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Poder Judiciário do Estado de Sergipe

1ª Vara Civel de Lagarto

Nº Processo 201554000496 - Número Único: 0001740-75.2015.8.25.0040


Autor: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DE SERGIPE
Réu: LUIZ AUGUSTO CARVALHO RIBEIRO FILHO E OUTROS

Movimento: Julgamento >> Com Resolução do Mérito >> Procedência

SENTENÇA

1. RELATÓRIO

Vistos etc.

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SERGIPE, por intermédio do Promotor de Justiça no exercício da


Curadoria do Patrimônio Público desta Comarca, ajuizou AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA em face de ALVARO BRITO DO NASCIMENTO JUNIOR, ASSOCIAÇÃO COMUNITARIA E
PRODUTIVA SÃO JOSÉ, JOSE VALMIR MONTEIRO, LUIZ AUGUSTO CARVALHO RIBEIRO FILHO, MARIA
VALDELICE MONTEIRO, ZENIA OLIVEIRA NASCIMENTO, já qualificados nos autos, alegando, os fatos a seguir
expostos:

Narra o Parquet, em síntese, que apesar de ter sido determinado o bloqueio das verbas da ASSOCIAÇÃO
COMUNITÁRIA E PRODUTIVA DE SÃO JOSÉ, localizada na Colônia Treze (Lagarto/SE), no mês de outubro, em
razão de saques realizados, às vésperas das eleições municipais, pela Sra. MARIA VALDELICE MONTEIRO, à
época presidente da Associação; foi repassado o valor de R$ 100.000,00 (cem mil Reais) para a empresa DISTAC
CONSULTORIA E LOCAÇÃO LTDA, uma empresa FANTASMA de propriedade ZÊNIA OLIVEIRA NASCIMENTO e
ÁLVARO BRITO DO NASCIMENTO JÚNIOR, os quais já foram ocupantes de cargo em comissão do gabinete
parlamento do Deputado Estadual Gustinho Ribeiro.

Ressaltou, ainda, o Ministério Público que tal verba era oriunda da remessa feita pelo referido deputado, através de
subvenção social, à associação no mês de setembro, a qual correspondia ao valor de R$ 290.000,00 (duzentos e
noventa mil Reais).

Ainda de acordo com o Ministério Público, quando questionada pelo Ministério Público sobre o motivo da remessa
dessa quantia para a empresa, a associação, assim como fez a associação áurea ribeiro, afirmou que era em virtude
de um contrato para realização de cursos profissionalizantes, mas em relação a esses cursos, apresentou ao MP
apenas um contrato no valor de 100 mil reais e de validade por 60 (sessenta) dias, sem quaisquer outros detalhes
sobre tais “cursos”.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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Explana que perante a Receita Federal, a empresa tem um amplo leque de atividades e que, apesar disto, o
endereço da citada empresa nada mais é do que uma casa residencial, na qual não existe evidência de nenhuma
atividade empresarial.

Aduz que Zênia Oliveira Nascimento possuía um cargo comissionado perante a Assembleia Legislativa do Estado de
Sergipe; que esta só deixou tal cargo oficialmente em 05/07/2012 quando seu marido, Álvaro Brito Do Nascimento
Júnior, passou a assumir o mesmo cargo; que o Sr. Álvaro Brito do Nascimento Júnior, dono da DISTAC, possui um
irmão de nome Hênio Lemos Calazans Sobrinho, qual tem um cargo de assessor de conselheiro CCE-1 no tribunal
de contas do estado de Sergipe, sendo que o mesmo está lotado no gabinete do conselheiro Dr. Luiz Augusto
Carvalho Ribeiro, o qual é pai do Deputado Estadual Gustinho Ribeiro.

Concluiu afirmando que praticamente todos os créditos recebidos pela empresa Distac Consultoria E Locação Ltda
em suas contas bancárias no ano de 2012 tiveram como origem as subvenções remetidas pelo deputado Gustinho
Ribeiro.

Quanto à associação, assevera que esta pertence à família do ex-prefeito de Lagarto e atual Deputado Estadual
JOSÉ VALMIR MONTEIRO; que é o claro conhecimento pessoal que já existia entre os envolvidos; que, em
04/01/2013, o emplacamento do veículo SSANGYONG KYRON, placa NVH 2020, no valor de R$ 1.890,78 (mil,
oitocentos e noventa reais e setenta e oito centavos), pertencente à companheira de Valmir Monteir, foi pago
justamente através da conta bancária Nº 03/100.591-0 do banco BANESE, através de débito automático.

Face de tais razões, requereu a concessão de liminar a fim de que seja decretada a indisponibilidade dos bens dos
requeridos.

Por fim, alegou que tais atos configuram improbidade administrativa, a teor dos arts. 09, 10 e 11 da Lei nº 8.429/92.

Diante disso, ajuizou a presente demanda com o propósito de obter a condenação dos requeridos nos moldes da Lei
nº 8.429/92.

Juntou cópias do procedimento de investigação prévia.

Em 13/08/15, consta decisão decretando a indisponibilidade dos bens e ordenando a notificação dos requeridos.

O réu Luiz Augusto apresentou defesa prévia, em 13/10/2015, asseverando, preliminarmente, a falta de interesse de
agir, uma vez que não estava no campo da discricionariedade do Requerido a apresentação das emendas, mas
apenas a indicação das entidades; ausência de dolo na conduta do requerido; ausência de lastro probatório mínimo,
ante ausência de domínio do fato, pela inexistência de elemento probatório que faça crer ter o deputado Gustinho
Ribeiro participado dolosamente, ou culposamente, que no momento das liberações das emendas citadas nesses
autos o senhor Álvaro Brito não mais era assessor da ALESE, nem há qualquer destinação das verbas a qualquer
pessoa ligada ao Requerido LUIZ AUGUSTO RIBEIRO FILHO; que existia controle interno da Controladoria da

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
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Assembleia ademais do controle exercido pelo Tribunal de Contas; que os saques realizados pela associação não
depõem contra o requerido; que foram ofertados cursos pela Distac; que há RAIS desta, declaração de IR; que a
amizade entre o requerido e Zenia e ÁLVARO não induz que fazem parte de esquema.

Em 17/12/2015 foi juntada contestação de VALMIR, afirmando que o Parquet não trouxe nenhum fato que tivesse
sido impingido ao Demandado que pudesse configurar improbidade administrativa, à exceção de sua amizade com
ALVARO BRITO e um pagamento de R$ 1.890,78 feito por este em benefício do Agravante, além do seu parentesco
com a presidente da associação; que a DISTAC prestou serviços a órgãos públicos; ratificou as teses do requerido
Luiz Augusto e pugnou pela improcedência da demanda.

Em 14/04/2016, MARIA VALDELICE juntou petição asseverando a impenhorabilidade do imóvel, único e bem de
família.

Em 02/06/2016 houve juntada de manifestação de ALVARO E ZENIA asseverando que a Distac foi contratada pela
Associação requerida, tendo a empresa sede própria; certidão de funcionamento d a JUCESE, planilhas de custos
dos cursos prestados, além da Certidão Negativa da Receita Federal referente ao ano de 2014; que prestou serviço
ao CRECI, ao Município de Salgado, ao IPES; que recebeu certificados de qualidade técnica. Afirma, ainda, que
Álvaro fora exonerado antes da criação da empresa.

Em 16/12/2016, houve manifestação da ASSOCIAÇÃO afirmando que o agente não teve má-fé e muito menos
causou danos ao erário, tudo foi feito na mais estrita legalidade; que não foram juntados documentos que comprovem
o uso político da associação em questão.

Juntada petição requerendo o Ingresso do Estado de Sergipe na qualidade de litisconsorte ativo.

Manifestações dos requeridos em 26/04/2017, 27/04/2017.

Determinada, em 25/01/2018, a citação por edital da Distac para a qual foi nomeado curador, com juntada de
manifestação em 19/07/2018.

Em 19/09/2018 a inicial foi devidamente recebida, com ordem de citação dos réus e medidas sequenciais de praxe.

Citado, o réu Distac apresentou contestação em 10/10/2018, na forma de negativa geral, através da DPE. Ao final,
requereu a improcedência total dos pedidos.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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O requerido ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA E PRODUTIVA SÃO JOSÉ apresentou contestação em 08/11/2018
asseverando, mais uma vez, que o agente não teve má-fé e muito menos causou danos ao erário, tudo foi feito na
mais estrita legalidade; que não foram juntados documentos que comprovem o uso político da associação em
questão.

LUIZ AUGUSTO CARVALHO RIBEIRO FILHO juntou contestação aos autos, em 26/11/2018, arguindo preliminares,
devidamente afastadas no saneador prolatado; e, no mérito, que a apresentação de emendas subvencionais para o
repasse de verbas a entidades beneficentes é ato típico e vinculado do parlamentar, do qual não pode dispor; a
ausência de domínio do fato, vez que ao requerido não pode ser imputada qualquer responsabilidade pela liberação
ou fiscalização do uso das verbas subvencionadas; que a ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA E PRODUTIVA SÃO JOSÉ
já recebera subvenção por vários anos anteriores a 2012 bem como inúmeros contratos e convênios com órgão
inclusive federais e estaduais, e.g., convênio com a FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL, CONAB, contrato com a
PRONESE, com a PREFEITURA DE TOBIAS BARRETO e de ITABAIANINHA; que não há qualquer destinação das
verbas a qualquer pessoa ligada ao Requerido LUIZ AUGUSTO RIBEIRO FILHO; que existia controle interno da
Controladoria da Assembleia ademais do controle exercido pelo Tribunal de Contas; que eventuais saques realizados
pela presidente da entidade na boca do caixa não podem ser impingidos ao Requerido; que mesmo sendo pública e
notória a inimizade deste com o deputado Valmir Monteiro, a empresa DISTAC prestou serviços à entidade que é
ligada ao deputado Valmir, o que obviamente não teria acontecido se efetivamente seus proprietários fossem
“laranjas” do requerido; que os denominados de “laranjas” pelo Requerido são pessoas de posses, do mesmo meio
social, tanto que ele mesmo registra possuírem casa de praia em condomínio na Caueira; que não é verdade que se
trata de empresa que não possui sede e que apenas presta serviços decorrentes de emendas provenientes do
deputado GUSTINHO RIBEIRO, posto que, denota-se dos autos contratos da empresa com o IPES SAÚDE, COM O
CRECI – CONSELHO REGIONAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS, INSTITUTO DE PROMOÇÃO E DE
ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS SERVIDORES; que há RAIS desta, declaração de IR; QUE, NA VERDADE, que os
senhores ÁLVARO E ZENIA, ao vislumbrarem oportunidade de atividade empresarial em razão do conhecimento
prioritário dos fatos na ALESE, empreenderam atividade compatível com as necessidades das entidades, sem
qualquer participação ou conhecimento do REQUERIDO.

Contestação em 26/11/2018 de José Valmir monteiro asseverando, no mérito que Ao Requerido não pode ser
impingida a pecha de ímprobo simplesmente pela amizade com prestadores de serviços de uma entidade
administrada por sua irmã; que inexiste qualquer elemento probatório que faça crer que VALMIR MONTEIRO tenha
participado dolosamente, ou culposamente, das supostas irregularidades; que Valmir está sendo processado apenas
por possuir parentesco com os administradores da entidade e amizade com o proprietário da DISTAC, que lhe
emprestou um pequeno valor para pagar o licenciamento de seu veículo, por encontrar-se viajando; que os
denominados de “laranjas” pelo Requerido são pessoas de posses, do mesmo meio social, tanto que ele mesmo
registra possuírem casa de praia em condomínio na Caueira, sendo pessoas conhecidas da família do requerido; que
os cursos efetivamente ocorreram, a exemplo de MARIA NAZARÉ NUNES DE SOUZA, ANA ROSE DO
NASCIMENTO e JOSEFA DE FÁTIMA LIMA SANTOS; que a DISTAC tem sede, RAIS, livro de registro de
empregados e também prestou serviços a outros órgãos públicos, a exemplo do IPES – Instituto de Previdência do
Estado de Sergipe e CRECI; QUE, NA VERDADE, que os senhores ÁLVARO E ZENIA, ao vislumbrarem
oportunidade de atividade empresarial em razão do conhecimento prioritário dos fatos na ALESE, empreenderam
atividade compatível com as necessidades das entidades, sem qualquer participação ou conhecimento do
REQUERIDO.

Contestação, em 27/11/2018, de MARIA VALDELICE MONTEIRO, asseverando que o agente não teve má-fé e muito
menos causou danos ao erário, tudo foi feito na mais estrita legalidade; que inexiste comprovação de que houve o
uso político e os desvios de verbas por parte da administração da Associação.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2021000131476-16. fl: 4/19
Contestação, em 08/04/2019, de ÁLVARO BRITO DO NASCIMENTO JUNIOR e ZÊNIA OLIVEIRA NASCIMENTO
arguindo que tanto Álvaro, como Zenia Nascimento, sua esposa, não exerciam cargo comissionado algum, à época
da destinação das verbas subvencionais em apreço; que a DISTAC possuía sede própria, elencava uma lista de
funcionários, prestava diversos serviços a órgãos diferentes e, de especial importância, efetivamente prestou os
serviços pela qual foi contratada; que a empresa constituiu sede própria profissional e equipada desde 2014,
conforme atesta Contrato de Locação e as imagens da fachada da empresa, tendo relação anual de informações
sociais (RAIS), registros dos empregados e as declarações ao INSS; que houve prestação de serviços pela empresa.

Saneador prolatado em 18/07/2019, afastando as preliminares levantadas, fixando os pontos controvertidos e


designando audiência de instrução, a qual foi realizada em 20/08/2019.

Alegações finais do autor juntadas em 25/09/2019.

Sentença disponibilizada no DJ em 25/03/2020, foram interpostos embargos em 08/05/2020 asseverando que os


Requeridos não foram intimados para apresentar as suas alegações finais, existindo nulidade da Sentença prolatada.

Decisão dos Embargos em 26/08/2020, tornando sem efeito a sentença prolatada e determinando a intimação dos
requeridos para, no prazo de 15 (quinze) dias, apresentar alegações finais, em forma de memoriais.

Alegações finais de DISTAC CONSULTORIA colacionadas em 10/09/2020, pela negativa geral.

Em 17/09/2020, os réus ÁLVARO BRITO DO NASCIMENTO JUNIOR e ZÊNIA OLIVEIRA NASCIMENTO


colacionaram suas razões finais, arguindo a preliminar de litisconsórcio necessário, já rechaçada por este Juízo no
saneador prolatado; e, no mérito, reforçando todos os argumentos já trazidos nos autos.

Em 01/10/2020, Luiz Augusto Carvalho Ribeiro Filho juntou suas alegações finais arguindo, em suma, que existiriam
meros indícios, mas não provas da improbidade nos autos. Reforçou, enfim, os argumentos já elencados nos autos.

Em 01/10/2020, JOSÉ VALMIR MONTEIRO juntou petição de alegações finais argumentando que restaram
afastadas as alegações feitas pelo Ministério Público no sentido de que houve a prática de ato de improbidade
administrativa, reforçando os argumentos já trazidos nos autos.

Também em 01/10/2020, MARIA VALDELICE MONTEIRO juntou alegações finais aos autos, aduzindo que
comprovou a inexistência de qualquer irregularidade quanto à administração dos recursos repassados à referida
entidade. Reforçou, do mesmo modo, os argumentos já elencados nos autos.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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Vieram os autos conclusos.

II- FUNDAMENTAÇÃO

O feito já se encontra regularmente instruído, tendo sido possibilitada a manifestação das partes acerca das
alegações finais do requerente e facultado às partes o exercício pleno da ampla defesa, estando, por seu turno, a
causa madura para julgamento.

Importante tecer alguns prévios comentários acerca dos atos de improbidade administrativa segundo a Lei nº
8.429/92.

Com efeito, de acordo com a Lei nº 8.429/92, os atos de improbidade administrativa estão compreendidos em três
modalidades: I- os que importam enriquecimento ilícito (art. 9º); II- os que causam prejuízo ao erário (art. 10), e, por
fim, III- os que atentam contra os princípios da Administração Pública (art. 11).

Os atos que acarretam enriquecimento ilícito e os atos que causam dano ao erário encontram-se descritos de forma
exemplificativa em seus respectivos incisos, segundo leciona Fernando Capez:

“os atos dos agentes públicos que importam em enriquecimento ilícito estão elencados,
exemplificativamente, no art. 9º e seus 12 incisos.

Os atos dos agentes que causam dano ao erário estão arrolados, não taxativamente, no art. 10 e seus 13
incisos.” (Legislação Especial, Edições Paloma, São Paulo, 2002, págs. 256/257) (destaquei).

Do mesmo modo, os atos que atentam contra os princípios da Administração Pública foram descritos no art. 11 de
forma não taxativa, como bem salientou Maria Sylvia Zanella Di Pietro:

“Nos três dispositivos, aparece a descrição da infração seguida da expressão e notadamente, a indicar a
natureza exemplificativa dos incisos que se seguem.” (Direito Administativo, 15ª edição, Atlas, São Paulo, 2003,
pág. 686).

No tocante ao ato de improbidade a que alude o art. 9º da Lei nº 8.429/92, entende Alexandre de Moraes
(Constituição do Brasil Interpretada, Atlas, 4ª edição, São Paulo, 2004, pág. 2714) que, para a sua caracterização,
devem estar presentes na conduta do agente os seguintes elementos: a) dolo; b) obtenção de vantagem patrimonial;

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c) ilicitude da vantagem obtida e d) existência de nexo causal entre o exercício funcional e a vantagem indevida
(nexo de oficialidade).

Quanto aos atos de improbidade lesivos ao patrimônio público, de acordo com o referido autor (ob. cit., pág. 2717), o
art. 10 da Lei nº 8.429/92 exige cinco requisitos, quais sejam: a) conduta dolosa ou culposa do agente; b) conduta
ilícita; c) existência de lesão ao erário ou perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos
bens ou haveres; d) não-exigência de obtenção de vantagem patrimonial pelo agente e, finalmente, e) existência de
nexo causal entre o exercício funcional e o prejuízo concreto gerado ao erário público (nexo de oficialidade).

Com relação aos atos de improbidade contrários aos princípios da Administração, segundo o mencionado autor (ob.
cit., pág. 2719), o art. 11 da Lei nº 8.429/92 exige, também, cinco requisitos, quais sejam: a) conduta dolosa do
agente; b) conduta comissiva ou omissiva ilícita que, em regra, não gere enriquecimento ilícito ou não cause lesão ao
patrimônio público; c) violação aos deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições; d)
atentado contra princípios da Administração e, por fim, e) existência de nexo causal entre o exercício funcional e o
desrespeito aos princípios da Administração (nexo de oficialidade).

Feitas tais considerações preambulares, cumpre verificar se os atos imputados ao requerido consubstanciam-se em
atos de improbidade administrativa, bem assim, em caso positivo, se existe lastro probatório mínimo capaz de
autorizar a procedência dos pedidos.

De início, ressalte-se que todo aquele que administra verba pública possui obrigação de agir de forma proba e
correta, privilegiando o interesse público e agindo com ética, boa-fé, honestidade, imparcialidade, lealdade, enfim, em
respeito aos princípios da administração pública.

Nesse sentido, tratando-se da ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA E PRODUTIVA SÃO JOSÉ de entidade que recebe
recursos públicos na forma de subvenção social, a seus agentes é aplicável a Lei de Improbidade Administrativa – Lei
nº 8.429/92, nos termos do que preveem seus artigos 1º, parágrafo único, 2º e 3º, in verbis :

“ Art. 1º Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração
direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios,
de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja
concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma
desta lei.

Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o
patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como
daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a
contribuição dos cofres públicos.

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Art. 2º Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou
sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou
vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior.

Art. 3º As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza
ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. ”

Inconteste, pois, a possibilidade de incidência da Lei de Improbidade Administrativa a agentes


representantes/diretores da ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA E PRODUTIVA SÃO JOSÉ, ora a presidente desta, a
Sra. MARIA VALDELICE MONTEIRO, bem como daqueles que se beneficiem sob qualquer forma direta ou indireta
em decorrência de ato de improbidade administrativa.

Pois bem. Como dito, os elementos constantes dos autos indicam que as verbas públicas recebidas sob a forma de
subvenção social pela ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA E PRODUTIVA SÃO JOSÉ e, por via oblíqua, pela DISTAC
CONSULTORIA no valor de R$ 290.000,00 (duzentos e noventa mil reais), foram utilizadas de forma irregular e ilegal
pelos Réus.

Nesse sentido, inclusive, nos autos do processo nº 201454003092, a Sra. MARIA VALDELICE MONTEIRO, ora
também requerida, e presidente da Associação à época do fato, já foi condenada com decisão transitada em julgado
pelo DESVIO de uma outra parte da subvenção mencionada.

Neste mesmo toar, restou devidamente comprovado nos autos que, no dia 02/10/2012, pouco antes da eleição para
prefeito, a Sra. Maria Valdelice Monteiro, representante da Associação São José, a qual recebera, pouco tempo
antes, uma subvenção social da assembleia legislativa no valor de R$ 290.000,00 (duzentos e noventa mil reais),
remetida pelo Deputado Estadual Gustinho Ribeiro, fora detida quando tentava sacar o valor de R$ 150.000,00 (cento
e cinquenta mil reais) da conta da referida entidade.

Através da quebra de sigilo decretada pelo então Juiz Eleitoral, restou comprovado que, na verdade, a Sra. Maria
Valdelice já havia sacado o valor de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais), sendo parte enviado à empresa
SHOW BISS, cujo proprietário já foi condenado por desvio de verbas públicas e desconhecido o destino final do valor
restante.

Por meio do Inquérito Civil de Nº 42.12.01.0003, que deu origem à ACP nº 201254001851, foi determinado o bloqueio
de verbas da associação, o que, porém, não obstou a transferência da quantia de cem mil reais para a empresa
DISTAC consultoria. Desvio tratado nestes autos.

Conforme se verifica do teor do inquérito instaurado, quando questionada pelo Ministério Público sobre o motivo da
remessa dessa quantia para a empresa, foi alegada a necessidade da transferência em virtude da realização de

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cursos profissionalizantes, alegou-se também, por seu marido, Alvaro de Brito, e também sócio, a necessidade de
manutenção da frota de automóveis. Quanto aos automóveis, de acordo com as buscas realizadas nos órgãos de
transito, nada foi encontrado.

Em ralação aos cursos, não houve a formação de provas suficientes acerca de efetiva realização dos supostos
cursos prestados pela empresa. Em verdade, do lastro probatório juntado aos autos, restou comprovada, de forma
veemente, que os recursos públicos recebidos por meio de verba de subvenção social, foram utilizados de forma
irregular pelos Réus.

Destaco, por oportuno, que muitas das testemunhas qualificaram os supostos cursos como sem qualquer serventia,
apontaram a ausência de material e, ainda, a imprestabilidade dos seus conteúdos. Neste sentir, o simples fato de a
empresa deter, alegadamente, RAIS ou declaração de IR não é capaz de derrubar por terra os depoimentos obtidos
em sede de investigação.

Não fosse o bastante, conforme restou provado nos autos, a única atividade empresarial da DISTAC CONSULTORIA
e da DISTAC CURSOS foi justamente receber o dinheiro das SUBVENÇÕES SOCIAIS remetidas pelo DEPUTADO
GUSTINHO RIBEIRO, através de contratos com as Associações citadas. Não existia atividade das empresas antes
dessas verbas e nem depois delas. Os extratos obtidos com as quebras de sigilo mostram que as empresas só
atuavam para receber as referidas verbas, não tendo atuação empresarial. A movimentação financeira decorria unica
e exclusivamente deste tipo de verba. Registre-se que a Distac consultoria só passou a existir quando do repasse da
subvenção a Associação.

Pois bem. Neste ínterim, quanto aos requeridos Álvaro e Zênia, em depoimento prestado ao Ministério Público em
21.11.2013, a Sra. Maria Fausta, então presidente da associação comunitária e produtiva áurea ribeiro, reconheceu
que Zênia Oliveira é amiga da família Ribeiro e que existem outros laços ente a empresa DISTAC e a família do
Deputado Estadual Gustinho Ribeiro.

Assim, resta suficientemente comprovado que a Sra Zênia e o SR. Álvaro Brito, que possuíam cargo comissionado no
gabinete do também réu Gustinho Ribeiro, eram os responsáveis pelas empresas destinatárias das verbas, as quais
eram destinadas por aquele.

Vê-se, pois, claramente, que o dinheiro, que era destinado pelo Deputado, findava em empresas que foram criadas
por pessoas a ele diretamente ligadas, e empresas essas que, conforme já explicitado, não exerciam atividades reais,
podendo ser qualificadas como empresas “de fachada”.

Neste ponto, mister destacar que a simples alegação de que “não estava no campo da discricionariedade do
Requerido a apresentação das emendas, mas apenas a indicação das entidades” ou, ainda, “ausência de dolo na
conduta do requerido” caem por terra ante o significativo conjunto de provas colacionadas pelo membro do MP que
depõem claramente no sentido de que foi, infelizmente, montado um elaborado esquema de desvio das verbas de
subvenção.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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Ademais, como já dito, a ausência de coincidência entre os períodos de exercício do cargo de assessor pelo Álvaro e
destinação das verbas não torna, por qualquer meio, mais fraca as alegações ventiladas pelo MP, mas, em verdade,
no entender deste Juízo, evidenciam o intuito fraudulento e obscuro do esquema.

Outrossim, o suposto controle interno da Controladoria da Assembleia ademais do controle exercido pelo Tribunal de
Contas, não são capazes de desonerar a conduta dos requeridos, mormente em se considerando a influência política
destes, especialmente do requerido Luiz Augusto, na Corte de Contas deste Estado, dado os laços familiares com
conselheiro Luiz Augusto Carvalho Ribeiro. Notadamente por que ninguém conseguiu demonstrar a destinação
LICITA dos valores desviados.

Ressalte-se, ademais, que no processo de 201254001851 fora proferida sentença – mantida pelo juízo ad quem -
ordenando a dissolução da Associação Comunitária e Produtiva São José, cancelamento dos atos constitutivos da
requerida e do CNPJ daquela dos cadastrados da Receita Federal, sob o fundamento de aplicação indevida de
recursos públicos, em razão de desvio de dinheiro público (ora em apuração).

Vale destacar que, com relação aos elementos produzidos em inquérito civil público, em que pese este possua
caráter inquisitorial não obsta o emprego das evidências dele constantes na fundamentação da sentença, desde que
as partes deixem de coligir, durante a instrução, elementos capazes de repeli-las, a exemplo do que vem decidindo
reiteradamente o Colendo Superior Tribunal de Justiça:

“PROCESSO CIVIL – AÇÃO CIVIL PÚBLICA – INQUÉRITO CIVIL: VALOR PROBATÓRIO.1. O inquérito civil público
é procedimento facultativo que visa colher elementos probatórios e informações para o ajuizamento de ação civil
pública.2. As provas colhidas no inquérito têm valor probatório relativo, porque colhidas sem a observância do
contraditório, mas só devem ser afastadas quando há contraprova de hierarquia superior, ou seja, produzida sob a
vigilância do contraditório.3. A prova colhida inquisitorialmente não se afasta por mera negativa, cabendo ao juiz, no
seu livre convencimento, sopesá-las, observando as regras processuais pertinentes à distribuição do ônus da
prova.4. Recurso especial provido.” (STJ, RESP nº 849841/MG, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 11/09/2007)
(destaquei).

No mesmo sentido: STJ, RESP nº 476660/MG, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 04/08/2003.

Neste ínterim, impõe salientar que a referida associação pertence à família do ex-prefeito de Lagarto JOSÉ VALMIR
MONTEIRO, tendo sempre sido presidida pela sua família.

Por oportuno, destaque-se, ainda, que, à época dos fatos, apesar de alegada, em sede de contestação, a “notória
inimizade”, a aliança política entre José Valmir Monteiro e o Deputado Gustinho Ribeiro era pública e conhecida de
todos, tanto que no ano de 2012, o então prefeito tentou sua reeleição ao cargo justamente com o apoio do deputado
Gustinho Ribeiro, cuja tia, Luiza Ribeiro, aparecia como candidata a vice-prefeita.

Conforme se mostra hialino, já existia conhecimento pessoal entre os envolvidos. Neste sentir, inclusive, restou
provado que em 04/01/2013, o emplacamento do veículo SSANGYONG KYRON, placa NVH 2020, no valor de R$
1.890,78 (mil, oitocentos e noventa reais e setenta e oito centavos), pertencente à ex-companheira do Sr. Valmir, fora
pago por meio da conta Bancária da empresa DISTAC, pertencente ao Sr. Álvaro.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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Em depoimento prestado ao Ministério Público em 12/12/2014, nos autos do inquérito civil nº 41.13.01.008, a sra.
Andressa Dos Santos Nascimento reconheceu que conhecia o sr. Álvaro Brito Do Nascimento Júnior, justamente
através do seu então marido Valmir Monteiro. Conclui-se, portanto, que tanto Álvaro Brito Do Nascimento Júnior
quanto sua esposa Zenia Oliveira Nascimento eram do círculo de amizades do Deputado Gustinho Ribeiro quanto do
ex-prefeito Valmir Monteiro, e nenhum deles soube justificar a destinação do dinheiro, mesmo sendo a quantia
vultosa e única trabalhada pela empresa.

Disso decorre que foi montado todo um esquema que envolveu a criação de empresas cuja única atividade
empresarial foi justamente receber o dinheiro das subvenções sociais remetidas pelo deputado Gustinho Ribeiro,
através de contratos com as associações citadas, de modo que não existiam atividades das empresas antes dessas
verbas e nem depois delas.

Considerando todo o teor do relatado nesta sentença, caem por terra, portanto,os argumentos novamente trazidos
aos autos pelos réus, repetidos em sede de alegações finais, de que existem “meros indícios, mas não provas da
improbidade nos autos” ou, ainda, de que teria sido comprovada a inexistência de “qualquer irregularidade quanto à
administração dos recursos repassados à referida entidade”, pois, como fartamente delineado, o conjunto probatório
dos autos depõe gritantemente contra os requeridos.

Como bem destacou o membro do MP, “Os extratos obtidos com as quebras de sigilo mostram que as “empresas” só
atuavam para receber as referidas verbas, não tendo atuação empresarial.”.

Além disto, a quebra de sigilo fiscal tanto das empresas quanto dos seus proprietários mostra que a empresa não
aparecia para o imposto de renda e que Zênia Oliveira nunca declarou sua empresa, tampouco soube informar em
que foi utilizado o dinheiro sacado das contas da sua suposta empresa, repito.

Do mesmo modo, Álvaro, apesar de haver afirmado que “acredita que os saques das contas da Distac foi para a
reposição de carros da empresa;...”, o rastreamento dos bens da empresa não mostrou nenhuma reposição de
carros.

Enfim, conforme muito bem explanado no bojo dos autos, os supostos empresários, ora requeridos, não sabiam
sequer explicar como era utilizado o dinheiro que as empresas ganharam em seus contratos, o que é deveras
absurdo, não havendo agora que ser alegada a inexistência de provas em seu desfavor.

Em suma, diante dos elementos constantes dos autos, resta evidente a prática de ato de improbidade administrativa
pelos Réus. Os atos praticados pelos integrantes da Distac( Zenia Oliveira e Alvaro de Brito), bem assim da
Associação comunitária São josé( Maria Valdice), são intimamente ligados aos atos do Sr, Augusto Ribeiro e do Sr
José Valmir Ribeiro, sem os quais, referidas práticas não poderiam ser levadas a efeito. Essas duas interpostas,
supostamente empresas de fachadas, existiram apenas para para integrar a dimâmica do desvio dos valores de
subvenção, todos eles destinados pelo sr. Luiz Augusto Carvalho a empresas de fachada e geridas por pessoas de
seu íntimo convívio.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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Não obstante tudo isso, muito embora evidente o prejuízo causado ao Ente e evidente o desvio, não restou
demonstrado autos que o valor de R$ 100.000,00( cem mil) tenha integrado o património do Sr. Augusto Ribeiro, da
Sra. Maria Valdice e até mesmo do Sr. José Valmir, que se beneficiou indiretamente com o pagamento do IPVA do
carro de sua então companheira.

Do dano moral coletivo.

De certo que o dano coletivo não pode ser observado em ofensas de menor importância, ou a mera sensibilidade. A
agressão há de ser significativa e de tamanha intensidade que implique na sensação de repulsa coletiva de ato
intolerável. O ato ímprobo praticado, trouxe a comunidade sentimento de insegurança e descrédito das instituições
por que praticados por agentes que receberam recursos que deveriam ser destinados a prestação de serviço público,
mas que acabaram sendo tredestinados. Não se trata aqui de ma utilização ou equivocada destinação, mas
apropriação indevida daquilo que é público. Desta forma, entendo por justo e razoável fixar a titulo de indenização o
valor de RS 20.000,00(vinte mil reais).

III- DISPOSITIVO

Ante o expendido, e por tudo mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTES os pedidos iniciais para, em
consequência, CONDENAR os requeridos ALVARO BRITO DO NASCIMENTO JUNIOR, JOSE VALMIR MONTEIRO,
LUIZ AUGUSTO CARVALHO RIBEIRO FILHO, ZENIA OLIVEIRA NASCIMENTO, DISTAC – CONSULTORIA E
LOCAÇÃO LTDA pela prática de ato de improbidade administrativa, nas modalidades Enriquecimento ilícito, Prejuízo
ao Erário e Ato atentatório contra os Princípios da Adminstração pública, previstos nos artigos 9º, I, XI e XII, 10, I, II e
V e 11, I da LIA, e ASSOCIAÇÃO COMUNITARIA E PRODUTIVA SÃO JOSÉ MARIA VALDELICE MONTEIRO,nas
modalidades, Prejuízo ao Erário e Ato atentatório contra os Princípios da Adminstração pública, previstos nos artigos
9º, I, XI e XII, 10, I, II e V e 11, I da LIA. Bem como para condena-los ao pagamento do valor de R$ 20.000,00( vinte
mil reais)a titulo de indenização por danos morais coletivos, com juros de mora a partir da citação e correção
monetária a partir desta sentença.

Passo a dosimetria da pena.

De início registro que quando a ação trata de ato que se enquadre em mais de um dispositivo da LIA, quando um
mesmo ato ensejar enriquecimento ilícito, dano ao erário e violação aos princípios, a jurisprudência tem entendido
pela impossibilidade de do bis in idem, com cumulação de sanções previstas isoladamente, devendo a maior
absorver a sanção menor. Princípio da Subsunção, devendo as penas serem absorvidas pelas previstas no art. 12 da
LIA. No que diz respeito a pena de multa, deve-se atentar ao valor recebido pelo agente causador do dano, ou não
sendo possível, de acordo com o salário-mínimo.

a) Quanto ao Réu LUIZ AUGUSTO CARVALHO RIBEIRO FILHO, enquanto ordenador da destinação das verbas de
subvenção para empresas de fachada, de propriedade de pessoas a ele ligadas;

Os atos enquadrados pelo autor ao réu seguem em destaque abaixo:

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de
vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas
entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:

I- - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou
indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que
possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;

(...) XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo
patrimonial das entidades mencionadas no art. 1° desta lei;

XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei.

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica,
de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;

V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer
ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e
notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

In casu, subsumindo o caso concreto à Lei de Improbidade Administrativa, percebe-se que o ato praticado pelo
requerido encaixa-se nas previsões dos arts. 9, 10 e 11 da LIA. Por consequência, quanto às penalidades cabíveis,
com fulcro no art. 12 da Lei nº 8.429/92, aplico as seguintes sanções:

I- Perda da função Pública, caso esteja ocupando;

II- suspensão dos direitos políticos por 06 (SEIS) anos;

III- multa civil correspondente ao prejuízo ao erário de r$ 147.280,55 (cento e quarenta e sete mil e duzentos e oitenta
reais e cinquenta e cinco centavos);

b) A ré Zênia, enquanto proprietária da empresa de fachada, criada para receber as verbas destinadas pelo seu
chefe e pessoa com quem mantinha amizade íntima, Luiz Augusto Ribeiro Filho, por ser responsável por vários
saques de dinheiro cujo destino desconhece; e ao réu Álvaro Brito por ser, do mesmo modo, integrante do gabinete

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em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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de Luiz Augusto Filho e seu amigo, tendo, outrossim, assumido a titularidade da empresa de fachada, com fim de
receber as verbas, cuja destinação não soube explicar coerentemente; ademais de ter realizado pagamentos de
débitos pessoais da esposa de Valmir, à época

Os atos enquadrados pelo autor ao réu seguem em destaque abaixo:

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de
vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas
entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:

I- - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou
indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que
possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;

(...) XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo
patrimonial das entidades mencionadas no art. 1° desta lei;

XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei.

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica,
de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;

V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer
ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e
notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

In casu, subsumindo o caso concreto à Lei de Improbidade Administrativa, percebe-se que o ato praticado pelos
requeridos encaixam-se nas previsões dos arts. 9, 10 e 11 da LIA. Por consequência, quanto às penalidades
cabíveis, com fulcro no art. 12 da Lei nº 8.429/92, aplico as seguintes sanções:

I- Perda da função Pública, caso esteja ocupando;

II- suspensão dos direitos políticos por 06 (seis) anos;

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em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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III- multa civil correspondente ao prejuízo ao erário de r$ 147.280,55 (cento e quarenta e sete mil e duzentos e oitenta
reais e cinquenta e cinco centavos), para cada um dos réus citados acima;

c) Quanto à Maria Valdenice, irmã de Valmir Monteiro, presidente da Associação Produtiva São Joseé, cuja natureza
fraudulenta já é conhecida por esta Justiça, tendo emitido cheque em favor da DISTAC, de natureza igualmente
fraudulenta.

Os atos enquadrados pelo autor ao réu seguem em destaque abaixo:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica,
de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;

V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer
ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e
notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

In casu, subsumindo o caso concreto à Lei de Improbidade Administrativa, percebe-se que o ato praticado pela
requerida encaixa-se nas previsões dos arts. 10 e 11 da LIA. Por consequência, quanto às penalidades cabíveis, com
fulcro no art. 12 da Lei nº 8.429/92, aplico as seguintes sanções:

I- Perda da função Pública, caso esteja ocupando;

II- suspensão dos direitos políticos por 05 (cinco) anos;

III- multa civil correspondente ao prejuízo ao erário de r$ 147.280,55 (cento e quarenta e sete mil e duzentos e oitenta
reais e cinquenta e cinco centavos), para cada um dos réus citados acima;

d) O réu Valmir Monteiro, então aliado e amigo de Luiz Augusto Ribeiro Filho, e pertencente à família que detinha o
controle da já sabida fraudulenta Associação Comunitária São José, tendo utilizado dinheiro da conta da DISTAC
para PAGAR O IPVA do carro da sua esposa, em 2013, mostrando, pois, que era beneficiário direto do desvio de
verbas.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2021000131476-16. fl: 15/19
Os atos enquadrados pelo autor ao réu seguem em destaque abaixo:

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de
vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas
entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:

I- receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou
indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que
possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público; (...)

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica,
de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;

V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer
ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e
notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

In casu, subsumindo o caso concreto à Lei de Improbidade Administrativa, percebe-se que o ato praticado pelo
requerido encaixa-se nas previsões dos arts. 9, 10 e 11 da LIA. Por consequência, quanto às penalidades cabíveis,
com fulcro no art. 12 da Lei nº 8.429/92, aplico as seguintes sanções:

I- Perda da função Pública, caso esteja ocupando;

II- suspensão dos direitos políticos por 06 (seis) anos;

III- multa civil correspondente ao prejuízo ao erário de R$ 147.280,55 (cento e quarenta e sete mil e duzentos e
oitenta reais e cinquenta e cinco centavos), para cada um dos réus citados acima;

e) A DISTAC por sua natureza fraudulenta, sem atividade empresarial, prestando cursos por mera aparência e
sustentando-se, praticamente, apenas das verbas advindas das subvenções.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2021000131476-16. fl: 16/19
Os atos enquadrados pelo autor ao réu seguem em destaque abaixo:

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de
vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas
entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:

XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo
patrimonial das entidades mencionadas no art. 1° desta lei;

XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei;

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica,
de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;

V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer
ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e
notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

In casu, subsumindo o caso concreto à Lei de Improbidade Administrativa, percebe-se que o ato praticado pelo
requerido encaixa-se nas previsões dos arts. 9, 10 e 11 da LIA. Por consequência, quanto às penalidades cabíveis,
com fulcro no art. 12 da Lei nº 8.429/92, aplico as seguintes sanções:

I- proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de oito anos;

II- multa civil correspondente ao prejuízo ao erário de R$ 147.280,55 (cento e quarenta e sete mil e duzentos e
oitenta reais e cinquenta e cinco centavos), para cada um dos réus citados acima;

f) A associação, seja pela ligação familiar dos seus controladores com do Deputado Gustinho Ribeiro e com Álvaro
Brito do Nascimento Júnior; seja por terem aceitado viabilizar o esquema de corrupção repassando do dinheiro de
forma fraudulenta.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2021000131476-16. fl: 17/19
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica,
de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;

V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer
ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e
notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

In casu, subsumindo o caso concreto à Lei de Improbidade Administrativa, percebe-se que o ato praticado pelo
requerido encaixa-se nas previsões dos arts. 10 e 11 da LIA. Por consequência, quanto às penalidades cabíveis, com
fulcro no art. 12 da Lei nº 8.429/92, aplico as seguintes sanções:

I- proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;

II- multa civil correspondente ao prejuízo ao erário de R$ 147.280,55 (cento e quarenta e sete mil e duzentos e
oitenta reais e cinquenta e cinco centavos), para cada um dos réus citados acima;

Impende salientar que o valor do prejuízo deve ser corrigido monetariamente pelo índice do INPC, desde o depósito
das verbas para o adimplemento das obras em questão, incidindo juros de mora, a partir da citação, no patamar
empregado pela Fazenda Pública (art. 406 do CC c/c o art. art. 161, §1º, do CTN).

A indenização pelo dano moral coletio será revertida ao fundo previsto art 13 da Lei de improbidade,
atualizado e acrescido de juros de mora de 1%.

Após o trânsito em julgado desta decisão, deverá a Secretaria providenciar a comunicação para o TRE, informando-o
sobre a suspensão dos direitos políticos aplicada aos condenados, bem como para a União, o Estado de Sergipe e
todos os seus Municípios, informando-lhes da penalidade imposta quanto à proibição de contratação, além de
inscrever o nome dos condenados no rol existente no site do CNJ - Conselho Nacional de Justiça, certificando nos
autos.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2021000131476-16. fl: 18/19
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Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto, em 26/01/2021, às 08:27:15, conforme art. 1º, III,
"b", da Lei 11.419/2006.

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preenchimento do número de consulta pública 2021000131476-16.

Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, Juiz(a) de 1ª Vara Civel de Lagarto,
em 26/01/2021 às 08:27:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2021000131476-16. fl: 19/19