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PALAVRAS 12

Teste 12.º ano


março 2020

Proposta de correção
Grupo I
EDUCAÇÃO LITERÁRIA

A
1. Batola evidencia comportamentos opostos com o desenrolar da ação.
De facto, no início, é um homem solitário, apesar de ser casado, sem objetivos de
vida, indolente, passando os dias de forma monótona e rotineira (“Não faz nada,
levanta-se quando calha”). Depois, renasce, revela vivacidade e tem gosto no seu
trabalho, acordando cedo para atender os clientes na venda. Torna-se comunicativo,
com desejo de continuar as conversas do dia anterior, e anseia saber notícias sobre o
que se passa no mundo, ouvindo a telefonia (“Muito antes do meio-dia já ele começa a
consultar o velho relógio”).
Conclui-se que o Batola ganha paixão pela vida com a chegada da telefonia.
2. Os habitantes da aldeia atribuem um grande valor à telefonia.
Na verdade, o aparelho tem a capacidade de transformar a sua vida. Antes, viviam
apenas do seu trabalho, fazendo sempre as mesmas tarefas, que os deixavam
“vergados pelo cansaço”. A “voz poderosa do homem” da telefonia retirou-os do “fim
do mundo”, trazendo até eles o que até então desconheciam e a esperança de uma
vida melhor. Por isso, na última noite em que a telefonia se ouviria, os homens saem
tristes e calados, conscientes de que a sua vida voltaria à “escuridão” de sempre.
A telefonia é, assim, a única forma de ligar aquela população isolada ao mundo e de
a inserir socialmente.
3. Este excerto permite traçar um retrato sociocultural do Alentejo na primeira
metade do século XX.
Assim, subentende-se a vida monótona e triste dos habitantes de Alcaria (“diante
daquela monotonia desolada”). Durante o dia, os homens trabalham de sol a sol
(“levanta com o dia, lavra, cava a terra, ceifa e recolhe vergado pelo cansaço e pela
noite”) e à noite, depois de irem à venda do Batola, dirigem-se para suas casas e
dormem.
Concluindo, a população desta terra alentejana trabalha arduamente, não havendo
lugar para momentos de laser.
4. Os recursos expressivos conferem originalidade e uma maior expressividade ao
texto.
Na verdade, esta metáfora identifica os homens da aldeia com um rebanho,
sugerindo que estas pessoas se deixam levar com facilidade, não revelando nem ideias
nem vontade próprias. Todos evidenciam o hábito de fazerem as coisas sempre da
mesma maneira. Aliás, a enumeração das suas atividades diárias, através da expressão
“que se levanta com o dia, lavra, cava a terra, ceifa e recolhe vergado pelo cansaço e
pela noite”, demonstra a rotina a que todos iriam voltar quando a telefonia já não
estivesse ali.
Em suma, é evidente a sugestão de ausência de objetivos, pois todos os homens
têm a mesma vida.
B

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Teste 12.º ano


março 2020

5. O contraste entre os dois tempos põe em evidência a grandiosidade do passado e a


vulgaridade do presente.
De facto, o ambiente citadino que o sujeito descreve enquanto deambula
apresenta-se como um espaço trivial, um “recinto público e vulgar, / Com bancos de
namoro e exíguas pimenteiras”, contrastando com a estátua de Camões, “Um épico de
outrora” com “proporções guerreiras”, que ascende de forma “monumental”.
Concluindo, percebe-se aqui uma clara alusão aos Descobrimentos, um tempo de
grandeza e riqueza, e ao papel de Camões no engrandecimento dos Portugueses, por
oposição ao presente triste e medíocre.
6. O sujeito poético apresenta uma clara intenção crítica face a alguns setores da
sociedade.
Efetivamente, denuncia a desigualdade social em “Inflama-se um palácio em face de
um casebre”, a repressão dos membros do clero, através das expressões: “a nódoa
negra e fúnebre do clero” e o “inquisidor severo” e a repressão militar em “Partem
patrulhas de cavalaria” e “A pé, outras, (…) derramam-se por toda a capital”.
Em conclusão, o sujeito evoca o passado glorioso para contrastar com o presente
medíocre.

C
7. Luís de Camões notabilizou-se pela escrita da epopeia, mas também foi muito
admirado pela sua poesia, compilada na obra Rimas.
Enquanto poeta lírico, Camões escreveu poesia tradicional e cultivou também o
soneto com especial mestria. Nestas duas vertentes, um dos temas versados foi a
reflexão sobre sua vida pessoal. Em poemas como “Erros meus, má Fortuna, Amor
ardente”, o sujeito culpa o destino pela sua má sorte e enumera uma série de
experiências pessoais de pendor negativo. Assim, analisa o seu percurso pessoal
marcado pelo sofrimento, pela angústia e pela inquietação. A experiência infeliz do
amor, a recordação de um bem passado, a miséria, o desejo de vingança ou de morte
são algumas ideias que atravessam os poemas que refletem sobre a vida pessoal do
sujeito. Na verdade, nestes poemas, o “eu” lírico cai numa profunda tristeza que
denota um grande sofrimento.
Em suma, a reflexão sobre a vida pessoal em Camões lírico é marcada pela
infelicidade, que origina ainda uma análise sobre o desconcerto do mundo. (167
palavras)

Grupo II
LEITURA / GRAMÁTICA

Item
1. A
2. B
3. C
4. C
5. A
6. “uma visão mais ampla”.

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7. Sujeito.
8. Oração subordinante: “Já em fevereiro deste ano, os Passadiços reabriram, com
novas medidas de gestão”;
Oração subordinada adjetiva relativa restritiva: “que melhoraram um projeto já de
si notável”.

Grupo III

ESCRITA
 Estruturação temática e discursiva (ETD)
 Correção linguística (CL)

Tópicos sugeridos:
 dialogar releva a capacidade humana de (re)conhecer o outro;
 a tarefa de construir o bem comum necessita de diálogo;
 o diálogo é o alicerce fundamental da vida social, familiar e individual;
 as guerras, a violência, os fundamentalismos, as inimizades, as crises familiares
advêm da incapacidade para dialogar;
 o diálogo constrói entendimentos que levam à compreensão das mudanças e das
constantes transformações;
 o diálogo promove a coragem da transparência e da honestidade nas relações
interpessoais;
 o diálogo promove a reflexão crítica;
 …