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RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM FILOSOFIA

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA

GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

CAMPINA GRANDE 2011

GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

Relatório Final apresentado como requisito parcial para avaliação da disciplina de Estágio

Supervisionado de Filosofia II do Curso de Graduação em Filosofia – Licen
UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA

GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

CAMPINA GRANDE 2011

GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

Relatório Final apresentado como requisito parcial para avaliação da disciplina de Estágio

Supervisionado de Filosofia II do Curso de Graduação em Filosofia – Licen

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA

GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

CAMPINA GRANDE 2011

GILMAR DE SOUZA BARBOSA VASCONCELOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE FILOSOFIA

Relatório Final apresentado como requisito parcial para avaliação da disciplina de Estágio

Supervisionado de Filosofia II do Curso de Graduação em Filosofia – Licenciatura da UEPB/ Campus de Campina Grande

Orientadora: Profa. Ms. Rosemary Marinho da Silva

CAMPINA GRANDE 2011

AGRADECIMENTOS

Em tudo dando sempre graças a Deus por nosso Senhor Jesus Cristo e por sua fidelidade, ainda que sejamos infiéis, por ter sempre nos abençoados no desenvolvimento das atividades propostas. Agradeço também a minha orientadora Professora Rosemary Marinho que não poupou esforços e sempre me incentivou nos momentos difíceis. Ao professor Ayice Chaves que nos recebeu muito bem, cedendo espaço em suas turmas para o desenvolvimento do nosso trabalho e não somente isso nos orientou e nos incentivou a prática do ensino; mas que um orientador tornou-se um amigo. Meus agradecimentos também se estendem a turma do 3° ano C do Estadual da Prata, que foram importantíssimos para a realização desse estágio. Por fim meus agradecimentos a todos os meus colegas estagiários e amigos que de alguma forma contribuíram para a melhoria de meus conhecimentos teóricos e práticos durante minha vida acadêmica.

SUMÁRIO
RESUMO ............................................................................................................................ 05 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 06 1. CARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO PEDAGÓGICO ..................................................... 07 1.1. ORGANIZAÇÃO GERAL ............................................................................................ 07 1.2. ESTRUTURA ADMINISTRATIVA PEDAGÓGICA .................................................. 09 1.3. PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA ................................................................. 09 1.4. HISTÓRICO DA ESCOLA ........................................................................................... 10 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................... 11 2.1. O CENÁRIO DAS LEIS QUE REGEM A EDUCAÇÃO BRASILEIRA .................... 12 2.2. PRESENÇA/AUSÊNCIA DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO NAS DÉCADAS DE 60 E 70 ........................................................................................................ 13 2.3. O PAPEL DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO ....................................................... 15 3. REFLEXÕES FILOSÓFICAS ACERCA DO ENSINO DE FILOSOFIA ....................... 18 3.1 FILOSOFIA E “SER CIDADÃO” ................................................................................. 18 3.2. A IMPORTÂNCIA DA CONCEITUALIZAÇÃO FILOSÓFICA PARA O ENSINO DE FILOSOFIA ................................................................................................................... 21

4. RECOMENDAÇÕES METODOLÓGICAS ................................................................... 23 4.1. O INÍCIO DE “TUDO” .................................................................................................. 23 4.2. OS DESAFIOS E A SUPERAÇÃO ............................................................................... 23 CONCLUSÃO ................................................................................................................... 26

REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 27 ANEXOS ................................................................................................................... 28

RESUMO

O presente relatório de Estágio Supervisionado II em Filosofia descreve em seu conteúdo os eventos e atividades relacionadas às experiências vividas durante o período de atividade prática que aconteceu na E.E.E.M.E.P. Dr. Elpídio de Almeida, no bairro da Prata, Campina Grande. E faz também uma abordagem teórico-filosófica acerca da importância do ensino de filosofia para a formação do cidadão, trás para a discussão filósofos da educação, como Platão, Deleuze e outros. E através do que tais filósofos pensaram desenvolve-se no texto argumentos que põe em evidência a atual situação do ensino de filosofia e ainda põe sugestões que apontariam para uma atividade filosófica que estivesse apoiada naquilo que a filosofia de fato é especialista, que seja, criar conceitos, uma proposta de um ensino de filosofia que trabalhe conceituação como forma de colaborar para a educação real do cidadão. Pois, A Filosofia como matéria de ensino, sua história e questões metodológicas, refere-se a uma abordagem que visa tratar de modo panorâmico sobre como se realizou. E tem se realizado o ensino de filosofia nas escolas de nível médio no Brasil.

Palavras-Chave: Ensino, Filosofia, Educação, Conceitos.

INTRODUÇÃO A presente atividade propõe-se entre outros objetivos tratar dos assuntos que dizem respeito ao espaço pedagógico onde se desenvolveu o Estágio Supervisionado II do Ensino de Filosofia. Bem como se propõe a discutir algo que se mostra de uma grande relevância diante das atuais necessidades de justificativas para a presença da filosofia no Ensino Médio, pois o mesmo trás em seu cerne a discussão a cerca da importância que a filosofia tem no âmbito da formação do cidadão e qual o seu papel nesse processo. Para isso aborda-se na sua fundamentação teórica o processo de formação das Leis que determinaram sua saída e seu regresso como disciplina aos currículos escolares nos estabelecimentos de ensino no País, bem como a sua presença nas décadas de 60 e 70. Também revela-nos o papel que está teve e tem no processo de educação no Ensino Médio. No que diz respeito à fundamentação filosófica essa atividade aborda as questões referentes ao “SER CIDADÃO”, e num segundo momento mostra-nos a importância da conceitualização como objeto da filosofia no ensino e seu papel inerente a essa.

1. CARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO PEDAGÓGICO 1.1 ORGANIZAÇÃO GERAL

1.1.1. Identificação da Unidade Escolar    

Escola Estadual de Ensino Médio E Educação Profissionalizante Dr. Elpídio de Almeida – Estadual da Prata. Entidade mantenedora: Governo do Estado da Paraíba. CNPJ: 05.304.698/0001-52 Localização: R. Duque de Caxias N° 235, Prata, CEP 58400-506, Fone: 3321-3265 Campina Grande – PB, http://www.colegiodaprata.xpg.com.br/.

1.1.2. Caracterização da Estrutura Funcional da Escola    Níveis de ensino: Ensino Médio e Profissionalizante. Modalidades Especiais: Ensino Médio integrado ao Profissionalizante. Quantidade de alunos por turma e turno: com 28 turmas no horário da manha, 22 à tarde e 15 no período da noite, o corpo discente tem em média com 40 alunos por sala de aula. Horário de funcionamento da escola: 07h00min às 12h00min horas, 13h00min às 17h00min, e 18h00min às 22h00min.

1.1.3. Caracterização do Público Participante Escola  Perfil geral dos alunos e familiares: com uma faixa etária entre 14 e 18 anos, o nível socioeconômico desses alunos é médio, com algumas exceções ao nível baixo.

1.1.4. Caracterização dos recursos: humanos, administrativos, didáticos e outros.  Espaço físico da escola: com uma ótima estrutura física e acessibilidade à cadeirantes e pessoas com outras necessidades especiais, a escola oferece um número grande de salas de aulas. Salas essas que são amplas e arejadas, iluminadas, mas carecia de estruturas antirruídos. Os alunos podem estudar na biblioteca que tem um acervo razoável, com ambiente adequado as necessidades mais urgentes. Há também um laboratório de informática e uma área para esportes com quadra e campo de futebol.

Departamentos: há um conselho escolar formado por presidente, vicepresidente, tesoureiro, secretário representante dos professores,

representantes dos funcionários, representantes dos alunos e representantes dos pais. Todo o conselho se volta para determinar às datas de reuniões com os pais, comunicação do desempenho dos alunos por meio de boletim escolar, a comunicação das supostas faltas dos alunos e principalmente o desenvolvimento do diálogo com a família e acima de tudo, o acolhimento para a participação nas atividades da escola.

Recursos Humanos: o corpo administrativo é formado por uma diretora geral, duas diretoras adjuntas, um secretário geral e coordenadores que são designados pelos professores de cada área (conjunto de disciplinas afins). Com um corpo de funcionário de: cinco inspetores, três bibliotecárias, quatro merendeiras, cinco porteiros, cinco auxiliares de serviços gerais, cinco zeladores e dois vigilantes. A equipe de especialistas da escola é forma por dois orientadores educacionais, dois supervisores educacionais, um psicólogo escola, um assistente social e um nutricionista que trabalha no nível técnico.

Recursos didáticos: a escola dispõe de laboratório de informática, sala de vídeo, biblioteca e ambientes para jogos.

1.1.5. Articulação da instituição com a Comunidade  Caracterização geral da comunidade: localizado num bairro nobre da cidade, o bairro da prata, a escola serve como ponto de referência a todos que desejam se locomover entre as várias clínicas e hospitais situados no seu entorno. Com um fácil acesso e trânsito intenso, as ruas no período da noite são bem iluminadas facilitando o desenvolvimento do transporte público nas imediações. 

Convênios: O PDDE- Plano Dinheiro Direto na Escola (do Governo) é a principal fonte de recurso para manutenção da mesma. Uma das políticas

da instituição está voltada ao incentivo à capacitação dos professores, atendendo às determinações do PDDE. A administração tem procurado manter sempre, uma boa abertura aos alunos. Sua coordenação também se disposições ao diálogo com a 3ª região de ensino e SEC (estadual). 1.2 ESTRUTURA ADMINISTRATIVA – PEDAGÓGICA 1.2.1 Regimento Escolar e Regulamento Interno: a escola oferece uma proposta pedagógica curricular onde o aluno é inserido diretamente nela, para que a construção do projeto político pedagógico se dê dentro da própria escola com a participação de todos. A escola ainda conta com um regimento escolar de normas e regras direitas com os deveres dos alunos e dos demais profissionais. 1.2.1.1. Calendário escolar: o calendário escolar que vai de fevereiro a dezembro e com um sistema de avaliação bimestral. No total, os dias letivos são 208. 1.2.2  Planejamento

Plano escolar: Os eventos que a escola promove estão de acordo com o planejamento que, por sua vez, está em comunicação direta com os alunos, professores, pais e funcionários.

1.2.3 

Reuniões

De pais e professores: As reuniões com os pais acontecem uma vez a cada semestre.

1.3. PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA 1.3.1. Projeto Político pedagógico da Unidade de Ensino: Atualmente o ensino vem tomando uma dimensão mais significativa no universo do aluno, onde suas experiências e seu conhecimento de mundo têm maior importância. A importância da conscientização do individuo e o seu crescimento como sujeito político, social e transformador, o que supõe a democratização dos conteúdos

nos levando a necessidades de um planejamento participativo, visando a realização e a transformação da comunidade na qual está inserida. Esta proposta de propões a compreender alguns fatores que afetam a aprendizagem do aluno, de modo a encontrar novas alternativas para diminuir ou até mesmo contribuir para a extinção de evasão escolar, partindo do princípio de que se faz necessário uma mudança efetiva na prática pedagógica, tornando uma educação escolar mais humana e mais participativa, determinando metas, ações, prazos e responsáveis. (mais informações em anexo)

1.4. HISTÓRIA DA ESCOLA 1.4.1. Data da Fundação: no dia 31 de janeiro de 1953, que o atual governador o Dr. José Américo de Almeida veio pessoalmente e inaugurou em Campina Grande o estadual da prata com o decreto Nº 456 de 18/07/1952, que autorizava o seu funcionamento e com a Resolução Nº 145/95 do CEE que reconheceria o funcionamento da E.E.E.M Dr. Elpídio de Almeida.

O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA PARA A FORMAÇÃO DO CIDADÃO

2.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Para que possamos abordar esse tema com maior precisão devemos partir da

analise do que está presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, ou das Leis de Diretrizes e Bases - LDB. Esses documentos foram desenvolvidos com a proposta de facilitar e melhorar a qualidade da educação no ensino fundamental e médio.

2.1. O CENÁRIO DAS LEIS QUE REGEM A EDUCAÇÃO BRASILEIRA Os PCNs Elaborados a partir da análise das sugestões de docentes de universidades públicas e particulares, técnicos de Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, bem como de instituições representativas de diferentes áreas do conhecimento, especialistas e educadores, estendidos ainda em encontros regionais organizados pelas delegacias do Ministério da Educação - MEC nos Estados da Federação onde também tiveram participação professores, técnicos de Secretarias municipais e Estaduais e representantes de entidades ligadas ao ensino. São resultado de todas as discussões e propostas que contribuíram para a reelaboração do currículo escolar que já não atendia as necessidades da realidade técnico - científica atual e da condição social do cidadão. Então, partindo-se do entendimento de que as constatações sobre as mudanças e evoluções que ocorreram no conhecimento no que diz respeito às produções e relações sociais em geral, demandavam uma renovação no currículo das escolas brasileiras, pois se percebeu que o modelo tecnicista vigente de educação não mais satisfazia as necessidades para a sociedade atual, qual seja, da década de 90 que foi quando efetivamente se revelou essa nova necessidade que surge por conta das novas tecnologias que eram e são constantemente superadas, e exigem não mais uma formação especializada que acumule conhecimentos em determinada área do saber, mas uma formação que permita ao cidadão dialogar, utilizar e refletir sobre as diferentes áreas do saber. Daí então surge à proposta de uma formação geral do cidadão, não mais específica como foi nas décadas anteriores. Pois como podemos constatar ao fazermos uma consulta a LDB, encontramos na Lei n° 5.692/71 que o 2° grau caracterizava-se

basicamente por duas finalidades “preparar para o prosseguimento dos estudos e habilitar para o exercício de uma profissão técnica”. Foi essa a base para o ensino por décadas. Diante da necessidade evidente de uma reforma nos Parâmetros Curriculares Nacionais, tendo-se depois de muitos debates acerca desse assunto elaborando-se as reformas necessárias. Em 1996 entrou em vigor a Lei n° 9.394/96, que trouxe em seu escopo mudanças significativas, pois “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e a prática social” (Art. 1° inciso 2°) Observadas essas mudanças no cenário das Leis da educação brasileira, podemos então partir para o desenvolvimento do tema proposto, qual seja, “O Papel da Filosofia e sua importância na formação do cidadão”. Uma vez iniciado o processo de mudança, por meio da Lei supracitada o cenário da educação no Brasil nunca mais seria o mesmo, pois diante da necessidade de uma formação cidadã que permitisse uma leitura crítica do mundo e suas mudanças por parte do cidadão fez-se necessário à reintrodução de disciplinas como filosofia e sociologia que já apresentavam sua importância na LDB de 96. Vejamos como o conhecimento desses saberes já aparece como necessárias na formação do cidadão que deveria ter “domínio dos conhecimentos de Filosofia e Sociologia necessários ao exercício da cidadania” (Lei n° 9.394/96 Art. 36. inciso 1°. Item. III). E introduzidas definitivamente em 2008, através da Lei n° 11.684/08 que no Art. 1° do Item I, altera o Art. 36 da Lei n° 9.394/96, as quais passam a vigorar da seguinte maneira: “serão incluídas a filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio” (Art. 1°, Item IV). Vimos então que diante do panorama da educação pragmática e tecnicista vividos no Brasil, o ensino de filosofia tem sua importância evidenciada pela obrigatoriedade de sua presença no currículo do ensino médio.

2.2. PRESENÇA/AUSÊNCIA DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO NAS DÉCADAS DE 60 E 70 Muito se têm especulado sobre a retirada da filosofia dos currículos de ensino durante o período militar, os argumentos de que a causa de sua retirada esteja ligada a sua prática crítica e opinativa que teria sido considerada segundo acreditam subversiva são as mais frequentes como encontramos na maioria das literaturas que tratam do tema,

como por exemplo, no livro: A filosofia e seu ensino Caminhos e sentidos, o professor Renê José Trentin Silveira faz uma citação do professor Álvaro Valls, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que evidencia o exposto, veja:

Na época da ditadura e da ideologia profissionalizante do capital humano, a filosofia foi considerada subversiva e inútil. Não se desejava um pensamento crítico para a juventude [...] Os melhores professores foram cassados, a filosofia desapareceu dos vestibulares, as disciplinas dogmáticas e ideológicas trataram de preencher o espaço antes aberto à discussão crítica (apud CEPERGS 1987).

Esse pensamento é defendido quase por unanimidade, mas, existem estudiosos que discordam quanto à verdade dessa justificativa, apelando para outras que não estariam ligadas necessariamente a postura subversiva da filosofia, qual seja, o argumento de que a filosofia teria sido removida do ensino médio por não atender as demandas da política econômica estabelecida no País. Nessa linha de pensamentos encontramos uma citação feita pelo professor Renê na mesma Obra supracitada da professora Maria Célia Simon, da Universidade Santa Úrsula do Rio de Janeiro:

Muito já se discutiu sobre as razões que teriam levado ao afastamento do ensino da filosofia do 2° grau. Na opinião de alguns, seria a “ameaça” que o ensino da filosofia passou a significar dentro do nosso contexto sociopolítico vigente a partir de 1964. Mas será que, realmente, esse ensino, tal como era ministrado nas escolas de 2° grau no Brasil, significava uma ameaça? É pouco provável. Talvez. Essas pessoas tenham se esquecido do papel submisso que, de modo geral, a filosofia desempenhou no Brasil e lembram-se apenas de privilegiar o seu lado crítico e libertador (SIMON 1986, p.19).

Porém, deixando as questões que dizem respeito à retirada da filosofia do Ensino Médio voltamo-nos para o real, para o que tivemos de concreto em toda essa discussão: a retirada da filosofia dos currículos independentemente dos porquês. Possivelmente encontremos uma justificativa para o afastamento da disciplina de filosofia, bem como de outras das conhecidas ciências humanas; no plano desenvolvido pelo País para assegurar o desenvolvimento e a segurança, conhecido como Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento (DSND), que se baseava na tese de que, segurança interna e desenvolvimento econômico de um país não podem ser concebíveis separadamente. Para que desenvolvessem seus projetos trabalhavam regidos por conceitos e princípios doutrinários, vejamos alguns dos principais: a) “Guerra subversiva” ou “guerra revolucionária”- trata-se de um conflito interno onde parte da população busca a queda do governo. Era a que mais preocupava os militares brasileiros. É aqui que planejam a segurança das fronteiras ideológicas, as quais sentiam ameaçadas pelo pensamento comunista. A radicalidade é evidenciada, pois, cada cidadão era visto como um revolucionário em potencial, ou seja, um inimigo interno. É regido por esse princípio que estabelecem a implantação de reformas no ensino de 1° e 2° graus, em resposta a uma suposta propaganda marxista infiltrada no País. b) “Segurança interna” ou “Segurança Nacional”- segurança interna como neutralização de oposição de qualquer natureza. Qualquer atividade que viesse a contestar a política nacional. c) “Desenvolvimento econômico”- com o pensamento de que a segurança interna dependia também do desenvolvimento econômico do País, buscou-se implantar as condições necessárias para isso, para uma promoção da chamada “paz social”, pois indivíduos insatisfeitos com a economia seriam presas fáceis para o comunismo. O processo de industrialização, aproveitamento de recursos naturais e extensão de rede de transporte e comunicação têm grande desenvolvimento nesse período bem como “treinamento de força de trabalho especializada” o que levou o País a adotar um sistema de ensino voltado basicamente para a profissionalização do cidadão, retirando dos currículos disciplinas humanísticas como filosofia, que por conta do processo instaurado no País e a vigente intensificação de acumulação de capital parecia sem utilidade.

Diante do exposto fica evidenciado que embora a retirada da disciplina de filosofia do ensino médio brasileiro não esteja ligado ao seu caráter subversivo, tendo em vista que o ensino de filosofia no Brasil deixava muito a desejar, o fato é que de alguma maneira incomodava e parecia empecilho aos planos do governo militar. Isto vimos claramente quando de sua retirada para implantação de disciplinas mais habilitadas para realizar a contraofensiva do governo a suposta estratégia comunista.

2.3 O PAPEL DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO A filosofia ressurge depois de décadas com a tarefa de colaborar com a formação do cidadão e desenvolver nele a criticidade e o pensamento próprio, vejamos o que nos diz Silvio Gallo, um dos conhecidos filósofos da educação, ao falar sobre o papel da filosofia, ele nos mostra sua importância, pois “oferece aos jovens a oportunidade de desenvolver um pensamento crítico e autônomo. Em outras palavras, a Filosofia permite experimentar um „pensar por si mesmo‟” (GALLO, 2007) 1. Assim cumprindo, o que seria determinado para os alunos do ensino médio pela LDB que diz que ao concluir o ensino médio o jovem deve ter conhecimentos que sejam capazes de lhes possibilitarem “o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual, e o pensamento crítico” (Sec. IV. Art. 35. Item III). Embora como o próprio Gallo comente na obra: FILOSOFIA no ensino médio: temas, problemas e proposta.

Quando tratamos do tema do ensino da filosofia na educação média, somo sempre chamados a justificar sua razão [...] tem sido lugar comum justificar a presença da filosofia no ensino médio por dois vieses [...] para garantir o desenvolvimento da criticidade do estudante [...] para garantir uma interlocução entre as diversas disciplinas (GALLO, 2003, p19).

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Para satisfazer ao pragmatismo presente na educação brasileira e em seus parâmetros esses dois vieses parecem ser suficientes. No entanto, podemos observar ainda na mesma obra Gallo dizer: “penso que essas duas justificativas tomadas em conjunto, são complicadas e, mesmo perigosas” (p.19). Observando que a criticidade possivelmente não é exclusividade da filosofia e, portanto não pode ser o argumento que justifique seu retorno para o ensino médio, embora seja evidente que a crítica é uma das principais características da filosofia. Portanto, esses vieses são aceitáveis enquanto justificativas legais, mas devem ser refletidas por professores e alunos se, de fato, correspondem ao papel e a importância da filosofia para a formação do cidadão. Gallo ainda levanta outro problema ao lembrar que a Lei n° 9.394/96 (LDB) tenta instrumentalizar a filosofia com o fim de estabelecer a cidadania. Ele argumenta que “instrumentalizá-la numa política educacional pode significar, pois, sua própria morte” (p.20). Como poderíamos então justificar a presença da filosofia no ensino médio? Para ele “pela própria caracterização desse nível de ensino”, pois:

sabemos que o ensino médio é conhecido como a etapa terminal da formação abrangente do educando. Ora podemos falar em três grandes áreas do conhecimento humano, fundamentais em todo processo educativo, constituído pelas ciências, pelas artes e pelas filosofias (GALLO, 2003, p.20).

Aqui Gallo cita o pensamento de dois grandes filósofos: Gilles Deleuze e Félix Guattari em “O que é a filosofia?” no qual afirmam que “arte, ciência e filosofia são as três potências do pensamento à medida que permitem o exercício da criatividade” (GALLO, 2007, p.20). Como podemos observar somente uma educação que enfatize essas três potências do conhecimento é capaz de permitir experiências distintas de pensamento criativo, pois só assim teremos condições de fugir do nosso currículo de ensino médio absolutamente científico. Precisamos fugir do conteudismo e do ensino instrumentalizado. Os jovens estudantes do ensino médio precisam conhecer e manter equilíbrio entre os conhecimentos científicos, aprendendo a pensar por meio de suas funções, da arte, por meio da percepção e afetividades e da filosofia, por seus conceitos. Uma vez que possamos oferecer a oportunidade aos estudantes de conhecer essas três potências do saber e desenvolver um equilíbrio entre elas significa proporcionar-lhe

talvez a única oportunidade de encontro com essas experiências. “Daí a importância da presença da filosofia no ensino médio, ela se constitui numa experiência singular de pensamento”. (GALLO, 2003, p.21) Podemos perceber que embora Gallo afirme que as justificativas para o ensino de filosofia como previstas pela Lei sejam perigosas, pois parecem querer instrumentalizála - o que seria a própria morte da filosofia- não reprova a valorização da filosofia na formação do cidadão. O que ele tenta ao fazer algumas críticas é mostrar que quanto a isto a filosofia não é um instrumento de formação, mas uma área do conhecimento humano produzido para juntamente com os conhecimentos das ciências e das artes possibilitar experiências singulares de pensamento criativo. Pois o ensino da filosofia tem seu papel importante enquanto criadora de conceitos, vejamos:

assim, o conceito não deve ser procurado, pois não está aí para ser encontrado. O conceito não é uma „entidade metafísica‟ ou um „operador lógico‟, ou uma „representação mental‟. O conceito é um dispositivo, uma ferramenta, algo que opera no âmbito mesmo dessas condições. O conceito é um dispositivo que faz pensar, que permite, de novo, pensar. O que significa dizer que o conceito não indica, não aponta uma suposta verdade, o que paralisaria o pensamento; ao contrário, o conceito é justamente aquilo que nos põe a pensar. Se o conceito é o produto, ele é também produtor: produtor de novos pensamentos, produtor de novos conceitos; e, sobretudo, produtor de acontecimentos, na medida em que é o conceito que recorta o acontecimento, que o torna possível (GALLO, 2003, p.51-52). Assim na defesa de um ensino de filosofia voltado para a formação de conceitos Gallo acredita que poderá essa mesma filosofia, de maneira efetiva, contribuir para a formação do cidadão.

3.

REFLEXÕES FILOSÓFICAS A CERCA DO ENSINO DE FILOSOFIA

Para uma análise a cerca do ensino de filosofia, e sua importância para a educação do cidadão é interessante partimos de alguns pensamentos que filósofos preconizadores do tema tiveram, os quais ainda nos dias de hoje nos oferecem parâmetros norteadores no que diz respeito à educação filosófica e o seu papel fundamental para uma vida produtiva em sociedade.

3.1. FILOSOFIA E “SER CIDADÃO” Durante todo esse texto vimos analisando sobre a importância da filosofia para a formação do cidadão, interessa-nos então conhecer um pouco do que vem a ser isso que conceituamos com titulo de cidadão. Partindo da definição mais simples encontrada em nossos dicionários podemos sinteticamente falar que, “cidadão é o indivíduo no gozo de seus direitos civis e políticos”. Essa definição não parece ser a mais adequada filosoficamente falando, pois se fossemos tratar o termo sob o olhar da filosofia teríamos certamente outros problemas filosóficos. No entanto, parece satisfazer ao que sugere a LDB quando diz que: A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais (Lei 9.394, 1996, Art. 1°). Sendo assim, podemos entender que a educação forma cidadãos capazes e atuantes em sua sociedade, daí a importância do conhecimento filosófico que o ajudará na tomada de decisões a partir de princípios éticos e morais que possibilitarão então o gozo completo de sua cidadania, (ao menos teoricamente). Como aparece na LDB seção IV Art. 36 inciso 1° Item III que sugere “domínio dos conhecimentos de Filosofia e Sociologia necessários ao exercício da cidadania”. Podemos perceber o caráter formador da filosofia desde os tempos mais antigos. Começando pela Republica idealizada por Platão na Grécia Antiga onde podemos ver com clara evidência a valorização da educação e em especial do ensino de filosofia para aqueles que governariam a cidade tendo seus estudos principiados na mais tenra idade passando pelos estágios infanto-juvenis na educação musical e física, bem como de matemática, astronomia, geometria e estereometria as quais precederiam então o conhecimento dialético. Pois, como acreditava uma cidade ou um cidadão que não tivesse conhecimento filosófico, não poderiam governar o Estado, o que poríamos contextualizar como não teriam condições de exercerem sua cidadania, pois lhes faltaria o conhecimento conceitual mesmo do que seria isso. Vimos ainda, a importância que o mesmo atribuiu à filosofia em todas as suas obras, mas, aqui queremos remeter-nos à apenas uma em especial, intitulada A REPÚBLICA, onde trata de assuntos pertinentes à formação de uma cidade justa e da formação dos cidadãos dessa cidade. Nesse sentido

ele desenvolve suas ideias acreditando que uma das principais atitudes a serem consideradas seria justamente a instituição de um sistema educacional diferente do que vigorava em seus dias, vejamos o que ele mesmo nos diz: “Quando são adolescentes e crianças, devem empreender-se uma educação filosófica juvenil, cuidando muito bem dos corpos, em que desenvolvam e adquiram virilidade, pois eles estão destinados a servir a filosofia” (REP. VI. 498b). Portanto como percebemos claramente a filosofia desde os tempos mais antigos já figurava como uma das bases da educação do cidadão, digo uma das bases por que como podemos observar na obra supracitada não é exclusividade da filosofia a interdisciplinaridade, pois o cidadão precisava ter conhecimentos de outras disciplinas, vejamos “[...] desde criança que devem aplicar-se a ciência do cálculo, geometria e a todos os estudos que hão de preceder a dialética” (REP. VII. 536d). Pois só depois de cumprir esse currículo ele poderia alcançar conhecimento dialético, que propriamente falando em Platão é a arte de discutir, dialogar com os outros, e consigo mesmo. A função da filosofia e dos outros conhecimentos nos dias de Platão parece em sua essência, com os da filosofia, arte e ciências nos dias atuais, pois quanto ao objetivo de tornar o cidadão dialético possibilitando o conhecimento do sumo bem e, portanto de uma vida justa, pode ser comparado àquilo que é proposto ao ensino médio através do ensino de filosofia na atualidade. Pois, que é preparar o jovem para a autonomia intelectual e pensamento crítico, bem como para o exercício da cidadania se não dialética? O processo do conhecimento estabelecido através do diálogo entre todas as disciplinas, potencializando o educando ao exercício da cidadania por meio da aplicação coerente dos métodos e conhecimentos apreendidos e desenvolvidos durante sua formação possibilitando que viva em sociedade, compreendendo e fazendo-se compreender, interagindo e estabelecendo relações harmoniosas que o permitam o pleno exercício de sua cidadania. Podemos perceber claramente que a filosofia fora e sempre será importante para a formação do cidadão, resta-nos apenas refletir se a forma como tem sido ensinada corresponde a sua história, pois como nos diz Horn “a filosofia está visceralmente ligada ao seu passado”. Abordando o pensamento de Hegel a cerca do ensino da filosofia, Horn salienta que para Hegel só podemos ter algum conhecimento de filosofia quando estudamos a história da filosofia, pois como Hegel diz: “[...] não se pode aprender a filosofar sem aprender a filosofia, do mesmo modo como só se aprende a pensar quando se aprende os

conteúdos do pensamento” (HORN, 2000, p.9). Diante do exposto por Horn sobre a posição de Hegel quanto ao ensino de filosofia percebemos que os conteúdos de filosofia bem como de todas as demais disciplinas devem ser considerados importantes no processo de formação, pois não se pode em nome de uma “educação moderna” desprezar a história do pensamento e as ideias produzidas durante séculos. Precisamos aprender a estudá-las de forma crítica, com um olhar investigativo e procurar desenvolver novos pensamentos e ideias a partir dessas, pois que é este o processo que a filosofia nos permite através do dialogo com os outros e consigo mesmo (aprimorar e desenvolver nossas ideias). Pois:

as ciências filosóficas contêm os verdadeiros pensamentos universais dos seus objetos, são o produto resultante do trabalho do gênio pensante de todas as épocas; [...] uma vez cheia a cabeça de pensamentos, terá então também a possibilidade de ela própria fazer avançar a ciência e lhe conquistar uma verdadeira originalidade. (HEGEL, 2005, p.12) O pensamento hegeliano quanto ao ensino de filosofia centra-se, pois no estudo da própria história da filosofia, contudo, estudar filosofia e seus conteúdos não implica em estagnação do pensamento, nem improdutividade intelectual, pois como vimos à preocupação que ele tem é justamente que o jovem possa pensar filosoficamente e desenvolver sua própria originalidade não desvalorizando, contudo as ideias e pensamentos desenvolvidos no passado, mas que trabalhe - mesmo que dando outros aspectos de entendimento e compreensão dessas – a partir de determinados pressupostos estabelecidos filosoficamente.

3.2 A IMPORTÂNCIA DA CONCEITUALIZAÇÃO FILOSÓFICA PARA O ENSINO DE FILOSOFIA: Podemos chamar então para esse diálogo dois outros filósofos muito importantes da contemporaneidade, que também escreveram sobre o papel da filosofia e a importância dessa disciplina para a formação do cidadão, Deleuze e Guattari, tentando estabelecer uma possível relação entre o pensamento destes com o de Hegel e até mesmo com o de Platão, pois se a filosofia é fundamental para a formação do cidadão como vimos em Platão e para aprendermos ela devemos levar em consideração toda a sua história como em Hegel, podemos então colocar em questão a principal

característica da filosofia apresentada por Deleuze e Guattari, que segundo dizem é o conceito. Pois como observam a filosofia traz em suas características em primeiro lugar, o pensamento conceitual, em segundo, o caráter dialógico, e em terceiro, a postura crítica e radical. Contudo o que Deleuze e Guattari argumentam é que quanto ao caráter dialógico e a postura critica radical são encontrados também em outras áreas do saber, no entanto quanto ao conceitual é intrínseca a disciplina de filosofia visto que:

o filosofo é amigo do conceito, ele é conceito em potência. Quer dizer que a filosofia não é uma simples arte de formar, de inventar ou fabricar conceitos, pois os conceitos não são necessariamente formas, achados ou produto. A filosofia, mais rigorosamente, é a disciplina que consiste em criar conceitos [...] criar conceitos sempre novos é o objetivo da filosofia. É porque o conceito precisa ser criado que ele remete ao filósofo como aquele que o tem em potência, ou que têm sua potência e competência [...] os conceitos não nos esperam inteiramente feitos, como corpos celestes. Não há céu para os conceitos. Eles devem ser inventados, fabricados, ou antes, criados, e não seriam nada sem a assinatura daqueles que os cria [...] Que valeria um filósofo do qual se pudesse dizer: ele não criou um conceito, ele não criou seus conceitos?(DELEUZE,

GUATTARI, 1992, p.13-14).

Gallo ainda nos lembra de que é importante observar “que o que Deleuze e Guattari chamam de conceito não é exatamente aquilo que estamos acostumados”, pois para eles “conceito é uma forma racional de equacionar o problema ou problemas, exprimindo uma visão coerente do vivido”. (GALLO, 2003, p.23), ou seja, é a partir do que se conhece na história da filosofia e fazendo filosofia como vimos em Hegel, e também a partir daquilo que se constrói através do diálogo entre saberes como vimos em Platão, que os conceitos são estabelecidos. “Importa que cada estudante possa passar pela experiência de pensar filosoficamente, de lidar com conceitos criados na história,

apropriar-se deles, compreendê-los, recriá-los e, quem sabe, chegar mesmo a criar conceitos próprios” (GALLO, 2007, p.26). Podemos então concluir a partir dos pensamentos dos filósofos citados nessa atividade que o papel e a importância da filosofia para a formação do cidadão vão muito além do que sugere os Parâmetros Curriculares Nacionais ou do que está presente na LDB. A filosofia possibilita àqueles que a conhecem a oportunidade não apenas de criticar o mundo, ou poder viver em sociedade de forma cidadã. Possibilita a magnífica chance de conhecer e mudar não o mundo, mas conhecer e mudar-se a si mesmo.

4. RECOMENDAÇÕES METODOLÓGICAS 4.1. O INÍCIO DE “TUDO” Ao principiarmos essa etapa da atividade proposta, partimos das orientações do que diz respeito a formação e ao perfil do curso de Licenciatura Plena em Filosofia assim como encontramos no site da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, que diz: “O Curso de Licenciatura Plena em Filosofia da UEPB forma profissionais docentes/pesquisadores qualificados para trabalhar com o ensino/pesquisa na área de Filosofia. [...] a LDBN determina o ensino obrigatório de Filosofia no Ensino Médio”. Sendo assim e estando legitimamente matriculado nesse curso no presente ano de 2011, nos submetemos dentro do currículo da Universidade na disciplina de Estágio Supervisionado II a essa experiência ímpar que muito contribui para a formação do graduando, pois lhe oferece a oportunidade de conhecer o futuro ambiente de trabalho, e lhe põe diante da realidade das escolas brasileiras com todos os seus desafios a serem aceitos e problemas a serem superados. Assim começamos nossas atividades preparando-nos durante o primeiro semestre de 2011 trabalhando ainda em sala de aula na universidade, as metodologias que nos ajudariam nessa tarefa, assim desenvolvemos projetos voltados para a Filosofia e seu ensino, esses procuravam facilitar o domínio dos conteúdos necessário para o ensino médio e nos capacitava a trabalhar com textos clássicos abordando também os temas transversais que estão em evidência nos dias atuais.

4.2. OS DESAFIOS E A SUPERAÇÃO Num segundo momento já embasado pela teoria fomos à prática, basicamente no segundo semestre devido a greve dos professores da Rede Estadual de Ensino, o que já

se nos apresentou como o primeiro obstáculo a ser superado pois a greve prejudicou os alunos e também o estágio, pois tivemos que adiar por um mês nosso estágio e os alunos ficaram sem aula, prejudicando principalmente os concluintes do ensino médio que se preparavam para o ENEM e o Vestibular. Resolvido o problema da greve voltamos às atividades, nos reunimos come o professor de filosofia da Escola Estadual da Prata, o professor Ayice Chaves o qual nos recebeu e nos orientou quanto aos procedimentos dali em diante, pois como havia quase trinta dias sem aula, os conteúdos estavam atrasados e também as notas do segundo bimestre, por isso num primeiro momento em sala de aula ficamos apenas como observadores, pois o professor titular precisava adiantar conteúdos e fazer provas e trabalhos para as nota atrasadas, isso evidenciou um dos problemas que a escola pública brasileira enfrenta na atualidade a desvalorização da categoria dos professores e a irresponsabilidade do governo para com a educação pois o mesmo não se preocupa o quanto deveria com os nossas crianças e jovens. Posteriormente, quando as aulas começaram a voltar a sua normalidade, começamos também a participar mais ativamente nas discussões que se faziam em sala de aula, nas primeiras participações de forma bastante discreta, pois queríamos ganhar a confiança dos alunos sem que para isso precisássemos ostentar alguma aparência de “sabe tudo”, dessa forma adquirimos o respeito e a amizade e enfim com a oportunidade franqueada pelo professor Ayice Chaves podemos começar as primeiras aulas, seguindo sempre suas orientações. Nas primeiras aulas trabalhamos com textos que se referiam à filosofia antiga, ou seja, a filosofia em seus primórdios sustentada pelo mito, onde entendemos que o mito já é filosofia como disse Aristóteles, pois tenta explicar o mundo e sua origem. Assim podemos juntamente com o professor sugerir atividades e aplicar provas a respeito do conteúdo. Observamos durante esse período que muitos alunos são bastante esforçados e buscam uma formação para melhorar de vida, ou de situação econômica, enfim, são alunos que querem alguma coisa com a educação, que se esforçam para tê-la. Por outro lado, em oposição a esses encontramos também aqueles que infelizmente não assumem nem compromisso e passam a maior parte do tempo sem se importar com sua vida estudantil, isso fica evidenciado pelo grande número de alunos nos corredores do colégio em quanto isso a biblioteca da escola, que possui um número considerável de obras a maior parte do tempo se encontra vazia. Esse é outro problema que precisa ser visto, o que tem levado os nossos jovens a serem tão irresponsáveis com o próprio

futuro? Podemos enquanto professores dos mesmos, incentivar de alguma maneira de forma mais eficaz para que mudem de atitude e pensem mais em seus futuros? Ficam essas questões como desafios para todos nós (os que já fazem e os que ainda farão parte do processo de educação) que nos propomos serem educadores. Existem certos elementos do passado que precisam ser preservados conforme podemos verificar nos vídeos relacionados a Escola Estadual da Prata que dizem respeito a isso, como os alunos respeitavam seus professores e como havia ordem na escola, hoje podemos perceber que o professor tem perdido em grande parte sua autoridade e os alunos conhecedores de seus direitos, usam-no muitas vezes para cometerem perversões na escola porquê sabem que ficaram impunes, aqui fica também uma crítica ao Sistema que afrouxou demais e agora não sabem mais o que fazer. Durante o terceiro bimestre começamos a trabalhar com a turma do terceiro ano C o filósofo Epicuro, desenvolvemos as aulas no texto Carta a Meneceu (Sobre a Felicidade) a qual se encontra em anexo. A aula foi muito produtiva, pois podemos discutir sobre a felicidade, como alcançar a felicidade, o tetrapharmakon de Epicuro para a felicidade, fizemos o calculo dos prazeres, onde abordamos que segundo nem toda felicidade relaciona-se com prazer, mas nem todo prazer relaciona-se com felicidade, aí discutimos sobre os prazeres oferecidos pelas drogas, pela prostituição e vícios e constatamos juntos que esses são prejudiciais à vida. Por fim fizemos uma atividade sobre o tema, à mesma ficou em posse do professor Ayice Chaves para ser avaliada como nota do terceiro bimestre. Na última aula fizemos as considerações finais acerca da filosofia da felicidade em Epicuro e acrescentando a isso uma palavra de incentivo a continuidade dos estudos, bem como também motivação para os desafios da vida. Por fim, fizemos nossos agradecimentos ao professor Ayice Chaves, pela força que nos deu durante as atividades, por ter nos recebido tão bem e ter se tornado um amigo, estendemos esse agradecimento aos alunos que por sua vez também se emocionaram e agradeceram nossa participação, fizemos algumas fotografias para constar em nosso trabalho como segue em anexo e finalizamos a aula. Acreditamos que o estágio cumpriu-se na medida do possível seus objetivos, e ficamos felizes por termos de alguma maneira não apenas adquirido conhecimentos para nossas vidas, mas também ter contribuído para o conhecimento e crescimento intelectual de alguns alunos que durante o estágio acompanharam nossas aulas com muito entusiasmo e assiduidade.

CONCLUSÃO Diante de tudo que vimos no discorrer desse relatório podemos concluir que no que diz respeito ao Ensino de Filosofia no Brasil muito se tem ainda a aprender tendo em vistas que a presença dessa disciplina nos currículos escolares foi muito oscilante o que causou muitos prejuízos à educação, observamos também que a filosofia no Brasil sempre se mostrou subserviente as ideologias e privada de sua criticidade inerente ao filosofar. O retorno oficial dessa disciplina aos currículos do Ensino Médio no Brasil possibilita uma nova oportunidade para que se desenvolva de forma crítica e independente firmando-se como de fato é, ou seja, pensamento atuante. Todo o trabalho apresentado mostrou-nos que o ensino de filosofia ainda é muito deficiente, mas as possibilidades estão sendo aproveitadas e a cada dia os desafios são vencidos. Assim esperamos que a Filosofia cumpra seu papel para com a formação do cidadão.

REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei Federal no 4.024/1961. Disponível no endereço eletrônico: www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/htm. BRASIL. Projeto de Lei, 2003. Altera dispositivos do artigo 36 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 2003. DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992. GALLO, S.; CORNELLI, G.; DANELON, M. (Orgs.). Filosofia do ensino de filosofia. Petrópolis: Vozes, 2003. GALLO, S., KOHAN, W. O. (Orgs.). Filosofia no ensino médio. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. HORN, G. B. A presença da filosofia no Ensino Médio brasileiro: uma perspectiva histórica. In: GALLO, S.; KOHAN, W. O. (Orgs.). Filosofia no Ensino Médio. Petrópolis: Vozes, 2000. HORN, G. B. Do ensino da filosofia à filosofia do ensino: contraposições entre Kant e Hegel. In:http:/www.anped.org.br/reunioes/26/trabalhos/geraldobalduinohorn. http://www.colegiodaprata.xpg.com.br/ http://www.youtube.com/?gl=BR&hl=pt PLATÃO. A República. 6. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1990. Parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio: Parte VI – Ciências Humanas e suas Tecnologias. Brasília, MEC/SEMTEC, 1999. SILVEIRA, R.; GOTO, R. (Orgs.). Filosofia no ensino médio: temas, problemas e propostas. São Paulo: Loyola, 2007.

ANEXOS Os anexos referentes ao estágio no Estadual da Prata encontram-se na pasta anexos.

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