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Resumo: Modelo Romano

ORGÃOS DE GOVERNO REPUBLICANO


MAGISTRATURAS
- cônsules (2) – cargo anual ; dirigem todos os negócios públicos; comandam o exército
(detêm o imperium)
- Pretores (2) – cargo anual; administram a justiça
edis ( ) 4 ‐ cargo anual; policiamento urbano; organizam os jogos públicos

COMÍCIOS
representam o povo (dividido em centúrias)
escolhem os magistrados superiores (censores, cônsules, pretores)
votam as leis (leges)
decidem sobre questões de guerra e/ou paz

O Império
O império funcionava como um Estado centralizado; o poder estava centralizado em Roma
(autoridade máxima)
- dada a extensão do império era necessário um poder forte e eficiente para manter a ordem
nas províncias;
- O império é marcado por um poder de carácter pessoal
- o princeps concentrava em si o poder
- o princeps chefiava diretamente todos os órgãos da administração central

Foram criados novos cargos e novas instituições:


CONSELHO IMPERIAL: órgão consultivo
FUNCIONÁRIOS IMPERIAIS
GUARDA PRETORIANA:
- corpo militar privativo do “imperador”
- proteção pessoal do prínceps
- policiamento da ordem pública em Roma

PRINCEPS (“imperador”)
Concentra em si todos os poderes:
‐ IMPERIUM - poder militar e judicial IMPERATOR

- PRINCEPS SENATVS ‐ domínio sobre o senado (poder para fazer cumprir as leis)

- AVGVSTVS ‐ carácter divino; próximo dos deuses

‐ TRIBVNICIA POTESTATES: poder tribunício: pode vetar as leis;torna o “imperador” inviolável

- PONTIFEX MAXIMVS: sumo pontífice: poder religioso; administração e fiscalização dos


sacerdotes e do culto

- PATER PATRIAE ‐ pai da pátria; pai de todos os romanos


Uma administração orientada por leis racionais - a codificação do Direito

Direito é o conjunto de normas jurídicas que rege a vida de um povo. Os romanos criaram o
direito de modo a que a administração do seu vasto império e a convivência pacífica das suas
gentes se tornassem possíveis, isto não seria possível sem que existisse um conjunto de leis
abrangente e organizado, que definisse as normas a seguir nos grandes e pequenos
problemas da vida quotidiana.

A codificação das leis romanas remonta a meados do


século V a. C., quando os plebeus exigiram a
codificação escrita das leis que passavam oralmente de
geração em geração. Este primeiro código, conhecido
por Lei das XII Tábuas, apesar de não passar de um
enunciado de regras provavelmente costumeiras,
primitivas, e, às vezes, até cruéis, representava já um
importante avanço para a época. Os cidadãos romanos
passavam a contar com um corpo legislativo claro e
objetivo e em que algumas áreas do Direito apareciam
já discriminadas. Tão importante foi este primeiro
código legislativo que, apesar das profundas
reformulações por que passou o Direito Romano, nunca
foi revogado e é mesmo referido com respeito por
Justiniano em 565, naquela que seria a última
codificação das leis romanas, o Corpus Juris Civilis.

Porém, iniciado o período das conquistas, os Romanos sentiram necessidade de proceder a


uma renovação constante do Direito. A autoridade romana saía de Roma e passava a ser
exercida em áreas geográficas cada vez mais dispersas e habitadas por populações cada vez
mais heterogéneas, que era necessário unificar e integrar, mediante o exercício de uma
administração eficaz. O exercício da justiça, de forma clara e uniforme, tendo em conta a
conjugação dos interesses do poder romano e a diversidade das leis locais revelar-se-ia um
poderoso instrumento ao serviço da administração do Império.

A renovação do Direito Romano

Impunha-se, pois, a codificação das leis de forma pragmática e racional e a determinação do


que é legal e ilegal por juristas especializados. Isto é, o Direito foi entendido como uma
ciência, edificada com a compilação:

- dos pareceres dos jurisconsultos, homens que se foram especializando no conhecimento


das leis e no processo da sua aplicação. A sua atividade consistia em emitir pareceres jurídicos
sobre questões práticas que lhes eram apresentadas;

- dos éditos dos pretores, os magistrados responsáveis pela aplicação da justiça (o praetor
urbanus, para os cidadãos romanos, e o praetor peregrinus, para os estrangeiros). Como este
cargo era anual, os sucessivos éditos foram originando um corpo estratificado de regras,
aceites e copiadas pelos pretores que se sucediam e que foram codificadas, por volta de 130,
por ordem do Imperador Adriano;

- dos pareceres do Senado (senatus consultus);

- dos decretos imperiais, resoluções emanadas do imperador com força de lei. .


A progressiva extensão do direito de cidadania

De início, apenas eram cidadãos romanos os naturais da cidade e seus descendentes. Só


estes usufruíam na plenitude dos direitos civis e políticos e estavam obrigados aos deveres
determinados pelo Estado.

Com a instituição do poder imperial, a extensão progressiva do direito de cidadania passou


a ser vista como um importante meio de pacificar e unificar o mundo romano, ao mesmo
tempo que alargava o número de contribuintes fiscais e o campo de recrutamento para o
serviço nos exércitos. Por seu lado, os povos conquistados passavam de uma situação de
dependência para uma situação de igualdade jurídica relativamente ao povo conquistador,
o que se traduzia, por exemplo, na possibilidade de serem eleitos para os cargos públicos,
incluindo a possibilidade de ascenderem à magistratura imperial.

O direito de cidadania começou por ser alargado às populações mais próximas de Roma e que
mais pacificamente aceitavam a autoridade imperial e mais passivamente se integravam no
mundo romano:

- Assim, em 49 a. C. todos os habitantes livres da Península Itálica usufruíam da elevada


condição de cidadania romana.

- Ao longo dos séculos I e II, esta condição foi sendo alargada a outros espaços conquistados,
onde personalidades locais se distinguiam pelos bons serviços prestados à autoridade romana.

- Este processo de integração foi concluído no ano de 212 quando o imperador Caracala
concedeu a plena cidadania romana a todos os habitantes livres do Império.

Os diferentes estatutos das cidades

O caráter progressivo da extensão do direito de cidadania motivou diferentes estatutos para as


cidades do Império:

- cidades criadas de novo e povoadas por romanos originários de Roma que optavam por
viver nas províncias conquistadas, como antigos soldados, comerciantes ou simples colonos
em busca de uma vida melhor - eram as colónias e usufruíam de privilégios e de direitos
plenamente iguais aos de Roma;

- povoações já existentes antes da ocupação romana que aceitaram passiva e


pacificamente a autoridade romana, eram consideradas cidades aliadas ou livres cujos
habitantes livres eram reconhecidos como cidadãos romanos com direitos limitados. Com o
tempo, acabaram por obter a plena cidadania de Direito Romano, passando estas povoações a
designar-se por municípios e a constituir novos centros de administração romana nas áreas
conquistadas;

- as povoações que ofereciam maior resistência à ocupação romana eram consideradas


cidades confederadas e estipendiárias por ficarem obrigadas ao pagamento de um tributo
(stipendium). À medida que estas cidades iam aceitando a dominação romana, iam evoluindo
também para o estatuto de municípios, realidade que foi consumada com o Édito de Caracala,
em 212.

2.2. A afirmação imperial de uma cultura urbana pragmática


A padronização do urbanismo
A urbe romana

A cidade romana é o fulcro de uma civilização essencialmente urbana, é o seu centro


cultural, comercial e administrativo, que se enriquece não só com uma finalidade estética, mas
também política: o Estado romano fez das grandes obras de engenharia, dos edifícios públicos
e da escultura monumental um meio de propaganda política, manifestações da sua
supremacia e magnanimidade.

Fruto de uma amálgama de influências e tendências, a arte romana evidencia


características que correspondem às do seu próprio povo:

- o pragmatismo e o espírito prático que os leva a interessarem-se pelo real, pelo imediato e
pelo útil;

- a tendência para a monumentalidade e para o grandioso;

- e a capacidade de assimilação de elementos de outras culturas que integram na sua própria


cultura.

Por padronização do urbanismo entende-se a reorganização de cidades existentes ou


fundação de novas cidades à imagem de Roma, conforme as conquistas avançavam para
oriente, onde os Romanos se depararam com cidades já edificadas, ou para ocidente, onde os
avanços civilizacionais eram menos notados.
No que concerne à configuração urbanística, Roma e as cidades romanas cresceram sob o
signo do racionalismo no seu traçado e do pragmatismo e da monumentalidade na sua
edificação

O racionalismo urbanístico

Assim, ultrapassado o carácter anárquico das


primeiras cidades, encontramos no mundo romano cidades normalmente traçadas segundo
plantas retilíneas, onde as ruas se encontram perpendicularmente, e servindo de referência a
toda a malha urbana ortogonal e definindo geometricamente as zonas residenciais.

Destacam-se neste tipo de cidades dois grandes eixos:

- o cardo, uma grande rua que atravessava a cidade de um extremo a outro (sentido norte-sul),
e
- o decumano (sentido este-oeste), outra rua que com ele se cruzava numa grande praça
central - o fórum.
O fórum era, assim, o grande centro da vida pública das cidades romanas. Trata-se de uma
grande praça em torno da qual se erguem os edifícios religiosos e administrativos mais
importantes. Entre eles, os templos, a Cúria, onde se reunia o Senado, e a Basílica, onde
funcionava o tribunal e se realizavam as reuniões mais importantes.

À medida que Roma se ia estendendo para novos espaços, outros cardos e decumanos foram
surgindo, paralelamente aos eixos iniciais, e outros fóruns se foram sucedendo, cada um mais
monumental do que o anterior, numa demonstração da grandeza e do poder de cada
imperador.

A urbe é concebida como um lugar sagrado isolado do exterior por uma muralha.

O pragmatismo e a monumentalidade das cidades romanas

Por pragmatismo entende-se uma atitude que privilegia o sentido prático das coisas. Em
conformidade com esta atitude, a cidade, para os Romanos, devia ser um espaço que devia
proporcionar conforto e satisfação das necessidades dos que nela habitavam. Por isso, sem
descurarem a beleza e a monumentalidade da cidade, patenteadas pela sumptuosidade e
riqueza decorativa dos edifícios, os Romanos valorizaram a utilidade e a eficiência imediata
dos seus diversos espaços e edificações.

As cidades romanas eram muito organizadas e tinham uma planta bastante retilínea, no qual
duas ruas principais se cruzavam: o cardo e o decumano.

 O Fórum era a grande praça pública, o centro administrativo e religioso da cidade; aqui
ficava a cúria (onde se reunia o senado), a basílica (tribunal e local de reuniões), os
templos (“O Capitólio” dedicado a Júpiter era dos mais importantes) e fartos mercados
públicos.
 Nas cidades havia também os edifícios para o lazer:
 as termas (onde homens e mulheres poderiam ir descansar, relaxar, conversar, mas
em horas distintas);
 o circo (onde se assistia a corridas de carros de quadrigas (com cavalos);
 anfiteatros (onde decorriam duelos entre gladiadores, combates entre feras e homens
e simulações de batalhas navais);
 ginásios e estádios, para competições físicas;
 teatros, onde decorriam faustosas representações de tragédias e comédias;
 ricas bibliotecas.
 Havia os edifícios comemorativos: estátuas em honra de figuras ilustres, onde
preponderavam os imperadores, arcos de triunfo, colunas e pórticos, em homenagem
aos grandes feitos dos exércitos e chefes militares romanos. .
 Havia os edifícios utilitários: aquedutos (que alimentavam com os seus fortes caudais
os imensos fontanários públicos e domésticos), pontes e eficazes redes de esgotos.

Esta padronização urbanística acabou por constituir uma forma de Roma estender às
províncias o seu modelo civilizacional. O objetivo era dar uma imagem da grandeza da cidade
e do poder do imperador, levando, assim, as populações locais à pretendida veneração de
Roma e do imperador e, por consequência, pacificar e unir o mundo romano.

 Para residência dos cidadãos, distinguiam-se dois tipos de habitação, que


configuram já o tipo de habitações que carateriza as cidades modernas:
 As Domus eram as casas particulares das famílias mais ricas, com
jardins interiores e pátios. Tratava-se de habitações sumptuosas onde
nada do que era luxo e conforto faltava, espalhavam-se pela periferia
urbana.

A domus desenvolvia-se na horizontal, embora pudesse haver um segundo piso.


 As divisões que davam para a rua, denominadas tabernae, eram geralmente
arrendadas a terceiros, sendo usadas como lojas ou oficinas. Não havia "montra" no
sentido moderno do termo e a taberna abria diretamente para a rua. Por vezes, os
comerciantes ou artesãos alugavam igualmente o segundo piso, onde viviam com a
sua família.
 Ao entrar na casa de habitação, o visitante era conduzido pelo vestibulum, o qual se
abria para o atrium (átrio). O teto deste possuía uma abertura central, o complúvio
(compluvium), por onde entrava a água da chuva, que era recolhida no implúvio
(impluvium), uma cisterna quadrangular no centro do átrio. Elemento central da
domus, era no átrio que eram colocadas as imagens dos antepassados (imagines
maiorum) e que o patrono vinha saudar os seus clientes ou convidados.
 As Insulae eram os prédios com várias habitações, onde viviam os
habitantes mais pobres, eram construídos em madeira ou tijolo e sem
grande conforto.
 A INSULA (INSULAE, plural)
 Os cidadãos com menos posses, membros da plebe, viviam em casas alugadas, as
insulae, apartamentos exíguos e sobrepovoados situados em prédios de vários
andares.
 As insulae, autênticos prédios urbanos para rendimento, que alojavam as famílias mais
pobres; tinham em média três ou quarto andares, mas muitas delas atingiram os oito
pisos.
 O rés-do-chão era geralmente recuado e utilizado para lojas, abertas para a rua.
Assemelhavam-se a autênticas colmeias humanas e eram construídas com os
materiais mais económicos como o tijolo, a madeira e a taipa. Levantaram grandes e
graves problemas urbanísticos tais como o abastecimento de água, os esgotos, o mau
isolamento acústico e térmico, o exagerado número de andares, a higiene e as normas
de segurança, devido aos frequentes incêndios e às escadas de acesso, íngremes e
apertadas, que dificultavam as evacuações. Apesar de tudo isto, estas construções
apresentam um grande interesse, nomeadamente em relação: à técnica usada para a
construção em altura; à preocupação funcional da planta, com os apartamentos com
acesso, em galeria, ao pátio central, aberto desde o rés-do-chão; ao tratamento das
fachadas não revestidas, onde se rasgavam fileiras simétricas de janelas, numa
antecipação de estilos vindouros.


Características gerais da cultura romana
A cultura Romana era pragmática e tinha bastantes influências helénicas.
Era pragmática pois tinha um sentido prático naquilo que criava, privilegiava a utilidade e a
eficiência, podemos comprovar isso com os seguintes exemplos: os romanos pavimentaram as
estradas, construíram aquedutos e esgotos, tudo para facilitar a vida na urbe. Quanto à
influência helénica, os romanos admiravam bastante os gregos, pois tinham plena consciência
de que era uma civilização superior, então imitavam-nos no que toca à arte, literatura, filosofia
e na religião, que era também politeísta.

A fixação dos modelos artísticos

O pragmatismo está também presente nos modelos adotados pelos Romanos nas artes e na
literatura. Isto é, tendo os Romanos contactado com povos e culturas em avançado nível
civilizacional, não tiveram que se preocupar em criar modelos originais. Antes, souberam
respeitar e aproveitar os valores culturais que iam encontrando e introduzir as necessárias
inovações para o respetivo ajustamento a uma cultura dominada pelos princípios da
funcionalidade e da utilidade. Até porque a assimilação de culturas e de religiões das
populações locais constituía também uma excelente forma de integração dos povos dominados
no mundo romano.

Sendo assim, a arte romana é fortemente marcada por influências etruscas, gregas e
helenísticas (a cultura helenística ou helenismo resultou da fusão da cultura clássica grega com
as culturas orientais após as conquistas de Alexandre, o Grande, da Macedónia (356 a. C.-323
a. C.).2, sendo a influência grega a mais presente. Afinal, a Grécia foi conquistada politica e
militarmente pelos Romanos, mas conquistou culturalmente o mundo romano.

A arquitetura

Características gerais

 Pragmática;
 Funcional;
 Colossal;
 Magnificente

A arquitetura romana preocupou-se essencialmente com a resolução dos aspetos práticos e


técnicos da arte de construir, respondendo com soluções criativas e inovadoras ás crescentes
necessidades demográficas, económicas, políticas e culturais da cidade e do império.

O enriquecimento das cidades romanas com toda a panóplia de construções que acima
descrevemos fez da arquitetura a expressão artística mais poderosa da cultura romana. Mais
poderosa ainda pela robustez e monumentalidade das construções associadas à sua
funcionalidade e utilidade.

Influências

De todas as formas da arte romana, é a arquitetura que melhor testemunha o génio inventivo e
prático de Roma e que melhor documenta a sua evolução histórico-social.

A arte romana sofreu duas fortes influências da arte italo-etrusca, popular, voltada para a
expressão da realidade vivida e reveladora de um povo alegre e amante da vida, e da arte
greco-helenística, orientada para a expressão de um ideal de beleza:

Aos gregos foram buscar as conceções clássicas dos estilos jónico, dórico e coríntio, aos
quais associaram novos estilos, como o toscano e o compósito, que aplicaram na decoração
arquitetónica; imitaram as plantas dos templos retangulares e circulares na construção de
basílicas e outros edifícios como os teatros e a domus, cuja conceção parte do peristilo grego,
transformando-o um núcleo residencial; o urbanismo romano também adquiriu influências
gregas, pois a partir da acrópole e da ágora gregas, os Romanos passaram ao Capitólio e ao
fórum de Roma. No entanto, os arquitetos romanos abandonaram o carácter racional da sua
utilização. Com efeito, as preocupações helénicas com a ordem e a beleza não se
coadunavam com as intenções propagandísticas da grandeza de Roma e do imperador.

Dos etruscos herdaram vários conhecimentos e técnicas tais como: a utilização do arco e da
abóbada; a construção de cidades muralhadas com traçado retilíneo das ruas; a realização de
pontes, túneis, esgotos e estradas; a edificação de templos com pódio, pórtico com colunas de
madeira, telhados de duas águas e beiral, cella, proporções quase quadradas e paredes de
tijolo cru; e a produção de túmulos de várias formas, cujas características se assemelhavam ás
casas dos vivos. O recurso à abóbada de berço e ao arco de volta inteira, não utilizados pelos
Gregos, foram assim outra particularidade da arquitetura romana, imprescindível na edificação
das grandes pontes, aquedutos e cobertura dos amplos espaços das construções religiosas ou
recreativas.

É na arquitetura que Roma interpretará de forma mais original o legado grego, tanto no sentido
técnico e construtivo quanto no formal e tipológico. Se, por um lado, a utilização do arco de
meio ponto permitirá a construção de coberturas abobadadas e em cúpula, abrindo o caminho
a exemplares obras de engenharia, por outro lado, a inovação dos novos materiais e
tecnologias de construção, introduz alguma originalidade na arquitetura romana: a coluna
grega adossada ao muro, em simultâneo com o arco de volta inteira.

Contudo, as construções romanas são caracterizadas pelo gigantismo de algumas colunatas e


profusão decorativa dos capitéis. Por isso, os arquitetos romanos não tiveram qualquer
relutância em misturar num mesmo edifício as ordens dórica, jónica e coríntia e introduzir uma
ordem nova - a ordem compósita, que resultava da fusão de elementos decorativos dos
capitéis gregos.

A romanização da Península Ibérica

Em termos simples, por romanização entende-se a difusão da civilização romana entre os


povos conquistados com o objetivo de proceder à sua plena integração. Portanto, romanização
é um processo de aculturação, um processo pelo qual uma determinada comunidade
populacional assimila total ou parcialmente uma cultura diferente da sua.

Sendo assim, romanização é a adaptação dos povos conquistados pelos Romanos às suas
formas de organização administrativa, económica e social e a todos os seus valores culturais.

A conquista da Península Ibérica

Os primeiros sinais da presença romana nas praias ibéricas remontam ao ano 218 a. C.,
quando as legiões de Cneu Cipião iniciaram o ataque às posições cartaginesas da costa
mediterrânica. Em 206 a. C., derrotados os Cartagineses, os Romanos já dominavam todo o
Sudeste da península, onde praticamente não encontraram outra resistência.

No Norte e Ocidente ibéricos, todavia, o processo de ocupação foi dificultado pelo caráter
aguerrido e tenaz resistência dos povos indígenas. Entre eles, incluíam-se os Lusitanos, os
Cântabros, os Ástures e os Galaicos, com os quais os exércitos romanos tiveram de se bater
com forças militares reforçadas e comandadas pelos mais prestigiados generais.

- A partir de 139 a. C., destacou-se Décimo Júnio Bruto, que submeteu durante algum tempo a
parte setentrional e central da Lusitânia e os Celtiberos. A este general se deve a fundação da
povoação de Cale (é este "Portus Cale" que se considera estar na origem do termo Portugal)
junto à foz do rio Douro, sob cuja dependência ficou toda a região pacificada a noroeste até ao
tempo de Augusto.

- Entre 76 a. C. e 71 a. C., é Pompeu quem tem de vir à península pôr fim a novas rebeliões
dos Lusitanos comandados agora por Quinto Sertório.

- A partir de 61 a. C., a campanha ibérica nas montanhas a norte do Tejo proporcionou a Júlio
César importantes triunfos na sua ascensão política. Foi este magistrado romano quem
pacificou os Lusitanos, obrigando-os a transmudarem-se do alto dos montes para as planuras e
a adotarem as primeiras formas de vida civilizada. A ação romanizadora de Júlio César está
bem presente nas designações dadas às mais importantes cidades do Sul do espaço
português: Liberalitas Julia, dada a Ebora (Évora), Felicitas Julia, dada a Olissipo (Lisboa),
Praesidium Julium, dada a Scallabis (Santarém) e Pax Julia, dada à atual Beja, cidade que
fundou de raiz.

- Em 26 a. C., é o próprio Octávio que tem de intervir no combate à rebelião de alguns povos
do Norte e nos últimos atos de pacificação do Ocidente ibérico. A Augusto se deve o título
Augusta dado a Bracara (Braga), principal cidade dos Brácaros, e a fundação de Emérita
Augusta (Mérida) para fixação de soldados em fim de carreira militar (emeriti).

Ao fim de dois séculos (218 a. C. - 19 a. C.), toda a península estava pacificada e a Hispânia
(nome por que era conhecida a Península Ibérica pelos Romanos) transformada no mais
romano de todos os territórios conquistados a seguir à Península Itálica.

A organização administrativa

Importante instrumento de dominação e de pacificação das províncias conquistadas foi a sua


reorganização administrativa. Desde cedo, por conseguinte, os Romanos preocuparam-se em
consolidar a sua autoridade administrativa à medida que a conquista ia avançando.

Ainda antes do fim da guerra com Cartago, a Hispânia foi dividida em duas províncias - a
Citerior, no Nordeste mediterrânico (vale do Ebro), e a Ulterior no Sul/Sudeste (vale do Bétis),
de que Décimo Júnio Bruto e Júlio César foram governadores, ao tempo das suas ações
militares acima referidas.

Durante o império de Augusto, a organização administrativa da Hispânia viria a passar por uma
profunda reestruturação. As duas anteriores províncias deram lugar a três:

 a Baetica, com a capital em Corduba, já perfeitamente integrada no mundo romano,


ficou sob administração de um procônsul escolhido entre os membros do Senado;
 a Tarraconense, com a capital em Tarraco, e
 a Lusitânia, com a capital em Emérita Augusta, ficaram sob tutela administrativa de um
governador designado pelo próprio imperador, dada a resistência que continuavam a
mostrar relativamente à ocupação romana.

A reorganização económica

A romanização traduziu-se numa profunda transformação nos modos de vida dos povos
peninsulares, sobretudo dos povos do interior e Nordeste ibéricos mais resistentes à ocupação.
Tratava-se de povos de origem celta, de costumes rudes e sóbrios, que habitavam os castras,
nos cimos dos montes, e que faziam da pastorícia, da recolha de alimentos e da guerra os
seus principais meios de subsistência.

Depois de vencidas e pacificadas, estas populações desceram para as planícies férteis, onde
passaram a dedicar-se às atividades agrícolas e comerciais, ao mesmo tempo que começavam
a apreciar os prazeres materiais ensinados pelo vencedor.
Em consequência, ocorreu uma profunda alteração do regime de propriedade e do caráter da
economia do Ocidente ibérico: a propriedade comunitária deu lugar à ocupação individualista
do solo e uma economia" predominantemente pastoril deu lugar a uma economia agrícola.
Com efeito, formaram-se amplas propriedades fundiárias, as villae, cujos proprietários fizeram
da agricultura a atividade dominante, não só para consumo interno, mas também tendo em
vista a exportação dos produtos ibéricos para outras regiões do Império.

A pecuária passou também a ser uma atividade paralela à agricultura, tendo em vista a
produção de carne, de lãs e de peles para as indústrias de lanifícios e de curtumes.

As indústrias de extração dos preciosos recursos mineiros ibéricos, a tecelagem, a olaria, a


produção de sal e conserva de peixe.

Esta intensa atividade produtiva motivou uma dinâmica atividade comercial, facilitada pela
densa rede de vias romanas e pelo aparecimento da moeda como intermediária nas trocas.

Uma nova sociedade

A sociedade peninsular, como vimos, também se tornou mais urbana com o incremento das
cidades característico dos padrões civilizacionais romanos.

Entretanto, a população ibérica viu-se misturada com os legionários romanos que por cá
apareciam ao serviço do exército e que, uma vez retirados, por cá ficavam definitivamente,
quer por vontade própria, quer estimulados pelo poder romano, como meio de difusão da
civilização romana e da autoridade imperial.

Juntamente com os exércitos, vinham comunidades de emigrantes civis em busca de novos


modos de vida que a fama da riqueza das novas províncias parecia prometer. Em particular,
durante os conflitos políticos na segunda metade do século I a. C., chegaram à península
elementos de elevada condição social, uns cansados da conturbação política vivida em Roma,
outros fugidos das perseguições de que eram alvo. Entre eles, destacou-se o general Sertório,
que chegou a dirigir os rebeldes lusitanos e a fazer tremer o Senado romano com os seus
feitos militares.

Os novos valores culturais

A atuação das autoridades provinciais ibéricas veio a ser fundamental no processo de


aculturação dos povos peninsulares. A elas estava incumbido o dever de mostrar toda a
magnanimidade do poder romano, ao estabelecerem um clima de paz e de confiança assente
no respeito e tolerância pelas culturas locais e consolidado com a promoção dos benefícios da
cultura e dos modos de vida romanos.
É, por conseguinte, nesta atitude política que se insere o particular cuidado com:

- a difusão de novos tipos de casa e de vestuário, onde o tijolo e a toga romana fazem moda,
por exemplo;
- a criação de novos espaços urbanos ou reorganização de outros existentes, à imagem
urbanística de Roma. As cidades e mesmo as aldeias enchem-se de templos, teatros, circos,
aquedutos, balneários, espaços pavimentados com mosaicos policromos, enfim de todo o
brilho das construções romanas;
- o traçado de amplas vias por onde circulava eficazmente a administração romana ao lado
dos produtos comerciais;
- o exercício cuidado da justiça no rigoroso respeito pela objetividade do Direito Romano;
- todo o processo de aculturação que abrangia o culto religioso, simultaneamente prestado às
divindades romanas, onde se incluía o culto a Roma e ao imperador, e locais que, entretanto,
iam sendo romanizados; a difusão da língua latina e a educação;
- a integração das cidades provinciais no processo educativo romano e consequente criação
de escolas onde era dado particular relevo à educação dos filhos das autoridades indígenas
que se foram afirmando como novas elites sociais romanizadas, para exemplo das
comunidades mais resistentes.