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O Consórcio de Exportação como Solução para Internacionalização de Empresas

Moveleiras Mineiras.

Resumo:

O presente estudo relata a realidade de empresas brasileiras que tem procurando unir esforços
através de ações conjuntas em redes de cooperação de empresas, especificamente os
consórcios de exportação, para adentrarem ao mercado internacional. A fim de apresentar
uma estimativa do modelo de comércio internacional, este estudo de caso tem como objetivo
central analisar a atuação dos consórcios de exportação na internacionalização de empresas no
setor moveleiro do APL Ubá. Constam como objetivos específicos a revisão de literatura
sobre Marketing Internacional, Promoção Comercial Internacional, Consórcio de Exportação
bem como analises da estrutura do consórcio de exportação Movexport e seus desdobramentos
utilizando a empresa Sier Móveis como objeto de pesquisa. Para alcançar os objetivos
propostos, o estudo aborda como metodologia a realização de entrevistas semi-estruturadas
com representantes do consórcio de exportação, e empresas do APL Ubá, além de análise
documental. Dos resultados obtidos, conclui-se que os consócios de exportação podem se
configurar como estratégias de marketing bem sucedidas para a internacionalização de
empresas de micro, pequeno e médio porte.

1. Introdução

Atualmente, os caminhos traçados para evolução de Pequenas e Médias Empresas (PME’s)


fazem com que essas busquem níveis cada vez mais eficazes de interação, cooperação e
inovação. Essa relação de parceria tem impulsionado diversos projetos, a exemplo verifica-se
o projeto do Arranjo Produtivo Local (APL) de Ubá, resultado da parceria do setor produtivo
moveleiro da cidade mineira. Tal iniciativa tem contribuído para o aprimoramento da
produtividade do pólo moveleiro através da participação das empresas locais no mercado
brasileiro e internacional além de criar condições favoráveis para expansão das PME’s.

Segundo dados disponibilizados para consulta on-line pelo Ministério do Desenvolvimento,


Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o pólo
moveleiro de Ubá apresenta crescimento nas áreas de exportação e criação de novos
empregos. Hoje, ela é um dos 11 APL's do Brasil que através dos seus recursos garante o
acesso das indústrias de móveis ao Programa de Extensão Exportadora (PEIEX) do Ministério
do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No total, foram comercializados
no mercado externo pelas empresas participantes do arranjo, nos oito primeiros meses de
2008, cerca de US$ 5.5 milhões, sendo que em 2007, no mesmo período, foram exportados
US$ 4.8 milhões em móveis.

Diversos fatores podem ser delimitados como explicação desse desempenho, tais como a
influência da política cambial adotada no Brasil, ou o crescimento do comércio de móveis no
exterior. Porém, os consórcios de exportação adotado no presente estudo como modelo de

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organização para exportação tem sido um dos principais instrumentos da rede de cooperação
internacional, pois permitem que empresas, sejam elas de pequeno e médio porte, se agrupam
por segmentos produtivos com a finalidade de exportarem seus produtos resguardando sua
individualidade no mercado. Destaca-se, no âmbito legal, o apoio na formação de consórcios
recebidos da Agência de Promoção de Exportação (APEX-Brasil), responsável pela
sensibilização, formação, desenvolvimento e financiamento de consórcios no país.

2. Objetivos do Estudo

O objetivo principal do presente estudo de caso é analisar a atuação dos consórcios de


exportação na internacionalização de empresas no setor moveleiro do APL Ubá, a fim de
apresentar uma estimativa do modelo de comércio internacional elucidando suas
características, desafios e vantagens competitivas que a estrutura de um consórcio desenvolve
para inserção dos seus consorciados no mercado externo.

Como objetivos secundários, pode-se citar:

• Revisar literatura sobre Marketing Internacional;

• Revisar literatura sobre Promoção Comercial Internacional;

• Revisar literatura sobre Consórcio de Exportação;

• Analisar a estrutura do consórcio de exportação Movexport;

• Avaliar a evolução da Sier Móveis, empresa consorciada ao Movexport.

3. Referencial Teórico

3.1. Marketing internacional

Segundo Philip Kotler (2001), reconhecido como uma das maiores autoridades mundiais
em marketing, o marketing é “um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e
grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de
valor com outros”. E, de acordo com Palácios e Sousa (2004), “o marketing internacional
é a realização das atividades mercadológicas que gerenciam o fluxo de bens ou de
serviços desde uma empresa até aos seus consumidores ou usuários, em mais do que um
país para se obter um benefício”.

A adoção de estratégias de internacionalização requer um enfoque diferente das


estratégias definidas para os mercados internos, uma vez que as expectativas e
necessidades destes consumidores são, muitas vezes, desconhecidas pela empresa
fornecedora. É preciso identificar e desenvolver suas competências, enfrentar a
competitividade reconhecer as preferências do consumidor, observar canais de
distribuição e reconhecer ameaças e oportunidades.
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De acordo com Minervini (2001), a empresa deve refletir sobre a maneira de exportar,
evitando pensar que o mercado externo é uma simples extensão do mercado interno. O
mesmo destaca ainda que os principais pontos de fragilidade nas empresas, com relação
ao mercado internacional, são a falta de informação e as dificuldades de adaptação a
outros padrões culturais do mercado externo.

Contudo, para que uma estratégia de marketing seja bem sucedida é fundamental o estudo
e o respeito à cultura do mercado consumidor, aspectos como diversidade religiosa, étnica
e social são pilares básicos no desenvolvimento de qualquer tática comercial.

Além do mais, na busca pela inserção no mercado externo é essencial a definição dos
meios para a exportação, que pode ser direta ou indireta. No primeiro caso todas as
responsabilidades e custos inerentes ao processo de exportação estão a cargo do
investidor, é o modo mais arriscado para efetuar tal penetração, contudo os lucros
advindos dessa movimentação são mais expressivos.

A importação indireta consiste na criação de consócios de exportação ou trade companies,


dessa forma os custos e riscos diminuem consideravelmente, pois são divididos entre os
participantes. Tal característica torna essa alternativa atraente para pequenas e médias
empresas.

3.2. Promoção Comercial Internacional

Walquíria Freitas de Assis, em sua dissertação de mestrado intitulada “Inteligência


Estratégica Aplicada à Promoção Comercial Internacional” (2007) define como objetivo
das Organizações de Promoção Comercial (OPCs) ou de Promoção de Exportação o
auxilio a comunidade empresarial visando à expansão das exportações, promovendo
serviços que facilitem a entrada no mercado internacional.

Ainda de acordo com a autora, é possível dividir o processo de promoção comercial em


quatro tarefas distintas e fundamentais. A primeira delas é a identificação da oferta de
exportação imediata, no curto, médio ou longo prazo; assim como assinalar a demanda do
importador; é necessário também identificar as necessidades da comunidade exportadora;
e, analisar as chances de comércio disponíveis no exterior.

A segunda tarefa das OPCs é a disseminação das informações, conhecimento e contatos


armazenados, sanando as necessidades das empresas. A seguir, como terceira tarefa
básica, essas organizações devem atuar de maneira mais direta, auxiliando nos processos
de exportação, desde a logística dos transportes, passando por financiamentos, marketing,
controle de qualidade, adaptação de produtos para o mercado externo até os aspectos
legais. Tal empreitada possui elevados custos que, geralmente, são distribuídos entre as
OPCs privadas e públicas.

Representação no exterior é a quarta tarefa legada as OPCs. Ela se refere a representação


das empresas fora de seu país de origem e abrange participação em feiras, organização de
missões empresariais, convite a clientes para visitar o local de produção e fornecimento de
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auxílio na subcontratação de serviços de exportação. No Brasil, o Itamaraty é responsável
por quase toda a prática da atividade de representação referente às políticas de promoção
comercial.

Segunda a Internacional Trade Center, ITC (1986), o sucesso dessas organizações é


condicionado a algumas iniciativas, tais como:

“... definição de responsabilidades e funções específicas para cada uma das


instituições que operam na área de promoção comercial; a presença e autonomia
suficiente para o desenvolvimento de projetos; a responsabilidade pelo planejamento,
implementação e gerência das atividades de pesquisa de mercado e de sistemas de
informação comercial; o acesso aos serviços oferecidos pela estrutura de
representação no exterior; recursos humanos qualificados nas áreas de comércio
exterior e de marketing; e extensão das atividades de promoção comercial a produtos
não tradicionais.”

Ademais, de acordo Walquíria Freitas de Assis, ainda a interação entre Organização de


Promoção Comercial e comunidade empresarial é outro fator essencial para alcançar o
objetivo mutuamente estabelecido, a exportação.

No Brasil a principal entidade competente nesse setor é a Agência Brasileira de Promoção


de Exportações e Investimentos (APEX - Brasil), organização ligada ao Mistério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) que tem a missão de “promover
as exportações de produtos e serviços, contribuindo para a internacionalização das
empresas brasileiras, fortalecimento da imagem do país e potencializando a atração de
investimentos” (APEX - Brasil).

3.3. Consórcio de Exportação

Para Marçal Rizzo e Rossana Codogno (2006) consórcio de exportação é a união de


corporações com o mesmo interesse, aliadas em uma entidade fundada há pelo menos um
ano juridicamente sem fins lucrativos, unidas com o objetivo de melhorar a oferta de
exportações e de promover importações. E segundo Maciel e Lima (2002), “consórcios de
exportação são associações de empresas com o objetivo de atuar conjuntamente em
mercados internacionais.”

Ainda de acordo com os autores Maciel e Lima há duas finalidades do consórcio de


exportação: promoção comercial, no qual as empresas fazem apenas o marketing em
conjunto, atuando separadamente nas outras atividades internacionais; ou comercialização
em que as empresas fazem ambas as partes de promover e comercializar o produto no
mercado externo.

Com relação a importância do envolvimento das pequenas e médias empresas em


consórcios de exportações Marçal Rizzo e Rossana Codogno (2006) diz que é um
organismo adequado no desenvolvimento de alianças, porque surgem para promover,
concretizar e viabilizar a inclusão de pequenas e médias empresas no comércio
internacional.
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Entretanto, para que haja sucesso do consórcio de exportação é de extrema importância
que tanto para empresas consorciadas quanto às entidades envolvidas se esforcem para
que haja um bom desempenho do programa. De acordo com Lúcia Freitas e Luana Santos
(2007) deve haver um estatuto especificando as normas da associação formalmente. Cada
consórcio de exportação tem suas características únicas, mas há aspectos comuns a todos
eles.

Geralmente, há uma entidade de classe em forma de empresa que organiza as relações


entres as empresas que constituem o consórcio de exportação e pelos clientes do exterior,
como importadores e distribuidores, formando assim a estrutura organizacional de um
consórcio de exportação, que é mediado por um órgão interveniente, a APEX - Brasil,
incentivado por órgãos do governo como Ministério do Desenvolvimento Indústria e
Comércio Exterior (MDIC), Secretaria do Comércio Exterior (SECEX), Câmera do
Comércio Exterior (CAMEX), Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior
(FUNCEX), entre outros (LÚCIA FREITAS E LUANA SANTOS, 2007).

São inúmeras as vantagens que o consórcio de exportação apresenta, algumas delas


citadas pelo site do SEBRAE SP, tais como: diminuição dos custos de exportação por
meio de despesas partilhadas, aumento da escala de produção, o absorvimento de novas
tecnologias de produção de forma vinculada, diminuição das variações estacionais nas
vendas, estímulo da competitividade em nível de grandes empresas, e a probabilidade de
criação de uma marca forte.

Ainda que o programa seja uma ferramenta viável e eficaz para empresas que buscam
expansão no mercado externo, o consórcio pode apresentar algumas desvantagens, que
segundo Barbieri Lima (2006) pode-se citar disputa entre as empresas integradas em um
mesmo consórcio, prejuízo em decorrência da má administração das relações
internacionais devido à falta de experiência, além de segredos industriais que levam a um
mau desempenho.

Consequentemente, o consórcio de exportação apresenta uma grande chance para as


pequenas e médias empresas que possuam interesse em dar início a projetos de comércio
exterior, com estratégia frente a concorrentes com maior tamanho de mercado e ainda
colaborar mais para melhoria de qualidade de seus respectivos produtos e da balança
comercial com os retornos do investimento.

4. Metodologia

De acordo com Edna Lúcia da Silva e Estera Muszkat Menezes, professoras do


Departamento de Ciência da Informação da UFSC (2001), para que o resultado de um
projeto de pesquisa seja satisfatório, é necessário realizar um planejamento minucioso, no
qual os conceitos sejam baseados em pesquisas consistentes em fontes confiáveis que se
desenvolverão de acordo com o conhecimento prévio do pesquisador.

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Pode-se considerar a pesquisa como um “processo formal e sistemático de
desenvolvimento do método científico” no qual “o objetivo fundamental é descobrir
respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”, segundo Gil
(apud SILVA e MENEZES, 2001).

Para realizar a pesquisa deste trabalho interdisciplinar, utilizamos pesquisa básica e


aplicada, com o intuito de gerar conhecimentos novos e universais, assim como soluções
locais focadas para o conteúdo apresentado. A pesquisa explicativa foi fundamental para
esclarecer os tópicos do tema proposto. Como procedimento técnico, a pesquisa
bibliográfica foi o principal meio de levantamento das informações, através de “material
já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente com
material disponibilizado na Internet”, Gil (apud SILVA e MENEZES, 2001).

Determinadas qualidades pessoais como conhecimento prévio do assunto, curiosidade,


capacidade criadora, integridade intelectual e sensibilidade social são indispensáveis para
o projeto de pesquisa. Atualmente, com o surgimento da Internet a probabilidade de troca
de conhecimento é cada vez maior, através dela é possível compartilhar e interagir com a
inteligência coletiva Levy (apud SILVA e MENEZES, 2001).

A elaboração do referencial teórico foi em torno de uma questão que sintetizava o objetivo
do estudo. As palavras-chaves encontradas no tema foram usadas para orientar a
sistematização das informações obtidas para uma melhor compreensão do assunto tratado.

Para analise do estudo foi abordada a realização de entrevistas semi-estruturadas com a


finalidade de criar questionários com objetos necessários para discussão e entendimento
do projeto como um todo. Empresas como Sier Móveis e Movexport foram os públicos
dirigidos para respondê-las, visto que essas organizações possuem conhecimentos de
extrema importância sobre o tema central abordado.

Com as respostas recebidas, foi possível organizar o desenvolvimento, analisando e


discutindo os resultados para confrontar com os objetivos pretendidos. Uma vez os
objetivos alcançados, e as hipóteses confirmadas, um balanço sobre todos os dados
colhidos e tratados foi desenvolvido por todos os integrantes do grupo de forma conjunta.

5. Análise de Resultados

5.1. Panorama Setorial da Cadeia Moveleira

Com relação à participação do Brasil nas exportações mundiais de móveis, os indicadores


são bastante discretos, embora nos últimos anos tenha havido, por parte da Associação
Brasileira de Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), um grande esforço no sentido de
aumentar a participação brasileira no comércio mundial. Segundo dados da Secretaria do
Comércio Exterior (SECEX), as exportações brasileiras de móveis fecharam o ano de

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2008 com queda de 1,7% em comparação ao ano anterior, graças, principalmente, à crise
econômica mundial. As vendas externas do setor totalizaram US$ 988 milhões.

Um dos fatores importantes que tem contribuindo para o aumento nas exportações nos
anos anteriores a 2008 são os programas de incentivo governamental. No ano de 1998, a
APEX em conjunto com a Abimóvel assinou um convênio para a criação do Programa
Brasileiro de Incremento à Exportação de Móveis, o Promóvel. Tal programa surgiu para
aproveitar o potencial de expansão das exportações do setor moveleiro brasileiro, com
investimentos na capacitação das empresas, abertura de mercados e na organização do
setor. Posteriormente o programa foi apresentado ao mercado internacional como
Brazilian Furniture.

O Brazilian Furniture foca seus esforços para projetos que atendam aos seguintes
objetivos:

• Adoção de um modelo de maior valor agregado para o desenvolvimento dos


móveis, com base em design próprio;
• Aumento da competitividade da indústria moveleira nacional, por meio da
melhoria dos índices de qualidade, produtividade e atendimento;
• Capacitação das indústrias para a exportação aos mercados selecionados.

O programa ainda tem como proposta a habilitação das empresas associadas para
participar de feiras internacionais e além de oferecer o acesso a importadores estrangeiros
para a divulgação e venda dos produtos do setor moveleiro.

Minas e o APL Ubá

Minas Gerais encontra-se em uma posição de destaque no cenário moveleiro brasileiro,


uma vez que sua contribuição para a economia do país é bastante significante, pois além
de gerar cerca de 40 mil empregos diretos através das quase quatro mil indústrias da
região, o setor é responsável por 1,9% do total das exportações brasileiras.

Na contramão das quedas apresentada no cenário nacional, em Minas Gerais os números


no âmbito das exportações moveleiras, segundo a SECEX, tem sido favoráveis,
apresentando taxas de crescimento de 67,7% como o caso ocorrido de 2005 (jan/jul) para
2006 (jan/jul). O Estado atualmente é o 6° maior vendedor de móveis para o exterior e
representa 2,08% do total desse mercado.

Um dos fatores primordiais que levaram a expansão dessas exportações do Estado mineiro
foi, sem dúvida, a criação de consórcios de exportação a exemplo da Movexport –
associação brasileira de exportação que congrega sete empresas fabricantes de móveis da
cidade de Ubá e região.

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Localizada na Zona da Mata Mineira, a cidade de Ubá, com a participação de mais sete
cidades da região (Guidoval, Piraúba, Rio Pomba, Rodeiro, São Geraldo, Tocantins e
Visconde do Rio Branco) é considerada, o principal Pólo Moveleiro de Minas Gerais. O
pólo formado, em sua maioria, por micro e pequenas indústrias, faz do setor a principal
atividade econômica da região e o mais importante arrecadador de impostos.

Com grande parte da sua produção comercializada dentro do próprio país, designando
apenas 1% do total da produção para exportação, o APL Ubá em parceria com o Sebrae
Minas tem investido em estratégias para reforçar a competitividade do setor na região. Tal
acontecimento apresenta como principal objetivo o aumento da participação no mercado e
o fortalecimento do produto contra a concorrência nacional e internacional.

Figura 1 – Quadro de Panorama Geral do Setor Moveleiro em Minas Gerais.

P a n o r a m a G e r a l d o S e t o r M o v e le i r o e m M in a s G e r a i s
N ú m e r o d e e m p r e:sa s 4 . 0 0 0e m p r e sa s
N ú m e r o t o ta l d e e m p r e g :a d o s 4 0 m i l dir e t o s e 1 2 0 m i l i n d i r e t o s
F a tu r a m e n t o a n :u a l R $ 3 . 0 2 bi lh õe s (2 0 0 8 )
E xp or ta ç ã: o 1 ,9 % d o to tal
D o r m it ó r i o s, e sc r it ó r i o s, e sto fa d o s, sa l a s d e ja n t a r,
T ip o d e m ó v e i s p r o d u z:id os
c o z i n h a s, sa la d e e s t a r e c o l c h õe s
I n v e st i m e n to s p r e v is t o s p a r a: 2 0 0 9 R $ 1 8 m il h õ e s
9 5 % p e q u e n a s e m i cr o e m p r e s a s , 5 % g r a n d e s e m é d ia s
P e r f i l d a s e m p r e:s a s
e m p r e sa s
F o n te : R e v i s ta Instdrúi a d eM i n a s , A n o I I , j u l h o 2 0 0 9 , n ° 1 4

5.2. Histórico e Caracterização do Consócio de Exportação Movexport.

O consócio Movexport foi criado em 2001 com o objetivo de expandir o mercado


consumidor alcançado pelas empresas participantes, todas pertencentes ao pólo moveleiro
de Ubá. Segundo o Gerente Comercial de Exportação, Bruno Daniel, as principais metas
do grupo para os próximos anos são a melhoria do perfil comercial das empresas no
mercado internacional e, além de conquistar novos clientes, fidelizá-los.

Além da diversificação de mercado o Movexport conquistou compradores sólidos como,


por exemplo, Estados Unidos, Angola, México, Moçambique e Uruguai, todos esses tendo
adquirido móveis em todos os anos do período 2004 a 2008.

Outro ponto importante verificado na analise sobre as vendas foi a realização de


exportações para alguns países que não obtiveram uma continuidade, ou seja, não houve
uma fidelização com o cliente ou país importador, fato ocorrido nas vendas para Eslovênia
em 2005, Suriname em 2006, Chile em 2004 e Argentina em 2006.

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Atualmente o consórcio conta com uma equipe de técnicos especializados na área de
comércio exterior, dando suporte para todas as empresas consorciadas no processo de
exportação e promoção comercial internacional.

Das corporações que integram o consócio, pode-se mencionar: Móveis Europa; Modecor;
Mademóveis; Mademarques; Móveis Palmeira; Sier Móveis e Móveis WW.

Tal projeto já se encontra integrado ao Intersind esse, por sua vez, incorporado à
Abimóvel, que recebe o apoio direto da APEX através do projeto Brazilian Furniture.

No que tange as responsabilidades legadas conceitualmente a um consócio de exportação -


tais como promoção e comercialização no âmbito internacional a fim de viabilizar as
exportações, principalmente, de micros, pequenas e médias empresas – a instituição vem
desenvolvendo suas competências em busca das metas estabelecidas.

O desenvolvimento dessa estratégia de marketing titulada de ‘consócio de exportação’


vem se efetivando ao logo dos anos, sobretudo, com a participação em feiras
internacionais, principal veículo para obtenção de novos possíveis mercados.

O foco das exportações está nos países em destaque no panorama econômico mundial,
com, por exemplo, Emirados Árabes, Américas e África. Mercados estes identificados
através de prospecção e contribuição da APEX, os quais se configuram como os maiores
compradores dos produtos criados pelo pólo moveleiro de Ubá.

Figura 2 – Gráfico de exportações das empresas integrantes do Movexport (Diversificação


de mercado por países).

Exportações das empresas integrantes do Movexport (Diversificação


de mercados por países)

2 países Comércio de Móveis Europa

5 países Mademarques Móveis


11 países

5 países
Mademóveis
5 países

12 países Modecor

Móveis WW

1 país
Palmeira Móveis

Sier Móveis

Fonte:SECEX, Ano 2008.

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Figura 3 – Gráfico de exportações das empresas integrantes do Movexport (Principais
mercados por continente)

Exportações das empresas integrantes do Movexport


(principais mercados por continente)

2 países Américas
2 países

4 países 13 países África

Ásia

Europa

Fonte:SECEX, Ano 2008.

5.3. Analise da evolução da Sier Móveis

A Sier Móveis empresa componente do Movexport desde sua fundação foi incorporada ao
consórcio devido ao anseio por exportar, contudo a organização não possuía estrutura e
know-how para desenvolver essa modalidade de comercialização. A oportunidade de
exportar foi alçada no momento em que a empresa aliou-se a outros produtores
moveleiros da região que possuíam o mesmo interesse. Naquela ocasião, o consócio
ofereceu a estrutura necessária para a efetivação das exportações.

A empresa atualmente possui notoriedade no cenário nacional, tendo conquista pela


terceira vez consecutiva no Top Mobile 2009 o primeiro lugar como a marca mais
lembrada no Brasil no segmento de salas de jantar, homes e peças decorativas. Somado a
isso o trabalho realizado pela Movexport na promoção e venda das exportações, a Sier
possui uma cadeia de cliente fidelizados originários de países como Estados Unidos,
Uruguai, Porto Rico.

Outro fator importante é o surgimento de novos mercados para a venda de seus móveis
como é o caso do Paraguai, República Dominicana e Barbados. Dentro essas
particularidades se podem citar as vendas de móveis feitas para a Eslovênia, Moçambique
e Chile, países com os quais não houve uma nova negociação

Atingindo diversos mercados simultaneamente a empresa começou a comercialização


timidamente. Inicialmente menos de 1% do faturamento advinha de produtos exportados,
contudo essa taxa vem crescendo gradualmente, principalmente devido à qualidade do
produto já desenvolvido a níveis internacionais mesmo antes do surgimento do interesse
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no mercado externo, assim a Sier garante fidelização do cliente, além de viabilizar a
abertura de novos mercados consumidores.

A identificação das necessidades dos consumidores foi de extrema importância para a


penetração nesses mercados, para tanto foi necessário prospectar, através de visitas a esses
países. Parcerias em cada região foram implantas se tornaram importantes para a
promoção comercial do produto desenvolvido pela empresa e graças a elas a Sier pode
limitar a atuação do consócio a mercados africanos e países com menor potencial.

No cenário da crise mundial de 2008 a Sier Móveis intensificou a estratégias para atender
de forma mais eficiente e eficaz as necessidades dos clientes, graças a essa iniciativa a
barreira inicial do receio dos importadores foi sobrepujada e as vendas não sofreram
impacto acentuado o que não reflete a realidade do pólo como um todo que sofreu com
quedas consideráveis nas vendas.

Ainda segundo o Gerente Comercial de Exportação, Bruno Daniel, embora o consócio não
seja a única solução para a internacionalização de micro, pequenas e médias empresas, o
grupo Movexport tem realizado um trabalho promissor e, na atualidade, possui status de
associação, tendo ultrapassado as dimensões da natureza institucional inicial.

6. Conclusão

Na análise realizada sobre o consócio de exportação Movexport foi possível identificar


que a instituição viabilizou as exportações em pequenas e médias empresas do setor
moveleiro de Ubá. Sendo assim a base teoria sobre marketing internacional, estratégias de
promoção comércio e consócio de exportação se mostram consistentes e precisas.

Das principais características e tarefas de um consócio de exportação, enunciadas nesse


estudo, pode-se identifica que o Movexport ostenta a maioria delas, como, por exemplo,
ser constituído por pequenas e médias empresas que buscam penetração no mercado
externo, oferece aos associados à redução de custos e riscos inerentes ao processo de
comercialização internacional, fortalecimento do nome das empresas integradas ao
consócio, além de promover a participação em feiras internacionais ajudando a conquistar
novos mercados consumidores.

Devido a essa análise, conclui-se que os consócios de exportação podem se configurar


como estratégias de marketing bem sucedidas para a internacionalização de empresas de
micro, pequeno e médio porte, especialmente no setor moveleiro de Ubá. Empresas até
então sem a infra-estrutura necessária para a exportação, através dessa tática, obtêm a
oportunidade de atingir o mercado externo.

Como todo estudo de caso, este apresenta uma falha básica, afinal se refere à análise de
um caso particular, sendo assim, para que sua veracidade seja afirmada, faz-se necessário
sua repetição com outros consórcios. Ainda sugerimos a pesquisa a cerca de outras
maneiras de internacionalização de micro, pequenas e médias empresas.

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