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Psicologia – Disciplina: Terapia Sistêmica Familiar

Ano:2021.2 – ATIVIDADE

Questões:

01. Discorra sobre a importância do papel do profissional, o


reconhecimento do cliente como um especialista em si mesmo, a
valorização das mudanças que ocorrem no espaço terapêutico, bem
como recursos como a neutralidade.
O terapeuta tem um papel determinante nos processos reflexivos e narrativos,
como uma plateia do outro e ou outros, não estando ali só para assistir. A partir
da escuta e do olhar para o fluir do processo terapêutico, o profissional, como
um mediador, coordena a multiplicidade de ações necessárias para que cada
membro do sistema familiar possa reescrever sua história e a do sistema.
Focando naquilo que foi dito pelos participantes checando e avaliando,
verificando se elas se encaixam nas expectativas e nos entendimentos dos
demais. Fazendo ajustes das diferentes linguagens, permitindo uma
compreensão do que foi relatado por todos.
O processo terapêutico sistêmico inclui todos, e clientes e terapeuta são
envolvidos em uma atmosfera de colaboração.
O papel do terapeuta passou a ser repensado e compreendido de outras
maneiras. A partir da consideração da impossibilidade de controle do sistema e
da identificação de não neutralidade do observador, a posição do terapeuta
como especialista começou a ser posta em questão.
O terapeuta de família é um especialista em relações e não se baseia no
modelo biomédico, voltado para o diagnóstico dos problemas, nem nas
intervenções normativas, é um organizador de contextos de conversações que
busca saídas ou ações eficazes para um sistema paralisado em algum
momento do seu desenvolvimento, e, principalmente, propõe-se a aprender a
falar a língua do sistema familiar, respeitar seus valores e ajudar a construir
novas narrativas pautadas nos recursos, e não nos déficits.

02. Fale os comportamentos e funcionamentos da família e do terapeuta


para identificar os problemas nas relações entre os membros do sistema
e atuar na promoção de mudanças e dissoluções dos problemas.

A prática de escuta do profissional e suas reflexões são instrumentos que


contribuem para que os membros do sistema familiar percebam e utilizem este
formato para se relacionar. A abertura do diálogo, a manutenção de uma
postura colaborativa dando voz a todos, a inclusão das histórias periféricas, o
uso de perguntas reflexivas e de futuro e a empatia na escuta do outro são um
conjunto de ingredientes que favorecem as mudanças do sistema terapêutico.
Na prática, é reconhecido o movimento do sistema quando seus membros
trazem questões em que a disputa do lugar da verdade já não é o elemento
principal, mas sim a busca de se colocar e se reconhecer como parte do
sistema e o interesse na construção de outras posições, sem precisar abrir
mão de suas experiências singulares.
Segundo Anderson (1996), é possível olhar para si próprio como pessoa e
profissional e para o outro (usuário), de forma a favorecer o diálogo,
valorizando a escuta do usuário, convidado os a participar dos cuidados de
suas questões (saúde, relacionamento, dilemas), levando-os a um lugar em
que possam se unir com o terapeuta, de modo que seja útil para suas vidas.
O papel terapêutico sistêmico inclui uma escuta atenta, curiosa, e ações, que,
mais do que afirmar ou apresentar respostas, ajudem o cliente a olhar para
aspectos esquecidos, periféricos e não valorizados de sua história pessoal e
familiar, que podem ser explorados, ampliados e eventualmente ser
transformados em recursos para mudanças.
Valorizando e abrindo espaço para todas as vozes, em busca de capacidades
e experiências que sejam uma exceção aos relatos saturados de déficits e
problemas.
Saindo do lugar de observador neutro, do especialista em identificar e tratar
defeitos e patologias, e ocupando a posição de um facilitador de conversações
inovadoras e libertadoras, que ajudem o sistema a sair de situações
emperradas e possa movimentar-se em direção a novas interações, com
mudanças e novos significados para o que foi vivido como problema.

03. Fale sobre a Terapia de Casal e a Terapia de Famílias com crianças


pequenas.
Ao longo da história da humanidade, por motivos que variaram de lutas pela
sobrevivência, interesses familiares, religiosos, econômicos, políticos e até
sentimentais, homens e mulheres têm se unido em uma organização social
chamada casal. E os casais não se limitam à união de pessoas de sexos
biológicos diferentes. Quaisquer que sejam os motivos, o fato é que os casais
continuam se unindo, formalmente ou não, estabelecendo uma vida a dois que,
além da intimidade sexual, envolve uma série de outros fatores. O casamento
é a construção de um novo núcleo familiar e implica, entre outras tarefas, em
um afastamento das famílias de origem.
São muitos os motivos que podem fazer com que um casal procure terapia:
frustração das expectativas sobre o casamento, conflitos com as famílias de
origem, divergências sobre a educação dos filhos e frequentemente a
ocorrência de traições.
Especificamente no caso de relações extraconjugais, é de suma importância
explicitar logo no início que a responsabilidade maior é a de quem traiu. Mas
ao mesmo tempo é importante investigar se o outro cônjuge, embora vítima de
uma ação do outro, possa involuntariamente ter colaborado para o evento
ocorrido. Não se trata de culpabilizar a vítima, mas de aproveitar o fato de
continuarem juntos para rever e reformular a relação.
Costuma se enfatizar que, embora o melhor dos mundos seja aquele em que
as pessoas que se querem bem vivam juntas e bem, o objetivo da terapia não
é a união ou a separação do casal. Esta decisão caberá aos clientes. O papel
da terapia é ajudá-los a ter uma conversa diferente, na qual ambos possam
falar e ser ouvidos, cabendo ao terapeuta o lugar de um observador
participante, que pode e deve fazer perguntas, propor temas para discussão e
acima de tudo ajudá-los na revisão e construção de um novo casamento.
Quando a conversa terapêutica é com famílias com crianças, o primeiro passo
é incluí-las, acreditando que o terapeuta possui um potencial de compreensão
da criança e do criancês. Trata-se de utilizar a capacidade e disponibilidade de
aprender aquilo que o outro, no caso a criança, tem para nos oferecer. O
terapeuta deve estar disposto a se perceber como uma pessoa desconhecida,
que pretende ajudar aquela criança e família no seu problema, que em geral é
algo que preocupa muito mais os pais, que acham que algo está errado com
seu filho e que usam palavras estranhas, difíceis de serem compreendidas pela
criança que está na berlinda.
Para incluir crianças na conversa terapêutica é necessário conhecer e respeitar
suas formas de expressão, o seu idioma, esclarecer o que é espaço
terapêutico e quem é o terapeuta; o que acontecerá naquele e nos demais
encontros. É necessário que o terapeuta tenha claro o seu papel de
colaborador na construção do pedido da criança para a terapia, tão válido
quanto os pedidos dos adultos.
As crianças experimentam sons e movimentos, imitam, repetem, improvisam e
exploram o mundo, muito mais que os adultos, o que pode ser transformado
em recursos terapêuticos.
O brincar na terapia sistêmica pode ser visto como uma maneira de
experimentar as relações competitivas e de cooperação e trabalhar com
nossas reações frente ao conhecido e ao desconhecido. Pode ser considerado
como uma maneira de ensaiar e viver ao mesmo tempo. Neste sentido, toda
terapia pode ser uma brincadeira, um recorte da vida no qual se pode construir
e projetar a própria vida.
O processo terapêutico deve considerar: lidar com diagnósticos rótulos;
reconhecer os conceitos prévios sobre o problema; tentar conciliar as diversas
narrativas em relação ao problema, focar no pedido; incluir o novo a própria
terapia na rotina da criança e da família; implicar cooperativamente a família na
história do problema; incluir os pais e/ou responsáveis no atendimento. Em
algumas situações, é preciso incluir a rede social e de serviços,
antecipadamente acordado com o sistema familiar.

Referência: Seção 4.1 Postura Profissional; 4.2 Etapas e Cuidados; 4.3 Modalidades de Terapias
Sistêmicas In: CESAR, Claudia Cacau Furia C421t Terapia familiar sistêmica / Claudia Cacau
Furia Cesar, Juares Soares Costa. – Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018.
280 p. 05/11/2021