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AULA 2

Os 3 Institutos Fundamentais do Direito Processual:


• A Jurisdição;
• A Ação;
• O Processo.
A Jurisdição integra o Poder Estatal, ou seja, ele integra o Estado. Ela faz parte do
poder público ao lado de duas outras funções estatais (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário). De modo que toda atividade Estatal deverá se enquadrar em uma dessas
funções estatais.
A Jurisdição Estatal chama para si o poder de resolver todas as crises de direito
material da sociedade. O Estado monopoliza a Jurisdição, de modo que ele não
permite que as pessoas resolvam as crises de direito material por atuação própria, pois
ela deve se valer da Função Jurisdicional para que esta resolva a crise de direito
material. Esse monopólio esta representado no artigo 345 Código Penal, que prevê
como crime quando alguém faz justiça com as próprias mãos. – Fazer justiça pelas
próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o
permite: Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa, além da pena correspondente
à violência. Esse monopólio vem sofrendo algumas mitigações, porque a partir de 1995,
abriu-se o caminho para a arbitragem, onde a solução de uma crise jurídica não é dada
pela Função Estatal, mas por um ato fora do contexto estatal, ou seja, por um ato
privado eleito pelas partes. Mas para a arbitragem é necessário que tenha um contrato
específico, onde as partes ajustaram, de acordo com a sua autonomia da vontade, uma
clausula contratual, na qual consta que as controvérsias (os litígios) acerca desse
contrato, não irão para a Jurisdição Estatal, pois serão resolvidos por um ato privado,
eleito anteriormente pelas partes.
Modernamente vem surgindo uma outra perspectiva que é a perspectiva da
composição, onde o Estado busca montar organismos de composição (conciliação) fora
da estrutura do judiciário.
Não obstante a essas brechas, a Jurisdição Estatal ainda é a grande via para dar
solução aos conflitos judiciais, visto que o uso da arbitragem é muito restrito, além de
ser muito caro, pois o árbitro privado eleito para resolver o conflito vai cobrar para
exercer essa atividade, e esse custo será bancado pelas partes. A arbitragem é mais
utilizada em contrato envolvendo empresas de grande porte, pois elas não podem deixar
os conflitos de direito material sem resolução. Logo a arbitragem tem um pequeno
espaço de incidência.
A outra forma que é a instituição de órgãos de conciliação ou comissão de
conciliação fora do ambiente estatal, esta começando a se desenvolver agora no Estado
Brasileiro, mas ainda esta muito inexperiente. De modo que esse tipo de perspectiva de
composição dos litígios fora do ambiente estatal ainda é muito restrito, logo a via da
jurisdição estatal (processo) é a solução da grande massa de conflito de direito material.
Tendo em vista o monopólio da jurisdição, o Estado, quando chama para si o poder
de resolver o conflito de direito material, tem que montar órgãos estatais (juizes e
tribunais) que serão habilitados e capacitados para resolver os litígios. Ao fazer isso o
Estado tem que regulamentar a forma pela qual os juizes vão atuar.
Então a perspectiva do Direito Processual é:
• Regulamentar a instituição e a montagem dos órgãos e organismos judiciários;
• Prever a distribuição de competência entre esses órgãos;
• Regulamentar a forma pela qual as partes vão postular a solução estatal dos seus
litígios;
• Regulamentar a forma pela qual o Estado em conjunto com as partes atua para
chegar a uma solução desses litígios.
É por meio da Ação que se leva ao poder estatal o litígio, mediante um determinado
caminho, para que se chegue à decisão final.
A jurisdição como característica própria é inerte, tendo em vista que o judiciário
atua mediante provocação da parte, enquanto o Poder Executivo atua
independentemente de provocação do interessado, pois o mesmo é obrigado a atuar de
ofício. O judiciário só entra em cena quando tem quando existe conflito de interesses
em relação ao direito material. O Poder Executivo atua independentemente de existência
de crise, pois quando ele tem que aplicar a lei, ele aplica de oficio. Exemplo: quando
cobra um imposto independentemente do cidadão pagar ou não. Logo irá surgir uma
crise, nesse caso o Estado terá que cobrar na justiça, então o Estado não pode resolver
seus problemas de direito material com as próprias mãos. O Estado também está sujeito
ao monopólio estatal da jurisdição estatal, pois o estado juiz é neutro.
No Brasil vigora o Princípio da unicidade da jurisdição, ou seja, o Poder
Judiciário é um só e ele julga as lides públicas e privadas, envolvendo ou não o Estado.
Vide artigo 5º, XXXV, CF – A Lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário
lesão ou ameaça a direito. Qualquer que seja a lesão, ou seja, qualquer causa de direito
material público ou privado.
A justiça é inerte, para garantir a imparcialidade do juiz. Artigo 2º CPC – Nenhum
juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requer, nos
casos e formas legais. – Princípio da inércia da jurisdição.
A Ação é o mecanismo por meio do qual a parte movimenta o Poder Judiciário.
Logo a ação é um direito público subjetivo exercido contra o Estado, pois o mesmo é
o devedor da jurisdição, uma vez que ele chamou para si essa atividade. Esse direito de
ação também é visto como um direito abstrato e autônomo em relação ao direito
material. Digamos que a Roberta desrespeite o professor, logo o mesmo ajuizará uma
ação contra ela, pedindo danos morais e materiais. Consequentemente a Roberta diz que
não falou nada com o professor. Logo o juiz ao final do processo o juiz julgará
improcedente o pedido do professor. Consequentemente a jurisdição terá se
movimentado, no caso, decidiu que o professor não tem o direito material alegado, pois
foi uma fantasia do professor. Então se entende que o direito de ação no processo
independe do direito material já que esse direito é apenas um “direito formal” de acionar
a jurisdição. Pois pode acionar a jurisdição quando se tem ou não um direito material.
Tendo em vista que a jurisdição foi acionada independentemente do direito material.
O cidadão só pode exercer validamente o direito de ação quando existe uma crise de
direito material. Exemplo: o professor comprou a bolsa da Roberta. Ficou acertado que
a bolsa será entregue no prazo de 6 meses. Logo o professor não pode acionar o
judiciário antes dos 6 meses.
A preocupação moderna do Processo é:
• Olhar para o direito material em crise;
• Resolver a crise de direito material, através de uma solução fornecida em tempo
razoável, de forma mais econômica e eficaz possível.
Se a jurisdição é inerte, e o direito de ação é o mecanismo hábil a movimentá-la.
Logo esse mecanismo terá uma forma prática e concreta de atuação, que será dada pelo
Processo Civil, através da Petição inicial, que deverá ser apresentada em juízo, e
encaminhada ao setor de distribuição. Esse é o momento do ajuizamento da ação.
Nesse momento a parte concretizou o seu abstrato e hipotético potencial direito de ação.
Consequentemente terá se formado o processo.
Lembrando que para acionar a jurisdição a parte tem que estar assistida por um
advogado, pois o mesmo está habilitado para provocar o Judiciário. Esse é o grande
problema da população, principalmente a carente, tendo em vista que o custo com o
advogado é muito caro. Por isso foram criados: os Juizados Especiais, onde as partes
podem comparecer sem advogados e a Defensoria Pública.
Vide artigo 263 CPC – Considera-se proposta a ação, tanto que a petição inicial
seja despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara.
A propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no
art. 219 CPC depois que for validamente citado.
O artigo 297 do anteprojeto diz: considera-se proposta a ação, quando a petição
inicial for protocolada. Ou seja, ao protocolar a petição inicial, perante o setor
competente do poder judiciário, estará proposta a ação. Consequentemente estará
formado o processo. Então foi exercido o direito de ação. Pois é através da petição
inicial que se narra os fatos da crise de direito material. Crise esta que o levará a
formular o pedido.
Da Petição Inicial
Artigo 282 CPC – A petição inicial indicará:
I – o juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II – os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e
do réu;
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; por exemplo: a compra e venda
da bolsa. Com o pagamento do autor e a não entrega por parte do devedor.
IV – o pedido, com as suas especificações; exemplo: condenação da Roberta para
que a mesma entregue a bolsa.
V – o valor da causa;
VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII – o requerimento para a citação do réu.
Então o judiciário só irá atuar, quando houver uma crise de direito material, ou seja,
quando uma parte se recusar a cumprir sua obrigação jurídica. Nesse caso o
prejudicado, para obter o bem, terá que contar a sua história ao poder judiciário, através
da petição inicial (dos fatos e fundamentos jurídicos do pedido) e consequentemente
fazer o pedido que o devedor se recusa a entregar.
Pedido: é o objeto da ação
• objeto imediato: efeito da sentença, por exemplo, condenação a entregar a bolsa.
• objeto mediato: o bem da vida, ou seja, o que você deseja. No caso é a entrega
da bolsa.
Então é na petição inicial que o autor vai arrolar (contar) a história (fato de direito)
e vão pedir o bem da vida que lhes foi negado pelo devedor. Nesse momento (quando a
petição inicial for distribuída), estará concretizado o direito público subjetivo, que é
o direito de ação, formando assim o processo. Mas isso não é imediato, pois existem
vários procedimentos até que se chegue à sentença. Por exemplo: citação, contestação,
etc.
Obs.: O Estado atua em prol da sociedade, ele é um gestor de coisa alheia. A
missão do Estado é o bem estar da sociedade. Logo as ações estatais são documentadas,
pois o gestor estatal tem que prestar contas à população daquilo que ele fez ou deixou
de fazer. Por isso os atos têm uma forma, não existe ato administrativo verbal.
Consequentemente o processo é um ato estatal que precisa ser documentado. Então
processo é um ato estatal que precisa ser documentado, logo os atos processuais
serão documentados, ou seja, a participação das partes, do juiz, dos auxiliares da
justiça, das testemunhas, MP, peritos, etc. serão documentados. Assim, esse processo,
evidentemente, desde o seu início até o seu final, seguirá uma previsão legal prévia, ou
seja, os atos processuais seguem um determinado sistema de organização. Isso é o
Devido Processo Legal.
O Devido Processo Legal é o percurso que o Judiciário segue para chegar à solução
do litígio. Obs.: o percurso esta previamente estabelecido nas Leis Processuais. Com
isso dentro do processo entra a idéia de Procedimento.
O processo atua na jurisdição estatal para resolver uma crise de direito material.
Esse processo se materializa em atos, que vão sendo documentados, pois são atos de
direito público, seqüenciados e organizados de forma lógica, pois são atos
preparatórios do ato final, que é a solução do litígio. Ai aparece a idéia de
procedimento.
Segundo a Doutrina Clássica, que é adotada pelo Código de Processo Civil, o
Procedimento seria a materialização do processo segundo uma seqüência previa de atos
processuais, organizados de forma lógica, até chegar ao ato final.
Então um doutrinador italiano escreveu que: “Eu olho para o Estado como um
todo, com suas três funções (LEJ) e vejo o procedimento pactuar”. Logo o
procedimento seria uma seqüência de atos preparatórios de um provimento estatal
final, assim, procedimento seria qualquer cadeia de atos preparatórios para o
provimento estatal final, independentemente de litígio. Exemplo: para que o
Legislativo edite uma lei é necessário que antes, algum deputado apresente um projeto
de lei, consequentemente, esse projeto será analisado pela comissão e depois será
votado nas duas casas, para que depois o PR sancione a lei. Isso é o Procedimento
Legislativo, aqui se tem uma seqüência de atos preparatórios para a edição do
provimento final que é a lei.
Procedimento Executivo: quando o Poder Executivo faz a cobrança do IPVA. Ao
enviar o boleto bancário, ocorre uma seqüência de atos preparatórios, organizados para
o provimento estatal final, que é a cobrança tributária.
O processo é uma espécie do gênero procedimento. Porque o processo também tem
toda essa seqüência preparatória de atos do provimento estatal final. Mas para que o
processo seja espécie do gênero procedimento, consequentemente precisará do
contraditório. Porque o procedimento dentro do processo, somente se desenvolverá
mediante o Contraditório e a Ampla Defesa.
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AULA 3
A visão mais moderna que temos é a de que o processo e o procedimento são uma
realidade jurídica única. Mas que pode ser examinada por dois ângulos distintos, no
qual o processo seria uma idéia de resolução de uma crise de direito material. A idéia
de procedimento seria vinculada àquela seqüência de atos processuais organizados de
forma lógica. Mas essa distinção, hoje, não interessa mais ao processo civil.
Dentro dessa idéia clássica de Processo / Procedimento, o CPC prevê três
processos:
• Processo de Conhecimento – Livro I;
• Processo de Execução – Livro II;
• Processo Cautelar – Livro III.
Artigo 270 CPC – Esse Código regula o processo de Conhecimento (Livro I), de
Execução (Livro II), Cautelar (Livro III) e os Procedimentos Especiais (Livro IV).
Como podemos observar o CPC nitidamente trata de forma diversa Processo e
Procedimento. Ele distingue essas duas realidades, mas que na verdade constituem uma
realidade única. Você pode observá-la por um ângulo ou por outro.
Obs.: No anteprojeto, o Livro IV é eliminado, e os Procedimentos Especiais (pois
eles constituem o Processo de Conhecimento, por isso eles se chamam
Procedimentos Especiais, só que eles têm um caminho diverso para alcançar o ato
final do Processo de Conhecimento) são colocados dentro do Processo de
Conhecimento (Livro I).
Processo de Conhecimento: é o conjunto de atos processuais que vão movimentar
a jurisdição para uma finalidade (resolver a crise de direito material em razão de uma
determinada forma). Logo se formará o processo (Contraditório e Ampla Defesa). Mas
a resolução da crise de direito material, dentro do Processo de Conhecimento, se dá por
meio da tutela acertamento judicial. O acertamento judicial visa acertar a relação do
direito material, ou seja, o juiz vai exercer uma atividade de conhecimento (cognição)
dos fatos da causa e do Direito, e a partir daí, vai chegar a uma conclusão a respeito do
direito material. Logo a crise de direito material será suprimida, tendo em vista que o
juiz dirá de quem é o direito.
Obs.: Dentro do Processo de Conhecimento o juiz examina os fatos da causa de
direito material, e após esse exame, exame que obviamente se dá com a participação do
autor e o réu através do Contraditório e da Ampla defesa. E ao final dessa discussão
judicial o juiz pronuncia a sentença. Exercendo a função de cognição em relação a todo
o conjunto do processo, apurando os fatos da causa e o direito material aplicado ao caso
concreto. Quando o juiz conclui essa operação, ele realiza uma espécie de atestamento
do direito material. Logo ele vai particularizar a lei que será aplicada ao caso concreto.
A norma jurídica se concretiza no caso concreto quando um fato gera
conseqüências jurídicas.
Então o Processo de Conhecimento é destinado a que? É destinado que as partes
produzam perante o juiz, a prova dos fatos, ou seja, que elas aleguem e provem os fatos
que elas dizem ter acontecido. Além dos fatos elas alegaram as conseqüências jurídicas
que desses fatos.
No Processo de Conhecimento a parte provará perante o Estado (na pessoa do juiz)
que os fatos ocorreram isso é feito através das provas apresentadas, consequentemente o
juiz aplicará a norma ao caso concreto. Exemplo da bolsa que o professor comprou e
não foi entregue. Isso é percebido nitidamente no CPC por meio do artigo 468.
Artigo 468 – A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei
nos limites da lide e das questões decididas.
A legislação não prevê um único meio de solução da lide, pois o Processo de
Execução (que será estudado semestre que vem) é tão importante quanto o Processo de
Conhecimento.
O Processo de Execução: é um conjunto de atos processuais que vai movimentar a
jurisdição para solucionar a crise de direito material. Só que a solução ofertada será
diferente da solução do processo de conhecimento, tendo em vista que neste, objetiva a
formação de uma sentença, em que o juiz ao final do procedimento vai acertar o direito
material ao caso concreto. De modo que a sentença terá perspectiva de lei no caso
concreto, pois vai impor a realização do direito material, dentro do caso concreto.
Já o Processo de Execução, já parte da realidade predefinida por um documento
chamado título executivo. O título executivo é um documento que cristaliza todas as
características do direito material. Por exemplo: os títulos de crédito, que são títulos
executivos extrajudiciais (porque não são atos do poder judiciário), e estão no artigo
585 do CPC.
O título executivo judicial é a sentença.
Então temos dois tipos de título executivo. O judicial (a sentença) e o
extrajudicial (os títulos de crédito, listados no artigo 585 CPC).
Título executivo extrajudicial é um documento que vai prever o direito material,
que é normalmente o direito de pagar uma importância em dinheiro. Importância esta
que já é líquida e predefinida. Porque é perfeitamente identificada por um pedaço de
papel, o cheque, por exemplo. Então o título executivo extrajudicial vai representar
documentalmente uma obrigação do devedor de pagar aquela quantia. Normalmente o
devedor é previamente identificado e o credo é a pessoa que porta o título, logo a
quantia a ser paga, a obrigação de direito material, vai estar predefinida naquele papel.
Logo não precisa pedir ao juiz uma sentença, na qual ele reconheça a obrigação do
devedor da nota promissória, pois o reconhecimento da obrigação esta predefinido no
título.
Então, o autor vai movimentar a esfera jurisdicional para efetivar o direito material.
Assim ele vai para o processo de execução, pois é esse processo que invade o
patrimônio do devedor, para que seja alienado bens suficientes, para o pagamento da
dívida. Logo o processo de execução é um processo de coação, onde o autor pede a
tutela jurisdicional, para invadir o patrimônio de devedor e retirar do patrimônio deste
os bens necessários para a satisfação do direito do credor.
Então repetindo: para ingressar no processo de execução é necessário que o autor
tenha um documento chamado título executivo, pois ele contém todos os requisitos
para o cumprimento da obrigação do direito material. Lembrando que os títulos
executivos extrajudiciais estão dispostos no artigo 585 CPC. E o título executivo
judicial é a sentença.
Obs.: quando o autor não um título executivo extrajudicial nas mãos, obviamente
ele terá que ir ao processo de conhecimento, ao final, o juiz vai proferir a sentença,
caso seja favorável ao autor, ele terá em mãos um título executivo judicial. A grande
diferença é que a partir de 2006, o processo de conhecimento se tornou hábil para
realizar o cumprimento da sentença. Ou seja, ao ser proferida a sentença
condenatória, o autor não mais precisa do processo de execução para a realização do
cumprimento da sentença, tendo em vista que teremos uma fase do processo de
execução dentro do processo de conhecimento. Pois antes precisava de dois processos,
um de conhecimento e outro de execução. Hoje temos apenas uma fase. Para isso dá-se
o nome de processo sincrético: ou seja, o autor instaura um processo de conhecimento,
e dentro desse processo ele irá receber todas as tutelas jurisdicionais para a realização
do direito material. Obs.: Fiquem tranqüilos, pois isso não será estudado esse semestre.
O processo hoje, procura simplificar as coisas para permitir que as partes obtenham
o direito material de uma forma mais rápida.
O processo de execução autônomo, nos dias de hoje, somente aparecerá quando a
parte tiver nas mãos um título executivo extrajudicial, listado no artigo 585 CPC.
Obs.: quando o autor não tiver em mãos um título executivo, terá que partir para o
processo de conhecimento, nesse caso o réu será citado, a fim de se defender.
Artigo 213 – Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a
fim de se defender.
Quando o autor tiver em mãos um título executivo extrajudicial, irá partir para o
processo de execução, nesse caso o réu será citado para pagar.
Artigo 652 – O executado será citado para, no prazo de 3 dias, efetuar o
pagamento da dívida.

Processo Cautelar: visa proteger determinado direito por meios de atos de


urgência. A finalidade da atividade cautelar é assegurar o resultado útil de outro
processo, seja de conhecimento ou de execução, tendo em vista que ambos demandam
tempo para realizar o direito material.
Exemplo: Alfredo através do processo de conhecimento quer provar que foi até a
loja Roberta e adquiriu uma bolsa, mas o mesmo nunca recebeu a mercadoria.
Infelizmente a testemunha fundamental Mariazinha esta nesse exato momento internada
no Hospital João XXIII, naquele dilema, morre, não morre. Mas ela precisa ser ouvida.
Pois se formos esperar chegar o momento da Audiência de Instrução e Julgamento
(AIJ), fatalmente ela já estará morta. Por isso o processo cautelar foi criado, lembrando
que ele é um processo acessório do processo principal (Conhecimento e Execução).
Ele serve para garantir o resultado útil do processo principal.
Artigo 796 – O procedimento cautelar pode ser instaurado antes ou no curso do
processo principal e deste é sempre dependente. O processo cautelar pode vir antes ou
depois (no curso) do processo principal, mas não se pode entrar com o processo
cautelar para resolver a crise de direito material, pois ele não é hábil para isso. Ele
apenas protege o processo principal.
Quando o juiz através do processo cautelar apreende um bem, ele não esta
resolvendo de quem é o bem, pois isso será resolvido no processo de conhecimento.
Essa apreensão é apenas uma garantia do processo principal.
Artigo 798 – Além dos procedimentos cautelares específicos, que este Código
regula no Capítulo II deste Livro, poderá o juiz determinar as medidas provisórias que
julgar adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte, antes do
julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação. O
processo cautelar serve para o juiz dar medidas provisórias que vão proteger o direito
material do processo principal.
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Nos iremos estudar nesse semestre o procedimento comum


Processo de conhecimento: vai movimentar a jurisdição, tendo em vista em seu
conjunto, uma determinada finalidade, que é a resolução da crise de direito material,
mediante a tutela de cognição (conhecimento).
O processo de conhecimento vai se exteriorizar e se organizar mediante um
procedimento (seqüência de atos processuais preparatórios), que vão sendo praticados
pelas partes e pelo juiz, com o fim de que esses atos cheguem ao ato final, que é a
sentença.
Na sentença o juiz irá exercer a atividade de cognição, logo vai acertar os fatos da
causa e aplicar o direito material ao caso concreto, de modo que a sentença vai
representar essa espécie de lei no caso concreto.
No processo de conhecimento temos dois tipos de procedimento:
• Procedimento comum: é ordinário ou sumário.
• Procedimentos especiais: são diferentes do procedimento comum, pois atendem a
peculiaridades do direito material. Exemplo: juizados especiais de pequenas causas.
Artigo 271 – Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição
em contrário deste Código ou de lei especial. Existe um procedimento comum em
contraposição aos procedimentos especiais. Quando é que você tem um procedimento
especial? Quando a lei cria esse procedimento especial. Basicamente a lei o cria no
CPC. A regra é que todas as causas sigam o procedimento comum, salvo em disposição
em contrário, ou seja, quando se cria um procedimento especial, tirando a causa do
procedimento comum e a passando para o procedimento especial.
Obs.: os procedimentos especiais não estão apenas no Livro IV do CPC, pois
existem várias leis extravagantes, ou seja, leis que estão fora do CPC. Exemplo: lei
9099/95 – Lei dos Juizados Especiais de Pequenas Causas.
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AULA 4
O procedimento especial é voltado para um determinado setor do direito material,
logo ele é construído para tentar resolver da melhor forma possível a crise de direito
material.
O procedimento comum é um modelo processual genérico, pois ele é desvinculado
de uma crise de direito material específico.
O procedimento comum é subdividido em ordinário e sumário.
Artigo 272 – O procedimento comum é ordinário ou sumário.
Parágrafo único. O procedimento especial e o procedimento sumário regem-se
pelas disposições que lhes são próprias, aplicando-se-lhes, subsidiariamente, as
disposições gerais do procedimento ordinário. – Acaba que o procedimento sumário
tem a mesma natureza do procedimento especial, pois a lei diz especificamente, quais
são as crises de direito material que serão resolvidas por ele. Logo o procedimento
ordinário é o verdadeiramente comum.
Como fazer para encontrar o procedimento adequado para a crise de direito
material real e efetiva?
• A primeira coisa é saber qual é o processo adequado (conhecimento ou execução
ou cautelar) para resolver a crise de direito material. Logo se o autor tiver um título
executivo extrajudicial aliado ao inadimplemento do devedor será o Processo de
Execução, caso contrário será o Processo de Conhecimento. Caso vise proteger
determinado direito por meios de atos de urgência, para assegurar o resultado útil do
processo principal, será o Processo Cautelar.
• Após identificar o processo, partiremos para a segunda pergunta. Qual é o
procedimento adequado? Como já vimos, mesmo que rapidamente, todos os Processos
tem os seus procedimentos especificados, todos têm a sua cristalização de atos
processuais indicados pela lei. Por exemplo: o processo de execução tem os seguintes
procedimentos: execução de fazer, execução de não fazer, execução de quantia certa,
execução de quantia de coisa, etc. Já o processo de conhecimento tem três
procedimentos distintos:
• o Comum que se divide em: Ordinário e Sumário;
• os Especiais.
Então para encontrar o procedimento adequado devemos fazer o seguinte:
1º passo: verificar se a crise de direito material se encaixa em algum procedimento
especial fora do CPC (lei extravagante), caso ela se encaixe o problema estará
resolvido. Caso contrário:
2º passo: verificar no CPC, no livro IV, se o caso se encaixa em algum
procedimento especial. Caso ele não se encaixe devemos:
3º passo: verificar se a crise de direito material é uma das hipóteses previstas no
procedimento sumário – artigo 275 CPC. Caso contrário devemos:
4º passo: se a crise de direito material não se encaixar em nenhum procedimento
acima, pelo critério da exclusão será o procedimento ordinário.
Todas as causas do procedimento sumário estão listadas no artigo 275 CPC. E o
sumário, como o próprio nome esta a dizer, vai implicar em um desvio do procedimento
comum, onde se diminui a quantidade de atos processuais. Com isso ele é em tese
menor e mais enxuto do que o procedimento ordinário.
Por isso as causas que vão para o procedimento sumário tendem a ser causas mais
simples, ou seja, não demandam maiores investigações probatórias.
O legislador tem a visão de que as causas de menor valor econômico são mais
simples, mas isso é uma grande besteira, tendo em vista que o procedimento sumário é
competente para julgar, por exemplo, cobranças de condomínio. Logo valor da causa
não é sinônimo de complexidade.
Artigo 275 – Observa-se o procedimento sumário:
I – nas causas cujo valor não exceda a sessenta vezes o valor do salário mínimo;
II – nas causas qualquer que seja o valor:
a) de arrendamento rural e de parceria agrícola;
b) de cobrança ao condomínio de quaisquer quantias devidas ao condomínio;
c) de ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico;
d) de ressarcimento por danos causados em acidente de veículos de via terrestre;
e) de cobrança de seguro, relativamente aos danos causados em acidente de
veículo, ressalvados os casos de processo de execução;
f) de cobrança de honorários dos profissionais liberais, ressalvado o disposto em
legislação especial;
g) nos demais casos previstos em lei.

Obs.: O procedimento adequado integra o devido processo legal, e o processo é


direito público. Logo o processo, como direito público, não permite que a parte
escolha o procedimento, tendo em vista que o mesmo não é opcional, pois é posto de
forma prevista na legislação.
Então a parte terá que canalizar a sua crise de direito material em uma ação para o
procedimento adequado. Apesar disso, na pratica é muito comum que a parte empurre a
sua causa para o procedimento ordinário, ou seja, ela sai do procedimento sumário e
vai para o ordinário. A conseqüência é que ao chegar à fase probatória, por exemplo, a
parte contraria alega que o processo é nulo e tem que ser extinto, tendo em vista que
falta pressuposto processual, pois o procedimento adequado esta errado, pois o
procedimento certo é o sumário.
Entretanto a jurisdição hoje não extingue mais o processo quando há um erro
processual, pois o juiz entende que o erro não prejudica ninguém. Somente dará
problema se o procedimento adequado for o ordinário e a parte for para o sumário, fora
isso não existe problema.
Obs.: O processo já em andamento não pode se perder por causa de defeitos
formais. Somente se o defeito formal for muito grave. Exemplo: o procedimento
correto é o ordinário e a parte vai para o sumário.
Artigo 249. O juiz, ao pronunciar a nulidade, declarará que atos são atingidos,
ordenando as providências necessárias, a fim de que sejam repetidos, ou retificados.
§1º – O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a
parte. – Essa é a regra máxima. É o exemplo dado acima, quando a parte escolhe o
procedimento ordinário, mas na verdade o procedimento correto seria o sumário, mas
nesse caso não vai trazer prejuízo para as partes.
Obs.: todos os procedimentos especiais são processos de conhecimento.
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AULA 5 – A LUZ DE CELULARES


Os Juizados Especiais representam o que existe de mais moderno na legislação
processual, pois eles definem o movimento de acesso à jurisdição da lei, principalmente
da população economicamente desfavorecida.
Os Juizados Especiais são divididos em três.
• Lei 9099/95 – Juizados Especiais de Pequenas Causas (JESP) – Justiça Estadual.
• Lei 12.135/09 – Juizado Especial da Fazenda Pública dos Estados e Municípios.
• Lei 10.259/01 – Juizado Especial Federal – Justiça Federal
Juizado Especial: Nos Juizados Especiais o processo orientar-se-á pelos critérios
da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade,
buscando, sempre que possível à conciliação ou a transação.
Em razão do valor da causa:
Causas de valor de até 40 salários mínimos, lembrando que as causas cujo valor
seja de até 20 salários mínimos a parte pode ir sem advogado.
Em razão da matéria:
Causas que estão sujeitas ao procedimento sumário – artigo 275, II CPC.
Causas de despejo para uso próprio
Ações possessórias sobre bens imóveis que não excedam 40 salários mínimos.
Obs.: ações relativas à: alimentos, falência, fiscal (imposto), fazenda pública,
acidente de trabalho, resíduo (plano econômico) e estado e capacidade das pessoas
(casamento e interdição). Não são julgadas pelo Juizado Especial.
Obs.: o incapaz, o preso, a pessoa jurídica de direito público, a empresa pública
da União, a massa falida e o insolvente civil. Não podem ser parte no JESP.
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O Procedimento Ordinário pode ser estruturado em quatro fases, mas isso é feito
para fins didáticos.

Fase Postulatória Fase Saneadora Fase Probatória Fase Decisória


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PI Citação Resposta Audiência de Sentença
do réu Instrução e Julgamento

O momento inaugural do processo se dá através do direito de ação, tendo em vista


que a jurisdição é inerte. Logo quando o direito de ação é concretizado, ocorre à
instauração do processo. Consequentemente a primeira fase será aberta.
1ª Fase – Fase Postulatória: nessa fase predominam os atos de postulação, ou seja,
ou autor apresenta ao Estado (juiz) o seu pleito (a sua reclamação), com alguma
situação do direito material em que ele se sente lesado pela atividade do réu, que é o
devedor então em uma relação jurídica de direito material.
Então é quando o autor lança perante o Estado (juiz) e narra à crise de direito
material e pede a solução para o judiciário.
Como o processo se desenvolve sobre o contraditório, o juiz terá que chamar o réu.
Logo dentro da fase postulatória temos a citação.
Artigo 213 – Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a
fim de se defender.
Assim o processo se abre com a iniciativa do autor, onde ele aparece perante o
Estado (juiz) e apresenta a ele uma crise de direito material, através da formulação de
um pedido, para que o Estado solucione a crise. Então o que é que o Estado (juiz) faz?
O Estado comunica ao réu da existência da demanda contra ele, convocando-o para se
defender.
O próximo ato será a resposta do réu. A resposta básica do réu se chama
contestação.
Artigo 297 – O réu poderá oferecer, no prazo de 15 dias, em petição escrita,
dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e reconvenção.
Com a contestação se fecha a fase postulatória, pois nesse ponto estão
especificados os pedidos das partes.
2ª Fase – Fase Saneadora: assim que o réu apresenta a sua resposta, os autos vão
conclusos para o juiz, e este adentra na Fase Saneadora. Serve para limpar o processo
dos vícios (defeitos) formais e também preparar o processo para a fase seguinte.
Exemplo: nessa fase o juiz terá que abrir vista ao autor, para que o mesmo fique ciente
da contestação do réu. Para garantir o contraditório.
Outro exemplo: o réu foi a juízo através da pessoa de seu advogado, mas o mesmo
não apresentou a procuração. Nesse caso o juiz determinará que o advogado do réu
apresente a procuração em juízo (no processo).
Depois o juiz vai abrir vistas as partes para que elas especifiquem as provas que
pretendem produzir em juízo.
Nessa fase, repito, o juiz vai limpar o processo e preparar o mesmo para ser julgado
na próxima fase.
A fase de saneamento do processo está cristalizada no artigo 331 CPC, este artigo
marca o fim da fase de saneamento.
Artigo 331 – Se não ocorrer qualquer das hipóteses previstas nas seções
precedentes, e versar a causa sobre direitos que admitam transação, o juiz designará
audiência preliminar, a realizar-se no prazo de 30 dias, para a qual serão as partes
intimadas a comparecer, podendo fazer-se representar por procurador ou preposto,
com poderes para transigir. – Nessa audiência o juiz ele vê se é possível à conciliação,
caso não seja, ele olha com as partes quais são as controvérsias do processo, em seguida
ele decide quais provas serão produzidas. Com isso a fase saneadora é fechada. Abrindo
em seguida a terceira fase.
3ª Fase – Fase Probatória: é uma fase processual própria em que se permitem as
partes utilizarem de meios de provas. Meios de provas são técnicas processuais, por
meio das quais o legislador permite que as partes reconstruam a realidade histórica
perante o Estado (juiz).
Quais são os meios de prova ou as técnicas processuais previstas no CPC que
permitem essa reconstrução histórica dos fatos?
São vários: testemunha, perícia, depoimento textual das partes (dos quais podem
derivar as confissões), documentos, inspeção judicial e etc.
Então os meios de prova são técnicas processuais previstas na legislação
processual, por meio das quais as partes (autor e réu) vão reconstruir os fatos perante o
juiz. Exemplo: o professor novamente comprou a bolsa da Roberta, e a mesma não
entregou até hoje. O professor não tem nenhum documento provando a compra. Logo
na petição inicial o professor vai explicar a situação para o juiz. Ao oferecer a
contestação a Roberta vai dar a sua versão. Logo o juiz terá duas versões, mas qual é a
verdadeira? Essa resposta será dada por aquilo pelas provas que as partes conseguirem
produzir.
Obs.: Lembre-se que a jurisdição além de inerte ela é imparcial e terceira
desinteressada, de modo que o juiz desconheça por completo a origem do conflito do
direito material. Por isso que as partes precisam reconstruir a realidade histórica para
ele. Então o processo destina uma fase para isso, essa fase é a fase probatória, que será
onde as partes irão reconstruir a realidade histórica, através das técnicas processuais.
Na audiência de instrução e julgamento fecha-se a coleta probatória, ele vai ouvir
as partes e as testemunhas. Fechando a audiência ele abre prazo para as partes, para que
as mesmas apresentem as alegações finais e o processo vai concluso para ele, para que
ele profira a sentença.
Então a Audiência de Instrução e Julgamento significa o fim da Fase Probatória
e a abertura da quarta fase.
4ª Fase – Fase Decisória: é a sentença.
AULA 6
Do nascimento a extinção do processo de conhecimento, pelo procedimento
ordinário, terá esse rito:
1ª Fase – Fase postulatória;
2ª Fase – Fase Saneadora;
3ª Fase – Fase probatória;
4ª Fase – Fase decisória.
O rito previsto abstratamente na legislação é esse. Lembrando que essa é uma
organização doutrinária. Mas o rito é previsto no CPC com essa seqüência, até porque,
como já disse em aulas passadas, que o conceito de procedimento é: uma seqüência de
atos preparatórios organizados de modos que a pratica e o ato subseqüente demanda a
pratica e o ato anterior, logo esses atos vão se sucedendo para organizar o provimento
estatal final, que no processo de conhecimento será a sentença.
Logo sabemos qual é o caminho do início até o final do processo de conhecimento,
porque isso é o devido processo legal.
O procedimento sempre caminha para frente, com o objetivo de chegar ao final, ou
seja, na sentença. O juiz tem o poder de impulsionar o processo para frente. Lembrando
que a justiça é inerte, logo ela nunca atua de oficio, não sendo obrigação de o juiz
instaurar o processo. A jurisdição somente se movimentará por provocação da parte.
A jurisdição é permeada pelo direito público, logo processo civil é um ramo do
direito público, pois regulamenta legislativamente a atuação estatal, ou seja, a atuação
do Estado (juiz) junto às partes, para chegar à solução final da crise de direito material.
Logo processo é sempre direito público, por mais privado que seja a crise de direito
material. Porque o Estado chama para si as soluções das crises jurídicas. De modo que
interessa ao Estado solucionar essa crise.
Artigo 262 – O processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve
por impulso oficial. – Então o processo se inicia por provocação da parte, mas o seu
desenvolvimento é feito por iniciativa do juiz de oficio.
Principio da preclusão: quando o processo caminha para frente, tudo aquilo que
ficou para trás não pode ser reaberto.
Artigo 473 – É defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já
decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. – A preclusão impede que o
procedimento retorne atrás nos seus próprios passos. A preclusão acoberta o
procedimento à medida que suas fases vão se desenvolvendo.
Obs.: pode ocorrer exceção, pois os defeitos gravíssimos não podem ser
acobertados pela preclusão. Logo o processo será anulado até o ponto viciado (desde o
defeito).
Artigo 248 – Anulado o ato, reputam-se de nenhum efeito todos os subseqüentes,
que dele dependam; todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras,
que dela sejam independentes.
Artigo 246 – É nulo o processo, quando o MP não for intimado a acompanhar o
feito em que deva intervir.
Parágrafo único: Se o processo tiver corrido, sem conhecimento do MP, o juiz o
anulará a partir do momento em que o órgão devia ter sido intimado. – O defeito grave
afasta a preclusão.
O processo começa com o exercício do direito de ação da parte (apresentando a
petição inicial em juízo), porque a jurisdição é inerte. O processo ao nascer envolve,
como em qualquer processo, o necessário chamamento do réu. Logo é necessário que se
tenha um mecanismo para dar ciência ao réu, de que existe um processo contra ele. E
convocá-lo para se defender, para que ele apresente suas versões dos fatos. Para que ele
apresente ao Estado juiz a sua versão dos fatos. De modo que o juiz, com base nas
versões, decida quem está correto e aplique o direito ao caso concreto.
Então o contraditório é viabilizado nesse caso, por meio de um ato de comunicação
processual, chamado de citação.
Artigo 213 – Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a
fim de se defender. – logo o CPC regulamenta os mecanismos de defesa do réu. Esses
mecanismos são chamados de resposta do réu.
Artigo 297 – o réu poderá oferecer, no prazo de 15 dias, em petição escrita,
dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e reconvenção.
A reconvenção se dá quando o réu ajuíza uma ação contra o autor no mesmo
processo. Logo a reconvenção é um contra ataque do réu. Exemplo: o professor brigou
com a Júlia na sala, então ele se sente ofendido e ajuíza uma ação contra a Julia pedindo
danos morais. Ao ser citada, Julia pede ao juiz para indeferir o pedido do professor,
além de pedir danos morais, por achar que ela é quem foi ofendida.
Recordando: essa fase então se chama postulatória, porque predomina nessa fase,
os atos de postulação das partes. É uma fase para que o autor apresente o seu pedido e
o réu a sua defesa. Assim a fase postulatória é fechada.
Ao chegar à fase Saneadora, os atos postulatórios são cristalizados, logo não tem
como arrumar nada, se o advogado tiver feito alguma bobagem, já era, pois o princípio
da preclusão acoberta o procedimento à medida que suas fases vão se desenvolvendo.
A fase saneadora é a fase em que o juiz prepara o processo para ele entrar na fase
probatória, ou seja, ele vai limpar o processo de vícios (defeitos que ele pode conter) e
vai determinar quais as provas que ele irá requisitar. Para que o processo / procedimento
entre na fase probatória sem que nenhum ato seja perdido (anulado).
Para que a fase probatória ocorra, o processo deve estar limpo, livre de vícios
(defeitos).
Então a Fase de Saneamento tem dois momentos:
• Providências Preliminares: aqui o juiz vai preparando o processo para o
saneamento final. Exemplo: o juiz abre vista ao autor, para que ele fique ciente da
contestação do réu. Depois o juiz vai abrir vista as partes, para que eles digam quais
provas vão produzir.
Após isso, o juiz verifica se o processo tem defeito, caso tenha, ele vai intimar o
autor ou réu para que seja sanado o defeito. Exemplo: o réu foi a juízo através da
pessoa de seu advogado, mas o mesmo não apresentou a procuração. Nesse caso o juiz
determinará que o advogado do réu apresente a procuração em juízo (no processo).
Artigo 36 – A parte será representada em juízo por advogado legalmente
habilitado. Ser-lhe-á lícito, no entanto, postular em causa própria, quando tiver
habilitação legal ou, não a tendo, no caso de falta de advogado no lugar ou recusa ou
impedimento dos que houver.
Tomadas todas as providências preliminares, o juiz entra no momento do
saneamento do processo. Nesse momento o juiz marcará uma audiência para a tentativa
de conciliação.
• Audiência de conciliação: é uma tentativa de conciliação. Caso não ocorra a
conciliação o juiz proferirá a decisão de saneamento do processo.
Obs.: hoje existe uma regra geral que permite ao juiz parar o processo em qualquer
momento, para tentar conciliar as partes.
Artigo 125 – O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código,
competindo-lhe:
I – assegurar as partes igualdade de tratamento;
II – velar pela rápida solução do litígio;
III – prevenir ou reprimir qualquer ato contrario à dignidade da justiça;
IV – tentar, a qualquer tempo conciliar as partes. – existem momentos
predefinidos na legislação para que isso ocorra, e um desses momentos é aqui, na fase
saneadora, na audiência de conciliação.
Voltando: nesse momento o juiz designa a audiência para tentar a conciliação.
Caso ocorra a conciliação, será reduzida a termo e homologada por sentença. Caso não
haja conciliação, vai para a decisão de saneamento do processo.
A decisão de saneamento do processo envolve três situações:
• O juiz resolve as questões processuais pendentes;
• O juiz destaca os fatos controvertidos;
• O juiz define quais provas serão produzidas.
Artigo 331 – Se não ocorrer qualquer das hipóteses previstas nas seções
precedentes, e versar a causa sobre direitos que admitam transação, o juiz designará
audiência preliminar, a realizar-se no prazo de 30 dias, para a qual serão as partes
intimadas a comparecer, podendo fazer-se representar por procurador ou preposto,
com poderes para transigir. – Então nem sempre essa audiência acontecerá, tendo em
vista que as partes têm direitos indisponíveis, que não podem ser conciliados. Exemplo:
a esposa não pode tentar conciliar com o seu marido a questão da paternidade, se ele é
ou não o pai.
§1º – Obtida a conciliação, será reduzida a termo e homologada por sentença.
§2º – Se, por qualquer motivo, não for obtida a conciliação, o juiz fixará os pontos
controvertidos, decidirá as questões processuais pendentes e determinará as provas a
serem produzidas, designando audiência de instrução e julgamento, se necessário.
§3º Se o direito em litígio não admitir transação, ou se as circunstâncias da causa
evidenciarem ser improvável sua obtenção, o juiz poderá, desde logo, sanear o
processo e ordenar a produção de prova, nos termos do §2º.
Após isso, o juiz joga o processo para a fase probatória.
A fase probatória: na fase probatória as partes vão se valer das técnicas
processuais, predisposta na legislação processual, para que elas reconstruam perante o
Estado (juiz) os fatos históricos, tal como ocorreram no passado.
Por isso a prova é importante no processo, pois ela define quem vai ganhar a
demanda.
O CPC predispõe vários meios de prova. Os meios de prova que a legislação
prevê são técnicas processuais, por meio das quais as partes reconstroem os fatos
narrados perante o Estado (juiz). São seis os meios de prova previstos no CPC, e são
chamados de meios de prova típicos, pois são previstos e regulados na legislação
processual.
• Documentos – existem fora do processo.
• Testemunhas;
• Depoimento pessoal das partes;
• Confissão: que pode ocorrer dentro do depoimento pessoal, quando a parte que
está depondo, admite fatos que são contrários juridicamente;
• Perícia: depende de um conhecimento cientifico que o juiz não tem. Logo é uma
prova técnica, no qual um engenheiro, por exemplo, faz um laudo;
• Inspeção Judicial: o juiz vai pessoalmente, com as partes, para ver o litígio.
Obs.: o documento não é restrito ao papel, pois pode ser: um e-mail, foto, DVD,
CD, um áudio. Ou seja, é tudo aquilo que comporta o registro físico do acontecido.
Artigo 332 – Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que
não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se
funda a ação ou a defesa.
Logo são todos os meios legais de defesa, ainda que não previstos nos Código, mas
tem um balizamento.
Artigo 5º, LVI, CF – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos. Esse é o balizamento.
A fase probatória tem uma seqüência lógica, tendo em vista que o CPC prevê:
Primeiro produz a perícia, depois vem à inspeção e por último a prova oral (AIJ –
Audiência de Instrução e Julgamento), fechando assim a fase probatória.
Então se entra na fase decisória.
Fase Decisória: é o momento em que o juiz vai proferir a sentença no processo de
conhecimento, decidindo assim a crise de direito material.
Obs.: essas fases são impostas pela legislação processual, mas é apenas um modelo.
Tendo em vista que algumas fases podem ser suprimidas.
Artigo 330 – O juiz conhecerá diretamente do pedido, proferindo sentença:
I – quando a questão de mérito for unicamente de direito, ou, sendo de direito e de
fato, não houver necessidade de produzir prova em audiência; – logo aqui tem uma
abreviação no procedimento ordinário. A sentença, nesse caso, veio para o meio da
fase de saneamento.
Outro exemplo: dentro da fase postulatória podem ocorrer atos de saneamento.
Artigo 284 – Verificando o juiz que a petição inicial não preenche os requisitos
exigidos nos artigos 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento do mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete, no
prazo de 10 dias.
Outro exemplo: quando o juiz indefere a petição inicial, logo o juiz profere a
sentença.
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
I – quando o juiz indeferir a petição inicial;
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AULA 7
Obs.: podemos ter a sentença na fase postulatória e na fase saneadora, logo na fase
probatória não.
A formação do processo se dá através do direito de ação, que é um direito
público subjetivo, pois cabe a cada um de nós, e é público porque é exercido contra o
Estado. Já que como regra, o Estado monopoliza a função jurisdicional.
Ao monopolizar a função jurisdicional (que é aquela destinada a resolver uma crise
de direito material), o Estado nós dá um mecanismo para a busca da jurisdição.
Esse mecanismo então, é o direito de ação.
O direito de ação é constitucionalizado no artigo 5º, XXXV, CF.
Artigo 5º, XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito.
O direito de ação dá início ao processo, mas como já foi visto, a jurisdição é inerte.
Logo surgindo à crise de direito material, a parte exercerá concretamente o direito de
ação, através da petição inicial.
A petição inicial é o mecanismo processual apto, que vai viabilizar em concreto o
acesso à jurisdição.
Artigo 282 – A petição inicial indicará:
I – o juiz ou o tribunal, a que é dirigida; – relativo à competência.
II – os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e
do réu; – relativo às partes do processo.
III – o fato e o fundamento jurídico do pedido; – é a causa de pedir.
IV – o pedido, com as suas especificações;
V – o valor da causa;
VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII – o requerimento para a citação do réu.
Obs.: Além desses requisitos que a petição inicial deve conter (que é o documento
redigido pelo advogado), a parte deve estar representada por um advogado.
Artigo 36 – A parte será representada em juízo por advogado legalmente
habilitado. Ser-lhe-á lícito, no entanto, postular em causa própria, quando tiver
habilitação legal ou, não a tendo, no caso de falta de advogado no lugar ou recusa ou
impedimento dos que houver.
Artigo 283 – A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à
propositura da ação.
Artigo 263 – Considera-se proposta a ação, tanto que a petição inicial seja
despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. A
propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no art.
219 CPC depois que for validamente citado. – Logo esse é o momento da formação do
processo / procedimento. Antigamente o processo ia direto para as mãos do juiz, hoje o
processo vai primeiro para o setor de protocolo / distribuição. Logo nas comarcas onde
se tem vara única, o processo também irá para o setor de distribuição.
Hoje se considera proposta a ação quando a mesma é levada ao setor de
distribuição. Esse é o momento de formação do processo, mas para que ele fique
completo, é preciso que se integre ao processo o réu. Ou seja, ele é integrado através
da citação.
Obs.: o pedido é o bem da vida (é o direito material que está sendo reivindicado),
ou seja, é aquilo que você deseja por meio do processo. Exemplo: é a bolsa da Roberta,
é o dinheiro, a casa, o cavalo, etc.
Obs.: logo, o cidadão não pede a citação do réu, mas sim requer a citação do réu,
tendo em vista que o requerimento é a providência processual que conduz o processo
para frente. Exemplo: requer citação, vistas dos autos, requer provas, etc.
Obs.: com relação à tutela antecipada o autor faz um pedido, tendo em vista que
ele esta querendo antecipar o bem da vida. Isso será estudado mais a frente.
Sentença: é o ato do juiz que encerra o processo (conhecimento, execução e
cautelar). Mas no processo de conhecimento, a sentença define a crise de direito
material.
Obs.: o juiz pratica apenas três atos processuais no processo, vide artigo 162.
Obs.: lembrando que as partes também praticam atos processuais: o autor através
da petição inicial e o réu através da contestação. Depois eles vão praticando outros atos
processuais. Lembrando que os auxiliares da justiça também praticam atos processuais.
Artigo 162 – Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e
despachos.
§1º – Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos
artigos 267 e 269 desta Lei.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
I – quando o juiz indeferir a petição inicial. – A petição inicial será indeferida
quando:
– quando for inepta, ou seja, quando lhe faltar pedido ou causa de pedir; quando da
narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; quando o pedido for
juridicamente impossível e quando contiver pedidos incompatíveis entre si.
– quando a parte for manifestamente ilegítima, ou seja, quando alguém pleitear, em
nome próprio, direito alheio;
– quando o autor carecer de interesse processual, ou seja, quando, por exemplo, o
autor recorrer ao poder judiciário para requerendo a sua aposentadoria, sem antes ter ido
ao INSS.
– quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição;
– quando o tipo de procedimento (sumaríssimo, sumário e ordinário), escolhido
pelo autor, não corresponder à natureza da causa, ou ao valor da ação, caso em que só
não será indeferida, se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal. Ou seja, o autor
tem uma causa cujo valor não excede a 60 vezes o valor do salário mínimo, mas a sua
ação é uma ação relativa ao estado e à capacidade da pessoa, mesmo assim, ele
escolhe o procedimento sumário. Consequentemente, a petição inicial será indeferida
tendo em vista que o tipo de procedimento correto, nesse caso, seria o procedimento
ordinário.
– quando o advogado não declarar na petição inicial ou na contestação, o endereço
que receberá a intimação. Nesse caso, o juiz antes de determinar a citação do réu,
mandará que se supra a omissão no prazo de 48 horas, sob pena de indeferimento da
petição inicial.
– quando a petição inicial não preencher os requisitos exigidos, ou que apresenta
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, o juiz
determinará que o autor a emende ou complete no prazo de 10 dias. Se o autor não
cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
II – quando ficar parado por mais de 1 ano por negligência das partes;
III – quando por não promover os atos e diligências que lhe competir, o autor
abandonar a causa por mais de 30 dias.
IV – quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo;
V – quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa
julgada; Perempção: é a extinção da relação processual pela perda de um prazo
definido e definitivo. Litispendência: quando se repete ação, que está em curso. Coisa
julgada: quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba
recurso.
VI – quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;
VII – pela convenção de arbitragem;
VIII – quando o autor desistir da ação; desistência: quando o autor não quer
prosseguir com a ação.
IX – quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal;
X – quando ocorrer confusão entre autor e réu.
XI – nos demais casos previstos neste Código.
Artigo 269 – Haverá resolução de mérito:
I – quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;
II – quando o réu reconhecer a procedência do pedido. – ou seja, quando o réu
reconhecer que o autor tem direito àquilo que está pedindo.
III – quando as partes transigirem. – ou seja, quando entrarem em acordo;
IV – quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição. Decadência é a perda
de um direito, pelo fato de seu titular não exercê-lo dentro do prazo legal. Prescrição é
a perda de um direito em razão da inércia de seu titular e do decurso do tempo.
V – quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. É o abandono
de um direito por vontade de seu titular.
Obs.: Ocorre a Sentença Terminativa quando o juiz extinguir o processo sem
resolução de mérito. Ocorre a Sentença Definitiva quando o juiz extinguir o processo
com resolução de mérito.
Obs.: A diferença entre a Sentença Terminativa e a Sentença Resolutiva, é que: a
extinção do processo sem resolução de mérito (Sentença Terminativa), não obsta que o
autor intente de novo a ação. Salvo quando o juiz acolher a alegação de perempção,
litispendência ou de coisa julgada.
§2º – Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve
questão incidente.
§3º – São despachos todos os demais atos do juiz praticado no processo, de oficio
ou a requerimento da parte, a cujo respeito à lei não estabelece outra forma. – O
despacho empurra o processo para frente, e ele não tem forma estabelecida. Exemplo:
quando o juiz manda citar o réu. Vide artigo 262.
Artigo 262 – O processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve
por impulso oficial. – Então o processo se inicia por provocação da parte, mas o seu
desenvolvimento é feito por iniciativa do juiz de oficio, através do despacho.
§4º – Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória,
independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo
juiz quando necessário. – então o próprio escrivão pode fazer o despacho, como a
juntada e a vista obrigatória.
Artigo 389 – Sempre que uma das partes requerer a juntada de documento aos
autos, o juiz ouvirá, a seu respeito, a outra parte, no prazo de 5 dias. – A parte vai
requerer a juntada, porque é um mecanismo processual.
Artigo 504 – Dos despachos não cabem recurso.
Obs.: Lembrando que o despacho não tem caráter decisório, ele apenas empurra o
processo para frente.

Então a sentença é o ato do juiz que encerra o processo de conhecimento, mas esse
encerramento pode ter ainda um desdobramento, tendo em vista que pode se partir para
uma fase de execução.
Recapitulando: o juiz pratica três atos:
• Despacho: ele empurra o processo para frente, não tem valor decisório, logo não
atinge nenhuma parte (logo não fere o direito material, nem processual de ninguém).
Lembrando que não cabe recurso contra despacho!
• Decisão interlocutória: são as decisões tomadas pelo juiz, que não se enquadram
no conceito de sentença. Exemplo: quando o juiz dá ou nega uma liminar, quando o juiz
indefere a prova pericial, quando o juiz defere a prova testemunhal, etc. logo essas
decisões não são exemplos de sentença, tendo em vista que com elas o processo não é
sanado.
• Sentença: é o ato final, ou seja, é o provimento final do processo de
conhecimento. É em função desse provimento final que são organizados todos os atos
preparatórios.
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AULA 8
A sentença tem uma função, ou seja, encerrar o processo. Hoje a sentença não
encerra o processo, tendo em vista que após a aprovação da sentença fica resolvida a
crise de direito material, consequentemente a fase de conhecimento. Então a sentença
é o ato do juiz que encerra a fase de conhecimento, lembrando que logo após pode vir
à fase de execução.
Sentença é ato que vai encerrar a fase de cognição do procedimento comum, ou
seja, o ordinário.
No processo de conhecimento, além da sentença encerrar o processo, ela vai
resolver a crise de direito material. Logo ela é de mérito (pois resolveu a crise de
direito material), consequentemente tem força de lei entre as partes.
A sentença que resolve a crise de direito material é chamada de sentença
definitiva (sentença de mérito). A sentença que não resolve a crise de direito material é
chamada de sentença terminativa, logo a crise continua a existir na sociedade.
A sentença de mérito (sentença definitiva) tem dois subtítulos:
• Sentença heterônoma: sentença em que o juiz resolve heteronomamente à crise
de direito material. Heteronomamente porque o Estado (juiz) impõe a vontade estatal, e
gostem as partes ou não, essa é a solução estatal da crise de direito material. Então é
uma sentença que impõe de fora para dentro, porque ela vem do Estado (que está de
fora) e se impõe as partes.
Sentenças heterônomas: Artigo 269 – Haverá resolução de mérito:
I – quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;
IV – quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição. Decadência é a perda
de um direito, pelo fato de seu titular não exercê-lo dentro do prazo legal, fora do
processo. Prescrição é a perda de um direito em razão da inércia de seu titular e do
decurso do tempo, dentro do processo.
• Sentença homologatória: nesses casos, o juiz não resolve propriamente a crise de
direito material, ele estampa a resolução da crise de direito material dada pelas partes.
Logo é uma solução autônoma, pois foi dada pelas partes. As partes, com o seu ato de
vontade, resolvem à crise de direito material. Consequentemente o juiz não impõe a
solução, mas simplesmente aceita.
Sentença homologatória: Artigo 269 – Haverá resolução de mérito:
II – quando o réu reconhecer a procedência do pedido. – ou seja, quando o réu
reconhecer que o autor tem direito àquilo que está pedindo.
III – quando as partes transigirem. – ou seja, quando entrarem em acordo;
V – quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. É o abandono
de um direito por vontade de seu titular.
Obs.: lembrando que ambas as sentenças são de mérito, logo importam na extinção
do processo com resolução de mérito, pois resolvem à crise de direito material.
Consequentemente fazem coisa julgada.
O Estado (juiz) por meio da função jurisdicional que atua por sua vez por meio do
processo, cuja missão é a resolução da crise de direito material. Então digamos que o
processo chegue ao seu final, consequentemente homologa-se a sentença, ocorrendo à
coisa julgada.
Significando que uma vez resolvida à crise de direito material pelo Estado (Juiz),
esta estará resolvida. Logo a parte não poderá mais discutir esse tema em juízo, pois já
se operou a coisa julgada.
Princípio da segurança jurídica: artigo 5º, XXXVI, CF.
Artigo 5º XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, ato jurídico perfeito
e a coisa julgada.
Então uma vez resolvida à crise de direito material pelo Estado (juiz), seja pelo juiz
ou homologando a solução das partes, a crise está encerrado e o processo não pode ser
rediscutido.
Artigo 467 – Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e
indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Logo a
coisa julgada é uma disposição processual que cai em cima da sentença e cobre seus
efeitos, de modo que os efeitos da sentença se tornam indiscutíveis e imutáveis.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
I – quando o juiz indeferir a petição inicial. – A petição inicial será indeferida
quando:
– quando for inepta, ou seja, quando lhe faltar pedido ou causa de pedir; quando da
narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; quando o pedido for
juridicamente impossível e quando contiver pedidos incompatíveis entre si.
– quando a parte for manifestamente ilegítima, ou seja, quando alguém pleitear, em
nome próprio, direito alheio;
– quando o autor carecer de interesse processual, ou seja, quando, por exemplo, o
autor recorrer ao poder judiciário para requerendo a sua aposentadoria, sem antes ter ido
ao INSS.
– quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição;
– quando o tipo de procedimento (sumaríssimo, sumário e ordinário), escolhido
pelo autor, não corresponder à natureza da causa, ou ao valor da ação, caso em que só
não será indeferida, se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal. Ou seja, o autor
tem uma causa cujo valor não excede a 60 vezes o valor do salário mínimo, mas a sua
ação é uma ação relativa ao estado e à capacidade da pessoa, mesmo assim, ele
escolhe o procedimento sumário. Consequentemente, a petição inicial será indeferida
tendo em vista que o tipo de procedimento correto, nesse caso, seria o procedimento
ordinário.
– quando o advogado não declarar na petição inicial ou na contestação, o endereço
que receberá a intimação. Nesse caso, o juiz antes de determinar a citação do réu,
mandará que se supra a omissão no prazo de 48 horas, sob pena de indeferimento da
petição inicial.
– quando a petição inicial não preencher os requisitos exigidos, ou que apresenta
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, o juiz
determinará que o autor a emende ou complete no prazo de 10 dias. Se o autor não
cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
II – quando ficar parado por mais de 1 ano por negligência das partes;
III – quando por não promover os atos e diligências que lhe competir, o autor
abandonar a causa por mais de 30 dias.
IV – quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo;
V – quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa
julgada; Perempção: é a extinção da relação processual pela perda de um prazo
definido e definitivo. Litispendência: quando se repete ação, que está em curso. Coisa
julgada: quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba
recurso.
VI – quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;
VII – pela convenção de arbitragem;
VIII – quando o autor desistir da ação; desistência: quando o autor não quer
prosseguir com a ação.
IX – quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal;
X – quando ocorrer confusão entre autor e réu.
XI – nos demais casos previstos neste Código.
Nesses casos acima, extingue o processo sem resolução de mérito, logo não
fazem coisa julgada material. Pois a sentença se limita a matar o processo, sem que o
mesmo desse uma solução para a crise de direito material. Logo a crise de direito
material permanece viva no seio da sociedade. Nesse caso, a parte poderá ajuizar
novamente a ação. Exceto no caso do inciso V.
Artigo 268 – Salvo o disposto no artigo 267, V, a extinção do processo não obsta
que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem
a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado.
A coisa julgada material da sentença de mérito estabiliza o efeito da sentença que
resolveu a crise de direito material, seja homologatória ou heterônoma.
Vide artigos 467 e 469 do anteprojeto.
Vide artigo 884 do anteprojeto.

O Estado (juiz) não é infalível, logo a coisa julgada pode ter saído errado,
consequentemente tem se uma ação rescisória.
Da ação rescisória:
Artigo 485 – A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida
quando:
I – se verificar que foi dada a prevaricação, concussão ou corrupção do juiz;
II – proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente;
III – resultar de dolo da parte vencedora me detrimento da parte vencida, ou de
colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei;
IV – ofender a coisa julgada;
V – violar literal disposição de lei;
VI – se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal,
ou seja, provada na própria ação rescisória;
VII – depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência
ignorava, ou de que não pode fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar
pronunciamento favorável;
VIII – houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em
que se baseou a sentença;
IX – fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa.

Vide anteprojeto 884.

Artigo 486 – Os atos judiciais, que não dependem de sentença, ou em que esta for
meramente homologatória, podem ser rescindidos, como os atos jurídicos em geral, no
termos da lei civil. Os atos judiciais referidos acontecem no processo de execução.
A sentença homologatória não pode ser objeto de ação rescisória, tendo em vista
que o juiz apenas homologou, pois as partes chegaram a uma solução do direito
material. Consequentemente a crise de direito material acaba com uma sentença
homologatória.
Somente através da ação anulatória será possível rescindir a sentença
homologatória. A ação anulatória é baseada no vício do negócio jurídico.
• Vício da vontade – dolo, erro e coação;
• Vícios sociais – fraude, lesão.
Logo nesse caso não vai se rescindir a sentença, mas sim o negócio jurídico.

884 e 894.
Obs.: a ação rescisória será cobrada apenas no final do semestre, o professor
ensinou apenas para que nós consigamos entender o que é uma ação rescisória. Mas ele
pode cobrar o básico da ação rescisória.
O Devido Processo Legal é aquele que é abstratamente posto na lei, de modo que
as partes saibam de antemão que se precisarem do judiciário, o mesmo vai trilhar o
caminho com tais possibilidades.
Quando o processo, que é o mecanismo de atuação da jurisdição estatal para
resolver a crise de direito material, contiver defeitos sérios. Correrá sem permitir que o
Estado (juiz) resolva a crise de direito material.
Então quando esse processo contém defeitos, a própria legislação processual prevê
que esse processo deve ser extinto sem resolução de mérito.
O processo é o mecanismo por meio do qual atua a função jurisdicional para
resolver a crise de direito material. Para que a função jurisdicional resolva a crise de
direito material é necessário, primeiro, que ela obedeça às regras processuais. Logo o
mérito do processo é a resolução de crise de direito material.
Cientificamente falando, o processo se autonomiza, ou seja, ele se desprega do
direito material, para que ele tenha as suas normas organizadas separadamente do
direito material. Mas o processo está vinculado ao direito material.
A sentença que promove a extinção do processo com resolução de mérito,
pressupõe que o mecanismo se desenvolveu valida e regularmente.
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AULA 9
A sentença do artigo 269 CPC faz coisa julgada material, se tornando assim lei
entre as partes. A sentença do artigo 267 CPC é uma sentença anômala, tendo em
vista que ela encerra o processo / procedimento, não resolvendo o mérito.
A sentença dada de acordo com o artigo 267 CPC jamais operará a chamada crise
de direito material. Pois nesse tipo de sentença o juiz se limita a reconhecer que o
processo não se formou, portanto não se desenvolveu de acordo com o devido processo
legal, logo o processo será extinto sem atingir o seu objetivo, que é resolver a crise de
direito material. Consequentemente a crise poderá ser posta novamente perante o poder
judiciário.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
IV – quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo;
VI – quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;
Obs.: Vejam vocês que as outras hipóteses praticamente vão se enquadrando nessas
duas grandes categorias.
O legislador processual segmenta (separa) duas matérias processuais de ordem
bastante importantes, que são os pressupostos processuais e as condições da ação.
Lembrando que ambas são questões de natureza processual porque acarretam na
extinção do processo sem a resolução da crise de direito material.
Os autores mais modernos pregam que essa divisão não deve existir. Mas o
anteprojeto mantém essa divisão.
Vide artigo 467 – 27 minutos mais ou menos
Os pressupostos processuais são listados no artigo 267, I, IV e V CPC. Os incisos
I e IV são chamados de positivos, pois eles precisam estar presentes para que o
processo seja válido e regular, possibilitando que seja resolvida a crise de direito
material. Já o V de negativo, porque se ele aparecer, extinguirá o processo sem
resolução de mérito.
Logo os pressupostos positivos precisam estar presentes, pois somente assim o
processo será válido e regular, permitindo assim a resolução do mérito. Já os
pressupostos negativos não podem estar presentes, tendo em vista que o processo será
extinto sem resolução de mérito.
A diferença básica entre pressupostos processuais e a condição da ação, segundo
a doutrina mais antiga, é que os pressupostos processuais dizem respeito ao processo.
Já as condições da ação são matérias processuais com os olhos voltados para o direito
material.
Obs.: devemos tomar cuidado, pois às vezes aparecem uma dicção preliminar, e a
palavra ou a dicção preliminar aparece no artigo 301 CPC. Pois nesse artigo consta
que o réu deve alegar na contestação, antes de da sua defesa de mérito, as chamadas
preliminares, que são matérias processuais que levam o processo a extinção sem
julgamento de mérito.
Para que vocês entendam melhor vejam o artigo 300 CPC, pois esse artigo vai dizer
que o réu, na contestação, tem que alegar toda a sua defesa de direito material.
Artigo 300 – Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa,
expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e
especificando as provas que pretende produzir.
Obs.: vejam a separação na matéria de defesa, entre o que é o mérito (direito
material) e o que é processo.
Artigo 301 – Compete-lhe, porém, antes de discutir o mérito alegar:
I – inexistência ou nulidade da citação;
II – incompetência absoluta;
III – inépcia da petição inicial;
IV – perempção;
V – litispendência;
VI – coisa julgada;
VII – conexão;
VIII – incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização;
IX – convenção de arbitragem;
X – carência da ação;
XI – falta de caução ou de outra prestação, que a lei exige como preliminar.
Obs.: esse bloco previsto no artigo 301 é todo enquadrado no artigo 267, pois é um
desdobramento do mesmo. São defeitos processuais que o réu alega preliminarmente na
sua contestação, ou seja, antes de entrar no mérito.
A primeira condição da ação é a legitimidade “ad causa”, que significa que o
autor do processo é o titular do direito material e que o réu do processo é o titular do
direito material.
Esta condição da ação (legitimidade “ad causa”), segundo a doutrina processual,
representa o fato de que no processo, como autor e réu, estão as partes do direito
material. Ou seja, o autor é o titular do direito subjetivo, o réu é o titular do dever de
cumprir a obrigação jurídica.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
IV – quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo; – significa que esse processo tem que
obedecer aos requisitos legais para a formação do procedimento, a fim de permitir a
sentença de mérito. Caso contrário extingue-se o processo sem resolução de mérito.
Esses pressupostos processuais, que são iguais aos pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo, são de duas ordens:
• Pressupostos subjetivos;
• Pressupostos objetivos.
Os pressupostos subjetivos se dividem em dois:
– pressupostos subjetivos relativos ao juiz / jurisdição;
– pressupostos subjetivos relativos às partes.
Pressupostos subjetivos relativos ao juiz / jurisdição:
O primeiro pressuposto relativo ao juiz / jurisdição é que seja um juiz
verdadeiramente investido na jurisdição brasileira.
O segundo pressuposto relativo ao juiz / jurisdição é que o juiz tem que ser
competente. Para sabermos se o juiz é ou não competente, temos que observar as regras
processuais postas na legislação.
O terceiro pressuposto relativo ao juiz / jurisdição é que o juiz tem que ser neutro,
imparcial, um 3º desinteressado. Logo o juiz não pode ser impedido e nem suspeito.
Do impedimento e da suspeição
Artigo 134 – É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo contencioso
ou voluntário:
I – de que for parte;
II – em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou
como órgão do MP, ou prestou depoimento como testemunha;
III – que conheceu em primeiro grau de jurisdição, tendo-lhe proferido sentença
ou decisão;
IV – quando nele estiver postulando, como advogado da parte, o seu cônjuge ou
qualquer parente seu, consangüíneo ou afim, em linha reta; ou na linha colateral até o
segundo grau;
V – quando cônjuge, parente, consangüíneo ou afim, de alguma das partes, em
linha reta ou, na linha colateral, até o segundo grau;
VI – quando for órgão de direção ou de administração de pessoa jurídica, parte ou
causa.
Parágrafo único. No caso do IV, o impedimento só se verifica quando o advogado
já estava exercendo o patrocínio da causa, é, porém, vedado ao advogado pleitear no
processo, a fim de criar o impedimento do juiz.
Artigo 135 – Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz, quando:
I – amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes;
II – alguma das partes for credora ou devedora do juiz, de seu cônjuge ou de
parentes destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro grau;
III – herdeiro presuntivo, donatário ou empregado de alguma das partes;
IV – receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo, aconselhar alguma
das partes acerca do objeto da causa, ou subministrar meios para atender às despesas
do litígio;
V – interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes.
Parágrafo único. Poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo íntimo.

Pressupostos subjetivos relativos às partes:


• As partes terão capacidade processual que é parecida com a capacidade de
exercício do direito civil. Ou seja, ela tem que ter capacidade de exercer o seu direito.
• Capacidade postulatória, a parte só pode aparecer no processo apresentada por um
advogado. Vide artigo 36 CPC.
Artigo 36 – A parte será representada em juízo por advogado legalmente
habilitado. Ser-lhe-á lícito, no entanto, postular em causa própria, quando tiver
habilitação legal ou, não a tendo, no caso de falta de advogado no lugar ou recusa ou
impedimento dos que houver.
Pressuposto objetivo:
O primeiro pressuposto processual objetivo é a petição inicial. E para que a
petição inicial seja apta para provocar a formação do processo, ela tem que ser
obediente aos artigos 282 e 283.
Artigo 282 CPC – A petição inicial indicará:
I – o juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II – os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e
do réu;
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; por exemplo: a compra e venda
da bolsa. Com o pagamento do autor e a não entrega por parte do devedor.
IV – o pedido, com as suas especificações; exemplo: condenação da Roberta para
que a mesma entregue a bolsa.
V – o valor da causa;
VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII – o requerimento para a citação do réu.
Artigo 283 – A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à
propositura da ação.
Obs.: No artigo 267, I, proclama-se que o processo será extinto quando a petição
inicial for indeferida. Vide artigo 295 CPC.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
I – quando o juiz indeferir a petição inicial.
Artigo 295 – A petição inicial será indeferida quando:
– quando for inepta; ou seja, quando lhe faltar pedido ou causa de pedir; quando da
narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; quando o pedido for
juridicamente impossível e quando contiver pedidos incompatíveis entre si.
– quando a parte for manifestamente ilegítima, ou seja, quando alguém pleitear, em
nome próprio, direito alheio;
– quando o autor carecer de interesse processual, ou seja, quando, por exemplo, o
autor recorrer ao poder judiciário para requerendo a sua aposentadoria, sem antes ter ido
ao INSS.
– quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição;
– quando o tipo de procedimento (sumaríssimo, sumário e ordinário), escolhido
pelo autor, não corresponder à natureza da causa, ou ao valor da ação, caso em que só
não será indeferida, se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal. Ou seja, o autor
tem uma causa cujo valor não excede a 60 vezes o valor do salário mínimo, mas a sua
ação é uma ação relativa ao estado e à capacidade da pessoa, mesmo assim, ele
escolhe o procedimento sumário. Consequentemente, a petição inicial será indeferida
tendo em vista que o tipo de procedimento correto, nesse caso, seria o procedimento
ordinário. Pois o procedimento sumário não será observado nas ações relativas ao
estado e a capacidade das pessoas.
– quando o advogado não declarar na petição inicial ou na contestação, o endereço
que receberá a intimação. Nesse caso, o juiz antes de determinar a citação do réu,
mandará que se supra a omissão no prazo de 48 horas, sob pena de indeferimento da
petição inicial.
– quando a petição inicial não preencher os requisitos exigidos, ou que apresenta
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, o juiz
determinará que o autor a emende ou complete no prazo de 10 dias. Se o autor não
cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
O segundo pressuposto processual objetivo é a citação válida.
Artigo 214 – Para a validade do processo, é indispensável à citação inicial do réu.
O terceiro pressuposto processual objetivo é o valor da causa.
Já vimos o artigo 267, I e IV. Agora veremos o 267, V, que são os pressupostos
negativos. Pois se eles aparecerem no processo, acarretarão a extinção do processo sem
julgamento de mérito.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
V – quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa
julgada; Perempção: é a extinção da relação processual pela perda de um prazo
definido e definitivo. Litispendência: quando se repete ação, que está em curso. Coisa
julgada: quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba
recurso.
No artigo 268, parágrafo único tem o conceito de perempção.
Artigo 268 – Salvo o disposto no artigo 267, V, a extinção do processo não obsta
que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem
a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado.
Parágrafo único. Se o autor de causa, por três vezes, à extinção do processo pelo
fundamento previsto no inciso III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação
contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade
de alegar em defesa o seu direito.
267 – III – quando, por não promover os atos e diligências que lhe competir, o
autor abandonar a causa por mais de 30 dias.
Existem duas formas de abandono processual:
• 267 – II – quando ficar parado durante mais de 1 ano por negligência das partes.
• 267 – III – quando, por não promover os atos e diligências que lhe competir, o
autor abandonar a causa por mais de 30 dias.
Obs.: §1º O juiz ordenará, nos casos dos incisos II e III, o arquivamento dos autos,
declarando a extinção do processo, se a parte, intimada pessoalmente, não suprir a
falta em 48 horas. O STJ entende que o abandono da causa indica um desinteresse por
parte do autor e deve ser aferido mediante a intimação pessoal da própria parte, uma vez
que a inércia pode ser exatamente do profissional eleito para o patrocínio. Por isso o
processo não pode ser extinto por abandono de causa, nos termos do artigo 267 inciso
III, antes da notificação pessoal do autor. Logo o autor tem que ser intimado
pessoalmente de que o processo será extinto por abandono.
Obs.: O STJ cristalizou esse fato na sumula 240, que dispõe da seguinte forma: a
extinção do processo por abandono da causa pelo autor, depende de requerimento do
réu. Então para que a extinção nos termos do artigo 267 – III seja utilizada, é
necessário que primeiro o réu faça um requerimento e segundo que ocorra a intimação
pessoal do próprio autor.
No artigo 301, §§ 1º e 3º, tem o conceito de litispendência e coisa julgada.
Para saber que se uma ação é igual à outra basta saber quais são os elementos da
ação. Os elementos da ação são:
• Partes;
• Causa de pedir;
• Pedido.
Artigo 301 – Compete-lhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar:
§1º – Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação
anteriormente ajuizada. Para sabermos se uma ação esta sendo repetida, basta olharmos
os elementos da ação.
§2º – Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa
de pedir e o mesmo pedido. Obs.: esse parágrafo representa o núcleo do artigo 282
CPC, pois esse artigo nos diz que temos que indicar as partes, a causa de pedir e o
pedido. Os demais requisitos do artigo 282 são regras processuais, tais como a
competência, a citação, a produção de prova e o valor da causa.
§3º – Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa
julgada, quando se repete ação que foi decidida por sentença, de que não caiba
recurso.
§4º – Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de oficio da matéria
enumerada nesse artigo.
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AULA 10
Anteprojeto 467, III (conferir) – abandono da causa pelo autor.

Condições da ação – artigo 267, VI.


Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
VI – quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual.
• possibilidade jurídica; o nosso CPC adota essa nomenclatura, mas em uma
perspectiva teórica.
• legitimidade das partes; – “ad causa” – coloca os olhos no direito material, que
é o objeto da ação, logo autor é o credor do direito material e o réu é o devedor do
direito material.
• interesse processual. A jurisdição atua em prol da sociedade. Logo a jurisdição
somente pode ser provocada dentro de um contexto em que haja uma crise de direito
material, tendo em vista que a sua função é resolver as crises de direito material.
Obs.: a legitimidade das partes e o interesse processual são as duas condições
básicas da ação. Vide artigo 3º CPC.
Artigo 3º – Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade.
O anteprojeto some com a possibilidade jurídica, vide artigo 467 VI ou III.
Obs.: o pressuposto processual positivo (IV), negativo (V) e as condições da
ação (VI), podem ser examinados de ofício pelo juiz. Caso ele detecte a falta de
pressuposto processual ou de condição da ação, ele irá extinguir o processo sem
resolução de mérito, independentemente do grau de jurisdição. Esse é um dos pontos
mais importantes dessa matéria. Vide artigo 267, §3º.
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
§3º O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto
não proferida a sentença de mérito, da matéria constante nos incisos IV, V e VI;
todavia, o réu que não alegar, na primeira oportunidade em que lhe cabia falar nos
autos, responderá pelas custas de retardamento.
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
VII – pela convenção de arbritagem. Apareceu no CPC por volta de 1995 com a
quebra do monopólio da jurisdição. Consequentemente passou a permitir uma solução
fora da jurisdição estatal, através da arbitragem.
As partes podem ajustar a cláusula de arbitragem, dentro da qual a crise não pode
ser resolvida pelo judiciário, mas sim pelo arbitro privado. Consequentemente as partes
não podem levar a crise para a jurisdição estatal, caso levem, o processo será extinto
sem resolução de mérito.
Obs.: nesse caso o juiz não pode conhecer da cláusula de arbitragem de oficio, vide
artigo 301, §4º.
Artigo 301 – Compete-lhe, porém, antes de discutir o mérito alegar:
§4º – Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de oficio da matéria
enumerada nesse artigo.
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
IX – quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal; Logo o
direito material, que é o objeto do processo, for intransmissível, o processo será extinto
sem resolução de mérito. Exemplo: o professor ajuizou uma ação buscando a
condenação da Flávia, para que a mesma entregue para ele a sua bolsa com sapinhos.
Caso o professor morra no meio do processo, o seu direito será transmissível para os
seus herdeiros (vide artigo 43 CPC), logo o processo não vai se extinguir. Se a Flávia
morrer, os herdeiros irão para o pólo passivo, para que os mesmos cumpram a
obrigação, tendo em vista que esse direito, é um direito patrimonial.
Artigo 43. Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a substituição pelo
seu espolio ou pelos sucessores, observado o disposto no artigo 265.
Agora se o professor tiver ajuizado uma ação para pedir o divórcio da Flávia. Caso
a Flávia morra, o processo será extinto sem resolução de mérito, tendo em vista que a
ação é considerada intransmissível.
Então quando o direito material for intransmissível, o processo será extinto sem
julgamento de mérito, pois o mesmo não passa da pessoa do de cujus para os herdeiros.
Caso o direito material seja transmissível, ou seja, passar da pessoa do de cujus para os
herdeiros, o processo continuará.
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
X – quando ocorrer confusão entre autor e réu. Artigo 382 CC
Artigo 382 CC. A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só
parte dela. É a confusão de direito material, onde as figuras de credor e devedor se
confundem em um sujeito só. Exemplo: o ITAÚ comprou o UNIBANCO, logo o ITAU
não poderá mais cobrar uma dívida que existia, pois como o ITAU cobrará dele mesmo?
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AULA 11
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
VIII – quando o autor desistir da ação; desistência: quando o autor não quer
prosseguir com a ação, tendo em vista que está abrindo mão do processo. Ele NÃO está
abrindo mão do direito material, apenas do processo. Por isso ele pode ajuizar a ação
outra vez, pois o direito material continua vivo.
A desistência da ação precisa ser reconhecida por sentença, por ato do juiz.
Lembrando que o autor pode desistir da ação antes da citação, pois nesse caso o réu
não faz parte do processo. Caso o réu tenha sido citado e já tiver apresentado a defesa
(resposta nos autos), o autor não poderá desistir da ação sem o consentimento do réu.
Artigo 158. Os atos das partes, consistentes em declarações unilaterais ou
bilaterais de vontade, produzem imediatamente a constituição, a modificação ou a
extinção de direitos processuais.
Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá efeito depois de homologada
por sentença.
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
§4º Depois de decorrido o prazo para resposta, o autor não poderá, sem o
consentimento do réu, desistir da ação.
Recapitulando. Antes da citação o autor pode desistir da ação, tendo em vista que
é um ato unilateral do autor. Depois da resposta do réu, o autor não poderá desistir
da ação sem o consentimento do réu. Lembrando que caso o réu aceite a desistência do
autor, nada impedi que o mesmo ajuíze novamente outra ação.
Obs.: quando começa a contar o prazo de 15 dias que o réu tem para apresentar a
sua resposta? A partir do dia em que o mandado de citação cumprido ou o aviso de
recebimento forem juntados aos autos.
Da resposta do réu
Artigo 297 – O réu poderá oferecer, no prazo de 15 dias, em petição escrita,
dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e reconvenção.
Artigo 241. Começam a correr o prazo:
I – quando a citação ou intimação for pelo correio, da data da juntada aos autos
do aviso de recebimento;
II – quando a citação ou a intimação for por oficial de justiça, da data da juntada
aos autos do mandado cumprido.
III – quando houver vários réus, da data de juntada aos autos do último aviso de
recebimento ou mandado citatório cumprido;
IV – quando o ato se realizar em cumprimento de carta de ordem, precatória ou
rogatória, da data da juntada aos autos devidamente cumprida;
V – quando a citação for por edital, finda a dilação assinada pelo juiz.
Obs.: a legislação determina que: §4º Depois de decorrido o prazo para resposta,
o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação.
Obs.: o STJ está de acordo com o CPC, pois ele entende que somente é necessária
a anuência do réu, em relação ao pedido de desistência da ação, quando este é
formulado depois de decorrido o prazo para o oferecimento de resposta.

O anteprojeto muda isso. Vide artigo 467 §1 e §4. Logo o marco é a efetiva
contestação.

Artigo 269 – Haverá resolução de mérito:


V – quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. É a renúncia
do direito material por vontade de seu titular. Nesse caso o réu não será ouvido, tendo
em vista que isso é um ato unilateral, é uma manifestação de vontade, e o autor pode
renunciar a qualquer tempo. Nessa hipótese ele NÃO poderá ajuizar outra ação, pois
ao renunciar ao direito, faz coisa julgada material.
______________________________________________________________________

A suspensão do processo ocorre entre a fase postulatória e a fase decisória. Mas


nesse caso o processo não é extinto, ele apenas entra em um estado de latência, ele fica
inerte. A suspensão do processo é a paralisação momentânea do mesmo, tendo em
vista que surge no curso do processo / procedimento um obstáculo qualquer que impede
a sua marcha. Consequentemente ele fica inerte durante um determinado tempo para
que seja eliminado esse obstáculo. As causas de suspensão do processo estão previstas
no artigo 265 CPC.
Artigo 265. Suspende-se o processo:
I – pela morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu
representante legal ou de seu procurador.
II – pela convenção das partes.
III – quando for oposta exceção de incompetência do juiz, da câmara ou do
tribunal, bem como de suspeição ou impedimento do juiz.
IV – quando a sentença de mérito:
a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou
inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo
pendente;
b) não puder ser proferida senão depois de verificado determinado fato, ou de
produzida certa prova, requisitada a outro juízo;
c) ou tiver pressuposto o julgamento de questão de estado (separação, divórcio ou
investigação de paternidade), requerido como declaração incidente.
V – por motivo de força maior;
VI – nos demais casos, que este código regula.
§1º No caso de morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes,
ou de seu representante legal, provado o falecimento ou a incapacidade, o juiz
suspenderá o processo, salvo se já tiver iniciado a audiência de instrução e
julgamento; caso em que:
a) o advogado continuará no processo até o encerramento da audiência.
b) o processo só se suspenderá a partir da publicação da sentença ou do acórdão.
§2º No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que iniciada a
audiência de instrução e julgamento, o juiz marcará, a fim de que a parte constitua
novo mandatário, o prazo de 20 dias. Findo qual extinguirá o processo sem julgamento
do mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou mandará prosseguir no
processo, a revelia do réu, tendo falecido o advogado deste.
§3º A suspensão do processo por convenção das partes, de que trata o inciso II,
nunca poderá exceder a 6 meses, findo o prazo, o escrivão fará os autos conclusos ao
juiz, que ordenará o prosseguimento do processo.
§4º No caso do inciso III, a exceção, em primeiro grau de jurisdição, será
processada na forma do disposto neste Livro, Título VIII, Capítulo II e no tribunal,
consoante lhe estabelecer o regimento interno.
§5º Nos casos enumerados nas letras a, b e c do inciso IV, o período de suspensão
nunca poderá exceder a 1 ano, findo este prazo, o juiz mandará prosseguir no processo.
Obs.: o inciso VI diz: nos demais casos que esse código regula. Vide artigos 173 e
179 CPC. São casos de suspensão do processo que não estão previstos no artigo 265.
Artigo 173. Durante as férias e no feriados não se praticarão atos processuais.
Excetuando-se:
I – a produção antecipada de provas (artigo 846);
II – a citação, a fim de evitar o perecimento de direito, e bem assim o arresto, o
seqüestro, a penhora, a arrecadação, a busca e apreensão, o depósito, a prisão, a
separação de corpos, a abertura de testamentos, os embargos de terceiro, a nunciação
de obra nova e outros atos análogos.
Parágrafo único: o prazo para a resposta do réu só começará a correr no
primeiro dia útil seguinte ao feriado ou às férias.
Artigo 179. A superveniência de férias suspenderá o curso do prazo; o que lhe
sobejar recomeçará a correr no primeiro dia útil seguinte ao termo das férias.
Obs.: Durante a suspensão é defeso a pratica de atos processuais, caso os atos sejam
praticados, ele serão nulos.
Artigo 266. Durante a suspensão é defeso praticar qualquer ato processual;
poderá o juiz, todavia, determinar a realização de atos urgentes, a fim de evitar dano
irreparável.
Obs.: a causa de suspensão do processo mais comum é a morte. Mas o juiz não
fica sabendo imediatamente que a parte morreu, consequentemente vai decorrer certo
lapso de tempo. Consequentemente os atos serão praticados até que o juiz fique sabendo
da morte. Este é o maior problema, pois quando iremos considerar que o processo está
suspenso? Quando o juiz mandar parar o processo ou quando ocorreu o fato que
suspende?
O STJ tem sistematicamente decidido que o processo se suspende com a ocorrência
do fato, ou seja, com a morte. Logo os atos processuais que aconteceram entre a morte e
a ciência do juiz são nulos.
Obs.: a ocorrência do fato suspende o processo. A decisão do juiz que reconhecer o
fato é meramente declaratória. Nesse caso o STJ decidiu que o pronunciamento do juiz
reconhecendo a causa de extinção do processo é ex-tunc. O ato do juiz que determina a
suspensão do processo por falecimento da parte, possui natureza meramente
declarativa, retroagindo ao momento do óbito. Logo se reputam nulos os atos
processuais praticados no período de suspensão, conforme disposição expressa do
artigo 266 CPC.
O falecimento de qualquer das partes suspende o processo no exato momento em
que se deu, invalidando os atos processuais até então praticados.
Obs.: a única exceção do rol do artigo 265 é o inciso IV, pois nessa hipótese não é
declaratória e sim CONSTITUTIVA.
______________________________________________________________________

AULA 12
As causas de suspensão do processo são fatos que tendem a ocorrer no mundo
natural, de modo que os fatos ocorrem um dia, e o reconhecimento desses fatos pelo juiz
leva um determinado lapso de tempo. Ao chegar ao conhecimento do juiz, ele irá
paralisar a marcha processual.
Obs.: o fato gerador deve paralisar a marcha processual, de modo que
independentemente do reconhecimento judicial, tem-se o processo / procedimento
suspenso. A decisão judicial que reconhece essa suspensão e determina a paralisação
do processo é meramente declarativa e tem efeitos ex-tunc. Ou seja, reconhece que o
processo está suspenso desde a data do fato gerador, de modo que todos os atos
processuais praticados nesse interstício são nulos. Porque isso ocorre? Porque os fatos
acontecem, mas eles não entram imediatamente no processo, eles não vão para as mãos
do juiz imediatamente. Lembrando que uma das principais causas de suspensão do
processo é a morte de uma das partes. Quando uma das partes morre, o juiz só ficará
sabendo depois de uns dois meses, e inevitavelmente nesse período serão praticados
atos processuais. Quando o juiz tomar conhecimento da morte, imediatamente
suspenderá o processo, e os atos processuais, praticados entre o fato e o
reconhecimento judicial, serão nulos.
Artigo 265. Suspende-se o processo:
I – pela morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu
representante legal ou de seu procurador. – pela morte ou pela perda da capacidade de
exercício (direito civil), ou seja, as pessoas têm capacidade de direito, logo elas são
titulares de direitos e deferes, mas se elas sofrerem de causas de incapacidade, elas
perdem a capacidade de exercício. De modo que elas são titulares de direito, mas não
podem exercer esse direito por si mesmo. Logo esse direito será exercido por meio de
um representante legal (pais, tutores, curadores, etc.).
Se morrer no processo a parte, ou seu representante legal ou seu procurador, o
processo será suspenso.
O processo se suspende, para que seja completada a capacidade da parte. Seja
porque teremos uma alteração de partes (causada pela morte ou pela perda da
capacidade) ou uma alteração na representação da parte (morte ou perda de capacidade).
Vide artigo 43 CPC.
Artigo 43. Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a substituição pelo
seu espolio ou pelos sucessores, observado o disposto no artigo 265. Ocorrerá a
suspensão do processo para que os herdeiros ou seu espólio entrem no lugar da parte
falecida. Esse fenômeno se chama substituição de partes. O processo tem que ser
suspenso, para que entrem os herdeiros, que são os novos titulares do direito, e para que
eles possam participar em contraditório no processo.
Obs.: no caso de morte da parte, ou de perda da capacidade, não existe prazo para
que o processo seja suspenso.
Obs.: quando uma parte morre e ela não tem herdeiros, a herança vai para o
município.
Obs.: tem uma hipótese que se a parte morrer, irá se extinguir o processo sem
resolução de mérito: quando a ação for considera intransmissível por disposição legal,
pois o direito material é intransmissível por sucessão. Agora se o direito material, ou
seja, o objeto do processo for transmissível por sucessão hereditária, esse direito será
transferido para os herdeiros. Logo o processo será suspenso em razão da morte, para
que seja dado um prazo para que os herdeiros assumam a condição de parte no processo
no lugar do de cujus.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
IX – quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal.
Obs.: o CPC dispõe que se a parte morrer no meio da audiência de instrução e
julgamento (AIJ), o processo não será suspenso!
Artigo 265. Suspende-se o processo:
§1º No caso de morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes,
ou de seu representante legal, provado o falecimento ou a incapacidade, o juiz
suspenderá o processo, salvo se já tiver iniciado a audiência de instrução e
julgamento; caso em que:
a) o advogado continuará no processo até o encerramento da audiência.
b) o processo só se suspenderá a partir da publicação da sentença ou do acórdão.
§2º No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que iniciada a
audiência de instrução e julgamento, o juiz marcará, a fim de que a parte constitua
novo mandatário, o prazo de 20 dias. Findo qual extinguirá o processo sem
julgamento do mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou mandará
prosseguir no processo, a revelia do réu, tendo falecido o advogado deste.

Anteprojeto vide 303 §1º.

Suspensão convencional do processo vem do acordo de vontade das partes.


Artigo 265. Suspende-se o processo:
II – pela convenção das partes. É permitido às partes fazerem um acordo para que
seja feita a suspensão do processo. Isso é feito através de uma petição conjunta. No
momento em que as partes fizeram o acordo, o processo está suspenso, logo o ato do
juiz ao reconhecer a suspensão, é um ato meramente declaratório, se retroagindo ao
momento em que o acordo foi assinado.
§3º A suspensão do processo por convenção das partes, de que trata o inciso II,
nunca poderá exceder a 6 meses, findo o prazo, o escrivão fará os autos conclusos ao
juiz, que ordenará o prosseguimento do processo.
Artigo 158. Os atos das partes, consistentes em declarações unilaterais ou
bilaterais de vontade, produzem imediatamente a constituição, a modificação ou a
extinção de direitos processuais.
Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá efeito depois de homologada
por sentença.
A outra hipótese de suspensão do processo é através da apresentação pelo réu ou
pelo autor, das exceções de impedimento e suspeição do juiz, ou através da
apresentação pelo réu da exceção de incompetência relativa.
III – quando for oposta exceção de incompetência do juiz, da câmara ou do
tribunal, bem como de suspeição ou impedimento do juiz.
§4º No caso do inciso III, a exceção, em primeiro grau de jurisdição, será
processada na forma do disposto neste Livro, Título VIII, Capítulo II e no tribunal,
consoante lhe estabelecer o regimento interno.
Artigo 304. É licito a qualquer das partes argüir, por meio de exceção, a
incompetência (artigo 112), o impedimento (artigo 134) ou a suspeição (artigo 135).
Obs.: apesar de estar expresso no caput do artigo 304 que é licito a qualquer da
partes argüir, por meio de exceção a incompetência relativa (artigo 112), pois somente
o réu pode argüir. Depois veremos isso com mais calma.
Artigo 306. Recebida a exceção, o processo ficará suspenso (artigo 265, III), até
que seja definitivamente julgada.
Artigo 265. Suspende-se o processo:
IV – quando a sentença de mérito:
a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou
inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo
pendente; – isso é o que chamamos de prejudicial externa, pois existe uma prejudicial
fora do processo que impede a resolução de questão do processo referido na alínea a.
Então tem-se dois processos, surge no processo dois a prejudicial, pois o processo não
poderá ser julgado até que seja resolvido o objeto principal do processo um. Exemplo:
digamos que o professor entre com uma investigação de paternidade contra o seu
suposto pai, logo ele está querendo o reconhecimento, de que aquele cidadão é o seu
pai. Mas no meio do caminho havia uma pedra, ou seja, o pai morre. Consequentemente
se o professor é filho ele vira herdeiro. Então os filhos não querem permitir que o
professor receba a sua parte na herança, tendo em vista que ainda não foi atestada a
paternidade. Isso é uma prejudicial externa, logo o processo de recebimento de cota
hereditária será parado, até que julgue a ação de paternidade.
b) não puder ser proferida senão depois de verificado determinado fato, ou de
produzida certa prova, requisitada a outro juízo; Prejudicial interna, que surge no
próprio processo.
c) ou tiver pressuposto o julgamento de questão de estado (separação, divórcio ou
investigação de paternidade), requerido como declaração incidente. Prejudicial
interna, que surge no próprio processo.
§5º Nos casos enumerados nas letras a, b e c do inciso IV, o período de suspensão
nunca poderá exceder a 1 ano, findo este prazo, o juiz mandará prosseguir no processo.
Artigo 265. Suspende-se o processo:
V – por motivo de força maior; – no Direito Civil existe uma diferença entre força
maior e caso fortuito. Força maior seria um ato humano, e caso fortuito é um ato da
natureza. Exemplo: um advogado está se dirigindo para o fórum quando percebe que a
ponte que liga a sua cidade ao fórum caiu, portanto o fórum ficará inacessível. Ou a
cidade em que está localizado o fórum ficou inundada pelas chuvas, consequentemente
o fórum está inacessível. Logo o processo será suspenso, (casos fortuitos). Ou algum
cidadão revoltado com a decisão judicial, na calada da noite, resolve colocar fogo no
fórum, queimando vários processos, logo o processo também será suspenso, (caso de
força maior).
Logo o ato do juiz que reconhece esses atos é meramente declaratório, pois o que
suspende o processo é a catástrofe. Força maior ou caso fortuito.
Obs.: os advogados da União fizeram greve requerendo aumento de salários,
consequentemente requereram junto ao STJ a suspensão dos processos que eram da
competência deles (advogados), alegando motivo de força maior. O STJ entendeu que o
processo não seria suspenso, tendo em vista que não era caso de força maior, pois a
decisão de parar foi dos advogados. Consequentemente os prazos deles estavam
correndo normalmente.
Obs.: quando os serventuários da justiça fizeram greve, ocorreu a suspensão dos
processos, tendo em vista que a greve está ligada ao funcionamento do poder judiciário.
Nesse caso é força maior.
Jurisprudência: A Corte Especial do STJ ao apreciar o pedido de suspensão dos
prazos processuais em virtude de greve dos advogados da União, entendeu que o
movimento não constituía motivo de força maior apta a suspender os prazos nos termos
do artigo 265, V, CPC. Logo os prazos continuam correndo.
Jurisprudência: suspende-se o curso do processo por motivo de força maior (greve
dos servidores judiciários), os prazos começaram a correr, na data em que houver
publicado o ato da cessação da greve.

O anteprojeto aumenta as causas de suspensão. 302 IV.


______________________________________________________________________

AULA 13
Competência:
Artigo 282 CPC – A petição inicial indicará:
I – o juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II – os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e
do réu; – São as partes do processo civil.
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; – é a famosa causa de pedir. Por
exemplo: a compra e venda da bolsa. Com o pagamento do autor e a não entrega por
parte do devedor.
IV – o pedido, com as suas especificações; – exemplo: condenação da Roberta para
que a mesma entregue a bolsa.
V – o valor da causa;
VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII – o requerimento para a citação do réu.
A petição inicial tem que ser dirigida para um determinado órgão do poder
judiciário. Mas dentro do poder judiciário, existem vários juizes, por isso é importante
sabermos qual é o juiz ou o tribunal, a que é dirigida à petição inicial, pois a petição
inicial não pode ser simplesmente jogada dentro do âmbito da função jurisdicional.
A Função Jurisdicional, apesar de ser Una, precisa ser distribuída dentro do
Território Estatal, a fim de que ela seja organizada e pensada. Aqui entra a idéia de
burocracia estatal.
A competência é o regramento constitucional legal que produz uma distribuição de
tarefas dentro da função jurisdicional, ou seja, produz uma distribuição de tarefas entres
os juizes e juízos, a fim de melhor organizar os serviços jurisdicionais.
O Estado Brasileiro se distribui em três esferas:
• A esfera maior é a União;
• A esfera intermediária é o Estado e o DF;
• A esfera menor é o Município.
Os artigos 21 a 30 – CF, distribuem as competências estatais entre os três entes da
federação. A mesma coisa ocorre com o poder judiciário.
Obs.: A competência que cada juiz tem é a medida de sua jurisdição. Logo eles
somente podem exercer a função jurisdicional nessas medidas. Caso contrário o
processo será inválido, tendo em vista que terá ocorrido extrapolação.
Logo se um juiz de direito de BH estiver passeando em MOC, e lá ocorrer uma
crise de direito material, esse juiz de direito de BH não poderá exercer a sua jurisdição
em MOC.
O primeiro contexto que surge, é o exercício da função jurisdicional brasileira no
cenário internacional. Vide artigo 88 CPC.
Artigo 88. É competente a autoridade judiciária brasileira quando:
I – o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;
II – no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; – são as obrigações do direito
civil.
III – a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil. Exemplo:
imaginem dois japoneses brigando em Copacabana, no Rio de Janeiro. Depois de
muitos socos e chutes, o mais forte arranca e joga o relógio Rolex do mais fraquinho no
mar. O mais fraquinho então resolve acionar a jurisdição brasileira, para que seja
ressarcido o seu imenso prejuízo. Ele pode se valer da nossa jurisdição porque o fato
ocorreu no Brasil.
Obs.: se essa briga houver ocorrido em Tóquio, mesmo que um deles seja
brasileiro, ele não pode acionar a jurisdição brasileira, pois a mesma não é competente,
tendo em vista que o fato ocorreu no Japão.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no nº. I, reputa-se domiciliado no Brasil a
pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal.
Obs.: o réu pode ser pessoa natural ou jurídica, lembrando que o CPC exige a
residência, logo o réu não precisa ser cidadão brasileiro.
Dentro do cenário internacional a jurisdição brasileira aceita as decisões de outros
Estados, logo a jurisdição brasileira não se fecha ao Brasil. Pois as decisões estrangeiras
podem ser cumpridas no Brasil e vice-versa. Exemplo: dois americanos brigam
judicialmente nos EUA e a decisão causará reflexos no Brasil, tendo em vista que a
decisão será cumprida aqui. Mas essa decisão tem que ser analisada para que possa ser
cumprida, pois ela tem que ser compatível com os princípios de direito brasileiro.
Exemplo: imagem que aquela moça no Irã, que está sendo condenada à morte por
apedrejamento, consiga fugir para o Brasil, e o Lula a ofereça asilo. Consequentemente
o Irã diz ao Brasil que quer cumprir a sentença homologada, mas a jurisdição brasileira
não irá homologar essa sentença. Mas irá nacionalizar a sentença iraniana para que a
mesma esteja de acordo com os princípios de direito brasileiro. Vide artigo 483 CPC.
Artigo 483. A sentença proferida por tribunal estrangeiro não terá eficácia no
Brasil senão depois de homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
Obs.: hoje essa competência não é mais do STF e sim do STJ, devido à emenda
constitucional nº. 45. Isso é a revogação tácita. Vide artigo 105, I, i, CF.
Artigo 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I – processar e julgar originariamente:
i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas
rogatórias.
Obs.: o exequatur significa cumpra-se. Logo o STJ determina o cumprimento da
carta rogatória.
Cláusula de reserva: existem determinadas situações onde a jurisdição brasileira
reserva especificamente a perspectiva de realizar determinada demanda, ou seja, ela não
aceita que determinada demanda seja homologada. Vide artigo 89 CPC.
Artigo 89. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de
qualquer outra: – com a exclusão de qualquer outra, essa é a cláusula de reserva.
I – conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II – proceder a inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o autor
da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional. – o autor da
herança é o de cujus. É o caso, por exemplo, de uma pessoa que reside no exterior,
nunca veio ao Brasil, mas mesmo assim, comprou imóveis aqui. Consequentemente os
herdeiros estão todos no estrangeiro, então o inventário será processado no estrangeiro,
mas os bens que estão no Brasil, serão processados aqui devido à cláusula de reserva.
Agora, se o cidadão for estrangeiro, mas residir aqui, o inventário será processado aqui,
e se caso o cidadão tiver bens no exterior, esse país processará o inventário lá, se
utilizando da sua cláusula de reserva.
Obs.: o anteprojeto, no artigo 26, exclui a atuação da jurisdição brasileira perante
a jurisdição estrangeira, quando as partes ajustam um contrato. E ao ajustarem esse
contrato, elas prevêem uma situação que interfere diretamente no processo.
As cláusulas que interferem diretamente no processo são:
• arbitragem;
• a cláusula de escolha de foro.
Art. 26. Não cabem à autoridade judiciária brasileira o processamento e o
julgamento das ações quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro,
arguida pelo réu na contestação. – anteprojeto.
Obs.: O Artigo 90 CPC prevê a inexistência de litispendência entre duas causas
idênticas, correndo uma na jurisdição brasileira e outra na jurisdição estrangeira.
Artigo 90. A ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz litispendência,
nem obsta a que a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das
que lhe são conexas.
Divisão interna de competências dentro da jurisdição brasileira.
Sempre devem visualizar essa matéria (competência) a partir da premissa do Estado
Brasileiro. O Estado Brasileiro é montado em cima de um modelo federativo. E esse
modelo federativo envolve três entes:
• União;
• Estado, o DF está englobado aqui;
• Município.
Obs.: os municípios não possuem a função jurisdicional, apenas a função
legislativa e executiva.
Obs.: a grande divisão de competências está na Constituição Federal, tendo em
vista que os dois temas bases e primordiais da mesma são: a Organização dos poderes
do Estado e os Direitos Fundamentais.
Obs.: a Constituição Federal ao organizar a função jurisdicional, prevê dois grandes
blocos de competência. Logo temos a Justiça Comum e a Justiça Especial. Essa
divisão tem a seguinte idéia: alguns setores do direito material exigiriam uma
especialização do poder judiciário, para que pudessem lidar com a crise de direito
material.
Na Constituição Federal encontramos três justiças especiais. A justiça do
Trabalho, Eleitoral e Militar. A justiça comum se divide em duas: Justiça Estadual
e Justiça Federal, obedecendo ao padrão da federação brasileira.
A Justiça Comum é competente para julgar todas as crises de direito material que
não estejam relacionadas a causas trabalhistas, eleitorais ou relacionada a crime militar.
______________________________________________________________________

AULA 14
A regulamentação da Justiça Federal está disposta nos artigos 107 a 110 CF. A
regulamentação da Justiça Estadual está disposta nos artigos 125 e 126 CF.
Obs.: no artigo 109 CF estão dispostas as causas que são da competência da
Justiça Federal, logo as causas que não estão ali indicadas, são da competência da
Justiça Estadual.
A Justiça Federal tem a seguinte organização:
1ª instância: são as varas federais, ocupadas pelos juizes federais. Recrutados
mediante concurso público de provas e títulos, realizado pela União Federal. / JESP e
Turma Recursal.
2ª instância: são os Tribunais Regionais Federais, em MG é a primeira região.
3ª instância: é unificada, tendo em vista que o órgão de cúpula da Justiça Federal
é composto pelo STJ e o STF, cada um exercendo o seu papel próprio de órgão de
cúpula. O STF é o tribunal constitucional, logo irá resolver todas as questões
constitucionais. Vide artigo 102 CF. E o STJ, que é o tribunal montado pela
Constituição Federal, próprio para resolver ou uniformizar a interpretação da lei
federal. Vide artigo 105 CF. Logo eles figuram lado a lado.
A Justiça Estadual tem a seguinte organização:
1ª instância: é composta pelo Juiz de Direito. / JESP e Turma Recursal
2ª instância: é composta pelo Tribunal de Justiça.
3ª instância: é unificada, tendo em vista que o órgão de cúpula da Justiça Federal
é composto pelo STJ e o STF, cada um exercendo o seu papel próprio de órgão de
cúpula. O STF é o tribunal constitucional, logo irá resolver todas as questões
constitucionais. Vide artigo 102 CF. E o STJ, que é o tribunal montado pela
Constituição Federal, próprio para resolver ou uniformizar a interpretação da lei
federal. Vide artigo 105 CF. Logo eles figuram lado a lado.
Obs.: em ambas as justiças existem os Juizados Especiais de Pequenas Causas
(JESP), que compõe a 1ª instância. O JESP possui a 2ª instância que é a Turma
Recursal, mas essa Turma Recursal faz parte da 1ª instância da Justiça Comum, ele
não é uma 2ª instância, cuidado com isso. Essa matéria será estudada em processo civil
III.
Obs.: para podermos responder a primeira grande indagação a cerca da
competência, ou seja, para respondermos qual será o Órgão do Poder Judiciário
competente para poder processar e julgar a crise de direito material, devemos: indagar
se a crise de direito material envolve matéria Trabalhista, Eleitoral ou Militar. Se
envolver, já teremos a resposta para a indagação a cerca da competência. Se não
envolver, iremos para a Justiça Comum. Logo devemos olhar o artigo 109 CF. Caso a
Justiça Federal também não seja competente, consequentemente a competência será da
Justiça Estadual.
Obs.: Porque a Justiça Federal faz parte da Justiça Comum e não faz da Justiça
Especial? Porque ela é regida pelo CPC. E o CPC não se aplica as Justiças Especiais.
Salvo a chamada aplicação subsidiária, nos casos de lacuna.
Obs.: Apesar da Justiça Federal não ser tão comum assim, tendo em vista que
suas causas são indicadas precisamente no artigo 109 CF, ela se enquadra dentro do
conceito da Justiça Comum, porque ela é regida pelo CPC. Logo o CPC encontra a
sua aplicação no âmbito da Justiça Comum (Federal e Estadual) nas causas não penais,
pois se tiver causa penal, não se aplica o CPC e sim o CPP.
Passemos agora a verificar as competências da Justiça Federal. Artigo 109 CF.
Obs.: importante frisar que o Artigo 109 trata de competência cível e criminal. Esta
competência não nos interessa, pois vamos estudar isso na matéria de processo penal.
Artigo 109. Aos juizes federais compete processar e julgar: Obs.: essa é a
competência da Justiça Federal de 1ª instância!
I – as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal
forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de
falência, as de acidente de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho; Obs.: Aqui está o grande bloco da competência da Justiça Federal. É uma
competência em razão da pessoa jurídica da União, pois onde a União estiver
envolvida, seja diretamente ou através de suas entidades (autárquica ou empresa pública
federal), surgirá à competência da justiça federal.
Obs.: a União, os Estados e Municípios (Administração Direta) podem criar:
Autarquia, Empresa Pública, Sociedade de Economia Mista e Fundação Pública
(Administração Indireta). Isso será estudado em Direito Administrativo, 8º período.
Logo se uma Autarquia Federal ou uma Empresa Pública Federal forem autoras,
rés, assistentes ou oponentes, a competência será da Justiça Federal. Se for uma
Sociedade de Economia Mista Federal, a competência será da Justiça Estadual.
Porque o artigo 109, I, CF, não abrange a Sociedade de Economia Mista Federal.
Obs.: a União recebe a competência para prestar previdência social,
consequentemente ela criou o INSS, órgão competente para cuidar da previdência
social. Logo o INSS é uma Autarquia Federal, consequentemente as crises relativas a
previdência social será da competência da justiça federal, tendo em vista que está
previsto no artigo 109, I, CF.
• Autarquia Federal: INCRA, UFMG e todas as outras Universidades Federais,
Banco Central, todas as Agências Reguladoras (ANAEL, ANAC, ANATEL,...).
• Empresa Pública Federal: Caixa Econômica Federal – CEF, Correios.
• Sociedade de Economia Mista Federal: Banco do Brasil – BB, Petrobrás, etc. A
competência para julgar a lide é da Justiça Estadual.
Exemplo: se a Roberta tiver um litígio com a CEF, a Roberta ajuizará a sua ação na
Justiça Federal.
Exemplo: se um motorista da CEF atropela alguém na rua, a vítima irá ajuizar uma
ação contra a CEF, logo a competência é da Justiça Federal.
Exemplo: se a Receita Federal cometer um ilícito e prejudicar a Roberta, a
competência será da Justiça Federal, tendo em vista que a Receita Federal não tem
personalidade jurídica, pois ela é um órgão da União. Logo a ré será a União.
• Autarquia Estadual: IPSEMG
• Sociedade de Economia Mista Estadual: CEMIG, COPASA, BHTRANS, etc.
Obs.: para saber em qual modalidade uma determinada entidade se enquadra,
teremos que olhar a lei que as criou.
II – as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou
pessoa domiciliada ou residente no País; Exemplo: litígio contra a ONU. Imaginem
que um motorista que dirigia o carro da embaixada americana atropele o professor, a
ação será julgada na Justiça Federal.
III – as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro
ou organismo internacional;
IV – os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas,
excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça
Eleitoral;
V – os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a
execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
reciprocamente;
V-A – as causas relativas a direitos humanos a que se refere o §5º deste artigo;
VI – os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei,
contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;
VII – os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o
constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a
outra jurisdição;
VIII – os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade
federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;
IX – os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a
competência da Justiça Militar;
X – os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de
carta rogatória, após o exequatur, e de sentença estrangeira, após a homologação, as
causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização.
XI – a disputa sobre direitos indígenas.
§1º As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde
tiver domicilio a outra parte.
§2º As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária
em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu
origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.
§3º Serão processadas e julgadas na Justiça estadual, no foro do domicilio dos
segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência
social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se
verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também
processadas e julgadas pela Justiça estadual.
§4º Na hipótese do § anterior, o recurso cabível será sempre para o TRF na área
de jurisdição do juiz de primeiro grau.
§5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador Geral da
República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de
tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá
suscitar, perante o STJ, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de
deslocamento de competência para a Justiça Federal.
Obs.: Se houver uma causa envolvendo o INSS, a ação é ajuizada na Justiça
Federal, mas como a Justiça Federal é da União. Logo ela se espalhada pelo Brasil.
Mas pode ser que na cidade onde o cidadão viva não exista a Justiça Federal,
consequentemente a CF no artigo 109, §3º, previu uma situação especialíssima! Que
prevê que a ação pode ser ajuizada na Justiça Estadual quando se tratar do INSS
versos o beneficiário ou segurado, tendo em visto que o INSS é a autarquia federal
encarregada da previdência social.
Obs.: a Empresa que deixou de recolher a contribuição previdenciária não pode
valer-se desse parágrafo, logo a ação da Empresa vai para a Justiça Federal.
Atenção: §3º Serão processadas e julgadas na Justiça estadual, no foro do
domicilio dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de
previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo
federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam
também processadas e julgadas pela Justiça estadual.
O STJ já decidiu que: para o segurado valer-se dessa perspectiva, somente poderá
ajuizar a ação na Justiça Estadual do seu domicilio. Lembrando que isso é uma
faculdade, logo se o beneficiário quiser abrir mão e ir até onde tenha a Justiça Federal,
ele estará no seu direito.
Jurisprudências do STJ:
• As causas em que forem partes o INSS e o segurado serão processadas e julgadas
pelo juiz Estadual da comarca do domicílio do beneficiário ou segurado, desde que está
não seja sede de vara da Justiça Federal.
• A teor do disposto no §3º do artigo 109 CF, somente o juiz Estadual do
domicílio do segurado tem a autorização para exercer jurisdição federal delegada. Não
podendo a causa ser ajuizada perante outro juiz estadual de comarca diversa, mesmo
que essa não seja sede de vara da Justiça Federal.
• No presente caso, o domicílio do segurado não é sede de vara Federal, tendo ele
optado por impetrar a ação no Juízo Estadual conforme faculdade prevista no artigo
109, §3º CF. Consequentemente se o segurado quiser abrir mão ele pode.
Atenção: §4º Na hipótese do § anterior, o recurso cabível será sempre para o
TRF na área de jurisdição do juiz de primeiro grau. Pois o encaminhamento desse
recurso para o TRF vai pelo correio, logo não tem necessidade manter a competência da
Justiça Estadual. Obs.: essa é a hipótese constitucionalmente prevista!
Atenção: vejam o que dispõe a parte final do §3º do artigo 109 CF. §3º Serão
processadas e julgadas na Justiça estadual, no foro do domicilio dos segurados ou
beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e
segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se
verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também
processadas e julgadas pela Justiça estadual. E se verificada essa condição, que
condição? De não existir vara da Justiça Federal na comarca do cidadão.
Consequentemente a LEI poderá autorizar que a competência federal seja delegada
para o Juiz Estadual.
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AULA 15
Antes do advento da CF / 88, já existia uma Lei que autorizava que um outro tipo
de causa federal fosse canalizada para a Justiça Estadual. É a lei 5010/1966, essa é a lei
que cria e organiza a Justiça Federal.
Em seu artigo 15, I, essa lei prevê que podem ser canalizadas para o juiz estadual
do foro do domicílio do devedor, as execuções fiscais.
Lei 5010/1966
Os juizes estaduais são competentes para processar e julgar:
Artigo 15. Nas comarcas do interior onde não funcionar vara da Justiça Federal,
os Juizes Estaduais são competentes para processar e julgar:
I – Os executivos fiscais da União e suas autarquias, ajuizadas contra devedores
domiciliados na respectiva comarca. A lei 5010/66 encontra-se hoje em vigor, de modo
que a CF /88 a recepcionou.
Então o STJ, com base nisso, aceita tranquilamente essa delegação de competência
da Justiça Federal para a Justiça Estadual. Por causa da parte final do §3º do artigo 109
CF. Que dispõe: presente essa circunstância (não há vara da justiça federal na sede de
domicílio do devedor), então permite que a execução fiscal proposta pela União seja
perante a justiça Estadual. Logo o STJ entende que essa lei se enquadra na parte final
do §3º do artigo 109 CF. consequentemente essa delegação é válida.
Então existem dois blocos de causas que podem ser julgados pelo juiz estadual,
não obstante que a causa envolva a pessoa da União ou de autarquia Federal.
O processo de execução é o mecanismo por meio do qual atua a jurisdição para
solucionar uma crise de direito material, quando o credor tem em suas mãos um
documento chamado título executivo. Consequentemente contém uma previsão de
obrigação líquida e certa por parte do devedor. Nesse caso não há necessidade do
processo de conhecimento porque esse documento chamado título executivo contém o
acertamento do direito material. De modo que se precisa da função jurisdicional para
que seja realizado o direito material do credor.
Obs.: quando a Fazenda Pública for à credora e você o devedor, não irá para a
execução disposta no CPC, à execução será feita da forma que dispõe a lei de execução
fiscal – 6830/80. Nos casos de divida tributária, a Fazenda Pública tem um enorme
privilégio, pois ela cria unilateralmente os próprios títulos de crédito. Exemplo: CDA –
Certidão da Dívida Ativa, emitida quando uma pessoa deve imposto de renda.
Jurisprudência do STJ:
• A execução fiscal de dívida ativa tributária da União continua a ser processada
perante a Justiça Federal, nos termos do artigo 109, I, CF. Prevalece a competência da
Justiça Estadual quando a comarca do domicílio do devedor não for sede da justiça
federal, vide 109, §3º CF e 15, I, da lei 5010/66.
Obs.: antes da CF/88, já existia a justiça federal, só que o Tribunal que julgava as
causas da justiça federal em 2ª instância no Brasil inteiro era o TFR – Tribunal
Federal de Recursos, que foi instinto pela CF/88, e no seu lugar foram criados os
TRFs.
Obs.: o TFR editava súmula, vide súmula 40 do TFR que é amplamente aplicada
pelo STJ como referência nessa matéria.
Súmula 40. A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o
juiz de direito da comarca do domicílio do devedor, desde que não seja ela, sede de vara
da justiça federal.
Atenção: no caso de execução fiscal ajuizada pela União perante o juiz estadual,
o recurso vai para o TRF. Isso é uma ótima questão para jogar em prova!
A competência é apurada no momento do ajuizamento da ação, e ajuizada a ação,
ela se cristaliza nas mãos do juiz que a recebeu, logo ela não pode mais ser alterada.
Vide artigo 87 CPC.
Artigo 87. Determina-se a competência no momento em que a ação é proposta.
São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas
posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a
competência em razão da matéria ou da hierarquia. Exemplo: suponha que a partir de
amanhã, os litígios relacionados ao direito de família, passarão a ser da competência da
justiça do trabalho, por entenderem os magistrados, que entre marido e mulher existe
uma relação de trabalho. Consequentemente alterará a competência.
Temos quatro critérios para a fixação e distribuição da competência:
• O valor da causa; Exemplo: Lei 9099/95 – artigo 3º. O Juizado Especial Cível
tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor
complexidade, assim, consideradas:
I – as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo.
Obs.: o valor da causa é obrigatório, logo toda petição inicial tem que indicar o
valor da causa. Lembrando que temos dois tipos de causa no processo civil.
– Causas que tem conteúdo econômico, cujo valor da causa é o valor do
conteúdo econômico. Exemplo: o professor comprou a bolsa da Flávia por R$
10.000,00. Como ele não recebeu a mercadoria, ele ajuizou uma ação no valor de R$
10.000,00. Logo o valor da causa é de R$ 10.000,00.
– Causas sem conteúdo econômico, logo o valor da causa é fixado por estimativa
pelo autor. Exemplo: o professor vai se separar de sua esposa, e não tem um centavo.
Ele quer apenas se divorciar, de modo que esse divórcio não terá conteúdo econômico.
Porque se trata de operar uma separação. Vide artigo 258 CPC.
Artigo 258. A toda causa será atribuído um valor certo, ainda que não tenha
conteúdo econômico imediato.
• Competência material, ou seja, a matéria, tendo em vista que devemos apurar a
matéria litigiosa (o direito material litigioso), que será o objeto do processo, e a partir
dessa apuração iremos encontrar o juízo competente. Se a matéria for trabalhista vai
para a justiça do trabalho, se for eleitoral vai para a justiça eleitoral, se for militar vai a
justiça militar. Se o direito envolver a União ou uma das causas do artigo 109 CF, vai
para a justiça federal. Se for outros direitos materiais vai para a justiça estadual.
• Competência funcional ou hierárquica: é a divisão de competências entre juízos
de instâncias (1ª, 2ª, 3ª) e hierarquias diversas, tendo em vista a sobreposição das
instâncias jurisdicionais inferiores e superiores. Vide artigo 105, I CF que mostra a
competência funcional ou hierárquica do STJ. Vide artigo 102, I CF que mostra a
competência funcional ou hierárquica do STF.
• A competência territorial, ou seja, divide-se a competência entre os juizes em
função do território em que estão situados, então a legislação Estadual e Federal divide
o Estado em território, dividindo-o em comarcas (Justiça Estadual) ou Sessões
Judiciárias (Justiça Federal).
Obs.: o CPC regula de perto somente a competência territorial artigos 94 a 100
CPC. Vide artigo 91 e 93 CPC.
Da competência em razão do valor e da matéria
Artigo. 91. Regem a competência em razão do valor e da matéria as normas de
organização judiciária, ressalvados os casos expressos neste Código.
Da competência funcional
Artigo 93. Regem a competência dos tribunais as normas da Constituição da
República e de organização judiciária. A competência funcional dos juízes de primeiro
grau é disciplinada neste Código.
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AULA 16
Competência Territorial: onde o território é o critério de competência.
No âmbito da justiça estadual, essa limitação se dá através das comarcas.
Exemplo: comarca de Belo Horizonte, comarca de Contagem, etc.
No âmbito da justiça federal, essa limitação se dá através das sessões judiciárias.
Os quatro critérios (competência em razão do valor da causa, competência
material, competência funcional ou hierárquica e a competência territorial) são
agrupados em duas modalidades:
• Competência absoluta: é entendida porque o juiz pode conhecer de ofício uma
vez que os critérios são constitucionais, legais e impositivos, logo as partes não podem
escapar deles, sendo obrigadas a seguir os mesmos.
Obs.: A competência em relação à matéria e a competência funcional ou
hierárquica são absolutas, logo não comportam afastamento, ou seja, modificação
pela vontade das partes, caso contrário, o juiz determinará de oficio que a competência
seja observada.
• Competência relativa: o legislador fixa a regra de competência, logo às partes
podem afastar as regras legais. Consequentemente admite-se o afastamento da
competência.
Obs.: A competência territorial e a competência em razão do valor da causa
são relativas, logo as partes podem alterar os critérios de competência e o juiz não
poderá entrar de oficio, salvo se as partes provocarem o juiz. Vide artigo 111 CPC.
Artigo 111. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável
por convenção das partes; mas estas podem modificar a competência em razão do
valor e do território, elegendo foro onde serão propostas as ações oriundas de direitos
e obrigações.
O artigo 113 CPC completa o artigo 111.
Artigo 113. A incompetência absoluta deve ser declarada de ofício e pode ser
alegada, em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente de exceção.
§1º Não sendo, porém, deduzida no prazo da contestação, ou na primeira
oportunidade em que lhe couber falar nos autos, a parte responderá integralmente
pelas custas.
§2º Declarada a incompetência absoluta, somente os atos decisórios serão nulos,
remetendo-se os autos ao juiz competente.
A competência absoluta não pode ser tocada pelas partes, logo a observância dessa
regra é obrigatória, logo essa observância pode ser buscada durante todo o curso do
processo. O oficio é tamanho, que pode ser objeto de ação rescisória. Vide artigo 458,
II CPC.
Artigo 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida
quando:
II – proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; Viram. Tem que
ser absolutamente incompetente, tendo em vista que o relativamente incompetente não
tem problema, tendo em vista que o juiz não pode examiná-la de ofício.
Consequentemente se não for argüida pelas partes, ela irá precluir e ficará por isso
mesmo. Vide artigo 114 CPC.
Artigo 114. Prorroga-se a competência se dela o juiz não declinar na forma do
parágrafo único do artigo 112 desta Lei ou o réu não opuser exceção declinatória nos
casos e prazo legais. No caso de incompetência relativa, supondo que a ação deveria ter
sido ajuizada no foro do domicílio do réu, mas não foi. O autor ajuizou a ação no foro
do seu domicílio, caso o réu apareça no processo e nada diga, a regra da competência
territorial será afastada. Tendo em vista que a competência territorial é relativa. O
juiz somente pode examinar a competência relativa, quando a parte a argüir. Então o
juiz que era incompetente por lei, passa a ser competente, tendo em vista que sua
competência foi prorrogada para abraçar a causa em concreto que não era de sua
competência legal.
Súmula 33 do STJ: a incompetência relativa não pode ser declarada de oficio.
Logo o juiz não pode tocar nessa matéria sem ser provocado.
O anteprojeto mantém essa sistemática da competência absoluta e relativa. Vide
artigos 48, 49 e 50.
Obs.: a competência em razão da matéria é norteada pela CF. Mas dentro da
justiça estadual ou federal, temos subcritérios de competência material, quando é
separado internamente dentro do poder judiciário, as competências em razão da
matéria. Exemplo: no fórum de BH temos varas cíveis, varas de família, etc.
Obs.: a grande distinção de competência legislativa em matéria processual civil,
está no artigo 22, I, CF, tendo em vista que a União privativamente pode legislar sobre
processo civil. E os Estados podem legislar sobre procedimentos, artigo 24, XI, CE
(Constituição Estadual).
Obs.: as regras de competência territorial estão no CPC, que é uma lei federal,
tendo em vista que somente a União pode legislar sobre o CPC. Consequentemente as
regras de competência privativa fixadas na lei de Organização e Divisão Judiciária, não
podem atrapalhar as regras de competência material do CPC.
Competência territorial: – artigos 94 a 100 CPC.
O artigo 94 é a regra geral, os outros artigos são regras especiais (95 a 100).
A regra geral de competência territorial é o foro (comarca) do domicilio do réu,
para as ações pessoais e reais que envolvam bens móveis.
Artigo 94. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real
sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu. Vejam! Em
regra elas são propostas no foro do domicílio do réu. O foro do réu é onde o mesmo
resida. Vide artigo 70 CC.
Obs.: ações pessoais são aquelas que envolvem obrigações. Existem três tipos de
obrigações legais.
• Obrigações de prestar alimento para nossos parentes que estão passando fome;
• Obrigações convencionais;
• Obrigações decorrentes de ato ilícito.
§1º Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
§2º Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado onde
for encontrado ou no foro do domicílio do autor.
§3º Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação será
proposta no foro do domicílio do autor. Se este também residir fora do Brasil, a ação
será proposta em qualquer foro.
§4º Havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão demandados no
foro de qualquer deles, à escolha do autor.
Artigo 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua
residência com ânimo definitivo.
Obs.: Se for pessoa jurídica o domicílio será onde a pessoa jurídica tem a sua sede.
Vide artigo 75, IV, CC.
Artigo 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:
IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas
diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou
atos constitutivos.
As regras supletivas (se o réu tiver mais de um domicílio, se o réu não tiver nem
domicílio nem residência no Brasil, etc.) estão no artigo 94 CPC. Lembrando que o CC
admite que a pessoa natural possa ter vários domicílios, vide artigo 71 CC e artigo 94
§1º, CPC.
Artigo 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde,
alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.
Artigo 94. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real
sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu.
§1º Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
Podemos completar que a escolha será do autor.
Obs.: se a pessoa for um caixeiro viajante, onde poderá ser encontrada? O CC
prevê essa possibilidade no artigo 73 e o CPC prevê no artigo 94 em seu §2º.
Artigo 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência
habitual, o lugar onde for encontrada.
Artigo 94. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real
sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu.
§2º Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado onde
for encontrado ou no foro do domicílio do autor. Pode ser ajuizada também no
domicílio do autor, pois o mesmo não ficará correndo atrás do réu.
Obs.: podem ocorrer outras hipóteses, como por exemplo, se o réu morar no
exterior, nesse caso o §3º do artigo 94 CPC nos dará a resposta.
§3º Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação será
proposta no foro do domicílio do autor. Se este também residir fora do Brasil, a ação
será proposta em qualquer foro.
Obs.: pode ocorrer que na demanda tenha dois ou mais réus com domicílios
diferentes, nesse caso onde se ajuizará a ação? Vide artigo 94, §4º, CPC.
§4º Havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão demandados no
foro de qualquer deles, à escolha do autor.
Obs.: a regra geral somente será afastada quando o CPC prevê foro especial.
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AULA 17
Estamos estudando a competência territorial em processo civil.
A regulamentação dos critérios: material, hierarquia e valor da causa, não são
encontrados no CPC. O principal critério regulado no CPC é o critério territorial, vide
artigo 94 CPC, sendo esse a regra geral. Nos artigos 95 a 100 CPC temos regras
especiais, pois o foro não é no domicílio do réu.
Qual será o raciocínio que iremos usar para encontrar a competência territorial, no
âmbito do processo civil? Primeiro iremos às regras especiais para verificarmos se o
caso se enquadra em uma delas. Caso não se enquadre, logo será a regra geral, ou seja,
foro do domicilio do réu.
Regras especiais.
Artigo 95 CPC. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o
foro da situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do domicílio ou de
eleição, não recaindo o litígio sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão,
posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova.
A situação da coisa é o local onde o imóvel está situado. Mas se o imóvel for
enorme, logo estando situado em dois municípios, exemplo: uma parte do imóvel está
situado em MOC e a outra em Manga. Nesse caso o legislador dispôs que: no caso de
imóvel estar situado em mais de uma comarca, a ação poderá ser ajuizada em qualquer
uma delas. Entretanto, ao ajuizar a ação na comarca X, essa ficará preventa, abarcando
todo o imóvel. Vide artigo 107 CPC.
Artigo 107. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado ou comarca,
determinar-se-á o foro pela prevenção, estendendo-se a competência sobre a totalidade
do imóvel.
Artigo 95 CPC. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o
foro da situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do domicílio ou de
eleição, não recaindo o litígio sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão,
posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova. Essas modalidades
de ações reais imobiliárias, o foro competente é o da situação da coisa, logo a
competência é absoluta, não podendo haver foro de eleição.
Jurisprudência do STJ: A competência para as ações fundadas em direito real
sobre bem imóvel, artigo 95 CPC (parte final), é absoluta e, portanto indelegável, de
modo a incidir o princípio do foro, tornando-se inaplicável o princípio da perpetuação
da jurisdição. A competência absoluta do local do foro justifica-se em razão da melhor
aptidão para exercer a sua função.
No âmbito do Código de Defesa do Consumidor, considerando a proteção que
esse confere a parte mais fraca (consumidor), a competência absoluta é o foro do
consumidor. Logo o juiz pode conhecer de ofício.
Sumula 33 do STJ: a competência relativa não pode ser declarada de oficio.
Jurisprudência do STJ: o magistrado pode de ofício, declinar a sua competência
para o juízo do domicílio do consumidor, pois o critério determinativo da competência
nas ações derivadas das relações de consumo é de ordem pública, logo a competência
é absoluta.
Exemplo: suponha que o professor seja um dos donos do barzinho localizado em
frente à FUMEC. Para que ele consiga vender a sua cerveja mais barata, ele
necessariamente tem que comprá-la no Paraná, consequentemente a distribuidora
paranaense e o professor elegeram como foro para dirimir conflitos, o foro paranaense.
Isso é válido? Sim, tendo em vista que nesse exemplo não temos uma relação de
consumo.
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Com a morte, teremos a ação de inventário e partilha de bens, para saber qual bem
irá para qual herdeiro. O autor da herança é o de cujus.
Artigo 96. O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente
para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última
vontade e todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no
estrangeiro.
Parágrafo único. É, porém, competente o foro:
I – da situação dos bens, se o autor da herança não possuía domicílio certo;
II – do lugar em que ocorreu o óbito, se o autor da herança não tinha domicílio
certo e possuía bens em lugares diferentes.
Jurisprudência do STJ: o foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o
competente do inventário.
A regra geral é que: o inventário, a partilha e o processamento das questões ligadas
ao inventário, à partilha e a divisão de bens do de cujus, serão processadas no domicílio
do de cujus, que é o autor da herança. Obs.: O artigo 96 CPC é um exemplo de foro
universal. Pois o foro do inventário tem força atrativa.
Jurisprudência STJ: As questões de fato e de direito advindas da herança devem
ser resolvidas pelo juízo do inventário, salvo as exceções previstas em lei pelas
matérias de auto indagação, referidas no artigo 984, e as ações reais imobiliárias.
Obs.: pode ser que o de cujus não tenha domicílio e ainda por cima tenha morrido
no exterior. O que ocorrerá nesse caso? O CPC apresentará as regras supletivas de foro
do inventário, mas essas regras supletivas do inventário, somente incidirão se faltar à
regra básica. Ou seja, o foro de domicílio do autor da herança.
Regra geral:
Artigo 96. O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente
para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última
vontade e todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no
estrangeiro.
Regras supletivas:
Parágrafo único. É, porém, competente o foro:
I – da situação dos bens, se o autor da herança não possuía domicílio certo;
II – do lugar em que ocorreu o óbito, se o autor da herança não tinha domicílio
certo e possuía bens em lugares diferentes.
Jurisprudência do STJ a respeito dos foros supletivos: nos termos do artigo 96
CPC, é competente para processar o inventário, o foro do domicílio do autor da
herança, somente havendo outras considerações a este respeito, quando ele não tinha
domicílio certo. Logo se ele tiver domicílio certo, não iremos aplicar o parágrafo único.
Obs.: lembrando que o foro do inventário é competência territorial pura, logo é
uma competência relativa, consequentemente o juiz não pode conhecer de ofício.
Salvo a competência territorial relativa ao artigo 95 CPC (aquelas ações finais) e o
CDC.
O anteprojeto, no artigo 36, manteve a mesma disposição no artigo 94 e 95 CPC.
O próximo foro especial se trata da ausência. Vide artigo 22 e 26 CC.
Artigo 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se
não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar lhe os
bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público,
declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador.
Artigo 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele
deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os
interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente à sucessão.
Essas ações serão processadas no foro do último domicílio do ausente. Vide
artigo 97 CPC.
Artigo 97. As ações em que o ausente for réu correm no foro de seu último
domicílio, que é também o competente para a arrecadação, o inventário, a partilha e o
cumprimento de disposições testamentárias.
Cuidado! Porque, também, o foro para processar inventário e partilha de bens do
ausente, tem a atração, e também é parecido com o foro das sucessões, trazendo a idéia
do foro universal.
Essas duas regras continuam as mesmas nos artigos 34 e 35 no anteprojeto.
O artigo 98 CPC não se trata de foro especial, mas sim de foro geral, pois é o foro
do incapaz. Vide artigo 76, parágrafo único, CC.
Artigo 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o
marítimo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente;
logo o domicílio do incapaz é o de seu representante legal. Consequentemente se
formos ajuizar uma ação contra um neném, o juízo competente será o foro do domicílio
do representante legal. Vide artigo 98 CPC.
Artigo 98. A ação em que o incapaz for réu se processará no foro do domicílio de
seu representante.
Obs.: lembrando que isso acontecerá quando o incapaz for réu, tendo em vista que a
regra geral das ações é o foro do domicílio do réu. Esse artigo apenas esclarece onde é
o domicílio do incapaz. Quando o incapaz for o autor da ação, ele terá que verificar nos
artigos 94 a 100 CPC, para saber onde irá ajuizar a ação.
O anteprojeto manteve a mesma regra no seu artigo 36.
O artigo 99 CPC não se aplica, tendo em vista que ele está regulamentado na
Constituição. Vide artigo 109, §1º, CF.
Artigo 109. Aos juizes federais compete processar e julgar:
§1º As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde
tiver domicilio a outra parte.
Quando a União for autora, ajuizará a ação na Justiça Federal, no foro da seção
judiciária em que for domiciliado o réu.
Nas ações em que a União for ré, a CF abre foros alternativos, constituindo uma
faculdade do autor. Vide artigo 109,§2º, CF.
O autor tem quatro possíveis foros alternativos:
• Foro do domicílio do autor;
• Foro da situação da coisa litigiosa;
• Foro em que ocorreu o ato ou o fato litigioso;
• Foro da ré. Que é o DF.
Artigo 109. Aos juizes federais compete processar e julgar:
§2º As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária
em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu
origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.
Jurisprudência do STJ: A eleição de foro para a ação contra a União Federal, está
prevista expressamente por disposições constitucionais. Favorecendo o autor, na sua
vontade ou conveniência, §2º. Exercitando legitimamente o seu direito de opção.
Obs.: caso tenha um litisconsórcio ativo, por exemplo, com 5 autores, tendo eles
domicílios diferentes, teremos que observar o artigo 94, §4º, CPC.
Artigo 94. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real
sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu.
§4º Havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão demandados no
foro de qualquer deles, à escolha do autor.
Jurisprudência do STJ: proposta a ação contra a União Federal, tendo o pólo ativo
litisconsórcio com diferentes domicílios, será possibilitada a demanda da União, no foro
de qualquer um dos autores, a escolha deles, autores.
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AULA 18
A regra geral é o foro domicílio do réu, lembrando que as regras especiais
afastam o foro do domicílio do réu. Lembrando também que o artigo 94 CPC tem foro
supletivo.
Obs.: o anteprojeto no artigo 37 atualiza o artigo 99 CPC, adequando-o a CF.
O artigo 100 CPC, prevê quatro foros distintos em relação à competência
territorial.
• Foro especial em relação às pessoas, dos litigantes;
• Foro especial da pessoa jurídica;
• Foro de obrigações;
• Foro de atos ilícitos.
O 1º foro especial em relação à pessoa que aparece no artigo 100 CPC é o foro
da mulher, nas ações de separação dos cônjuges e a conversão desta em divórcio e a
anulação de casamento. Vide artigo 100 e o inciso I – CPC.
Artigo 100. É competente o foro:
I – da residência da mulher, para a ação de separação dos cônjuges e a conversão
desta em divórcio e para a anulação de casamento; Supondo que um casal esteja
querendo se divorciar, supondo que a mulher esteja morando em Manaus, se a mesma
ajuizar a ação, está será processada no seu foro de domicílio, caso o marido resolva
ajuizar a ação, está também será ajuizada do foro de domicílio da mulher.
Jurisprudência do STJ: prevalece o foro da residência da mulher, para a ação de
separação de casal e para a busca e apreensão de filhos menores, por não afetar a Lei
que dispõe a igualdade entre os cônjuges estabelecida na CF.
O anteprojeto, artigo 38, I, diz que o foro será o último domicílio do casal.
Jurisprudência do STJ: não pode o juiz apreciar de ofício a sua incompetência
relativa, então, sendo relativa à competência do foro da mulher para a ação de separação
judicial, não pode o juízo do domicílio do marido, onde foi ajuizada a causa, declinar
sua competência, sem argüição da mulher.
O 2º foro especial em relação à pessoa está no âmbito da ação de alimentos. O
alimentando é aquele que come alimento, logo é o autor da ação, aquele que dá
alimento é o alimentante, sendo o réu da ação.
II – do domicílio ou da residência do alimentando, para a ação em que se pedem
alimentos;
O anteprojeto, no artigo 38, II, se manteve igual ao CPC.
Obs.: a ação para a investigação de paternidade NÃO tem foro especial, logo o
foro competente será o de domicílio do réu.
O 3º foro especial em relação à pessoa foi eliminado do anteprojeto.
III – do domicílio do devedor, para a ação de anulação de títulos extraviados ou
destruídos;
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Foro especial da pessoa jurídica.
No caso das ações envolvendo pessoa jurídica, serão ajuizadas onde a pessoa
jurídica tem a sua sede.
IV – do lugar:
a) onde está a sede, para a ação em que for ré a pessoa jurídica;
b) onde se acha a agência ou sucursal, quanto às obrigações que ela contraiu; Por
exemplo, o Banco Itaú tem uma agência em Manga, caso aja uma divergência, o cliente
não irá até São Paulo para ajuizar a ação, pois ajuizará a mesma em Manga.
c) onde exerce a sua atividade principal, para a ação em que for ré a sociedade,
que carece de personalidade jurídica; – A personalidade jurídica de uma empresa surge
a partir do momento em que os atos constitutivos da pessoa jurídica são levados a
registro. Se os atos constitutivos não forem levados a registro no órgão competente, a
pessoa jurídica não existirá, existindo apenas a sociedade de fato, consequentemente
não teremos uma pessoa jurídica, mas sim vários sócios. Nesse caso a ação é ajuizada
onde a sociedade de fato exerce a sua atividade principal.
Foro de obrigações:
d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o
cumprimento; Ou se passarmos para o direito civil, será o lugar do pagamento, ou seja,
será quesível ou portável. Geralmente o comprimento da obrigação é feita no domicílio
do devedor. Vide artigo 327 CC.
Artigo 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da
obrigação ou das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre
eles.
Jurisprudência do STJ: em que pese a presente ação de natureza pessoal, a
disciplina do artigo 94 CPC é de regra geral em detrimento a regra especial do artigo
100, inciso IV a qual prevalece em relação aquela.
Logo o artigo 94 é regra geral, se não tiver regra especial, a ação será ajuizada de
acordo com o artigo 94. Se tiver regra especial, está prevalecerá.
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Foro de atos ilícitos:
Os atos ilícitos para o direito civil podem ter naturezas distintas. Vide art. 186 CC.
Artigo 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito.
Logo o CPC, no caso de ações envolvendo pratica de atos ilícitos que gerem
responsabilidade civil, em que a vítima, que é a autora da ação, vai atrás do agente
causador do dano, através da ação de reparação de dano. Essa ação segundo o CPC, será
ajuizada no foro do lugar do ato ou fato.
V – do lugar do ato ou fato:
a) para a ação de reparação do dano;
b) para a ação em que for réu o administrador ou gestor de negócios alheios.
Exemplo: um cidadão belorizontino resolve passar o seu feriado na gloriosa praia de
Piuma, e um maluco acaba por atropelar o belorizontino, logo a responsabilidade será
extracontratual, consequentemente a ação será juizada em Piuma. Mas supondo que o
belorizontino, volte para casa, todo machucado, e somente na volta resolva ajuizar a
ação. Logo ele poderá se beneficiar do parágrafo único.
Parágrafo único. Nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou
acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato.
Lembrando que esse parágrafo tem aplicação exclusiva da alínea a.
Obs.: lembrando que se for ilícito contratual, iremos olhar o foro das obrigações,
se for extracontratual (artigo 186 CC), olharemos o foro de atos ilícitos.
Obs.: delito significa crime, para o direito civil dificilmente encontraremos essa
expressão.
Obs.: esses foros especiais, lugar do ato ou fato e o foro do domicílio do autor, são
criados para beneficiar o autor.
Jurisprudência do STJ: assiste ao autor, vítima do dano sofrido em razão do delito
ou acidente de veículo, a faculdade de ajuizar a ação no foro do domicílio do réu, regra
geral – artigo 94, ou ainda no foro do seu próprio domicílio, ou no local do fato de
acordo com o artigo 100, parágrafo único.
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AULA 19
Modificação de competência:
Modificação significa troca nas regras de competência, ou alteração nas
competências já fixadas.
Competência significa fixação de critérios da distribuição de trabalho ou da função
jurisdicional dentro dos juízos.
O legislador utiliza quatro critérios diversos para distribuir a competência entre os
agentes ou entre os juízos.
Esses critérios são:
• Matéria; – absoluta;
• Hierárquico ou funcional; – absoluta;
• Valor da causa; – relativa;
• Competência territorial. – relativa.
Competência absoluta: a regra de competência não pode ser modificada.
Competência relativa: admite-se alteração pela vontade das partes ou pelos
critérios legais.
Logo as regras que iremos estudar agora, não valem para a competência absoluta
(matéria, hierárquico ou funcional). Vide artigo 102 CPC.
Artigo 102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificar-se
pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. – aqui temos
dois critérios de modificação de competência: a conexão e a continência, mas devemos
ter em mente que estamos falando da competência relativa, tendo em vista que se
refere ao valor da causa e território.
O artigo 111 CPC, vai nos mostrar o outro critério de modificação de
competência, que é a vontade das partes.
Artigo 111. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável
por convenção das partes; mas estas podem modificar a competência em razão do
valor e do território, elegendo foro onde serão propostas as ações oriundas de direitos
e obrigações.
Resumindo:
Critérios que podem modificar a competência relativa (valor da causa e
territorial):
• Causas Legais: está previsto na lei, vide artigo 102 CPC (conexão e
continência).
• Vontade das partes. Está previsto no artigo 111 CPC. Essa vontade das partes
pode atuar de duas formas:
– Mediante cláusula de eleição, expressamente.
– Mediante a omissão ou o silêncio, implicitamente.
O anteprojeto mantém a mesma sistemática, vide artigos 39 e 48.
Revisão: elementos da ação, vide artigo 301, §2º, CPC.
Artigo 301. Compete-lhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar:
§2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de
pedir e o mesmo pedido.
• Conexão é um critério para a modificação da competência, mas para que
tenhamos a conexão é necessária à comparação com outra ação que corre em separado.
Então ocorrerá a conexão quando duas ou mais ações tiverem em comum a causa de
pedir ou o pedido. Vide artigo 103 CPC.
Artigo 103. Reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o
objeto ou a causa de pedir. – Logo não irá se extinguir a segunda ação, mas sim, reunir
a segunda ação. Vide artigo 105 CPC.
Artigo 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento
de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a
fim de que sejam decididas simultaneamente. – isso ocorre por causa da economia
processual e para evitar julgamento conflitante.
Exemplo: Paulo firmou com um Banco um contrato para que ele (Paulo) possa
comprar a sua casa. Paulo começa a pagar o empréstimo, mas devido à perda do seu
emprego, não pode mais arcar com as parcelas do empréstimo, consequentemente para
de pagar. Quando para de pagar ele detecta que o contrato contém juros altíssimos,
ilegais, etc. Então ele ajuíza uma ação para anular a cláusula de juros exorbitante. Nesse
mesmo tempo, o Banco ajuíza uma ação para cobrar o resto da dívida. Paulo ajuizou a
sua ação em MOC, o Banco ajuizou a ação em BH. Individualizando as ações temos:
Ação do Paulo: Paulo versos o Banco. A causa de pedir é a anulação da cláusula
de juros, o pedido é a anulação da cláusula com a revisão do valor.
Ação do Banco: Banco versos Paulo. Causa de pedir é o inadimplemento. O
pedido é a cobrança da dívida.
Nesse exemplo, as partes não são as mesmas tendo em vista que o autor da
primeira ação é o Paulo e da segunda ação é o Banco, o réu da primeira ação é o Banco
e da segunda ação é o Paulo. O pedido também não é o mesmo, pois Paulo pede a
anulação da cláusula e a revisão do contrato e o do Banco é o dinheiro (pagamento da
dívida). Temos as mesmas pessoas, mas não temos as mesmas partes. O que se tem em
comum é a causa de pedir, pois o negócio jurídico que enseja o pedido de anulação e
revisão da dívida, e o pedido de valores é o mesmo contrato.
Obs.: lembrando que para ocorrer à conexão, as ações podem correr na mesma
comarca, exemplo, uma correndo na 1ª vara e a outra na 10ª. Não necessariamente
precisa correr em comarcas diferentes, vide exemplo acima.
• Continência: temos identidade de partes e identidade de causa de pedir, a
diferença está no pedido, tendo em vista que essa diferença é quantitativa. Vide
artigo 104 CPC.
Artigo 104. Dá-se a continência entre duas ou mais ações sempre que há
identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais
amplo, abrange o das outras. – Por isso não se dá litispendência, tendo em vista que o
pedido é diferente. Por isso também não se pode extinguir uma delas.
Exemplo: a Roberta deve ao professor dez parcelas de R$1.000,00 – hum mil reais.
Logo ela deixa de pagar as duas primeiras e o professor ajuíza uma ação para cobrar as
duas primeiras. Como ela não pagou as duas primeiras ela resolve não pagar as outras
oito. Consequentemente o professor ajuíza outra ação cobrando as dez parcelas. Nesse
caso as partes são as mesmas, a causa de pedir a mesma, tendo em vista que se refere
ao mesmo contrato de empréstimo. Mas o pedido não é o mesmo, pois em uma ação o
professor quer receber duas parcelas, na outra ação ele quer receber dez parcelas. Nesse
exemplo, a segunda ação tem o objeto é mais amplo, então irá abranger a primeira.
Jurisprudência do STJ: configura-se a litispendência quando há repetição de
ação. Pressupondo identidade das partes, da causa de pedir e do pedido. Já a
continência ocorre quando proposta mais de uma ação, todas tomarem por base os
mesmos pressupostos na formulação do pedido. Ou seja, identidade da causa de pedir e
as mesmas partes, variando apenas a extensão do objeto de cada uma das ações, sendo
um deles mais amplo, causa da continência, e por isso englobando o outro, causa
contida.
Obs.: o anteprojeto altera isso, ou seja, ele elimina a ação menor. Vide artigo 41.
Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, o
processo relativo à ação contida será extinto sem resolução de mérito. Isso é o que
foi alterado. Com relação à continência, é mantido o mesmo conceito. Dá-se a
continência entre duas ou mais ações sempre que houver identidade entre as partes e a
causa de pedir, mas o objeto de uma é mais amplo que o das outra(s) e a(s) abrange.
Qual é a conseqüência da conexão ou da continência para o CPC vigente? Ele
reúne os dois processos para um julgamento simultâneo. Vide artigo 105 CPC.
Artigo 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento
de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a
fim de que sejam decididas simultaneamente.
A razão de ser disso é: a economia processual, pois os processos serão conduzidos
simultaneamente, consequentemente receberão sentença no mesmo momento. E para
evitar julgamento conflitante.
Jurisprudência do STJ: o instituto da conexão provém da necessidade de
segurança jurídica bem como o da aplicação do princípio da economia processual, pois
a sua adoção tem a vantagem de impedir decisões conflitantes entre ações que
contenham alguns elementos similares. Isso sem contar a economia processual, pois
evita que vários juízos julguem concomitantemente causas semelhantes.
Obs.: ao se detectar a conexão, é obrigatório juntar os processos? Lembrando que o
juiz pode decretar de ofício. O STJ diz que é faculdade do juiz juntar os dois processos,
pois um processo pode estar no começo e o outro estar perto da sentença. Então a
junção não é obrigatória, e o juiz analisará o caso concreto, para decidir se convém ou
não reunir o processo.
Jurisprudência STJ: ainda que caracterizada a conexão, a reunião dos processos
não se constitui dever do magistrado. Mas sim faculdade na medida em que a ele cabe
gerenciar a marcha processual, deliberando pela conveniência ou não de processamento
simultâneo das ações a luz do objetivo da conexão, que é o de evitar decisões
conflitantes.
Súmula 235 STJ: a conexão não determina a reunião dos processos se um deles já
foi julgado.
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AULA 20
O anteprojeto amplia o conceito de conexão. Vide artigo 40. Consideram-se
conexas duas ou mais ações quando decididas separadamente gerarem risco de decisões
contraditórias.
Artigo 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento
de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a
fim de que sejam decididas simultaneamente.
Obs.: Caso as ações não sejam reunidas, supondo que em uma o autor (que está
pedindo a revisão de uma cláusula abusiva) ganhe essa ação e a mesma transite em
julgado. E a outra ação o réu (que é o autor da outra ação) seja condenado a pagar
R$100,00, também é transitada em julgado. Nesse caso, o que ocorrerá? Como uma é
contraditória a outra, ambas serão extintas e irá se voltar a estaca zero.
Qual será o juiz competente para receber a ação conexa e julgar simultaneamente as
duas? A apuração de qual será o juiz competente para julgar as duas, se da por meio de
um instituto chamado prevenção.
Prevenção traduz uma perspectiva processual, em que a legislação processual adota
um critério, que ocorrido aqui no mundo dos fatos, ou seja, no mundo processual
concreto, vai implicar naquele juiz em cujo âmbito ocorreu o fato, será ele competente
para julgar todas as ações conexas e continentes em relação ao fato. Então o juízo
prevento será aquele cujo âmbito primeiro se concretizou a perspectiva processual que
gera essa situação.
Obs.: o critério escolhido pela legislação processual para evitar a prevenção é a
citação. Esse é o critério geral de prevenção, ou seja, na relação entre vários processos,
o juiz que primeiro fizer a citação, será o juiz prevento, logo ocorrerá o fenômeno da
prevenção. Vide artigo 219 CPC.
Artigo 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz
litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o
devedor e interrompe a prescrição.
O artigo 219 prevê os cinco efeitos da citação válida do processo:
Temos três efeitos de ordem processual, gerando conseqüências processuais:
• Prevenção;
• Induz litispendência;
• Faz litigiosa a coisa.
Temos dois efeitos de ordem materiais, ou seja, de direito material.
• constitui em mora o devedor;
• interrompe a prescrição.
Recapitulando:
Prevenção significa que aquele juiz em cujo âmbito se realiza a citação está eleito
pela legislação processual, para processar e julgar todas as ações conexas e continentes,
de modo que aquelas que aparecerem depois, ou antes, tanto faz, serão reunidas na mão
dele juiz, em cujo âmbito primeiro houve a citação. Vide artigo 285 CPC.
Artigo 285. Estando em termos a petição inicial, o juiz a despachará, ordenando a
citação do réu, para responder; do mandado constará que, não sendo contestada a
ação, se presumirão aceitos pelo réu, como verdadeiros, os fatos articulados pelo
autor.
Suponha que o réu seja citado no dia 15/01/11. Esse processo foi ajuizado em BH.
Suponha que o réu seja citado no dia 16/01/11. Esse processo foi ajuizado em
MOC. Logo o juiz prevento é o de BH.
Vejam a bomba. Vide artigo 106 CPC.
Artigo 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma
competência territorial, considera-se prevento aquele que despachou em primeiro
lugar.
A regra geral no CPC é a prevenção pela citação (artigo 219 CPC). O artigo 106
prevê uma exceção a essa regra geral e muda o sistema. Então passa para o despacho
que determinou a citação, quando os juizes estão na mesma comarca. Então essa é a
regra especial, lembrando que ela vale apenas quando temos juizes da mesma
comarca. Se então estiverem em comarcas diferentes, volta para a regra geral, que é
a citação.
Jurisprudência do STJ: execução fiscal e ação ordinária conexa. Reunião do
processo fixando-se a competência do juízo conforme estejam eles tramitando na
mesma jurisdição territorial (artigo 106 CPC), ou em jurisdições territoriais diferentes
(artigo 219 CPC). A conexão existente na execução fiscal e a ação de anulação de
débito tributário, induz a reunião dos processos para julgamento simultâneo. Correndo
ela perante o juízo que tenha competência territorial, considera-se prevento aquele que
despachou em primeiro lugar. A citação válida determina a prevenção, se as ações
tramitarem perante jurisdições territoriais diferentes (artigo 219 CPC).
Se ao invés do juiz colocar na petição o Cite-se, coloque a seguinte expressão:
emende a petição inicial, pois a mesma não tem o valor da causa. Nesse caso, abrirá
vista ao autor para que no prazo de 10 dias emende ou complete a petição inicial. Logo
os autos voltam conclusos para o juiz novamente. Então ele coloca o despacho para a
citação do réu no dia 18/11/11. Consequentemente o despacho que determina a
prevenção é o que determina a citação do réu, não é aquele que manda completar ou
emendar a petição inicial. Vide artigo 284 CPC.
Artigo 284. Verificando o juiz que a petição inicial não preenche os requisitos
exigidos nos artigos 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete, no
prazo de dez dias.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição
inicial.
Jurisprudência do STJ: Se as ações conexas tramitam na mesma comarca,
competente é o juiz que despacha em primeiro lugar (artigo 106 CPC). A expressão
despachar em primeiro lugar, inserido no artigo 106 CPC, salvo exceções, deve ser
entendida como pronunciamento judicial positivo que ordena a citação.
O anteprojeto muda isso, pois ele uniformiza os critérios, passando a ter um
critério único que é a data do despacho de citação. Artigo 46 anteprojeto. De lege
eferende (sei lá como se escreve e o que significa). A reunião das ações propostas em
separado se fará no juízo prevento. Onde serão decididas simultaneamente. Artigo 45
do anteprojeto.
Obs.: suponha que a Júlia tenha ajuizado a sua ação em MOC a respeito da “Minha
casa minha vida”contra o Banco Itaú, que foi o Banco que ela contratou o
financiamento. Mas suponha que o Banco Itaú esteja de mãos dadas com a CEF, pois é
um crédito de FGTS. E veio a ação de cobrança em BH, Itaú mais o crédito de
cobrança. Qual é o juiz prevento? O critério será o material. Logo será o juiz federal.
Pois é uma competência absoluta.
Obs.: o STJ deparou-se com a seguinte situação: dois processos conexos, correndo
perante juízos separados, ou seja, comarcas distintas. Antes de haver a citação do réu,
descobriu-se a conexão. Nesse caso aonde irá se reunir o processo? Iremos usar o
critério subsidiário que é a data do ajuizamento da ação.
Critérios decorrentes da vontade das partes.
• Expressamente; – fixa as cláusulas de eleição do foro, mudando as regras de
competência territorial fixadas no CPC. Vide artigo 111 CPC.
• Implicitamente.
Artigo 111. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável
por convenção das partes; mas estas podem modificar a competência em razão do
valor e do território, elegendo foro onde serão propostas as ações oriundas de direitos
e obrigações.
§1º O acordo, porém, só produz efeito, quando constar de contrato escrito e aludir
expressamente a determinado negócio jurídico.
§2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
Isso continua igual no anteprojeto.
O implícito já é mais dramático vide súmula 33 STJ.
Súmula 33. A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício A
incompetência relativa só pode ser examinada dentro de uma perspectiva processual
chamada de exceção de incompetência relativa que só pode ser apresentada pelo réu.
Exemplo: o autor escolhe o foro, supondo que tenha escolhido o foro errado, seja
propositadamente ou não, pois às vezes o autor ajuíza no foro errado para dar o golpe do
“João sem braço” para ver o que acontece. Se o réu aparecer no processo e não
impugnar a escolha do foro. Então o juízo de Manga (exemplo) que era territorialmente
incompetente para processar essa ação, vê a sua competência prorrogada. Isso é
chamado de prorrogação de competência. Relembrando: quando a incompetência for
relativa, o juiz não pode examiná-la de oficio, mas somente quando o réu argüir a
escolha errônea do autor. Se o réu ficar omisso, significa que implicitamente aceitou o
foro escolhido pelo autor, mesmo que não tenha nenhuma justificativa legal. Vide
artigo 112 CPC.
Artigo 112. Argúi-se, por meio de exceção, a incompetência relativa.
As exceções estão no artigo 297 CPC.
Da resposta do réu.
Artigo 297. O réu poderá oferecer, no prazo de quinze dias, em petição escrita,
dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e reconvenção.
Artigo 299. A contestação e a reconvenção serão oferecidas simultaneamente, em
peças autônomas; a exceção será processada em apenso aos autos principais.
O réu argüi a incompetência relativa por meio de um mecanismo processual
especifico previsto na legislação processual chamado de exceção de incompetência
relativa, que está previsto a partir do artigo 307 CPC.
Das exceções
Artigo 304. É lícito a qualquer das partes argüir, por meio de exceção, a
incompetência (artigo 112), o impedimento (artigo 134) ou a suspeição (artigo 135).
Da incompetência
Artigo 307. O excipiente argüirá a incompetência em petição fundamentada e
devidamente instruída, indicando o juízo para o qual declina.
Artigo 301. Compete-lhe(ao réu), porém, antes de discutir o mérito, alegar:
II – incompetência absoluta;
Então a incompetência absoluta é alegada na contestação e a relativa é alegada
por petição, ou seja, peça apartada chamada de exceção de incompetência relativa. Se
o réu não apresentar a exceção de incompetência relativa, o juízo (incompetente) que
recebeu o processo pela escolha do autor, terá a sua competência prorrogada. Vide
artigo 114 CPC.
Artigo 114. Prorroga-se-á competência se dela o juiz não declinar na forma do
parágrafo único do art. 112 desta Lei ou o réu não opuser exceção declinatória nos
casos e prazos legais.
Súmula 33 STJ: A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício. De
modo que se o réu não reclamar o lugar do foro (errado) escolhido pelo autor, essa
situação vai importar numa modificação da competência legal. Porque pela aceitação do
réu (implícita) pela não apresentação da exceção de incompetência relativa, de modo
que aquele juiz que era incompetente terá a sua competência prorrogada, para aquela
causa que não era competente.
Obs.: temos uma exceção, que é a cláusula abusiva de eleição.
______________________________________________________________________

AULA 21
Competência territorial
Súmula 33 STJ: A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício.
Obs.: temos duas grandes exceções no regime de processo civil de competências
territoriais, que acabam sendo regidas como competências absolutas. Que são:
• A competência territorial do lugar dos bens imóveis, que são as exceções do
artigo 95 CPC, pois não se aceita cláusula de eleição de foro.
• Contratos de adesão, especialmente no âmbito das relações de consumo,
principalmente quando essas cláusulas (de eleição de foro), prejudicarem extremamente
o acesso, a jurisdição da parte mais fraca, essas cláusulas podem ser conhecidas pelo
juiz de ofício.
Então essas são as duas pequenas brechas que existem na súmula 33 do STJ, que
proclama que o juiz não pode conhecer de ofício a competência territorial. A
explicação para o artigo 95 CPC é que essa competência não é territorial, mas sim
funcional. Pois o legislador entendeu que quem tem condição de melhor julgar as ações
relativas a bens imóveis, é o juiz do lugar da comarca em que está situado o imóvel.
Com relação às cláusulas de eleição abusiva, já havia previsão no CDC, mas agora foi
encampada pelo legislador processual reformador, ao acrescentar o parágrafo único ao
artigo 112 CPC.
Artigo 112. Argúi-se, por meio de exceção, a incompetência relativa.
Parágrafo único. A nulidade da cláusula de eleição de foro, em contrato de
adesão, pode ser declarada de ofício pelo juiz, que declinará de competência para o
juízo de domicílio do réu.
Obs.: O anteprojeto promove uma grande alteração, pois elimina a exceção de
incompetência relativa, estabelecendo que: tanto a argüição de incompetência
absoluta quanto a de incompetência relativa passa a ser a própria contestação. Então
há uma simplificação muito grande tendo em vista que elimina um incidente processual
chamado de exceção de incompetência relativa. De modo que toda essa temática de
incompetência, seja ela absoluta ou relativa, é argüível na própria contestação. Mas a
diferença básica entre as duas continua mantida. O que se eliminou foi o mecanismo
exceção para a argüição da incompetência relativa. Se não argüir a incompetência
relativa na contestação ocorrerá à preclusão, lembrando que isso não ocorre para a
incompetência absoluta, lembrando que ela deve ser argüida na contestação, mas pode
ser reconhecida de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição. Então a falta de
alegação da incompetência absoluta, na contestação, não preclui. Já a falta de alegação
da incompetência relativa, na contestação, preclui. Artigos 51 e 52 do anteprojeto.
Artigo 51. A incompetência, seja absoluta ou relativa, será alegada como
preliminar de contestação, que poderá ser protocolada no juízo do domicílio do réu.
§1º A incompetência absoluta deve ser declarada de ofício.
§2º Declarada a incompetência, serão os autos remetidos ao juízo competente.
§3º Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos das
decisões proferidas pelo juízo incompetente, até que outra seja proferida, se for o caso,
pelo juízo competente.
Artigo 52. Prorrogar-se-á a competência relativa, se o réu não a alegar em
preliminar de contestação.
Conflito de competência: esse conflito de competência significa “briga” entre dois
ou mais juizes a cerca da competência. Exemplo: digamos que um cidadão ajuíza uma
ação no foro errado ou perante um juiz incompetente. Aquele juiz que se acha
incompetente, tratando-se de matéria de competência absoluta, dirá: – eu não sou
competente, rematam-se os autos para o juiz competente. Obs.: em processo de
primeira instância, quando se erra a competência, a conseqüência nunca será a
extinção do processo sem julgamento de mérito, pois se tratando de competência
absoluta, ela é conhecida de ofício pelo juiz, logo os autos serão remetidos ao juiz
competente, caso a competência seja relativa e o réu não a argüir, irá ser prorrogada a
competência do juiz que era incompetente, vide artigo 114 CPC.
Caso a competência seja absoluta, ao chegar os autos ao juiz competente, esse juiz
pode declarar-se incompetente, e ordenar a devolução dos autos ao juiz que lhe enviou o
processo. Nessa hipótese eles começam a “brigar” para saber quem é o competente.
Essa “briga” surge também na conexão e na continência. Digamos que
estabelecida à conexão ou a continência, é apontado como competente o juiz de MOC,
logo o juiz de BH mandará os autos para o juiz de MOC. Ao receber os autos, esse juiz
diz que não é competente, devolvendo os dois processos, o que já estava lá e o que foi
mandado pelo juiz de BH. Pois o juiz de MOC acha que o competente para o
julgamento daquela lide é o juiz de BH. Então eles começam a “brigar” para saber quem
é o competente. Lembrando que se o juiz de MOC aceitar processar e julgar o processo,
não terá o conflito de competência.
Então quando acontece essa “briga”, surge à perspectiva do conflito de
competência. Logo para que ocorra o conflito de competência é necessário que
ocorra essa “briga”, caso contrário não teremos a configuração do conflito de
competência.
O CPC predispõe um mecanismo para resolver essa “briga”, é o conflito de
competência. Lembrando que essa “briga” pode ser positiva (quando dois ou mais
juizes “brigam” para processar e julgar o processo) ou negativa (quando dois ou mais
juizes recusam o processo). São os chamados conflitos de competência negativos ou
conflitos de competência positivos. Sendo o mais comum o conflito de competência
negativo.
Temos também as discussões em torno de reuniões de processos. Aqui são as
questões derivadas de conexão e continência. Pois descobrir o juiz competente da
conexão ou continência não é fácil. Vide artigo 115 CPC.
Artigo 115. Há conflito de competência:
I – quando dois ou mais juízes se declaram competentes; – conflito de
competência positivo.
II – quando dois ou mais juízes se consideram incompetentes; – conflito de
competência negativo.
III – quando entre dois ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou
separação de processos. – conexão e continência.
Obs.: O STJ exige a comprovação do conflito.
Jurisprudência do STJ: a ausência necessária à manifestação do juízo citado em
que recusa a competência para o exame da lide. É inviável o conhecimento do conflito
negativo, nos termos do artigo 115, II, CPC.
Tem legitimidade para suscitar o conflito de competência: as partes, o MP
(quando atua como fiscal da Lei ou quando for parte) e os juizes. Se o conflito de
competência for suscitado pelas partes ou pelo MP, será feito através de petição
dirigida diretamente ao órgão competente para resolver e julgar o conflito. Se for o
juiz, ele encaminhará o ofício para o órgão competente. Vide artigos 116 e 118 CPC.
Artigo 116. O conflito pode ser suscitado por qualquer das partes, pelo Ministério
Público ou pelo juiz.
Parágrafo único. O Ministério Público será ouvido em todos os conflitos de
competência; mas terá qualidade de parte naqueles que suscitar.
Artigo 118. O conflito será suscitado ao presidente do tribunal:
I – pelo juiz, por ofício;
II – pela parte e pelo Ministério Público, por petição.
Parágrafo único. O ofício e a petição serão instruídos com os documentos
necessários à prova do conflito.
Obs.: o Tribunal, no conflito de competência, só julgará quem é o juiz
competente para processar e julgar o processo, nada mais. E aquele juiz que foi
julgado como competente, terá que processar e julgá-los.
Jurisprudência STJ: em conflito de competência o Tribunal não pode decidir
contra a procedência do pedido e nem as condições da ação, cabe-lhe simplesmente
dizer a quem compete conhecer do pedido.
Essa perspectiva é encontrada no artigo 122 CPC.
Artigo 122. Ao decidir o conflito, o tribunal declarará qual o juiz competente,
pronunciando-se também sobre a validade dos atos do juiz incompetente. – Todos os
atos decisórios proferidos por juiz incompetente são declarados nulos (art. 113, §2º CPC).
Parágrafo único. Os autos do processo, em que se manifestou o conflito, serão
remetidos ao juiz declarado competente.
Atenção: A definição de qual será o Órgão Competente para resolver e julgar o
conflito de competência está estampado na CF. vide artigo 102, I, “o”, CF e artigo
105, I, “d”, CF.
Artigo 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da
Constituição, cabendo-lhe:
I – processar e julgar, originariamente:
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer
tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal. – o
STF julga originariamente os conflitos de competência. Como se suscita? Nos termos
do artigo 115 CPC mais o artigo 118 CPC.
Exemplos:
• STJ x qualquer Tribunal – o órgão competente para processar e julgar o conflito
é o STF.
• STJ x TJ (de qualquer Estado) – o órgão competente é o STF.
• STJ x TRF (qualquer um deles) – o órgão competente é o STF.
• STJ x TRT (qualquer um deles) – o órgão competente é o STF.
• STJ x TRE (qualquer um deles) – o órgão competente é o STF.
• STJ x TSE – o órgão competente é o STF.
• STJ x TST – o órgão competente é o STF.
• STJ x STM – o órgão competente é o STF.
• TST x TJ (de qualquer Estado) – o órgão competente é o STF.
• TSE x TRF (qualquer deles) – o órgão competente é o STF.
Artigo 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I – processar e julgar, originariamente:
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no
artigo 102, I, “o”, bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes
vinculados a tribunais diversos.
Obs.: Se o conflito envolver qualquer Tribunal Superior à competência será do
STF, vide artigo 102, I, “o”, CF.
Obs.: o STJ julga conflito entre Tribunais de segunda instância.
Exemplos:
• TJ (de qualquer estado) x TRF (qualquer deles) – o órgão competente é o STJ.
• TJMG x TJSP – o órgão competente é o STJ.
• TRTMG x TREMG – o órgão competente é o STJ.
Obs.: “briga” entre qualquer Tribunal e juiz a ele não vinculado, a competência é
do STJ.
• TJMG x JF (juiz federal) – o órgão competente é o STJ.
• TRF (qualquer deles) x JDSP (juiz de direito de SP) – o órgão competente é o STJ.
Obs.: “briga” entre juízes subordinados a Tribunais diversos.
• JDMG x JDSP – o órgão competente é o STJ.
Obs.: Se o juiz estiver vinculado ao mesmo Tribunal vai para o Tribunal
vinculado. Ou seja, os juízes são do mesmo Estado.
Exemplo:
JDBH x JDMOC – o órgão competente é o TJMG.
JFBH x JFMOC – o órgão competente é o TRF da 1ª região.
Atenção: temos exceção:
• Em cada Estado temos um TRT, digamos que um JTMG “brigue” com o JTSP, o
responsável por processar e julgar o conflito é o TST. Vide súmula 236 STJ.
Súmula 236 STJ: não compete ao STJ dirimir conflitos de competência entre
juízos trabalhistas vinculados a Tribunais Regionais do Trabalho diverso. –
Lembrando que isso se aplica também a Justiça Eleitoral.
Exemplo:
• JEMG x JESP – o órgão competente para processar e julgar o conflito é o TSE.
Obs.: JTBH x JTMOC – o órgão competente é o TRT.
JEBH x JEMOC – o órgão competente é o TER.
Atenção: a exceção mais bombástica é a relacionada aos Juizados Especiais.
• JDMG x Juiz do JESP – o órgão competente é o STJ. – pois segundo o artigo
105, I, “d”, CF, compete ao STJ julgar o conflito de competência entre juízes
vinculados a tribunais diversos. E o juiz do Juizado Especial não está vinculado nem
ao TJ e nem ao TRF.
Precedente do STJ: a CF atribui ao STJ à competência para dirimir conflitos
“entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no artigo 102, I, “o”, bem como entre
tribunal e juízes a ele não vinculado, e entre juízes vinculados a tribunais diversos”.
Artigo 105, I, “d”. A norma tem o sentido de retirar dos tribunais locais o julgamento
de conflito entre órgãos judiciários a eles não vinculados. Atribuição que ficar reservada
ao STJ. Assim entendido o dispositivo, nele está compreendido implicitamente a
competência do STJ para dirimir qualquer conflito entre juízes não vinculados ao
mesmo tribunal local do reclamado. A jurisprudência do STF e da Corte Especial do
STJ considera que as Turmas Recursais do Juizado Especial e os Tribunais de Justiça do
mesmo Estado não são órgãos vinculados ao mesmo Tribunal de Justiça. Razão pela
qual o conflito entre eles, é um conflito entre Tribunal e juiz a ele não vinculado, o que
determina a competência do STJ para dirimi-lo, nos termos do artigo 105, I, “o”, CF.
Assim como a Turma Recursal, também um juiz Federal do juizado especial, não está
vinculado ao TRF, o que significa dizer que o conflito entre o juiz do juizado especial e
um juiz federal é um conflito entre juizes não vinculados ao mesmo tribunal. Logo a
competência para apreciar o conflito é do STJ a teor do que está implicitamente contido
no artigo 105, I, “d”, CF. – CC 54145.
Voltemos ao artigo 282 CPC.
Já estudamos o primeiro item da petição inicial que é a competência.
Agora iremos estudar o segundo item que é a causa de pedir e o pedido.
Causa de pedir – vide artigo 282, III, CPC.
Artigo 282 CPC – A petição inicial indicará:
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; – essa é a famosa causa de
pedir. A causa de pedir é a relação jurídica de direito material em cujo âmbito
apareceu o conflito.
Exemplo: o professor compra a bolsa da Flávia, ele paga a bolsa e fica combinado
que a entrega será realizada no final do semestre. Chegando ao final do semestre, a
bolsa é entregue conforme o combinado. Nesse caso não ocorrerá conflito.
Exemplo: usando o mesmo exemplo acima, supondo que ao final do semestre a
Flávia não entrega a bolsa conforme o combinado, ao ser cobrada pelo professor, ela diz
que o mesmo terá que procurar os seus direitos na justiça.
Quando essa crise de direito material for levada à justiça, o CPC exigirá que sejam
narrados os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido.
Obs.: podemos separar a relação jurídica de direito material em dois fatos distintos.
• Fato matriz ou mãe: é aquele fato que faz surgir à relação de direito material. No
exemplo acima é o contrato de compra e venda da bolsa.
• Fato derivado: é aquele fato que traduz o inadimplemento.
Outro exemplo: Imaginem que ao sair da escola Joãozinho é atropelado, em cima
do passeio, por um motorista embriagado, e o motorista já avisa que não pagará nada.
• Fato matriz é o atropelamento, pois é ele que faz surgir à relação de direito
material.
• Fato derivado é o inadimplemento, tendo em vista que o motorista já avisou que
não vai reparar os prejuízos.
Causa de pedir remota (fato matriz): é a causa de pedir mais distante do
ajuizamento da ação, tendo em vista que foi ela que gerou a relação jurídica.
Causa de pedir próxima (fato derivado): é a causa de pedir mais próxima do
ajuizamento da ação, pois traduz o inadimplemento.
A importância dessa distinção é: a doutrina processual, em relação a causa de pedir,
diverge entre duas teorias:
• Teoria da individuação da causa de pedir: para essa teoria basta que o sujeito
alegue na causa de pedir, a causa próxima. Pois o que importa é a narração da causa
próxima, porque ela que permitiria a exigibilidade do direito material. A causa remota é
colocada em segundo plano, tendo em vista que essa teoria não se importa muito com
ela.
• Teoria da substanciação da causa de pedir: essa teoria exige que seja narrado
no processo a substância do litígio, logo não basta a causa próxima. Consequentemente
tem que narrar o fato matriz (causa de pedir remota) e o fato derivado (causa de pedir
próxima).
O CPC, no artigo 282, III, fez a opção clara pela teoria da substanciação ao
indicar que na causa de pedir deve ser narrado o fato e o fundamento jurídico do
pedido.
Obs.: A relação jurídica matriz é que dá a conexão entre dois ou mais processos
pela identidade da causa de pedir. Pois a relação jurídica derivada é difícil de ser
compreendida sem a relação jurídica matriz, pois aquela é um desdobramento da
relação jurídica mãe.
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AULA 22
O CPC adotou a chamada teoria da substanciação, ou seja, na causa de pedir deve
conter todos os fatos, logo tem que constar o fato matriz e o fato derivado.
Lembrando que a jurisdição é inerte, atuando apenas quando for provocada pela
parte, quando a parte provoca esta invocando o princípio da demanda. Esse princípio
esta expresso no CPC em seu artigo 2º.
Artigo 2º. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o
interessado a requerer, nos casos e forma legais. – mas esse princípio não significa que
o judiciário somente atua quando provocado, pois ele tem um importante
desdobramento que traduz o seguinte: a jurisdição só atua quando provocada pelas
partes, e essa atuação se dá exatamente na medida da provocação, ou seja, a provocação
das partes que se dá através da petição inicial, delimita o âmbito de direito material em
que a jurisdição vai atuar.
Então o princípio da demanda vai além da provocação, pois a jurisdição só atua nos
limites ditados pela provocação, lembrando que esses limites são apurados na petição
inicial através da causa de pedir e do pedido.
O desdobramento mais preciso do artigo 2º está no artigo 128 CPC.
Artigo 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso
conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte.
Se o juiz extrapolar, conferindo ao autor coisa diversa da pedida ou condenar o réu
além do que foi pedido, essa sentença será viciada, consequentemente a sentença será
nula, pois o juiz atuou fora dos limites da lide. Vide 460 CPC.
Esse artigo prevê os julgamentos viciados:
• julgamento ultra petita, se dá quando o juiz condena o réu além do que foi
pedido.
• julgamento extra petita, se dá quando o juiz confere coisa diversa do que foi
pedida.
• julgamento infra ou cita petita, se dá quando o juiz julga menos do que foi
pedido.
Repetição: esses julgamentos citados acima, encontram limites na causa de pedir e
no pedido.
Artigo 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza
diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto
diverso do que lhe foi demandado.
Parágrafo único. A sentença deve ser certa, ainda quando decida relação jurídica
condicional.
O anteprojeto mantém isso, pois o artigo 128 CPC é repetido no artigo 110 do
anteprojeto, e o artigo 460 CPC é repetido no artigo 474 do anteprojeto. Então esse
quadro da vinculação do juiz a causa de pedir e ao pedido, por força do princípio da
demanda, permanece inalterado no anteprojeto.
Exemplo: o querido professor está indo embora para a sua residência após mais um
dia exaustivo de trabalho, ao atravessar a rua, nosso professor é atropelado por um carro
desgovernado dirigido por nossa amiga FLÁVIA. Consequentemente esse
atropelamento causa um prejuízo de R$100.000,00 para o professor.
Logo o mesmo ajuizará uma ação pedido a condenação da Flávia, para que a mesma
pague os R$100.000,00. Ele irá alegar como causa de pedir o ato ilícito consistente no
atropelamento. Ao analisar o processo o juiz percebe que não houve nenhum
atropelamento, mas descobre que a Flávia deve ao professor a quantia de R$100.000,00,
devido a um contrato de mútuo que eles celebraram. Então ele resolve condenar a Flávia
por causa do contrato. Nesse caso a sentença será nula porque o pedido foi atendido
com base em uma relação jurídica que não foi relatada. Logo o juiz não pode dar coisa
que não foi pedida na causa de pedir.
Mas a coisa não é tão simples assim:
O que é a causa de pedir? É a relação jurídica de direito material, composta dos
fatos e fundamentos jurídicos, vide o artigo 282, III, CPC.
Artigo 282. A petição inicial indicará:
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
Logo na causa de pedir iremos narrar o fato e dar a ele um enquadramento
jurídico, consequentemente teremos o pedido que é o resultado do fato narrado mais o
enquadramento jurídico.
Obs.: se a qualificação jurídica dada ao fato estiver errada, exemplo: supondo que
A celebre um contrato com B. pouco tempo depois B descumpre o contrato, logo A
ajuizará uma ação, e ao invés do autor colocar a qualificação jurídica que gera a
obrigação de entregar a prestação, logo é um ilícito contratual. Mas o autor coloca o
artigo 186 CC que trata da responsabilidade civil por ato ilícito extra contratual.
Embora a qualificação jurídica esteja errada, o juiz não deixará de examinar a ação.
O juiz dirá assim na sentença: o autor narrou corretamente os fatos que integram a
relação jurídica de direito material e pediu corretamente o objeto do contrato, mas errou
a qualificação jurídica do fato. Então o juiz eu (juiz) vou trocar o dispositivo legal, ou
seja, irei colocar o enquadramento jurídico do fato, que será baseado nas normas do CC,
relativos ao contrato de compra e venda e do inadimplemento contratual, que gera a
obrigação de entregar o bem.
Nesse exemplo o juiz apenas trocou a qualificação jurídica do fato, pois o fato
continua inalterado, o autor apenas errou o enquadramento jurídico do fato na norma.
Precedente STJ: atendida a narração dos fatos da causa na inicial, não constitui
decisão extra petita, dar o juiz o enquadramento legal correto ao pedido.
Fechamos à causa de pedir e vamos passar agora para o pedido.
O pedido é a conseqüência da causa de pedir, ou seja, ele é a conclusão que deriva
da causa de pedir. A causa de pedir é a relação jurídica de direito material litigiosa, de
modo que o pedido é a solução da crise de direito material. Logo a causa de pedir é o
antecedente lógico do pedido. Exemplo: se o professor narra que firmou com a Júlia um
contrato de compra e venda para a compra da caneta e do livro de Dom Pedro II. A
inadimplência da Júlia será a causa de pedir, logo o pedido será a caneta e o livro. O
pedido é a conclusão da causa de pedir. É inepta a petição inicial se dos fatos não
decorrem logicamente a conclusão, ou seja, existe um corte, um descompasso entre a
causa de pedir e o pedido. Consequentemente a petição inicial será extinta sem
resolução de mérito, tendo em vista a gravidade do fato. Exemplo: o professor narra em
sua petição inicial que estava indo embora para a sua casa, quando foi atropelado pela
Júlia, consequentemente ele quer que a mesma seja condenada a entregar-lhe o livro e a
caneta de Dom Pedro II. Nesse exemplo existe um completo descompasso entre a causa
de pedir e o pedido. Vide artigo 295 CPC.
Artigo 295. A petição inicial será indeferida:
I – quando for inepta;
Parágrafo único. Considera-se inepta a petição inicial quando:
I – lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II – da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
III – o pedido for juridicamente impossível;
IV – contiver pedidos incompatíveis entre si.
O pedido representa o bem da vida que a parte deseja, seja lembrando que o bem
da vida tem que ser lícito, ou seja, admitido e protegido pelo direito. O CPC completa
essa idéia, vide artigo 282, IV, CPC.
Artigo 282. A petição inicial indicará:
IV – o pedido, com as suas especificações;
O legislador processual cometeu um deslize de português no artigo 286 CPC, ao
dizer que o pedido deve ser certo ou determinado, mas na verdade tem que ser certo E
determinado.
O anteprojeto corrige essa bobagem no artigo 307 onde o mesmo expressa que o
pedido deve ser certo E determinado.
O pedido pode ser desdobrado em pedido imediato é pedido mediato.
• pedido imediato: é a providência processual que vai permitir que o autor chegue
ao pedido mediato. São três as tutelas que levam o autor ao bem da vida – constitutiva
(exemplo: o autor narra na causa de pedir que firmou um contrato e esse contrato foi
feito com base no vício da vontade, logo ele pedirá a anulação do contrato de compra e
venda, voltando as partes ao estado anterior), declaratória (exemplo: o autor se satisfaz
com a declaração da existência ou inexistência do direito material. Basta por exemplo
declarar que o réu é o verdadeiro pai do autor) e condenatória.
Obs.: A ação declaratória pura é prevista no artigo 4º CPC, ela é pura porque o
pedido imediato é pura e simplesmente declarar a existência ou a inexistência de uma
relação jurídica.
Artigo 4º O interesse do autor pode limitar-se à declaração:
I – da existência ou da inexistência de relação jurídica;
II – da autenticidade ou falsidade de documento.
Parágrafo único. É admissível a ação declaratória, ainda que tenha ocorrido a
violação do direito.
• pedido mediato: é o bem da vida, é o direito material em que ele quer por as
mãos.
Obs.: o pedido é interpretado restritivamente, vide artigo 293 CPC.
Artigo 293. Os pedidos são interpretados restritivamente compreendendo-se, entre
tanto, no principal os juros legais. Exemplo: se no contrato estiver estipulado a entrega
da caneta e do livro, mas no pedido o autor coloca apenas a caneta, logo o juiz não
poderá entregar o livro, pois senão será uma decisão ultra petita.
Obs.: dentro das três tutelas do processo de conhecimento (constitutiva,
declaratória e condenatória) existem outras duas que o professor não concorda com elas,
basta apenas saber que elas existem. São elas tutela mandamental e tutela executiva lato
sensu.
A regra geral é que o pedido deve ser certo e determinado. Mas o CPC admite
três hipóteses em que pode ser feito o pedido genérico. Isso é a exceção em processo
civil, pois a regra é que: ao ser formulado o pedido judicial, deve-se indicar
precisamente o bem da vida, ou seja, deve constar o pedido mediato e o pedido
imediato. Vide artigo 286 CPC.
Artigo 286. O pedido deve ser certo ou determinado. É lícito, porém, formular
pedido genérico:
I – nas ações universais, se não puder o autor individuar na petição os bens
demandados; – quando se tratar de universalidade de fato (biblioteca) e de direito
(herança). Um bom exemplo de universalidade direito é a herança.
II – quando não for possível determinar, de modo definitivo, as conseqüências do
ato ou do fato ilícito; – é mais comum, o autor deseja que o réu seja obrigado a reparar
todos os danos sofridos, ou seja, é a liquidação de sentença. Exemplo: a Flávia comprou
um Táxi para trabalhar. Ao sair da faculdade e pegar o primeiro passageiro, não
observou o sinal vermelho e atropelou um pedestre bem em cima da faixa. Suponha que
o pedestre atropelado fique internado por 6 meses. Nesse caso o autor não sabe ao certo
o valor total dos prejuízos, nesse caso ele formulará um pedido genérico: que a Flávia
seja condenada a pagar todos os danos sofridos pelo ilícito. Essa situação se chama
liquidação de sentença.
III – quando a determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser
praticado pelo réu. – quando a determinação do bem da vida dependa de ato do réu.
Exemplo: o professor foi para a França e passou uma procuração para a sua esposa
permitindo que a mesma vendesse todos os carros do professor. Ao chegar de viagem a
esposa não repassa para o professor o dinheiro, logo o mesmo ajuizará uma ação com o
pedido genérico, tendo em vista que ele não sabe por quanto a sua esposa vendeu os
carros.
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AULA 23
Artigo 293. Os pedidos são interpretados restritivamente compreendendo-se, entre
tanto, no principal os juros legais. Esse artigo veda que o pedido seja interpretado
ampliativamente.
O CPC regulamenta quatro tipos de pedidos especiais.
• Alternativo;
• Sucessivo (subsidiário);
• Prestações periódicas;
• Cominatório, é entendido em um contesto maior, chamado de Tutela Específica.
Além desses quatro tipos de pedidos, o CPC regulamenta:
– Cumulação de Pedido;
– Estabilização do Pedido;
– Antecipação de Tutela.
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Vamos estudar agora os pedidos:
Pedido Alternativo: a obrigação alternativa de direito material esta no artigo 252
CC, esse artigo prevê a regulamentação das obrigações alternativas. Ou seja, a
obrigação de direito material se cumpre por meio da prestação de uma coisa ou outra.
Exemplo: o devedor se desobriga entregando o cavalo ou o boi.
Artigo 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra
coisa não se estipulou.
O legislador processual, tendo em vista a peculiaridade das obrigações alternativas,
cuja escolha cabe ao devedor, e considerando que o credor viria formular um pedido
para que uma coisa só se prestasse. Lembrando que as obrigações alternativas NÃO são
cumulativas. Logo o devedor presta uma coisa ou outra. Então vejamos, se a escolha
cabe ao devedor, mas o mesmo está inadimplente, como o credor vem a juízo pedir
isso? Tendo em vista que o credor vai pedir duas coisas, mas irá receber apenas uma.
Para garantir o direito de escolha do devedor, a legislação processual dispõe que o
credor virá a juízo e pedirá a condenação do devedor para entregar uma coisa ou outra.
Logo na petição inicial não se definirá qual é a coisa, mas o credor irá apontar as
alternativas e pedir a condenação do devedor para que o mesmo entregue o cavalo ou o
boi conforme a escolha dele. Obs.: o credor pode indicar na petição inicial quantas
alternativas quiser. Vide artigo 288 CPC.
Artigo 288. O pedido será alternativo, quando, pela natureza da obrigação, o
devedor puder cumprir a prestação de mais de um modo.
Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor,
o juiz lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda
que o autor não tenha formulado pedido alternativo.
Obs.: se a obrigação for alternativa, mas a escolha couber ao credor, que é o
autor da ação, ele não formulará pedido alternativo, pois ele realiza na petição inicial a
sua escolha. Logo ele formulará pedido certo E determinado.
Obs.: uma coisa curiosa que pode acontecer nas obrigações alternativas quando a
escolha couber ao devedor é: o credor formular um pedido certo. Suponha que ele peça
o cavalo. Nesse caso o réu ou o autor sairão prejudicados com isso. O credor, pois a
escolha não cabe a ele, logo ele errou o pedido, e se o réu escolher o boi o pedido será
extinto sem resolução de mérito, pois não foi à prestação adequada e não se reservou a
escolha ao réu.
Lembrando que o CPC abre uma brecha no princípio da demanda, nos artigos 128
e 460 CPC.
Artigo 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso
conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte.
Artigo 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza
diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto
diverso do que lhe foi demandado.
Parágrafo único. A sentença deve ser certa, ainda quando decida relação jurídica
condicional.
Obs.: mas especificamente nesse caso, das obrigações alternativas, há uma exceção
gigante dada pelo próprio legislador processual a esse princípio da congruência, ou
seja, o juiz só pode dar ao autor aquilo que foi pedido. Tem que haver uma congruência,
uma identidade entre o pedido inicial e a sentença. Caso não haja essa identidade ou
essa congruência, a sentença será viciada, pois ela fugiu do pedido.
Nesse caso NÃO iremos aplicar os artigos 128 e 460 CPC, pois nesse caso, o
legislador processual, diante da perspectiva das obrigações alternativas, em que a
escolha cabe ao réu (devedor), se por ventura, o autor formular pedido certo, no âmbito
de obrigações alternativas, o juiz garantirá a escolha ao devedor. Vide parágrafo único
do artigo 288 CPC.
Artigo 288. O pedido será alternativo, quando, pela natureza da obrigação, o
devedor puder cumprir a prestação de mais de um modo.
Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor,
o juiz lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda
que o autor não tenha formulado pedido alternativo.
O pedido alternativo é formulado através do pedido da condenação do réu, para
que o mesmo entregue o boi ou do cavalo a escolha dele (devedor).
Agora se você não prestou atenção às aulas de processo civil e formulou um pedido
certo, em que a escolha caiba ao devedor, o juiz na sentença irá assegurar que o devedor
cumpra a prestação de um ou de outro modo. Embora a sentença seja dissociada do
pedido, não tendo congruência com o mesmo, pois a mesma foi além do pedido, tendo
em vista que o autor pediu o cavalo, e a sentença dada foi o boi ou o cavalo. Mas
mesmo assim essa sentença não incidirá nos vícios do artigo 460 CPC, pois existe uma
autorização especial no parágrafo único do artigo 288 CPC, para que o juiz saia dos
limites em função do direito material.
Repetindo: nesse caso o juiz pode sair do padrão do pedido (princípio da
congruência), que é o princípio em que a sentença deve guardar a estrita observância
do que foi pedido.
Se o advogado erre isso na pratica o juiz irá fazer a correção de ofício. Se errarem
isso na prova eu irei tirar muitos pontos!!!!!
O anteprojeto mantém a mesma coisa, vide artigo 308.
Pedido Sucessivo ou Subsidiário: significa que o autor tem um pedido principal,
ele quer uma coisa ou um bem da vida, mas se esse bem falhar, ele contenta com o
segundo, se o segundo falhar ele contenta com o terceiro, etc. Então é possível que o
autor formule na petição inicial, pedidos sucessivos ou em ordem sucessiva, aonde ele
vai escalonando os pedidos de acordo com uma seqüência entre o principal e o
secundário.
Lembrando que o juiz somente irá examinar o segundo, se o primeiro for negado.
Se o juiz conceder o primeiro pedido, irá se parar ai, logo ele não examinará os outros
pedidos. Logo no final do processo o autor irá sair com um pedido apenas. Pois o autor
quer uma coisa só. Exemplo: o professor empresta para a Roberta o código de Dom
Pedro II. Suponha que a Roberta queime sem querer o código. Nesse caso o professor
irá ajuizar uma ação contra a Roberta requerendo a sua condenação para que a mesma
devolva o Código. Esse é o pedido principal. Mas ele pode pedir sucessivamente que
ela seja condenada a pagar uma indenização de R$ 1.000.000,00, caso ela não devolva o
código, pois a mesma o queimou. Consequentemente o professor não está querendo os
dois pedidos, mas sim um. Ele quer o código, mas como não é possível, pois o mesmo
não existe mais, ele vai optar pelo dinheiro. Vide artigo 289 CPC. O legislador nesse
artigo chama esse troço de pedido sucessivo.
Artigo 289. É lícito formular mais de um pedido em ordem sucessiva, a fim de que
o juiz conheça do posterior, em não podendo acolher o anterior. O juiz só acolhe o
posterior se ele não acolher o anterior. Se ele acolher o anterior, ele para.
Obs.: não confundam o pedido sucessivo com pedido alternativo. Tendo em vista
que o pedido alternativo decorre de uma obrigação alternativa. E o pedido sucessivo
não é uma obrigação alternativa, tendo em vista que o réu tem a obrigação de
entregar a coisa, só não vai entregar se não for possível, seja por deterioração da coisa,
perda, extravio, etc.
Obs.: o pedido sucessivo também é chamado de pedido subsidiário, porque o
CPC no artigo 289 o chama de sucessivo, já no artigo 259 ele é chamado de
subsidiário.
Artigo 259. O valor da causa constará sempre da petição inicial e será:
IV – se houver também pedido subsidiário, o valor do pedido principal; de modo
que o autor que o bem principal, caso não consiga, ele aceita o sucessivo (subsidiário).
Precedente do STJ: com base no artigo 289 CPC, acolhido o pedido principal,
fica o juiz dispensado de apreciar o pedido subsidiário não podendo a sentença ser
acoimada de citra petita (é a sentença que vale menos que o pedido).
O anteprojeto mantém a mesma coisa, vide artigo 309.
Pedido de prestação periódica: quando a obrigação do direito material vai ser
cumprida por partes, fixadas periodicamente. Logo não se tem uma prestação única,
mas sim, parcelas. Exemplo: no contrato de locação, os aluguéis são parcelas
periódicas.
Em se tratando de prestações periódicas, o autor vai a juízo pedir as prestações
vencidas. Como o processo é demorado, o réu será obrigado a pagar as parcelas
vencidas e as que vencerem durante o processo. Vide artigo 290 CPC. O correto é que
o autor peça as vencidas e as vincendas, mas se ele se esquecer e pedir apenas as
vencidas, o legislador incluiu as vincendas.
Artigo 290. Quando a obrigação consistir em prestações periódicas, considerar-
se-ão elas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor;
se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las, a sentença
as incluirá na condenação, enquanto durar a obrigação.
Obs.: se transitar em julgado, mas caso o autor não tenha pedido as vincendas e o
juiz também tenha se esquecido de colocá-las, não poderá invocar o artigo 290 CPC,
pois nesse caso estará violando a coisa julgada, tem que cumprir o que a sentença
determinou. Se a sentença determinou a condenação apenas das parcelas vencidas e não
disse nada sobre as vincendas e o autor não recorreu, sinto muito, mas terá que se
ajuizar outra ação do zero. Vide precedente do STJ.
Precedente do STJ: o recorrido ajuizou embargo de execução de cobrança de cotas
condominiais, alegando excesso do valor da condenação. A sentença julgou
improcedente os embargos, pois embora não haja na sentença referencia a prestações
vincendas, elas são devidas nos termos do artigo 290 CPC. O Tribunal reconheceu o
excesso, aduzindo que embora o CC preveja que as parcelas vincendas possam ser
incluídas implicitamente no pedido, é necessário que haja condenação na sentença, o
que não ocorreu no caso. O Ministro Relator confirmou que: quando não consta da
sentença a condenação às prestações vincendas, ainda que possível a sua inclusão,
mesmo que não conste do pedido inicial, torna-se impertinente a sua cobrança na
execução, por ser necessária que na sentença elas estejam incluídas expressamente.
Resp 674384.
O anteprojeto mantém a mesma coisa, vide artigo 310.
Obs.: temos na nossa legislação mais três pedidos implícitos, ou seja, o juiz pode
condenar o réu sem pedido do autor. O primeiro está no artigo 293 CPC, são os juros
legais.
Artigo 293. Os pedidos são interpretados restritivamente compreendendo-se, entre
tanto, no principal os juros legais. – os juros legais estão automaticamente incluídos no
principal, logo temos um pedido implícito.
No curso dos anos apareceu outro: Lei 6899/81 – correção monetária. Essa lei
prevê que no pedido principal inclui também a correção monetária automaticamente.
Então o segundo é a correção monetária.
E o terceiro é o honorário de advogado, vide artigo 20 CPC. O juiz pode incluir
o honorário de ofício.
Artigo 20. A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que
antecipou e os honorários advocatícios. Essa verba honorária será devida, também,
nos casos em que o advogado funcionar em causa própria.
Jurisprudência do STJ: é passível o entendimento dessa corte no sentido da
aplicação de juros e a correção monetária mesmo quando não requerida pelo autor, não
configura julgamento extra petita, posto que ambos institutos são legais. A condenação
à verba de sucumbência de advogado decorre do fato objetivo da derrota no processo,
cabendo ao juiz condenar de ofício a parte vencida independentemente de provocação.
O pedido de tal condenação encontra-se compreendido na petição inicial como se fosse
um pedido implícito, pois seu exame decorre da lei.
O anteprojeto mantém isso, vide artigo 313.
Artigo 318. Os pedidos são interpretados restritivamente, compreendendo-se,
entretanto, no principal, os juros legais, a correção monetária e as verbas de
sucumbência.
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AULA 24
Cumulação de pedidos: significa que o autor, em face daquele réu quer vários bens
jurídicos, ou seja, vários bens da vida protegidos pelo direito. Consequentemente a
legislação processual permite que ele coloque todos os pedidos em uma única ação. Isso
se dá por causa da economia processual.
O único requisito que o CPC exige é que sejam as mesmas partes. Lembrando
que não precisa haver conexão para que o autor cumule pedidos. Vide artigo 292 CPC.
Artigo 292. É permitida a cumulação, num único processo, contra o mesmo réu,
de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.
§1º São requisitos de admissibilidade da cumulação:
I – que os pedidos sejam compatíveis entre si;
II – que seja competente para conhecer deles o mesmo juízo;
III – que seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento.
§2º Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento,
admitir-se-á a cumulação, se o autor empregar o procedimento ordinário.
Obs.: não confundir a hipótese de cumulação de pedidos com os pedidos
alternativo e sucessivo.
No pedido alternativo e no pedido sucessivo, o autor faz referência a vários bens
que pode receber no final do processo.
No pedido alternativo, vocês vão se lembrar de que a obrigação é alternativa e
que a escolha cabe ao devedor. Logo o devedor se desobriga prestando o cavalo ou o
boi, a sua escolha (devedor).
Já no pedido sucessivo o autor faz o seu pedido principal, que no exemplo dado
será a anulação de casamento, caso esse pedido falhe, sucessivamente
(subsidiariamente) ele pede o divórcio. Se contentando com o segundo pedido.
Logo no pedido alternativo e no pedido sucessivo, o autor sairá do processo com
um único bem, sendo impossível que ele saia com vários bens. Exemplo: no pedido
alternativo é impossível que o autor saia com o cavalo e com o boi, ou no pedido
sucessivo, é impossível que ele saia com o pedido principal e com o subsidiário. Logo
não existe nessas hipóteses a cumulação de pedido. Logo para essas hipóteses não se
aplica o artigo 292 CPC.
Dentro da cumulação de pedido existem dois tipos de cumulação:
• Cumulação simples: os pedidos cumulados são autônomos. Logo são julgados
independentemente dos outros.
• Cumulação sucessiva: existe uma relação de prejudicialidade entre os pedidos.
Pois o pedido principal é prejudicial ao pedido subseqüente. Exemplo: digamos que o
professor está requerendo a declaração de paternidade de seu João, ao ser declarado pai,
o professor vai requerer que ele (seu João) pague alimentos. Logo se o primeiro pedido
(declaração de paternidade) não for procedente, o segundo pedido vai ser improcedente
também. Consequentemente se o primeiro pedido não for procedente irá se prejudicar o
segundo.
Lembrando que se o alimentante (quem presta alimento, logo é o réu) não tiver
condições de dar alimentos, o juiz não o condenará a pagar alimentos para o
alimentando (autor da ação, quem come). Então, se o juiz declarar que o réu é o pai, não
significa que o autor ganhará o outro pedido, tendo em vista que o juiz irá examinar
cada caso.
Repetindo: essas duas formas de cumulação de pedidos significam que: em
ambas o autor quer todos os pedidos, sejam dois, três, quatro, etc.
O CPC regulamenta alguns requisitos que são lógicos em relação à cumulação de
pedidos.
• para cumular pedidos, o réu tem que ser o mesmo.
• é necessário que haja compatibilidade lógica entre os pedidos cumulados, vide
artigo 295, parágrafo único, IV, CPC.
Artigo 295. A petição inicial será indeferida:
I – quando for inepta;
Parágrafo único. Considera-se inepta a petição inicial quando:
I – lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II – da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
III – o pedido for juridicamente impossível;
IV – contiver pedidos incompatíveis entre si. – se o autor formular
cumulativamente pedidos incompatíveis, exemplo: o autor pede a rescisão do contrato,
mais a condenação do devedor de pagar a prestação ou então a cumprir o contrato.
• o juiz tem que ser competente, logo o juízo tem que ser o mesmo, a competência
tem que ser aquela do mesmo juízo. Exemplo: o empregado do professor o atropela na
rua, logo o professor irá mandá-lo embora. Como ele vai despedir seu empregado,
resolve discutir a dívida pelo atropelamento mais a dívida trabalhista na justiça do
trabalho. Nesse caso ele pode cumular pedidos? NÃO! Porque a questão da dívida
trabalhista é de competência material da justiça do trabalho, e a questão da dívida
pelo atropelamento é de competência material da justiça comum. Logo não pode
cumular os pedidos. Vide artigo 292, §1º, II, CPC.
Artigo 292. É permitida a cumulação, num único processo, contra o mesmo réu,
de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.
§1º São requisitos de admissibilidade da cumulação:
II – que seja competente para conhecer deles o mesmo juízo;
• este requisito talvez seja o mais complexo: não pode haver cumulação de pedidos
quando o procedimento for diverso. Exemplo: quando se tem causas de procedimentos
especiais. Digamos que o professor alugue o seu apartamento para a Paula. Eles
celebraram o contrato de locação nos moldes da Lei 8245/91. Pouco tempo depois a
Paula para de pagar os aluguéis. Consequentemente o professor ajuizará uma ação de
despejo por falta de pagamento. Poucos dias depois, a Paula o atropela. Pergunta: o
professor poderá cumular o pedido de despejo com indenização por ilícito civil
consistente no atropelamento? NÃO! Porque a ação de despejo é um procedimento
especial da Lei 8245/91, já a ação de indenização por atropelamento será o
procedimento sumário, artigo 275 CPC. Logo são procedimentos distintos, não
podendo cumular os pedidos. Vide artigo 292 CPC, vocês perceberão que no §1º está
contido os três requisitos necessários de ordem processual para a admissibilidade da
cumulação de pedidos. Vocês perceberão que no §2º é permitido a cumulação de
pedidos, mesmo que tenham procedimentos diversos, desde que o autor empregue o
procedimento ordinário. Logo o autor pode abrir mão do procedimento especial, para
poder cumular com aquele do procedimento ordinário.
Artigo 292. É permitida a cumulação, num único processo, contra o mesmo réu,
de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.
§1º São requisitos de admissibilidade da cumulação:
I – que os pedidos sejam compatíveis entre si;
II – que seja competente para conhecer deles o mesmo juízo;
III – que seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento.
§2º Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento,
admitir-se-á a cumulação, se o autor empregar o procedimento ordinário.
Obs.: no caso de o autor ter dois procedimentos especiais, não poderá ser aplicado
o §2º do artigo 292, pois para que haja a cumulação de pedidos é necessário que haja
pelo menos um procedimento ordinário.
Precedente do STJ: procedimentos distintos, conversão para o rito ordinário,
requisitos: de acordo com o artigo 292, §1º, III e §2º, CPC a cumulação de pedidos se
sujeita, entre outros requisitos, a identidade do procedimento ou a possibilidade de que
todos os pedidos sejam processados pelo rito ordinário. Em nosso sistema processual,
prevalece à regra da indisponibilidade do procedimento, segundo a qual, as partes não
podem alterar a espécie procedimental prevista para determinada situação litigiosa.
Todavia, há situações em que o ordenamento jurídico possibilita que pedidos sujeitos
aos procedimentos especiais também sejam formulados na via de procedimento comum,
como é o caso das ações possessórias e monitórias. Desta forma, a partir de uma análise
temática do CPC, conclui-se que a regra do artigo 292, §2º não se aplica
indiscriminadamente, alcançando apenas os pedidos sujeitos a procedimentos que
admitam a conversão para o ordinário. Na cobertura artigo 292, §2º, os pedidos que
guardam compatibilidade e que não demonstram diversidade de procedimento,
podem e devem ser apreciados.
No anteprojeto permanece a mesma coisa, vide artigo 312.
Artigo 317. É permitida a cumulação, num único processo, contra o mesmo réu, de
vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.
§1º São requisitos de admissibilidade da cumulação:
I - que os pedidos sejam compatíveis entre si;
II - que seja competente para conhecer deles o mesmo juízo;
III - que seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento.
§2º Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento,
admitir-se-á a cumulação, se o autor empregar o procedimento comum e for este
adequado à pretensão. O anteprojeto apenas se adequa ao entendimento do STJ (lido
acima), logo não se pode abrir mão dos procedimentos especiais, para desaguar tudo no
procedimento ordinário, para efeito de cumulação do pedido. Lembrando que para
cumular pedidos, é necessário que pelo menos um procedimento seja ordinário, caso só
tenha procedimentos especiais, não se pode abrir mão desses procedimentos.
Estabilização do pedido: sofre uma mudança brusca no anteprojeto.
Estabilização do pedido significa que quando o autor apresenta a petição inicial
em juízo, até quando ele pode mudar alterar o pedido e a causa de pedir? No CPC essa
alteração pode ocorrer até a citação do réu. Vide artigo 294 CPC.
Artigo 294. Antes da citação, o autor poderá aditar o pedido, correndo à sua
conta as custas acrescidas em razão dessa iniciativa.
O STJ já definiu que o marco é a citação.
Obs.: depois que ocorrer a citação não se pode aditar o pedido nem a causa de
pedir? Pode desde que:
• O réu permita, pois se o mesmo negar, o autor terá que ajuizar uma nova ação e;
• Desde que não tenha ocorrido a decisão do saneamento do processo. Se tiver
tido a decisão do saneamento do processo, não pode haver mudança no pedido ou na
causa de pedir, mesmo que o réu permita. Pois o objeto do processo se estabilizou, ou
seja, já ocorreu a Estabilização do processo. Vide artigo 264 CPC.
Artigo 264. Feita a citação, é defeso ao autor modificar o pedido ou a causa de
pedir, sem o consentimento do réu, mantendo-se as mesmas partes, salvo as
substituições permitidas por lei.
Parágrafo único. A alteração do pedido ou da causa de pedir em nenhuma
hipótese será permitida após o saneamento do processo.
O anteprojeto prevê abertura total para essa possibilidade de alteração, vide
artigo 314. Logo o autor poderá aditar o seu pedido ou a sua causa de pedir até a
sentença. Independentemente da vontade do réu, pois quem decide é o juiz. Desde que
ele tenha boa-fé e não importe em prejuízo ao réu.
Artigo 319. O autor poderá, enquanto não proferida a sentença, aditar ou alterar
o pedido e a causa de pedir, desde que realizada de boa-fé e que não importe em
prejuízo ao réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação
deste no prazo mínimo de quinze dias, facultada a produção de prova suplementar;
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo ao pedido contraposto e à
respectiva causa de pedir.
Vamos estudar agora a tutela específica e a tutela antecipada.
A tutela específica aparece por causa do pedido cominatório, previsto no artigo
287 CPC, depois voltaremos nele. A tutela específica está prevista nos artigos 461 e
461 A do CPC. Logo ela está prevista na sentença. Mas ela é pedida na petição
inicial, mas o juiz vai decidir na sentença.
Consequentemente os pedidos de tutela específica são formulados na petição
inicial (artigo 287 CPC), mas a regulamentação completa dessa matéria se encontra
nos artigos 461 e 461 A do CPC.
Relembrando: temos quatro tipos de obrigações de direito material:
• obrigação de fazer;
• obrigação de não fazer;
• obrigação de dar (entrega de coisa);
• obrigação pecuniária.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§1º A obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor o requerer
ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente.
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AULA 25
Esse instituto da Tutela Específica pode ser analisado isoladamente porque ele é
suficiente em si mesmo para a sua compreensão.
A pessoa humana do devedor é intocável, no que diz respeito a castigos corporais.
Mas o credor tem o direito a prestação, tal como prevista no sistema material, então o
sistema criou mecanismos que vão forçar o devedor a cumprir a obrigação, sem atingir a
pessoa do devedor, no que diz respeito a direitos humanos. Logo surgiram quatro
obrigações de direito material.
• Obrigação pecuniária;
• Obrigação de fazer;
• Obrigação de não fazer;
• Obrigação de dar.
No artigo 461 CPC, por meio da Lei 8952, alterou a redação do artigo 461 CPC,
para prever o que nós chamamos de tutela específica, para as obrigações de fazer e
não fazer. Em um segundo momento a tutela específica é ampliada no artigo 461-A
CPC, pela Lei 10444/08, e pega as obrigações de dar ou entrega de coisa. Obs.: a
obrigação de dinheiro (pecuniária) não precisa mexer, tendo em vista que a solução
dada pelas legislações mais antigas sempre foi satisfatória, logo não precisa mudar, pois
caso o devedor não pague, a solução será vender os bens dele (judicialmente), para que
a dívida seja saldada.
A tutela específica é voltada (planejada) para as obrigações de fazer, não fazer e
dar ou entregar a coisa, a fim de convergir o sistema processual de mecanismos que
permitam a realização, em prol do credor, da prestação in natura. Ou seja, que se
obedeça à idéia que o credor saia do processo com aquilo que lhe é devido, no âmbito
de direito material, tal como se o devedor tivesse cumprido espontaneamente a
obrigação. Sem violar os direitos humanos do devedor.
Surge então um bloco de medidas, chamadas de medidas coercitivas ou indiretas,
porque no âmbito da obrigação pecuniária, a medida estatal, ou a tutela estatal é
direta, pois o bem do devedor é vendido em hasta pública. Logo nas outras obrigações
não tem como termos uma tutela direta. Logo teremos que partir para as medidas
coercitivas ou indiretas.
Obs.: o CPC prevê a possibilidade uma gama de medidas indiretas, meramente
exemplificativas, lembrando que o juiz pode criar outras de sua cabeça, mas tem que ser
compatíveis com o sistema, como por exemplo, a aplicação de multa, busca e apreensão
de coisa, etc. Logo o sistema dota o juiz com uma gama de medidas, que ele pode
aplicar ao caso concreto, em prol do credor, para que o mesmo obtenha a obrigação in
natura. Vide artigo 461 CPC.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
Obs.: quando o dispositivo diz que o juiz determinará providencias, está
querendo dizer que o juiz impõe essas medidas de ofício, independentemente do pedido
da parte. A parte precisa apenas pedir corretamente, na petição inicial, o bem da vida,
ou seja, a obrigação de fazer, não fazer ou a entrega de coisa. De modo que quando o
juiz reconhecer o direito do credor a prestação (fazer, não fazer, entregar a coisa), ele
(juiz) irá condenar o devedor, podendo aplicar de ofício as medidas de apoio (medidas
coercitivas ou indiretas), não precisa ser expressa pela parte.
Vide artigo 461-A CPC, que foi estendido para as obrigações de dar ou entrega
de coisa.
Artigo 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao
conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.
O CPC no artigo 461, §5º prevê todas as medidas de apoio, coercitivas ou
indiretas, que o juiz pode fazer incidir no caso para coagir, forçar o réu a prestar, in
natura o objeto da obrigação para o credor.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§5º Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático
equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas
necessárias, tais como a imposição de multa por tempo de atraso, busca e apreensão,
remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de atividade
nociva, se necessário com requisição de força policial.
Obs.: quando a legislação diz: de ofício ou a requerimento, nos mostra que o juiz
não pode fazer de ofício, por exemplo, o autor pede em sua petição inicial, a entrega do
boi, mas o juiz entende que como devedor não pode entregar o boi, ele terá que entregar
o cavalo. Isso não pode, mas uma vez que o juiz reconhece a obrigação do credor de
receber o boi, ele irá aplicar todas as medidas de apoio, de ofício, independentemente de
o credor ter pedido.
Resumindo: o juiz não pode dar bem da vida de ofício, ou seja, obrigação de
fazer, não fazer ou de dar (entrega de coisa não pedida). Agora, uma vez que o bem
da vida foi pedido na petição inicial, o juiz poderá aplicar as medidas de apoio, para que
assim o réu realize em prol do credor a prestação in natura.
Precedente do STJ: além de prever a possibilidade da concessão de tutela
específica o CPC armou o julgador com uma série de medidas coercitivas, chamadas na
lei de medidas necessárias, que tem como escopo o fim de viabilizar o quanto possível o
cumprimento daquela tutela. As medidas previstas no §5º, artigo 461 CPC, foram
antecedidas da expressão, tais como, o que denota o caráter não exauriente da
enumeração. Assim o legislador deixou ao prudente arbítrio do magistrado, a escolha
das medidas que melhor sem encaixam ao caso concreto. Em casos com o dos autos, em
que a efetivação da tutela está relacionada à preservação da saúde do individuo, a
ponderação das normas constitucionais devem privilegiar a proteção do bem maior que
é a vida.
Obs.: com relação às medidas de apoio (coercitivas ou indiretas), é o juiz que
escolhe, no caso concreto, aquelas que ele achar mais adequadas, logo não existe um
tabelamento legal a esse respeito. O juiz escolhe aquelas mais adequadas para a
realização da prestação in natura em prol do credor. Logo ele escolhe quais as medidas
coercitivas ele usará.
Então a conversão da obrigação de dar (entrega de coisa), fazer ou não fazer, em
dinheiro, torna-se exceção. Essa substituição somente ocorrerá em duas situações
diferentes:
• Se o credor quiser;
• Se tornar impossível o cumprimento da obrigação in natura. Vide artigo 461,
§1º, CPC.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§1º A obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor o requerer
ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente.
Obs.: todas as medidas de apoio (coercitivas ou indiretas), previstas nos §§ 5º e 1º,
do artigo 461 CPC, vale para a tutela específica das obrigações de dar (entrega de
coisa). Vide §3º, artigo 461-A, CPC, que vocês perceberão que é igualzinho.
Artigo 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao
conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.
§3º Aplica-se à ação prevista neste artigo o disposto nos §§ 1º a 6º do artigo 461.
Então vocês podem perceber que as medidas são as mesmas, tanto para as
obrigações de fazer e não fazer, quanto para a obrigação de dar (entrega de coisa).
Adendo: É do artigo 461 CPC que surge a possibilidade do processo sincrético.
Obs.: dentro de toda a gama de medidas de apoio (coercitiva ou indireta), a mais
interessante, a mais espetacular e a que tem a maior eficácia para forçar, coagir o
devedor a realizar a prestação in natura em prol do credor é a famosa, inominável e
espetacular multa processual. Dentre as medidas de apoio (coercitiva ou indireta) do
§4º do artigo 461 CPC, o juiz pode impor ao devedor multa diária, para que ele
cumpra a obrigação. De modo que por cada dia de atraso, o devedor vai ampliando o
seu pacote de multa. Vide artigo 461, §4º, CPC.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§4º O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença, impor multa
diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível
com a obrigação, fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito.
O juiz fixa o prazo para que o devedor cumpra a obrigação, a partir daí, vai começar
a ser aplicada a multa diária por dia de atraso. Lembrando que essa multa é
processual, logo ela é desvinculada do direito material, por isso, ela é aplicada
independentemente de pedido do autor. Como essa multa não é de direito material, ela
não tem limite, logo ela pode ultrapassar o valor da obrigação de direito material.
Essa é a famosa multa cominatória, ou multa processual, que o juiz agrega à
condenação de ofício, a fim de que o devedor cumpra a obrigação in natura em prol do
devedor. Lembrando que se o devedor cumprir a obrigação com atraso, ele terá que
pagar a multa devida. Logo essa multa será paga com o sem o cumprimento da
obrigação, pois a multa se torna título executivo. Vide §2º, artigo 461 CPC.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§2º A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa (artigo 287).
A multa é flexível, logo não transita em julgado, consequentemente no momento do
cumprimento da sentença o juiz pode mexer de novo na multa, a fim de que ela se torne
suficiente a buscar a realização da prestação. Vide §6º do artigo 461 CPC.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§6º O juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade da multa, caso
verifique que se tornou insuficiente ou excessiva.
Obs.: essa multa processual ou multa cominatória é mais conhecida pelo seu
nome em francês: astreentes.
Precedente do STJ: na linha da jurisprudência dessa corte, não se confunde a
cláusula penal: instituto de direito material vinculado ao negócio jurídico em que há
acordo de vontades, com as astreentes: instrumento de direito processual, somente
cabíveis na execução judicial que visa compelir o devedor, ao cumprimento da
obrigação de fazer ou não fazer, e não correspondem a qualquer indenização por
inadimplemento.
Precedente do STJ: a multa do artigo 461 CPC, por não fazer coisa julgada
material, pode ter o seu valor e periodicidade modificados a qualquer tempo. O valor da
multa cominatória pode ultrapassar o valor da obrigação a ser prestada, porque a sua
natureza não é compensatória. É permitido ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte,
a fixação de multa diária ou cominatória (astreentes) contra a Fazenda Pública em caso
de descumprimento de obrigação de fazer. O valor referente à multa cominatória
previsto no artigo 461, §4º, CPC, deve ser revertida para o credor independentemente
de perdas e danos.
Logo quem embolsa o dinheiro é o credor.
Obs.: Essa matéria, pedido cominatório, aparece no artigo 287 CPC. Mas a
efetivação do pedido cominatório está no §5º do artigo 461 CPC. Porque pedido
cominatório é a multa processual ou multa cominatória (astreentes).
Artigo 287. Se o autor pedir que seja imposta ao réu a abstenção da prática de
algum ato (não fazer), tolerar alguma atividade (não fazer), prestar ato (fazer) ou
entregar coisa (dar), poderá requerer cominação de pena pecuniária para o caso de
descumprimento da sentença ou da decisão antecipatória de tutela. (artigos 461, § 4º, e
461-A).
Logo o autor pode requer pena, que é a multa cominatória (astreentes), que está
prevista no artigo 461 CPC. Então o que estão vendo no artigo 287 CPC, é exatamente
a tutela específica que o autor vai pedir juntamente com o cumprimento da obrigação
(fazer, não fazer e dar).
Obs.: o CPC exige que o cumprimento das obrigações se processe no interesse do
credor, respeitando a figura do devedor, ou seja, terá que ser realizada de modo menos
gravoso para o devedor. Vide artigo 620 CPC.
Artigo 620. Quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz
mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor.
Isso é o que ocorre na sentença declaratória e constitutiva.
A tutela inibitória está dentro do artigo 461 CPC. É uma tutela específica para
fazer ou não fazer especialíssimos, quando se objetiva:
• Evitar a prática de atos ilícitos;
• Fazer cessar o ilícito continuado;
• Evitar a repetição de ato ilícito.
Aquele prejudicado por um ato ilícito entra com a tutela específica, nesse caso será
a tutela inibitória, para inibir a pratica de ato ilícito. Seja para prevenir a prática do
ilícito, para fazer cessar o ato ilícito ou para evitar a repetição do ilícito. Exemplo: o
professor tem uma fábrica de sabão, esse sabão se chama OMO. Pouco tempo depois a
nossa colega Alessandra abre um comércio e começa a vender o seu sabão, chamado de
MOMO. O problema é que a caixa do sabão, as cores da caixa e a marca do produto são
iguais ao do concorrente OMO. Logo ela está enganando os consumidores,
consequentemente está cometendo um ilícito. A solução para o professor será entrar
com uma ação inibitória, para impedir que a Alessandra pratique o ilícito.
A tutela inibitória entra em cena para combater atos ilícitos civis.
A tutela inibitória pode ser:
• Preventiva – aparece antes do ilícito ou depois que o mesmo ocorreu uma vez;
• Repressiva – para fazer cessar o ilícito;
Obs.: Lembrando que a tutela inibitória entra no artigo 461 CPC, mas o CPC não
faz referencia a ela, tendo em vista que ela é uma invenção doutrinária.
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AULA 26
Antecipação de tutela
O direito material do autor é definido na sentença. A sentença, artigo 162, §1º,
CPC cominada com o 269 CPC, é uma sentença de mérito, ou seja, está se
reconhecendo o direito material do autor.
Logo o direito material do autor é examinado no final do processo. Porque ele
começa com o ajuizamento da ação, passa pela resposta do réu, para que assim seja
assegurado o contraditório, depois vem à fase saneadora, depois a fase probatória e
depois dessas fases, o juiz estará pronto para exercer a chamada cognição.
Então o juiz vai exercer a cognição examinando o direito e os fatos presentes no
processo, e finalmente vai aplicar a lei ao caso concreto, definindo a respeito do direito
material alegado pelo autor.
Consequentemente a sentença passará a ser a Lei no caso concreto. Vide artigo
468 CPC.
Artigo 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei
nos limites da lide e das questões decididas.
Obs.: mas para que se cumpra o devido processo legal leva-se um tempo, tendo em
vista que ele começa no ajuizamento da ação e vai até a sentença. Por isso pode ocorrer
que o autor não consiga esperar que a sentença seja proferida.
Então se surgir um contexto de perigo, onde o autor não consiga esperar o tempo
necessário à realização do devido processo legal e consequentemente o seu direito
material perecer ou se tornar inútil daqui a um ano. Pensem nas causas relativas à saúde,
por exemplo, um cidadão precisa tomar um determinado medicamento, se o processo
demorar muito, ao chegar ao final o cidadão já estará morto.
Até 1994 não havia esse tipo de perspectiva no direito brasileiro, a tendência era
que o autor sobrasse. Consequentemente o autor obtinha a sentença ao final do
processo, mas a mesma já era inútil.
Isso que a tutela antecipada veio prover. Tutela antecipada significa que: um
pedido mediato que é julgado procedente ou improcedente pode ser antecipado para
qualquer momento processual, desde o ajuizamento da ação. Logo em determinadas
situações, o autor pode pedir e o juiz vai deferir uma antecipação de tutela, que
significa dar ao autor o direito material em qualquer momento processual antes da
sentença.
Por isso que o instituto se chamada antecipação de tutela, pois ele antecipa os
efeitos da sentença para permitir ao autor que o mesmo entre no gozo do direito material
no começo do processo. Pois se assim não for, o direito material do autor pode não
servir mais, ou seja, pode se tornar inútil.
Obs.: no processo de conhecimento, qualquer que sejam os procedimentos
(especial, sumário ou ordinário), admite-se que o autor peça a tutela antecipada e o
juiz delibere no começo ou no curso do processo. Lembrando que ao ser dado o direito
material para o autor, esse direito é dado de forma provisória, apenas para garantir que o
mesmo não pereça. Depois disso o procedimento retoma o seu curso normal a fim de
chegar à sentença para que se possa confirmar a existência ou não do direito do autor.
A Lei 8952/94 alterou o artigo 273 CPC, logo passamos a ter o duplo quadro de
tutela de situação de perigo.
• Tutela antecipada – dentro do processo de conhecimento. Ela é interna dentro do
processo de conhecimento. Significa uma antecipação do pedido, mas em regime
provisório.
• Processo cautelar autônomo: é um processo autônomo que garante o resultado
do processo principal. Após o aparecimento da tutela antecipada, o processo cautelar
perdeu completamente o interesse no processo de conhecimento.
Logo o processo cautelar ficou apenas para o processo de execução, apenas para
garantir execuções.
Resumindo: a antecipação de tutela pode ser pleiteada dentro do processo de
conhecimento. Lembrando que a antecipação de tutela não constitui um processo
autônomo, pois ela é uma medida interna dentro do processo de conhecimento, de modo
que a mesma pode ser pleiteada com a própria petição inicial (como é feito na maioria
das vezes) ou no curso do processo.
Obs.: lembrando que o juiz pratica três atos processuais: despachos, decisão
interlocutória e a sentença. A antecipação de tutela vem por meio de decisão
interlocutória. Pois embora o juiz esteja deferindo a antecipação de tutela, ou seja,
está dando ao autor o bem da vida que é o objeto do processo, esse ato não mata o
processo. Porque é uma decisão provisória que defere ao autor de forma antecipada o
direito material que é o objeto do processo por causa da situação de urgência. Depois de
deferida, o processo continua seu curso normalmente, até chegar à sentença. Lembrando
que se o pedido for julgado procedente o juiz apenas confirmará a antecipação de
tutela, pois a mesma já foi dada. Agora se a sentença, após a ampla produção de
provas, provar que o direito material não existia, irá julgar o pedido improcedente e
vai revogar a antecipação de tutela.
Obs.: se o juiz antecipara a tutela, mas não tem nenhuma prova dizendo que o autor
é o dono do direito material, significa uma violência para com o réu. Pois a antecipação
de tutela não é antecipar o direito material ao autor a qualquer custo. Mas sim,
antecipara o direito material do autor em função do benefício constitucional
(contraditório), quando o mesmo conseguir mostrar provas que provem que o direito
material está do seu lado.
A disciplina legal da antecipação de tutela se encontra no artigo 273 CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
Logo o juiz não pode conceder a tutela antecipada de ofício. Pois importa para o
autor, pedir ou não pedir a antecipação de tutela, avaliar o risco dessa história, pois se o
autor perder a tutela antecipada no final do processo, terá que responder perante o réu,
todos os danos que o mesmo sofreu. Isso é responsabilidade processual, prevista no
artigo 811 CPC.
Artigo 811. Sem prejuízo do disposto no artigo 16, o requerente do procedimento
cautelar responde ao requerido pelo prejuízo que lhe causar a execução da medida:
I – se a sentença no processo principal lhe for desfavorável;
Ou seja, aquele obtém uma medida cautelar e depois a perde, vai responder por
todos os prejuízos que a medida cautelar causou a parte contrária. Isso vale
integralmente para a antecipação de tutela, ou seja, aquele obtém uma antecipação de
tutela e depois a perde, vai responder por todos os prejuízos que a antecipação de tutela
causou a parte contrária.
Voltando a antecipação de tutela.
A antecipação de tutela pode ser total ou parcial. Exemplo: o professor foi
atropelado ao sair da FUMEC, consequentemente o mesmo vai ajuizar uma ação
pedindo a condenação do motorista bêbado por todos os danos sofridos pelo professor.
Como o professor está precisando de um tratamento cirúrgico imediato, senão o mesmo
pode ficar paralítico. Ele então, pede a condenação do motorista para que o mesmo
repare os danos materiais sofridos pelo professor e que irá sofrer, pois serão apurados
no curso do processo, e pede também a antecipação de tutela parcial, para que seja
adiantado o valor da cirurgia.
A antecipação de tutela tem um requisito básico que é: a perspectiva de que o
autor comprove, por prova inequívoca, que vá permitir ao juiz extrair a verossimilhança
da sua alegação. O objeto da prova é o fato, a prova inequívoca é o documento.
A verossimilhança da alegação é o ato praticado pelo autor onde o mesmo junta a
prova inequívoca, que permitirá ao juiz em uma análise sumária, que aquele direito
pertence ao autor. Por isso a antecipação de tutela é provisória. Pois a sentença
mostrará se a antecipação de tutela está correta ou não, ou seja, o juiz julgará a ação,
somente nesse momento saberemos se o pedido de antecipação de tutela era ou não
procedente.
Então o requisito básico é: a prova mais a verossimilhança da alegação, que é um
juízo sumário, de existência do direito material alegado pelo autor.
Obs.: A prova mais a verossimilhança da alegação, mais o modelo tradicional e
que mais ocorre na pratica de antecipação de tutela que é o perigo da demora. Formam
a modalidade clássica de urgência.
A modalidade clássica de urgência é composta por:
• Prova;
+
• Verossimilhança da alegação;
+
• Perigo da demora.
O primeiro modelo clássico tradicional de antecipação de tutela, que é o modelo
da urgência, que serve para afastar situações de urgência, onde o CPC exige a
cumulação dos dois requisitos que são: o juízo sumário da existência do direito material,
onde o autor deve comprovar e o juiz deve avaliar se existe e o perigo da demora. Vide
artigo 273, I, CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
I – haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação;
Esse é o modelo clássico de antecipação de tutela para debelar situações de
urgência.
O CPC inovou, criando uma segunda modalidade de antecipação de tutela, que é
a sanção, serve para penalizar o réu.
A modalidade de sanção é composta por: prova mais verossimilhança e mais o
abuso do direito de defesa do réu. Vide artigo 273, II, CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
II – fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito
protelatório do réu.
Esse segundo modelo de antecipação de tutela não foi muito encampado pela
legislação brasileira.
Obs.: essa segunda modalidade não pode ser pedida na petição inicial, pois
pressupõe abuso de defesa do réu, logo tem que esperar que o mesmo faça a sua
contestação. Caso a contestação seja séria, não pode ser pedida a tutela antecipada da
modalidade sanção.
O legislador reformador em 2002, por meio da Lei 10.444, inseriu o §6º no artigo
273 CPC, prevendo uma terceira modalidade que é uma situação de antecipação de
tutela aceleratória. No caso de pedidos cumulados, onde o autor pediu A, B, e C, e o
réu contesta apenas os pedidos A e B, não se manifestando em relação ao pedido C. o
juiz então está autorizado a antecipar o pedido C para efeito aceleratório. Logo essa é
uma tutela antecipada aceleratória, que permite ao autor receber o direito material de
plano, antes da sentença final quando o réu admite o pedido. Vide artigo 273, §6º,
CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
§6º A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um ou mais dos
pedidos cumulados, ou parcela deles, mostrar-se incontroverso.
Obs.: a antecipação de tutela não pode ir além do pedido inicial.
Deferida ou não a antecipação de tutela, o procedimento segue para a apuração do
exercício pleno do contraditório, a fim de que depois o juiz chegue à sentença e de a sua
decisão baseado em na cognição plena. O CPC prevê especificamente que após a
decisão a respeito da antecipação de tutela, o processo de conhecimento segue até a
sentença. Vide artigo 273, §5º, CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
§5º Concedida ou não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo até final
julgamento.
Lembrando que o veículo pelo qual o juiz resolve a antecipação de tutela é a
decisão interlocutória.
O anteprojeto prevê uma tutela sumária, mas o professor não falou o artigo.
Tutela sumária é: ao ser concedida à antecipação de tutela, o processo acaba. Se o
réu quiser, ele entra com uma ação ordinária para discutir a antecipação de tutela.
A decisão do juiz que defere ou indefere a antecipação de tutela tem que ser
evidentemente fundamentada. Vide artigo 273, §1º, CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
§1º Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro e preciso, as
razões do seu convencimento.
O dever de motivação está previsto na CF no artigo 93, IX. Logo a sentença e a
decisão interlocutória serão devidamente fundamentadas.
Artigo 93, IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.
A antecipação de tutela é provisória e isso fica claro no artigo 273, §4º, CPC,
que dispõe que o juiz pode a qualquer tempo revogar a antecipação de tutela, desde
que a decisão seja fundamentada.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
§4º A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em
decisão fundamentada.
Obs.: o STJ decidiu que o juiz pode revogar a tutela antecipada de ofício.
Precedente do STJ: o juiz pode revogar a antecipação de tutela até de ofício
sempre que ampliada à cognição, se convencer da inverossimilhança do pedido.
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AULA 27
Relembrando: A antecipação de tutela será dada para casos em que se encontrem
os dois requisitos básicos: a relevância da fundamentação (o direito material é do
autor) mais o perigo da demora. Logo a antecipação de tutela poderá ser deferida no
início ou no curso do processo. Consequentemente o autor receberá o seu direito
material antes da sentença.
Logo a decisão que permite ao autor receber o seu direito material antes da
sentença é chamada de decisão de antecipação de tutela, lembrando que é uma
decisão interlocutória, pois deferida ou indeferida a antecipação de tutela o processo
segue normalmente até a sentença final. Consequentemente ao final o juiz vai confirmar
ou não a antecipação de tutela.
Lembrando que a antecipação de tutela é sempre provisória, pois se o juiz
perceber no curso do processo que as circunstâncias não são aquelas pensadas para que
ele concedesse a tutela antecipada para o autor. Ele (juiz) então, pode revogar a
antecipação de tutela.
A revogabilidade está prevista expressamente no artigo 273, §4º, CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
§4º A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em
decisão fundamentada.
Obs.: o STJ decidiu que o juiz pode revogar a tutela antecipada de ofício.
Lembrando que ele tem que fundamentar a sua decisão.
Precedente do STJ: o juiz pode revogar a antecipação de tutela até de ofício
sempre que ampliada à cognição, se convencer da inverossimilhança do pedido.
Considerando que a antecipação de tutela leva a um adiantamento do direito
material para o autor, o que acontece se ao chegar ao final do processo (na sentença), ou
seja, o processo está com a cognição plena, o juiz perceber que o autor não tem o direito
material antevisto na antecipação de tutela? O juiz terá que revogar a antecipação de
tutela.
Ao revogar a antecipação de tutela, é necessário que se volte o bem da vida para o
réu, tendo em vista que a decisão da antecipação de tutela levou para o autor,
provisoriamente um bem da vida, ou seja, um determinado direito material.
Obs.: a legislação processual veda que se defira a antecipação de tutela, quando o
direito material deferido pela antecipação de tutela for irreversível, ou seja, se a situação
não puder ser alterada na sentença ao se mostrar que o autor não tem razão, a
antecipação de tutela não poderá ser deferida. Porque essa situação ganharia
definitividade, logo não podendo ser revertida se a antecipação de tutela fosse revogada.
Vide artigo 273, §2º, CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
§2º Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de
irreversibilidade do provimento antecipado.
Obs.: nos casos remédio, onde o paciente está morre não morre o que acontece?
Lembrando que o Estado tem o dever de prestar a saúde para a população via SUS.
Consequentemente se o paciente que está morre não morre recorrer ao SUS para receber
o medicamento necessário a sua sobrevivência, mas o mesmo se negar a entregar-lhe o
remédio, com o argumento de que o mesmo acabou. O que acontece nesse caso? O
paciente morre não morre ajuizará uma ação pedindo a antecipação de tutela, caso o juiz
defira, o paciente irá ministrar o remédio, logo essa tutela antecipada será irreversível.
O STJ frequentemente se manifesta sobre esse §2º alertando que essa
irreversibilidade prevista nesse parágrafo deve ser entendida com muito cuidado, pois
se for levado ao pé da letra quase nenhum direito material será objeto de tutela
antecipada. Então isso só vale para casos extremos, como por exemplo: remédio, marca
passo, tratamentos médicos, etc.
Obs.: no caso de tombamentos, o autor tem que entrar com uma ação ordinária para
anular o ato de tombamento. Se o autor entrar com a tutela antecipada para suspender
o ato de tombamento, caso o juiz defira essa tutela antecipada para suspender o ato de
tombamento, o autor pode jogar a casa no chão. Logo essa tutela antecipada também
será irreversível. Consequentemente essa ação NÃO pode ser objeto de antecipação de
tutela.
Antecipação de tutela específica
A tutela específica traduz os mecanismos processuais para atuar as decisões
judiciais que deferem ao autor (credor) obrigações de fazer, não fazer e entrega de coisa.
A tutela específica implica em que a decisão judicial que defere a tutela específica,
venha acompanhada de medidas de coerção.
Medidas de coerção são medidas indiretas que vão incidir sobre a vontade do
devedor forçando o mesmo a realizar em prol do credor a prestação in natura. Seja
fazer, não fazer ou entregar coisa.
A tutela específica pode aparecer tanto na sentença, como pode ser objeto de
antecipação de tutela, caso haja uma situação de perigo envolvendo a obrigação de
fazer, não fazer ou entrega de coisa.
Obs.: essas obrigações que o Estado tem de entregar medicamentos aos doentes, é
uma obrigação de fazer que entra na tutela específica.
Quando surge a tutela específica de fazer, não fazer e entrega de coisa, pode haver
antecipação de tutela específica. Acrescendo as medidas de coerção indireta. Como
por exemplo, a multa.
Obs.: a regra geral de antecipação de tutela é o artigo 273 CPC. Ao lado dessa
regra geral, quando se tratar de obrigações de fazer, não fazer e entrega de coisa, terá
uma norma especial que trata da antecipação de tutela específica. Essa norma especial
é mais branda do que a norma geral.
Pois para a regra geral o autor tem que mostrar a prova inequívoca, onde a mesma
levará a um juízo de verossimilhança da existência do direito material. Já na hipótese de
tutela específica basta mostrar a relevância da fundamentação aliada ao perigo da
demora, ou seja, o provimento final se torna ineficaz. Vide artigo 461, §3º, CPC.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§3º Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de
ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou
mediante justificação prévia, citado o réu. A medida liminar poderá ser revogada ou
modificada, a qualquer tempo, em decisão fundamentada. – Ai está a perspectiva da
antecipação de tutela específica.
Então para a tutela específica se usa o artigo 461, §3, CPC.
A antecipação da tutela específica tem norma própria. Artigo 461, §3º, CPC. Não
se aplicando a regra geral do artigo 273 CAPUT.
Precedente do STJ: em se tratando de tutela específica que tenha por objeto o
cumprimento de obrigação de fazer prevista no artigo 461 CPC, a lei processual não
exige para a concessão da tutela liminar os requisitos expressamente previstos no artigo
273 CPC. Basta segundo o §3º do artigo 461 CPC, que o fundamento da demanda seja
relevante e que haja justificado receio de ineficácia do provimento final.
Logo tomem cuidado com a tutela específica, pois existe norma própria para a
mesma. Caso não seja tutela específica, aplica-se a regra geral, ou seja, artigo 273
CPC.
Obs.: a tutela específica vem como tutela judicial das obrigações de fazer ou não
fazer, lembrando que ele pode aparecer na sentença, mas se presente os requisitos
básicos ela pode ser deferida antecipadamente. Consequentemente ela pode fazer-se
acompanhar de todas as medidas de apoio para garantir a realização in natura da
prestação em prol do credor, seja na sentença ou na antecipação de tutela. Vide artigo
461, §4º, CPC.
Artigo 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o
pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§4º O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença, impor multa
diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível
com a obrigação, fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito. – o
parágrafo anterior se refere à antecipação da tutela específica.
Vocês podem perceber que o juiz pode impor de ofício essas medidas coercitivas,
mas ele não pode dar a tutela antecipada de ofício. Logo a obrigação de fazer, não
fazer e entrega de coisa tem que ser objeto do pedido.
O processo cautelar é um processo autônomo, que visa assegurar o resultado útil
do processo principal, hoje o processo cautelar é reservado para o processo de
execução e para a tutela de prova (produção antecipada de prova). Vide artigo 798
CPC. Esse artigo prevê o poder geral de cautela do juiz. Logo ele poderia deferir
medidas cautelares quando houvesse perigo de que antes do julgamento final da lide,
uma parte causasse ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação.
Obs.: quando o professor falou acima no passado (poderia), se deve ao fato de que
até o ano de 1994, esse era o único jeito de se buscar proteção para uma situação de
urgência.
Artigo 798. Além dos procedimentos cautelares específicos, que este Código
regula no Capítulo II deste Livro, poderá o juiz determinar as medidas provisórias que
julgar adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte, antes do
julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação.
Por meio da Lei 10.444/02 foi acrescentado o §7º no artigo 273 CPC, criando uma
fungibilidade entre a antecipação de tutela e a medida cautelar. Logo se for pedida, a
título de antecipação de tutela, uma medida cautelar, o juiz é obrigado a dar a medida
cautelar adequada, não podendo indeferi-la alegando que houve erro na postulação da
medida porque agora elas são fungíveis. E a diferença entre cautelar e tutela
antecipada passa a ser indiferente para efeito de deferimento ou indeferimento da
medida.
O anteprojeto já promove essa unificação, eliminando essa distinção entre tutela
antecipada e tutela cautelar, até porque o anteprojeto acaba com o processo
cautelar, de modo que agora teremos a tutela de urgência. Independentemente da
natureza processual da medida conservativa (tutela cautelar) ou medida
antecipatória (tutela antecipada). Vide artigo 273, §7º, CPC.
Artigo 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou
parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo
prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
§7º Se o autor, a título de antecipação de tutela, requerer providência de natureza
cautelar, poderá o juiz, quando presentes os respectivos pressupostos, deferir a medida
cautelar em caráter incidental do processo ajuizado.
Precedente do STJ: o artigo 273, §7º, CPC, abarca o princípio da fungibilidade das
medidas cautelares e das antecipatórias de tutela e reconhece o interesse processual para
se postular para a obtenção de caráter cautelar a título de antecipação de tutela.
Voltemos à petição inicial.
Os requisitos básicos da petição inicial estão no artigo 282 CPC. Os pontos mais
importantes dela já foram estudados.
Artigo 282. A petição inicial indicará:
I – o juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II – os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e
do réu;
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV – o pedido, com as suas especificações;
V – o valor da causa;
VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII – o requerimento para a citação do réu.
Mas a petição inicial apta contém não apenas esses requisitos, mas também
requisitos externos, que são os documentos indispensáveis a propositura da ação. Vide
artigo 283 CPC.
Artigo 283. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à
propositura da ação.
Os documentos indispensáveis à propositura da ação são:
• Procuração ao advogado do autor; – é a famosa capacidade postulatória.
• Substância do ato (exemplo: tem que apresentar a escritura pública, na compra e
venda de bem imóvel) – não é um documento processual.
O anteprojeto acrescenta mais um requisito para que a petição inicial seja apta,
ou seja, ele mantém os mesmos requisitos dos artigos 282, 283 e mantém os
documentos indispensáveis a propositura da ação, mas acresce mais um requisito que
é: a necessidade do autor, se o mesmo quiser produzir prova testemunhal, terá que
juntar o rol de testemunhas na petição inicial. Vide artigos 308, 309 e 311 do
anteprojeto.
Artigo 308. A petição inicial indicará:
I - o juízo ou o tribunal a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a profissão, o domicílio e a residência
do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - o requerimento para a citação do réu.
Artigo 309. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à
propositura da ação.
Artigo 311. Na petição inicial e na contestação, as partes apresentarão o rol de
testemunhas cuja oitiva pretendam, devidamente qualificadas, em número não superior
a cinco.
Obs.: no CPC vigente, o rol de testemunhas é apresentado no prazo de 10 dias
antes da audiência ou no prazo que o juiz fixar. Vide artigo 407 CPC.
Artigo 407. Incumbe às partes, no prazo que o juiz fixará ao designar a data da
audiência, depositar em cartório o rol de testemunhas, precisando-lhes o nome,
profissão, residência e o local de trabalho; omitindo-se o juiz, o rol será apresentado
até dez dias antes da audiência. Obs.: esse é um dos prazos mais difíceis de ser
contado, pois o mesmo é contado para trás. O professor ficou de ensinar essa contagem
quando o mesmo começar a ensinar prazos.
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AULA 28
O processo se forma quando a petição inicial é apresentada em juízo. Vide artigo
263 CPC.
Artigo 263 – Considera-se proposta a ação, tanto que a petição inicial seja
despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. A
propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no art.
219 CPC depois que for validamente citado.
Lembrando que a petição inicial tem que ser apta, ou seja, obediente aos artigos
282 e 283 CPC.
Quando a petição inicial é apresentada a juízo para distribuição, forma-se o
começo da relação processual, tendo em vista que a mesma só se completa com a
citação do réu. Ao iniciar a relação processual, a petição inicial vai conclusa para o
juiz, para que o mesmo exerça um exame superficial da petição inicial. Nesse exame
superficial, o juiz pode chegar a três conclusões:
• A petição inicial está apta. Consequentemente o juiz determina a citação do réu.
Obs.: esse despacho é simples, normalmente o juiz coloca: cite-se o réu. Vide artigo
285 CPC.
Artigo 285. Estando em termos a petição inicial, o juiz a despachará, ordenando a
citação do réu, para responder; do mandado constará que, não sendo contestada a
ação, se presumirão aceitos pelo réu, como verdadeiros, os fatos articulados pelo
autor.
Obs.: estando em termos a petição inicial, significa que a mesma é apta, logo ela
está de acordo com os requisitos essenciais dos artigos 282 e 283 CPC.
• A petição inicial possui defeitos sanáveis. Logo os defeitos podem ser
consertados, nesse caso o juiz determinará que a parte (autor) emende a petição inicial.
Então o juiz ao invés de determinar a citação do réu, determinará que o autor emende a
petição inicial. Vide artigo 284 CPC.
Artigo 284. Verificando o juiz que a petição inicial não preenche os requisitos
exigidos nos artigos 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete,
no prazo de dez dias.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição
inicial.
• A petição inicial tem um defeito insanável. Logo o juiz irá indeferir a petição
inicial, consequentemente o processo será extinto sem resolução de mérito. Vide
artigos 267, I e 295 CPC.
Artigo 267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:
I – quando o juiz indeferir a petição inicial;
Artigo 295. A petição inicial será indeferida:
I – quando for inepta;
VI – quando não atendidas as prescrições do artigo 39, parágrafo único, primeira
parte, e artigo 284 parágrafo único – (Parágrafo único. Se o autor não cumprir a
diligência, o juiz indeferirá a petição inicial).
Parágrafo único. Considera-se inepta a petição inicial quando:
I – lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II – da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
III – o pedido for juridicamente impossível;
IV – contiver pedidos incompatíveis entre si.
Obs.: quando o juiz indeferir a petição inicial ele estará proferindo sentença no
começo do processo. Logo o processo será extinto sem julgamento de mérito.
Obs.: ao determinar que o autor emende a petição inicial, o juiz está praticando um
ato chamado de decisão interlocutória.
Os outros casos de indeferimento da petição inicial constituem indeferimentos por
problemas processuais. Artigo 267, IV, V e VI. São defeitos processuais graves, que o
juiz detecta de plano, logo o juiz extingue o processo sem resolução de mérito.
IV – pressupostos processuais positivos;
V – pressupostos processuais negativos;
VI – condições da ação.
Artigo 295. A petição inicial será indeferida:
II – quando a parte for manifestamente ilegítima; – ou seja, ilegitimidade ad causa
que é uma das condições da ação. O defeito é detectado de plano, logo o juiz extinguirá
o processo com base no artigo 295 combinado com o artigo 267, I e VI.
III – quando o autor carecer de interesse processual; – ou seja, falta de interesse de
agir, que é outra condição da ação. Artigo 267, VI.
V – quando o tipo de procedimento, escolhido pelo autor, não corresponder à
natureza da causa, ou ao valor da ação; caso em que só não será indeferida, se puder
adaptar-se ao tipo de procedimento legal; – o autor errou o procedimento. Aqui pode
ser condição da ação ou pressuposto processual. Tanto faz para efeito de extinção do
processo sem resolução de mérito, pois o resultado será o mesmo, ou seja, será a
extinção do processo sem resolução de mérito.
Obs.: uma das hipóteses de indeferimento da petição inicial constante no artigo
295 resulta em extinção do processo com resolução de mérito. Ou seja, o autor entra
com a ação e a mesma é extinta liminarmente com base no artigo 295 CPC pelo
indeferimento da petição inicial, produzindo coisa julgada material. Vide artigos 295,
IV, e artigo 296, IV, CPC.
Artigo 295. A petição inicial será indeferida:
IV – quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição (art. 219,
§5º);
Artigo 269 – Haverá resolução de mérito:
IV – quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição. Decadência é a perda
de um direito, pelo fato de seu titular não exercê-lo dentro do prazo legal. Prescrição é
a perda de um direito em razão da inércia de seu titular e do decurso do tempo.
Nesse caso o réu ganha a ação no mérito.
Repetindo para fixar melhor. Quando o juiz recebe a petição inicial ele pode
praticar três condutas diversas.
• Ele entende que a petição inicial está apta, determinando a citação do réu;
• Ele entende que a petição inicial tem um defeito sanável, então o autor é
intimado para emendar a petição inicial no prazo de 10 dias sob pena de indeferimento
da petição inicial.
• O autor não atende o despacho de emenda, ou se estiverem presentes essas outras
hipóteses do artigo 295 CPC, o juiz indeferirá a petição inicial. Editando sentença
por meio da qual a petição inicial é indeferida.
Dentro da tipologia dos atos do juiz, o mesmo pode editar três atos, vide artigo 162
CPC, Sentença, decisão interlocutória e despacho.
Obs.: o ato do juiz ao determinar a citação é caracterizado como um mero
despacho. Tendo em vista que o juiz não está decidindo nada. Vide artigo 504 CPC.
Artigo 504. Dos despachos de mero expediente não cabe recurso.
Obs.: quando o juiz determina que o autor emende a petição inicial, está praticando
um ato chamado decisão interlocutória. Pois o juiz determina uma providência, não
ponde fim ao processo. Vide artigo 522 CPC.
Artigo 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de dez dias, na
forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão
grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos
relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua
interposição por instrumento.
Obs.: o indeferimento da petição inicial seja pelo descumprimento da decisão de
emenda, seja originariamente pelo indeferimento da petição inicial, o juiz estará
proferindo sentença. Colocando fim ao processo de conhecimento. Vide artigos 296 e
513 CPC.
Artigo 296. Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz,
no prazo de quarenta e oito horas, reformar sua decisão.
Parágrafo único. Não sendo reformada a decisão, os autos serão imediatamente
encaminhados ao tribunal competente.
Artigo 513. Da sentença caberá apelação (artigos 267 e 269).
Obs.: o indeferimento da petição inicial só cabe antes do juiz mandar citar o réu.
Se o juiz perceber, no meio da fase de saneamento, que a parte é ilegítima. Nesse caso
ele não pode indeferir a petição inicial, mas pode utilizar o artigo 267, VI, extinguindo
o processo sem julgamento de mérito. Mas não se tratará de indeferimento de petição
inicial.
Logo o juiz não pode indeferir a petição inicial no meio da fase de saneamento.
Mas pode extinguir o processo sem julgamento de mérito. Vide artigos 267, VI e §3º.
Artigo 267 – Extingue-se o processo sem resolução de mérito:
VI – quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;
§3º O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto
não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nos IV, V e VI; todavia, o
réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que lhe caiba falar nos autos,
responderá pelas custas de retardamento.
O legislador processual, em 2006, criou por meio da Lei 11277, criou uma outra
hipótese espetacular de indeferimento da petição inicial. Permitiu-se que ao verificar a
petição inicial, o juiz tem o direito de analisar se o autor tem ou não razão no mérito.
Logo o juiz, antes de citar o réu, profere de plano uma sentença de improcedência do
pedido do autor. Vide artigo 285-A, CPC. Isso foi criado para as ações seriadas ou
repetitivas.
Artigo 285-A. Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo
já houver sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos,
poderá ser dispensada a citação e proferida sentença, reproduzindo-se o teor da
anteriormente proferida.
§1º Se o autor apelar, é facultado ao juiz decidir, no prazo de 5 dias, não manter a
sentença e determinara o prosseguimento da ação.
Esse artigo 285-A permite que em causas seriadas ou repetitivas, pois o juiz já
julgou casos idênticos anteriormente, que foram concluídos como improcedentes, sejam
de plano julgadas como improcedente. Lembrando que se as causas forem julgadas
como procedente, o juiz não pode julgá-la procedente, pois senão estará condenando o
réu sem que o mesmo seja citado.
Logo o resultado será sentença do artigo 269, I, pois o juiz julga improcedente o
pedido de plano, formando coisa julgada material.
Artigo 269 – Haverá resolução de mérito:
I – quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;
O artigo 320 do anteprojeto é o artigo 295 CPC. E o artigo 322 do anteprojeto é
o artigo 285-A, do CPC. Mas o anteprojeto ampliou o artigo 322, pois agora o juiz
não precisa ter proferido sentença anterior. Basta ele achar que o pedido é
manifestamente improcedente. E também não há exigência de ações seriadas.
Artigo 322. O juiz, independentemente de citação do réu, rejeitará liminarmente a
demanda se:
I – manifestamente improcedente o pedido, desde que a decisão proferida não
contrarie entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de
Justiça, sumulado ou adotado em julgamento de casos repetitivos;
II – o pedido contrariar entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do
Superior Tribunal de Justiça, sumulado ou adotado em julgamento de casos repetitivos;
III – verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição;
§1º Não interposta a apelação o réu será intimado do trânsito em julgado da
sentença.
A partir de agora iremos estudar a citação do réu.
Precedente do STJ: o despacho que ordena a citação no processo de conhecimento
é conceituado entre despacho de mero expediente por não conter cargas decisórias,
sendo incabível o manejo de recursos nos termos do artigo 504 CPC.
Logo o cite-se é despacho de mero expediente, tendo em vista que o juiz apenas
determinou o chamamento do réu.
O ato de citação é um dos atos mais importantes no processo, porque esse ato leva
a notícia para o réu. Leva ao conhecimento do réu que existe um processo contra ele e
que está aberta à oportunidade para o mesmo se defender.
O processo civil brasileiro, dentro da sua principiologia constitucional, traz um dos
mais importantes princípios processuais, que é o princípio da ampla defesa e o princípio
do contraditório. Logo o princípio da ampla defesa é de ordem constitucional, logo o
judiciário não pode se decidir contra o réu sem que o mesmo tenha oportunidade de se
manifestar. Isso é a ampla defesa.
O réu é integrado no processo por meio da citação. Vide artigo 213 CPC.
Artigo 213. Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim
de se defender.
Então o que interessa para a garantia constitucional do contraditório, é que você de
ao réu a notícia do processo contra ele, e permita que o mesmo se defenda. Se o réu vai
ou não se defender, é problema dele. O importante é que o mesmo seja devidamente
citado.
A citação pode ser vista como um ato de comunicação processual. Se faltar esse ato,
todo o processo será contaminado pela invalidade. Vide artigo 214 CPC.
Artigo 214. Para a validade do processo, é indispensável a citação inicial do réu.
§1º O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação.
§2º Comparecendo o réu apenas para argüir a nulidade e sendo esta decretada,
considerar-se-á feita a citação na data em que ele ou seu advogado for intimado da
decisão.
Obs.: a CF impõe que no processo brasileiro, para que qualquer pessoa seja privada
de seus bens ou dos seus direitos materiais, ela deve participar previamente de um
devido processo legal. Logo ela precisa ser citada.
O princípio constitucional do contraditório, para que o mesmo seja efetivo, ou
seja, importe na real participação do réu no processo, para que o mesmo possa contrapor
o pedido do autor, importa em um duplo ponto de apoio.
Duplo apoio do principio constitucional do contraditório:
• Informação: esse é fundamental, pois o réu precisa ser informado da existência
de um processo contra ele. E o mesmo é informado através da citação, possibilitando
assim a reação do réu;
• Possibilidade de reação.
O CPC prevê três mecanismos formais de citação do réu:
• Carta;
• Oficial de justiça;
• Edital.
A partir de agora iremos estudar esses três mecanismos básicos de comunicação de
existência de ação contra o réu.
Obs.: depois que for feita à citação, todas as demais comunicações feitas ao réu
irão via intimação.
Todos os atos de comunicação processual seja citação ou intimação, se presta a
garantir o princípio constitucional do contraditório. Tendo em vista que ambas levam
uma informação para as partes, permitindo assim uma reação.
Obs.: caso o réu não seja citado, mas toma conhecimento do processo e aparece
espontaneamente, irá se suprir qualquer defeito, pois a finalidade foi atingida. Vide
artigo 214, §1º, CPC.
Artigo 214. Para a validade do processo, é indispensável a citação inicial do réu.
§1º O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação.
Obs.: o primeiro requisito para validar a citação é a pessoalidade. O CPC exige
que a citação se de na pessoa do réu. Vide artigo 215 CPC. O artigo 247 CPC reforça
essa idéia.
Artigo 215. Far-se-á a citação pessoalmente ao réu, ao seu representante legal ou
ao procurador legalmente autorizado.
§1º Estando o réu ausente, a citação far-se-á na pessoa de seu mandatário,
administrador, feitor ou gerente, quando a ação se originar de atos por eles praticados.
§2º O locador que se ausentar do Brasil sem cientificar o locatário de que deixou
na localidade, onde estiver situado o imóvel, procurador com poderes para receber
citação, será citado na pessoa do administrador do imóvel encarregado do recebimento
dos aluguéis.
Artigo 247. As citações e as intimações serão nulas, quando feitas sem
observância das prescrições legais.
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AULA 29
O ato de comunicação processual mais importante de todos é a citação do réu.
Pois o mesmo fica sabendo que tem um processo contra ele, dando-lhe a oportunidade
de se defender. A citação válida é indispensável para a validade do processo.
Lembrando que a citação válida constitui um dos pressupostos processuais.
Lembrando que no processo civil, a citação válida tem que ser feita na pessoa do
réu. Princípio da pessoalidade. Logo não pode citar a mãe, a avó, o vizinho, o
porteiro, o professor, a mim, etc.
Obs.: a única forma do vício de citação ser afastado é quando a parte aparece
espontaneamente em juízo. Vide artigo 214 CPC.
Artigo 214. Para a validade do processo, é indispensável a citação inicial do réu.
§1º O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação.
§2º Comparecendo o réu apenas para argüir a nulidade e sendo esta decretada,
considerar-se-á feita a citação na data em que ele ou seu advogado for intimado da
decisão.
Obs.: o artigo 221 CPC (que traz os mecanismos formais de citação) é mantido no
anteprojeto no artigo 203 e mantém o requisito da pessoalidade (artigo 115 CPC), no
artigo 199 do anteprojeto.
Obs.: o anteprojeto prevê uma nova modalidade de citação que é a eletrônica,
mas o professor acha difícil citar alguém por meio eletrônico, mas de qualquer forma
está prevista genericamente no anteprojeto, lembrando que o CPC também prevê essa
modalidade, mas é necessário que a citação eletrônica seja regulamentada por lei
específica.
Os três mecanismos de citação previstos hoje no CPC que são mantidos no
anteprojeto são os seguintes:
• Citação postal – Correio, feita através do envio de uma carta;
• Citação por mandado – Oficial de justiça;
• Citação por edital.
Vide artigo 221 CPC que regulamenta os três mecanismos hoje vigentes.
Artigo 221. A citação far-se-á:
I – pelo correio;
II – por oficial de justiça;
III – por edital;
IV – por meio eletrônico, conforme regulado em lei própria.
O anteprojeto mantém essa mesma sistemática.
Citação pelo correio: como o nome já diz, ela é feita pela empresa brasileira de
telégrafos. O escrivão redige a carta citatória e a coloca no correio. A única coisa
exigida é que a carta vá com o aviso de recebimento (AR). Logo a citação postal é
realizada pelo carteiro dos correios. Lembrando que o carteiro deve entregar a carta ao
citando (pessoalmente a ele, devido ao princípio da pessoalidade), exigindo-lhe o
carteiro, ao lhe fazer a entrega, que assine o recibo. Depois disso, o AR volta para a
secretaria, como comprovação da realização da citação, então o AR será afixado nos
autos do processo.
Lembrando que a citação postal pode ser realizada em qualquer lugar do Brasil,
digamos que o réu de vocês resida em Manaus (Jéferson Wilson Peconick), como a
citação é postal ela será feita pelo escrivão de BH e depois enviada para Manaus, não
tendo nenhuma interferência da justiça estadual do Amazonas. Vide artigo 223 CPC.
Artigo 223. Deferida a citação pelo correio, o escrivão ou chefe da secretaria
remeterá ao citando cópias da petição inicial e do despacho do juiz, expressamente
consignada em seu inteiro teor a advertência a que se refere o artigo 285, segunda
parte, comunicando, ainda, o prazo para a resposta e o juízo e cartório, com o
respectivo endereço.
Parágrafo único. A carta será registrada para entrega ao citando, exigindo-lhe o
carteiro, ao fazer a entrega, que assine o recibo. Sendo o réu pessoa jurídica, será
válida a entrega a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração.
Obs.: A regra geral, hoje, no processo civil brasileiro, é a citação feita pelo
correio.
Existem 5 hipóteses onde a citação feita pelo correio é vedada:
• nas ações de estado (de curatela, de declaração de incapacidade, de divórcio, etc.
são ações que mudam o estado das pessoas);
• quando for ré pessoa incapaz;
• quando for ré pessoa de direito público (União, Estado, DF, Município, suas
autarquias e fundações públicas);
• nos processos de execução;
• quando o réu residir em local não atendido pela entrega domiciliar de
correspondência;
Vide artigo 222 CPC.
Artigo 222. A citação será feita pelo correio, para qualquer comarca do País,
exceto:
a) nas ações de estado;
b) quando for ré pessoa incapaz;
c) quando for ré pessoa de direito público;
d) nos processos de execução;
e) quando o réu residir em local não atendido pela entrega domiciliar de
correspondência;
f) quando o autor a requerer de outra forma. – Essa opção não foi mencionada pelo
professor entre as 5 hipóteses, porque é uma escolha do autor, logo essa hipótese tem
que ser requerida expressamente pelo autor, pois se o mesmo não requerer ela será
realizada pelo correio.
Obs.: a única modificação feita no anteprojeto é que o mesmo permite que seja
realizada, pelo correio, a citação nos processos de execução. Vide artigo 204 do
anteprojeto.
A citação feita por oficial de justiça ocorrerá nas cinco hipóteses em que a citação
pelo correio é proibida, quando o autor requerer a citação por oficial de justiça e
quando frustrada a citação pelo correio. Exemplo: quando a carta voltar sem que o
destinatário seja encontrado. Vide artigo 224 CPC.
Artigo 224. Far-se-á a citação por meio de oficial de justiça nos casos ressalvados
no artigo 222, ou quando frustrada a citação pelo correio.
Na citação feita por oficial de justiça, o escrivão não vai redigir a carta citatória,
pois o mesmo irá redigir o mandado de citação, esse mandado de citação é entregue ao
citando pelo oficial de justiça. Lembrando que o oficial de justiça é um auxiliar da
justiça. Vide artigos 143 e 225 CPC.
Artigo 143. Incumbe ao oficial de justiça:
I – fazer pessoalmente as citações, prisões, penhoras, arrestos e mais diligências
próprias do seu ofício, certificando no mandado o ocorrido, com menção de lugar, dia
e hora. A diligência, sempre que possível, realizar-se-á na presença de duas
testemunhas;
II – executar as ordens do juiz a que estiver subordinado;
III – entregar, em cartório, o mandado, logo depois de cumprido;
IV – estar presente às audiências e coadjuvar o juiz na manutenção da ordem.
Artigo 225. O mandado, que o oficial de justiça tiver de cumprir, deverá conter:
I – os nomes do autor e do réu, bem como os respectivos domicílios ou residências;
II – o fim da citação, com todas as especificações constantes da petição inicial,
bem como a advertência a que se refere o artigo 285, segunda parte, se o litígio versar
sobre direitos disponíveis;
III – a cominação, se houver;
IV – o dia, hora e lugar do comparecimento;
V – a cópia do despacho;
VI – o prazo para defesa;
VII – a assinatura do escrivão e a declaração de que o subscreve por ordem do
juiz.
Parágrafo único. O mandado poderá ser em breve relatório, quando o autor
entregar em cartório, com a petição inicial, tantas cópias desta quantos forem os réus;
caso em que as cópias, depois de conferidas com o original, farão parte integrante do
mandado.
Então o oficial de justiça recebe o mandado de citação e sai para a rua para citar o
réu, assim que o mesmo é encontrado, o oficial de justiça realiza a citação do réu. Logo
ele entrega para o mesmo o mandado de citação, pega a contrafé do réu (recibo) e
certifica o ocorrido na sua certidão, lembrando que a certidão do oficial de justiça tem
absoluta fé pública porque o mesmo é um agente estatal. Vide artigo 226 CPC.
Artigo 226. Incumbe ao oficial de justiça procurar o réu e, onde o encontrar, citá-
lo:
I – lendo-lhe o mandado e entregando-lhe a contrafé;
II – portando por fé se recebeu ou recusou a contrafé;
III – obtendo a nota de ciente, ou certificando que o réu não a apôs no mandado.
Então a citação estará realizada de qualquer forma se o oficial de justiça achar o
réu e avisá-lo da citação. Se o réu sair correndo e pular no rio Arrudas, não faz
diferença, logo o réu já estará citado, pois o oficial de justiça certificará tudo.
Obs.: a competência territorial do oficial de justiça é igual a do juiz, logo aquele
fica restrito a sua comarca, consequentemente um oficial de justiça de BH não pode
citar um réu em Manga. O máximo que se admite é que o oficial de justiça faça citação
em comarcas contíguas, exemplo: o oficial de justiça de BH pode citar o réu em
Contagem, Betim, etc. Vide artigo 230 CPC.
Artigo 230. Nas comarcas contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem na
mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar citações ou
intimações em qualquer delas.
Então qual é a solução dada para fazer citações por oficial de justiça quando o réu
não mora na comarca do processo e nem em uma comarca contígua? Nesse caso a
solução será a carta precatória. O CPC prevê como ato de comunicação processual,
as cartas. De modo que se o ato processual tiver que ser praticado fora da comarca da
competência do juízo, esse ato não pode ser praticado pelos serventuários da comarca
do processo. Consequentemente tem que fazer o pedido para os serventuários da
comarca do lugar em que o ato processual será praticado. Vide artigos 200 e 201 CPC.
Artigo 200. Os atos processuais serão cumpridos por ordem judicial ou
requisitados por carta, conforme hajam de realizar-se dentro ou fora dos limites
territoriais da comarca.
Artigo 201. Expedir-se-á carta de ordem se o juiz for subordinado ao tribunal de
que ela emanar; carta rogatória, quando dirigida à autoridade judiciária estrangeira;
e carta precatória, nos demais casos.
• Carta de ordem – quando juiz superior requisita a um juiz inferior. Exemplo:
quando o TJ requisita que o juiz de direito de MOC pratique um ato processual.
• Carta precatória – para juiz do mesmo grau;
• Carta rogatória – quando dirigida à autoridade judiciária estrangeira. Exemplo:
quando o réu resida na Inglaterra, nesse caso a carta rogatória vai pelas vias
diplomáticas, então a justiça inglesa citará o réu, então a carta rogatória volta para o
Brasil.
Resumindo: na citação por oficial de justiça, como o juiz do processo só pode
determinar a pratica de atos processuais na sua comarca, somente se terá citação por
oficial de justiça via mandado, se o réu residir na comarca do processo ou em comarca
contígua. Caso o mesmo resida em outra comarca, o juiz da comarca do processo
solicitará ao juiz da comarca onde o réu resida, para que o serventuário dessa comarca
realize a citação, logo será expedida a carta precatória.
Então é muito melhor fazer a citação postal (pelo correio). Mas o grande
inconveniente é que essa citação será feita pelo carteiro, e o mesmo não entende dos
requisitos processuais. Então pode ser que saia bobagem na citação.
Um outro incidente que ocorre pela citação feita por oficial de justiça é a famosa
citação com ora certa. Vide artigos 227 e 228 CPC.
Artigo 227. Quando, por três vezes, o oficial de justiça houver procurado o réu em
seu domicílio ou residência, sem o encontrar, deverá, havendo suspeita de ocultação,
intimar a qualquer pessoa da família, ou em sua falta a qualquer vizinho, que, no dia
imediato voltará, a fim de efetuar a citação, na hora que designar.
Artigo 228. No dia e hora designados, o oficial de justiça, independentemente de
novo despacho, comparecerá ao domicílio ou residência do citando, a fim de realizar a
diligência.
§1º Se o citando não estiver presente, o oficial de justiça procurará informar-se
das razões da ausência, dando por feita a citação, ainda que o citando se tenha
ocultado em outra comarca.
§2º Da certidão da ocorrência, o oficial de justiça deixará contrafé com pessoa da
família ou com qualquer vizinho, conforme o caso, declarando-lhe o nome.
Essa é a citação por ora certa, é uma citação que se dá em pessoa diversa do
citando, sendo, portanto uma exceção ao princípio da pessoalidade da citação, uma
vez que o citando está se ocultando do ato citatório.
Obs.: essa exceção somente se aplica a citação feita por oficial de justiça, pois a
citação realizada pelo correio não pode se valer dessa exceção, uma vez que o carteiro,
caso não encontre o réu, deverá indicar na carta que o citando não foi encontrado, não
podendo, portanto realizar a citação.
Existe ainda um último requisito de citação por ora certa: o escrivão enviará carta,
telegrama ou radiograma, para o citando, avisando que concluiu se o procedimento da
citação por ora certa. O STJ tem dito que se esse artigo não for cumprido é nula a
citação por ora certa. Então o escrivão tem que enviar uma carta para o citando
certificando que o citando foi citado por ora certa. Vide artigo 229 CPC.
Artigo 229. Feita a citação com hora certa, o escrivão enviará ao réu carta,
telegrama ou radiograma, dando-lhe de tudo ciência.
Citação por edital: é uma modalidade especialíssima de citação, pois a mesma é
realizada por meio de publicação de edital. Esse edital é publicado em um jornal de
grande circulação e também irá se fixar o edital no fórum. Isso é feito porque o réu é
desconhecido (quando o réu morre e não se conhece seus herdeiros) ou não se sabe onde
o mesmo se encontra.
Nesses casos o legislador processual enfrenta um dilema, tendo em vista que o autor
tem direito ao acesso a justiça, vide artigo 5º, XXXV, CF. E também é garantido ao réu
o direito de se defender no processo. Logo nesses casos a citação será feita por edital.
Lembrando que esse edital tem que ser publicado em um jornal de grande circulação e
também tem que afixar o edital no fórum.
A citação por edital deixa o princípio da pessoalidade de lado, uma vez que o réu
é desconhecido. Vide artigo 231 CPC.
Artigo 231. Far-se-á a citação por edital:
I – quando desconhecido ou incerto o réu;
II – quando ignorado, incerto ou inacessível o lugar em que se encontrar;
III – nos casos expressos em lei.
§1º Considera-se inacessível, para efeito de citação por edital, o país que recusar o
cumprimento de carta rogatória.
§2º No caso de ser inacessível o lugar em que se encontrar o réu, a notícia de sua
citação será divulgada também pelo rádio, se na comarca houver emissora de
radiodifusão.
O procedimento da citação por edital é:
Primeiro o autor tem que comprovar as situações do artigo 231 CPC. Ou seja, o
réu tem que ser desconhecido ou tem que estar em um lugar ignorado, incerto ou
inacessível.
Segundo o juiz mandará redigir o edital de citação, que conterá informações do
processo. E esse edital será publicado na imprensa oficial, em jornal local de grande
circulação e afixado no fórum. Vide artigo 232 CPC.
Artigo 232. São requisitos da citação por edital:
I – a afirmação do autor, ou a certidão do oficial, quanto às circunstâncias
previstas nos I e II do artigo antecedente;
II – a afixação do edital, na sede do juízo, certificada pelo escrivão;
III – a publicação do edital no prazo máximo de quinze dias, uma vez no órgão
oficial e pelo menos duas vezes em jornal local, onde houver;
IV – a determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre vinte e sessenta dias,
correndo da data da primeira publicação;
V – a advertência a que se refere o artigo 285, segunda parte, se o litígio versar
sobre direitos disponíveis.
§1º Juntar-se-á aos autos um exemplar de cada publicação, bem como do anúncio,
de que trata o nº II deste artigo.
§2º A publicação do edital será feita apenas no órgão oficial quando a parte for
beneficiária da Assistência Judiciária.
Obs.: o artigo 942 CPC, prevê na ação de usucapião, esse tipo especial de citação
por edital, fora dos padrões do artigo 231 CPC.
Artigo 942. O autor, expondo na petição inicial o fundamento do pedido e
juntando planta do imóvel, requererá a citação daquele em cujo nome estiver
registrado o imóvel usucapiendo, bem como dos confinantes e, por edital, dos réus em
lugar incerto e dos eventuais interessados, observado quanto ao prazo o disposto no
inciso IV do artigo 232.
Voltando:
Existe no edital uma coisa curiosíssima, vejam, qual é a razão de ser do edital? É
veicular a notícia da existência do processo contra o réu, em um jornal de grande
circulação, uma vez que não é possível a citação pessoal, devido aos casos excepcionais
constantes no artigo 231 CPC.
Quando o réu é citado, é aberto o prazo de defesa, e esse prazo é de 15 dias, ou
seja, ele tem o prazo de 15 dias para responder a ação. Vide artigo 297 CPC.
Artigo 297. O réu poderá oferecer, no prazo de quinze dias, em petição escrita,
dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e reconvenção.
Logo a citação é o marco para:
• O chamamento do réu ao processo;
• Abertura do prazo para a defesa do réu.
No caso da citação por edital, temos uma peculiaridade, ou seja, a citação não será
pessoal do réu, por causa da impossibilidade, logo é publicada uma notícia do processo
no jornal, tentando assim que o réu tenha ciência desse processo. Pois o mesmo é
desconhecido ou está desaparecido (em local incerto). A esperança é que alguém leia no
jornal e comunique ao réu da existência de uma ação contra ele. Logo em todo edital de
citação, tem o que chamamos de prazo dilatório.
Prazo dilatório é o prazo para o jornal circular e assim a notícia chegar ao
conhecimento do réu.
Normalmente, na citação por edital, o prazo dilatório é de 20 a 60 dias,
lembrando que esse prazo é fixado pelo juiz no edital. Supondo que publique o edital
hoje, dia 01/12/10, se esse prazo dilatório for de 20 dias, o mesmo começará a correr da
primeira publicação do jornal, logo começará a correr hoje, dia 01/12/10.
Consequentemente os 15 dias que o réu tem para responder começarão a correr a
partir do dia 21/12/10. Isso se dá pelo fato de que o prazo dilatório que vai de 20 a 60
dias (a critério do juiz), tem que ter um prazo suficiente, para que o edital circule no
jornal, e consequentemente o réu tenha ciência do processo.
Repetindo: o prazo para a resposta do réu, somente começará a correr, depois de
terminado o prazo dilatório, lembrando que o esse prazo varia de 20 a 60 dias, a critério
do juiz. Vide artigo 232, IV, CPC.
Artigo 232. São requisitos da citação por edital:
IV – a determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre vinte e sessenta dias,
correndo da data da primeira publicação;
Nos demais casos de citação (pelo correio, por oficial de justiça, por ora certa ou
por carta precatória), o prazo de 15 dias que o réu tem para responder, começa a
correr da realização da citação.
Outro ato de comunicação processual:
Intimação: são os demais atos de comunicação processual, ou seja, são todos os
atos de comunicação processual, que não envolvam a citação do réu.
As intimações são importantíssimas, pois são elas que vão garantir para o autor e
para o réu, o exercício do contraditório. Tendo em vista que o princípio do
contraditório comporta um duplo pilar (informação e possibilidade de reação).
Logo para participarem do processo, as partes, precisam de informação do que está
acontecendo no processo e da possibilidade de reação, ou seja, praticar o ato
processual. Logo o ato de comunicação processual que cumpre esse importante papel,
de assegurar o princípio do contraditório, é a intimação.
Então é por meio da intimação que se permitem as partes, autor e réu, as
informações processuais a respeito do andamento do processo, permitindo assim que o
autor ou o réu façam ou deixem de fazer alguma coisa no processo. Vide artigo 234
CPC.
Artigo 234. Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos
do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa.
Obs.: ao dar ciência a alguém dos atos e termos do processo, a intimação, está
prestando a informação. Ao permitir que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa, a
intimação, está possibilitando a reação.
Obs.: As intimações são determinadas pelo juiz de ofício. Lembrando que o
processo se inicia pela iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. Vide
artigos 235 e 262 CPC.
Artigo 235. As intimações efetuam-se de ofício, em processos pendentes, salvo
disposição em contrário.
Artigo 262. O processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por
impulso oficial.
O juiz exerce o impulso oficial por meio das intimações, logo o juiz vai
empurrando o processo / procedimento para frente, até o ato final que é a sentença.
Vejam vocês: a citação é o ato de comunicação processual dirigida à pessoa do
réu. As intimações, na maioria das vezes, são dirigidas aos advogados das partes, pois
são eles que fazem ou deixam de fazer alguma coisa no processo. Então quem recebe as
intimações são os advogados das partes. Diferentemente da citação, que é dirigida a
pessoa do réu. Então a intimação, será realizada por publicação na impressa oficial,
pois a mesma é dirigida ao advogado das partes. Vide artigos 236 e 237 CPC.
Artigo 236. No Distrito Federal e nas Capitais dos Estados e dos Territórios,
consideram-se feitas as intimações pela só publicação dos atos no órgão oficial.
§1º É indispensável, sob pena de nulidade, que da publicação constem os nomes
das partes e de seus advogados, suficientes para sua identificação.
§2º A intimação do Ministério Público, em qualquer caso, será feita pessoalmente.
Artigo 237. Nas demais comarcas aplicar-se-á o disposto no artigo antecedente, se
houver órgão de publicação dos atos oficiais; não o havendo, competirá ao escrivão
intimar, de todos os atos do processo, os advogados das partes:
I – pessoalmente, tendo domicílio na sede do juízo;
II – por carta registrada, com aviso de recebimento, quando domiciliado fora do
juízo.
Parágrafo único. As intimações podem ser feitas de forma eletrônica, conforme
regulado em lei própria. O artigo 4º da Lei 11.419 permitiu a criação dos meios
eletrônicos de intimação prevista genericamente nesse parágrafo único.
Lembrando que a intimação também poderá ser feita:
• por carta registrada;
• pelo correio;
• diretamente pelo escrivão ou chefe de secretaria;
• por meio do oficial de justiça.
Vide artigos 237, 238 e 239 CPC.
Artigo 237. Nas demais comarcas aplicar-se-á o disposto no artigo antecedente, se
houver órgão de publicação dos atos oficiais; não o havendo, competirá ao escrivão
intimar, de todos os atos do processo, os advogados das partes:
I – pessoalmente, tendo domicílio na sede do juízo;
II – por carta registrada, com aviso de recebimento, quando domiciliado fora do
juízo.
Parágrafo único. As intimações podem ser feitas de forma eletrônica, conforme
regulado em lei própria.
Artigo 238. Não dispondo a lei de outro modo, as intimações serão feitas às
partes, aos seus representantes legais e aos advogados pelo correio ou, se presentes em
cartório, diretamente pelo escrivão ou chefe de secretaria.
Artigo 239. Far-se-á a intimação por meio de oficial de justiça quando frustrada
a realização pelo correio.
Parágrafo único. A certidão de intimação deve conter:
I – a indicação do lugar e a descrição da pessoa intimada, mencionando, quando
possível, o número de sua carteira de identidade e o órgão que a expediu;
II – a declaração de entrega da contrafé;
III – a nota de ciente ou certidão de que o interessado não a apôs no mandado.
Obs.: alguns atos de intimação são dirigidos às partes, embora isso seja raro, por
exemplo, quando a parte tiver que depor na audiência de instrução e julgamento. Nesse
caso a intimação tem que ser pessoal à parte.
Regras especiais de intimação:
• MP tem que ser intimado pessoalmente; Vide artigo 236, §2º, CPC.
Artigo 236. No Distrito Federal e nas Capitais dos Estados e dos Territórios,
consideram-se feitas as intimações pela só publicação dos atos no órgão oficial.
§2º A intimação do Ministério Público, em qualquer caso, será feita pessoalmente.
• Defensor Público também tem que ser intimado pessoalmente, vide artigo 5º,
§5º da lei 1060/50.
§5º Nos Estados onde a Assistência judiciária seja organizada e por eles mantida,
o Defensor Público, ou quem exerça cargo equivalente, será intimado pessoalmente de
todos os atos do processo, em ambas as Instâncias, contando-se-lhes em dobro todos os
prazos.
Então o MP e o Defensor Público não podem ser intimados por jornal eletrônico,
logo eles têm que ser intimados pessoalmente.
• Se a intimação for realizada por jornal eletrônico (publicação dos atos no órgão
oficial), é exigido que seja publicado corretamente o nome das partes e dos advogados.
Vide artigo 236, §1º, CPC.
Artigo 236. No Distrito Federal e nas Capitais dos Estados e dos Territórios,
consideram-se feitas as intimações pela só publicação dos atos no órgão oficial.
§1º É indispensável, sob pena de nulidade, que da publicação constem os nomes
das partes e de seus advogados, suficientes para sua identificação.
Obs.: se a parte, por exemplo, tenha 10 advogados, nesse caso não precisa publicar
o nome dos 10 advogados, basta que da publicação conste o nome de um.
Obs.: o STJ tem entendido que pequenos erros na grafia dos nomes não causam a
nulidade da publicação.
• O Procurador da Fazenda Pública (Estadual ou Federal) no âmbito da execução
fiscal tem que ser intimado pessoalmente. Vide artigo 25 da Lei 6830/80.
A importância da citação e da intimação é que: elas, como ato de comunicação
processual, balizam o prazo para a reação das partes. Pois em processo civil sempre
existe um prazo para a pratica do ato. Tendo em vista que se não tivesse prazo, a parte
teria sempre a possibilidade de praticar aquele ato, consequentemente o processo não
andaria para frente.
Então os princípios que empurram o processo para frente são: o princípio do
impulso oficial através da intimação e o princípio da preclusão associado ao prazo.
Logo a parte sempre terá um prazo para praticar a reação processual.
Consequentemente, a partir da comunicação (intimação), abre-se o prazo para a parte
praticar o ato. Caso a parte não praticar do ato dentro do prazo, ela perderá a faculdade,
ou seja, será preclusa a perspectiva e o processo andará para frente. A preclusão
temporal está prevista no artigo 183 CPC.
Artigo 183. Decorrido o prazo, extingue-se, independentemente de declaração
judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não
realizou por justa causa.
§1º Reputa-se justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte e que a
impediu de praticar o ato por si ou por mandatário.
§2º Verificada a justa causa o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que
lhe assinar.
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AULA 30
Prazos
O procedimento, como um caminhar para frente, tem que ter algo que o impulsione,
porque senão, a parte pode segurá-lo. Consequentemente não se chegará à sentença.
O que empurra o processo para frente é esse conjunto:
• Intimação que é realizada pelo próprio juiz, para que o processo caminhe, dando
as partes um prazo para a reação. Uma vez passado o prazo, incide o magnífico instituto
da preclusão.
• A preclusão significa que fases já ultrapassadas não podem voltar, tendo em vista
que o processo não anda para trás. Logo o que impulsiona esse processo para frente é a
idéia da preclusão. Pois as fases que ficaram para trás não podem ser reabertas.
Entendam como o processo caminha para frente:
O juiz, dentro do seu dever de impulso oficial do processo, cita e intima as partes
para que as mesmas façam ou deixem de fazer algo. Consequentemente as partes terão
um lapso temporal (prazo), fixado pela lei, para praticarem o ato processual.
Ultrapassado esse lapso temporal a parte perderá a faculdade de praticar o ato
processual, logo o processo caminhará para frente.
O princípio da preclusão é lançado no artigo 473 CPC.
Artigo 473. É defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já
decididas, a cujo respeito se operou a preclusão.
Repetindo: como é que o processo anda para frente? Por meio do impulso oficial, e
esse impulso oficial é dado pelas intimações, logo após é inaugurado o lapso temporal,
que é o prazo dado para as partes praticarem o ato processual, caso não pratiquem,
ocorrerá à preclusão. Ai entra a preclusão temporal.
Preclusão temporal é a perda da faculdade de praticar um ato processual, pelo
decurso do prazo fixado para aquela pratica. Essa preclusão é automática.
Repetindo mais uma vez, porque acho que vocês não fixaram ainda!
O mecanismo de impulso oficial se dá através da intimação realizada pelo juiz. Ou
seja, o juiz intima as partes, logo irá abrir um lapso temporal (prazo) para a reação
(as partes farão ou deixarão de fazer alguma coisa), consequentemente se o lapso
temporal for ultrapassado, com ou sem o exercício da faculdade, o processo seguirá
adiante. De modo que a preclusão temporal pode ser conceituada como a perda da
faculdade de praticar um ato processual em razão do decurso do prazo.
Lembrando que essa preclusão é automática, ela decorre simplesmente do decurso
do prazo. Exemplo, o réu tem 15 dias para responder a ação, caso não responda dentro
do prazo, estará preclusa a faculdade de praticar o ato. Vide artigo 183 CPC, esse
artigo contém o conceito de preclusão temporal.
Artigo 183. Decorrido o prazo, extingue-se, independentemente de declaração
judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não
realizou por justa causa. – Decorrido o prazo, extingue-se, independentemente de
declaração judicial, o direito de praticar o ato processual, ou seja, a preclusão temporal
ocorre por força de um fenômeno físico que é o decurso do prazo.
§1º Reputa-se justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte e que a
impediu de praticar o ato por si ou por mandatário.
§2º Verificada a justa causa o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que
lhe assinar.
Uma pergunta que se faz. Qual é o lapso temporal que será obedecido? Qual é o
prazo em termos quantitativos que é dado para as partes praticarem um ato processual?
Temos três tipos de prazos:
• Prazos legais: são fixados pela Lei. São os prazos peremptórios. Logo o juiz
não pode alterá-los.
• Prazos judiciais: são os prazos fixados pelo juiz, quando a lei for omissa. Vide
artigo 177 CPC.
Artigo 177. Os atos processuais realizar-se-ão nos prazos prescritos em lei.
Quando esta for omissa, o juiz determinará os prazos, tendo em conta a complexidade
da causa.
Exemplos de prazos legais, lembrando que os prazos legais vêm fixados na lei:
• O artigo 297 CPC, que diz que o réu tem 15 dias para apresentar contestação,
reconvenção e exceção.
• O artigo 508 CPC, esse artigo fixa o prazo de 15 dias, para que sejam realizados
6 recursos. Artigo 508. Na apelação, nos embargos infringentes, no recurso
ordinário, no recurso especial, no recurso extraordinário e nos embargos de
divergência, o prazo para interpor e para responder é de quinze dias.
• O artigo 522 CPC fixa o prazo de 10 dias para interpor agravo. Artigo 522. Das
decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de dez dias, na forma retida, salvo
quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil
reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos
em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua interposição por
instrumento.
Relembrando: caso a lei não fixe os prazos, os mesmos serão fixados pelo juiz.
Obs.: os prazos legais, que são fixados pela lei, são chamados de prazos
peremptórios. Esses prazos não podem ser alterados pelo juiz. Vide artigo 182 CPC.
Artigo 182. É defeso às partes, ainda que todas estejam de acordo, reduzir ou
prorrogar os prazos peremptórios. O juiz poderá, nas comarcas onde for difícil o
transporte, prorrogar quaisquer prazos, mas nunca por mais de sessenta dias.
Parágrafo único. Em caso de calamidade pública, poderá ser excedido o limite
previsto neste artigo para a prorrogação de prazos.
O terceiro tipo de prazo ocorrerá quando nem a Lei e nem o juiz fixarem o prazo.
Nesse caso a lei responderá que o prazo é de 5 dias. Vide artigo 185 CPC.
Esse artigo é importantíssimo: Artigo 185. Não havendo preceito legal nem
assinação pelo juiz, será de cinco dias o prazo para a prática de ato processual a
cargo da parte.
Logo percebemos que não existe ato processual com prazo indefinido, pois se a Lei
não fixar (preceito legal), nem o juiz (assinação pelo juiz), o prazo para a pratica do
ato processual será de 5 dias.
Obs.: o prazo para a resposta de uma citação é um prazo legal, pois o mesmo é
fixado pela lei. Logo o réu tem o prazo de 15 dias para apresentar defesa (contestação,
reconvenção e exceção).
Já o prazo para a intimação é o mais variado possível. Pois ele pode ser fixado
pela lei, se a lei não fixar o juiz fixará, caso o mesmo não o faça, o prazo será de 5
dias, de acordo com o artigo 185 CPC.
Então quando o réu é citado ou quando as partes são intimadas, abre-se a
contagem do prazo processual.
Qual é o marco inicial da contagem do prazo?
É a citação e a intimação, logo o que ditará o lapso temporal entre a informação e
a reação é o ato de comunicação processual. Então o marco inicial do prazo, que é
chamado de termo inicial ou termo “A quo”. O termo final é chamado de termo “ad
quem”.
Repetindo, o marco inicial do prazo está no recebimento da citação e da
intimação. Mas não é tão simples assim, tendo em vista que, no que diz respeito à
citação ou intimação, por oficial de justiça, teremos três momentos distintos:
• o momento que o oficial recebe o mandado de citação;
• o momento em que o oficial entrega o mandado ao réu, ou seja, ele cita o réu;
• o momento em que o mandado cumprido, contendo a certidão do oficial, volta
para os autos, logo o mesmo é juntado aos autos.
Nas citações postais, ocorre à mesma coisa:
• o dia que o escrivão posta a carta;
• o dia que o carteiro entrega a carta e o aviso de recebimento para o réu;
• o dia que o aviso de recebimento volta para os autos cumpridos.
Logo teremos nas citações e intimações, realizadas pelo oficial de justiça ou pelo
correio, uma variedade de dias possíveis, logo o legislador terá que escolher um deles.
Vide artigo 241 CPC.
Artigo 241. Começa a correr o prazo:
I – quando a citação ou intimação for pelo correio, da data de juntada aos autos
do aviso de recebimento;
II – quando a citação ou intimação for por oficial de justiça, da data de juntada
aos autos do mandado cumprido;
III – quando houver vários réus, da data de juntada aos autos do último aviso de
recebimento ou mandado citatório cumprido;
IV – quando o ato se realizar em cumprimento de carta de ordem, precatória ou
rogatória, da data de sua juntada aos autos devidamente cumprida;
V – quando a citação for por edital, finda a dilação assinada pelo juiz.
Obs.: se a citação for por edital (artigo 241, V, CPC), o prazo somente começará
a correr após o prazo dilatório (o prazo é de 20 a 60 dias fixado pelo juiz no edital –
esse é o prazo judicial). Lembrando que o prazo dilatório começará a correr após a
primeira publicação no jornal. Então primeiro irá contar o prazo dilatório, assim que o
mesmo terminar, começará a correr o prazo de 15 dias para a defesa do réu.
Nesse artigo podemos perceber que tem dois tipos de citação por oficial de justiça.
Que é o tipo ora certa e o tipo carta precatória.
Quando for por ora certa não tem mistério, pois o oficial de justiça citará por ora
certa, consequentemente o mandado volta para os autos. O prazo do réu começa no
dia da juntada do mandado de citação por ora certa nos autos.
Mas por carta precatória o prazo do réu começa no dia da juntada da carta
precatória cumprida na comarca que determinou a citação do réu. Por exemplo, o
autor ajuizou uma ação, em BH, contra um réu que reside em Manga, logo o juiz de BH
expedirá uma carta precatória para o juiz de Manga, determinando a citação do réu.
Então o prazo para resposta do réu, começará a correr no dia da juntada da carta
precatória cumprida na comarca de BH. Vide artigo 241, IV, CPC.
Artigo 241. Começa a correr o prazo:
IV – quando o ato se realizar em cumprimento de carta de ordem, precatória ou
rogatória, da data de sua juntada aos autos devidamente cumprida;
Obs.: então a citação será realizada por carta postal, carta precatória, oficial de
justiça ou edital. O artigo 241 CPC cobre todas as possibilidades de citação.
Já a intimação não, tendo em vista que tem três modalidades que não constam no
artigo 241 CPC:
• Escrivão; O prazo começa a correr da intimação.
• Publicação na imprensa. Seja eletrônica ou mídia impressa; Se for mídia
impressa o prazo começa a correr no dia que o jornal circular. Exemplo: suponha que o
Jornal MG tenha circulado no dia 06/12/10, logo o prazo da intimação começa a correr
no dia 06/12/10. No caso de publicação eletrônica, ou seja, jornal eletrônico, a
intimação é disponibilizada no jornal eletrônico em um determinado dia, e sua
publicação é considerada no primeiro dia útil seguinte. Logo o prazo da intimação
começa a correr no primeiro dia útil seguinte a sua disponibilização. Exemplo: suponha
que o Jornal MG foi disponibilizado hoje, dia 06/12/10, o dia da publicação será
07/12/10, então o prazo da intimação começa a correr do dia 07/12/10. Vide artigo 4º,
§3º da Lei 11419/2006. Considera-se como dada da publicação o primeiro dia útil
seguinte ao da disponibilização da informação no jornal eletrônico. Se for jornal
impresso o prazo da intimação começa a correr no dia que o jornal circular.
Outro exemplo: suponha que a intimação tenha sido disponibilizada no jornal
eletrônico no dia 10/12/10, o dia da publicação será 13/12/10, tendo em vista que esse é
o primeiro dia útil seguinte a disponibilização.
• Intimação na própria audiência. O prazo começa a correr da intimação na
audiência.
Resumindo: considerando os tipos básicos de citação, temos:
• por mandado (oficial de justiça): o prazo começa a correr da data da juntada aos
autos do mandado citatório cumprido. Lembrando que o escrivão tem que certificar.
• por correio: o prazo começa a correr da juntada aos autos do aviso de recebimento.
O escrivão tem que certificar.
Obs.: Modalidades especiais de citação:
– por edital: o prazo de resposta do réu somente começará correr após o termino do
prazo dilatório, que variará de 20 a 60 dias. O juiz é que fixará esse prazo dilatório. O
prazo dilatório começa a correr após a primeira publicação do edital no jornal.
– carta precatória: o prazo inicial somente começa a correr da data de sua juntada
aos autos devidamente cumprida pelo juiz deprecante.
Obs.: no que diz respeito à intimação, lembrando que não se aplica a citação,
temos a possibilidade de a intimação ocorrer:
• na própria audiência, ocorre quando o juiz intima as partes na própria audiência;
• por escrivão, ocorre quando o advogado, por exemplo, está dentro da secretária e
o escrivão aproveita para intimá-lo, lembrando que o escrivão tem que certificar nos
autos;
• publicação em jornal: se for jornal em papel, o prazo começa a correr na dada em
que o jornal circulou. Se for jornal virtual, o prazo começa a correr no primeiro dia útil
seguinte a disponibilização. O escrivão também certificará nos autos.
Contagem de prazos: importante lembrar que esse sistema só se aplica para a
contagem de prazos em dia.
A regra básica está no artigo 184 caput CPC.
Artigo 184. Salvo disposição em contrário, computar-se-ão os prazos, excluindo o
dia do começo e incluindo o do vencimento.
§1º Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair
em feriado ou em dia em que:
I – for determinado o fechamento do fórum;
II – o expediente forense for encerrado antes da hora normal.
§2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação.
Qual é o dia inicial do prazo? É o dia da citação ou da intimação, conforme esse
regramento legal, lembrando que o dia inicial é excluído e o dia do vencimento é
incluído.
Temos uma outra regra importantíssima para contagem do prazo. Os prazos são
inexoráveis, uma vez aberta à intimação, a superveniência de feriado ou dia não útil,
não interrompe o prazo. Exemplo: imaginem que o professor foi intimado no dia
09/12/10, tendo em vista que a disponibilização no diário eletrônico se deu no dia
08/12/10, logo a intimação se dará no primeiro dia útil seguinte a disponibilização, que
no exemplo foi o dia 09/12/10. Então dia 09 é o dia da intimação, ou seja, é o dia
inicial do prazo. Mas caso não tenha prazo legal e nem assinação pelo juiz, o prazo,
como vocês se lembram, será de 5 dias. Como será contado esse prazo? Excluindo o dia
do início e incluindo o dia do vencimento. Como no exemplo dado o prazo começa a
correr no dia 09/12/10, então iremos excluir o dia 09 e começaremos a contar a partir do
dia 10/12/10. Vide artigo 178 CPC.
Artigo 178. O prazo, estabelecido pela lei ou pelo juiz, é contínuo, não se
interrompendo nos feriados.
Voltando: então o prazo começou a ser contado no dia 10/12/10 (sexta-feira) e o seu
vencimento será no dia 14/12/10 (terça-feira).
Obs.: o anteprojeto está mudando essa situação, pois a contagem de prazos será
feita apenas em dias úteis. Mas lembrando que isso não se aplica para o CPC, vide
artigo 178 CPC.
Vide artigo 184, §2º, CPC.
Artigo 184. Salvo disposição em contrário, computar-se-ão os prazos, excluindo o
dia do começo e incluindo o do vencimento.
§2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação. –
Então o dia inicial do prazo é o dia da citação ou da intimação, mas esse dia inicial é
excluído da contagem. Se o cidadão for intimado na sexta-feira, dia 10/12/10, o prazo
começará a correr no primeiro dia útil seguinte, tendo em vista que o dia inicial é
excluído, logo o primeiro dia útil seguinte será no dia 13/12/10.
Artigo 184. Salvo disposição em contrário, computar-se-ão os prazos, excluindo o
dia do começo e incluindo o do vencimento.
§1º Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair
em feriado ou em dia em que:
I – for determinado o fechamento do fórum;
II – o expediente forense for encerrado antes da hora normal.
Exemplo: suponha que o professor seja intimado no dia 12/11/10 (sexta-feira),
sendo o seu prazo de 5 dias. A contagem do seu prazo começa a correr no dia 16/11/10
(terça-feira), porque na segunda-feira dia 15/11/10 foi feriado nacional. Então a
contagem começa na terça-feira e o termo “ad quem” será no dia 22/11/10 (segunda-
feira).
Obs.: especial. Pode ser que a citação ou a intimação ocorram em um dia não útil.
Vide artigo 240 CPC.
Artigo 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a
Fazenda Pública e para o Ministério Público contar-se-ão da intimação.
Parágrafo único. As intimações consideram-se realizadas no primeiro dia útil
seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense. –
Exemplo: suponha que o professor tenha sido intimado no dia 11/12/10 (sábado), logo a
intimação será realizada no dia 13/12/10 (segunda-feira) e o prazo começará a correr no
primeiro dia útil seguinte, que no caso será no dia 14/12/10 (terça-feira). Lembrando
que para contar prazos sempre iremos utilizar o artigo 184 CPC, ou seja, exclui o dia
inicial e inclui o dia do vencimento.
Lembrando que temos o dia da disponibilização no diário eletrônico, considera-se
feita a intimação no primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização, logo quando
começará a correr o prazo nos termos do artigo 184 CPC? No primeiro dia útil
seguinte ao da intimação.
Férias forenses: vide artigo 179 CPC.
Artigo 179. A superveniência de férias suspenderá o curso do prazo; o que lhe
sobejar recomeçará a correr do primeiro dia útil seguinte ao termo das férias. –
Exemplo: no dia 17/12/10 (sexta-feira) até o dia 05/01/11 (quinta-feira), o tribunal
ficará de recesso (férias). Então digamos que o professor receba uma intimação no dia
17/12/10, logo o prazo começa a correr no primeiro dia útil seguinte, que será no dia
06/01/11 (sexta-feira).
Outro exemplo: suponha que o professor tenha sido citado no dia 15/12/10 (quarta-
feira), então o prazo começará a correr no primeiro dia útil seguinte, que no caso será
no dia 16/12/10 (terça-feira). Mas como serão contados esses 15 dias? Da seguinte
forma: teremos o dia 16 e 17. A partir do dia 18/12/10 entra o recesso, então o prazo
ficará suspenso, voltando a correr no dia 06/01/11 e vencerá no dia 17/01/11 (domingo).
Consequentemente será prorrogado para o dia 18/01/11 (segunda-feira).
Obs.: final. Cuidado com os artigos 188 e 191 CPC. Pois nesses artigos tem regras
especiais de aumento de prazo.
Artigo 188. Computar-se-á em quádruplo o prazo para contestar e em dobro para
recorrer quando a parte for a Fazenda Pública ou o Ministério Público.
Artigo 191. Quando os litisconsortes tiverem diferentes procuradores, ser-lhes-ão
contados em dobro os prazos para contestar, para recorrer e, de modo geral, para
falar nos autos.
Outro lembrete: se tiver vários réus no processo, o prazo para a contestação será
comum para todos. Logo o prazo começa a correr no mesmo dia para todos. Vide
artigo 241, III, CPC.
Artigo 241. Começa a correr o prazo:
III – quando houver vários réus, da data de juntada aos autos do último aviso de
recebimento ou mandado citatório cumprido;
O artigo 132 CC, prevê as contagens de mês, ano e hora. Logo essa regra não vai
para o CPC, pois o mesmo não tem regra para mês, ano ou hora.
Artigo 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os
prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento.
§1º Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo
até o seguinte dia útil.
§2º Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia.
§3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no
imediato, se faltar exata correspondência.
§4º Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.
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