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E.E.E.F.M. “Prof.

ª Maria Olinda de Oliveira Menezes”


Data: 30/08/2019

Série: 1º Disciplina:História Professor: Vaneska Godoy de Lima

A África antes dos europeus

Falar da história do continente africano é, em parte, fácil. A África é o berço da raça humana e foi lá
que nasceu um dos povos mais estudados na Antiguidade, o povo egípcio. Mas e o restante do continente? Por que
ele não desperta tanta curiosidade quanto o povo que viveu às margens do rio Nilo?
E é sobre estes povos que nós vamos falar um pouquinho neste texto.
Mais do que apenas “o berço do Homem”
Densas florestas, savanas ricas em vida animal, litoral farto, e ao leste grandes montanhas e lagos. Os
primeiros homens que não migraram do continente africano para outros lugares do mundo viveram milênios isolados
pelo mar e pelo deserto, e desenvolveram sociedades tão avançadas quanto a sociedade egípcia.
Mas isolados é um modo de dizer, já que entre todos os povos africanos existia um farto e
dinâmico comércio. Ouro extraído da região de Gana chegava aos egípcios através da Núbia. Peles de animais
exóticos caçados nas florestas africanas eram vendidas na Ásia Menor.
Os bérberes do Saara comercializavam com os árabes e europeus nas costas do Mediterrâneo o marfim
retirado dos elefantes das savanas. O ferro, introduzido no Egito pelos assírios por volta de 500 a.C., era fundido no
interior da África em 100 d.C. com um processo semelhante ao que os europeus só utilizariam no início da Idade
Moderna.
Aqui, um parênteses rápido: os europeus já fundiam o ferro há muito tempo. Mas os processos eram
diferentes e na África, principalmente entre os Haya (povo de fala Banto e que viviam próximo ao Lago Vitória, onde
hoje é a Tanzânia) os fornos chegavam a atingir temperaturas que variavam entre 200°C e 400°C a mais que os fornos
europeus. Por isso, a fundição africana era bem mais eficiente e os fornos europeus só conseguiriam chegar nestas
temperaturas no século XIX.
O isolamento destes povos africanos era social. Por não sofrerem interferência direta de nenhum povo
asiático ou europeu, com o tempo muitas das tribos chegaram a níveis de organização que causaram espanto nos
primeiros europeus que mergulharam no interior da África.
Organização política e social
Reinos como Songhai, Yam, Kerma, Napata, Ashanti, Abomey, Oyo e Mossi tinham um Estado
altamente organizado, com instituições complexas como um conselho de anciãos, que definia e controlava o poder
exercido pelo governante da tribo — bem semelhante ao Senado Romano — e um sistema administrativo e
burocrático que era muito parecido com os sistemas de outras partes do mundo.
Muitos dos reinos eram cidades-estados que tinham suas áreas de influência, chegando a controlar
diversas outras tribos. Mas as disputas dificilmente chegavam às vias de fato, à guerra, pois os líderes africanos com o
passar dos séculos desenvolveram um sistema exogâmico — quando não há casamento entre parentes próximos —
, o que acabava tornando os líderes das diversas tribos parentes uns dos outros.
Quando havia uma disputa, ela era resolvida pela força organizada — apenas como agente punitivo, não
como motivo para expansão territorial — ou pelo diálogo. Neste caso a resolução ficava nas mãos de um conselho de
sábios formados por membros das tribos envolvidas. Mas por que este costume? Na verdade, os líderes não
desejavam combater os parentes, apenas resolver o problema da melhor maneira possível, sem mortes.
Ainda sobre a organização social e o sistema exogâmico, o historiador Michael Hamenoo diz:
As estruturas políticas africanas indígenas, organizadas da base para cima, giram em torno das instituições
sagradas da família, de onde ramificam para o clã, a linhagem e o grupo de descendência. Através das convenções de
exogamia, testadas durante milênios, os casamentos são contratados fora da linhagem, o que significa dizer que um
grupo de descendência, casando, vai pertencer a outro grupo mais distante, assim ligando os grupos vizinhos numa
série de alianças com uma consciência comum de identidade cultural. Esses grupos se unem para autodefender-se,
quando ameaçados por um grupo estrangeiro inimigo. A autoridade, tanto temporal como espiritual, às vezes
diferenciada, pertence ao homem genealogicamente precedente dentro do clã.[1]
Quando alguém erroneamente defende os europeus do processo escravista ocorrido entre os séculos XV e
XVIII dizendo que “os africanos escravizavam os inimigos, que eram os próprios africanos de outras tribos! ”, ele está
cometendo dois erros: o primeiro é defender ou tentar justificar a escravidão, e o segundo é desconhecer
a escravidão que ocorria dentro do continente africano entre as tribos que porventura guerreavam.
Ela existiu entre as tribos africanas? Sim, não podemos negar. Mas era uma escravidão bem diferente
da praticada no Brasil. Os negros capturados e levados para a tribo vencedora tinham que trabalhar e lutar pela
tribo, mas também tinham direitos, podendo até casar com um membro da tribo vencedora. Não havia a
agressão gratuita observada no Brasil, muito menos a falta dos direitos sociais pertencentes aos outros membros da
tribo.
A Religião africana
Os africanos tinham uma noção de deus único, maior, criador, distante do homem, assim como no
cristianismo ou no islamismo.
Os desígnios de deus estavam fora de seu controle e de sua compreensão, e em cada grupo étnico o deus-
maior recebia um nome diferente: para os Yoruba, por exemplo, era Olorum. Os Ewe chamavam-no de Mawu. Os
Ashanti, de Onyankopoa [2].
Os africanos cultuavam as forças da natureza e davam a elas personalidades humanas.
Assim como Iansã, Ogum ou Oxossi, outros deuses faziam parte da religião africana. Cada culto, em cada
região o grupo étnico que ali vivia tinha suas particularidades, mas de um modo geral podemos dizer que a religião
dos povos sub-saarianos era bem parecida com a dos povos antigos, adoradores da natureza e de seus fenômenos
naturais.
Fontes:
[1] NASCIMENTO, Elisa (org.): Sankofa: resgate da cultura afro-brasileira. volume 1. Rio de Janeiro, 1994, p.
83 e 84.
[2] Idem, p. 84.

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