Biliguismo Beatriz 3º Ano

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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Faculdade de Ciências de Educação

Curso de Licenciatura em Ensino de Português

Bilinguismo

Beatriz Massassane Chival: 41190407

Maxixe, junho, 2022


INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Departamento de Ciências de Educação

Curso de Licenciatura em Ensino de Português

Bilinguismo

Trabalho de Campo a ser


submetido na Coordenação do
Curso de Licenciatura em Ensino
de Português da UnISCED.

Tutor: Florentino Maria

Beatriz Massassane Chival: 41190407

Maxixe, junho, 2022

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Índice

Introdução...………………………………………………………………………………………………4

Objectivo Geral.…………………………………………………………………………………………4

Objectivos Específicos...………………………………………………………………………………4

Metodologia...……………………………………………………………………………………………4

Bilinguismo.………………………………………………………………………………………………5

Dimensões de Bilinguismo.…………………………………………………………………………7
Interferência………………………………………………………………………………………………7

Alternância de códigos.…………………………………………………………………………………8

Conclusão.…………………………………………………………………………………………………9

Referencias bibliográficas...…………………………………………………………………………10

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Introdução
O conceito de bilinguismo é complexo e pode envolver várias dimensões na sua definição,
nomeadamente, a competência bilingue em usar duas ou mais línguas e o contexto em
que elas são utilizadas. Falar em bilinguismo pressupõe de imediato múltiplas
interpretações vindas dos mais variados quadrantes. Restringimos a definição de
bilinguismo a duas vertentes: (1) encarar o bilingue como um falante com uma
configuração única e específica, considerado como um todo (Grosjean, 1982; 1985) e (2)
perspectivar o bilingue tendo em conta o papel desempenhado pela
aquisição/aprendizagem da sua segunda língua. O bilingue está, segundo Dufour e Kroll
(1995), num continuum de aprendizagem da segunda língua, sendo um perfeito
conhecedor dela, mas não necessariamente fluente nas duas.

Objectivo geral:

o Estudar o Bilinguismo.

Objectivo específico:

o Explicar a sua interferência;


o Conhecer as dimensões do bilinguismo;
o Explicar a sua alternância de códigos;

Metodologia:

Vários foram os métodos aplicados para dar à luz a este trabalho de campo como a
consulta de diversos manuais desta cadeira, a consulta feita com base em referências
bibliográficas recomendadas por alguns docentes e por fim a consultas feitas com base
no auxílio da Internet.

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Bilinguismo

O bilinguismo é um fenômeno existente desde o começo da linguagem da humanidade.


A história das línguas associa-se profundamente à existência do povo que a fala. Há muito
para ser discutido acerca deste assunto; apesar de o tema estar em alta, diferente do que
se pensa, definir o que é bilinguismo ainda pode ser uma tarefa árdua, devido às diversas
definições literárias que se encontram sobre o assunto.

Segundo o dicionário Macmillan English (2014), bilíngue é definido como: “bilíngue é


aquele capaz de falar duas línguas extremamente bem” (Someone who is bilingual is able
to speak two languages extremely well). Bloomfield (1933), citado por Marcelino (2009,
p. 03), também compartilha desta visão de bilinguismo ao afirmar que:
No caso extremo de aprendizagem de línguas estrangeiras, o sujeito torna-se tão eficiente
como o falante nativo em volta dele. Nos casos de aprendizagem perfeita, de línguas
estrangeiras, não é acompanhada da perda da língua nativa, resulta em bilinguismo,
controle nativo das duas línguas.

O indivíduo bilíngue deve administrar de maneira igual e perfeita as duas línguas que
domina, ou seja, deverá haver a junção de dois monolíngues em um único ser
(BLOOMFIELD,1933, apud MARCELINO, 2009, p.03).
Em uma crítica categórica a essa definição de bilinguismo, Grosjean (1985, 1994, 2001,
apud BAKER, 2006), acredita que tanto para bilíngues como para multilíngues a fluência
em duas línguas é o factor mais importante na descrição de um indivíduo bilíngue.
Outros autores discordam da definição dada por Bloomfield (1933), como por exemplo
Bhatia e Ritchie (1996), que asseguram ser irreal o controle nativo em duas línguas,
afirmando que o bilinguismo em sua forma ideal raramente é conquistado.

Procurando um conceito mais próximo da nossa realidade podemos citar Marcelino


(2009, p.03), que argumenta que essa definição de bilíngue não agrada os indivíduos que
acreditam que ser bilíngue está relacionado com crescer falando duas línguas, parece não
haver uma distinção entre crescer bilíngue e nascer bilíngue e ser um bilíngue fluente.
De acordo com Baker (2006):
A distinção fundamental é entre a habilidade bilíngue e o uso bilíngue. Alguns bilíngues
talvez sejam fluentes em duas línguas, mas raramente usam as duas. Outros talvez sejam
menos fluentes, mas usam suas duas línguas regularmente em diferentes contextos.

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Dimensões de Bilinguismo
É possível mencionar diversas outras definições para o que é bilinguismo, mas daremos
continuidade a este trabalho com base no que Baker (2006) apresenta como “Some
Dimensions of Bilingualism”, ou Algumas Dimensões de Bilinguismo. Por meio de uma
visão conjunta dessas dimensões é possível analisar os bilíngues. Apresentaremos
resumidamente algumas dimensões propostas por Baker (2006):
1. Habilidade: alguns bilíngues habilidosamente falam e escrevem em ambas as
línguas (competência produtiva), outros são bilíngues passivos e tem habilidade
receptiva (entendimento e leitura). Habilidade é uma consequência contínua com
domínio e desenvolvimento variando de pessoa para pessoa.
2. Uso: os locais onde a aquisição de cada língua ocorre varia (exemplos: casa,
escola, trabalho, viagens). Os diferentes idiomas que um sujeito fala normalmente
é utilizado para diferentes propósitos.
3. Balanço entre os dois idiomas: raramente bilíngues e multilíngues possuem
habilidades iguais em ambas as línguas. Normalmente um idioma é predominante.
4. Idade: quando uma criança aprende dois idiomas desde o nascimento, isso é
normalmente chamado de bilinguismo simultâneo ou infantil. Se uma criança
aprende uma segunda língua depois, com cerca de três anos de idade, é chamado
de bilinguismo consecutivo ou sequencial.
5. Cultura: é possível que bilíngues tornem-se bilculturais/multiculturais, quando a
aprendizagem do idioma vem acompanhada de uma abordagem cultural,
estreitando laços e trocas culturais.
6. Contexto: alguns bilíngues vivem em regiões onde têm a oportunidade de utilizar
dois ou mais idiomas em seu dia a dia. Outros vivem em regiões onde não há essa
oportunidade de troca cultural e utilizam com menor frequência algum de seus
idiomas.
Concepções multidimensionais não são somente embasadas nas teorias de
comportamento linguístico, mas levam em consideração também a transdisciplinaridade,
utilizando noções de diversas áreas do conhecimento como: sociologia, sociolinguística,
política, geografia, educação e psicologia social.
Concordando com Baker, Gupta (2007, apud PERSON, 2008) afirma que o
multilinguismo é um facto da vida que deve ser visto como benéfico, já que em países
menos desenvolvidos, como Índia e Singapura, são raros os casos de crianças que chegam
a idade escolar monolingues.

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Marcelino (2009, p. 06) aproxima-se da classificação de bilíngues e multilíngues
defendida por Baker (2006), dispondo-os da seguinte maneira:
1. Bilíngues simultâneos: crescem em contato com duas línguas desde a primeira
infância, e têm maior chance de se tornarem falantes nativos em duas línguas;
2. Bilíngues consecutivos: os que aprendem o segundo idioma em um contexto
diferente de escola bilíngue, possivelmente em escola de idiomas, com aulas duas
vezes por semana.
3. Bilíngues consecutivos de infância: o mais provável de surgir como resultado da
educação bilíngue, o aprendiz desenvolve o segundo idioma em um contexto
onde a língua é utilizada como veículo de comunicação, forma de constituição e
de obtenção de conhecimento. Não é apenas utilizada como o objecto de estudo
em si, mas passa a ser, em grande parte, a língua de instrução também.

Interferência
Só o facto de existirem duas línguas numa sociedade não é motivo para que as duas
línguas se modifiquem, uma por influência da outra. Mas é verdade que, quando duas
línguas convivem por muito tempo, pode haver mudanças nas duas, por causa desse
convívio. Essas mudanças acontecem porque em qualquer comunidade bilíngue sempre
há pessoas bilíngues.

Às vezes, como já vimos, muitas pessoas são bilíngues numa comunidade. As mudanças
linguísticas começam nos cérebros e na fala dessas pessoas bilíngues. Isso acontece por
vários motivos, mas podemos apontar dois. Primeiro, as pessoas bilíngues podem não ser
igualmente proficientes nas duas línguas, como já vimos.

Quando uma pessoa está falando uma língua que não conhece perfeitamente bem, ela nem
sempre se limita a falar só aquilo que sabe falar bem na segunda língua (às vezes é muito
pouco!); muitas vezes ela quer falar uma coisa e inventa uma maneira de falar aquilo na
segunda língua, baseada no seu raciocínio na primeira língua, adaptando palavras e
estruturas gramaticais da primeira língua.

Essa é uma estratégia comunicativa muito útil, porque às vezes funciona! Se só houver
alguns bilíngues numa comunidade, esses "erros" de pronúncia e de gramática não irão
ter nenhum efeito sobre a língua. Mas quando toda uma comunidade de pessoas bilíngues
usa essas estratégias, algumas pronúncias "criativas" e estruturas "tortas" vão ser ouvidas

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com muita frequência na segunda língua. As crianças crescendo e aprendendo essa
"mistura" como sua primeira língua podem integrar essas novidades à sua gramática da
língua, mudando assim a língua falada como primeira língua.

Pode parecer que qualquer contacto entre línguas envolvendo pessoas bilíngues resulte
necessariamente na aproximação das gramáticas das duas línguas. Mas isso não acontece!
Existem outros factores que influenciam esse processo de mudança da gramática de uma
língua que vamos estudar mais tarde. A segunda fonte de interferência na fala de uma
pessoa bilíngue é consciente.

Como a pessoa bilíngue tem acesso a dois vocabulários, às vezes ela pode achar que a
palavra na língua que está falando não expressa exatamente o que quer dizer, mas que
uma palavra em outra língua, sim, expressa sua idéia perfeitamente. Se ela está falando
com outras pessoas bilíngues, ela pode usar a palavra da segunda língua no meio da sua
fala e continuar sendo perfeitamente compreendida. Esse fenômeno pode resultar em
empréstimos.

Alternância de códigos
Um fenômeno parecido com a escolha de uma palavra de outra língua no meio da fala é
um fenômeno chamado alternância de códigos. Esse fenômeno é muito comum em grupos
de pessoas bilíngues. Essas pessoas podem desenvolver o hábito de alternar a língua que
estão falando, não de acordo com a pessoa com quem elas falam, mas de acordo com o
assunto, ou mesmo por causa do efeito retórico ou emocional que querem atingir.

Como isso acontece sempre entre bilíngues, a comunicação não é afectada. Esse jeito de
alternar os códigos no meio de uma mesma conversa é usado muitas vezes como marca
de identificação por grupos de bilíngues equilibrados, como por exemplo, a comunidade
de crianças brasileiras em São Paulo que cresceram em famílias de língua inglesa e
estudaram em escolas de língua inglesa. Isso também pode ser constatado entre surdos
oralizados bilíngues em libras e português. Quando eles conversam uns com os outros,
pode haver alguns momentos em que uma língua ou a outra parece mais adequada para
expressar o que querem dizer, e naquele ponto da conversa podem alternar os códigos.

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Considerações Finais

Findo a pesquisa deste trabalho de campo referente ao bilinguismo concluí que bilíngue
é aquele capaz de falar duas línguas extremamente bem” (Someone who is bilingual is
able to speak two languages extremely well). Bloomfield (1933), citado por Marcelino
(2009, p. 03), também compartilha desta visão de bilinguismo ao afirmar que:
No caso extremo de aprendizagem de línguas estrangeiras, o sujeito torna-se tão eficiente
como o falante nativo em volta dele. Nos casos de aprendizagem perfeita, de línguas
estrangeiras, não é acompanhada da perda da língua nativa, resulta em bilinguismo,
controle nativo das duas línguas. O indivíduo bilíngue deve administrar de maneira igual
e perfeita as duas línguas que domina, ou seja, deverá haver a junção de dois monolíngues
em um único ser (BLOOMFIELD,1933, apud MARCELINO, 2009, p.03).
Em uma crítica categórica a essa definição de bilinguismo, Grosjean (1985, 1994, 2001,
apud BAKER, 2006), acredita que tanto para bilíngues como para multilíngues a fluência
em duas línguas é o factor mais importante na descrição de um indivíduo bilíngue. Quanto
Alternância de códigos entende que é um fenômeno parecido com a escolha de uma
palavra de outra língua no meio da fala é um fenômeno chamado alternância de códigos.
Esse fenômeno é muito comum em grupos de pessoas bilíngues. Essas pessoas podem
desenvolver o hábito de alternar a língua que estão falando, não de acordo com a pessoa
com quem elas falam, mas de acordo com o assunto, ou mesmo por causa do efeito
retórico ou emocional que querem atingir

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Referências Bibliográficas

CALVET, Louis-Jean. Sociolingüística: uma introdução crítica. Parábola Editorial, 2002.

CALVET, Louis-Jean. As políticas lingüísticas. Parábola Editorial, 2007.

FARACO, Carlos Alberto (Org.). Estrangeirismos: guerras em torno da língua. Parábola


Editorial, 2001.

TARALLO, Fernando; ALKMIN, Tania. Falares crioulos: línguas em contato. Editora


Ática, 1987.

CAMACHO, Roberto G. Sociolinguística - parte I. In: MUSSALIN, Fernanda; BENTES,


Anna Christina (Org.). Introdução à linguística: domínios e fronteiras. 5. ed. São Paulo:
Cortez, 2005. v. 1.

CEZARIO, Maria Maura; VOTRE, Sebastião. Sociolinguística. In: Manual de linguística.


São Paulo: Contexto, 2009.

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