
desentendem e o soldado desfere um murro na cabeça do cabo que chega a
desmaiar. Todavia, apurou-se, posteriormente, que os dois envolvidos,
anteriormente à briga, desconheciam a condição de militar do outro. Nesse
caso não se trata de crime militar, mas sim de crime comum. Com relação ao
caso, o STF e o STJ tem se manifestado, recentemente, que nem sempre nas
situações de crimes envolvendo militares, como autor e vítima, o crime será
militar. Para tanto se faz necessário que o fato delituoso tenha relação com o
desempenho de atividades militares, ou seja, cometido em lugar sujeito à
administração militar, e ainda há entendimento que os militares saibam da
condição de militar um do outro.

Penas principais
Art. 55. As penas principais são:
a) morte;
b) reclusão;
c) detenção;
d) prisão;
e) impedimento;
f) suspensão do exercício do posto, graduação,
cargo ou função;
g) reforma.

Com relação à pena de morte prevista no CPM, é interessante reforçar


que a Constituição Federal (art. 5º, XLVII, alínea “a”) proíbe a pena de morte,
salvo em caso de guerra declarada. Desta forma, a pena de morte só pode ser
aplicada em tempo de guerra quando a pena prevista ao crime praticado assim
o prevê. Ex: Favorecimento ao inimigo (art. 355); espionagem (art. 366);
libertação de prisioneiro (art. 394) e outros.
Penas Acessórias
Art. 98. São penas acessórias:
I – a perda de posto e patente;
II – a indignidade para o oficialato;
III – a incompatibilidade com o oficialato;
IV – a exclusão das forças armadas;
V – a perda da função pública, ainda que eletiva;
VI – a inabilitação para o exercício da função
pública;
VII – a suspensão do pátrio poder, tutela ou
curatela;
VIII – a suspensão dos direitos políticos.

Propositura da ação penal


Art. 121. A ação penal somente pode ser
promovida por denúncia do Ministério Público da
Justiça Militar.

Da extinção da punibilidade – Causas extintivas


Art. 123. Extingue-se a punibilidade:
I – pela morte do agente;
II – pela anistia ou indulto;
III – pela retroatividade de lei que não mais
considera o fato como criminoso;
IV – pela prescrição;
V – pela reabilitação;
VI – pelo ressarcimento do dano, no peculato
culposo (art. 303, § 4°).
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

Perguntas:
Explique o caráter especial do Direito Militar.
Digite aqui sua resposta...
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

Resposta: O Direito Militar é um direito penal especial, porque a maioria de


suas normas, diversamente das de direito penal comum, destinadas a todos
os cidadãos, se aplicam, exclusivamente, aos militares, que têm especiais
deveres para com o Estado, indispensáveis à sua defesa armada e à
existência de suas instituições militares

Qual é o conceito de transgressão disciplinar:


Digite aqui sua resposta...
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

Resposta: Transgressão Disciplinar é toda ação ou omissão contrária ao dever


militar, devidamente prevista em regulamento próprio”. Na PMGO, o
regulamento disciplinar previsto é o CEDIME (Código de Ética e Disciplina dos
Militares do Estado de Goiás – Lei Estadual nº 19.969/18).
Explique a diferença entre crimes propriamente militares e
impropriamente militares.
Digite aqui sua resposta...
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

Resposta: Os delitos propriamente militares nunca podem ser crimes comuns.


Assim, o crime propriamente militar é o que só por militar pode ser praticado.
Por sua vez, o crime impropriamente militar é, em linhas gerais, aquele crime
comum cujas circunstâncias alheias ao elemento constitutivo do fato delituoso
o transformam em crime militar, transportando-o para o CPM. Desta forma,
podemos dizer que o fato definido como crime impropriamente militar também
está previsto no Código Penal Comum.

1) Analise o caso:
Um Sargento do Exército Brasileiro foi empenhado em uma missão de garantia
da lei e da ordem (GLO) na cidade do Rio de Janeiro. Ocorre que em uma de
suas missões de incursão em uma favela carioca, ao qual estava devidamente
escalado, este comete dolosamente um crime de homicídio contra um civil que
passava pelo local. Com base nesta afirmativa, responda qual órgão será o
responsável pelo julgamento deste caso.
a) ( ) Justiça Comum Federal do Rio de Janeiro.
b) ( ) Justiça Comum Estadual do Rio de Janeiro.
c) ( ) Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
d) ( ) Justiça Militar da União.
e) ( ) Justiça Militar Estadual.
2. Marque a alternativa correta.
De acordo com o art. 6°, do Código Penal Militar, considera-se praticado o fato,
no lugar em que se desenvolveu a atividade criminosa, no todo ou em parte,
e ainda que sob forma de participação, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado. Nos crimes omissivos, o fato considera-se praticado
no lugar em que deveria realizar-se a ação omitida. O referido artigo diz
respeito ao:
a) ( ) Tempo do Crime
b) ( ) Lugar do Crime
c) ( ) Crime Propriamente Militar
d) ( ) Crime Impropriamente Militar

3. De acordo com o art. 55 do Código Penal Militar, são penas principais,


exceto:
a) ( ) morte
b) ( ) reclusão
c) ( ) reforma
d) ( ) a perda do posto e patente

Gabarito:
1- D
2- B.
3- D.
UNIDADE II – DA PARTE ESPECIAL DO CPM

AULA 1 – DOS CRIMES CONTRA A AUTORIDADE OU DISCIPLINA


MILITAR, DA ALICIAÇÃO E DO INCITAMENTO

Motim
Art. 149. Reunirem-se militares ou assemelhados:
I - agindo contra a ordem recebida de superior, ou
negando-se a cumpri-la;
II - recusando obediência a superior, quando
estejam agindo sem ordem ou praticando
violência;
III - assentindo em recusa conjunta de obediência,
ou em resistência ou violência, em comum, contra
superior;
IV - ocupando quartel, fortaleza, arsenal, fábrica ou
estabelecimento militar, ou dependência de
qualquer deles, hangar, aeródromo ou aeronave,
navio ou viatura militar, ou utilizando-se de
qualquer daqueles locais ou meios de transporte,
para ação militar, ou prática de violência, em
desobediência a ordem superior ou em detrimento
da ordem ou da disciplina militar:
Pena - reclusão, de quatro a oito anos, com
aumento de um terço para os cabeças.
Revolta
Parágrafo único. Se os agentes estavam armados:
Pena - reclusão, de oito a vinte anos, com aumento
de um terço para os cabeças.

Organização de grupo para a prática de violência.


Art. 150. Reunirem-se dois ou mais militares ou
assemelhados, com armamento ou material bélico,
de propriedade militar, praticando violência à
pessoa ou à coisa pública ou particular em lugar
sujeito ou não a administração militar:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.

Omissão de lealdade militar


Art. 151. Deixar o militar ou assemelhado de levar
ao conhecimento do superior o motim ou revolta
de cuja preparação teve notícia, ou, estando
presente ao ato criminoso, não usar de todos os
meios ao seu alcance para impedi-lo:
Pena - reclusão, de três a cinco anos.

Aliciação para motim ou revolta


Art. 154. Aliciar militar ou assemelhado para a
prática de qualquer dos crimes previstos no
capítulo anterior:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos.
Elementos Objetivos
Aliciar é atrair, seduzir, envolver convencer o militar a praticar um dos crimes
previstos no Capítulo I do título II do CPM (“Do Motim e da Revolta”).
Induzir, pela significação léxica, deve ser compreendido como “persuadir à
prática de alguma coisa” ou “ser causa ou motivo de (sensação, impressão)
em (alguém); inspirar, provocar”.
Incitar, também na compreensão dos dicionários, significa “impelir, mover,
instigar” ou “estimular (alguém) a realizar algo, instigar, impelir, encorajar”.

Incitamento
Art. 155. Incitar à desobediência, à indisciplina ou
à prática de crime militar:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem
introduz, afixa ou distribui, em lugar sujeito à
administração militar, impressos, manuscritos ou
material mimeografado, fotocopiado ou gravado,
em que se contenha incitamento à prática dos atos
previstos no artigo.
AULA 2. DA VIOLÊNCIA CONTRA SUPERIOR OU MILITAR DE SERVIÇO,
DO DESRESPEITO A SUPERIOR E A SIMBOLOGIA NACIONAL OU A
FARDA E DA INSUBORDINAÇÃO

Violência contra superior


Art. 157. Praticar violência contra superior:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
Formas qualificadas
§ 1º Se o superior é comandante da unidade a que
pertence o agente, ou oficial general:
Pena - reclusão, de três a nove anos.
§ 2º Se a violência é praticada com arma, a pena
é aumentada de um terço.
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal, aplica-
se, além da pena da violência, a do crime contra a
pessoa.
§ 4º Se da violência resulta morte:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 5º A pena é aumentada da sexta parte, se o
crime ocorre em serviço.

Violência contra superior ou militar de serviço


Art. 158. Praticar violência contra oficial de dia, de
serviço, ou de quarto, ou contra sentinela, vigia ou
plantão:
Pena - reclusão, de três a oito anos.
Formas qualificadas
§ 1º Se a violência é praticada com arma, a pena
é aumentada de um terço.
§ 2º Se da violência resulta lesão corporal, aplica-
se, além da pena da violência, a do crime contra a
pessoa.
§ 3º Se da violência resulta morte:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Desrespeito a superior
Art. 160. Desrespeitar superior diante de outro
militar:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o
fato não constitui crime mais grave.

Desrespeito a comandante, oficial general ou oficial de serviço


Parágrafo único. Se o fato é praticado contra o
comandante da unidade a que pertence o agente,
oficial-general, oficial de dia, de serviço ou de
quarto, a pena é aumentada da metade.

Recusa de obediência
Art. 163. Recusar obedecer a ordem do superior
sobre assunto ou matéria de serviço, ou
relativamente a dever imposto em lei, regulamento
ou instrução:
Pena - detenção, de um a dois anos, se o fato não
constitui crime mais grave.
No que tange ao art. 163 (recusa de obediência), em relação à
compreensão de ordem, é preciso, para satisfazer o tipo, que ela seja:
a) imperativa – “deve importar em uma exigência para o inferior, por
isso não são ordens os conselhos, exortações e advertências”;
b) pessoal – “significa que deve ser dirigida a um ou mais inferiores
determinados; as de caráter geral não são ordens desta natureza e seu
não cumprimento constitui transgressão disciplinar”;
c) concreta – “ou seja, pura e simples, pois seu cumprimento não
deve estar sujeito à apreciação do subordinado”.

Consumação: o delito se consuma quando o autor recusa obediência à


ordem, seja por ação, seja por omissão, contudo sempre acompanhado de
afronta à autoridade que determinou ou que está fazendo cumprir a ordem,
bem como afronta à disciplina.
Tentativa: não é possível, em razão de o crime ser unissubsistente (crime
realizado por ato único, não sendo admitido o seu fracionamento).
Trata-se, portanto, de um crime propriamente militar.

Rigor excessivo
Art. 174. Exceder a faculdade de punir o
subordinado, fazendo-o com rigor não permitido,
ou ofendendo-o por palavra, ato ou escrito:
Pena - suspensão do exercício do posto, por dois
a seis meses, se o fato não constitui crime mais
grave.

Violência contra inferior


Art. 175. Praticar violência contra inferior:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Resultado mais grave
Parágrafo único. Se da violência resulta lesão
corporal ou morte é também aplicada a pena do
crime contra a pessoa, atendendo-se, quando for
o caso, ao disposto no art. 159.

Ofensa aviltante a inferior


Art. 176. Ofender inferior, mediante ato de
violência que, por natureza ou pelo meio
empregado, se considere aviltante:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no parágrafo
único do artigo anterior.

AULA 3. DA RESISTÊNCIA, DA DESERÇÃO, DO ABANDONO DE POSTO


E DE OUTROS CRIMES EM SERVIÇO.

Resistência mediante ameaça ou violência


Art. 177. Opor-se à execução de ato legal,
mediante ameaça ou violência ao executor, ou a
quem esteja prestando auxílio:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Forma qualificada
§ 1º Se o ato não se executa em razão da
resistência:
Pena - reclusão de dois a quatro anos.
Cumulação de penas
§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem
prejuízo das correspondentes à violência, ou ao
fato que constitua crime mais grave.

Deserção
Art. 187. Ausentar-se o militar, sem licença, da
unidade em que serve, ou do lugar em que deve
permanecer, por mais de oito dias:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos; se
oficial, a pena é agravada.

Conceito de Deserção: Ausência não autorizada do serviço militar, por parte


de um oficial ou de uma praça, com a intenção de não mais voltar.
Momento consumativo: é quando se completam mais de oito dias de
ausência, consoante o art. 187 do CPM.
Ausência: antes da consumação do crime de deserção, o militar é
considerado ausente por oito dias. Caso retorne ao serviço nesse período de
ausência, não há crime, mas sim mera transgressão disciplinar, devendo
nessa esfera o fato ser tratado.
Prazo de graça: é o lapso de tempo de oito dias que a lei concede ao ausente,
oportunizando-lhe a desistência (“arrependimento”) e a consequente
apresentação, não vindo, assim, a consumar o crime de deserção.
Contagem do prazo: a contagem dos dias de ausência, à luz do art. 451 do
CPPM (Código de Processo Penal Militar), “iniciar-se-á a zero hora do dia
seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada do militar”.
Deserção especial
Art.190. Deixar o militar de apresentar-se no
momento da partida do navio ou aeronave, de que
é tripulante, ou do deslocamento da unidade ou
força em que serve:
Pena – detenção, até três meses, se após a
partida ou deslocamento se apresentar, dentro de
vinte e quatro horas, à autoridade militar do lugar,
ou, na falta desta, à autoridade policial, para ser
comunicada a apresentação ao comando militar
competente.
§ 1° Se a apresentação se der dentro de prazo
superior a vinte e quatro horas e não excedente a
cinco dias:
Pena – detenção, de dois a oito meses.
§ 2º Se superior a cinco dias e não excedente a
oito dias:
Pena – detenção, de três meses a um ano.
§ 2o-A. Se superior a oito dias:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos.
Aumento de pena
§ 3º A pena é aumentada de um terço, se se tratar
de sargento, subtenente ou suboficial, e de
metade, se oficial.

Abandono de posto
Art. 195. Abandonar, sem ordem superior, o posto
ou lugar de serviço que lhe tenha sido designado,
ou o serviço que lhe cumpria, antes de terminá-lo:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Objetividade jurídica: o tipo penal em estudo busca proteger o dever e o


serviço militares.
Sujeitos do delito: o sujeito ativo é o militar (federal ou estadual), que deve
ser compreendido, nos termos do art. 22 do CPM, como o militar em situação
de atividade. Entretanto, além de ser militar da ativa, é preciso que esteja de
serviço em posto (fixo ou móvel), em um lugar delimitado ou em execução de
tarefa específica.
Elementos objetivos: a conduta nuclear é “abandonar”, que significa deixar,
desincumbir-se do posto no qual presta serviço, lugar em que o presta ou o
serviço prestado em si.

Descumprimento de missão
Art. 196. Deixar o militar de desempenhar a missão
que lhe foi confiada:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, se o
fato não constitui crime mais grave.
§ 3º Se a abstenção é culposa:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Embriaguez em serviço
Art. 202. Embriagar-se o militar, quando em
serviço, ou apresentar-se embriagado para prestá-
lo:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

A comprovação da embriaguez poderá ser efetivada pelo exame de


dosagem alcoólica (exame de alcoolemia, exame de sangue, ou pelo exame
clínico), sendo que em qualquer dos casos deve ser feito sempre por médico
perito oficial e, na ausência deste, por médico a ser designado pela autoridade
militar.
Dormir em serviço
Art. 203. Dormir o militar, quando em serviço,
como oficial de quarto ou de ronda, ou em situação
equivalente, ou, não sendo oficial, em serviço de
sentinela, vigia, plantão às máquinas, ao leme, de
ronda ou em qualquer serviço de natureza
semelhante:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

AULA 4. DO HOMICÍDIO, DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO


MILITAR, DO PECULATO, DA CONCUSSÃO, DA CORRUPÇÃO E DOS
CRIMES CONTRA O DEVER FUNCIONAL

Homicídio simples
Art. 205. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Minoração facultativa da pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por
motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a
pena, de um sexto a um terço.

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - por motivo fútil;
II - mediante paga ou promessa de recompensa,
por cupidez, para excitar ou saciar desejos
sexuais, ou por outro motivo torpe;
III - com emprego de veneno, asfixia, tortura, fogo,
explosivo, ou qualquer outro meio dissimulado ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, com surpresa ou
mediante outro recurso insidioso, que dificultou ou
tornou impossível a defesa da vítima;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime;
VI - prevalecendo-se o agente da situação de
serviço:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Homicídio culposo
Art. 206. Se o homicídio é culposo:
Pena - detenção, de um a quatro anos.
§ 1° A pena pode ser agravada se o crime resulta
de inobservância de regra técnica de profissão,
arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar
imediato socorro à vítima.
Multiplicidade de vítimas
§ 2º Se, em consequência de uma só ação ou
omissão culposa, ocorre morte de mais de uma
pessoa ou também lesões corporais em outras
pessoas, a pena é aumentada de um sexto até
metade.
Provocação direta ou auxílio a suicídio
Art. 207. Instigar ou induzir alguém a suicidar-se,
ou prestar-lhe auxílio para que o faça, vindo o
suicídio consumar-se:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Agravação de pena
§ 1º Se o crime é praticado por motivo egoístico,
ou a vítima é menor ou tem diminuída, por
qualquer motivo, a resistência moral, a pena é
agravada.
Provocação indireta ao suicídio
§ 2º Com detenção de um a três anos, será punido
quem, desumana e reiteradamente, inflige maus
tratos a alguém, sob sua autoridade ou
dependência, levando-o, em razão disso, à prática
de suicídio.
Redução de pena
§ 3° Se o suicídio é apenas tentado, e da tentativa
resulta lesão grave, a pena é reduzida de um a
dois terços.

Tráfico, posse ou uso de entorpecente ou substância de efeito similar


Art. 290. Receber, preparar, produzir, vender,
fornecer, ainda que gratuitamente, ter em
depósito, transportar, trazer consigo, ainda que
para uso próprio, guardar, ministrar ou entregar de
qualquer forma a consumo substância
entorpecente, ou que determine dependência
física ou psíquica, em lugar sujeito à administração
militar, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão, até cinco anos.

Desacato a superior
Art. 298. Desacatar superior, ofendendo-lhe a
dignidade ou o decoro, ou procurando deprimir-lhe
a autoridade:
Pena - reclusão, até quatro anos, se o fato não
constitui crime mais grave.
Agravação de pena
Parágrafo único. A pena é agravada, se o superior
é oficial general ou comandante da unidade a que
pertence o agente.

Desacato a militar
Art. 299. Desacatar militar no exercício de função
de natureza militar ou em razão dela:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, se o
fato não constitui outro crime.

Desobediência
Art. 301. Desobedecer a ordem legal de autoridade
militar:
Pena - detenção, até seis meses.
Peculato
Art. 303. Apropriar-se de dinheiro, valor ou
qualquer outro bem móvel, público ou particular,
de que tem a posse ou detenção, em razão do
cargo ou comissão, ou desviá-lo em proveito
próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de três a quinze anos.
§ 1º A pena aumenta-se de um terço, se o objeto
da apropriação ou desvio é de valor superior a
vinte vezes o salário mínimo.

Peculato-furto
§ 2º Aplica-se a mesma pena a quem, embora não
tendo a posse ou detenção do dinheiro, valor ou
bem, o subtrai, ou contribui para que seja
subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-
se da facilidade que lhe proporciona a qualidade
de militar ou de funcionário.

Peculato culposo
§ 3º Se o funcionário ou o militar contribui
culposamente para que outrem subtraia ou desvie
o dinheiro, valor ou bem, ou dele se aproprie:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Extinção ou minoração da pena


§ 4º No caso do parágrafo anterior, a reparação do
dano, se precede a sentença irrecorrível, extingue
a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade
a pena imposta.

Peculato mediante aproveitamento do erro de outrem


Art. 304. Apropriar-se de dinheiro ou qualquer
utilidade que, no exercício do cargo ou comissão,
recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de dois a sete anos.

Concussão
Art. 305. Exigir, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.

Corrupção passiva
Art. 308. Receber, para si ou para outrem, direta
ou indiretamente, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela vantagem
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Aumento de pena
§ 1º A pena é aumentada de um terço, se, em
consequência da vantagem ou promessa, o
agente retarda ou deixa de praticar qualquer ato
de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.
Diminuição de pena
§ 2º Se o agente pratica, deixa de praticar ou
retarda o ato de ofício com infração de dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de
outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Corrupção ativa
Art. 309. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou
vantagem indevida para a prática, omissão ou
retardamento de ato funcional:
Pena - reclusão, até oito anos.
Aumento de pena
Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço,
se, em razão da vantagem, dádiva ou promessa, é
retardado ou omitido o ato, ou praticado com
infração de dever funcional.

Prevaricação
Art. 319. Retardar ou deixar de praticar,
indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra
expressa disposição de lei, para satisfazer
interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

A prevaricação é crime militar impróprio, posto que também encontra


previsão no Código Penal comum. O seu sujeito ativo deverá ser funcionário
público, seja militar ou civil. O sujeito passivo é o Estado, representado pela
Administração Militar.
O delito se consuma de três maneiras. Na primeira, o agente retarda
(protrai, delonga); na segunda, ele deixa de praticar (omissão) e; na terceira,
ele pratica (ação) o ato de oficio contra disposição legal.
ATO DE OFÍCIO: é aquele que se compreende nas atribuições do servidor;
que está na esfera de sua competência, administrativa ou judicial.
O crime de prevaricação é essencialmente doloso, mas requer um
elemento subjetivo do injusto (especial fim de agir), caracterizado pela
expressão “para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”, sem que o crime
não se aperfeiçoa. Inexistindo o elemento subjetivo do injusto o delito praticado
poderá ser o de condescendência criminosa. Ou seja, se o superior não
pretender com a sua conduta a satisfação de um interesse ou sentimento
pessoal deixa de praticar o crime de prevaricação, mas pode praticar o crime
de condescendência criminosa.

Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento


Art. 321. Extraviar livro oficial, ou qualquer
documento, de que tem a guarda em razão do
cargo, sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou
parcialmente:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o fato não
constitui crime mais grave.

Condescendência criminosa
Art. 322. Deixar de responsabilizar subordinado
que comete infração no exercício do cargo, ou,
quando lhe falte competência, não levar o fato ao
conhecimento da autoridade competente:
Pena - se o fato foi praticado por indulgência,
detenção até seis meses; se por negligência,
detenção até três meses.

A condescendência criminosa está prevista no art. 320 do Código Penal


comum e, por isso, será crime militar impróprio quando presentes as condições
exigidas pelo CPM.

O presente artigo apresenta duas modalidades de crime; o indulgente


doloso e o culposo:
a) o culposo, pela referência à negligência;
b) o indulgente (doloso), que o crime praticado por indulgência.

INDULGÊNCIA: é a qualidade do indulgente, ou seja, é a clemência a


misericórdia, a tolerância demasiada, a benevolência.
NEGLIGÊNCIA: é o desleixo, descuido, incúria, desatenção, menosprezo,
preguiça. É crime que só pode ser cometido pelo superior hierárquico em
relação ao seu subordinado infrator. O superior neste caso tem competência
para punir o subordinado. Já quando o superior não tem competência para
punir o subordinado deve informar imediatamente à autoridade competente
para a punição, sob pena de cometer o crime de condescendência criminosa.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

O que difere o crime de revolta do crime de motim?


_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Resposta: O que difere o crime de revolta do crime de motim é o fato dos
militares estarem armados. Para que ocorra a revolta, os agentes devem estar
incursos em alguma das situações do art. 149 e estarem armados, bastando
um para que o crime se configure.

1. Marque a alternativa CORRETA. Pelo Código Penal Militar, a Recusa de


Obediência caracteriza-se pelo (a):
a) Desrespeito à superior, desde que na presença de outro militar.
b) Recusa em obedecer a ordem do superior sobre assunto ou matéria de
serviço, ou relativamente a dever imposto em lei, regulamento ou
instrução.
c) Desrespeito a superior, independente da presença de outro militar.
d) Recusa em obedecer ordem de superior ainda que versando sobre
assunto ou matéria estranha ao serviço, ou relativamente a dever
imposto em lei, regulamento ou instrução, desde que na presença de
outro militar.
Gabarito:
1- B
2. Marque a alternativa CORRETA. Em quantos dias se consuma o crime de
deserção?
a) ( ) 5 dias
b) ( ) 6 dias
c) ( ) 8 dias
d) ( ) 10 dias

3. Nos crimes contra a pessoa previstos no capítulo I, do Título IV, do Código


Penal Militar, está correto afirmar-se que:
a) Se o homicídio é culposo ocorre uma agravante se o agente deixa de
prestar socorro à vítima;
b) Se o homicídio é culposo ocorre uma forma qualificada se o agente deixa
de prestar socorro à vítima;
c) Homicídio privilegiado ocorre se o crime é cometido impelido sob o
domínio de violenta emoção, não importa o motivo;
d) No crime de Provocação indireta ao suicídio, se o suicídio é apenas
tentado, não existe hipótese de punibilidade do agente provocador.

4. Considere a seguinte situação hipotética: um soldado é desacatado por um


sargento, sendo que aquele estava no exercício de função de natureza militar.
No referido caso, o graduado cometeu o crime de:
a) Desacato a superior
b) Desacato a militar
c) Desobediência
d) Desrespeito a superior
5. O Sargento que deixar de responsabilizar subordinado que comete infração
no exercício do cargo, ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao
conhecimento da autoridade competente, comete o crime de:
a) condescendência criminosa;
b) prevaricação;
c) peculato;
d) excesso de exação.

Gabarito:
1- B
2-C
3-A
4-B
5-A
MÓDULO III – DO INQUÉRITO POLICIAL MILITAR

AULA 1. CONCEITO DE IPM

O Código de Processo Penal militar (Decreto-Lei 1.002, de 21 de


Outubro de 1969), conceitua o Inquérito Policial Militar, em seu art. 9º, como
“apuração sumária de fato, que, nos termos legais, configure crime militar, e
de sua autoria”. Isto feito através da colheita de informações sobre o fato
praticado e sua autoria, que tem por finalidade fornecer ao titular da ação penal
– o Ministério Público – elementos seguros para o oferecimento da denúncia.
Nesse sentido, o IPM somente deve ser instaurado quando o fato delituoso,
praticado por militar ou por civil, estiver previsto no Código Penal militar.
Convém lembrar, todavia, que a Justiça Militar Estadual não pode julgar civis,
em que pese possa ser julgado na esfera Federal quando praticar crimes
contra as forças armadas, em razão do disposto no art. 125, § 4º, da
Constituição Federal.
Art. 125, §4º da Constituição Federal. Compete à
Justiça Militar estadual processar e julgar os
militares dos Estados, nos crimes militares
definidos em lei e as ações judiciais contra atos
disciplinares militares, ressalvada a competência
do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal
competente decidir sobre a perda do posto e da
patente dos oficiais e da graduação das praças
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004).
AULA 2. CARACTERÍSTICAS DO IPM
1 - Instrução Provisória:
Tem o caráter de instrução provisória com relação a finalidade, ou seja, levar
ao conhecimento do promotor de justiça/MP o fato apurado através de um
conjunto de documentos, depoimentos e provas materiais (perícias e laudos),
a fim de que ele possa propor a ação penal, sendo sua denúncia destinada ao
Juiz da Justiça Militar Estadual.
2 – Caráter Inquisitivo
Isso quer dizer que nele não existem as figuras do contraditório e da ampla
defesa. Essa característica não é absoluta, visto que o indiciado tem direto a
que se proceda exame de corpo de delito, direito ao silêncio (não produzir
prova contra si) dentre outros.
3 – Valor Probatório Relativo
Tem valor probatório relativo, pois carece de confirmação por outros
elementos colhidos durante a instrução processual (provas colhidas em juízo).

AULA 3. CONCLUSÃO DO IPM

O que acontece com o IPM depois de concluído e solucionado pela


autoridade policial militar delegante (Comandante que tenha determinado a
abertura da Portaria de Instauração de IPM)?
1. O IPM é remetido para a Justiça Militar Estadual via protocolo;
2. O Juiz de Direito do Juízo Militar abre vistas dos autos do IPM ao Ministério
Público;
3. Por sua vez o Promotor de Justiça poderá adotar as seguintes medidas:
 Pedir o arquivamento do IPM;
 Oferecer denuncia ao Juiz de Direito do Juízo Militar; ou
 Requisitar novas diligências consideradas imprescindíveis diretamente
à autoridade militar com prazo não superior a 20 dias.

Bem, até aqui já sabemos que IPM é instaurado por força de Portaria da
lavra de uma autoridade militar competente (podendo ser do Comandante
Geral até Comandante de Companhia Independente), documento este
publicado em Diário Oficial Eletrônico, contendo a indicação do oficial
encarregado da apuração e do indiciado; sendo que nele “não existem a figura
do contraditório e da ampla defesa” em virtude de seu caráter inquisitivo,
diferentemente do que ocorre na apuração do Processo Administrativo
Disciplinar (PAD).
Após concluído pelo encarregado através de um relatório circunstanciado, o
IPM é devolvido à autoridade delegante para fins de solução e
encaminhamento à Justiça Militar Estadual, lembrando que a autoridade militar
não é competente para arquivar IPM, mesmo sendo ele conclusivo da
inexistência de crime militar.
Após encaminhado à Justiça Militar Estadual via protocolo, o Juiz Auditor
abrirá vistas dos autos do IPM ao Ministério Publico para Propositura da ação
penal. Por sua vez o Promotor de Justiça poderá pedir o arquivamento,
oferecer denúncia ou requisitar novas diligências à autoridade militar por prazo
não superior a vinte dias.

Você deve estar se perguntando: Mas agora, o que acontece?


Primeiramente é bom entendermos que a ação penal militar, de
competência do MP, é o direito de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do Direito
Militar, ou seja, requisitar do Poder Judiciário que aplique a lei. Sendo assim,
tendo o Juiz de Direito da Justiça Militar Estadual recebido a denúncia
oferecida pelo MP, tem-se aqui o início do processo, que é efetivado com a
citação do acusado através de oficial de justiça, ou publicação no Diário de
Justiça ou jornais de grande circulação.
Tendo a devida ciência o Policial Militar de que encontra-se na condição
de réu, o processo a que nos referimos só será extinto no momento em que a
sentença definitiva se tornar irrecorrível, quer se resolva o mérito, quer não.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Tomando por base o Inquérito Policial militar (IPM), marque a alternativa


incorreta:
a) O IPM é a apuração sumária de fato que, nos termos legais, configure crime
militar, e de sua autoria.
b) O IPM tem a finalidade de fornecer ao titular da ação penal (Ministério
Público) elementos seguros para o oferecimento da denuncia.
c) Caso o encarregado conclua pela inexistência de crime militar, poderá esta
requerer o arquivamento do IPM de imediato.
d) Por ter caráter inquisitivo no IPM não se observa os princípios do
contraditório e da ampla defesa.

2. Em se tratando de indiciado preso, o inquérito policial militar deve ser


concluído no prazo de:
a) 05 dias
b) 10 dias
c) 15 dias
d) 20 dias

Gabarito:
1- C
2- D
MÓDULO IV – DA COMPOSIÇÃO DA JUSTIÇA MILITAR
ESTADUAL

AULA 1. INTRODUÇÃO

Cada Unidade Federativa é responsável por organizar a sua Justiça


Militar, conforme o disposto nas respectivas Constituições Estaduais e Lei
Orgânica do Poder Judiciário. Com exceção de Minas Gerais, São Paulo e Rio
Grande do Sul, cada Estado constitui uma Circunscrição Judiciária Militar
estadual, com uma Auditoria da Justiça Militar (Varas da Justiça Comum) na
Capital. Nestes Estados, o juiz atuante da Justiça Militar é designado pelo
Tribunal de Justiça, sendo ele um Juiz de Direito da Justiça Comum que
exercerá as funções de Juiz do Juízo Militar, enquanto titular.
Em Primeira Instância, a Justiça Militar é composta pelo Juiz de Direito
do Juízo Militar, Conselho Especial de Justiça e Conselho Permanente de
Justiça.
Em segunda instância – Tribunal de Justiça.
É possível recorrer ao STJ (art. 105, III, CF/88).

AULA 2. CONSELHOS DE JUSTIÇA

Conceito: Trata-se de um órgão ou juízo colegiado, que julga tão somente os


crimes militares cometidos contra militares ou a administração militar, formado
por dois conselhos: Conselho Especial de Justiça (CEJ) e Conselho
Permanente de Justiça (CPJ).
Conselho Especial de Justiça (CEJ): composto pelo juiz de Direito do Juízo
Militar, que é o presidente, e por mais quatro juízes militares (oficiais), sendo
um oficial superior, via de regra, convocados quando necessário para o
julgamento de oficiais.
Conselho Permanente de Justiça (CPJ) Presidido pelo Juiz de Direito e por
mais quatro Juízes Militares (Oficiais), convocados para atuarem por um
período de quatro meses para o julgamento das praças.

AULA 3. DA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL E SUA COMPETÊNCIA

Já estudamos em módulo anterior sobre os crimes propriamente e


impropriamente militares. Sabemos então que os crimes propriamente
militares só podem ser cometidos por militares, sejam eles da ativa, reserva
remunerada ou reformados, e que os crimes impropriamente militares estão
previstos tanto no CPM como no Código Penal Brasileiro, ou seja, o crime
impropriamente militar é, em linhas gerais, aquele crime comum cujas
circunstâncias alheias ao elemento constitutivo do fato delituoso o
transformam em crime militar transportando-o para o CPM.
À Justiça Militar compete processar e julgar exclusivamente os crimes
militares, em decorrência da expressa disposição constitucional prevista no
art. 125, § 4º. Em nenhuma hipótese a Justiça Militar julga crimes comuns,
sendo estes de competência exclusiva da Justiça Comum.
Todos os Estados e o Distrito Federal possuem Auditoria da Justiça
Militar, sendo que somente três Estados possuem Tribunal de Justiça Militar
(Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul). Para que o Estado crie o
Tribunal de Justiça Militar deve-se preencher dois requisitos, nos termos do
Art. 125§3ºCF, quais sejam: lei estadual proposta pelo Tribunal de Justiça e
efetivo militar (soma de PM e BM) superior a vinte mil integrantes.
§3º. A lei estadual poderá criar, mediante proposta
do Tribunal de Justiça Militar estadual, constituída,
em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos
conselhos de justiça e, em segundo grau, pelo
próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de
Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar
seja superior a vinte mil integrantes.

Desse modo, é importante compreendermos que os recursos das


decisões de primeira instância nos Estados em que há TJM são direcionados
a este, nos demais, ao Tribunal de Justiça Comum. Os recursos aos Tribunais
Superiores em relação às decisões do Tribunal de Justiça Militar são
direcionados ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal,
respectivamente, e não ao Superior Tribunal Militar.
O STM, em que pese ser superior, funciona como segunda instância da
Justiça Militar da União e os recursos contra as decisões do STM são
direcionados ao STF.
Importante: mesmo que o efetivo seja superior a vinte mil integrantes, o
Estado não está obrigado a criar o Tribunal de Justiça Militar, o que deve ser
avaliado em cada estado, de acordo com a demanda e conveniência.

AULA 4. DO JULGAMENTO NA AUDITORIA MILITAR ESTADUAL

Nas sessões de julgamento realizadas na Auditoria de Justiça Militar,


quem vota primeiro é o Juiz-Presidente (Juiz de carreira civil do Tribunal de
Justiça), posteriormente passam a votar os demais juízes militares (Conselho
Especial se estiver julgando Oficial ou Conselho Permanente se estiver
julgando Praça), na ordem do menor nível hierárquico ao maior (ordem inversa
de antiguidade), método utilizado com a finalidade de não haver interferências
do superior nas decisões dos subordinados como previsto no art. 435 do
Código de Processo Penal Militar.
Art. 435. O presidente do Conselho de Justiça
convidará os juízes a se pronunciarem sobre as
questões preliminares e o mérito da causa,
votando em primeiro lugar o auditor, depois os
juízes militares, por ordem inversa de hierarquia, e
finalmente o presidente.

O primeiro a votar é o Juiz de Direito do Juízo Militar, tendo em vista ser


ele o presidente do Conselho, juiz concursado, técnico e exporá as razões de
seu voto, que servirá de norte e orientação aos demais juízes militares que
poderão concordar ou discordar, sempre de forma fundamentada. O voto de
“Minerva” é do oficial mais antigo, haja vista que a votação é pública e todos
os votos possuem o mesmo peso.
Casos os juízes leigos (juízes militares) concordem, na integra, com o
voto do juiz togado, que é sempre o relator do processo, basta dizer que
acompanha o voto do relator (juiz togado) com base em seus próprios
fundamentos jurídicos. Todavia, caso queira, também poderá fundamentar
mesmo concordando na íntegra. Obs: Na função jurisdicional não existe
hierarquia entre os juízes militares. Todos os oficiais são livres para decidirem
motivadamente, sem receber ordens de seus superiores hierárquicos, quem
quer que seja.

AULA 5. DA SENTENÇA E DOSIMETRIA DA PENA

A sentença está ligada ao conceito de um sentimento, o que para um juiz


pode ser justo, para outro pode ser injusto. Tecnicamente, sentença constitui
a decisão jurisdicional que julga definitivamente o mérito. Deve conter:
relatório; fundamentação; dispositivo (comando da sentença) e parte
autenticada (local, data e julgador). Realizada a motivação da sentença e
proferida a condenação, o magistrado deve fundamentar a pena aplicada ao
réu, consoante à dosimetria da pena.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Quanto aos Conselhos de Justiça, existentes na Justiça Militar Estadual,


marque a alternativa INCORRETA:
a) O Conselho Especial de Justiça é convocado quando necessário para o
julgamento de oficiais;
b) O Conselho Permanente de Justiça é convocado para atuar por um período
de quatro meses para o julgamento das praças;
c) O Conselho Especial de Justiça é composto por dois juízes de direito do
Juízo militar e por mais cinco juízes militares (oficiais);
d) O Conselho de Justiça é um órgão ou juízo colegiado que julga tão somente
os crimes militares cometidos contra militares ou a administração militar.

2. Em que pese a Justiça Militar seja composta pelo Juiz de Direito e Conselho
Especial ou Permanente de Justiça, estes formados por juízes militares
(Oficiais da PM ou BM), durante o julgamento quem é o primeiro a votar?
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

Resposta: O primeiro a votar é o Juiz de Direito do Juízo Militar, tendo em vista


ser ele o presidente do Conselho.
3. Devem constar na sentença, exceto:
a) Relatório;
b) Fundamentação;
c) Dispositivo;
d) Denúncia.

Gabarito:
1- C
3- D
UNIDADE V – DA SINDICÂNCIA E PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

AULA 1 – DA SINDICÂNCIA

No dia 17 de janeiro de 2018 tivemos uma mudança substancial no


Processo Administrativo Disciplinar da PMGO. O famoso RDPMGO
(Regulamento Disciplinar da PMGO – Dec. Estadual nº 4.717/1996) foi
revogado e entrou em vigor o CEDIME (Código de Ética e Disciplina dos
Militares do Estado de Goiás – Lei Estadual nº 19.969/2018).
Foram feitas várias alterações legislativas, que podem ser resumidas, a
grosso modo, nas seguintes mudanças:
1 – O RDPMGO era um Decreto Estadual e o CEDIME se trata de Lei Estadual,
que foi aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo chefe do
Poder Executivo. Desta forma, uma Lei Estadual possui um maior
embasamento jurídico do que um mero Decreto.
2 – Algumas inconstitucionalidades (previsões legais que afrontam a
Constituição Federal) que eram previstas no RDPMGO foram suprimidas no
novo CEDIME, o que torna a nova lei mais legalista e menos arbitrária.
3 – O RDPMGO tinha aplicabilidade apenas para a Polícia Militar e o CEDIME
tem aplicabilidade para todos os militares do Estado de Goiás (PM e BM).
4 – Foi suprimido no novo CEDIME a possibilidade da sanção de prisão ao
transgressor disciplinar, o que segue uma tendência nacional e mais
garantista. De outra forma, foi incluída a possibilidade da sanção de “prestação
de serviço de natureza preferencialmente operacional”, o que ainda precisa
ser regulamentado por ato do Comandante Geral.
5 – O que se conhecia por PIP (Procedimento de Investigação Preliminar)
antigamente, agora se chamará sindicância. Desta forma, a atual sindicância
é mero procedimento investigativo, de natureza inquisitorial e que visa apurar
a autoria e materialidade de transgressão disciplinar para futura abertura de
um PAD (Processo Administrativo Disciplinar).
6 – O que se conhecia por Sindicância antigamente, agora se chamará PAD
(Processo Administrativo Disciplinar. No PAD é que haverá o julgamento
efetivo da transgressão disciplinar, com observância de todos os direitos
constitucionais do acusado e, ao final, este será considerado culpado ou
absolvido.

O artigo 56 do CEDIME conceitua a sindicância da seguinte forma:


Art. 56. A Sindicância é procedimento investigativo e visa apurar a autoria e
materialidade de transgressão disciplinar militar e, por ser de natureza
inquisitorial, seguirá as mesmas regras e rito procedimental do Inquérito
Policial Militar –IPM–, exceto quanto à nomeação e atuação do escrivão e ao
arquivamento dos autos, que serão facultativos.
Desta forma, a Sindicância serve apenas para que o responsável (Oficial
ou Aspirante a Oficial) possa levantar elementos mínimos de autoria e
materialidade de transgressão disciplinar que possam embasar futura abertura
de um PAD. Caso não se encontre elementos mínimos de autoria e
materialidade de uma transgressão disciplinar, deverá então ser feito relatório
final solicitando o arquivamento dos autos.
Por seguir as mesmas regras do IPM, na sindicância não se observa os
princípios do contraditório e ampla defesa, já que o responsável por sua
realização não está julgando o sindicado, mas apenas buscando indícios que
possam embasar a futura abertura de um PAD.
Apesar de não estar expresso no CEDIME, entende-se que se
estivermos diante de um caso claro de cometimento de transgressão
disciplinar, não há a necessidade de abertura de uma sindicância, podendo
ser aberto diretamente um PAD para julgar o acusado, em atendimento ao
princípio da celeridade processual.

Terminada a sindicância, são possíveis as seguintes situações:


1 – Há indícios de prática de crime penal comum: Cópia dos autos deverá ser
remetida à autoridade policial competente para a instauração do Inquérito
Policial – IP.
2 – Há indícios da prática de crime penal militar: Cópia dos autos deverá ser
remetida à autoridade militar competente para a instauração do Inquérito
Policial Militar – IPM.
3 – Há indícios da existência de transgressão disciplinar militar: Os autos
originais ou suas cópias servirão de justa causa para a instauração de
Processo Administrativo Disciplinar – PAD.
4 – Não há indícios da prática de transgressão disciplinar: O militar
encarregado deverá produzir relatório final e encaminhar à autoridade
delegante, devidamente concluído, para que se proceda ao arquivamento dos
autos.
5 – Existência cumulativa de duas situações (crime e transgressão disciplinar):
Se houver, por exemplo, ao término da sindicância, a constatação de indícios
de prática de crime militar e transgressão disciplinar, os autos originais irão
subsidiar a abertura de um PAD (julgamento no âmbito administrativo) e cópia
dos autos serão remetidas à autoridade militar competente para a instauração
do IPM (investigação sobre o crime militar para que possa embasar futura ação
penal militar do Ministério Público Militar).
AULA 2 – DIFERENÇA ENTRE SINDICÂNCIA E INQUÉRITO POLICIAL
MILITAR
AULA 3 – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E ADMINISTRATIVOS
APLICÁVEIS NO CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA DOS MILITARES DE
GOIÁS

O novo CEDIME, atento aos Direitos e Garantias Constitucionais


inscritos na CF/88, afirma em seu art. 1, §1º que tal código prima pelo respeito
ao Estado Democrático de Direito e pelos direitos individuais garantidos pelo
art. 5º da Constituição Federal, inclusive os relativos à liberdade de expressão
e de manifestação do pensamento.
Verificando os princípios do Art. 1º, §2º de tal lei com os outros princípios
constitucionais e da administração pública, podemos citar alguns que
merecem consideração, quais sejam:
1 - HIERARQUIA OU PODER HIERÁRQUICO
É o que se compõe de graus ou escalões na esfera interna da administração,
numa relação de ascendência e subordinação entre órgão ou agentes, com o
fim de distribuir funções, fiscalizar, rever e corrigir atos.

2 - DISCIPLINA OU PODER DISCIPLINAR


É o dever de aplicar punição administrativa ao servidor infrator, ante o
cometimento de faltas funcionais ou violação de deveres após o devido
processo legal (sindicância).

3 - MORALIDADE
Trata-se da moral administrativa ou ética profissional, que é o conjunto de
princípios morais que devem regular o exercício de uma profissão.

4 - LEGALIDADE
O administrador não pode agir, nem deixar de agir, senão de acordo com a lei,
na forma determinada.
5 – PUBLICIDADE
Os atos públicos devem ter divulgação oficial, como requisito de sua eficácia,
salvo as exceções previstas em lei.

6 - IMPESSOALIDADE
A administração deve servir a todos, sem preferências ou aversões pessoais
ou partidárias. O mérito dos atos pertence à administração, e não as
autoridades que o executam.

7 - MOTIVAÇÃO
É o fato em virtude do qual agiu a administração. Ex. A infração do servidor é
motivo de sua punição.

8 - INFORMALISMO
Deve-se seguir o procedimento com ritos e formas simples, deve ser formal no
sentido de ser reduzido a escrito e conter tudo documentado, mas não devem
ser consideradas faltas formais que não tragam prejuízo ao andamento do
processo ou ao interesse das partes (ex. um recurso mal feito, a defesa feita
pelo próprio administrado, a juntada de documentos apócrifos, autenticação
de documentos).

9 - ECONOMIA PROCESSUAL
Preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego
possível de atividades processuais.
10 - AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO
Se houver acusação, o processo deve observar o contraditório, facultando
sempre a defesa do interessado, por si ou por seu advogado.

Obs: Os princípios da administração pública têm previsão especial no artigo


37 da Constituição Federal.

AULA 4 – DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

O Processo Administrativo Disciplinar (PAD), trazido pelo novo Código


de Ética, é o que costumeiramente era chamado de sindicância na PMGO.
Pudemos verificar que o termo “sindicância” agora se refere a mero
procedimento investigativo de caráter inquisitorial e que serve apenas para
embasar a futura abertura de um PAD, caso haja indícios de autoria e prova
de materialidade de uma transgressão.
O PAD por sua vez, servirá para o efetivo julgamento do acusado de
cometimento de transgressão disciplinar e somente pode ser aberto se houver
justa causa.

Art. 59, Parágrafo único. A justa causa são os


indícios de autoria e prova de materialidade de
transgressão disciplinar militar.

Tanto na sindicância quanto no PAD, se o investigado for oficial, a


delegação da atribuição para presidir o feito não poderá recair em Oficial de
patente ou antiguidade inferior à daquele.
Escrivão
Obrigatoriamente, deverá ser nomeado escrivão no Processo
Administrativo Disciplinar – PAD, não podendo recair a escolha em Praça,
quando o acusado for Oficial.
Fazendo-se uma interpretação analógica do art. 122 do CEDIME e do
art. 11 do Código Processual Penal Militar, verificamos que se o acusado for:
 Oficial: a escolha do escrivão deve recair em segundo ou primeiro-
tenente.
 Praça:
1º Vertente - A escolha do escrivão deve recair em sargento ou
subtenente. (art. 11 do CPPM)
2º Vertente – O CEDIME não impôs limitação à nomeação de
qualquer praça, quando o acusado for praça, desta forma poderia
sim ser nomeado como escrivão de soldado à subtenente.
Ressalta-se que não houve posicionamento definitivo sobre o tema,
porém o entendimento que está sendo aplicado atualmente é de que, no PAD,
pode ser escrivão qualquer praça, quando o acusado for praça.

Exame de insanidade mental


No caso de exame de insanidade mental, caso se conclua pela semi-
imputabilidade ou inimputabilidade do acusado, o processo prosseguirá com
a presença de curador do acusado, que será nomeado pela autoridade militar
ou seu delegado, podendo ser indicado por seus familiares.
Tal curador será nomeado na conformidade do Código de Processo
Penal Militar e poderá ser o próprio defensor do acusado.
Exceção de suspeição ou impedimento
No PAD, o acusado poderá interpor exceção de suspeição (art. 38 do
CPPM) ou impedimento (art. 37 do CPPM) da autoridade administrativa ou de
seu delegado, na forma do previsto no Código de Processo Penal Militar -
CPPM, diretamente à autoridade que estiver à frente do feito.
Se a exceção apresentada envolver ato do Governador ou do Comandante-
Geral, estes próprios é quem irão decidir.
Por fim, decidida a exceção, será dada continuidade ao processo,
perante a mesma ou outra autoridade, conforme a decisão.

AULA 5 – MODALIDADES DE PAD


Visando trazer um julgamento mais justo e individualizado à gravidade
da transgressão militar cometida, o PAD foi dividido em PAD sumário, ordinário
e especial.

PAD DE RITO SUMÁRIO


O processo administrativo disciplinar sumário é aplicável nas seguintes
situações:
 Quando a transgressão disciplinar militar for de natureza leve.
 Quando a transgressão disciplinar militar for de natureza média e grave,
quando praticadas por militar matriculado nos diversos cursos de
formação realizados pela Polícia Militar ou Corpo de Bombeiros Militar
do Estado de Goiás.
Vemos, portanto, que se a transgressão militar for média ou grave, só
será feito o PAD sumário se o fato envolver aluno matriculado em curso de
formação, o que não abrange outro curso, como estágios, cursos de
aperfeiçoamento, cursos de habilitação e outros. Desta forma, nesta situação,
estará abarcado por tal norma os alunos dos CFP (Curso de Formação de
Praças) e CFO (Curso de Formação de Oficiais).
No PAD sumário, a autoridade militar citará o acusado com a
antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas para a audiência de
instrução e julgamento e, se este não comparecer ou então verificada a
complexidade e as circunstâncias do caso, o feito poderá ser convertido em
rito ordinário ou especial.
Na audiência de instrução e julgamento, o acusado apresentará suas
alegações orais, em seguida, às eventuais testemunhas e novamente ao
acusado para apresentar alegações finais, sendo tudo reduzido a termo para
que seja lavrada ata e assinada por todos, para enfim, ser juntada à decisão
final da autoridade.
Como inovação no CEDIME, a autoridade ou seu delegado poderá
ofertar transação ao acusado, dando-lhe a oportunidade de substituir a sanção
prevista por prestação de serviços alternativos proporcionais ao gravame
causado, caso em que, sendo frutífera, poderá tornar a pena alternativa
definitiva.

PAD DE RITO ORDINÁRIO


O Processo Administrativo Disciplinar ordinário é escrito e será
observado sempre que a transgressão disciplinar militar for de natureza média
e grave, mas que não se vislumbre de início a sanção de exclusão a bem da
disciplina ou de perda das prerrogativas militares.
Também é cabível o PAD ordinário quando foi verificado que o PAD
sumário aberto previamente se trata de caso complexo devido às
circunstâncias do caso.
O rito a ser seguido no PAD ordinário observará os artigos 71 e seguintes
do CEDIME, sendo que haverá audiência una de instrução e julgamento, oitiva
do acusado e/ou seu defensor, testemunhas, peritos e outras diligências,
quando necessário.
Terminada a instrução do feito, a autoridade dará a palavra ao acusado
ou seu defensor por 20 (vinte) minutos, prorrogáveis por mais 10 (dez), para
apresentação de alegações orais, que serão reduzidas a termo pelo escrivão,
ou, considerando a complexidade do caso, concederá prazo máximo de 05
(cinco) dias para apresentação de memoriais.
Por fim, a autoridade poderá apresentar sua decisão na mesma
audiência ou, considerando a complexidade do caso, apresentá-la em 05
(cinco) dias após as alegações orais ou apresentação dos memoriais.
O PAD ordinário deverá ser solucionado no máximo em 30 (trinta) dias,
permitida prorrogação por mais 10 (dez) dias em casos excepcionais.

PAD DE RITO ESPECIAL


O Processo Administrativo disciplinar especial será cabível quando a
Praça ofender a ética militar ou cometer outra transgressão disciplinar militar
cumulada ou não com aquela, ainda que estiver ou ingressar na situação de
desertor por prazo superior a 06 (seis) meses e sejam, recomendadas a
exclusão a bem da disciplina, a reforma ou a perda das prerrogativas militares
do transgressor.
O PAD especial será dirigido por Conselho de Ética e Disciplina, mesmo
estando a Praça na atividade ou inatividade.
Além das situações que autorizam o PAD especial, ficam ainda sujeitos à
declaração de incapacidade para permanecerem como militares, e,
consequentemente, à sanção de exclusão a bem da disciplina ou perda das
prerrogativas militares as Praças que:
I – estiverem no comportamento MAU e vierem a cometer nova falta disciplinar
grave;
II - forem condenadas por sentença penal definitiva na forma prevista no art.
34, II, desta Lei;
III - demonstrarem incapacidade profissional para o exercício de função policial
ou bombeiro militar;
IV – forem consideradas moralmente inidôneas para promoção pela Comissão
de Promoção de sua instituição.

O Conselho de Ética e Disciplina será composto por três Oficiais, sendo


um Major ou um Capitão e dois Tenentes e deverá observar o rito previsto nos
artigos 80 e seguintes do CEDIME.
Tendo em vista que este conselho somente julga praças, caso haja fato
semelhante envolvendo Oficial, deverá ser instaurado o Conselho de
Justificação, em obediência ao Decreto nº 1.189/76 e outras legislações em
vigor.

AULA 6 – DAS SANÇÕES DISCIPLINARES


Art. 25. As sanções disciplinares a que estão
sujeitos os militares, segundo a classificação
resultante do julgamento das transgressões, são
as seguintes:
I – advertência;
II – repreensão;
III – reprimenda;
IV – prestação de serviço de natureza
preferencialmente operacional;
V – transferência a bem da ética e disciplina;
VI – exclusão a bem da ética e disciplina;
VII – perda das prerrogativas militares;
VIII – perda do posto e da patente.

Art. 26. A sanção de advertência é a forma mais


branda de punir e sempre que possível deve ser
precedida de processo administrativo sumário,
quando a transgressão cometida for de natureza
leve.

Art. 27. A sanção de repreensão deve ser


precedida de processo administrativo sumário e
constar dos assentamentos pessoais do
transgressor, sendo aplicada às faltas de natureza
leve.

Art. 28. A sanção de reprimenda, destinada à


aplicação nas faltas de natureza média, deverá ser
anotada nos assentamentos pessoais do
transgressor.

Art. 29. A sanção de prestação de serviço de


natureza preferencialmente operacional,
destinada à aplicação nas faltas de natureza
grave, deverá ser anotada nos assentamentos
pessoais do transgressor. (Tal sanção será
regulada por ato do Comandante Geral).

Art. 30. A sanção disciplinar de transferência a


bem da ética e disciplina deverá constar dos
assentamentos pessoais do transgressor e será
aplicada ao militar da ativa que se tornar
incompatível com a comunidade local em que
serve.

Art. 31. A exclusão a bem da ética e disciplina


consiste na perda da graduação da Praça da ativa,
importando em seu afastamento definitivo,
devendo constar de seus assentamentos pessoais
e estes arquivados na Corporação.

Art. 35. A sanção administrativa de perda das


prerrogativas militares é aplicável aos militares da
reserva remunerada e aos reformados.

Art. 32. A sanção disciplinar de perda do posto e


da patente destina-se aos oficiais da ativa e da
inatividade, na forma da legislação específica.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Marque a alternativa correta quanto à sindicância e ao processo


administrativo disciplinar:
a) A sindicância se refere a um processo disciplinar em que se garante o
contraditório e a ampla defesa, tendo a autoridade delegada a
responsabilidade de emitir parecer final pelo cometimento ou não da
transgressão disciplinar.
b) Caso haja uma suspeita de cometimento de transgressão disciplinar, deve-
se abrir um PAD e, caso confirme a suspeita, será aberta uma sindicância
para julgar o caso.
c) A Sindicância é procedimento investigativo e visa apurar a autoria e
materialidade de transgressão disciplinar militar e, por ser de natureza
inquisitorial, seguirá, em regra, as mesmas regras e rito procedimental do
Inquérito Policial Militar –IPM.
d) Com a entrada em vigor do Código de Ética (CEDIME), o Processo
Administrativo Disciplinar foi expressamente revogado, tendo validade
apenas a sindicância para apuração das transgressões disciplinares
militares.
GABARITO: C

2. Marque a alternativa correta quanto ao processo administrativo disciplinar:


a) O processo administrativo disciplinar tem como atribuição principal a
apuração de crimes militares previstos no Código Penal Militar.
b) Ao termino da sindicância, o sindicante encaminha tal processo ao
Ministério Público para propositura da ação penal cabível.
c) Tanto na sindicância quanto no PAD, se o investigado for oficial, a
delegação da atribuição para presidir o feito não poderá recair em Oficial
de patente ou antiguidade inferior à daquele.
d) No Processo Administrativo Disciplinar – PAD deverá, obrigatoriamente, ser
nomeado escrivão, sendo que essa escolha jamais poderá recair em praça.
GABARITO: C
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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