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FACULDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS

GESIANE GONÇALVES FERREIRA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM URINÁLISE DO CURSO DE FARMÁCIA

IPATINGA 05 DE JULHO DE 2011

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................4 2 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO................................................................6 3 ATIVIDADES REALIZADAS...............................................................................................7 3.1 Análises Físicas da Urina .....................................................................................................8 3.1.1 Aspecto...............................................................................................................................8 3.1.2 Odor...................................................................................................................................8 3.1.3 Cor......................................................................................................................................8 3.1.4 Densidade...........................................................................................................................9 3.1.5 pH.......................................................................................................................................9 3.2 Exame Químico da Urina....................................................................................................10 3.2.1 Proteínas...........................................................................................................................10 3.2.2 Glicose.............................................................................................................................11 3.2.3 Bilirrubina........................................................................................................................11 3.2.4 Urobilinogênio.................................................................................................................12 3.2.5 Sangue..............................................................................................................................12 3.2.6 Cetonas.............................................................................................................................13 3.2.7 Nitrito...............................................................................................................................13 3.2.8 Leucócitos........................................................................................................................14 3.3 Exame Microscópico da Urina............................................................................................14 3.3.1 Leucócitos e piócitos........................................................................................................14 3.3.2 Hemácias..........................................................................................................................15 3.3.3 Células epiteliais..............................................................................................................15 3.3.4 Cilindros...........................................................................................................................15 3.3.5 Cristais.............................................................................................................................16 3.3.6 Flora bacteriana................................................................................................................16 3.3.7 Muco................................................................................................................................17 3.4 Líquido seminal (Sêmen) ...................................................................................................17 3.4.1 Coleta do material............................................................................................................18 3.4.2 Exame macroscópico.......................................................................................................18 3.4.2.1 Volume..........................................................................................................................18

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3.4.2.2 Consistência..................................................................................................................18 3.4.2.3 Cor................................................................................................................................18 3.4.2.4 pH..................................................................................................................................19 3.4.3 Exame microscópico........................................................................................................19 3.4.3.1 Contagem dos espermatozóides....................................................................................19 3.4.3.2 Motilidade.....................................................................................................................19 3.4.3.3 Morfologia....................................................................................................................20 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...........................................................................................21 5 CONCLUSÃO.......................................................................................................................24 REFERÊNCIAS........................................................................................................................25

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1 INTRODUÇÃO

A medicina laboratorial começou através da análise de urina. Este método de pesquisa é tão antigo que podem ser encontradas referências ao estudo da urina nos desenhos dos homens das cavernas e nos hieróglifos egípcios. Mesmo não disponibilizando dos sofisticados métodos os quais temos à mão atualmente, os clínicos da época eram capazes de obter informações diagnósticas a partir de observações básicas como: cor, turvação, odor, volume, viscosidade e até mesmo presença de açúcar, ao observarem que certas amostras atraíam formigas, ou pelo sabor. Nota-se que são essas mesmas características urinárias utilizadas até hoje pelos laboratórios. Mas, com a crescente ampliação e modernização dos métodos clínicos, os exames de urinálise abrangem não só o exame físico, mas também a análise bioquímica e o exame microscópico do sedimento urinário (STRASINGER, 2000). A urinálise se mantém como parte integrante do exame do paciente e isso de deve a duas características, as quais podem explicar a persistência dessa popularidade: a amostra de urina é de obtenção rápida e coleta fácil e a urina fornece informações sobre muitas das principais funções metabólicas do organismo, por meio de exames laboratoriais simples. Estas características favorecem a medicina preventiva e a redução dos custos médicos, por ser um meio barato de examinar grande número de pessoas e também, não só para a detecção de doenças renais, mas também o início assintomático de doenças como o diabetes mellitus e as hepatopatias. Além disso, a urinálise pode ser um método muito valioso de triagem metabólica (STRASINGER, 2000). A urina é constituída por uréia e outras substâncias químicas orgânicas e inorgânicas dissolvidas em água e podem ocorrem grandes variações na concentração dessas substâncias devido a fatores como alimentação, atividade física, metabolismo orgânico, função endócrina e até mesmo a postura corporal (STRASINGER, 2000). O volume urinário diário de um adulto, geralmente, é de 0,8 a 1,8L, este valor pode variar conforme a dieta, ingestão de água, temperatura ambiente, volume corporal e sudoração. O aumento do volume urinário (> 2,0 L) denomina-se poliúria e pode ocorrer em casos de diabetes mellitus, diabete insípido, na uremia e nefrite crônica. Quando ocorre o contrário, ou seja, quando há uma diminuição do volume urinário (<0,5L) denomina-se oligúria e pode ocorrer na nefrite aguda, atrofia tubular renal, diarréia, vômitos, doenças cardíacas e pulmonares, desidratação, choque, reação transfusional ou contaminação por

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agentes tóxicos. Quando há uma retenção total de água, denomina-se anúria e pode ocorrer devido a nefroses e obstrução das vias excretoras urinárias. Geralmente, um terço da urina é excretado à noite e o restante, durante o dia. Se houver inversão destes valores, ocorre o que é denominado nictúria (MOURA et al., 2006). Quando se pretende efetuar uma análise qualitativa urinária, não é necessária a coleta da urina de 24 horas, bastará uma única micção, de preferência a primeira da manhã (MOURA et al., 2006). O estágio em bioquímica tem como finalidade ampliar e aprimorar os conhecimentos sobre a área de atuação clínica, sobre como realizar as análises, o correto manuseio das informações e dos reagentes fornecidos pelos kits utilizados nos testes, e inclusive a interpretação dos resultados, que muitas vezes são associados aos sintomas clínicos para a conclusão de um diagnóstico. Este relatório descreve as atividades desenvolvidas no estágio de Análises Clínicas no setor de Urinálise do Laboratório de Urinálise da Faculdade Presidente Antônio Carlos, assim como as principais atribuições do profissional farmacêutico no setor.

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2 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO

O estágio de bioquímica clínica foi realizado no laboratório 417 no quarto andar da Faculdade Presidente Antônio Carlos, Campus Ipatinga, localizado na Rua Salermo, 299 Bairro Bethânia. As atividades foram instruídas e supervisionadas pelo professor Leonardo de Araújo. O laboratório onde foram feitas as atividades do estágio é amplo, disposto com bancadas nas quais estão dispostos os microscópios, também: cadeiras, televisor, lousa branca, armários com equipamentos e materiais para a realização de análises diversas, pia, armários, produtos químicos, materiais de coleta de urina e equipamentos de laboratório como capela de fluxo laminar e centrífuga. As atividades transcorreram nos dias 20, 23, 24, 30 e 31 do mês de maio com início às 13:30h e término às 18:30h, totalizando uma carga horária de 25 horas.

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3 ATIVIDADES REALIZADAS

No primeiro dia foram passadas as instruções sobre a localização de todos os materiais, suas denominações e funções; procedimentos de segurança dentro do laboratório, a importância dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e uma revisão sobre a utilização correta do microscópio óptico, detalhes de seus componentes, nomenclatura, variações, funções. Logo após, deram-se início aos procedimentos para as análises como, coleta da urina e preparação das amostras. Os testes realizados durante o período do estágio foram: Análise dos aspectos físicos da urina. Análise dos componentes da urina com a utilização da tira reativa: ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ Leucócitos Nitrogênio Urobilinogênio Proteínas pH Sangue Densidade Cetonas Bilirrubina Glicose Hemácias Leucócitos Cilindros Células epiteliais Muco Flora bacteriana Cristais

Análise do sedimento urinário pela microscopia:

Análise do líquido seminal.

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3.1 Análises Físicas da Urina 3.1.1 Aspecto A urina, normalmente, tem aspecto límpido. Em casos patológicos, onde existe a presença de grandes quantidades de piócitos, hemácias, células epiteliais, cristais e bactérias, a urina deverá apresentar-se turva. Pode haver a contaminação por antissépticos, talcos, material fecal também poderá produzir turvação da urina. O que também pode causar a turvação da urina é a presença de matéria gordurosa (lipúria, quilúria) (MOURA et al., 2006). Desta forma, a urina pode ser classificada como: límpida, ligeiramente turva e turva (MOURA et al., 2006). 3.1.2 Odor A urina normal apresenta odor característico, ligeiramente aromático. No entanto, após algum tempo de repouso, a urina em decomposição apresentará odor pútrido ou amoniacal, devido à fermentação bacteriana (MOURA et al., 2006). De acordo com MOURA et al. (2006) a dieta e a medicação também podem provocar variações no odor. Em urinas normais, o odor é classificado como próprio, "sui generis" ou característico (MOURA et al., 2006). 3.1.3 Cor Geralmente a urina apresenta-se de cor amarela variando de tom claro a escuro. Em casos de hematúria, a urina pode se tornar vermelha ou castanha dependendo do estado de conservação dos eritrócitos. A ingestão de alimentos pode variar a cor da urina, por exemplo, a beterraba deixa a urina de cor avermelhada. A medicação também pode provocar mudanças na cor da urina de forma bastante variada como vermelha, verde, laranja, etc. A cor âmbar pode estar relacionada a um estado patológico associado a problemas hepáticos (MOURA et al., 2006). Para MOURA et al. (2006) é comum a utilização do termo amarelo citrina, para classificar a cor das urinas normais.

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3.1.4 Densidade A medida da densidade é realizada com a finalidade de verificar a capacidade de concentração e diluição do rim, (MOURA et al., 2006), também, o estado de hidratação do paciente, diabetes insípido e inadequação da amostra por baixa concentração (STRASINGER, 2000). A densidade da urina normal varia de 1015 a 1025, no volume de 24 horas. Em amostras colhidas ao acaso, ela pode variar de 1003 a 1030 (MOURA et al., 2006). 3.1.5 pH Pulmões e rins são os principais reguladores do equilíbrio ácido-base do organismo. Embora um indivíduo sadio produza a primeira urina da manhã com pH ligeiramente ácido, entre 5,0 e 6,0, o pH normal das outras amostras do dia pode variar de 4,5 a 8,0. Consequentemente, não existem valores normais para o pH da urinário, mas esse valor deve ser considerado juntamente com outras informações do paciente, tais como: valor do equilíbrio ácido-básico do sangue, função renal, presença de infecção no trato urinário, ingestão de alimentos e tempo transcorrido após a coleta (STRASINGER, 2000). A alimentação pode ser responsável na alteração do pH urinário, como por exemplo, uma dieta rica em proteínas aumenta a produção de fosfatos e sulfatos, acidificando a urina, já uma dieta vegetariana faz com que o pH suba acima de 6,0. A medicação é um outro fator responsável por altera estes resultados (MOURA et al., 2006). Algumas situações fisiológicas também podem alterar o pH da urina. A urina noturna tem pH mais baixo por causa da acidose respiratória fisiológica do sono (MOURA et al., 2006). É importante lembrar que o pH urinário deve ser medido logo após a micção para se evitar a elevação do valor devido a alcalinização causado pelo crescimento bacteriano (MOURA et al., 2006). O pH urinário é importante na determinação de acidose respiratória ou metabólica; alcalose respiratória ou metabólica; anormalidades na secreção e reabsorção de ácidos e bases pelos túbulos renais; precipitação de cristais e formação de cálculos; acompanhamento de tratamento das infecções do trato urinário; determinação de amostras insatisfatórias (STRASINGER, 2000).

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O pH urinário pode ser medido com papel indicador universal ou com pH-metro (MOURA et al., 2006).

3.2 Exame Químico da Urina Para a realização de testes bioquímicos da urina, são utilizadas as tiras reativas. Estas são constituídas por pequenos quadrados de papel absorvente impregnados com substâncias químicas e presos a uma tira de plástico. Quando o papel absorvente entra em contato com a urina, ocorre uma reação química que produz uma mudança cromática. As cores são interpretadas comparando-se com a tabela cromática fornecida pelo fabricante. Nessa tabela aparecem várias tonalidades de cor para cada substância a ser testada. Comparando-se cuidadosamente as cores da tabela com a cor presente na tira, pode-se inferir um valor semiquantitativo: vestigial, +, ++, +++ ou ++++. Também há uma estimativa me miligramas por decilitro para análise de algumas áreas, em ambos os produtos (STRASINGER, 2000). Através da tira reativa é possível a determinação dos seguintes compostos: 3.2.1 Proteínas A determinação de proteínas é a mais indicativa de doenças renal, pois a presença de proteinúria muitas vezes é indicativa de doenças renais incipientes, o que torna essa análise muito importante (STRASINGER, 2000). A urina considerada normal contém quantidade muito pequena de proteínas, em média menos de 10 mg/dL ou 150 mg (30 a 50 mg) por 24 horas, e a principal proteína encontrada é a albumina, por ter baixo peso molecular (STRASINGER, 2000). A determinação quantitativa é efetuada por testes químicos ou fitas reativas. A sensibilidade desses ensaios está em torno da concentração de excreção protéica normal; portanto, podemos avaliar as alterações com os resultados positivos (MOURA et al., 2006). O resultado qualitativo, geralmente, é expresso por: negativo, traços e positivo. O resultado positivo vem acompanhado pelo número de cruzes respectivo, dado pelo grau de intensidade da reação (MOURA et al., 2006). As proteinúrias são observadas em processos degenerativos tubulares; infecções bacterianas; enfermidades vasculares, incluindo arteriosclerose; hipertensão maligna (MOURA et al., 2006); lesão da membrana glomerular, incluindo distúrbios do complexo

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imune, amiloidose e agentes tóxicos; comprometimento da reabsorção tubular; mieloma múltiplo; nefropatia diabética; pré-eclâmpsia; proteinúria ortostática ou postural (STRASINGER, 2000). 3.2.2 Glicose É a análise bioquímica realizada com mais frequência na urina devido à sua utilidade na detecção e no controle do diabetes mellitus (STRASINGER, 2000). No adulto a excreção da glicose, considerada dentro dos parâmetros, é de em média 130 mg durante 24 horas, com a inclusão de concentrações menores de outros açúcares (MOURA et al., 2006). A glicose do filtrado glomerular é reabsorvida pelos túbulos que têm uma capacidade de reabsorção de cerca de 160 a 180 (STRASINGER, 2000) mg/dL e quando as concentrações sanguíneas ultrapassam essa cifra, ocorre a glicosúria (MOURA et al., 2006). Além da glicose, temos outros açúcares redutores como a frutose, lactose, galactose, a pentose, outras substâncias redutoras, tais como a creatinina e o ácido cérico, normalmente excretadas pela urina. Estas substâncias podem dar falsos resultados positivos (MOURA et al., 2006). Outras disfunções clínicas que podem ser determinadas com o exame de glicosúria, além do diabetes mellitus, são: deficiência da reabsorção tubular, incluindo síndrome de Fanconi e nefropatia tubular avançada; lesões no sistema nervoso central; distúrbios da tireóide; latência de diabetes mellitus durante a gravidez (STRASINGER, 2000). A prova mais sensível e específica utilizada para determinar a glicose na urina é a tira reativa contendo glicose oxidase (MOURA et al., 2006). 3.2.3 Bilirrubina A bilirrubina é um composto amarelo muito pigmentado e produto da degradação da hemoglobina (STRASINGER, 2000). A presença de bilirrubina na urina pode ser a primeira indicação de hepatopatias, e muitas vezes é detectada bem antes do desenvolvimento da icterícia (STRASINGER, 2000), porque o limiar renal de eliminação de bilirrubina é menor que 2 mg/dL enquanto que os indivíduos aparecem ictéricos, quando a concentração de bilirrubina direta no sangue é maior que 2,5 mg/dL (MOURA et al., 2006). Além disso, a bilirrubina permite fazer a detecção

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precoce de outras disfunções como: cirrose, hepatite, doenças da vesícula biliar, obstrução biliar e câncer (STRASINGER, 2000). Em casos de icterícias hemolíticas, embora os valores de bilirrubina sejam elevados, é possível que a urina não apresente bilirrubina evidente, pois há aumento da bilirrubina livre que não é hidrossolúvel, podendo somente ser encontrada na urina, após ultrapassar o limiar renal para sua reabsorção (MOURA et al., 2006). 3.2.4 Urobilinogênio Assim como a bilirrubina, o urobilinogênio é um pigmento biliar resultante da degradação da hemoglobina (STRASINGER, 2000) e derivado da bilirrubina pela ação da flora bacteriana intestina. Uma parte do urobilinogênio é reabsorvido, retornando ao fígado. Uma pequena parte cai na circulação, sendo excretada pelos rins (MOURA et al., 2006). Normalmente, o adulto excreta menos de 4 mg por dia. Esta excreção poderá estar aumentada nas icterícias hemolíticas. Valores aumentados são também encontrados nas icterícias parenquimatosas, cirrose hepática, constipação crônica. Aumentos menores são encontrados nas icterícias obstrutivas e se a obstrução é completa, as quantidades poderão ser imperceptíveis (MOURA et al., 2006). Por ação da luz e do ar atmosférico, o urobilinogênio se oxida formando a urobilina. A urobilina também se encontra na urina normal (MOURA et al., 2006). 3.2.5 Sangue O sangue pode estar presente na urina em forma de hemácias íntegras, denominada hematúria, ou em presente como hemoglobina, que é o produto da destruição das hemácias e então denominada hemoglobinúria (STRASINGER, 2000). A hemoglobinúria pode ter duas origens: da lise das hemácias derivadas de processos hemorrágicos do trato urogenital ou resultante da excessiva destruição de hemácias (MOURA et al., 2006). Em condições normais, a hemoglobina é destruída e metabolizada no sistema retículo endotelial e quando não ocorre uma metabolização normal, há ultrapassagem do limiar renal para a hemoglobina (100 a 300 mg/dL), não sendo reabsorvida e sofrendo eliminação renal. Portanto, a hemoglobinúria verdadeira está relacionada com um processo metabólico (MOURA et al., 2006).

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A hematúria pode ocorrer em casos de cálculos renais, glomerulonefrite, pielonefrite, tumores, trauma, exposição a produtos ou drogas tóxica e inclusive por exercício físico intenso. A hemoglobinúria pode ser decorrente de reações transfusionais, anemia homelítica, queimaduras graves, infecções (laranja Tb) e exercício físico intenso (STRASINGER, 2000). Ainda, a hemoglobinúria pode ocorrer devido à lise das hemácias em urinas de muito baixas densidades e alcalinas (MOURA et al., 2006). 3.2.6 Cetonas O termo cetonas engloba três produtos intermediários do metabolismo das gorduras: acetona, ácido acetoacético e ácido beta-hidroxibutírico (STRASINGER, 2000). Geralmente, não aparecem quantidades mensuráveis de cetonas na urina, pois toda a gordura metabolizada é completamente degradada em dióxido de carbono e água. Mas, quando o uso de carboidratos fica comprometido e o estoque de gordura precisa ser metabolizado para o suprimento de energia, pode-se detectar cetonas na urina. Desta forma, este exame torna-se importante para a monitoração do diabetes mellitus. Além disto, a utilização deste teste abrange a determinação de acido diabética, controle da dosagem de insulina, carência alimentar e perda excessiva de carboidratos (STRASINGER, 2000). 3.2.7 Nitrito A determinação do nitrito é útil para o diagnóstico precoce das infecções da bexiga (cistite), pois muitas vezes os casos são assintomáticos ou os sintomas são vagos. A pielonefrite, processo inflamatório dos rins e da pelve renal adjacente, é uma complicação freqüente da cistite não tratada e pode acarretas lesão dos tecidos renais, comprometimento da função renal, hipertensão e até mesmo septicemia (STRASINGER, 2000). A prova de nitrito também pode ser empregada para avaliar o sucesso de terapia com antibióticos e para examinar periodicamente as pessoas que têm infecções recorrentes, os diabéticos e as gestantes, todos considerados de alto risco para as infecções do trato urinário (STRASINGER, 2000).

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3.2.8 Leucócitos Os leucócitos são os achados mais freqüentes no exame de urina, e este índice pode indicar uma possível infecção do trato urinário (STRASINGER, 2000). O método bioquímico não tem como objetivo medir a concentração de leucócitos, por isso a quantificação deve ser feita por exame microscópico. Mas, o exame bioquímico possibilita determinar a presença de leucócitos lisados o que não é possível pelo microscópio (STRASINGER, 2000).

3.3 Exame Microscópico da Urina Neste tipo de exame, após o preparo da amostra, faz-se a análise dos sedimentos da urina através do microscópio óptico. Este estudo é muito importante para a avaliação do estado funcional do rim (MOURA et al., 2006). É importante lembrar que os elementos que compõem o sedimento podem sofrer muitas modificações estruturais devido a mudanças de pH, decomposição bacteriana, baixa densidade, alterações provocadas por medicamentos e pelo tipo de dieta. Muitas vezes, são encontrados artefatos e contaminante de difícil identificação e por isso torna-se necessário um procedimento cuidadoso e meticuloso, para evitar possíveis falhas que, posteriormente, venham comprometer o diagnóstico clínico (MOURA et al., 2006). A coleta da urina é essencial, portanto, é importantíssimo ressaltar a necessidade da utilização de frascos bem limpos e devidamente identificados (MOURA et al., 2006). A amostra de urina deve ser recente e colhida segundo o pedido médico. Caso não haja recomendação especificada, colher a primeira urina da manhã, que é mais concentrada, as urinas hipotônicas podem causar lise celular e dos cilindros. Nos homens, colher o segundo jato; nas mulheres, após higiene íntima. Isto evitará contaminações com a secreção vaginal, uretral ou prostáticas (MOURA et al., 2006). 3.3.1 Leucócitos e piócitos Os leucócitos são os glóobulos brancos que permanecem com suas características morfológicas intactas. Já os piócitos constituem leucócitos degenerados resultantes da luta contra infecção microbiana. A presença de piócitos nem sempre significa infecção renal. Eles

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apresentam granulações em seu interior, constituídas de bactérias fagocitadas (MOURA et al., 2006). 3.3.2 Hemácias Num exame realizado em urina recente, colhida há poucos momentos, quando os elementos do sedimento ainda não sofreram alterações, a forma das hemácias permanece inalterada. Notar que, em urinas hipotônicas, ocorrem lises dos elementos celulares (MOURA et al., 2006). Nos vários processos hemorrágicos encontramos hemácias no sedimento. O local das hemorragias, do emsmo modo que o local das infecções (comprovado pela piúria), pode ser verificado, colhendo-se uma primeira porção de urina (primeiro jato) e, em seguida, uma segunda porção (segundo jato). Se, ao examinarmos o sedimento, for encontrado maior número de hemácias na primeira porção, a localização da hemorragia está na uretra e se hematúria verifica-se na segunda porção, provavelmente o local da hemorragia está na bexiga. Se com as hemácias forem encontrados cilindros, a hemorragia está localizada em vias mais altas (MOURA et al., 2006). Em períodos pós-menstruais e pós-gestacionais, a presença de hemácias no sedimento urinário poderá não ter significado clínico algum (MOURA et al., 2006). 3.3.3 Células epiteliais São encontradas em urinas normais, em número variável, principalmente em urina de mulher e mais intensamente durante a gestação. Do ponto de vista de rotina do sedimento urinário, não é feita a classificação quanto à origem do epitélio (MOURA et al., 2006). 3.3.4 Cilindros A presença de cilindros no sedimento urinário poderá indicar um grave prognóstico e sai investigação é obrigatória excetuando-se alguns casos de irritação e congestão renal, com o aparecimento acidental de cilindros no sedimento e a ausência de proteinúria (MOURA et al., 2006).

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De acordo com MOURA et al. (2006) e STRASINGER (2000), os cilindros podem ser classificados, de acordo com a sua origem e composição em: Cilindros hialinos Cilindros bacterianos Cilindros hemáticos Cilindros leucocitários Cilindros de células epiteliais Cilindros granulares Cilindros céreos Cilindros adiposos Cilindros largos Pode haver, eventualmente, o aparecimento de formas mistas. Cada tipo de cilindro possui sua origem e significado clínico respectivos. 3.3.5 Cristais A cristalúria, presença de cristais no sedimento urinário, não apresenta, na maioria das vezes, interesse clínico. Sua incidência pode, em determinados casos, estar ligada ao aparecimento de cálculo renal (MOURA et al., 2006). A presença de cristais na urina dependerá do pH, regime dietético etc. em urinas ácidas, são encontrados os uratos amorfos, oxalatos de cálcio, ácido úrico. Em urinas alcalinas, encontramos fosfatos amorfos, fosfato triplo ou amoníaco-magnesiano, carbonato de cálcio, fosfato de cálcio, etc (MOURA et al., 2006). 3.3.6 Flora bacteriana A urina normal, na bexiga, não contém flora bacteriana, mas ao ser emitida sistematicamente se contamina com germes da flora normal da uretra e dos genitais (MOURA et al., 2006).

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3.3.7 Muco O muco é um material protéico produzido por glândulas e células epiteliais do sistema urogenital. Não é considerado clinicamente significativo e a sua quantidade é maior quando há contaminação vaginal. MOURA et al. (2006) explicam que a presença de espermatozóides ocorre na espermatorréia e deve-se tomar nota deste fato somente em urina de homens. Surgindo qualquer alteração nas pesquisas, quanto à morfologia dos elementos, esta deve ser assinalada, pois nem sempre o paciente segue rigorosamente as prescrições médicas, no que se refere a medicamentos, dietas etc.

3.4 Líquido seminal (Sêmen) O sêmen é composto por quatro frações provenientes de: Das glândulas bulbouretrais e uretrais; Dos testículos e epidídimos; Da próstata e; Das vespículas seminais. Estas frações se diferem na sua composição e para que o sêmen seja normal, deve haver uma mistura delas durante a ejaculação. Os espermatozóides são produzidos nos testículos e amadurecem no epidídimo e são responsáveis por pequena parte do volume total do sêmen, enquanto a maior parte é fornecida pelas vesículas seminais na forma de um líquido viscoso que fornece frutose (a principal fonte de energia) e outros nutrientes para manter os espermatozóides. Outra contribuição é da próstata que fornece um líquido leitoso que contem fosfatase ácida e outras enzimas proteolíticas que agem sobre o líquido proveniente das vesículas seminais, provocando a coagulação e a liquefação do sêmen, e também, atuam como germicidas, evitando infecções no trato genitourinário. As amostras devem ser colhidas em recipientes estéreis após três dias de abstinência sexual. As amostras recentes se coagulam e liquefazem-se após trinta minutos da coleta; portanto, a hora em que foi colhida é essencial para a avaliação da sua liquefação. A análise da amostra não pode começar enquanto a liquefação não tiver ocorrido. As amostras destinas à analise da motilidade devem ser mantidas a 37°C. Na avaliação de casos de infertilidade, são analisados os seguintes parâmetros: volume, viscosidade, pH, contagem, motilidade e morfologia dos espermatozóides. Os valores de referência estão descritos a seguir:

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Volume: 2-5 ml Viscosidade: Gotejante pH: 7,3 – 8,3 Contagem: 20- 160 milhões/mL Mobilidade: >50-60% em 3 horas Morfologia: < 30% de formas anormais.

3.4.1 Coleta do material O esperma pode ser obtido no próprio laboratório ou no domicílio. Neste último caso, o material dever ser levado imediatamente para o exame (LIMA et al, 2001). 3.4.2 Exame macroscópico De acordo com Lima et al. (2001), o exame macroscópico pode ser divido nas seguintes etapas de análises: 3.4.2.1 Volume O volume médio de todo o esperma de uma ejaculação, de indivíduos abaixo de 40 anos de idade, é de 3 – 5 mL. Volumes pequenos, < de 0,5 mL são patológicos, sendo que, volumes maiores não são anormais. 3.4.2.2 Consistência A consistência do sêmen fresco é de gelatinoso especial, liquefazendo-se em 10 a 30 minutos, quando exposto ao ar. Se originalmente fluido, denota pobreza de espermatozóides; quanto esperma espesso, que não se liquefaz rapidamente, é, muitas vezes, anormal. 3.4.2.3 Cor O esperma apresenta opalescência acinzentada. Períodos prolongados de abstinência sexual podem causar ao esperma uma tonalidade amarelada.

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3.4.2.4 pH O pH de esperma é de 7,0 a 8,0. Este é achado tão constante que praticamente se torna desnecessária a sua medida. 3.4.3 Exame microscópico O exame ao microscópio é feito logo após o esperma se fluidificar. Aspermia e Azoospermia é a condição em que não se encontram espermatozóides, mas vêem-se celular da espermiogênese mais ou menos maduras, ao passo que, na aspermia, não se identificam nem espermatozoides nem células. 3.4.3.1 Contagem dos espermatozóides Normalmente, o número de espermatozóides por mL varia entre 60 a 120 milhões. Números maiores (hiperespermia) não são patológicos, ao passo que números menores (hipospermia ou oligospermia) são anormais. 3.4.3.2 Motilidade Classificação para a motilidade dos espermatozóides: A: Observa-se um movimento retilíneo e rápido. (Normal: > 25%) B: Observa-se um movimento não retilíneo, porém rápido. (Normal: >50%) C: Observa-se um movimento retilíneo, porém devagar. D: Oberva-se algum movimento, porém sem sair do lugar (imóvel). Astenospermia é a diminuição dos espermatozóides móveis, fato que, geralmente, acompanha uma hipocinesia. Necrospermia é a ausência de espermatoziodes, condição muito rara fisiologicamente, mas, o desaparecimento gradual dos espermatozóides no esperma é índice de eficácia da vasectomia. O esperma normal contém 80% de espermatozóides morfologicamente normais (LIMA et al, 2001).

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Este relatório descreve as atividades desenvolvidas no estágio de Análises Clínicas no setor de Urinálise do Laboratório da Faculdade Presidente Antônio Carlos, assim como as principais atribuições do profissional farmacêutico no setor. 3.4.3.3 Morfologia A infertilidade pode ser causada, também, por espermatozóides morfologicamente anormais. Na análise morfológica observa-se cauda e cabeça, o espermatozóide normal tem cabeça oval e cauda longa e afilada. As anormalidades estruturais da cabeça dificultam a penetração no óvulo e as anormalidades podem ser: cabeças duplas, gigantes, amorfas, em forma de alfinete, cônicas e estranguladas. A motilidade é mais difícil para espermatozóides com caudas duplas ou espiraladas. Também podem haver espermatozóides imaturos (espermátides), que precisam ser distinguidos dos leucócitos; são mais esféricos que os maduros e podem ou não ter cauda. A presença de grande quantidade de formas imaturas é considerada anormal.

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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

AMOSTRA 1 Aspectos físicos da urina: Amarela clara, semi-turva e odor característico. Teste com a tira reativa: LEU ++ NIT URO 0,2 PRO ++ pH 7,0 BLO +++ SG 1.020 KET BIL + GLU – Análise microscopica: Hemácias: média de 8 por campo Leucócitos: média de 5 por campo Cilindro: Muco: raro Flora barcteriana: numerosa Cristais: Celulas epiteliais: algumas

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A amostra da urina apresenta padrões dentro dos normais. A turvação pode ser em decorrência do aumento do número de hemácias, ao que parece, a paciente estava em início de período menstrual.

AMOSTRA 2 Aspectos físicos da urina: Amarelo citrino, límpida e odor característico. Teste com a tira reativa: LEU ++ NIT URO PRO + pH 6,0 BLO + SG 1.010 KET BIL GLU – Análise microscopica: Hemácias: média de 3 por campo Leucócitos: média de 6 por campo Cilindro: Muco: raro Flora barcteriana: numerosa Cristais: numerosos (oxalato de cálcio) Celulas epiteliais: numerosas A amostra da urina apresenta padrões dentro dos normais. Os critais de oxalato de cálcio são freqüente em urina ácida, podendo ser vistos na urina neutra, mas raramente na alcalina. Ocorrem em pessoas que ingerem alimentos ricos em ácido oxáicos, por exemplo, feijão, tomates, algumas verduras, chá mate, etc.

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AMOSTRA 3 Análise do sêmen: Consistência: Viscoso. Volume: 3 mL pH: 9 Motilidade: > 50% A; > 25% B Vitalidade: > 50% vivos Morfologia: < 50% teratozoospermia. A qualidade do sêmen está dentro dos valores referenciais para normalidade, com exceção do valor de pH, o qual apresenta-se um pouco elevado.

AMOSTRA 4 Análise do sêmen: Consistência: Viscoso. Volume: 3 mL pH: 8 Motilidade: > 50% A e B Vitalidade: > 50% vivos Morfologia: < 50% teratozoospermia. A qualidade do sêmen está dentro dos valores referenciais para normalidade.

AMOSTRA 5 Análise do sêmen: Consistência: Viscoso. Volume: 1,5 mL pH: 8 Motilidade: > 50% A e B Vitalidade: > 50% vivos

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Morfologia: < 50% teratozoospermia. A qualidade do sêmen está dentro dos valores referenciais para normalidade, com exceção do volume, o qual apresenta-se diminuído.

5 CONCLUSÃO

As atividades efetuadas durante o estágio em urinálise permitiram uma melhor compreensão dos fundamentos teóricos na medida em que estabeleceram as relações lógicas da observação dos fenômenos. O exame da urina é, sem dúvida, um meio precisos de avaliação da função renal, outras patologias e disfunções metabólicas. E para isso, a utilização de técnicas sensíveis e específicas é o fator preponderante para o bom desenvolvimento da análise. Logicamente há a necessidade de se levar em conta os possíveis interferentes que podem falsear os resultados. Contudo, deve-ser ter muito cuidado para não permitir que a simplicidade dos procedimentos provoque um relaxamento dos padrões de qualidade.

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REFERÊNCIAS

MOURA, Roberto de Almeida et al. Técnicas de laboratório. 3.ed. São Paulo: Atheneu, 2006. 511p. STRASINGER, Susan King. Urinálise e fluidos biológicos. 3.ed. São Paulo: Premier, 2000. 232p. LIMA, A. Oliveira et al. Métodos de laboratório aplicados à clínica: técnica e interpretação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. 231p.

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